Issuu on Google+


Carole Mortimer

DESEJO SECRETO

Tradução Oliveira Jr.

2014


CAPÍTULO UM

– QUE DIABOS você está fazendo aqui? Casey chegara do trabalho exausta, quase às onze da noite, e tomara um choque ao deparar com a porta de sua casa aberta, e um homem sentado despreocupadamente em sua sala de estar. A única fonte de luz provinha de um pequeno abajur de mesa, projetando uma sombra no rosto do homem acomodado na poltrona. Casey reconheceu a quem pertenciam os cabelos negros e compridos, os ombros largos e o corpo alto, esbelto e musculoso, apesar de ter se encontrado com ele apenas duas vezes. Era Xander Fraser, homem cujas feições bonitas e másculas apareciam com frequência nas mais prestigiosas revistas de celebridades, em fotos de avant premières dos numerosos filmes realizados por sua produtora. Casey estava surpresa por Xander saber onde ela morava. Sim, ambos residiam em Surrey, mas em níveis completamente diferentes da escala de valor habitacional. Se não tivesse ficado tão surpresa por encontrá-lo ali, talvez sentisse alguma satisfação em ter este raro exemplar de beleza masculina em sua casa. Afinal de contas, era o primeiro homem elegível e deslumbrante de quem chegava tão perto desde o fim de seu casamento, há um ano. Infelizmente, no momento, a aparência de Casey não era das melhores. Estava com os cabelos cheirando à comida que preparara na cozinha do restaurante, usando uma de suas roupas mais velhas, e sem nenhuma maquiagem para acrescentar cor à sua compleição naturalmente pálida. O que, por outro lado, era bom. Dificilmente seria uma boa ideia flertar com o exmarido da mulher que roubara seu ex-marido! Xander Fraser deu com os ombros largos enquanto se mexia na poltrona – muito pouco, mas o bastante para retirar o rosto da sombra e revelar um nariz aquilino entre ossos malares salientes, e uma boca larga e arrogante encimando um queixo forte e quadrado. Ele a fitou com severos olhos azuis. – Estava esperando que você chegasse em casa, é óbvio – disse lentamente. – Sim, isso eu entendi – respondeu com impaciência; o que ele estava fazendo ali é


que era importante! – Mas... onde está Hannah? – perguntou Casey, alarme transparecendo na sua voz. Agora que seu primeiro choque em ver Xander começava a diminuir, Casey deu por falta da jovem que contratara para cuidar de seu filho enquanto trabalhava no restaurante. – Esse é o nome da babá? – Xander Fraser franziu sobrancelhas escuras. – Disse para ela aproveitar que eu estava aqui e ir mais cedo para casa. – E Hannah simplesmente foi embora? – exclamou Casey. – Mas ela nem o conhece! Você poderia ser... – O quê? – As sobrancelhas escuras franziram uma segunda vez. – Um assassino serial? Ou, talvez, um sequestrador de crianças? – Xander abriu um sorriso desprovido de humor. – Bem... para ser sincera, sim – disse Casey de testa franzida, sentindo-se com todo o direito de estar irritada com o comportamento irresponsável de Hannah. Embora, ela reconheceu em silêncio, Xander Fraser dificilmente parecesse um assassino ou um sequestrador, trajado com uma camisa de seda azul-marinho e uma calça jeans de grife, e emanando a espécie de autoconfiança que apenas os muitos ricos ou muito bonitos pareciam possuir. – Creia em mim – disse Xander Fraser, muito sério. – Já ando enrolado demais lidando com uma única criança! A filha de Xander Fraser, Lauren, tinha seis anos – a mesma idade que Josh, o filho de Casey. Mas aí terminavam as semelhanças. Lauren Fraser era filha de um multimilionário produtor de cinema, enquanto Josh era filho de uma mãe solteira alternando-se entre dois empregos para manter um teto sobre suas cabeças. Casey suspirou enquanto pousava a bolsa na mesinha de café. Estava cansada demais para conseguir extrair qualquer sentido da presença inesperada daquele homem ali, quanto mais de suas palavras enigmáticas. Fora um longo dia para Casey. Acordara às 7h30 para preparar seu filho para entrar na escola às 9h. Em seguida, correra até a lanchonete na qual trabalhava até depois da hora do almoço. No meio da tarde, pegara Josh na escola e passara algumas horas em casa com ele, antes de sair para seu trabalho noturno no restaurante do hotel local. Sim, fora um dia longo e cansativo, e ela não estava com a menor vontade de travar um duelo verbal com Xander Fraser, fosse ele pecaminosamente bonito ou não! Enquanto ele se mantinha sentado na única poltrona na sala de estar parcamente mobiliada, Casey permaneceu de pé, ainda muito insatisfeita com Hannah. Mas isso,


prometeu a si mesma, seria um assunto do qual deixaria para cuidar no dia seguinte. – Então, o que posso fazer pelo senhor? – perguntou sucintamente a Xander Fraser. Com o corpo muito magro vestido numa camisa de malha preta justa e uma calça jeans desbotada, e com pouco mais de metro e meio de altura, Casey Bridges tinha toda a aparência de um galo de briga se preparando para enfrentar um falcão, pensou Xander. Os claríssimos cabelos louros aderiam estilosamente às têmporas e à nuca, e o lindo rosto em forma de coração era dominado por escuros olhos verdes que não faziam absolutamente nada para dispersar aquela ilusão de fragilidade. E parecia exausta... No exato instante em que ele pensou isso, Casey cambaleou um pouco. Abruptamente, Xander se levantou. – Sente-se antes que desmaie. Casey ficou claramente irritada com a ordem, mas obedeceu. Talvez tenha percebido que, caso recusasse, ele seria perfeitamente capaz de pegá-la nos braços e carregá-la até a poltrona. A poltrona, a mesinha de café e o abajur eram os únicos móveis na sala. Xander percebera isso com uma expressão preocupada ao chegar lá. Também não havia um televisor na sala, e, ao dar uma olhada rápida no resto da casa, notou que os outros cômodos não eram diferentes. Casey Bridges parecia levar o conceito de minimalismo às últimas consequências. Ou então – como sua filha Lauren já havia insinuado – havia outra explicação completamente diferente para tamanha austeridade. Xander estreitou os olhos ao registrar o quanto a mulher diante dele estava magra e frágil. Notou as sombras sob os escuros olhos verdes, as faces chupadas, a pele quase translúcida em suas mãos e pulsos. – Exatamente o que está acontecendo aqui, Casey? – perguntou Xander, os olhos azuis perturbadoramente penetrantes. – Onde esteve esta noite? – Ele considerara que Casey estivesse com amigos, possivelmente até um namorado, visto que seu marido a abandonara há um ano, mas ela não parecia uma mulher retornando de uma noite agradável. Casey balançou vigorosamente a cabeça enquanto parecia recuperar parte de sua compostura. – Isso não é da sua conta, sr. Fraser. – Ela se levantou. – Vou subir para ver como Josh está. Ainda não consigo acreditar... Ele acordou? Ele sabe que Hannah foi embora? – perguntou ansiosa. – Josh está bem – assegurou-lhe Xander. – Ele acordou uma vez, mas ficou tranquilo


quando lhe disse que era o pai de Lauren. Ele e Lauren se tornaram amigos... você sabia? Sim, ela sabia. Ironicamente, Josh e Lauren haviam se tornado amigos durante os oito meses em que Sam e Chloe tinham vivido juntos, porque suas visitas aos seus respectivos pais coincidiam com frequência. Casey também sabia que Josh vinha sentindo muita falta da menininha desde que Chloe e Sam haviam morrido, há quatro meses. – É verdade, acho que se tornaram muito amigos. Agora, se puder esperar aqui enquanto subo para ver como Josh está, nós poderemos... continuar esta conversa quando eu voltar. Casey evitou olhar nos olhos de Xander antes de se virar e sair da sala. Então, ao subir a escada até o quartinho de Josh, não conseguiu conter um suspiro de alívio. Ela precisava admitir que se sentia sufocada pela poderosa presença e pelos ferozes olhos azuis de Xander Fraser entre as paredes da casinha onde ela primeiro vivera com os pais, depois com Sam e Josh, e agora apenas com Josh. A casa cuja posse ela estava determinada a manter, se isso fosse humanamente possível. Casey não tinha a menor ideia de que espécie de conversa ela e Xander Fraser iriam ter, mas ele obviamente considerava isso importante, a ponto de ter se dado ao trabalho de descobrir onde ela morava. Ela duvidava muito que a ex-esposa de Xander tivesse lhe dado seu endereço. Nas duas vezes em que haviam se encontrado, Casey e Xander tinham ido coincidentemente buscar Josh e Lauren ao mesmo tempo, depois de uma das visitas semanais das crianças à casa que Sam e Chloe compartilharam por tão pouco tempo. A deslumbrante Chloe não tivera escolha além de apresentá-los um ao outro, mas seus hipnóticos olhos azuis haviam se mantido vigilantes enquanto fazia isso. Casey não gostara da sofisticada e mimada Chloe Fraser. E certamente não teria gostado mesmo se ela não tivesse sido a “outra” no rompimento de seu casamento. As duas não haviam tido absolutamente nada em comum – além de Sam, é claro. Só que a beleza de Chloe Fraser fora tamanha que suas características mais negativas não haviam repelido o belo e precioso Sam, ou o sombrio e imensamente rico Xander Fraser. Mas o fato de que Chloe e Sam agora estarem ambos falecidos – vítimas fatais da queda do jato particular no qual viajavam –, significava que as visitas de Josh e Lauren haviam parado. E isso deveria significar também que Casey não tinha mais nenhum motivo para ver Xander Fraser de novo.


EntĂŁo, por que diabos ele estava agora lĂĄ embaixo, em sua sala de estar, obviamente esperando para conversar com ela?


CAPÍTULO DOIS

XANDER, DE pé na cozinha, percebeu a presença de Casey às suas costas. – Achei que você estava precisando disto – disse enquanto se virava para ver sua expressão de surpresa diante das duas canecas fumegantes que ele acabara de preparar. – Como estava Josh? – inquiriu ao notar a palidez de seu rosto magro. As olheiras permaneciam sob os profundos olhos verdes, mas ao menos ela sorriu. Entalhes profundos surgiram nas laterais dos lábios grossos, como se indicando que ela se desacostumara a sorrir. O que era perfeitamente possível. Xander sabia que, para Chloe, a sedução do paisagista trabalhando em sua casa fora apenas um jogo. Um jogo que ela provavelmente fizera mais vezes do que Xander tinha conhecimento. Ou se importava. Embora, no caso de Sam Bridges, Chloe houvesse rapidamente decidido que queria elevar seu relacionamento a um novo patamar. Assim, os dois abandonaram seus respectivos parceiros e foram morar juntos. O fato de ter, ao mesmo tempo, roubado o marido desta mulher e o pai de um menino de seis anos não fez a mínima diferença para a mimada e caprichosa Chloe, para quem os fins sempre justificaram os meios. – Dormindo profundamente – respondeu Casey. Então suas faces ruborizaram de leve. – Quer um biscoito ou alguma outra coisa para acompanhar esse café? Como já vasculhara os armários de cozinha enquanto ela estava no andar de cima, e os descobrira vazios, Xander não nutria muita esperança de haver alguma coisa para comer. – Não, obrigado... já jantei. Devemos passar para a sala de estar, ou prefere conversar de pé aqui? – Em todo caso, apenas um deles poderia se sentar! Mais uma vez Xander se perguntou que diabos vinha acontecendo na vida desta mulher nesses últimos quatro meses. Não havia comida na casa, e pouquíssimos móveis, e Casey Bridges estava tão magra que corria o risco de ser partida em duas por um vento forte. – Aqui está ótimo. – Casey aceitou uma caneca fumegante, a mão cuidadosamente evitando contato com a dele.


Era ridículo sentir tanta atração física por esse homem, disse a si mesma com impaciência. Mas não havia como negar que essa atração estava lhe deixando as mãos ligeiramente trêmulas. Será que simplesmente sentia falta de fazer sexo? Claro que não! O lado físico de seu casamento com Sam, que nunca fora muito bom, tinha sido absolutamente inexistente nos últimos seis meses de sua convivência. Não, cabia inteiramente a Xander Fraser o crédito de ter despertado tamanha sensualidade dentro dela. A compreensão a fez engolir em seco. – Sobre o que quer falar comigo? – Isso pode esperar. Primeiro, quero que me diga por que não há praticamente nenhuma mobília na casa, e por que a geladeira está tão vazia, com exceção de uma garrafa de leite e um pedaço de queijo. Ela arregalou os olhos com raiva e incredibilidade. – Você esteve xeretando a minha geladeira? – Precisei de leite para seu café. – Oh. – Casey sentiu suas faces corarem diante da resposta. – Mesmo assim, o que tenho ou não tenho na minha geladeira não é da sua... – Quando foi a última vez que você comeu? – Não preciso lhe dizer... – Precisa sim – ele a interrompeu novamente, seu tom não admitindo mais recusas ou evasivas. Casey franziu a testa, profundamente irritada com a atitude autocrática de Xander. – Preparei costeletas de carneiro com batatas e vegetais cozidos antes de sair... – Estou disposto a aceitar que Josh coma costeletas e vegetais em todas as refeições. Ao contrário de você, o menino parece robusto e saudável. Sem falar que, ainda há pouco, vi os ossos das duas costelas na sua lixeira. – O senhor realmente não tem o direito de me questionar desse jeito! Quanto mais fuçar a minha lixeira! Não, ele provavelmente não tinha nenhum direito, reconheceu. E realmente não podia dizer que dera a esta mulher, ou a seu filho, muita consideração durante o último ano. Estivera ocupado demais tentando lidar com o trauma que a deserção de Chloe, e em seguida sua morte, deixara em sua própria filha para se preocupar com a família de Sam Bridges. Mas tudo isso mudara desde sua conversa com Brad Henderson, o pai de Chloe, há quatro dias.


Desde que chegara à casa de Casey, há algumas horas, e vira a frugalidade com que ela vivia, Xander estava inclinado a pensar que o comentário que Lauren tecera certa vez, de que “a mãe de Josh é tão pobre que não pode comprar nenhum brinquedo para ele”, provavelmente tinha um fundo de verdade. Contudo, se estivesse disposta a cooperar, e concordasse com o que ele estava prestes a sugerir, Casey melhoraria imensamente a própria condição, ao mesmo tempo em que ajudaria Xander a resolver seu problema com Brad Henderson. Se Casey estivesse disposta a cooperar. Olhando para ela agora, notou o quanto parecia completamente exausta, tanto física quanto emocionalmente. Xander não achava que fosse apenas pelos traumas do ano anterior. A julgar por tudo que sabia sobre Sam Bridges, antes mesmo de se envolver com Chloe, o homem já não fora exatamente um perfeito marido e provedor para sua família. Não era de admirar que sua ex-esposa tivesse se sentido tão atraída por ele. Tinham sido feitos um para o outro. Dois sanguessugas. – Talvez, se parar de me tratar como um idiota e responder honestamente às minhas perguntas, eu pare de fuçar sua lixeira e sua vida – respondeu Xander. – Onde esteve esta noite, Casey? – Ele tinha certeza absoluta de que ela não saíra para uma noite de prazeres frívolos; a mulher tinha cara de nem conhecer o significado da expressão. Casey olhou para ele com olhos levemente perdidos, ainda sem ter a menor ideia do que instigara a visita deste homem, ou por que ele a estava questionando tão intensamente. Tudo que sabia era que se sentia cansada demais para continuar discutindo. – Estava trabalhando – respondeu com um suspiro. – Trabalho quatro noites por semana no restaurante de um hotel local. Xander Fraser fitou-a com severidade. – Com um filho ainda tão novo, não teria sido mais conveniente achar um trabalho diurno? – Eu tenho um trabalho diurno! – retorquiu impaciente, sentindo uma distinta desvantagem quando o corpo de Xander, com sua altura superior, avultou-se sobre ela. Xander Fraser era pelo menos trinta centímetros mais alto que Casey, que media um metro e cinquenta e sete. – Trabalho como cozinheira cinco dias por semana numa lanchonete, mais quatro noites no hotel – revelou, ainda relutante em discutir sua vida pessoal com este homem que emanava tanta riqueza e poder. – Por quê? – ele sondou.


