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Sexta-feira, 31 de março de 2017
PONTO DE VISTA
O eleitor não é vaga-lume para aceitar lista fechada
ALTO POSTO Cotada já há alguns meses para ocupar papel de destaque numa das importantes comissões permanentes da Câmara Federal, em Brasília, a deputada barueriense Bruna Furlan (PSDB) foi finalmente elevada a tal posto. Na quinta-feira da semana passada, 23, ela foi eleita para presidir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. CENÁRIO NACIONAL Formada em Direito, detentora de seu segundo mandato consecutivo e com apenas 33 anos de idade, Bruna assume, com isso, não só papel de destaque no cenário político nacional, mas também de importância dentro de seu partido, o PSDB, que naturalmente lhe deu a condição para ser a escolhida para o posto. CARÁTER HUMANITÁRIO Ao se falar em Comissão de Relações Exteriores, não nos esqueçamos que o mundo atual vive um drama sem tamanho, como as questões dos refugiados ou, num cenário interno, da migração. Sobre isso, Bruna Furlan reconhece que sua atuação deve focar “na resolução de conflitos, nas principais negociações comerciais, sem esquecermos o nosso papel e a nossa responsabilidade nos temas que dizem respeito às questões de caráter humanitário, como aqueles que tocam aos refugiados e aos migrantes, por exemplo”, disse na ocasião da posse. Boa sorte à deputada! RELAÇÃO DIFERENTE O prefeito de Santana de Parnaíba, Elvis Cezar (PSDB), aproveitou uma cerimônia pública na semana passada para fazer uma espécie de desabafo sobre sua relação com os vereadores da Câmara Municipal. Disse ele que, no passado (até o ano passado, na verdade), os vereadores lhe atrapalhavam para desenvolver qualquer projeto, qualquer investimento, e que hoje, com a nova composição do Legislativo, as coisas fluem de forma diferente. FORA DE FOCO É verdade! Quando os vereadores se unem em blocos de oposição ou situação, fazem e desfazem das questões mais importantes, quase sempre dando ares políticos para as discussões municipais e não a importância que se deveria avaliar para a real necessidade do cidadão, da cidade. Essa é a política! Totalmente fora de foco do que é mais importante. FELICIDADE Quando, então, o prefei-
Julio Cardoso
Bruna
Elvis
to tem maioria na Câmara, assim como Elvis, fica feliz em ver seus projetos fluírem tranquilamente. Só que, ao se referir a esse cenário positivo, Elvis disse que “tem” uma Câmara, hoje, “que não me dá trabalho”, comprometida com o povo da cidade e blá-blá-blá e blá-blá-blá. ENTRE O CÉU E O INFERNO Aí é que está o problema: ao dizer que a Câmara “não lhe dá trabalho”, não parece um pouco pejorativo demais para os atuais vereadores? Afinal de contas, eles não estão ali para trabalhar pelo seu eleitorado e pela população? Ou estão somente para “não dar trabalho” ao prefeito? Numa hora a situação é ruim para o prefeito e na outra é ruim para a população. Entre esse céu e inferno, há de se lembrar que existe uma cidade inteira que precisa ser bem administrada... ‘AUTORIDADES’ DESRESPEITADAS Alguns vereadores carapicuibanos usaram a tribuna da Câmara Municipal na sessão de terça-feira, 28, para reclamar de “maus tratos” que estariam sofrendo por parte de funcionários da Prefeitura. Segundo o principal reclamo, os servidores do Executivo não os estariam tratando como “autoridades” que são e desrespeitando o papel de fiscalizadores que deveriam exercer pela cidade, inclusive dentro dos próprios órgãos públicos. TRATADOS COM INDIFERENÇA A principal reclamante foi a vereadora Néia Costa (PSB), que teria dito algo assim: “Eu não sei qual foi o mito que espalharam nos departamentos da Prefeitura de que vereador não é autoridade e não deve ser tratado com o devido respeito. Nós fomos eleitos para fiscalizar o Executivo e, quando chegamos a algum órgão público, somos tratados com indiferença. Se isso acontece conosco, imagina o que não fazem com nosso munícipe”, argumentou a vereadora. PÉTALAS DE FLORES Está certa, certa, certa! Mas não podemos nos e s q u e c e r, t a m b é m , q u e muitos vereadores, principalmente os novatos como
Néia
a própria Néia, às vezes abusam da autoridade, exagerando no ingresso a certos departamentos ou acreditando que um tapete vermelho e pétalas de flores devam ser estendidos para “suas Excelências” se sentirem melhor.
