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Dia da

MARCOS NAGELSTEIN/JC

Caderno Especial do Jornal do Comércio Porto Alegre, sexta-feira, 23 de maio de 2014

Em busca da recuperação


Caderno Especial do Jornal do Comércio Porto Alegre, sexta-feira, 23 de maio de 2014

conjuntura 3 cenário 4 entrevista Governador Tarso Genro 6

indústria

automotivo 8 entrevista Heitor José Müller (Fiergs) 9 máquinas agrícolas 10 coureiro calçadista 11 siderurgia 12 móveis 14 petroquímica 16 borracha 18 celulose 20 alimentação 21 metalmecânico 22

agronegócio

cenário 24 soja 26 milho 28 trigo 30 tabaco 30 entrevista Carlos Sperotto (Farsul) 31 bovinos 32 aves e suínos 32 arroz 34 leite 34

comércio e serviços

cenário 36 entrevista Ricardo Russowski (Federasul) 37 qualificação 38 crédito 39 comércio 40 supermercados 40 entrevista Zildo de Marchi (Fecomércio) 42

infraestrutura

cenário 44 entrevista Ricardo Sessegolo (Sinduscon)46 energia 46 construção civil 47 materiais de construção 48 transportes 50

tecnologia

cenário 52 eletroeletrônicos 52 entrevista Marcelo Lubaszewski (Ceitec) 54 telecomunicações 54 destaques JC 56 Editor-Chefe: Pedro Maciel • Editora de Cadernos Especiais: Ana Fritsch • Subeditoras: Cíntia Jardim e Sandra Chelmicki • Reportagem: Angela Caporal e Poá Comunicação • Projeto Gráfico: Ingrid Müller • Diagramação: Ingrid Müller e Melina Gasperini • Editor de Fotografia: João Mattos • Revisão: André Fuzer, Daniela Florão, Luana Lima e Thiago Nestor

editorial

índice

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Pessimismo demais distorce e mascara a realidade do País Pedro Maciel editor-chefe

O Brasil vive um turbilhão de contradições. Em meio a um mundo que tenta se reinventar e sair da longa crise iniciada em 2008, cujo símbolo foi a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, convivemos com pleno emprego, com uma melhor distribuição de renda e temos perspectivas reais de crescer pelo menos 2% neste ano, o que acontecerá com poucos países no mundo — a economia norte-americana, segundo o FMI, deve avançar 2,8% este ano, um ponto acima do 1,8% de 2013, a União Europeia talvez não chegue a crescer 1%. Temos a garantia de sólidas reservas cambiais e parece certo que poderemos resistir a novas ondas, que acaso sejam provocadas pela redução gradativa dos benefícios nos Estados Unidos com a mudança da política monetária. Por que, então, essas demonstrações públicas de pessimismo, com alguns economistas prevendo a chamada tempestade perfeita — aquela em que tudo que pode dar errado acaba dando errado? A política econômica do governo suscita muitas dúvidas, é certo. A inflação beira o teto da meta, a dívida pública preocupa, a carência de mão de obra qualificada, a baixa competitividade e as carências de infraestrutura se tornaram problemas recorrentes. Tudo isso piora a percepção de brasileiros e estrangeiros sobre o futuro da economia. Estamos em um ano eleitoral, quando se reforça a tendência de afrouxamento fiscal e de gastos exagerados, e até mesmo a Copa do Mundo de Futebol que, em tese, deveria ser uma grande festa no Brasil, país reconhecidamente apaixonado pelo futebol, se transformou em fonte de problemas e de preocupações as mais variadas. Mas e antes, quando o Brasil era bem avaliado e até apontado como um exemplo para o mundo, esses problemas não existiam? Todos parecem agir como se, de repente, o País tivesse naufragado ou perdido o rumo. Não podemos esconder os problemas reais que todos enfrentam no País e no Estado, mas que definitivamente o pessimismo parece maior do que deveria, parece. Muito dessa percepção negativa é importada. Aos olhos do mundo o cisne virou patinho feio. O FMI declarou recentemente, em Nova Iorque, que os investidores globais estão um pouco preocupados com o que está acontecendo

com a economia do Brasil. E ressaltou que, quando o Federal Reserve começou a sinalizar com a mudança da política monetária dos Estados Unidos, esses investidores “pensaram duas vezes” antes de aplicar no Brasil, em meio à deterioração de alguns indicadores, sobretudo inflação, contas externas e contas fiscais. De acordo com a avaliação do FMI, os países emergentes vão crescer menos neste ano e terão de se adaptar a um novo ambiente global mais hostil, marcado por juros mais altos e por maior aversão ao risco. Este novo cenário certamente traz riscos, mas traz, também, oportunidades: o maior crescimento dos mercados desenvolvidos significa aumento da demanda por importações de commodities e de produtos manufaturados. O Rio Grande do Sul, de certa forma, se diferencia neste cenário de pessimismo exacerbado. Pelo segundo ano consecutivo, o Estado vai colher uma safra de grãos recorde. As 30,7 milhões de toneladas que sairão dos campos neste ano vão provocar um impacto de pelo menos R$ 24 bilhões na economia gaúcha. Assim, temos quase a garantia de que o crescimento do PIB estadual vai superar o índice de crescimento do País. O Estado também deve se beneficiar de avanços na política de exportação brasileira, que se encaminha, embora por caminhos tortuosos, para um acordo comercial mais adequado com a Argentina. O Mercosul também avança na possibilidade de um tratado de liberalização do comércio com a União Europeia. São perspectivas promissoras para o Rio Grande do Sul, um estado reconhecidamente eficiente no comércio internacional, onde consegue colocar uma gama de produtos, primários e manufaturados. Concluindo-se estes acordos, certamente o Estado será capaz de inverter a curva da atividade industrial que tem oscilado muito e que fechou o primeiro trimestre deste ano com uma taxa negativa de 0,4%. Em nível nacional, repetiu-se o mau desempenho. O faturamento da indústria brasileira, segundo a Confederação Nacional da Indústria, teve uma queda de 6,3% em março, o pior resultado mensal desde novembro de 2008. São resultados aquém do que o País e o Estado necessitam para acelerar o desenvolvimento, mas não são muito diferentes do que ocorre ao redor do mundo, onde até a outrora invencível China amarga uma significativa queda no nível de crescimento. São fatos que aumentam a certeza de que o pessimismo brasileiro passou do razoável.


conjuntura

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Números apontam crescimento em ritmo moderado Conforme a Pesquisa da Produção Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no mês de março, o setor industrial nacional acumulou variação positiva de 0,4% nos três primeiros meses do ano, mesmo com a queda de 0,5% registrada em março sob o mês anterior. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos 12 meses, ao avançar 2,1% em março de 2014, repetiu a marca registrada em fevereiro último, mas ficou ligeiramente abaixo do verificado em dezembro de 2013 (2,3%). A indústria de transformação brasileira encerrou o ano passado com leve alta no seu nível de produção de 1,3%, mesmo índice de 2008, ano em que a crise norte-americana passou a ter repercussão internacional. Isso corresponde a uma taxa média anual de crescimento de apenas 0,3% nos últimos cinco anos. De lá para cá, a economia como um todo não se recuperou mais. Além disso, este ano é pontuado por dois eventos de grande mobilização no Brasil, a Copa do Mundo 2014 e as eleições presidenciais. O mundial, ao contrário das perspectivas, não trouxe o impacto esperado. Carlos Loureiro, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos (Sindisider), afirma que eram aguardados investimentos governamentais mais contundentes em infraestrutura, que trariam benefícios diretos ao setor. Há, também, em toda a indústria, o temor da redução de produtividade durante o campeonato, período em que estão sendo programadas pela maior parte das empresas paradas ou escalas para que os colaboradores possam acompanhar as partidas. Já a proximidade do pleito sinaliza uma estagnação no cenário macroeconômico brasileiro até o resultado das urnas. “Os impactos já se fazem presentes, em especial no mercado financeiro, com aumento da volatili-

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dade nos ativos. E isso acabou por trazer muita incerteza sobre o ambiente político para 2015, reduzindo o ímpeto de investimento no País”, avalia o diretor do Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha no Estado do Rio Grande do Sul (Sinborsul), Gilberto Brocco. Em âmbito regional, o panorama não é diferente. A indústria e o PIB gaúcho tiveram um crescimento de 6,8% e 5,8%, respectivamente, no ano de 2013. E, apesar de terem superado o crescimento nacional de 2,3% da indústria e a alta de 1,3% do PIB, os índices aparentemente positivos não podem ser observados isoladamente. Se a análise for alongada em uma retrospectiva de 10 anos, com médias contrabalanceadas, demonstra que, de 2002 a 2011, a média de crescimento da economia regional foi de 2,9% e, de 2012 a 2013, a média foi de 2,1%. A participação do Rio Grande do Sul nas finanças nacionais também encolheu: com total de R$ 310,5 bilhões, o PIB da economia gaúcha representou, no ano passado, 6,4% da economia nacional, enquanto, em 2002, a fatia era de 7,1%. Segundo a Unidade de Estudos Econômicos (UEE) da Fiergs, a economia gaúcha vem crescendo sempre menos que a brasileira. Para 2014, a Unidade projeta um crescimento de 2,1 a 2,2% na economia no Rio Grande do Sul. Os desdobramentos para um melhor desempenho pouco evoluem, uma vez que 2014 é um período de transição. “Temos várias questões para serem avaliadas, tanto da economia gaúcha, quanto da brasileira”, declara Heitor Müller ao enumerar os desafios e gargalos da indústria. Dentre eles, questões de cunho estrutural, como o esgotamento da infraestrutura, a complexidade e peso da legislação tributária, impostos, inflação e baixa qualificação de mão de obra, que, provavelmente, só serão retomadas no ano que vem.

Indicadores Conjunturais da Indústria Produção Industrial Regional

Taxa de variação (%)

Locais

Fev 2014/Jan 2014*

Acumulado Jan-Fev 2014/2013

Acumulado em 12 meses (Março/2013 a Fev/2014)

Amazonas

4,7

6,0

2,0

Pará

0,0

2,7

-4,4

Ceará

-1,6

0,8

2,6

Pernambuco

-3,9

8,3

2,6

Bahia

-1,2

-0,1

3,3

Minas Gerais

-1,6

2,5

-1,0

Espírito Santo

-4,3

-2,2

-5,3

Rio de Janeiro

1,0

-2,2

-0,9

São Paulo

0,7

-2,4

-0,1

Paraná

18,4

2,3

6,9

Santa Caratina

0,5

1,1

1,6

Rio Grande do Sul

0,5

2,0

7,0

Goiás

0,8

-0,8

4,5

Brasil

0,4

1,3

1,1

*Dados dessazonalizados

FONTE: IBGE/ PIM-PF

Indicadores industriais do Rio Grande do Sul

Var %

Indicador

Fev 2014/Jan 2014*

Acumulado Jan-Fev 2014/2013

Acumulado em 12 meses (Março/2013 a Fev/2014)

Emprego

0,0

1,5

1,1

Horas trabalhadas

0,9

2,0

2,6

Utilização da Capacidade Instalada

1,9

-0,3

0,6

Faturamento real

4,5

3,8

8,6

Massa real de salários

2,3

4,5

3,3

Compras

-8,0

-0,3

9,0

Índice de Desempenho Industrial

1,1

1,5

4,4

*Dados dessazonalizados

FONTE: FIERGS/UEE

Agricultura em destaque Em meio a tudo, a agricultura segue sendo o setor de maior representatividade. Em âmbito nacional, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier, são esperadas 190 milhões de toneladas. “Se forem mantidos os preços das commodities, certamente isso vai contribuir para que os agricultores continuem ampliando ou renovando sua frota de máquinas, o que certamente dará forte impacto na produção nacional”, avalia. O Rio Grande do Sul também espera safra recorde, com 30 milhões de toneladas, o que faz com que o movimento econômico se equilibre.

Outro destaque são as empresas voltadas para o setor tecnológico e eletroeletrônico, que estão comemorando um ciclo positivo. Elas vêm sendo extremamente incentivadas pelo Governo Federal, pela carência no País e por tratar-se de uma área de alta complexidade, que requer muita expertise e tempo de implantação. A HT Micron, que produz e empacota chips, é oriunda de um projeto de quatro anos. “Antes dela se transformar em uma empresa, nós trabalhamos muito no projeto. Foram dois anos e meio de planejamento e construção até a entrada no mercado”, conta o fundador da binacional (Brasil/Coréia do Sul) HT Micron, Ricardo Felizzola.


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Expansão do setor segue em desaceleração Apesar do crescimento de 6,8% no ano passado, a expansão da indústria gaúcha ainda segue em cíclica e lenta recuperação. A queda de 2012, somada aos bons resultados de 2013, representa um aumento de apenas 0,7%. E os ganhos de produtividade esbarram em questões estruturais como esgotamento da infraestrutura, complexidade e peso da legislação tributária, altos custos de produção, política de valorização do piso regional e baixa qualificação da mão de obra. Os índices de produção industrial divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em fevereiro/2014 mostram que o Rio Grande do Sul é o estado que apresenta a maior taxa de crescimento no acumulado dos últimos doze meses, com 7,0%. No entanto, o ritmo de expansão segue em desaceleração, uma vez que, no acumulado do ano (janeiro e fevereiro de 2014), o crescimento foi de 2%, índice igual ao de dezembro de 2007. Para o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor Müller, a indústria regional está andando de lado há seis anos, e o mesmo está acontecendo neste início de 2014. Para o economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) Cesar Stalbaum Conceição, o Estado tem enfrentado alguns problemas clássicos de economias maduras e consolidadas. A busca por novas vocações econômicas, capazes de provocar uma

Estado apresenta a maior taxa de crescimento no acumulado dos últimos 12 meses

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cenário

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Dia da

mudança estrutural da indústria em direção a novos setores e estabelecer o desenvolvimento de novos sistemas tecnológicos, seria uma alternativa. Contudo, o especialista destaca que tal guinada só é possível com a retomada do investimento privado em inovação e com o papel ativo do Estado na geração de investimentos em infraestrutura, na educação e em centros de ciência e tecnologia capazes de oferecer às empresas condições e suporte para o

avanço em uma nova trajetória. O comportamento do setor, no acumulado dos dois primeiros meses de 2014, tem destaque positivo para os setores de alimentos (6,5%), químicos e refino de petróleo (5,3%) e máquinas e equipamentos (2%). Em contrapartida, setores como veículos automotores (-2,2%), móveis (-1,9%) e metalurgia (-15,3%) recuaram. No acumulado de 2014 (janeiro e fevereiro), a variável emprego e horas

trabalhadas aponta um crescimento de 2,8% nas horas e 1,6% no emprego. Já no indicador de massa de salário, a expansão foi mais significativa, com 5,4%. No mesmo período, a economia gaúcha gerou 36,4 mil postos de trabalho formal, ou seja, 6,2% menos do que o observado em 2013. Na indústria, em especial, foram gerados 16,6 mil novos empregos formais, representando uma queda de 19% em relação ao ano anterior.

Investimentos mais voltados para o mercado interno Os resultados para o comércio exterior mostram que as exportações reagiram pouco no primeiro bimestre. No entanto, segundo o economista da FEE, Rodrigo Feix, a desvalorização da taxa de câmbio impacta favoravelmente na competitividade de indústrias tradicionais gaúchas, como calçados, móveis e alimentos. “O efeito não se restringe a melhor possibilidade de inserção externa. Também torna mais caro o produto vindo do exterior, aumentando a competitividade do produto nacional no mercado doméstico”, destaca. Para a Unidade de Estudos Econômicos (UEE) da Fiergs, a desvalorização média de 18,5% ainda não proporciona maior competitividade no exterior. Assim, os investimentos estão cada vez mais voltados ao mercado interno. No acumulado dos três primeiros meses do ano, as exportações do Estado somaram US$ 3,25 bilhões, queda de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. A indústria, por sua vez, registrou retração de 0,9%, totalizando US$ 2,88

bilhões. Os setores com maior retração no primeiro trimestre foram: tabaco (22,2%), em função do clima; veículos automotores, reboques e carrocerias (21,3%), com a redução dos embarques para a Argentina; e produtos de metal (20,3%), pela menor demanda de armas de fogo pelos Estados Unidos. Os setores com expansão nas exportações foram: coque e derivados de petróleo (29,4%), devido ao aumento das vendas para o Paraguai; couro e calçados (7,1%); e máquinas e equipamentos (6,8%). O coeficiente de penetração das importações de mercadorias industriais mostra que, de todos os produtos do setor consumidos pelo Rio Grande do Sul em 2013, 16,4% veio do exterior. Consequentemente, 73,6% do mercado interno gaúcho é abastecido com produtos nacionais, participação que vem diminuindo ao longo dos anos em função da perda de competitividade. “Quando compramos matéria-prima e transformamos em produto, agregamos mão de obra. Quando vendemos, temos que pagar sobre o va-

lor total. Ou seja, temos que pagar tudo o que está embutido no final. Então, nosso produto precisa chegar mais caro do que o produto importado”, avalia o presidente da Fiergs, Heitor Müller. Com o cenário macroeconômico e o ambiente de negócios pouco incenti-

vador, o Índice de Confiança do Empresário Industrial no Rio Grande do Sul segue em curva descendente, atingindo 49,1 pontos em abril — um total de 2,8 pontos a menos que o mês de março, em que 23,5% das empresas tinham estoques acima do planejado.

Exportação e Importação no RS

(valores em US$ milhões)

Jan-Mar/2013

Jan-Mar/2014

Variação

Exportações

3,53

3,25

-8,0

Importações

3,64

3,4

-6,7

Principais Destaques das Exportações Jan-Mar/2013

Jan-Mar/2014

Variação

Coque e derivados do petróleo

119

154

29,4

Couro e calçados

241

258

7,1

Máquinas e equipamentos

236

252

6,8

Tabaco

288

224

-22,2

Veículos automotores

230

181

-21,3

Produtos de metal

123

98

-20,3 FONTE: MDIC/SECEX


Caderno Especial do Jornal do ComĂŠrcio

Porto Alegre, sexta-feira, 23 de maio de 2014

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Estado precisa crescer 4% ao ano para se reestruturar, diz Tarso Guilherme Kolling, Paula Coutinho e Marcelo Beledeli

O governador Tarso Genro (PT) sustenta que o Estado precisa manter uma boa média de crescimento nos próximos anos para reestruturar suas finanças, e renegociar seus débitos com a União. “O que necessitamos para fazer esse período de transição, e equacionar essa questão da dívida até 2027, é termos uma média de crescimento nos próximos oito anos de 4% no mínimo. Mas queremos, efetivamente, mais do que isso.” Para que a economia gaúcha mantenha esse nível de expansão, Tarso aposta em três medidas do Estado: incentivos fiscais para atrair investimentos nacionais e internacionais que comprem insumos da indústria local; financiamento de bancos públicos para novos investimentos da base produtiva tradicional do Rio Grande do Sul; e programas estatais para impulsionar novos setores da indústria. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o governador ainda fala da sua expectativa de atrair novos aportes de capital chinês para o Rio Grande do Sul e dos desafios do governo na área de infraestrutura. Jornal do Comércio – A renegociação da dívida do Estado com a União sai somente depois das eleições? Tarso Genro – A dívida está renegociada e o conteúdo é esse projeto (de lei complementar que altera o indexador). A votação, negociei com representantes do governo federal, foi um embate duro, uma parte da área econômica estava contra a aprovação desse projeto. Não seria estranho, nem problemático, que fosse votado depois das eleições. Estamos preparando os projetos de financiamento e, no momento que for votado, vamos apresentá-los à União, seus organismos, e às agências internacionais, porque a reestruturação da dívida tem efeito no ano que vem. Esse ano, temos nossas contas fechadas: pagaremos os salários, continuaremos com os investimentos, cumpriremos a maior parte das determinações da Consulta Popular e manteremos os 12% da saúde, porque pegamos aqueles recursos dos depósitos judiciais, que estavam sendo usados pelos bancos, como era do seu direito, e que agora passaram a ser usados pelo Estado, o que nos parece totalmente justo. Então, essa renegociação da dívida projeta uma política de transição de oito anos. JC – O senhor mencionou, no ano passado, a intenção de contrair mais um empréstimo de R$ 1 bilhão do Banco do Brasil para investimentos em estradas. O Estado desistiu por enquanto? Tarso – Não, colocaremos isso no pacote da nova abertura do espaço fiscal. Estamos tratando disso tecnicamente

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entrevista

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no governo e temos um grupo montado internamente que trabalha nos conceitos e nos projetos, porque, para o ano que vem, nossa política de transição não será somente a de fazer novos financiamentos. Temos a intenção de verificar quais canalizações que precisamos fechar para reduzir, naquilo que for possível, os gastos de funcionamento da máquina do governo. JC – Um problema é conseguir os recursos, outro é investir. Dos R$ 3,3 bilhões de empréstimos obtidos pelo governo para investimento, uma boa parte não foi usada. Como destravar a máquina e usar esse dinheiro? Tarso – Temos ainda esses recursos que obtivemos de financiamentos anteriores, um espaço de gastos para fazer no primeiro e no segundo ano de governo. Então, quando falamos em novos investimentos, falamos para 2016, 2017 e 2018. Para o ano que vem, temos um saldo significativo de investimentos que não conseguimos fazer no nosso governo, em função do emperramento técnico e institucional da máquina e dos graves problemas que encontramos nos contratos de governos anteriores. JC – No final do ano passado, o senhor falou em um PIB de 5% para 2014. Mantém essa previsão? Tarso – Queremos manter esse PIB em 2014 e, se possível, aumentar o PIB no ano que vem. Isso é a otimização do desenvolvimento do Estado. O que necessitamos para fazer esse período de transição, e equacionar essa questão da dívida até 2027, é uma média de crescimento nos próximos oito anos de 4% no mínimo.

