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Produção e  Consumo Sustentáveis OPORTUNIDADE  E  DIFERENCIAL   COMPETITIVO  A  PARTIR  DO   EMPREENDEDORISMO  SUSTENTÁVEL


EXPEDIENTE PRESIDENTE DO  CONSELHO  DELIBERATIVO  NACIONAL Roberto  Simões  

DIRETOR-­PRESIDENTE Luiz Barretto  

DIRETOR-­TÉCNICO Carlos Alberto  dos  Santos  

DIRETOR DE  ADMINISTRAÇÃO  E  FINANÇAS José  Claudio  dos  Santos  

GERENTE DA  UNIDADE  DE  ACESSO  A  MERCADOS  E  SERVIÇOS  FINANCEIROS   Paulo  Cesar  Rezende  Alvim

GERENTE-­ADJUNTA DA  UNIDADE  DE  ACESSO  A  MERCADOS  E  SERVIÇOS  FINANCEIROS Patrícia  Mayana  Maynart  Viana    

COORDENAÇÃO TÉCNICA Louise  Alves  Machado  

CONSULTORIA E  APRESENTAÇÃO  FINAL Rede   www.empresaresponsável.com  

EDITOR Joana d ’Arc  Bicalho  Félix    

SEBRAE Setor de  Grandes  Áreas  Sul  -­  SGAS     Quadra  605  -­Conjunto  A  -­  Asa  Sul  -­  Brasília/DF CEP:  70200-­645  –  Tel.:  (61)  3348-­7455 www.sebrae.com.br  

CENTRAL DE  RELACIONAMENTO 0800  570  0800

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Produção e  Consumo Sustentáveis OPORTUNIDADE  E  DIFERENCIAL   COMPETITIVO  A  PARTIR  DO   EMPREENDEDORISMO  SUSTENTÁVEL


ÍNDICE APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO 1. A  VISÃO  DE  ESPECIALISTAS  SOBRE  ECONOMIA  VERDE  E  SUSTENTABILIDADE  NA  MICRO  E  PEQUENA  EMPRESA SUSTENTABILIDADE  COMO  CONDIÇÃO  PARA  QUE  UMA  EMPRESA  PERMANEÇA  NO  MERCADO Reinaldo  Dias   -­    

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CAMINHOS PARA  A  SUSTENTABILIDADE  NA  MICRO  E  PEQUENA  EMPRESA Célia  Braga   -­  

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ECONOMIA VERDE:  UMA  FORMA  DE  TRAZER  SUSTENTABILIDADE  PARA  UM  PATAMAR  DE  OBJETIVIDADE Maria  Elizabeth -­  

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SUSTENTABILIDADE NA  PRÁTICA  DA  MICRO  E  PEQUENA  EMPRESA Claudio  Andrade   -­  

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A NECESSÁRIA  ECONOMIA  VERDE Claudio  Boechat   -­  

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A SUSTENTABILIDADE  AO  ALCANCE  DE  PEQUENAS  EMPRESAS Joana  Bicalho   -­  

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PASSOS PARA  A  SUSTENTABILIDADE  NA  MICRO  E  PEQUENA  EMPRESA Claiton  Mello   -­  

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O DESAFIO  DE  IMPLEMENTAR  SUSTENTABILIDADE  E  PENSAR  MAIS  A  LONGO  PRAZO Heiko  Spitzeck   -­  

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AS EMPRESAS   DEVEM   BUSCAR   UM   MODELO   DE   CRESCIMENTO   SOCIALMENTE   JUSTO,   ECONOMI-­ CAMENTE  VIÁVEL  E  AMBIENTALMENTE  SUSTENTÁVEL Thomas  Enlazador   -­  

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AS QUESTÕES  AMBIENTAIS  E  OS  NOVOS  NEGÓCIOS Fernanda  Borger   -­  

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UM NEGÓCIO  SUSTENTÁVEL  RESPEITA  AS  REGRAS  QUE  PRESERVAM  E  APERFEIÇOAM  A  SOCIEDADE. Vicente  Ambrósio   -­  

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A SUSTENTABILIDADE  MOBILIZADA  POR  DIÁLOGOS  E  PROCESSOS  COOPERATIVOS Rosa  Alegria   -­  

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PEQUENO NEGÓCIO:  ÁTOMO  DA  SUSTENTABILIDADE Mauro  Castro -­  

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A GESTÃO  BASEADA  NO  TRIPÉ  DA  SUSTENTABILIDADE  E  OS  GANHOS  EM  REPUTAÇÃO  E  IMAGEM Ricardo  Voltolini -­  

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A DIMENSÃO  AMBIENTAL  NA  GESTÃO  DOS  NEGÓCIOS

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Denis Donaire   -­  

COMÉRCIO JUSTO  E  A  RELAÇÃO  PRODUÇÃO  E  CONSUMO

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Naji Harb   -­  

SUSTENTABILIDADE: O  termo  sustentabilidade  diz  respeito  à  capacidade  presente  e  futura  de  suporte,  e  deve  con-­ siderar  as  dimensões  ambiental,  social  e  econômica  nos  processos,  procedimentos  e  gestão  empresarial.

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ÍNDICE 2.  EMPRESAS  E  PRÁTICAS  SUSTENTÁVEIS LANCHES  RÁPIDOS  E  SAUDÁVEIS

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Mega Matte   -­  

TRANSFORMANDO PRODUTOS  EM  NOVOS  PRODUTOS

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Ama Terra   -­  

SISTEMA DE  PRODUÇÃO  ECOEFICIENTE

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Aquacoco -­  

O SUCESSO  DOS  PRODUTOS  SUSTENTÁVEIS  E  INOVADORES

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Amazongreen -­  

A SUSTENTABILIDADE  NA  ARTE  DE  BEM  RECEBER

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Bonserá -­  

SUSTENTABILIDADE E  RETORNO  FINANCEIRO

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Carbono Zero   -­  

MUDANÇA NOS  INSUMOS  PARA  AMPLIAR  A  GESTÃO  AMBIENTAL

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Cooperativa Café  Boa  Esperança   -­  

SUSTENTABILIDADE E  RETORNO  FINANCEIRO

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Cerâmica Ituiutaba   -­  

RECICLAGEM DE  RESÍDUOS  ELETRÔNICOS

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RCTEC -­  

ECONOMIA DE  RESÍDUOS,  TECNOLOGIA  E  ECOEFICIÊNCIA

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Eko Foot  Print   -­  

3. A  OPINIÃO  DE  ALGUNS  CONSUMIDORES SUSTENTABILIDADE  E  QUALIDADE  NO  COMPORTAMENTO  DE  CONSUMO

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Norio Takaki  Junior   -­  

MAIS ATENÇÃO  AOS  PRODUTOS  E  MARCAS  OFERTADAS

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Ana Façanha   -­  

É PRECISO  TER  COMO  FOCO  FAZER  MELHOR  COM  MENOS

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Monica Prado   -­  

CONSUMO: É  PRECISO  HAVER  OPORTUNIDADES  DE  ANÁLISE  E  ESCOLHA

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Renata Dalla  Bernardina   -­  

COMUNICAR O  DIFERENCIAL  AMBIENTAL  E  DAR,  AO  CONSUMIDOR,  A  OPÇÃO  DE  ESCOLHA

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Ursula Diesel   -­  

DEVEMOS TODOS  COMEÇAR  A  PESQUISAR,  OPTANDO  PELOS  PRODUTOS  ECOEFICIENTES  

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André Ramos   -­  

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APRESENTAÇÃO Há 20   anos,   o   mundo   já   discutia   a   necessidade   de   preser vação   ambiental.   Hoje,   vivemos   um   debate   mais  amadurecido  e  também  ampliado,  tratando  do  desenvolvimento  sustentável  nos  seus  eixos  ambien-­ tal,  econômico  e  social.  Ou  seja,  a  busca  pelo  lucro  não  está  dissociada  dos  objetivos  para  um  planeta   melhor.   Com  esta  publicação,  o  Sebrae  reúne  análises  de  especialistas  sobre  essa  nova  realidade  do  merca-­ do   e   formas   práticas   de   como   as   empresas   devem   basear   seus   sistemas   de   produção,   afim   de   atender   um  consumidor  cada  vez  mais  consciente.  O  que  hoje  é  um  diferencial  competitivo  para  a  empresa,  num   futuro  próximo  será  padrão  exigido  pelo  mercado.   Aproveite  para  encaminhar  esta  publicação  para  seu  e-­mail  e  analisar  cuidadosamente  todas  as  opor-­ tunidades  de  negócios  apresentadas. Boa  leitura!

Luiz Barretto Presidente  do  Sebrae

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INTRODUÇÃO PEQUENOS NEGÓCIOS  E  DESENVOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL   A   consciência   cada   vez   maior   sobre   a   finitude   dos   recursos   naturais   e   os   riscos   às   gerações   futuras   colocam  desafios  inadiáveis  aos  governos,  iniciativa  privada  e  sociedade  civil.  A  perspectiva  de  desen-­ volvimento  sustentável,  que  busque  o  equilíbrio  em  suas  três  dimensões  –  ambiental,  social  e  econômica   –   abre   novas   oportunidades   de   negócios,   e   as   micro   e   pequenas   empresas   têm   papel   primordial   nesse   processo,   principalmente   pela   sua   flexibilidade   e   capacidade   de   adaptação   para   atender   as   deman-­ das  ainda  emergentes  dos  mercados.  No  Brasil,  os  pequenos  negócios  convivem  com  um  ambiente  mais  favorável,  nos  últimos  anos,  impulsio-­ nados  pelo  crescimento  da  demanda  interna,  mais  empregos  e  maior  oferta  de  crédito  a  um  custo  menor,   além  de  políticas  públicas  voltadas  à  inclusão  produtiva  e  redução  da  pobreza,  bem  como  investimen-­ tos  em  infraestrutura.  A  municipalização  da  Lei  Geral  das  Micro  e  Pequenas  Empresas  e  as  oportunidades   em  função  dos  megaeventos  esportivos  nos  próximos  anos  tornam  o  cenário  ainda  mais  favorável.  Neste   ano,   também   a   Rio+20,   a   Conferência   das   Nações   Unidas   sobre   Desenvolvimento   Sustentável,   coloca   em  pauta  o  empreendedorismo  sustentável.  Nesse  ambiente,  consumidores  cada  dia  mais  exigentes,  seletivos  e  bem  informados  dão  preferência  a   marcas,  produtos  e  ser viços  provenientes  de  processos  e  gestão  baseados  em  práticas  sustentáveis.  Esse   é  um  diferencial  competitivo  das  empresas  que,  atentas  às  necessidades  do  presente,  vão  obter  ganhos   por   meio   de   práticas   e   gestão   sustentáveis,   contribuindo   para   garantir   qualidade   de   vida   e   bem-­estar   às  gerações  futuras.  Os  pequenos  negócios  já  se  antecipam  a  esse  novo  tempo.  Sondagem  feita  pelo  Sebrae  entre  feve-­ reiro  e  março  deste  ano  mostra  que  práticas  sustentáveis  estão  na  agenda  das  micro  e  pequenas  empre-­ sas.    Grande  parte  delas  vê  ganhos  de  imagem  e  redução  de  custos,  entre  outras  vantagens,  depois  de   incorporar   esses   diferenciais   à   sua   atuação,   seus   processos,   produtos   e   ser viços,   garantindo   prestígio   as  suas  marcas.   O   desafio   está   em   consolidar   a   gestão   com   foco   nas   possibilidades   oferecidas   por   essa   tendência   do  mercado  global.  As  perspectivas  são  estimulantes,  desafiadoras  e  muito  promissoras.  Para  atender  as   necessidades   de   consumo   e   produção   sustentável,   os   processos   produtivos   e   modelos   de   gestão   bem   como  as  relações  com  seus  clientes  e  comunidades  precisam  ser  remodelados  ou  desenvolvidos  sob  no-­ vas   bases.   Terão   mais   competitividade   aquelas   empresas   que   se   dedicarem   desde   já   à   perspectiva   de   desenvolvimento  sustentável.   Inovar,   então,   torna-­se   pré-­requisito   aos   empreendimentos   de   pequeno   porte   no   ambiente   de   negó-­ cios   sustentáveis.   Disseminar   e   ampliar   o   conhecimento   às   micro   e   pequenas   empresas   sobre   práticas   sustentáveis  é  uma  alternativa  para  garantir  diferenciais  de  competitividade  aos  pequenos  negócios  no   mercado  globalizado.  O  Sebrae  tem  a  sustentabilidade  na  sua  missão  e  a  inovação  como  prioridade  estratégi  ca.  Nos  últimos   anos,  intensificou  ações  estruturadas  e  transversais  em  projetos  e  programas.  inaugurou  o  Centro  Sebrae   de   Sustentabilidade,   em   Cuiabá   (MT),   lançou   o   Termo   de   Referência   para   Atuação   do   Sistema   Sebrae   em  Sustentabilidade,  realizou  a  Sondagem  O  que  Pensam  as  Micro  e  Pequenas  Empresas  sobre  Sustenta-­ bilidade,  e  foi  a  primeira  instituição  a  formalizar  parceria  para  a  realização  da  Rio  +  20,  a  Conferência   das  Nações  Unidades  sobre  Desenvolvimento  Sustentável.   Esta   publicação   reúne   uma   série   de   orientações   a   empresários   do   segmento   de   pequeno   porte,   a   partir   de   entrevistas   com   especialistas   de   diferentes   áreas   do   conhecimento   que   tratam   aspectos   da   gestão  sustentável,  visando  à  redução  dos  impactos  ambientais  decorrentes  de  atividades  empresariais.   Apontam   oportunidades,   modelos   e   diferenciais   competitivos   provenientes   de   ações   socioambientais,   tendo  em  vista  o  desenvolvimento  sustentável.  Nossa  expectativa  é  de  tornar  a  sua  leitura  uma  fonte  de  possibilidades  aos  empresários,  em  especial,  das  mi-­ cro  e  pequenas  empresas  que  decidirem  pela  adoção  de  uma  agenda  de  inovações  efetivamente  sustentável.   Que  sua  leitura  seja  bastante  proveitosa! Carlos  Alberto  dos  Santos Diretor-­técnico  do  Sebrae  Nacional

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1 A VISÃO  DE   ESPECIALISTAS SOBRE  ECONOMIA  VERDE  E   SUSTENTABILIDADE  NA  MICRO   E  PEQUENA  EMPRESA  


SUSTENTABILIDADE COMO  CONDIÇÃO  PARA  QUE   UMA  EMPRESA  PERMANEÇA  NO  MERCADO REINALDO  DIAS Quais  os  benefícios  práticos  da  gestão  socioambiental  na  empresa?  Há   ganhos  econômicos?  Quais  os  aspectos  essenciais  a  considerar  na  deci-­ são  de  implantação  de  ações  de  sustentabilidade  socioambiental? Segundo  Reinaldo  Dias,  doutor  em  Ciências  Sociais  e  mestre  em  Ciência   Política,     um   dos   principais   benefícios   da   adoção   da   sustentabilidade   socioambiental  na  empresa  é  a  incorporação  institucional  da  inovação   como  um  processo  contínuo  vinculado  a  um  estímulo  permanente  de  cria-­ tividade,   voltado   à   manutenção   do   equilíbrio   entre   sustentabilidade   e   competitividade.

COMO VOCÊ  PERCEBE  A  INSERÇÃO  DA   GESTÃO   SOCIOAMBIENTAL   NAS   MICRO   E  PEQUENAS  EMPRESAS  (MPE)?

O envolvimento   das   MPE,   com   práticas   associadas   ao   desen-­ volvimento   sustentável,   é   funda-­ mental   para   a   sobrevivência   no   mercado  em  médio  prazo,  pois  há   uma   forte   tendência   de   aumento   da   demanda   por   sustentabilida-­ de  e  responsabilidade  social.  

A ECONOMIA   VERDE   E   OS   GANHOS   EMPRESARIAIS   DE   MERCADO.   O   QUE   SE   ACONSELHA   À   MICRO   E   PEQUENA   EM-­ PRESA? Há,   pelo   menos,   três   aspectos   es-­ senciais  que  implicam  na  necessida-­ de   de   maior   envolvimento   das   MPE   com  práticas  sustentáveis.   Em  primeiro  lugar,  a  pressão  da  so-­ ciedade   tende   a   se   tornar   mais   for-­ te,   em   decorrência   do   aumento   da   conscientização   e   do   agravamento   da  crise  ecológica  e,  em  consequên-­ cia,   a   legislação   tende   a   ficar   mais   rigorosa  e  mais  efetiva.   Em  segundo  lugar,  muitas  MPE  inte-­ gram   a   cadeia   de   valor   de   grandes   empresas  e  estas,  pela  sua  maior  vi-­ sibilidade   econômica   e   social,   são   as   primeiras   a   reagir   às   pressões  

para manter   sua   competitividade,   e   nesse   sentido,   estão   exigindo,   cada   vez  mais,  que  seus  fornecedores  e  empresas  contratadas,  que  integram  sua   cadeia  produtiva,  adotem  estratégias  de  gestão  sustentável.   Em  terceiro  lugar,  há  uma  forte  tendência  de  maior  integração  da  máquina   dos  governos  em  práticas  de  responsabilidade  social,  o  que  deve  levar  as   administrações  públicas  a  incorporarem  iniciativas  de  compras  sustentáveis   e  de  responsabilidade  social,  o  que  implicará  na  seleção  de  empresas  que   participem  de  licitações  públicas,  com  base  nos  seus  compromissos  efetivos   com  a  Economia  Verde. EM  QUE  IMPLICA  INSERIR  A  SUSTENTABILIDADE  AMBIENTAL  NA  EMPRESA? A  adoção  de  práticas  socialmente  responsáveis  em  qualquer  empresa  en-­ volve,  necessariamente,  um  processo  de  mudança  de  comportamento,  adap-­ tação,   reconversão,   transformação   e,   em   muitos   casos,   substituição   de   al-­ gumas  tecnologias,  equipamentos  e  processos  adotados  pela  organização.   Um   dos   aspectos,   bastante   positivos   na   implantação   da   sustentabilidade,   é   que   essas   mudanças   levam   a   organização,   como   um   todo,   a   se   reinventar   em   novas  bases  para  disputar  mercado  e  manter,  ou  aumentar,  sua  competitividade.

ECONOMIA VERDE “É  aquela  que  resulta  na  melhoria  do  bem-­estar  humano  e  da  igualdade  so-­ cial,  ao  mesmo  tempo  em  que  reduz  significativamente  os  riscos  ambientais  e  a   escassez  ecológicas”.   Disponível   em:How   is   a   Green   Economy   Defined.   Disponível   em:   Relatório   Rumo   a   uma   Economia   Verde:   Caminhos   para   o   Desenvolvimento   Sustentável   e  a  Erradicação  da  Pobreza.  <http://www.pnuma.org.br/comunicados_detalhar. php?id_comunicados=125>.Acesso  em  06/05/2012. “Uma  economia  verde  é  aquel  cujo  crescimento  da  renda  e  do  emprego  são   impulsionados   por   investimentos   públicos   e   privados   que   reduzam   as   emissões   de   carbono   e   de   poluição,   melhoram   a   eficiência   energética   e   de   recursos   e   evitam  a  perda  de  biodiversidade  e  dos  ecossistemas”.   Disponível  em  http://www.unep.org/greeneconomy/.Acesso  em  06/05/2012.

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Empresa e  gestão  sustentável “Sustentabilidade   exige   inovação,   o   que   representa   benefícios  práticos  à  Micro  e  Pequena  Empresa.” SUSTENTABILIDADE     SOCIOAMBIENTAL   NA  EMPRESA    –  BENEFÍCIOS  PRÁTICOS. Um   dos   principais   benefícios,   da   adoção   da   sustentabilidade   socio-­ ambiental   na   empresa,   é   a   incor-­ poração   institucional   da   inovação,   como   um   processo   contínuo   vincu-­ lado   a   um   estímulo   permanente   de   criatividade,  voltado  à  manutenção   do   equilíbrio   entre   sustentabilidade   e  competitividade.   A   incorporação   permanente   de   novas  tecnologias,  novos  processos,   e   a   formação   continuada   dos   fun-­ cionários  da  empresa  são,  sem  dúvi-­ da,  o  benefício  prático  mais  visível.

COMO IMPLANTAR  OS  PROGRAMAS  SO-­ CIOAMBIENTAIS? Não   se   deve   mitificar   a   implanta-­ ção   de   programas   socioambientais   nas   empresas,   como   algo   complica-­ do  e  difícil  de  ser  implantado.  Embo-­ ra   do   ponto   de   vista   técnico,   haja   certa   complexidade,   não   é   o   ponto   fundamental.  Sugiro,  assim,  os  seguin-­ tes  passos: A)  O  que  importa,  inicialmente,  é  a   decisão  política  adotada  pela  dire-­ ção,   ou   seja,   sem   vontade   política   de   implantação   do   programa,   ele   não  terá  sucesso. B)  O  passo  seguinte  é  o  completo   envolvimento   de   todas   as   lideran-­ ças  da  empresa,  em  todos  os  níveis.   Sem   o   comprometimento   de   lideran-­ ças   não   se   muda   cultura   organiza-­ cional   dentro   de   uma   empresa,   e   a   implantação   de   programa   socioam-­ biental   envolve   a   mudança   cultural   necessariamente. C)   O   terceiro   passo   é   o   processo   de   difusão   dos   novos   valores   que   a   empresa   assumirá;;   trata-­se   de   con-­ seguir   o   apoio   integral   de   todos   os   funcionários   da   organização,   e   nes-­ se   sentido,   palestras,   reuniões,   cur-­ sos,   entre   outras   atividades,   devem   ser   desenvolvidos   procurando   con-­ solidar   um   processo   de   educação   socioambiental  interno. D)  Os  passos  seguintes  são  decor-­ rência  da  consolidação  desses  pas-­ sos   iniciais,   e   envolvem   o   diagnós-­ tico   da   situação   atual   da   empresa,  

mudanças em   processos   e   produtos,   avaliação  das  relações  da  empresa   com  o  entorno,  entre  outras  medidas.   NA  PRÁTICA,  QUAL  DEVE  SER  A  ATITUDE   PARA   SUSTENTABILIDADE   NA   MICRO   E   PEQUENA  EMPRESA?

Em termos   práticos,   imediatos,   no   âmbito   da   empresa   deve-­se   proceder   à   implantação   pro-­ gressiva   de   medidas   preventivas   e  corretivas,  orientadas  a  reduzir   o   consumo   de   recursos   energé-­ ticos,   a   diminuir   a   produção   de   resíduos   e   tornar   efetivo   o   cum-­ primento   da   legislação   ambien-­ tal,   em   especial   a   setorial.   Esse   é   o   movimento   inicial   da   implan-­ tação   de   qualquer   programa,   qual   seja,   adotar   boas   práticas   ambientais. HÁ  GANHOS  ECONÔMICOS  POR  INVES-­ TIR  NA  GESTÃO  AMBIENTAL? O   retorno   dos   investimentos   pode   se  concretizar  por  meio  de  ganhos: a)   pela   redução   de   custos   –   ecoe-­ ficiência   –   derivada   de   melhor   ges-­ tão  ambiental;;     b)  em  imagem  e  em  vendas;; c)   pelo   fortalecimento   e   fidelidade   à  marca  e  ao  produto;; d)   pela   valorização   da   empresa   na   sociedade  e  no  mercado;; e)   em   tributação,   com   as   possibili-­ dades   de   isenções   fiscais   em   âmbi-­ tos  municipal,  estadual  e  federal,  di-­ retamente  para  os  projetos  ou  para   empresas  patrocinadoras;;   f)   em   produtividade,   pelo   maior   em-­ penho   e   motivação   dos   funcioná-­ rios;; g)   em   retorno   publicitário   advindo   da   divulgação   de   mídia   espontâ-­ nea;; h)   com   contratos   com   o   setor   públi-­ co,   que   tende   a   selecionar   empre-­ sas  socialmente  responsáveis i)   e   contratos   com   grandes   empre-­ sas,   que   necessitam   alinhar   sua   ca-­ deia   produtiva   com   os   novos   valo-­ res  que  assume.

“Implantação progressiva   de   medidas   preventivas   e   corretivas,   orientadas   a   re-­ duzir  o  consumo  de  recursos   energéticos. ”

HÁ GANHOS   DE   IMAGEM   POR   INVESTIR   NA  GESTÃO  AMBIENTAL? A   sensibilidade   social,   relaciona-­ da  com  o  desempenho  social,  ético   e   ambiental   das   empresas,   tem   au-­ mentado,  e  um  dos  efeitos  dessa  mu-­ dança  é  que  a  fidelidade  do  cliente   tende   a   migrar   de   uma   marca   para   outra   com   base   na   percepção   de   seus   compromissos   socioambientais.   Além  disso,  a  reputação  da  empresa   tende   a   se   consolidar   de   forma   po-­ sitiva   quando   assume   compromissos   éticos   como   um   princípio   vinculado   à   sua   estratégia   de   mercado.   A   re-­ putação  se  converte,  assim,  num  dos   ativos   mais   importantes   da   organi-­ zação,   superando   uma   imagem   de   marca,  que  pode  ser  efêmera.   Este   investimento   resulta   em   maior   eficiência,   por   exemplo,   na   utili-­ zação   da   matriz   energética   e   dos   recursos   naturais,   redução   de   des-­ perdícios,   redução   de   emissão   de   gases   e   reutilização   de   materiais.   Também,   as   operações   comerciais   se   beneficiam   com   a   melhoria   dos   recursos  humanos,  que  se  sentem  es-­ timulados,   ocorrendo,   por   exemplo,   redução   do   absenteísmo,   retenção   de  talentos,  maior  compromisso  com   o  trabalho,  entre  outros  fatores  que   incrementam   a   produtividade   e,   consequentemente,   aumentando   o   diferencial   competitivo   da   empresa   como  um  todo.  

“Mercados verdes   es-­ tão  em  alta,  e  a  tendên-­ cia  é  o  crescimento  con-­ W­QXRHGLYHUVLŹFDGRŒ

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Empresa e  gestão  sustentável

OS CLIENTES   PROCURAM   POR   PRODU-­ TOS  “DO  BEM”? Essa   é   uma   tendência   irreversí-­ vel,   consolidada   pelo   aumento   dos   problemas  ecológicos  que  afetam  o   planeta  e  que  são  divulgados  pela   mídia,   provocando   um   efeito   de   conscientização   pelo   perigo,   por   meio  d e  i magens  d as  t ragédias.  A lém   disso,   as   crianças   e   os   adolescen-­ tes   possuem,   hoje,   maior   consciên-­ cia   ecológica   do   que   as   gerações   anteriores,   pois   recebem   um   nível   de   informação   muito   maior   desde   a   mais   tenra   idade,   tornando-­se   nas   famílias   verdadeiros   fiscais   ambien-­ tais.   Desse   modo,   há   um   crescente   envolvimento  dos  consumidores  com   práticas   ambientalmente   corretas,   e   já   há   uma   demanda   sensível   de   partes  consideráveis  da  população   por  esse  tipo  de  produto.

“Há um   crescente   en-­ volvimento  dos  consumi-­ dores   com   práticas   am-­ bientalmente   corretas,   e   já   há   uma   demanda   sensível   de   partes   con-­ sideráveis   da   popula-­ ção   por   esse   tipo   de   produto.”

HÁ VANTAGEM   COMPETITIVA   PARA   MI-­ CRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS  QUE  ADO-­ TAM  A  GESTÃO  AMBIENTAL? Sim,  pois  terão  cada  vez  mais  tra-­ tamento  preferencial: A)  por  parte  dos  consumidores;; B)   por   parte   das   grandes   em-­ presas   (que   preferirão   as   MPE   que   agregam  valor  socioambiental  à  sua   cadeia  produtiva);; C)   e   do   poder   público   (que   con-­ dicionará   a   participação   em   lici-­ tações   e   contratos   àquelas   que   adotarem  posturas  socialmente  ami-­ gáveis). Deste   modo,   terão   uma   vantagem   competitiva   concreta   em   relação   aos  seus  concorrentes  que  não  ado-­ tam   a   gestão   ambiental.   A   agenda  

de negócios   deve   sofrer   profundas   alterações  no  futuro  próximo,  pois  a   mudança   climática   e   outras   políti-­ cas   ambientais   marcarão   as   pautas   das   empresas   nos   próximos   anos   e,   portanto,   é   o   momento   para   que   os   empresários   assumam   estes   desafios   que  o  tornarão  não  somente  susten-­ táveis,  mas  também  competitivos.

Em termos  globais,  nos  países  mais   desenvolvidos   há   uma   maior   cons-­ cientização   ambiental,   e   a   partici-­ pação   dessa   região,   seja   na   orga-­ nização,   patrocínio   e   público   será   enorme,   ou   seja,   se   dará   muita   im-­ portância   para   as   questões   socio-­ ambientais   durante   o   evento.   Além   disso,   o   Brasil   é   visto   como   uma   re-­ gião   privilegiada   em   termos   de   na-­

NO QUE  SE  REFERE  À  CADEIA  PRODUTIVA,   VOCÊ  PERCEBE  HAVER  COBRANÇAS  POR   PROCESSOS   OU   PROCEDIMENTOS   SO-­ CIOAMBIENTAIS?  PODE  CITAR  EXEMPLOS? Aquelas   organizações,   que   mantêm   em  sua  cadeia  de  valor  pequenas  em-­ presas   que   adotam   práticas   insusten-­ táveis  e  não  éticas,  poderão  sofrer  um   grande   prejuízo   em   sua   imagem   e   re-­ putação  quando  essas  práticas  se  tor-­ narem   públicas,   como   ocorreu,   recen-­ temente,  com  várias  empresas  no  Brasil   que   mantinham   contratos   com   Micro   e   Pequenas   Empresas   que   adotavam   trabalho  escravo  em  suas  instalações.   Além   disso,   essas   organizações   foram   processadas   e   deverão   sofrer   preju-­ ízo,   com   o   pagamento   de   pesadas   multas.   Os   casos   denunciados   se   tor-­ naram   assunto   na   mídia   internacional   e   produzem   um   efeito   demonstração   para   outras   empresas,   que   passam   a   ter  cada  vez  mais  cuidado  com  as  Mi-­ cro   e   Pequena   Empresa   que   integram   sua  cadeia  produtiva.

A COPA  DO  MUNDO  DEMANDARÁ  POS-­ TURA  SOCIOAMBIENTAL  PARA  AS  MICRO   E   PEQUENAS   EMPRESAS?   PODERIA   DAR   EXEMPLO  NOS  DIVERSOS  SETORES? A   copa   do   mundo   é   um   dos   even-­ tos   mais   midiáticos   do   Planeta,   sua   realização   atrairá   os   olhares   de   bilhões   de   pessoas   ao   redor   do   mundo,  não  somente  às  atrações  es-­ portivas,  mas  a  tudo  que  a  envolve-­ rá.   A   logística   de   um   evento   como   esse   envolve   um   número   enorme   de   segmentos   econômicos:   alimentos,   bebidas,   transportes,   comunicação,   reciclagem,  produtos  petroquímicos,   metalurgia,  construção  civil,  turismo,   hotelaria  etc.

tureza, há  toda  uma  expectativa  em   relação   às   nossas   condutas   socio-­ ambientais  durante  o  evento.  Nesse   sentido,  todas  as  empresas  deverão   atentar  para  essas  questões,  o  que   já   vem   ocorrendo   na   construção   e   ampliação  dos  estádios  que  sedia-­ rão   os   jogos,   como   o   Maracanã   ou   o   Itaquerão,   que   controlam   a   des-­ tinação   do   lixo,   e   da   terra   remo-­ vida   nos   locais.   No   Maracanã,   os   materiais   reciclados   têm   sido   trans-­ formados   em   tijolos   que   constroem   casas   populares,   fato   amplamente   noticiado   na   imprensa.     A   hotelaria   verde   deverá   ser   reconhecida,   e   aqueles  que  assumirem  essa  postura   terão   como   retorno   uma   vantagem   competitiva  em  relação  a  seus  con-­ correntes  após  o  evento.  

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Empresa e  gestão  sustentável

COMO IDENTIFICAR   UMA   EMPRESA   AM-­ BIENTALMENTE  SUSTENTÁVEL? Uma   empresa   ambientalmente   sus-­ tentável   é   aquela   em   que   a   cultura   ambiental   permeia   toda   organiza-­ ção.  Não  está  somente  associada  a   um   “gueto”   dentro   da   organização   –   um   departamento,   setor   ou   mes-­ mo   uma   só   pessoa.   É   aquela   onde   todos   os   seus   integrantes,   desde   o   funcionário  mais  humilde  até  os  diri-­ gentes  do  topo,  têm  consciência  do   papel   que   desempenham   na   socie-­ dade;;  consciência  da  sua  diferença   em   relação   aos   concorrentes,   que   compreendem   que   a   postura   ética,   é  não  só  um  diferencial  competitivo,   mas   um   valor   agregado   construído   com  a  participação  de  todos.

COMPORTAMENTO E  IDENTIFICAÇÃO  DO  CONSUMIDOR  CONSCIENTE. O  consumidor  consciente  compreende  que  as  pequenas  ações  conduzem   a   grandes   transformações,   nesse   sentido   sensibiliza-­se   com   exemplos   de   pessoas   e   organizações   que   se   pautam   por   engajamento   em   questões   de   responsabilidade   socioambiental.   No   entanto,   desconfia   da   lavagem   ver-­ de  ou  social  (da  propaganda  de  empresas  que  se  dizem  socioambientais,   mas  que  muito  pouco  fazem  por  isto).  Nesse  aspecto,  obter  a  credibilidade   é   fundamental,   e   isto   se   obtém   envolvendo-­se   em   todas   as   dimensões   da   sustentabilidade,  vinculando  estreitamente  o  social,  o  ambiental  e  o  eco-­ nômico.  

“Apresentar relatórios   de   sustentabilidade,   periódicos   e   de   amplo   acesso,   preferencialmente,   colocados   à   dispo-­ sição  no  site  da  empresa,  amplia  a  credibilidade  do  valor   de  sustentabilidade  à  empresa.”

COMO ESTABELECER  A  CADEIA  DE  SUPRIMENTOS  COM  BASE  NA  ECONOMIA  VERDE? A  empresa  deve  identificar  quais  são  as  práticas  e  respectivos  impactos  sociais  e  ambientais  de  seus  fornecedo-­ res,   abolindo   aquelas,   por   exemplo,   que   utilizam   mão-­de-­obra   infantil   ou   escrava,   e   privilegiando   as   que   atendam   aos  padrões  ambientais  de  cada  setor. Todo  produto,  sem  exceção,  que  é  utilizado  na  cultura  humana  tem  origem  em  materiais  encontrados  na  natureza.   Um   telefone   celular,   por   exemplo,   possui   todos   os   seus   componentes   originários   de   minas   ao   redor   do   mundo,   e   um   dos   seus   principais   componentes   é   o   Coltan   (Columbita-­tantalita),   cujas   reser vas,   em   sua   maioria,   estão   na   Repú-­ blica  Democrática  do  Congo,  uma  região  de  conflito  armado  alimentado  pela  exploração  desse  mineral.  Optar  por   tecnologias,  produtos  e  processos  de  empresas  com  gestão  socioambiental  fortalece  posturas  sustentáveis  em  toda   a  cadeia  produtiva.

Reinaldo Dias  é  doutor  em  Ciências  Sociais  e  mestre  em  Ciência  Po-­ lítica  pela  Universidade  Estadual  de  Campinas  (Unicamp).  Atualmen-­ te,   é   professor   do   Centro   de   Ciências   Sociais   e   Aplicadas   (CCSA)   da   Universidade   Presbiteriana   Mackenzie,   São   Paulo.   Especialista,   com  pós-­graduação  em  Ciências  Ambientais.  É  autor  de  vários  livros   publicados  nas  áreas  de  turismo,  meio  ambiente,  sociologia,  ciência   política   entre   outros.   Dos   títulos   publicados,   destacam-­se   Gestão   Ambiental:   responsabilidade   social   e   sustentabilidade,   Turismo   sus-­ tentável   e   meio   ambiente,   e   o   mais   recente,   Responsabilidade   So-­ cial:  fundamentos  e  gestão.  

Currículo lattes:  http://lattes.cnpq.br/5937396816014363

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CAMINHOS PARA  A  SUSTENTABILIDADE  NA  MICRO  E  PEQUENA  EMPRESA CÉLIA  BRAGA Como  implantar  processos  baseados  na  sustentabilidade  socioambiental   QDHPSUHVD"3RURQGHFRPH§DU"4XDLVRVGHVDŹRV" Segundo  Célia  Braga,  mestre  em  Controladoria  e  Contabilidade,  e  dou-­ toranda  em  Gestão  de  Empresas,  a  sustentabilidade  deve  envolver  todos   na  empresa,  do  presidente  ao  chão  de  fábrica.

A P L I C A R A   S U S T E N TA B I L I D A D E   N A  E M P R E S A  S I G N I F I C A  G A N H O S   ECONÔMICOS?   Sim,   a   sustentabilidade   pode   sig-­ nificar,   no   médio   prazo,   redução   de   custos,   o   que   pode   aumentar   a   mar-­ gem  de  lucro  da  empresa,  ou  reduzir   o   preço   de   venda   e   torná-­la   mais   competitiva   no   mercado.   O   concei-­ to  de  sustentabilidade  também  faz  o   produto  ser  mais  competitivo.  Se  ven-­ de   para   um   mercado   diferenciado   terá   margem   de   lucro   diferenciada   pela   categoria   do   seu   público   con-­ sumidor.  Vale  lembrar  que  os  resulta-­ dos   de   pesquisa   e   desenvolvimento   de   novos   produtos/serviços   e   maté-­ rias-­primas  consolidam-­se  no  médio  e   longo   prazo.   A   ação,   o   operacional   e   o   estratégico   são   contínuos,   mas   a  inovação  exige  um  tempo  mínimo.   VOCÊ   CONSIDERA   QUE   EXISTE   UM   NOVO   MERCADO   CONSUMIDOR   SE   FORMANDO   A   PARTIR   DA   AMPLIAÇÃO   DA  CONSCIÊNCIA  SOBRE  A  ECONOMIA   VERDE? Existe   um   novo   mercado   para   os   produtos   verdes,   com   consumidores   mais   conscientes.   Ainda   que   essa   realidade   não   seja   expressiva   nos   países   mais   populosos   do   mundo,   porque   se   compra   mais   pelo   custo   que  pela  diferenciação  do  produto   e   pela   consciência   cidadã,   cons-­ tatam-­se   avanços   desde   a   década   de  90.   As   pequenas   empresas   precisam   ter   um   diferencial   competitivo   no   mercado   para   garantir   a   continui-­ dade  das  suas  atividades.  

As grandes   empresas   e   os   gover-­ nos   que   assumiram   um   compromisso   de   sustentabilidade   vão   querer,   na   sua   cadeia   de   fornecedores,   em-­ presas   que   atuem   no   mercado   de   forma  sustentável A  Micro  e  Pequena  Empresa  pode,   também,   ampliar   seu   mercado   de   forma   a   atuar   em   segmentos   espe-­ cíficos,   ganhando   vantagem   com-­ petitiva   com   a   diferenciação.   Ex.:   produtos  orgânicos.

COMO IMPLANTAR  OS  PROGRAMAS   SOCIOAMBIENTAIS? As  macroetapas  são  as  mesmas  em   qualquer  tipo  de  empresa:  conhecer   o   modelo   e   o   processo   de   gestão   da   empresa;;   identificar   o   objetivo   da  empresa  quando  se  propõe  a  as-­ sumir  uma  postura  de  empresa  social   e   ambientalmente   responsável,   bem   como  o  conceito  de  sustentabilida-­ de;;  realizar  o  diagnóstico  do  marco   ‘ zero’   da   sustentabilidade;;   definir   com   os   gestores   as   ações   estraté-­ gicas   e   apresentar   uma   proposta   operacional,  que,  se  aceita,  deverá   ser   implantada   com   os   respectivos   ajustes.  Tudo  isso  deve  envolver  to-­ dos   na   empresa,   do   presidente   ao   ‘chão  de  fábrica’.  E,  em  seguida,  es-­ tender-­se  aos  stakeholders  externos.

VOCÊ PODERIA  PROPOR  UM  PASSO-­A-­PASSO   PARA  A  EMPRESA? Adquirir   o   conceito   de   sustentabi-­ lidade  de  forma  individual  (todos  os  

colaboradores), e   consolidá-­lo   na   cultura   e   na   estrutura   organizacio-­ nal  da  empresa;; Comprometer   os   proprietários   e   os   gestores   com   a   importância   da   sustentabilidade   para   o   negócio   e   para  o  mundo  (e  este  mundo  come-­ ça  com  cada  pessoa  da  empresa  e   com  a  sua  respectiva  família);; Expandir  esta  cultura  para  fora  da   empresa  por  meio  dos  seus  stakehol-­ ders   prioritários   (destacadamente:   fornecedores,   clientes   e   a   comuni-­ dade);; Acompanhar   as   exigências   do   mercado  consumidor;; Criar   uma   estrutura   para   o   acom-­ panhamento  dos  indicadores;; Assumir  o  custo  da  implementação   da   Responsabilidade   Social   e   Am-­ biental  (RSA);; Assumir  uma  postura  ética  de  Res-­ ponsabilidade   Social   e   Ambiental   (RSA)  e  não  apenas  de  divulgação;; Ao   se   mostrar   sustentável   para   o   mercado,   a   empresa   deve   dar   con-­ tinuidade   às   ações   sustentáveis,   e   divulgá-­las   sempre   que   possível,   principalmente   quando   se   tratar   do   seu  relatório  de  sustentabilidade.   As   micro   e   pequenas   empresas   vão  enfrentar  desafios  adicionais: A  falta  de  recursos  financeiros;; A  carência  de  pessoas  capacita-­ das  para  iniciarem  os  trabalhos;;  e A   decisão   por   uma   mudança   de   cultura  da  empresa  familiar  ou  Ltda.,   pois   não   há   a   cobrança   externa   dos   investidores,   como   acontece   com  a  empresa  “sociedade  anônima   de  capital  aberto”.

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Caminhos para  a  sustentabilidade  na  empresa

“As grandes  empresas  e  os   governos   que   assumiram   um   compromisso   de   sustentabi-­ lidade   vão   querer,   na   sua   cadeia   de   fornecedores,   empresas  que  atuem  no  mer-­ cado  de  forma  sustentável.”

NO QUE  SE  REFERE  À  CADEIA  PRODUTI-­ VA,  VOCÊ  PERCEBE  HAVER  COBRANÇAS   POR   PROCESSOS   OU   PROCEDIMENTOS   SOCIOAMBIENTAIS? Sim.  Esse  fato  vai  sendo  ampliado   à   medida   que   as   Micro   e   Pequenas   empresas   tornam-­se   fornecedoras   de   grandes   empresas   (destacada-­ mente  as  que  estão  no  mercado  de   capitais   e   publicam   relatório   de   sustentabilidade).   Essas   grandes   empresas  costumam  incluir  cláusulas   de   compromisso   com   a   sustentabi-­ lidade   em   contratos   com   fornece-­ dores   e   tratam   sobre   o   tema   nos   relatórios   de   sustentabilidade   no   segmento  de  stakeholders  e  nos  có-­ digos  de  conduta.