Ribamar
Lins
Tinha
Alex
O PALCO E, para comprovar tal afirmação, basta saber que o início de toda a polêmica levantada pela vereadora carapicuibana se deu quando ela foi impedida de ingressar no palco onde haveria um show artístico, no final de semana passado, para comemorar o aniversário da cidade. Pelo que consta, com várias ações espalhadas para a comemoração, justamente ali, no palco do show, havia a determinação dos organizadores para que não se permitisse a entrada de muita gente – inclusive vereadores – sob o argumento da segurança a todos os demais. NÃO VAI CANTAR? Néia teria sido impedida de entrar no palco – por certo não iria cantar, nem se apresentar artisticamente para nada – e, por isso, rodou a baiana pra cima dos funcionários que ali estavam cumprindo ordens. Está vendo? Não dá para fornecer uma carteirinha de vereador por aí, pois muitos deles acham que já podem sair dando “carteiradas” em todo o mundo. Ademais, qual seria o papel “fiscalizador” da vereadora naquele local? PERTINHO DOS ARTISTAS No final das contas, para se evitar maiores constrangimentos, tanto a vereadora como outros de seus colegas da Câmara Municipal tiveram permissão para chegar pertinho dos artistas e ali permaneceram. Quer dizer: todo o mundo irritado, ofendido, xingado e constrangido...quando bastava apenas um pouquinho de coerência... LÍDER, PARA LIDERAR Todo o mundo sabe que o papel de um vereador que é escolhido como líder do prefeito ou líder do governo na Câmara Municipal, será sempre o de defender o
chefe do Executivo. Afinal de contas, se não é para defender aquele que o indicou e o escolheu, por quê, então, ter sido escolhido, né? Assim acontece nos âmbitos nacional e estadual também, com os líderes do governo na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas. ‘PIT BULL’ À SOLTA Mas quem vem se destacando nesse papel, aqui pela região, é o vereador osasquense Ribamar (PRP). Líder do prefeito Rogério Lins (PTN) na Câmara de Osasco, Ribamar já é visto por alguns como um “pit bull” forte e valente na hora de defender seu líder político. Para tanto, é só algum outro vereador ameaçar uma crítica qualquer ao governo de Rogério Lins, que o “pit bull” Ribamar corre à tribuna e dispara sua metralhadora para todos os lados. Grandão em sua dimensão física e bom o rador, Ribamar, por certo, assusta a muita gente. SEM INSINUAÇÕES Nesta semana – assim como nas demais – Ribamar nem deixou o colega Tinha Di Ferreira (PTB) insinuar que faltam creches para atender as crianças osasquenses. Tinha pegava carona na discussão iniciada por Alex da Academia (PDT), que até elogiava a administração de Rogério Lins por implantar convênios para a abertura de novas vagas em creches pela cidade. A MORDIDA Quer dizer, pode até ser que Tinha também fosse elogiar a iniciativa do prefeito, mas Ribamar não deu sopa para o azar: foi logo lembrando que Tinha fez parte do antigo governo (do ex-prefeito Lapas) e que, se alguma imperfeição existe sobre o tema, que ele também colaborou com isso no passado. Com medo da mordida do “pit bull”, o assunto se encerrou por aí mesmo...
PONTO DE VISTA
Um lugar para ser feliz Gabriel Bocorny Guidotti O lugar que faz você feliz é onde seu coração está. Seu coração está aonde? No Brasil? Em Portugal? Pode estar em muitos lugares ao mesmo tempo. É muito comum confundirmos amor com desejo. Note que, para inúmeras pessoas, a única forma de se realizar é fugir do local onde
E X P E D I E N T E
se vive. Por quê? O que há de tão ruim lá? O desejo nos move. O amor... bem, o amor define onde devemos viver. Felicidade constitui o objetivo de cada ser humano. Cada um busca a sua dentro de critérios da própria personalidade. Há festeiros de plantão que não vivem sem uma noitada boêmia. Há outros que preferem o conforto
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do lar. O local onde você está afere demais à arte de ser feliz. Mas não deveria. São apenas lugares no tempo e no espaço. Estão aqui hoje, estarão aqui daqui a milhares de anos. Mas se o local não é importante, porque as pessoas estão sempre migrando? Acreditam, piamente, que há terras mais prósperas. Normalmente, questões ambientais insurgem diretamente. Qualidade de vida é a principal delas. Viver num espaço no qual a liberdade é plena ou em outro onde os indivíduos são acanhados por altos impostos, colapsos ambientais e medo constante? O lugar não define a felicidade, pois ele pode estar indisponível. Você define a felicidade. Talvez apostar menos nas constantes e mais nas variáveis seja um caminho pacífico para ser feliz.
