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Volume 62 | Nº 462 • Abril/maio/junho 2014

Dois anos de Brazilian Rice: passos firmes na

internacionalização do arroz Página 28

Fenarroz

Ranking

Manejo

Fórum Internacional do Arroz é destaque na programação

Conheça as 50 maiores beneficiadoras de arroz do RS

Práticas na entressafra garantem sucesso na lavoura

Página 16

Página 26

Página 36

Abril, maio e junho de 2014 | Lavoura Arrozeira No462

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A revista Lavoura Arrozeira é uma publicação do Instituto Rio Grandense do Arroz Av. Missões, 342 - Porto Alegre (RS) – Brasil CEP 90230-100 / Fone (51) 3288.0400 www.irga.rs.gov.br www.facebook.com/IrgaRS - @IrgaRS ISSN: 0023-9143

Governador do Estado: Tarso Genro Vice-governador: Beto Grill Secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio: Claudio Fioreze Presidente do Irga: Claudio Fernando Brayer Pereira Diretor Comercial: Elói José Thomas Diretor Técnico: Rui Ragagnin Diretor Administrativo: Paulo Renato Sampaio Assessoria de Comunicação: Ben-Hur Corvello (coordenador), Camila Raposo Caroline Freitas, Marlise Mattos e Rossana Vecchio

Atendimento ao Leitor: revista@irga.rs.gov.br (51) 3288.0455

Para assinar gratuitamente a revista Lavoura Arrozeira acesse: www.irga.rs.gov.br/assine . É permitida a reprodução de matérias, desde que citada a fonte. Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.

m maio de 2012, o cenário do mercado orizícola nacional mudou: até então muito voltado à demanda interna, voltou seus olhos para o mundo. Foi quando teve início o programa Brazilian Rice, a partir da assinatura de um convênio na Feira Nacional do Arroz (Fenarroz), em que entidades do setor se uniram em prol do objetivo comum, promover a exportação do cereal brasileiro. Para marcar os dois anos da iniciativa, esta edição da Lavoura Arrozeira conta na matéria central a trajetória do projeto, seus principais desafios e conquistas até aqui. A foto de capa mostra o embarque de arroz no Porto de Rio Grande, ilustrando a expansão do produto nacional. A Fenarroz, pontapé inicial nesta mudança, traz na sua programação de 2014 a continuidade dessa discussão. Entre os destaques do evento está o Fórum Internacional do Arroz, que terá como tema central a logística e a internacionalização do arroz brasileiro. A feira traz ainda palestras sobre novas cultivares do Irga e sobre produção e disponibilidade de sementes de arroz irrigado para a próxima safra.

O produtor pode se aprofundar no assunto para planejar a próxima safra, encontrando aqui dicas para realizar o manejo adequado na propriedade no período de entressafra, com o preparo antecipado do solo e a seleção de sementes de boa qualidade. As práticas aplicadas em um condomínio agropecuário no distrito de Pavão, no município de Capão do Leão, também podem servir de exemplo. As propriedades apostam na rotação do arroz com a soja, e o investimento na pecuária de corte exige a oferta de pastagem de qualidade, decorrente de um planejamento adequado de uso e ocupação do solo. Em um momento crucial de expansão de mercados do arroz brasileiro, o Irga divulga ainda o ranking com as 50 maiores indústrias beneficiadoras de arroz do Estado. Em 2013, o Brasil teve 8,037 milhões de toneladas do cereal industrializadas, e estas empresas foram responsáveis por 63% desse montante, mostrando a profissionalização do setor. Boa leitura! Claudio Pereira Presidente do Irga

Índice Foto do leitor......................................... 4 Gestão........................................................5 Curtas.........................................................6 Qualificação............................................8 Safra..........................................................10 Pesquisa.................................................14 Fenarroz.................................................16 Tributação.............................................18 Relações internacionais.................20 Palavra do produtor.........................22 Ranking..................................................26

Capa.........................................................28 Artigo técnico - Manejo................34 Manejo....................................................36 Consumo...............................................38 Receita....................................................40 Análise climática................................41 Previsão do tempo...........................44 Colheita..................................................46 Artigo técnico - Brusone...............49 Pelos Nates...........................................52 Almanaque...........................................54

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Foto: Eduardo Rocha

Coordenação editorial: Marlise Mattos – Mtb 11378 Produção e execução: Cartola – Agência de Contéudo Edição: Márcia Schuler – Mtb 16.266 Reportagem: Juliana Matte Winge, Márcia Schuler e Douglas Saraiva Colaboração: André Oliveira, Álvaro Escher, Carlos Fagundes, César Marques, Cleusa Amaral, Eraldo Jobim, Felipe Ferreira, Glauco Freitas, Gustavo Funk, João Gimino Félix , Mario Azeredo, Michel Kelbert, Paulo Sampaio, Rodrigo Schoenfeld, Sérgio Lopes e Victor Hugo Kayser Projeto gráfico: Ulisses Romano (Visual Agência – Comunicação e Design) Diagramação: Ulisses Romano (Visual Agência – Comunicação e Design) Capa: Marcel Avila Impressão: Companhia Rio-Grandense de Artes Gráficas (Corag) Tiragem: 12 mil

Arroz do mundo E


Foto do leitor

Fotos de Alegrete, Arroio Grande e Santa Vitória do Palmar

vencem concurso O

inseto capturado pela teia de uma aranha em meio à lavoura de arroz, registrado na fotografia de Juliano Bastos Pazini, de Alegrete, foi o preferido pelo público nesta edição do Concurso Cultural Sua Foto na Revista Lavoura Arrozeira. O fotógrafo integra o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Manejo Integrado de Pragas

(Nemip), da Universidade Federal do Pampa. O segundo lugar ficou com a imagem de Maria Cecília Agrello Silveira, de Arroio Grande, e o terceiro com Michela Dornelles, de Santa Vitória do Palmar. Nesta seção, são publicadas as três imagens mais curtidas pelo público na página do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga)

no Facebook (www.facebook. com/IrgaRS). Para participar do concurso, envie suas fotos para revista@irga.rs.gov.br. Os leitores podem enviar até cinco fotos que retratem o dia a dia, a paisagem e as peculiaridades da lavoura arrozeira. O regulamento completo pode ser consultado no site www.irga.rs.gov.br.

2º 2º lugar: foto de Maria Cecília Agrello Silveira, de Arroio Grande (RS)

1º lugar: foto de Juliano Bastos Pazini, de Alegrete (RS) 4

Lavoura Arrozeira No462 | Abril, maio e junho de 2014

3º lugar: foto de Michela Amorin Rocha Dornelles, de Santa Vitória do Palmar (RS)


Gestão

Governo autoriza Irga a realizar

novas nomeações Até junho, o Irga deve enviar ao governo uma proposta para a criação de mais vagas administrativas, com o objetivo de abrir novas seções em departamentos já existentes

Foto: Eduardo Rocha

A

pós a posse dos aprovados no último concurso do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em dezembro, o governo do Estado do Rio Grande do Sul autorizou novas nomeações. Serão abertas mais 26 vagas, sendo 10 para técnicos superiores orizícolas com formação em agronomia, cinco para técnicos superiores administrativos - para os cargos de contador e administrador -, sete para técnicos orizícolas e quatro para assistentes administrativos. “Queremos enviar, até junho, a proposta de novas vagas administrativas para o governo”, explicou o diretor administrativo do Irga, Paulo Sampaio. A ideia é criar novas seções dentro de alguns departamentos já existentes. “Estamos trabalhando em cima de uma nova proposta de reformulação do organograma e do regimento interno e pretendemos que tudo fique pronto até junho”, projeta o diretor. O objetivo das mudanças é facilitar e agilizar o trabalho, reduzindo a burocracia. Outro destaque é que o reajuste dos vencimentos básicos de provimento efetivo do Quadro em Extinção integrante do Quadro de Pessoal do Irga que haviam sido autorizados na Lei N° 14.240 e que foi feito em três etapas termina em 2014. Já a Lei nº 14.450/14 garante a incorporação da Gratificação de Acompanhamento

Paulo Sampaio, diretor administrativo da Taxa de Cooperação e Defesa de Orizicultura (Taxa CDO) no momento da aposentadoria para os quatro servidores que atuam na fiscalização da referida taxa, que agora fica incorporada à aposentadoria do servidor que tenha recebido a bonificação por cinco anos consecutivos ou dez intercalados. Esta era uma reivindicação antiga dos técnicos orizícolas e do Sindicato dos Servidores do Irga. Sampaio destaca que a incorporação ao vencimento básico da Gratificação por Exercício das Atividades de Técnico Orizícola (Geato) se dará de imediato e atingirá atuais servidores, inativos e do novo quadro pessoal, e terá valor de R$ 600. Assim, o valor referente à gratificação passa a ser utilizado para os cálculos de vantagens e demais benefícios. A capacitação também tem sido destaque nos quadros do Irga. O concurso foi o primeiro passo no investimento para qualificação do

pessoal, que segue forte na autarquia. Exemplo disso foi a viagem realizada por funcionários do Irga à Colômbia para um curso de formação na área orizícola, sobre a qual você pode saber mais na página 8. Em maio, os engenheiros agrônomos Elio Marcolin e Pablo Gerzson Badinelli estiveram no Arkansas, nos Estados Unidos, para um curso sobre mangueiras de irrigação realizado pela fabricante Delta Platics.

Mais vagas abertas • 26 novos concursados ingressarão na autarquia, dos quais: • 10 técnicos superiores orizícolas com formação em agronomia • 5 técnicos superiores administrativos • 7 técnicos orizícolas • 4 assistentes administrativos

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Foto: Ben-Hur Corvello

Curtas

Presidente do Irga recebe Troféu Brasil Expodireto O presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Claudio Pereira, recebeu no dia 9 de março o Troféu Brasil Expodireto na categoria reconhecimento, no Centro de Eventos Bier Site, em Carazinho. O troféu é uma promoção de Cotrijal, Sicredi, Icatu Seguros, Rede Pampa e Jornal O Sul. Demonstrando a força do agronegócio brasileiro, o Troféu Brasil Expodireto foi entregue a 17 lideranças do setor nacional. Com o objetivo de homenagear quem se destaca no agronegócio, a edição de 2014 reuniu mais de 700 pessoas, entre lideranças políticas e do setor, que é o

que mais alavanca o desenvolvimento do país. O evento contou com a presença do então ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, e do então secretário de Agricultura, Pecuária e Agronegócio, o deputado Luiz Fernando Mainardi.

Foto: Rome Eventos/Divulgação

Paella campeira marca participação do Irga na Expotchê Entre os dias 21 e 30 de março, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) participou da 22ª edição da Expotchê, em Brasília (DF), a maior feira de produtos, serviços e cultura do Rio Grande do Sul fora da região Sul. A autarquia integrou o estande do governo do Estado e promoveu uma paella campeira no jantar de abertura do evento. Para sobremesa, foi servido o tradicional arroz de leite. A programação da Expotchê incluiu apresentações musicais, danças, produção artesanal, agricultura familiar, divulgação turística da região, produção industrial e comercial. A feira, que contou com 320 expositores, é uma promoção da Rome Eventos.

Foto: Ben-Hur Corvello

Irga participa da Abertura da Colheita no Uruguai O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) esteve presente na Abertura da Colheita de Arroz 2014 no Uruguai, no dia 1º de abril. O evento, promovido pela Associação de Cultivadores de Arroz (ACA), aconteceu em Vergara e reuniu diversas autoridades locais, 6

Lavoura Arrozeira No462 | Abril, maio e junho de 2014

inclusive o presidente uruguaio, José Mujica. O presidente do Irga, Claudio Pereira, participou como convidado especial e enalteceu a parceria da autarquia com entidades uruguaias em convênios que ajudam a proteger e desenvolver a orizicultura do Estado e do Uruguai. O ministro interino da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Enzo Venech, lembrou que o Uruguai exporta cerca de 95% do arroz produzido e utiliza tecnologia fundamentalmente nacional na lavoura orizícola.


Foto: Caroline Freitas

Curtas

Arroz é destaque na Expoagro Afubra O arroz foi um dos destaques da 14ª edição da Expoagro Afubra, feira técnica voltada à agricultura familiar que ocorreu de 25 a 27 de março no distrito de Rincão del Rey, em Rio Pardo (RS). O evento recebeu cerca de 400 expositores e contou com palestras, exposição de máquinas, venda e mostra de animais e alimentos, plantas ornamentais e artesanato. Durante o evento, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) apresentou novidades e tendências

da orizicultura. Junto à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a autarquia promoveu o Dia do Arroz. Na ocasião, foram apresentadas cultivares de arroz para cultivo mínimo e pré-germinado, tecnologias de manejo de soja e milho em condições de várzea e pesquisas relacionadas à integração lavoura-pecuária. A cultivar de soja TEC IRGA 6970 RR, desenvolvida para cultivo em áreas de várzea, foi um dos destaques. Para o almoço, a equipe do instituto serviu carreteiro aos mais de mil participantes do evento. “Este é o melhor ano da feira e a nossa melhor participação. Fiquei impressionado com a receptividade dos técnicos”, aponta o chefe de gabinete do Irga, César Marques. Já Elói Thomas, diretor comercial da autarquia, destacou o “espírito agregador que move os agricultores da região, buscando integrar esforços para melhorar os resultados”. O convite oficial para participar do evento veio em fevereiro, quando o presidente do Irga, Claudio Pereira, e Marques receberam a visita do secretário da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Romeu Schneider, e do coordenador da Expoagro Afubra, Marco Antônio Dornelles.

Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini

Conselheiros do Irga se reúnem com o governador

Um almoço no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, em Porto Alegre, marcou a segunda reunião do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, com os conselheiros do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). O encontro foi realizado para avaliar o andamento das reivindicações feitas na reunião anterior, apresentar novas demandas e fazer um balanço das ações realizadas nos últimos três anos. “Passamos

a levar o Irga para junto do produtor e baseamos permanentemente nossas ações nessa troca de informações”, declarou o presidente da autarquia, Claudio Pereira. Ele falou ainda sobre as mudanças estruturais do instituto, como as novas legislações e a realização do concurso público. Na ocasião, o então secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, destacou a boa situação econômica da lavoura arrozeira. “Conseguimos criar as condições para comemorar o terceiro ano seguido com preços bons e estáveis. Essas conquistas foram fruto não apenas das decisões políticas, mas também da ousadia dos produtores que tiveram a coragem de diversificar”, afirmou. Entre as novas demandas levadas ao governador, estiveram a utilização do Porto do Rio Grande, a situação das estradas municipais e a construção da nova sede da autarquia. “Estamos em um momento de estabilidade, mas os avanços são sempre relativos. É preciso exigir mais, continuar o diálogo e trabalharmos todos juntos”, destacou o governador. Abril, maio e junho de 2014 | Lavoura Arrozeira No462

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Qualificação

Curso promove integração do setor orizícola na

América Latina Foto: Divulgação

Dois novos concursados do Irga participaram de qualificação em Ibagué, na Colômbia

Ricardo Tatsch e Roberto Weiler, do Irga, representaram o Brasil no curso Curso Internacional sobre manejo del cultivo de arroz: cerrando brechas de rendimiento en América Latina

F

oram mais de 30 dias de aprendizado e troca de conhecimento em Ibagué, no departamento de Tolima, na Colômbia. Os funcionários do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) Ricardo Tatsch e Roberto Luis Weiler estiveram no país de 25 de janeiro a 24 de fevereiro para o Curso Internacional sobre manejo del cultivo de arroz: cerrando brechas de rendimiento en América Latina. Tatsch, engenheiro agrônomo responsável pelo escritório do Irga em Rio Pardo, e Weiler, engenheiro agrônomo pesquisador da seção de melhoramento da Estação Experimental do Arroz, passaram no concurso realizado pela autarquia em agosto de 2013 e foram os primeiros desta leva a realizar um 8

curso de qualificação na área. As atividades foram dividas entre teóricas, com 92,5 horas, e práticas, com 45 horas. O curso, realizado pela última vez na década de 1990, foi organizado pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical (Ciat), pelo Fundo Latino Americano de Arroz Irrigado (Flar), e pela Federação Nacional de Arrozeiros da Colômbia (Fedearroz). “Oferecemos uma oportunidade de capacitação para formar uma nova geração de agrônomos para fechar as lacunas na produção de arroz”, diz Eduardo Graterol, diretor executivo do Flar. Desta edição, participaram 29 profissionais de 12 países: Brasil, Colômbia, Venezuela, Panamá, Chile, Costa

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Rica, Argentina, Bolívia, México, Nicarágua, Peru e Uruguai. O grande foco do curso foi o manejo para a orizicultura - desde o melhoramento genético até a sistematização do solo, preparo antecipado das áreas, construção de açudes e represas, densidade de semeadura, uso de adubo, controle de pragas, colheita e processamento de grãos. “Enfim, fomos para conhecer as boas práticas para a produção de arroz”, resume Weiler. A Colômbia e o Brasil possuem algumas semelhanças na orizicultura, como o fato de possuírem regiões com diferentes potenciais de rendimento. Uma das principais diferenças entre os dois países, contudo, é um dos fatores que mais pode contribuir para o intercâmbio. Por ser um país de clima tropical, os problemas são diferentes dos enfrentados no Rio Grande do Sul, por exemplo. Lá, as dificuldades relacionadas ao manejo são maiores, uma vez que as temperaturas costumam ser sempre altas, o que faz com que haja alta incidência de pragas e doenças. Weiler explica que, como se produz arroz o ano inteiro, o ciclo das doenças acaba não sendo quebrado. O controle de pragas e plantas invasoras também foi um dos fatores que mais surpreendeu Tatsch, que


Foto: Arquivo pessoal

Qualificação

Tatsch, responsável pelo escritório do Irga em Rio Pardo

Irga é referência na região Os treinandos contam que, mais de uma vez, o Irga foi mencionado durante o curso como uma referência a ser seguida no setor orizícola, especialmente no que diz respeito à pesquisa - do desenvolvimento de variedades ao manejo - e na difusão de tecnologia por meio dos Núcleos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nates). Weiler destaca que a autarquia foi bastante citada no que diz respei-

to ao armazenamento de água. Ele explica que a Colômbia tem poucas represas, e que o país acaba dependendo muito da chuva na produção agrícola - daí o Estado se mostrar como referência. O uso de sementes certificadas, comum para os gaúchos, também serve como referência para os vizinhos - enquanto países como o Uruguai costumam utilizá-las, Venezuela e Colômbia ainda apresentam baixa porcentagem de sementes certificadas nas lavouras. “As iniciativas de pesquisa e a extensão também chamam atenção, e o Irga se destaca por conseguir fazer este intercâmbio”, acrescenta. Aliado à pesquisa, o serviço prestado pelo instituto é outro fator ressaltado pelos países vizinhos. “A extensão rural e todo o serviço gratuito, que oferecem aos produtores o que há de novo em tecnologia, fazem com que o Irga seja referência na área”, avalia Tatsch. Para o engenheiro agrônomo, a viagem serviu para “abrir a cabeça”, ou seja, ver tudo o que já foi feito pelos outros Weiler é pesquisador na seção de melhoramento países para analisar o da Estação Experimental do Arroz Abril, maio e junho de 2014 | Lavoura Arrozeira No462

Foto: Arquivo pessoal

assinala o avanço colombiano nesta questão. O relatório apresentado pelos funcionários do Irga após a viagem destaca que a Colômbia, por já sofrer com mudanças climáticas e com o consequente aumento de pragas, pode ajudar as lavouras gaúchas, que começam a sentir os efeitos destas oscilações. “Devemos estar atentos, pois estes insetos e estas doenças podem vir a ser problema nas lavouras gaúchas num futuro nem tão distante”, indica o documento. “Aqui, começamos a ter grandes problemas com brusone ano passado, enquanto na Colômbia eles existem há vários anos, então a gente pode se espelhar neles,e não cometer os mesmos erros”, exemplifica Tatsch.

que pode ser melhorado e aplicado nas lavouras gaúchas. Tatsch aponta que o contato com profissionais de diferentes regiões também é importante, e conta que a convivência durante o curso resultou na criação de um grupo no Facebook para trocar ideias e informações sobre o que acontece em cada localidade. “Tudo que diz respeito ao arroz e acontece nos países vizinhos é repassado ao grupo. Por exemplo, se inicia alguma calamidade no Uruguai, que é nosso vizinho, sabemos que temos que nos precaver aqui”, exemplifica. “O curso ajuda a compreender a realidade de vários países. Conhecemos um pouco de cada um para enxergar o mercado como um todo, não olhar só a nossa lavoura de arroz. Além disso, formamos essa rede de contato, e como em geral os participantes são novos na área de arroz, daqui a 20, 30 anos, ainda vamos ter contato, e isso é de grande valia”, aponta Weiler.