JC – Quais os setores da indústria gaúcha estão mais desenvolvidos? O senhor poderia destacar três? Tarso – O de metalmecânica, a indústria de construções e a indústria moveleira. São três setores da indústria que estão em um bom nível de desenvolvimento. Sem desprezar o setor agroalimentar, que teve um impulso positivo no Estado, até em função do aumento da renda da população nos últimos anos. JC – Isso relacionado a investimentos atraídos nos últimos anos ou à matriz tradicional da indústria gaúcha? Tarso – Temos três vertentes que estão impulsionando a indústria gaúcha. A primeira é a atração de empresas de fora do Estado e de fora do País, que tem cláusula de compromisso, em função dos incentivos fiscais, de realizar suas compras na base produtiva e comercial local. A segunda vertente é a nova capacidade de financiamento do Badesul, BRDE e Banrisul, dando apoio à ampliação de empresas locais, algumas estão duplicando suas plantas, outras aumentando a sua produção, o que reflete no desenvolvimento da base produtiva histórica. A terceira, programas do governo que estimulam setores que praticamente não existiam no Rio Grande do Sul, como os impulsos de oferecimento de insumos para agricultura familiar e para irrigação, que está proporcionando a vinda de empresas em busca de novos nichos de financiamento que o Estado está proporcionado, como na indústria de pivôs. Então, são várias vertentes que estão colaborando para um bom nível de desenvolvimento da indústria lo-

cal. Não quer dizer que não existam problemas, mas o crescimento de 6,8% que teve a indústria do Rio Grande do Sul, de 2012 para 2013, é muito significativo. JC – Qual o montante de investimentos atraídos para o Estado nos últimos anos? Tarso – Temos em carteira em torno de R$ 45 bilhões. Alguns já foram feitos, outros estão sendo negociados e outros estão ainda sendo apreciados, estudados. Então, nossa expectativa é de que esse ciclo de quatro anos do nosso governo realize no mínimo 70% desses investimentos, que estão nesse estágio de negociação, de implantação. JC – E há perspectiva de o governo trazer para o Estado, nos próximos anos, algum investimento significativo ou algum setor específico? Tarso – Temos um processo, que a gente não sabe ainda os efeitos que terá, sobre a atividade produtiva e industrial do Estado, que é a política de associação com a China, particularmente com a indústria chinesa. Localizamos, após pesquisa feita pelo governo, que a China estava mudando sua relação internacional de exportadora de manufaturas de baixa qualidade para um processo de exportação de capitais e associação, com empresas de diversos países. Quando fizemos esse movimento em direção à China, foi de consolidação da relação comercial que estabelecemos como vendedores para eles e, fundamentalmente, a busca dessa associação. Então, talvez essa pergunta possa ser respondida ao final de maio, início de junho, após termos aqui


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mais de 100 quadros da indústria e do Estado chinês, das agências financeiras que darão sedimento para esta futura articulação. Mas os prognósticos são bons, porque o Rio Grande do Sul não era conhecido na Coreia do Sul, na China, era pouco conhecido na Europa, porque não tinha uma política externa agressiva de atração de investimentos e de relacionamento comercial que privilegiasse a nossa base produtiva exportadora. JC – Investimentos que podem abrir espaço para outros? Tarso – Seguramente, porque tanto a alocação aqui de capitais para indústria chinesa, como associação ou empresas locais, como preferimos, podem dar um novo impulso para a economia gaúcha no próximo período. JC – A queda no setor automotivo afeta a indústria gaúcha? Tarso – Aqui afetou pouco, porque nossa indústria automotiva de mais dinamismo é a de fornecimento de veículos para o Estado: ônibus escolares, vendas que são encomendadas às indústrias e vinculadas às compras estatais. Mas a questão é séria no Brasil, porque a indústria automotiva, concentrada em São Paulo, tem funcionado em cima de estímulos dados pelo Estado, renúncias fiscais e subsídios. Isso precisa ter um fim, porque quando se drena recursos para subsidiar a indústria de um estado, se deixa de ajudar outros estados e talvez outros setores mais importantes. JC – Quais são os principais entraves para o desenvolvimento atual da indústria gaúcha? Tarso – A indústria gaúcha não tem entraves significativos para se desenvolver. Temos problemas de logística e de infraestrutura semelhantes aos outros estados. Talvez o entrave fundamental possa ocorrer se mudar o modelo de

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desenvolvimento que o Brasil está experimentando hoje, que tem uma grande centralidade na capacidade de consumo interno, além de, evidentemente, manter o ritmo de exportações que, no Rio Grande do Sul, tem se mantido com quedas e elevações que são sazonais. JC – O senhor não considera a questão da energia um entrave? Tarso – Os entraves propriamente domésticos são a qualificação profissional – que estamos lutando para consolidar –, a capacidade de inovação e de atração de novos padrões tecnológicos, e a questão da energia, entraves que estão sendo atacados. JC – Temos restrição na ampliação da oferta de gás natural e o carvão tem dificuldade de entrar nos leilões. Em quanto tempo a energia deixará de ser uma dificuldade na expansão da indústria do Estado? Tarso – Atualmente, a energia não tem sido um problema para a expansão da indústria, tem sido um problema mais centrado, diria, na agroindústria de médio e de pequeno porte do Interior. É isso que tem sido notado, pelo menos nas demandas que recebemos, e que tem determinado essas ações do governo, não só junto às concessionárias como também da própria CEEE. Não tive notícia de que alguma indústria de médio ou de grande porte tenha deixado de escolher o Rio Grande do Sul por causa da questão energética, embora ela exista. Portanto, ela é, sim, um obstáculo a ser removido. E temos agora, no Rio Grande do Sul, a instituição do maior polo de produção de energia eólica da América Latina (parques no Chuí e Santa Vitória do Palmar). Então, a próxima tarefa é a implementação deste polo, melhorar a qualidade do fornecimento de energia e continuar com os investimentos que a CEEE está fazendo.

JC – Quanto de energia eólica o Estado pode gerar? Tarso – Hoje produzimos menos de 2%. Podemos chegar, em oito a 10 anos, a 11%, 12% de energia (eólica) produzida em função desse polo e de outros projetos que estão em andamento. Imagino que nos próximos oito anos teremos uma solução estrutural para a questão enérgica do Estado, embora, repito, nenhuma indústria tenha deixado de se instalar aqui em função de problema de fornecimento de energia. JC – A infraestrutura rodoviária é outro gargalo. Como o senhor projeta a qualificação das estradas? A Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), criada pelo governo, é criticada pela oposição, que fala em desvio dos recursos da EGR que seriam para obras e foram para o Caixa Único. Tarso – São críticas políticas, em função da mudança de modelo. Acabamos com a vertente de privatização das funções públicas do Estado, que custaram muito dinheiro à população do Rio Grande do Sul. Foram anos e anos em que se pagaram tarifas exorbitantes, que foram imediatamente rebaixadas pela EGR, inclusive com a supressão de muitos polos de pedágio do Estado, para dar um exemplo, o polo de Farroupilha. Isso suscita uma reação dos porta-vozes do sistema anterior. Mas a EGR está cumprindo muito bem suas funções, está começando a investir pesadamente, fazendo um serviço por um preço muito menor, o que desmascara esse modelo que foi apoiado por parte da mídia aqui no Estado e que tinha interesses financeiros e econômicos muito vinculados a essa parte da mídia e a esse projeto político que derrotamos. Então, essas críticas são normais. Confesso até que, pelo tombo que demos nessa privatização do

Estado, estou achando as críticas muito tímidas em relação aos interesses que contrariamos, que geraram enriquecimentos no Estado. JC – A crise política na Petrobras poderá atrasar novas encomendas nos polos navais do Rio Grande do Sul? Tarso – Essa crise é artificial. Tanto que estamos batendo recorde de produção de petróleo e gás. É uma crise política, porque as questões de malversação (de recursos) que podem ter ocorrido na Petrobras estão sendo investigadas pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público. Ocorre uma tentativa da oposição, que queria privatizar a Petrobras na época que esteve no governo, de rebaixar o valor desses ativos para prejudicar nosso projeto de desenvolvimento, porque todo mundo sabe que a Petrobras é “meio País”, é a metade do País praticamente, para fazer uma comparação talvez um pouco exagerada, mas que tem significado concreto. Então, o que a oposição está fazendo é um trabalho de desgaste da Petrobras e de ataque ao Estado brasileiro. Eles pretendem desvalorizar esses ativos para prejudicar o governo, para tentar, através desta artimanha política, chegar ao governo, e depois transformar a Petrobras em Petrobrax, como tentaram fazer em outra oportunidade. Então, isso não relata nenhum interesse pela honestidade nem pela lisura pública. Trata-se de uma diferença essencial entre dois projetos e quais as funções que o Estado exerce para direcionar o desenvolvimento e quais as funções que o mercado exerce. Como eles têm uma visão de que o mercado dita a política, estão fazendo esse ataque que, na minha opinião, está sendo corroborado fortemente por uma grande parte da mídia que apoia os candidatos de oposição.


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automotivo

Produção desacelera, mas expectativa é de crescimento Depois de bater recorde de produção em 2013 e comercializar 3,76 milhões de veículos, a indústria automotiva tem perspectivas mais modestas para este ano. Com registro de queda nos primeiros meses, o setor acredita fechar 2014 com tímido crescimento de produção de 1,4% em relação a 2013. No acumulado de janeiro a março, a produção industrial registra um recuo de 8,4%, de 862 mil unidades para 789,9 mil. Mesmo assim, é o segundo melhor trimestre da última década. O licenciamento de veículos segue a tendência e apresentou retração de 2,1% no trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, em números absolutos: uma redução de 830,5 mil unidades para 812,8 mil. O mês de pior desempenho foi março, com uma redução de 15,2%, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado, no entanto, não pegou de surpresa a Anfavea. Segundo o presidente da associação, Luiz Moan Yabiku Junior, diferen-

tes fatores afetaram o desempenho no mercado interno e também as exportações. “Já esperávamos o baixo desempenho no mês de março devido ao feriado de Carnaval, somado à alta do preço em função do aumento do IPI. Na área de caminhões, sabíamos que teríamos dificuldade, dado ao acúmulo de aprovação de crédito e financiamento pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (Bndes)”, analisa. Mas ressalta, porém, que o índice de 2,1% representa 18 mil veículos, o equivalente a 1,5 dias de produção. O presidente da Anfavea acredita que a Copa do Mundo também deve trazer reflexos ao setor. De um lado, é esperado um incremento na compra de veículos por parte das locadoras e taxistas. Porém, também pode haver redução no fluxo de consumidores nas revendas nos dias de jogo. Na avaliação de Yabiku Júnior, no entanto, o crescimento das vendas deve preponderar, “Nós esperamos que a Copa traga um resultado positivo para o setor”.

JOAO LUIZ OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO/JC

indústria

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Yabiku Junior espera melhora substancial nas exportações para o segundo semestre


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entrevista

Copa deve despertar interesse de empresários Em entrevista exclusiva para o Jornal do Comércio, o presidente da Fiergs, Heitor Müller, fala sobre os eventos do ano, os desafios da indústria gaúcha e o otimismo em relação à safra de 2014. No entanto, não esconde seu descontentamento sobre as exportações. Jornal do Comércio - Quais seriam as implicações da Copa do Mundo e das eleições para a indústria? Heitor Müller - A exposição do Rio Grande do Sul, por termos jogos da Copa, pode nos fazer ficar mais conhecidos e despertar interesse de empresários de fora. Isso sempre remete a uma melhora dos relacionamentos, inclusive comerciais, troca de conhecimentos, informações e, eventualmente, investimentos que, de outra forma, não viriam.

Portanto, em relação à Copa, existe uma vantagem que não pode ser avaliada ainda de forma objetiva. Quanto às eleições, temos várias questões que foram apresentadas ao Congresso Nacional, que não serão votadas. Estamos monitorando assuntos mais preocupantes, como o preço dos combustíveis e da energia elétrica, além da taxa Selic. É uma época de transição onde coisas que gostaríamos que acontecessem não vão acontecer. JC - Quais os principais entraves e desafios da indústria gaúcha? Müller - Temos vários pontos a serem avaliados, tanto da economia gaúcha quanto da brasileira. Nós temos uma questão tributária, que imputa às indústrias o recolhimento dos impostos, enquanto em outros países, o imposto é recolhido no comércio. Esse é um dos motivos pelo qual o nosso produto chega no mercado de 30 a 35% mais caro que

o importado. Além disso, nós temos um custo muito alto de infraestrutura. E a logística chega a ocupar até 18% do nosso preço. No Estado, ainda existe a questão do piso regional — não pelo valor, mas pelo índice aplicado. Isso faz com que as centrais sindicais e os sindicatos de trabalhadores comecem o ano com percentuais muito altos para negociação de salários. A burocracia para empreender também é um entrave para as indústrias se desenvolverem. JC - Algum setor em especial acaba puxando as médias? Müller - Temos algumas áreas que estão razoavelmente bem, como o setor do tabaco e o setor de máquinas agrícolas. E, também, lógico, o setor agrícola, que tem previsão de colher mais de 30 milhões de toneladas de grãos em 2014. Isso irriga toda a nossa economia. Quando há frustração de safra, falta dinheiro e, automaticamente, roda menos dinhei-

FREDY VIEIRA/JC

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Müller afirma que, em 2014, haverá bastante dinheiro irrigando a economia

ro no mercado. Mas, em ano de safra boa, ao que tudo indica, nós vamos ter, novamente, bastante dinheiro irrigando nossa economia. JC - Como estão as exportações? Müller - A exportação é o que faz com que as empresas fabriquem produtos melhores para atender às exigências de todas as partes do mundo. Infelizmente; as exportações do Rio Grande do Sul estão diminuindo. O mesmo acontece com o Brasil. Em 2003, ele era superavitário em US$ 9 bilhões entre importações e exportações no setor de manufatura. Em 2013, o déficit é de US$ 105 bilhões de dólares. É o ponto que mais lastimo.


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indústria

máquinas agrícolas

A queda de 21,8% no primeiro trimestre de 2014 ante o mesmo período do ano passado não assusta o setor. A explicação é simples: 2013 foi um ano de recordes, nunca se produziu e se vendeu tanto na década. A produção de 100.451 unidades foi 20% maior que em 2012. As vendas para o mercado interno e a exportação também tiveram acréscimo de 18,4% e 23,2%, respectivamente, segundo dados da Anfavea. “Tivemos o impacto de três fatores positivos: a condição climática foi boa para produção agrícola; os preços das commodities no mercado internacional se mantiveram em um patamar elevado e as condições de financiamento para máquinas agrícolas, a partir dos programas de Sustentação do Investimento (PSI) e Mais Alimentos, também contribuíram”, explica, o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Affonso Amoretti Bier. O cenário extremamente favorável teve reflexos diretos no Rio Grande do Sul, já que o Estado, sozinho, produz 65% das unidades das máquinas agrícolas do Brasil. Segundo Bier, repetir os resultados em 2014 é pouco provável em função da queda relativa dos preços das commodities agrícolas internacionais e pelo aumento da oferta de alimentos e matérias-primas agrícolas no mercado externo. No âmbito do mercado interno, no entanto, o Brasil deverá registrar uma safra recorde de grãos, embora

MASSEY FERGUSSON/DIVULGAÇÃO/JC

Otimismo mesmo com previsão de queda

Preços das commodities precisam ser mantidos para a continuidade da renovação da frota

haja questões climáticas localizadas em algumas áreas da região Sul e Mato Grosso. Para que os agricultores continuem ampliando ou renovando sua frota, a torcida é que sejam mantidos os preços das commodities. É esperada, ainda, a manutenção das condições de financiamento para o setor. Para Bier, “o aumento das taxas pode atrapalhar o setor tanto no que se refere à captação de recursos para financiar a produção

das máquinas, quanto para o financiamento dos agricultores, reduzindo assim as oportunidades de mercado”, ressalta, referindo-se às mudanças nas taxas do PSI Finame, linha de financiamento do Bndes para aquisição e produção de máquinas e equipamentos novos de fabricação nacional, que chegou a garantir juros de 2,5% ao ano em 2012 e teve seu índices reajustados – este ano, variam entre 4,5% a 6%. O câmbio positivo, que gira entre 2,2 e 2,4 dólar por real faz com

que o setor aposte na manutenção dos índices de exportação, que, em 2013, ultrapassou os U$ 3,5 bilhões. Para o diretor comercial da Massey Ferguson, Carlito Eckert, apesar da esperada redução nos números, o ano será de bons resultados para a empresa, que é a maior exportadora a partir do Brasil. “A indústria trabalha com números de 10 a 15% menores que os do ano passado, o que ainda pode ser o segundo melhor ano dos últimos 10”, diz.

Sucesso nacional com sotaque castelhano

JEFFERSON BERNARDES/DIVULGAÇÃO/JC

A PLA do Brasil finalizou o primeiro trimestre de 2014 com forte crescimento. O resultado foi bastante comemorado, já que a Argentina, onde está

PLA estima crescer até 50% em 2014

a matriz da marca, vive um momento de incertezas econômicas, gerando um atraso na decisão de compra dos produtores e prestadores de serviços.

“Mesmo neste contexto, a marca fechou 2013 na liderança no mercado de pulverizadores na Argentina”, lembra o diretor comercial da marca, Renato Silva. No mercado brasileiro, onde está instalada desde 2004, a situação é bem mais favorável. No primeiro trimestre, o faturamento cresceu 35% em relação a igual período ano anterior. “O aumento em 55% no volume de pedidos no primeiro trimestre, em relação ao igual período de 2013, mostra que a reestruturação da marca está no caminho certo”, afirma Silva. A abertura de novas revendas e o lançamento de novos produtos são os pilares estratégicos da marca para aumentar o seu market share e assumir nova posição no setor. “Nossos lançamentos foram muito bem recebidos pelo mercado, pois foram projetados em cima das necessidades do produtor, dentro das

peculiaridades regionais que o Brasil possui”, explica Silva. Atualmente, o Brasil conta com 44 revendas autorizadas, sendo que no início de 2013 eram apenas 15. Após um investimento de quase R$ 2 milhões na modernização da fábrica e focados em lançamento de novos produtos, a empresa pretende aumentar a participação no mercado que hoje é de 1,5%, para 7% em 2017. O diretor revela preocupação em relação à liberação dos financiamentos via Banco Nacional do Desenvolvimento (Bndes), pois a cartela de pedidos da empresa em 2014 – quase o dobro em relação ao ano passado – pode ser afetada com a morosidade na aprovação dos recursos. Porém, Silva aposta em uma solução a curto prazo. “A gente acredita que, mesmo que o mercado agrícola se mantenha estável este ano, a PLA vai crescer de 40 a 50%”, afirma Silva.


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coureiro-calçadista

Atividade depende de tecnologia e inovação A balança comercial de calçados teve uma queda de 12,5% em 2013. As exportações computaram US$ 1,095 bilhão, e as importações, US$ 572,37 milhões. No Rio Grande do Sul, o saldo ficou em US$ 381,8 milhões, queda de 0,3% com relação a 2012. As exportações ficaram em US$ 387 milhões, e as importações, em US$ 5,28 milhões. No Estado, a produção de calçados e artigos de couro, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), caiu 4,9%. Em empregos, houve uma queda de 3%. “No mercado interno, a leitura é de que, infelizmente, as importações vêm absorvendo cada vez mais o potencial de consumo”, avalia o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein. No mercado interno, a oferta de bens concorrentes, a inflação em alta e as importações asiáticas devem diminuir a força do varejo dos calçados nacionais.

Na Usaflex, foram vendidos 4 milhões de pares em 2013. A empresa aposta em melhorias em processo, matéria-prima e modelagem. “A exportação representou, até março, 3,4% do faturamento. A meta é chegar em 10% até o fim de 2016”, diz o diretor comercial, Rafael Lauck. No setor de couros e peles, o cenário é mais positivo. De acordo com o presidente executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), José Bello, o Brasil registrou, em 2013, vendas externas de US$ 2,511 bilhões e importou US$ 19,3 milhões. Para 2014, é esperado um crescimento de 7,5% em volume exportado. No primeiro trimestre, o Brasil exportou 20,8% a mais que no mesmo período de 2013. O presidente do conselho diretor da Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul (AICSul), Eduardo Fuga, ressalta que, em 2013, foi recuperado parte do mercado perdido em 2009. O Estado aumentou em 33,1% as exporta-

USAFLEX/DIVULGAÇÃO/JC

indústria

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Melhorias em processo, matéria-prima e modelagem são aposta da Usaflex

ções de couro, com ênfase para o couro acabado, que representou 67,3% do faturamento. Em 2014, o primeiro trimestre mostra aumento de 21,1% no mercado externo. Já no mercado interno, o volume

de vendas apresentou diminuição das exportações de calçados de couro (13,4% do total exportado) e da importação de calçados prontos ou em partes, principalmente de países do oriente.


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indústria

siderurgia

No Brasil, a produção de aço bruto atingiu 34,2 milhões de toneladas em 2013, uma retração de 1% em relação ao ano de 2012. A produção de laminados alcançou 26,3 milhões de toneladas, crescendo 2,2%, e a de semiacabados totalizou 5,6 milhões, com queda de 21,2% sobre o ano anterior. Já as vendas de produtos siderúrgicos ao mercado interno atingiram 22,8 milhões, uma alta de 5,5% ante 2012, segundo dados do Instituto Aço Brasil (IABr). De acordo com o presidente do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, em função da queda de consumo em países desenvolvidos e da exportação chinesa, “o esforço do setor está voltado para ações destinadas a preservar a participação da produção nacional no mercado doméstico”, uma vez que o Brasil é um mercado-alvo para produtores estrangeiros. Segundo Lopes, as expectativas de vendas são de 23,7 milhões de toneladas em 2014, alta provável de 4,1% em relação a 2013. O consumo aparente de produtos siderúrgicos deverá alcançar o patamar de 27,2 milhões, 3% acima do registrado no ano passado. Para o presidente, o mercado internacional está deteriorado, com 587 milhões de toneladas de excedente de aço, volume que corresponde a 16 vezes a produção brasileira, e a 22 vezes o consumo no País. “A manutenção

SINDISIDER/DIVULGAÇÃO/JC

Crescimento é esperado, mas excedentes preocupam

Vendas deverão ser de 23,7 milhões de toneladas de aço em 2014

das assimetrias tributárias e o câmbio valorizado continuam a impedir que a indústria brasileira do aço volte a evidenciar sua alta competitividade estrutural. As assimetrias precisam ser corrigidas. Além disso, o mercado interno precisa crescer”, defende. O setor de construção civil, um dos maiores consumidores de aço,

tem mostrado desempenho aquém do previsto. “Esperava-se que a Copa do Mundo alavancasse mais o mercado brasileiro. O total de aço consumido nos estádios foi 53.530t, incluindo material importado. Além da preocupação com as importações, as obras de infraestrutura não ocorreram conforme o aguardado”, lamenta Lopes.

As exportações totalizaram 8,1 milhões de toneladas, um valor de US$ 5,6 bilhões, queda de 16,8% e 20,0%, respectivamente, em relação ao ano anterior. As importações somaram 3,7 milhões de toneladas, uma queda de 2,1% em relação a 2012. O consumo aparente de produtos siderúrgicos alcançou o patamar de 26,4 milhões de toneladas, 4,9% acima do apresentado em 2012. O cenário regional é mais positivo. De acordo com o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos (Sindisider), Carlos Loureiro, em 2013, o mercado do Rio Grande do Sul registrou aumento de 15% no consumo de aço, puxado principalmente pelo setor de máquinas agrícolas, que teve um rendimento acima da média e demandou grande parte dos produtos das empresas gaúchas. A produção de aço bruto no Estado foi de 781 mil toneladas, representando 2,3% do total produzido no Brasil no ano passado. Para Loureiro, as expectativas do setor são boas para esse ano, pois consideram retração nas importações e expansão nas vendas internas impulsionadas por setores como Construção Civil, Óleo e Gás, Saneamento e Bens de Capital. “Projetamos crescimento de 4% nas vendas de aços planos, alcançando o patamar de 4,7 milhões de toneladas.”