Note que as pessoas não são perenes. Elas estão aqui com prazo determinado. E são elas que podem contribuir com conselhos, ensinamentos e apoio. O lugar não faz isso por você. Ele lhe vê crescer e morrer. Faz isso com milhões de outros indivíduos igualmente. Desvincule a felicidade do lugar onde você está. Viva o agora, o momento, e de preferência junto aos indivíduos que ama. Esteja ciente de que sua vida é única. Um local não pode se tornar protagonista de viver. Viver faz o protagonismo. Nada do que se vive é banal, tudo vira memória no tempo. Assim se consolidam as gerações. A bem da verdade, só existe um lugar para a humanidade: o lugar onde estamos. Mais nenhum. Gabriel Bocorny Guidotti é jornalista e escritor
Hoje, no Brasil, podemos afirmar que os partidos e políticos eleitos não mais nos representam, respeitadas as poucas exceções, tal é o enorme envolvimento deles com a corrupção. A lista de Janot dá o tom da péssima qualidade de nossos políticos, envolvidos na Lava-Jato, onde desfilam, por exemplo, os anteriores e atuais presidentes da Câmara e do Senado. A verdade é que a política nacional está contaminada. Poucos escapam. Fechar o Congresso é o mínimo que deveria ser feito. E depois marcar novas eleições sem a presença de nenhum atual ou ex-político. Agora, como sói acontecer e sem nenhum escrúpulo, a solércia de agir escancara a destreza de nossos políticos em encontrar o jeitinho encardido de perpetuar no poder as velhas raposas políticas. Pois bem, com a proibição do financiamento das campanhas eleitorais por empresas e o risco de ficarem inelegíveis com a descoberta de crimes, deputados, senadores e políticos do Executivo tentam criar um novo sistema eleitoral, para escapar da rejeição do eleitor e garantir reeleição na campanha do próximo ano. Trata-se da eleição dos congressistas em lista fechada, cujo artifício está sendo plasmado em reforma política sem o beneplácito da sociedade. Lista fechada é um golpe na democracia. Uma punhalada no eleitor. O povo tem o direito de conhecer em quem vai votar. Votar no escuro é uma safadeza e uma enorme desconsideração com o agente principal da democracia: o eleitor, o povo. Quem se dá bem no escuro é vaga-lume, e o eleitor não é vaga-lume. O atual sistema político brasileiro está falido. Não temos partidos políticos, mas sim um cipoal de siglas partidárias sem identificação ideológica de seus membros. A democracia pode perfeitamente funcionar sem partido político, por exemplo, através da candidatura avulsa sem vinculação partidária – aqui com as despesas de campanha bancadas conjuntamente pelo candidato e por um fundo a ser criado em substituição ao Fundo Partidário
-, ou com o sistema misto: candidatura avulsa e partido político, mas sem lista fechada, a qual só dá sobrevida aos caciques de nossa política, que encabeçarão a lista preordenada por cada partido, mantendo o decrépito sistema proporcional. Por outro lado, a instituição do voto distrital puro é a medida certa para resgatar a credibilidade de nossa política representativa. É o sistema de disputa localizada, que reduz o custo das campanhas, fortalece os partidos e aproxima o eleitor dos candidatos. Por que o medo de enfraquecimento dos partidos com o voto distrital puro, se hoje os nossos partidos já estão desmoralizados e enfraquecidos? Por fim, a reforma política deveria contemplar, além do voto distrital puro e a candidatura avulsa, (1) a extinção do voto obrigatório, da reeleição geral e do foro privilegiado, (2) a proibição de interrupção de mandato para exercer cargos nos governos; (3) o retorno do mandato geral de quatro anos, bem como das eleições na mesma data para todos os pleitos; (4) a renúncia de mandato para candidatura a outros pleitos; (5) o término do voto secreto no Parlamento, da figura do suplente de senador, assim como acabar com as indicações políticas para cargos nos governos, pois o serviço público tem que ser apolítico e