A COPA  DO  MUNDO  DE  2014,  NO  BRASIL,  DEMANDARÁ  POSTURA  SOCIOAMBIENTAL   TAMBÉM  PARA  AS  MICRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS?  PODERIA  DAR  EXEMPLOS  NOS  DI-­ VERSOS  SETORES? Sim,   certamente   irá   demandar.   No   setor   de   alimentos,   por   exemplo,   pro-­ ceder  a  um  descarte  correto  dos  resíduos  viabilizando  a  logística  reversa.   Buscar   estimular   a   produção   de   alimentos   sem   agrotóxicos   (destacada-­ mente   frutas,   verduras   e   legumes).     Evitar   os   corantes   e   produzir   alimentos   frescos   e   típicos   da   culinária   brasileira.   No   transporte   de   turistas,   estimu-­ lar   a   redução   no   uso   de   combustíveis   fósseis,   seja   pelo   uso   correto   do   equipamento   –   lotação   e   viagens   programadas,   bem   como   pelo   uso   de   combustíveis   de   menor   impacto.   Educação   ambiental   deve   acontecer   nos   hotéis,   tanto   em   relação   ao   uso   controlado   dos   recursos   naturais,   como   por   exemplo,   evitando   lavagens   excessivas   de   roupas   de   cama   e   banho;;   estimulando   a   redução   no   consumo   de   água   e   energia   pelos   hóspedes   e   funcionários;;   orientando   para   o   uso   de   materiais   de   limpeza   que   menos   agridem   ao   meio   ambiente.   Sensores   de   presença   podem   vir   a   contribuir   com   a   redução   do   consumo   de   energia.   No   setor   de   moda   e   confecções,   utilizar  tecidos  de  fibras  naturais,  ou  mesmo  de  materiais  recicláveis,  como   PET  e  bambu,  bem  como  minimizar  o  uso  excessivo  de  tintura  e  graxa  devem   ser   práticas   incorporadas.   O   governo   e   secretarias   estatuais,   juntamente   com  as  empresas  do  setor  de  turismo,  podem  ajudar  na  comunicação  para   a  sustentabilidade,  orientando  os  turistas. UM  RECADO  PARA  TODOS Apesar   de   tudo   o   que   está   sendo,   foi   e   será   estudado   sobre   o   assunto,   nada  ocorrerá  se  cada  pessoa  que  vive  neste  Planeta  não  tomar  para  si  o   compromisso   de   salvá-­lo.   Afinal,   para   se   conquistar   algo   “É   preciso,   antes   de  mais  nada,  querer.”,    palavras  de  Amyr  Klink,  UOL  (2012). 1

“As grandes  empresas  costumam  incluir  cláusulas  de  compromisso   com  a  sustentabilidade  em  contratos  com  fornecedores.”

Célia Braga  é  graduada  em  Ciências  Contábeis,  mestre   em   Controladoria   e   Contabilidade   pela   Universidade   de   São   Paulo   e   doutoranda   em   Gestão   de   Empresas   na   Universidade   de   Coimbra.   Professora-­Assistente   da   Universidade  Federal  do  Ceará  e  organizadora  do  livro   Contabilidade  Ambiental:  ferramenta  para  a  gestão  da   sustentabilidade. E-­mail:  celiabragac@hotmail.com

Referência Bibliográfica 1

UOL  (2012)  Frases  de  Amyr  Klink.  Disponível  em  http://pensador.uol.com.br/frases_amyr_klink/

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ECONOMIA VERDE:  UMA  FORMA  DE  TRAZER  A  SUSTENTABILIDADE   PARA  UM  PATAMAR  DE  OBJETIVIDADE MARIA  ELISABETH PEREIRA  KRAEMER O  que  é  Economia  Verde?  Há  ganhos  de  imagem  por  investir  em  gestão   ambiental?  Existe  demanda  para  produtos  “sustentáveis”?  Como  medir  re-­ sultados? Segundo  Maria  Elisabeth  Pereira  Kraemer,  mestre  em  Relações  Econômi-­ cas  Sociais  e  Internacionais,  a  Economia  Verde  é  uma  forma  de  trazer  sus-­ tentabilidade  para  um  patamar  de  objetividade  que  evidencia  as  vanta-­ gens  econômicas  e  sociais,  buscando  crescimento  econômico,  empregos   e  renda,  pesquisa  e  inovação  tecnológica  e  qualidade  ambiental.

HÁ GANHOS   TANGÍVEIS   PARA   MICRO   E   PEQUENAS   EMPRESAS   QUE   ADOTAM   A   GESTÃO  AMBIENTAL? Sim.   Identificando   os   custos   am-­ bientais   gerados   pelas   atividades   e  processos  organizacionais,  as  em-­ presas   podem   estabelecer   planos   de   ações   de   controle   com   o   intuito   de  mitigar  ou  eliminar  custos,  melho-­ rando   decisivamente   a   eficiência   da   utilização   de   recursos   na   orga-­ nização.   O   princípio   da   reciclagem   pode  representar  uma  boa  fonte  de   renda  para  as  empresas.  A  vantagem   competitiva  é  obtida  quando  a  em-­ presa   apresenta   custos   mais   baixos   do   setor.   Segundo   Faria   (2000)   um   bom  programa  de  gestão  ambiental   paga-­se  sozinho  em  um  prazo  de  10   a  15  meses. SUSTENTABILIDADE   SOCIOAMBIENTAL   NA   EMPRESA:   VOCÊ   PODERIA   RELACIO-­ NAR  ALGUNS  BENEFÍCIOS  PRÁTICOS? Os   benefícios   estão   ligados   à   mudança   comportamental   -­   inclusi-­ ve  de  paradigmas  -­,  aprendizado  e   inovação   organizacional.   Podemos   citar,  dentre  os  benefícios  econômi-­ cos:  a  abertura  de  novos  mercados;;   o  aumento  da  contribuição  marginal   de   “ produtos   verdes”   que   podem   ser   comercializados   com   maior   va-­ lor   agregado;;   mais   facilidade   para   obtenção   de   financiamentos.   Há   ainda   os   benefícios   estratégicos,   tais   como   a   renovação   da   carteira   de   produtos,   o   incremento   da   pro-­

dutividade, o   alto   comprometimen-­ to   dos   colaboradores   e   a   melhoria   das  relações  com  os  órgãos  gover-­ namentais,   comunidade   e   grupos   ambientais. É   ainda   importante   destacar   pos-­ síveis   alterações   internas   positivas   na   organização,   e   o   aumento   da   satisfação  e  confiança  dos  clientes. COMO  IMPLANTAR  OS  PROGRAMAS   SOCIOAMBIENTAIS? A   decisão   de   execução   de   pro-­ gramas   socioambientais   deve   partir   da   alta   direção,   após   adequação   do   per fil   da   empresa   em   consonân-­ cia  com  as  normas  da  Responsabili-­ dade   Social   Ambiental   (RSA),   e   le-­ vando   em   consideração   os   valores   a   serem   despendidos.   A   organiza-­ ção  deve  estabelecer  e  manter  pro-­ gramas  para  atingir  seus  objetivos  e   metas,  passando  pela  atribuição  de   responsabilidades   em   cada   função   e   nível   pertinente,   os   meios   a   serem   utilizados  e  o  prazo  dentro  do  qual   eles  devem  ser  atingidos. Havendo   outros   projetos   relativos   a   novos   empreendimentos,   ativida-­ des  ou  produtos,  novos  ou  modifica-­ dos,   estes   devem   ser   revistos   para   assegurar   que   a   gestão   ambiental   se  aplica  a  eles.  (Barbiere,  2004). A   quantidade   de   empresas   que   adotam   modelos   de   gestão   socio-­ ambiental  tem  aumentado  no  mundo   todo.   A   execução   de   determinados   programas,   mesmo   pelo   seu   cará-­ ter   facultativo,   contribui   de   forma  

positiva para   a   empresa,   enqua-­ drando-­se   às   exigências   legais   de   preser vação   ambiental,   refletindo   positivamente   na   organização   e   valorizando,   por   conseguinte,   sua   imagem.  HÁ  GANHOS  ECONÔMICOS  POR  INVES-­ TIR  NA  GESTÃO  AMBIENTAL? Sim.   Há   redução   de   custos   via   melhoria   da   eficiência   dos   proces-­ sos   de   utilização   de   matéria-­prima,   água   e   energia   elétrica.   O   proces-­ so   de   inovação   de   produtos,   pos-­ sibilita   aumento   da   fatia   de   parti-­ cipação   no   mercado   e,   ainda,   há   ganhos   devido   a   utilização   de   ma-­ teriais  que  tenham  sido  reciclados. Percebe-­se   que   há   aumento   da   demanda   para   produtos   que   con-­ tribuam   para   a   diminuição   da   poluição   e   para   a   preser vação   ambiental.   Atualmente,   face   às   ex-­ pectativas   dos   consumidores,   eles   estão   cada   vez   mais   informados   e   predispostos   a   comprar   e   usar   pro-­ dutos   de   empresas   que   respeitam   o   ambiente.   O   fato   de   se   interessar   pela   procedência   e   composição   dos   produtos   representa   um   indica-­ tivo  neste  sentido.

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Economia Verde:  sustentabilidade  e  objetividade O  TEMA  AMBIENTAL  DO  ANO  GIRA  EM  TORNO  DA  ECONOMIA  VERDE.  O  QUE  DE  FATO   SIGNIFICA  ESSE  TERMO? O   PNUMA   –   Programa   das   Nações   Unidas   para   o   Meio   Ambiente   define   Economia  Verde  como  “ uma  economia  que  resulta  em  melhoria  do  bem-­estar   da  humanidade  e  igualdade  social,  ao  mesmo  tempo  em  que  reduz,  signifi-­ cativamente,  riscos  ambientais  e  escassez  ecológica”. De   acordo   com   o   PNUMA,   uma   transição   para   a   Economia   Verde   não   apenas  reconhece  e  demonstra  o  valor  do  capital  natural  –  como  provedor   de   bem-­estar   para   a   humanidade,   como   provedor   de   sustento   para   famí-­ lias   carentes,   e   como   fonte   de   empregos   novos   e   decentes   –   mas   também   investe  neste  capital  natural  e  o  desenvolve  para  um  progresso  econômico   sustentável. Neste  sentido,  uma  Economia  Verde  gera  empregos  e  melhora  a  igualda-­ de  social,  substitui  os  combustíveis  fósseis  por  energias  renováveis  e  tecno-­ logias  de  baixa  emissão  de  carbono,  oferece  um  estilo  de  vida  urbana  mais   sustentável  e  uma  mobilidade  com  baixa  emissão  de  carbono.   Diante   do   exposto,   Economia   Verde   é   uma   forma   de   trazer   sustentabili-­ dade   para   um   patamar   de   objetividade   que   evidencia   as   vantagens   eco-­ nômicas   e   sociais,   buscando   crescimento   econômico,   empregos   e   rendas,   pesquisa  e  inovação  tecnológica  e  qualidade  ambiental.

“Economia Verde   é   uma   forma   de   trazer   sustentabilidade   para   um   patamar   de   objetividade   que   evidencia   as   vanta-­ gens   econômicas   e   sociais,   buscando   crescimento   econômi-­ co,   empregos   e   rendas,   pesquisa   e   inovação   tecnológica   e   qualidade  ambiental.”

HÁ GANHOS   DE   IMAGEM   POR   INVESTIR   NA  GESTÃO  AMBIENTAL? Sim.   Percebe-­se   que   empresas   que   adotam   práticas   gerenciais   adequadas   de   gestão   ambiental   conseguem   obter   melhoria   da   ima-­ gem   da   organização   por   parte   de   órgãos   governamentais,   consumi-­ dores,   fornecedores,   investidores   e   sociedade   como   um   todo.   O   setor   de   marketing   ou   assessoria   de   im-­ prensa   possui,   também,   papel   pre-­ ponderante   no   sentido   de   difundir   as  ações   e   práticas  adotadas   pela   empresa. OS   CLIENTES   PROCURAM   POR   PRODU-­ TOS  DO  BEM? Sim.   Cada   vez   mais   as   pessoas   procuram   seguir   um   estilo   de   vida   mais  saudável  e  aderem  aos  chama-­ dos  produtos  do  bem.  São  rotulados   deste  modo,  produtos  cultivados  de   forma   orgânica,   os   integrais,   natu-­ rais,  além  dos  sustentáveis  e  intitula-­ dos  ecologicamente  corretos.

QUE DICAS  VOCÊ  DARIA  PARA  AS  MICRO  E   PEQUENAS  EMPRESAS  NO  QUE  SE  REFERE   A  GANHOS  DE  MERCADOS  SUSTENTÁVEIS? Há   algumas   ações   que   podem   ser   implantadas:   um   bom   planejamen-­ to   para   melhoria   do   ambiente   dos   negócios   e   da   qualidade   de   vida;;   investir   os   ganhos   em   soluções   de   energia   limpa;;   em   gestão,   fator   que   impacta   diretamente   a   produtivida-­ de   dos   negócios;;   investimento   em   inclusão   digital;;   iniciativas   de   re-­ dução   de   poluição   e   de   aumento   da   eficiência   energética;;   gerir   os   negócios,   com   eficiência,   a   partir   da  utilização  do  capital  humano  de   forma   adequada   e   manter   normas   e   regulamentos   adequados   aos   obje-­ tivos  que  se  pretende  alcançar.

“Empresas podem   esta-­ belecer   planos   de   ações   de   controle   com   o   intuito   de  mitigar  ou  eliminar  cus-­ tos,   melhorando   decisiva-­ mente  a  eficiência  da  uti-­ lização  de  recursos.”

COMO MEDIR   RESULTADOS   NA   GESTÃO   AMBIENTAL? Deve-­se   estabelecer   os   indica-­ dores   ambientais.   Estes   expressam   informação   útil   e   relevante   sobre   a   atuação   ambiental   da   empresa   e   sobre   seus   esforços   pela   influên-­ cia  em  tal  atuação.  São  os  cálculos   específicos   de   um   aspecto   concre-­ to   que   possam   ser   utilizados   para   acompanhar   e   demonstrar   o   desem-­ penho.   Os   indicadores   de   meio   ambien-­ te   estão   estreitamente   associados   aos   métodos   de   produção   e   de   consumo   e   refletem,   frequentemen-­ te,   intensidades   de   emissões   ou   de   utilização   dos   recursos   e   suas   ten-­ dências   e   evoluções   dentro   de   um   determinado   período.   Podem   ser vir   para   evidenciar   os   progressos   re-­ alizados,   visando   dissociar   as   ati-­ vidades   econômicas   das   pressões   ambientais  correspondentes.   Portanto,   para   que   esses   sejam   calculados,   Paiva   (2003)   diz   que   se   faz   necessário   que   a   empresa   divulgue   algumas   informações   rela-­ tivas  ao  meio  ambiente  que  ser virão   como   dados   na   geração   de   novas   informações,  que  por  sua  vez  trarão   dados   valiosos   para   decisões   que   envolvam   a   posição   econômica   da   empresa  em  sua  relação  com  o  meio   ambiente,   afetando   sua   posição   presente,  mas,  fundamentalmente,  no   futuro.

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Economia Verde:  sustentabilidade  e  objetividade

E  QUAIS   INDICADORES  DEVEM  SER  UTI-­ LIZADOS? Podemos  partir  de  três  indicadores: INDICADORES   ABSOLUTOS   –   São   indi-­ cadores   que   informam   os   dados   básicos   sem  análise  ou  interpretação.  Como  exem-­ plo   de   um   indicador   absoluto,   pode-­se   citar  o  kg  de  reciclagem  de  alumínio. INDICADORES   RELATIVOS   –   Ilustram   a   HŹFLªQFLD DPELHQWDO GD SURGX§£R 'H-­ monstram  o  comportamento  ambiental  de   uma  empresa  em  relação  ao  seu  tamanho   ou   capacidade   de   produção.   Demons-­ tram  se  as  medidas  ambientais  dão  lugar    VPHOKRUDVGDHŹFLªQFLD INDICADORES   DE   EMPRESA,   DE   CEN-­ TRO  DE  TRABALHO  E  DE  PROCESSO  –  Os   indicadores   ambientais   podem   referir-­se   a   diferentes   equipamentos   e,   em   conse-­ quência,   podem   ser   obtidos   a   partir   de   dados   de   toda   a   empresa,   de   projetos   ou   centros   individuais   de   trabalho,   e   de   departamento  ou  processo  de  produção   HVSHF­ŹFD Os   indicadores   determinados   a   partir   dos   processos   de   produção   são   apro-­ priados   como   instrumentos   de   planeja-­ mento,   controle   e   supervisão   para   o   de-­ SDUWDPHQWRHPTXHVW£R$ŹPGHGHWHFWDU pontos  fracos  e  iniciar  rapidamente  ações   corretivas,  é  aconselhável  determiná-­los  a   intervalos  mais  curtos,  por  exemplo,  trimes-­ tralmente,  mensalmente  ou  semanalmente.

PARA CONCLUIR,   COMO   IDENTIFICAR   UMA   EMPRESA   AMBIENTALMENTE   SUS-­ TENTÁVEL? Apesar  de  não  ser  uma  tarefa  fácil,   podemos   realizar   a   identificação   por   meio   de   algumas   obser vações,   como   por   exemplo:   inexistência   de   notícias  desabonadoras  ou  envolvi-­ mento   com   problemas   relacionados   à   poluição;;   funcionários   valoriza-­ dos,   motivados   e   exercendo   as   fun-­ ções  com  boas  condições  de  traba-­ lho;;   satisfatória   relação   via   ações   com   a   comunidade;;   organização   que   atua   em   segmento   produtivo   voltado  às  questões  sociais  e  cultu-­ rais  é  também  indício  considerável. Considera-­se,  ainda,  uma  empresa   ambientalmente  sustentável,  quando   essa   dispõe   de   produtos   e/ou   ser-­ viços   considerados   ecologicamen-­ te   corretos   ou   que   procura   reduzir   ou  eliminar  os  impactos  oriundos  do   processo   produtivo;;   possui   o   reco-­ nhecimento   do   público,   legislado-­ res,   clientes   e   fornecedores   e   pra-­ tica   controle   e   ações   preventivas   que   visam   atender   as   necessidades   humanas   desta   e   das   próximas   ge-­ rações.   Afinal,   as   reser vas   naturais   são  finitas.

“Uma empresa   é   ambien-­ talmente  sustentável,  quan-­ do  e ssa  d ispõe  d e  p rodutos   e/ou  serviços  considerados   ecologicamente   corretos   ou   que   procura   reduzir   ou   eliminar   os   impactos   oriun-­ dos  do  processo  produtivo;;   possui   o   reconhecimento   do   público,   legisladores,   clientes   e   fornecedores   e   pratica   controle   e   ações   preventivas   que   visam   atender   as   necessidades   humanas   desta   e   das   pró-­ ximas  gerações.”

Maria Elizabeth   é   mestre   em   Relações   Econômicas   Sociais   e   Internacionais  pela  Universidade  do  Minho,  de  Portugal.  É  con-­ tadora,   professora   e   integrante   da   equipe   de   ensino   e   ava-­ liação   na   Pró-­Reitoria   de   Ensino   da   Universidade   do   Vale   do   Itajaí  (UNIVALI). E-­mail:  beth.kraemer@terra.com.br  

Currículo lattes:  HTTP://LATTES.CNPQ.BR/6610121454493187.

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SUSTENTABILIDADE NA  PRÁTICA  DA  MICRO  E  PEQUENA  EMPRESA CLAUDIO  ANDRADE Há  mercados  e  clientes  para  os  “produtos  do  bem”?  Como  acessar  este   mercado?  Qual  a  estratégia? Segundo  Claudio  Andrade,  especialista  em  Comunicação  e  Sustentabi-­ lidade  e  Responsabilidade  Social  Empresarial,    o  mercado  dos  produtos   ecologicamente  e  socialmente  corretos  está  em  franca  expansão.  A  so-­ ciedade   está   mais   preocupada   com   o   meio   ambiente   e   procura   viver   melhor  e  com  mais  saúde. QUAIS   SÃO   OS   PRINCIPAIS   DESAFIOS   A   SEREM  ENFRENTADOS  PELA  MICRO  E  PE-­ QUENA   EMPRESA   NO   QUE   SE   REFERE   À   GESTÃO  PARA  A  SUSTENTABILIDADE? Mudar   o   paradigma   de   gestão   e   acrescentar   a   preocupação   com   o   meio   ambiente.   Vejo   nas   Micro   e   Pequenas   Empresas   (MPE)   uma   pre-­ ocupação   legítima   com   a   questão   do   lucro   -­   fator   de   sustentabilida-­ de   financeira.   Portanto,   inserir   ou-­ tros   processos   de   gestão   estrutural,   como  substituição  de  equipamentos   convencionais   de   alto   consumo;;   in-­ clusão  de  torneiras  com  fechamento   automático;;  formas  alternativas  para   geração  de  energia,  como  exemplo,   a  solar,  ou  mesmo  luz  natural;;  substi-­ tuição   de   lâmpadas   convencionais   por   lâmpadas   de   baixo   consumo;;   separar   e   destinar   resíduos   reciclá-­ veis;;   participar   de   programas   com   a   comunidade   local.   Praticar   essas   ações   pode   parecer   caro   e   fora   do   contexto   das   Micro   e   Pequenas   Empresas,   porém   é   pensar   sob   uma   nova   concepção   do   padrão   de   in-­ vestimento  que,  no  decorrer  do  tem-­ po,  se  transformará  em  lucro.  

NA SUA   OPINIÃO,   HÁ   GANHOS   POR   IN-­ VESTIR  NA  GESTÃO  AMBIENTAL?   Os   “ produtos   verdes”   são   cada   vez   mais   procurados   pelo   consumi-­ dor,   o   que   permite   às   empresas   que   os   oferecem,   maior   acesso   aos   mer-­ cados.   Isto   implica   no   desenvolvi-­ mento  de  pesquisa  e  inovação  que,   sem   dúvida,   traz   imenso   benefício   para  todos  os  envolvidos  com  o  ne-­

“O termo   ecoeficiência   foi   definido   como   “a   compe-­ titividade   na   produção   e   colocação   no   mercado   de   bens  e/ou  ser viços  que  satisfazem  às  necessidades  hu-­ manas,   trazendo   qualidade   de   vida,   minimizando   im-­ pactos  ambientais  e  o  uso  de  recursos  naturais.” gócio.    A  centenária  General  Eletric  (GE)  possui  um  lema  sensacional:  green   is   green,   que   faz   uma   relação   direta   de   causa   e   efeito   de   produtos   sus-­ tentáveis   e   dólares.   De   acordo   com   a   GE,   (REVISTA   EXAME:   26/03/2008)   as  vendas  dos  produtos  verdes  já  superaram  o  faturamento  de  companhias   como  Google  e  Avon  nos  EUA,  e  representam  uma  parcela,  cada  vez  maior,   de   receitas   totais   da   GE   com   seu   portfólio   ecomagination:   lucro   de   1   bi-­ lhão  de  dólares  por  ano.  O  acesso  a  capitais  é  outro  benefício  prático,  tendo  em  vista  a  transpa-­ rência  que  exigem  as  boas  práticas  de  governança,  atraindo  investidores  e   crédito  financeiro  seguro.    Outros  pontos  são:  capacidade  de  adaptação,   valorização  da  marca,  atração  e  retenção  de  empregados  mais  motivados   e  comprometidos

“Os “ produtos   verdes”   são   cada   vez   mais   procurados   pelo  consumidor,  o  que  permite  às  empresas  que  os  ofe-­ recem,  maior  acesso  aos  mercados” E  COMO  A  MICRO  E  A  PEQUENA  EMPRESA  PODE  COMEÇAR?  PODERIA  ELENCAR  AL-­ GUMAS  DICAS? Comece  reunindo  um  grupo  de  trabalho.  Crie  um  comitê  de  estudo  sobre   os   impactos   do   seu   negócio.   Identifique   os   gaps   na   cadeia   de   valor   e   priorize  questões  conjuntas.  Não  se  esqueça  de  contextualizar  políticas  e   práticas  desenvolvidas,  isto  é,  a  conformidade  é  elemento  chave.    Cada  empresa  tem  uma  personalidade  própria  e  é  quem  decide  como  os   recursos   serão   usados   e   onde   o   dinheiro   será   investido.   Todavia,   articular   riscos,   oportunidades   e   estratégias   associadas   ao   setor   de   atuação,   será   um  bom  caminho  a  ser  seguido.  Comunique  sempre  o  que  faz,  e  como  faz,  e   quais  os  produtos  disso.  A  coerência  na  comunicação  da  sustentabilidade   é  fator  preponderante  nos  programas  socioambientais.  Porte  de  empresa  não  faz  diferença.  A  diferença  está  na  liderança  e  na   vontade  dos  interessados.  Todavia,  iniciar  programas  socioambientais,  situ-­ ando  questões  críticas  do  setor  em  que  atua,  no  plano  anual  de  atividades,   já  será  um  grande  passo.  Por  exemplo,  programa  de  redução,  reciclagem  e  

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Sustentabilidade na  prática

reutilização numa   loja   de   sapatos.   Alguém   já   obser vou   a   quantidade   de   papel   que   é   entregue   ao   clien-­ te,   que   rapidamente   o   descarta   em   casa:   desde   aquela   bolinha   den-­ tro   do   sapado,   seda   pra   embrulhar,   além  das  caixas  e  sacolas?  Quando   se   multiplica   esta   quantidade,   para   o   uso   diário   e   anual,   percebe-­se   o   impacto   que   pode   vir   a   ser   reduzi-­ do.    E  todo  esse  material  será  joga-­ do  fora.     Como   disse,   cada   empresa   é   úni-­ ca,  mas  vale  a  pena  destacar  algu-­ mas  dicas  que  ser vem  como  reflexão   para   começar   a   busca   pela   susten-­ tabilidade:   procure   seguir   as   maiores   empre-­ sas   do   setor.   Se   envolva   com   um   tema   e   busque   cooperação   na   ca-­ deia  de  valor;; crie   novos   mercados.   É   tarefa   de   todos   na   empresa   pensar   em   novos   produtos;; torne   o   diálogo   com   os   emprega-­ dos  um  hábito;; assuma,  publicamente,  sua  estraté-­ gia  verde;; invista   em   equipamentos   de   con-­ tenção   de   energia   e   água.   Pode   custar   caro,   inicialmente,   mas   rapi-­ damente  o  ganho  aparece  na  conta   do  mês;; crie   programas   de   redução   de   resíduos.   Entre   na   luta   contra   as   emissões   de   Gases   de   Efeito   Estufa   (GEE);; participe   de   programas   voluntá-­ rios   como   diferencial   conceitual   da   organização;; cumpra   as   leis   estabelecidas   e   tenha   conduta   transparente   base-­ ada   na   prestação   de   contas.   Esse   é   o   comportamento   esperado   pela   sociedade;; a   sustentabilidade   de   uma   empre-­ sa  não  depende  do  seu  tamanho.

“Porte de  empresa  não  faz   diferença.  A  diferença  está   na   liderança   e   na   vontade   dos  interessados.”

NA SUA  OPINIÃO,  HÁ  MERCADO  E  CLIEN-­ TES  PARA  OS  “PRODUTOS  DO  BEM”? O   mercado   dos   produtos   ecolo-­ gicamente   e   socialmente   corretos   está   em   franca   ascensão.   A   socie-­ dade  está  cada  vez  mais  preocupa-­ da   com   o   meio   ambiente   e   procura   viver  melhor,  com  mais  saúde.     Uma   pesquisa,   realizada   com   5000   entrevistados,   em   sete   países   (Alemanha,   Brasil,   China,   Estados   Unidos,   França,   Índia   e   Reino   Uni-­ do),   revela   que   94%   dos   consumi-­ dores   preferem   comprar   produtos   de  uma  empresa  associada  ao  meio   ambiente.   Portanto,   podemos   con-­ cluir,   sim,   que   o   vínculo   com   o   tema   potencializa  o  conceito  de  marca  e   a  reputação  empresarial.  Todavia,  e  apesar  dos  dados  aci-­ ma,   creio   que   a   demanda   ainda   é   limitada  nas  classes  mais  populares,   seja  por  falta  de  informação  ou  pelo   preço   superior   aos   produtos   tradi-­ cionais.     Mas     a   tendência   é   uma   mudança   qualitativa   no   padrão   de   compra   do   consumidor.     Um   desafio   para  o  marketing  será  lidar  com  o  fim   da   era   do   descartável   e   o   começo   (ou  retorno)  do  bem  durável.

ő8PGHVDŹRSDUDRPDUNHWLQJ VHU¡OLGDUFRPRŹPGDHUDGR descartável e   o   começo   (ou   retorno)  do  bem  durável.” ECONOMIA  VERDE:  EM  QUE  CONSISTE?  Os  princípios  da  Economia  Verde   atendem   ao   conceito   da   sustenta-­ bilidade   de   forma   prática   integran-­ do   pessoas,   planeta   e   negócios.     Na   Economia   Verde,   todos   ganham:   a  empresa,  em  competitividade  e  re-­ putação,  pois  atende  uma  demanda   que   não   existia   antes;;   o   mercado,   com   a   expansão   do   comércio   de   produtos   ecoeficientes;;   a   socieda-­ de,   em   qualidade   de   vida,   e   o   Pla-­ neta,   com   a   redução   do   nível   de   carbono.    Segundo  o  World  Business  Council   for   Sustainable   Development,   o   ter-­ mo   ecoeficiência   foi   definido   como   “a   competitividade   na   produção   e   colocação   no   mercado   de   bens   e/ ou  ser viços  que  satisfazem  às  neces-­ sidades  humanas,  trazendo  qualida-­ de   de   vida,   minimizando   impactos   ambientais   e   o   uso   de   recursos   na-­ turais”.    Com  isso,  a  reflexão  a  fazer   é   sobre   os   processos   de   produção,   desde  a  matéria-­prima  ao  descarte,   principalmente   sob   o   aspecto   do   planejamento   estratégico,   que   en-­ volverá  competência  profissional.

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Sustentabilidade na  prática VOCÊ  PERCEBE  HAVER  COBRANÇAS  POR  PROCESSOS  OU  PROCEDIMENTOS  SOCIO-­ AMBIENTAIS  NA  CADEIA  PRODUTIVA? Não  vamos  generalizar,  mas  existem,  sim,  bons  exemplos  de  atitudes  de  empresas   âncoras  em  associar  suas  condutas  à  cadeia  produtiva.  Um  caso  bem  conhecido   é  do  Wal-­Mart,  que  determinou  que  até  2013  todos  os  seus  fornecedores  deverão   diminuir  em  5%  o  tamanho  de  suas  embalagens  –  medida  que  deve  reduzir  o  lixo  e     gerar  economia  de  3,4  bilhões  de  dólares  para  a  empresa.    A  Procter  &  Gamble   desenvolveu  o  detergente  em  pó  Ariel  Oxiazul  Ecomax,  que  faz  menos  espuma  e,   por  isso,  exige  menos  água  no  enxague  das  roupas  e  sua  granulação  mais  densa   também  permitiu  redução  de  cerca  de  15%  no  volume  da  embalagem.  As  empresas  têm  se  movimentado,  inovando  em  produtos  e  processos,  criando   tecnologias   capazes   de   reduzir   o   impacto   ambiental   e   mudar   o   paradigma   da   economia,   mas   isso   não   é   tudo.   Falta   de   outro   lado,   centralidade   política   de   governo   que   articule   um   projeto   nacional   como   referência   básica   aos   empreen-­ dedores   desejosos   de   um   posicionamento   estratégico   nesse   novo   mercado   de   “produtos  verdes”.   Há   oportunidade   de   crescimento   porque   todas   as   empresas   estão   buscando   soluções  ou  vínculos  com  outras  empresas  para  atender  necessidades  comerciais. QUE  DICAS  VOCÊ  DARIA  PARA  AS  MICRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS,  NO  QUE  SE  REFE-­ RE  A  GANHOS  DE  MERCADOS  SUSTENTÁVEIS? Potencializar  investimento,  estrategicamente,  alinhado  a  outras  empresas   com   os   mesmos   objetivos,   principalmente   na   adequação   de   operações.   A   cooperação  é  íntima  da  competitividade.    Veja  o  exemplo  da  serraria  que   só  compra  madeira  de  fornecedor  certificado  (madeira  de  reflorestamento)   e   vende   suas   apararas   para   construção   de   briquetes   para   queima   em   for-­ nos  e  caldeiras.  Esse  ciclo  virtuoso  precisa  apenas  do  entendimento  sobre   a  cadeia  de  valor  para  obter  resultados  práticos  socioambientais. SUSTENTABILIDADE  E  COPA  DO  MUNDO:  O  QUE  PODE  FAVORECER  PARA  A  MICRO  E   PEQUENA  EMPRESA  ESTA  UNIÃO  DE  CENÁRIOS? A  copa  do  mundo  será  um  grande  momento  para  o  Brasil.  Será  uma  gran-­ de   oportunidade   que   nosso   país   terá   para   mostrar   que   é   capaz   de   unir   crescimento   econômico   e   desenvolvimento   social.   Todos   os   setores   serão   envolvidos:   agronegócio,   comércio   varejista,   construção   civil,   madeira   e   móveis,   economia   criativa   (artesanato,   gastronomia,   entretenimento   etc.),   moda   (têxtil   e   confecção),   ser viços,   tecnologia   da   informação,   comunica-­ ção  e  turismo.    O  SEBRAE  (Ser viço  Brasileiro  de  Apoio  às  Micro  e  Pequenas   Empresas)   listou   mais   de   930   oportunidades   de   negócios   para   a   MPE   na   copa  do  mundo,  em  seu  programa  SEBRAE  2014:  são  nove  áreas  de  estudo   e  atuação  nas  12  cidades-­  sedes,  em  todas  as  regiões  do  Brasil.  

Só   no   comércio   varejista   são   23   funções   que   abrangem   alimentos   e   bebidas,   artigos   de   uso   pessoal,   material   esportivo,   veículos   e   auto-­ peças,   até   a   moda.   Quer   um   exem-­ plo?   Entre   as   diversas   iniciativas,   buscando  a  redução  da  emissão  de   GEE,   estão   projetos   de   mobilidade   urbana,   como   transporte   de   torce-­ dores   para   os   estádios   em   que   a   logística   e   a   utilização   de   veículos   leves   (biocombustível   ou   eletrici-­ dade)   poderá,   substancialmente,   diminuir   o   acúmulo   de   veículos   nos   trajetos  e  reduzir  poluentes. COMO  IDENTIFICAR  UMA  EMPRESA  AM-­ BIENTALMENTE  SUSTENTÁVEL? Deve-­se   observar   se   as   empre-­ sas   possuem   postura   proativa   de   relacionamento,   facilidade   de   co-­ municação   e   canais   de   informação   acessível.  Geralmente,  publicam  seus   resultados   e   tem   apreço   público.   Conhece   e   administra   seus     impac-­ tos,  baseados  em  valores  da  vida  em   sociedade  e  contribuem  com  as  pau-­ tas   públicas.   Geralmente,   são   reco-­ nhecidas   como   líderes   de   mercado   pela   atuação   econômica   e   social.   Por   exemplo,   um   shopping   que   usa   iluminação  natural  ou  lâmpadas  LED,   espaços  amplos  com  boa  ventilação   e   pouca   ou   nenhuma   utilização   de   ar-­condicionado,   paisagismo   gene-­ roso,   equipamentos   de   redução   de   consumo  de  água  e  energia  nos  ba-­ nheiros,   pisos   porosos   para   escoa-­ mento  e  captação  de  água  de  chu-­ va,  campanha  interna  de  reciclagem   de   lixo   nas   áreas   de   alimentação,   são   alguns   indicativos   de   empresa   ambientalmente  sustentável.

“A cooperação  é  íntima  da  competitividade.” Claudio  Andrade  é  relações  públicas  e  atua  em  Comunicação  e  Sustentabilidade.   É   consultor   da   Rellato   e   Coaching   para   Sustentabilidade.   Mestre   em   Propagan-­ da   e   Relações   Públicas   pela   Universidade   de   São   Paulo   (USP);;   possui   extensão   em   Responsabilidade   Social   Empresarial   pelo   Instituto   Ethos   e     em   Comunicação   Social   pela   Faculdade   Cásper   Líbero.   É   facilitador   dos   Indicares   Ethos   e   Global   Reporting   Initiative,   como   mecanismos   de   planejamento   estratégico   da   sustenta-­ bilidade.   Participa   do   Movimento   da   Responsabilidade   Social   Empresarial,   como   instrutor   do   UNIETHOS,   desde   2004.   Membro   da   comissão   julgadora   do   Prêmio   Amcham  de  Responsabilidade  Social  Empresarial.  Professor  de  pós-­graduação  na   Pontifícia   Universidade   Católica   (PUC-­COGEAE)   e   no   Mackenzie.   Palestrante   no   tema  da  incorporação  da  Responsabilidade  Social  Empresarial.  Atualmente,  é  co-­ ordenador   do   curso   de   pós-­graduação   Indicadores   para   a   Sustentabilidade,   no   Centro  Universitário  SENAC  –  Jabaquara. E-­mail:  claudio.jose.andrade@terra.com.br

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A NECESSÁRIA  ECONOMIA  VERDE

CLAUDIO BOECHAT Como  ajudar  a  Micro  e  Pequena  Empresa  a  inserir-­se  na  Economia  Verde?   4XDLVV£RRVSULQFLSDLVGHVDŹRV" Segundo  o  especialista  em  Engenharia  Econômica,  Claudio  Boechat,    a   Economia  Verde  representa  a  retomada  das  atividades  econômicas  e  a   força  de  mercado,  que  irá  favorecer  as  empresas  de  todos  os  portes.

COMO A   MICRO   E   PEQUENA   EMPRES   TEM   SE   INSERIDO   NOS   PROCESSOS   DE   SUSTENTABILIDADE?   Há   Micro   e   Pequenas   Empresas   (MPE)   que   já   estão   inseridas   na   ca-­ deia   de   produção.   Essas   estarão   submetidas  às  vontades  das  grandes   corporações.     Desta   forma,   para   al-­ cance  da  sustentabilidade,  há  de  se   estabelecer,  na  grande  empresa,  po-­ líticas   socialmente   justas   e   ambien-­ talmente   corretas.   Caso   contrário,   haverá   transferência   de   responsabi-­ lidades  e  dificuldade  de  sobrevivên-­ cia  dos  fornecedores.   As   demais   Micro   e   Pequenas   Em-­ presas,   que   se   encontram   na   ponta   da   cadeia   produtiva,   estão   mais   submetidas   ao   ponto   de   vista   e   desejo   do   consumidor.   Para   estes   casos,   é   necessário   ampliar   o   co-­ nhecimento,   e   estabelecer   tributos   adequados   que   contribuam   com   a   contabilidade  ambiental. A  mudança  de  comportamento  será   sistêmica.   Há   necessidade   de   levar   às   Micro   e   Pequenas   Empresas   mais   informações   sobre   as   tendências   globais,   e   como   as   Micro   e   Peque-­ nas  Empresas  podem  chegar  a  essas   tendências   de   sustentabilidade,   am-­ pliando   suas   ofertas   e   estabelecen-­ do  um  crescimento  constante.

“A Economia   Verde   será   um  dos  caminhos  para  reto-­ mada   das   atividades   eco-­ nômicas  em  muitos  países.”

NA SUA  OPINIÃO,  COMO  A  ECONOMIA   VERDE  SE  CONSOLIDARÁ? Não   será   somente   um   caminho,   ou   só   uma   dimensão.   Há   vários   cami-­ nhos   a   percorrer.   Nos   países   avan-­ çados,   é   preciso   reduzir   a   Pegada   Ecológica,   refazer   os   processos   de   produção,   e   gerar   produtos   de   me-­ nor   impacto.   A   forma   de   funcionar   da   sociedade   irá   mudar   para   pa-­ drões  de  consumo  e  uso  de  recursos   naturais  mais  adequados. Vários   países   já   avançam   neste   sentido,   investindo   em   energia   solar   ou   sistemas   eólicos.   Com   tudo   isso,   a   Economia   Verde   será   uma   grande   reativadora   do   crescimento   econô-­ mico,  nos  países  avançados.  Já,  nos   demais  países,  ela  poderá  viabilizar   a  inclusão  social,  por  meio  da  gera-­ ção   de   emprego   e   renda,   de   forma   a   estimular   a   ascensão   das   classes   mais   baixas.   Haverá   diferentes   pa-­ drões  de  inserção  da  Economia  Ver-­

de nos   países.   No   Brasil,   por   exem-­ plo,  a  Política  Nacional  de  Resíduos   Sólidos   cria   possibilidades   para   o   empreendedor   individual,   para   a   Micro   e   Pequena   Empresa,   para   as   médias   e   grandes   corporações.   Ha-­ verá   mecanismos   nacionais   e   políti-­ cas  públicas  que  irão  permitir  novas   formas   de   fazer   negócios.   Ativida-­ des   de   baixo   impacto   ambiental,   econômicas   e   lucrativas   deverão   ser   privilegiadas.   Estudos   do   Banco   Nacional   de   Desenvolvimento   Eco-­ nômico  e  Social  (BNDES),  por  exem-­ plo,  mostram  que  aplicar  dinheiro  no   reflorestamento   da   Mata   Atlântica   gera   empregos.   Políticas   públicas,   como   o   “Minha   Casa   Minha   Vida”,   podem  ser  altamente  inclusivas,  pois   gerar   empregos,   ativar   o   comércio,   construir   moradia   é   inclusão.   Crité-­ rios   para   projetos   e   materiais   mais   sustentáveis,   entretanto   precisam   ser   estabelecidos   e   cobrados.   Não   há,   ainda,   conhecimento   ou   cum-­ primento   das   normas   e   leis.   Estamos   aprendendo   ao   mesmo   tempo   em   que  temos  que  fazer.  É  preciso  redu-­ zir  a  Pegada  Ecológica,  refazer  pro-­ cessos  de  produção,  gerar  produtos   de  menor  impacto.

“A Economia  Verde  será  uma  grande  reativadora  do  crescimento  econômico  nos  países  avançados.”

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A necessária  Economia  Verde ESTAMOS   TODOS   INTERLIGADOS   NO   PLANETA.   COMO   CONVENCER   PARA   A   MUDANÇA  COLETIVA? A  dimensão  da  governança  global   requer  esforços.  A  grande  dificulda-­ de  está  nos  interesses  sectários  dos   países,   que   não   se   coadunam.     A   necessária   mudança   exigirá   adap-­ tação   de   todos.   Para   alguns   seto-­ res,  os  negócios  e  as  possibilidades   se   ampliarão.   Para   quem   tem   olhar   empreendedor,   surgirão   importan-­ tes  brechas  a  serem  preenchidas.  As   Confederações,   Federações,   Sindi-­ catos  e  demais  entidades  de  classe   já   entram   na   demanda   para   mobi-­ lizar   setores   para   a   gestão   basea-­ da  na  Economia  Verde,  tornando-­se   assim   conectores   junto   às   empresas   e  governo.