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Safra

Safra 2013/14: produção total deve ficar em 8,1 milhões de toneladas

Foto: Fagner Almeida

A produtividade média está estimada em 7,3 mil quilos por hectare, havendo aumento na área semeada em comparação à safra anterior

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Lavoura Arrozeira No462 | Abril, maio e junho de 2014


Safra

A

safra 2013/14 já é considerada boa pelo setor orizícola brasileiro. Até o fechamento desta edição, 91,4% dos 1.115 milhão de hectares cultivados nesta temporada haviam sido colhidos. A produtividade média deve ficar em 7,3 mil quilos por hectare, com a produção total em torno de 8,1 milhões de toneladas. “Tivemos uma safra muito boa, apenas um pouco abaixo da de 2010/11, quando 8,9 milhões de toneladas foram colhidas”, destaca o chefe da sessão de política setorial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Victor Hugo Kayser. Neste ano, em torno de 70% das cultivares utilizadas são de ciclo médio. Houve um pequeno aumento na área em comparação com o

ano anterior, quando 1.076 milhão de hectares foram semeados. Em 2012/13, o Estado colheu 8.069 milhões de toneladas. Os produtores que fizeram o manejo de solo antecipadamente conseguiram semear no período preferencial, entre outubro e novembro. Porém, em novembro, a questão climática atrapalhou o andamento dos trabalhos - foram 15 dias com chuvas que impediram que o plantio avançasse. “Em novembro, tivemos 60% da área plantada, enquanto nossa estimativa era chegar a 85%”, explica Kayser. Com isso, algumas regiões tiveram o plantio mais tardio, enquanto outras acabaram ficando fora de época. Outra questão que atrapalhou o

desempenho da safra deste ano foi o excesso de calor nos meses de janeiro e fevereiro. As temperaturas próximas aos 40ºC em diversos dias fizeram com que algumas plantas tivessem a floração afetada e não formassem grãos. Com isso, o resultado final ficou um pouco abaixo das expectativas iniciais do Irga. Porém, o presidente da autarquia, Claudio Pereira, considera que 2014 vem sendo extremamente positivo para o setor orizícola. “Este foi um ano de colher os frutos da política bem ajustada, em um caminho bem desenhado”, salienta o presidente. Para ele, 2012/13 e 2013/14 devem ser anos de referência para as próximas ações do setor, já que houve incremento de área cultivada sem que os preços fossem afetados.

Evolução da área colhida - safra 2013/14 Região - Nate

Área Semeada (ha)

Área Colhida (ha)

Área Colhida (%)

Produção (t)

Produtividade (kg.ha-¹)

Fronteira Oeste

333.680

330.197,00

98,96

2.615.593,04

7.921,31

Campanha

166.705

157.106,00

94,24

1.199.539,42

7.635,22

Depressão Central

151.524

138.313,00

91,28

959.071,91

6.934,07

Planície Costeira Interna

145.797

133.881,00

91,83

925.473,60

6.912,66

Planície Costeira Externa

137.998

136.328,00

98,79

878.035,35

6.440,61

Zona Sul

179.710

165.485,00

92,08

1.259.050,26

7.608,24

TOTAL GERAL

1.115.414

1.061.310,00

95,15

7.836.763,58

7.384,05

Fonte: Dater/Nates. Atualizado em 2.05.2014. Elaboração: Seção Política Setorial. * Média ponderada das áreas com apuração de dados de produtividade obtida.

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Safra

Baseado na experiência deste ano, Pereira mantém uma visão otimista para a próxima safra, ainda que acredite que o Estado está chegando a um limite de área. “Embora ainda tenhamos para onde expandir, um dos fatores limitadores é a questão da água, e outro são as questões agronômicas”, explica. Pereira está projetando um horizonte positivo para o setor e se diz satisfeito com a atual tendência para o mercado de arroz. O presidente destaca que um dos fatores mais importantes para se chegar a este ponto foi a harmonização de todos os elos da cadeia produtiva. “Governo, produtores e indústria estão trabalhando de maneira conjunta”, conclui. Uma meta para os próximos anos é estimular o investimento em

armazenagem e secagem próprias, o que garante autonomia ao produtor, além de reduzir os custos e fugir do gargalo logístico, uma vez que proporcionam a liberdade de vender para quem quiser, na hora em que os preços estiverem melhores. Além disso, tendo a secagem e a armazenagem próximas à propriedade, se reduz os custos com frete, e o produtor fica mais comprometido com a qualidade do seu produto. Em relação aos preços, este também vem sendo um ano positivo, já que, mesmo em período de entrada de safra, não há queda. A média atualmente está em torno de R$ 35 a saca. “Um fator que ajuda a manter o preço do arroz em plena colheita é a política tributária do governo do Estado. O crédito

presumido desestimula as importações, pois permite que as empresas que beneficiarem no mínimo 90% do arroz gaúcho ampliem o crédito de 3,5% a 7%”, aponta Pereira. “A exportação está ajudando a sustentar os preços e não temos a pressão do arroz uruguaio e argentino, que estão com outras opções de venda”, acrescenta César Marques, coordenador da Câmara Setorial do Arroz do Rio Grande do Sul e chefe de gabinete do instituto. Outro fator que ajuda a sustentar as cotações são as ações realizadas pelo setor para a exportação, com destaque para o programa Brazilian Rice (saiba mais sobre o projeto na página 28). Na temporada 2013/14, foram vendidas 1.201 milhão de toneladas de arroz e importadas

Evolução da semeadura - safra 2013/14 20/12/2013 Região - Nate

27/12/2013

Intenção (ha) Área Semeada (ha)

Área Semeada (%)

Área Semeada (ha)

Área Semeada (%)

Fronteira Oeste

333.290

332.131,00

99,7

333.290,00

100,00

Campanha

168.049

168.049,00

100

168.049,00

100,00

Depressão Central

151.931

151.175,00

99,5

151.931,00

100,00

Planície Costeira Interna

141.733

139.410,00

98,4

141.733,00

100,00

Planície Costeira Externa

139.618

139.618,00

100

139.618,00

100,00

Zona Sul

180.664

180.664,00

100

180.664,00

100,00

TOTAL GERAL

1.115.285

1.111.047,00

99,6

1.115.285,00

100,00

Fonte: Dater/Nates. Elaboração: Seção Política Setorial.

12

Lavoura Arrozeira No462 | Abril, maio e junho de 2014


Safra

Evolução percentual da área semeada 100,0

100,0

90,0

85,3

80,0 70,0 60,3

60,0

55,7

50,0 51,8

40,0 30,0 20,0 10,0 0 20/set

2010/11

27/set

04/out

11/out

2011/12

965.799 toneladas do cereal. No total, foram 53 os destinos da produção nacional. “Estamos no terceiro ano consecutivo de saldo positivo na balança comercial com destaque para Cuba, Venezuela, Senegal, Serra Leoa e Benim”, destaca Marques.

Rotação diminui custo da lavoura Para o presidente do Irga, o custo de produção da lavoura está alto. Ele aponta como uma opção vantajosa ao produtor para a redução de custos a rotação com a soja e até mesmo com o milho (saiba mais na matéria da página 14). “A soja não elevou o preço do arroz, ela uniformizou a oferta do cereal ao longo do ano, garantindo mais estabilidade”, destaca Pereira. Antes, era

18/out

25/out

2012/13

01/nov

08/nov

15/nov

22/nov

2013/14

29/nov

06/dez

13/dez

20/dez

27/dez

Fonte: Nates. Elaboração: DCI/Seção política Setorial

preciso vender o produto quando da colheita para gerar receita, mas com a entrada da oleaginosa, o produtor vende a soja no primeiro semestre para se capitalizar, o que ajuda a sustentar os preços do cereal. O gráfico que antes tinha tanto picos positivos quanto negativos, se torna cada vez mais linear. A rotação com a soja incorpora nitrogênio ao solo e permite o combate de muitas plantas daninhas. “Além das vantagens técnicas, temos uma economia de fertilizantes e herbicidas”, aponta o presidente. Com isso, se melhora a qualidade do arroz, já que a rotação ajuda no combate do arroz vermelho e preto. O uso de tecnologias resulta no bom desempenho das últimas safras. “Hoje, a produção do Brasil se assemelha à média dos principais produtores mundiais”, ressalta Kayser.

Mais qualidade na safra do arroz agroecológico Na colheita do arroz agroecológico, a projeção inicial era de que a produtividade média ficasse em 5 mil quilos por hectare, em uma área cultivada de 4 mil hectares. Segundo Celso Alves da Silva, coordenador técnico do Grupo Gestor do Arroz Agroecológico, esta projeção não deve se confirmar em razão do atraso no plantio, por causa do excesso de chuvas. Além disso, durante a fase reprodutiva o calor intenso ocasionou perdas pontuais em algumas lavouras. “Neste ano, podemos ter perdas em relação à quantidade, mas, mesmo com estes problemas, a qualidade está muito superior em relação ao ano passado”, explica Silva.

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Pesquisa

Irga obtém bons resultados em pesquisas com

milho irrigado

Em estudo há dois anos, cultura do milho em rotação com o arroz depende de irrigação, alta tecnologia e manejo para ser bem-sucedida

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lgo impensável há pouco tempo, a rotação do milho em áreas de arroz irrigado pode se tornar comum no Estado. Uma pesquisa envolvendo a prática vem sendo desenvolvida há dois anos pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Os estudos preliminares já obtiveram rendimento de 12 a 13 toneladas por hectare, além das vantagens no que diz respeito ao combate ao arroz vermelho. “Embora seja muito cedo para o produtor apostar na cultura, já que os estudos ainda estão em andamento, enxergo o milho nos dias atuais como foi a soja há quatro ou cinco anos nas terras baixas”, exemplifica o engenheiro agrônomo e pesquisador da autarquia Rodrigo Schoenfeld. Ele destaca que, enquanto não for possível diminuir os riscos por estresse hídrico e utilizar as práticas de manejo em alto nível, é preciso ter cautela. A pedido do governo do Estado, o Irga desenvolve pesquisas sobre a produção de milho em áreas de várzea desde a temporada 2012/13. Schoenfeld ressalta que, para o milho, a questão hídrica é extremamente importante. Este ano, 3,6 hectares foram cultivados com sistema de irrigação e outros 3,6, sem. Nas áreas irrigadas o rendimento ficou entre 12 e 13 toneladas por hectare, enquan14

to nas que dependiam das questões climáticas ficou em apenas três toneladas por hectare. “O problema dessa cultura sempre é água, tanto demais quanto em falta e, sem irrigação, os riscos ao produtor são muito elevados”, pondera Schoenfeld. A demanda hídrica das plantas por metro quadrado é de oito litros por dia. Para o engenheiro agrônomo, o milho se encaixa tanto na pequena quanto na grande propriedade como forma de diversificar a renda e ajudar na alimentação animal para produção de carne e leite, em pequena e em grande escala. “Viabilizando esse uso na metade sul do Estado, favorecemos indiretamente a suinocultura e a avicultura e ainda ajudamos a trazer indústrias para a região, desenvolvendo-a como um todo”, avalia Schoenfeld. Para o presidente do Irga, Claudio Pereira, o cultivo do milho abre uma série de possibilidades para o produtor. “O cereal é estratégico para o Estado, pois vira tanto alimento humano quanto ração animal e pode ser matéria-prima para geração de energia renovável”, ressalta. No primeiro ano, foram feitos estudos preliminares para verificar a viabilidade de cultivar o milho nas áreas de várzea, com a implantação de unidades de observação em diver-

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sas regiões do Estado. No segundo, foram realizadas ações de pesquisa mais aprofundadas, envolvendo a curva de resposta à fertilização, avaliação de diferentes tipos de irrigação e métodos de semeadura. No primeiro experimento foi estudada a curva de resposta à adubação nitrogenada, para determinar a dose de máxima eficiência econômica da aplicação desse insumo, que é um dos mais importantes na definição da produtividade do milho. Foram utilizadas três estratégias para diminuir as perdas de nitrogênio por volatilização quando aplicado em cobertura: parcelamento da aplicação, aplicação anterior à ocorrência de precipitação pluvial e uso da ureia com inibidor de urease. No segundo trabalho de campo relacionado à densidade populacional, verificou-se que os maiores rendimentos são obtidos com densidades entre 80 e 100 mil plantas por hectare, desde que haja irrigação. “Nessa situação, o tamanho das espigas pode ser menor, mas a produtividade final será maior”, destaca Schoenfeld. Em relação à época de semeadura, os trabalhos realizados pelo Irga nesses dois anos mostram que os maiores rendimentos de milho irrigado são para semeaduras no mês de outubro, com a colheita


Foto: Rodrigo Schoenfeld

Mercado

A questão hídrica é essencial para o cultivo do milho ocorrendo em março. Nesse caso, mais uma vez, a irrigação é uma prática indispensável para evitar perdas com os prováveis períodos de estiagem que coincidem com as fases de maior demanda hídrica da cultura, que são o florescimento e o enchimento do grão. Porém, se o produtor não dispõe de irrigação, deve semear no final do mês de agosto ou início de setembro para “fugir” da seca, e a produtividade será menor. A estratégia de escapar da seca no estádio reprodutivo da cultura obrigatoriamente elimina a possibilidade de explorar melhor a maior disponibilidade de radiação solar nos meses de dezembro e janeiro. A semeadura antecipada, no mês de agosto, também requer cuidado para regiões de ocorrência de geada nessa época. A ideia para este ano é a integração das práticas de manejo para que se possa dimensionar os resultados com todas as ações sendo postas em prática, além de manter as pesquisas nos ramos de irrigação e drenagem. “O grande objetivo técnico é

oferecer ao produtor uma opção para o controle do arroz vermelho e, ao mesmo tempo, trazer lucros”, explica o pesquisador. As terras usadas nas pesquisas vão ser devolvidas melhores do que foram recebidas, já que participam da rotação de cultura, prática com vantagens largamente conhecidas pelos produtores. De acordo com Schoenfeld, a rotação ideal seria arroz-soja-milho-soja-arroz e coberturas de solo no inverno como o azevém, por exemplo. Como ambos os cereais necessitam de irrigação, a ideia é utilizar o sistema existente, que é superdimensionado e ocioso durante parte do ano. Foram feitos testes com aspersão e sulcos, e a segunda opção se mostrou melhor. Irrigação, alta tecnologia e manejo são fatores decisivos para o sucesso da cultura do milho em áreas de arroz irrigado. O cultivo do milho em áreas de arroz ainda é uma prática incipiente no Estado, estando presente em apenas 1,5 mil hectares, embora em várzeas sem orizicultura a presença

seja mais significativa. Para Schoenfeld, um dos principais problemas é que os preços de mercado do cereal são uma incógnita para os produtores e não apresentam firmeza como a soja. Além disso, depender da questão climática é sempre um fator de risco elevado, já que o hectare cultivado com milho custa em média 2,5 vezes mais do que com a oleaginosa. Os primeiros resultados do estudo chamaram atenção e trouxeram parcerias, especialmente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Isso é muito bom, porque agiliza todo o processo, uma vez que tem mais gente envolvida nos trabalhos”, destaca o pesquisador. A participação do professor da UFRGS e consultor técnico do Irga Paulo Régis Ferreira da Silva já possibilitou que duas dissertações de mestrado relacionadas às pesquisas fossem publicadas, e outras encontram-se em andamento. Somente da universidade, são mais de 10 pessoas, entre bolsistas e alunos, envolvidos nas atividades de pesquisa.