– Isso não é da... – Minha conta? E se eu estiver tornando isso da minha conta? Ela soltou uma risada incrédula, prontamente parecendo mais jovem, ainda que a expressão em seus olhos verdes denotasse mais desprezo do que bom humor genuíno. – E por que Xander Fraser, o produtor de cinema multimilionário, faria algo assim? – zombou, ressaltando a vasta diferença entre seus estilos de vida. Não que ela quisesse ser super-rica. Já seria ótimo sentir-se financeiramente estável. Mas a empresa de jardinagem e o dinheiro que seu pai lhe deixara ao morrer já não existiam mais. A empresa fora à falência em menos de um ano sob a administração de Sam, que em seguida havia torrado o dinheiro na tentativa de obter sucesso em, adivinhe no quê!, paisagismo. O único sucesso que Sam obtivera em sua vida fora o de conhecer Chloe Fraser. – E então, sr. Fraser? – Tenho uma proposta de negócios para lhe apresentar. Casey balançou a cabeça. – Temo que o senhor tenha compreendido mal minhas habilidades culinárias. Não preparo pratos refinados para festas... – Não é essa espécie de proposta de negócios – disse Xander, caminhando de um lado para outro da cozinha, os olhos reduzidos a frestas de um azul vívido. – Conhece Brad Henderson? Casey levantou as sobrancelhas à menção do rico e aposentado proprietário de um estúdio cinematográfico de Hollywood. – Não, pessoalmente, não. – Ele é pai de Chloe. E, portanto, avô de Lauren. Casey não soubera disso, embora ajudasse a explicar por que Chloe sempre fora tão egocêntrica. Tendo sido criada por um pai privilegiado e condescendente, e, em seguida, se casado com um marido ainda mais rico, como uma mulher não poderia ser mimada e egoísta? – Realmente não consigo ver o que tudo isso tem a ver comigo. – Chegarei lá. Lauren e Josh já são amigos. A vida claramente não a está tratando bem, se precisa de dois empregos para se manter em condições precárias como estas... – Espere um pouco, sr. Fraser... – Pode me deixar terminar, Casey? Tenho algo a dizer, e suas interrupções constantes não estão facilitando nada! Ela levantou sobrancelhas louras, suas faces corando em indignação.


– Talvez, se o senhor parar de fazer com que isto pareça tão pessoal... – Mas isto é pessoal, Casey – disse com um sorriso forçado nos lábios. – Muito pessoal – acrescentou. – Por motivos que já vou explicar, estou aqui para perguntar se não estaria interessada, em troca de meu sustento financeiro para você e Josh, em se tornar minha esposa. Sem palavras. Xander Fraser deixara-a completamente sem palavras com essa declaração... essa pergunta? Ele não podia estar falando sério! Ou podia?


CAPÍTULO TRÊS

CASEY TINHAa impressão de nadar através de águas densas e turvas que dificultavam sua tentativa de alcançar a superfície, que a impediam de se lembrar... Isto era tudo um sonho! Xander Fraser era um sonho. Assim como sua proposta de casamento tinha sido um sonho. – Beba isto – ordenou, autoritário. – Vamos, Casey, abra os olhos e beba. Infelizmente, essa voz era familiar demais. Não era um sonho, portanto. Nem mesmo um pesadelo! O que significava que a proposta de casamento de Xander tinha sido muito real... – Sei que está acordada, Casey. – Sua voz estava mais gentil agora. – Não vou desaparecer só porque você se recusa a abrir os olhos e olhar para mim – ele provocou gentilmente. As pálpebras de Casey se abriram abruptamente para que ela fitasse seu algoz. Ela agora estava recostada na poltrona, para a qual Xander devia tê-la carregado quando desmaiara. Ele se curvava sobre ela, estendendo-lhe uma taça de um líquido castanho translúcido. Um sorriso reticente tocou os lábios belissimamente esculpidos de Casey enquanto Xander não fazia nenhum esforço para recuar. – Beba mais um pouco de xerez, Casey – ordenou Xander enquanto aproximava mais o copo de sua boca. – Devia ser conhaque, eu sei, mas não consegui encontrar nenhum – acrescentou secamente. Era xerez culinário, reconheceu Casey com uma careta enquanto aceitava o copo. Xerez usado para aromatizar uma torta que preparara para o Natal. E, ainda por cima, um xerez culinário de péssima qualidade. Mas ele tinha razão. Ela precisava de alguma coisa para dispersar o choque que estava sentindo. Xander Fraser era o tipo de homem que sempre tinha razão, decidiu Casey, irritada. Tomou o xerez todo de uma vez, constatando que era tão repulsivo quanto esperara, mas, justamente por isso, muito estimulante. Ótimo, disse Xander aos seus botões ao ver os olhos verdes reluzirem e cor se espalhar por faces antes pálidas; um copo de um xerez horrível e a mulher estava


bêbada. O fato de que não vinha se alimentando direito certamente contribuíra para isso. – Chega disso. – Tomou o copo vazio da mão de Casey e o pousou na mesinha de café, empertigando-se ao fazer isso para se afastar um pouco dela. A expressão propositalmente calma de Xander não demonstrava nenhum resíduo da preocupação que ele sentira há alguns minutos, quando tomara nos braços o corpo levíssimo de Casey para colocá-la na poltrona na sala de estar. A mulher parecia um travesseiro de penas em seus braços, tão leve que não a julgara muito mais pesada que a pequena Lauren. Enquanto olhava para ela, Xander calculou que diferença algumas boas refeições e um pouco de afeto e cuidados surtiriam naquele rosto magro e corpo levemente curvilíneo. Como ela ficaria se fosse aliviada da preocupação e da tensão que sentia e começasse a apreciar novamente a vida. Em seguida, reprimira a si mesmo por ter pensado nisso. A ideia de que os dois se casassem era apenas uma proposta de negócio. Nada mais, nada menos. Era extremamente aconselhável que ele não pensasse na inegável beleza de Casey Bridges, ou nos seus possíveis encantos com um corpo mais cheio e curvilíneo... Não, pensar nela dessa forma decerto não era uma boa ideia. Não se ela concordasse em se casar com ele. E Xander tinha todas as intenções, agora que finalmente expusera a ideia, de fazer com que ela concordasse! Casey olhou para Xander sob compridos cílios dourados, percebendo com facilidade sua força contida enquanto caminhava em círculos pela sala de estar. Era um homem que emanava poder e suprema autoconfiança. Um homem, tinha certeza, que jamais aceitava um não como resposta. Um homem que acabara de lhe propor casamento em troca de incentivo financeiro! Ela umedeceu os lábios paralisados antes de falar: – Acho melhor você se retirar agora. – Sinto muito, mas não farei isso, Casey. Você e eu temos muito mais a dizer um ao outro antes que eu concorde em ir a qualquer lugar. – Mas não pode estar falando sério quando sugere que nós dois deveríamos nos casar. – Sim, estou falando sério. Muito, muito sério. – Mas você não sabe nada a meu respeito... – Sei tudo que preciso saber. Você é uma mulher esforçada e independente. Uma boa mãe...


– Também tenho dentes fortes. Xander abriu um sorriso de apreciação. – Além de senso de humor! – Não é humor, sr. Fraser, é histeria. Diga-me: por quê? – Quer saber por que você? Ou por que eu preciso me casar? – Ambas as coisas. – Josh tem avôs paternos? – indagou, em vez de responder a qualquer uma das perguntas. Casey pareceu surpresa. – Tem, sim. – E eles já consideraram tomar Josh de você? – Depois da forma como o filho deles se comportou? Nunca teriam coragem! – ela o assegurou, as faces corando de raiva. – Bem, Brad não sofre de escrúpulos dessa espécie no que diz respeito à sua neta. – O seu sogro quer tomar Lauren de você? – perguntou horrorizada. – Mas por quê? – Por que ele quer Lauren? Ou por que ele acha que tem motivos para tomar Lauren de mim? – Ambas as coisas! – Casey franziu a testa, irritada com a mania de Xander em responder às suas perguntas com mais perguntas. Xander suspirou. – Brad está muito abalado no momento. Perdeu a filha única há quatro meses, e parece que, agora que o choque inicial passou, está vendo Lauren como uma substituta para Chloe em sua vida. Domingo passado Brad me informou que pretende abrir um processo pela custódia de Lauren. Tentei dialogar com ele, e argumentei que ele não está pensando de forma racional no momento. Mas Brad se recusa a ouvir – concluiu Xander com pesar. Casey fitou Xander longamente, avaliando a expressão em seu rosto. Ele realmente parecia acreditar na ameaça de seu sogro. Mas seria Brad Henderson, mesmo com toda sua riqueza e influência, capaz de concretizar essa ameaça? – Você não respondeu meu outro por quê – disse Casey. Os olhos de Xander Fraser faiscaram. – Por que ele acha que pode levar a cabo essa ameaça? Xander comprimiu os lábios numa linha reta antes de responder: – Acredite ou não em mim, eu me considero um bom pai – disse Xander. – Mas houve alguns... bem, alguns problemas... desde que Chloe e eu nos separamos. Eu viajo muito a negócios, você sabe. Lauren tem sido, bem, tem sido uma menina muito difícil


na escola. Ela também conseguiu fazer com que quatro babás pedissem demissão nos últimos meses. Brad pretende usar todos esses fatos para provar que ele seria um guardião muito melhor para Lauren do que eu. – Mas essas coisas não significam nada. – Casey balançou a cabeça. – Josh também tem tido alguns problemas na escola. Mas, considerando que o pai dele saiu de casa para morar com uma perfeita estranha, e morreu logo em seguida, é natural que ele tenha tido alguma espécie de reação. Tenho certeza de que a mesma coisa está acontecendo com Lauren. Xander deu com os ombros. – Você sabe disso. Eu sei disso. Mas Brad claramente vê as coisas de outro modo. Ele está zangado, irritado, e culpa a tudo e a todos, inclusive a mim, pela morte de Chloe. No momento, Brad simplesmente não entende que ele ajudou a fazer de Chloe a pessoa egoísta que ela certamente era. E tenho certeza de que, se assumir a criação de Lauren, também fará dela uma pessoa egoísta. Não era muito difícil para Casey imaginar o cenário descrito por Xander. O difícil era compreender como ele poderia resolver seu dilema pedindo-a em casamento. – E você acha que se casar com uma completa estranha vai impedi-lo de levar adiante uma batalha legal pela custódia da menina? – Não uma estranha. Uma mulher cujo filho já é amigo da minha filha. Faz meses que Lauren não fala de outra coisa além de Josh! E, sim, eu acho que dar a Lauren uma madrasta e a estabilidade de uma vida familiar vai desestimular meu sogro a prosseguir com o processo. – Uma grande família feliz, hein? – Tem alguma ideia melhor? – Que tal se casar com uma mulher que você realmente ame? Ele a fitou com piedade nos olhos. – Não me diga que, depois de sete anos de casamento com um homem como Sam Bridges, você ainda acredita no mito do amor? Assim como eu acreditei, durante os sete anos em que estive casado com Chloe? Os olhos verdes de Casey faiscaram. – Acho que devemos deixar meu casamento fora disso. – Devemos mesmo? Foi justamente porque teve um casamento tão desastroso quanto o meu que achei que você seria receptiva à minha proposta. – Você achou que eu seria “receptiva” por estar em dificuldades financeiras! – esbravejou Casey, levantando-se para fitá-lo com raiva. – Tenho certeza de que há


dúzias de mulheres com quem poderia se casar sem precisar de um incentivo financeiro! – Você quer dizer alguém que esperasse mais de mim do que estou disposto a ceder? – Ele contorceu a boca num sorriso cínico. – Muito obrigado, mas prefiro pagar adiantado pelo privilégio. Pelo menos assim nós vamos saber claramente as condições de nosso acordo. – Não preciso da sua porcaria de caridade... – Não... Você está se virando muito bem sozinha, não é? Trabalha em dois turnos e nem assim consegue ganhar dinheiro suficiente para alimentar Josh e a si mesma. E, a julgar pela aparência das coisas aqui, você tem vendido a mobília um móvel por vez... – Saia, sr. Fraser. Pode pegar a sua oferta e... – Mas ainda não sabe qual é a oferta, Casey. – Não preciso ouvir. – Como meu enteado, Josh frequentaria as mesmas escolas particulares que Lauren. E, depois, também a universidade. E eu abriria uma poupança que ele poderia sacar quando completasse 21 anos. Nem você nem ele precisariam se preocupar com dinheiro, nunca mais. – E, em troca de tudo isso, o que eu iria lhe dar? – Apenas o seu nome junto do meu numa certidão de casamento. – Compreendo por que está fazendo isso, sr. Fraser... realmente compreendo, mas Brad Henderson jamais acreditaria num casamento entre nós dois. – Aí você se engana, Casey. Tive quatro dias para pensar. Depois da temporada de sete anos no inferno que foi meu casamento com Chloe, deixei bastante clara a minha opinião sobre me casar de novo. E é por causa disso que acho que um casamento entre nós dois... a esposa desprezada de Sam e o marido desprezado de Chloe... é o único que Brad teria alguma chance de acreditar. – Se foi o inferno que está pintando, por que permaneceu casado com Chloe por tanto tempo? – Por que você continuou casada com Bridges? Mas Casey sabia a resposta antes mesmo de ambos responderem ao mesmo tempo. – Por causa de Lauren! – Por causa de Josh! – E então, no fim das contas, todos nossos temores foram em vão – disse Xander com sarcasmo. – Quando eles finalmente nos largaram, nenhum dos dois quis Lauren ou Josh! Tudo que queriam era um ao outro.


Era verdade, reconheceu dolorosamente Casey. O que acontecera entre Sam e Chloe, amor ou simples desejo, reduzira a segundo plano todos os outros aspectos de suas vidas. Incluindo seus dois filhos. – Tudo que estou pedindo agora é que você pense em se casar comigo. Pense no que nosso casamento poderia significar para você e para Josh; no que eu poderia lhe dar... – Já disse que não quero ouvir nada disso! – cortou-o Casey, que não conseguia deixar de se sentir perturbada pela oferta. Porque, além da perspectiva de segurança financeira para si própria, Casey sempre quisera para Josh as coisas mencionadas por Xander, e sempre se odiara por ser incapaz de dá-las a ele. Observando as emoções conflitantes digladiarem no rosto de Casey, Xander percebeu que ela estava ao mesmo tempo tentada e repelida por sua oferta. Ele não fazia a menor ideia de qual emoção iria vencer...