“A Política  Nacional  de  Re-­ síduos   Sólidos   cria   possibili-­ dades  para  o  empreendedor   individual,  para  a  Micro  e  Pe-­ quena   Empresa,   para   as   mé-­ dias  e  grandes  corporações.  ”

HÁ GANHOS   TAMBÉM   PARA   A   MICRO   E   PEQUENA  EMPRESA? Muitas   pessoas   ainda   têm   uma   visão   embotada   sobre   os   ganhos   do   desenvolvimento   sustentável.   É   preciso   ampliar   a   capacidade   per-­ ceptiva  das  pessoas,  sobretudo  dos   empresários.  Há  uma  falsa  crença  de   que   é   difícil   para   o   empresário   in-­ vestir  na  Economia  Verde.  Na  verda-­ de,   existem   grandes   oportunidades   surgindo  a  partir  desta  busca  global   pela   mudança.   Novas   cadeias   pro-­ dutivas,   novas   demandas,   e   novos   tipos   de   trabalho   serão   formados,   sendo   privilegiados   aqueles   que  

“É preciso   reduzir   a   Pe-­ gada   Ecológica,   refazer   processos   de   produção,   gerar   produtos   de   menor   impacto.”

atendam às  demandas  contemporâ-­ neas.  Por  exemplo,  recentemente,  no   Brasil,   estabeleceu-­se   a   figura   do   Empreendedor   Individual,   antes   tra-­ balhadores   informais,   e   que   podem   inserir-­se   nestas   novas   cadeias   de   produção.   O   que   diferencia   o   bom   empreendedor   é   exatamente   a   sua   capacidade   de   perceber   deman-­ das,  antecipando  suas  ofertas.  E  na   atividade   do   pequeno   empreende-­ dor,   as   possibilidades   de   inovação   são   mais   ágeis   que   na   grande   cor-­ poração.

“Novas cadeias   produ-­ tivas,   novas   demandas,   e   novos   tipos   de   trabalho   serão   formados,   sendo   privilegiados   aqueles   que   atendam   às   demandas   contemporâneas.”

VOCÊ CONSIDERA  QUE  A  ECONOMIA  VER-­ DE  É  ALGO  REAL  E  VIÁVEL  PARA  O  BRASIL? Não   é   uma   questão   de   discutir   se   é  viável  ou  não.  Por  necessária,  ela   se   viabilizará.   A   Economia   Verde   será   um   dos   caminhos   para   retoma-­ da   das   atividades   econômicas,   em   muitos   países.   Temos   uma   dicotomia   na   forma   como   a   humanidade   fez   o   desenvolvimento   econômico,   pois   levou   a   sociedade   humana   a   sepa-­ rar   o   desenvolvimento   humano   dos   limites  do  meio  ambiente. Temos   países,   muito   avançados,   com  alto  Índice  de  Desenvolvimento   Humano   (IDH),   porém   com   alta   Pe-­ gada   Ecológica   (diz   respeito   à   re-­ lação  entre  as  áreas  produtivas  que   possui,  e  sua  necessidade  de  recur-­ sos  para  produzir  os  produtos,  bens   e   ser viços   para   aquela   nação).   Em   outro   extremo,   os   países   com   bai-­ xo   IDH   possuem   Pegada   Ecológica   dentro  dos  limites.    O  primeiro  desa-­ fio  do  Planeta,  no  momento,  é  trazer   a   forma   de   vida   dos   mais   avança-­ dos   para   uma   pegada   dentro   dos   limites,  sem  perder  o  IDH.  O  segundo   é   elevar   o   IDH   dos   demais   países   por   meios   que   não   aumentem   sua   Pegada  Ecológica.

“O que  diferencia  o  bom  empreendedor  é  exatamente   a  sua  capacidade  de  perceber  demandas,  antecipan-­ do  suas  ofertas.”

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A necessária  Economia  Verde QUAIS  SÃO  OS  PRINCIPAIS  DESAFIOS  NA   ECONOMIA  VERDE?   Fazer   a   inclusão   de   forma   susten-­ tável   é   o   grande   desafio   do   Brasil.   Há,   ainda,   muito   desconhecimento   e   baixa   adesão.     Há   decisões,   entre-­ tanto,  urgentes,  tais  como  diminuir  as   diferenças   na   distribuição   da   rique-­ za   e   reduzir   as   perdas   no   processo   por  corrupção.  O  Brasil  está  num  mo-­ mento   de   seu   processo   histórico,   em   que   apresenta   as   melhores   oportu-­ nidades   para   vencer   esses   desafios.   Vivemos   e   saímos   de   uma   crise   eco-­ nômica   antes   da   Europa,   que   vive   a   sua,  neste  momento.  Devemos  buscar,   assim,   ordenamento   da   governança   pública,   tornando-­a   adequada   em   relação   à   gestão   financeira.   Temos   condições  que  nos  colocam  diferen-­ ciados.  Com  isto,  a  partir  dessa  pla-­ taforma,   podemos   construir   um   país   sustentável.   Estradas,   água   limpa,   moradia,   nichos   ecológicos,   produ-­ ção   de   alimentos;;   são   vários   os   de-­ safios,   mas   positivos,   no   sentido   de   estimular   o   empreendedorismo   de   maneira   geral.   E   temos   que   pensar   nisto  de  forma  sustentável.  Pensar  nas   forças   de   mercado.   Compreender   como   avançar,   de   acordo   com   os   princípios   da   Economia   Verde,   deve   ser   a   meta.   E   deve-­se   lembrar   que   a   governança   internacional   vai   forçar   esta  mudança.

VOCÊ FALOU  DAS  FORÇAS  DE  MERCADO.  QUAIS  SERIAM? Deve-­se  obser var  que  o  consumidor  ainda  não  cobra  efetivamente  a  sus-­ tentabilidade   das   empresas.   Desta   forma,   deve-­se   estimular   o   setor   produ-­ tivo.   O   estabelecimento   de   tecnologias   sustentáveis   exige   sabedoria.   A   primeira   força   diz   respeito   à   oferta   de   empregos   que   viabilizem   processos   tecnológicos   e   produtos   ecoeficientes.   Esses   devem   acontecer   tanto   na   máquina  pública,  quanto  nas  empresas,  numa  proporção  alta  de  ofertas  nas   empresas.   A   atividade   privada   deve   prover   oportunidades   de   empregos.   A   segunda   diz   respeito   ao   empreendedorismo.   O   empreendedor   deve   ter   espaço   para   atender   à   demanda   e   passar   a   ser   um   gerador   de   empregos   da   Economia   Verde.   Para   tanto,   há   de   se   reforçar   o   microcrédito   às   Micro   e  Pequenas  Empresas,  bem  como  preparar  o  capital  intelectual.  Na  terceira   força,   o   consumo,   deve-­se   focar   na   mudança   junto   aos   setores   voltados   para  atender  as  necessidades  básicas,  tais  como  alimentação,  educação,   saúde   e   outros.   Os   preços   dos     ser viços   ou   produtos,   devem   passar   a   in-­ cluir  o  custo  de  suas  externalidades,  dentro  de  uma  contabilidade  social  e   ambiental.   Já   a   quarta   força,   a   propriedade   dos   meios   de   produção,   hoje   se   apresenta   muito   concentrada   nos   grandes   investidores,   que   absor vem   a   riqueza   gerada   nas   empresas   e   grandes   corporações.   Deve-­se   buscar   estruturar  os  mercados  de  produção  e  distribuição  de  forma  mais  sustentá-­ vel,   viabilizando   que   mais   MPE   possam   fazer   parte   da   oferta   na   economia   verde.   E   por   último,   tributos   também   serão   necessários   para   estimular   as   mudanças,  com  foco  na  contabilidade  ambiental.

“O empreendedor  deve  ter  espaço  para  atender  à  de-­ manda  e  passar  a  ser  um  gerador  de  empregos  da  Eco-­ nomia  Verde.  Para  tanto,  há  de  se  reforçar  o  microcrédi-­ to  às  Micro  e  Pequenas  Empresas,  bem  como  preparar  o   capital  intelectual.”

Claudio Boechat   é   especialista   em   Engenharia   Eco-­ nômica   e   professor   e   pesquisador   do   Núcleo   Petro-­ brás   de   Sustentabilidade,   da   Fundação   Dom   Cabral   (FDC).   É   representante   da   FDC   no   Comitê   Brasileiro   do   Pacto   Global   e   na   Globally   Responsible   Leader-­ ship   Initiative,   da   Fundação   Europeia   para   o   Desen-­ volvimento   da   Gestão.   Representou   o   Brasil   na   força   tarefa  de  criação  dos  Principles  for  Responsible  Busi-­ ness   Education   Taskforce,   do   Global   Compact   -­   Na-­ ções  Unidas.  


A SUSTENTABILIDADE  AO  ALCANCE  DE  MICRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS

JOANA BICALHO Como  envolver,  no  dia  a  dia,  a  Micro  e  Pequena  Empresa  nos  processos   para   o   Desenvolvimento   Sustentável?   O   consumidor   já   consegue   iden-­ WLŹFDU SURFHVVRV H SURFHGLPHQWRV VXVWHQW¡YHLV LQVHULGRV QDV HPSUHVDV" Como  introduzir  ações  socioambientalmente  corretas? Joana  Bicalho,  doutora  em  Economia  e  mestre  em  Planejamento  e  Gestão   Ambiental,  mostra  que  a  sustentabilidade  é  um  bom  negócio  para  todos,   e  que  a  partir  das  pequenas  atitudes,  é  possível  obter  ganhos  econômi-­ cos,  sociais  e  ambientais.

INVESTIR EM  PROCESSOS  DE  SUSTENTABILIDADE  AMBIENTAL  REPRESENTA  GANHOS  PARA  AS  MICRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS? A  sustentabilidade  é  um  bom  negócio  para  todas:  Micro  e  Pequenas    empresas,  bem  como  para  as  médias  e  grandes   corporações.   Hoje,   já  se  sabe  que  investir  na  gestão  ambiental  significa  ganhos  econômicos  a  médio  e  longo  prazo,   pelas  seguintes  razões:  -­  Reduz  a  taxa  de  desperdício,  que  gira  em  torno  de  40%,  dos  recursos  utilizados:  papel,  energia,  água,  combustível   e  outros.  -­  Estabelece  processos  e  procedimentos  dentro  de  um  olhar  sistêmico,  no  qual  se  pretende  avaliar  a  real  necessida-­ de  de  determinadas  etapas  na  produção  e  distribuição.  Neste  momento,  conquista-­se  uma  gestão  mais  eficaz,  favore-­ cendo  a  redução  de  recursos  durante  os  processos.  -­  Sensibiliza  os  funcionários  para  as  questões  de  responsabilidade  individual  com  o  Planeta.  -­  Elimina  o  uso  desnecessário  de  processos  antes  necessários,  e  nos  tempos  modernos,  muitas  vezes  sem  importância,   como  exemplo  a  impressão  de  documentos  internos,  hoje,  facilmente  substituídos  por  registros  virtuais  ou  eletrônicos.      -­  Alcança  melhores  resultados  baseados  em  tecnologia    ecoeficientes,  como  exemplo  as  lâmpadas  e  equipamentos   de  menor  consumo  de  energia,  ou  mesmo  optando  pela  iluminação  natural,  mediante,  por  exemplo,  a  abertura  de  uma   janela  eliminando  a  necessidade  de  luz  artificial  e  ar-­condicionado.  -­  Reavalia  o  processo  logístico  de  distribuição.  Aproveita  os  transportes  realizados  pela  utilização  de  sua  capaci-­ dade  máxima,  ou  mesmo  privilegia  fornecedores  ou  clientes  da  redondeza. -­  Leva  em  conta  que  a  logística  reversa  (a  devolução  dos  inservíveis  tais  como  embalagens,  restos  de  materiais  uti-­ lizados,  entre  outros)  pode  abastecer  mercados  secundários,  como,  por  exemplo,  aqueles  mercados  que  se  utilizam  de   matéria-­prima  reciclada  para  produzir  novos  produtos.  É  o  caso  das  garrafas  pet,  que  são  transformadas  em  vassouras. Todas  essas  ações,  com  foco  no  ambiental,  de  fato,  representam  ganhos  econômicos  para  a  empresa.

“Aos poucos,  os  consumidores  vêm  ampliando  o  conhecimento  a  respeito   do  impacto  que  as  empresas,  governo  e  indivíduos  causam  ao  meio  ambiente.”

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Este  termo  foi  apresentado  pela  primeira  vez  no  Relatório  Brundtland  –  Nosso  Futuro  Comum,  em  1987,  com  divulgação   ampliada   a   partir   da   Eco   92.   Trata-­se   de   “ procurar   satisfazer   as   necessidades   da   geração   atual,   sem   comprometer   a   capacidade   das   gerações   futuras   de   satisfazerem   as   suas   próprias   necessidades”.   Exige   uma   atuação   baseada   na   sus-­ tentabilidade  social,  ambiental  e  econômica.

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A sustentabilidade  ambiental  ao  alcance  da  empresa COMO   VOCÊ   VÊ   A   SUSTENTABILIDADE   NO  PEQUENO  VAREJO  BRASILEIRO?  AIN-­ DA   É   UM   CONCEITO   DISTANTE   NESSES   NEGÓCIOS? A  tendência  é  que  grandes  bancos   não   mais   venham   a   emprestar   dinhei-­ ro   a   empresas   (nem   mesmo   às   Micro   Empresas),   se   essas   não   incluírem,   no   Plano   de   Negócio,   os   aspectos   so-­ ciais   e   ambientais   que   introduzirão   e   controlarão   na   empresa.   Da   mesma   forma,   a   comprovação   de   uma   ges-­ tão   baseada   nos   critérios   sociais   e   ambientais,   além   dos   econômicos,   viabiliza   melhores   taxas   de   juros,   ou   de   investimentos.   Portanto,   a   gestão   ambiental  passa  a  ser  condição  bási-­ ca   para   a   Micro   e   Pequena   Empresa   se  manter  num  mercado  concorrencial.   Por   outro   lado,   as   grandes   corpo-­ rações,   muitas   vezes   abastecidas   pelos   produtos   e   serviços   das   Micro   e   Pequenas   Empresas,   possuem   me-­ tas   socioambientais,   sobretudo   nas   exportações.   Neste   sentido,   passam   a   exigir   de   seus   fornecedores,   muitos   deles   MPE,   comprovação   de   atendi-­ mento   a   requisitos   mínimos,   sociais   e   ambientais.   Em   breve,   o   balanço   so-­ cial  será  exigido  de  maneira  mais  en-­ fática,   também   às   Micro   e   Pequenas   Empresas.

“Não se   pode,   retirar   do   meio  ambiente  mais  do  que  a   natureza  consegue  produzir.”

O CONSUMIDOR   PERCEBE   A   EMPRESA   QUE   POSSUI   PROCESSOS   E   PROCEDI-­ MENTOS  ECOEFICIENTES? Aos   poucos,   os   consumidores   vêm   ampliando  o  conhecimento  a  respei-­ to  do  impacto  que  as  empresas,  go-­ verno   e   indivíduos   causam   ao   meio   ambiente.   Avançam   em   informações   sobre   possibilidades   ecoeficien-­ tes.   Recebem,   nos   diferentes   meios   de   comunicação   (inclusive   virtuais,   como  emails,  Twitter,  Facebook  entre   outros),  denúncias  de  empresas  que  

“A adaptação  das  empre-­ sas   aos   processos   de   ges-­ tão,   com   base   no   tripé   da   sustentabilidade   (gestão   social   –   gestão   econômica   -­  gestão  ambiental),  parece   ser  algo  irreversível.” causam  forte  impacto  em  detrimento   da  saúde  do  Planeta  Terra.   Com   tudo   isso,   a   adaptação   das   empresas   aos   processos   de   gestão,   com   base   no   tripé   da   sustentabili-­ dade   (gestão   social   –   gestão   eco-­ nômica  -­  gestão  ambiental),  parece   ser  algo  irreversível.   Ressalta-­se,   ainda,   que   a   gestão   ambiental   torna   o   cenário   da   em-­ presa   mais   eficiente,   estabelece   indicadores   de   sucesso,   e   alcança   maior   rentabilidade   econômica   em   função   da   minimização   do   desper-­ dício   de   energia   e   recursos   dos   processos  e  procedimentos.

POR QUE   É   IMPORTANTE   UM   VAREJISTA,   SEJA  ELE  PEQUENO  OU  GRANDE,  PENSAR   NO  ASSUNTO  SUSTENTABILIDADE? A   empresa,   por   fazer   parte   do   se-­ gundo  setor  da  economia,  não  pos-­ sui   missão   filantrópica.   Nem   deve   possuir.  Essa,  cabe  às  organizações   do  terceiro  setor.  Ao  segundo  setor,   cabe  girar  capital  e  promover  o  de-­ senvolvimento.   Entretanto,   é   impor-­ tante   ressaltar   que   a   responsabili-­ dade  com  os  atos  e  seus  resultados   é   exigência   para   todos   os   setores   -­  inclusive  para  o  segundo  setor.   Não   se   pode   retirar   da   nature-­ za,   da   sociedade,   sem   viabilizar   um   retorno   justo   e   igualitário.   Não   se   pode,   neste   raciocínio,   retirar   do   meio   ambiente   mais   do   que   a   natu-­ reza  consegue  produzir  e,  da  mesma   forma,  descartar  o  que  não  mais  nos   interessa,   sem   levar   em   conta   a   ca-­ pacidade   da   terra   de   receber   esse   descarte   (a   ela   também   não   inte-­ ressa   todo   este   lixo   que   não   mais   queremos).  O  relatório  O  Estado  do   Mundo  -­  PNUD,  2010,  mostra  que  já  

estamos retirando   da   natureza   35%   a   mais   de   recursos   naturais   do   que   a  velocidade  do  planeta  de  recom-­ posição.   Numa   conta   simples,   percebe-­se   ser   inviável   o   crescimento   econômi-­ co,  sem  levar  em  conta  um  desenvol-­ vimento   sustentável,   em   que   se   tra-­ balha   hoje,   para   garantir   recursos   naturais  para  o  futuro  próximo.   Alem   de   empresários,   somos   filhos,   pais   ou   avós.   Precisamos   acordar   para   a   realidade   de   que   nossos   atos   de   hoje   refletem   diretamente   na   qualidade   de   vida   de   nossos  

“A gestão   ambiental   torna   o   cenário   da   empresa   mais   eficiente,   estabelece   indi-­ cadores   de   sucesso,   e   al-­ cança   maior   rentabilidade   econômica.” parentes,   num   futuro   próximo.   Esta-­ mos  transformando  nossos  ambientes   naturais   e   reduzindo,   sem   nos   dar-­ mos   conta,   a   qualidade   de   vida   no   nosso  Planeta.

“A responsabilidade   com   os   atos   e   seus   resultados   é   exi-­ gência  para  todos  os  setores.”

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A sustentabilidade  ambiental  ao  alcance  da  empresa “Percebe-­se   ser   inviável   o   crescimento   econômico,   sem   levar  em  conta  um  desenvolvi-­ mento   sustentável,   em   que   se   trabalha   hoje,   para   garantir   recursos  naturais  para  o  futuro   próximo.”

PODERIA DAR  OUTRAS  DICAS  DE  SUSTENTABILIDADE  APLICADAS  ÀS  MICRO  E  PEQUE-­ NAS  EMPRESAS? Cada  empresa  deve  contextualizar  seu  plano  de  gestão  ambiental.  A  par-­ tir   de   um   diagnóstico   do   impacto   que   causa,   deve-­se   estabelecer   metas,   com  prazos  e  controle  de  resultados.  Pense  em  tudo  o  que  entra  na  empresa   (INPUT),   na   forma   com   que   os   processos   são   realizados,   e   em   tudo   o   que   a   empresa   gera   de   descarte   (OUTPUT).   Então,   verifique   se,   e   quanto   há   de   impacto   ambiental   para   que   todo   o   processo   se   realize.   A   partir   desse   estudo,  as  ações  podem  ser  estabelecidas  e  acompanhadas.

OUTRAS DICAS*  : Opte   por   embalagens   recicláveis,   elas   serão   reutilizadas   no   futuro   como   matéria-­prima   de   outros   ma-­ teriais. Agregue  um  brinde  sustentável  às  embalagens  do  seu  produto.  Uma  ecobag,  por  exemplo. Para   a   confecção   do   seu   produto,   escolha   matéria-­prima   que   foi   reciclada   ou   que   tenha   algum   selo   que  comprove  a  responsabilidade  socioambiental. Substitua  a  produção  industrializada,  na  medida  do  possível,  por  produção  artesanal,  incluindo  pes-­ soas  no  mundo  do  trabalho. Quando  for  armazenar  seu  produto  em  um  recipiente,  certifique-­se  de  preencher  todo  o  compartimento   da  embalagem  com  o  seu  produto,  a  fim  de  evitar  espaços  desnecessários  e  mais  descartes  de  recipien-­ tes.  Cobre  isso,  também,  de  seus  fornecedores. Mensagens  de  conscientização  ambiental  podem  ser  impressas  nos  rótulos  do  seu  produto. Utilize  alumínio  reciclado  na  confecção  de  embalagens. Utilize  embalagens  retornáveis  e  refis.  Elas  contribuirão  para  diminuir  a  quantidade  de  descarte  e  para   cortar  gastos  da  empresa. Agregue  um  pequeno  manual  de  práticas  sustentáveis  (com  folhas  recicláveis)  ao  seu  produto. Opte  por  matérias-­primas  vegetais  na  confecção  do  seu  produto. Evite  matéria-­prima  de  origem  animal. Comercialize  produtos  provenientes  de  ONGs  ou  outras  empresas  sustentáveis  da  sua  comunidade. Empresas  que  trabalham  com  comércio  de  carnes  podem  optar  por  fornecedores  que  comprovem  que   o  produto  não  é  proveniente  de  fazendas  alocadas  em  áreas  desmatadas. Quando   o   uso   de   embalagens   plásticas   for   realmente   necessário   doe,   após   o   uso,   para   uma   coope-­ rativa  de  reciclagem. Não   descarte   o   óleo   proveniente   da   fritura   de   alimentos.   Existem   empresas   que   utilizam   este   insumo   para  fazer  outros  produtos,  como  sabão  e  detergente. Empresas  de  limpeza  podem  reutilizar  a  água  da  lavagem  de  panos  para  fazer  a  limpeza  do  chão.

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A sustentabilidade  ambiental  ao  alcance  da  empresa INCLUA  PRÁTICAS  DE  GESTÃO  COM  FOCO  NO  TRIPÉ  DA  SUSTENTABILIDADE:  ECONÔMICO,   SOCIAL  E  AMBIENTAL.

Trabalhe com  desconto  para  pessoas  que  participam  de  projetos  susten-­ táveis. Ofereça   uma   promoção   em   que,   na   compra   de   uma   ecobag,   o   consumi-­ dor  ganhe  desconto  no  preço  de  determinado  produto. Crie  um  cartão  de  fidelidade  sustentável.  A  cada  dez  compras  realizadas   com  uma  ecobag,  o  cliente  recebe  abatimento  nos  preços  dos  produtos. Desenvolva   um   programa   de   pontos   que   atrele   atitudes   sustentáveis   a   benefícios  ou  condições  especiais  de  pagamento. Ofereça  algum  benefício  para  clientes  que  optarem  por    embalagem  refil   em  vez  das  embalagens  convencionais. Trabalhe  com  coleta  de  pilhas  e  baterias. Dê   preferência   a   acordos   comerciais   com   fornecedores   que   mantêm   ações  sustentáveis. Conceda  descontos  escalonados  para  produtos  com  selo  sustentável,  ou   seja,  quanto  mais  produtos  o  cliente  comprar,  maior  é  o  desconto. Faça   ações   de   desconto   relâmpago   com   produtos   sustentáveis   em   dias   de  maior  movimento.   Desenvolva   ações   de   preços   especiais   para   revendedores   que   se   com-­ prometam  a  adotar  medidas  sustentáveis  compatíveis  com  as  políticas  da   sua  empresa. Negocie   com   os   fornecedores   um   preço   especial   para   os   produtos   am-­ bientalmente   responsáveis   e   repasse   o   desconto   ao   consumidor.   Ofereça   em  troca  espaço  para  que  o  fornecedor  divulgue  o  seu  produto. Faça   acordo   com   empresas   que   trabalham   com   produtos   sustentáveis,   fornecendo   seu   espaço   para   que   elas   possam   fazer   divulgação   de   sua   marca  e,  em  contrapartida  elas  reduzam  seus  preços  para  serem  comercia-­ lizados  com  os  seus  clientes. Ofereça   maior   número   de   parcelas   para   clientes   que   comprarem   acima   de  X  produtos  sustentáveis. Indique   um   amigo   para   fazer   o   cartão   fidelidade   sustentável.   A   cada   amigo   indicado,   o   cliente   ganha   um   desconto   nos   produtos   do   estabele-­ cimento. Faça   parceria   de   exclusividade   com   alguma   empresa   de   produtos   sus-­ tentáveis.   Crie  o  “Dia  Sustentável ”  no  seu  negócio.  Nesse  dia  promova  uma  liquida-­ ção   nos   preços   dos   produtos   sustentáveis   que   são   comercializados   pelo   seu  estabelecimento. Contribua   com   a   arte   e   a   sustentabilidade   em   uma   só   ação.   Selecione   artistas  que  trabalhem  com  materiais  recicláveis  para  comercialização  des-­ ses  produtos.  Em  contrapartida,  eles  baixam  o  preço  para  seus  clientes  em   relação  aos  praticados  anteriormente. Faça   um   ranking   com   os   maiores   compradores   de   produtos   sustentáveis   do  seu  negócio.  Ao  final  do  ano,  os  cinco  primeiros  receberão  o  privilégio   de  ter  um  grande  desconto  nas  compras  durante  um  ano  inteiro. Faça   anúncios   em   sites   de   compras   coletivas   de   produtos   sustentáveis   com  um  bom  desconto. Os   funcionários   da   empresa   que   fizerem   a   promoção   dos   produtos   sus-­ tentáveis   do   seu   negócio,   ganharão   desconto   para   aquisição   de   bens   e   ser viços  do  seu  estabelecimento. Faça   um   abatimento   nos   preços   de   produtos   sustentáveis   em   datas   co-­ memorativas  que  favoreçam  o  seu  negócio,  como  o  Dia  das  mães,  Dia  das   crianças,  Dia  mundial  da  água  e  outros. Ofereça  descontos  para  os  funcionários  da  sua  empresa  caso  eles  admi-­ nistrem   os   recursos   naturais   utilizados   no   seu   negócio   (água,   luz,   resíduos   plásticos  e  outros). Negocie  com  seus  fornecedores:  a  cada  3  embalagens  devolvidas  pelo   cliente,  será  concedido  um  desconto  de  X%.

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A sustentabilidade  ambiental  ao  alcance  da  empresa A  DIVULGAÇÃO  DOS  SEUS  PRODUTOS,  BENS  E  SERVIÇOS,  TAMBÉM  PODE  SER  GERADORA  DE  POLUIÇÃO  E  LIXO.  AS   PRÁTICAS  ABAIXO  ENSINAM  COMO    COMUNICAR  O  SEU  NEGÓCIO  REDUZINDO  OS  IMPACTOS  AO  MEIO  AMBIENTE:

Explore mais  a  internet  como  meio  de  divulgação,  assim  você  evitará  desperdício  de  papel  e  produção   de  resíduos. Troque  o  velho  e  ultrapassado  panfleto  pelo  e-­mail  marketing.  Mas,  antes,  certifique-­se  do  interesse  do   cliente  em  receber  esse  tipo  de  mensagem. Propagandas  realizadas  em  mídias  sociais  também  contribuem  muito  com  a  redução  de  lixo  gerado  pelo   descarte  de  papel,  além  de  atingir  um  público  específico  com  maior  exatidão. Diminua   o   número   de   papel   não   reciclável   gasto   na   sua   comunicação.   O   cloro   utilizado   para   o   bran-­ queamento  do  papel  alvejado  é  altamente  contaminante  (Manual  SOS). A   utilização   de   ser viços   de   envio   de   mensagens   por   telefone,   como   SMS   em   promoções   da   empresa,   pode  representar  ótima  alternativa  para  amenizar  os  impactos  ambientais  causados  pela  abundante  co-­ municação  que  gera  lixo. Realize  a  comunicação  interna  da  empresa  por  meio  de  chats  de  bate-­papo. Para  informações  internas  da  empresa,  utilize-­se  do  site  empresarial  ou  crie  um  com  acesso  restrito  aos   funcionários,  onde  eles  possam  acessar  o  conteúdo  que  seu  negócio  queira  passar. Quando  visitar  um  cliente,  promova  seu  produto  ou  negócio  por  meio  de  uma  apresentação  em  um  com-­ putador  portátil,  evitando  impressões  e  o  uso  do  papel  sem  necessidade. Realize  eventos  do  seu  negócio  em  parques  ou  em  locais  abertos,  utilizando-­se  de  recursos  naturais  não   poluentes. Reduza  a  confecções  de  brindes  feitos  com  recursos  finitos.  Troque  estes  tradicionais  brindes  por  peças   artesanais,  feitas  pelas  comunidades  vizinhas. Materiais  como  crachá  de  plástico  para  a  identificação  em  eventos  realizados  pelo  seu  negócio,  po-­ dem  ser  substituídos  por  uma  simples  lista  de  presença,  e  crachás  feitos  de  papelão.  Hoje  existem  modelos   de  muito  estilo. Utilize   a   vitrine   de   sua   loja   e   sua   fachada,   com   uma   decoração   atraente,   para   a   divulgação   do   seu   negócio,  evitando  a  utilização  de  outros  meios  de  comunicação  que  produzem  resíduos  poluentes. Os  painéis  eletrônicos  em  locais  de  grande  circulação  são  uma  ótima  maneira  para  realizar  a  comuni-­ cação   com   seu   público-­alvo.   Eles   evitam   a   vasta   impressão   de   papéis   para   expor   em   murais   e   grandes   impressões  de  outdoors. Evite   o   recurso   de   divulgação   por   meio   de   mala   direta.   Esse   meio   de   divulgação,   geralmente   contém   grande   quantidade   de   papel   despendida   com   folders,   panfletos   e   envelopes.   E   nem   sempre   agradam   o   cliente. Faça  ações  de  sampling  (distribuição  de  amostras  grátis)  de  produtos  sustentáveis.  Dessa  maneira  você   estará  incentivando  seu  cliente  a  consumir  de  maneira  mais  consciente. Invista  na  compra  de  materiais  duráveis  para  ações  promocionais,  em  vez  de  descartáveis.  Prefira  mate-­ riais  que  possam  ser  utilizados  em  várias  ações  para  evitar  a  produção  desnecessária  de  lixo. Ao  promover  um  evento,  faça  parceria  com  uma  empresa  de  reciclagem  para  que  ela  recolha  o  material   logo  após  o  término  das  atividades.  A  empresa  de  reciclagem  ganha  a  matéria-­prima  e  sua  empresa  ga-­ nha  em  divulgar  a  consciência  ambiental. Banner  e  lona  de  outdoor,  depois  de  usados,  podem  ser  transformados  em  ecobags  ou  pastas,  funcio-­ nando  como  brindes  da  sua  empresa. Atrele  a  imagem  de  sua  empresa  a  algum  projeto  condizente  com  seu  negócio.  Por  exemplo,  uma  empresa   que  utiliza  água  em  seu  negócio  pode  adotar  uma  bacia  hidrográfica.  Ou  uma  empresa  que  trabalha  com   móveis  pode  destinar  parte  de  seus  lucros  para  o  reflorestamento.

“Cada empresa  deve  contextualizar  seu  plano  de  gestão  am-­ biental.  A  partir  de  um  diagnóstico  do  impacto  que  causa,  de-­ ve-­se  estabelecer  metas,  com  prazos  e  controle  de  resultados.”

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A sustentabilidade  ambiental  ao  alcance  da  empresa

COMECE JÁ  A  INCLUIR  A  GESTÃO  AMBIENTAL  EM  SUA  EMPRESA:

Reavalie a  gestão  dos  processos  que  fazem  uso  de  água.  Veja  com  seus  funcionários  se  há  eficiência  em   reduzir  fases,  ou  mesmo  alterar  procedimentos  trazendo  uma  maior  economia  para  o  meio  ambiente.   Compre   apenas   eletrodomésticos   que   tenham   avaliação   A   no   selo   Procel.   Eles   ajudam   a   diminuir   sua   conta  de  luz  e  permitem  uso  mais  eficiente  de  energia  elétrica  (Almanaque  de  Práticas  Sustentáveis). Se   tiver   de   usar   detergente   (existem   várias   soluções   alternativas   eficientes   e   não   poluidoras),   utilize   quantidades  mínimas  e  certifique-­se  de  que  é  biodegradável.  A  falta  de  água  tratada  combinada  com  a   falta  de  saneamento  básico  (esgoto,  lixo)  mata  cerca  de  12  milhões  de  pessoas  por  ano  no  mundo  (Ma-­ nual  SOS). Troque   a   palha   de   aço   e   a   esponja   pela   bucha   natural   para   lavar   pratos   e   talheres   utilizados   no   seu   negócio  (Manual  SOS). Ao  comprar  móveis  de  madeira  para  o  seu  estabelecimento,  exija  o  selo  comprovando  que  é  proveniente   de  um  manejo  sustentável  (Manual  SOS). Não  compre  listas  telefônicas  para  seu  negócio,  uma  pesquisa  pela  internet  provavelmente  irá  sanar  suas   necessidades. Presenteie   seus   funcionários   com   um   copo   de   vidro   ou   caneca   de   louça   personalizado.   Essa   ação   irá   gerar  um  bom  relacionamento,  além  de  evitar  a  utilização  de  copos  plásticos  no  seu  estabelecimento. Opte  por  cores  claras  de  tinta  para  o  ambiente  do  seu  negócio.  Elas  refletem  a  luz,  diminuindo  a  neces-­ sidade  de  lâmpadas. Instale  captadores  de  energia  solar  sobre  o  telhado  de  sua  empresa  para  economizar  energia  elétrica. Aumente   o   número   de   interruptores   no   mesmo   cômodo,   para   viabilizar   que   as   lâmpadas   desnecessárias   naquele  momento  fiquem  apagadas  num  amplo  ambiente. Avalie  a  possibilidade  de  utilizar  um  percentual  de  telhas  transparentes,  bem  como  abrir  uma  grande  ja-­ nela  lateral.  A  entrada  de  luz  no  ambiente  pode  significar  baixo  investimento  econômico,  e  enorme  ganho   financeiro  e  ambiental  a  pequeno  e  médio  prazos.  Essa  atitude  pode  viabilizar  um  ambiente  mais  natural,   além   de   melhorar   a   estética   e   a   ambientação,   contribuindo   para   a   satisfação   dos   funcionários   e   maior   produção  para  a  empresa.  Concilie  essa  nova  luminosidade  com  plantas  ambientes,  que  poderão  refrescar   e  tornar  o  espaço  mais  acolhedor.

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A sustentabilidade  ambiental  ao  alcance  da  empresa Avalie  a  possibilidade  de  pequena  reforma,  no  sentido  de  incluir  uma  janela  em  cada  ambiente,  viabi-­ lizando  a  ventilação  e  a  luz  natural. Trocar  o  ar  condicionado  por  um  bom  ventilador  de  teto  pode  significar  economia.  Esse  aparelho  con-­ some  menos  energia  do  que  o  ar  condicionado  e  não  incomoda  como  o  ventilador  de  mesa. Racionalize   o   uso   do   ar   condicionado.   Na   maioria   das   vezes,   uma   janela   aberta   resolve   o   incômodo   do  calor  e  ajuda  na  iluminação  do  ambiente. Caso  o  ar  condicionado  seja  elemento  essencial  no  seu  negócio,  desligue-­o  uma  hora  antes  de  fechar   o   estabelecimento.   Isto   porque   o   ambiente   terá   sua   refrigeração   acumulada   durante   algum   período,   depois  de  desligado  o  aparelho. Dependendo   do   formato   da   planta   de   sua   empresa,   você   pode   estudar   a   possibilidade   de   criar   um   teto  verde,  ou  ecológico.  Você  terá  um  espaço  de  maior  frescor,  além  de  contribuir  para  a  compensação   de  carbono  e  a  diminuição  dos  raios  solares.   Reavalie  as  características  e  condições  de  ecoeficiência  dos  aparelhos.  Hoje  os  fabricantes  já  infor-­ mam  o  consumo  de  energia  necessário  para  cada  modelo. E   pense,   também,   nos   processos   e   procedimentos   que   complementam   a   sua   cadeia   de   produção   dos   produtos  e  ser viços  ao  cliente:  seria  possível  eliminar  alguma  fase  do  processo,  sem  comprometer  a  qua-­ lidade  final?  Por  exemplo,  muitas  vezes,  apenas  por  hábito,  imprimem-­se  memorandos  e  outros  documentos   que  poderiam  ser  lidos  e  autorizados  virtualmente. O   papel   na   maioria   das   empresas   é   utilizado   de   forma   precipitada,   inconsciente   e   com   desperdício   exorbitante.   Quando   da   prática   de   impressão,   o   impacto   ambiental   é   não   somente   sobre   o   consumo   de  ár vores,  mas  de  água  e  energia    para  sua  produção,    além  de  elementos  químicos  despejados,  que   exercem   impacto   ao   meio   ambiente.   Imprima   apenas   o   necessário.   Sempre   que   puder,   imprima   no   modo   econômico  e  utilize  os  dois  lados  da  folha.  Assim  você  economiza  papel  e  tinta  da  impressora. Use  sensor  de  presença  naqueles  ambientes  pouco  frequentados  e  que,  rotineiramente,  ficam  com  a  luz   acesa  desnecessariamente. Não   use   o   vaso   sanitário   como   lixeira.   Isso   contribui   para   aumentar   o   gasto   de   água,   além   de   poluir   nossos  rios  com  o  lixo  sólido. Providencie   calhas   e   tambores   para   coleta   de   água   da   chuva.   Isso   pode   ajudá-­lo   no   momento   de   limpeza  de  chão,  e  de  áreas  externas. Prefira   torneiras   com   sensor.   As   demais   desperdiçam   muito   mais   água,   encarecendo   seu   orçamento   e   prejudicando  o  meio  ambiente. Já  existe  no  comércio  as  descargas  sanitárias  de  caixa,  com  2  botões  que  determinam  menos  ou  mais   água   quando   pressionados.   A   economia   anual   é   bastante   representativa,   justificando   o   investimento.   E   elas   cumprem   os   mesmos   propósitos   das   descargas   hídricas   (sem   caixas   reguladoras)   que   consomem   quantidades  exorbitantes,  pressionando  o  planeta  e  a  sua  contabilidade. *  algumas  destas,  bem  como  outras  dicas  podem  ser  encontradas  no  Almanaque  de  Práticas  Sustentáveis   (www.catalogosustentavel.com.br)  ou  na  Rede  Empresa  Responsável  (www.empresaresponsavel.com).

Joana Bicalho   é   doutora   em   Economia   de   Empresas   com   ênfase   em   econo-­ mia  do  meio  ambiente  e  mestre  em  Planejamento  e  Gestão  Ambiental,  ambos   pela   Universidade   Católica   de   Brasília.   É   professora   de   Pós-­Graduação   em   Planejamento   Estratégico;;   em   Comunicação   e   Meio   Ambiente;;   em   Logística   Reversa  e  em  Responsabilidade  Social.  Representa  instituições  de  ensino  no   Conselho  da  Apa  do  Planalto  Central,  e  no  Conselho  de  Meio  Ambiente  do   Distrito   Federal   –   CONAM.   É   palestrante   e   consultora   na   área.   Coautora   e   co-­organizadora   do   livro   Gestão   da   Comunicação   e   Responsabilidade   So-­ cioambiental,  pela  Editora  Atlas,  2009.  É  diretora-­presidente  da  Rede  Empre-­ sa  Responsável:  www.empresaresponsavel.com  .

CURRÍCULO LATTES:  http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=k4133572d4

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UMA SOCIEDADE  SUSTENTÁVEL  A  PARTIR  DOS  MICRO   E  PEQUENOS  EMPREENDIMENTOS   CLAITON  MELLO Quais  são  as  oportunidades  advindas  do  Desenvolvimento  Sustentável?   Como  inserir  as  empresas? Claiton  Mello,  mestre  em  Desenvolvimento  Sustentável:  Política  e  Gestão   Ambiental,  mostra  quatro  dimensões  que  podem  orientar  as  empresas,  e   enfatiza  ações  que  o  País  pode  tomar  para  trazer  melhorias  para  a  Micro   e  Pequena  Empresa.

QUAIS SÃO   OS   PRINCIPAIS   DESAFIOS   QUE   AS   MICRO   E   PEQUENAS   EMPRESAS   ENFRENTAM   NO   QUE   DIZ   RESPEITO   ÀS   QUESTÕES  SOCIOAMBIENTAIS? Hoje,  mesmo  com  a  ampliação  das   mídias   sociais   na   Internet,   informa-­ ções  e  dados  são  ainda  fragmenta-­ dos.  Quando  se  pensa  no  desenvol-­ vimento,   pensa-­se   no   econômico   e   na  geração  do  lucro,  e  não  se  con-­ sidera   os   aspectos   sociais,   ambien-­ tais  e  culturais. O   padrão   cognitivo   está   inti-­ mamente   ligado   ao   processo   de   construção   do   conhecimento   mo-­ derno   sujeito-­objeto.   Nesse   pro-­ cesso,   o   ser   humano   separa-­se   da   Terra.   A   natureza   e   o   outro   passam   a   se   constituírem   como   meio   e   não   como   ser   vivo.   Daí,   partimos   para   a   necessidade   de   construirmos   um   novo   conhecimento,   uma   nova   tec-­ nologia,  que  religue  e  reconecte  os   nós   rompidos,   como   possibilidade   de   alcançarmos   o   Desenvolvimento   Sustentável.   É   a   mudança   de   para-­ digma.   As   empresas   precisam   mudar   seus  conceitos  e  valores.  

“Existem quatro   dimen-­ sões   que   podem   direcionar   as   empresas.   Protagonismo   social;;   solidariedade   eco-­ nômica;;   respeito   cultural   e;;   cuidado  ambiental.”