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Fenarroz

Fenarroz

deve reunir mais de 100 mil pessoas na 18ª edição Entre os destaques da programação, está o Fórum Internacional do Arroz, que contará com debates entre especialistas em logística, infraestrutura e agronegócio

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ção do evento com ações em todas as áreas, mas principalmente no Fórum, que é um dos carros-chefes do caráter técnico do evento”, destaca o presidente da feira, Luis Alberto Silva. A entidade espera manter o sucesso da edição de 2012, que chegou ao montante de R$ 220 milhões em comercialização. Neste ano, o Fórum Internacional acontece na tarde do dia 21. Aproveitando a localização privilegiada de Cachoeira do Sul para o escoamento de grãos do Estado – às margens do Rio Jacuí, o município possui ligação com os principais portos gaúchos – o Fórum focará na logística e infraestrutura interna de circulação do cereal no Rio Grande do Sul, bem como na logística portuária para exportação. O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Pedro Luzardo, inicia o debate, abordando a questão das ferrovias e o novo marco regulatório dos portos. O Projeto Brazilian Rice, parceria da Associação Brasileira da Indústria do Arroz com a Apex-Brasil, A última ediição da Fenarroz ocorreu em 2012 Foto: Ben-Hur Corvello

e 20 a 25 de maio de 2014, Cachoeira do Sul, na região da Depressão Central, recebe a 18ª Feira Nacional do Arroz (Fenarroz), que reúne alguns dos principais lançamentos em termos de tecnologia para beneficiamento e processamento de arroz, além de máquinas e implementos para a lavoura. Um dos destaques é a segunda edição do Fórum Internacional do Arroz, que reúne especialistas em logística, infraestrutura e agronegócio. São esperadas mais de 100 mil pessoas nos seis dias de evento, cuja programação é montada em conjunto pela Fenarroz e o Irga. “Estamos trabalhando desde junho do ano passado na organiza-

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firmada em 2012 na Fenarroz e hoje apoiada por várias instituições (saiba mais sobre a iniciativa na página 28) também será destaque na programação. Um dos palestrantes é o gerente do projeto, André Anele, que deve apresentar resultados e abordar questões de entrave para a internacionalização do produto. “O objetivo é mostrar a importância da participação do arroz brasileiro no mercado externo como garantia de equilíbrio e estabilidade para o mercado interno e, nesse sentido, identificar problemas que possam atrapalhar essa participação, dentre os quais a logística talvez esteja em primeiro lugar”, diz o diretor executivo do Sindicato das Indústrias do Arroz do RS (Sindarroz-RS), Cezar Gazzaneo. Chefe de gabinete do Irga e coordenador da Câmara Setorial do Arroz do Estado, César Marques destaca que o arroz brasileiro deve ser mais competitivo e focar na venda para países que possuem mais exigência no recebimento do arroz, principalmente na segurança dos alimentos. Para isso, o Estado deve ter um cuidado desde o preparo do solo até o embarque no navio. “Mais cedo ou mais tarde, países que hoje importam sem muitas exigências vão passar a ter esses cuidados. O


Fenarroz

Irga deve enxergar o futuro e sempre estar preparado para responder a essas situações”, avalia. Nos dias 22 e 23 ocorrem seminários técnicos, com temas como novas cultivares de arroz, produção de sementes, projeto de rastreabilidade de arroz e mercado internacional, entre outros. “A questão da rastreabilidade é muito importante e atual, já que é uma demanda do mercado internacional, justamente em um momento em que buscamos posicionar o cereal brasileiro no cenário mundial”, explica Gazzaneo. O cultivo orgânico também ganha destaque, a pedido do prefeito da cidade, Neiron Viegas, como forma de dar atenção também ao pequeno produtor. Para Gazzaneo, este é um nicho que vem ganhando força recentemente, pois muitos consumidores buscam produtos orgânicos preocupados com a saúde, ainda que isso signifique pagar um preço um pouco mais elevado pelo produto. No dia 23 ocorre a cerimônia oficial de abertura, com a presença do governador do Estado e diversas autoridades. O Irga conta ainda com uma cozinha experimental em parceria com o Senac-RS e o Grupo de Trabalho em Gastronomia Regional do Palácio Piratini para a realização de oficinas de produtos à base de arroz. As oficinas do Irga ficam a cargo de Cléo Amaral, nutricionista da autarquia. “Vamos fazer uma série de oficinas-aula ao longo de toda a feira, com foco em receitas com o cereal e sem glúten”, conta Cléo. Os professores de gastronomia do Senac e os chefs do Grupo de Gastronomia Regional também ministrarão oficinas com produtos à base de arroz. No encerramento, o Irga oferece o tradicional carreteiro e, de sobremesa, o arroz de leite.

Confira a programação da Fenarroz 2014 20.05

14h30 às 18h - Seminário Técnico Rotação de Culturas • A cultura da soja em rotação com arroz - Desafios e oportunidades, com Eng. Agr. Pablo Badinelli e Eng. Agr. Alencar Zanon da Estação Experimental do Arroz do Irga. • Resultados de pesquisa com a cultura do milho na várzea, com Eng. Agr. Rodrigo Schoenfeld da EEA do Irga. • Novas tecnologias de irrigação para soja e milho na várzea, com Eng. Agr. Elio Marcolin, da Estação Experimental do Arroz do Irga. • Monitoramento e prevenção regional de pragas na cultura da soja, com Eng. Agr. Edson Hirose da Embrapa Arroz e Feijão. • Previsão Climática: Inverno e 2º Semestre – Meteorologista: Glauco Freitas

21.05

10h às 12h - Reunião Aberta da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz do Estado do RS 12h - Almoço do 80º aniversário do Sindarroz – Sindicato das Indústrias do Arroz do RS

Fórum Internacional do Arroz Logística e Internacionalização do Arroz

14h às 15h - Marco Regulatório – Portos e Ferrovias. Painelista: Pedro L. Gomes, Superintendente Regional do Depto. Nacional de Infraestrutura e Transportes - Dnit. 15h às 16h - Questões da logística do Estado do RS – Infraestrutura Painelista: João Vitor Domingues, secretário de Infraestrutura e Logística do RS. Mediador: Claudio Fioreze – Secretário da Agricultura Pecuária e Agronegócio do RS. Debatedores: Cel. Arlindo Bonetti, da SPH; Miguel Evangelista Jorge, da ALL Logística; Pedro Luzardo Gomes, do Dnit; Henrique Dornelles, da Federarroz; e Elton Doeler Sindarroz. 16h às 17h30 Logística da Exportação de Arroz Painelistas: Dirceu Lopes, Superintendente do Porto de Rio Grande; Maurênio Stortti, Business Consulting Group; Márcio Pilger, Presidente da Companhia Estadual de Silos e Armazéns. Mediador: Claudio F.B. Pereira – Presidente do Instituto Rio

Grandense do Arroz - Irga. Debatedores: Guillermo Dawson, da Tergrasa; Fernando Fuscaldo Jr, da Tranships; Marco Aurélio Amaral Jr., da Abiap; e Vinícius Rufatto de Barros, Tecon. 17h30 às 18h30 Internacionalização do Arroz brasileiro Mediador: César Marques, Coordenador da Câmara da Setorial do Arroz do RS - Irga Painelista: André Anele – Gerente do Projeto Brazilian Rice Painelista: Mário Pergorer – Presidente da Abiarroz Painelista: Sabrina Bartz, Consultora Fiergs/Senai – Segurança dos Alimentos - Capacitação dos produtores de arroz para o mercado externo. Debatedor: Tiago Barata – Analista de mercado - Agrotendências

22.05

8h30 às 18h - Reunião dos Coordenadores Regionais com a direção da SEAPA 10h – Reunião do Conselho Deliberativo do Irga 14h às 18h - Seminário Técnico do Arroz • Novas cultivares de arroz irrigado do Irga, com a Eng. Agr. Mara Cristina Barbosa Lopes da Estação Experimental do Arroz do Irga. • Produção e disponibilidade de sementes de arroz irrigado para safra 2014/15, com o Eng. Agr. Felipe Gutheil Ferreira, Chefe da Seção de Produção de Sementes do Irga. • Relatos de experiências do cultivo de arroz orgânico no RS, com Emerson Giacomelli – Presidente da Coceargs.

23.05

11h – Abertura Oficial 12h – Almoço das Autoridades 14h – Assembleia Geral da Fearroz – Federação das Cooperativas de Arroz do RS.

24.05

12h - Carreteiro do Irga.

Diariamente

Oficina de Capacitação – “Alternativas do uso do arroz” - Promoção: Irga/Senac.

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Tributação

Nota fiscal eletrônica consolida tendência nacional e internacional A medida entra em vigor a partir do dia 1º de junho para vendas do setor orizícola, mas, a pedido do Irga, em um primeiro momento não será exigida para o arroz verde

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partir do dia 1º de junho, todo produtor, na hora de vender o arroz, deverá utilizar a Nota Fiscal eletrônica (NF-e). A medida está prevista na legislação vigente desde fevereiro, e é parte da consolidação de uma tendência tanto nacional quanto internacional que já vem sendo implantada em diversos setores da economia. “Este é um universo já firmado para as empresas e é um caminho irreversível”, acredita o sub-secretário adjunto da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, Joni Müller, que ressalta que a medida vem para simplificar a vida do produtor. “Entendemos como um avanço e uma facilidade para todos, e ainda combate a sonegação”, afirma o presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Claudio Pereira. O processo de digitalização, que começou em 2007, chegou a 2010 com uma ampliação massiva do uso do documento fiscal eletrônico. Em 2011, o produtor se aproximou ainda mais da tecnologia com o recebimento da contranota eletrônica. Desde a metade de 2013, as vendas de arroz para fora do Estado passaram a usar a NF-e e, a partir de dezembro do mesmo ano, 18

as operações de comércio exterior também passaram a fazer uso dela. A ideia inicial era que para a temporada de 2014/15 o produtor já estivesse familiarizado com o processo e emitisse na própria propriedade a nota do produto que se destina à secagem e/ou à armazenagem. Porém, conforme uma solicitação do Irga, atendendo a pedido de setores da cadeia produtiva, a nota fiscal eletrônica não será necessária para o arroz colhido neste primeiro momento, já que algumas regiões do Estado ainda encontram dificuldades em relação à comunicação. “O arroz verde tem a dificuldade de emissão do documento no local de início do trânsito, pois muitas vezes o produtor faz a primeira remessa para a secagem, armazenagem ou cooperativas. Ao efetuar a venda, via de regra, já está em um local onde a emissão fica mais facilitada”, explica Müller. A não obrigatoriedade da nota já neste momento trouxe um pouco mais de tranquilidade ao setor produtivo.

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“A agricultura familiar poderia ser atingida por ter menos capacidade de ter um equipamento de emissão. Mesmo para os maiores e mais capacitados a questão de infraestrutura de telecomunicação ainda é um problema”, pondera o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles. Müller destaca que, no ano passado, as empresas de telecomunicações assinaram na Assembleia Legislativa um termo de conduta em que se comprometem a dar tecnologia e infraestrutura de qualidade para o interior do Estado.


Fenarroz

Saiba como emitir a NF-e Como o setor orizícola é organizado e conta com ampla rede de apoio das entidades, a implantação do novo sistema não deve trazer maiores dificuldades. “A nota eletrônica também dá mais segurança a todos envolvidos, já que os talões deixam de circular e passam a ser usados certificados digitais ou o cartão pessoal do Banrisul, o que acaba por inibir fraudes”, explica Müller. Além disso, o processo digital dá mais agilidade para os municípios acompanharem as

negociações e o valor adicionado. De maneira geral, a NF-e acaba por ser uma ferramenta de segurança tanto para o orizicultor, que passa a ter mais controle sobre a sua produção, quanto para a indústria e para o Estado. Para que o produtor possa emitir suas notas, é preciso que ele tenha o dispositivo que conecta o cartão do Banrisul ao computador - atualmente, segundo Müller, 70% já possuem o cartão - ou adquira um certificado digital a baixo custo. De posse de uma dessas duas ferramentas, é necessário acessar o site da Secretaria da

Veja as principais vantagens em emitir a NF-e Menos gastos na aquisição de papel: como o documento é emitido eletronicamente, há redução de custos de impressão. Na NF-e, imprime-se apenas um documento em papel, o Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica (Danfe), cuja função é acompanhar o trânsito das mercadorias e facilitar a consulta da respectiva NF-e na internet; Redução de custos de armazenagem: atualmente os documentos fiscais em papel devem ser guardados para apresentação ao fisco. A NF-e não exige espaço físico para guardar documentos fiscais e elimina a logística para sua recuperação. Guardar o documento eletrônico continua sob responsabilidade do contribuinte, mas o custo do arquivamento é muito menor; Gerenciamento Eletrônico de Documentos: a NF-e não requer digitalização do original em papel, o que otimiza os processos

de gerenciamento. Isso facilita a recuperação e intercâmbio das informações e elimina a possibilidade de extravio. Como todos os exemplares da NF-e são autênticos, a autenticação de cópias não é necessária; Simplificação de obrigações acessórias: inicialmente, a NF-e prevê dispensa de Autorização de Impressão de Documentos Fiscais. No futuro, outras obrigações acessórias poderão ser simplificadas ou eliminadas; Caminhões param por menos tempo na Fronteira: alguns postos de fronteira digitam as informações dos documentos fiscais em seus sistemas durante as verificações. Com a NF-e, a mercadoria é acompanhada pelo Danfe, que contém um código de barras que permite que a chave de acesso da nota seja capturada para ser consultada na internet. Fonte: Sefaz-RS

Fazenda (www.sefaz.rs.gov.br), ir até o menu “Buscar por assunto” e selecionar “Nota Fiscal Eletrônica”. Lá, existe um passo a passo para auxiliar no preenchimento da guia. Para quem realiza muitas operações, é possível armazenar alguns dados de compradores, o que agiliza o processo. “O produtor continua responsável pela emissão da nota, que segue sendo um mecanismo pessoal e intransferível”, ressalta Müller.

Crédito presumido do arroz A NF-e é uma ferramenta que vem se somar ao crédito presumido do arroz, que favorece empresas que beneficiam o cereal no Rio Grande do Sul. O produto saía em casca para ser beneficiado em outros estados, e foi preciso aumentar a competitividade e valorizar a indústria gaúcha. A solução encontrada foi desestimular as importações e, ao mesmo tempo, valorizar a produção gaúcha. Para ter direito a este benefício, as empresas não podem ter mais do que 10% do seu total beneficiado provenientes de importações. Como a tributação para que o cereal deixe o Estado é de 12%, as indústrias que fizerem uso da produção local têm abatimento desta cobrança conforme o montante enviado para os demais estados. “Se a empresa não passar dos 10% estipulados para as importações, a tributação já passa para 7%, podendo cair ainda mais, dependendo de quanto da sua produção vai para fora do Estado”, esclarece Müller.

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Relações internacionais

Unidades em Cuba mostram como manter produtividade com menos sementes Técnicos do Irga estiveram na ilha para acompanhar áreas demonstrativas na região, além de conhecer as práticas do país caribenho em agroecologia

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ando continuidade ao convênio firmado com o Instituto de Grãos de Cuba (IIGranos, na sigla em espanhol), técnicos do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) viajaram ao país caribenho para acompanhar o desenvolvimento das unidades demonstrativas de arroz instaladas nas cidades de San Antonio de los Baños e Matanzas. Engenheiro agrônomo e pesquisador na Estação Experimental do Arroz, Rodrigo Schoenfeld havia visitado a ilha no ano passado, colaborando para a instalação das unidades. Além do pesquisador, representaram a autarquia o assessor da presidência, João Félix, e o coordenador regional da Zona Sul, André Oliveira, que estiveram na ilha de 24 a 29 de março. Um dos principais objetivos firmados pelos técnicos brasileiros na viagem do ano passado já está sendo cumprido em terras cubanas: mostrar que é possível manter a média de produtividade com uma quantidade menor de sementes por área. Nas lavouras cubanas, é comum que a densidade de semeadura chegue a 200 quilos por hectare, enquanto nas 20

unidades demonstrativas ficou entre 80 e 150 quilos. Schoenfeld destaca que outra conquista nas áreas demonstrativas foi a implantação do sistema de plantio direto em Matanzas. O sistema ajudou a reduzir uma as principais dificuldades encontradas pelos cubanos, a aquisição de maquinário, devido a embargos econômicos sofridos pelo país - como no plantio direto o revolvimento do solo é mínimo, as máquinas sofrem menos desgaste - e a contratação de mão de obra. “Quando há pouca gente, reduzir as atividades de preparo de solo é um grande avanço”, avalia Schoenfeld. A qualidade das sementes utilizadas também está em pauta. Na lavoura implementada na sede do Instituto de Grãos de Cuba em San Antonio de los Baños, está sendo realizado um ensaio com sementes classificadas e não classificadas. “Fica claro que há mais plantas daninhas quando as sementes não são classificadas”, explica o engenheiro agrônomo. Os ensaios devem ser colhidos entre junho e julho. Outra evolução importante foi a

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contratação de um técnico do IIGranos para trabalhar e acompanhar as ações nas unidades demonstrativas. Também foram identificados produtores-chave, que têm lavouras que podem servir como referência, para fazer a transferência de tecnologia em roteiros técnicos, abordando questões como densidade de semeadura, quando iniciar a irrigação, controle de plantas daninhas, adubação nitrogenada e semeadura direta. Apesar dos muitos avanços, Schoenfeld indica que ainda há pontos a serem aprimorados na produção cubana, especialmente no que diz respeito ao manejo da irrigação e da adubação de cobertura nitrogenada. A ideia é incentivar que os técnicos acompanhem de perto o momento em que essas práticas sejam desenvolvidas. Félix aponta ainda outro ponto importante da troca de conhecimentos com o país caribenho. Os técnicos do Irga levaram à Empresa Agroindustrial de Granos de Matanzas a proposta de sistema de armazenagem desenvolvida pela


autarquia, para que eles possam avaliar e executar o projeto. Além das reuniões técnicas e visitas às unidades demonstrativas, os técnicos do Irga participaram de reunião no Ministério da Agricultura, foram ao Centro de Investigações em Melhoramento Animal da Pecuária Tropical e conheceram propriedades de referência na orizicultura, inclusive na produção de arroz agroecológico. “É muito fácil trocar experiência com eles, que estão sempre dispostos a compartilhar conhecimento”, diz o assessor da presidência. O convênio de cooperação técnica entre o Irga e o instituto cubano começou em março de 2013, quando uma missão de pesquisadores do país caribenho veio ao Estado conhecer a agricultura gaúcha. A parceria é parte da iniciativa de cooperação RS-Cuba, desenvolvida pelo governo do Estado em diferentes setores.