CAPÍTULO QUATRO

CASEY DECIDIUque precisava de tempo para pensar no assunto. Precisava sentar e considerar racionalmente tudo que Xander Fraser estava lhe oferecendo. Mas, antes de tomar qualquer decisão, ela estava realmente considerando a proposta?, precisava saber exatamente o que Xander iria querer em troca. Olhou com cautela para ele, mais uma vez impressionada com seu poderoso magnetismo físico. Ele não era o Adônis dourado que Sam tinha sido, mas sua beleza morena e severa sugeria toda sorte de prazeres sensuais... – Você disse que sua proposta de casamento era puramente uma proposta comercial...? – Casey, por que você não vai direto ao assunto e pergunta se os termos do casamento vão incluir dormirmos juntos? As faces de Casey coraram quando ela olhou para ele. – E então, vão incluir? Xander sabia que poderia continuar brincando com ela. Que teria gostado de provocá-la mais um pouco. Que gostava da forma como ficava corada quando se sentia embaraçada, como uma menininha. Mas a situação era séria demais para ele querer prolongar a conversa. As ameaças de Brad eram muito dolorosas. Xander tinha certeza de que seu sogro perderia o processo judicial, mas que custo isso surtiria nas já precariamente equilibradas emoções de Lauren? Assim, ele preferiu dar de ombros. – Concordarei em ir até onde você quiser ir. – Até onde eu...? – A pergunta morreu na garganta de Casey, seus olhos arregalados com choque. – Está dizendo que se eu decidir que quero... se eu quiser...? – Ir para a cama comigo – completou Xander, prestativo. Ela assentiu. – Está dizendo que se eu quiser isso, você estará disposto a... a... – Ir para a cama com você – ele terminou delicadamente. – Sim, eu estaria disposto. Ela agora parecia completamente aparvalhada. Xander se deu conta do quanto ela era


jovem. Talvez não jovem em anos... 27 não era realmente tão jovem assim, mas definitivamente em experiência, se não sabia que podia apreciar prazer físico sem estar apaixonada por seu parceiro. – Por que não, Casey? – acrescentou. – Afinal de contas, seria perfeitamente legal. Xander tinha o palpite de que isso era algo que gostaria de fazer. Devia haver profundezas nas emoções dessa mulher que ela própria ainda não descobrira. Sim, ele podia gostar de administrar o afeto e os cuidados de que ainda há pouco a julgara tão carente. – Não estou nem aí se é legal ou não! – exclamou Casey, indignada. – Simplesmente não poderia... ir para cama com você só porque um pedaço de papel diz que eu posso! – Por que não poderia? – Ele cruzou a sala para parar a poucos centímetros dela, uma das mãos repousou levemente na lateral de seu rosto enquanto movia carinhosamente o polegar por seu lábio inferior. – Você é uma mulher muito bonita – ele murmurou em voz rouca, o olhar correndo por seu rosto subitamente pálido. – Seria um sofrimento tão grande para você ir para a cama comigo? – perguntou Xander. Casey se descobriu hipnotizada por aqueles lábios belos e firmes, a poucos centímetros dos seus. Como seria sentir aqueles lábios se movendo contra os seus? Como seria se ele a beijasse e...? Não! – Sim, seria – disse Xander enquanto ela recuava abruptamente. – Casey, milhares de pessoas vão para a cama juntos todos os dias por nenhum outro motivo além daquele pedaço de papel. – Não eu! – ela lhe assegurou com firmeza, completamente ciente da forma como ainda estava tremendo por causa daquela suave carícia, e se perguntando se estava sendo sincera, com Xander ou consigo mesma... Ela estivera apaixonada por Sam quando eles se casaram. Ou, pelo menos, julgara estar. Não demorara muito a compreender que, com apenas 20 anos, provavelmente fora jovem demais para perceber que parecia simplesmente deslumbrada com o fato de alguém tão bonito e charmoso quanto Sam ter se apaixonado por ela. Mas, a essa altura, já era tarde demais. Estavam casados há um ano, Josh era um bebê de apenas dois meses, e o pai de Casey morrera recentemente. Mas continuara casada com Sam por mais seis anos, não continuara? E apenas durante os últimos seis meses de seu casamento, o lado físico do relacionamento terminara completamente.


Sim, mas isso era diferente, disse a si mesma agora. Sam havia sido seu marido... Só que, se ela aceitasse a proposta de casamento de Xander Fraser, ele iria ser seu marido, também! Não, ela não podia cooperar com isso! Não importava a ajuda financeira para tornar a vida de Josh mais confortável e sua própria vida livre da perene tensão financeira... – Disse apenas que era uma opção – frisou Xander ao ver o pânico subitamente estampado no rosto de Casey. As emoções evidentes dela decerto eram uma mudança revigorante depois de anos de traições e maquinações de Chloe! Chloe tinha sido a mulher mais bonita em quem ele já pusera os olhos quando a conhecera, sete anos e meio atrás, uma beldade de cabelos negros como ébano e olhos azuis como o oceano, que encantava todos os homens ao seu redor. E Xander a perseguira com a determinação de um caçador de borboletas até enfim capturá-la. Contudo, depois de apenas alguns meses de casamento, compreendera que ela era realmente uma borboleta: que suas emoções duravam muito pouco, até que estivesse preparada para outra sedução. E outra. E outra. Apenas o fato de que Chloe engravidara ao final de sua lua de mel de seis semanas, ao menos Xander tivera certeza de que Lauren era sua filha!, havia impedido que o casamento acabasse em divórcio quando ele descobrira que Chloe tivera seu primeiro caso extraconjugal. E isso era tudo que o casamento deles havia sido: uma farsa, uma fachada para as dúzias de homens que Chloe atraíra para sua cama. Homens que ela desfrutava, mas que não podiam exigir muito dela quando contava com a proteção de um marido poderoso como Xander Fraser. Ele deveria ter se divorciado dela anos atrás, é claro, mas a possibilidade de que, ao partir, Chloe levasse Lauren, a filha que ele adorava, impedira-o de tomar essa atitude. – Eu ficaria feliz com um casamento de conveniência, Casey. Não estou assim tão desesperado por um relacionamento físico com uma esposa relutante! – disse a ela, subitamente irritado pelas lembranças dolorosas. De onde viera essa raiva tão repentina?, perguntou-se Casey. E quem ele era para dizer que ela seria relutante...? A sensação despertada pelo toque de Xander provara a Casey que ela não lhe era indiferente. E ela já havia admitido para si mesma que considerava esse homem fisicamente atraente, que ele exsudava uma poderosa vitalidade que impossibilitaria que ela viesse a ignorá-lo. E o quanto mais ele iria perturbá-la se fosse seu marido? Se


ela morasse com ele de forma permanente? Ela não estava pensando seriamente em aceitar sua proposta, estava? Mas, pelo bem de Josh, ela não podia deixar de pensar seriamente nisso! Há semanas ela sabia que estava travando uma batalha perdida para pagar suas contas e, ao mesmo tempo, a hipoteca da casa, que Sam fizera para levantar capital extra. Tinha plena consciência de que, em breve, poderia até mesmo desistir de manter o antigo lar de sua família, e alugar uma casa. Depois que vendesse o imóvel, ficaria com algumas milhares de libras em caixa, mas nem de perto seria o bastante para dar a Josh todas as vantagens que Xander Fraser ofereceria como padrasto de seu filho. Assim, como ela não poderia aceitar a proposta de casamento de Xander? Casey umedeceu os lábios ressequidos. – Se eu aceitar sua proposta, sr. Fraser... – Creio que seria mais adequado você me chamar de Xander, não acha? – Se eu aceitar, quando seria esse casamento? Xander precisou conter a euforia que estava sentindo por essa mulher considerar sua oferta, o que era muito estranho para um homem que, depois de sofrer com as infidelidades de Chloe, jurara jamais se casar de novo! Mas esse casamento seria fruto não da escolha, mas da necessidade, disse a si mesmo. O motivo do casamento era exatamente aquele que ele expusera a Casey Bridges: o bem de sua filha, assim como o de Josh, o menino que Lauren adorava. Ele deu de ombros. – Assim que pudermos tirar a certidão, acho. Quanto mais cedo, melhor. Por que esperar, Casey? – acrescentou persuasivo ao ver, mais uma vez, aquela expressão de pânico em seu rosto. – Quanto mais cedo providenciarmos tudo, mais cedo poderemos prosseguir com nossas vidas. Ele sempre nutrira afeto e respeito por Brad Henderson, e sabia que era sua dor por ter perdido Chloe que o estava fazendo se comportar momentaneamente de forma irracional. Infelizmente, Xander não podia dar ao ex-sogro tempo para recuperar o bom-senso. Sabia perfeitamente bem quais danos Brad causaria não apenas à vida de Lauren, mas também à sua própria, antes que isso acontecesse. Quanto mais cedo fizesse Casey Bridges concordar com sua proposta de casamento, melhor. Definitivamente, não era nada lisonjeiro que ela parecesse insultada; a maioria das mulheres que ele conhecia teria agarrado a oferta com todas as forças. Por outro lado, as mulheres que passaram por sua vida no ano anterior tinham sido tão complicadas e pouco confiáveis quanto Chloe. Ele as escolhera de propósito. Ao


menos sabia lidar com mulheres assim. Jamais pensaria em lhes propor casamento, por qualquer motivo! Casey não era como elas, jamais seria, o que significava que ele precisava lhe dar algum tempo para tomar sua decisão. Com sorte, ela iria ver as muitas vantagens que o acordo traria a Josh. – Por que você não tira esta noite para pensar no assunto? – ele sugeriu num tom calmo. – Ligarei para você amanhã de manhã. – Esta noite? – ecoou Casey com mais um surto de pânico interior. Como tomar em apenas algumas horas a decisão que iria mudar o resto de sua vida? E da vida de Josh... Josh. Seu ponto fraco. Uma fraqueza que Xander Fraser já estava usando em benefício próprio. Mas aparentemente não sua única fraqueza, concluiu Casey ao se lembrar da forma como ela tremera, do calor que sentira correr por seu corpo, quando Xander Fraser a tocara. Sim, ela precisava levar em consideração sua inegável resposta ao magnetismo daquele homem. Seria uma tola se não o fizesse. Levantou o queixo e infundiu determinação na voz. – Por que eu não tiro o tempo que precisar, e telefono para você quando tiver tomado minha decisão? Xander comprimiu os lábios e espremeu olhos especulativos ao ver que ela estava lhe devolvendo a sugestão. – Por que não faz isso? – finalmente resmungou, retirando a carteira do bolso traseiro da calça jeans para remover um cartão de visitas, que colocou na mesinha de café. – Mas não demore muito, certo? Ou o quê?, perguntou-se Casey enquanto ele lhe dava as costas e se retirava. Segundos depois, a porta da frente de sua casa fechou. Será que iria rescindir a oferta, caso ela demorasse muito a dar uma resposta? Será que iria decidir que o transtorno que ela estava causando não valia a pena, e iria procurar outra pessoa, uma mulher mais receptiva, a quem apresentar sua oferta?


CAPÍTULO CINCO

– SR. FRASER... – É Xander, Casey – insistiu ao reconhecer com facilidade sua voz no outro lado da linha. Eram quase 19h, e ele passara o dia inteiro aguardando aquele telefonema. – Tomei uma decisão. Ou quase. Xander franziu a testa. Sua paciência já fora forçada ao limite porque passara o dia inteiro esperando que ela telefonasse. Para piorar as coisas, os advogados de Brad já haviam entrado em contato com o dele e sugerido que marcassem uma reunião para “tentar um acordo amistoso pela custódia da neta do sr. Henderson”! – E então? – instigou. – Pensei em tudo que disse. Posso ver o benefício que sua oferta trará para Josh e para mim mesma. Eu apenas... – Ela suspirou. – Bem, antes de lhe dar qualquer resposta, preciso me encontrar pessoalmente com Brad Henderson, para ter certeza de que ele é realmente uma ameaça. Nas últimas vinte horas, os pensamentos de Casey haviam girado em círculos para sempre retornar ao mesmo ponto: talvez Brad Henderson pudesse ser convencido a ver que estava se comportando de forma irracional, que era o pesar pela morte de sua filha que governava seus atos, e não uma verdadeira crença da sua parte de que Lauren ficaria melhor com ele. Se fosse possível convencer Brad, Xander não teria necessidade de considerar se casar com ninguém... principalmente com Casey. Ou seja, ela estava disposta a atirar no próprio pé. – Fala sério, Casey? A julgar pelo humor de Brad da última vez em que conversamos, ele poderia comer você no jantar! – Um jantar era exatamente o que eu tinha em mente – retrucou, tentando não parecer muito preocupada. – Na sua casa, claro. – Claro. Posso perguntar a Brad, mas, se ele concordar, é melhor que esteja preparada para o pior. – Acho que é a atitude certa a tomar, sr... digo, Xander. – Pronto... Não foi tão difícil, foi? – provocou-a, antes de acrescentar com um


suspiro: – Você é bem insistente em fazer o que acha direito, não é, Casey? – Apenas odiaria que você descobrisse que se casou comigo sem motivo! – retorquiu. Ele riu, um som rouco e suave que pareceu se espalhar provocantemente por toda a pele de Casey. – Se isso acontecer, você não vai achar nada engraçado! – asseverou Casey, desconfortável com o fato de que Xander era capaz de estremecer seus sentidos meramente conversando com ela por telefone. Essa mulher é uma raridade, Xander teve de admitir. Não apenas estava hesitando em aceitar uma proposta de casamento de um homem rico o bastante para garantir que ela jamais teria de se preocupar com dinheiro de novo, como também estava preocupada com a possibilidade de ele se arrepender depois. Incrível! – Então vamos fazer o que você quer. Vou telefonar para Brad, e depois lhe dou retorno, certo? – acrescentou, desligando abruptamente. Xander não tinha certeza sobre o que pensar a respeito dessa mulher. Era bom para ele realmente gostar da mulher com quem pretendia se casar, pois o contrário seria uma tortura, assim como era bom que ele considerasse sua beleza delicada muito desejável. Afinal, ela poderia querer mudar os termos do casamento em algum momento do futuro. Mas, com toda certeza, não precisava nutrir mais nenhum sentimento por ela! Nem mesmo a admiração que sentia agora, depois dessa surpreendente conversa telefônica... – NÃO P RECISAficar apreensiva, porque ele ainda não chegou – disse Xander a Casey na noite seguinte. Hilton, seu mordomo, acabara de conduzi-la até a sala de estar da mansão da qual poderia se tornar senhora, caso aceitasse sua proposta. – Você está... deslumbrante – acrescentou ao vê-la melhor. Casey levantou as sobrancelhas travessas. – Nem sempre tenho a aparência de quem passou o dia inteiro cozinhando. – Não quis dizer... Você está brincando comigo! – compreendeu, surpreso. – Achei que já tínhamos concordado que tenho senso de humor. – O humor lhe cai bem. Porque você está linda esta noite – disse em voz rouca. Uma viúva com um filho pequeno era velha demais para corar de vergonha, disse Casey a si mesma enquanto sentia o calor se espalhar por suas faces. – Gosto quando você fica assim – murmurou Xander, roçando os dedos na pele


