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Lifesaving 4

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ÉTICA E DEONTOLOGIA

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LIMITE DE INTERVENÇÃO NO DOENTE PALIATIVO RESPIRATÓRIO A dispneia afirma-se como um dos sintomas mais angustiantes quer para os doentes, como para os seus familiares ou cuidadores, motivando múltiplas chamadas de emergência.

pia, ácido e-aminocapróico para tratamento de hemoptises e terapêuticas não farmacológicas, tais como ventoinhas e técnicas de relaxamento, deverão ser igualmente equacionadas. 4

Trata-se de uma das queixas mais prevalentes nos doentes terminais, quer oncológicos, quer não oncológicos, como acontece na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica ou Insuficiência Cardíaca Congestiva.1

Quanto à Ventilação Não Invasiva, além de desconfortável, pode agravar a sensação de asfixia, sendo que o ruído constitui uma barreira na comunicação com os familiares, muitas vezes essencial para controlar o estado de ansiedade.4

Tal como a dispneia, a tosse e hemoptises podem ser igualmente aflitivas. No cenário pré-hospitalar os doentes paliativos constituem um desafio particular, dado a decisão de iniciar ou não medidas de suporte avançado de vida ter de ser célere e frequentemente baseada em informação limitada. Não obstante, os doentes agónicos requerem intervenção médica qualificada. Para além do exame físico, a ecografia à cabeceira do doente tem ganho cada vez mais adeptos, uma vez que permite a rápida identificação de patologias facilmente tratáveis, tais como pneumonia, edema agudo do pulmão ou derrame pleural, cujo tratamento pode aliviar a sintomatologia respiratória.2

A abordagem terapêutica irá assim variar conforme a etiologia, prognóstico e objetivos. No contexto da patologia terminal, o uso de broncodilatadores, tão corriqueiros para o médico de emergência, tem aqui um papel limitado e frequentemente obsoleto. Os opióides são um dos pilares do controlo sintomático da dispneia em cuidados de fimde-vida, bem como na supressão da tosse. De salientar que, perante sintomatologia e titulação adequada, não induzem depressão respiratória, nem aceleram o processo de morte.3

Dado o prognóstico reservado, torna-se evidente a ausência de critérios para Ventilação Invasiva.

Numa fase extremamente avançada e de difícil controlo sintomático, poder-se-á recorrer à sedação paliativa. A decisão jamais deverá ser tomada individualmente, mas sim em conjunto com doente ou responsável legal, bem como com a Equipa de Cuidados Paliativos. Em última instância, no doente paliativo respiratório a primazia é dada ao conforto e não à cura. Bibliografia: 1. Currow DC, Smith J, Davidson PM, et al. Do the trajectories of dyspnea differ in prevalence and intensity by diagnosis at the end of life? A consecutive cohort study. J Pain Symptom Manage. 2010;39(4):680-690 2. Zanobetti M, Poggioni C, Pini R. Can chest ultrasonography replace standard chest radiography for evaluation of acute dyspnea in the ED? Chest. 2011;139(5):1140-1147 3. Clemens KE, Klaschik E. Symptomatic therapy of dyspnea with strong opioids and its effect on ventilation in palliative care patients. J Pain Symptom Manage. 2007.;33(4):473-481 4. Shreves A, Pour T. Emergengy management of dyspnea in dying patients. Emerg Med Pract. 2013 May;15(5):1-19

As benzodiazepinas, anestésicos locais em nebulização como supressores da tosse, mucolíticos, controlo de secreções com butilescopolamina, oxigenotera-

Teresa Salero Médica da Unidade de Cuidados Paliativos, Hospital de Faro teresa_salero@hotmail.com

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LIFESAVING | MAIO 2017

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