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Lifesaving n3

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LIFE SAVING

NÓS POR CÁ

NEWSLETTER DAS VMER DE FARO E ALBUFEIRA

Checklist do politraumatizado grave

Em 1999 o Institute of Medicine (US) publica um dos textos de maior influência na implantação da qualidade assistencial - «To err is Human: Building a Safer Health System»(10), onde são descritos os dados estatísticos da mortalidade total devida a erro no dercurso da assistência médica nos Estados Unidos. Registou-se uma mortalidade anual entre 44.000 e 98.000 doentes, sendo considerada a oitava causa de mortalidade, acima dos acidentes de viação (38.000 doentes), neoplasia de mama (36.000 doentes) e SIDA (11.000 doentes). Os custos calculados associados rondaram os 17- 29 bilhões de dólares. Um dos dogmas da atuação médica, descritos no Juramento Hipocrático - ´´primum non nocere ´´ é uma das bases da gestão da qualidade e segurança assistencial. Assim, evitar o erro é primordial no acto médico (tal como a identificação, triagem, diagnóstico e tratamento) e poderá evitar a ocorrência de um evento adverso (lesão produzida pelo tratamento ou complicação no acto assistencial, não derivada da doença de base) e que, em casos extremos, poderia ter grande magnitude com eventos sentinela (morte ou grande incapacidade). A Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations (JCAHO), em 2005, descreve a falta de comunicação (entre profissionais e entre profissional - doente e familiares), como o principal erro envolvido na aparição de eventos sentinela nesse ano. Define que até 80% das reclamações secundárias a má prática tem como base problemas na comunicação. A OMS realizou um estudo entre os anos 2008-2009, a nível mundial, e obteve uma diminuição

da mortalidade de 35,2,% para 24,3% ,depois de ter implementado o uso de Checklist na passagem de dados dos doentes.(13). O conhecimento e identificação dos possíveis erros (na comunicação, medicação…) que poderiam desenvolver-se em cada uma das etapas da assistência médica, é tarefa fundamental na previsão dos mesmos. Atualmente poderemos encontrar inúmeras publicações onde estão descritos os erros mais frequentes na assistência ao politraumatizado na área pre-hospitalar e hospitalar, de que são exemplo as ´´Normas de Boa Prática em Trauma”, da Ordem dos Médicos, 2009 (14,15). Baseado nestes pressupostos, a Sala de Reanimação da Unidade de Cuidados Intensivos do Departamento de Emergência, Urgência e Cuidados Intensivos (DEUCI) do Hospital de Faro, iniciou no ano 2014 o ´Projecto de otimização do doente grave na Sala de Reanimação´, envolvendo a criação de vários protocolos. Na parte correspondente ao doente politraumatizado, foi criado um protocolo assistencial, segundo as indicações internacionais (14) e baseado nas características próprias do Centro. Em 2015 foi desenvolvida, em parceria com a Coordenação da VMER, uma Checklist para o Politraumatizado Grave, que foi implementada apartir de 10 de Dezembro, nas VMER de Faro e de Albufeira. Os objetivos, nesta primeira fase, foram: a identificação de critérios de gravidade com dados objetivos (critérios de cinemática e/ou fisiológicos) no ambiente préhospitalar, assim como a criação de um espaço de registo de dados, estruturados de forma simples. Com esta nova ferramenta de registo e

identificação procurou optimizar-se a qualidade assistencial, mas também o tempo de atuação (Golden Hour), ao qual, está associada maior percentagem de mortalidade (distribuição da mortalidade trimodal do politraumatizado, Trunkey) (16 ). Os objetivos iniciais na utilização da Checklist são:  Identificação do politraumatizado

grave, segundo um critério de gravidade (Revised Trauma Score) e / ou um critério de risco ( alta cinemática);  ativação do Hospital de destino

para a preparação da equipa de recepção;  transmissão de dados de relevo,

sem perda de informação, que possa influenciar a evolução do doente nas horas a seguir.

A Checklist é preenchida pela Equipa VMER e é entregue à Equipa da Sala de Reanimação no Hospital, a qual é usada na fase inicial para consultar os dados relevantes (características da cinemática, volume de fluidos, tempo de imobilização em plano, tipo de analgesia, Pain Scale EVA…) e que posteriormente será arquivada em formato digital (em fase de validação técnica). A Checklist tem um formato A3 (dobrável) e apresenta duas faces: uma face A, onde se regista a identificação da unidade assistencial, numero de ficha CODU, características da cinemática, dados fisiológicos iniciais, procedimentos terapêuticos e dados fisiológicos de uma segunda avaliação (Fig 3).

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LIFESAVING | FEVEREIRO 2017

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