enrubescida de seu rosto. Com os lábios ligeiramente entreabertos e a respiração cada vez mais rasa, Casey levantou o rosto para o dele, a atenção capturada por seu olhar intenso. Xander aparentemente acabara de se barbear; seu queixo quadrado estava liso, e uma loção sedutoramente almiscarada emanava de sua pele. Os lábios lindamente esculpidos se curvaram num sorriso enquanto ele a fitava com escuros olhos azuis. Olhos nos quais Casey corria o risco de se perder... – Sr. Henderson, patrão – anunciou com arrogância o mordomo, antes que a sala fosse invadida por algo que Casey só podia descrever como um tufão. – Xander! – soou uma voz num rude sotaque norte-americano. – Quem é essa? – inquiriu Brad Henderson ao ver Casey de pé ao lado de Xander. – Você não me disse que teríamos companhia esta noite! – vociferou acusadoramente para o homem mais jovem. – Obrigado, Hilton. – Xander dispensou calmamente seu mordomo enquanto estendia a mão para segurar com firmeza o braço de Casey antes que ela se afastasse. Casey parecia estarrecida demais pelo ataque verbal de Brad para ter forças para se desvencilhar de Xander. Olhando para o americano agressivo do outro lado da sala, perguntou-se o que estivera esperando. Um homem idoso alquebrado pelo luto? Bem, tal perfil decerto não combinava com este homem alto e enérgico, vestido num sofisticado terno preto, e dotado de feições atraentes, apesar de seus mais de sessenta anos. Bastava olhar para Brad Henderson para saber de quem Chloe herdara os traços finos. Os cabelos escuros de Brad começavam a agrisalhar nas têmporas, mas os olhos azuis emanavam a mesma argúcia que caracterizara os de sua filha. E, apesar de ter acabado de conhecer Brad, Casey teve certeza de que Xander estava certo ao temer a determinação desse homem em tomar a custódia de sua neta! Bem, essa era a informação que ela quisera obter, mas não de forma tão rude. Nem tão cedo... Bem, não podia dizer que Xander não tentara avisá-la! – Boa noite, sr. Henderson – ela o saudou, dando um passo à frente para estender a mão educadamente. Mão que o homem ignorou por completo enquanto mantinha os olhos furiosos fixos em Xander. – Quem é ela, Xander? – inquiriu. – Alguma mulher que você convidou para tentar distrair minha atenção do verdadeiro motivo pelo qual estou aqui? O único motivo pelo


qual estou aqui – acrescentou de forma rude. – Sr. Henderson – disse Casey, profundamente ofendida. – Posso lhe assegurar que... – Não lhe dirigi a palavra, menina. E então, Xander? Vai dizer alguma coisa ou passar a noite inteira aí, calado feito um idiota? Ainda segurando seu braço, Xander pôde sentir claramente a tensão de Casey. Tensão esta perfeitamente compreensível, a julgar pela forma com que Brad estava se comportando. Seu ex-sogro acreditava que ele era capaz de muitas coisas vis, pois já expressara alguns desses preconceitos durante sua conversa telefônica na noite de domingo, e aparentemente acabara de acrescentar exploração de mulheres à lista! – Casey...? – indagou Xander, sabendo que o passo seguinte cabia a ela. Ele não poderia prosseguir com a conversa sem saber quais eram suas intenções. Ela lhe dirigiu um olhar estarrecido, os olhos arregalando ao compreender o que ele lhe estava perguntando. Franziu a testa em concentração, antes de correr os olhos para Brad. Ela se empertigou, aparentemente tendo chegado a uma decisão. Xander flagrou-se prendendo a respiração enquanto aguardava o pronunciamento de Casey. Ela empinou o queixo em desafio e disse a Brad com dignidade calma: – Creio que não entendeu a situação, sr. Henderson. Xander realmente convidou o senhor para que nós dois nos conhecêssemos. Mas ele pretendia me apresentar como sua noiva, e futura madrasta de Lauren, e não qualquer outra coisa que o senhor tenha presumido! – declarou num tom levemente agressivo. Xander não imaginara que poderia querer beijá-la ainda mais do que quando a vira chegar, tão linda e atraente. A declaração de Casey certamente exercera o efeito desejável em Brad. Por um momento, pareceu embaraçado, mas se recuperou depressa, os olhos azuis fulminando Xander com desprezo. – O que é isto, Xander? Uma armadilha? Vai andar com uma pretensa noiva por alguns meses na esperança de que eu desista do processo de custódia? A mão de Xander apertou mais forte o braço de Casey ao senti-la ferver com indignação. – Permita-me apresentá-los propriamente. Casey... Brad Henderson. Brad, esta é Casey Bridges. – Não estou nem aí para quem ela... Bridges, você disse? – O homem mais velho pareceu surpreso. – Está me dizendo que ela é a viúva de Sam Bridges? – A própria, Brad – confirmou lentamente Xander, sentindo agora Casey tremer


levemente enquanto o velho se virava para examiná-la mais de perto. Brad praticamente gritou: – Vai se casar com a viúva de Sam Bridges? – Se vou casar com a mulher cujo marido foi seduzido por sua filha? A mulher que aquele bastardo deixou sozinha e sem um centavo? A mulher que foi trocada por outra com mais dinheiro que juízo? Sim, Brad, vou me casar com Casey. Brad, que odiara o falecido ex-marido de Casey tanto quanto Xander, ficou vermelho de raiva. – Mas que droga, Xander! A viúva de Sam Bridges? – Exatamente – desta vez quem respondeu foi Casey, com a voz rouca. – Tenho certeza de que Xander, e Lauren, é claro, ficarão muito felizes se o senhor puder comparecer ao casamento no mês que vem. A resposta de Brad a isso foi quase previsível. – Isso não vai acabar aqui, Xander – alertou, feroz. Mas era uma ameaça vazia, e todos eles sabiam disso.


CAPÍTULO SEIS

– UFA... – arfou Casey ao desabar numa das suntuosas poltronas da sala. Fazia poucos segundos que Brad Henderson saíra tempestuosamente do cômodo... e da casa. – Que sujeitinho detestável! – Tome. – Xander pareceu entretido ao lhe oferecer um dos dois copos de conhaque que acabara de servir. – Normalmente, ele não é um mau sujeito. – Terei de aceitar sua palavra sobre isso! – disse Casey, antes de tomar um revigorante gole de conhaque. – Creio que também terei de aceitar sua palavra a respeito da declaração que fez a Brad – disse Xander, de pé ao lado da cadeira na qual estava sentada. A declaração fora de que ela era sua noiva. Que a cerimônia de casamento seria no mês seguinte. – Tenho certeza de que Brad Henderson normalmente é um homem muito razoável – disse Casey. – Mas, no momento, ele claramente não se encontra em condições de cuidar e criar uma menina de seis anos já traumatizada emocionalmente! – Não respondeu à minha pergunta, Casey... – disse Xander secamente. Era verdade. Não respondera porque se sentia um pouco envergonhada agora que estavam novamente a sós. Da última vez em que haviam estado assim, Brad entrara na sala, interrompendo-a no momento em que levantava o rosto para beijar Xander. O homem com quem ela acabara de anunciar casamento! Xander deu uma risadinha baixa. – Achei que ele ia ter um troço quando você o convidou para nosso casamento, no mês que vem! Casey estremeceu ao se lembrar de que fora precisamente isso que fizera. E, considerando que o dia seguinte era o primeiro dia do novo mês, o casamento estava destinado a ocorrer em algum momento nas próximas quatro semanas! – Eu disse isso, não disse? – Mordiscou o lábio inferior ao levantar os olhos para Xander. – Pura bravata da minha parte, claro. Não acho que ficaria muito animada se ele mudasse de ideia e resolvesse comparecer! Xander sorriu ao olhar para ela, considerando essa mulher mais fascinante a cada


minuto. – Casey? – ele pressionou novamente. Ela não podia postergar mais, decidiu Casey. Estava sendo cruel com Xander. Precisava lhe dar uma resposta. Afinal de contas, não tivera a menor dificuldade de dizer a Brad Henderson qual seria sua decisão! Sentou-se reta na poltrona. – Depois de pensar muito, eu... eu decidi aceitar seu pedido... sua proposta de negócios – apressou-se em corrigir, determinada a fazer Xander compreender que, até onde lhe dizia respeito, sua relação seria apenas um negócio. Não que Casey tivesse imaginado que poderia ser outra coisa. A julgar pela beleza exótica de Chloe Fraser, ela dificilmente fazia seu tipo. O que a lembrava de uma das coisas que definitivamente precisavam ser decididas antes que qualquer casamento viesse a acontecer. Claudicante, disse a Xander: – Naturalmente, ainda precisamos resolver os... detalhes... do acordo. – O jantar está servido, sr. Fraser – declarou o alto e imponente mordomo, parado no vão da porta, parecendo não se importar com o fato de que restavam apenas duas pessoas para uma refeição planejada para três. – Vamos...? – disse Xander, oferecendo-lhe o braço para ajudá-la a se levantar. Casey refletiu que não precisava ficar para jantar, agora que Brad Henderson retirara-se tão subitamente. Por outro lado, os serviçais iriam achar muito estranho se ela também se retirasse sem comer! – É claro – respondeu, levantando com a ajuda de Xander, para, em seguida, pousar o copo de conhaque vazio numa mesinha. – Hilton, pode fazer a gentileza de trazer um pouco de champanhe? – instruiu Xander ao mordomo. Champanhe? Para brindar ao seu noivado, presumiu Casey. Ou melhor, ela se corrigiu com firmeza, para selar o acordo. Tomada a decisão, expressado o compromisso, Casey podia sentir uma sensação de pânico crescer em seu peito. Ela não tinha dúvida de que Josh iria adorar o conforto e os luxos da morada de Fraser, nem que seu filho ficaria eufórico em descobrir que Lauren seria sua irmã adotiva. Além disso, ele provavelmente iria gostar muito de mudar de escola. A ansiedade de Casey se devia principalmente a não saber com certeza qual iria ser o papel dela!


Esposa de Xander, obviamente. Sem dúvida, também teria de ser anfitriã, quando ele recebesse convidados. Mas o que mais? – Pare de se preocupar tanto – murmurou Xander perto de seu ouvido enquanto puxava uma cadeira para ela sentar à mesa. – Vai funcionar... você vai ver – prometeu. Será que vai mesmo?, perguntou-se Casey, levemente desconcertada com o calor da respiração de Xander em seu pescoço. O fato de que a sala de pé direito alto e muitíssimo bem decorada estava formalmente posta para duas pessoas, pois o terceiro lugar decerto teria sido removido às pressas, não aumentava sua confiança. Ela não teve como não notar os guardanapos brancos como neve, as taças de vinho de cristal e os candelabros de prata com velas já acesas, que compunham um contraste absoluto com a pequena e desarrumada cozinha de sua casa, onde sua conversa anterior tivera lugar. Mais uma vez, Xander observou emoções contraditórias digladiarem no rosto de Casey. Ele levantou os olhos para ver Hilton retornar carregando uma bandeja de prata com a garrafa de champanhe e as duas taças de vinho que ele pedira. – Pode deixar na mesinha lateral, Hilton – disse impaciente ao mordomo. – Deixe que eu mesmo cuido disso – acrescentou com mais delicadeza; afinal, não era culpa de seu mordomo que a noiva de Xander estivesse ficando agitada agora que havia realmente se comprometido com o casamento. – Muito bem, senhor – disse o idoso mordomo inclinando a cabeça coberta por cabelos prateados, antes de se retirar. Xander atravessou a sala para pegar a garrafa resfriada e embrulhada em um guardanapo de linho branco. Ele estourou a rolha com facilidade. Subitamente, a ideia de beber champanhe começou a agradar Casey; talvez beber um pouco a ajudasse a relaxar novamente. Servida a bebida borbulhante, retornou até ela para lhe dar uma das duas taças antes de levantar a sua. – A nós – brindou, sedutor. Casey engoliu em seco, os dedos apertando a taça delicada. – A nós – repetiu sem jeito, antes de tomar um bom gole da champanhe. Só que não funcionou dessa forma. A bebida queimou sua garganta, que estava apertada pelo nervosismo, e então se recusou a descer! Casey começou a tossir e engasgar enquanto o líquido borbulhante subia até seu nariz, enchendo seus olhos com lágrimas. Afastou abruptamente a taça para não


derramar o resto da champanhe no luxuoso tapete Aubusson. Não conseguiu nem enxergar direito quando Xander retirou a taça de sua mão e se pôs a bater de leve em suas costas enquanto se colocava na frente dela para usar um dos guardanapos brancos para enxugar as lágrimas que, agora, corriam por seu rosto. Isso era terrivelmente constrangedor! O que Xander pensaria dela? Que carecia tanto de refinamento que não era capaz nem de tomar champanhe sem... Casey ficou subitamente imóvel quando, à medida que a tosse passava, viu-se de pé a poucos centímetros de Xander, olhando de baixo para cima para seu rosto belo e másculo. Por um instante, perdeu a capacidade de respirar enquanto era capturada pelo calor sensual daqueles olhos. O coração de Casey começou a bater tão alto que ela temeu que Xander pudesse ouvi-lo. Ela estava tão sensível, tão ciente da presença de Xander, que quase podia sentir o sangue correr em suas veias. Devia estar horrível, completamente desmazelada, com olhos lacrimejando, nariz inchado e faces rubras. Mas, aparentemente, nada disso incomodava Xander, que curvou a cabeça para pressionar os lábios delicadamente nos de Casey. Enquanto se derretia toda contra Xander, ele passou os braços em torno de sua cintura para puxá-la contra a rigidez de seu corpo. E, usando a língua para separar os lábios de Casey, Xander aprofundou o beijo. Erguendo os braços, Casey pousou as mãos nos ombros de Xander, sentindo a promessa de potência em músculos que, prontamente, estremeceram ao seu toque. A boca de Xander continuava invadindo a dela. Ele correu uma das mãos ao longo da espinha de Casey, os dedos roçando a pele macia antes de se cravarem em suas nádegas para puxá-la ainda mais para perto de si. Casey agora sentia plenamente aquele corpo rijo e musculoso. A excitação de Xander latejava contra suas coxas, enchendo-a com o calor do próprio desejo crescente, que rapidamente espiralava para fora de controle... – Com licença, sr. Fraser– uma voz os interrompeu dolorosamente. – Sr. James está ao telefone, ligando de Nova York. Com o coração pesado com culpa, Casey recuou um passo e se virou para olhar o mordomo, imóvel como um boneco de cera no vão da porta. Não lhe escapou o brilho de humor nos olhos de Xander antes de lhe dar as costas e caminhar até a janela. O que ela estava fazendo?, perguntou-se enquanto fitava a noite escura. Minutos atrás, Casey decidira que qualquer relacionamento entre ela e Xander precisava ser definido com clareza. Ambos deviam saber exatamente o que cada um poderia esperar do outro durante o casamento, e nenhuma dessas expectativas poderia


incluir qualquer espécie de contato físico. O que acabara de acontecer entre eles apenas aumentava a urgência dessa conversa! – Obrigado, Hilton. Atenderei ao telefonema no meu escritório – disse Xander. – É só – acrescentou, dispensando o criado e esperando que o homem se retirasse antes de retornar até Casey. – Nós... – Por favor, vá atender ao seu telefonema, Xander – disse-lhe trêmula, sem se virar. Xander fitou frustrado a rigidez das costas esbeltas de Casey, que ela mantinha tão obstinadamente voltadas para ele. Talvez beijá-la não tivesse sido a coisa mais sensata que poderia ter feito. Mas, a despeito do que ela estivesse pensando agora, também não tinha sido a pior coisa que já lhe acontecera. Pelo amor de Deus, eles iam se casar, e, a julgar pela forma como haviam reagido um ao outro agora mesmo, aquele não ia ser um casamento celibatário. – Casey... – Você pode fazer o favor de ir atender ao seu telefonema, Xander? – disse, a voz ressoando com a tensão também evidente em seu rosto, ao se virar de volta para ele. – E depois que você voltar, creio que seria uma boa ideia se pudéssemos conversar sobre... os detalhes do nosso casamento – disse com frieza. Os detalhes do casamento? Ela não mencionara alguma coisa antes sobre esses detalhes...? E, se aquela expressão determinada em seu rosto era indício de qualquer coisa, Xander não iria gostar nem um pouco dessa conversa!


