RUBRICA PEDIÁTRICA
LIFE SAVING
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Parceria de cuidados em eventos pré-hospitalares de Pediatria
Seja qual for a especialidade ou a experiência do profissional de saúde pré-hospitalar, o seu ritmo cardíaco irá sempre aumentar aquando da ativação para uma saída pediátrica. É sem dúvida aquela saída onde (queiramos ou não) impera o sentimento de medo. Os profissionais têm medo do que irão encontrar e de como reagir. Os pais têm medo do que está a acontecer com os seus filhos, desconhecendo o prognóstico e muitas vezes assustados com informações menos fidedignas que pesquisam na internet e, as crianças têm medo por experienciar situações desagradáveis com as quais não sabem lidar. Estes medos geram ansiedade, sobretudo dos pais. E pais ansiosos geram crianças ansiosas. Nas palavras de Batmanghelidjh (2013), “When your parent´s out of control, your life falls apart!” Esta ansiedade gera condicionantes que afetam em muito as funções dos profissionais de saúde. O medo e a ansiedade da criança podem levar a sinais alterados, bem como a ansiedade dos pais pode levar a uma informação distorcida, resultando numa avaliação por parte dos profissionais de saúde menos correta. Uma avaliação incorreta associada ao stress dos profissionais de saúde, podem levar a uma atuação incorreta.
tribui para a sua recuperação (Mendes,2012)
Quando os pais têm o conhecimento do que se espera deles em relação aos cuidados a prestar ao filho e quando têm a compreensão da situação, é mais fácil gerir a sua ansiedade e desenvolver com eles um sentido de maior controlo da situação (Shields, Hunter & Hall, 2004). Junto da criança, a nossa atuação reside em técnicas de distração, uma vez que esta tem dificuldade a estar atenta a dois estímulos simultâneos (devemos utilizar os pais para nos auxiliar) e em brincar (se possível) uma vez que a brincadeira potencia a sua segurança (é aquilo que ela faz melhor). A nossa linguagem deve ser sempre adequada à idade já que a compreensão e a proximidade se conquistam pela forma de comunicação. “O processo de cuidar em pediatria, pela sua especificidade, determina que os profissionais desenvolvam as suas capacidades para responder com competência à singularidade do ato de cuidar a criança em parceria com os pais. Podemos dizer que na parceria é enfatizada a importância dos pais para o desenvolvimento integral da criança e para o desenvolvimento do próprio cuidado também. É valorizada a parentalidade no processo de cuidar.” (Casey,2006)
A melhor solução estudada para este problema reside na partilha de cuidados com os pais. Devemos ter uma atitude de empatia, tornando os pais parte da equipa, fazendo-os entender que estamos todos com o mesmo objectivo e da importância da sua presença e atitude perante os filhos. O objetivo da informação é promover a possibilidade de lidar os eventos, antecipando e compreendendo seus objetivos, significado e propósito. A informação deve ser simples, realista e verdadeira dada de várias formas, segundo as condições de cada criança e família (Batmanghelidjh, 2013). A colaboração dos pais independentemente da idade da criança, garante melhores cuidados. Com a ajuda dos pais identificamos melhor as necessidades da criança e isto conPedro Lopes SIlva Enfermeiro VMER
Bibliografia
pedrolopessilva@gmail.com
Batmanghelidjh, C. (2013). Vulnerable children: creating a service fit for purpose. The British Journal of General Practice. Broering, C., & Crepaldi, M. (2011). Preparação psicológica e o estresse de crianças submetidas a cirurgias. Psicologia em Estudo. Mendes, M., & Martins, M. (2012). Parceria nos cuidados de enfermagem em pediatria. Revista de Enfermagem Referencia. Shields, L., J., H., & J., H. (2004). Parent´s and Staff´s perceptions of parental needs during a child´s admission to hospital: an English perspective. Journal of Child Health Care.
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LIFESAVING | FEVEREIRO 2017
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