MARCOS NAGELSTEIN/JC

Vendas para mercado interno são prioridade

No primeiro trimestre, Usiminas cresceu 3,6% em comparação ao ano passado

A Usiminas, uma das principais empresas de distribuição e processamento de aço do País, investiu, entre 2008 e 2013, R$ 11 milhões, com principal foco em geração de produtos acabados de alto valor agregado. Hoje, comemora os resultados positivos do primeiro trimestre de 2014, com lucro líquido de R$ 222 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 123 milhões no mesmo período do ano passado. Segundo o diretor vice-presidente comercial da Usiminas, Sergio Leite, trata-se de um processo de melhoria contínua, um plano que foi traçado há dois anos para priorizar uma maior integração com os clientes do mercado interno. “Nesse avanço, destaco a própria presença do Rio Grande do Sul como um dos nossos principais mercados. Evoluímos nos últimos cinco anos de um patamar de 9% para 12%. Isso significa um crescimento de 33% dos nossos negócios no Estado”. No primeiro

trimestre de 2014, a empresa já cresceu 3,6% em comparação ao ano passado. Na Gerdau, referência internacional do setor, ao longo de 2013 as vendas de aços longos para o mercado interno somaram 5,9 milhões de toneladas, 10,6% a mais sobre 2012, incluindo as vendas de produtos semiacabados e de laminados. As exportações a partir do Brasil, de 1,4 milhão de toneladas, foram 29,4% menores em virtude da redução da demanda no mercado internacional e do excesso de capacidade instalada de aço no mundo. Para o diretor-presidente (CEO) da empresa, André Gerdau Johannpeter, o setor segue sendo impactado pelo excesso de oferta mundial. “O empresário brasileiro é extremamente competente em seus processos internos, mas problemas estruturais históricos fazem com que a indústria não tenha isonomia competitiva frente ao cenário internacional”, analisa.


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indústria

móveis

Setor busca novos mercados

Mais de mil empregos foram gerados no ano passado, no Rio Grande do Sul

MOVERGS/DIVULGAÇÃO/JC

Com 18,67 mil indústrias instaladas no País, o setor moveleiro, incluindo o segmento de colchões, produziu no ano passado 505,04 milhões de peças, totalizando faturamento de R$ 41,70 bilhões. Isso representa um crescimento de 2,1% ante 2012, que teve 494,2 milhões de peças produzidas, totalizando R$ 38,6 bilhões. Em relação às exportações, foram US$ 703 milhões no acumulado de janeiro a dezembro de 2013, uma queda de 2,8% em relação ao mesmo período de 2012. Já as importações tiveram alta de 13,3%, totalizando US$ 837 milhões. Mesmo assim, o resultado da balança comercial do setor apresentou um déficit de US$ 134 milhões. Para a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), apesar dos números tímidos de 2013, o ano foi considerado positivo e estável, resultado que deve ser mantido para 2014. No Rio Grande do Sul, o faturamento registrado em 2013, foi de R$ 7,4 bilhões, representando 16,2% do faturamento nacional, número similar a 2012, quando representou 16,3%. O Estado foi responsável por 18,6% do total produzido, ou seja, 6,75 bilhões de peças. Conforme o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), Ivo Cansan, o custo Brasil, a alta dos juros e a consequente elevação da inflação foram fatores determinantes para os baixos índices de consumo, além dos impostos trabalhistas, tributários e dos problemas de logística, que afetam a composição dos preços dos produtos, reduzindo sua competitividade. As exportações gaúchas fecharam

2013 em US$ 210,58 milhões, uma participação de aproximadamente 30% nas exportações nacionais do setor. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior/Mdic, os principais destinos foram Peru, Reino Unido, Cuba e Chile. As importações representaram US$ 51,36 milhões. “Observamos a retomada do mercado americano, a retração das exportações para Argentina, que prejudicou muito os fabricantes, e a prospecção e abertura de outros potenciais destinos, como África e países da América Latina”, contextualiza Cansan. Contudo, apesar das exportações brasileiras terem apresentado queda,

as gaúchas cresceram 2,6% ante 2012. Isso representa uma fatia de 1,6% das exportações nacionais totais e 3,1% do exportado pelo Estado. “É importante frisarmos que as indústrias gaúchas têm buscado novos mercados. Elas acreditam que a exportação é uma oportunidade não apenas de crescimento de produção, mas de expansão de sua linha de produtos. Isso exige investimento, adequação da planta fabril, flexibilidade, novas tecnologias e versatilidade”, completa o presidente da Movergs. Somente no ano passado, o setor gerou 279,558 mil postos de trabalho no País. No Rio Grande do Sul, foram 44.574

mil empregos, 1.099 a mais do que no ano anterior. O Estado conta hoje, com 2.580 empresas moveleiras (incluindo o segmento de colchões), ou seja, 13,8% do total da indústria nacional. Pesquisas do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), encomendados pela Movergs, preliminarmente indicam que, em 2014, as importações brasileiras deverão ter um aumento de 6,5%, enquanto as exportações terão queda de 15,4%. O consumo aparente deve crescer 5,2%, assim como a participação dos importados (2,6%) e dos exportados (3%). Já no varejo, o acréscimo deve ser de 4,9% para peças e 10% em valores.

PAULO VASCONCELLOS/DIVULGAÇÃO/JC

Investindo para exportar e competir

Schuster foca em qualidade, valor agregado e diferenciais competitivos

A indústria gaúcha vem se esforçando na busca pela integração de seus produtos com os demais polos do mercado nacional e internacional. A Schuster Móveis e Design, localizada no município de Santo Cristo, é um exemplo. A empresa alia inovação, tecnologia e design, com vistas à ampliação da atuação, tanto no mercado interno, quanto no aumento de participação da exportação em seu faturamento total. Segundo o diretor superintendente da empresa, Afonso Wilson Schuster, os mercados almejados são Estados Unidos e Canadá. Na opinião do empresário, o setor vem apresentando recuperação lenta e gradual, porém, aquém da necessidade para reinvestimento. A empresa, entretanto, teve um crescimento superior ao registrado pelo setor, no Estado e no Brasil. “Este crescimento é fruto do permanente investi-

mento em design e fortalecimento de parcerias com lojistas”, avalia Schuster. Na Bertolini, que tem a matriz localizada na cidade serrana de Bento Gonçalves e unidades nos estados de Recife e Goiás, o gerente comercial Alex Bertolini conta que atender diversos perfis de consumidor, com opções para diferentes tipos de necessidades, é uma das estratégias da empresa para garantir o espaço em todas as regiões do País e para ser competitivo na exportação. A empresa já tem negócios com os mercados da África e do Oriente Médio, mas a ênfase é nos países da América Central. “No momento, o projeto de expansão da Bertolini se concentra em duas novas fábricas que estão iniciando as operações no Espírito Santo, em Colatina. Os investimentos superaram a barreira dos R$ 80 milhões”, declara o gerente.


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indústria

petroquímica

Crescimento abaixo do esperado

Plano de Incentivo à Competitividade da Cadeia do Plástico, estruturado pela Braskem, prevê aporte de R$ 80 milhões

BRASKEM/DIVULGAÇÃO/JC

Em 2013, o setor de transformados plásticos faturou R$ 64,7 bilhões, com crescimento nominal de 6,74%. Apesar da alta em relação ao ano anterior, que havia registrado R$ 56,4 bilhões, o índice ficou abaixo do esperado. A parcela de produtos importados foi de 11,7% do total, contra os 10,8% de 2012. Já o coeficiente de exportação ficou em 4,6%, bem próximo dos 4,3% registrados no ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), Edilson Deitos, as exportações em 2013 inverteram a tendência de queda dos últimos anos e tiveram alta de 3,36%, em função do preço diferenciado das matérias-primas para exportação, proporcionado pela empresa Braskem e pelo Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra). As importações, que já registraram média anual de 7%, subiram apenas 3,39%. “O aumento no patamar do câmbio deu um fôlego adicional às exportações e conseguiu reduzir o acelerado ritmo de crescimento das importações, porém, ainda assim, o déficit comercial registrado foi de R$ 5,3 bilhões”, aponta Deitos. Segundo o diretor de Relações Institucionais da Braskem no Rio Grande do Sul, João Ruy Freire, mesmo com um crescimento econômico interno abaixo das expectativas em 2013, o setor químico e petroquímico foi positivamente

influenciado pela decisão do Governo de desonerar a alíquota de PIS e Cofins para a compra de matérias-primas da indústria petroquímica de primeira e segunda gerações. Outra importante iniciativa para o desenvolvimento do setor foi o lançamento do Plano de Incentivo à Competitividade da Cadeia do Plástico (PIC), estruturado pela Braskem em conjunto com a indústria de transformação. A iniciativa prevê o aporte de recursos pela Braskem de até R$ 80 milhões em 2014 na forma

de apoio comercial e suporte a ações estruturantes para os transformadores, com iniciativas que envolvem o estímulo à exportação de manufaturados plásticos, à inovação e o apoio à capacitação de profissionais. Mesmo assim, o primeiro trimestre de 2014 não trouxe resultados positivos. A variação cambial, o aumento dos preços internacionais das matérias-primas e a dificuldade de repasses têm represado a rentabilidade e o capital de giro das empresas. O nível de emprego

do setor de transformados plásticos ficou 1,4% superior em 2013, com 358 mil trabalhadores empregados. Contudo, a produtividade não evoluiu, teve queda de 1,76%. No Rio Grande do Sul, os principais entraves são a logística e os incentivos tributários, além do piso regional, com índices de reajuste muito acima dos ganhos. “É inadmissível que, com um Polo Petroquímico no Estado e empresas com parques industriais atualizados, não consigamos competir”, argumenta.

MARCOS NAGELSTEIN/JC

Criatividade com foco no custo

Herc aumenta a produtividade com nova fábrica

Impulsionada por programas voltados à eficiência operacional, investimentos em tecnologia e inovação e avanços em seus planos de expansão, a Braskem apresentou evolução positiva em seu desempenho. Segundo o diretor de Relações Institucionais da Braskem no Estado, João Ruy Freire, a companhia registrou, no ano passado, recorde na produção de eteno, com 3,4 milhões de toneladas, e de polietileno, com 2,6 milhões de toneladas produzidas. O volume de vendas de resinas subiu 6% no mercado brasileiro, totalizando 3,7 milhões de toneladas. Com isso, a receita líquida alcançou R$ 41 bilhões, crescimento de 13%. “Entre os fatores que influenciaram esse resultado, destacam-se o crescimento no volume de vendas no mercado doméstico; a recuperação dos spreads internacionais de resinas e petroquímicos; a desoneração das matérias-primas; e a depreciação do real”, explica. Em 2013, os investimentos da Braskem alcançaram R$ 2,7 bilhões, um aumento de 58% ante 2012. Os principais destinos desses investimentos foram a manutenção de ativos e a construção do maior complexo petroquímico

integrado do México. Destaca-se ainda o acordo firmado em dezembro passado pela Braskem com a Solvay para aquisição do controle da Solvay Indupa, produtora de PVC. Quando concretizada, a operação dará à Braskem um aumento de 42% da capacidade de produção dessa resina no Brasil. Em soda, a capacidade da Braskem atingirá 890 mil toneladas/ano, um aumento de mais de 60%. Na empresa Herc, que produz mensalmente 4 milhões de peças de produtos acabados variados, 2013 atingiu resultados satisfatórios, porém aquém das expectativas. Para os diretores Roni Baun e Rubimar Gehlen da Silva, o ano foi represado pelos efeitos da política econômica do País, que atingiu o mercado como um todo. E a previsão é de um 2014 difícil, com um cenário econômico pouco favorável. Isso pode ser comprovado no primeiro trimestre, que teve um volume de vendas inferior ao mesmo período do ano passado. “Temos que ser criativos para atingir as metas e os objetivos”, destacam os empresários. A recente conclusão da nova fábrica trouxe ganhos expressivos de produtividade.


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indústria

borracha

Em 2013, o setor nacional de borracha atingiu US$ 2,82 bilhões. O bom resultado está atrelado ao desempenho da indústria automobilística, que encerrou o ano passado com crescimento recorde de 9,9%. Atualmente, 51% da produção de artefatos de borracha são destinados à fabricação de automóveis. Entretanto, a importação de artefatos de borracha acabados, só em 2013, subiu 10,2%. “Obviamente isto concorre pesadamente para a desindustrialização do setor”, lamenta Ademar Queiroz do Valle, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha (Abiarb). Se for mantido o panorama macroeconômico atual, o dirigente estima um crescimento nominal de 8% a 9% da indústria da borracha em 2014 que, descontada a inflação, resultará em crescimento real de 2% a 3%. Na avaliação do presidente do Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha no Estado do Rio Grande do Sul (Sinborsul) e diretor da Mercobor, Gilberto Brocco, esse foi um ano com heterogeneidade no desempenho do setor. “De um lado, a produção nacional de pneumáticos cresceu 9,7% e, mesmo com as exportações em queda, quando medidas em dólares, a taxa de câmbio mais desvalorizada, em cerca de 10%, contribuiu para que a receita de exportações em reais se mantivesse praticamente constante.” Segundo ele, na contramão, o segmento de artefatos de borracha, teve queda na produção (-4,7%), nas exportações em dólares (-4%) e também na receita das exportações em reais (-1,3%).

MERCOBOR/DIVULGAÇÃO/JC

Setor deve registrar crescimento real de até 3% em 2014

Mais da metade da produção é destinada à indústria automotiva

O Rio Grande do Sul teve resultados diferentes. Dados Sinborsul mostram que no Estado, houve uma expansão de 39% no faturamento em 2013, configurando-se como o melhor resultado histórico para essa variável e superando a média nacional. A Utilização da Capacidade Instalada atingiu o patamar médio de 77%, o maior desde o nível de 81%, que foi verificado em 2008. As variáveis do mercado de trabalho também foram destaque. O emprego teve evolução de 0,7%, as horas

trabalhadas avançaram 3%, em linha com a expansão da massa de salário real, que foi de 2,9%. As exportações gaúchas tiveram expansão de 8,5%, atingindo US$ 391 milhões, com destaque para o segmento de Pneumáticos, com crescimento de 40%. Em Artefatos, também tiveram crescimento de 12%. Por outro lado, as exportações de matéria-prima caíram 21%, menor patamar desde 2010. Considerando a proximidade das eleições, as expectativas de crescimen-

to para o setor no Estado, assim como na indústria nacional, são tímidas. A projeção do sindicato é de 1,4% no faturamento e 6% de expansão nas exportações, totalizando US$ 415,7 milhões. Diante desse quadro, as empresas estão se preparando. A Mercobor, segundo Brocco, espera crescer 20% em 2014, e está investindo em maquinário. A Borbonitte, de Novo Hamburgo, também está revendo suas metas. A média de 15 mil toneladas/mês de 2013 já está em 20 mil em janeiro deste ano.

WESLEY SANTOS/DIVULGAÇÃO/JC

Tecnologia e sustentabilidade

De Luca afirma que o Brasil vem ganhando competitividade

A Borrachas Vipal fechou 2013 com R$ 2 bilhões de faturamento, um crescimento de 10% sobre 2012. “Estamos avançando em todos os continentes e já temos o segundo market share do mundo”, analisa o diretor comercial e de marketing, Plinio de Luca. Com uma participação de 40% no Brasil, a empresa programa uma série de iniciativas para 2014, como a inauguração de uma fábrica em Perez, a 12 Km de Rosário, na Argentina, que será a primeira linha de produção da empresa fora do País. Até junho, empresa abrirá também mais um centro de distribuição na Europa. “Outra ação que será colocada em prática neste ano está focada na aplicação de soluções regionalizadas para mercados específicos. O foco será no mercado europeu” revela o executivo. Com 3 mil colaboradores e capacidade instalada de 18 mil toneladas/mês, a empresa tem

como carro-chefe as bandas pré-moldadas para reforma de pneus de carga. “O Brasil é transportado por caminhões e ônibus, sendo o segundo maior mercado de reforma de pneus do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Então, é natural que os produtos para este segmento sejam os mais procurados”, explica o diretor. De acordo com a Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR), mais de nove milhões de pneus de ônibus e caminhões são recolocados no mercado anualmente no Brasil, gerando uma economia de R$ 7 bilhões. O gasto de empresas que optam pela reforma chega a ser 60% inferior ao valor de um pneu novo. Para de Luca, o Brasil vem ganhando competitividade no setor. Em 2013, houve uma entrada de caminhões no mercado brasileiro muito superior ao crescimento do PIB, pois havia uma demanda reprimida de 2012.


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indústria

celulose

O Brasil é o quarto produtor mundial de celulose e ocupa a nona posição na produção de papel. Em 2013, a produção brasileira de celulose cresceu 7,3% e a de papel, 1,6%, na comparação com 2012. De janeiro a dezembro do ano passado, foram produzidos 15 milhões de toneladas de celulose e 10,4 milhões de toneladas de papel, conforme dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), que, em abril deste ano, se fundiu com mais três entidades para formar a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). As exportações do setor totalizaram US$ 7,1 bilhões no ano passado, um aumento de 7,5% sobre o valor de 2012. Foram exportados 9,4 milhões de toneladas de celulose e 1,8 milhão de toneladas de papel. A Europa se manteve como o principal destino da celulose brasileira e gerou aproximadamente 40% da receita com as vendas externas do produto, seguida pela China e América do Norte, respectivamente, consumindo o equivalente a 30 e 20% da produção nacional. As vendas domésticas brasileiras de celulose fecharam em 1,7 milhões de toneladas e as de papel em 5,7 milhões, em contraponto a uma importação que ficou em 0,4 milhões e 1,3 milhões de toneladas. Em relação ao papel, a receita de exportação acumulada registrou 1% de crescimento, na comparação com o ano anterior, totalizando US$ 1,9 bilhão. A América Latina segue como principal

CELULOSE RIOGRANDENSE /DIVULGAÇÃO/JC

Europa é o principal consumidor do produto brasileiro

Em 2013, as exportações totalizaram US$ 1,9 bilhão

mercado para o produto e foi responsável por aproximadamente 56% do faturamento, seguida pela Europa e América do Norte, responsáveis por 14% e 13%, respectivamente. Os embarques para a América no Norte cresceram 35% no ano. No mercado doméstico, as vendas foram de 5,7 milhões de toneladas, acumulando alta de 2,9% no ano, em comparação ao ano anterior, indicando estabilidade no mercado nacional. De acordo com a Ibá, que representa os segmentos de painéis de madeira,

pisos laminados, celulose, papel, florestas energéticas, produtores independentes de árvores plantadas e investidores institucionais, foram plantados 7,2 milhões de hectares de árvores de eucalipto, pinus e demais espécies, sendo que 37% destinados aos segmentos de celulose e papel. A receita bruta de 2013 no setor de árvores plantadas, que inclui celulose e papel, foi R$ 60 bilhões, o que representa 6% do PIB industrial. As exportações somaram cerca de US$ 8 bilhões, o equivalente a 3% das ex-

portações brasileiras. A instituição destaca que o setor de árvores plantadas também é responsável por cerca de 5 milhões de empregos diretos, indiretos, e resultantes do efeito-renda. Esse total representa, aproximadamente, 5% da população brasileira economicamente ativa. Os projetos de investimento das empresas, em andamento ou previstos, que visam ao aumento dos plantios, ampliação de fábricas e novas unidades, são da ordem de R$ 53 bilhões de 2012 a 2020.

CELULOSE RIOGRANDENSE/DIVULGAÇÃO/JC

Qualificar para expandir

Nunes afirma que expansão triplicará capacidade de produção

A Celulose Riograndense, com sede em Guaíba, é destaque no cenário gaúcho. Em 2013, sua produção totalizou 454 mil toneladas de celulose de fibra curta de eucalipto, 1% acima da capacidade instalada, que é de 450 mil toneladas anuais. A empresa emprega hoje 2.850 pessoas diretamente e 11.400 indiretamente. De acordo com o diretor-presidente da companhia, Walter Lídio Nunes, a expectativa é aumentar para 4.100 empregos diretos e 17.100 indiretos no próximo ano. O crescimento será possível devido ao projeto de expansão de sua fábrica, que irá aumentar em mais de três vezes a capacidade de produção da unidade, em um investimento privado de mais de R$ 5 bilhões até 2015. A contratação de pessoal, que já foi problema para a empresa, foi solucionada com cursos de capacitação profissional desenvolvidos juntamente aos governos federal, estadual e municipais e busca ativa de mão de obra nas comunidades. “Estamos sem problemas de obtenção de mão de obra. Já formamos 4.637 pessoas e temos intenção de formar outras 2.800. Hoje, temos 7.131 crachás ativos no obra do projeto Guaíba 2, desses, 3.946

(55%) são do Rio Grande do Sul”. Segundo o diretor, as cidades de Guaíba (1.380), Porto Alegre (574) e Canoas (330) lideram essa lista de trabalhadores, que residem também em outras cidades das regiões Metropolitana, Carbonífera e Costa Doce. Para Nunes, apesar de o primeiro trimestre não apresentar alterações em relação ao ano passado, o crescimento é esperado. “O consumo de papel e produtos de higiene pessoal está alinhado com o crescimento das economias dos países. Mesmo que a China, que tem o maior índice, não cresça ao mesmo nível de taxas anteriores, devido a sua população, essa necessidade será crescente. O mesmo acontece com outras economias”, analisa. Segundo o diretor, a celulose é uma commoditie e, como tal, está sujeita aos preços de mercado. “A competitividade do produto brasileiro está no custo mais baixo do que o dos países da Escandinávia ou até mesmo de Estados Unidos e Canadá”, completa. A empresa exporta mais de 90% de sua produção e o principal mercado é a Ásia. Atualmente, possui 214 mil hectares de terras, dos quais 81 mil são destinados à preservação ambiental.


indústria

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alimentação

Crescimento acompanha o ritmo da economia nacional O setor de alimentação teve uma recuperação no primeiro trimestre de 2014. Conforme a Pesquisa Conjuntural da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), o faturamento total cresceu 9,71%, um aumento de 3,03% nos ganhos reais do setor, descontada a inflação. Para o restante do ano, a expectativa da entidade, considerando o cenário positivo para commodities como suco, carne e café, é de um crescimento para US$ 45 bilhões em exportações, ante os US$ 43 bilhões embarcados em 2013. Depois de um ano excepcional em 2011, o setor passa por um processo de acomodação, refletindo o cenário econômico nacional, já que 80% da produção da indústria alimentícia é voltada ao mercado interno. Essa é a avaliação do diretor do Departamento Econômico da Abia, Denis Ribeiro. “Em 2013, em termos de produção física, crescemos

3,16% em volume e 4,2% em vendas reais em relação ao ano anterior. Mais do que o PIB do País, que registrou alta de 2,3%. Foi um índice levemente menor que em 2012, mas refletindo essa acomodação, pós-recuperação de 2010”. Em relação ao emprego, também há desaceleração. Num comparativo ano a ano, em 2011, o aumento registrado foi de 4,5%, caindo para 3,1% em 2012 e para 2,7% em 2013. Com a proximidade das eleições e um efeito pontual da Copa do Mundo na produção, o especialista não acredita em mudanças de curto prazo. “Os problemas são estruturais. A tributação de alimento no Brasil é de 35%, em média. No mundo, a taxa é de 8%, no máximo. Essa distorção é um problema de reforma tributária”, explica. De acordo com o economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) Rodrigo Feix, para alavancar o

crescimento do setor, é preciso atuar de forma coordenada junto à demanda pelos produtos, negociando a abertura dos mercados internacionais mais dinâmicos para o setor de carne suína e de frango; e do lado da oferta, solucionando os entraves tributários que inviabilizam a elevação do processamento local da matéria-prima. O presidente da Conservas Oderich e membro da diretoria do Sindicato das Indústrias da Alimentação do Estado do Rio Grande do Sul (SIA-RS), Marcos Oderich, revela que o que tem mantido o faturamento da empresa têm sido as exportações. “O mercado interno está com muita oferta e com preços baixos no ponto de venda, com pressão inflacionária nos custos de produtos agrícolas devido a problemas climáticos no Brasil, Argentina e Chile. Já o mercado externo tem boas e permanentes tendências de crescimento”.