CAPÍTULO SETE

CASEY TINHA retomado controle absoluto sobre suas emoções e sobre si

própria,

quando Xander retornou à sala de jantar, dez minutos depois. Fora apenas um beijo, tentou se convencer. Um beijo que não devia ter acontecido, e que jamais deveria se repetir, mas, não obstante, apenas um beijo. E depois que ela e Xander tivessem discutido os termos de seu casamento, ela jamais teria de se preocupar, ou temer?, que acontecesse novamente! Xander parecia também ter superado o incidente, enquanto puxava uma cadeira para convidá-la a sentar-se à mesa de jantar. – Acho que devíamos começar a desfrutar do jantar delicioso que meu cozinheiro nos preparou, não acha? Casey tomou um gole do vinho branco que o mordomo servira-lhe para acompanhar seu salmão defumado e aguardou que o homem se retirasse para começar a dizer: – Acho que será melhor se firmarmos alguma espécie de contrato formal antes de nos casarmos. – Um contrato formal...? – Sim. Acho que será melhor se nós dois soubermos o que podemos esperar um do outro. Um silêncio carregado de tensão se estendeu entre eles. Ela realmente não iria conseguir comer se Xander continuasse a fitá-la daquele jeito, feroz e sem sorrir. – Um acordo pré-nupcial, é isso o que está propondo? – Sim, algo assim – assentiu Casey, aliviada por ter sido ele a conferir esse rótulo, poupando-a de se soar materialista. Mas não era apenas do seu futuro que estavam falando. Casey precisava pensar também em Josh. Na verdade, se não fosse por seu filho, ela jamais teria considerado a proposta de Xander. Além disso, ela não fazia a menor ideia do motivo de Xander para estar tão claramente irritado com essa conversa, quando o casamento de conveniência fora ideia dele mesmo. Afinal, se eles não tivessem uma série de regras básicas para seguir, o relacionamento seria uma catástrofe... para ambos os lados.


Então começou, pensou Xander com cinismo enquanto apoiava o cotovelo na mesa para tomar um gole de seu vinho. Aparentemente, ele se enganara ao pensar que Casey Bridges não era uma mercenária. Ela era exatamente como todas as outras mulheres que ele conhecera em sua vida. – E em que termos você pensou para esse acordo pré-nupcial? – perguntou Xander, quase trespassando-a com a força de seu olhar. Casey fez um gesto vago com as mãos. – Não sei... Bem, eu apreciaria ter alguma coisa escrita sobre a segurança do futuro de Josh. Ele exibiu os dentes num sorriso absolutamente desprovido de humor. – E o seu também, é claro? Casey realmente queria que ele parasse de olhar para ela daquela forma. Estava se sentindo como um espécime examinado sob um microscópio! Ela balan��ou a cabeça. – Estou mais interessada em assegurar o futuro de Josh do que o meu. – Ora, Casey... não precisamos ser tímidos ao tratar disto – disse Xander, ignorando a comida à sua frente. – Depois que tiver vendido sua casa e se mudado para cá, eu pagarei todas as contas domésticas, mensalidades escolares e assim por diante. Mas também não me esquecerei de que você precisará de acesso a dinheiro para si mesma e para outros... gastos. Em troca disso, terá de abdicar de seus dois empregos para se tornar mãe em tempo integral para Lauren e Josh. Bem... sim. Ela já considerara isso. Não seria nenhum sacrifício, porque fora mãe em tempo integral até um ano atrás, quando Sam a abandonara. Desde então, tivera de cuidar sozinha de Josh enquanto se alternava entre dois empregos. Casey sabia que a maternidade em tempo integral não era um ideal para todas as mulheres, mas sempre gostara desse papel, e não tinha a menor dúvida de que iria gostar muito de ser a mãe adotiva de Lauren. Embora ela não estivesse tão segura quanto a vender a casa de sua família... E se Xander mudasse de ideia e esse relacionamento durasse apenas alguns meses? Brad Henderson poderia se acalmar mais depressa que o esperado, e remover a ameaça de uma disputa judicial por Lauren, caso no qual Xander não iria mais necessitar de uma esposa. E então ela ainda precisaria de um lar para Josh e para si mesma... Eram detalhes como esses que precisavam ser esclarecidos antes que se casassem, de modo que ela não fazia a menor ideia de por que Xander continuava a fitá-la de maneira cética.


– É só isso? – perguntou. – Bem... não. Também há a questão da... intimidade, ou da falta dela, em nosso relacionamento – acrescentou, desconfortável. – É claro que eu aceito que você, estando ainda na casa dos 30, pode querer... bem... satisfazer certas carências... Mas, contanto que seus... relacionamentos... sejam discretos, não vejo motivo para que venham a interferir em nosso acordo – concluiu, tímida. Xander continuou olhando para ela por vários segundos sem dizer nada, seus severos olhos azuis absolutamente ilegíveis. – Você não acha que, agora que fizemos uma pequena exploração da possibilidade, talvez seja menos complicado termos essa espécie de relacionamento entre nós mesmos, para satisfazermos nossas... carências? Não, ela não achava! Ela não estava nem aí para seu argumento de que milhares de casais que mantinham um relacionamento sexual não amavam um ao outro. Ela já conhecera esse tipo de relacionamento com Sam, e não tinha nenhuma intenção de repetir a experiência com Xander Fraser! – Não, eu não acho – disse ela com firmeza. Os dedos de Xander apertaram tão forte sua taça de vinho que ele correu o risco de quebrá-la. Droga, essa mulher não percebia que havia entre eles uma atração impossível de ignorar? Esperava mesmo que eles vivessem juntos, como marido e mulher, e não explorar as possibilidades do desejo que claramente sentiam um pelo outro? – Nós teremos quartos separados, é claro – acrescentou Casey. – E quanto às suas próprias... carências? – indagou Xander, sarcástico. – Também pretende satisfazê-las discretamente? – Claro que não! – negou, indignada. – E o que pretende fazer a respeito delas? – Não pretendo fazer nada sobre elas! – assegurou-o. – O lado físico do casamento é algo que não me interessa nem um pouco. Vendo a forma como havia comprimido os lábios e empinado o queixo, Xander concluiu que Casey falava sério. Para uma mulher que tinha sido casada durante sete anos e possuía um filho de seis, Casey era muito inocente em relação à própria sexualidade. Ela não percebera a forma como, ainda há pouco, se derretera em seus braços? Ou como sua boca reagira faminta à dele? Xander estreitou os olhos ao pensar novamente no casamento de Casey com Sam


Bridges. Ele odiara esse homem quase tanto quanto odiara Chloe. Decidira que os dois eram farinha do mesmo saco, dando atenção apenas aos próprios interesses. Mas esse egoísmo também permeara o relacionamento físico de Bridges com sua esposa? E por que isso era da sua conta?, lembrou-se instantaneamente Xander. Casey estava decretando com firmeza os termos de seu casamento, deixando perfeitamente claro que se interessava apenas pela segurança financeira que ele oferecia. Que ele teria de procurar outra mulher, ou mulheres, para satisfazer suas “carências” físicas! – Muito bem. – Ele inclinou abruptamente a cabeça. – Há mais alguma coisa que você quer que seja escrito nesse contrato, além do que já discutimos? Casey olhou insegura para ele, sabendo que o havia desagradado de alguma forma, mas completamente incapaz de compreender como. Ela estava sendo razoável, não estava? – Não, não há mais nada – ela confirmou. – Então vou providenciar para que sejam feitos todos os preparativos necessários. Os preparativos para seu casamento. Os preparativos para que ela e Josh se mudassem para a casa dele. Os preparativos para ela se tornar esposa de Xander Fraser. Apenas no papel...!


CAPÍTULO OITO

PARA XANDER, as três semanas que se seguiram até o dia do casamento foram algumas das mais curiosas e frustrantes! da sua vida. Acostumado a tomar decisões vitais, e a controlar sua empresa multimilionária tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos, Xander descobriu que lidar com a personalidade complexa da mulher que concordara em se tornar sua esposa apenas no papel, era uma missão mais desafiadora que qualquer outra que já enfrentara. Em resposta ao telefonema de David James, Xander tivera de viajar para os Estados Unidos. Durante os cinco que dias que passara em Nova York, havia recebido um telefonema de Brad Henderson, que deixou claro que não acreditava que iria realmente acontecer um casamento entre Xander e a viúva de Sam Bridges. O que foi um belo incentivo, como se Xander precisasse de um, para colocar em ação os planos para o casamento. E foi então que seus problemas com Casey realmente começaram! Contar as novidades às duas crianças fora muito mais fácil do que Xander esperara. O problema foi quando Casey se recusara em acatar sua sugestão de pedir demissão de seus dois empregos, alegando que precisava viver e pagar as contas até que eles se casassem. Quando perguntou por que ela ainda não pusera a casa à venda, Casey lhe deu a mesma resposta. Ela também não estava disposta a convidar nenhum de seus amigos para o casamento. Bem, nesse caso, ele também não iria chamar ninguém. A única conclusão a qual Xander podia chegar era que Casey também não acreditava que o casamento viria a acontecer! Para mostrar-lhe que estava levando o casamento a sério, Xander mandara seu advogado redigir o contrato pedido por Casey. Certa noite, faltando apenas dois dias para o casamento, Xander estava trabalhando em seu escritório quando Hilton anunciou a chegada de Casey. Se já ficou surpreso com o fato de que ela estava ali, Xander ficou completamente chocado quando ela entrou, furiosa, em seu escritório e jogou o contrato na mesa à sua frente.


– Não posso assinar isto! – Por que não? – Porque é errado! Porque é insultuoso! Ela realmente ficava linda quando estava zangada, pensou Xander distraído, enquanto se perguntava que parte do contrato ela considerara insultuosa. Casey parecia menos abatida do que há duas semanas, as olheiras haviam desaparecido, e as faces estavam um pouco mais cheias. Contudo, Xander não fazia a menor ideia do que havia de errado no contrato. Ele não lhe dera exatamente o que ela requisitara? Segurança financeira para si mesma e para Josh? Então, qual era o problema? Casey não se moveu um centímetro quando Xander se levantou para contornar a mesa e se encostar em sua beirada. Mas o movimento colocou-o perigosamente próximo a ela, deixando-a completamente ciente de seu calor, do ar de sensualidade que ele parecia se esforçar em conter sempre que estavam juntos. Xander Fraser era um homem acostumado a fazer tudo ao seu modo. Casey aprendera rapidamente isso nas últimas semanas. Mas, como uma mulher que se acostumara a administrar a própria vida, e a de Josh, ela não estava disposta a abrir mão de sua independência sem uma boa briga. – Diga-me o que está errado e eu mandarei meu advogado mudar – ele prometeu. – Eu... É apenas que... Esse parágrafo é um completo absurdo! – ela se moveu para fincar um dedo no parágrafo ofensivo do contrato. Ela agora estava ainda mais próxima de Xander, o braço roçando no dele antes que se movesse abruptamente para fitá-lo sob cílios abaixados. O queixo quadrado parecia coberto por uma sombra suave, como se ele precisasse se barbear, e seus cabelos compridos estavam levemente desgrenhados por onde correra os dedos enquanto trabalhava à sua mesa. Casey sentiu uma vontade repentina de também correr os dedos por aqueles cabelos longos e sedosos, enquanto a boca de Xander mais uma vez invadia a sua... Casey reprimiu o devaneio. Fora sobressaltada por muitas fantasias assim nas últimas semanas: momentos em que se flagrara pensando em Xander, na forma como ele a beijara e a acariciara... Imaginando o que teria acontecido se Hilton não os houvesse interrompido naquela noite... Depois que haviam conversado sobre os termos de seu casamento de conveniência, quando ela frisara que não iria se opor caso ele quisesse manter discretos relacionamentos extraconjugais, Casey passara a abominar a noção de Xander se


envolver intimamente com outra mulher. O que era completamente ridículo, considerando que ela havia se recusado até mesmo em contemplar a possibilidade de eles manterem um relacionamento íntimo. Mas havia um bom motivo para isso. Um motivo excelente. Não queria que Xander soubesse o quanto ela era inapta como amante. “Frígida” era uma das palavras usadas por Sam, juntamente com “desinteressada” e “fria”. Sam não gostara nem um pouco de sua inexperiência na noite de núpcias. Ficara levemente irritado em ter de iniciá-la sexualmente, e Casey havia considerado todo o processo doloroso e desconfortável. O fato de que ela engravidara em apenas três meses acabara sendo um alívio, porque Sam se revelara completamente repugnado com a ideia de fazer amor com uma mulher grávida. Eles voltaram a ter intimidades depois do nascimento de Josh, é claro, mas, para Casey, o sexo sempre fora uma obrigação a ser cumprida, jamais algo que realmente gostasse de fazer. Contudo, sentira atração por Sam antes de se casarem. Ela julgara amá-lo... e vejam só a forma desastrosa com que tudo havia terminado! Não. Por mais atraente que considerasse Xander, Casey não queria repetir a experiência com ele, ver a mesma impaciência em seu rosto quando ele descobrisse a decepção que ela era na cama. Por sorte, ele não estava olhando para ela, mas para o contrato que acabara de pegar na mesa. – Não consigo ver onde está o problema... – disse Xander. – Aí! – Casey se moveu para apontar o parágrafo apropriado, respirando fundo quando, mais uma vez, se descobriu tão perto dele que podia sentir o perfume almiscarado de sua colônia, ver os pelos negros que cobriam suavemente os braços expostos pela camisa de malha de manga curta, ver a força calma de suas mãos, com seus dedos compridos e unhas mantidas curtas. Mãos com as quais ela sonhara na noite anterior, tocando-a, acariciando-a... – Ainda não consigo entender – protestou Xander. – Tudo que diz é “a quantia de um milhão de libras deverá ser depositada na conta bancária de Casey Bridges, a se tornar Casey Fraser, no dia do casamento”. – Tudo que diz? – repetiu Casey, incrédula. – Um milhão de libras, Xander? Xander se descobriu absolutamente ciente da mulher de pé tão perto dele. Vinha


pensando muito em Casey ultimamente, quando deveria estar se concentrando em outras coisas. Durante sua vida de casado com Chloe, o trabalho sempre lhe provera uma oportunidade de fuga. Mas, nessas últimas semanas, ele se descobrira pensando em Casey até mesmo durante acordos comerciais. Descobrindo-se maravilhado com as curvas suaves de seu corpo, a forma como seria sentir sua nudez contra ele, sob ele, por cima dele. Imaginando-a afastando as coxas esbeltas, sentindo-a florescer e desabrochar... Queria tocá-la, beijá-la, prová-la, ver seu rosto enquanto ele muito, muito lentamente, a penetrava, para se sentir engolfado por seu calor úmido. Ele acabara de fazer de novo! Só que, desta vez, Casey estava parada bem ali a seu lado, erguendo para ele aqueles grandes olhos verdes, as faces ruborizadas e os lábios levemente entreabertos, como se aguardando por um beijo. Ele não conseguiria mais lutar contra isso, decidiu Xander, agarrando-a pelos antebraços para puxá-la forte contra si, sufocando suas palavras zangadas com os lábios. Lentamente, deitou as suas costas na mesa, levando Casey consigo. Sentindo as coxas de Casey repousarem entre suas pernas afastadas, e os seios macios pressionarem seu peito, Xander tomou sua boca com a ferocidade de um desejo contido por três semanas.


