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Abordagem da via aérea na criança. Que diferenças? Importa no entanto refletir sobre as diferenças anatomofisiológicas e patofisiológicas em pediatria até porque cerca de 15% da população portuguesa tem menos de 15 anos de idade. As crianças têm variados tamanhos o que nos obriga a constantes ajustes terapêuticos e das intervenções mediante recurso a fórmulas de cálculo e escalas, mas também apresentam diferenças anatómicas que se vão esbatendo com o crescimento (em particular a via aérea pediátrica adquire conformação anatómica semelhante à do adulto aos 8 anos de idade). Mas a diferença vai além da anatomia e estendese para a patofisiologia. Em pediatria é a falência respiratória a principal causa de paragem cardio-respiratória.
Dados de activação Criança de 10 anos no SU de Portimão para transferência urgente para Cirurgia Pediátrica por obstrução da via aérea. Durante o caminho contactada a Anestesista no local que refere preferir aguardar a chegada do Pediatra por se tratar de uma via aérea difícil em Pediatria À chegada à Unidade de Portimão a equipa encontra uma criança ansiosa, mas colaborante, em ventilação espontânea, ruidosa, sem tiragem, com sialorreia abundante e massa sub-lingual que comprime a língua contra a arcada dentária superior e incapacidade de verbalização. A instalação desta tumefacção tinha apenas 2 horas de evolução sendo a sua progressão no sentido do agravamento apesar de nebulização com adrenalina e administração de corticoide. Perante a necessidade de transporte e impossibilidade de assegurar segurança e permeabilidade da via aérea durante o mesmo atendendo à progressão em agravamento foi decidida a entubação em Bloco operatório, com recurso a estilete (boogie). Transportada por helicóptero.
Diagnóstico: Angina de Ludwig
A mortalidade pediátrica após paragem cardíaca em ambiente extra-hospitalar mantém-se significativamente elevada e este facto deve-se ao grau de dano causado pela hipoxemia até que surja a paragem cardíaca. Na impractilidade de possuir todos os dados de idade e peso à chegada ao local as fitas de Broselow ou Sandell constituem elementos valiosos para a rápida estimativa de peso e como tal dos valores de referência para cada faixa etária. Anatomicamente sabemos que a face e mandibula são pequenas e entre os 6 e os 12 anos os dentes podem estar em processo de esfoliação. A língua é relativamente grande e tende a obstruir a via aérea na criança inconsciente. O pavimento mandibular é facilmente compressível, pelo que o posicionamento dos dedos na mandibula para abertura da via aérea obriga a algum cuidado Mas apesar destas particularidades que fazem da via aérea local de aparente compromisso sabemos que abaixo dos 6 meses os lactentes são respiradores nasais obrigatórios e a obstrução nasal pode comprometer a oxigenação esta estreita faixa etária. A hipertrofia adenoideia e amigdalina (entre os 3 e os 8 anos) pode também tornar a via aérea um espaço ainda mais estreito
Perante o caso importa rever…
Continuando o nosso percurso ao longo da via aérea chegamos à epiglote, mais mole e larga que se projeta sobre uma laringe mais alta (C2-C3) e anterior.
A grande maioria dos estudos realizados em emergência médica têm por base a população adulta sendo posteriormente extrapoladas atitudes e resultados para a faixa pediátrica.
São as cordas vocais o espaço mais estreito da via aérea, no entanto na criança o maior estreitamento “funcional” é ao nível do anel cricoideu, com forma ovalada e que permite como tal a fuga de ar quando em uso um TET sem cuf.
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LIFESAVING | MAIO 2017
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