O setor em números

Balanço 2013*

Faturamento

R$ 484,7 bilhões

Crescimento nominal em valor de produção

12,24%

Crescimento da produção física

3,16%

Crescimento das vendas reais

4,26%

Comércio exterior* Exportações

US$ 43,0 bilhões

Importações

US$ 5,8 bilhões

Saldo comercial

US$ 37,2 bilhões

Mercado interno* Varejo alimentar

R$ 225,6 bilhões

Food service

R$ 116,1 bilhões

Total mercado interno

R$ 371,7 bilhões

Emprego* Nível de emprego Novos postos de trabalho *Consolidado anual até dezembro/2013

1.63 milhão 41 mil FONTE: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DA ALIMENTAÇÃO (ABIA)


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indústria

metalmecânico

Com a expectativa de crescimento de 5% ao longo de 2014 para o setor que representa, o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs) revela que os 8,3% registrados no ano passado no faturamento das mais de 3 mil empresas da Serra gaúcha, não recupera as perdas de 2012, quando a queda foi superior a 12%. O setor tem dificuldades para resgatar os índices de anos anteriores, as exportações, que em 2007 representavam 18% do faturamento do setor, ficaram em 10,3% no ano passado. Dos R$ 19,5 bilhões de faturamento do setor metalmecânico, 21% é vendido no Estado, principalmente em Caxias do Sul e região, e 69% têm como destino outros estados brasileiros. “O primeiro trimestre de 2014 ficou prejudicado pelas dificuldades do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (Bndes) em repassar os financiamentos já autorizados e pelas indefinições quanto à liberação de novos programas de incentivo às indústrias. Mesmo com uma supersafra, a indústria local ficou prejudicada”, analisa o presidente do Simecs, Getulio Fonseca. A queda registrada no primeiro trimestre de 2014 foi de 10,39% em comparação ao mesmo período de 2013. Por segmentos, os índices foram eletroeletrônico (-16,15), automotivo (-13,8) e metalmecânico, o único a registrar crescimento de 9,36%. O desempenho refletiu no faturamento. No segmento automotivo, caiu de, R$ 3,6 bilhões para R$ 3,1 bilhões em 2014; em eletroele-

JÚLIO SOARES/DIVULGAÇÃO/JC

Em busca de novos nichos de mercado

Setor tem dificuldades para resgatar as perdas de anos anteriores

trônico, de R$ 379 milhões para R$ 318 milhões em 2014; e no metalmecânico, passou de R$ 626 milhões em 2013, para R$ 685 milhões. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Metalmecânicas e Eletroeletrônicas de Canoas e Nova Santa Rita (Simecan), Roberto Machemer, os números não sofreram alterações na região, e os prejuízos das crises de 2008 e 2009 não foram recuperados. A capacidade instalada segue com o índice de 70% e a geração de emprego teve um tímido crescimento de 2,1% no último ano. “As

empresas estão buscando novos nichos de mercado e apostando na inovação. Será preciso ter agilidade”, avalia. O número de 51.460 funcionários permaneceu estável na região de Caxias do Sul em 2013, quando comparado com 2012. As vagas vêm reduzindo desde 2011, quando o setor empregava 55.250 trabalhadores, hoje são 51.500 nos três setores representados: eletroeletrônica, metalomecânica e automotiva. O setor automotivo pesado reúne 75,96% do faturamento global das empresas representadas pelo Simecs, o metalmecânico,

16,42%, e o eletroeletrônico, 7,62%. O setor de veículos pesados (caminhões e implementos rodoviários), em âmbito nacional, apresentou uma pequena redução nas vendas no primeiro trimestre, foram 13,9 mil unidades contra 14,5 mil no mesmo período em 2013. O que significa uma queda de 4,35%. No Rio Grande do Sul, onde estão algumas das principais indústrias do segmento, os números foram positivos em 10,11%. Foram comercializados 1,1 mil implementos rodoviários contra 1.000 no mesmo período do ano passado.

A indústria aproveitou o bom momento da economia e da demanda por equipamentos e implementos rodoviários para lançar modelos novos. Porém, no primeiro trimestre de 2014, o desempenho das vendas está abaixo das expectativas. “Estamos atentos ao mercado e esperamos, no segundo trimestre, recompor a carteira dos pedidos das vendas de produtos a entregar, que recuou em 10% no primeiro trimestre”, afirma o diretor da Rodovale, Rudimar Becker. Com a aprovação da modalidade simplificada do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) pelo Bndes, que entrou em vigor no dia 1 de abril, a expectativa é de um segundo trimestre de crescimento. Otimistas com o bom desempenho do setor primário, a empresa espera, apesar das dificuldades, um acréscimo de 12% este ano em relação a 2013. O Brasil possui um modal eminentemente rodoviário, setor que carrega mais de 60% da riqueza produzida no

Brasil. “Isso significa que, pelo menos na próxima década, muitos caminhões ainda serão comercializados para transportar a produção da economia nacional. Consequentemente, estes veículos precisarão ser implementados”, avalia Becker. De janeiro a dezembro de 2013, o mercado cresceu 10,89% em comparação com 2012, alcançando um total de 177.876 unidades, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir). No mês de dezembro foram comercializados 16.590 implementos, aumento de 20,08% sobre igual período de 2012 e de 18,5% se comparado ao ultimo mês de novembro. As exportações apresentaram queda no ano passado até o mês de novembro, última medição da associação. De acordo com a Anfir, a indústria de implementos exportou 4.859 unidades de janeiro a novembro, total que representa retração de 7,99% sobre o mesmo período de 2012.

Otimismo sobre rodas empresa, que possui três unidades fabris e emprega diretamente 260 profissionais, tem investido no desenvolvimento de soluções para o setor de transporte e produtos para o agronegócio.

RODOVALE/DIVULGAÇÃO/JC

Em 2013,a empresa Rodovale investiu R$ 6 milhões em equipamentos e melhorias, e atingiu faturamento de R$ 64,7 milhões, superando a expectativa inicial, de R$ 56 milhões – um adicional de 15%. A

Rodovale espera crescimento de 12% em 2014


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agronegócio

cenário

O PIB do agronegócio, que representa 22,15% do Produto Interno Bruto Brasileiro, tem um peso de 40,58% no PIB gaúcho. E a riqueza gerada no meio rural está garantindo divisas para impulsionar o Rio Grande do Sul. Na avaliação do governo gaúcho, a safra 2013/2014 será responsável pela injeção de R$ 24 bilhões na economia. O presidente da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, salienta que o Rio Grande do Sul consolida este vínculo com a agricultura. “Somos testemunha de que quando o campo vai bem, a economia vai bem”, comenta. O cenário favorável começou a despontar já no ano passado. O relatório anual da entidade mostra que considerando o somatório dos faturamentos das produções de grãos e das principais carnes, o Valor Bruto de Produção (VBP) agropecuária foi de R$ 31,9 Bilhões em 2013, com uma elevação de 54,2% em relação ao ano anterior. Para 2014, é esperado um crescimento de 4,8%, alcançando um VBP de R$ 33,5 Bilhões. A inversão do clima de secas já tinha feito de 2013 um ano marcado pela retomada dos índices de produção. O destaque nesse contexto foi a soja, com aumento de 114,6%, o equivalente a 6,8 milhões de toneladas, frente a 2012. Além disso, outro fator estimulante foi a boa cotação internacional. O aumento de quase 70% na produção de milho no Estado, no ano passado, também foi reflexo da recuperação em relação às perdas da estiagem,

EMATER ASCAR RS/DIVULGAÇÃO/JC

Lavoura foi a salvação

Riqueza gerada no meio rural está garantindo divisas para impulsionar o Rio Grande do Sul

assim como o trigo, que apresentou aumento de quantidade produzida em 850 mil toneladas. Ao todo, os produtores gaúchos aumentaram em 5,9% a área plantada em 2013 em relação ao ano anterior, atingindo o recorde de 8,16 milhões de hectares. Sperotto lembra que apenas a Metade Sul oportunizou, em três anos, um crescimento de 730 mil hectares nas lavouras do seco e a integração com a pecuária foi

benéfica para os dois, favorecendo a qualificação das pastagens. No caso da soja, a principal cultura do Estado e em fase final de colheita, os resultados indicam que a produção fique em torno de 13,2 milhões de toneladas, segundo levantamento da Emater RS, o que representa um aumento de 3,57% sobre a safra anterior, apesar da variação climática e das pragas. A boa performance da lavou-

ra em geral deixou o produtor capitalizado e ele está conseguindo segurar parte da comercialização de grãos à espera de melhores oportunidades e cotações. No entanto, a elevada safra gaúcha de grãos, que pode passar dos 30 milhões de toneladas, fez ressurgirem problemas de logística e infraestrutura, como demoras nos embarques para exportação e escassez de armazenagem.

Suínos igualmente apostam em recuperação e farelo de soja ajudaram a retomar o volume adequado de ração à produção de suínos. A Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) acredita em uma

SIPS/DIVULGAÇÃO/JC

O diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado do Rio Grande do Sul (Sips), Rogério Kerber, diz que fatores como a recomposição das safras de milho

Abipecs acredita em uma produção de 3,48 milhões de toneladas de suínos em 2014

produção de 3,48 milhões de toneladas, crescimento médio de 1% sobre 2013, e exportação de 590 mil toneladas, uma elevação de 15,7% sobre o ano passado. O mesmo caminho é percorrido pelo setor leiteiro. A produção de leite no Estado pode passar dos atuais 11,8 milhões de litros/dia para mais de 14 milhões de litros/dia em cinco anos, “desde que sejam criados programas para exportar o excedente”, afirma confiante o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Wilson Zanatta. Em relação ao fumo, porém, os levantamentos preliminares sobre as exportações apontam que em 2014 haverá uma pequena redução em volume e faturamento. O presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco), Iro Schünke, afirma que pesquisas indicam uma retração entre

2% a 6%, tendência já verificada no primeiro trimestre. A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) informa que nesse período foram exportadas menos de 60 mil toneladas, enquanto no ano passado, nessa época, a comercialização já estava em torno de 100 mil toneladas. Um dos motivos da retração é redução dos pedidos por parte dos chineses, um dos principais compradores do fumo brasileiro. A situação foi diferente em 2013. No ano passado, o Brasil bateu mais um recorde de exportações de fumo com o embarque de 627 mil toneladas para 102 países, e a geração de US$ 3,27 bilhões em divisas. Da produção de 706 mil toneladas na safra 2012/13, mais de 85% foi destinada para mercados estratégicos, como União Europeia (42%), Extremo Oriente (26%) e América do Norte (13%). Leste Europeu, África e Oriente Médio importaram 7%, e a América Latina 5%.


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soja

A estrela da safra

Sartori afirma que o produtor está mais capitalizado e prefere esperar por melhores cotações

Emater estima que produção fique em torno de 13,2 milhões de toneladas

gir em torno de 60% da safra e ainda estão em 40%. A projeção da Brasoja é de uma safra de 13,45 milhões de toneladas no Estado. Como o produtor está mais capitalizado, prefere esperar por melhores cotações. Ele acrescenta que a Argentina apresenta uma safra de soja recorde e também está retardando a comercialização, com reflexos no mercado. Sartori considera que nos próximos 90 dias pode haver mudanças e queda nos preços para 2015 dependendo, en-

tre outros fatores, do comportamento da lavoura nos Estados Unidos, cujo plantio começou em maio, e da demanda do mercado chinês. A frustração da safra anterior fez com que os norte-americanos ficassem com um estoque apertado, de menos de 4 milhões de toneladas. Mas se não houver uma nova quebra climática, analistas estimam que a próxima safra poderá ficar em torno de 96 milhões de toneladas, um volume em condições de abastecer os importadores.

MARCOS NAGELSTEIN/JC

Os números são animadores. O Rio Grande do Sul está finalizando a colheita de uma boa safra de soja, a principal cultura do Estado, e a expectativa anunciada pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) é de que injetará R$ 14,5 bilhões na economia gaúcha. As estimativas de produção ficam em torno de 13,2 milhões de toneladas, segundo levantamento da EmaterRS, o que representará um aumento de 3,57% sobre a safra anterior, considerado um bom resultado se for levado em conta que a onda de calor que atingiu o Estado, no início do ano, e o ataque de pragas poderiam ter prejudicado bastante o desenvolvimento das plantações. O diretor da Farsul, Jorge Rodrigues, acredita que os níveis de comercialização vão se manter em patamares razoáveis, com boa rentabilidade. Ele alerta, porém, que “a soja é uma incógnita na comercialização e depende dos movimentos de mercado, pois qualquer turbulência reflete no preço”. Segundo o boletim da Safras&Mercados, os preços médios da soja recuaram no mês de abril nas principais praças de comercialização do País, na comparação com março, e o ritmo dos negócios foi lento. O diretor da Brasoja, Antonio Sartori, ressalta que o mercado é muito dinâmico. “O que não falta é adrenalina”, costuma dizer, lembrando que há muitas variáveis influenciando os níveis de comercialização e as cotações internacionais. “Há questões de clima e até de geopolítica como a crise na Ucrânia”, acrescenta. Segundo ele, até a segunda semana de maio, o Rio Grande do Sul tinha comercializado apenas seis milhões de toneladas, um volume considerado baixo porque nessa época os negócios já deveriam atin-

MARCELO BELEDELI/ESPECIAL/JC

agronegócio

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Setor cresceu 5,6% O 7º Levantamento de Grãos da Safra 2013/2014 divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que a soja continua com bom desempenho e o crescimento foi de 5,6% ou 4,6 milhões de toneladas a mais em relação à divulgação anterior, atingindo 86,1 milhões de toneladas. A área plantada segue com crescimento de 8,2%, passando de 27,7 para 30 milhões de hectares cultivados no Brasil. Na região sul, a Conab registra que a área cultivada atingiu 10.445,8 mil hectares, apresentando um incremento de 5,7% em relação ao exercício anterior. No Rio Grande do Sul – terceiro maior produtor brasileiro –, mesmo

com o forte incremento observado na área plantada e o fato de que a implantação da lavoura ocorreu dentro do período considerado ideal para a cultura, a má distribuição das chuvas ao longo do ciclo produtivo, prejudicou o desenvolvimento na maioria das regiões produtoras. No Estado, a área plantada passou de 4,61 milhões de hectares na safra 2012/2013 para 4,88 milhões de hectares, um acréscimo de 5,8%. A projeção da Conab difere da que é feita pela EmaterRS e indica que a produção gaúcha ficará em 12,4 milhões de toneladas, com uma produtividade de 2.542 kg/ha, o que representa uma queda de 6,3% em comparação

com o rendimento da safra anterior e que chegou a 2.714 kg/ha. A diferença de números ocorreria porque o levantamento da EmaterRS abrange um percentual maior de área colhida. A quebra foi sentida pela Cotrijal Cooperativa Agropecuária e Industrial, na região do Planalto, onde 5.400 produtores se dedicam ao plantio. O superintendente comercial Jairo Marcos Kohlrausch afirma que houve alguns fatores que reduziram a produtividade. O que mais impactou foi o clima com suas oscilações como a estiagem e as altas temperaturas, consideradas muito nefastas para a lavoura. Além disso, o ataque de pragas como lagarta e percevejo e doenças

no final do ciclo da lavoura também trouxeram problemas para os produtores de soja. Segundo ele, nos últimos dois anos houve quebra de produção e a situação deve se repetir nessa safra. Por isso, na abertura oficial da colheita da soja em Tupanciretã, no final de março, os produtores salientaram que para a próxima safra deve haver um debate maior sobre a liberação de novos defensivos que sejam seguros para o combate à lagarta da soja. Na ocasião, a Farsul divulgou que o grão, além de injetar recursos consideráveis na economia, também contribui com os cofres públicos porque a carga tributária sobre o custo da lavoura chega a 27,05% apenas na fase de produção.


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agronegócio

milho

Qualidade do grão é destaque

O Brasil caminha para ser o maior produtor de milho do mundo

em tecnologia e expansão de áreas com lavouras irrigadas. No entanto, se compararmos a safra deste ano com a passada, houve uma redução de 3,2% na área plantada e uma previsão de redução de produção de até 400 mil toneladas”, explica. Segundo o “Relatório Econômico 2013 – Perspectivas 2014” da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o aumento de 10,7% de área plantada com soja, contrastou diretamente com a queda de 9,5% do milho em 2013. O principal motivo dessa substituição foi a valorização da soja com preços mais competitivos no mercado internacional.

ABRAMILHO/DIVULGAÇÃO/JC

MARCELO BELEDELI/ESPECIAL/JC

A produção de milho no Brasil vem se mantendo forte, mesmo com as altas e baixas das últimas safras. Depois de um 2012 bastante restrito, por causa da estiagem que atingiu a região Sul, a cultura do grão conseguiu se recuperar e permanece entre as três principais do País, ao lado da soja e arroz. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção nacional de milho de 2013 apresentou um crescimento de 13%, em comparação ao ano anterior. Só no Rio Grande do Sul, o acréscimo da produção foi de quase 70% em relação a 2012, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No entanto, já nos primeiros meses de 2014, a safra do milho voltou a ser afetada por questões climáticas, em várias regiões do País. Para o presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, o ano começou de forma preocupante. “Até agora já tivemos significantes perdas da produção em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul”, destaca. Opinião semelhante manifesta o assessor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Airton José Hochscheid, em relação ao Rio Grande do Sul. Ele afirma que, considerando a safra 2013/2014, o desempenho do milho é motivo de comemoração por um lado, mas de preocupação por outro. “Quando consideramos a produtividade média da safra por hectare, os números são animadores e mostram que a produtividade por área tem crescido no decorrer das duas últimas safras, fruto do investimento

ABRAMILHO/DIVULGAÇÃO/JC

Brasil comercializa 25% da produção no exterior

Paolinelli acredita que o setor vai fechar o ano de forma positiva

O presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, acredita que as expectativas de produção do País para 2014 são boas, principalmente por conta dos resultados esperados para a segunda safra. “Mesmo com a estiagem, estamos otimistas de que o setor vai fechar o ano de forma positiva”, defende. Ele ressalta ainda que o milho que é produzido atualmente no País é de excelente qualidade, o que tem aberto muitas portas para a exportação. “Tanto que o Brasil está caminhando para ser o maior produtor de milho do mundo muito em breve”, acrescenta. Em relação à exportação do grão em 2013, dados da Abramilho mostram

que ao todo foram exportados mais de 26 milhões de toneladas, 35% superior ao comercializado no mercado externo no decorrer de 2012. A receita alcançada pelo setor atingiu a marca dos R$ 6,2 bilhões, o que representou 18% de aumento sobre o ano anterior. Segundo Paolinelli, atualmente cerca de 25% do milho produzido no País vai para exportação. Entretanto, a produção brasileira ainda tem dificuldades de alcançar alguns mercados, já que alguns países têm restrições ao milho transgênico. “Para tentar provar a qualidade do nosso produto e ganhar estes mercados, formamos uma comissão de produtores do Brasil, Argentina e Estados Unidos que está buscando alternativas e apoio de órgãos federais”, conta.


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trigo

Produtividade e tecnologia levam a aumento da área plantada Embalados pela produção recorde do ano agrícola 2013/2014, de 3,35 milhões de toneladas, segundo a Emater-RS, os produtores gaúchos preparam-se para a safra de inverno, que deverá ocupar uma área superior aos cerca de 1 milhão de hectares da última colheita. A intenção de plantio maior é confirmada em uma das principais cooperativas, a Cotrijuí, e segundo gerente do departamento agrotécnico, Alberto Rossetto, na região de abrangência da cooperativa, a tendência é de aumento entre 10% a 20% em relação aos 110 mil hectares plantados por 2,5 mil produtos em quase 20 municípios. “A produtividade foi boa, a safra foi boa e deu receita”. Segundo Rossetto, o índice de produtividade alcançado, de 3 mil quilos por hectare, foi condizente com o nível de tecnologia adotado. Para melhorar ainda mais o rendimento e a qualidadede, a Cotrijuí vai iniciar a rastreabilidade em todas as suas lavouras. Ele explica que toda a área será georreferenciada para acompanhamento do desenvolvimento da cultura a fim de que as informações sejam levantadas a tempo de fazer as interferências que eventualmente sejam necessárias. O mercado está receptivo às melho-

Safra de inverno deverá ocupar uma área superior aos cerca de 1 milhão de hectares da última colheita

EMATER/RS/ASCAR/DIVULGAÇÃO/JC

rias. O presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Rio Grande do Sul, José Celestino Antoniazzi, diz que os moinhos estão bem abastecidos e, nos últimos cinco anos praticamente, dobraram sua ca-

pacidade, que atualmente é de 1,3 milhão de toneladas. No entanto, ainda haverá necessidade de importação de cerca de 300 mil toneladas para fazer frente às demandas de panificação, embora ele reco-

nheça que há melhoras na qualidade do produto. No ano passado, houve importação de trigo do Canadá e dos Estados Unidos, e agora a necessidade dos moinhos deverá ser suprida com trigo argentino.

tabaco

Safra está adequada à demanda Os levantamentos preliminares sobre as exportações da safra de fumo indicam que, em 2014, haverá uma pequena redução em volume e faturamento. Segundo o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Iro Schünke, pesquisas indicam uma retração entre 2% a 6%, e o comportamento do primeiro trimestre já apontou nessa direção. O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, informa que, nesse período, foram exportadas menos de 60 mil toneladas, enquanto no ano passado, nessa época, a comercialização já estava em torno de 100 mil toneladas. O dirigente do SindiTabaco explica que um dos motivos da retração é o fato de a China, um dos principais compradores do fumo brasileiro, ter reduzido as importações. “É provável que, no final do ano, tenhamos um estoque maior”, acrescenta Schünke, afirmando que a demanda pelo produto brasileiro esteve melhor em 2013. No ano passado, o Brasil bateu mais um recorde de exportações de fumo com o embarque de 627 mil toneladas embarcadas 102 países e a geração de US$ 3,27 bilhões em divisas. Da produção de 706 mil toneladas na safra 2012/13, mais de 85% foi destinada para mercados estratégicos, como a União Europeia (42%), Extremo Oriente (26%) e América do Norte (13%). Leste Europeu, África e o Oriente Médio importaram 7%, e a América Latina, 5%.

toneladas e um total de 84.160 produtores. Werner salienta que atualmente o impacto maior no custo de produção é a mão de obra, “cada vez mais escassa o Rio Grande do Sul”, e que representa 56% do custo por hectare. Independentemente das oscilações do mercado, os produtores continuam apostando na diversificação e ampliando a cobertura do programa milho e feijão após a colheita de fumo, aproveitando os resididos da adubação do solo. Schünke diz que o programa, agora passa a ser desenvolvido por todo o setor, com a chancela do sindicato e apoio do governo do Estado.

