LIFE SAVING
NÓS E OS OUTROS mandíbula”.
NEWSLETTER DAS VMER DE FARO E ALBUFEIRA
a permeabilização da via aérea, tanto em contexto de trabalho com equi-
No pré-hospitalar os casos de obstrução da via aérea ocorrem sobretudo
em dois grupos: crianças e idosos. Nas crianças a causa subjacente é geralmente a introdução de objetos na cavidade oral, enquanto que nos idosos a dificuldade de mastigação, as disfagias ou relaxamentos dos músculos presentes na via aérea superior são os principais responsáveis. Nas obstruções mecânicas é possível a realização de laringoscopia com recurso ao laringoscópio e lâmina e a utilização da pinça de Magill para a
pas de suporte básico como equipas de suporte avançado de vida. O conceito associado à intervenção das equipas SIV representa um papel intermédio entre as diversas equipas de emergência médica permitindo a execução de alguns procedimentos mais avançados sem nunca excluir a presença e necessidade de outras equipas. Inicialmente, os meios SIV contavam com a presença dos tubos endotraqueais para assegurar uma via aérea definitiva. Após o ano de 2013, as
recomendações do Grupo Europeu de Ressuscitação (2010) de que a
remoção dos corpos estranhos.
entubação endotraqueal ”só deve ser tentada por operacionais treinados O trabalho realizado em contexto de Suporte Imediato de Vida (SIV) está
com elevado nível de experiência” e que “os operacionais do pré-
assente em protocolos e procedimentos que abrangem a aplicação de
hospitalar só devem fazer entubações traqueais enquadrados num pro-
dispositivos supra glóticos, a execução de ventilação assistida, ventilação
grama estruturado e monitorizado, com treino específico de competên-
mecânica ou se necessário, e como último recurso, a cricotomia, de forma
cias, recertificação e monitorização regulares.”, foi seguida pelo INEM.
a assegurar a via aérea.
Foram então removidos os tubos endotraqueais destes meios.
A máscara laríngea (LM), dispositivo supraglótico, indicado somente no
Esta mudança conduziu a um retrocesso, particularmente em situações de
protocolo de Paragem Cardiorrespiratória, em contexto SIV, dispensa a
hipotermia com necessidade de entubação endotraqueal, em que as
necessidade de substituição por um tubo endotraqueal, sendo passível a
máscaras laríngeas “I-gel” não permitem permeabilizar ou assegurara via
sua utilização aquando da realização de manobras de compressão. Desta-
aérea e no casos de grandes queimados ou queimaduras da via área em
ca-se ainda a sua eficácia em situações de via aérea difícil.
que as máscaras laríngeas se encontram contraindicadas pelo rápido
As mascaras laríngeas “I-gel”, desde que aplicadas corretamente, apre-
edema da glote. Nos casos referidos, seria benéfica a utilização dos tubos
sentam a particularidade de conter uma abertura que permite a passa-
endotraqueais para assegurar a via aérea das vítimas. Embora a entuba-
gem de tubos de aspiração ou nasofaríngeos, sem interferir na permeabi-
ção endotraqueal configure um procedimento médico, como tantos outros, a sua realização rotineira pelos enfermeiros SIV assegurava a experiência pretendida. Com o futuro novas mudanças surgirão e com elas a esperança que sejam reunidas todas as condições para uma maior eficácia e eficiência nos procedimentos propostos e sobretudo na qualidade dos cuidados prestados às vítimas. Gestos simples ou manobras salvadoras permitem garantir a via área e a vida em vitimas inconscientes, encarceradas ou em espaços confinados
até à chegada de reforços diferenciados, e/ou mantê-la quando não se consegue aplicar medidas mais avançadas. Fig.5 Fonte: translifeemergencias.com
BIBLIOGRAFIA AZEVEDO. André e outros. (2014). Abordagem e Avaliação da Vítima – Formação Complementar
lidade da via aérea.
Técnico de Ambulância de Emergência. 1.ªEdição.
A ausência de cianose ou hipoxemia não garantem por si só que haja uma
BROU. Helene e outros. (2012). Abordagem à Vítima – Manual TAS/TAT. INEM. 1.ª Edição.
adequada ventilação, pelo que a avaliação complementar através de
Abordagem à Vítima – INEM.Versão 2; 1.ª Ed. 2012.
capnografia apresenta-se como uma mais valia em contexto de meio SIV. A reavaliação constante da vitima é primordial, assim como, a verificação constante dos equipamentos e respetivas avaliações de modo a evitar a leitura de dados incorretos atribuídos por exemplo à trepidação do trans-
Society of Critical Care Medicine; Fundamental Critical Care Support, fourth edition; chapter 2Airway management, 2007. Versão Portuguesa das Recomendações 2010 para a Reanimação do European Resuscitation Council da responsabilidade de Conselho Português de Ressuscitação, página 32.
porte.
João Cláudio Guiomar ENFERMEIRO VMER
Os meios SIV disponibilizam de diversos recursos que permitem assegurar
Mónica FebraTécnica Emergência Pré—Hospitalar Formador INEM
Sónia Carmo Enfermeira SIV
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LIFESAVING | MAIO 2017
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