CAPÍTULO NOVE

CASEY NÃO fazia a menor ideia de como fora parar deitada por cima de Xander no tampo de sua mesa. Tudo que sabia era que se sentia cheia de energia, deitada por cima dele daquela forma, enquanto levantava a cabeça para mordiscar e sugar seu lábio inferior, para prová-lo tanto quanto ele a provava. Xander gemeu baixo, as mãos se movendo, incansáveis, ao longo de sua espinha enquanto a encorajava a aprofundar o beijo. Um movimento que Casey negou a Xander enquanto se demorava em provar o calor da língua dele contra seus lábios entreabertos. Mas era sua vez de gemer ao sentir Xander levantado-lhe a camisa de malha, suas mãos grandes e quentes roçando-lhe carne nua, espalhando fogo onde quer que tocassem. Casey emaranhou as mãos nos negros e profusos cabelos de Xander. Ela o beijou, faminta, os lábios entreabertos permitindo que ele retribuísse esse apetite, enquanto contorcia a virilha contra sua excitação. Xander rompeu o beijo para empurrar a camisa completamente para fora do caminho antes de plantar as mãos na cintura de Casey e levantá-la com facilidade um pouco acima dele, de modo a poder circular e tocar com a língua o mamilo rijo de seu seio nu. Casey arqueou as costas quando seus seios formigaram e incharam à carícia. Então arfou alto quando Xander colheu o mamilo rijo no calor de sua boca, sugando e lambendo, o que fez a sensação de formigamento se espalhar até suas coxas à medida que ela se movia ritmicamente contra ele. Xander estava rijo contra ela, esfregando o âmago aquecido de Casey enquanto sua boca continuava a dirigir atenção a seu seio. Ela estava em chamas, os olhos fechados, a respiração arquejante, o calor entre suas coxas se tornando insuportável enquanto a mão de Xander colhia em concha e capturava seu outro seio, o polegar roçando contra o mamilo endurecido no mesmo ritmo com que ele sugava seu gêmeo. – Xander, eu não posso... – Sim, você pode – Xander lhe assegurou enquanto a soltava para rolar na mesa, de modo que, agora, era Casey quem estava deitada sobre o tampo.


Mantendo os olhos fixos nos dela, Xander abriu o botão do jeans de Casey, antes de introduzir a mão por baixo do tecido para buscar o centro de seu desejo. Assim que a tocou ali, Casey arqueou contra ele, querendo mais, querendo alguma coisa... A boca de Xander não parou de assaltar a de Casey mesmo enquanto ele encontrava seu centro, o polegar movendo-se suave contra a protuberância inchada enquanto seus dedos tocavam sua umidade, circulando-a sem penetrar. A respiração de Casey estava rasa. Ela fechou os olhos enquanto se entregava ao prazer que podia sentir em suas profundezas... prazer que se espalhava e aquecia, queimando enquanto Xander aumentava o ritmo de sua carícia, seus dedos finalmente entrando nela para se mover no mesmo ritmo. Casey não conseguia se segurar mais, tinha a impressão de que, a qualquer minuto, explodiria de prazer. Arfou, com os olhos arregalados, enquanto Xander satisfazia seu desejo com a firme carícia de seu polegar. Casey explodiu em torno dele em espasmos de prazer incontrolável enquanto o fitava, admirada com a própria liberação, seu corpo inteiro latejando com o êxtase que ele a fizera sentir. Observando-a desinibida enquanto ela encontrava seu ápice, Xander continuou a acariciá-la até ela estar completamente debilitada, até ter lhe conferido seu último momento de prazer. Mais uma vez, curvou a cabeça para clamar os lábios de Casey nos seus, com carícias agora mais suaves e gentis. Voltou a cobrir seus seios com a camisa antes de entrelaçar os dedos em seus cabelos sedosos. Ele beijou a concha delicada da orelha de Casey antes de correr a língua por seu pescoço até alcançar a veia que pulsava em sua base. Casey se moveu, inquieta, a seu lado. – Mas você não... – Ela exalou uma respiração trêmula. – Você não chegou a... Xander ergueu a cabeça para fitar o rosto de Casey. – Não precisei – ele a assegurou. Era a mais pura verdade. O que acabara de acontecer, ver e sentir o prazer de Casey, tinha sido a experiência mais erótica que ele tivera em toda sua vida. A forma como seu próprio corpo estava latejando era a doce evidência disso. A pele de Casey parecia de seda, seus seios tão pequenos e perfeitos, tão responsivos às suas mãos, lábios e língua. Ela inteira fora tão responsiva que ele tivera a impressão de que satisfazer o próprio prazer iria arruinar o que já era perfeito. – Eu não preciso – repetiu arfante, sorrindo para ela enquanto movia a mão para


acariciar suavemente uma face rosada. Casey fitou-o sem palavras. Por que ele não precisara? Sam sempre havia... Agora não era o momento de pensar em Sam, ou em seu casamento! Xander acabara de... Não, ela acabara de chegar ao clímax, pela primeira vez em sua vida. Em toda a sua vida. E havia sido a experiência mais maravilhosa que já tivera. Ela jamais sonhara... jamais compreendera... O que Xander devia estar pensando dela? Ela fora até ali para lhe dizer que considerava inaceitável um dos detalhes no contrato que ele redigira delineando os termos de seu casamento, e havia acabado de ter um orgasmo no tampo de sua mesa! Não apenas isso, mas Xander obviamente considerara sua falta de controle tão chocante que acabara perdendo o próprio desejo! – Pode deixar eu me levantar, por favor? – pediu baixinho. – Casey... – Deixe-me levantar, Xander! – exclamou, fitando-o com fúria. Suspirando, ele obedeceu, levantando-se para olhar em outra direção enquanto ela ajustava sua calça jeans. Meio tonta, Casey cambaleou enquanto se levantava, as pernas parecendo muito fracas por causa das sensações que haviam acabado de percorrer seu corpo, ainda ciente daquela sensação de formigamento entre suas coxas. Fechou os olhos por um instante, perguntando-se como conseguiria ficar novamente na companhia de Xander sem se lembrar... sem se lembrar de como ela havia.... – Preciso trabalhar – disse Casey abruptamente. – Não acha que ir ao trabalho agora é menos importante do que nós dois sentarmos para conversar? – Conversar sobre o quê? Sim... conversar sobre o quê?, perguntou-se Xander enquanto continuava a fitá-la. A última meia hora devia ter sido a experiência erótica mais incrível de sua vida, mas obviamente não significara o mesmo para Casey... Respirou fundo antes de se afastar rapidamente dela. Tinha medo do que poderia fazer se permanecesse muito perto de Casey! – Então eu devo ignorar o que acaba de acontecer, é isso? – ele resmungou. Ela piscou, engolindo em seco antes de responder:


– Acho que seria melhor assim, não concorda? Xander preferiu não comentar nada. Se ela podia esquecer o que acabara de acontecer, então não era ele quem iria perder tempo falando sobre o assunto. – Apenas ponha aí o que você quer que seja escrito nesse parágrafo. – Ele lhe estendeu uma caneta e o contrato sem olhar para ela, mãos crispadas retornando para as laterais de seu corpo. Precisou fazer um esforço imenso para não agarrar e beijar Casey enquanto ela fazia o arranjo necessário. Apesar da atração sexual que existia entre eles, Casey obviamente lamentava ter sucumbido a ela. Estava deixando perfeitamente claro que não queria que aquilo se repetisse, que não significara absolutamente nada para ela. Tudo que esse casamento significava para Casey, tudo que ele sempre significaria para ela, era segurança financeira. E o quanto mais cedo ele se acostumasse a isso, melhor. – Muito bem. – Ele assentiu enquanto ela colocava o contrato revisado de volta na mesa. – Como Josh e Lauren não irão ao casamento na sexta-feira, acho que seria uma boa ideia, depois que você e Josh tiverem se mudado para cá amanhã à tarde, que eles fiquem acordados até um pouco mais tarde para jantar conosco. Sei que eles terão escola no dia de seguinte, mas precisam se sentir parte disto. Oh, Deus. Ela e Josh iriam se mudar para lá no dia seguinte à tarde...! Como ela conseguiria prosseguir com isso depois do que acabara de acontecer? Por outro lado, como não poderia? Ela já pedira demissão em seus dois empregos. Os pertences dela e de Josh estavam empacotados em sua casa. Prontos para serem levados para lá no dia seguinte. Em menos de 48 horas ela iria se tornar esposa de Xander. Um homem que ela acabara de descobrir que era capaz de levá-la facilmente aos píncaros do prazer. Um homem de quem ela passara a gostar nas últimas três semanas. Um homem que ela passara a... amar? Ela amava Xander? Ela se apaixonara pelo homem com quem ia se casar apenas para dar uma mãe à filha dele, e assim impedir que seu sogro tentasse tomar a custódia da menina? Como ela podia ser tão estúpida? – O que foi agora? – perguntou Xander, ao notar as emoções contraditórias estampadas no rosto de Casey. – Depois de tudo que aconteceu, você ainda quer realmente que seja escrito no contanto que devemos manter quartos separados? – Ela


fez que sim. – Certo. Você também quer que esteja escrito aí que não teremos uma reprise do que acaba de acontecer? Mais uma vez, certo – ele rosnou. – Agora, Casey, se você não se importa, eu preciso trabalhar um pouco – disse, caminhando de volta até sua cadeira. A explosão de Xander deixou o rosto de Casey vermelho e, em seguida, pálido. – Isso não será necessário – disse a ele friamente. – Apenas o ajuste que eu fiz será mais do que suficiente. – Então não precisa se demorar mais. Eu odiaria fazer com que se atrasasse para o trabalho – acrescentou. Dirigindo-lhe um último olhar doloroso, ela girou nos calcanhares e se retirou, com cabeça erguida. Que idiota ele havia sido, recriminou-se Xander. Casey viera se queixar que um pagamento de um milhão de libras não era suficiente, e, mesmo assim, quando eles fizeram amor, Xander chegou a torcer para que isso surtisse qualquer diferença em sua motivação inteiramente financeira para se casar com ele. Era um idiota. E como se não fosse o bastante, ele ficara tão encantado com a perda de controle de Casey que nem quisera encontrar alívio dentro do calor de seu corpo. Ele havia considerado o prazer de Casey mais do que suficiente para satisfazê-lo. Ele era pior do que um idiota. Chloe também usara seu corpo para manipulá-lo e controlá-lo. Até ele finalmente entender qual era seu jogo e passar a se recusar a compartilhar da mesma cama com ela. Ele não conseguia acreditar como havia caído no mesmo truque uma segunda vez! Quanto mais de um milhão Casey poderia querer para casar com ele? Os olhos de Xander reluziram em fúria enquanto ele pegava o contrato. Mas a expressão de raiva cedeu lugar a uma ruga de preocupação no momento em que viu o ajuste que Casey havia feito. O parágrafo inteiro relativo ao depósito na conta de Casey no dia seguinte ao casamento fora completamente riscado, com traços firmes de sua caneta! Casey não queria nenhum pagamento. Xander não se sentia mais zangado ou intrigado... mas estarrecido!


CAPÍTULO DEZ

– VAI SER muito bom viver aqui, não é, mamãe? – disse Josh empolgadíssimo quando os dois retornaram para seu novo quarto, depois que o menino nadara com Lauren na piscina interna nos fundos da casa. Sim, claro que vai ser, pensou Casey melancolicamente enquanto conduzia o filho ao banheiro anexo, para dar um banho nele. Os dois haviam se mudado naquela tarde, conforme o planejado. Para o alívio de Casey, Xander não estivera presente durante a mudança, mas isso não mudava o fato de que teria de encará-lo na noite seguinte. A pior parte disso, no que dizia respeito a Casey, era que ela só precisava fechar os olhos para reviver a forma como Xander a beijara e a acariciara, seu corpo voltando a tremer ao se lembrar da forma como quase havia perdido completamente o controle. Maravilhosa. Simplesmente a coisa mais maravilhosa que sentira em toda sua vida. Algo que ela desejava profundamente que acontecesse de novo! Mas sabia que não podia permitir que acontecesse. Não havia absolutamente nenhum sentido em continuar a explorar um relacionamento sexual com Xander. Ele era tão bonito e sexy que provavelmente deveria ter tido dúzias de mulheres em sua vida, tanto antes quanto desde seu casamento com Chloe. Ao contrário de Casey, que até agora só tivera Sam como amante. Sua vida sexual com Sam fora um desastre, enquanto seu único encontro com Xander havia sido tudo, menos isso. Porque ela soubera instintivamente o que fazer com Xander! Ele permitira que ela o beijasse e o acariciasse, puxando-o para cima dele ao convidá-la para assumir a iniciativa. E isso fora muito bom. Portanto... – Está tudo bem? Casey girou nos calcanhares quando Xander falou subitamente às suas costas. E como ainda estava segurando o chuveirinho com que banhara Josh, borrifou-o com água.