QUE AÇÕES  E  COMO  AS  EMPRESAS  PO-­ DEM  AJUDAR  NO  DESENVOLVIMENTO  DE   UMA  SOCIEDADE  SUSTENTÁVEL? Existem   quatro   dimensões   que   po-­ dem   direcionar   as   empresas.   Todas   as   ações,   programas   e   tecnologias   sociais,   que   desenvolvemos   na   Fun-­ dação   Banco   do   Brasil,   são   orien-­ tadas  a  partir  dos  seguintes  concei-­ tos,   descritos   abaixo:   protagonismo   social,   solidariedade   econômica,   respeito  cultural  e  cuidado  ambien-­ tal. Protagonismo   Social:   a   participa-­ ção   e   o   envolvimento   coletivo   nos   processos   de   desenvolvimento   so-­ cial.   Solidariedade   Econômica:   a   lógi-­ ca  deixa  de  ser  a  geração  de  lucro   ou   ganho   individual   para   se   con-­ verter   em   uma   dinâmica   econômica   compartilhada,  promovendo  os  con-­ ceitos  da  Economia  Solidária  como,   autogestão,  participação  democrá-­ tica,  envolvimento  e  responsabilida-­

de de   cada   um,   subordinado   pelo   coletivo  organizado. Respeito   Cultural:   o   respeito   e   o   fortalecimento   das   diversidades   em   processos   de   desenvolvimento   são   decisivos  para  a  construção  de  uma   nova  sociedade  sustentável. Cuidado   Ambiental:   essa   dimen-­ são   ultrapassa   a   condição   parcial   da   preser vação   do   meio   ambiente.   Diz  respeito  ao  nosso  relacionamen-­ to   com   o   todo,   principalmente   com   o  outro,  e  com  as  consequências  de   nossas   ações   no   presente   em   dire-­ ção   ao   futuro.   Somos   responsáveis   pelo  legado  que  ficará  para  os  nos-­ sos  filhos  e  netos.  O  modo  que,  hoje,   construímos  a  sociedade  e  o  desen-­ volvimento   terá   impacto   direto   no   convívio,   alimentação   e   bem-­viver   de   nove   bilhões   de   seres   humanos   em  2050.

“Somos responsáveis   pelo   legado   que   ficará   para   os   nossos   filhos   e   netos.  O  modo  que  hoje   construímos   a   socieda-­ de   e   o   desenvolvimento   terá   impacto   direto   no   convívio,   alimentação   e  bem-­viver  de  nove  bi-­ lhões   de   seres   humanos   em  2050.”

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Uma sociedade  sustentável  a  partir  da  empresa QUAIS  AÇÕES  O  PAÍS  PODE  TOMAR  PARA  TRAZER  MELHORIAS  PARA  AS  MICRO  E  PEQUE-­ NAS  EMPRESAS,  E  PARA  A  SOCIEDADE,  NO  QUE  DIZ  RESPEITO  A  TECNOLOGIAS  SOCIAIS   E  AMBIENTAIS?

“Partimos para   a   neces-­ sidade   de   construirmos   um   novo   conhecimento,   uma   nova   tecnologia,   que   reli-­ gue  e  r econecte  o s  n ós  r om-­ pidos,   como   possibilidade   de   alcançarmos   o   Desen-­ volvimento   Sustentável.   É   a   mudança  de  paradigma.  As   empresas   precisam   mudar   seus  conceitos  e  valores.”

Criar espaços   de   formação   e   qualificação   das   pessoas,   “qualificar   multiplicadores”,  promovendo  as  capacidades  e  lideranças  a  partir  da   cultura  local;; Incluir  no  planejamento  público  as  compras  sustentáveis,  ou  seja,  prio-­ rizar  produtos  e  empresas  que  comprovem  agir  de  maneira  socioambien-­ talmente  correta;; Valorizar  os  aspectos  socioambientais  de  tal  forma  que  a  análise  cus-­ to-­benefício   seja   complementar   à   da   análise   sociotécnica,   proposta   pelo   pluralismo,   considerando   que   seja   incluído   nos   projetos   os   custos   socioambientais;; Aumentar  o  poder  de  compra  do  Estado,  com  ênfase  em  processos  e   projetos   sociotécnicos   (tecnologias   sociais),   para   viabilizar   licitações   sustentáveis;; Fomento  aos  microempreendimentos  agroextrativistas,  à  economia  so-­ lidária   e   ao   microcrédito   produtivo   e   orientado   nos   circuitos   urbano   e   rural;; Desenvolver  uma  proposta  de  Imposto  Territorial  Rural  sustentável

“Este é   o   momento   para   construir   um   país   que   se   de-­ senvolva  de  forma  sustentável,  erradicando  a  pobreza  e   melhorando  a  qualidade  de  vida  de  todos,  com  partici-­ pação  e  protagonismo  social,  solidariedade  econômica,   respeito  cultural  e  cuidado  ambiental.”

AS POSSIBILIDADES  E  OPORTUNIDADES  DO  DESENVOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL. As   contradições   da   conjuntura   mundial   são   enormes,   mas,   ao   mesmo   tempo,   as   possibilidades   e   oportunidades   de   construirmos   as   respostas   em   direção   ao   desenvolvimento   sustentável,   também,   estão   na   nossa   frente.   No   con-­ tinente  sul-­americano,  está  em  curso  um  processo,  nunca  visto,  de  diminuição  das  desigualdades  sociais.  Segundo   a   Comissão   Econômica   para   a   América   Latina   e   o   Caribe   (Cepal),   o   Brasil,   a   Argentina,   a   Bolívia   e   a   Venezuela   são   os   países   que   mais   avançaram   na   redução   da   pobreza,   com   a   promoção   de   políticas   públicas   focalizadas,   valorização  dos  salários  e  processos  de  investimentos  internos. Este  é  o  momento  para  construir  um  país  que  se  desenvolva  de  forma  sustentável,  erradicando  a  pobreza  e  melho-­ rando  a  qualidade  de  vida  de  todos,  com  participação  e  protagonismo  social,  solidariedade  econômica,  respeito   cultural   e   cuidado   ambiental.   E,   cada   um   de   nós,   pode   ajudar   a   definir   esse   rumo.   Pense   nesse   caminho   e   defina   qual  será  o  seu  papel. PARA  FALAR  COM  CLAITON  MELLO:  claiton@fbb.org.br Claiton   Mello   é   jornalista   e   mestre   em   Desenvolvimento   Sustentá-­ vel:  Política  e  Gestão  Ambiental,  pelo  Centro  de  Desenvolvimento   Sustentável  da  Universidade  de  Brasília  -­  CDS/UnB.  Possui  pós-­gra-­ duação   em   Gestão   Social   e   Terceiro   Setor,   pelo   Centro   Universi-­ tário  Euroamericano.  É  bacharel  em  Comunicação  Social  /  Jornalis-­ mo,   pelo   Centro   Universitário   de   Brasília   -­   UniCEUB.   É   gerente   de   Educação   e   Tecnologia   Inclusiva   da   Fundação   Banco   do   Brasil,   contribuindo  para  o  desenvolvimento  de  diversos  empreendimentos   econômicos  e  solidários,  no  país.   E-­mail:  claiton@fbb.org.br

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O DESAFIO  DE  IMPLEMENTAR  SUSTENTABILIDADE  E  PENSAR   MAIS  A  LONGO  PRAZO HEIKO  SPITZECK Como  a  Economia  Verde  traz  ganhos  empresariais  de  mercado?  Como  a   Micro  e  Pequena  Empresa  pode  começar?  Como  implantar  os  programas   socioambientais? Heiko  Spitzeck,  atuante  em  Responsabilidade  Social  nos  Negócios,  ressalta   TXHDHPSUHVDGHYHGHŹQLURVSULQFLSDLVSRQWRVGHDFRUGRFRPDVXDHV-­ tratégia,  e  desdobrar  as  ações  nas  diversas  áreas  da  empresa.

QUAIS OS   PRINCIPAIS   DESAFIOS   A   SEREM   ENFRENTADOS   PELA   MICRO   E   PEQUENA   EMPRESA?

O QUE   É   SUSTENTABILIDADE   SOCIOAM-­ BIENTAL  NAS  EMPRESAS  E  QUAIS  SÃO  OS   BENEFÍCIOS  PRÁTICOS  QUE  ELA  TRAZ?

O desafio   de   implementar   susten-­ tabilidade  é  o  mesmo  que  implemen-­ tar   uma   gestão   mais   estratégica,   sair   do   100%   operacional   e   pensar   mais   a   longo   prazo.   Uma   vez   que   a   pequena   empresa   pensa   a   longo   prazo,   verá   as   oportunidades   e   ris-­ cos  da  sustentabilidade.

O primeiro  benefício,  normalmente,   é   uma   redução   de   custos.   Depois,   como  os  funcionários  percebem  que   sustentabilidade  pode  ajudar,  simul-­ taneamente,  o  negócio  e  o  Planeta,   surgem  novas  ideias  de  melhoras  ou   de  inovações. COMO   IMPLANTAR   OS   PROGRAMAS   SO-­ CIOAMBIENTAIS?

COMO VOCÊ  VÊ  A  ECONOMIA  VERDE  E   OS  GANHOS  EMPRESARIAIS  DE  MERCADO? Os   principais   ganhos   no   mercado   têm   a   ver   com   lucro   ou   com   risco.   Quanto   ao   lucro,   a   empresa   pode   aumentar   a   margem   ou   reduzir   cus-­ tos.   Pode   também,   trabalhar   para   obter   recursos   humanos   qualifica-­ dos,   com   políticas   de   atração   e   retenção  de  pessoal.  Empresas  tam-­ bém  conseguem  aumentar  a  receita,   ou   via   crescimento   na   participação   no   mercado,   ou   buscando   atuar   em   novos   nichos.   Quanto   ao   risco,   empresas   de   grandes   projetos   de   infraestrutura   conseguem   acesso   a   linhas  de  crédito  do  Banco  Mundial   a  condições  mais  favoráveis  se  con-­ siderarem  impactos  socioambientais.

Deve haver   dois   movimentos:   de   cima  pra  baixo  e  de  baixo  pra  cima.     A   empresa   deve   definir   os   pontos   materiais   de   acordo   com   a   sua   es-­ tratégia,   e   desdobrar   isso   nas   di-­ versas   áreas   do   negócio.   Ao   mesmo   tempo,   os   funcionários,   nas   opera-­ ções,   precisam   ser   engajados   na   definição   desses   pontos   importan-­ tes,   para   que   haja,   mais   tarde,   uma   implementação  no  dia  a  dia.

“O primeiro   benefício,   nor-­ malmente,   é   uma   redução   de   custos.   Depois,   como   os   fun-­ cionários   percebem   que   sus-­ tentabilidade   pode   ajudar,   simultaneamente,   o   negócio   e   o  Planeta,  surgem  novas  ideias   de  melhoras  ou  de  inovações.”

“Foco nas   sinergias   de   im-­ pacto   ambiental   positivo   e   redução  de  custos.”

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2GHVDŹRGHSHQVDUDORQJRSUD]R ESFORÇOS EM  DIREÇÃO  À  SUSTENTABILIDADE  PODEM  INFLUENCIAR  TODAS  AS   OPÇÕES  DE  ALAVANCAGEM  QUE  AS  EMPRESAS  USAM  PARA  CRIAR  VALOR

IMPACTO POTENCIAL   DOS   ESFORÇOS   PELA  SUSTENTABILIDADE

Opções de   alavancagem  para   crição  de  valor

Marca mais   forte   e   maior   poder   de  precificação Maiores  eficiências  operacionais Uso  mais  eficiente  de  recursos Otimização   da   cadeia   de   supri-­ mentos Custos   e   impostos   mais   baixos-­ maior   capacidade   de   atrair,   reter   e  motivar  funcionários Maior   produtividade   de   empre-­ gados Mais   lealdade   de   clientes   e   me-­ nos  incidência  de  vendas  para  ge-­ rar  comissão Maior   capacidade   de   entrada   em  novos  mercados Mais  fontes  potenciais  de  receita Menores   riscos   de   mercado,   ba-­ lanço  e  operacionais Menor  custo  de  capital Maior  acesso  a  capital,  financia-­ mento  e  seguro

Poder de   precificação Melhora  na   Margem

Recrutamento e  engajamento   de  empregados

lucros

Retorno total  ao   acionista

Economias de  custo

Crescimento da  receita fluxo  de   caixa  livre

Mútiplo de   Avaliação

Participação de  mercado Entrada   em  novo   mercado

Prêmios de   risco

Fonte: Levantamento  de  2009  da  iniciativa  de  sustentabilidade;;  BCG  e  MIT  Sloan  Manegement  Review;;  Entrevistas  com  líderes  formadores  de  opinião

COMO A  MICRO  OU  A  PEQUENA  EMPRESA  PODE  COMEÇAR?   Identificar   os   três   pontos   importantes:   utiliza   muita   energia   na   produção?   Como   reduzir   custos?   Como   poupar  custos?  Existem  muitas  Micro  e  Pequenas  Em-­ presas,   como   Suco   do   Bom,   Eco-­Frotas,   TerraCycle   entre   outras,   que   optaram   por   um   modelo   de   negó-­ cio  mais  sustentável. Há  ganhos  econômicos  e  de  imagem  por  investir  na   gestão   ambiental.   O   ganho   econômico   é   por   meio   da  redução  de  custos.  E  se  a  empresa  exporta  para   mercados  mais  exigentes,  não  faz  negócio  sem  algu-­ mas  certificações,  como  a  ISO  14000.

“Pensar mais  a  longo  prazo.”

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2GHVDŹRGHSHQVDUDORQJRSUD]R OS CLIENTES   PROCURAM   POR   “PRODU-­ TOS  VERDES“? Sim.    A  Natura  é  o  melhor  exemplo   para  o  sucesso  desse  negócio. No  que  se  refere  à  cadeia  produ-­ tiva,   você   percebe   haver   cobran-­ ças   por   processos   ou   procedimen-­ tos  socioambientais?   A   Braskem   desenvolveu   o   plástico   verde   por   várias   razões.   Uma   delas   é   o   pedido   do   cliente   que   está   se   posicionando   de   maneira   mais   sus-­ tentável  no  mercado.  Isso  afeta  tam-­ bém   as   Micro   e   Pequenas   Empresas   que  estão  colaborando  com  empre-­ sas   como   a   Natura,   Walmart,   entre   outras,  que  se  posicionam  no  merca-­ do  como  empresas  sustentáveis.  Ob-­ viamente,  convidam  os  fornecedores   a  fazerem  parte  deste  processo. QUE  DICAS  VOCÊ  DARIA  PARA  AS  MICRO  E   PEQUENAS  EMPRESAS  NO  QUE  SE  REFERE   A  GANHOS  DE  MERCADOS  SUSTENTÁVEIS?   Começar  com  o  foco  nas  sinergias   de  impacto  ambiental  positivo  e  re-­ dução  de  custos.  Obser ve  os  novos   regulamentos.   Por   exemplo,   a   Lei   de   Resíduos   Sólidos   se   posiciona   de   maneira   antecipada   para   que   o   negócio   não   seja   inviabilizado   da   noite  para  o  dia.

COMO IDENTIFICAR   UMA   EMPRESA   AM-­ BIENTALMENTE  SUSTENTÁVEL?   Meu   primeiro   olhar   é   com   a   lide-­ rança   da   empresa.   Existe   uma   visão   mais   além   que   o   financeiro?   Existem   produtos   ou   ser viços   com   um   dife-­ rencial  ambiental  ou  social  que  são   uma   evidência   de   que   a   empresa   coloca   a   visão   na   prática?   A   em-­ presa   é   reconhecida   por   boas   prá-­ ticas  e  aparece,  por  exemplo,  na  mí-­ dia  e  em  salas  de  aula,  nas  escolas   de   negócio,   por   praticar   a   susten-­ tabilidade?

“Empresas também  conseguem   aumentar   a   receita,   via   cresci-­ mento   na   participação   no   mer-­ cado,   ou   buscando   atuar   em   novos  nichos.” A  COPA  DO  MUNDO  DEMANDARÁ  POSTURA  SOCIOAMBIENTAL  PARA  AS  MICRO  E  PE-­ QUENAS  EMPRESAS?   As   olimpíadas   em   Londres   deve   ser   a   mais   sustentável   na   história.   Simi-­ larmente,  o  objetivo  da  Copa  é  estimular  o  desenvolvimento  do  Brasil.  Tem   muitas  considerações  ambientais  na  contratação  que  vão  afetar  a  cadeia   de   suprimentos.   Empresas   com   uma   postura   de   sustentabilidade   podem   se   diferenciar  no  mercado.

Heiko Spitzeck   é   professor   da   Fundação   Dom   Cabral.   Suas   áreas   de   interesse   são  em  melhorias  organizacionais  em  termos  de  responsabilidade  corporativa  e   sustentabilidade.  Sua  experiência  acadêmica,  de  mais  de  oito  anos,  inclui  cursos   de   Ética   nos   Negócios,   Empreendedor   Social,   assim   como   Responsabilidade   e   Negócios   Sustentáveis.   Publicou   inúmeros   artigos   em   jornais   e   revistas   interna-­ cionais.  Ele  é  diretor  e  membro  fundador  da  Humanistic  Management  Network.  Em   2010,   passou   a   integrar   o   corpo   de   docentes   da   INSPER   São   Paulo,   no   Brasil.   De   2008   a   2010,   foi   professor   de   Responsabilidade   Corporativa   na   Cranfield   University ’s   Doughty,   na   Inglaterra.   Entre   2004   e   2006,   atuou   como   diretor   na   Oikos  International.  Com  sua  extensa  experiência,  foi  convidado  como  conferen-­ cista  na  Áustria,  Bangladesh,  Brasil,  Alemanha,  México,  Espanha,  Suíça,  Inglater-­ ra,  e  Estados  Unidos.  Além  disso,  ocupou  posições  de  visitante  da  Universidade   da  Califórnia,  em  Berkeley,  da  Universidade  Fordham,  em  Nova  York,  assim  como   da   Universidade   de   Extremadura,   na   Espanha.   Heiko   foi   educado   na   Alemanha,   Espanha  e  Suíça.  Ele  recebeu  seu  PhD  na  Universidade  de  St.  Gallen,  na  Suíça.

PRODUTOS VERDES São  ambientalmente  mais  corretos  visto  que,  em  sua  forma  de  produção  e  distribuição    reduzem  ao  mínimo  possivel   a  agressão  ao  meio  ambiente  e  à  saúde  humana. OTTMAN,  Jacqueline  A.  Marketing  verde.  Tradução  de  Marina  Nascimento  Paro.  São  Paulo:  Ed  Makron  Books,  1994.  

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AS EMPRESAS  DEVEM  BUSCAR  UM  MODELO  DE  CRESCI-­ MENTO  SOCIALMENTE  JUSTO,  ECONOMICAMENTE  VIÁVEL   E  AMBIENTALMENTE  SUSTENTÁVEL THOMAS  ENLAZADOR Quais  são  os  benefícios  práticos  da  sustentabilidade  na  empresa?  Há  au-­ mento  de  competitividade  para  a  Micro  e  Pequena  Empresa  que  investe   em  gestão  socioambiental? Thomas  Enlazador,  mestre  em  Gestão  e  Políticas  Ambientais,  fala  de  um   modelo  de  crescimento  socialmente  justo,  ambientalmente  correto  e  eco-­ nomicamente  viável,  sugerindo  caminhos  que  vão  ao  encontro  dos  con-­ sumidores  conscientes.

COMO VOCÊ   PERCEBE   A   ECONOMIA   VERDE   APLICADA   À   MICRO   E   PEQUENA   EMPRESA? A   Economia   Verde,   da   forma   que   está   posta,   deve   ser   ampliada   e   redimensionada.   A   Rio+20   tem   este   papel.   Porém,   a   visão   precisa   ser   conjunta.   A   sociedade   civil   organi-­ zada  precisa  pautar  o  tema  e  cons-­ truir   criticamente   um   conceito   inclu-­ sivo.   As   Micro   e   Pequenas   Empresas   (MPE)   precisam   de   uma   atuação   pautada   nesta   nova   economia   e   mostrar  a  viabilidade  de  projetos  em   micro  e  pequena  escala,  em  coerên-­ cia   com   um   modelo   de   crescimento   socialmente   justo,   economicamente   viável  e  ambientalmente  sustentável. QUAIS   OS   BENEFÍCIOS   PRÁTICOS   DA   SUSTENTABILIDADE   SOCIOAMBIENTAL   NA  EMPRESA? O   primeiro   benefício   é   agir   de   acordo  com  a  legislação  ambiental.     No   tocante   a   temática   emergen-­ te   que   engloba   praticamente   todo   o   setor   produtivo,   há   a   nova   Lei   nº   12.305/2010   -­   Política   Nacional   de   Resíduos   Sólidos,   que   minimiza   os   impactos   socioambientais,   além  

de prestar   um   relevante   ser viço   so-­ cial,   gerando   trabalho   justo   e   ren-­ da   às   cooperativas   de   catadores.   Além   disso,   existem   outros   benefí-­ cios,   como   a   redução   e   tratamento   de   resíduos   sólidos,   a   destinação   final   ambientalmente   adequada   dos   rejeitos,   a   diminuição   do   uso   dos   recursos   naturais   no   processo   de   produção   de   novos   produtos,   a   intensificação   de   ações   de   edu-­ cação   ambiental,   o   aumento   da   re-­ ciclagem,   a   promoção   da   inclusão   social   e   a   geração   de   emprego   e   renda   para   catadores   de   materiais   recicláveis.   A   educação   ambiental   é   um   dos   maiores   benefícios   ge-­ rados   por   boas   práticas   socioam-­ bientais.   Um   programa   de   gestão   socioambiental   bem   trabalhado   e   inclusivo   ressonará   a   funcionários,   diretores,   prestadores   de   ser viço   e   comunidade  do  entorno.  Não  bene-­ ficia   apenas   a   empresa   promotora.   Contagia   positivamente   todos   os   incluídos   que   internalizam   as   boas   práticas  no  seu  cotidiano.

“Um programa   de   gestão   so-­ cioambiental  b em  t rabalhado  e   inclusivo  ressonará  a  funcioná-­ rios,   diretores,   prestadores   de   serviço   e   comunidade   do   en-­ torno.  Não  beneficia  apenas  a   empresa   promotora.   Contagia   positivamente   todos   os   inclu-­ ídos   que   internalizam   as   boas   práticas  no  seu  cotidiano.” COMO  IMPLANTAR  OS  PROGRAMAS  SO-­ CIOAMBIENTAIS? Qualquer   programa   de   estrutura   socioambiental   passa,   primeiramen-­ te,  pelo  viés  educacional.  O  primeiro   passo  é  um  programa  continuado  de   capacitação  para  todas  as  escalas   de   funcionários,   sócios,   diretores   e   parceiros.  O  tema  ambiental  está  em   voga,  mas  os  conceitos  profundos  e   holísticos   que   a   terminologia   carre-­ ga,  foram  pouco  internalizados  pelo   setor  produtivo.

“Hoje, uma  empresa  que  não  busca  qualificar  paulatinamente  um  processo  integrado  em  ges-­ tão  ambiental,  se  fecha  para  o  novo,  não  se  recicla  e  automaticamente  perde  competitividade.”

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Modelo de  crescimento  sustentável COMO  A  MICRO  OU  PEQUENA  EMPRESA   PODE  COMEÇAR?

HÁ GANHOS   DE   IMAGEM   POR   INVESTIR   NA  GESTÃO  AMBIENTAL?

OS CLIENTES   PROCURAM   POR   PRODU-­ TOS  “DO  BEM”?

Primeiramente, é  preciso  buscar  um   agente   externo   para   diagnosticar   alguns   pontos   fundamentais   para   dar   credibilidade   e   continuidade   a   proposta:   1-­   O   sistema   de   pro-­ dução   da   empresa   impacta?   Quais   são   os   impactos   e   como   mitigá-­los   ou   eliminá-­los?   2-­   Os   funcionários   e   diretores  sabem  o  que  é  sustentabi-­ lidade   socioambiental   em   uma   em-­ presa?  É  necessário  um  processo  de   formação  e  sensibilização?  Quem  se   pode  chamar?  3-­  Buscando  as  certi-­ ficações  sociais  e  ambientais,  quais   se  enquadram  com  a  atividade  pro-­ dutiva   da   empresa?   Como   se   ade-­ quar   e   manter   um   ciclo   produtivo   sustentável?   4-­   Quais   são   as   asso-­ ciações   de   bairros,   ambientais,   cul-­ turais,  cooperativas  de  catadores  e   liderança   da   região,   que   a   empre-­ sa   está   instalada,   que   podem   com-­ por   o   projeto?   Como   envolvê-­los   em   uma   retroalimentação   positiva   para  ambos  os  lados?  5-­  Existem  in-­ centivos   fiscais   para   boas   práticas   ambientais   no   Estado   onde   atua   a   empresa?

Sim. Principalmente   na   imagem   que   os   funcionários   e   a   comunida-­ de   local   têm   da   empresa.   Com   essa   imagem   positiva,   empresa   de   micro   e   pequeno   porte   podem   alavancar   parcerias   mais   sólidas,   gerar   metas   motivacionais,   criar   cotas   partici-­ pantes   -­   conforme   produtividade   -­   com   foco   na   excelência   socioam-­ biental   e   verter,   auspiciosamente,   para   um   modelo   de   empresa   social,   que  rompe  o  paradigma  do  patrão-­ -­empregado   e   tem   os   funcionários   como   aliados   na   transformação   do   modelo  cartesiano  empresarial.

Sim. Quando   existem   ações   que   denotem   compromisso   e   transparên-­ cia.  As  empresas  não  são  vilãs.  Não   é  uma  questão  do  bem  contra  o  mal.   Elas  existem  devido  a  uma  demanda   pelo   consumo   dos   seus   bens   e   ser-­ viços.   O   setor   produtivo   só   irá   des-­ pertar   quando   o   consumidor   deixar   de  ser  um  mero  espectador  e  passar   a   atuar   como   um   cidadão   político   que,   no   ato   da   compra,   elege   uma   empresa  e  os  valores  que  ela  carre-­ ga.   Não   os   valores   vendidos   pelas   agências   de   marketing,   mas   os   va-­ lores  reais  no  papel  social,  ambien-­ tal   e   cultural   que   ela   carrega.   As   empresas   precisam   despertar   para   novas   tecnologias,   novos   produtos,   adotar   uma   linha   de   sustentabili-­ dade   nos   seus   produtos   e   ser viços.   Existe  mercado  para  isso.  É  crescen-­ te,  crítico  e  lucrativo.  O  consumidor   está   mais   antenado   e   identifica   a   diferença   entre   uma   peça   publici-­ tária   esverdejada   e   um   programa   eficiente   de   produção   de   bens   e   ser viços  sustentáveis.

HÁ GANHOS  ECONÔMICOS  POR  INVES-­ TIR  NA  GESTÃO  AMBIENTAL? Os   ganhos   são   em   todas   as   esfe-­ ras:   econômica,   ambiental,   social,   cultural   e   regional.   Economicamen-­ te,  nota-­se  a  expansão  de  um  grupo   de   consumidores   críticos   que   bus-­ cam   empresas   comprometidas   com   a   causa   ambiental   e   boicotando   as   promotoras   na   sua   linha   de   pro-­ dução   de   grandes   impactos.   É   uma   tendência   global   e   um   caminho   sem   volta.  Uma  empresa  que  não  investe   na   gestão   ambiental   tende   a   ficar   isolada   e   obsoleta   com   o   tempo.   Mais   do   que   inovação,   é   uma   obri-­ gação   e   um   compromisso   com   pre-­ sentes  e  futuras  gerações.  

QUAIS OS  PRINCIPAIS  DESAFIOS  A  SEREM   ENFRENTADOS   PELAS   MICRO   E   PEQUE-­ NAS  EMPRESAS? No   Brasil,   os   incentivos   fiscais   e   tributários,  para  os  que  investem  em   uma   gestão   sustentável,   são   pífios.   Faz-­se  necessário  uma  frente,  articu-­ lada   com   políticas   públicas   locais,   estaduais  e  federais  para  fortalecer   e  incentivar  os  processos  de  produ-­ ção   e   consumo   de   bens   e   ser viços   que   comprovem,   no   seu   ciclo   de   produção,  ações  efetivas  de  mitiga-­ ção   de   impactos   socioambientais,   adoção   de   tecnologias   limpas   e   renováveis,  gestão  de  resíduos  sóli-­ dos   e   orgânicos,   implementação   de   projetos   de   educação   ambiental   e   outras   tecnologias   socioambientais   que  surgirem  no  mercado.

“Adotar uma  linha  de  susten-­ tabilidade   nos   seus   produtos   e   serviços.   Existe   mercado   para  isso.”

“Empresa de  micro  e  peque-­ no   porte   podem   alavancar   parcerias   mais   sólidas,   gerar   metas  motivacionais,  criar  co-­ tas   participantes   -­   conforme   produtividade  -­  com  foco  na   excelência  socioambiental.”

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Modelo de  crescimento  sustentável

HÁ VANTAGEM  COMPETITIVA  (TANGÍVEL)   PARA   MICRO   E   PEQUENAS   EMPRESAS   QUE  ADOTAM  A  GESTÃO  AMBIENTAL? São   inúmeras,   principalmente   no   viés   conceitual.   Hoje,   uma   empresa   que   não   busca   qualificar   paulati-­ namente   um   processo   integrado   em   gestão   ambiental,   se   fecha   para   o   novo,   não   se   recicla   e   automatica-­ mente  perde  competitividade. QUE  DICAS  VOCÊ  DARIA  PARA  AS  MICRO  E   PEQUENAS  EMPRESAS  NO  QUE  SE  REFERE   A  GANHOS  DE  MERCADOS  SUSTENTÁVEIS? Primeiramente,   reflita   sobre   o   pa-­ pel  da  empresa.  Ela,  além  de  buscar   incansavelmente   a   sustentabilidade   econômica,   pode   aliar   isso   a   boas   práticas   sustentáveis.   Antes   de   in-­ vestir  em  um  mercado  e  em  produtos   sustentáveis,   qualifique   internamen-­ te   sua   empresa   e   comece   dando   o   exemplo   de   dentro   para   fora.   Mer-­ cados   emergentes,   que   integram   boas  práticas  e  crescente  mercado,   são   os   de   produtos   orgânicos   alia-­ dos   a   agricultura   familiar,   biocons-­ trução   e   materiais   de   baixo   impac-­ to,  renováveis  e  reciclados,  resíduos   sólidos,  adequação  a  nova  política   nacional   de   resíduos   sólidos,   meta   reciclagem   de   computadores,   pres-­ tação   de   ser viços   em   software   livre   e   claro,   educação,   o   carro   chefe   de  qualquer  transformação.

O QUE  É  A  ECONOMIA  SOLIDÁRIA? É   uma   forma   de   produção,   consumo   e   distribuição   de   riqueza,   de   base   associativista   e   cooperativista,   voltada   para   a   produção,   consumo,   co-­ mercialização   e   trocas   de   bens   e   ser viços,   autogestionária,   tendo   como   finalidade   a   reprodução   ampliada   da   vida.   Possui   uma   finalidade   multi-­ dimensional,   com   dimensão   social,   econômica,   política,   ecológica,   edu-­ cacional   e   cultural.   As   experiências   de   Economia   Solidária   se   projetam   no   espaço   público   no   qual   estão   inseridas,   tendo   como   perspectiva   a   construção  de  um  ambiente  socialmente  justo  e  sustentável.  Aliam-­se  com   ações   focadas   na   produção   agroecológica,   comércio   justo   e   vem   con-­ quistando   espaço   para   se   tornar   uma   opção   de   consumo   sustentável.   Aparecem   especialmente   nas   modalidades   de   micro   empreendimentos   e   cooperativas  populares,  bancos  comunitários,  redes,  incubadoras  tecno-­ lógicas,   lojas   e   feiras   de   comercialização   e   consumo   solidário,   crédito   solidário,  clube  ou  cooperativa  de  compras,  comércio  justo,  certificação   participativa,   agroecologia,   empresas   autogestionadas   e   mercado   de   trocas,  com  ou  sem  moeda  social  local. No   Brasil,   o   crescimento   da   Economia   Solidária,   enquanto   movimento,   ultrapassa  a  dimensão  de  iniciativas  isoladas  e  fragmentadas  no  tocante   a  sua  inserção  nas  cadeias  produtivas  e  nas  articulações  do  seu  entorno;;   cada   vez   mais   se   orientam   rumo   a   uma   ação   conjunta   nacional,   configu-­ rando  redes  locais  e  uma  plataforma  integrada  comum.

“Construção de  um  ambiente  socialmente  justo  e  sustentável.”

CONHEÇA MAIS:   http://www.iteia.org.br/tex-­ tos/almanaque-­de-­praticas-­sustentaveis E-­MAIL:  ecopedagogia@gmail.com

Thomas Enlazador  é  ambientalista,  mestre  em  Gestão  e  Po-­ líticas   Ambientais   pelo   Prodema,   da   Universidade   Federal   de  Pernambuco,  Cientista  Jurídico  com  foco  em  legislação   e   educação   ambiental.   Diretor   institucional   da   Empresa   Resiliência   Tecnologias   SocioAmbientais.   Membro   da   or-­ ganização   do   Fórum   Social   Mundial   e   co-­idealizador   das   Aldeias   da   Paz,   no   Fórum   Social   Mundial.   Integrante   do   Conselho   de   Assentamentos   Sustentáveis   das   Américas.   Autor   do   Almanaque   de   Práticas   Sustentáveis   e   curador   de   Sustentabilidade   da   Bienal   Internacional   do   Livro   de   Pernambuco.

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AS  QUESTĂ&#x2022;ES  AMBIENTAIS  E  OS  NOVOS  NEGĂ&#x201C;CIOS

FERNANDA  GABRIELA  BORGER &RPR LGHQWLŚFDU XPD HPSUHVD VRFLRDPELHQWDOPHQWH FRUUHWD" &RPR DV TXHVW¾HVGHVXVWHQWDELOLGDGHLQźXHQFLDPDHPSUHVD"+¥YDQWDJHPFRP-­ petitiva  para  a  Micro  e  Pequena  Empresa  que  implanta  processos  susten-­ tåveis?   Fernanda  Gabriela,  doutora  em  Administração  e  mestre  em  Ciência  Am-­ biental,   mostra   que   esta   pråtica   traz   benefícios   diretos   como   a   maior   HŚFLªQFLDRSHUDFLRQDODUHGX§£RGHFXVWRVHRFRPSURPHWLPHQWRGRV colaboradores  da  empresa.

HĂ Â VANTAGEM   COMPETITIVA   PARA   MI-­ CRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS  QUE  ADO-­ TAM  A  GESTĂ&#x192;O  AMBIENTAL?

COMO  AS  QUESTĂ&#x2022;ES  RELACIONADAS  Ă&#x20AC;   SUSTENTABILIDADE  INFLUENCIAM  A  GES-­ TĂ&#x192;O  PĂ&#x161;BLICA  E  EMPRESARIAL?

A  gestão   ambiental   e   social   traz   benefícios   pråticos,   como   a   maior   eficiência   operacional,   a   redução   de   custos,   o   comprometimento   das   pessoas   que   fazem   parte   da   orga-­ nização.     As   soluçþes     e   pråticas   ambientais   são   simples,   fåceis   de   implantar,   como   substituir   o   copo   descartåvel   pelo   de   vidro,   imprimir   menos,   reutilizar   materiais,   evitar   o   desperdício,   cooperar   com   as   pes-­ soas.   São   pequenos   ganhos,   mas   aos   poucos   se   transformam   em   ga-­ nhos  significativos,  mensuråveis  e  in-­ tangíveis.

Nos  últimos   anos,   as   questþes   am-­ bientais   invadiram   os   negócios,   as   forças   de   globalização   pressiona-­ ram   as   empresas   a   incorporar   a   di-­ mensão  social  e  ambiental  à  gestão   empresarial.   No   cenårio   internacio-­ nal,  existe,  cada  vez  mais,  a  cobran-­ ça   para   que   empresas   demonstrem   sua   forma   de   trabalho   em   relação   a   fornecedores,   empregados,   meio   ambiente   e   comunidade.   Essas   for-­ ças   ampliaram   a   preocupação   pú-­ blica   e   dos   governos   com   questþes   como   mudança   climåtica,   poluição   industrial,   segurança   alimentar,   de-­ gradação   dos   recursos   naturais,   di-­ reitos  humanos,  entre  vårias  outras.

OS  CLIENTES   PROCURAM   POR   PRODU-­ TOS  â&#x20AC;&#x153;DO  BEMâ&#x20AC;?? Consumidores   estĂŁo   exigindo   pro-­ dutos   e   ser viços   de   empresas   so-­ cialmente   responsĂĄveis.   Governos   estĂŁo   estabelecendo   polĂ­ticas   e   regulamentaçþes   mais   restritivas   e   os   investidores,   tambĂŠm,   estĂŁo   esti-­ mando  os  riscos  ambientais  e  sociais   dos  investimentos.

â&#x20AC;&#x153;A  gestĂŁo  ambiental  e  so-­ cial  traz  benefĂ­cios  prĂĄticos,   como   a   maior   eficiĂŞncia   operacional,   a   redução   de   custos,   o   comprometimento   das  pessoas  que  fazem  par-­ te  da  organização.â&#x20AC;?

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As questões  ambientais  e  os  novos  negócios COMO  A  MICRO  OU  PEQUENA  EMPRESA  PODE  COMEÇAR? Sempre   pode   se   começar   pelas   soluções   simples,   as   pequenas   empresas   não  podem  esquecer  que  as  grandes  empresas  se  originaram  de  pequenos   negócios.  O  importante  é  desenvolver  competências  para  inovar,  e  a  visão   para  redesenhar  produtos  ,  processos  e  os  modelos  de  negócio.

“A complexidade   da   ges-­ tão   socioambiental   está   na   mudança   que   deve   ocorrer   na  cultura  corporativa”

COMO IDENTIFICAR  UMA  EMPRESA  AMBIENTALMENTE  SUSTENTÁVEL?

“As pequenas   empresas   não  podem  esquecer  que  as   grandes  empresas  se  origina-­ ram  de  pequenos  negócios.  ”

“O papel  das  empresas  é  ge-­ rar  valor  para  a  sociedade.”

A complexidade   da   gestão   socioambiental   está   na   mudança   que   deve   ocorrer   na   cultura   corporativa   de   que   a   empresa   existe   para   maximizar   o   retorno   do   capital   investido   e     a   visão   de   curto   prazo.   Essa   mudança   de-­ pende   da   liderança   das   organizações,   e   não   está   associada   ao   tamanho   das  empresas,  mas  às  pessoas  que  constroem  a  cultura  dentro  das    empre-­ sas.  Quando  esta  noção,  de  que  o  papel  das  empresas  é  gerar  valor  para   a  sociedade,  estiver  no  DNA  das  organizações,  elas    estarão,  efetivamente,   contribuindo   para   a   transição   para   uma   Economia   Verde,   ou   melhor,   uma   sociedade   sustentável.   Entretanto,     essas   mudanças,   também,   não   devem   ocorrer   somente   nas   empresas,   mas   na   esfera   pública   e   nas   organizações   da  sociedade  civil.

Fernanda Gabriela   Borger   é   doutora   em   Administração,   pela   Faculdade   de   Eco-­ nomia,   Administração   e   Contabilidade,   da   Universidade   de   São   Paulo   (FEA   –   USP)   e   mestre   em   Ciência   Ambiental,   pelo   Programa   de   Pós-­Graduação   em   Ciência   Am-­ biental   (PROCAM   –   USP).   Pesquisadora   e   consultora   da   Fundação   Instituto   de   Pes-­ quisas   Econômicas   (FIPE),   professora   da   Fundação   Instituto   de   Administração   (FIA),   da   Business   School   São   Paulo   (BSP)   e   do   Programa   de   Educação   Continuada   da   Fundação  Getúlio  Vargas  (GVPEC).  Seu  trabalho  de  pesquisa  está  orientado  para  a   gestão  da  responsabilidade  social  corporativa  e  o  desenvolvimento  de  indicadores   de  sustentabilidade.  Sua  tese  de  doutorado  está  entre  as  mais  consultadas  do  banco   digital   da   USP.   Coordena   as   atividades   de   premiação   e   desenvolve   a   metodologia   do  Prêmio  de  Responsabilidade  Social  da  Associação  Brasileira  de  Distribuidores  de   Energia  Elétrica  (Abradee).  Participou  do  grupo  de  trabalho  para  elaboração  e  apli-­ cação   do   Suplemento   Setorial   do   Global   Reporting   Initiative   (GRI)   para   o   setor   de   energia   elétrica.   Assessorou   o   Movimento   Empresarial   para   a   Biodiversidade   (MEB)   para  desenvolver  indicadores  de  monitoramento.

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UM NEGÓCIO  SUSTENTÁVEL  RESPEITA  AS  REGRAS  QUE   PRESERVAM  E  APERFEIÇOAM  A  SOCIEDADE

VICENTE AMBRÓSIO Quais  são  os  benefícios  práticos  da  sustentabilidade  na  Micro  e  Peque-­ na  Empresa?  A  gestão  ambiental  agrega  valor  para  as  empresas?  Como   a  implantar  na  MPE?   Vicente  Ambrósio,  autor  de  vários  livros  na  área  de  Marketing  e  mestre  em   Administração  de  Empresas,  mostra  as  vantagens  e  lembra  que  as  ações   de   sustentabilidade   devem   estar   contempladas   no   plano   de   marketing   da  empresa. O  QUE  É  SUSTENTABILIDADE  SOCIOAM-­ BIENTAL  NA  EMPRESA  E  QUAIS  OS  BENE-­ FÍCIOS  PRÁTICOS? Um   negócio   sustentável   respeita   as   regras   que   preser vam   e   aper fei-­ çoam   a   sociedade.   Por   exemplo,   um   produto   inovador   poderá   mudar   os   hábitos  e  costumes  das  pessoas.  En-­ tretanto,   ele   jamais   irá   prejudicar   a   saúde   dos   consumidores   ou   atentar   contra   a   ética   e   as   leis.   Um   negó-­ cio   sustentável   faz   uso   de   recursos   que   a   natureza   provê,   porém   ajuda   a   natureza   a   repor   esses   recursos.   Por   exemplo,   é   preciso   destruir   uma   ár vore   para   colher   a   sua   resina?   Como  articular  o  uso  de  uma  máqui-­ na  para  se  aproveitar  o  uso  de  fon-­ tes  renováveis  de  energia?

