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Lifesaving n3

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LIFE SAVING

JOURNAL CLUB

NEWSLETTER DAS VMER DE FARO E ALBUFEIRA

Fazer ou não, pressão na Cricóide na entubação orotraqueal.

No JournalClub desta edição, decidimos falar de um procedimento tão banal na nossa prática, que provavelmente nunca nos questionámos profundamente acerca do seu fundamento científico – Manobra de Sellick. E porque andamos sempre à caça de artigos fresquinhos analisámos à lupa uma publicação de Novembro de 2016: Put pressure on the cricoid pressure. Na medicina, determinados procedimentos são estabelecidos tão profundamente que são passadas dogmaticamente de geração em geração de médicos e enfermeiros e reescritas em livros didáticos sem sequer serem questionados. Um exemplo particular é a pressão cricóide, utilizada para prevenir regurgitação gástrica e aspiração durante a indução e intubação de sequência rápida. Originalmente descrito por Arthur Sellick (daí a sua denominação: manobra de Sellick) em 1961, foi dogmaticamente aplicado ao longo de décadas, embora a literatura para apoiar a sua utilização seja escassa. Esta longevidade baseia-se, em grande parte, na fundamentação mecanicista convincentemente simples: força para trás aplicada à cartilagem cricóide em forma de anel esconde o esófago posteriormente localizado, prevenindo assim o refluxo gastro-faríngeo. Os autores deste artigo, citando Caruana et al, referem que a manobra de Sellick deverá ser foco de interesse de pesquisa renovada com discussão no cenário pré-hospitalar, uma vez que ao contrário do que acontece nos hospitais, (intubações controladas e optimizadas de pacientes sem jejum) no pré-hospitalar é certamente mais desafiador e pode assim ser mais suscetível à falha na intubação. Portanto, qualquer manobra desnecessária que possa complicar ou retardar a intubação deve ser evitada.

Outro argumento contra o uso da manobra de Sellick, segundo Haslam et al e Palmer, é que pode prejudicar a visualização laríngea durante a laringoscopia, prolongando assim a intubação endotraqueal. Contudo, estes autores não encontraram evidência de complicação na visão laríngea, mas na sua pesquisa, observouse uma maior taxa de complicações relacionadas à intubação quando foi aplicada pressão na cricóide (17% vs 10%). Os autores do artigo, com experiência como anestesistas e médicos de emergência pré-hospitalar, defendem que a técnica de intubação mais rápida, com maior taxa de sucesso e menor probabilidade de aspiração gástrica, é a técnica rotineiramente utilizada na prática diária. Eles acreditam que não é a manobra de Sellick a chave para prevenir a aspiração pulmonar, mas uma técnica de intubação rápida e versátil em combinação com uma unidade de sucção eficaz e de grande diâmetro. Os autores, corroborados por Gebremedhn et al, referem que habitualmente essa unidade de sucção, erradamente, não é rotineiramente preparada, pois deve estar disponível em todos os momentos em que uma sequência de indução e intubação rápida é realizada. Este artigo não fornece uma resposta clara à questão colocada, e como tal encorajam médicos e pesquisadores de emergência a continuar a desafiar esses dogmas para que, em última instância, elevar a qualidade dos cuidados de emergência. E como não ficámos satisfeitos com a explicação de Schober e Schwarte decidimos questionar um especialista:

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LIFESAVING | FEVEREITO 2017

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