– Obrigado! – murmurou ao baixar os olhos para sua camisa impecavelmente branca, que ficara toda encharcada. – Meu Deus! – arfou Casey, rapidamente fechando a água e largando o chuveirinho. Pegou uma toalha e atravessou o quarto para enxugar a camisa de Xander, seus movimentos desacelerando até finalmente parar, quando se viu hipnotizada pela forma como o tecido agora aderia a ele, o material quase transparente deixando os pelos negros de seu peito claramente visíveis. Ao olhar para cima, viu que ele a fitava com enigmáticos olhos azuis. – Sinto muito por isso – murmurou Casey. – Esqueça. Esquecer a forma como a camisa estava grudada em seu corpo, ressaltando os músculos e o peito amplo, como se ele não usasse nada? Impossível! – Talvez seja melhor você se trocar... – Disse para esquecer, Casey. Estou mais interessado em saber se está precisando de alguma coisa – disse gentil. Engoliu em seco, porque sabia muito bem do que precisava naquele momento! Porque precisava dele. De seus braços, sua boca, suas mãos. – Josh e eu estamos bem. Obrigada. – Já falei com Josh e vi que ele está mais do que feliz. Lauren, também – disse Xander. – Estava perguntando sobre você, Casey. O que ele queria que ela dissesse? Que estava bem, também? Que, assim como Josh, já se sentia confortável com sua drástica mudança de estilo de vida? Que não ficara incomodada que os quartos separados providenciados por Xander fossem, na verdade, cômodos adjacentes? O que ela realmente queria dizer era que cometera um erro em aceitar um casamento de conveniência, agora que sabia o que realmente sentia por Xander. Que naquelas três curtas semanas em que o conhecia, ela havia se apaixonado por ele... – Está tudo bem – ela assentiu, ainda incapaz de olhar nos olhos dele. Como poderia, quando, na noite anterior, havia se comportado como uma devassa em seus braços, e desde então não conseguia pensar em mais nada além de repetir a experiência? Xander notou que Casey não estava se sentindo nem um pouco à vontade com sua companhia. Não que isso fosse surpreendente, depois do que acontecera na noite anterior. Afinal, ela deixara perfeitamente claro que não estava interessada num relacionamento físico com ele. Na verdade, ele temera que Casey mudasse de ideia sobre o casamento, e havia


ficado até um pouco surpreso ao chegar em casa esta noite e ver que ela se mudara para lá. Em que diabos ele estivera pensando ao possuí-la em cima de sua mesa, daquele jeito? O problema era justamente que ele não estivera pensando em nada, apenas em beijar e acariciar cada centímetro sedoso de Casey, em sentir sua nudez contra ele, em provar seu sabor. E essa deveria ser a última coisa esperada por Casey ao entrar em seu escritório para discutir algumas mudanças no contrato que ele havia redigido! Mudanças sobre as quais ele passara a maior parte do dia pensando. Isto é, quando não estivera pensando na textura e no sabor do corpo de Casey! Essa mulher, uma mulher com quem, há três semanas, ele decidira friamente se casar, fazia com que ele sentisse tudo, menos frio. Tudo aquilo começara com um plano simples: casar-se com uma mulher que ele não amava, que não fingia amá-lo, e ambos sabendo exatamente o que era esperado e desejado do casamento. Porém, depois da última noite, ele sabia que seria impossível, absolutamente impossível, dividir sua casa com Casey, ocupando cômodos adjacentes, sem querer fazer amor com ela de novo. – Preciso conversar com você, Casey. Sozinhos – acrescentou, ao ouvir Josh cantarolando feliz no quarto adjacente. – Eu... Nós temos de jantar com as crianças. – Bem, poderemos conversar assim que eles estiverem dormindo – concedeu. – Eu... é claro – concordou Casey com insegurança nos olhos. O que ele precisava falar com ela que era tão urgente?, indagou-se Casey com um aperto no coração. Será que ele havia conversado com Brad Henderson naquele dia e chegado a alguma espécie de acordo com ele? Será que Xander decidira não prosseguir com o casamento?


CAPÍTULO ONZE

PERMANECER CALMAdurante todo o jantar, com Xander agora incrivelmente sexy em uma calça comprida preta e uma blusa de seda da mesma cor expondo ombros largos e abdome plano, tentando fingir, pelo bem de Josh e Lauren, que eles realmente seriam uma família grande e feliz, fora absolutamente torturante para Casey. Se ele mudara de ideia, se decidira não levar adiante o casamento, deveria tê-la procurado no dia anterior e lhe contado. Antes que ela tivesse uma chance de se mudar com Josh para lá, pensou Casey. Seria muito mais difícil para todos se ela e Josh precisassem se mudar novamente. Quando Lauren pediu que ela a pusesse na cama também, além de Josh, Casey se sentiu uma fraude, e suas faces ruborizaram com raiva quando ela retornou à sala de estar minutos depois, para encontrar Xander de pé ao lado da lareira, apreciando um copo de conhaque. – Quer um? – Vou precisar de uma bebida? – Isso depende de como você irá encarar a situação. – Neste caso, aceito – disse Casey antes de se aproximar da lareira em chamas crepitantes enquanto aguardava Xander retornar com o conhaque. Nessa noite, ela estava usando um vestido verde sem alças, notou Xander com admiração enquanto servia conhaque para ela e enchia novamente o próprio copo. O material fino aderia aos seios ousados e às linhas esbeltas da cintura e das coxas. Na verdade, Xander estivera olhando com admiração para ela durante toda a noite. Casey estava linda. Era uma beleza mais sutil e discreta do que fora a de Chloe, mas uma beleza que provinha de dentro. Ele não duvidava que, dali a mais ou menos cinquenta anos, Casey ainda seria radiantemente adorável. Mais ou menos cinquenta anos... Onde ele estaria dali a cinquenta anos? Ainda ali na Casa Fraser, suspeitava, com Lauren e Josh tendo partido há muito tempo para encontrar o próprio lugar no mundo. Casey também teria partido, porque não haveria mais filhos para mantê-los juntos. Portanto, restaria apenas Xander,


vagando por uma casa que não mais conteria uma família para fazer dela um lar. Jamais ficara incomodado com a perspectiva de envelhecer. Como seu casamento com Chloe já estava acabado há anos quando ela o abandonara de fato, a essa altura já estava acostumado com a solidão. A solidão era boa. A solidão não exigia nada. A solidão era a liberdade para fazer o que quisesse, quando quisesse. A solidão era descomplicada. A solidão era uma porcaria! Atravessou a sala para dar o copo de conhaque a Casey, que evitou que sua mão entrasse em contato com a dele. Ela não conseguia nem mais suportar tocá-lo casualmente! Xander tomou um gole de conhaque antes de dizer: – Casey... – Sinto muito interromper, sr. Fraser... – Agora não, Hilton! – esbravejou Xander, e se virou para olhar de cara feia o mordomo parado no vão da porta. – Sinto realmente pela interrupção, sr. Fraser, mas o sr. Henderson está... – Diga a ele que ligarei mais tarde – instruiu Xander, não parecendo interessado em outro confronto com o seu ex-sogro. – O problema, sr. Fraser, é que ele está aqui... na casa. – Aqui? Agora? – Ele o aguarda na antessala, senhor. Xander olhou para Casey, notando seu rosto estampado com uma apreensão que ela não conseguia esconder. – Você poderia subir enquanto converso com Brad...? Casey percebeu que ele estava querendo poupá-la de ouvir novos insultos. Mas ela empertigou os ombros e empinou o queixo. – Não, acho que não será preciso. Obrigada. – Boa menina – disse Xander, segurando a mão de Casey em sinal de apoio, antes de virar para o mordomo. – Hilton, mande o sr. Henderson entrar. Casey não pôde deixar de notar que Xander ainda segurava sua mão quando Brad Henderson entrou na sala. Brad estreitou os olhos em reação imediata àquela demonstração de intimidade. E esse, pensou Casey, fora justamente o motivo pelo qual Xander segurara sua mão. Agora estava evidente que os dois homens não haviam chegado a nenhum acordo. Assim, o que Xander quisera falar com ela com tanta urgência ainda há pouco? – Brad – cumprimentou-o sucintamente Xander, quando os três estavam a sós.


– Xander – disse Brad com um aceno de cabeça. – Sra. Bridges – ele acrescentou, surpreendentemente. – Pode chamá-la de Casey – Xander sugeriu. Brad Henderson abriu um breve sorriso. – Eu... Eu creio que vocês irão se casar amanhã? – começou sem jeito. – Sim, iremos – retrucou Xander com firmeza. Sim, eles irão?, pensou Casey, aliviada. Xander, afinal de contas, não mudara de ideia sobre o casamento? – Sim. Bem... – Brad Henderson estava claramente desconfortável. – Eu... – Posso lhe trazer uma bebida, Brad? – ofereceu Xander gentilmente. – Você está com cara de quem precisa de uma. – Está tão claro assim? – disse com tristeza o homem mais velho. – Sim – confirmou Xander, soltando a mão de Casey para caminhar até o armário de bebidas. – Bourbon com gelo? – Obrigado – disse Brad, virando-se para Casey depois que Xander servira-lhe a bebida. – Creio que lhe devo um pedido de desculpas, sra... Casey – emendou rapidamente. – Deve mesmo – concordou Xander antes que Casey pudesse abrir a boca. – Foi extremamente rude com ela, há três semanas. Uma coisa começava a ficar clara para Casey: Brad Henderson parecia arrependido. Era isso que ela temera desde o começo: que subitamente se tornasse desnecessário que eles se casassem. O problema era que uma coisa inesperada acontecera nas ultimas três semanas. Ela havia se apaixonado por Xander e agora queria se casar com ele! Queria acordar ao lado de Xander a cada dia de sua vida. Queria ter mais filhos com ele. Queria que envelhecessem juntos! – Acho que eu estava fora de mim na noite em que nos conhecemos, Casey – disse Brad com uma tentativa de sorriso. Casey curvou a cabeça graciosamente. – Foi perfeitamente compreensível, considerando sua perda recente. – Talvez – aceitou Brad. – Mas realmente lhe devo desculpas, Casey. Eu... se você e Xander conseguiram encontrar alguma felicidade juntos em meio a toda essa confusão, eu sinceramente lhes desejo tudo de bom. – Brad levantou seu copo e tomou um gole grande de seu bourbon. – Xander, posso ter sido um pai condescendente, mas não era cego. Sempre soube que você e Chloe não eram muito felizes juntos... – Não éramos nem um pouco felizes.


– Não. Bem... – Brad exalou um suspiro trêmulo. – Eu sabia disso, mas ela era minha filha, Xander. E, apesar de tudo, eu a amava. – É claro que a amava – disse Casey, atravessando a sala até Brad, para pousar a mão direita em seu braço. – Por que não se senta conosco um pouco, e talvez possamos conversar com calma? – convidou. Ela realmente era uma mulher incrível, reconheceu Xander com surpresa crescente. Praticamente qualquer outra mulher em sua posição, tendo sido tão insultada e ridicularizada, diria a Brad o que pensava dele. Chloe certamente faria isso. Mas Casey estava sendo gentil e compreensiva. Ele só podia torcer para que ela o tratasse com a mesma gentileza quando eles fossem conversar, depois que Brad se retirasse. – Obrigado, mas preciso ir agora – disse Brad, tomando abruptamente todo o restante de seu bourbon, antes de pousar o copo vazio na mesinha de café. – Espero que, no futuro, vocês possam me perdoar pelo transtorno que causei e que... que me deixem ver minha neta de vez em quando. Ele dirigiu um olhar esperançoso a Xander. Casey também olhou para Xander, desejando que ele não guardasse rancor do ex-sogro. Ao mesmo tempo, ela reconheceu que, tendo Brad Henderson desistido de lutar pela custódia de sua neta, Xander definitivamente não precisava se casar com ela!


CAPÍTULO DOZE

– BEM... ISSO foi bem traumático, não foi? – comentou Casey depois que Xander acompanhou Brad até a saída. Xander gostara de que Brad tivesse retirado o processo de custódia por Lauren, ficando mais do que feliz em perdoar o ex-sogro e lhe assegurar que poderia ver a neta sempre que quisesse. O que Xander não gostara, nem um pouco, era do fato de que, agora, não havia nenhum motivo para que Casey se casasse com ele. Estava tão frustrado que sentia vontade de bater em alguma coisa! – Mais um conhaque? – ofereceu. – Não, obrigada – declinou Casey.– Bem, o que faremos agora? – O que você quer fazer? Casey sorriu, melancólica. – Acho que devemos cancelar o casamento. Eu e Josh teremos de nos mudar de volta para minha casa. Está vendo como foi bom não a colocar à venda? Ela podia parecer um pouco menos feliz a respeito disto, pensou Xander, tentando conter a raiva. Mas o sorriso de Casey era apenas fachada. Ela estava arrasada. Ele não queria mais se casar com ela! – Já está um pouco tarde para eu e Josh sairmos. Assim, se não for problema para você, faremos a mudança pela manhã – sugeriu, tentando desesperadamente manter a voz calma. – Sim, com certeza é um problema para mim! – rosnou Xander. – Você quer que eu acorde o Josh e saia com ele daqui agora? – indagou Casey, incrédula. – Não, é claro que não quero isso! – Eu não entendo... – Tínhamos um acordo, Casey. Nós íamos nos casar e então eu garantiria o futuro de Josh, lembra? – Não se preocupe, Xander. Não vou lhe cobrar nada disso. – Ela deu com os


ombros. – Além do mais, nenhum de nós assinou o contrato. Uma expressão tempestuosa abalou o rosto de Xander. Ele cerrou as mãos nas laterais do corpo, numa tentativa de controlar sua fúria crescente. – Você não acha que deveríamos considerar prosseguir com o casamento mesmo assim? – finalmente conseguiu dizer entre dentes cerrados. Casey arregalou os olhos. – E por que deveríamos fazer isso? – Se ontem pareceu uma boa ideia, por que não hoje? – Mas você ouviu Brad Henderson. Ele não vai prosseguir com o processo de custódia. – Esqueça o processo! – vociferou Xander. – Esqueça Brad Henderson! Estou falando de você e de mim. Eu estou... estou atraído por você. E depois de ontem à noite, não acho que você possa negar que reage a mim. Essa atração mútua não é suficiente para prosseguirmos com o plano? Casey fitou-o, embasbacada. Claro que atração mútua não era base suficiente para um casamento. Depois de ter sido casada com Sam, ela sabia muito bem o quanto um relacionamento baseado na atração podia ser vazio. E Xander também deveria ter aprendido essa lição depois de seus longos e amargos anos de casado com Chloe. E, quanto a mencionar o momento constrangedor em seu escritório na noite anterior...! Casey não conseguiu olhar nos olhos dele ao esclarecer: – Xander, se você ainda não percebeu, meu casamento com Sam... o lado físico do relacionamento... foi menos do que... satisfatório. – Em que sentido? – Em todos. Ele foi meu primeiro e único amante antes... antes de ontem. Nos últimos anos, eu não suportava nem estar na mesma sala que ele, quanto mais deixar que me tocasse. Ele era zombeteiro e sarcástico a respeito da nossa... da nossa vida sexual. – Como assim, zombeteiro e sarcástico? – Não consegue adivinhar? – sussurrou Casey. – Sam nunca perdia a oportunidade de me dizer o quanto eu era frígida. Que era apenas minha culpa eu jamais... eu jamais alcançar... – Ela fitou Xander com olhos carregados de dor. – Droga, preciso dizer com todas as letras para você? Não, ela não precisava. Agora estava perfeitamente claro para Xander que Sam Bridges fora propositalmente cruel com a jovem inexperiente com que se casara. Casey devia ter sido humilhada durante tantos anos que acabara perdendo a capacidade de


relaxar o suficiente para encontrar o próprio prazer. Um prazer que Xander sabia que ela jamais teria dificuldade de atingir nos braços dele. – Considerando as circunstâncias, acho que é totalmente errado que nos casemos sem que haja necessidade para isso – disse Casey enquanto as lágrimas começavam a formar poças em seus olhos. – Casey... – disse Xander, estendendo os braços até ela. – Não, Xander! – ela arfou. – Não quero que você me toque novamente! Vou retirar minhas coisas daqui amanhã, e você nunca mais verá nem a mim nem a Josh. Até lá, será melhor se ficarmos afastados um do outro! – Casey, por favor... – Não! – Ela se afastou quando ele tentou segurá-la pela segunda vez. – A última coisa de que preciso é da sua piedade. – Piedade? Casey, a última coisa de que você precisa é de piedade.Você não é frígida, Casey... – Não? – retorquiu, ofendida. – Pois acho que você está enganado. – Ela cerrou os olhos. – Preciso ir embora, Xander. Preciso sair daqui! Preciso ficar longe de você! Ela girou nos calcanhares e saiu correndo da sala.