Cooperação em agroecologia e saúde Uma das principais contribuições de Cuba nesta troca de conhecimento é a expertise na produção agroecológica. Félix conta que há fazendas que trabalham de forma coletiva, especialmente na produção de hortícolas. “Vimos ótimas experiências. Eles produzem seus próprios insumos, fazem compostos e ervas para controle biológico, desenvolvem a própria semente de milho. As propriedades são diversificadas, têm pimentão, milho, coco, tomate couve, batata-doce”, enumera o assessor. As ferramentas de controle biológico de pragas chamaram a atenção também de Oliveira. O coordenador regional da Zona Sul do Irga conta que, no país, é comum a produção

Foto: André Oliveira

Relações internacionais

Os funcionários Rodrigo Schoenfeld, João Félix e André Oliveira representaram a autarquia na visita de cooperação técnica

de fungos e vespas para este fim. Ele menciona o grupo empresarial cubano Labiofam, referência no desenvolvimento de produtos naturais - de biolarvicidas a cremes cosméticos. “Há o uso de micro-organismos eficientes, a aplicação de biofertilizantes e bioestimulantes, que são amplamente difundidos”, afirma. Em março, representantes do governo do Estado assinaram dois acordos de cooperação com o Labiofam para o intercâmbio nas áreas de agroecologia e saúde. O primeiro, firmado pela instituição cubana, a Fundação Estadual de Produção Pesquisa Saúde e o Laboratório Farmacêutico do Rio Grande do Sul, prevê a troca de conhecimentos para a produção de biolarvicidas, representação para registro e comercialização de medicamentos do Labiofam, estabelecimento de uma relação triangular com empresas para a produção no Brasil e interlocução do Labiofam junto a instituições de Cuba para colaboração na área de diagnósticos. O segundo acordo foi assinado pela Fundação Estadual de Pesquisa

Agropecuária e a instituição cubana e prevê assistência técnica na capacitação, pesquisa, produção e comercialização de produtos biológicos no controle de pragas, assim como biofertilizantes e bioestimulantes. “Com a cooperação nos diferentes setores, o Estado começou a existir para Cuba. É um caminho que se abre para relações diretas e permanentes”, assinala Norma Espíndola, coordenadora da cooperação RS-Cuba e assessora de Cooperação e Relações Internacionais do Estado. Somada à cooperação nos diferentes segmentos, as relações entre o país caribenho e o Estado também se fortalecem comercialmente, uma vez que Cuba é o maior comprador do arroz brasileiro - em 2013, a ilha importou 158.042 toneladas do cereal. “Além da transferência de tecnologia, as relações com Cuba se afinam, e já são negociadas relações permanentes na venda de arroz”, ressalta o chefe de gabinete do Irga e coordenador da Câmara Setorial do Arroz no Rio Grande do Sul, César Marques.

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Condomínio agropecuário aposta em diversidade e

qualificação Carlos Iribarrem conta com secagem e armazenagem próprias na produção

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aprendizado acumulado ao longo da vida, sintetizado em lições e práticas, constitui a base do sucesso de uma produção, consolidado pelo estímulo e valorização dos indivíduos. Aos 68 anos, o agrônomo Carlos Alberto Prestes Iribarrem busca na própria experiência os meios para aperfeiçoar a gestão de um condomínio agropecuário no qual a crença no potencial das pessoas é a força propulsora de uma parceria que há mais de quatro décadas cultiva saúde e qualidade de vida. O condomínio compreende as granjas Gruta Azul e São José, localizadas no distrito do Pavão, no município de Capão do Leão, região Sul do Estado. A trajetória, no entanto, não foi construída da noite para o dia. Quem cruza por ele ouvindo o rádio, caminhando pela orla de Itapema, em Santa Catarina, onde costuma passar as férias, não imagina que mesmo naquele momento de descontração e sossego as ideias convergem para o ambiente de trabalho. “A água é uma inspiração especial. Nesses momentos costumo pensar em coisas diferen22

tes e novas ideias para implantar na lavoura”, conta o produtor. Essa inquietação, somada ao desejo de se manter cada vez mais informado, ativo e instruído, foram os responsáveis por transformá-lo em um gestor de sucesso, admirado por colaboradores e parceiros. A motivação vem dos pais, pequenos produtores rurais de Canguçu, no sul do Estado, que, quando ele tinha apenas nove anos, abriram mão de tudo e se mudaram para Camaquã, com o único propósito de oportunizar estudo aos filhos. Mais tarde, Iribarrem acabou migrando para Pelotas, onde concluiu os estudos e obteve o diploma pela Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, da Universidade Federal de Pelotas, em 1968. Casado com a professora Rosa Maria de Oliveira Iribarrem, pai de Letícia, Cíntia e Carlos Alberto Junior, o agrônomo seguiu logo após a graduação para a propriedade em que atua até hoje. Depois de dois anos assessorando o sogro, plantou por conta própria pela primeira vez em 1971 e desde então trabalha em parceria com a proprietária da terra, Antônia

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Foto: Marcel Avila

Palavra do produtor


Palavra do produtor

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Foto: Marcel Avila

No complexo produtivo, atuam 22 funcionários permanentes, em diferentes áreas

de Oliveira Sampaio, conhecida como dona Antoninha. “Ela foi uma pessoa que apostou em mim, me proporcionou a oportunidade de chegar aonde cheguei. É a minha segunda mãe. Uma pessoa muito bondosa, que acredita nas pessoas”, elogia. Esta relação continua harmonizada até hoje com as filhas, atuais administradoras. Naquela época, plantou 75 hectares de arroz e 40 de sorgo. Segundo ele, essa foi a primeira e única vez que se plantou sorgo nessas terras, ao passo que o arroz foi ganhando cada vez mais espaço. De 75 hectares, foi para 100, de 100 para 120 e, pouco a pouco, o cereal foi ocupando as terras da propriedade. Em um curto período, já na metade final da década de 70, a produção quintuplicou, passando para 400 hectares plantados. Na ocasião, o apoio e incentivo de dona Antoninha e ainda do motivador, e também produtor, Fernando Kroeff foram muito importantes. “Era um grande desafio, havia o receio de apostarmos alto e não termos o retorno esperado, mas no final a nossa coragem foi recompensada, e o saldo foi 24

positivo. Precisamos contratar alguns prestadores de serviços mecanizados para cumprir com as nossas demandas e, depois disso, conseguimos ampliar a nossa capacidade financeira e investimos em máquinas que nos permitiram otimizar os recursos e, principalmente, a mão de obra”. Nesses mais de 40 anos de lavoura, Iribarrem conta que passou por todas as etapas do arroz. Desde a colheita manual, passando pelo início da mecanização, até o momento atual. “Esse histórico nos qualifica para sabermos avaliar o que se faz hoje. É claro que no início produzíamos bem menos do que se produz hoje, mas o que produzíamos naquela época era mais rentável e seguro do que atualmente. Hoje em dia o mercado está muito dinâmico, é preciso ter uma lavoura segura, investir com prudência e capricho e ser eficiente para sobreviver nele”. No primeiro período, porém, o trabalho se resumia ao arroz. A soja, segundo ele, não tinha a repercussão que tem hoje, os materiais não eram bons e não se tinha o conhecimen-

Lavoura Arrozeira No462 | Abril, maio e junho de 2014

to e a tecnologia atual de cultivo. Testou a rotação algumas vezes, até que viu a soja entrar em um bom momento e, mais experiente, e em bom acordo com os condomínios parceiros, decidiu apostar definitivamente e intercalar a oleaginosa com a produção de arroz, prática que mantém há quatro anos. Atualmente, trabalha no cultivo que se estende por 1,4 mil hectares de terra plantada, sendo 1,2 mil de arroz e o restante de soja. A administração é feita em parceria entre Iribarrem, Antônia Sampaio e as filhas Anna Luiza e Maria Rita. Particularmente, o produtor possui secagem e armazenagem próprias, sendo autossuficiente neste sentido. Dos silos, onde conserva atualmente em torno de 350 mil sacas, o produto sai pronto para ser beneficiado. Entre as variedades plantadas, predomina a Irga 424. A produtividade média nesta safra é de cerca de 10,2 ton/ha, o equivalente a 204 sacas por hectare. Já a soja alcança em torno de 50 sacas por hectare, ou seja, 3 mil quilos.

Rotação na lavoura garante mais produtividade Uma prova de que é possível diversificar a produção está no serviço desenvolvido nos condomínios. Do outro lado da parceria, o investimento na pecuária de corte exige a oferta de pastagem de qualidade e, consequentemente, de um planejamento especial do uso e ocupação do solo. O trabalho é realizado da seguinte forma: as áreas com origem na pecuária são entregues no início de agosto. Tendo limpado o sistema


Foto: Arquivo pessoal

Palavra do produtor

Iribarrem aposta na rotação do arroz com a soja para garantir a alta produtividade

de drenagem da área, prepara-se a terra, aplica e incorpora o calcário, complementando a drenagem superficial com valetadeiras. Busca a meta de semeadura da soja de meados de outubro à 15 de novembro, complementando a drenagem superficial com roda lentilha. “É fundamental a boa drenagem da lavoura para evitar o estresse hídrico por excesso de umidade”, diz. No trabalho de verão, realizado entre fevereiro e março, prepara-se o solo, entaipa-se a área que em seguida recebe a forrageira, no caso o azevém. A pecuária retoma a área 60 dias depois, e o gado permanece até o início de setembro, quando a área é devolvida à lavoura. Então a dessecação é realizada, faz-se a drenagem e o plantio do arroz, de 20 de setembro a 20 de outubro. Já a colheita, dependendo do tempo, vai em média do dia 25 de fevereiro até 10 de abril, quando a resteva é colocada a disposição da pecuária. Nesta rotação, com visão sistêmica, trabalha-se três anos consecutivos com arroz e, após, implanta-se a soja, que por ocasião da colheita já permite e instalação de pastagem de trevo e azevém. Dessa forma, é possível manter

a produtividade da lavoura, melhorando o solo e supririndo a pecuária com pastagem de boa qualidade. Além disso, quando o arroz é feito em cima de uma resteva de soja, com o solo melhorado, se obtém ganhos de produtividade do sistema, significando entre outros, cerca de uma tonelada a mais de arroz por hectare. “A produtividade é bem maior”, diz Iribarrem.

Gestão de recursos humanos é diferencial A força de trabalho é um dos pontos fortes da atividade. Atuam no local 22 funcionários permanentes, nas diferentes áreas que compõem o complexo produtivo. Dentro da propriedade há uma escola municipal que ensina até a 8ª série do ensino fundamental. Na época da colheita, quando a demanda é grande, podem ocorrer convocações de temporários ou aluguel de maquinário extra, mas, em geral, os próprios colaboradores e a estrutura disponível dão conta de tudo.

“A maioria dos funcionários já trabalha aqui há muitos anos, constituiu família, muitos moram na propriedade. Procuramos valorizá-los oferecendo boas condições de trabalho, as nossas máquinas são gabinadas, fornecemos EPIs e toda a instrumentação de qualidade e segurança do trabalho. Temos gratificação por meta e estamos sempre promovendo a qualificação do pessoal”, destaca o orizicultor. Para Iribarrem, grandes mudanças podem surgir justamente pela oportunidade dada à equipe em expor as suas ideias. “Boas sugestões vêm de quem está todo o dia agindo diretamente sobre o processo. Se os estimularmos e apoiarmos, com certeza eles terão muito a contribuir”, justifica. O empenho e a satisfação em fazer parte do time de colaboradores deixam claro que o trabalho desenvolvido foi absorvido positivamente, e os resultados mostram que a estratégia é benéfica a todos. “Procuro fazer a minha parte bem feita para que, no final, o resultado seja o melhor”, resume Luis Carlos de Oliveira, 56 anos, há 26 trabalhando como mecânico na oficina local. Orgulhoso, ele mantém a data do primeiro dia de trabalho na oficina, 7 de março de 1988, escrita na porta do armário onde guarda as suas ferramentas, e lembra a primeira tarefa desempenhada no local: a solda de um cano injetor de um trator. “Tudo o que tenho adquiri depois que vim trabalhar aqui”, conta. A inspiração também atingiu o filho do produtor. Iribarrem, conselheiro do Irga pelo Capão do Leão há mais de 20 anos, manifesta o orgulho de ter transmitido a vocação de agrônomo, agricultor e empresário rural ao filho Carlos Alberto Jr., hoje, segundo ele, “bem sucedido e emancipado”.

Abril, maio e junho de 2014 | Lavoura Arrozeira No462

25


Ranking

Cinquenta maiores indústrias beneficiaram

63% do arroz brasileiro em 2013 O Irga divulgou no início de abril o ranking com as principais beneficiadoras de arroz do RS

N

o início de abril, o mercado conheceu as 50 maiores indústrias beneficiadoras de arroz do Rio Grande do Sul. Em 2013, o Brasil teve 8.037 milhões de toneladas do cereal industrializadas, e estas empresas foram responsáveis por 63% deste montante - para se ter uma ideia, apenas as 10 primeiras beneficiaram, juntas, mais de 2,8 milhões de toneladas. O ranking é liderado pela Camil Alimentos, Josapar-Joaquim Oliveira Participações e Pirahy Alimentos. A pesquisa foi elaborada pela seção de política setorial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). De acordo com o engenheiro agrônomo do Irga e um dos autores do estudo, Mário Azeredo, as 50 maiores empresas arrozeiras beneficiam 83,76% do arroz no Estado. “Houve um pequeno aumento em relação a 2012, quando as empresas eram responsáveis por beneficiar 82,65% do arroz gaúcho, apesar do número de unidades industriais ativas ter reduzido de 230 para 224 nesse período. Isto significa que as empresas investiram na modernização de seus parques industriais e na capacidade logística”, analisa. 26

Primeira do ranking, a Camil recebeu a notícia com orgulho. “Este reconhecimento nos impulsiona a ter convicção de que a opção do Rio Grande do Sul no beneficiamento é a mais acertada, tanto por qualidade como por vocação”, afirma o gerente geral da planta de Camaquã, André Ziglia. A demanda de nichos específicos de mercado também chama atenção. A Josapar, segunda colocada, mudou um pouco a estratégia nos últimos anos e começou a trabalhar com produtos premium. “Lançamos diversas linhas para atender nichos do mercado, o que gera uma experimentação, e já mostramos que o produto não é sempre a mesma coisa. É possível inovar e fazer diferente ”, diz o diretor adjunto de abastecimento e insumos da empresa, Gilsomar Farias da Silveira. Ele destaca que a procura por produtos semiprontos e variedades mundiais vem subindo e que, como a base para comparação é pequena, o crescimento é proporcionalmente maior. “O mercado de produtos premium depende da região, mas gira em torno de 65% da nossa de-

Lavoura Arrozeira No462 | Abril, maio e junho de 2014

manda”, aponta Silveira. Para o sócio-diretor da Pirahy, terceira colocada no ranking, Renan Toniazzo, a posição ocupada não é novidade - há cerca de cinco anos a empresa mantém a colocação -, mas ressalta que é sempre uma satisfação estar tão bem posicionado em um mercado competitivo. “Procuramos sempre planejar o ano com antecedência, e em 2013 nosso objetivo foi se aproximar dos clientes diretos, no caso, supermercadistas”, explicou Toniazzo. Para ele, muitos ainda veem a indústria como antiquada e imaginam um galpão empoeirado, mas que quando se mostra que a indústria arrozeira do Rio Grande do Sul é de ponta, tem-se bons resultados, não apenas na questão financeira, mas na visão e no relacionamento como um todo. Os dados da pesquisa apontam ainda as cinco principais cidades beneficiadoras de arroz no Estado: Pelotas, com 14,5%; Itaqui, com 12,4%; Camaquã, com 9,8%; São Borja com 9,7%; e Alegrete, com 5,1%. Estes municípios representam 51,4% do total beneficiado no Rio Grande do Sul.


Ranking

Ranking de beneficiamento 2013 - 50 maiores indústrias do Rio Grande do Sul Posição Participação 2013

Indústrias de beneficiamento

Nº de unid.

Participação

Beneficiamento anual Sacos 50 kg

Toneladas

% Benef.

% Acum.

1

Camil Alimentos S.A.

4

15.576.128

778.806

12,98

2

Josapar - Joaquim Oliveira S.A. Participações

2

11.268.956

563.448

9,39

22,38

3

Pirahy Alimentos Ltda.

2

6.962.875

348.144

5,80

28,18

4

Urbano Agroindustrial Ltda.

1

3.969.681

198.484

3,31

31,49

5

SLC Alimentos S.A.

1

3.890.597

194.530

3,24

34,73

6

Coop. Arrozeira Extremo Sul Ltda.

2

3.508.299

175.415

2,92

37,66

7

Nelson Wendt & Cia. Ltda.

1

3.365.235

168.262

2,81

40,46

8

Pileco & Cia. Ltda.

1

3.075.277

153.764

2,56

43,03

9

Cooperativa Agroindustrial Alegrete Ltda.

1

2.790.031

139.502

2,33

45,35

10

Cooperativa Triticola Sepeense Ltda.

4

2.686.744

134.337

2,24

47,59

12,98

11

Santalucia S.A.

3

2.351.280

117.564

1,96

49,55

12

Dickow & Cia. Ltda.

1

2.329.983

116.499

1,94

51,49

13

Engenho A. M. Ltda.

1

2.205.860

110.293

1,84

53,33

14

Cooperativa Agropecuária de Jacinto Machado

1

2.143.956

107.198

1,79

55,12

15

Arrozeira Pelotas Ind. e Com. de Cereais Ltda.

1

2.091.208

104.560

1,74

56,86

16

Coradini Alimentos Ltda.