COMO A   MICRO   OU   PEQUENA   EMPRESA   PODE   COMEÇAR?   QUAIS   OS   PRINCIPAIS   DESAFIOS   A   SEREM   ENFRENTADOS  POR  ELA S? A  fase  de  execução  será  relativa-­ mente  rápida  e  fácil  se  o  plano  de-­ senvolvido   houver   sido   feito   com   a   participação  da  equipe,  porque  to-­ dos  os  funcionários  estarão  pensan-­ do   de   uma   maneira   básica   similar.   Todos   irão   remar   na   mesma   direção   e,   portanto,   não   haverá   retrabalho   ou   aumento   do   tempo   usado   para   explicar  o  raciocínio  do  empreendi-­ mento   a   cada   colaborador.   Muitas   vezes,   criar   um   produto   ou   ser viço,   que   não   conflite   com   a   socieda-­ de   ou   com   o   meio   ambiente,   não   é  

uma atitude  fácil  ou  automática.  Na   maioria   das   vezes,   é   preciso   mudar   uma   cultura   organizacional.   Então,   surgem  outras  perguntas  desafiantes   para   um   empreendedor,   por   exem-­ plo,   como   incluir   novos   hábitos   na   cultura  de  uma  empresa  ou  até  mes-­ mo  na  cultura  de  uma  família  que  con-­ duz  uma  propriedade  há  muitos  anos?   QUAIS  OS  BENEFÍCIOS  ADVINDOS  COM   A   GESTÃO   AMBIENTAL?   HÁ   VANTAGEM   COMPETITIVA   (TANGÍVEL)   PARA   MICRO   E  PEQUENAS  EMPRESAS  QUE  ADOTAM  A   GESTÃO  AMBIENTAL? Um  empreendedor  da  Micro  ou  Pe-­ quena   Empresa   ou   de   empresas   de   outros  portes,  tem  sempre  perguntas   fundamentais   em   sua   mente.   Todas   elas   voltadas   a   ganhos   de   merca-­ do  e  à  manutenção  de  seu  negócio.   Devido   à   realidade   dos   recursos   limitados   e   da   demanda   crescente   por   esses   recursos,   um   empreende-­ dor   só   terá   sucesso   se   considerar,   rotineiramente,   o   impacto   que   suas   decisões   e   ações   terão   na   socie-­ dade  e  no  meio  ambiente.  Um  plano   de   marketing   é   um   roteiro   para   que   o   empreendedor   de   uma   micro   ou   pequena   empresa   alcance   ganhos   sustentáveis  de  mercado.  

“Um negócio  sustentável   faz   uso   de   recursos   que   a   natureza   provê,   porém   ajuda  a  natureza  a  repor   esses  recursos.”

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Um negócio  sustentável  respeita  as  regras QUE  DICAS  VOCÊ  DARIA  PARA  AS  MICRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS  NO  QUE  SE  REFERE  A  GANHOS  DE  MERCADOS  SUSTENTÁVEIS? Se   a   MPE   já   tiver   um   sistema   de   planejamento   estratégico   empresarial,   tanto   melhor.   Mas   se   não   tiver,   não   há   problema  algum,  pois  o  planejamento  de  marketing  ser virá  para  que  a  empresa  amadureça  e  então,  a  algum  tempo,   chegue  a  implantar  um  sistema  de  planejamento  estratégico  para  a  totalidade  de  seus  negócios.  As  questões  de   sustentabilidade  devem  estar  consideradas  já  no  Planejamento  Estratégico.

“Um empreendedor  só  terá  sucesso  se  considerar,  rotineiramente,  o  impacto  que  suas   decisões  e  ações  terão  na  sociedade  e  no  meio  ambiente.”

Professor Vicente  Ambrósio  é  Administrador,  pela  Universidade  Federal   do   Rio   de   Janeiro   (UFRJ),   mestre   em   Administração   de   Empresas,   pós-­ -­graduado  em  Didática  de  Marketing,  pela  Escola  Superior  de  Propa-­ ganda   e   Marketing   (ESPM),   possui   38   anos   de   experiência   em   gestão   de  marketing,  professor  de  Marketing  em  instituições  de  renome,  diretor   da   Mirambro   Consultoria   em   Planejamento   de   Marketing,   diretor-­con-­ selheiro   em   duas   empresas,   autor   de   quatro   livros   especializados   em   planejamento   de   marketing,   inclusive   o   mais   recente,   a   2ª.   edição   de   Plano  de  Marketing  –  Um  roteiro  para  a  ação,  publicado  pela  Pearson.

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A SUSTENTABILIDADE  MOBILIZADA  POR DIÁLOGOS  E  PROCESSOS  COOPERATIVOS

ROSA ALEGRIA O  que  é  Economia  Verde,  e  o  que  a  empresa  ganha  em  inserir-­se  neste   novo  modelo?  Até  que  ponto  ela  vem  sendo  empregada  no  dia  a  dia  da   empresa  no  Brasil  e  no  mundo?  Que  benefícios  traz  para  a  empresa? Rosa   Alegria,   mestre   em   Estudos   de   Futuro,   mostra   as   tendências   deste   novo  modelo  de  gestão,  que  envolve  “produtos  e  empregos  verdes”.

COMO A  MICRO  OU  PEQUENA  EMPRESA   PODE  COMEÇAR?

seus públicos)   e   identificar   quais   as   áreas  que  necessitam  de  melhoria  ou   mudanças  radicais.

Um bom   início   de   ação   para   as   MPE   seria   dialogar   com   vários   inter-­ locutores,   principalmente   as   empre-­ sas   grandes   que   são   seus   clientes.   Por   meio   desse   diálogo,   poderão   ser  identificados  processos  de  como   ampliar   os   programas   socioambien-­ tais  dos  clientes  por  meio  da  cadeia   de   suprimentos,   de   forma   a   comple-­ mentá-­los   ou   entrar   em   consonância   com   eles.   Isso   só   vai   favorecer   am-­ bas   as   partes:   as   grandes   empresas   que   são   seus   clientes,   porque   terão   mais   integralidade   em   suas   estraté-­ gias   (de   toda   a   cadeia)   e   as   Micro   e   Pequenas   Empresas,   que   poderão   se   beneficiar   e   aprender   por   meio   dos  exemplos,  das  práticas  e  dos  re-­ cursos   de   seus   clientes,   que   se   real-­ mente   estiverem   comprometidos   com   a   sustentabilidade   socioambiental,   irão  celebrar  a  iniciativa  de  seu  for-­ necedor.   Antes   de   adotar   qualquer   programa,  será  necessário  fazer  uma   ampla   avaliação   das   condições   do   negócio   (sua   pegada   ecológica,   a   qualidade   de   relacionamento   com  

SUSTENTABILIDADE SOCIOAMBIENTAL   NA  EMPRESA  -­  BENEFÍCIOS  PRÁTICOS: Pode   parecer   paradoxal   o   que   vou  dizer,  mas  o  benefício  mais  prá-­ tico   e   imediato   de   se   investir   em   sustentabilidade   socioambiental   é   garantir   o   futuro.   Porque   o   futuro   é   prático:   olhando   para   um   horizonte   do   tempo   (o   futuro   sustentável)   e   olhando   ao   redor   (o   presente   que   está  em  risco)  é  mais  do  que  imedia-­ ta  a  necessidade  de  se  reinventar  o   negócio   hoje,   tendo   o   futuro   como   ponto   de   partida.   A   sustentabilida-­ de   socioambiental   já   se   impõe   de   forma   prática   como   estratégia   que   valoriza   a   empresa   como   uma   em-­ presa   que   vai   ter   futuro.   Atrai   mais   investidores,   atrai   funcionários   qua-­ lificados   e   traz   segurança   para   os   clientes.   As   MPE,   nesse   contexto,   podem   enquadrar   esse   futuro   den-­ tro   de   suas   localidades,   suas   cer-­ canias,  envolvendo  as  comunidades   locais   engajadas   na   direção   de  

uma vida   melhor.   A   expansão   dos   pequenos   empreendimentos   amplia   essa   possibilidade:   pela   sua   proxi-­ midade   com   a   realidade   local,   as   Micro  e  Pequenas  Empresas  têm  mais   condições  de  criar,  estimular  e  ado-­ tar   programas   de   sustentabilidade   socioambiental   não   só   para   o   seu   negócio,   como   também   para   a   co-­ munidade   em   que   atuam,   criando   o   que  lá  fora  se  chama  de  “ living  eco-­ nomies”  (economias  vivas). COMO  IMPLANTAR  OS  PROGRAMAS  SO-­ CIOAMBIENTAIS? É  preciso  olhar  para  o  entorno  an-­ tes   de   começar   qualquer   programa,   identificar   os   desafios   que   afetam   as   pessoas,   os   mercados,   as   socie-­ dades,   além   de   observar   o   estado   ecológico   de   sua   localidade.   Daí,   começar  a  perguntar  como  a  empre-­ sa   poderá   ajudar   a   mudar   o   estado   atual   das   condições   socioambien-­ tais  em  consonância  com  a  natureza   do   negócio,   para   que   haja   vinculo   estratégico   no   programa   que   for   adotado.   Tem   que   ser   bom   para   to-­ dos:  para  a  empresa,  para  a  comuni-­ dade,  para  o  Brasil  e  para  o  mundo.

EMPREGOS VERDES A  economia  verde  cria  postos  de  trabalho  em  uma  ampla  gama  de  setores  da  economia  como  emergência  de  novos  mercados  e   crescer,  tal  como  na  agricultura  orgânica,  energia  renovável,  retrofits  de  construção  para  a  eficiência  energética,  transporte  públi-­ co,  recuperação  de  marrom-­campo  sites,  e  reciclagem,  entre  outros. Empregos  decentes,  com  alta  produtividade  do  trabalho,  bem  como  de  alta  eco-­eficiência  e  baixas  emissões,  mantenha  a  pro-­ messa  de  proporcionar  o  aumento  da  renda,  estimular  o  crescimento  e  ajudar  a  proteger  o  clima  e  o  meio  ambiente.  Tais  empregos   verdes  já  existem  e  alguns  têm  visto  crescimento  elevado,  por  exemplo,  como  um  resultado  do  investimento  em  eficiência  energética. Disponível  em:  http://www.unep.org/greeneconomy/.  Acesso  em:  06/05/2012.

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$VXVWHQWDELOLGDGHPRELOL]DGDSHOD03( ECONOMIA VERDE  E  GANHOS  EMPRESA-­ RIAIS  DE  MERCADO A   era   da   informação   abriu   as   cor-­ tinas   para   que   as   empresas   pudes-­ sem   se   posicionar   em   suas   atitudes   éticas,  transparentes  e  inclusivas.  Do   outro   lado   desse   cenário,   estão   os   consumidores   cada   vez   mais   vigilan-­ tes   e   conscientes   em   suas   relações   comerciais.   Estamos   saindo   do   velho   modelo   econômico   e   ainda   tentan-­ do  definir  um  novo  modelo  não  muito   nítido  até  o  momento.  O  que  se  esta-­ belece   como   ponte   entre   o   velho   e   o   novo   é   a   chamada   Economia   Ver-­ de   que,   apesar   do   nome   se   inclinar   mais   para   o   aspecto   ecológico,   se   preocupa   com   a   inclusão   social,   ou   seja,  Economia  Verde  inclusiva.  Den-­ tro  dessa  transição,  já  existem  várias   oportunidades   que   podem   ser   con-­ sideradas   pelas   empresas,   a   exem-­ plo   dos   países   mais   avançados.   Na   Europa,   em   especial   na   Alemanha,   a   maioria   dos   empregos   verdes   está   alocada   nas   Micro   e   Pequenas   Em-­ presas.  Segundo  pesquisa,  em  2012,   na  União  Europeia,  um  em  cada  oito   trabalhadores   das   MPE   têm   um   em-­ prego  verde.  Isso  significa  quase  13%   de  todos  os  empregos  das  MPE.  Nas   grandes   empresas,   esse   índice   é   de   apenas  3%.  Esse  mesmo  estudo  prevê   um   crescimento   de   35%   nos   próximos   anos   na   Europa   (Pesquisa   Euroba-­ rometer   da   União   Europeia,   2012).     Temos  notícias  positivas  e  impressio-­ nantes  sobre  as  perspectivas  de  uma   Economia   Verde.   A   última  edição  de   2012,   do   Green   Transition   Scorebo-­ ard  (Placar  da  Transição  Verde),  fer-­ ramenta   que   monitora   investimentos   do   capital   privado   em   tecnologias   verdes,   informa   que   o   montante   des-­ se  capital  verde  gira  em  torno  de  3,3   trilhões  de  dólares.    Segundo  matéria   publicada   no   portal   Mercado   Ético   “uma   das   surpresas,   deste   ano,   foi   o   crescimento   da   participação   da   Ásia,  da  Europa  e  da  América  Latina,   que   estão   emparelhadas   com   Esta-­ dos  Unidos,  no  volume  de  investimen-­ tos  verdes”.

“Pela sua   proximidade   com   a   realidade   local,   as   Micro   e   Pequenas   Empresas   têm   mais   condições   de   criar,   estimular   e   adotar  programas  de  sustentabilidade  socioambiental  não  só   para   o   seu   negócio,   como   também   para   a   comunidade   em   que  atuam,  criando  o  que  lá  fora  se  chama  de  “living  econo-­ mies”  (economias  vivas).”

“A sustentabilidade   socioambiental   já   se   impõe   de   forma   prática   como   estratégia   que   valoriza   a   empresa   como   uma   empresa  que  vai  ter  futuro.  Atrai  mais  investidores,  atrai  funcio-­ nários  qualificados  e  traz  segurança  para  os  clientes.” HÁ  GANHOS  ECONÔMICOS  POR  INVES-­ TIR  NA  GESTÃO  AMBIENTAL? Os   ganhos   existem,   e   são   muitos,   desde   que   as   ações   sejam   plane-­ jadas   e   coerentes   com   o   negócio   e   sintonizadas   com   o   contexto   so-­ cioambiental.  Não  podem  ser  ações   isoladas  como,  por  exemplo,  apenas   voltadas   a   filantropia.   O   valor   es-­ tratégico   da   gestão   ambiental   está   em  oferecer  ganhos  econômicos  por   meio   de   iniciativas   ecoeficientes,   que   reduzam   custos   e   gerem   valor   à   medida   que   cada   ação   seja   es-­ tudada   não   somente   a   curto,   mas   a   médio   e   longo   prazo.   Importante  

“Na Europa,   em   especial   na   Alemanha,   a   maioria   dos   em-­ pregos   verdes   está   alocada   nas   Micro,   Pequenas   e   Médias   Empresas.  Segundo  pesquisa,  em  2012,  na  União  Europeia,  um   em  cada  oito  trabalhadores  das  MPE  têm  um  emprego  verde.   Isso  significa  quase  13%  de  todos  os  empregos  das  MPE.”

“Tem que   ser   bom   para   to-­ dos:   para   a   empresa,   para   a   comunidade,   para   o   Brasil   e   para  o  mundo.” não   considerar   apenas   os   ganhos   tangíveis   (quantitativos),  que   dizem   respeito  ao  balanço  financeiro,  mas   também  os  ganhos  intangíveis  (qua-­ litativos)   que   têm   a   ver   com   o   nível   de   confiança   do   mercado,   com   a   reputação   da   empresa,   com   o   grau   de  fidelidade  dos  clientes.     Muitas  vezes,  esses  ganhos  econô-­ micos   passam   a   existir   não   somente   com   a   revisão   de   processos   produ-­ tivos  ou  adoção  de  práticas  susten-­ táveis,   mas   também   com   a   criação   de   novos   negócios   baseados   em   produtos   e   ser viços   ambientais   que   possam  gerar  receitas  novas  ao  car-­ dápio   tradicional   do   portfólio   da   empresa.

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“Seria dialogar   com   vários   interlocutores,   principalmente   as  empresas  grandes  que  são   seus   clientes.   Por   meio   desse   diálogo,   poderão   ser   identi-­ ficados   processos   de   como   ampliar   os   programas   socio-­ ambientais   dos   clientes   por   meio  da  cadeia  de  suprimen-­ tos,  de  forma  a  complementá-­ -­los   ou   entrar   em   consonân-­ cia  com  eles.”

QUE DICAS  VOCÊ  DARIA  PARA  AS  MICRO   E  PEQUENAS  EMPRESAS  NO  QUE  SE  RE-­ FERE  A  GANHOS  DE  MERCADOS  SUSTEN-­ TÁVEIS? Recomendo   acessar   estudos   e   pesquisas   sobre   comportamento   de   consumidores,  muitos  desses  estudos   indicam   preferência   por   produtos   sustentáveis.   Especial   atenção   aos   orgânicos,   que   antes   eram   apenas   um   luxo   para   poucos   e   que   hoje   passam   a   ampliar   a   base   de   consu-­ midores  interessados  no  bem-­estar  e   preocupados   com   a   saúde.     Alguns   consumidores   até   se   dizem   dispos-­ tos  a  pagar  um  pouco  mais  caro  por   produtos  mais  saudáveis.

“O valor   estratégico   da   gestão   ambiental   está   em   oferecer   ganhos   econômicos   por  meio  de  iniciativas  ecoe-­ ficientes,   que   reduzam   custos   e   gerem   valor   à   medida   que   cada   ação   seja   estudada   não   somente   a   curto,   mas   a   médio  e  longo  prazo.”

HÁ GANHOS   DE   IMAGEM   POR   INVESTIR   NA  GESTÃO  AMBIENTAL? Certamente,  há  ganhos  de  imagem   na   medida   em   que   os   consumidores   e  clientes  passam  a  ser  mais  criterio-­ sos  e  vigilantes  em  suas  decisões  de   compra   ou   de   contratação.   As   em-­ presas   que   investem   em   gestão   am-­ biental   já   passam   a   garantir   maior   qualidade   desses   relacionamentos,   que   prezam   a   fidelidade,   o   respei-­ to,   a   admiração.     Mas   é   preciso   ter   cuidado:   não   entrar   nas   armadilhas   de   se   fazer   marketing   excessivo   em   cima   disso,   nem   de   adotar   ações   oportunistas,   sem   um   lastro   legíti-­ mo,   que   não   comprove   a   seriedade   da  ação.  Muitas  vezes,  as  empresas   acham  que  investir  em  imagem  é  sair   bem  na  foto  por  uma  ou  outra  ação   isolada   do   contexto   lá   fora   e   do   contexto   dentro   do   negócio   e   pelo   caráter   imediatista   poderá   render   alguma  venda  adicional,  porém  não   vai   garantir   durabilidade   na   per-­ cepção  positiva  da  imagem. A  preferência  pelo  ecologicamen-­ te  correto  tem  crescido  e  com  isso  a   empresa  pode  se  posicionar  de  for-­ ma   adequada   em   sua   comunicação   e  em  seu  marketing.

“Muitas vezes,   esses   ganhos   econômicos   passam   a   existir   não  somente  com  a  revisão  de  processos  produtivos  ou  ado-­ ção  de  práticas  sustentáveis,  mas  também  com  a  criação  de   novos  negócios  baseados  em  produtos  e  serviços  ambientais   que  possam  gerar  receitas  novas  ao  cardápio  tradicional  do   portfólio  da  empresa.  ”

“É preciso  olhar  para  o  entorno  antes  de  começar  qualquer  programa,  identificar  os  desafios   que  afetam  as  pessoas,  os  mercados,  as  sociedades,  além  de  observar  o  estado  ecológico   de  sua  localidade.”

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$VXVWHQWDELOLGDGHPRELOL]DGDSHOD03( “Antes de  adotar  qualquer  programa,  será  necessário  fazer  uma  ampla  avaliação  das  con-­ dições  do  negócio  (sua  pegada  ecológica,  a  qualidade  de  relacionamento  com  seus  públi-­ cos)  e  identificar  quais  as  áreas  que  necessitam  de  melhoria  ou  mudanças  radicais.”

TENDÊNCIAS DE  FUTURO  NA  ECONOMIA  VERDE

“A plataforma   Mercado   Éti-­ co,   uma   plataforma   de   mí-­ dia   para   a   sustentabilidade,   criada   pela   futurista   Hazel   Henderson,   espera   que   in-­ vestidores   globais   destinem,   pelo  menos,  10%  de  seu  capi-­ tal  para  empresas  ligadas  ao   desenvolvimento   sustentável,   colocando   os   mercados   ver-­ des   no   caminho   para   alcan-­ çar   os   10   trilhões   de   dólares   investidos  até  2020”

Levando-­se em   conta   os   muitos   estudos   que   indicam   que   é   preciso   se   investir  um  trilhão  de  dólares,  anualmente,  até  2020,  para  acelerar  a  tran-­ sição   verde   em   todo   o   planeta,   os   resultados   mostram   que   investimentos   sustentáveis  serão  a  realidade  do  mercado  daqui  a  10  anos.    A  plataforma   Mercado   Ético,   uma   plataforma   de   mídia   para   a   sustentabilidade,   criada   pela   futurista   Hazel   Henderson,   espera   que   investidores   globais   destinem,   pelo  menos,  10%  de  seu  capital  para  empresas  ligadas  ao  desenvolvimento   sustentável,   colocando   os   mercados   verdes   no   caminho   para   alcançar   os   10   trilhões   de   dólares   investidos   até   2020,   o   que,   segundo   estudos   mate-­ máticos,  significa  que  energias  renováveis  serão  mais  baratas  que  energias   fósseis,  e  isso  irá  mudar  profundamente  o  sistema  produtivo.   Esse  investimento  de  3,3  trilhões  de  dólares,  apesar  de  ser  impressionante,   ainda   não   inclui   as   pequenas   empresas,   que   estão   fora   do   relatório.     São   milhares  de  MPE  florescendo  em  todo  o  mundo,  indicando  espaços  abertos   para  o  sucesso  da  Economia  Verde  em  nível  local  e  regional,  orquestrados   pelos  pequenos  empreendimentos.

Estado, empresas,   escolas,   organizações   sociais,   centros   de   pesquisa,   comunidades,  famílias,  tudo  faz  parte  de  uma  teia  transformadora  que,  uma   vez  sintonizada  com  forte  propósito  de  provocar  mudança,  mobilizada  por   diálogos  e  processos  cooperativos,  irá  acelerar  o  advento  e  o  sucesso  da   Economia  Verde.  A  transformação  para  uma  Economia  Verde  é  responsabi-­ lidade  de  todos,  porque  impacta  o  Planeta,  impacta  as  empresas  e  a  vida   de  cada  habitante.

“São milhares  de  MPE  flores-­ cendo  em  todo  o  mundo,  indi-­ cando  espaços  abertos  para   o   sucesso   da   Economia   Ver-­ de   em   nível   local   e   regional,   orquestrados  pelos  pequenos   empreendimentos.”

“A transformação  para  uma  Economia  Verde  é  responsabilidade  de  todos,  porque  impacta  o   Planeta,  impacta  as  empresas  e  a  vida  de  cada  habitante.”

Rosa Alegria   é   mestre   em   Estudos   do   Futuro,   pela   Universidade   de   Houston,   Clear   Lake,  (EUA),  especializada  em  sustentabilidade,  pelo  Schumacher  College  (Inglater-­ ra),   vice-­presidente   do   Núcleo   de   Estudos   do   Futuro   (NEF),   vinculado   à   Pontifícia   Universidade  Católica  de  São  Paulo.  Diretora  do  nodo  brasileiro  do  Projeto  Millen-­ nium,   rede   global   de   pesquisas   sobre   os   15   desafios   globais.     Diretora-­fundadora   da  Perspektiva  –  consultoria  especializada  em  pesquisa  de  tendências  e  desenvol-­ vimento  de  cenários  de  futuro.  Trouxe  para  o  Brasil  a  plataforma  multimídia  Mercado   Ético,  liderada  pela  empresária  Christina  Carvalho  Pinto.  Rosa  é  midiativista,  ou  seja,   trabalha  em  favor  de  uma  mídia  construtiva  e  que  promova  a  sustentabilidade,  e  se   destaca  pelo  seu  pensamento  prospectivo,  pautado  nas  tendências  e  nos  cenários   de  futuro,  que  segundo  ela,  são  atratores  de  mudanças  no  presente.  

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PEQUENO NEGÓCIO:  ÁTOMO  DA  SUSTENTABILIDADE

MAURO CASTRO 4XDODLQźXªQFLDGDVJUDQGHVHPSUHVDVQRGLDDGLDGD03("&RPRD empresa  pode  iniciar  seus  processos  de  sustentabilidade  socioambiental? Mauro  Castro,  mestre  em  Engenharia  de  Produção  e  especialista  em  Co-­ municação  e  em  Gestão  de  Empresas,  mostra  que  a  empresa  que  cami-­ nha  para  um  projeto  de  sustentabilidade  tem  que  atuar  na  cultura   organizacional.

INFLUÊNCIAS DAS   GRANDES   CORPORA-­ ÇÕES   NO   DIA   A   DIA   DAS   MICRO   E   PE-­ QUENAS  EMPRESAS O  ambiente  de  negócios  se  molda   em   função   de   modelos   de   grandes   organizações   com   complexas   es-­ truturas   concorrenciais.   Por   conta   desse   sistema,   as   pequenas   e   mé-­ dias   empresas   são   estimuladas   a   produzir   mudanças   muito   mais   pelas   ondas   das   grandes   marcas,   do   que   pelo  concorrente  de  mesmo  porte  e   tamanho. As   principais   ondas   de   mudança   ocorrem   por   forças   macroambien-­ tais,   sejam   econômicas,   culturais,   tecnológicas,   ambientais   ou   polí-­ ticas.   Os   primeiros   a   se   adaptarem   são   organizações   profissionaliza-­ das   e   com   gestão   voltada   para   o   mercado,   geralmente   empresas   pro-­ prietárias   de   grandes   e   renomadas   marcas   que   viram   vitrine   na   mídia   à   sombra   de   qualquer   problema.   De-­ pois,  as  micros  e  pequenas  empresas   vão   filtrando   o   que   é   mais   urgente,   dentro  de  sua  própria  organização.   Essas   empresas   tendem   a   proceder   mudanças  pouco  sensíveis,  sempre  à  

espera de   um   dia   a   mais   de   prazo,   muitas  vezes  em  função  do  caixa  da   empresa. Uma   mudança   significativa   dentro   de   uma   pequena   empresa,   assim,   acontece   em   função   de   uma   for-­ te   vertente   de   negócio   no   próprio   ambiente   organizacional,   ou   por   conta   de   uma   inevitável   e   inadiá-­ vel   mudança   do   ambiente   de   mer-­ cado.   Dentro   desses   dois   cenários   a  empresa  precisa,  primeiro  mudar  a   cabeça   do   sócio   gestor,   e   depois   avaliar   as   despesas   para   reformular   a  estrutura,  os  processos  e  as  pessoas.

“Uma mudança   significati-­ va   dentro   de   uma   pequena   empresa,  assim,  acontece  em   função  de  uma  forte  vertente   de   negócio   no   próprio   am-­ biente   organizacional,   ou   por  conta  de  uma  inevitável   e  inadiável  mudança  do  am-­ biente  de  mercado.”

OS GANHOS  EMPRESARIAIS  COM  A  SUS-­ TENTABILIDADE  AMBIENTAL Sair   de   um   estado   de   acomoda-­ ção   e   colocar   a   visão   em   longo   prazo   de   sobrevivência,   pode   vir   a   ser   importante   ganho   empresa-­ rial.  Entretanto,  por  conta  dos  riscos   associados   a   cada   decisão   de   mu-­ dança,  é  bom  estabelecer  um  cami-­ nho   razoavelmente   planejado   para   a  ação.  Quando  se  trata  de  susten-­ tabilidade,  a  primeira  etapa  é  esta-­ belecer  uma  posição  parametrizada   da   empresa   em   relação   a   ganho   de   mercado   ou   capital,   relaciona-­ da   ao   projeto   de   sustentabilidade.   Para   isso,   o   empresário   pode   usar   meios   simples,   de   baixo   custo   e   de   ações  pontuais.

“Sair de  um  estado  de  aco-­ modação   e   colocar   a   visão   em   longo   prazo   de   sobrevi-­ vência,  pode  vir  a  ser  impor-­ tante  ganho  empresarial.”

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3HTXHQRQHJ³FLR¡WRPRGDVXVWHQWDELOLGDGH COMO A   MICRO   OU   PEQUENA   EMPRE-­ SA  PODE  COMEÇAR?  COMO  IMPLANTAR   OS  PROGRAMAS  SOCIOAMBIENTAIS  NAS   EMPRESAS? Não   há   receita   que   caiba   em   to-­ dos   os   orçamentos,   porém   com   as   devidas   adaptações   é   possível   conseguir   sustentabilidade   em   di-­ ferentes   negócios   e   realidade.   Em   um   país   de   dimensões   continentais   e   diferenças   regionais   marcantes,   é   comum  encontrar  empresas  formadas   por   pessoas   empreendedoras,   po-­ rém  sem  preparo  ou  formação  profis-­ sional.   Acontecem   fatos   marcantes   como  a  absoluta  falta  de  noção  de   gestão   e,   portanto,   medo   de   avan-­ çar   em   modelos   desconhecidos.   Para   simplificar   e   direcionar   mudan-­ ça  de  uma  empresa  para  o  conceito   da  sustentabilidade  a  organização,   o   proprietário   ou   o   gerente   de   um   negócio   com   um   pouco   mais   de   es-­ trutura   pode   usar   o   ÁTOMO.   Essa   figura   é   um   acrônimo   para   Analisar,   Tratar,  Orçar,  Moldar  e  Organizar.  O   caminho  para  a  empresa  olhar  para   dentro   de   si   e   direcionar   esforços   para  um  microambiente  sustentável. Para   abrir   o   ÁTOMO,   deve   come-­ çar   pelo   Analisar.   O   primeiro   passo   é  formar  uma  pergunta  simples:  como   a   empresa   pode   incluir   práticas   sustentáveis   e   tirar   proveito   disso?   Para  responder  a  pergunta  o  gestor   deve  proceder  a  Análise. ÁTOMO  –  ANÁLISE Primeiro   passo,   responder   três   questões   sobre   mercado,   cliente   e   operação.   (1)   Como   as   empresas   do   mesmo   setor   de   atividade   estão   trabalhando?  (2)  Como  o  cliente  da   empresa  percebe  a  questão  da  sus-­ tentabilidade?  (3)  Que  tipo  de  pro-­ cesso,   material   ou   operação   pode   ser   racionalizada,   reintegrada,   reu-­ tilizada  ou  reciclada?   Na   etapa   de   Análise,   o   empresá-­ rio   deve   começar   pela   compara-­ ção.   Buscar   exemplos   de   práticas   que   deram   certo   percebendo   se   algumas   delas   podem   ser vir   como   modelos.   A   modelagem   é   boa   em   duas   direções:   a   primeira,   por   tra-­ zer  de  forma  mais  segura  o  que  deve   ser   feito;;   a   segunda,   por   colocar   a   empresa,   que   está   no   processo   de   mudança,   no   caminho   da   sustenta-­

bilidade, uma  onda  sem  volta  no  mercado.  Para  utilizar  uma  empresa  como   modelo,  o  empresário  não  deve  começar  de  forma  discreta  ou  apenas  por   aproximação.  Tudo  deve  começar  com  atitude  e  determinação.  Marcar  uma   visita  na  empresa  que  já  tem  uma  prática  sustentável  e  fazer  uma  entrevista   em   detalhes   do   que   está   sendo   feito,   efeitos   e   percepções   dos   clientes.   Com  muito  cuidado,  avaliar  o  que  pode  ou  não  ser  copiado  nos  exemplos   práticos  encontrados  na  pesquisa.  O  empresário  deve  avaliar  tempo,  capi-­ tal  e  resultados,  antes  de  decidir  por  um  projeto. Em  alguns  locais,  a  falta  de  casos  práticos  e  ausência  de  literatura  pode   ser   um   impedimento   para   o   empresário.   Nesse   caso   deve   imaginar   o   que   a   empresa  está  desperdiçando  e  como  poderia  fazer  para  minimizar  esse  im-­ pacto.  Avaliar  se  isso,  inclusive,  ajudaria  no  caixa  da  empresa. Para   abrir   o   ÁTOMO,   deve   começar   pelo   Analisar.   O   primeiro   passo   é   formar   uma   pergunta   simples:   como   a   empresa   pode   incluir   práticas   sus-­ tentáveis   e   tirar   proveito   disso?   Para   responder   a   pergunta   o   gestor   deve   proceder  a  Análise. Em  uma  pousada  em  Sítio  do  Conde,  na  Bahia,  pequeno  município  do   litoral  norte,  o  proprietário  começou  uma  pequena  mudança  a  partir  de   uma  situação  desconfortável.  A  pousada  pequena  com  cinco  suítes  era   intensamente  frequentada  no  período  de  alta-­estação.  Aparentemente,   não  havia  problema:  muitos  hóspedes  e  correria  para  atender  todas  as   demandas.  Consertos  e  manutenção,  constantes  substituições  de  peças   nos   equipamentos   de   quartos.   A   lavanderia   era   utilizada   diariamente,   muito   material   de   higiene   e   desinfecção   dos   sanitários   e   adaptações   constante   de   camas,   colchões   e   travesseiros,   para   cada   necessidade   de   um   novo   hóspede.   O   que   se   passava   com   o   proprietário   era   uma   grande   angústia,   de   estar   em   uma   praia   calma,   ambientalmente   equili-­ brada  e  em  contrapartida  ter  uma  pousada  geradora  de  um  substancial   gasto   de   produtos   de   forma   nada   controlada.   A   questão   era   compli-­ cada  de  gerenciar,  pois  os  hóspedes  vinham  e  iam  de  forma  constante,   sem   grandes   preocupações   com   horário,   datas   e   freqüência.   Para   o   proprietário   restava   apenas   uma   certeza:   tinha   que   equilibrar   a   ofer-­ ta   do   ser viço   com   um   gasto   sensato   de   produtos   e   estrutura.   Em   uma   análise   rápida   e   intuitiva,   o   proprietário   entendeu   que   hóspedes   que   ficavam   curto   período   implicavam   em   adaptações   das   suítes,   faxinas   higiênicas  mais  intensas  e  estoques  mais  variados.  Sabia  que  hóspedes   que  ficavam  mais  tempo  na  pousada  resultavam  em  rotinas  de  consumo   e   manutenção   das   suítes   menos   dispendiosas.   A   resposta   da   questão   era  simples  e  sustentável:  manter  o  hóspede  por  mais  tempo  na  pousada.   Simples,  mas  como  fazer? Ter  ideias  sobre  saídas  no  caso  de  problemas  é  até  rápido.  O  que  pode  de-­ morar  ou  gerar  trabalho  e  muito  planejamento  é  detalhar  a  operação  da  ideia.

“Analisar, Tratar,   Orçar,   Moldar   e   Organizar.   O   ca-­ minho   para   a   empresa   olhar   para   dentro   de   si   e   direcio-­ nar   esforços   para   um   micro-­ ambiente  sustentável.”

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3HTXHQRQHJ³FLR¡WRPRGDVXVWHQWDELOLGDGH ÁTOMO –TRANSFORMAR

“Na etapa   de   Análise,   o   empresário   deve   começar   pela   comparação.   Buscar   exemplos   de   práticas   que   deram   certo   percebendo   se   algumas   delas   podem   servir   como  modelos.”

Após a   Análise,   o   empresário   deve   pensar   em   cada   parte   do   processo,   como   um   passo   a   passo.   Esta   é   etapa   da   Transformação,   projetar   como   a   saída  imaginada  vai  inter ferir  na  rotina  da  empresa  e  no  caixa  da  empresa.   A  Transformação  é  uma  etapa  delicada  que  envolve  estrutura,  equipamen-­ tos,  fornecedores  e  a  cultura  da  empresa.  Tudo  isso  culminando  no  resulta-­ do  financeiro.  As  idéias,  quando  trabalhadas  criticamente,  geram  uma  série   de   ações   por   consequência.   Para   começar,   o   empresário   deve   fazer   uma   lista  das  ações  e  providências.  Promover  discussão  com  as  pessoas  envol-­ vidas   na   empresa   e   levantar   questões   de   aprovação   com   alguns   clientes   mais  próximos,  de  forma  a  ver  se  todos  percebem  a  transformação  da  mes-­ ma   forma.   Esta   etapa   não   demanda   muito   tempo,   mas   muita   atenção.   Para   ter   sucesso   na   adaptação   da   empresa   no   processo   de   sustentabilidade,   quanto  mais  bem  pensada  for  a  Transformação,  melhor  o  empresário  estará   preparado  para  partir  para  a  próxima  etapa,  o  Orçamento.

De volta  a  Sítio  do  Conde  na  Bahia,  o  proprietário  da  pousada  resolveu  ser  seletivo  com  os  hóspedes.  Mui-­ tos  hóspedes  deixavam  a  pousada,  com  alta  rotatividade  geravam  desgaste  operacional  e  enormes  contas  a   pagar  durante  todo  o  ano.  A  pousada  pequena  e  com  estrutura  enxuta  precisava  ter  mais  tempo  para  absor ver   as   demandas   dos   hóspedes.   Apesar   do   faturamento   generoso,   o   empresário   não   contabilizava   uma   série   de   gastos  incidentes  no  processo  de  giro  de  clientes.  Na  Análise,  verificou  que  se  ele  aceitasse  apenas  hóspedes   que  permanecessem  mais  dias  na  pousada,  economizaria  em  uma  série  de  ser viços.  Desde  lavanderia,  variação   de  cardápio  e  até  o  horário  de  trabalho  dos  empregados,  teriam  redução  de  custos  por  conta  da  melhor  pro-­ gramação  e  uso  racional  de  produtos  da  hospedagem.  Em  algumas  situações,  a  recepção  da  pousada  deveria   negar   hospedagem   para   pessoas   que   chegavam   sem   reser va.   Perda   de   faturamento,   porém,   em   longo   prazo,   permitia  reser vas  mais  longas,  hóspedes  dispostos  a  pagar  uma  diária  maior  por  conta  do  atendimento  melhor   e   mais   personalizado.   No   processo   de   Transformação,   foi   preciso   aprender   a   dizer   não.   O   não   era   dito   para   hóspedes  que  chegavam  à  recepção  sem  reser va  ou  com  expectativa  de  curta  permanência.  A  Transformação   indicava   que   em   algumas   situações   teriam   que   assumir   ociosidade   nas   instalações   por   conta   de   negativa   a   hóspedes   inesperados.   Para   o   proprietário   da   pousada   as   contas   deveriam   ser   bem   apuradas   para   garantir   qualidade,  sobrevivência  e  sucesso  do  plano.

ÁTOMO –  ORÇAR Para   cada   passo   na   empresa,   para   cada   decisão,   um   orçamento.   Uma   regra   de   finanças   é   que   empresa   sem   orçamento   tem   um   caminho   prescrito   para  a  falência.  Por  uma  questão  de  sobrevivência  da  empresa,  o  orçamen-­ to  auxilia  no  processo  do  fluxo  de  caixa.  Por  melhor  que  a  empresa  esteja,   em  relação  ao  patrimônio  ou  seu  caixa,  deve  estar  preparada  para  surpre-­ sas.   Toda   boa   ideia   sempre   motiva   o   empresário,   parecendo   infalível.   No   entanto,  mostra  a  prática  que  nem  todas  as  boas  ideias  prosperam.  Quando   se  trata  de  mudanças,  Orçar  é  essencial.   Para   ser   prático   em   relação   a   isso,   deve   ser   feito   um   trabalho   em   duas   etapas.  A  primeira  diz  respeito  a  avaliar  os  gastos  diretos  com  a  mudança.   Imaginando  que  o  detalhamento  tenha  sido  realizado  na  etapa  Transforma-­ ção,  fica  simples  levantar  os  desembolsos  futuros,  o  que  pode  impactar  de   forma  diferenciada.  

“Para começar,  o  empresá-­ rio   deve   fazer   uma   lista   das   ações   e   providências.   Pro-­ mover  discussão  com  as  pes-­ soas   envolvidas   na   empresa   e  l evantar  q uestões  d e  a pro-­ vação   com   alguns   clientes   mais  próximos,  de  forma  a  ver   se   todos   percebem   a   trans-­ formação  da  mesma  forma.”

A pousada  em  Sítio  do  Conde  estabeleceu  o  orçamento  fazendo  uma  programação  de  caixa  considerando   a   premissa   que   nem   todos   os   dias   as   suítes   estariam   ocupadas,   mesmo   em   período   de   alta.   Por   conta   da   ne-­ cessidade   de   manter   hóspedes   por   períodos   mais   longos,   ofereceram   pacotes   com   descontos   proporcionais   ao  tempo  de  permanência.  Outra  atenção  foi  dada  ao  estoque  de  produtos  de  cozinha  e  bar,  que  para  evitar   perdas   e   desperdício,   houve   a   redução   de   variedade.   Outra   iniciativa   foi   a   solicitação   de   antecipação   do   pagamento  da  estada,  em  50%  do  valor  na  reser va.  No  levantamento  dos  ajustes  de  caixa  foram  identificadas   algumas  consequências  como  redução  do  faturamento,  por  conta  da  venda  de  hospedagem  em  períodos  mais   longos,  que  se  tornam  menos  frequentes.  Outra  verificação  foi  que  os  gastos  com  trocas  de  roupas  de  cama  e   banho  seriam  reduzidas,  bem  como  diversos  materiais  associados  à  manutenção  da  pousada.

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3HTXHQRQHJ³FLR¡WRPRGDVXVWHQWDELOLGDGH ÁTOMO –  MOLDAR A   empresa   que   caminha   para   um   projeto  de  sustentabilidade  tem  que   atuar   na   cultura   organizacional.   Ter   uma   boa   ideia,   pensar   em   detalhes   e   Orçar   não   garante   que   a   boa   in-­ tenção   vá   adiante.   O   processo   de   implantação,  como  em  outras  tantas   mudanças   que   as   empresas   passam,   precisa   ser   moldado   de   forma   con-­ tínua   e   persistente.   Atitudes   simples   que   aparentemente   são   fáceis   de   implantar,   podem   ser   descartadas   pela   falta   de   atenção   na   continui-­ dade.   Em   boa   parte   pela   dificulda-­ de   em   perceber   os   resultados,   ou   pior,   por   colherem   resultados   nega-­ tivos  em  um  primeiro  momento. O   processo   de   Moldagem   para   uma   nova   proposta   deve   ser   ini-­ ciado   pelo   registro   da   proposição,   uma   política   interna.   Um   conjunto   de   regras   que   deverá   ser   seguido   de   forma   disciplinada.   Porém,   essa   disciplina   precisa   ser   dosada   de   avaliação   para   entender   o   que   os   resultados   indicam   e,   portanto,   como   proceder   a   pequenos   ajustes   de   forma   a   garantir   a   mudança   sem   perder  a  motivação  e  saúde  da  em-­ presa.

“Uma política  interna.  Um  conjunto  de  regras  que  deverá  ser   seguido  de  forma  disciplinada.” Implantar   uma   nova   ideia   sem   ex-­ plorar   melhorias   em   todas   as   outras   áreas  é  insuficiente. A   questão   do   senso   de   organiza-­ ção   deve   vir   como   consequência   de   todo   o   pensar   sustentável.   Ima-­ ginar  que  a  empresa  não  precisa  ter   grandes  gastos  para  ser  sustentável   e   tirar   proveito   dessa   condição   é   o   ideal.   Nesta   linha   é   importante   que   o   empresário   estabeleça   indi-­ cadores   comparativos   para   verifi-­ car  o  quanto  mudou  nos  resultados.   Ações   básicas   da   administração   que   irão   dar   mais   confiança   e   pe-­ renidade  nas  ações.

