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Oxigenoterapia no pré-hospitalar no doente adulto A oxigenoterapia é o nome de um tratamento terapêutico que consiste em fornecer oxigénio(O2) ao paciente em questão, além do ar natural disponível. O uso de oxigénio suplementar em ambiente pré-hospitalar, tem como objectivo tratar e/ou prevenir hipoxemia. A saturação periférica de oxigénio deve ser monitorizada através de um oxímetro de pulso, e uma vez atingida a normoxemia, o aporte de oxigénio deverá ser titulado. A hiperóxia é um achado tão comum quanto a hipoxia, em doentes a quem foi administrado oxigénio em ambiente pré-hospitalar. Na maioria dos doentes a saturação alvo deverá estar entre 94%-98%, com a exceção dos doente em risco de falência respiratória tipo 2, cujas saturações deverão estar entre 88%92%. Passemos então, a algumas definições. Hipoxia/ Hipoxemia: Diminuição do oxigénio no sangue. Normoxia/ Normoxemia: Níveis dentro do limites normais de oxigénio no sangue. Hiperoxia/ Hiperoxemia: Excesso de oxigénio no sangue. Hipercapnia: excesso de dióxido de carbono (CO2) no sangue arterial Os valores de hipoxia, normoxia e hiperoxia são respectivos ás saturações lidas num oxímetros de pulso, enquanto que os valores de hipoxemia, normoxemia e hiperoxemia são correspondentes a pressão parcial de oxigénio (pO2) na gasometria. Está bem estabelecido que a hipoxemia severa resulta em falência orgânica e em morte, no entanto, o uso de oxigénio salva vidas quando utilizado apropriadamente na correcção da hipoxemia. A hiperoxemia pode causar vasoconstrição coronária, e paradoxalmente, a oxigenoterapia excessiva poderá piorar a entrega de O2 ao músculo cardíaco e aumentar assim, o tamanho da lesão do miocárdio e a mortalidade em caso de Enfarte Agudo do Miocárdio. Teoricamente, a hiperoxemia tem o mesmo efeito na circulação cerebral. A capacidade da oximetria de pulso de detectar uma deterioração clínica, está mascarada por saturações periféricas elevadas de oxigénio e, os doentes, poderem ficar severamente hipoxémicos antes que o corpo clínico perceba a deterioração da troca de gases. Se as saturações forem monitorizadas e oxigenoterapia for titulada, a oximetria de pulso deverá permitir perceber as necessidades de aporte de O2. O uso ina-
propriado de O2 em doente com risco de falência respiratória tipo 2 pode resultar em hipercapnia, acidose respiratória, falência orgânica, coma e morte. O grupo de patologias de risco para o desenvolvimento de falecia respiratória tipo 2 são: Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), Asma Severa, Fibrose Quística, Bronquiectasias, Patologias da Parede Torácica, Patologias Neuromusculares e Síndrome da Hipoventilação por Obesidade. Todos os doente de risco devem ser identificados antes de ser administrada oxigenoterapia. Portanto, o oxigénio é uma parte essencial da ressuscitação e estabilização no doente crítico. A oximetria de pulso deve ser medida em todos os doentes enquanto “5º sinal vital”, e posteriormente deve ser feita uma gasometria para analise dos gases arteriais. A oxigenoterpaia deve ser administrada a todos os doentes com hipoxemia severa (ex.: paragem cardio-respiratória (PCR), dispneia aguda, sépsis severa, etc.) numa fase inicial do processo de ressuscitação. Uma vez atingida a estabilidade do doente, a oxigenoterapia deve ser administrada conforme a oximetria de pulso e os valores da gasometria (se disponível). Na maioria dos doente dispneicos mas não hipoxémicos, o aporte de O2 suplemen-
tar não é necessário. No entanto, se a saturação do doente diminui >3%, mesmo que os valores se encontrem dentro do intervalo da normalidade, O2 suplementar deverá ser administrado, pois existe risco elevado de um deterioração do estado geral inicial do doente. Existem duas excepções, intoxicação por monóxido de carbono e pneumotórax, em que, ainda que os doentes não estejam hipoxémicos, deverá ser mantido o aporte de O2 suplementar em alto débito. Concluímos assim, que no doente crítico deverá ser administrado O2 15L/min via mascara de alto débito até que seja atingida estabilidade, altura em que a saturação periférica deve estar entre 94-98%. Nos doente em risco de falência respiratória tipo 2, a saturação periférica deve estar entre 88-92%. A oxigenotrapia deve ser administrada apenas em caso de hipoxia, e que em doentes taquipneicos mas normóxicos, o aporte de O2 suplementar não está indicado. Concluímos também, que uma análise de gases arteriais (gasometria) é essencial na avaliação inicial do doente hipoxémico e na monitorização da terapêutica com O2.
Isabel Rodrigues MÉDICA VMER
isabel.v.rodrigues@gmail.com
O2 15L/min via mascara de alto débito. 1. Doença Crítica com necessidade de O2 suplementar em alto débito.
Uma vez atingida a estabilidade —> reduzir o aporte de O2 até atingir saturações entre 94-98%. Se o doente estiver incluído no grupo de risco de falência respiratória tipo 2, o objectivo de saturações iniciais são semelhantes, até estar disponível análise por gasometria. O2 2-6L/min via cânula binasal, ou 5-10L/min via
2. Doença Grave com necessidade de O2 suplementar em quantidade moderada se o doente estiver hipoxémico.
Mascara de Venturi tendo como objectivo saturações entre 94-98% Se as saturações alvo não forem atingidas, e/ou se a saturação inicial for <85%, deverá ser administrado O2 15L/min via mascara de alto débito. Se o doente estiver incluído no grupo de risco de falência respiratória tipo 2, o objectivo de saturações são 88-92%. Poderão ser ajustadas para 94-98% se estiver disponível análise gasométrica.
3. DPOC/ outras patologias em risco de falência respiratória tipo 2, com necessidade de O2 em doses baixas.
Até ter acesso a uma análise gasométrica, usar FiO2 28% /4L/min) via Máscara de Venturi, com o objectivo de atingir saturações entre 88-92%. Após a realização de um gasometria poderá ser feito o ajuste de saturações entre 94 -98% se não existir hipercapnia.
4. Patologias em que o doente deve estar monitorizado, sem aporte de O2, a não ser que exista hipoxia
Se existir hipoxemia, devem ser tomadas medidas semelhantes ao ponto 2.
https://www.brit-thoracic.org.uk/document-library/clinical-information/oxygen/emergency-oxygen-use-in-adult-patients-guideline/emergency-oxygen-use-in-adult-patients-guideline/ http://breathe.ersjournals.com/content/breathe/9/4/246.full.pdf http://rc.rcjournal.com/content/respcare/58/1/86.full.pdf
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