2

1.886.494

94.325

1,57

58,43

17

CDA - Companhia de Distribuição Araguaia

2

1.611.693

80.585

1,34

59,78

18

Engenho Coradini Ltda.

2

1.586.740

79.337

1,32

61,10

19

Lineu Pinzon

1

1.551.744

77.587

1,29

62,39

20

Marzari Alimentos Ltda.

1

1.493.572

74.679

1,24

63,64

21

Cotrijuí - Cooperativa Agropecuária & Industrial

1

1.335.997

66.800

1,11

64,75

22

Camera Agroalimentos S.A.

1

1.328.892

66.445

1,11

65,86

23

Guacira Alimentos Ltda.

1

1.122.079

56.104

0,94

66,80

24

Arrozeira Sepeense S.A.

2

1.007.587

50.379

0,84

67,64

25

Cereais Peger Ltda.

1

1.001.117

50.056

0,83

68,47

26

Cooperativa Arrozeira Palmares Ltda.

1

976.135

48.807

0,81

69,28

27

Rosina Indústria, Transporte e Comércio de Cereais

1

924.673

46.234

0,77

70,05

28

Coop. dos Agric. de Plantio Direto Ltda.

2

909.602

45.480

0,76

70,81

29

Importadora e Exportadora de Cereais S.A.

1

895.079

44.754

0,75

71,56

30

Arroz Demello Ltda.

1

894.679

44.734

0,75

72,30

31

Arrozeira Bom Jesus Ltda.

1

840.374

42.019

0,70

73,00

32

Cooperativa Tritícola Caçapavana Ltda.

1

806.411

40.321

0,67

73,68

33

Coarroz - Coop. Agroind. Rosariense

1

802.806

40.140

0,67

74,35

34

Arrozeira Adib Peixoto Ltda.

1

797.598

39.880

0,66

75,01

35

Cerealista Coradini Ltda.

1

779.945

38.997

0,65

75,66

36

Cerealista Polisul Ltda.

1

777.185

38.859

0,65

76,31

37

Produtos Alimenticios Orlandia S.A Com. Indústria

1

730.659

36.533

0,61

76,92

38

Cerealista Albaruska Ltda.

1

700.616

35.031

0,58

77,50

39

Codil Alimentos Ltda.

1

686.589

34.329

0,57

78,07

40

Coparroz -Cooperativa Agroindustrial Rio Pardo

1

678.821

33.941

0,57

78,64

41

Genesio Ceolin & Cia. Ltda.

1

678.406

33.920

0,57

79,21

42

Agrocuri Indústria e Com. de Cereais Ltda.

1

665.950

33.298

0,56

79,76

43

Ceolin & Cia. Ltda.

1

662.418

33.121

0,55

80,31

44

Cooperativa Agricola Imembuy Ltda.

1

652.471

32.624

0,54

80,86

45

Cerealista Obelisco Ltda.

1

637.180

31.859

0,53

81,39

46

J. Fighera & Cia. Ltda.

1

612.072

30.604

0,51

81,90

47

Alfredo A. Treichel & Cia. Ltda.

1

589.578

29.479

0,49

82,39

48

ADB Alimentos Ltda.

1

574.907

28.745

0,48

82,87

49

Cooperativa Tritícola de Espumoso Ltda.

2

538.785

26.939

0,45

83,32

50

Raroz Agroindustrial do Sul Ltda.

1

529.807

26.490

0,44

83,76

Total beneficiado no ranking das 50 maiores

67

100.484.771

5.024.239

83,76

83,76

Demais indústrias

158

19.483.338

974.166

16,24

16,24

Total

225

119.968.109

5.998.405

100,00

100,00

Fonte: Divisão Financeira e contábil/Taxa CDO. Elaboração: Seção de Política Setorial – Irga

Abril, maio e junho de 2014 | Lavoura Arrozeira No462

27


Foto: Marcel Avila

Brazilian Rice

completa

dois anos de conquistas e desafios Programa envolve 29 empresas do setor orizícola e se firma como disseminador do arroz brasileiro no mercado internacional, impulsionando a exportação do cereal

28

Lavoura Arrozeira No462 | Abril, maio e junho de 2014


N

a Feira Nacional do Arroz (Fenarroz) de maio de 2012, um convênio assinado pela Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz), pela Agência Brasileira de Promoção da Exportação de Alimentos (Apex-Brasil) e pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) deu início ao programa Brazilian Rice. Naquele momento, surgia uma nova opção de mercado para as indústrias orizícolas do país. A iniciativa deu os primeiros passos contando com 22 empresas participantes, um número bastante alto para o começo. Atualmente, são 29 companhias envolvidas. O projeto foi resultado de uma demanda da cadeia produtiva, que via necessidade de que as indústrias brasileiras, especialmente do sul do país, deixassem de ser exportadoras eventuais e se tornassem uma presença constante no mercado internacional. “Entre os objetivos está reduzir o impacto das crises com a abertura de novos mercados e garantir uma maior estabilidade dos preços, independentemente da produção dos demais países do Mercosul”, explica o presidente do Irga, Claudio Pereira. Todo o planejamento de ações surgiu de carências, necessidades e desafios do setor para sua estabilização e consolidação. “Queremos que as empresas brasileiras tenham condições de atingir o mercado internacional”, sintetiza Pereira. O gerente do Brazilian Rice, André Anele, afirma que o foco do programa é fortalecer o Brasil como um reconhecido produtor, beneficiador e exportador de arroz. “A ideia é que a iniciativa seja um programa de Estado, de médio e longo prazo, sob domínio da cadeia produtiva, e conte com parceiros que aportem recursos humanos e financeiros e coordenem as ações”, explica Anele. Para isso, o

Foto: Ben-Hur Corvello

Capa

Abiarroz, Apex-Brasil e governo do Estado assinam convênio na abertura da Fenarroz trabalho foi focado em três frentes: capacitação de empresas, estudo de novos mercados e promoção do arroz brasileiro no exterior. O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, acredita que esta foi uma importante iniciativa tomada pelo Irga e pela indústria, sendo reconhecida pelo setor produtivo, no sentido de buscar capacitação e evolução do profissionalismo comercial das indústrias, com o objetivo de qualificar as relações comerciais e internacionais. Dornelles destaca a qualidade de pensamento, direcionamento do marketing e valorização do produto brasileiro. “Como produtor, posso dizer que o material produzido graficamente e intelectualmente é algo que nos dá muito orgulho”, declara o presidente da Federarroz. Para Tiago Barata, analista de mercado da Agrotendências, o Brazilian Rice tem como objetivo criar uma identidade para o arroz brasileiro e ter reconhecida qualidade no mercado internacional. “O que

o país vem fazendo é aproveitar as oportunidades que surgem, atendendo às demandas que aparecem, seja vendendo produto em casca, quebrado ou beneficiado”, explica. Barata acredita que este foco é trabalhado como uma das principais metas do programa. “Pela primeira vez, estou vendo todos os elos da cadeia produtiva unidos pelos mesmos objetivos”, diz. Embora o país enfrente algumas dificuldades competitivas, a vantagem é a qualidade inquestionável do produto nacional.

Capacitação aumenta padrão de qualidade O primeiro bloco de capacitações começou em janeiro de 2013. Foram 12 etapas, com 132 horas de treinamento. Isso permitiu que as empresas conhecessem os padrões de qualidade internacionais para que possam adaptar sua produção a estas exigências. “Ao longo dos três anos do projeto realizamos uma intensa grade

Abril, maio e junho de 2014 | Lavoura Arrozeira No462

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Capa

teza as coisas vão evoluir, e a gente começará a ter o resultado esperado”, afirma o presidente da Federarroz. Internamente, o Irga já está discutindo a implementação de um programa para atender às exigências no que diz respeito à segurança dos alimentos. “A autarquia tem que preparar o produtor, por meio dos extensionistas, para esta nova realidade. Países como o Uruguai já têm este procedimento e têm isso como vantagens nas negociações de venda de arroz”, acredita Marques. Dornelles acredita que as crises foram atuando como uma seleção natural no setor, e isso fez com que hoje existam orizicultores extremamente profissionais, com amplo acesso à tecnologia e, consequentemente, com possibilidade de se envolver em um processo como esse. Para ele, a melhor opção seria começar com um projeto-piloto de rastreabilidade entre alguns produtores e indústrias, para ir, aos poucos, consolidando este caminho.

para cadastrar novas indústrias como fornecedoras da Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI). Na ocasião, foram três as empresas cadastradas e, após a oficina, outras sete se somaram a elas. Do lado produtivo, a rastreabilidade ainda não é uma realidade, nem uma demanda da indústria, mas assim que for necessário, muitos produtores terão como tomar as medidas para atender a essa necessidade. “Estamos vendo que alguns mercados irão pedir isso e, obviamente, pagar por isso”, diz Dornelles. Alguns produtores, mesmo tendo todo o sistema e a condição de fazer a rastreabilidade do seu produto, não o fazem porque, na hora de exportar, o mesmo se mistura a outros que não possuem esse diferencial. “À medida que a cadeia estiver toda envolvida e acertar entre seus elos que existe a necessidade e que este será o procedimento pré-determinado, com cer-

de capacitações aos participantes, que foram muito importantes para que as empresas pudessem alinhar as capacidades e competências exportadoras”, assinala Mario Pegorer, diretor-presidente da Abiarroz. O coordenador da Câmara Setorial do Arroz RS e chefe de gabinete do Irga, César Marques, lembra que a autarquia, desde o planejamento estratégico realizado pelo setor, teve a determinação, por parte do presidente e com apoio do governo do Estado, de incentivar fortemente o projeto de internacionalização. “Coube ao Irga custear todos os cursos de capacitação, estudos de mercados-alvo e todo o material impresso”, afirma. O gerente Anele aponta que uma das metas para o segundo semestre deste ano é definir alguns padrões de qualidade baseados nas normas internacionais, uma vez que muitos mercados exigem até mesmo certificado de procedência. No período entre as capacitações, foi realizada uma oficina

Importações e exportações do Brazilian Rice (1.000 toneladas, base casca) 2.090

2.000 Exportações

Importações 1.455

1.500 1.255

1.201 1.070

1.000

828

729

500

380

894 908

790

966

825 627

590

453

1.068

1.045

313

92

Ano safra

30

2004/05

2005/06

2006/07

2007/08

Lavoura Arrozeira No462 | Abril, maio e junho de 2014

2008/09

2009/10

2010/11

2011/12

2012/13

2013/14


Capa

Para estimular o envolvimento de produtores no Brazilian Rice, Dornelles acredita que é preciso conscientizar o orizicultor da importância do mercado internacional. “Precisamos difundir mais os resultados dentro do setor produtivo para promover discussões sobre as consequências de uma falta de profissionalismo e buscar o envolvimento maior do produtor”, explica. Embora o projeto seja amplamente reconhecido, alguns produtores ainda não estão familiarizados com os resultados e objetivos do Brazilian Rice. “Ter o feedback é fundamental para que ele se sinta participando e valorizado também como um elo importante da cadeia”, acrescenta. Para o presidente do Irga, a exportação é o caminho mais curto, mais rápido e mais barato, já que o mercado interno tem um limite de crescimento e de demanda, e aumentar o consumo interno seria mais lento, mais caro e poderia não alcançar os objetivos visados. Para isso, foram elaborados estudos de mercado de sete países previamente escolhidos para analisar a possibilidade e a viabilidade de venda. Recentemente, foram entregues os estudos do Peru e do Chile, mas já haviam sido feitos de Angola, Nigéria, Arábia Saudita, Jordânia e África do Sul. Além desses, Cuba e Espanha completam a lista de nove mercados-alvo do projeto. “Agora, o que as empresas precisam fazer é se apropriar destes estudos e usá-los para definir as suas ações e que atividades irão desenvolver”, explica Anele. O analista Barata acredita que o trabalho de prospecção de mercados e pesquisa está sendo bem feito, uma vez que é visível a maior

fidelização de compradores desde o começo do projeto. Na temporada 2012/13, foram exportadas 1.469.490 toneladas para 55 países. Nigéria, Cuba e Senegal foram os principais clientes, com 300,633 mil toneladas, 183 mil toneladas e 171,556 mil toneladas, respectivamente. Para o diretor-superintendente do Porto de Rio Grande, Dirceu Lopes, os números são significativos, especialmente se for observado que não se trabalhou com os terminais em suas melhores condições. Já em 2013/14, 1,201 milhão de toneladas do cereal foram embarcadas, mantendo uma média significativa, sendo Cuba, Venezuela e Senegal os principais destinos. Mesmo com pouco tempo de projeto, já é possível observar progresso nas negociações, especialmente na entrada de novos operadores. É possível notar a maior fidelização de alguns países, além do aumento de

volume adquirido por antigos compradores. Pegorer ressalta que, quando o Brazilian Rice atua nas rodadas de negócios e feiras internacionais, a abrangência dos mercados aumenta, já que esses eventos atraem compradores de todas as partes do mundo, e de acordo com as informações dos participantes é possível verificar potencial em outros mercados. No primeiro trimestre de 2014, foram embarcadas 190,620 mil toneladas de arroz, mesmo com a supersafra de soja, o que confirma o compromisso com os produtores e a abertura de janelas para embarques do cereal. O diretor-superintendente do Porto de Rio Grande destaca que os embarques têm sido constantes ao longo de todo o ano, com picos entre

Empresas participaram de rodadas de negócios durante a Expodireto, em março, gerando novas oportunidades de mercado

Foto: Camila Raposo

Envolver produtores é novo desafio

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julho e setembro, demonstrando a fidelização de clientes internacionais. Por ser um player novo no mercado mundial, o país ainda tem que enfrentar alguns desafios, como questões de logística, e fazer o possível para superá-los. “No porto novo, estamos prestes a fazer uma obra que vai aumentar o calado e propiciar a entrada de navios com capacidade maior de cargas, o que deve dar um impulso na exportação de grãos, especialmente do arroz”, aponta Lopes. A ideia é que se qualifique o terminal da Cesa, e mais duas grandes construções de armazenamento serão dedicadas exclusivamente para o arroz, com capacidade entre 25 mil e 30 mil toneladas cada uma. “Com as novas aquisições em termos de máquinas e tecnologias, teremos redução de custo quando chega o carregamento e na hora da exportação, levando o trabalho a outro patamar”, destaca o presidente da Cesa, Márcio Pilger. As obras de adequação e qualificação do porto devem ocorrer até 2015, e até o fim de 2016 as operações já devem ser feitas no terminal dedicado exclusivamente ao cereal. Por enquanto, estão sendo usados os terminais Termasa/Tergrasa e Bianchini para que se possa escoar a safra 2014, 2015 e 2016, o que dá tempo para que as obras possam ser feitas e para a qualificação estrutural do mesmo. Para Lopes, é preciso um trabalho permanente para que se tenha este espaço no porto gaúcho. “Temos que começar a buscar soluções, para que este arroz que sai por via rodoviária venha para o porto, que é um trajeto mais curto, e vá para o norte e nordeste de navio, já que é mais barato”, explica o diretor-superintendente, destacando que este é um trabalho desafiador por se tratar de um produto em fase de fidelização e estabilização do mercado. 32

Empresas apostam em especialização Um dos resultados gerados pelas ações do Brazilian Rice até agora é que algumas companhias passaram a contar com profissionais especializados em comércio exterior. Como não havia a tradição de vender para fora do país e atender à demanda externa, ainda há desafios, tanto na questão de idioma quanto em apresentação de mercadoria, relações internacionais e questões burocráticas. “Além de participar das capacitações, as empresas estão se estruturando internamente para atender ao mercado internacional. Este processo inclui aprimoramento das capacidades e competências do pessoal interno, adaptação das empresas às normas alimentares exigidas no mercado

internacional, entre outras melhorias nos processos de produção”, explica o presidente da Abiarroz. A presença do arroz brasileiro em feiras internacionais também é consequência da maior confiança e capacitação promovida pelo programa. Em 2013, as empresas Camil e Josapar estiveram presentes na feira de Anuga, em Colônia, Alemanha, maior feira mundial de alimentos, que contou com a visita de diversas outras companhias orizícolas gaúchas. A ocasião foi vista como uma grande oportunidade de fazer contatos e de muito aprendizado para todos os envolvidos. Outra iniciativa importante para dar visibilidade ao Brasil foi o Projeto Comprador Expoarroz, que contou com a presença de 11 compradores internacionais, e a participação no Projeto Copa das Confederações. Além disso, foram realizadas missões na Nigéria, Anuga, África do Sul e

Distribuição das exportações brasileiras de arroz para os principais destinos (toneladas, base casca) 2011/2012

2012/2013

2013/2014

Venezuela

66.000

112.352

172.532

Senegal

192.783

171.556

126.349

Nicarágua

50.088

47.032

120.429

Cuba

126.421

183.005

119.413

Benim

58.555

111.220

115.179

Serra Leoa

130.978

149.059

115.088

Gâmbia

115.251

88.047

85.290

Países Baixos

51.757

27.097

63.275

Bolívia

26.477

11.556

47.279

Panamá

6.857

19.209

37.162

Total geral

2.089.569

1.469.940

1.201.065

Destinos

79

55

53

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Foto: Marcel Avila

Capa

Os embarques de arroz brasileiro no Porto de Rio Grande têm sido constantes ao longo de todo o ano Angola com o objetivo de conhecer melhor os possíveis mercados e se aproximar de compradores. Para 2014, o plano é dar continuidade nas capacitações das empresas e buscar cada vez mais a qualificação do setor, além da participação em feiras e rodadas de negócios. “À medida que a empresa se dedica e se insere no projeto, participando das ações, ela mesma faz um diagnóstico do que ainda precisa para se preparar internamente”, explica Anele, lembrando que o resultado do projeto depende do envolvimento e participação de cada instituição. O ano já começou com uma missão técnica realizada em fevereiro na Gulfood, em Dubai, um dos mercados-alvo do projeto. Quatro empresas participantes do programa aproveitaram a oportunidade e expuseram seus produtos na feira. Após isso, foi a vez de participar dos projetos Carnaval e Copa do Mundo. Pelo terceiro ano consecutivo, ­­o Irga realizou rodadas de negócios na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-

-Toque. Marques lembra que esse tipo de ação gera oportunidades para que novas empresas possam entrar em contato com delegações estrangeiras. “O arroz é o principal grão importado pelos países do continente africano e Oriente Médio, que são os mais frequentam a feira”, afirma Marques. Em maio, acontece a participação na feira Apas, com compradores da Jordânia, Emirados Árabes, Peru e Panamá reunidos em uma rodada de negócios. Ainda no fim desse mês, o Brazilian Rice vai estar presente na Convenção Mercado e Tecnologia do Arroz, em São José, na Costa Rica, com um estande para divulgar o projeto, as empresas e a marca do arroz brasileiro. No segundo semestre, o programa deve participar da feira Sial, na França, com exposições de empresas nacionais, e do Projeto Vendedor, na Arábia Saudita. “Podemos destacar que, mesmo que uma empresa não esteja exportando agora, foi criada uma marca para o arroz brasileiro, estão sendo feitas ações e materiais

de divulgação para que, quando ela for acessar este mercado internacional, o caminho seja mais fácil”, aponta Anele. Além do lançamento do site, outro projeto para a segunda metade do ano é o “Embala Design”, com o objetivo de melhorar a embalagem do arroz, que será desenvolvido em conjunto com a Apex e a Associação Brasileira de Embalagens (Abre).