Não há   dificuldade   em   procurar   saídas   sustentáveis   na   empresa.   O   caminho   começa   em   ter   coragem   e   persistência.   Empresas   comerciais,   com   fins   lucrativos   podem   e   devem   repensar  o  negócio  procurando  me-­ lhores   meios   e   práticas   na   opera-­ ção.   Lembrar   que   o   cliente   é   parte   integrante   da   solução.   Fazer   com   que   as   pessoas   reconheçam   o   es-­ forço   da   empresa.   Demonstrar   que   o   lucro   é   parte   fundamental   e   dire-­ tamente   ligado   à   sustentabilidade,   apenas   com   uma   condição:   que   o   meio  ambiente  ganhe  também.     Ser   pequeno   é   uma   hegemonia.   É   fazer   parte   de   um   ambiente   maior,   mais   complexo.   Ser   pequeno   repre-­ senta   ser   significativa   parcela   de   uma   soma   em   que   todos   sentimos   o   resultado.

“A questão   do   senso   de   organização   deve   vir   como   consequência   de   todo   o   pensar   sustentável.   Imaginar   que   a   empresa   não   precisa   ter   grandes   gastos   para   ser   sustentável   e   tirar   proveito   dessa  condição  é  o  ideal.”

ÁTOMO –  ORGANIZAR Com   o   tempo,   os   ajustes   e   Mol-­ dagem   vão   se   fixando.   Os   novos   processos   parecem   mais   naturais.   Para   o   bom   andamento   do   proces-­ so   sustentável,   a   empresa   precisa   se   entender   como   uma   organiza-­ ção,   um   organismo   vivo   e   sistêmi-­ co.   Desta   forma,   qualquer   ação   de   concorrência   ou   no   ambiente   legal   irão   influenciar   as   ações   na   empre-­ sa.  Também  como  um  sistema  vivo,  a   organização   deve   manter   todas   as   suas  partes  funcionais  em  equilíbrio.  

SER PEQUENA,  E  SUSTENTÁVEL

“Para o   bom   andamento   do   processo   sustentável,   a   empresa   precisa   se   entender   como   uma   organização,   um   organismo  vivo  e  sistêmico.”

Mauro Castro   é   mestre   em   Engenharia   de   Produção,   pela   Universidade   Federal   de   Santa   Catarina   –   UFSC   e   especialista   em   Comunicação   Social,   pelo   Centro   Uni-­ versitário   de   Brasília   -­   UniCEUB.   É   graduado   em   Administração   de   Empresas,   pela   Universidade  Católica  de  Brasília  –  UCB.  Atuou  na  gestão  de  empresas  como  Souza   Cruz,  Abril  e  Grupo  Jorlan.  É  sócio-­gerente  da  NAVEGAR  –  consultoria  e  treinamento   empresarial,   na   qual   atua   como   palestrante,   consultor,   treinador   e   diretor   de   pro-­ jetos.  Apresentou  e  produziu  a  coluna  financeira  Cuide  do  Seu  Bolso,  veiculada  no   Jornal  BAND  Cidade  2ª  edição,  no  canal  4  de  Brasília,  entre  2006  a  2008.  Foi  co-­ mentarista  financeiro  na  Rádio  BAND  NEWS  FM  com  a  coluna  regional  Na  Ponta  do   Lápis,   além   de   professor   por   mais   de   15   anos   de   graduação   e   Pós-­Graduação   em   comercialização,  marketing,  gestão,  planejamento  e  relacionamento.   E-­mail:  mauro.navegar@gmail.com

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A GESTÃO  BASEADA  NO  TRIPÉ  DA  SUSTENTABILIDADE  E  OS   GANHOS  EM  REPUTAÇÃO  E  IMAGEM RICARDO  VOLTOLINI Como   estão   as   empresas   em   relação   ao   Desenvolvimento   Susten-­ tável?   Qual   é   o   papel   da   empresa   para   o   alcance   da   Economia   Verde?  Os  clientes  procuram  por    “produtos  do  bem”? Nesta  entrevista,  Voltolini  fala  sobre  a  inserção  da  sustentabilida-­ de  na  Micro  e  Pequena  Empresa.

COMO ESTÃO  AS  EMPRESAS  EM  RELAÇÃO  AO  DESENVOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL? O   movimento   de   Responsabilidade   Social   Empresarial,   iniciado   no   final   dos   anos   90,   tem,   atualmente,   inserido   nas   estratégias   de   negócios   das   empresas  um  novo  tipo  de  modelo  econômico:  o  tripé  da  sustentabilidade,   em   que   a   gestão   se   baseia   nos   aspectos   econômicos,   sociais   e   ambien-­ tais.  Se  no  princípio  das  discussões  os  empresários  não  se  viam  no  debate,   agora   sentem-­se   intimamente   ligados   à   necessidade   de   inserir   a   sustenta-­ bilidade   nos   processos,   procedimentos   e   produtos,   para   que   mantenham   suas   posições   competitivas   no   mercado.     A   aplicação   prática   é   cobrada,   e   aumenta-­se   o   senso   de   urgência   para   que   as   empresas   tenham   um   modo   mais  sustentável  de  produção  e  entrega,  os  consumidores  alcancem  a  prá-­ tica  do  consumo  consciente  e  os  governos  possam  regular  e  fiscalizar. OS  CLIENTES  PROCURAM  POR  PRODUTOS  “DO  BEM”? Existem   dois   tipos   de   clientes   neste   processo:   muitas   Micro   e   Pequenas   Empresas   são   fornecedores   das   grandes   empresas   ou   corporações.   Essas,   assim,   cobram   de   seus   fornecedores   a   gestão   baseada   no   tripé   da   sus-­ tentabilidade,   como   critério   de   participação   na   cadeia   de   produção   e   distribuição.   Desta   forma,   percebe-­se   a   ampliação   de   um   círculo   virtuoso   movido  pelas  grandes  empresas.   Já   o   consumidor   final   está   em   processo   de   envolvimento.   De   cada   dez   consumidores   brasileiros,   dois   estão   atentos   e   sensíveis,   preocupados   e   valorizando  as  questões  de  sustentabilidade  na  hora  de  comprar  o  produto   ou   ser viço.   Os   consumidores   de   países   europeus   e   escandinavos   já   estão   bem  à  frente  em  termos  de  exigir  a  sustentabilidade  nas  empresas.  Percebe-­ -­se   que   os   consumidores   de   alta   renda   têm   hábitos   de   consumo   bem   pa-­ recidos   com   os   dos   europeus.   Temos,   entretanto,   dois   obstáculos   a   serem   superados:  ainda  faltam  produtos,  criteriosamente,  mais  sustentáveis.  E  falta   a  comunicação  desse  benefício  como  valor  adicional.

QUAL É   O   PAPEL   DA   EMPRESA   PARA   O  ALCANCE  DA  ECONOMIA  VERDE? O  termo  Economia  Verde  cria  uma   oposição   ao   atual   modelo   eco-­ nômico,   já   desgastado,   que   gera   riqueza,   mas   não   dá   conta   do   im-­ pacto   social   decorrente   da   desi-­ gualdade   de   renda   e   nem   mesmo   do   impacto   ambiental.   O   modelo   de   consumo   desenfreado   aquece   o  Planeta  por  utilizar  em  excesso  os   recursos   naturais.   A   ecoeficiência,   representada   pelo   melhor   uso   dos   recursos   naturais   e   escassos,   traz   muitos  ganhos  para  a  empresa:  eco-­ nomiza  recursos;;  melhora  o  ambiente   de  negócios;;  auxilia  na  retenção  de   funcionários  talentosos  e  atrai  clien-­ tes.  A  gestão,  baseada  na  sustenta-­ bilidade,   reduz   custos   e   dá   acesso   a   novos   mercados.   Ela   estabelece   melhores  relações  com  seus  públicos   de   interesse   de   forma   a   envolver   os   consumidores,   fornecedores,   socie-­ dade   e   comunidade   para   práticas   baseadas   no   desenvolvimento   sus-­ tentável.

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Sustentabilidade: ganhos  em  reputação  e  imagem COMO  AS  MICRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS  PODEM  COMEÇAR? O   tamanho   da   nossa   responsabilidade   é   correspondente   ao   tamanho   de   nosso   impacto.   Deve-­se,   assim,   fazer   um   diagnóstico   dos   impactos   ambientais   e   sociais   causados,   estabelecendo   um   plano   de   trabalho   em   busca   da   sustentabilidade.  Costumo  sugerir,  entretanto,  sete  passos: Supere  a  inércia  –  elimine  obstáculos  mentais.  As  dificuldades  estão  no  modelo  mental. Tome  atitude.  Obser ve  os  seus  impactos  e  decida  os  passos  para  tomar  a  atitude. Identifique  os  impactos  sociais  e  ambientais  que  sua  empresa  produz.  Busque  o  equilíbrio  econômico,  so-­ cial  e  ambiental.  O  melhor  lucro  é  aquele  que  vem  do  processo  ecoeficiente  e  do  desenvolvimento  social. Reduza  ou  elimine  os  impactos.  Avalie,  por  exemplo,  como  economizar  energia,  água  e  papel.  Considere,   inclusive,  os  processos  mais  simples,  como  a  instalação  de  arejadores,  sensores  na  torneira  ou  mesmo  da  des-­ carga  inteligente.  Implante  um  sistema  de  destinação  seletiva  dos  resíduos  sólidos  para  reciclagem;;  repense   a   forma   de   utilização   do   transporte   na   empresa,   utilizando,   por   exemplo,   rotas   econômicas   e   combustíveis   mais   eficientes.   Contrate   profissionais   da   comunidade   vizinha,   minimizando   os   desgastes   de   locomoção,   e   assegure  a  eles  os  direitos  como  trabalhador,  incluindo  um  ambiente  saudável,  compromissos  éticos  em  con-­ sonância   com   a   cultura   da   empresa.   Priorize   contratação   de   populações   de   baixa   renda.   Dê   preferência   aos  fornecedores  que  já  estão  se  inserindo  na  cadeia  de  produção  ecoeficiente. Priorize   as   ações.   Estabeleça   um   plano,   realizando   um   passo   de   cada   vez.   Inclua   as   ações   num   planeja-­ mento  e  defina  como  controlar  e  avaliar  resultados. Eduque   os   públicos   de   interesse:   a   sustentabilidade   é   um   ato   coletivo.   Os   funcionários,   fornecedores,   clientes   e   comunidade   vizinha   precisam   compartilhar   os   princípios   de   sustentabilidade   estabelecidos   por   sua  empresa.  Afinal,  todos  saem  ganhando  quando  o  processo  de  mudança  é  transformado  em  algo  coleti-­ vo.  E  lembre-­se:  muitas  das  melhores  ideias  vêm  da  contribuição  de  colaboradores,  clientes  e  fornecedores. Comunique  sua  prática.  Divulgue  as  ações  positivas,  para  que  sejam  replicadas.  Comunique  o  valor  do  que   está  fazendo  para  todos  os  públicos  de  relacionamento  da  empresa.

COMO IDENTIFICAR  UMA  EMPRESA  AMBIENTALMENTE  SUSTENTÁVEL? É  preciso  estar  atento  às  informações  da  mídia.  Jornais,  revistas,  internet,  emissoras  de  rádio  e  TV  apresentam,   diariamente,   questões   de   impacto   ambiental,   denunciando   aquelas   empresam   que   prejudicam   socialmente   ou   ambientalmente.  No  ato  da  compra,  verifique  se  há  selos  verdes  auditados  por  uma  terceira  parte.  Por  exemplo,   um  selo  do  Procel  ou  FSC.  Perceba  se  o  selo  diz  respeito  a  uma  parte  do  produto  ou  ao  produto  inteiro.

O jornalista   Ricardo   Voltolini   é   um   dos   primeiros   consultores   em   sustentabilidade   empresarial   no   Brasil,   tendo   atendido   algumas   das   mais   importantes   organizações   brasileiras  como  Bradesco,  Caixa  Econômica,  Camargo  Correia,  Claro,  Fibra,  Itau-­ tec,   Natura,   Odebrecht,   SENAC-­SP,   SEBRAE-­SP,   SESC-­SP,   Ultragaz,   Unimed,   entre   outras.   Diretor-­presidente   da   Ideia   Sustentável:   Estratégia   e   Inteligência   em   Sus-­ tentabilidade,   publisher   da   revista   Ideia   Sustentável   (a   primeira     especializada   em   tendências   de   sustentabilidade),   autor   de   Conversas   com   Líderes   Sustentáveis   (Senac-­SP/2011)   e   idealizador   da   Plataforma   Liderança   Sustentável.   É   professor   de   sustentabilidade   nos   MBAs   (Master   Business   Administration)   da   Fundação   Dom   Cabral,   da   Fundação   Instituto   de   Administração   (FIA),   da   Escola   Politécnica,   da   Universidade  de  São  Paulo,  e  da  Associação  Brasileira  de  Comunicação  Empresa-­ rial  (ABERJE).  Nos  últimos  cinco  anos,  realizou  mais  de  650  seminários,  workshops  e   cursos  por  todo  o  país. Ricardo  VoltolinI  é  diretor-­presidente  de  Ideia  Sustentável:  Estratégia  e  Inteligência   em  Sustentabilidade.   Leia  mais:  http://www.ideiasustentavel.com.br/

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A DIMENSÃO  AMBIENTAL  NA  GESTÃO  DOS  NEGÓCIOS

DENIS DONAIRE Quais  são  os  benefícios  da  gestão  ambiental?  Como  obter  resulta-­ dos  na  implantação  da  gestão  sustentável  na  empresa? Denis  Donaire,  doutor  e  mestre  em  Administração  e  autor  em  livros   e  revistas  especializadas,  mostra  a  importância  de  se  envolver  os   funcionários  nos  processos  de  gestão  para  a  sustentabilidade  so-­ cioambiental,  e  enfatiza  os  ganhos  econômicos  e  empresariais  com   esta  tomada  de  decisão.

O QUE   É   ECONOMIA   VERDE   E   SUS-­ TENTABILIDADE  AMBIENTAL? A   Economia   Verde,   decorrente   da   crescente   preocupação   com   a   sus-­ tentabilidade   ambiental   das   orga-­ nizações,   é   fruto   de   uma   mudança   muito  grande  no  ambiente  em  que  as   empresas   operam:   as   empresas,   que   eram  vistas  apenas  como  instituições   econômicas   com   responsabilidades   referentes   a   resolver   os   problemas   econômicos   fundamentais,   têm   pre-­ senciado  o  surgimento  de  novos  pa-­ péis  que  devem  ser  desempenhados,   como   resultado   das   alterações   no   ambiente  em  que  elas  operam. A  influência  dessa  mudança  no  am-­ biente   afeta   de   forma   diferente   as   micro,   pequenas,   médias   e   grandes   empresas  e  isto  tem  acarretado  dife-­ renças  de  percepção  por  parte  das   organizações   e   de   seus   administra-­ dores.   Assim,   em   adição   às   suas   ha-­ bilidades  técnicas,  administrativas  e   de  relacionamento  humano.  O  admi-­ nistrador   das   corporações   moder-­ nas   deve   desenvolver   habilidades   que  se  evidenciem  importantes  para   o   entendimento   do   contexto   social  

e político  do  ambiente  externo,  que   envolve  a  tarefa  de  administrar  e  no   qual  a  questão  da  sustentabilidade   ambiental  tem  assumido  significativa   importância.  Dessa  forma,  as  organi-­ zações  devem  colaborar  para  a  so-­ lução  das  questões  que  envolvem  a   comunidade,  não  só  porque  possam   ter   contribuído   para   seu   surgimen-­ to,   mas   também   porque   dispõem   de   talento   gerencial,   especializações   técnicas  e  disponibilidade  de  recur-­ sos   e   de   materiais   que   poderão   ser   extremamente   úteis   no   melhor   equa-­ cionamento  de  tais  problemas. QUAIS   SÃO   OS   GANHOS   E   BENEFÍ-­ CIOS? A   partir   dos   anos   80   do   sécu-­ lo   passado,   notadamente   na   Ale-­ manha   Ocidental,   muitas   empresas   começaram   a   verificar   que   as   des-­ pesas   realizadas   com   a   proteção   ambiental   podem,   paradoxalmente,   transformar-­se   em   vantagem   compe-­ titiva  e,  gradativamente,  passaram  a   incluir   na   gestão   de   seus   negócios   a   dimensão   ambiental.   Várias   foram   as   razões   para   que   isso   ocorresse:   sentido  de  responsabilidade  ecoló-­

gica, requisitos   legais,   salvaguarda   da   empresa,   imagem,   proteção   do   pessoal,  pressão  do  mercado,  qua-­ lidade  de  vida  e  lucro. Em   adendo   a   isso,   North   (1992),   além   de   caracterizar   os   benefícios   da   gestão   ambiental   expostos   no   quadro   1,   enumera   os   seguintes   ar-­ gumentos  para  que  uma  empresa  se   engaje  na  causa  ambiental: -­Aceite   primeiro   o   desafio   am-­ biental  antes  que  seus  concorrentes   o  façam;; -­Seja   responsável   em   relação   ao   meio   ambiente   e   torne   isso   conhe-­ cido.   Demonstre   aos   clientes,   for-­ necedores,   governo   e   comunidade   que   a   empresa   leva   as   questões   ambientais   a   sério,   e   que   desen-­ volve   práticas   ambientais   de   forma   eficiente;; -­Utilize  formas  de  prevenir  a  polui-­ ção.   Ser   considerada   uma   empresa   amigável   ao   ambiente,   especial-­ mente   se   ela   supera   as   regulamen-­ tações   exigidas,   propicia   vanta-­ gens   de   imagem   em   relação   aos   concorrentes,   consumidores,   comu-­ nidade  e  órgãos  governamentais.

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A dimensão  ambiental  na  gestão  dos  negócios -­Ganhe   o   comprometimento   do   pessoal.   Com   o   crescimento   da   pre-­ ocupação   ambiental,   as   pessoas   não   querem   trabalhar   em   organiza-­ ções   consideradas   poluidoras.   Ter   empregados,   dedicados   e   compro-­ metidos   depende,   também,   de   uma   imagem  institucional  positiva.

POR ONDE  COMEÇAR?

“Empregados serão   os   responsáveis   por   garantir,   internamente,   a   imagem   am-­ biental  da  empresa  e  disse-­ minar   junto   à   comunidade   local.”

BENEFÍCIOS DA  GESTÃO  AMBIENTAL BENEFÍCIOS  ECONÔMICOS ECONOMIA  DE  CUSTOS

Economias devido  à  redução  de  energia,  água  e  outros  insumos;; Economias  devido  à  reciclagem,  venda,  e  aproveitamento  de  resíduos   e  diminuição  de  efluentes;; Redução  de  multas  e  penalidades  por  poluição. INCREMENTO  DE  RECEITAS

Aumento da   contribuição   marginal   de   “ produtos   verdes”   que   podem   ser  vendidos  por  preços  mais  altos;; Aumento  da  participação  no  mercado  devido  à  inovação  dos  produ-­ tos  e  menos  concorrência;; Linhas  de  novos  produtos  para  novos  mercados;; Aumento   da   demanda   para   produtos   que   contribuam   para   a   diminui-­ ção  da  poluição. BENEFÍCIOS  ESTRATÉGICOS Melhoria  da  imagem  institucional;; Renovação  do  “ portfólio”  de  produtos;; Aumento  da  produtividade;; Aumento  do  comprometimento  do  pessoal;; Melhoria  nas  relações  de  trabalho;;   Melhoria  e  criatividade  para  novos  desafios;; Melhoria  das  relações  com  os  órgãos  governamentais,  comunidade  e   grupos  ambientalistas;;   Acesso  assegurado  a  novos  mercados;; Melhor  adequação  aos  padrões  ambientais.

Na verdade,  existem  várias  manei-­ ras   pelas   quais   uma   organização   pode  incorporar  a  questão  ambien-­ tal.   Uma   primeira   possibilidade   é   avaliar   seu   potencial   poluidor   em   razão   do   ramo   de   atividade,   dos   produtos   e   processos   industriais   utilizados,   do   nível   de   consciência   ambiental   existente,   dos   padrões   ambientais,   do   comprometimento   gerencial   e   da   existência   de   capi-­ tal. Outra   abordagem   seria   aquela   que,   sob   o   aspecto   ambiental,   en-­ volve   a   identificação   das   ameaças   e   oportunidades,   relacionando-­as   com   os   pontos   fortes   e   fracos   da   empresa.   A   discussão   da   situação   da  empresa  e  o  desenvolvimento  de   cenários  futuros  resultarão  em  novos   direcionamentos   e   planos   que   per-­ mitirão   tirar   vantagens   das   oportu-­ nidades   possíveis,   prevenir   as   ame-­ aças   potenciais,   manter   os   pontos   fortes  e  minimizar  ou  eliminar  os  pon-­ tos  fracos. É  bom  não  esquecer,  também,  que   os   empregados   serão   os   respon-­ sáveis   por   garantir,   internamente,   a   imagem   ambiental   da   empresa   e   disseminar   junto   à   comunidade   lo-­ cal  onde  vivem.  Da  mesma  forma,  os   empresários   e   a   alta   administração   têm  importante  papel  na  transmissão   dessa  imagem  para  o  mundo  exterior   da   empresa,   notadamente   junto   à   sociedade,  ao  governo  e  ao  órgão   de  controle  ambiental.

Denis Donaire  é  livre-­docente,  doutor  e  mestre  em  Administração,  pela  Fa-­ culdade   de   Economia,   Administração   e   Contabilidade,   da   Universidade   de  São  Paulo  (FEA/USP),  professor  de  Pós-­Graduação  da  FEA/USP,  da  Uni-­ versidade   Municipal   de   São   Caetano   do   Sul   (USCS)   e   da   Universidade   Cidade  de  São  Paulo  (UNICID).  Atualmente,  é  pró-­reitor  da  USCS.  Foi  pre-­ sidente  da  Comissão  de  Pós-­Graduação  da  UNICID,  diretor  de  Pesquisa  e   Pós-­Graduação  da  Universidade  de  Mogi  das  Cruzes,  diretor  da  Faculda-­ de   de   Ciências   Econômicas   e   Administrativas   da   Fundação   Santo   André,   coordenador  do  Programa  de  Mestrado  em  Administração  da  Universidade   Paulista  (UNIP),  coordenador  do  Programa  de  Mestrado  da  UNICID  e  vice-­   coordenador   administrativo   de   Programa   de   Pós-­Graduação   da   FEA/USP.   Autor   de   trabalhos   apresentados   no   Brasil   e   no   exterior   e   de   publicações   de  livros  e  em  revistas  especializadas.

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COMÉRCIO JUSTO  E  A  RELAÇÃO  PRODUÇÃO  E  CONSUMO

NAJI HARB O  que  é  Comércio  Justo?  Como  a  Micro  e  Pequena  Empresa  deve   se  envolver?  Qual  é  o  papel  de  cada  ator  no  processo  de  produ-­ ção  e  distribuição?   Naji  Harb  é  economista  e  trabalha  na  Fairtrade  Brasil,  associação   de   Comércio   Justo.   Nesta   entrevista,   mostra   o   espaço   da   Micro   e   Pequena   Empresa   no   Fairtrade   enfatizando   uma   nova   forma   de   fazer  negócios  em  que  todos  os  atores  envolvidos  no  processo  de   produção  e  consumo  conquistam  ganhos.

O QUE   É   FAIRTRADE,   E   O   QUE   RE-­ PRESENTA   PARA   A   MICRO   E   PEQUE-­ NA  EMPRESA? O   conceito   de   Fairtrade   ou   Co-­ mércio   Justo   existe   há   mais   de   40   anos,   mas   foi   somente   por   volta   de   1980   que   os   processos   e   proce-­ dimentos   foram   organizados   para   atendimento  em  grande  escala.  Co-­ mércio   Justo   é   simplesmente   abrir   as   portas   a   um   mundo   melhor   para   os   pequenos   produtores   rurais   margi-­ nalizados,   que   passam   a   se   inserir   em   uma   nova   forma   de   fazer   negó-­ cios   em   que   todos   os   atores   envol-­ vidos   no   processo   de   produção   e   consumo  ganham,  com  dignidade. O   Comércio   Justo   tem   o   objetivo   de   aliviar   a   pobreza   dos   pequenos   produtores   rurais   nos   países   menos   desenvolvidos,   bem   como   abolir   o   racismo   e   o   trabalho   infantil,   forta-­ lecer   a   igualdade   social   e   o   papel   das   mulheres,   incentivar   cooperati-­ vas   em   que   todos   ganham   e   ofere-­ cer   produtos   de   qualidade.   Neste   modelo,   orienta-­se   sobre   o   respeito   ao   meio   ambiente   de   forma   a   dimi-­ nuir   ou   eliminar   o   uso   dos   agrotóxi-­ cos. COMO   CONTROLAR   OS   PROCES-­ SOS  NO  COMÉRCIO  JUSTO? É  fato  que,  para  ser  efetivo,  o  mo-­ delo   de   Comércio   Justo   depende   dos   diversos     atores   envolvidos   no   processo,   sobretudo   os   produtores,   comerciantes   e   consumidores.   Para   que   o   consumidor   tenha   segurança  

sobre o   modelo,   bem   como   sobre   o   preço   justo   ao   adquirir   um   produto,   produtores  e  comerciantes  recebem   auditorias  anuais  da  FLO-­Cert  -­  Cer-­ tificadora   internacional   do   Comér-­ cio   Justo.     O   selo   garante   o   sistema   e  modelo  ambiental;;  reafirma  a  exa-­ tidão   do   preço,   bem   como   garante   que   os   produtores,   comerciantes   e   demais   atores   da   cadeia   alcancem   uma  margem  de  lucro  suficiente  para   manter   suas   famílias,   investir   para   o   crescimento   econômico   e   contribuir   para   a   melhoria   contínua   da   comu-­ nidade  em  que  estão  inseridos.

“Os produtores   são   audi-­ tados   a   partir   de   indicado-­ res  claros  e  objetivos.” O  QUE  CABE  AOS  PRODUTORES? Para   um   produtor   rural   ter   a   cer-­ tificação   Fairtrade/Comércio   Justo,   precisa   fazer   parte   de   uma   asso-­ ciação   ou   cooperativa,   eliminar   o   uso   de   agrotóxicos   não   permitidos,   estabelecer   um   plano   de   negócios   incluindo   os   princípios   de   gestão   ambiental  e  atender  aos  critérios  de   trabalho   descente,   destacando-­se   a   não   existência   de   trabalho   infan-­ til,   valorização   da   mulher   e   ausên-­ cia   de   racismo,   dentre   outros.   Os   produtores   são   auditados   a   partir   de  indicadores  claros  e  objetivos.

“Nova forma   de   fazer   ne-­ gócios  e m  q ue  t odos  o s  a to-­ res   envolvidos   no   processo   de   produção   e   consumo   ganham,  com  dignidade.”

Deveres :  Seguir  todos  os  critérios   do   Comércio   Justo   em   todas   as   fa-­ ses  de  produção  e  comercialização   para   dar   garantia   que   seu   produto   tem  alto  nível  de  qualidade,  produ-­ zido  de  uma  forma  justa  e  com  segu-­ rança  alimentar. Benefícios:   A   cooperativa   e   pro-­ dutores   passam   a   ter   maior   retorno   em   relação   aos   produtos   gerados;;   alcançam     relacionamento   de   lon-­ go  prazo  com  seus  clientes  e,  assim,   podem   investir   mais   na   melhoria   de   qualidade.  Além  do  recebimento  de   um   preço   justo,   os   produtores   são   reconhecidos   com   um   prêmio   finan-­ ceiro   a   ser   investido   em   projetos   sociais  na  comunidade  em  que  está   inserida.

“Dar garantia  que  seu  pro-­ duto  tem  alto  nível  de  qua-­ lidade,   produzido   de   uma   forma  justa  e  com  segurança   alimentar.”

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&RP©UFLR-XVWRHDUHOD§£R3URGX§£RH&RQVXPR O QUE  CABE  AO  COMERCIANTE? Os  agentes  comerciais  devem,  junto  com  os  produtores,  estabelecer  cor-­ reta  logística  e  distribuição  dos  produtos,  de  forma  a  atender  à  demanda   dos   consumidores   sem   desperdícios,   perdas   de   mercadoria   ou   excesso   de   uso  de  combustíveis  poluidores.   Deveres:   Manter   um   relacionamento   comercial   transparente,   apoiar   os   produtores  no  processo  produtivo  e  certificação  e  valorizar  a  continuidade   do  relacionamento  com  as  cooperativas  e  seus  produtores. Benefícios:   Oferecer   a   seus   clientes   produtos   com   alto   padrão   de   qua-­ lidade,   destacando-­se   dos   concorrentes,   garantir   a   origem   dos   produtos   emanando  segurança  aos  consumidores,  e  manter  o  lucro  justo  e  ético  são   os  principais  benefícios  ao  comerciante. QUAL  É  O  PAPEL  DO  CONSUMIDOR  NO  COMÉRCIO  JUSTO? Cabe  ao  consumidor  exigir  o  selo,  viabilizando  espaço  para  que  o  mode-­ lo   de   Comércio   Justo   se   estabeleça.   Sem   a   demanda   do   consumidor   para   comprar  produtos  certificados  o  sistema  não  funciona.  A  partir  do  momento   em   que   busca   melhor   conhecer   o   significativo   do   selo   Fairtrade/Comercio   Justo,  estará  disposto  a  gastar  um  pouco  mais  em  produtos  certificados,  mas   terá  a  certeza  de  comprar  produtos  de  qualidade  e  que  ajudam  na  melho-­ ria  do  bem  estar  social  e  ambiental.

Alguns exemplos   das   práticas   no   Co-­ mércio  Justo: Treinamento   dos   membros   das   coope-­ rativas   de   pequenos   produtores   sobre   uso   de   defensivos   contra   as   pragas   e   erosão  do  solo Uso  sustentável  de  água Uso  correto  de  águas  residuais  de  ma-­ neira  a  não  causar  impacto  negativo  na   qualidade   da   água,   saúde   do   solo   ou   segurança  alimentar Eliminação   de   impactos   negativos   em   áreas  protegidas  e  em  áreas  de  conser-­ vação  ambiental,  dentro  ou  fora  da  pro-­ priedade   Minimização   ou   eliminação   do   uso   de   Energia   e   Emissões   de   Gases   de   Efeito   Estufa-­GEE Quando   do   uso   de   energia   não-­reno-­ vável,  manter  registros  de  escolha  racio-­ nal  eficiente.

Deveres: Exigir  do  comércio,  incluindo  as  redes  de  supermercado,  a  oferta  de    produtos  de  cooperativas  e  pro-­ dutores  rurais  com  certificação  Fairtrade/Comércio  Justo. Benefícios:   O   consumidor   vai   ter   a   garantia   de   que   os   produtos   que   está   consumindo   foram   produzidos   de   uma   maneira  correta.  Conhecer  a  origem  e,  o  mais  importante,  saber  que  estes  não  possuem  excesso  no  uso  de  agrotó-­ xicos,  bem  como  que  não  causou  dano  ao  meio  ambiente  no  processo  da  produção. O  FUTURO  DO  COMÉRCIO  JUSTO  NO  BRASIL: O  Brasil  é  um  país  em  fase  de  forte  crescimento  econômico,  desde  os  últi-­ mos  cinco  anos.  As  taxas  de  consumo  permanecem  elevadas,  percebe-­se  o   aumento  do  setor  de  supermercados  bem  como  a  ampliação  de  centros  de   compras.  Dados  mostram,  também,  que  o  consumidor  brasileiro  está  aumen-­ tando  a  diversidade  de  itens  na  sua  cesta  de  compras  mensais,  o  que  inclui   frutas  nacionais  ou  importadas,  café  comum  ou  orgânico.  Outro  aspecto  diz   respeito   à   cultura,   em   que   a   cada   dia   mais   pessoas   se   formam   em   cursos   superiores,   ampliam   o   conhecimento,   e   buscam   produtos   com   valor   social   agregado.  Tudo  isso  mostra  que  cresce  no  Brasil  o  mercado  para  os  produ-­ tos  certificados  no  Fairtrade/Comércio  Justo. E  para  concluir,  é  clara  a  relação  entre  o  consumo  justo  ou  consciente  e   o   meio   ambiente,   mas   é   necessário   fortalecer   este   conhecimento   por   meio   de   educação   ambiental   e   social,   tanto   dos   produtores   quando   dos   con-­ sumidores.   Quando   se   tem   clara   compreensão   dos   benefícios,   a   força   de   grupo  e  as  parcerias  viabilizam  o  alcance  dos  objetivos  de  sustentabilida-­ de  ambiental  e  social,  em  consonância  com  a  sustentabilidade  econômica.

TRATA-­SE DE   UM   SISTEMA,   QUE   DE-­ PENDE  DE  TODOS  OS  ATORES A  união  de  todos  os  atores  na  ca-­ deia   produtiva   de   Comércio   Justo   gera   resultados   positivos   nas   comu-­ nidades  nas  quais  o  sistema  está  im-­ plantado.   Dentre   outros   benefícios   está   o   fato   que   os   jovens   das   re-­ giões  produtivas  sentirão-­se  motiva-­ dos   a   investir   no   ramo,   ignorando   o   pensamento  de  mudar  para  grandes   centros   urbanos,   minimizando   o   im-­ pacto  das  migrações. CONHEÇA   MAIS:   http://www.sebrae. com.br/customizado/acesso-­a-­merca-­ dos/sebrae-­mercado/comercio-­justo

Naji Harb  é  canadense,  economista  pela  Universidade  de  Ottawa-­Cana-­ da,   professor,   empresário   e   trabalha   como   voluntário   no   cargo   de   pre-­ sidente   da   Associação   Brasileira   do   Comércio   Justo   -­   Fairtrade   Brasil.   Possui   15   anos   de   experiência   na   área   de   agronegócios   e   Comércio   Internacional,  e  está  há  oito  anos  na  área  de  Comércio  Justo  da  Fairtrade.

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2 EMPRESAS E  PRÁTICAS

SUSTENTÁVEIS


LANCHES RÁPIDOS  E  SAUDÁVEIS

MEGAMATTE A MegaMatte   é   uma   rede   de   franquias   de   alimentação   rá-­ pida,   focada   em   opções   de   lanches   rápidos   e   saudáveis.   A   motivação   para   a   abertura   da   MegaMatte   surgiu   da   busca   por   uma   nova   opção   de   local   para   comer   rapidamente,   sem   perder   nutrientes   ou   sabor.   Para   falar   mais   sobre   a   institui-­ ção,   Lucyana   Rebello,   do   Departamento   de   Comunicação,   ponderou  sobre  as  oportunidades  e  desafios  de  se  implantar   medidas  de  responsabilidade  ambiental.

QUAIS SÃO  OS  ELEMENTOS  FUNDAMEN-­ TAIS  PARA  O  SUCESSO  DE  UMA  EMPRESA? Acredito  que  o  principal  elemento   para  alcançar  o  sucesso,  dentro  de   uma   empresa,   é   definir   com   clareza   os   seus   objetivos   e   metas.   Apenas,   com   muito   planejamento   é   possível   ter   sucesso.   Sempre   conversamos   dentro   da   empresa   antes   de   qual-­ quer   evento:   a   ênfase   está   sempre   na   preparação,   ela   corresponde   a   90%  do  sucesso. O  QUE  É  AGIR  COM  RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL  EMPRESARIAL? O  termo  responsabilidade  ambien-­ tal   está   um   pouco   vulgarizado.   As   empresas   fazem   impressões   em   pa-­ pel   reciclado   e   por   essa   única   ini-­ ciativa  já  se  dizem  verdes.  Para  mim,   agir   com   responsabilidade   ambien-­ tal   empresarial   é   se   preocupar   não   só   com   esses   pequenos   gestos,   mas   também   verificar   todas   as   etapas   da   nossa   cadeia   produtiva.   Se   va-­ mos  ser vir  um  produto  na  ponta,  será   que   o   produtor   daquela   matéria-­ -­prima   cuida   do   meio   ambiente   da   forma  correta?  Será  que  ele  respeita   as   regras   de   plantio   para   manter   o   solo  sempre  fértil  e  produtivo?  Enfim,   existem   muitos   aspectos   a   ser   ava-­ liados  nesse  sentido,  e  é  essa  preo-­ cupação   que   eu   considero   respon-­ sabilidade  ambiental  empresarial.

“Verificar todas   as   etapas   da  cadeia  produtiva.” O   QUE   SUA   EMPRESA   FAZ   PARA   SER   CONSIDERADA   RESPONSÁVEL   AMBIEN-­ TALMENTE? Nossa   principal   bandeira   dentro   da   MegaMatte   é   oferecer   produ-­ tos   orgânicos,   por   dois   motivos:   o   primeiro   é   pela   própria   saúde   do   nosso   cliente,   que   não   ingere   as   toxinas   de   um   alimento   convencio-­ nal.   Segundo,   porque,   dessa   forma,   estimulamos,   também,   a   criação   da   agricultura   orgânica.   Poucos   co-­ nhecem   os   benefícios   desse   tipo   de   plantio.  Ele   previne   a  erosão   do   solo,  protege  a  qualidade  da  água,   promove  a  biodiversidade,  preser va   os   sabores   naturais   dos   alimentos   e   ainda   protege   os   agricultores   do   envenenamento  por  pesticidas.  Além   disso,   a   rede   tem   outras   iniciativas   que   são   mais   comum   em   outras   em-­ presas,  como  utilização  de  embala-­ gem   de   papel,   impressão   em   papel   reciclado,   utilização   de   temporiza-­ dores   nas   torneiras,   economia   de   energia,  etc.

“O principal  elemento  para   alcançar   o   sucesso,   dentro   de   uma   empresa,   é   definir   com   clareza   os   seus   objeti-­ vos  e  metas.”

PRODUTOS ORGÂNICOS

SAÚDE DO   CLIENTE

AGRICULTURA ORGÂNICA

PREVINE A  EROSÃO   DO  SOLO,  PROTEGE  A   QUALIDADE  DA  ÁGUA,   PROMOVE  A  BIODI-­ VERSIDADE,  PRESERVA   OS  SABORES  NATU-­ RAIS  DOS  ALIMENTOS   E  AINDA  PROTEGE  OS   AGRICULTORES  DO   ENVENENAMENTO  POR   PESTICIDAS.

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Sustentabilidade como  diferencial COMO   INCLUIR,   NA   PRÁTICA   EMPRESA-­ RIAL,  POSTURAS  BASEADAS  NA  RESPON-­ SABILIDADE  AMBIENTAL? Na   prática   empresarial,   a   princi-­ pal   postura   a   ser   tomada   é   a   de   evitar   o   desperdício.   Apesar   de   fa-­ lar  que  “ pequenos  gestos  podem  fa-­ zer  a  diferença”  parece  clichê,  essa   é   a   verdade.   Dentro   de   uma   em-­ presa,   individualmente,   é   só   o   que   podemos  fazer.  Pensando  no  âmbito   da   corporação,   os   gerentes   e   di-­ retores   devem   assimilar   o   conceito   de   responsabilidade   ambiental   e   incorporá-­lo  em  todas  as  etapas  do   processo   produtivo   em   que   forem   possíveis. ACREDITA   QUE   EXISTAM   CLIENTES   QUE   PREFEREM   EMPRESAS   QUE   DEMONS-­ TRAM  POSTURAS  DE  RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL? Na   prática   empresarial,   a   princi-­ pal   postura   a   ser   tomada   é   a   de   evitar   o   desperdício.   Apesar   de   fa-­ lar  que  “ pequenos  gestos  podem  fa-­ zer  a  diferença”  parece  clichê,  essa   é   a   verdade.   Dentro   de   uma   em-­ presa,   individualmente,   é   só   o   que   podemos  fazer.  Pensando  no  âmbito   da   corporação,   os   gerentes   e   di-­ retores   devem   assimilar   o   conceito   de   responsabilidade   ambiental   e   incorporá-­lo  em  todas  as  etapas  do   processo   produtivo   em   que   forem   possíveis.

“Em um   mundo   em   que   a   concorrência   aumenta   mais   rápido  que  o  número  de  con-­ sumidores   e   seus   respectivos   poderes  aquisitivos,  esse  tipo   de   preocupação   pode   ser   considerado  um  diferencial.” CONSIDERA  TER  UMA  CLIENTELA  MAIOR,   OU   ESPECIALMENTE   DIFERENCIADA   EM   SUA  EMPRESA,  POR  MANTER  ATITUDES  E   POSTURAS  SOCIOAMBIENTAIS?

mais amplo.  O  consumidor,  atualmen-­ te,  tem  muitas  opções  de  empresas  e   produtos,  e,  cada  vez  mais,  a  ques-­ tão   da   responsabilidade   socioam-­ biental  se  torna  um  diferencial. COMO  FAZ  PARA  MOTIVAR  OS  FUNCIO-­ NÁRIOS  PARA  ESTA  POSTURA  DE  DESEN-­ VOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL? Nossos   funcionários   recebem   constantes   estímulos   relacionados   à  sustentabilidade  por  meio  de  trei-­ namentos,  informativos,  etc.  A  Mega-­ Matte  busca  motivar  seus  colabora-­ dores   e   informá-­los   sobre   as   nossas   iniciativas,   afinal   eles   são   o   nosso   ponto  de  contato  com  o  consumidor.

“O consumidor,   atualmente,   tem  muitas  opções  de  empre-­ sas   e   produtos,   e,   cada   vez   mais,   a   questão   da   respon-­ sabilidade  socioambiental  se   torna  um  diferencial.”

VALE A  PENA  MUDAR  A  GESTÃO  NA  EM-­ PRESA  INCLUINDO,  SOB  O  OLHAR  ECO-­ NÔMICO,  OS  ASPECTOS  SOCIAIS  E  AM-­ BIENTAIS?  POR  QUÊ?

“Nossos funcionários   rece-­ bem   constantes   estímulos   re-­ lacionados   à   sustentabilida-­ de  por  meio  de  treinamentos,   informativos,  etc.” CITE   EXEMPLOS   DE   PRÁTICAS   DE   RES-­ PONSABILIDADE   E   GESTÃO   AMBIENTAL   DE   FÁCIL   APLICAÇÃO   PELAS   MICRO   E   PEQUENAS  EMPRESAS?

adoção de   materiais   reciclados   nos  escritórios;; temporizador  nas  torneiras;; utilização  de  energia  solar;; gerenciamento  de  resíduos;; apagar   as   luzes   sempre   que   não   forem  necessárias;; incentivar   o   uso   dos   transportes   públicos;; desenvolver   um   sistema   de   geren-­ ciamento  e  reciclagem  de  resíduos;; dar   preferência   a   fornecedores   que   também   sigam   os   princípios   da   responsabilidade  ambiental;; criar   produtos   que   não   tragam   danos  ao  meio  ambiente;; utilizar  fontes,  limpas  e  renováveis,   de  energia  na  produção.