SINDITABACO/DIVULGAÇÃO/JC

agronegócio

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Rio Grande do Sul é o maior produtor nacional

Exportação de tabaco 2013

A Região Sul lidera as vendas externas, e o Rio Grande do Sul é o maior produtor nacional. O presidente da Afubra destaca que, no Brasil, há um equilíbrio entre a oferta e a demanda e, como o cenário mundial indica redução de pedidos, isto terá reflexos aqui. Ele exemplifica que a África aumentou a produção em 30%, o que preocupa os fumicultores brasileiros. Por conta dessa conjuntura internacional, a previsão é de uma redução de 12% na próxima safra para se adequar à demanda. Pelos dados da Afubra, o Rio Grande do Sul deverá plantar 152.720 hectares e a estimativa é de uma safra de 326.780

Região Sul

US$ 3,24 bilhões total exportado

624 mil toneladas

Brasil

US$ 3,27 bilhões total exportado

627 mil toneladas

Participação do tabaco no total das exportações Rio Grande do Sul

9,3%

Região Sul

6,2%

Brasil

1,35% FONTE: SINDITABACO


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entrevista

Estado consolida vínculo com a agricultura O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, considera que a qualidade do plantio e a qualidade e o bom uso de tecnologias favorecem o crescimento do agronegócio no Estado. Nesta entrevista, destaca a Metade Sul, que oportunizou em três anos um aumento de 730 mil hectares nas lavouras do seco. Jornal do Comércio - O PIB do agronegócio já representa 40,58% do PIB gaúcho. Há espaço para ampliar essa participação? Carlos Sperotto - Estamos com a Metade Sul, que oportunizou em três anos um crescimento de 730 mil hectares nas lavouras do seco. Isso é um crescimento altamente significativo. Logicamente, a partir daí, acreditamos

ter se exaurido o crescimento horizontal. Por isso, é importante a qualidade do plantio e a qualidade e o bom uso de tecnologias disponíveis já em pleno quadro de implantação. Temos o Clube de Irrigação, que trata das práticas de irrigar e utilizar a água nas culturas. Lógico que passamos um período discutindo regramentos de como não agredir o meio ambiente. Temos que fazer o ato de a água ser reservada e depois ser devolvida para seus mananciais para seguirem o seu curso. É um espaço que se cria e que efetivamente traz benefícios de crescimento de produção. Temos também o elemento da agricultura de precisão. Estamos com áreas tendo resultados extremamente favoráveis com economias racionais no custo, a partir de se utilizar racionalmente as dosagens que o solo ou a planta necessitam, e com isso, se gastando menos fertilizante. Quando falamos em um cresci-

mento de área de lavoura do seco na Metade Sul, é importante lembrar que a pecuária não sofreu; muito pelo contrário, pois quando chega a máquina para plantar o cereal, ela leva a correção e, com isso, as pastagens foram se qualificando, e a oferta de alimento aos animais não teve queda. JC - O trabalho no campo às vezes enfrenta ações como a do Ministério Público, suspendendo o uso de defensivos. Quais as consequências? Sperotto - O Ministério Público tentou suspender, mas, para a nossa satisfação, pessoas de conhecimento mais amplo passam a fazer a defesa da realidade. A solicitação de proibição do 24D, do Roundup e do Glifosato não vingou. Se isso viesse a acontecer, seria o caos para a economia nacional e a balança comercial brasileira entraria em colapso. JC - Quais as principais demandas

MARCELO G. RIBEIRO/JC

agronegócio

Dia da

Sperotto destaca a Metade Sul

para o Plano Safra 2014/2015? Sperotto - Tivemos reuniões com os ministérios da Agricultura, da Fazenda e de corretoras de seguro agrícola. Discutimos, fizemos sugestões que deverão estar no plano agrícola, inclusive dentro do aspecto de zoneamento. Trabalhamos com serenidade, conseguimos o convencimento, o lado científico ajudou com as suas posições. A obrigatoriedade do seguro que entraria em vigor em primeiro de junho ficou para o ano que vem, tendo em vista que os limites de seguro tendem a aumentar, mas não passam de R$ 700 milhões e é muito pouco para o Brasil inteiro.


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bovinos

Qualidade e integração com a lavoura marcam a pecuária A retração do número de animais para abate tem sido uma das características do mercado bovino no primeiro semestre de 2014. Consequência disso é a pressão na elevação do preço da arroba, que faz com que os frigoríficos tenham de pagar mais caro e repassem parte do custo para os varejistas. Estes, por sua vez, repassam ao consumidor o preço final. No entanto, a qualidade do rebanho se destaca e, no caso da pecuária de corte, o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, exemplifica que as raças britânicas estão cada vez mais requisitadas por outros estados. O zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria Alex Lopes diz que uma das dificuldades atuais do setor é que, como nenhum dos elos consegue passar adiante o seu custo total, porque o mercado não comporta esses patamares, “já há um estreitamento de margens de toda a cadeia”. Ele acredita que ainda vai demorar entre dois anos e meio a três para re-

compor a oferta. Segundo ele, a situação não é mais complicada, porque houve uma melhora no índice produtivo do rebanho brasileiro. O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen, afirma que há bastante dificuldade pela falta de oferta de animais e a ociosidade média do setor está em 30%. A capacidade instalada no Estado é para o abate de cerca de 200 mil cabeças/mês, mas o movimento tem sido entre 140 mil a 150 mil cabeças mensais. Apesar da queda, ele ressalta que a indústria tem se ajustado para trabalhar com ociosidade e, “nos últimos meses, não houve fechamento de nenhum frigorífico”. Entre as causas para a redução nos abates, ele cita a perda de área da pecuária para as lavouras, principalmente de soja, e também a venda de gado vivo para outros estados e para o exterior. Lauxen calcula que em torno de 4 mil cabeças de gado vivo são vendidas mensalmente para fora do Rio

Mercado bovino Faturamento (US$) 2008

2009

2010

2011

2012

2013

227.638.326

169.083.367

205.782.615

257.141.484

218.063.366

207.919.617

2008

2009

2010

2011

2012

2013

65.252.265

52.195.530

59.900.481

56.760.918

49.580.860

Volume (Kg) 48.497.124 FONTE: SECEX/MDIC/ABIEC

Grande do Sul. O Relatório Econômico 2013 da Farsul, com perspectivas para 2014, considera que há duas grandes novidades neste cenário de redução de área de pecuária: o forte aumento de produtividade que os pecuaristas estão imprimindo, mesmo que haja muito espaço para melhorias, e o avanço da integração lavoura-pecuária, que, além de colaborar também para o aumento da produtividade, permite a produção de grãos e carnes no mesmo espaço, ainda que em períodos diferentes do ano. O Relatório aponta que, com a melhoria no manejo e integração entre la-

voura e pecuária, apesar da perda de 386 mil hectares em 2013, o número de animais abatidos não sofreu uma redução proporcional, ficando a diferença em torno de 35 mil cabeças a menos do que no ano anterior. Os abates totais no Rio Grande do Sul ficaram em cerca de 1,88 milhão de bovinos. O vice-presidente da Farsul considera que a pecuária não está impactada negativamente pela agricultura e afirma que a integração trouxe melhorias para as pastagens. Gedeão Pereira cita ainda que o preço do gado no Rio Grande do Sul está melhor do que há dois anos.

aves e suínos

Expectativa de bons resultados O crescimento e a recuperação dos setores de suínos e aves no ano passado embasam uma performance ainda melhor para este ano. Em 2013, a indústria gaúcha de carne suína registrou crescimento de mais de 7,2 milhões de cabeças abatidas, sob Inspeção Federal — elevação de 2,86% em relação ao ano anterior. “Foi um ano difícil em relação à oferta de milho, mesmo assim o resultado foi satisfatório”, explica Rogério Kerber, diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado do Rio Grande do Sul (Sips). Segundo ele, uma série de fatores contribui para o aumento gradativo da produção. Com a recomposição das safras de milho e farelo de soja, foi retomado o volume adequado de ração à produção de suínos. Além disso, o aumento das exportações de carne bovina fez a demanda migrar para outras proteínas, dentre as quais a carne suína e os industrializados. “Só com exportações, a suinocultura gaúcha movimentou quase US$ 409 milhões”, acrescenta. A Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs)

projeta para 2014 a produção de 3,48 milhões de toneladas, crescimento médio de 1% sobre 2013, e exportação de 590 mil toneladas, elevação de 15,7% sobre o ano passado. A avicultura está em um processo de recuperação ainda maior. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, o setor não obteve saldo de crescimento positivo em 2013. “O ano foi para recuperar a crise ocorrida no setor em 2012, com os fortes aumentos de custos de produção, especialmente do milho e da soja”. Segundo Turra, embora os volumes de exportação tenham sido menores no primeiro semestre, o câmbio foi favorável. No segundo semestre, houve recuperação nos níveis dos embarques, atingindo volume próximo ao de 2012. Turra conta que a produção brasileira de carne de frango totalizou, em 2013, 12 milhões de toneladas, resultado 2,6% menor em relação ao mesmo período do ano anterior. O Estado foi responsável pela produção de 1,6 milhão de toneladas de carne de frango. Para 2014, a expectati-

SIPS/DIVULGAÇÃO/JC

agronegócio

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A indústria gaúcha de carne suína registrou crescimento de 2,86% em 2013

va é de equilíbrio. Os cálculos da ABPA preveem um aumento na produção de carne de frango de 3% a 4%, com volume próximo a 12,7 milhões de toneladas, o que, de acordo com Turra, é adequado à demanda do mercado em 2014. Sobre as exportações, a ABPA espera um

crescimento entre 2% e 2,5% sobre os volumes embarcados de 2013. Entre as justificativas para o crescimento está a retomada das exportações para a China aos padrões de 2012, com a habilitação de mais cinco plantas, totalizando 29 unidades exportadoras para a China.


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agronegócio

arroz

Rio Grande do Sul garante boa rentabilidade

O otimismo deve prevalecer em 2014, porque não há excesso de oferta e as indústrias continuam estimuladas

IRGA/DIVULGAÇÃO/JC

Maior produtor brasileiro e o principal exportador de arroz do País, o Rio Grande do Sul colhe, na safra 2013/2014, entre 8 milhões a 8,3 milhões de toneladas com boa rentabilidade. As informações do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) apontam para uma produtividade média de 7.400 quilos/hectare em uma área cultivada de 1,115 milhão de hectares. As cotações médias estavam se mantendo em bons patamares na finalização da colheita e, na segunda semana de maio, alcançaram R$ 34,85/ saco de 50 kg de arroz em casca, de acordo com o relatório da Emater-RS. O diretor da Brasoja, Antonio Sartori, diz que as cotações estavam altas na fase final da colheita. Já o coordenador da Câmara Setorial do Arroz no Rio Grande do Sul, César Marques, lembra que os preços do saco de arroz tiveram uma recuperação a partir de outubro de 2011 e continuaram em bons patamares em 2012. No ano seguinte, oscilaram entre R$ 33,00 e R$ 38,00 e cobriram os custos de produção. “Este ano foi muito bom para o arroz”, acrescenta. O tom otimista deve prevalecer em 2014, porque não há excesso de oferta e as indústrias continuam estimuladas. Marques afirma que um dos motivos do equilíbrio na cadeia do arroz é a

manutenção do benefício do crédito fiscal presumido do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para empresas que beneficiarem 90% de arroz produzido no Estado. “A medida valorizou o arroz gaúcho e deu competitividade às indústrias na comercialização para outros estados”.

O cenário também é favorável para as exportações. No ano passado, o Rio Grande do Sul foi responsável por praticamente toda a comercialização do arroz brasileiro para o mercado externo. “Cerca de 95% do arroz exportado tem origem no Estado”, destaca Marques. Neste ano, as vendas externas começa-

ram com aumento em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro mês do ano comercial 2014/2015, já haviam sido exportadas 133.670 toneladas de arroz, contra 112.023 toneladas de março de 2013, um crescimento de 19% em relação ao mesmo mês de 2013.

leite

AGL/DIVULGAÇÃO/JC

Produção gaúcha pode chegar a 14 milhões de litros/dia em 2019

Krug integra a diretoria do Instituto Gaúcho do Leite, criado em fevereiro

O Rio Grande do Sul tem potencial para aumentar a produção de leite e passar dos atuais 11,8 milhões de litros/dia para mais de 14 milhões de litros/dia em cinco anos, desde que crie programas para exportar o excedente. A opinião é do presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/ RS), Wilson Zanatta. Para ele, o mercado gaúcho consome 40% da produção local. “Por isso, a necessidade de vender para outros estados e ainda exportar”. Zanatta ressalta que o Rio Grande do Sul é o único estado brasileiro que aderiu à Instrução Normativa Federal 62, que visa a beneficiar o setor com a padronização da qualificação da matéria-prima e produto final. Em 2013, a

importação brasileira de lácteos foi o equivalente a US$ 569,9 milhões, e as exportações, US$ 93,82 milhões. O presidente da Associação Gaúcha de Laticinistas, Ernesto Krug, diz que a produção de leite no Brasil cresceu muito nos últimos dez anos, com uma média 4,34% ao ano. No Estado, o aumento da produção foi de 6,81%, superior à média nacional. Ele acrescenta que, nesse período, houve também avanço na industrialização que apresentou uma evolução média de 5,62% ao ano no Brasil e de 8,44% anuais no Rio Grande do Sul. “Este crescimento se deve a melhoras na estruturação das bacias leiteiras e a novas tecnologias, o que trouxe mais qualidade e produtividade, além das interferências relativas

a questões climáticas e topográficas”, salienta. O Brasil ocupa a quinta posição entre os maiores produtores de leite do mundo, e o Rio Grande do Sul é o segundo maior do País, ficando logo atrás de Minas Gerais. No entanto, atualmente, mais de 60% da produção gaúcha é exportada para outros estados. Para auxiliar na organização do setor, foi criado, em fevereiro, o Instituto Gaúcho do Leite, do qual Krug integra a diretoria. O objetivo é promover políticas públicas em prol do leite, incentivar a cadeia produtiva e buscar novas tecnologas. O instituto já conta com a participação de 35 entidades envolvidas com o setor e com o apoio do governo do Estado.


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cenário

Empresários preveem fase de expansão com moderação

Lojistas se preparam para uma demanda de consumo mais aquecida na Copa

futebol, os lojistas se preparam para uma demanda de consumo mais aquecida. É o caso da Lojas Colombo e o diretor superintendente Rodrigo Miceli Piazer conta que a rede já formou o maior estoque de televisores dos últimos 12 meses. Segundo ele, o estoque contempla as smart TV e supera, inclusive, ao realizado em

Indicadores apresentam retração Embora os prognósticos variem de acordo com cada segmento, a avaliação é de que a onda de crescimento está moderada. O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL), Gustavo Schifino, acredita que o segundo semestre terá um comportamento diferenciado por causa da Copa. O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), Vitor Augusto Koch, considera que a super safra tenha um peso importante para o bom desempenho da economia. Há preocupações, porém, com a atual conjuntura. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio do Rio Grande do Sul (ICEC-RS) encerrou o mês de abril aos 116,5 pontos, uma queda de 6,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Na mesma base de comparação, os indicadores que formam o estudo apresentaram retração: condições atuais (-16,5%), expectativas (-4,7%) e investimentos (-1,2%). O Icec-RS é pesquisado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e divulgado pela Fecomércio-RS. Com redução de 4,7% sobre abril de 2013 o indicador de expectativas quanto ao futuro (IEEC) atingiu 150,9 pontos. O indicador referente aos investimentos do empresário do comércio (IIEC) registrou queda de 1,2% na comparação com abril de 2013, atingindo neste ano 111,5 pontos.

dezembro do ano passado, para atender à tradicional demanda de Natal. “Para manter uma farta disponibilidade de produto, antecipamos as negociações de compra com os fornecedores e nossa expectativa é de que as vendas tenham uma curva ascendente”, revela Piazer. Promoções com apelo à Copa

fazem parte da estratégia de vendas e, no caso da Colombo, a campanha Carnê 18 meses promete dar aos clientes a gratuidade da última parcela se o Brasil for vencedor da Copa do Mundo. A iniciativa está em vigor desde dezembro de 2013 em todas as unidades da rede e contempla toda a linha de vídeo.

Crescimento sustentável depende de mão de obra A qualificação da mão de obra tem sido apontada como um dos principais desafios do comércio. O presidente da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio grande do Sul (Federasul), Ricardo Russowsky, considera que deveria ser priorizada a melhoria da qualidade da educação em geral. “Países com educação universal e de qualidade teriam uma vocação para a inovação de produtos e de processos de produção”, sustenta o dirigente. SMSEG/DIVULGAÇÃO/JC

A Copa do Mundo é tema recorrente em todas as conversas e na maioria das análises sobre o desempenho do comércio nas cidades que vão sediar a Copa do Mundo no Brasil. Independentemente das opiniões sobre o acerto da promoção do evento no País, todos reconhecem que haverá um impacto e que será sentido principalmente pelos setores de comércio e de serviços. Para se ter uma ideia, apenas a Copa das Confederações rendeu R$ 9,7 bilhões ao PIB em 2013, segundo dados do Ministério do Turismo, e mais da metade – 58% — ficou nas seis cidades-sede da competição. Para a Copa do Mundo em 2014, a projeção da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS) é que represente a injeção de até R$ 360 milhões em receitas diretas de turismo para o Rio Grande do Sul. O presidente da entidade, Zildo De Marchi, reconhece que a Copa é um grande evento, que pode promover a imagem do Estado e também refletir positivamente no comércio de bens e, principalmente, de serviços. No entanto, ele pondera que, para o comércio varejista, a expectativa para 2014 é que se mantenha em expansão em termos reais, porém com crescimento parecido ao do ano passado, em torno de 4,5%. Em função dos jogos do Mundial de

MARCOS NAGELSTEIN/JC

comércio e serviços

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Guarda municipal de Porto Alegre realiza curso de inglês pelo Pronatec para Copa do Mundo

E a Copa do Mundo, mais uma vez, ajuda a desenvolver iniciativas também nessa área da capacitação. Para atender à demanda de grandes eventos, incluindo as Olimpíadas em 2016, o governo iniciou ainda em 2012 o Pronatec Turismo, oferecendo cursos gratuitos, e o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com mais inscritos, num total de 19.511 participantes, sendo que 7.470 já finalizaram a formação e receberam certificados.


entrevista

Estímulo ao desenvolvimento Educação e infraestrutura são apontados pelo presidente da Federasul, Ricardo Russowsky, como temas para que o Estado recupere sua relevância no cenário nacional. Ele considera que a atração de setores intensivos em tecnologia vai estimular o crescimento econômico porque gera ganhos de produtividade. Jornal do Comércio - O que precisa ser feito para que a economia gaúcha, notadamente o setor de comércio e serviços, aumente os índices de crescimento e de produtividade? Ricardo Russowsky - No que se refere ao setor de serviços, há uma tendência natural de ampliação do seu peso na economia em relação ao setor primário e à indústria, na medida em que as economias vão se desenvolven-

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Caderno Especial do Jornal do Comércio Porto Alegre, sexta-feira, 23 de maio de 2014

MARCOS NAGELSTEIN/JC

comércio e serviços

Dia da

do. O eventual problema é que a velocidade em que isso estaria ocorrendo no Brasil e no Estado é maior do que poderia ser desejado. Há alguns economistas que já falam em desindustrialização precoce do País. No entanto, esse processo já vem ocorrendo desde os anos 1980. Para dinamizar o crescimento do setor é preciso melhorar a qualidade da educação e atrair mais empresas intensivas em tecnologia para nosso Estado. JC - Que caminhos a Federasul aponta para o desenvolvimento econômico e social do Estado? Russowsky - Deveríamos priorizar a melhoria da qualidade da educação. Países com educação universal e de qualidade teriam uma vocação para a inovação de produtos e de processos de produção. Tais inovações, por sua vez, aumentariam a produtividade da economia, gerando taxas mais elevadas de crescimento econômico. Por fim, países mais dinâmicos teriam uma pro-

pensão maior a investir em educação, fechando o ciclo virtuoso. Portanto, a melhoria da qualidade da educação é a grande reforma estrutural a ser realizada. Outra saída seria direcionar os parcos recursos públicos ainda disponíveis para estimular os setores intensivos em tecnologia, que demandam mão de obra qualificada – algo que ainda temos em abundância, em comparação à maioria dos estados brasileiros. Tais setores acabam gerando ganhos de produtividade ao longo de toda a sua cadeia produtiva, estimulando o crescimento econômico. JC - Qual a principal bandeira da Federasul em 2014? Russowsky - Sabemos que o Rio Grande do Sul tem perdido relevância econômica no País nas últimas décadas. Além de crescermos menos do que o Brasil, nossa economia apresenta uma forte instabilidade. Não é uma tarefa fácil reverter essa situação em

Presidente da Federasul, Ricardo Russowsky

um estado que possui poucos recursos próprios para investimentos. Essa escassez de investimentos públicos tem provocado uma deterioração de nossa infraestrutura, que torna o nosso custo logístico um dos mais altos do Brasil. Desde 2004, o Rio Grande do Sul tem aplicado menos de 5% da sua arrecadação em infraestrutura, percentual muito abaixo dos demais estados da região Sul e do Sudeste. Portanto, devemos direcionar os investimentos públicos com prioridade absoluta para a recuperação da infraestrutura, que hoje é um dos grandes gargalos para o nosso crescimento econômico.

No dia 25 de maio,

comemoram-se duas datas importantes no Rio Grande do Sul:

os 81 anos de fundação do Jornal do Comércio e o Dia da Indústria. É motivo de orgulho para os gaúchos dispor de um veículo de comunicação que aborda a informação econômica, financeira e contábil com tal credibilidade. Da mesma forma, parabenizamos aos empresários e trabalhadores da indústria pelo papel fundamental que assumem no desenvolvimento do nosso Estado. Os profissionais da Contabilidade se colocam lado a lado com os colaboradores desse segmento, que tanto contribui para o crescimento da economia gaúcha. Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul


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qualificação

Atração de eventos é um dos desafios

Distribuição do emprego por regiões Metropolitana

578.273

Noroeste

106.025

Nordeste

91.759

Sudeste

59.863

Centro Oriental

47.999

Centro Ocidental

38.169

Sudoeste

29.404

Rio Grande do Sul

951.492 FONTE: MTE/RAIS

Segundo Schmidt, oferta de leitos em Porto Alegre gerou uma ocupação de 53% nos 12 últimos meses

desafio do setor é a captação e geração de eventos, “não necessariamente enormes”, para ocupar a rede hoteleira atual e suportar o crescimento que está por acontecer. De acordo com a terceira edição do Mapa do Emprego, divulgado pela Fecomércio-RS com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), o setor de serviços registra em torno de 950 mil empregos no Rio Grande do Sul. O crescimento sustentável tem pautado as diversas iniciativas de entidades do setor. A economista-chefe da Fecomércio, Patrícia Palermo, afirma que são vários eixos de ação entre os quais qualificação e bem-estar dos trabalhadores, as relações de trabalho, tributário e gestão. “O Senac-RS atua na qualificação profissional, capacitando milhares de pessoas todos os anos para atuarem

na área do comércio de bens, serviços e turismo, enquanto o SESC-RS preocupa-se com o bem-estar, dedicado a atividades de saúde, lazer e cultura”, exemplifica. Para ajudar as empresas em seus processos, a Fecomércio-RS sedia e dirige o Comitê Setorial Comércio e Serviços do PGQP, atuando na atração, qualificação e avaliação das empresas do setor em relação aos seus processos de gestão da qualidade. Há muitos desafios, principalmente, para os pequenos e médios empreendedores, mas Patrícia acredita que “sem dúvidas hoje o cenário é muito mais favorável”. Ela lembra que num passado, não muito distante, grande parte das pessoas empreendiam por necessidade. “Atualmente, um número cada vez maior de indivíduos são empreendedores por visualizar uma oportunidade. A questão-chave é que

SHARI KOZAKS/DIVULGAÇÃO/JC

Responsável por mais de um terço da oferta de empregos na economia gaúcha, o setor de serviços aparece na linha de frente quando o assunto é Copa do Mundo, principalmente nas demandas relacionadas à qualificação de mão de obra e à oferta de leitos. O presidente do Sindicato dos Hotéis de Porto Alegre, Carlos Henrique Schmidt, informa que a oferta de leitos em Porto Alegre gerou uma ocupação aproximada de 53% nos 12 últimos meses, “o que demonstra ociosidade acima do desejável, pois o ideal são ocupações superiores a 60%.” Ele considera que não adianta ter uma estrutura de hospedagem para atender megaeventos que ocorrem ocasionalmente. “Devemos ainda considerar que há hotéis que abrirão as suas portas nos próximos meses, logo a perspectiva é de piora no quadro”, acrescenta. Em Porto Alegre, o setor de hotelaria emprega mais de 3 mil funcionários, representando mais de 1,5% do PIB da cidade. Para Schmidt o ideal seria manter a estrutura atual e usar o suporte de hotéis na Região Metropolitana e Serra gaúcha com um bom esquema de transporte para locomover as pessoas nestas ocasiões especiais. O presidente aponta que o principal

MARCOS NAGELSTEIN/JC

comércio e serviços

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Dia da

Para Patrícia, há vários eixos de ação, entre os quais qualificação e bem-estar dos trabalhadores

entre um negócio ter chance de dar certo e ele dar certo realmente existe um abismo. Não basta ter apenas uma boa ideia, é necessário conhecer como essa boa ideia será gerida.”