Ações do Brazilian Rice em 2014 Maio • Apas – Rodadas de Negócios do Arroz (São Paulo) • Participação na Convenção Mercado e Tecnologia do Arroz (São José, Costa Rica) Outubro • Missão Feira Sial (França) • Projeto Vendedor (Arábia Saudita)

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Artigo técnico

Semente certificada de arroz:

momento de investir Na entressafra, é importante planejar e tomar decisões para a formação de uma boa lavoura, dando especial atenção à semeadura

M. Sc. Eng. Agr. Felipe Gutheil Ferreira Pesquisador da seção de sementes do Irga

O

momento é de planejar a nova safra de arroz e de tomar decisões para a formação de uma boa lavoura. Quantificar e orçar os insumos necessários são ações importantes para evitar imprevistos e decidir corretamente no que e como investir. Com certeza, dentre todos os insumos, a semente é o de maior importância, até porque, sem ela, não haveria lavoura. Além disso, sabe-se que o potencial de produtividade e de qualidade dos grãos produzidos está associado diretamente à genética da cultivar escolhida e à qualidade da semente utilizada. A primeira decisão deve ser escolher uma semente de alta qualidade física e fisiológica capaz de expressar todo o potencial genético da cultivar. De nada adianta escolher uma cultivar visando obter os benefícios do material genético se a semente a ser utilizada for de má qualidade. O mau uso de sementes é o principal veículo de disseminação de pragas nas lavouras. Dentre elas, destaca-se como principal o arroz vermelho ou preto - sementes de baixa qualidade quase sempre estão 34

infestadas com esta invasora. É muito comum que em lotes de sementes de procedência desconhecida (bolsa branca) haja alta infestação de grãos de arroz vermelho, sendo muitos do tipo longo fino, impossíveis de serem identificados pelo orizicultor sem que ocorra o descasque do material. Grãos de arroz vermelho misturados em lotes de sementes, além de causarem a infestação - ou o aumento desta - nas lavouras comerciais, causam também a redução da produtividade e da qualidade dos grãos no momento da comercialização para a indústria. Quando a cultivar semeada é resistente ao uso dos herbicidas do grupo químico das imidazolinonas, é muito provável que com o uso de sementes de baixa qualidade esteja-se semeando, junto com a cultivar, sementes de arroz vermelho, além de outras invasoras resistentes ao herbicida. Fica evidente, então, a necessidade de se investir em semente, e não em grão, para a formação da lavoura. Quando se fala em qualidade, deve-se fazer referência à semente certificada, um insumo produzido sob rigoroso controle durante as diferentes etapas do processo de produção, desde o planejamento e uso

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dos campos até o beneficiamento e análise dos lotes a serem ofertados. Cabe lembrar que, no Rio Grande do Sul, o Instituto Rio Grandense do

Conheça as principais vantagens em usar sementes certificadas de arroz: • Redução da densidade de semeadura; • Estabelecimento mais rápido e uniforme da lavoura; • Uniformidade física e genética da lavoura; • Maior produtividade e qualidade dos grãos produzidos; • Maior rentabilidade ao produtor; • Maior controle da disseminação de pragas, doenças e plantas daninhas na lavoura, o que reduz os custos de produção e auxilia na conservação do meio ambiente; • Preservação das novas tecnologias desenvolvidas pelas empresas e centros de pesquisa; • Aquisição de royalties pelas empresas obtentoras das cultivares, o que fomenta o desenvolvimento de novas cultivares e tecnologias.


Artigo técnico Toneladas 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000 20.000 10.000 0

Safra

2007/08

2008/09

2009/10

2010/11

2011/12

2012/13

Figura 1 - Produção de semente certificada de arroz no Rio Grande do Sul ao longo dos anos Arroz (Irga) tem realizado a certificação da produção de sementes de cultivares não híbridas desde o ano de 2005. O Irga é credenciado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento como entidade certificadora de sementes de arroz, realizando as inspeções nos campos de produção nas fases de florescimento e pré-colheita. Após a aprovação dos campos e do beneficiamento das sementes, os técnicos da autarquia realizam a coleta dos lotes nas Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS) e os enviam aos laboratórios de análise de sementes do instituto. Caso os lotes analisados estejam dentro dos padrões estabelecidos pela Instrução Normativa Nº 45, de 18 de setembro de 2013, recebem o certificado, caso contrário, devem ser descaracterizados e destinados à indústria. A boa notícia é que a adesão ao uso de sementes certificadas nas lavouras gaúchas tem aumentado. Prova disto é o aumento da oferta deste insumo ao longo dos anos, conforme ilustra a Figura 1. Isso evidencia a maior conscientização do orizicultor no momento de escolher qual semente utilizar, pois o crescimento da oferta deste insumo é reflexo direto do aumento de

sua demanda. Estima-se que para a safra 2014/15 haverá uma oferta de semente certificada (cultivares não híbridas) para aproximadamente 60% do total da área cultivada com arroz no Rio Grande do Sul. Muitas vezes, a decisão de não utilizar semente certificada na lavoura é devido ao seu preço. Conforme dados da Seção de Política Setorial do Irga, na safra 2013/14, o item semente representou apenas 3,9% do total dos custos da lavoura, incluindo custos fixos e custos variáveis. Caso a opção seja “economizar” e utilizar a própria semente ou uma semente “bolsa branca”, deve-se ao menos considerar o custo do grão a ser semeado. Neste caso, a decisão de usar grão como semente representaria aproximadamente 2% do custo total da lavoura. Fica evidente, pelos benefícios proporcionados pela semente certificada e pelos malefícios que uma semente de má qualidade pode causar ao produtor e ao ambiente, de que esta diferença em torno de 2% entre semente e grão é muito pequena. Pode-se facilmente eliminar esta diferença no custo de produção em outros itens que compõem o orçamento total da lavoura, ou até mesmo aperfeiçoando as práticas de manejo, os processos operacionais e

as técnicas de gestão do negócio. Nesse sentido, um bom indicador para mensurar o ganho de qualidade da semente certificada ao longo dos anos é verificar a densidade de semeadura das lavouras. Até o final da década de 90 e início dos anos 2000, muitas lavouras eram semeadas com densidade de semeadura entre 150 kg/ha a 200 kg/ha. Hoje, muitas áreas são semeadas com densidade de 100 kg/ha ou menos. Isso indica um ganho de qualidade nas sementes utilizadas, pois, em alguns casos, está-se utilizando 50% a menos de sementes na mesma área com ganhos de produtividade e de qualidade de grãos. Ou seja, investir na qualidade da semente significa também reduzir o seu uso por unidade de área.

Dica Para encontrar sementes certificadas de arroz procure o Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural do Irga de sua região ou acesse www.irga.rs.gov.br, nos itens: “Serviços e informações”; “Semente certificada”; “Lista de produtores de semente certificada safra 2013/14”.

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Manejo

Preparo do solo garante bom rendimento na lavoura

A

ssim que termina a colheita, chega o momento de o produtor orizícola atentar para outro período de extrema importância, a entressafra. Esta época envolve aspectos do preparo antecipado de solo, principal estratégia para obter bons rendimentos na lavoura arrozeira. Para que se possa fazer a semeadura do arroz no período preferencial - de setembro até a primeira quinzena de novembro -, o que permite que o produtor colha cedo e obtenha alta produtividade, o preparo do solo antecipado é uma estratégia decisiva e fundamental no período de entressafra. De acordo com o engenheiro agrônomo e pesquisador do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) Rodrigo Schoenfeld, mais de 50% das áreas destinadas ao cultivo de arroz no Estado realizam o preparo de solo antecipado. Antigamente, quando as lavouras do Estado obtinham baixa produtividade, em torno de cinco toneladas, sobrava essa mesma quantidade de palha. Nos últimos anos, com melhorias no manejo e uso de tecnologia, a produtividade aumentou para oito, nove, 10 toneladas ou mais, e passam a sobrar essas quantidades de palha. Aí, então, começam as diferenças e dificuldades. Em cima de cinco 36

Foto: Rodrigo Schoenfeld

O manejo adequado da palha facilita a semeadura na época recomendada e auxilia em questões como fertilidade e controle de plantas daninhas

Mais de 50% das áreas de cultivo de arroz no RS realizam o preparo de solo antecipado

toneladas, é relativamente fácil preparar a terra, mas, com 10 toneladas de palha, o processo se torna mais difícil. Além disso, outros aspectos como fertilidade e controle de plantas daninhas estão diretamente relacionados nessa fase. Um exemplo disso é o potássio, nutriente que a planta necessita em alta quantidade, mas é pouco exportado no grão. Após a colheita, este nutriente encontra-se na palha, e caso esta não seja manejada corretamente, corre-se o risco de perdê-lo. Para que isso não aconteça, é importante que a palha

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seja incorporada o mais rápido possível ao solo para evitar perdas por escorrimento superficial. Entre as alternativas para que isso seja feito está o uso de rolo-faca. Além de ser extremamente eficiente, essa prática não envolve grandes investimentos, pois utiliza equipamentos simples e de baixo custo. “Além de incorporar a palha, o solo fica praticamente pronto para receber a lavoura no ano seguinte”, explica Schoenfeld. Alguns produtores conseguem passar o rolo-faca atrás da colhei-


tadeira, otimizando o seu uso. “O inconveniente dessa prática é que ela deve ser feita com um pouco de água dentro dos quadros. Para quem colhe no seco, é necessário aguardar chuva para poder realizar este serviço”, afirma. Usar a resteva como pastagem também é uma prática antiga, mas há novas estratégias que garantem melhores resultados. Antes, o produtor usava uma baixa lotação, com uma cabeça ou menos por hectare, o que levava os animais a perderem peso por passarem todo o período do inverno se alimentando com ração de baixa qualidade. A melhor estratégia é trabalhar com altas lotações, entre 10 e 15 animais por hectare. Com isso, no período de uma semana a 10 dias os animais comem a palha, e há o efeito do pisoteio, que ajuda a incorporar a palha no solo. Além disso, a urina e as fezes dos animais ajudam na reciclagem de nutrientes. Depois deste período, os animais são retirados, para que o solo seja preparado com grade e plaina. O uso de grade e plaina é uma prática bastante utilizada, mas não é ideal para lidar com altas quantidades de palha. É preciso que sejam feitos dois cortes de grade, com intervalo de 30 a 40 dias entre eles. “Para o produtor que colheu mais tarde, pode significar não conseguir preparar as áreas devido ao período de inverno e as chuvas, o que termina comprometendo a época de semeadura”, destaca Schoenfeld. Esta prática, associada com o uso de animais, pode ajudar a reduzir a quantidade de palha, viabilizando a gradagem e o aplainamento. A quarta opção de manejo da palha após a colheita é a prática de dessecação da resteva. A palha que fica sob o solo rebrota, e com ela

Foto: Rodrigo Schoenfeld

Manejo

Para os produtores que colhem cedo, manejo do solo tende a ser tranquilo algumas plantas invasoras. Então, o produtor deve fazer uso de herbicidas de ação total, que ajudam a reduzir o tempo de decomposição da palha e matam as ervas daninhas. Esta é uma boa opção para diminuir a presença de espécies indesejadas na próxima safra. Para que estas práticas tenham bons resultados, é importante que o produtor faça a drenagem do solo.

Planejamento e gestão são diferenciais Schoenfeld afirma que planejamento e gestão são os grandes diferenciais para o produtor orizícola ser bem-sucedido. “Para quem colhe cedo, este manejo é tranquilo, mas para quem colhe tarde, vira um ciclo vicioso, pois sem o solo bem preparado e a semeadura fora da época recomendada os rendimentos são menores”, alerta. A entressafra também é um período para o produtor definir a estratégia de combate ao banco de sementes para controlar as ervas daninhas. Gerente da Divisão de Pesquisa do Irga, Sérgio Lopes,

explica que muitas sementes ficam depositadas no solo, principalmente de ervas daninhas, que germinam juntamente com o arroz semeado na safra seguinte. Para combater plantas indesejadas há várias alternativas, mas ele destaca que o melhor é fazer a rotação de culturas com a soja e o milho, porque “a terra não fica parada, gera renda ao produtor e ainda traz economia em relação ao uso de herbicidas”. Nas regiões no Litoral Norte, Planície Costeira Interna e Externa e Depressão Central, áreas cultivadas com variedades de arroz resistentes aos herbicidas do grupo químico das imidazolinonas tem aumentado o problema de controle de algumas espécies, principalmente de gramíneas como o arroz vermelho. Entre as práticas recomendadas para o bom manejo dessas áreas estão o preparo de verão ou o preparo antecipado de outono ou primavera, associado ao controle químico com herbicida dessecante antes da semeadura do arroz. O controle mecânico no início da primavera é uma prática em desuso, devido à necessidade de preparo superficial do solo, o que normalmente causa atraso na semeadura do arroz.

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Benefícios à saúde impulsionam consumo de arroz integral O grão apresenta alto teor de fibras alimentares, minerais e vitaminas, podendo ajudar na prevenção de doenças como câncer de mama e diabetes

A

busca por uma vida mais saudável está fazendo com que o arroz integral ganhe destaque nas prateleiras de supermercados. Ainda que a porcentagem de mercado seja relativamente menor do que a do arroz branco, a demanda cresce ano a ano. “O consumo vem aumentando em um ritmo de 20% anuais”, destaca o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Arroz Parboilizado, Marco Aurélio Amaral Jr. Segundo dados da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), em valor, o integral representa 5,1% do total vendido do cereal no Estado. Em quantidade, 38

representa 6,2%. O arroz integral é aquele cujo grão preserva a camada de farelo, uma das partes mais ricas em micronutrientes. “O integral apresenta uma quantidade maior de fibras alimentares, antioxidantes, minerais e vitaminas, principalmente B1, B2 e B3, que são duas ou mais vezes maiores no arroz integral do que no arroz branco”, explica a nutricionista do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Cléo Amaral. Um estudo realizado em 2007 por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) constatou que o arroz integral era consumido

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por 6,7% da população entrevistada - 3.615 pessoas durante a Feira Nacional do Doce. O tempo de cozimento do arroz integral, um pouco maior do que o arroz branco, com o qual a maioria dos brasileiros está acostumado, pode ser um dos empecilhos para sua disseminação. “O integral, para que fique bem feito, demora um pouco mais de tempo, cozinha mais devagar do que o branco ou o parboilizado”, reforça o sócio-diretor da Pirahy, Renan Toniazzo. Para ele, este é justamente o maior desafio do setor em relação ao produto: aliar as facilidades de preparo sem perder de vista a questão da saúde. A nutricio-


Foto: Shutterstock

nista do Irga dá uma dica para reduzir o tempo de preparo do arroz para 20 minutos: realizar o cozimento com água fervente e utilizar sal somente no final do processo. As empresas vêm percebendo uma crescente procura por produtos pré-prontos ou de preparo mais fácil, o que está levando à criação de diversas linhas especiais. Pensando neste público, a Pilecco lançou, no começo de abril, a versão “integral com gosto do arroz branco”. Na pesquisa da UFPel, liderada pela professora do Departamento de Ciências dos Alimentos Márcia Gularte, os entrevistados se dividiram quanto à questão do sabor do arroz integral: 44% dos entrevistados disseram apreciá-lo, enquanto 45% disseram não gostar do sabor. “Esta era uma demanda que tínhamos de diversos nutricionistas e chefes de cozinha, pois o gosto do integral é mais amendoado e marcado que o do branco”, explica a gerente de marketing da Pilecco, Andréia Giordani Bernardes. Tanto o chefe quanto a nutricionista chamados para o lançamento comprovaram a versatilidade desta

nova variedade, que foi usada em receitas tradicionais e novas. “O tempo de cozimento ficou muito semelhante ao branco, e a aparência é mais clara, além do grão se manter inteiro”, ressalta Andréia. O diretor adjunto de abastecimento e insumos da Josapar-Joaquim Oliveira Participações, Gilsomar Farias da Silveira, vê esse tipo de produto como um nicho interessante a ser explorado e destaca que, como a base é pequena, o crescimento do consumo é proporcionalmente maior. No beneficiamento do arroz integral parboilizado, é necessário realizar um processo para a formação de microfissuras na película do grão, que facilitam a entrada da água durante o cozimento e fazem com que o cozimento aconteça em tempo normal. “Este processo é custoso e também é responsável por perdas (por quebra de grãos), que encarecem o produto”, pondera Amaral Jr. Embora seja considerado base da alimentação nacional em todas as classes sociais, a relação entre consumo e poder aquisitivo é relevante ao se analisar a demanda do cereal. O estudo Caracterização do consumo de arroz no Brasil, realizado em 2005 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul pelo especialista em agronegócios Tiago Barata, mostrou que o arroz polido longo fino tipo 1 é o mais consumido, independentemente da renda domiciliar. O arroz polido longo fino tipo 2, contudo, teve maior percentual de consumo nos domicílios com renda familiar inferior a dois salários mínimos, o que já era esperado, por ser o tipo mais acessível às famílias de baixa renda, uma vez que tem o menor preço. A pesquisa também mostra que os tipos parboilizado e integral tiveram aumento da participação no consumo domiciliar com o aumento da renda das famílias.

