CASO CLÍNICO
LIFE SAVING
NEWSLETTER DAS VMER DE FARO E ALBUFEIRA
Saída da VMER de Faro (Dr Daniel Nuñez, Enfº João Paiva) às 15:00: Como na edição anterior, voltamos a apresentar um caso clínico real, sucedido numa das nossas VMER Algarvias. Sentimos que teria interesse específico para quem trabalha no pré-hospitalar dentro do contexto técnico, operacional e também psicológico/emocional. Devido à complexidade do caso apresentado em seguida, iniciamos com uma pequena introdução para contextualizar o acontecimento. Existem, associado a uma certa variabilidade individual, e de acordo com a especialização e experiência de cada um de nós, certas casuísticas que se destacam por nos deixarem mais preocupados. Mas há um cenário com que certamente ninguém quer ser confrontado voluntariamente: A paragem cardiorrespiratória de uma criança. Seja qual for a causa, trauma, afogamento, doença, etc. Estas ocorrências mexem profundamente com quem as tem que enfrentar. E apesar de não haver "regras" em geral como actuar, existem algumas recomendações que podem tornar estes casos menos traumatizantes para todos os intervenientes.
Vamos então ao caso concreto. Activação da VMER de Faro às 15:00h com os seguintes dados:
Vítima de 11 meses, sexo feminino, em PCR. 15:14h Chegada ao local: Depois de ter havido "confusão" na verdadeira localização do evento, com poucas referências de localização, perdeu-se aproximadamente 3-5 minutos até chegar ao local. 15: 15h Chegada à vítima: O ponto da situação foi apresentado pela equipa de Bombeiros: "…a vítima foi encontrada pelos familiares em PCR e o namorado da mãe (grávida) terá iniciado ventilação boca a boca. A última vez que a viram com vida foi aproximadamente há duas horas…" A equipa dos bombeiros verificou que a vítima se encontrava em PCR, tendo iniciado SBV, colocando pás do DAE e verificado ritmo não desfibrilhavel até à chegada da VMER durante aproximadamente 15 minutos. 15:17h Início de SAV com colocação de agulha intra-óssea no MID (membro inferior direito na região tíbial) para administração de adrenalina.
Realização de EOT com tubo 4 sem intercorrências. Na laringoscopia observação de cordas vocais em posição medialfechadas. Entretanto, os familiares informam que desde há duas semanas, a criança estava a fazer tra-
tamento para problemas respiratórios (bronquiolite?) com bronco-dilatadores inalados. Não existindo outros dados relevantes. 15: 45h Após aproximadamente 30 minutos de RCP tentativa de colocar outro acesso (Veia jugular externa esquerda) para administração de medicação, mas sem sucesso. 16: 15h Decisão em "desespero de causa" de utilização também da via aérea para administração de adrenalina. (administrada adrenalina intra-óssea e endotraqueal). Durante todo o período de RCP a criança encontrava-se sempre em assistolia. 16: 35h Suspensão de RCP e verificação de óbito.
Conclusões/Deliberações: Ao contrário das situações em que a vítima é transportada para o hospital em manobras de RCP, o facto de declarar um óbito de uma criança no local, seja no domicílio ou em outro lugar, pode colocar a equipa médica numa posição muito complexa. As reacções emocionais dos familiares, embora compreensíveis, representam um desafio enorme, e podem até pôr em causa a integridade física dos operacionais. Deve ponderar-se sempre o pedido de autoridade no local atempadamente.
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LIFESAVING | MAIO 2017
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