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crédito

Estado tem maior número de instituições financeiras do Sul

Quantitativo das instituições com sede nas unidades da federação Região Nordeste

165

Região Norte

78

Região Centro-Oeste

123

Região Sudeste

1.106

Região Sul

517

Total

1.989 FONTE: BANCO CENTRAL DO BRASIL

Conforme Tingas, renda disponível menor retrai a tomada de empréstimo por parte da pessoa física

País conta com 1.989 instituições financeiras

Paraná com 179 e Santa Catarina com 152. No Estado estão localizadas as sedes de nove bancos múltiplos, um banco de desenvolvimento, 13 sociedades de crédito, financiamento e investimento, quatro corretoras de títulos e valores mobiliários, seis cooperativas de crédito, uma distribuidora de títulos e valores mobiliários, uma sociedade de arrendamento mercantil, duas sociedades de crédito imobiliário e poupança, uma sociedade de crédito ao microempreendedor, uma agência de fomento, uma companhia hipotecária, 123 cooperativas de crédito e 23 administradoras de consórcio. O perfil diversificado do setor financeiro favorece a movimentação de ativos e o atendimento da demanda de crédito. O economista-chefe da As-

sociação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas, considera que, no atual cenário, há um movimento de retração na tomada de empréstimo por parte da pessoa física porque a renda líquida disponível é menor. “Há menos dissídios, a geração de empregos não está no mesmo ritmo e as pessoas ficam mais retraídas”. Tingas projeta um crescimento do crédito total entre 10% a 12%, mas ressalva que o crédito direcionado, como o imobiliário e o consignado, deve apresentar um percentual maior de elevação em 2014. “Há uma reestruturação de orçamentos e de custos. As pessoas estão substituindo a dívida cara por uma dívida barata”, constata. O economista avalia que a expansão que pode ocor-

JONATHAN HECKLER/JC

Estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado no final de março, revela que o número de bancos vem caindo nos principais países e as grandes instituições financeiras estão cada vez maiores. No Brasil, o relatório mostra que a concentração do setor também aumentou e os três maiores bancos do País, que em 2006 respondiam por 35% dos ativos bancários, passaram a responder por 55%. O trabalho do FMI usou uma amostra de 100 bancos considerados sistemicamente importantes, incluindo o Banco do Brasil (BB) e o Bradesco, entre os brasileiros. No Brasil, dados do Departamento de Organização Financeira do Banco Central do Brasil indicam que o País conta com 1.989 instituições financeiras – bancos, cooperativas de crédito, distribuidoras de títulos e valores – ficando a região Sudeste com a maior concentração, totalizando 1.106, e em segundo lugar está a região Sul, com 517 instituições. Dos três estados do Sul, o Rio Grande do Sul é sede do maior número de instituições financeiras, com 186 empresas, seguido pelo

MARCOS NAGELSTEIN/JC

comércio e serviços

Dia da

rer é no crédito para pessoa jurídica, em modalidades como crédito agrícola, financiamento de máquinas e capital de giro para pequenas e médias empresas. Tingas afirma que a expansão do crédito acompanha o ritmo da economia, que atualmente é baixo. “A boa notícia é que se consome com mais qualidade. Agora as pessoas estão aprendendo a usar melhor o crédito e a lidar com as finanças”. O desafio é montar uma agenda de crescimento para o País porque “faltam fontes para financiar um novo ciclo de expansão”.


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Dia da

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comércio e serviços

comércio

Setor vive ano de expectativas

MARCOS NAGELSTEIN/JC

Schifino considera que o segundo semestre será alavancado pelos recursos do turismo

MARCELO G. RIBEIRO/JC

Os protestos que levaram milhares para às ruas e a greve do transporte coletivo da Capital deram um tom atípico aos primeiros meses do ano, mas a proximidade da realização dos jogos da Copa do Mundo e o próprio comportamento do consumidor fazem com que o comércio em geral aposte em bons números para 2014. A Câmara dos Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL) projeta que o Mundial deverá gerar um impacto entre R$ 96 milhões e R$ 101,8 milhões no comércio de Porto Alegre, uma das cidades-sede. Mas a conta pode ser ainda mais robusta se forem contabilizados outros serviços, como hospedagem, alimentação e transportes, podendo chegar a valores entre R$ 304,6 milhões e R$ 323,1 milhões. O presidente da CDL, Gustavo Schifino, considera que o segundo semestre será alavancado pelos recursos do turismo. “O grande esforço é vender para fora daqui, ter apelo turístico”, destaca. Sobre um eventual ressurgimento das manifestações de rua durante os jogos da Copa, ele disse que os lojistas estão preocupados com o que possa acontecer, mas também confiam nas providências de segurança anunciadas pelo governo. A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS) também aposta em um bom desempenho para 2014. Segundo o

Estimativa é de um crescimento que pode passar de 7% em relação ao ano passado

presidente da entidade, Vitor Augusto Koch, a estimativa é de um crescimento que pode passar de 7% em relação ao ano passado. Segundo ele, três fatores vão respaldar essa expansão, e um deles é a super safra. “Quando o agronegócio vai bem, reflete quase imediatamente no comércio”. O impacto da Copa do Mundo tam-

bém é levado em consideração e, entre outros benefícios, foram mapeadas cerca de 400 oportunidades de novos negócios. Há ainda o fato de 2014 ser um ano eleitoral. “Nos últimos 20 anos, sempre que há eleição majoritária, há investimentos”, constata. O presidente da Fecomércio-RS, Zildo De Marchi, afirma que, para o comércio varejista

especificamente, a expectativa é de que se mantenha em expansão em termos reais, porém com crescimento parecido ao do ano passado, em torno de 4,5%. “Apesar do mercado de trabalho aquecido, a elevação de juros e a inflação em patamar elevado tendem a conter um pouco o desempenho das vendas neste ano”, acrescenta.

supermercados

MARCOS NAGELSTEIN/JC

Crescimento para 2014 deve ser de 5% a 7%

O segredo é entender e satisfazer o cliente, diz Longo

Com uma participação importante no PIB gaúcho — de 7,05% no ano passado, o setor supermercadista do Rio Grande do Sul considera que uma conjuntura de fatores deve refrear o consumo. O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, diz que a estimativa é de um crescimento entre 5% a 7% em 2014. Para ele, embora tenha espaço para expansão de lojas de todos os tamanhos, as médias apostam na proximidade com a comunidade e vêm crescendo acima das grandes. “A tendência é de que este quadro seja semelhante em 2014, mas há espaço para todos os formatos e tipos de supermercados. O supermercado de sucesso é o que entende e satisfaz as necessidades do seu perfil de cliente”, diz. As grandes redes continuam apostando no potencial do Estado. O diretor de operações do Walmart Brasil na região Sul, Walter Freitas, salienta que o Rio Grande do Sul se destaca nos últimos anos com um desempenho relevante, acima da média nacional. “Esperamos manter esse patamar neste ano”. Freitas informa que, atualmente, são mais de 540

lojas no País, 116 delas no Rio Grande do Sul, sendo 21 BIG, 64 Nacional, 13 Maxxi Atacado, 17 TodoDia e 1 Sam’s Club. No Estado, a empresa encerrou 2013 com investimento de quase R$ 125 milhões para reforma e construção de novas lojas. Apenas nos últimos cinco anos, foram investidos cerca de R$ 500 milhões na construção de 27 novas lojas e gerados mais de 2.500 mil empregos diretos.

Os supermercados do RS 2011

2012

2013

Faturamento total do setor

R$ 17,2 bilhões

R$ 19,3 bilhões

R$ 21,9 bilhões

Participação no PIB Estadual

6,31%

6,54%

7,05%

Participação nas vendas do setor no Brasil

7,3%

7,7%

8,0%

Número de lojas

3,9 mil

4,1 mil

4,3 mil

Funcionários

86.510

89.095

91.767 FONTE: AGAS


Dia da

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supermercados

Empresas de médio porte foram as que mais cresceram De acordo com o Ranking Agas 2013, divulgado em abril, pelo quarto ano consecutivo, as empresas de médio porte foram as que mais cresceram, superando as grandes e as micro e pequenas. A identificação

com as comunidades onde atuam é um dos principais trunfos desses negócios. Os supermercados gaúchos empregam cerca de 91 mil pessoas, e a mão de obra feminina está superando a masculina no setor. No ano

passado, os supermercados gaúchos tiveram um crescimento de 7,39% e um faturamento de R$ 21,9 bilhões. A representatividade do Rio Grande do Sul no total do setor brasileiro também aumentou de 7,7% em 2012 para

8,0% no ano passado. No Brasil, os supermercados alcançaram um faturamento de R$ 272,2 bilhões em 2013, o que representou um crescimento real de 5,8% na comparação com o ano anterior.


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entrevista

Escassez da mão de obra desafia o setor O presidente da Fecomércio, Zildo De Marchi, considera que a qualificação e a escassez de trabalhadores é um dos principais desafios para o comércio melhorar sua performance. A Copa do Mundo terá impacto positivo, mesmo assim, ele acredita que o desempenho do setor será parecido com o do ano passado, com um crescimento em torno de 4,5%. Jornal do Comércio — A Copa do Mundo impulsionou as vendas do comércio gaúcho? O desempenho deve ser melhor do que no ano anterior? Zildo De Marchi — A Fecomércio-RS estima que a Copa do Mundo traga até R$ 360 milhões em receitas diretas de turismo para o Rio Grande do Sul. Certamente, é um grande evento, que pode promover a imagem do Estado e refletir positivamente

no comércio de bens e, principalmente, de serviços. Seu impacto direto sobre as vendas, contudo, não é significativo para determinar a conjuntura do ano como um todo do setor de serviços, que corresponde à metade do PIB estadual. Em 2014, para o varejio, a expectativa é de que se mantenha em expansão em termos reais, porém com crescimento parecido ao do ano passado, em torno de 4,5%. JC — Quais setores serão mais favorecidos pelo fato de Porto Alegre ser uma das sedes dos jogos? De Marchi — As atividades que devem ser impactadas de forma mais significativa pela Copa são aquelas relacionadas a turismo e eventos. Nesse grupo, incluímos os serviços de hospedagem, alimentação e lazer, como bares e restaurantes, transportes, agências de trabalho temporário e serviços turísticos e de recepção em geral. Mesmo que numa escala menor, o comércio de bens, por sua vez, também

pode perceber algum reflexo positivo com as compras feitas pelos turistas, tendo em vista que boa parte das seleções que jogam em Porto Alegre possuem população de renda média elevada, como é o caso de França, Holanda, Austrália e Coreia do Sul, por exemplo. JC — Quais os desafios do comércio gaúcho para melhorar seu desempenho? A qualificação da mão de obra é um deles? Há outros entraves? De Marchi — A qualificação e a escassez de trabalhadores é um dos maiores desafios. Atingimos uma situação, mais acentuada no Estado, em que há pocos trabalhadores disponíveis, tampouco ingressando no mercado de trabalho. O aumento de produtividade tornou-se fundamental, e o baixo nível de escolaridade é um empecilho nesse sentido. O Senac-RS tem auxiliado as empresas do comércio a suplantar essa questão nos últimos anos, com forte ampliação da oferta de cursos

MARCOS NAGELSTEIN/JC

comércio e serviços

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Dia da

Presidente da Fecomércio, Zildo De Marchi

de qualificação. Mas a baixa qualidade da Educação Básica dificulta o desenvolvimento e a formação dos alunos. Nesse quadro de escassez de trabalhadores, o desafio de aumentar a produtividade passa pela assimilação de novas tecnologias. Por outro lado, as questões tributárias são igualmente um grande entrave. A carga tributária é muito alta e, talvez mais importante do que isso, a complexidade do nosso sistema tributário é ultrajante. É um fator que afeta a produtividade, pois desvia parte relevante da energia e dos recursos das empresas para o processo burocrático de pagar tributos, em detrimento de um foco maior em sua atividade fim.


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entrevista

Escassez da mão de obra desafia o setor O presidente da Fecomércio, Zildo De Marchi, considera que a qualificação e a escassez de trabalhadores é um dos principais desafios para o comércio melhorar sua performance. A Copa do Mundo terá impacto positivo, mesmo assim, ele acredita que o desempenho do setor será parecido com o do ano passado, com um crescimento em torno de 4,5%. Jornal do Comércio — A Copa do Mundo impulsionou as vendas do comércio gaúcho? O desempenho deve ser melhor do que no ano anterior? Zildo De Marchi — A Fecomércio-RS estima que a Copa do Mundo traga até R$ 360 milhões em receitas diretas de turismo para o Rio Grande do Sul. Certamente, é um grande evento, que pode promover a imagem do Estado e refletir positivamente

no comércio de bens e, principalmente, de serviços. Seu impacto direto sobre as vendas, contudo, não é significativo para determinar a conjuntura do ano como um todo do setor de serviços, que corresponde à metade do PIB estadual. Em 2014, para o varejio, a expectativa é de que se mantenha em expansão em termos reais, porém com crescimento parecido ao do ano passado, em torno de 4,5%. JC — Quais setores serão mais favorecidos pelo fato de Porto Alegre ser uma das sedes dos jogos? De Marchi — As atividades que devem ser impactadas de forma mais significativa pela Copa são aquelas relacionadas a turismo e eventos. Nesse grupo, incluímos os serviços de hospedagem, alimentação e lazer, como bares e restaurantes, transportes, agências de trabalho temporário e serviços turísticos e de recepção em geral. Mesmo que numa escala menor, o comércio de bens, por sua vez, também

pode perceber algum reflexo positivo com as compras feitas pelos turistas, tendo em vista que boa parte das seleções que jogam em Porto Alegre possuem população de renda média elevada, como é o caso de França, Holanda, Austrália e Coreia do Sul, por exemplo. JC — Quais os desafios do comércio gaúcho para melhorar seu desempenho? A qualificação da mão de obra é um deles? Há outros entraves? De Marchi — A qualificação e a escassez de trabalhadores é um dos maiores desafios. Atingimos uma situação, mais acentuada no Estado, em que há pocos trabalhadores disponíveis, tampouco ingressando no mercado de trabalho. O aumento de produtividade tornou-se fundamental, e o baixo nível de escolaridade é um empecilho nesse sentido. O Senac-RS tem auxiliado as empresas do comércio a suplantar essa questão nos últimos anos, com forte ampliação da oferta de cursos

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Presidente da Fecomércio, Zildo De Marchi

de qualificação. Mas a baixa qualidade da Educação Básica dificulta o desenvolvimento e a formação dos alunos. Nesse quadro de escassez de trabalhadores, o desafio de aumentar a produtividade passa pela assimilação de novas tecnologias. Por outro lado, as questões tributárias são igualmente um grande entrave. A carga tributária é muito alta e, talvez mais importante do que isso, a complexidade do nosso sistema tributário é ultrajante. É um fator que afeta a produtividade, pois desvia parte relevante da energia e dos recursos das empresas para o processo burocrático de pagar tributos, em detrimento de um foco maior em sua atividade fim.


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infraestrutura

cenário

Obras da Copa impulsionam, mas não resolvem

Investimentos para a Copa do Mundo Projeto

Valor

Reforço energético

R$ 142.354.662

BR 448

R$ 918.000.000

Mobilidade Urbana

R$ 135.100.000

Acesso Vila Ventura - RS 118

R$ 5.000.000

Aeroporto Salgado Filho

R$ 388.200.000

Expansão Metrô

R$ 930.000.000

Aeromóvel

R$ 37.800.000

FONTE: COMITÊ GESTOR DA COPA 2014 RIO GRANDE DO SUL (CGCOPA)

Empresas de infraestrutura de transporte enfrentam dificuldades

MARCOS NAGELSTEIN/JC

O setor de infraestrutura no País, mesmo com os investimentos e obras aceleradas em função da Copa do Mundo, acompanha a lenta recuperação da economia. Na construção civil, o crescimento moderado em 2013, de 1,9%, ficando abaixo do PIB, que registrou 2,3%, foi uma reversão na trajetória dos últimos cinco anos do setor no País, em que a média de alta foi de 4% ao ano. O Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) acredita, no entanto, que, como o setor cresce junto com a economia, é pouco provável que se observe um fenômeno parecido com o biênio de 2010 a 2011, quando atingiu 11,6% e o PIB estava em 7,5%. O presidente do Sinduscon-RS, Ricardo Sessegolo, projeta um crescimento anual de 2% a 2,3% para 2014. E afirma que, considerando

um cenário de cinco anos, registrar expansão de 3% a 4% já seria um ótimo resultado. O número de lançamentos no mercado imobiliário gaúcho no primeiro trimestre de 2014 apresentou um retrocesso, devido a entraves burocráticos, como a Lei de Segurança Prevenção e Proteção Contra Incêndios do Estado. Foram apenas 310 unidades, contra 1.117 no mesmo período de 2013 — que já apre-

sentou uma queda de 16,07% em relação a 2012. Por isso, os estoques seguem caindo, e as vendas, aumentando. Mesmo assim, não haverá um desaquecimento, uma vez que, no acumulado até fevereiro, 5.414 vagas de emprego foram criadas, ante as 3.719 vagas registradas no ano passado, evidenciando crescimento das empresas, através do aumento da produtividade em todas as suas operações. Em relação à infraestrutura

de transportes, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral no Estado do Rio Grande do Sul (Sicepot-RS), Nelson Sperb Neto, destaca que as empresas gaúchas envolvidas nos processos, à semelhança do retrato nacional do setor, vêm enfrentando dificuldades crescentes, principalmente pelos licenciamentos e controles governamentais.

Ações de longo prazo são necessárias de propostas de todos os setores institucionais do Estado. Segundo o presidente da Agência de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), Ivan de Pellegrin, existem obras em curso, como a duplicação da BR 116 e a

MARCOS NAGELSTEIN/JC

O Plano de Infraestrutura para o Desenvolvimento, voltado para a área industrial, por exemplo, busca a constituição de uma agenda de Estado para superar os principais gargalos que prejudicam o setor, com a análise

Mundial agilizou um investimento total de R$ 2,5 bilhões em obras na Capital

ampliação do Aeroporto Internacional Salgado Filho, além de obras e projetos que ainda estão no início, como as ferrovias. A avaliação dos investimentos é a próxima etapa, prevista para junho. Para o secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, João Vitor Domingues, a preocupação do Governo sobre a infraestrutura tem foco no desenvolvimento e na integração regional, com a conservação e ampliação das rodovias e hidrovias, além do aprimoramento energético. “Isso diminui custos e nos deixa mais competitivos. A infraestrutura e a logística preparando a manutenção e o suporte”, ressalta. A Copa colocou em evidência deficiências históricas e agilizou a execução de obras na Capital, em um investimento total que perpassa os R$ 2,5 bilhões. Os recursos oriundos dos governos Federal, Estadual e Municipal, segundo o coordenador executivo do

Comitê Gestor da Copa 2014 RS (CGCopa), Maurício Nunes Santos, garantirão benefícios duradouros. Ele ressalta “o reforço energético, de responsabilidade da CEEE, e o asfaltamento da RS 118 no acesso ao Vila Ventura”. São melhorias necessárias que ficarão para a população. “A nova subestação Menino Deus, construída para suprir a demanda do estádio Beira-Rio, atenderá também os bairros Assunção, Cristal, Menino Deus, Praia de Belas e Santa Teresa. A pavimentação da RS 118 também ficará”, elenca. Apesar de fazerem parte da cartela de obras da Copa a ampliação do Aeroporto e a construção de 22,3 km da BR 448, entre Sapucaia do Sul e Porto Alegre, com estimativa de redução de 40% do tráfego da BR 116 no acesso a capital por Canoas, as melhorias não resolvem os principais entraves para o crescimento da indústria gaúcha.


Dia da

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cenário

Setor elétrico teve reforço em 2014 O setor elétrico, apesar de ainda apresentar problemas, em especial nos preços praticados pelas empresas e no fornecimento de energia, foi um dos que teve reforço em 2014, porém com a previsão aquém do esperado.