Grão integral pode prevenir câncer O setor orizícola também luta para reverter o mito de que o arroz integral, por ser fonte de carboidratos, engorda mais do que outros tipos. O arroz fornece 20% da energia e 15% da proteínas necessárias ao homem e se destaca pela sua fácil digestão. Quando o cereal passa pelo processo de polimento para que fique branco, estima-se que haja perda de 75% dos seus nutrientes, restando basicamente apenas carboidrato, principalmente amido. Isto acontece pois a maior parte das vitaminas e sais minerais está concentrada na película e no germe, que são retirados quando o grão passa por este processo. “Devido à maior quantidade de fibras, o integral tem menor índice glicêmico, dando uma sensação de saciedade por mais tempo. É uma ótima opção para controlar a ingestão alimentar. Também não possui glúten, o que o torna indicado para pessoas portador­as de doença celíaca”, aponta a nutricionista do Irga. A recomendação diária é de quatro colheres de sopa cheias, medida indicada por especialistas para redução da gordura abdominal, prevenção de alguns tipos de câncer, como o de mama, controle da diabetes e, além disso, beneficia o coração, reduzindo as células gordurosas e facilitando a circulação sangüínea. A enfermeira Livia Campo, do Hospital Santa Rita, destaca que o Instituto Nacional do Câncer recomenda limitar o consumo de alimentos processados e aumentar a ingestão de grãos integrais, leguminosas, hortaliças e frutas para prevenir diversos tipos de cânceres. Para superar um possível estranhamento com o sabor do integral, uma dica é misturá-lo com o branco, até o paladar se acostumar.

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Receita

T

er uma opção saudável para matar a fome entre uma refeição e outra é uma carta na manga para quem busca uma dieta equilibrada. Nesta receita, o mel e o açúcar funcionam como conservantes naturais, por isso, basta enrolar as barrinhas em papel filme ou laminado, que elas podem ser levadas para qualquer lugar. Além disso, enquanto a maioria das barras de cereais industrializadas contém altos níveis de sódio e açúcar, esta versão com arroz integral é fonte de fibras e nutrientes. O farelo de arroz, um dos ingredientes utilizados, é rico em carboidratos, proteínas, vitaminas, minerais e fibras insolúveis, essenciais para o bom funcionamento dos intestinos. A receita também é recomendada para pessoas com intolerância ao glúten, uma vez que o arroz não possui esta proteína. Além disso, fazer a própria barra de cereal em casa é uma garantia de que ela não será contaminada pelo glúten de outros alimentos.

Dicas extras • O arroz utilizado pode ser cateto ou agulha. O cateto tende a ficar mais cremoso. • A medida para o arroz integral é de uma xícara do cereal para quatro de água. Para acelerar o cozimento, não coloque sal nem óleo. Outra dica é deixar o arroz de molho na água fria por 20 minutos antes de cozinhar ou utilizar uma panela de pressão. • Para variar o sabor das barrinhas, uma possibilidade é substituir as uvas-passas por diferentes frutas secas.

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Barra de cereal de arroz integral é opção prática e saudável Ingredientes: • 4 xícaras (de aproximadamente 120 g) de arroz integral cozido • 1 xícara de flocos de arroz ou crocantes de arroz • 2 colheres de sopa de farelo de arroz • 1 xícara de açúcar mascavo • 4 colheres de sopa de mel • 1 colher de sopa de manteiga, óleo ou margarina • ½ xícara de castanhas picadas • ½ xícara de uvas-passas picadas • 2 colheres de sopa de coco ralado • 1 colher de chá de canela em pó

Modo de preparo: 1 Cozinhe o arroz integral. Quando o grão estiver macio, leve a uma assadeira. 2 Acrescente os demais ingredientes. 3 Leve a mistura ao forno pré-aquecido. 4 Mexa de vez em quando até que a massa fique firme, o que deve levar em torno de 20 minutos a 200ºC. 5 Coloque em um prato refratário e espalhe bem a mistura. 6 Faça os cortes com a barra ainda quente. 7 Espere esfriar para consumir.

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Análise climática

Bloqueio atmosférico causou onda de calor em 2014 O Irga analisou as principais influências das variações climáticas na safra do arroz, de setembro de 2013 a março deste ano

Glauco Freitas Meteorologista Sérgio Lopes Gerente da Divisão de Pesquisa do Irga

O

Setor de Meteorologia, em conjunto com a Diretoria Técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), realizou

um levantamento das principais influências das variações climáticas na safra do arroz no período de setembro de 2013 a março de 2014. Durante o desenvolvimento da cultura do arroz, o fenômeno climático global atuante foi de neutralidade, ou seja, não houve influência nem de El Niño e nem de La Niña. A base vem dos

dados oficiais recebidos diariamente das cerca de 45 estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Irga e Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro). O objetivo é conhecer os resultados passados para melhor planejar as ações para as influências das variações climáticas futuras.

Precipitação - Desvio da Normal (mm) - Setembro 2013

Figura 1 Abril, maio e junho de 2014 | Lavoura Arrozeira No462

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Análise climática

Precipitação Pluvial Ocorrida (mm) - Novembro/2013

Figura 2 O inicio do plantio em setembro foi excelente em grande parte das regiões arrozeiras do Estado, em especial na Fronteira Oeste e na Depressão Central, onde choveu de forma significativa somente no dia 15, com 40 mm em Uruguaiana. No restante dos dias, praticamente não houve registro de chuva na região, o que contribuiu para o preparo do solo. Já entre Bagé e Santa Vitória do Palmar, a chuva atrapalhou o plantio, mas foi importante para encher os reservatórios, já que choveu entre 30% e 70% acima da média para o mês. Em Bagé, a média mensal é de 139 mm, e choveu 177 mm; em Santa Vitória do Palmar, os volumes foram ainda maiores: a média do mês é 134 mm, e o ocorrido foi de 224 mm. Na Figura 1, está destacada a região com pouca chuva no mês de setembro de 2013, nas cores amarelo e laranja, onde o preparo do solo e a 42

Figura 3 semeadura do arroz foram facilitados no início da estação de crescimento estival. Mesmo que as temperaturas tenham sido mais baixas do que o normal na segunda quinzena de setembro, isso não atrapalhou a

Lavoura Arrozeira No462 | Abril, maio e junho de 2014

semeadura, apenas contribuiu para retardar a emergência das plântulas. Em outubro, o tempo seco continuou beneficiando o preparo do solo e a semeadura do arroz na maioria das regiões. Somente na Zona Sul


Análise climática

a chuva ficou mais persistente e volumosa na segunda quinzena desse mês, com temperaturas do ar e do solo mais baixas, impedindo ou retardando o ritmo de semeadura e emergência das plântulas. Novembro foi o mês que trouxe grandes consequências para quem estava atrasado no plantio, pois ocorreram grandes volumes de chuva, conforme mostra a Figura 2. As regiões da Campanha e Depressão Central foram as mais prejudicadas. Em Santana do Livramento, Cachoeira do sul e Rio Pardo choveu, no período, quase três vezes mais do que o normal, ou seja, 282 mm, 245 mm e 400 mm. Mesmo nas regiões com menor precipitação pluvial, como as Planícies Costeiras Interna (PCI) e Externa (PCE), a chuvas que variaram de 125 a 200 mm, prejudicaram fortemente as operações mecanizadas e contribuíram para atrasar ainda mais a semeadura. Até o final de outubro de 2013, a PCI e PCE tinham semeado apenas 36,3 % e 24,4 % das suas áreas, respectivamente. Naquele mês, as temperaturas foram adequadas para o bom desenvolvimento das lavouras já implantadas, mas

o excesso de chuvas causou muitos prejuízos na aplicação e na eficiência dos insumos, como adubação de cobertura e herbicidas de pós-emergência. Dezembro pode ser considerado um mês bom para o arroz. Houve chuvas bem distribuídas e com volumes consideráveis, além de temperaturas altas com uma ótima radiação. Janeiro também foi favorável ao bom desenvolvimento da lavoura, mesmo com três ondas de calor no mês - a última se estendeu para fevereiro, se tornando uma das mais intensas e extensas de que se tem registro no último século. O período entre o final de janeiro e o inicio de fevereiro registrou bloqueio atmosférico, causa da onda de calor que começou no dia 27 de janeiro e só terminou no dia 12 de fevereiro. Esse bloqueio começou a se configurar através de uma crista de grande amplitude no Oceano Pacifico, um centro de alta pressão no Oceano Atlântico e um jato subtropical se dividindo em dois ramos. Como consequência desse bloqueio atmosférico, formou-se uma grande massa de ar seco e quente predominando sobre

Ventos úmidos Água quente

Figura 4

os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, impedindo que as frentes frias – que trazem chuva – avançassem no sentido do norte do continente. Neste ano, o bloqueio perdurou 17 dias, impedindo que ocorressem chuvas significativas, além de provocar temperaturas elevadas e ventos fracos. Veja a Figura 3, que ilustra o bloqueio atmosférico do verão. No final de fevereiro e nos meses de março e abril de 2014, período que coincide com colheita do arroz e soja em todas as regiões, o tempo colaborou permitindo que o andamento dessa etapa fosse desenvolvido de maneira adequada, e o produto colhido sem prejuízos por excesso de umidade e aquecimento durante o transporte até as unidades de secagem e armazenamento. Embora estudos mostrem que em anos de neutralidade o Rio Grande do Sul recebe chuvas abaixo do normal durante o verão, isso não pode ser aceito como regra. Exemplo disso foi o verão de 2014, quando as chuvas ficaram bem distribuídas nas regiões e com volumes bastante expressivos em algumas regiões. A região da Campanha, por exemplo, saiu do padrão climático e apresentou uma quantidade de chuva bem maior para o período. Em Bagé, a média para os três meses do verão é de 380 mm, e o ocorrido foi de 563 mm. O que havia sido verificado é que o verão poderia ter volumes de chuva acima da média para algumas regiões, o que acabou se confirmando. Um dos principais motivos foi o oceano aquecido junto à costa do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e junto com os ventos úmidos que sopram do mar em direção ao continente formaram nuvens de chuva sobre o Estado. A Figura 4 ilustra como isso ocorreu.

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Clima

Neutralidade climática persiste nos próximos meses Os produtores orizícolas devem acompanhar as previsões climáticas e orientações que serão emitidas pelo Irga ao longo do ano

Glauco Freitas Meteorologista

E

m maio, junho e julho, o padrão da temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacifico Equatorial apresenta valores próximos da normal climatológica, entre -0,25ºC e 0,5ºC, conforme a Figura 1. O El Niño Oscilação Sul (Enos) se refere às variações de temperatura do mar e à pressão do ar na superfície do Oceano Pacífico, o que modifica a circulação atmosférica ano a ano. Levando em consideração estas condições e as avaliações dos modelos climáticos, a previsão para os próximos meses indica que, em maio, deve haver tempo seco com grande probabilidade de ocorrer o chamado “veranico”, período de no mínimo sete dias consecutivos sem chuva e com temperaturas altas ao amanhecer. Até a primeira quinzena de junho, estão previstos volumes expressivos de chuva, quando as frentes frias vão se deslocar lentamente sobre o Estado, podendo 44

ser alimentadas pela umidade que vem da Amazônia ou pelas passagens dos centros de baixas pressões. Para o início do inverno, os modelos climáticos indicam um período de pouca chuva e de temperaturas acima da média, ou seja, um período quente para época do ano. Contudo, a previsão é de que os sistemas que provocam chuva - frentes frias e ciclones atuem mais na região do Uruguai. As instabilidades provocadas por estes sistemas podem avançar em direção às regiões da Campanha e Zona Sul, aumentando os volumes de chuva nesta parte do Estado. Para julho, as últimas projeções dos modelos continuam a indicar divergência na temperatura. Contudo, o modelo que vem mostrando um índice de acerto maior aponta temperaturas acima da média - o que não significa que não haja ondas de frio. Elas podem ocorrer porque as massas de ar polar que avançam em direção ao Estado terão um deslocamento mais frequentes pelo mar do que pelo continente. Assim, a extremidade da massa de ar polar, que não é tão fria como o centro, irá agir sobre o

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Estado, deixando as temperaturas acima da média principalmente no oeste, como mostra a Figura 2. Neste período de três meses, poderão se configurar diversos bloqueios atmosféricos. Este sistema é caracterizado pelo tempo seco e temperaturas elevadas para a época do ano. Ele impede o avanço das frentes frias que causam chuva, além de fazer com que a massa de ar seco e quente atuante no Estado ganhe força, elevando as temperaturas. Entretanto, em algumas situações, as instabilidades provocadas pelos sistemas frontais ficam paradas sobre o Estado, o que pode provocar enchentes. Na maioria das vezes, quando o bloqueio é rompido, acontecem fortes instabilidades, além de formação de ciclones extratropicais e possíveis ocorrências de tornados. Apesar de ser muito cedo para prever a próxima safra em relação às condições climáticas, a possibilidade de haver El Niño gera preocupação entre os produtores de arroz. As previsões indicam um potencial para o fenômeno, provavelmente nos últimos cinco meses de 2014. É


Clima

Anomalia na temperatura do mar e a previsão para maio, junho e julho

Anomalia de temperatura (ºC)

Figura 1

importante ressaltar, contudo, que El Niño e La Niña não são os únicos fatores que impulsionam os padrões climáticos globais. Em nível regional, outros fatores influenciam e precisam ser avaliados, como, por exemplo, a temperatura da água no Oceano Atlântico aquecido, na costa do Rio Grande do Sul, Uruguai, Argentina, Santa Catarina e Paraná, como ocorreu no verão de 2014. Neste momento, a previsão de El Niño e suas influências ainda não é confiável. As habilidades dos modelos climáticos de prever com maior precisão se darão a partir de junho. Por isso, indica-se cautela, e os produtores devem acompanhar as previsões climáticas e orientações que o Instituto Rio Grandense do Arroz emitirá nos próximos meses.

Figura 2 Abril, maio e junho de 2014 | Lavoura Arrozeira No462

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Colheita

Mais de 10 mil participam da Colheita do Arroz em Mostardas

Foto: Camila Raposo

Evento aconteceu de 20 a 22 de fevereiro e teve como um dos destaques da programação o Fórum Técnico Produtivo, com participação do Irga

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Colheita

M

respostas que o produtor precisa, e a realização do concurso publico irá trazer perenidade para a autarquia. Foram 40 anos sem concurso, e com a contratação dos aprovados, vamos manter o Irga forte e moderno”, disse Pereira. Sobre o setor arrozeiro, o presidente lembrou que o Rio Grande do Sul possui mais de 3 milhões de hectares de terras planas, todas elas cultiváveis. “Por isso, o Irga tem investido muito na rotação de culturas, que ajuda na manutenção dos preços e traz alternativas ao produtor. Não podemos pensar somente na lavoura de arroz, temos que pensar no produtor que está em cima dela”, afirmou Pereira. Além deste painel, os visitantes puderam conferir temas como Arroz gaúcho sem resíduos agroquímicos, Competitividade da produção de arroz no RS, Como o arrozeiro gaúcho poderá ser um produtor exportador?, Produção de etanol do arroz e Como transformar o arroz em caviar?”. Para Jobim, o evento vem se

Foto: Camila Raposo/Irga

ais de 10 mil pessoas estiveram presentes na 24ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, que aconteceu nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro em Mostardas, litoral sul do Rio Grande do Sul. Nos anos anteriores, a média de público ficou entre 6 e 7 mil pessoas. Os painéis e palestras foram organizados para contemplar diversas questões do setor orizícola. “Foi um evento muito qualificado, tanto na circulação de pessoas do setor quanto na área de tecnologia”, destaca o coordenador da Coordenadoria Regional da Planície Costeira Externa, Eraldo Jobim. O presidente do Irga, Claudio Pereira, participou do Fórum Técnico Produtivo no primeiro dia de atividades. Com a palestra O Irga com os olhos no futuro, Pereira assinalou que a autarquia tem uma história de 74 anos ao lado da lavoura arrozeira. “Poucos setores da cadeia produtiva podem se orgulhar em ter um órgão como o Irga, sempre buscando trazer as

O presidente do Irga, Claudio Pereira (D), participou do debate O Irga com os olhos no futuro, junto ao diretor técnico da autarquia, Sério Lopes (E) e o presidente da Federarroz, Henrique Dornelles

consolidando como uma feira de transferência de tecnologia e conhecimentos, além do lançamento de cultivares e novidades. Nas Vitrines Tecnológicas desenvolvidas especialmente para a Abertura da Colheita, os visitantes puderam conferir um modelo de lavoura de alta produtividade. Na área destinada ao Irga, foi exposta uma coleção de amostras de cultivares do instituto: da IRGA 424 até a IRGA 428, e os lançamentos IRGA 429, IRGA 430 e IRGA 424 RI. Então diretor técnico do Irga, Sérgio Lopes destaca que as novas cultivares possuem alto potencial produtivo, resistência ao acabamento, tolerância ao frio, alto perfilamento e alta qualidade de grãos. Para o almoço de encerramento, o tradicional carreteiro, sete cozinheiros do Irga começaram os trabalhos às 7h, mas toda a equipe de apoio iniciou a preparação ainda no dia anterior. Foram utilizados 500 quilos de arroz parboilizado doado pela Cooperativa Palmares, mil quilos de carne, 50 quilos de bacon, 162 quilos de tomate e de cebola, seis quilos de alho, 13 quilos de massa de tomate, 10 quilos de pimentão, 25 latas de azeite, 15 quilos de sal, 40 copos de tempero arisco completo e 150 molhos de cebolinha e salsa. A nutricionista do instituto, Cléo Amaral, fez uma seleção de alimentos para degustação durante os três dias do evento para estimular o consumo do cereal. Em uma cozinha-trailer, foram elaborados alimentos doces e salgados à base de arroz e farinha de arroz. O destaque ficou por conta do arroz de leite, que ganhou novas apresentações e sabores. Na abertura oficial do evento, que ocorreu no sábado, 22 de fevereiro, estiveram presentes o então secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e atual mi

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Colheita

nistro da pasta, Neri Geller, o então secretário da Agricultura Pecuária e Abastecimento e atual deputado estadual, Luiz Fernando Mainardi, representando o governador do Estado, Tarso Genro, e representantes da Farsul, Fetag e Embrapa.

