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Lifesaving n3

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LIFE SAVING

NÓS POR CÁ

NEWSLETTER DAS VMER DE FARO E ALBUFEIRA

Checklist do politraumatizado grave

O traumatismo grave é uma pandemia de alta prevalência que tem tido um grande crescimento nos últimos 40 anos. Esta entidade clínica representa a quinta causa de morte e sexta de incapacidade mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), registaram-se 5 milhões de mortos por traumatismo no ano 2000, números semelhantes aos produzidos pelo VIH/ SIDA, malária e tuberculoses combinados, e dos quais 90% destes traumas acontecem em localizações geográficas com recursos económicos médios-baixos (1,2,3). O estudo realizado pela The Global burden of disease and risk factors ,com o apoio da OMS, prevê que em 2020 o traumatizado corresponderá a 20% dos problemas de saúde do mundo.

Na distribuição etiológica do trauma grave, salienta-se os acidentes de viação, correspondendo a 25% dos casos, com uma mortalidade anual de 1,25 milhões de pessoas, que coloca esta entidade como a nona causa de morte mundial(4). O impacto destes dados é ainda maior quando é reconhecido que o traumatismo grave produzido por acidentes de viação é a principal causa de morte na faixa etária dos 1545 anos nos países industrializados (Fig 1). Além da importância da perda humana, numa população em fase ativa da vida, destaca-se também a perda do ponto de vista económico, se con-

tabilizados os custos da mortalidade derivada dos acidentes de trânsito. Em 2009 foram registados na Comunidade Económica Europeia 35.000 mortos por acidentes de viação, com um custo total (atuação administrativa, equipas assistenciais e tratamentos) de 130.000 milhões de euros. Em Portugal Continental, em 2015, registaramse 122.800 acidentes de viação, 478 vítimas mortais, 2.206 feridos graves e 37.958 feridos ligeiros, correspondendo a uma vítima mortal e seis feridos graves por dia (5,6). A relevância dos dados expostos traduzem a importante repercussão no âmbito mundial, europeu e nacional da elevada quantidade de mortos que afectam uma faixa etária fundamental para o desenvolvimento social e económico de qualquer pais.

te intenso, de forma que na atualidade temos disponíveis equipas multidisciplinares treinadas com formação avançada (ATLS, PHTLS, entre outros cursos), trabalhando com material específico, garantindo a qualidade dos cuidados fora dos centros de atendimentos convencionais. Os inúmeros avanços têm permitido realizar uma classificação da gravidade da vítima politraumatizada, segundo critérios internacionais (7,8,9):  critério de gravidade: anatómico

(ISS – Injury Severity Score);  critério de gravidade: fisiológico

(Revised Trauma Score);  critério de risco: exposição (alta

cinemática);  critério de risco: co-morbilidades:

(idade, doença de base, gestação). A medicina do traumatismo grave teve como um dos seus máximos expoentes o Dr Cowley, um cirurgião americano que, nos anos 50, iniciou estudos sobre o choque no trauma, realizados no primeiro centro assistencial específico para esta entidade clínica, criado nos EUA. A “Golden Hour” foi o resultado desses estudos, sendo ainda hoje a base da atual dinâmica assistencial no doente politraumatizado. Nestes últimos 50 anos, o avanço na abordagem e tratamento da vítima com traumatismo grave tem sido especialmen-

Depois de terem aparecido várias publicações nos anos 50 e 60 nas quais se refletiu sobre a importância da segurança clinica, criou-se no âmbito hospitalar uma perspectiva diferente do ponto de vista da gestão na prestação dos cuidados médicos. Com a chegada dos anos 90 e de algumas publicações de relevo (Harvard Medical Practice Study), surgiu a preocupação na melhoria do sistema assistencial.

Fig 1 .Epidemiologia do trauma grave. (in F. Alberdi, I. García, L. Atutxa, M. Zabarte Grupo de Trabajo de Trauma y intensivismo de SEMICYUC.pg 3). PÁGINA

LIFESAVING | FEVEREIRO 2017

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