CAPÍTULO TREZE

CASEY MAL teve tempo de fechar a porta do quarto antes que ela fosse aberta de novo. Ela se virou para ver Xander entrar no quarto, fechar a porta e se encostar contra ela. – Eu lhe disse... – Eu sei o que você me disse. Ouvi cada palavra. Agora quero que me escute durante alguns minutos, certo? – Não imagino o que mais possa haver para ser dito... – Meu Deus, Casey, há tanta coisa. Tanta coisa! A primeira é que você precisa saber que tudo aquilo que Bridges dizia era mentira. – Mas... – Era mentira, Casey. Você tinha vinte anos quando se casaram, e Bridges já estava com quase trinta. Era ele quem devia ter se responsabilizado por introduzir você no prazer físico, com ternura e amor. – Eu realmente não quero falar a respeito disso! – gemeu Casey enquanto lhe dava as costas. – Você nem quis o suficiente ontem para terminar o que começou! – Casey, vire-se e olhe para mim. Por favor! Ela arfou, trêmula, enquanto se virava para ele, mantendo os olhos fixos no centro de seu peito. – Toque-me – ele a encorajou suavemente. Casey levantou olhos estarrecidos para Xander, sem saber o que ele queria dela. Xander começou a desabotoar a camisa de seda preta que estava usando, bem devagar, demorando-se em cada botão, enquanto observava o desfile de emoções no rosto de Casey. Ele a viu arfar à medida que os músculos de seu peito e a solidez de seu estômago eram lentamente revelados, a forma como suas faces ficaram vermelhas quando ele puxou a camisa para fora de sua calça e a abriu. – Toque-me – repetiu, rouco. Ela hesitou apenas por um momento, e então subiu mãos hesitantes para acariciar delicadamente os pelos negros que cresciam em seu peito, seus dedos deixando uma trilha de fogo por onde passavam. Xander não escondeu sua reação nem aos mais leves toques: sua respiração estava arfante, seus músculos retesavam à mais leve carícia. Ele praticamente parou de


respirar à medida que o toque de Casey ficava mais ousado, subindo sedoso ao longo de seu peito, procurando, conhecendo, explorando cada reentrância e curva de sua carne, até ela finalmente empurrar a camisa para fora de seus ombros, deixando-o nu da cintura para cima. Ela se aproximou mais, não o tocando completamente enquanto suas mãos se moviam ao longo dos ombros rijos. Queria estar completamente nu. Queria que as mãos e os lábios de Casey conhecessem ele por inteiro antes que ela o aceitasse dentro dela, permitindo que seu calor o engolfasse completamente. – Sabe o quanto quero você? – ele gemeu. – Sinta o quanto quero você! – Ele falou com mais ferocidade ao pegar uma das mãos de Casey e a posicionar contra ele... contra seu calor latejante. Casey arregalou os olhos ao sentir o contorno da excitação de Xander. Ele era tão grande e rijo, e, à medida que corria a mão por seu comprimento, ela o sentia tremer ao mais suave toque seu. Xander realmente a queria! Agora! – Vou lhe mostrar o quanto você é frígida – disse Xander enquanto descia as mãos para capturar as dela. – Confie em mim, Casey – rogou Xander ao ver a incerteza nos olhos dela. – Confie que não irei machucar você. Jamais faria nada que a machucasse. Se eu fizer qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa, que você não goste, apenas me diga e eu pararei, certo? – Mas... – Podemos conversar depois. Temos todo o tempo do mundo para conversar. Agora quero lhe mostrar, deixar que veja, que você é a mulher mais sensual, excitante e lindamente erótica que já conheci. – Mas Chloe era tão linda... – Chloe era uma amoral! Não tenho a menor dúvida de que ela e o seu marido combinaram bem, que encontraram um no outro o que procuravam. Mas você, Casey... Para mim, você é a perfeição. É tudo que uma mulher deveria ser. Linda. Quente. Bondosa. Uma mãe amorosa e altruísta. Com um corpo tão inacreditavelmente sensual, tão magnificamente excitante, que só preciso olhá-la para querer fazer amor com você. – Ele exalou um suspiro entrecortado. – Ontem à noite eu parei, mas não porque não a queria. Parei porque sexo jamais deve ser egoísta. E ontem à noite o seu prazer era tudo que eu precisava ou queria. – E agora? – sussurrou Casey.


– Agora eu gostaria que fizéssemos amor um com o outro – disse, despindo o restante de suas roupas para ficar diante dela completamente nu. – Com lentidão. Com ternura. Com ferocidade. Quero que façamos amor um com o outro de todas as formas que existem entre um homem e uma mulher. – Você realmente me quer? – perguntou, tímida. – Casey, como pode duvidar disso? – Segurou as mãos dela nas suas e, mais uma vez, as puxou para seu corpo, mantendo os olhos fixos nos dela enquanto lentamente descia essas mãos pelo seu peito musculoso, pela planície de seu abdômen, até mais abaixo, colocando-as contra ele, em torno dele, arfando enquanto permitia que o calor feroz fluísse através de seu corpo. – Acho que está um pouco vestida demais para a ocasião – murmurou para, em seguida, mover os braços em torno de Casey e correr o zíper do vestido ao longo de sua espinha, antes de permitir que o traje caísse no tapete. Casey estava de pé diante dele usando uma calcinha de renda francesa e meias sete oitavos, pois o estilo do vestido não permitira sutiã. Seus seios estavam cheios e os mamilos excitados... e implorando por seu beijo! Ela arfou alto... e então parou ao sentir os lábios e a língua de Xander contra seus seios, o que a fez instintivamente arquear as costas enquanto se oferecia a ele. Xander deitou-a de costas na cama macia e convidativa. Ele a beijava e a acariciava incessantemente. Quando Casey o acariciou em retorno, ele gemeu de prazer, sem esconder suas sensações dela enquanto lhe dava liberdade para tocar e beijar onde bem quisesse. – Meu Deus, Casey! – ele gemeu enquanto seus lábios e língua começaram a levá-lo à loucura. – Pare! – ele finalmente arfou alto, sentando para deitá-la cuidadosamente a seu lado. – Agora é sua vez – ele prometeu, para então mover a boca, úmida e quente, ao longo do corpo de Casey. Ela se manteve deitada nua e desinibida enquanto ele retirava as últimas peças de roupa de seu corpo. Seus lábios e língua provavam cada centímetro dela, sugando e lambendo seus seios até deixá-la debilitada e arfante debaixo dele. Casey deixou escapar um grito de deleite puro quando ele encontrou seu âmago e se pôs a prová-la, saboreá-la, levando-a à beira do êxtase. Casey levantou os olhos para ele através de pálpebras semicerradas enquanto Xander se punha a cobri-la com o corpo, repousando seu peso nos braços enquanto se acomodava entre suas coxas. Em seguida, investiu para dentro de sua bainha quente com movimentos lentos e profundos. Ele deixou escapar um grito rouco, as mãos contra a rigidez de sua coluna enquanto


se movia cada vez mais rápido, levando o corpo de Casey a convulsões. Uma expressão de prazer intenso surgiu no rosto de Xander quando ele alcançou o próprio clímax. – Poderia ficar deitado assim com você para sempre – murmurou Xander algum tempo depois, os lábios contra seu pescoço macio, os braços envolvendo-a fortemente, os corpos ainda unidos. – Eu também – admitiu Casey enquanto acariciava os sedosos cabelos de Xander que repousavam, desgrenhados, nos ombros dele. Xander olhou para ela com intensos olhos azuis. – Eu a amo, Casey. Ela fechou os olhos por um instante, quase incapaz de acreditar que ele lhe dissera essas palavras. – É verdade, Xander? – indagou ao abrir os olhos. – Mais do que a própria vida – jurou. – Esqueça o passado. Mais importante, esqueça a forma fria com que lhe pedi em casamento há algumas semanas! Casey riu baixo, conhecendo com Xander uma liberdade da qual jamais desfrutara. – Eu amo você... muito mesmo, Xander. – Ela se moveu de modo a poder olhar para ele, com cuidado para não desalojá-lo, adorando a sensação de tê-lo dentro de si, sabendo que ele era tão importante para ela quanto o ar que respirava. – Você aceita se casar comigo, Casey? – indagou Xander. – Por nenhum outro motivo além do fato de que eu a amo? Porque você me ama. Você me ama, Casey? – Antes de Brad chegar, eu estava achando que... que você ia me dizer que não podia mais se casar comigo! – Eu ia – confirmou Xander. – Mas apenas que não podia mais me casar com você sob as condições que concordamos – ele acrescentou rápido quando ela franziu a testa. – Não suportaria me casar com você se não pudéssemos ficar juntos como estamos agora! – disse ferozmente. – Estaria mentindo para você e para mim também se tivesse permitido que assinássemos aquele contrato negando-nos qualquer espécie de relacionamento físico. Eu a quero tanto, preciso tanto de você, para ser capaz de concordar com isso! – ele a assegurou. – E eu quero, sempre, tratá-la com a mesma honestidade com que você me tratou – murmurou enquanto acariciava seus cabelos. – Case-se comigo, Casey, e faça de mim o homem mais feliz que já viveu. – Sim – disse Casey. – Sim, vou me casar com você, Xander! Durante algum tempo, houve apenas silêncio no quarto enquanto eles se beijavam com apetite feroz.


– Quando soube que me amava? – finalmente perguntou Casey, sonhadora. – Não tenho certeza exata de em que momento me apaixonei por você. Mas sei com certeza que foi amor que senti ontem à noite, quando olhei o contrato e vi que você havia se recusado a aceitar qualquer dinheiro para si mesma. Entenda, querida, pensei que estava insatisfeita com o contrato porque um milhão de libras não era suficiente... – Xander Fraser, eu não quero seu dinheiro... – Eu sei, meu amor. Mas, do jeito que você me deixou ontem à noite, tive a impressão de que você também não me queria. – Como pode dizer isso, depois de tudo que aconteceu? – Você parecia... infeliz por ter deixado aquilo acontecer. – Eu estava estarrecida – ele corrigiu, arfante. – Realmente acreditava que era uma daquelas mulheres que não aprecia o lado físico de um relacionamento. – E agora? – provocou Xander. – Agora eu gostaria que fizéssemos amor de novo – admitiu baixinho, no mesmo instante em que o sentiu estremecer dentro dela. – Na verdade, gostaria que nós dois ficássemos na cama por uma semana, sem nenhuma outra distração além um do outro! – Acho que isso pode ser providenciado – murmurou Xander enquanto se movia para beijá-la. – Tenho certeza de que as crianças não irão se importar se pedirmos a Brad para cuidar delas enquanto desaparecemos durante alguns dias em nossa lua de mel. – Nós vamos realmente nos casar amanhã, como planejamos? – Claro que vamos! Eu a amo muito, Casey, e não vou conseguir tirar as mãos de você por um bom tempo. – Ele desceu carinhosamente a mão pelo estômago plano de Casey até alcançar os cachos sedosos abaixo. Amor. Ter Xander amando-a. Amar Xander em retorno. Amor era o que fazia toda a diferença...


CAPÍTULO CATORZE

– XANDER...? – Hum? – murmurou Xander sonolento contra o pescoço de Casey, tendo adormecido ali depois de fazerem amor. Mesmo um ano após seu casamento, eles ainda não haviam cansado um do outro, de estarem juntos, de se amarem. Xander frequentemente deixava de viajar quando Casey não podia acompanhá-lo, algo que nem sempre era possível quando se tinha duas crianças pequenas para cuidar. Além disso, por causa da gravidez avançada, Casey já há algum tempo não podia viajar de avião. – Acho que precisamos ir à clínica, Xander – disse a ele baixinho. – Hum? – tornou a murmurar sonolento. – Quê? Tem certeza? Não é cedo demais? O bebê só vai chegar daqui a umas duas semanas – murmurou preocupado enquanto levantava da cama e começava a vestir suas roupas. Casey abriu um sorriso feliz ao vê-lo vestir a calça antes da cueca, e ser obrigado a começar tudo de novo. – Acho que o bebê decidiu outra coisa – disse a ele enquanto se movia para a lateral da cama. – Tudo bem. Primeiro, tenho de ligar para o Brad e pedir para ele vir ficar com a Lauren e o Josh. Depois, terei que... – Acalme-se, Xander – riu Casey. – Ainda vai demorar horas para acontecer. Só não acho que teremos de esperar até que amanheça – acrescentou, sendo acometida por mais uma contração. – Você vai ficar bem, não vai, Casey? – perguntou Xander, sentando na cama ao lado dela para segurar suas mãos. – Não conseguiria suportar se algo acontecesse a você... – Nada vai acontecer comigo, exceto que, daqui a algumas horas, teremos mais um filho ou filha. – Eu a amo, Casey! – disse com fervor. – Eu amo, desejo e preciso de você muito, muito, muito! Ela se curvou para a frente e o beijou de leve nos lábios.


– Eu amo, desejo e preciso de você na mesma medida. Três horas depois, Anna Louise nasceu com os lustrosos cabelos negros do pai e olhos azuis já tocados pelo verde dos olhos da mãe. – Quero mais uma meia dúzia – alertou Casey ao ver a forma gentil como Xander aninhava a filha dele nos braços. – Apenas mais meia dúzia? – provocou, a emoção transparecendo na voz. A vida era boa, reconheceu Casey enquanto fechava, sonolenta, os olhos. Com Xander para amar, e ser amada de volta, ela sabia que seria assim para sempre...


CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ M863d Mortimer, Carole Desejo secreto [recurso eletrônico] / Carole Mortimer; tradução Oliveira Jr. - 1. ed. - Rio de Janeiro: Harlequin, 2014. recurso digital: il. Tradução de: The millionaire's contract bride Formato: ePub Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web ISBN 978-85-398-1579-1 (recurso eletrônico) 1. Romance inglês. 2. Livros eletrônicos. I. Oliveira Jr. II. Título. 14-12479

CDD: 823 CDU: 821.111-3

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l. Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte. Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Título original: THE MILLIONAIRE’S CONTRACT BRIDE Copyright © 2008 by Carole Mortimer Originalmente publicado em 2008 por Mills & Boon Short Romances Arte-final de capa: Isabelle Paiva Produção do arquivo ePub: Ranna Studio Editora HR Ltda. Rua Argentina, 171, 4º andar São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ — 20921-380 Contato: virginia.rivera@harlequinbooks.com.br


Capa Rosto Capítulo um Capítulo dois Capítulo três Capítulo quatro Capítulo cinco Capítulo seis Capítulo sete Capítulo oito Capítulo nove Capítulo dez Capítulo onze Capítulo doze Capítulo treze Capítulo catorze Créditos



Desejo secreto (harlequin paixão mini ed 1) de carole mortimer