Colheita do arroz agroecológico começou em março

ponto alto a discussão promovida a respeito da produção orgânica e da sustentabilidade na agricultura. A produção de arroz com base nos preceitos da agroecologia começou a se desenvolver fortemente no Rio Grande do Sul em 1999, sobretudo em assentamentos da Grande Porto Alegre. Hoje, alcança quase 4,5 mil hectares no Estado, com uma produtividade que deve chegar, em breve, a uma média entre 90 e 100 sacas por hectare. Entusiasta da produção de produtos agroecológicos, o presidente do Irga defende o manejo diferenciado, com adubos orgânicos e livres de produtos químicos, como o que é praticado pelas 32 famílias que integram o assentamento tapense. “O governo do Estado, por meio do Irga, cumpre o seu papel ao incentivar a produção de arroz agroecológico, que preserva a biodiversidade, conserva o meio ambiente e, além disso, proporciona mais renda e melhor qualidade de vida aos assentados e aos consumidores”, salientou Pereira.

Foto: Ben-Hur Corvello

A Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap) realizou a 11ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz Orgânico no dia 4 de março, na cidade de Tapes, na região Centro-Sul do Estado. O evento ocorreu no Assentamento Lagoa do Junco, juntamente com a Romaria da Terra, e teve como objetivo divulgar a produção de arroz agroecológico sob controle dos cam-

poneses, fortalecer as tecnologias e manejo dos sistemas de produção e incentivar o consumo de arroz agroecológico, além de debater políticas públicas de apoio e incentivo. O público chegou a 10 mil pessoas. Entre as autoridades presentes, estiveram o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Gilberto Ramos, o presidente do Irga, Claudio Pereira, o prefeito do município, Sílvio Luiz da Silva Rafaeli, e o secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Ivar Pavan, representando o governador do Estado. O público presente pôde acompanhar todas as fases da cadeia produtiva do cereal, desde o plantio, até a industrialização, e os presentes saíram com um quilo de arroz integral orgânico. “Foi um importante ato representativo no âmbito político”, disse o coordenador da Cootap e produtor do assentamento Capela, em Nova Santa Rita, Emerson Giacomelli. O produtor destacou como

A 11ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz Orgânico contou com a presença de diversas autoridades do setor 48

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Artigo técnico

Brusone em arroz: resistência genética é importante no manejo integrado

Gustavo Rodrigo Daltrozo Funck Engenheiro agrônomo, fitopatologista e pesquisador da Seção de Melhoramento do Irga

N

o Rio Grande do Sul, a ocorrência de doenças na cultura do arroz irrigado é um fator limitante que pode fazer com que as cultivares utilizadas não alcancem seu potencial produtivo. Desde os primeiros relatos sobre os danos causados por doenças em arroz no Estado, a que mais desperta preocupação de produtores e pesquisadores continua sendo a brusone. Esta importante doença é causada pelo fungo Magnaporthe oryzae e pode incidir em toda a parte aérea da planta, desde os estádios iniciais do desenvolvimento até a fase final do enchimento de grãos. Nas folhas, os sintomas típicos iniciam-se por pequenos pontos de coloração castanha, que evoluem para manchas alongadas, com extremidades agudas. Estas manchas crescem no sentido das nervuras, apresentam centro cinza e bordos marrom-avermelhados, às vezes circundados por um halo amarelo como mostra a Figura 1. As formas e o tamanho

Foto: Gustavo Funck

A doença pode incidir em todas as fases de desenvolvimento da planta, e no Estado, os danos são maiores na floração de janeiro a março

Figura 1. Sintoma de brusone nas folhas Abril, maio e junho de 2014 | Lavoura Arrozeira No462

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Foto: Jaceguay de Barro

Artigo técnico

Estratégias do Programa de Melhoramento de Arroz Irrigado do Irga para resistência à brusone

O

desenvolvimento de cultivares de arroz resistentes à brusone tem sido um dos principais objetivos do Programa de Melhoramento do Irga. Neste sentido, são desenvolvidas ações específicas para obtenção de genótipos resistentes, que fundamentalmente baseiam-se na realização de cruzamentos intraespecíficos dirigidos para a obtenção de resistência, utilização do método de seleção recorrente (para acúmulo de genes de resistência na população) e a avaliação da reação à brusone dos genótipos nas fases vegetativa e reprodutiva. Esta última vem sendo realizada desde a safra 1999/2000, cuja metodologia é baseada no sistema “Hot Spot” (Figura 3).

das lesões foliares dependem muito das condições climáticas, da idade das lesões e do grau de suscetibilidade da cultivar. Nas cultivares muito suscetíveis, as manchas podem aparecer em maior número, unidas entre si, causando a morte de todo o tecido da folha e, até mesmo, da planta quando jovem e sob condições ambientais favoráveis. Nas panículas, a doença pode atingir os ráquis, as ramificações e o nó basal. As manchas encontradas nos ráquis e nas ramificações são marrons e, normalmente, não apresentam forma definida. O sintoma se expressa na forma de uma lesão que circunda a região nodal, causando seu estrangulamento. Nas panículas infectadas imediatamente após a sua emissão até a fase de grão leitoso, a doença pode provocar a esterilidade das espiguetas. As panículas apresentam-se esbranquiçadas, sendo facilmente identificadas no campo, conforme ilustra a Figura 2. Quando a infecção ocorre tar50

diamente, há redução no peso dos grãos e, às vezes ocorre a quebra da panícula na região afetada, caracterizando o sintoma conhecido por “pescoço quebrado” ou brusone de “pescoço”. Importante lembrar que a brusone pode incidir em todas as fases de desenvolvimento da planta. Entretanto, a maior suscetibilidade ocorre nos estágios V3-V4 (três a quatro folhas) e em R4 (floração). Para que ocorra incidência é necessário ter condições climáticas favoráveis, presença do fungo e cultivar suscetível. No Rio Grande do Sul, que se caracteriza por apresentar condições de clima temperado, os danos são maiores na floração durante os meses de janeiro a março. A temperatura ótima para esporulação é de 28 ºC, e a brusone é favorecida pelas condições de umidade acima de 90%, principalmente durante a manhã, e quanto menor for o número de horas diárias de sol, maiores serão as probabilidades do ataque de M. oryzae.

Lavoura Arrozeira No462 | Abril, maio e junho de 2014

Foto: Gustavo Funck

Figura 2. Sintoma de brusone nas panículas

Figura 3. Exemplo de linhagens suscetíveis (mortas) e linhagens resistentes avaliadas no Viveiro de Brusone do Irga, safra 2013/14, em Torres


Artigo técnico

nova cultivar IRGA 424 RI, essencialmente derivada da cultivar IRGA 424 e resistente ao grupo químico das imidazolinonas. Por outro lado, as cultivares IRGA 428, IRGA 429 e IRGA 430 são moderadamente resistentes tanto nas folhas quanto nas panículas. Vale ressaltar que estas informações (resistência ou suscetibilidade) são obtidas em condições experimentais específicas, uma vez que em condições de lavoura comercial a maioria das cultivares do Irga apresenta um comportamento de resistência à brusone, como pode ser observado na Figura 4. Esta figura ilustra uma lavoura comercial localizada no município de Mostardas, na safra 2012/13 em que podemos observar a cultivar IRGA 429 sem sintomas de brusone ao lado de uma cultivar comercial suscetível altamente comprometida pela doença. No entanto, cabe salientar que a resistência à brusone das cultivares pode ser “quebrada” ou “perdida”. De acordo com a literatura são duas as prováveis causas para

que as cultivares de arroz tornem-se suscetíveis à brusone: podem ocorrer mudanças genéticas no patógeno gerando formas diferentes de virulência ou pode aumentar a freqüência de raças do fungo de ocorrência rara. Por isso, a estratégia de diversificação de cultivares com diferentes genes de resistência é essencial para diminuir os danos causados pela brusone, pois evita o estabelecimento e o aumento de raças virulentas específicas. O uso contínuo de uma cultivar favorece a pressão de seleção destas raças. Além disso, resultados de pesquisas realizadas pelo Irga mostraram que, para o controle da brusone, é necessário combinar práticas de manejo, entre elas: uso de cultivares resistentes, semeadura em época recomendada, adubação equilibrada, controle eficiente de plantas daninhas e controle químico com fungicidas, se necessário. Estas práticas, adotadas em conjunto, certamente vão auxiliar o produtor na obtenção de sucesso no controle de brusone. Foto: Felipe Ferreira

As avaliações são feitas no “Viveiro de Brusone”, em Torres. Anualmente, são avaliados mais de 6 mil genótipos desenvolvidos pelo Programa de Melhoramento Genético de Arroz Irrigado do Irga, desde a fase vegetativa até a fase de maturação, em um ambiente conduzido de modo que se tenha alta pressão de inóculo, especialmente para brusone. O procedimento é uma evolução da metodologia usada anteriormente, quando era avaliado apenas o grau de resistência dos genótipos na fase vegetativa. As últimas cultivares lançadas pelo Irga e recomendadas para o Rio Grande do Sul apresentam grau de resistência à brusone que varia de alto a moderado, como resultado dos genes de resistência acumulados e eficiência da seleção realizada no Viveiro de Torres. Como exemplo, podemos citar as cultivares IRGA 423 e IRGA 424, lançadas no ano de 2007, as quais continuam apresentando resistência à brusone nas folhas e nas panículas. Também apresenta este comportamento a

Figura 4. Lavoura comercial: comparação entre uma cultivar suscetível e uma moderadamente resistente (IRGA 429). Mostardas, safra 2012/13 Abril, maio e junho de 2014 | Lavoura Arrozeira No462

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Pelos Nates

O que é destaque nos Núcleos de Assistência Técnica e Extensão Rural

A cidade de Dom Pedrito, na região da Campanha, tem se destacado como um dos polos de produção de sementes no Rio Grande do Sul. Atualmente, o município representa cerca de 15% do total de sementes certificadas do Estado, com uma área de 1.806 hectares inscrita no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na safra de 2013/2014 .

Dom Pedrito conta com quatro produtores, que apresentam campo de produção própria ou com cooperantes na região, incluindo Bagé, Santana do Livramento e Rosário do Sul. As atividades de certificação estão a cargo dos engenheiros agrônomos do 20º Nate, Leandro Luiz Mainardi (na foto, à direita) e Ronaldo Goettems (à esquerda), que apresentam grande experiência e conhecimento

Foto: Leandro Mainardi

Dom Pedrito se destaca na produção de sementes

na área de produção de sementes. O núcleo de Dom Pedrito integra a Coordenadoria Regional Campanha.

Cachoeira do Sul promove palestra para estudantes sião, a engenheira agrônoma Mara Grohs e o técnico agrícola Rodrigo de Moura Silveira, extensionistas rurais da unidade, falaram sobre

Foto: Mara Grohs

O 4° Nate Cachoeira do Sul promoveu, no dia 22 de abril, uma palestra na Escola Municipal Taufik Germano, na zona rural do município. Na oca-

aspectos relacionados ao plantio, consumo e importância nutricional e econômica da cultura do arroz irrigado. A palestra foi dirigida aos alunos da 6ª à 8ª série do ensino fundamental, totalizando um público de cem pessoas, entre estudantes e professores. A atividade foi parte da programação da escola que antecedeu as festividades da Feira Nacional do Arroz (Fenarroz). Segundo a professora que coordenou a atividade, Cleusa Heatinger ”o arroz tem uma importância tão grande para a economia do município, que os alunos devem conhecer as etapas da produção,

bem como os produtos derivados do cereal”. O Nate de Cachoeira do Sul integra a Coordenadoria Regional Depressão Central.

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Pelos Nates

A prefeitura de Bagé oficializou no mês de março a doação da área destinada para a sede do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). O diretor comercial da autarquia, Elói Thomas, participou do ato de assinatura de doação. “Quero agradecer a todos, pois estamos nesta batalha desde 2009. Nunca desistimos, porque nosso trabalho não visa apenas à cidade, visa às pessoas também”, comentou o diretor. Thomas parabenizou ainda a Câmara de Vereadores e o prefeito de Bagé,

Dudu Colombo, por sua atenção e dedicação para que a área fosse efetivamente doada. “Nosso setor primário está crescendo cada vez mais, diante disso necessitávamos de uma área central, facilitando o acesso de todos, e com certeza vamos enriquecendo as indústrias e a agricultura da cidade”, disse. A Lei Municipal N°. 5376 autoriza o Poder

Foto: Ingrid Delgado - Folha do Sul

Bagé oficializa doação de área para o Irga

Executivo a realizar a doação de imóvel à autarquia. O Nate de Bagé pertence é parte da Coordenadoria Regional Campanha.

São Gabriel realiza Dia de Campo municipal de Santa Margarida do Sul: mais de 150 produtores e técnicos estiveram presentes no evento, organizado pelo 1º Nate do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Semente Lannes Ltda. O evento foi realizado no dia 26 de fevereiro, na propriedade de Roselba Saccol. Divididos em grupos, os visitantes

passaram por cinco estações, nas quais puderam conhecer e tirar dúvidas sobre as novas cultivares de arroz e soja, além de aspectos de manejo relacionados à lavoura. Foram apresentados o manejo da cultivar de arroz BRS PAMPA, a vitrine da cultivar de arroz IRGA 426 e as cultivares de soja CCGL TEC/IRGA, NIDERA e COODETEC. O Nate de São Gabriel integra a Coordenadoria Regional Campanha.

Irga participa da Abertura da Colheita do Arroz Orgânico em Manoel Viana Foto: Nate/Divulgação

Foto: Luciano Hanemann

A chuva não desanimou os participantes do Dia de Campo Municipal

O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) participou no dia 24 de abril da 1ª Abertura da Colheita do Arroz Orgânico de Manoel Viana, no Assentamento Santa Maria do Ibicuí, na Fronteira Oeste do Estado. Através do 9º Nate, a autarquia apoiou a organização e a realização do evento, que tem o objetivo de promover a produção de arroz orgânico na região. A equipe de eventos do instituto serviu o tradicional carreteiro aos mais de 300 visitantes que estiveram no local, entre lideranças locais, técnicos e produtores orizícolas. O 9º Nate de Alegrete integra a Coordenadoria Regional Fronteira Oeste.

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Almanaque

Há 50 anos,

na Revista Lavoura Arrozeira Abril A edição de abril de 1964 da Lavoura Arrozeira traz na capa a imagem de uma lavoura de cornichão da Secretaria da Agricultura em Guaíba. Na seção “Nossa capa”, em que se explica a escolha da fotografia, conta-se a história da planta, introduzida em 1922 no Rio Grande do Sul e cultivada para a formação de pastagens permanentes. Na época, se realizavam ensaios na Estação Experimental de Forrageiras de São Gabriel para

Maio Em maio de 1964, a Lavoura Arrozeira exaltava a chegada de maquinário na matéria ”Chegaram a Rio Grande as combinadas da Iugoslávia”. No vapor Lóide América, 120 combinadas para arroz desembarcaram no Estado, adquiridas pelo Instituto Rio Grandense do

verificar como a espécie se comportava em consorciação e rotação com trigo, obtendo resultados melhores do que com outras leguminosas. Ainda engatinhava, na ocasião, a experiência da rotação com o arroz, “embora as condições de cultivo sejam bem diferentes e por esse motivo haja diversidade de opiniões sobre a rotação desse cereal e o cornichão”. Hoje, a planta é amplamente utilizada, geralmente combinada com azevém e trevo branco, que apresentam potencial para apresentam potencial

para alta produtividade animal em sistemas de rotação com pecuária de corte e arroz irrigado.

Arroz por demanda dos produtores. As máquinas, da marca ZMAJ, eram da Industrija Poljoprivrednih Masina, da cidade de Zemun, e foram compradas no prazo de cinco anos. As combinadas são capa da edição seguinte da revista, que mostra os dois tipos de maquinário adquiridos: com pneus e com esteiras.

Junho

Em junho de 1964, a revista do Irga trazia um artigo do então Che54

fe do Serviço de Estatística e Divulgação, Soly S. Machado, sobre a evolução da cultura de arroz no Rio Grande do Sul, com destaque para a atuação da autarquia nesse cenário. O texto fala sobre as principais transformações na orizicultura gaúcha, desde a origem do chamado arroz-de-seco na zona colonial, até a primeira lavoura irrigada, em 1904. O autor menciona a segunda fase da lavoura orizícola em relação à área plantada, em que houve crescimento regular e constante

Lavoura Arrozeira No462 | Abril, maio e junho de 2014

da área cultivada, lembrando do marco de 1943, quando se fixa pela primeira vez o preço mínimo do arroz. Segundo artigo, a ação do Irga se fez sentir principalmente em 1951, ano em que começa o período de franca ascensão do arroz, com o aumento da área plantada. “Podemos verificar a evolução firme e constante da lavoura orizícola gaúcha, decorrente, principalmente, dos efeitos da política de preços mínimos, executada pela autarquia arrozeira”, diz a análise.


Com uma política industrial que fortalece o campo, cultivamos um Rio Grande cada vez maior.

Gerar desenvolvimento diminuindo desigualdades: investir no campo faz parte da nossa política. O Governo do Rio Grande do Sul incentiva o desenvolvimento do agronegócio através da Política Industrial, na qual o setor de aves e suínos é prioritário. Por isso, oferece instrumentos como o Novo Fundopem, Integrar/RS, Sala do Investidor e Programa Gaúcho de Alimentos Premium, além de financiamentos e ações nas áreas tributária, de sanidade e tecnológica, para garantir maior competitividade à produção local. Assim, o setor e o Rio Grande do Sul crescem juntos.

Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento

Mais informações: www.sdpi.rs.gov.br e www.agdi.rs.gov.br

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Revista Lavoura Arrozeira - edição 462  

Revista Lavoura Arrozeira - edição 462  

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