“O evento Copa do Mundo oportunizou que o planejamento energético saísse do papel e virasse uma realidade para o Rio Grande do Sul. Contudo, alguns entraves, tais como licenciamentos ambientais, desapro-

priações, liberações de áreas e licitações, levaram a alguns atrasos no planejamento inicial e, consequentemente, a uma redução do número de obras que serão concluídas até a Copa”, justifica o coordenador execu-

tivo do Comitê Gestor da Copa 2014 RS (CGCopa), Maurício Nunes Santos. Em abril de 2014, de um total de 14 obras previstas para serem finalizadas no Mundial, somente metade delas estava acabada.


entrevista

Mercado imobiliário acompanha crescimento unidades e só lançamos 300. Estamos com estoques abaixo de 3.500 unidades. No entanto, foi assinado, em 25 de abril, o Decreto 18.623/14, que deve agilizar a aprovação dos projetos em Porto Alegre. O decreto determina que os projetos de edificações devem tramitar em paralelo nas diversas secretarias envolvidas na análise e vistorias. Isso já agiliza a aprovação em termos arquitetônicos, mas o próximo passo é a liberação do Corpo de Bombeiros, onde o processo está mais demorado. Temos que equipar o Corpo de Bombeiro com técnicos que façam essa análise em um prazo bom. Senão, o movimento que a Prefeitura fez para simplificar será perdido em tempo nos bombeiros. A Lei de Segurança, Prevenção e Proteção contra Incêndios no Rio Grande do Sul (Lei 14.376/2013) trouxe restrições em licenciamento. Aos poucos, temos que ver o que tem de exagero na Lei e fazer adequações. É preciso

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), Ricardo Sessegolo, falou ao Jornal do Comércio sobre os entraves para o lançamento de empreendimentos e as expectativas para o setor. Jornal do Comércio – Como está o cenário imobiliário neste ano? Ricardo Sessegolo – Devido a mudanças da legislação municipal, foram lançados, em Porto Alegre, 16% a menos em 2013 ante o ano anterior. E o mercado vendeu muito bem em 2013, foram 9% a mais do que em 2012. Foram 5.172 imóveis apenas em Porto Alegre. Reduzimos os estoques e fechamos o ano com 4.200 imóveis novos à venda. É a capital brasileira com menor estoque. Nos primeiros meses de 2014, vendemos 1.117

uma adaptação sem perder a segurança. JC – Há bolha imobiliária no Brasil? Os preços tendem a cair? Sessegolo – O Brasil tem um déficit habitacional de 5,5 milhões. Nós estamos com pleno emprego, mas a concessão de crédito é extremamente rígida – tanto que, às vezes, derruba as vendas –, a inadimplência nos bancos é de apenas 3%, e nas empresas é de apenas 1,5%. O percentual financiado médio é de 60%. O volume total de crédito imobiliário representa 7,7% do PIB. Nos Estados Unidos, representava 60%, e na Espanha, 80%. Os preços subiram, porque havia uma demanda reprimida muito grande e, como houve essa abertura, aconteceu uma procura muito grande por crédito. Isso encareceu o preço dos terrenos. A mão de obra subiu também, pois estamos com carência, esses foram os motivos da alta dos preços. Não há como falar em bolha

MARCOS NAGELSTEIN/JC

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Segundo Sessegolo, lançamentos serão retomados no segundo semestre

imobiliária no País, muito menos no Rio Grande do Sul. JC – Diante deste cenário, o senhor acredita que, a médio prazo, é possível retomar o ritmo de crescimento do setor registrado no quadriênio 2008-2011? Sessegolo – Eu acho que se pode retomar o crescimento, mas não no mesmo ritmo de 2008 a 2010, pois o Brasil está diferente, diminuiu o seu ritmo, e o setor imobiliário caminha acompanhando o crescimento do País. Se nós conseguirmos manter o crescimento do setor da construção civil em torno de 3% a 4%, estou satisfeito.

energia

Indústria gaúcha eleva médias O consumo de energia elétrica no País aumentou 6% de janeiro a março, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Nesse período, o consumo atingiu 121.922 giga-watts-hora (GWh). O destaque ficou com a Região Sul, que teve alta de 17,5%. Já o Sudeste expandiu 7,8%. Nas demais regiões, juntas, o crescimento no período foi de 114%. Apenas em março, o consumo no País cresceu em 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado. A elevação foi verificada em todos os segmentos, com destaque para a indústria, que cresceu 0,7%. Os setores que reduziram o consumo no primeiro bimestre de 2014 são metalurgia (-2,6%) e químico (-3,2%), conforme a Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF). Do outro lado, foi registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mesmo período, aumento na atividade em alimentos (1%) e bebidas e têxtil (1,5%). Conforme a EPE, o ritmo segue enfraquecido, entretanto, a região Sul (+6,5%) foi a que mais contribuiu para o resultado de fevereiro, com destaque para os setores de produtos alimentícios e de madeira. No Rio Grande do Sul, onde o índice é de 6,3%, o bom desempenho destes setores mais do que compensou a influência negativa de paradas para manutenção na indústria química.

A energia elétrica é uma das questões represadas mais importantes no desenvolvimento das atividades

ANTONIO PAZ/JC

infraestrutura

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Dia da

Para a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), a energia elétrica é uma das questões represadas mais importantes no desenvolvimento das atividades. “Está entre as questões que mais estamos analisando e olhando quais serão as consequências”, afirma o presidente, Heitor Muller. E o cenário ficou ainda mais complicado com o anúncio do aumento para os clientes da AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia, em vigor desde 19 de abril. O aumento da tarifa de 30,29%, índice máximo da

correção, atingiu 32,9 das indústrias gaúchas. No Rio Grande do Sul, a área atendida pela AES-Sul concentra 35,3% do valor adicionado bruto da indústria, 33,8% do emprego industrial formal e 32,9% dos estabelecimentos industriais. E o leilão realizado pela Aneel em 30 de abril, que contratou 2.046 Mw médios em energia elétrica, parece não trazer reflexos positivos ao mercado consumidor. Segundo o diretor da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia

Elétrica (Abradee), Marco Antonio Delgado, o preço de R$ 268/MWh do Leilão A é maior do que a atual cobertura tarifária, entre 120 e 160 R$/MWh, conforme a distribuidora, “mas é bem menor do que ficar exposto ao preço no mercado de curto prazo (PLD), que tem batido no teto de 822/MWh nos últimos meses e ainda ficará em patamar elevado para os próximos meses. Ou seja, haverá aumento tarifário, mas em nível bem inferior do que caso não houvesse oferta nesse leilão”.


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construção civil

Expectativa positiva para 2014 O crescimento esperado para a construção civil brasileira em 2014 é de 2,8%. Índice acima do aumento previsto para a economia e superior ao registrado pelo setor no ano anterior,

quando a expansão foi de apenas 1,9% no País e de 2% no Rio Grande do Sul. O tímido desempenho nacional marcou uma mudança na tendência apresentada nos últimos três anos, que

teve números superiores ao da economia. Já no Rio Grande do Sul, o crescimento de 2013 foi superior ao 1,5% registrado em 2012, mas significou a menor média dos últimos cinco anos

(4,22%). Isso indica que o setor se recuperou em relação ao fraco desempenho de 2012, mas não apresenta o mesmo crescimento do quadriênio 2008-2011.


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infraestrutura

construção civil

Setor se recupera Em 2013, o número de trabalhadores formais empregados na construção civil chegou a 154.329 no Rio Grande do Sul MARCOS NAGELSTEIN/JC

Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) mostram que, em março, de 2014, o estoque de lançamentos em Porto Alegre correspondia a 8,4 meses de venda. O número é resultado da redução de 37,2% nos últimos 12 meses fechados em fevereiro e com aumento das vendas, de 13,44%, no mesmo período. Para o presidente do Sinduscon-RS, Ricardo Sessegolo, a burocracia, que chega a aumentar até 12% o valor total do imóvel para o proprietário, é o principal obstáculo. No entanto, Sessegolo acredita que, no longo prazo, o mercado imobiliário é promissor. Conforme o dirigente, ainda há espaço para a ampliação do crédito imobiliário, pois o déficit habitacional ainda é de 5,2 milhões no País e de 182,6 mil no Rio Grande do Sul. “Já com relação às obras públicas, fica a dúvida quanto à capacidade do poder executivo ter recursos maciços para investir na tão necessária infraestrutura para que o País sustente o crescimento”, analisa Sessegolo. Segundo o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-RS), Moacyr Schukster, o primeiro trimestre de 2014

Números do setor entre 2003-2013 exibiu comportamento similar aos últimos meses do ano anterior, tanto em locação quanto nos preços ofertados para venda de imóveis usados. E essa estabilidade, ao que parece, continuará durante o ano em curso. O ano de 2013, à medida que os meses avançavam, evidenciou uma desaceleração nos negócios do setor. Isso aconteceu nas locações e também nas vendas. “No entanto, quem investiu em imóveis não tem do que se queixar. O preço do metro quadrado médio dos imóveis residenciais usados nos cinco anos fechados em dezembro/2013 aumentou 126,80%. Comparando com

o IPCA do mesmo período, que foi de 31,89%, fica evidente a extraordinária margem auferida para aquele que colocou dinheiro no bem”, avalia. De certa maneira, como uma das explicações para o desaquecimento do setor, constata-se que o estoque de imóveis residenciais para locação deu um salto de 62,15%. Parece compreensível, por isso, que o preço dos aluguéis tenham tido, nos meses recentes, um aumento próximo à inflação, embora ainda superando-a. A oferta de imóveis residenciais usados para venda, ainda no mesmo período de cinco anos, exibe uma elevação em 65,09%.

Ano

Unidades lançadas

Unidades vendidas

Unidades estocadas*

2003

2197

1601

3413

2004

2333

1746

3684

2005

1305

1755

2906

2006

2116

2204

2875

2007

4567

4409

3496

2008

5062

5581

3285

2009

5290

4870

3920

2010

5017

5722

4657

2011

4136

4163

4844

2012

5356

4751

5644

2013

4495

5172

*Acumulado em dezembro de cada ano

4267 FONTE: DEE-SINDUSCON-RS

material de construção

Estado apresenta resultados positivos impulsionado pela abertura de créditos, os bons resultados da safra, o poder de ascensão da classe C e o clima favorável. Para o presidente da Associação dos Comerciantes de Material de Construção de Porto Alegre (Acomac), Paulo Penna Rey, o resto do ano será

MARCOS NAGELSTEIN/JC

O ano de 2014 começou bastante aquecido no comércio de materiais de construção, com um aumento total de 39 mil postos de trabalho nas principais capitais, incluindo Porto Alegre. Em faturamento, o Estado registrou aumento de 6% no primeiro trimestre,

Copa do Mundo, incentivos e boa safra impulsionam o setor

motivado pela boa safra de verão, Copa do Mundo e incentivos em função das eleições. “A expectativa é de um ótimo ano”, afirma. No âmbito nacional, as vendas no primeiro trimestre do ano ficaram 6% abaixo do mesmo período no ano passado. O setor, que registrou 4,4% de crescimento em 2013, alcançando um faturamento recorde de R$ 57,42 bilhões, teve um comportamento atípico na primeira etapa de 2014. Em março, alguns segmentos que haviam apresentado grande crescimento em fevereiro, registraram queda de vendas, como o aço, que retraiu 11%, os revestimentos cerâmicos (-5%) e as portas e janelas de alumínio (-6%). “Ainda assim, esperamos um desempenho positivo do setor em 2014, com um recorde histórico de 7,2% de crescimento sobre 2013”, afirma o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz. Na indústria, foi registrada uma alta real de 3,5% do faturamento no

primeiro bimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover, a expectativa para crescimento anual é de 4,5%. Neste início de ano, as vendas de materiais de acabamento foram superiores aos materiais de base, refletindo a fase em que se encontram os empreendimentos imobiliários e a venda de materiais para reformas. “No decorrer do ano, esperamos que o crescimento desses materiais seja mais uniforme, na medida em que novas edificações, vendidas em 2013, entrem em fase de início de obras”, revela Cover. Sobre um total de vendas de R$ 147 bilhões do ano passado, cerca de R$ 137 bilhões, ou aproximadamente 93% equivalem a vendas no mercado interno, sendo a diferença representada pelas exportações. Em 2013, as exportações cresceram 17%, mas, nesse inicio de 2014, estão no mesmo nível em que estavam no inicio de 2013.


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infraestrutura

transporte

Obras rodoviárias estão em alta

DNIT deve executar de R$ 13 bilhões a R$ 14 bilhões em 2014

ASCOM DNIT /DIVULGAÇÃO/JC

O setor de infraestrutura de transportes está em aquecido ritmo de obras. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em 2013, finalizou e homologou 494 licitações no País. “Podemos perceber que há um amadurecimento gerencial nas ações do Dnit. Destravamos os contratos de manutenção estruturada das rodovias (Crema 1 e Crema 2) e o Programa de Sinalização BR Legal; as principais obras com pendências ambientais foram resolvidas”, diz o diretor-geral do Dnit, Jorge Fraxe. Ele afirma que, a partir da carteira de obras cujos contratos já foram assinados e daquelas que serão contratadas nos próximos meses, é possível prever uma execução de R$ 13 bilhões a R$ 14 bilhões em 2014. No Rio Grande do Sul, segundo o secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, João Victor Domingues, está em curso o maior plano de obras rodoviárias da história do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), com cartela de R$2,6 bilhões. “Os acessos municipais são uma estratégia de inclusão e desenvolvimento regional. Nós temos hoje 37 acessos municipais em obras, 15 concluídos e 13 sendo finalizados. E estaremos, nos próximos meses, reiniciando outros 22”, aponta, ao dizer que também há uma estratégia consolidada de manutenção e conservação, com investimentos já contratados com o Banco Mundial de R$ 1 bilhão. O secretário também destaca duas duplicações em andamento – RS 118 e a RS 509 —, o projeto da duplicação Bento-Farroupilha, sete ligações regionais

concluídas e cinco em obras; e, nos próximos dias, o início de mais quatro ligações regionais. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral no Estado do Rio Grande do Sul (Sicepot-RS), Nelson Sperb Neto, analisa que o cálculo do atual custo logístico de transporte do País e do Estado indica que estamos no limite. “A grande alternativa, já encaminhada pelo atual governo, com a concessão recente de 3 mil km para a

iniciativa privada – embora ainda tímida, e sempre contestada – , parece ser a única solução real, tanto na garantia da perenidade dos recursos quanto na eficiente gerência privada da infraestrutura”, completa. Segundo o presidente, em 2013, foram investidos nas rodovias do Estado, entre manutenção e ampliação das malhas estadual e federal, cerca de R$ 1,5 bilhão, sendo que 80% desse valor é de responsabilidade do Governo Federal através do Dnit. Sperb Neto ressalta que o programa

de obras federais em andamento no Estado contempla principalmente a duplicação do eixo Porto Alegre – Rio Grande, com término previsto para meados de 2015, à exceção das pontes do Guaíba, Camaquã e São Gonçalo, ainda não iniciadas. Já o programa de obras estaduais, lançado em 2011, com investimento previsto de R$ 2,6 bilhões em acessos municipais, ligações regionais, duplicações e recuperação, na opinião dele, encontra-se com andamento bem aquém do previsto.

TECON RIO GRANDE/DIVULGAÇÃO/JC

Integração e qualidade dos modais

Ajuste dos modais hidroviário e ferroviário nas instalações do Tecon tem permitido volumes crescentes e fretes competitivos

O ano de 2013 foi de recordes nos portos gaúchos. Segundo o superintendente de Portos e Hidrovias, Arlindo Bonete, no Cais Navegantes, na Capital, mais de 1 milhão de toneladas de carga foram movimentadas. “A expectativa é que prossiga esse aumento a um percentual de, no mínimo, 10%”. O estudo de viabilidade técnica ambiental, que deve ser concluído em junho/2014, prevê um aumento para 930 km da Lagoa Mirim, mais a parte do Rio Taquari e do Porto de Estrela. “Ele basicamente força a questão do mercado Brasil-Uruguai. Se considerarmos a Lagoa dos Patos, nós temos 758 km que estão sendo utilizados para trafegabilidade comercial. Então, há uma expectativa grande para a melhora das hidrovias, das embarcações e das condições portuárias”, completa o superintendente, que calcula um crescimento de 30% em movimentações. Segundo o diretor comercial do Tecon Rio Grande, Thierry Rios, a importação foi bastante forte em 2014, 9% superior em relação a 2013. A cabotagem

foi 5% superior em relação ao mesmo período do ano passado e, na exportação, redução de 2%, em função da pequena queda de frango congelado. No geral, houve aumento de 28% do primeiro trimestre de 2014 em relação ao primeiro trimestre de 2013. A integração dos modais hidroviário e ferroviário nas instalações do Tecon tem permitido operações diárias, com volumes crescentes e fretes competitivos. O gerente da Unidade de Produção Rio Grande do Sul da América Latina Logística (ALL), Vinicius Aiello, contabiliza que, em 2013, mais de 5 milhões de toneladas foram movimentadas pela malha no Estado, sendo que mais de 3 milhões, através do Porto do Rio Grande. “O volume transportado nos trechos sob concessão da ALL vem crescendo, em média, 10% ao ano”, revela o gerente. O índice é resultado de investimento contínuo. Em 2013, nos três estados da região Sul, foram de quase R$ 330 milhões. Para este ano, estão previstos cerca de R$ 800 milhões.


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tecnologia

cenário

A produção gaúcha de chips, através de empresas como a Ceitec e a HT Micron, além de contribuir com as demandas nacionais, impressiona devido ao rápido crescimento. A Ceitec, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), encerrou 2013 com faturamento superior a R$ 1 milhão, cerca de cinco vezes maior que em 2012. “O faturamento ainda é modesto, mas o fator de multiplicação é muito promissor”, declara o presidente da Ceitec, Marcelo Lubaszewski. Um destaque é microchip para Identificação por Radiofrêquencia (RFID). Essa tecnologia, considerada uma tendência mundial, utiliza ondas de rádio para reconhecer pessoas ou objetos. Para Lubaszewski, “o fato de produzir no Estado é uma oportunidade de acelerar a adoção de RFID e de criar cadeias locais de desenvolvimento e fornecimento de bens e serviços de tecnologia.” A Ceitec participou, pelo terceiro ano consecutivo, da Cebit, considerada a principal feira de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) do mundo. Na ocasião, a empresa mostrou ao mercado mundial seu portifólio de produtos, com destaque para o chip CTC13001. A HT Micron, empresa de investimento binacional, 50% brasileira e 50%

CEITEC S.A/DIVULGAÇÃO/JC

Produção gaúcha de chips apresenta crescimento rápido

Faturamento da Ceitec em 2013 foi cinco vezes maior que em 2012

sul-coreana, assumiu novas instalações em abril deste ano e já está com as linhas de semicondutores e placas de memórias ativas. “No ano passado, a empresa fez cinco milhões de chips e vendeu em torno de 400 mil módulos de memória. Neste ano, vai fazer 45 milhões de chips e vender dois milhões de

módulos de memórias”, estima o CEO e fundador da empresa, Ricardo Felizzola. Segundo ele, a expectativa é chegar à capacidade total (30 milhões de chips/mês) ao longo de, no máximo, dois anos. “Entramos em um mercado abundante, no qual a demanda é muito maior do que a nossa oferta”,

avalia o empresário. Para o diretor regional da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Régis Haubert, fabricar semicondutores é estratégico para o Brasil. “Nós temos que criar uma estrutura de microeletrônica nacional”, diz Haubert.

eletroeletrônicos

LEUCOTRON/DIVULGAÇÃO/JC

Copa do Mundo gera soluções inteligentes

Leucotron desenvolveu sistema interativo para o atendimento de estrangeiros

A Copa do Mundo acelerou a chegada de algumas tecnologias, como, por exemplo, o 4G na telefonia celular, juntamente com a infraestrutura de dados. Apesar disso, o setor de eletroeletrônicos, representado pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), não está otimista e aponta para prejuízos na linha de produção no período do Mundial. Contudo, algumas empresas conseguiram vislumbrar oportunidades geradas pelo evento, como a mineira Leucotron. Voltada para serviços de comunicação coorporativa, a empresa desenvolveu o Consierge Eletrônico, com o objetivo de alavancar vendas junto aos hotéis que terão grande circulação de turistas. O sistema interativo oferece informações no idioma do interlocutor, através de uma interface onipresente, que é o telefone. “Os hotéis podem prover um atendimento telefônico em vários idiomas, mesmo que não

tenham profissionais com fluência”, descreve o diretor de negócios da Leucotron, Antônio Cláudio de Oliveira. O setor de eletroeletrônicos fechou 2013 com um crescimento real de 5% e um faturamento de R$ 156,7 bilhões. Segundo o diretor regional da Abinee, Régis Haubert, a mesma fotografia está para se repetir em 2014. Sem empolgação, ele atribui tal cenário à defasagem do real frente ao dólar e à importação alta de insumos para a fabricação de produtos, além dos já conhecidos problemas de logística e incentivos. “Temos uma indústria de componentes muito pequena no País. O déficit do setor na balança comercial ficou em 37,7 bilhões de dólares. Só de componentes, são aproximadamente 10 bilhões”, contabiliza Haubert. Para ele, apesar de ser verificado um aumento de vendas em detrimento da Copa, o impacto não será significativo no setor.


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NABOR GOULART/DIVULGAÇÃO/JC

tecnologia

entrevista

Novos produtos, novos desafios A Ceitec, empresa pública pioneira na fabricação de chips no Brasil, ampliou portfólio e, ano a ano, vem crescendo em faturamento. Em entrevista ao Jornal do Comércio, o presidente Marcelo Lubaszewski compartilha os desafios e expectativas do setor. Jornal do Comércio – Quais os principais desafios de produzir chips no Brasil e no Estado? Marcelo Lubaszewski – Por conta da curta história industrial brasileira na área de semicondutores, a Ceitec enfrenta desafios típicos de empresas que são pioneiras em seu País. Por exemplo, muitos dos equipamentos e insumos que utilizamos para o projeto e a fabricação de chips precisam ser importados. Há também uma questão de mão de obra. É preciso continuar a oferecer ex-

celente formação a nossos profissionais e oportunizar que cada vez mais adquiram experiência qualificada para potencializar a instalação de mais empresas do setor no Estado e no País. Considerando o mercado global, as tecnologias com que trabalha a Ceitec em projeto e fabricação de chips correspondem a uma parcela significativa do faturamento da indústria de semicondutores. Isso significa que podemos atender a muitas demandas da indústria eletrônica local. JC – Quais os projetos e expectativas para os próximos anos? Lubaszewski – Em grande parte, a Ceitec continuará desenvolvendo chips para identificação automática de pessoas e objetos. Os desafios são fazer melhor aquilo que já fazemos – isso é, mais rápido e a menor custo, mantendo a qualidade –, somar novos chips e serviços e criar novos mercados. Isso também significa promover a adoção

de ASICs, isso é, chips personalizados, cujo projeto é específico para um determinado cliente e assim lhe permite diferenciar-se da concorrência e dificultar a cópia de seu produto. Nossa expectativa é crescer em faturamento, volume de entregas e número de produtos, com resultados ainda mais relevantes do que os atingidos em 2013. Por isso, em 2014, devemos apresentar novos produtos ao mercado e, além de seguir atendendo a necessidades estratégicas do País, continuar cativando e fidelizando novos clientes no intuito de gerar mais negócios para a Empresa e contribuir para criar um ambiente economicamente favorável ao crescimento nacional do segmento industrial de semicondutores. JC – Qual a vantagem de desenvolver semicondutores nacionais? Lubaszewski – Se hoje a grande maioria das soluções em microeletrônica que utilizamos no Brasil é importada,

Lubaszewski afirma que os desafios do setor passam por insumos importados e pela mão de obra

com a Ceitec, mais necessidades do Brasil e do mercado passam a ser supridas com conhecimento gerado dentro do nosso País. Para as empresas que utilizam chips da Ceitec em seus produtos também há benefícios. O CTC13001, por exemplo, tem múltiplas aplicações e é utilizado por empresas que se tornam elegíveis para benefícios fiscais por empregarem, em seus produtos, conteúdo nacional. Um bom exemplo são aquelas empresas que utilizam o nosso chip em suas impressoras e cartuchos para identificação e rastreabilidade desses objetos, da produção até o cliente.

telecomunicações

Usuários 4G totalizam 2 milhões no País Para 2014, a expectativa é de mais 5 milhões, atingindo 260 milhões de usuários de telefonia móvel, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do IDC Brasil. No Rio Grande do Sul, a Vivo é líder do mercado de telefonia móvel, detendo 40,7%. “Acreditamos no crescimento do número de acessos em geral que tenham

MARCOS NAGELSTEIN/JC

O ano de 2013 encerrou com 271 milhões de linhas móveis no Brasil. No primeiro trimestre de 2014, esse número já era de 273,58 milhões. A banda larga móvel atingiu 114,42 milhões de acessos, dos quais 2 milhões foram terminais 4G. Comparando 2013 com o ano anterior, houve um acréscimo de 7 milhões de usuários de linhas de telefonia móvel.