preenchido por meritocracia; (6) o impedimento da participação em pleito político de qualquer integrante concursado dos Três Poderes, pertencente à administração direta ou indireta, por exemplo: funcionários do BB, Caixa Econômica Federal, Petrobras, Receita Federal..., bem como professores concursados da rede pública e militares em atividade; (7) o corte das verbas de gabinete: os funcionários de gabinetes e assessores de políticos deveriam ser servidores concursados dos quadros do Legislativo; (8) que o reajuste salarial nos Três Poderes passasse a obedecer, por exemplo, ao índice anual do IGPM acumulado no período. Júlio César Cardoso é bacharel em Direito e servidor federal aposentado
Mulheres, ao esporte Pedro Cardoso Não é nenhuma novidade para ninguém que o brasileiro não tem o hábito de praticar esporte. Isso é atestado pelos resultados em competições internacionais. Dentre aqueles que praticam com regularidade razoável, numa comparação a olho nu entre homens e mulheres, talvez a diferença ultrapasse os 80% a favor dos homens. Essa desproporção já vem de muito tempo, talvez da formação humana na Terra. E, percebendo que esse percentual ainda é maior nas denominadas classes sociais mais humildes, tomei a iniciativa de colocar em prática uma tentativa de mudança. Comprei redes e bolas de vôlei e as levei a pequenos vilarejos em minha cidade Natal, Nova Soure/BA. Já no local, com uma cal, demarcávamos uma quadra, fincávamos dois mastros (caibros) e começávamos a jogar vôlei de imediato. Somente com mulheres. Era exatamente o vôlei, por entender que seria o mais conhecido e com mais facilidade para a prática dos fundamentos e para assimilação de regras, sem os detalhes. Para iniciação, começava sempre em duplas trocando passes entre elas. Depois, já jogando para valer o saque era por baixo da bola. Foi e é um método eficaz. Depois do pontapé inicial, com a ressalva de que seria para o controle ser delas, íamos para outra empreitada; outro lugar. Ali a semente estava plantada. Ficava a bola e a rede, com o aviso de que voltaríamos logo. Em alguns lugares, a gente voltava, os homens estavam jogando e as mulheres assistindo ao lado. É cultural. É difícil de mudar. Mas é preciso. E como mudar? Eis a pergunta que dei à minha resposta pessoal na prática, como narrada acima. Mas não tenho a resposta coletiva. Fiz uma série de suges-
tões às autoridades num outro texto. Certo é que não existem iniciativas e ações coordenadas para fazer essa mudança e trazer às mulheres o hábito de praticarem esporte, especialmente nas camadas mais pobres. Como todo domínio da cultura, elas aceitam e sequer têm um pensamento voltado para quebrar esse tabu. E não se está falando de estruturas organizadas de clubes. A ideia seria semelhante às condições básicas dos homens simples que lotam os campos de várzea nas grandes cidades ou nos campos de futebol do interior, que se resumem a um terreno limpo, duro como uma pedra, duas traves e várias histórias, torneios, festivais, com premiação que variam de troféus, dinheiro e bois. Talvez o empresariado, grande, pequeno; comerciantes das pequenas cidades, todos, pudessem aderir com mais incentivos individuais a seus funcionários e com algumas iniciativas específicas nas empresas para integração feminina. Fora essas pequenas sugestões, a menção à minha iniciativa é para reforçar que é possível fazer alguma coisa, e para dar uma satisfação a algumas pessoas que indagam se faço algo ou se apenas critico. Talvez seja outra distorção, dentre tantas disseminadas no Brasil, para calar ainda mais esse povo, que aceita tudo sentado e se acha politizado por reclamar e participar de correntes no Facebook ou nos grupos de contato. Trata-se de um alerta. Não quero convencer a ninguém. Sigo o escritor José Saramago: “Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro”. Será? Nesse caso, bem que eu gostaria. Pedro Cardoso da Costa é bacharel em direito