Se a   responsabilidade   socioam-­ biental   faz   parte   do   posicionamen-­ to  da  empresa,  vale  a  pena  sim.  Não   concordo  apenas  quando  empresas   que  não  levam  isso  para  sua  gestão   se  dizem  verdes  ou  apóiam  qualquer   projeto   social   para   serem   conside-­ radas   responsáveis,   sendo   que   isso   não   é   coerente   com   seu   posiciona-­ mento.   Eu   diria   às   demais   empresas   que   um   investimento   um   pouco   maior,   hoje,   pode   significar   uma   economia   no  futuro,  e  que  os  resultados  desse   tipo   de   preocupação   só   serão   po-­ sitivos. CONHEÇA  MAIS:  www.megamatte.com.br   E-­MAIL:  lucyana@megamatte.com.br

Esse tipo   de   mensuração   ainda   não   é   possível,   mas   sentimos   um   re-­ torno  positivo  dos  nossos  clientes  em   relação   a   isso.   Somos   reconhecidos   pelos   nossos   projetos   sustentáveis,   pelo   nosso   produto   orgânico,   etc.   Mas  verificamos  que  o  mercado  está  

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TRANSFORMANDO PRODUTOS EM  NOVOS  PRODUTOS

AMA TERRA  

A Ama   Terra   é   uma   empresa   especializada   no   comércio   de   produtos   com   atributos   sustentáveis,   tanto   no   vare-­ jo   quanto   no   atacado,   tanto   no   ambiente   físico   quanto   no   virtual.   Além   de   comercializar   produtos,   são   divulga-­ dos   conteúdos   ligados   à   sustentabilidade,   sob   a   ótica   empresarial   e   do   consumo   consciente.   São   abordados   assuntos  como  empreendedorismo  social,  educação  am-­ biental,   marketing   ambiental,   comércio   justo,   responsa-­ bilidade   socioambiental   empresarial,   dentre   outros.   A   empresa   surgiu   a   partir   de   um   gap   de   mercado   perce-­ bido   em   2007,   a   partir   de   uma   simples   pergunta:   onde   comprar   produtos   com   essas   características?   Após   dois   anos   de   pesquisas   e   muito   planejamento,   em   2009,   com   um   conceito   pioneiro   no   mercado,   surgiu   a   Ama   Terra,   que   já   foi   lançada   com   uma   loja   física,   uma   loja   virtual   e  um  escritório  de  vendas  para  atendimento  a  empresas.   A  sede  fica  em  Nova  Friburgo,  Rio  de  Janeiro.  A  principal   motivação   para   abrir   a   empresa   foi   mostrar   que   é   pos-­ sível   harmonizar   o   lucro   financeiro   e   respeito   ao   meio   ambiente   e   às   pessoas,   utilizando   a   tecnologia   a   favor   desse  propósito.  

QUAIS SÃO  OS  ELEMENTOS  FUNDAMEN-­ TAIS  PARA  O  SUCESSO  DE  UMA  EMPRESA?

O QUE  É  AGIR  COM  RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL  EMPRESARIAL?

Transparência, engajamento,   ino-­ vação   e   responsabilidade   ambien-­ tal.   Fale   a   verdade   e   seja   transpa-­ rente   com   seu   cliente   e   parceiros.   Comprometa-­se,  apenas,  com  o  que   pode   assumir.   Mantenha   apenas   as   pessoas   engajadas   aos   propósitos   da  empresa.  Melhor  um  alinhado  tra-­ balhando  s ozinho  q ue  d ez  a lienados   trabalhando   juntos.   A   inovação   é   a   melhor   saída   para   as   adversidades   que   certamente   irão   surgir.   Simples-­ mente   fazer   não   é   mais   diferencial.   O   importante   é   ser,   suficientemente,   inovador   para   fazer   bem,   melhor   e   com   o   mínimo   de   recursos.   Pratique   seus  princípios.  Os  consumidores  es-­ tão,   cada   vez   mais,   exigentes   e   a   legislação  é  cada  dia  mais  rígida.  É   preciso  estar  atento  às  mudanças  e   exigências  do  mercado.  

É reconhecer   o   papel   de   sua   em-­ presa   no   ambiente   que   a   cerca.   Cada   atitude,   seja   individual   ou   da   empresa   como   um   todo,   conta   para   o   desenvolvimento   sustentável   de   sua   região,   de   sua   cidade   e   do   Planeta.   Essas   atitudes   devem   levar   em   conta   o   crescimento   econômico   ajustado   à   proteção   do   meio   am-­ biente  na  atualidade  e  para  as  ge-­ rações  futuras.

“Transparência, engaja-­ mento,   inovação   e   respon-­ sabilidade   ambiental.   Fale   a   verdade   e   seja   transparente   com  seu  cliente  e  parceiros.”

Trabalhamos exclusivamente   com   produtos   que   possuam   algum   ape-­ lo   ambiental   ou   social,   com   desta-­ que   para   os   produtos   do   Comércio   Justo,   presente,   permanentemente,   em   nosso   mix.   Utilizamos   os   recursos  

“O importante   é   ser,   sufi-­ cientemente,   inovador   para   fazer  bem,  melhor  e  com  o  mí-­ nimo  de  recursos.” O   QUE   SUA   EMPRESA   FAZ   PARA   SER   CONSIDERADA   RESPONSÁVEL   AMBIEN-­ TALMENTE?

da Internet   para   informar   o   máximo   de   pessoas   sobre   os   conceitos   que   cercam   o   assunto   sustentabilidade,   e   os   recursos   do   e-­commerce   para   reduzir  os  impactos  de  nossa  opera-­ ção   no   meio   ambiente   e,   ao   mesmo   tempo,   elevar   o   alcance   de   nosso   negócio   e   das   unidades   franquea-­ das. Sempre   que   possível,   preferimos   adquirir   produtos   e   ser viços   de   em-­ presas   locais,   regionais   ou   nacio-­ nais   (nesta   ordem),   sobretudo   se   elas   demonstrarem-­se   engajadas   com   a   causa   da   responsabilidade   socioambiental.  Trabalhamos  em  lar-­ ga   escala   com   embalagens   reapro-­ veitadas   e/ou   em   papel   reciclado.   Utilizamos,   sempre   que   possível,   fer-­ ramentas  de  videoconferência  para   realização   de   reuniões   e   cursos   à   distância.   Economizamos   tempo,   gastos   com   deslocamento   e   poluí-­ mos  menos.

“Levar em   conta   o   cresci-­ mento  econômico  ajustado  à   proteção   do   meio   ambiente   na  atualidade  e  para  as  ge-­ rações  futuras.”

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Transformação, inovação  em  sustentabilidade Evitamos,   a   todo   custo,   utilizar   im-­ pressão  em  papel,  e  sempre  que  ne-­ cessário  todo  nosso  material  impres-­ so  é  produzido  em  papel  reciclado.   Toda  a  mobília  de  nossa  loja,  física   e   distribuidora,   foi   produzida   com   madeira   reaproveitada   de   restos   de   produção   de   trabalhos   de   ter-­ ceiros,  com  mobília  de  segunda  mão   ou   fruto   de   trabalhos   artesanais   em   bambu.  Nossos  franqueados  e  cola-­ boradores   passam   por   treinamento   sobre   os   conceitos   de   sustentabili-­ dade   antes   de   iniciarem   suas   ativi-­ dades.

“Preferimos adquirir   produ-­ tos   e   serviços   de   empresas   locais,   regionais   ou   nacio-­ nais   (nesta   ordem),   sobretu-­ do   se   elas   demonstrarem-­se   engajadas   com   a   causa   da   responsabilidade   socioam-­ biental.”

QUAIS SÃO  OS  ELEMENTOS  FUNDAMEN-­ TAIS  PARA  O  SUCESSO  DE  UMA  EMPRESA?

VOCÊ ACREDITA   QUE   HOJE   JÁ   EXISTAM   CLIENTES  QUE  PREFEREM  EMPRESAS  QUE   DEMONSTRAM  POSTURAS  DE  RESPONSA-­ BILIDADE  AMBIENTAL?

CONSIDERA TER  UMA  CLIENTELA  MAIOR,   OU   ESPECIALMENTE   DIFERENCIADA   EM   SUA   EMPRESA,   POR   MANTER   ATITUDES   E   POSTURAS  SOCIOAMBIENTAIS?

Sem dúvida.   O   consumidor   está   mais   esclarecido   e   mais   exigente.   Há   inúmeras   pesquisas   apontando   para   essa   mudança   no   per fil   de   consumo.  Por  exemplo,  citamos  o  es-­ tudo   anual   Monitor   de   Responsabi-­ lidade  Corporativa  2010,  realizado   pela   Market   Analysis,   sobre   quanto   os   brasileiros   premiam   ou   castigam   empresas  em  função  do  seu  compor-­ tamento   diante   da   sociedade   e   do   meio   ambiente.   Nos   últimos   quatro   anos,   a   proporção   de   brasileiros   que   premiam   corporações   por   seus   comportamentos,   socialmente   e   am-­ bientalmente   mais   responsáveis,   su-­ biu  de  12%  para  22%.

Consideramos nosso   público   di-­ ferenciado   sim.   São   pessoas,   na   maioria,  formadoras  de  opinião,  que   percebem  com  mais  facilidade  o  di-­ ferencial   da   empresa   e   dos   produ-­ tos   que   trabalhamos.   E   cabe   a   nós,   por   meio   da   informação   e   de   cam-­ panhas  direcionadas,  influenciarmos   aqueles  que  ainda  não  perceberam   essa  diferença.

“A maior  dificuldade  é  a  mu-­ dança  de  cultura.  Fomos  nas-­ cidos  e  criados  na  cultura  do   “extrai,  utiliza  e  descarta””

ACREDITA QUE  SUA  EMPRESA  POSSUI  UM   MERCADO  MAIS  AMPLO  DESDE  QUE  DE-­ CIDIU  AGIR  SOBRE  OS  ASPECTOS  DA  RES-­ PONSABILIDADE  AMBIENTAL? Já   nascemos   dentro   da   cultura   de   manter   atitudes   e   posturas   socio-­ ambientais   e,   mesmo   com   todas   as   dificuldades  que  até  hoje  encontra-­ mos,  nunca  abrimos  mão  desse  dife-­ rencial.  E  a  demanda  cresce  a  cada   ano.   Acreditamos   que   as   empresas   que   não   agirem   sobre   esses   aspec-­ tos,   em   pouco   tempo,   serão   expur-­ gadas  do  mercado.

Transparência, engajamento,   ino-­ vação   e   responsabilidade   ambien-­ tal.   Fale   a   verdade   e   seja   transpa-­ rente   com   seu   cliente   e   parceiros.   Comprometa-­se,  apenas,  com  o  que   pode   assumir.   Mantenha   apenas   as   pessoas   engajadas   aos   propósitos   da  empresa.  Melhor  um  alinhado  tra-­ balhando  s ozinho  q ue  d ez  a lienados   trabalhando   juntos.   A   inovação   é   a   melhor   saída   para   as   adversidades   que   certamente   irão   surgir.   Simples-­ mente   fazer   não   é   mais   diferencial.   O   importante   é   ser,   suficientemente,   inovador   para   fazer   bem,   melhor   e   com   o   mínimo   de   recursos.   Pratique   seus  princípios.  Os  consumidores  es-­ tão,   cada   vez   mais,   exigentes   e   a   legislação  é  cada  dia  mais  rígida.  É   preciso  estar  atento  às  mudanças  e   exigências  do  mercado.  

“Nos últimos  quatro  anos,  a  proporção  de  brasileiros  que  premiam  corporações  por  seus   comportamentos,  socialmente  e  ambientalmente  mais  responsáveis,  subiu  de  12%  para  22%.”

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Transformação, inovação  em  sustentabilidade COMO   FAZ   PARA   MOTIVAR   SEUS   FUN-­ CIONÁRIOS  PARA  ESTA  POSTURA  DE   DESENVOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL? Nossa   atitude,   nesse   sentido,   co-­ meça   antes   mesmo   dele   se   tornar   um   funcionário   ou   um   franqueado.   Um   dos   pré-­requisitos   que   exigimos   na   contratação/afiliação   é   que   ele   tenha   afinidade   com   a   causa   ambiental   e   social.   Passada   a   sele-­ ção,   nossos   funcionários   e   franque-­ ados  passam  por  curso  direcionado   aos   conceitos   de   sustentabilidade   e   per feito   entendimento   do   valor   agregado   de   nosso   mix   de   produ-­ tos,   o   que   está   por   trás   do   produto   sustentável  e  a  visão  de  toda  a  ca-­ deia  produtiva.  E  são  estimulados  a   se   manterem   sempre   informados   so-­ bre   o   tema.   Além   disso,   procuramos   sempre   manter   um   ambiente   de   tra-­ balho   agradável,   remunerarmos   os   colaboradores   acima   da   média   do   mercado   e   pagamos   bônus   anuais   por  produtividade.

“Possuímos ações  de  marketing   direcionadas   ao   nosso   público   informando   sobre   esse   diferen-­ cial.  Utilizamos  mais  os  canais  da   Internet,  de  menor  custo  e  maior   alcance,   além   de   possuírem   maior  efeito  viral.  ”

COMO COMUNICA   ESSA   PRÁTICA   SO-­ CIOAMBIENTAL   AOS   CLIENTES?   POSSUI   AÇÕES  EM  MARKETING  OU  COMUNICA-­ ÇÃO  PARA  ISSO? Sim,   possuímos   ações   de   marke-­ ting   direcionadas   ao   nosso   público   informando   sobre   esse   diferencial.   Utilizamos   mais   os   canais   da   Inter-­ net,   de   menor   custo   e   maior   alcan-­ ce,   além   de   possuírem   maior   efeito   viral.   Também   contamos   com   todo   o   apoio   de   um   grande   parceiro   para   composição   de   nossas   estratégias:   o   SEBRAE,   que   sempre   depositou   confiança   em   nosso   modelo   de   ne-­ gócio   e   nos   orienta   de   forma   muito   assertiva.

“Curso direcionado   aos   conceitos   de   sustentabilida-­ de   e   perfeito   entendimento   do  valor  agregado  de  nosso   mix  de  produtos,  ”

simples que   podem   gerar   grandes   resultados.   E   mesmo   que   sua   em-­ presa   possua   mecanismos   internos   complexos   ou   seu   processo   produ-­ tivo  seja  de  alto  impacto  ambiental,   encare  a  contratação  de  um  profis-­ sional  em  gestão  ambiental  como  um   investimento  e  não  como  um  custo.

FAZ ALGUM  TRABALHO  PARA  CONSCIEN-­ TIZAR   SEUS   CLIENTES   A   OPTAREM   POR   PRODUTOS,   SERVIÇOS   E   EMPRESAS   BA-­ SEADAS   NA   RESPONSABILIDADE   SOCIO-­ AMBIENTAL?

VALE A  PENA  MUDAR  A  GESTÃO  NA  EM-­ PRESA   INCLUINDO,   SOB   O   OLHAR   ECO-­ NÔMICO,  OS  ASPECTOS  SOCIAIS  E  AM-­ BIENTAIS?  POR  QUÊ?

Sim, trabalhamos,   paralelamente,   sob   dois   aspectos.   Primeiro,   promo-­ vemos  o  acesso  à  informação.  Nossa   estratégia   é   focada   na   divulgação   do   conceito,   na   venda   da   causa.   Quem   adere   ao   conceito,   adquire   nossos   produtos   por   consequência.   Segundo,   procuramos   desestigma-­ tizar   os   produtos   sustentáveis,   so-­ bretudo  os  que  são  produzidos  com   material   reciclado.   Ao   contrário   do   que  se  pensa,  não  são  produtos  fei-­ tos   de   má   qualidade   e   a   relação   custo/benefício  é  excelente.

Sim, sem   dúvida.   Em   primeiro   lu-­ gar,   porque   gerir   uma   empresa   sob   os   aspectos   da   responsabilidade   ambiental   é   fazer   mais   com   menos   e   isso   é   ser   eficiente.   E   sob   o   olhar   econômico,   não   há   nada   mais   al-­ mejado   que   a   eficiência.   Em   segun-­ do   lugar,   porque   o   valor   ético   que   você  agrega  a  sua  empresa  faz  com   que  ela  se  diferencie  a  ponto  de  ser   premiada   pelos   clientes,   que   falam   bem  sobre  ela  e  consomem  seus  pro-­ dutos   e   ser viços.   Isso   se   traduz   em   retorno  financeiro.

QUE CONSELHO  DARIA  ÀS  MICRO  E  PE-­ QUENAS  EMPRESAS  NO  QUE  SE  REFERE  À   GESTÃO   AMBIENTAL   E   RESPONSABILIDA-­ DE  SOCIOAMBIENTAL? Comece  a  praticar  o  quanto  antes   e   comuniquem   a   seus   clientes   sobre   o   que   vem   fazendo.   Mas   cuidado...   Não   faça   “greenwashing”.   O   Marke-­ ting   Ambiental   é   uma   oportunidade   de   negócios   e,   quando   aplicado   da  maneira  correta,  é  um  importante   catalisador   para   o   sucesso   da   em-­ presa.  Seus  clientes  perceberão  isso   e   vão   recompensá-­lo   por   seu   pro-­ gresso.

“O valor  ético  que  você  agrega  a  sua  empresa  faz  com  que   ela  se  diferencie  a  ponto  de  ser  premiada  pelos  clientes” HÁ  PERDAS  ECONÔMICAS  POR  INVESTIR   NAS  QUESTÕES  AMBIENTAIS? É   uma   visão   equivocada.   Isso   pode   ser   verdade   quando   falamos,   por  exemplo,  do  uso  de  energias  re-­ nováveis,   mas   há   diversas   atitudes  

“O Marketing   Ambiental   é   uma   oportunidade   de   negó-­ cios   e,   quando   aplicado   da   maneira   correta,   é   um   impor-­ tante   catalisador   para   o   su-­ cesso  da  empresa.”

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Transformação, inovação  em  sustentabilidade EXEMPLOS  DE  PRÁTICAS  DE  RESPONSABILIDADE  E  GESTÃO  AMBIENTAL  DE  FÁCIL  APLICAÇÃO  PELAS  MICRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS

Toda empresa  é  um  organismo  vivo  e  como  tal,  também  é  consumidora.  Na  hora  de  comprar,  primeiro  refli-­ ta  se  realmente  precisa  de  determinado  produto  ou  ser viço.  Caso  a  resposta  seja  positiva,  prefira  aqueles   com  menor  impacto  ambiental  possível.  Dê  preferência  a  produtos  da  economia  local  e  ainda,  sempre  que   possível,  faça  a  compra  pela  internet. Evite   o   uso   de   papel   e,   quando   possível,   use   os   dois   lados   da   folha.   Incentive   seus   colegas   a   fazerem   o  mesmo. Encontre  maneiras  de  reutilizar  e  reciclar  materiais.  O  papel,  por  exemplo,  pode  ir  para  a  reciclagem  ou   ser  reaproveitado  em  forma  de  bloquinhos.  Objetos  como  papel-­carbono,  papel  plastificado  e  fitas  ade-­ sivas  não  são  recicláveis,  por  isso,  use  com  consciência.  Segundo  o  Earth  Works  Group,  os  funcionários  de   escritórios  jogam  fora,  em  média,  500  quilos  de  material  reciclável  de  boa  qualidade  por  ano. Verifique  se  em  sua  região  existe  ser viço  de  coleta  seletiva.  Caso  positivo,  comece  a  separar  seu  lixo  e   faça  adesão  ao  ser viço. Estimule  seus  funcionários  em  medidas  como  a  carona  solidária,  utilização  de  transportes  públicos  e,  em   alguns  casos,  até  o  uso  de  bicicleta  e  da  caminhada. Ao  se  ausentar  de  sua  mesa,  desligue  o  monitor  de  vídeo.  Ele  é  responsável  por  até  70%  do  consumo  de   energia  do  computador. Evite   o   uso   copos   descartáveis.   Leve   a   sua   caneca   (ou   garrafa   para   água)   e   deixe-­a   na   sua   mesa   de   trabalho. Opine   e   dê   suas   sugestões   sobre   como   economizar.   Não   seja   do   tipo   “ não   é   comigo”.   Quando   você   adere,  ser ve  de  exemplo  para  outras  pessoas. Empresas  maiores  permitem  recursos  para  a  adoção  de  um  programa  de  créditos  de  carbono,  que  pro-­ move  ações,  como  o  plantio  de  ár vores,  para  equilibrar  com  o  meio  ambiente  a  quantidade  de  carbono   emitida   pela   empresa.   Em   empresas   menores,   essa   ação   pode   ser   feita   informalmente,   com   o   plantio   fre-­ quente  de  ár vores.  Mesmo  que  a  quantidade  não  seja,  necessariamente,  correspondente  à  que  foi  emitida,   a  ação  já  melhora  a  qualidade  do  ar. Diga   sempre   a   verdade   e   seja   sempre   transparente   com   seu   cliente.   Estudos   mostram   que   apenas   me-­ tade   da   população   brasileira   acredita   que   a   comunicação   das   empresas   é   honesta   e   transparente,   o   que  demonstra  que  a  outra  metade  da  população  ainda  tem  dúvidas  sobre  o  conteúdo  divulgado  pelas   empresas.

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SISTEMA DE  PRODUÇÃO  ECOEFICIENTE

AQUACOCO

QUAIS SÃO  OS  ELEMENTOS  FUNDAMEN-­ TAIS  PARA  O  SUCESSO  DE  UMA  EMPRESA? Para   mim,   honestidade,   perseve-­ rança,   foco   no   compromisso   assumi-­ do,   responsabilidades   trabalhistas   e  tributárias,  delegação  de  funções   e   qualificação   de   pessoas.   Sempre   digo  que  para  ser  um  empreendedor   você  precisa  exigir  tudo  de  si.

A AQUACOCO   é   uma   empresa   pioneira   no   envase   de   água   de  coco  verde,  no  estado  do  Rio  Grande  do  Norte.  É  também,   a  primeira  do  estado  a  fabricar  e  comercializar  produtos  or-­ gânicos   e   biodegradáveis   à   base   de   fibra   de   coco.   Desde   o  início  das  atividades,  a  empresa  realiza  pesquisas  em  par-­ ceria  com  universidades,  com  a  finalidade  de  desenvolver  um   procedimento   ambientalmente   correto   e   novas   tecnologias   para  auxiliar  esse  processo.   Atualmente,   conta   com   uma   fábrica   própria,   localizada   em   Extremoz,   Rio   Grande   do   Norte,   com   um   processo   de   envase   automatizado,   sem   contato   humano,   a   partir   da   extração   da   água.   O   centro   de   distribuição   do   produto   é   localizado   na   cidade  de  Natal,  com  estrutura  de  câmara  fria  para  armaze-­ nagem.  Iniciou  com  apenas  um  funcionário  e,  hoje,  possui  uma   equipe  de  30  vendedores  em  Natal  e  Grande  Natal,  além  de   abastecer  outros  estados  do  Nordeste,  como  Paraíba  e  Ala-­ goas.  Em  entrevista,  o  proprietário  do  empreendimento,  Diego   Gaspar,  falou  sobre  a  iniciativa  e  os  desafios.

O QUE  SUA  EMPRESA  FAZ  PARA  SER  CONSIDERADA  RESPONSÁVEL  AMBIENTALMENTE? Transformamos  nossa  casca  de  coco  em  produtos  como  a  fibra  do  coco,   substrato   do   coco,   briquete   e   matéria   orgânica   para   nossos   coqueiros.   Desta   forma,   quando   produzimos   a   fibra   do   coco   para   fabricação,   prin-­ cipalmente,   de   vasos   tipo   xaxim,   evitamos   a   exploração   dessa   ár vore   em   extinção.   Quando   fabricamos   o   briquete,   evitamos   o   uso   da   lenha.   Outra   prática  é  a  de    reutilizar  as  embalagens  de  água  de  coco  e  sucos  vencidos   para  plantação  de  mudas  frutíferas  e  doação  para  a  comunidade.  Também   utilizamos   energia   solar   para   o   aquecimento   das   águas   de   lavagem   da   indústria,  evitando  gastos  com  energia.

“Honestidade, perseverança,   foco   no   compromisso   assumido,  responsabilidades  trabalhistas  e  tributárias,   delegação  de  funções  e  qualificação  de  pessoas” O  QUE  É  AGIR  COM  RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL  EMPRESARIAL? É   transformar   o   que   seria   lixo   em   novos   produtos.   Assim,   de   forma   adequada,   ainda   podemos   fazer   com   que   a   responsabilidade   am-­ biental  também  seja  lucrativa.  Temos   a   obrigação   de   tornar   a   atividade   sustentável:   é   preciso   trazer   algum   benefício  para  entidade  para,  des-­ ta  forma,  ser  valorizada.

QUAIS SÃO   AS   MAIORES   DIFICULDADES   PARA  ALCANÇAR  ESSA  POSTURA?   Esses   produtos,   muitas   vezes,   têm   alto   custo   de   produção   e   o   mer-­ cado   não   quer   pagar   por   isto.   No   inicio,   é   difícil,   porém,   depois   que   conseguimos   fidelizar   o   mercado,   isso  melhora.

“ É transformar  o  que  seria   lixo  em  novos  produtos . ”

ACREDITA QUE,   HOJE,   JÁ   EXISTAM   CLIEN-­ TES   QUE   PREFEREM   EMPRESAS   QUE   DE-­ MONSTRAM  POSTURAS  DE  RESPONSABI-­ LIDADE  AMBIENTAL?  CONSIDERA  TER  UMA   CLIENTELA   MAIOR   OU   ESPECIALMENTE   DIFERENCIADA   POR   MANTER   ATITUDES   E   POSTURAS  SOCIOAMBIENTAIS?   Sim,   acredito   que   existam   clientes   que   prefiram   esse   tipo   de   empre-­ sa.   A   consciência   das   pessoas   tem   mudado   muito,   mas   são   necessárias   ações   de   marketing   para   mostrar   a   responsabilidade   ambiental   da   em-­ presa.   Hoje,   temos   uma   clientela   di-­ ferenciada.

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6LVWHPDGHSURGX§£RHFRHŹFLHQWH SUA EMPRESA   POSSUI   MERCADO   MAIS   AMPLO  DESDE  QUE  DECIDIU  AGIR  SOBRE   OS   ASPECTOS   DA   RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL? A   partir   do   momento   que   mostra-­ mos   ao   consumidor   nossas   práticas   de   responsabilidade   ambiental,   aumentou   a   preferência   por   nossos   produtos.

“A consciência   das   pes-­ soas   tem   mudado   mui-­ to,   mas   são   necessárias   ações   de   marketing   para   mostrar   a   responsabilida-­ de  ambiental  da  empresa.”

VALE A  PENA  MUDAR  A  GESTÃO  NA  EM-­ PRESA   INCLUINDO,   SOB   O   OLHAR   ECO-­ NÔMICO,  OS  ASPECTOS  SOCIAIS  E  AM-­ BIENTAIS?  POR  QUÊ? Vale,   pois   a   empresa   ganha   muita   credibilidade  no  mercado.

QUAIS EXEMPLOS  D E  P RÁTICAS  D E  RES-­ PONSABILIDADE  E  GESTÃO  AMBIENTAL   DE   FÁCIL   APLICAÇÃO,   PELAS   MICRO   E   PEQUENAS   EMPRESAS,   PODEM   SER   RESSALTADOS? Reutilização   de   embalagens   que   iriam   para   o   lixo,   reutilização   de   águas,   reciclagem   de   produtos   de   origem  orgânica,  energia  solar  para   aquecimento   de   água,   reutilização   de   papéis   de   rascunho,   produzir   sempre   com   máxima   eficiência,   evi-­ tando   gastos   desnecessários   com   energia,   procurar   veículos   que   po-­ luam  menos,  etc. CONHEÇA  MAIS: EMPRESA:  AQUACOCO SITE:  www.aquacoco.com.br     E-­MAIL:  aquacoco@aquacoco.com.br

COMO FAZ   PARA   MOTIVAR   SEUS   FUN-­ CIONÁRIOS  PARA  ESTA  POSTURA  DE  DE-­ SENVOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL? Promovemos   treinamentos,   pa-­ lestras,   programas   de   qualidade   e   conscientização  no  dia  a  dia.

COMO COMUNICA   ESTA   PRÁTICA   SO-­ CIOAMBIENTAL   AOS   CLIENTES?   POSSUI   AÇÕES  EM  MARKETING  OU  COMUNICA-­ ÇÃO  PARA  ISSO? Comunicamos   por   meio   do   site   e   informativos,   além   de   participarmos   de  feiras  e  eventos.

QUE CONSELHO  PODE  SER  DADO  ÀS  MI-­ CRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS  NO  QUE  SE   REFERE  À  GESTÃO  AMBIENTAL  E  RESPON-­ SABILIDADE  SOCIOAMBIENTAL?   Às   vezes,   é   caro   para   uma   Micro   ou   Pequena   Empresa   investir   em   al-­ guma  prática  ambientalmente  corre-­ ta,  mas  com  um  bom  planejamento  se   consegue.   Com   o   tempo,   irá   pagar   esse   investimento   e   terá   lucro.   São   necessários   estudos   preliminares   antes   das   ações,   para   não   perder   dinheiro  e  tempo  com  invenções  ba-­ ratas   que   não   vão   dar   certo.   Isso   fica   muito   mais   caro   a   longo   prazo.   É   sempre   melhor   planejar   antes   de   investir.

FAZ ALGUM  TRABALHO  PARA  CONSCIEN-­ TIZAR   SEUS   CLIENTES   A   OPTAREM   POR   PRODUTOS,   SERVIÇOS   E   EMPRESAS   BA-­ SEADAS   NA   RESPONSABILIDADE   SOCIO-­ AMBIENTAL?

HÁ PERDAS   ECONÔMICAS   POR   INVES-­ TIR  NAS  QUESTÕES  AMBIENTAIS?  MUITAS   EMPRESAS   ADIAM   INICIAR   PROCESSOS   DE   GESTÃO   AMBIENTAL   POR   MEDO   DE   GERAR  CUSTOS  E  GASTOS.  COMO  VOCÊ   PERCEBE  ISSO?  

Sim. Mostramos  e  explicamos  a  im-­ portância   de   consumir   produtos   de   uma   empresa   ecologicamente   cor-­ reta.

Não considero   perdas   ou   gastos,   mas   sim,   investimentos   que   retornarão   a  médio  prazo.

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O SUCESSO  DOS  PRODUTOS  SUSTENTÁVEIS  E  INOVADORES

AMAZONGREEN A Amazongreen   Indústria   e   Comércio   de   Cosméticos   e   Per fu-­ maria  é  uma  empresa  amazonense,  com  sede  em  Manaus,  fun-­ dada   em   julho   de   2007,   no   Distrito   de   Micro   e   Pequena   Em-­ presas  (DIMPE).  A  Amazongreen  já  nasceu  com  a  abordagem   diferenciada   na   concepção   de   produtos   sustentáveis,   com   objetivo   de   unir   viabilidade   comercial   e   tecnológica   com   a   biodiversidade  amazônica.  A  instituição  mantém  o  compromis-­ so  com  o  meio  ambiente  por  meio  de  ações  socioambientais.   Em   entrevista,   o   proprietário   do   empreendimento,   Francisco   Pontes  de  Aguiar,  falou  sobre  a  iniciativa  e  os  desafios.

QUAIS SÃO  OS  ELEMENTOS  FUNDAMEN-­ TAIS  PARA  O  SUCESSO  DE  UMA  EMPRESA? No   nosso   ramo,   consideramos   que   o   sucesso   é   obtido   por   meio   de   produtos   inovadores,   com   qua-­ lidade,   mão-­de-­obra   qualificada,   responsabilidade   socioambiental,   valorização   e   desenvolvimento   das   comunidades   regionais.   Além   disso,   a  Amazongreen  está  sempre  na  van-­ guarda  com  projetos  sustentáveis.

O QUE  É  AGIR  COM  RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL  EMPRESARIAL? É   identificar   que   partes   do   pro-­ cesso,   ou   produto,   podem   inter ferir   no   ordenamento   ambiental   e   bus-­ car   soluções   mitigado-­ ras   para   minimizar   esses   impactos.   Para   isso,   é   preciso   treinar   colabo-­ radores   para   conscien-­ tização   e   educação   ambiental,  estimular  a  in-­ clusão   de   comunidades   parceiras   em   programas   de  educação  ambiental.   Hoje,   trabalhamos   com   algumas   comunidades,  

promovendo a  capacitação  para  o   aproveitamento   de   insumos   em   nos-­ sos  produtos.

COMO INCLUIR,   NA   PRÁTICA   EMPRESA-­ RIAL,  POSTURAS  BASEADAS  NA  RESPON-­ SABILIDADE  AMBIENTAL? Assim  como  temos  a  cultura  de  exi-­ gir   qualidade,   a   cultura   ambiental   deve  ser  aprendida,  difundida  e  en-­ tendida  por  todos  aqueles  que  fize-­ rem  parte  da  empresa,  bem  como  os   colaboradores   indiretos,   fornece-­ dores   e   parceiros.   Daí,   então,   po-­ de-­se   dizer   fazer   parte   da   filosofia   da   empresa   ser   social   e   ambiental-­ mente  responsável.

“O sucesso  é  obtido  por   meio   de   produtos   inova-­ dores,   com   qualidade,   mão-­de-­obra   qualificada,   responsabilidade   socio-­ ambiental,   valorização   e   desenvolvimento   das   co-­ munidades  regionais..”

QUAIS SÃO   AS   MAIORES   DIFICULDADES   PARA  ALCANÇAR  ESSA  POSTURA? O  aspecto  cultural  individual  é  um   obstáculo   com   o   qual   lidamos   dia-­ riamente,  pois  o  que  é  prática  para   muitos,   para   outros,   pode   parecer   novidade   ou   causar   estranhamento.     Outro   aspecto   a   ser   conside-­ rado   é   o   econômico.   Alguns   sistemas   e   pro-­ jetos,   para   implementar   e   manter   uma   eficiência   ambiental   adequada,   oneram   os   custos   da   empresa.   Mas   a   susten-­ tabilidade   é   extrema-­ mente  necessária.

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3URGXWRVVXVWHQW¡YHLVHLQRYDGRUHV ACREDITA QUE  EXISTAM  CLIENTES  QUE  PREFEREM  EMPRESAS  QUE  DEMONSTRAM  POS-­ TURAS   DE   RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL?   A   AMAZONGREEN   CONSEGUIU   AMPLIAR   O  MERCADO  DESDE  QUE  DECIDIU  AGIR  SOBRE  OS  ASPECTOS  DA  RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL? Sim.  Pesquisas  indicam  que,  cada  vez  mais,  o  consumidor  busca  produtos   e  soluções  empresariais  que  geram  baixo  impacto  ambiental  e  que  tenham   foco  na  sustentabilidade,  a  médio  e  longo  prazo.  No  caso  da  Amazongre-­ en,   os   produtos   já   denotam   a   preocupação   ambiental.   Isso,   por   sua   vez,   reforça  a  experiência  com  a  marca.  Ampliamos  a  atuação  no  mercado,  so-­ bretudo   de   exportação   Europeu,   Mercosul,   Asiático   e   algumas   regiões   do   Brasil,  onde  já  há  a  valorização  de  produtos  com  esse  conceito.

COMO FAZER  PARA  MOTIVAR  SEUS  FUN-­ CIONÁRIOS  PARA  ESTA  POSTURA  DE  DE-­ SENVOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL? Nossos   funcionários   já   entram   na   empresa   vivendo   esse   conceito   de   sustentabilidade,   em   todas   as   ativi-­ dades.  Faz  parte  da  filosofia  empre-­ sarial  da  Amazongreen.

COMO COMUNICA   ESTA   PRÁTICA   SO-­ CIOAMBIENTAL   AOS   CLIENTES?   POSSUI   AÇÕES  EM  MARKETING  OU  COMUNICA-­ ÇÃO   PARA   ISSO?   HÁ   ALGUM   TRABALHO   PARA   CONSCIENTIZAR   SEUS   CLIENTES   A   OPTAREM  POR  ESTE  TIPO  DE  PRODUTO? Quando  a  venda  é  direta,  o  clien-­ te   é   informado   das   boas   práticas   internas   e   externas,   principalmente   aquelas   realizadas   com   as   comu-­ nidades   parceiras.   Quando   o   con-­ sumidor   é   uma   terceira   pessoa,   ele   recebe   informação   por   meio   de   fol-­ der   institucional   e   pelo   site   da   mar-­ ca.   Temos   a   preocupação   de   fazer   da   sustentabilidade   um   conceito,   permanentemente,   buscado   e   não   apenas   um   apelo   de   marketing.   To-­ das   as   vezes   que   um   produto   Ama-­ zongreen   é   demonstrado   ao   consu-­ midor,   o   cliente   recebe,   em   primeira   ordem,  as  informações,  relativas  aos   aspectos   de   sustentabilidade,   inse-­ ridas  no  produto.

CONHEÇA MAIS: EMPRESA:  AmazonGreen SITE:  www.amazongreen.com.br   E-­MAIL:  amazongreen@amazongreen.com.br

QUE CONSELHO  PODE  DAR  ÀS  MICRO  E   PEQUENAS  EMPRESAS  NO  QUE  SE  REFE-­ RE  À  GESTÃO  AMBIENTAL  E  RESPONSABI-­ LIDADE  SOCIOAMBIENTAL? Que   considerem   a   sustentabilida-­ de   como   filosofia   na   gestão,   pla-­ nejamento   e   ações,   de   forma   a   se   tornar  uma  prática. HÁ   PERDAS   ECONÔMICAS   POR   INVES-­ TIR  NAS  QUESTÕES  AMBIENTAIS?  MUITAS   EMPRESAS   ADIAM   INICIAR   PROCESSOS   DE   GESTÃO   AMBIENTAL   POR   MEDO   DE   GERAR  CUSTOS  E  GASTOS.  COMO  VOCÊ   PERCEBE  ISSO?

“Temos a   preocupação   de   fazer  da  sustentabilidade  um   conceito,   permanentemente,   buscado   e   não   apenas   um   apelo  de  marketing.”

VALE A  PENA  MUDAR  A  GESTÃO  NA  EM-­ PRESA   INCLUINDO,   SOB   O   OLHAR   ECO-­ NÔMICO,  OS  ASPECTOS  SOCIAIS  E  AM-­ BIENTAIS? Sim.   Sobre   esse   enfoque,   a   justifi-­ cativa   a   médio   e   longo   prazo,   de   implementação   de   um   sistema   de   gestão   ambiental   ou   boas   práticas   ambientais,   não   apenas   se   funda-­ menta,  mas  se  consolida  globalmen-­ te   na   cultura   empresarial.   O   per fil   do   consumidor   vem   mudando   e   ele   percebe   e   recebe   melhor   os   produ-­ tos   classificados   como   socialmente   e  ambientalmente  corretos.

O que   muitos   empresários   obser-­ vam  como  perdas,  deve  ser  encara-­ do  como  oportunidade  de  mercado.   É   mais   oneroso,   mas   é   um   investi-­ mento.   Se   bem   planejado,   o   retorno   também   se   dará   por   meio   de   núme-­ ros  positivos. QUAIS  EXEMPLOS  DE  PRÁTICAS  DE  RESPONSABILIDADE  E  GESTÃO  AMBIENTAL  DE  FÁCIL   APLICAÇÃO,  PELAS  MICRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS,  PODEM  SER  RESSALTADOS?

Coleta Seletiva. Segregação  de  materiais  e/ou  resíduos. Uso  racional  da  energia  elétrica. Uso  racional  da  água. Reutilização  da  água  dentro  do  processo  produtivo.   Uso  de  equipamentos  elétricos  com  baixo  consumo  de  energia. Treinar  e  informar  os  funcionários  sobre  a  importância  da  sustentabilidade. Dar  preferência  para  a  compra  de  matéria-­prima  de  empresas  que  também   sigam  os  princípios  da  responsabilidade  ambiental. Dar   preferência,   sempre   que   possível,   para   o   uso   de   fontes   de   energia   limpas  e  renováveis  no  processo  produtivo. Criação  de  produtos  que  provoquem  o  mínimo  possível  de  impacto  ambiental.

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A SUSTENTABILIDADE  NA  ARTE  DE  BEM  RECEBER

BONSERÁ

QUAIS OS   ELEMENTOS   CHAVES   PARA   O   SUCESSO  DA  EMPRESA? Inovação,   persistência   e   fideliza-­ ção.

O QUE  É  AGIR  COM  RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL  EMPRESARIAL? É   praticar   a   sustentabilidade,   vi-­ sando   a   preser vação   do   meio   am-­ biente,   com   práticas   cidadãs,   dan-­ do   oportunidade   de   trabalho   para   as  quitandeiras  da  região.

O QUE  O  BONSERÁ  FAZ  PARA  SER  CON-­ SIDERADO   RESPONSÁVEL   AMBIENTAL-­ MENTE?   COMO   INCLUIR   ESSAS   POSTU-­ RAS  NA  PRÁTICA  EMPRESARIAL? Quando  ocorre  a  manipulação  de   quitandas   na   cozinha   do   Bonserá,   a   lenha   utilizada   no   fogão   provém   de  aproveitamentos  que  estudantes   das   repúblicas   próximas   nos   conse-­ guem.   Há   reciclagem   dos   lixos   mo-­ lhado   e   seco.   A   água   utilizada   é   aproveitada  para  aguar  as  plantas.   As   águas   pluviais   são   captadas   em   latões   para   a   lavagem   do   piso   ex-­ terno   do   Café.   A   borra   do   café   é   aproveitada   como   adubo   para   as   plantas.   Utilizamos   produtos   biode-­

O Bonserá   Café   Mineiro   pertence   ao   quadro   de   associados   da  ROTA  –  Rede  Organizada  para  o  Turismo  Autossustentável   na  Estrada  Real.  Trata-­se  de  um  Cama  e  Café,  cujo  diferencial,   além  de  receber  com    mineiridade,  é  oferecer  hospedagem  de   qualidade  e  excelente  ser viço  mineiro  de  café,  do  tipo  buffet.   A   ideia   surgiu   a   partir   de   um   projeto   sobre   a   arte   mineira   de   receber   e   quitandar,   com   o   objetivo   de   preser var   e   dissemi-­ nar   a   tradição   mineira   do   café   colonial,   das   quitandas   e   do   “ bem   receber   as   visitas”,   como   era   feita   nas   antigas   fazen-­ das   de   Minas,   por   meio   da   ação   de   quitandeiras   e   doceiras.   A   escolha   do   nome   recaiu   sobre   BONSERÁ,   nome   dado   aos   pousos   antigos   de   romeiros   e   tropeiros,   na   região   de   Ouro   Preto.  Também  significa  “ bem  receber  a  quem  chega”,  segundo   o  costume  português  estendido  à  nossa  Minas  Gerais,  durante   os   séculos   de   colonização.   A   empresa   está   há   dois   anos   no   mercado.  A  proprietária  da  empresa,  Maria  da  Graça  Menezes   Mourão,  falou  sobre  a  iniciativa  e  os  desafios  para  implemen-­ tar  atitudes  de  sustentabilidade.

gradáveis e   recorremos   ao   forneci-­ mento  de  produtos  artesanais  da  re-­ gião,   como   queijo,   biscoitos   doces,   licores.

p r a t i c a a   s u s t e n t a b i l i d a d e.   A c r e -­ d i t o   q u e,   p o r   m a n t e r m o s   a t i t u d e s   e   p o s t u r a s   s o c i o a m b i e n t a i s,   s o -­ m o s  p r o c u r a d o s  p o r  u m a  c l i e n t e l a   a l t a m e n t e   c o m p r o m e t i d a   c o m   a   s u s t e n t a b i l i d a d e.