Rio Grande do Sul é estado estratégico para operadoras

foco na internet e que agreguem serviços”, declara a diretora regional da empresa, Clenir Wengenowicz. A Claro, que detém 29,6% do mercado, também aposta na internet. “Temos um trabalho muito grande aqui, de continuar a expansão do 3G e investir em mais capacidade 4G onde já temos”, pontua o diretor regional da Claro, Marcelo Repetto. O diretor da Tim no Rio Grande do Sul, Christian Krieger, afirma: “Ate 2016, o investimento em 4G será em torno de R$ 1,5 bilhão no desenvolvimento da tecnologia no País”. Já a Oi detém 16,1% do mercado do Estado, com 7,4 mil usuários de 4G. Disponível nas cidades que sediaram a Copa das Confederações e em pelo menos 50% das áreas urbanas das cidades-sede da Copa do Mundo, a tecnologia 4G deverá chegar às demais capitais de estado e cidades com mais de 500 mil habitantes em maio. Para o analista de mercado do IDC, João Paulo Bruder, estima-se que, até o fim do ano, haja mais 3 milhões de assinaturas de clientes de dados 4G. “A Copa do Mundo é um acelerador e vai gerar um impacto positivo na receita das operadoras”, analisa.

A grande teia da internet Estratégias, comportamentos e tecnologias que dêem conta da alta velocidade com que as mudanças vêm ocorrendo são os principais desafios que rondam o futuro da internet. Segundo o professor do Instituto de Informática da Ufrgs e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Lisandro Granville, vão aparecer novas ameaças que não conseguíamos ver, ou novos incômodos. “Ninguém previu o spam, por exemplo”, destaca Granville. Os incentivos e ações do governo brasileiro para questões de tecnologia da informação são recentes e aparecem, em especial, no fomento a ideias inovadoras por meio de startups. “Na indústria, essas ideias podem dar conta de tratar problemas que talvez as grandes empresas não consigam resolver por conta de suas estruturas mais engessadas”, avalia o professor. Em retrospectiva sobre a indústria de computação, Granville lembra que muitas das soluções relevantes usadas hoje vieram de ações muito tímidas inicialmente, como o Facebook. Por isso, ele acredita que a indústria pode se apropriar desses novos modelos para soluções inovadoras, garantindo assim, até mesmo um papel de protagonista nessa forma de operação.


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Caderno Especial do Jornal do Comércio

Porto Alegre, sexta-feira, 23 de maio de 2014

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Prêmio destaca empresas, entidades e personalidades de 2013 O Jornal do Comércio homenageia hoje, dia 23 de maio, os diversos segmentos da economia do Rio Grande do Sul que contribuíram para o desenvolvimento do Estado e do País em 2103. São condecoradas com o Prêmio Destaque do Ano de 2013 empresas, entidades e personalidades distribuídas em 16 categorias (Comércio, Desenvolvimento, Dirigente Financeiro, Educação, Empreendedorismo Jovem, Empresário do Ano, Entidade, Hotelaria, Laboratório, Máquinas Agrícolas, Pesquisa Científica, Revenda de Carro, Seguros, Shopping Center, Sindicato e Destaque Especial). A 28ª edição da tradicional cerimônia de premiação será realizada na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). O evento também comemora o 81º aniversário do Jornal do Comércio e o Dia da Indústria.

pesquisa científica

Junior Achievement forma empreendedores de sucesso

Fapergs completa 50 anos de atuação

Fundada em 1919 nos Estados Unidos, a Junior Achievement chegou ao Brasil em 1994 pela ideia de empresários gaúchos que viram na metodologia utilizada pela organização uma ferramenta importante para estimular o empreendedorismo entre os jovens. “Isso deu certo e o projeto se espalhou, atualmente, para 124 países ao redor do mundo”, explica o diretor executivo da Junior Achievement, Daniel Fernandes. A organização aplica 18 programas de empreendedorismo em escolas do ensino fundamental e médio e semestres iniciais de faculdades e são divididos em três ênfases: a social, a ambiental e a econômica. A atual presidente no Rio Grande do Sul, Cristiane Steigleder, destaca que os jovens que passam pela enti-

No ano de seu cinem três eixos, conforme quentenário, a Fundação explica a presidente Náde Amparo à Pesquisa dya Pesce da Silveira. do Rio Grande do Sul São eles: formação de (Fapergs) está repleta de recursos humanos, fomotivos para comemomento à pesquisa e inrar. A instituição, que tercâmbio científico. atualmente financia o Nos últimos anos, trabalho de 8 mil pesquia instituição vem passadores gaúchos, vem sando por um processo aumentado seus desemde reestruturação. Em bolsos a cada temporamarço desse ano, foi da com a finalidade de Nádya Pesce da Silveira finalizado um plano de fomentar a ciência, a cargos e salários para tecnologia e a inovação no Estado. Nos os servidores da instituição. Agora, o últimos três anos, foram repassados próximo passo é ampliar o quadro de R$ 250 milhões através de editais. profissionais. Ainda neste ano deve No momento, a Fapergs atinge 55 ser feito concurso para a contratação universidades, institutos de pesquisa e de especialistas em diversas áreas. A grupos no Estado. Através de 14 áreas ideia é passar dos atuais 28 para 99 do conhecimento, a atuação é dividida funcionários em 2015.

MARCELO G. RIBEIRO/JC

JONATHAN HECKLER/JC

empreendedorismo jovem

Daniel Fernandes e Cristiane Steigleder

dade não são empreendedores apenas para abrir seus próprios negócios, mas também se utilizam desse ensinamento nas empresas que são contratados.

comércio

Capacitação do setor é foco da Agas

FCDL faz a defesa dos comerciantes gaúchos

Tornar as empresas tros que aproximem sugaúchas eficientes e prepermercadistas e forneparadas para disputar cedores. Entre os mais o mercado, indepenbadalados, a Expoagas dente do tamanho, é gera mais de R$ 400 mio principal objetivo da lhões em negócios. Associação Gaúcha de Fundada em 1971, a Supermercados (Agas), Agas estimula, há mais primeira entidade do de quatro décadas, o desetor a ter um curso susenvolvimento do setor perior reconhecido pelo no Sul do País. Foi a priMinistério da Educação Antônio Cesa Longo meira associação regio(MEC). “Buscamos o nal de supermercados equilíbrio ao atender às demandas a promover uma convenção estadual, do pequeno, do médio e do grande além de premiações e encontros no empresário”, diz o presidente, An- Interior. Mais de 70 mil pessoas partônio Cesa Longo. Somando 43 anos ticipam dos eventos durante o ano. de existência, a associação se destaca Outras 12 mil participam de cursos de pela realização de eventos e encon- capacitação.

Com mais de 40 e 20 Associações Coanos de atuação, a Femerciais e Industriais deração das Câmaras (ACIs). No momento, o de Dirigentes Lojistas número total de assodo Rio Grande do Sul ciados em todo o Rio (FCDL-RS) representa os Grande do Sul chega a comerciantes do Estado 42 mil. Desses, 25 mil e procura capacitá-los. utilizam o Sistema de Com a expansão do Proteção ao Crédito consumo ano após ano, (SPC). A representação proveniente do aumencongrega 180 municíto da renda de milhões pios. A atuação foi redude brasileiros ao longo Vitor Augusto Koch zida se comparada nos da última década, a últimos anos, quando a expectativa é de manutenção do au- entidade chegou a ser a maior federamento no volume de negócios nesta ção de lojistas no Brasil. “Hoje somos temporada. a terceira maior, mas certamente a Atualmente, a FCDL-RS abriga 152 mais atuante do País”, garante o presiCâmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs) dente da FCDL-RS, Vitor Augusto Koch. MARCELO MATUSIAK/DIVULGAÇÃO/JC

entidade

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seguros

Há 60 anos, Panambra é sinônimo de carros

Icatu projeta crescimento em previdência privada

A história da Paneja se tornar a maior nambra se confunde produtora de veículos com as origens da inautomotores do planeta, dústria automobilística. até 2018, a concessionáHá mais de 60 anos, a ria espera pegar carona concessionária fundada em uma expansão que no coração da Avenipromete trazer reflexos da Azenha, em Porto positivos em um mercaAlegre, também é sinôdo cada vez mais acirnimo de Volkswagen rado. Durante o boom no Rio Grande do Sul. dos incentivos fiscais, a Uma das nove revenempresa passou por um das mais antigas da Fernando Canabarro processo de renovação fabricante alemã no na gestão. Atualmente, Brasil, a empresa ostenta com orgulho o presidente, Fernando Canabarro, e a preferência por se manter fiel à ape- o gerente-geral, Aroldo Juliano Pietta, nas uma marca. A exclusividade ga- acompanham de perto a execução do rante ao grupo cerca de 20% de toda planejamento estratégico que prevê a comercialização da Volks no Estado. crescimento nos seis pontos de venda Com os objetivos da indústria que pla- e a consolidação de novos mercados.

Líder em seguro de vida, no Rio Grande do Sul, a Icatu Seguros prevê ampliar o mercado de previdência privada, que garante a companhia um market share local de 11%. O percentual está longe de ser inexpressivo, mas prova que há, ainda, muito espaço a explorar. O market share da em- Cesar Saut presa no mercado gaúcho de seguro de vida é de 28%, apenas para comparar. Para o vice-presidente comercial, Cesar Saut, as perspectivas de crescimento estão alinhadas com um crescimento sustentável mantido nos

hotelaria

educação

Envolvimento sociocultural garante sucesso do Dall´Onder

Fundação Liberato, aliada do desenvolvimento do Estado

Em operação desde O projeto de expan1980, o hotel Dall´Onder, são prevê a construção de Bento Gonçalves, posde mais cinco unidades sui atualmente uma esem Caxias, Garibaldi, trutura de 24 mil metros Farroupilha, Bento Gonquadrados, em três uniçalves e Porto Alegre. O dades que empregam objetivo é criar uma rede 250 pessoas e faturam regional com 125 quilôR$ 2,5 milhões por mês. metros de alcance a parA criação de atrações tir da cidade serrana. “O turísticas na sua cidade nosso sucesso está ligasede é a principal mardo à integração cultural ca do empreendimento, Tarcísio Michelon com a comunidade. Diresponsável, por exemferentemente de outras plo, pelo desenvolvimento dos roteiros redes que optam, pura e simplesmente, Caminhos de Pedra e Maria Fumaça. pela venda de serviços hoteleiros. PreEm breve, será instalado o projeto Ci- tendemos, em todas as cidades, manter cloturismo, que vai oferecer bicicletas, essa marca do envolvimento socioculserviços de condutores especializados tural”, afirma o diretor superintendente e quatro rotas no Interior do município. Tarcísio Michelon.

Com 47 anos de existência e mais de 3,5 mil alunos matriculados em cursos voltados para a área industrial, a Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha está localizada em Novo Hamburgo. Voltada para o ensino profissional de nível técnico, atualmente Leo Weber a Liberato possui cursos diurnos e noturnos. As possibilidades de cursos são nas áreas de Química, Mecânica, Eletrotécnica, Eletrônica, Segurança do Trabalho, Automotivo e Design. “É uma instituição de educação profissional, que ANTONIO PAZ/JC

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DALL´ONDER/DIVULGAÇÃO/JC

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revenda de carro

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últimos anos. “A Icatu vem crescendo substancialmente, especificamente na região Sul, onde vem apresentando um desempenho muito forte entre as seguradoras independentes”, destaca. A companhia apurou faturamento de R$ 2,34 bilhões, em 2011, R$ 3,28 bilhões, em 2012, e de R$ 3,64 bilhões, no ano passado. No Rio Grande do Sul os resultados surpreendem: crescimento de 30%. Saut reforça ainda que a Icatu deve faturar, neste ano e apenas regionalmente, R$ 650 milhões.

já começou muito relacionada com o setor produtivo”, comenta o diretor executivo da Liberato, Leo Weber. A ideia é oferecer uma formação científica e tecnológica forte, aliada a uma formação plural. Assim, desde o início dos estudos, os alunos participam de projetos de pesquisa, utilizando a metodologia científica como ferramenta. “Esses trabalhos são realizados com os professores, em grupo, buscando soluções para problemas do cotidiano. Soluções criativas, inovadoras, sustentáveis e éticas”, define Weber.

máquinas agrícolas

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Stara investe na ampliação do parque fabril

Gilson Lari Trennepohl

Um investimento de R$ 250 milhões até 2017 deve consolidar o projeto de ampliação da Stara, indústria de máquinas e implementos agrícolas de Não Me Toque, que exporta tecnologia de agricultura de precisão para 35 países. O primeiro estágio da obra deve ficar pronto no final de agosto, com a construção de 23 mil metros quadrados de estrutura. Outros dois estágios de

20 mil metros quadrados cada um, somados ao atual, finalizarão a obra de 63 mil metros quadrados. “Esta fábrica está sendo preparada para ser mais automatizada e ainda mais moderna que a atual — o que garantirá força para competir com o mundo”, destaca o presidente da companhia, Gilson Lari Trennepohl. Consequentemente, o faturamento de

R$ 1 bilhão e seis milhões (em 2013) deve crescer, bem como a contratação de novos funcionários garantirá geração de empregos na região. Atualmente, 2.450 colaboradores trabalham na empresa, que se tornou uma das mais importantes do mercado, oferecendo a linha mais completa de máquinas e implementos agrícolas no País, seja para pequenos ou grandes produtores.


Caderno Especial do Jornal do Comércio Porto Alegre, sexta-feira, 23 de maio de 2014

Zamin comanda o Banrisul pela segunda vez

M.Grupo expande investimento no Sul

O presidente do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), Túlio Zamin, exerce, pela segunda vez, o comando do banco. A primeira ocasião foi de 2000 a 2002, durante o governo de Olívio Dutra. Nesta atual gestão, o dirigente assumiu em 2011, no mandato de Tarso Genro. O gaúcho de Nova Prata, hoje com 56 anos, nota diferenças entre os momentos do sistema financeiro em suas duas passagens pela instituição. Agora, o executivo vê um ambiente de maior concentração, entretanto com mais competição entre os agentes do setor. Para o dirigente, nessa ótica, uma forma de combater a concorrência e desenvolver novos mercados é diversificar produtos e serviços. Entre as medidas que foram tomadas nesse sentido, está a criação da Vero, a nova identidade da rede de adquirência do Banrisul. A ideia é ressaltar que o banco, além do Banricompras, pode

A direção do M.Grupo, que atua em shopping center, empreendimentos imobiliários residenciais e comerciais, com hotéis e táxi-aéreo, projeta mais investimentos no Estado e expansão para Santa Catarina e Paraná. Até 2013, o grupo, com acionistas oriundos de São Paulo e que escolherem o Rio Grande do Sul para desenvolver negócios, somou R$ 500 milhões em aportes, R$ 300 milhões somente no Shopping Gravataí, o primeiro da cidade, cuja economia se multiplicou na última década sob efeito da implantação da fábrica da General Motors. O principal executivo do grupo multifacetado (M traduz multiplicidade), o diretor-presidente Lorival Rodrigues, planeja mais aquisições no setor comercial de shopping e novos projetos. Com 300 empregos diretos, o M.Grupo detém ainda o Shopping Lajeado, Aldeia Praia Shopping (Xangri-lá) e participação minoritária no capital do Canoas Shopping, aquisição em fim de 2013. Para este ano, devem vir mais duas operações no Estado e novidades para os ou-

Túlio Zamin

trabalhar com as bandeiras de cartões de crédito e débito MasterCard e Visa. Com origem na década de 1920, o Banrisul é considerado um patrimônio dos gaúchos. Passadas todas essas décadas, o banco registra, em 2014, uma base de cerca de 3,4 milhões clientes e 515 agências.

FREDY VIEIRA/JC

shopping center

MARCOS NAGELSTEIN/JC

dirigente financeiro

Lorival Rodrigues

tros dois estados. No visor, estão preferencialmente empreendimentos prontos, à espera de comprador. O M.Grupo estreou no Estado no Litoral Norte, com condomínios fechados, e ampliou sua ação no ramo imobiliário na Região Metropolitana. A meta é se tornar a maior empresa do ramo de shopping do Sul do País em cinco anos.

empresário do ano

Badesul avança no apoio aos setores tradicionais

Liderança e bons exemplos para enfrentar desafios

Com cerca e R$ 800 milhões previstos para serem investidos nas empresas gaúchas neste ano, o Badesul direciona o seu foco de atuação para reforçar setores tradicionais da economia gaúcha e, ao mesmo tempo, estimular novas áreas consideradas estratégias, como a economia criativa e a microeletrônica. Para atender às demandas traçadas para os setores prioritários definidos pelo governo, foram criadas novas superintendências. “Fizemos uma reestruturação e colocamos como propósito trabalhar com fundos de participação e desenvolvimento para financiar a inovação. Agora, chegamos neste terceiro ano extremamente satisfeitos, porque conseguimos avançar em todos os nossos propósitos”, comemora o presidente do Badesul, Marcelo Lopes. Outro foco tem sido a busca de recursos de instituições como o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes). E tem

O desenvolvimento profissional do diretor-presidente (CEO) da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, foi forjado dentro da multinacional da família e ocupando cargos variados em diversas áreas. Iniciou a carreira na empresa em 1980 como estagiário na Fábrica de Pregos da então Metalúrgica Gerdau e, nessa época, atuou nas áreas administrativas e de produção da unidade. Globalmente, André Gerdau liderou as áreas de marketing e vendas, metálicos, suprimentos, logística, gestão de pessoas e desenvolvimento organizacional. Foi vice-presidente do comitê executivo e Chief Operating Officer (COO) das operações no Canadá e nos Estados Unidos. Em 2007, com a implementação da nova Governança Corporativa da Gerdau, assumiu a função de CEO da Gerdau. A trajetória trouxe muito aprendizado sobre o segmento em que a empresa atua, mas, princi-

Marcelo Lopes

dado certo. Dos desembolsos feitos pela instituição através de agentes financeiros no Rio Grande do Sul, o Estado recebeu, em 2013, R$ 12,5 bilhões. Em 2011, tinha sido R$ 8,1 bilhões e, em 2012, R$ 8,5 bilhões. Só para o Badesul, no ano passado, foi R$ 1,4 bilhão do Bndes.

IVSON MIRANDA/DIVULGAÇÃO/JC

desenvolvimento

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André Gerdau Johannpeter

palmente, sobre liderança, consolidando ferramentas para encarar o desafio de tocar uma empresa com atuação em 14 países. “Acredito que um líder empresarial precisa ter, acima de tudo, capacidade de ouvir e dar o exemplo”, sustenta.


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Caderno Especial do Jornal do Comércio Porto Alegre, sexta-feira, 23 de maio de 2014

Endocrimeta prevê crescimento no faturamento

Secovi busca acompanhar as dinâmicas do Estado

O Laboratório Endocrimeta conta hoje com 18 unidades e, há quase dez anos, é gerenciado pelo administrador de empresas Carlos Alberto Lazzari. A empresa obteve um faturamento de R$ 13,5 milhões. “E a previsão é de crescimento para 2014”, anuncia. Atender organizações por meio de uma unidade móvel que desloca profissionais para fazer os exames dos funcionários exigidos pela Medicina do Trabalho é a aposta do laboratório para este ano. A primeira companhia a participar deste projeto já assinou o contrato, e, conforme Lazzari, está em estudo um segundo projeto de vinculação do Endocrimeta às clínicas médicas de inseminação artificial e da área estética. Pensando nesses nichos de mercado, o laboratório desenvolveu uma metodologia que cria um miniprocesso dentro do seu curso global para fornecer o resultado

Há mais de 30 anos em atividade, o Secovi/RS (Sindicato da Habitação do Rio Grande do Sul) acompanha o desenvolvimento de um dos mercados cujas dinâmicas refletem o desenvolvimento do País. Por isso, a entidade, mesmo tendo surgido principalmente para solucionar uma demanda específica dos empresários, foi além. Um de seus diferenciais é o serviço de orientação jurídica. “A procura é tão grande que fazemos entre 400 e 500 consultas por mês, gratuitamente”, destaca o presidente Moacyr Schukster. O crescimento populacional, o boom imobiliário dos últimos anos e o desenvolvimento da construção civil tiveram influência direta no trabalho desenvolvido pelo sindicato. Primeiramente voltado às discussões salariais com funcionários de imobiliárias e condomínios, o órgão patronal vai além através da realização de estudos e análises da dinâmica imobiliária, promoção de eventos e pales-

Carlos Alberto Lazzari

em no máximo quatro horas para estes públicos específicos. Com um sistema automatizado de análises clínicas, o Endocrimeta atendeu 210 mil pessoas e realizou 1,6 milhão exames em 2013.

JONATHAN HECKLER/JC

sindicato

MARCELO G. RIBEIRO/JC

laboratório

Moacyr Schukster

tras e realização de oito publicações, fundamentais para a formação dos sindicalizados e associados. O Secovi/ RS representa aproximadamente 6 mil empresas imobiliárias de todo o Estado e 24 mil condomínios gaúchos.

expointer

A história de 87 anos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) se interlaça com a trajetória da Expointer desde os tempos que a feira de animais era realizada no Parque do Menino Deus, em Porto Alegre. A entidade, que é uma das organizadoras do evento, contribui para o sucesso e o crescimento de cada exposição realizada ano após ano participando com o Sistema Farsul, que também é composto pelo Senar-RS e Casa Rural, além dos 138 sindicatos filiados. Além das comercializações e exposições, o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, lembra também que a Expointer é espaço para as decisões políticas e econômicas para o agronegócio gaúcho e brasileiro. Um dos principais motivos do crescimento da produção de soja no Rio Grande do Sul, que novamente bateu recorde nesta safra, partiu de uma ação que teve seu resultado na Expointer no ano de 2003. A Farsul é uma das principais entidades engajadas no crescimento que a Expointer pode ter com a remodelação

Carlos Sperotto

do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Juntamente com o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers) e a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (Abccc), foi responsável pela contratação de uma consultoria que auxiliou na ideia de remodelação do local.

Fioreze dá continuidade ao legado da gestão no Parque Assis Brasil Engenheiro agrônomo de formação, novo titular da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), Claudio Fioreze também é mestre e doutor na área de ciência de solos. Ao longo de 20 anos de atuação em escritórios municipais e regionais da Emater-RS, a ligação do secretário com a Expointer e o Parque Assis Brasil, em Esteio, é antiga. Em 2014, ele se prepara para comandar a sua primeira edição da principal feira agrícola do Estado. Apesar de recente, a nomeação, celebrada em março, dá continuidade ao trabalho iniciado em janeiro de 2011, quando foi convidado pelo então secretário, Luiz Fernando Mainardi, a assumir a diretoria-geral e a secretaria adjunta da pasta. Desde então, ele participa de uma série de ações que têm o objetivo de garantir melhorias ao evento. Algumas delas começam a sair do papel

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Farsul é parceira na história da Expointer

MARCELO G. RIBEIRO/JC

destaque especial

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Dia da

Claudio Fioreze

com a assinatura de um convênio de R5 50 milhões para reformas no núcleo de máquina, com validade de 25 anos, e outro de R$ 15 milhões para intervenções no setor de cavalos crioulos.


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Porto Alegre, sexta-feira, 23 de maio de 2014

Caderno Especial do Jornal do ComĂŠrcio


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