QUAIS SÃO   AS   MAIORES   DIFICULDADES   PARA  ALCANÇAR  ESSA  POSTURA? O   p r e ç o   e l e v a d o   d a   p r o d u ç ã o   a r t e s a n a l.

“Somos procurados   por   uma   clientela   altamente   comprometida   com   a   sus-­ tentabilidade.”

ACREDITA QUE   EXISTAM   CLIENTES   QUE   PREFEREM  EMPRESAS  QUE  DEMONSTRAM   POSTURAS   DE   RESPONSABILIDADE   AM-­ BIENTAL?   CONSIDERA   TER   UMA   CLIEN-­ TELA   MAIOR   OU   DIFERENCIADA   POR   MANTER   ATITUDES   E   POSTURAS   SOCIO-­ AMBIENTAIS? A c r e d i t o.  E  a  e s t e s  c l i e n t e s,  p o -­ d e m o s   d i z e r   q u e   p r a t i c a m   c i d a -­ d a n i a.   E l e s   e x i s t e m   e   s ã o   c o n s -­ c i e n t e s   d e   q u e   e x e r c e m   u m   p a p e l   m u i t o   i m p o r t a n t e,   d a n d o   p r e f e -­ r ê n c i a   p a r a   u m a   e m p r e s a   q u e  

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3HTXHQDVDWLWXGHVV£RRGLIHUHQFLDO COMO ESTA  PRÁTICA  SOCIOAMBIENTAL   É  COMUNICADA  AOS  CLIENTES?  EXISTEM   AÇÕES  EM  MARKETING  OU  COMUNICA-­ ÇÃO  PARA  ISSO?

VALE A  PENA  MUDAR  A  GESTÃO  NA  EM-­ PRESA   INCLUINDO,   SOB   O   OLHAR   ECO-­ NÔMICO,  OS  ASPECTOS  SOCIAIS  E  AM-­ BIENTAIS?  POR  QUÊ?  

Essa prática  é  presenciada  no  co-­ tidiano   do   Bonserá   Café   Mineiro   e   sempre   a   divulgamos   entre   os   hós-­ pedes.

Vale, porque,   além   da   satisfação   de   praticar   cidadania,   estamos   contribuindo   para   um   mundo   melhor.   O   Bonserá   Café   Mineiro   considera   que   está   mostrando   uma   possibili-­ dade   estratégica   de   sobrevivência   do   segmento   de   quitandeiras,   na   competição   com   produtos   feitos   em   grande  escala.

QUE CONSELHO  DARIA  ÀS  MICRO  E  PE-­ QUENAS  EMPRESAS  NO  QUE  SE  REFERE  À   GESTÃO   AMBIENTAL   E   RESPONSABILIDA-­ DE  SOCIOAMBIENTAL?  HÁ  PERDAS  ECO-­ NÔMICAS  POR  INVESTIR  NAS  QUESTÕES   AMBIENTAIS? As   pequenas   atitudes   podem   se   tornar  o  diferencial.  Não  há  perdas,   apenas  ganhos.

CONHEÇA MAIS: EMPRESA:  Bonserá  Café  Mineiro SITE:  www.bonserácafemineiro.com.br   E-­MAIL:bonseracafemineiro@gmail.com

ACREDITA QUE  SUA  EMPRESA  POSSUI  UM  MERCADO  MAIS  AMPLO  DESDE  QUE  DECIDIU   AGIR  SOBRE  OS  ASPECTOS  DA  RESPONSABILIDADE  AMBIENTAL? A   p r o p o s t a   d o   B o n s e r á   C a f é   M i n e i r o,   d e s d e   a   s u a   c r i a ç ã o,   f o i   e m -­ b a s a d a   n o s   a s p e c t o s   d a   r e s p o n s a b i l i d a d e   a m b i e n t a l.   A l é m   d i s s o,   a   e m p r e s a  e s t á  l i g a d a  à  q u e s t ã o  s o c i a l.  Po r t a n t o,  o  f o c o  d a  s u s t e n t a b i -­ l i d a d e   r e l e v a   a   i n s e r ç ã o   s o c i o e c o n ô m i c a,   a   p r o m o ç ã o   d a   c i d a d a n i a   e   d o   d e s e n v o l v i m e n t o   h u m a n o,   c o m o   t a m b é m   o   l a d o   c u l t u r a l.  

COMO FAZ   PARA   MOTIVAR   SEUS   FUN-­ CIONÁRIOS  PARA  ESTA  POSTURA  DE  DE-­ SENVOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL? Os  que  convivem  no  Bonserá  Café   Mineiro   presenciam   as   águas   re-­ vertidas   aos   vasos   de   plantas,   ao   herbário   ou   ao   jardim,   após   serem   utilizadas   para   higienizar   as   frutas,   verduras   e   legumes.   O   recolhimento   da   água   pluvial   ser ve   para   lavar   o   chão.   O   resíduo   do   pó   de   café   é   usado   como   adubo.   Os   restos   de   madeira  são  usados  para  a  constru-­ ção  dos  móveis  ou  para  fogo.

“A inserção   socioeconô-­ mica,   a   promoção   da   cida-­ dania   e   do   desenvolvimen-­ to   humano,   como   também   o   lado  cultural.”

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SUSTENTABILIDADE E  RETORNO  FINANCEIRO

CARBONO ZERO A   Carbono   Zero   Courier   é   uma   empresa   que   presta   ser viços   de   entregas   expressas,   utilizando   somente   bicicletas.  A  instituição  tem  um  ano  e  quatro  meses  de   fundação,  e  nasceu  da  vontade  de  se  ter  um  empre-­ endimento   no   qual   o   produto   final   fosse   diretamente   benéfico   ao   Planeta.   De   acordo   com   o   proprietário,   Rafael   Mambretti   Pinto,   é   possível   realizar   nossas   atividades   e   processos,   que   contribuem   para   o   de-­ senvolvimento  econômico,  sem  causar  impacto  nega-­ tivo  ao  Planeta  e  às  pessoas.  Na  entrevista,  descrita   abaixo,   o   proprietário   Rafael   Mambretti   Pinto,   relata   como  fez  para  implantar  ações  de  sustentabilidade.

QUAIS SÃO  OS  ELEMENTOS  FUNDAMEN-­ TAIS  PARA  O  SUCESSO  DE  UMA  EMPRESA?

O QUE  É  AGIR  COM  RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL  EMPRESARIAL?

Planejamento é   importante.   Procu-­ rar   prever   o   que   poderá   acontecer   e   se   preparar.   Na   gestão,   procura-­ mos   ter   o   máximo   de   controle   sobre   os   números   e   informações.   Ter   uma   relação   transparente   com   todas   as   partes   (clientes,   fornecedores)   tam-­ bém   garante   uma   base   sólida   para   um  relacionamento  duradouro.

É colocar   uma   variável   tão   impor-­ tante   quanto   o   lucro   na   sua   empre-­ sa.   Essa   variável   chama-­se   Planeta.   Depois,  é  preciso  medir  os  impactos   que  seus  processos  e  produtos  cau-­ sam   nele,   analisar   quais   podem   ser   substituídos,   ou   reduzidos,   para   di-­ minuir  esses  impactos.  E  essa  respon-­ sabilidade  deve  acontecer  em  toda   a   cadeia   produtiva   da   empresa.   É   implementar   uma   filosofia   para   que   as  pessoas  entendam  e  adotam,  fa-­ zendo  parte  do  seu  dia  a  dia

“Ter uma   relação   transparen-­ te  com  todas  as  partes  também   garante   uma   base   sólida   para   um  relacionamento  duradouro.” O  QUE  É  AGIR  COM  RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL  EMPRESARIAL? É   colocar   uma   variável   tão   impor-­ tante   quanto   o   lucro   na   sua   empre-­ sa.   Essa   variável   chama-­se   Planeta.   Depois,  é  preciso  medir  os  impactos   que  seus  processos  e  produtos  cau-­ sam   nele,   analisar   quais   podem   ser   substituídos,   ou   reduzidos,   para   di-­ minuir  esses  impactos.  E  essa  respon-­ sabilidade  deve  acontecer  em  toda   a   cadeia   produtiva   da   empresa.   É   implementar   uma   filosofia   para   que   as  pessoas   entendam  e  adotam,  fa-­ zendo  parte  do  seu  dia  a  dia

“É preciso   medir   os   impac-­ tos   que   seus   processos   e   produtos   causam   nele,   ana-­ lisar   quais   podem   ser   subs-­ tituídos,   ou   reduzidos,   para   diminuir  esses  impactos.” O   QUE   SUA   EMPRESA   FAZ   PARA   SER   CONSIDERADA   RESPONSÁVEL   AMBIEN-­ TALMENTE? Independente   de   o   nosso   ser viço   beneficiar   diretamente   o   Planeta,   procuramos   adotar,   em   toda   a   em-­ presa,   ações   para   diminuir   o   nosso   impacto,   como   por   exemplo,   a   não   utilização   de   papel.   Nossos   clien-­

tes recebem   um   recibo   eletrônico   pelo   ser viço   executado   e   não   uma   ordem   de   ser viço   em   papel,   como   é  de  costume  no  mercado.  Consumi-­ mos   o   mínimo   possível   de   materiais   de   escritório,   reutilizamos   muito   o   papel   recebido   de   outras   empresas   como   rascunho,   reaproveitamos   as   embalagens   dos   produtos   compra-­ dos,   bem   como   os   envelopes,   entre   outras  ações. COMO   INCLUIR,   NA   PRÁTICA   EMPRESA-­ RIAL,  POSTURAS  BASEADAS  NA  RESPON-­ SABILIDADE  AMBIENTAL? Primeiro,   é   importante   ter   vonta-­ de  e,  de  preferência,  por  parte  dos   gestores   e   tomadores   de   decisão,   pois   eles   precisam   dar   o   exemplo.   Depois,   é   válido   procurar   referên-­ cias,  exemplos  de  ações  que  outras   empresas,   projetos,   ONGs,   governo,   vêm   fazendo.   Seja   qual   for   a   ação   adotada,  é  importante  explicar  para   as  pessoas  o  motivo  da  prática  des-­ sa  ação,  e  quais  são  as  consequên-­ cias  positivas  para  o  Planeta.  Dessa   forma,   elas   perceberão   que   fazem   parte   do   todo,   que   são   reais   con-­ tribuidoras   da   mudança.   E,   conse-­ quentemente,   levarão   para   dentro   de  suas  casas  e  para  os  amigos.

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QUAIS SÃO   AS   MAIORES   DIFICULDADES   PARA  ALCANÇAR  ESSA  POSTURA? Acredito   que   seja   colocá-­las   no   dia   a   dia   das   pessoas   para   que   adotem   essas   ações,   e   convencê-­ -­las   da   importância   e   da   necessi-­ dade   de   mudança   de   processos   e   cultura.  Por  isso,  é  importante  incen-­ tivos  e  formas  criativas  de  implemen-­ tar  essas  mudanças.

COMO FAZ   PARA   MOTIVAR   SEUS   FUN-­ CIONÁRIOS  PARA  ESTA  POSTURA  DE  DE-­ SENVOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL? Explico   as   consequências,   o   por-­ quê,   os   benefícios;;   tento   envolvê-­ -­los,   para   que   se   sintam   parte   do   todo.   Além   disso,   é   importante   dar   o   exemplo.   É   preciso   que   os   líderes   façam  isso.

FAZ ALGUM  TRABALHO  PARA  CONSCIEN-­ TIZAR   SEUS   CLIENTES   A   OPTAREM   POR   SERVIÇOS  BASEADOS  NA  RESPONSABILI-­ DADE  SOCIOAMBIENTAL? Sim.   Conversamos   bastante,   tro-­ camos   experiências   e   informações.   Não   é   um   processo   formal;;   é   mais   informal.   É   comum   os   clientes   nos   procurarem. QUE  CONSELHO  DARIA  ÀS  MI-­ CRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS   NO  QUE  SE  REFERE  À  GESTÃO   AMBIENTAL   E   RESPONSABILI-­ DADE  SOCIOAMBIENTAL?

“Procurar refe-­ rências,   exem-­ plos   de   ações   que   outras   em-­ presas,  projetos,   ONGs,   governo,   vêm  fazendo.”

ACREDITA QUE,  HOJE,  JÁ  EXIS-­ TAM  CLIENTES  QUE  PREFEREM   EMPRESAS   QUE   DEMONS-­ TRAM  POSTURAS  DE  RESPON-­ SABILIDADE  AMBIENTAL? Sim.   Somos   uma   prova   viva   disso.   Nosso   cresci-­ mento,   para   um   start-­up,   é   excelente   e   pautado   na   busca   de   nossos   clientes,   não  só  por  uma  alternativa   de   ser viço,   mas   uma   alter-­ nativa  sustentável.

“É importante   incentivos   e   formas   criati-­ vas  de  implementar  essas  mudanças.”

CONSIDERA TER  UMA  CLIENTELA  MAIOR,   OU   ESPECIALMENTE   DIFERENCIADA   EM   SUA   EMPRESA,   POR   MANTER   ATITUDES   E   POSTURAS   SOCIOAMBIENTAIS?   ACREDI-­ TA   QUE   SUA   EMPRESA   POSSUI   UM   MER-­ CADO  MAIS  AMPLO  DESDE  QUE  DECIDIU   AGIR  SOBRE  OS  ASPECTOS  DA  RESPON-­ SABILIDADE  AMBIENTAL? Não  diria  mais  amplo,  mas  acredi-­ to  que  um  diferencial,  uma  vantagem   competitiva,   com   certeza.   A   maio-­ ria   dos   nossos   clientes   nos   procura   pelo  nosso  diferencial  socioambien-­ tal.   Agregamos   muito   valor   a   eles,   tanto  é  que  muitos  divulgam  que  são   nossos  clientes.

COMO COMUNICA   ESTA   PRÁTICA   SO-­ CIOAMBIENTAL   AOS   CLIENTES?   POSSUI   AÇÕES  EM  MARKETING  OU  COMUNICA-­ ÇÃO  PARA  ISSO? Toda   nossa   comunicação   e   divul-­ gação   é   feita   por   meio   eletrônico.   Utilizamos   as   redes   sociais,   como   o   Facebook,  o  Twitter  e  o  nosso  blog.   Especificamente,   para   alguns   clien-­ tes,   existe   uma   comunicação   direta   via  email.

“A maioria   dos   nossos   clientes  nos  procura  pelo   nosso   diferencial   socio-­ ambiental.”

Independente dos   dife-­ renciais   competitivos   que   podem   trazer,   é   nossa   responsabilidade   adotá-­ -­las.   Empresas,   também,   são   referências   para   a   sociedade.   Cada   vez   mais,  serão  cobradas  das   empresas   essas   postu-­ ras,   seja   do   governo,   por   meio  de  leis  ou  incentivos,   ou   da   sociedade.   Pes-­ quisem   ações,   exemplos,   conversem   com   quem   já   adotou   algumas   práticas.   Quanto   mais   informação,   mais   alternativas   para   os   processos   específicos   de   cada  empresa.

“Independente dos   diferenciais  competiti-­ vos  que  podem  trazer,   é   nossa   responsabili-­ dade   adotá-­las.   Em-­ presas,   também,   são   referências  para  a  so-­ ciedade.”


6XVWHQWDELOLGDGHHUHWRUQRŹQDQFHLUR HÁ PERDAS   ECONÔMICAS   POR   INVES-­ TIR  NAS  QUESTÕES  AMBIENTAIS?  MUITAS   EMPRESAS   ADIAM   INICIAR   PROCESSOS   DE   GESTÃO   AMBIENTAL   POR   MEDO   DE   GERAR  CUSTOS  E  GASTOS.  COMO  VOCÊ   PERCEBE  ISSO? Acredito  que  seja  uma  questão  de   ponto   de   vista.   Vejo   como   investi-­ mento,  pois  com  certeza  pode  trazer   um   retorno   financeiro.   Pode   ser   vis-­ to   até   mesmo   como   economia.   São   inúmeros   os   casos   de   empresas   que   investiram   em   uma   gestão   ambiental   para   ter   uma   economia   a   médio   e   longo   prazo.   Por   exemplo,   algumas   fábricas   vêm   instalando   geradores   eólicos   para   suprir   suas   necessida-­ des   de   energia.   Com   certeza,   de-­ pois   de   um   tempo,   o   valor   investido   será  pago  com  a  economia  conquis-­ tada.   E   isso   pode   ser   extrapolado   para   qualquer   outro   processo.   O   valor   que   se   agrega,   para   uma   em-­ presa   que   adota   essas   práticas,   é   praticamente   imensurável,   e   esses   diferenciais   podem   ser   o   fator   de   escolha   do   cliente   e,   às   vezes,   as   empresas  nem  ficam  sabendo.

VALE A  PENA  MUDAR  A  GESTÃO  NA  EM-­ PRESA   INCLUINDO,   SOB   O   OLHAR   ECO-­ NÔMICO,  OS  ASPECTOS  SOCIAIS  E  AM-­ BIENTAIS?  POR  QUÊ? Nós  adotamos  três  variáveis  como   norte   da   nossa   gestão:   pessoas,   Planeta   e   lucro.   Essas   variáveis   ca-­ minham  juntas,  são  analisadas  juntas   e   possuem   igual   importância.   Isso   tem   sido   a   chave   para   o   nosso   su-­ cesso,   nosso   crescimento.   E,   acima   de   tudo,   é   uma   tendência   adotar   práticas   mais   humanas   e   sustentá-­ veis;;   os   clientes,   cada   vez   mais,   procuram   esse   tipo   de   responsabi-­ lidade.   Ninguém   quer,   por   exemplo,   se   associar   com   uma   empresa   que   faça   um   trabalho   escravo   ou   polua   os   lençóis   freáticos   que   abastecem   uma  determinada  região.

CITE EXEMPLOS  DE  PRÁTICAS  DE  RESPONSABILIDADE  E  GESTÃO  AMBIENTAL  DE  FÁCIL   APLICAÇÃO  PELAS  MICRO  E  PEQUENAS  EMPRESAS?

Adotar o  nosso  serviço,  o  serviço  de  “ um  bike  courier”  ao  invés  de  um  motoboy. Repensar  o  uso  de  papel  na  empresa. Adotar  a  coleta  seletiva  e  separação  do  lixo. Repensar   a   questão   da   energia   elétrica.   Por   exemplo,   uma   pequena   empresa  pode  estar  situada  em  uma  residência.  Será  que  essa  casa  não   tem  uma  iluminação  natural,  boa  o  suficiente  para  garantir  uma  ilumina-­ ção  durante  quase  todo  o  dia? Usar  o  ar-­condicionado  é  realmente  necessário?  Dependendo  da  lo-­ calidade,  talvez  um  estudo  possibilite  uma  alternativa. Analisar   o   ambiente   de   trabalho   e   propiciar   boas   condições   para   que  os  colaboradores  possam  desenvolver  seu  trabalho. Passar  conhecimentos  sobre  o  assunto  para  as  pessoas  que  trabalham   na  organização,  além  do  conhecimento  técnico  necessário. Reduzir   o   consumo   dos   itens   da   empresa.   Analisar   se   tudo   está   sen-­ do   bem   aproveitado.   O   recurso   financeiro   também   é   um   recurso   finito.   Consumir  o  mínimo  possível  ajuda  não  só  o  bolso,  mas  o  meio  ambiente. Incentivar   os   funcionários   a   utilizar   outros   meios   de   transporte,   por   exemplo,  a  bicicleta.  Perde-­se  muito  tempo,  sem  contar  energia,  nos  en-­ garrafamentos  das  grandes  cidades.  Pode  ser  uma  enorme  contribuição   para   a   empresa   ter   funcionários   mais   saudáveis,   menos   estressados   e   mais  alegres.    A  produtividade  é  muito  maior.

CONHEÇA MAIS: EMPRESA:  Carbono  Zero  Courier SITE:  www.carbonozerocourier.com.br   E-­MAIL:  contato@carbonozerocourier.com.br

“Nós adotamos   três   va-­ riáveis   como   norte   da   nossa   gestão:   pessoas,   Planeta  e  lucro.”

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MUDANÇA NOS  INSUMOS  PARA  AMPLIAR  MERCADOS

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%2$(63(5$1‡$ A Cooperativa   dos   Produtores   de   Café   Especial   de   Boa   Esperança,   fundada   há   três   anos,   é   uma   institui-­ ção   mineira,   do   ramo   de   cafeicultura,   especializada   na  produção  de  café  sustentável.  É  uma  organização   de   pequenos   produtores   que   conseguiu   reconheci-­ mento  e  inserção  no  mercado  com  preços  mais  justos   e   valorizando   a   qualidade   de   vida   das   famílias   e   o   meio   ambiente.   André   Luiz,   presidente   da   Cooperati-­ va,   falou   das   oportunidades   e   dos   desafios   encon-­ trados.

QUAIS OS   ELEMENTOS   FUNDAMENTAIS   PARA  O  SUCESSO  DE  UMA  EMPRESA?  EM   QUE   CONSISTE   A   RESPONSABILIDADE   SOCIAL  EMPRESARIAL? Organização,   transparência,   de-­ mocracia,   responsabilidades   am-­ biental  e  social  são  elementos  cha-­ ve   na   empresa.   Responsabilidade   social,   assim,   é   realizar   ações   efe-­ tivas   que   demonstram   consciência   de   todos   os   envolvidos.   Trabalhar   de   forma   responsável   e   sustentável   nas   práticas   socioeconômicas   da   empresa.

O QUE   SUA   EMPRESA   FAZ   PARA   SER   CONSIDERADA   RESPONSÁVEL   AMBIEN-­ TALMENTE? A  empresa  trabalha  com  o  sistema   de   produção   sustentável   de   café,   desenvolvendo   ações   ligadas   às   praticas   sustentáveis,   por   meio   de   assistência  técnica  exclusiva  ao  ma-­ nejo   da   produção   de   café.   Temos   várias  ações  planejadas  e  executa-­ das,   desde   a   implantação   da   coo-­ perativa.   Algumas   delas   são:   plano   ambiental   voltado   às   comunidades   envolvidas;;  rastreamento  das  lavou-­ ras   e   tratos   culturais;;   mapeamento   das   propriedades;;   nascentes   geo-­

“Organização, transparência,  democracia,  responsabilidades   ambiental  e  social  são  elementos  chave  na  empresa.  Responsa-­ bilidade  social,  assim,  é  realizar  ações  efetivas  que  demonstram   consciência  de  todos  os  envolvidos.”

localizadas;; ações  de  recuperação   de  nascentes;;  diminuição  gradativa   do   uso   de   pesticidas;;   dentre   várias   outras  ações. ACREDITA  QUE  JÁ  EXISTAM  CLIENTES  QUE   PREFEREM  EMPRESAS  QUE  DEMONSTRAM   POSTURAS   DE   RESPONSABILIDADE   AM-­ BIENTAL? Sim.   O   mercado   todo   está   se   vol-­ tando  para  a  responsabilidade  am-­ biental.   Todos   os   nossos   clientes,   pessoa   jurídica,   já   possuem   ações   de     responsabilidade   socioambien-­ tal   nos   processos   e   procedimentos   da  empresa.  A  empresa  alcança  am-­ plo  mercado  por  agir  sob  os  aspec-­ tos   de   responsabilidade   ambiental.   Depois   que   adotamos   práticas   de   produção   de   café   com   responsabi-­ lidade   ambiental,   nossa   cooperati-­ va  cresceu,  aceleradamente,  e  con-­ quistou  novos  clientes.

COMO FAZ  PARA  MOTIVAR  SEUS  FUNCIO-­ NÁRIOS  E  CLIENTES  PARA  ESTA  POSTURA   DE  DESENVOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL? Mostrar   a   eles   a   importância   da   sustentabilidade,     hoje,   na   nossa   empresa,  e  compartilhar  responsabi-­ lidades  que  lhes  façam  reciclar  con-­ ceitos.  Quanto  aos  clientes,  os  moti-­ vamos  por  meio  de  cartilhas  e  visitas   orientadas  em  nossa  organização.

“A empresa  alcança  am-­ plo  mercado  por  agir  sob   os  aspectos  de  responsa-­ bilidade  ambiental.”

“RECICLAR CONCEITOS”

“O mercado  todo  está  se  voltando  para  a  responsabilidade  ambiental.”

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Mudanças nos  insumos  para  ampliar  mercados HÁ  PERDAS  ECONÔMICAS  POR  INVESTIR  NAS  QUESTÕES  AMBIEN-­ TAIS?  MUITAS  EMPRESAS  ADIAM  INICIAR  PROCESSOS  DE  GESTÃO   AMBIENTAL   POR   MEDO   DE   GERAR   CUSTOS   E   GASTOS.   COMO   VOCÊ  PERCEBE  ISSO? As   questões   ambientais   não   geram   custos   adicionais   à   empresa.   Pelo   contrário,   na   cafeicultura,   elas   minimizam   custos  de  produção.  As  empresas  devem  trabalhar  de  for-­ ma   concreta   nos   conceitos   da   responsabilidade   socio-­ ambiental   e,   uma   vez   que   o   faça,   os   processos   se   inter-­ nalizam.   É   gratificante,   saudável   e   economicamente   mais   rentável.   Os   aspectos   ambientais   e   sociais   do   presente   mostram,   de   forma   clara,   a   maneira   certa   de   direcionar   decisões  futuras.

“As empresas   devem   trabalhar   de   forma   con-­ creta  nos  conceitos  da  responsabilidade  socio-­ ambiental   e,   uma   vez   que   o   faça,   os   processos   se  internalizam.”

CITE EXEMPLOS  DE  PRÁTICAS  DE  RESPONSABILIDADE  E  GESTÃO   AMBIENTAL   DE   FÁCIL   APLICAÇÃO   PELAS   MICRO   E   PEQUENAS   EMPRESAS?

Conscientização, Coletas  de  lixo  seletivas, Envolvimento  dos  funcionários, Envolvimento  das  comunidades  e   Palestras  educativas.

CONHEÇA MAIS:   EMPRESA:  Cooperativa  dos  Produtores  de  Café  Especial  de  Boa  Esperança E-­MAIL:  andre.be.costas@gmail.com

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RECONHECIMENTO POR  BOAS  PRÁTICAS  SOCIOAMBIENTAIS

&(5‚0,&$,78,87$%$ A Cerâmica   Ituiutaba   está   no   mercado   desde   1973.   A   empresa   nasceu   com   o   objetivo   de   produzir   telhas   tijolos  e  acabamentos  de  argila,  tendo  como  motiva-­ ção   inicial   auxiliar   no   processo   de   desenvolvimento   da  cidade  do  pontal  do  Triângulo  Mineiro,  com  foco   principal   em   produzir   produtos   de   qualidade.   A   alta   administração   da   empresa   responde   sobre   a   impor-­ tância  das  questões  ambientais  no  negócio.

QUAIS ELEMENTOS  FUNDAMENTAIS  PARA   O  SUCESSO  DE  UMA  EMPRESA? Com   o   passar   dos   tempos,   o   ob-­ jetivo     inicial   da   empresa   foi   se   mo-­ dificando,   devido   à   exigências   do   mercado.   Um   dos   itens   que   tem   se   mostrado  fundamental  para  o  suces-­ so   da   empresa   é   sua   preocupação   com   a   gestão     ambiental.   A   partir   de   então,   a   empresa   passou   a   agir   com   responsabilidade   ambiental   e   o   foco   passou   de   qualidade,   que   é   direito   do   consumidor,   à   preocupa-­ ção   principal   com   o   meio   ambiente   em  todas  as  fases  do  processo  pro-­ dutivo.   O  QUE  SUA  EMPRESA  FAZ  PARA  SER  CON-­ SIDERADA   RESPONSÁVEL   AMBIENTAL-­ MENTE? Em  todo  o  processo  de  queima  do   produto,   a   empresa   substituiu   a   le-­ nha   de   madeira   nativa   por   cavaco   de   resíduos   de   madeira   plantada,   legalmente   autorizada   por   órgãos   ambientais  e  devidamente  documen-­ tada.  Além  disso,  a  empresa  reutiliza   a   água   da   chuva   para   molhar   a   ar-­ gila   utilizada   no   processo   produti-­ vo,  evitando  o  desperdício  de  água   doce   disponível.   Também   possui   no   processo   produtivo   uma   máquina   que   reutiliza   a   água   descartada   durante  o  processo  de  produção.  A   argila   utilizada   é   legalizada   e   do-­ cumentada. O   processo   de   inclusão   de   práti-­ cas   ambientais   é   lento,   mas   neces-­ sário.  Todas  as  práticas  citadas  são  

incluídas no  processo  produtivo  len-­ tamente  para  evitar  mudanças  brus-­ cas  no  processo.

“Um dos   itens   que   tem   se   mostrado   fundamental   para   o   sucesso   da   em-­ presa   é   sua   preocupa-­ ção   com   a   gestão     am-­ biental.” ACREDITA   QUE   EXISTAM   CLIENTES   QUE   PREFEREM  EMPRESAS  QUE  DEMONSTRAM   POSTURAS   DE   RESPONSABILIDADE   AM-­ BIENTAL? Inicialmente,   não   percebíamos   uma  cobrança  do  cliente  para  todo   esse  processo  de  melhoria.  A  empre-­ sa  passou  a  divulgar  como  as  ações   sustentáveis   poderiam   beneficiar   a   população   como   um   todo   e   hoje   temos   reconhecimento   por   parte   de   nossos  clientes.  Entendemos,  a  partir   daí,   que   não   é   necessário   apenas   mudar,  mas  também  divulgar  o  que  é   feito  para  que  possamos  tanto  ser vir   de   exemplo   para   outras   empresas,   quanto  despertar  em  nossos  clientes   a   consciência   de   adquirir   produtos   de   empresas   sustentáveis,   para   ga-­ rantir  um  meio  ambiente  melhor.Temos   a  consciência  que  esse  processo  de   entendimento  por  parte  do  cliente  é   lento.  Tentamos,  então,  em  vez  de  ter   foco  em  alcançar  novos  clientes,  fo-­ car  em  conscientizar  os  clientes  que   temos  para  que  eles  nos  tragam  mais   colaboradores   para   nossa   missão  

de um  meio  ambiente  mais  saudável. A  empresa  tem  investido  em  marke-­ ting   para   divulgar   sua   postura   aos   seus  clientes.  Além  disso,  e-­mails  com   informações   das   ações   realizadas   são  enviados  regularmente,  a  fim  de   colocá-­los  a  par  de  tudo  o  que  esta   sendo  mudado  na  empresa.

“Não é  necessário  ape-­ nas   mudar,   mas   também   divulgar   o   que   é   feito   para   que   possamos   tan-­ to  ser vir  de  exemplo  para   outras   empresas,   quan-­ to   despertar   em   nossos   clientes  a  consciência  de   adquirir   produtos   de   em-­ presas   sustentáveis,   para   garantir   um   meio   ambien-­ te  melhor.”


Reconhecimento por  boas  práticas  socioambientais COMO  FAZ  PARA  MOTIVAR  SEUS  FUNCIO-­ NÁRIOS  PARA  ESSA  POSTURA  DE  DESEN-­ VOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL? Fazemos   palestras   de   esclareci-­ mento   sobre   o   assunto,   bem   como   para   mostrar   o   que   significa   o   uso   ecoeficiente   na   produção.   Demons-­ tramos   a   eles   que   pequenas   atitu-­ des,   como   fechar   uma   torneira   que   está   pingando,   podem   trazer   gran-­ des   benefícios   à   sociedade   como   um   todo.   Além   disso,   a   empresa   cul-­ tiva   uma   horta,   cujos   produtos   são   doados   para   os   funcionários   como   forma   de   incentivo   por   manterem   a   empresa  limpa. E-­MAIL:  ceramicaitba@hotmail.com

“Às vezes,   o   olhar   eco-­ nômico   nos   cega   para   uma   realidade   que   não   depende   unicamente   do   dinheiro.   O   que   adian-­ ta   no   futuro   ter   rios   de   dinheiro   e   não   ter   água   para  beber?.”

HÁ PERDAS  ECONÔMICAS  POR  INVESTIR   NAS  QUESTÕES  AMBIENTAIS? Toda   mudança   gera   gastos.   Mas,   dependendo   do   ramo,   eles   podem   ser   insignificantes   perto   dos   bene-­ fícios   que   podem   gerar   no   futuro.   Acreditamos   que   com   o   mercado   cada   dia   mais   competitivo   e   exi-­ gente,   o   próprio   curso   do   desen-­ volvimento  nos  leva  a  mudanças.  No   começo,   nem   sempre   elas   agradam.   Às   vezes,   o   olhar   econômico   nos   cega   para   uma   realidade   que   não   depende  unicamente  do  dinheiro.  O   que  adianta  no  futuro  ter  rios  de  di-­ nheiro   e   não   ter   água   para   beber?   Devemos   ter   a   consciência   de   que   em  um  negocio  é  necessário,  sim,  ter   lucro,   mas   também   podemos   achar   um  caminho  de  ter  lucros  e  ainda  por   cima   trazer   benefícios   para   o   meio   ambiente.

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RECICLAGEM DE  RESÍDUOS  ELETRÔNICOS

RCTEC A RCTEC   é   uma   empresa   que   há   dois   anos   atua   no   mercado   de   reciclagem   de   lixo   eletrônico.   A   institui-­ ção   nasceu   com   a   missão   de   oferecer   às   empresas   um   ser viço   totalmente   confiável   e   transparente   de   coleta  e  destinação  correta  de  resíduos  eletrônicos.   Com  essa  postura,  a  empresa  tem  como  meta  se  tornar   referência   no   ramo,   no   Nordeste   do   país.   O   princi-­ pal  objetivo  da  instituição  é  a  preser vação  do  meio   ambiente   por   meio   da   coleta   e   destinação   correta   de  resíduos  eletrônicos.  O  diretor  da  empresa,  Flávio   Costa,  contou  um  pouco  do  projeto.   Para  a  empresa,  perseverança,  conhecimento  sobre  o   produto  ou  ser viço,  transparência  e  inovação  são  os   elementos  chave  para  o  sucesso.

O QUE  É  AGIR  COM  RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL  EMPRESARIAL? É   alinhar   e   desenvolver   soluções   com   base   em   três   pilares:   econômi-­ co,  social  e  ambiental.  E  é  importan-­ te   ressaltar   que   não   basta   colocar   em   prática   somente   no   processo   interno,   mas   também   levar   estas   práticas   para   fora   da   empresa,   en-­ volvendo   colaboradores,   clientes,   fornecedores  e  parceiros. Estamos   focados   na   preser vação   do  meio  ambiente  por  meio  do  des-­ carte   ambientalmente   correto   do   lixo   eletrônico.   Ou   seja,   todo   ma-­ terial   coletado   tem   sua   destinação   final   adequada.   Nada   será   descar-­ tado  em  lixões,  beira  de  rios,  ou  até   mesmo   em   terrenos   baldios.   Temos   como   princípio   base   a   logística   re-­ versa. O   maior   empecilho   em   tudo   que   envolva  prática  ambiental  é  a  cons-­ cientização   das   pessoas.   Depois,   quebrar   certos   hábitos,   como   por   exemplo:   aquele   papel   com   erro   de   impressão,   ao   invés   de   rasga-­ do   e   jogado   fora,   pode-­se   utilizar   o   verso   como   rascunho   e,   quando   não  mais  utilizável,  picota  e  recicla.   Para   isso,   apresentamos   resultados   e   mostramos   o   quanto   beneficia   o   meio   ambiente,   sempre   levando   em   consideração   os   pilares   que   com-­ põem  a  sustentabilidade.

Junto ao   público   externo,   busca-­ mos   todo   tipo   de   comunicação:   te-­ levisiva,  r ádio,  p anfletagem,  a núncio   em   sites,   mídias   sociais,   campanhas   envolvendo   a   população.   Passare-­ mos  a  investir  em  palestras  também. A  cada  reunião  realizada  com  es-­ tes   clientes,   apresentamos   resulta-­ dos   e   mostramos   a   viabilidade   de   ser  socioambiental.

“Buscamos todo   tipo   de   comunicação:   televi-­ siva,   rádio,   panfletagem,   anúncio   em   sites,   mídias   sociais,   campanhas   en-­ volvendo   a   população.   Passaremos   a   investir   em   palestras  também.”

COMO INCLUIR,   NA   PRÁTICA   EMPRESA-­ RIAL,  POSTURAS  BASEADAS  NA  RESPON-­ SABILIDADE  AMBIENTAL? Pode-­se  iniciar  com  ações  simples   dentro  da  empresa,  por  meio  de  car-­ tazes   em   quadros   de   aviso,   comuni-­ cados   internos   por   meio   de   emails,   placas   espalhadas   pelos   departa-­ mentos  como,  por  exemplo:  “apague  

“Não basta   colocar   em   prática   somente   no   pro-­ cesso   interno,   mas   tam-­ bém   levar   estas   práticas   para   fora   da   empresa,   envolvendo   colaborado-­ res,   clientes,   fornecedo-­ res  e  parceiros.” a   luz   ao   sair   da   sala”,   “desligue   o   ar-­condicionado   ao   sair ”.   Distribuir   pela   empresa   lixeiras   para   coleta   seletiva   -­   no   caso   de   a   coleta   re-­ verter  a  renda  do  lixo  para  uma  ins-­ tituição  carente  ou  até  mesmo  para   cooperativa,   também   ajuda.   Porém,   o   mais   importante   é   apresentar   re-­ sultados   aos   envolvidos   como   um   estimulante  para  se  alcançar  melho-­ res  resultados.    

“Ações simples   dentro   da   empresa,   por   meio   de   carta-­ zes  em  quadros  de  aviso,  co-­ municados   internos   por   meio   de  emails,  placas  espalhadas   pelos   departamentos   como,   por   exemplo:   “apague   a   luz   ao   sair   da   sala”,   “desligue   o   ar-­condicionado  ao  sair ”

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A reciclagem  incluída  nos  processos  de  produção ACREDITA   QUE   EXISTAM   CLIENTES   QUE   PREFEREM  EMPRESAS  QUE  DEMONSTRAM   POSTURAS   DE   RESPONSABILIDADE   AM-­ BIENTAL? Sim,   e   esse   número   deve   subir   se   houver   um   comprometimento   maior.     Existem,   ainda,   algumas   empresas   que   estão   com   mentalidade   retró-­ gada,   que   visam,   por   menor   que   seja,   um   retorno   financeiro.   Vou   ci-­ tar,   por   exemplo,   o   lixo   eletrônico.   Algumas   empresas   preferem   vender   esse  material  a  dá-­los  destino  corre-­ to.   No   entanto,   no   ato   da   venda,   a   empresa  sequer  exige  do  comprador   documentos  básicos  ou  certificação   que   permita   o   manuseio   adequado   deste   resíduo.   É   de   conhecimento   de  todos  que  estes  compradores  in-­ formais  retiram  o  que  tem  valor  agre-­ gado,  e  aquela  parte,  que  gera  cus-­ to  para  destinação  correta,  volta  a   ser   jogada   no   meio   ambiente   das   piores  maneiras. A   RCTEC   possui   um   mercado   mais   amplo  desde  que decidiu   agir   sob   os   aspectos   da   responsabilidade   ambiental.   Até   mesmo  por  se  tratar  de  uma  empresa   pioneira   no   Nordeste.   Porém,   vale   salientar,  o  pioneirismo  transparente   e  correto.  Focamos  na  conscientiza-­ ção   e   provamos   que   é   mais   viável   descarte  de  maneira  correta  do  que   visar  algum  valor.  Foi  aí  que  mais  em-­ presas  e  pessoas  buscaram  a  RCTEC   para  descartar  seu  lixo  eletrônico.

“É notório  que,  num  primei-­ ro  instante,  existirá  um  custo   para   as   empresas   fecharem   um   ciclo   verde.   Porém,   esse   custo  é  mínimo  perto  do  re-­ torno  gerado.  ” MUITAS   EMPRESAS   ADIAM   INICIAR   PRO-­ CESSOS   DE   GESTÃO   AMBIENTAL   POR   MEDO   DE   GERAR   CUSTOS   E   GASTOS.   COMO  VOCÊ  PERCEBE  ISSO? É  notório  que,  num  primeiro  instan-­ te,   existirá   um   custo   para   as   empre-­ sas   fecharem   um   ciclo   verde.   Porém,   esse  custo  é  mínimo  perto  do  retorno   gerado.  Mas  isso,  só  será  percebido   quando   esta   mesma   empresa   co-­ meçar   a   disseminar   seu   diferencial   como   empresa   sustentável.   Assim,   possivelmente,   terá   novos   contratos  

“A RCTEC   possui   um   mer-­ cado   mais   amplo   desde   que   decidiu   agir   sob   os   aspectos   da   responsabili-­ dade   ambiental.   Até   mesmo   por  se  tratar  de  uma  empre-­ sa  pioneira  no  Nordeste.” e   também   a   mídia   divulgando   suas   ações.   Vejo   essa   decisão   como   um   investimento   em   médio   prazo.   Vale   lembrar   que   existem     alguns   incenti-­ vos  fiscais  oferecidos  pelo  governo,   como   financiamentos   facilitados   e   com  juros  baixos. Já   existem   grandes   clientes   priori-­ zando   empresas   parceiras   que   pra-­ ticam  essas  ações  e  buscam  também   certificações   ou   selos   como,   ISO,     Selo   da   Fundação   Abrinq   ou   qual-­ quer   selo   ou   certificação   de   reco-­ nhecimento  ambiental  ou  social. Sugiro   às   empresas   que   façam   um   trabalho   contínuo     e   que   busquem   alternativas   socioambientais,   pois   isso   dá   mais   credibilidade   no   mer-­ cado.     E   hoje,   credibilidade   é   o   grande   diferencial.   Aquele   que   não   tiver  uma  gestão  ambiental,  por  me-­ nor   que   seja,   vai   ficar   fora   da   con-­ corrência.   Estamos   vivendo   uma   era   mais  ecológica.  

CONHEÇA MAIS:   www.rctecresiduos.com.br   E-­MAIL:  rctec@rctecresiduos.com.br

“ Vejo essa  decisão  como  um   investimento   em   médio   pra-­ zo.   Vale   lembrar   que   existem     alguns   incentivos   fiscais   ofe-­ recidos   pelo   governo,   como   financiamentos   facilitados   e   com  juros  baixos.”

“Façam um  trabalho  contínuo    e  que  busquem  alternativas   socioambientais,  pois  isso  dá  mais  credibilidade  no  merca-­ do.    E  hoje,  credibilidade  é  o  grande  diferencial.”

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ECONOMIA DE  RESÍDUOS,  TECNOLOGIA  E  ECOEFICIÊNCIA

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QUAL FOI  A  PRINCIPAL  MOTIVAÇÃO  PARA   ABRIR  SUA  EMPRESA? Há  cerca  de  três  anos,  já  fazíamos   locação   de   impressoras   a   cera.   Po-­ rém,  essas  só  existiam  no  formato  A4/ Ofício,   o   que   a   inviabilizava   como   gráfica.   Só   atingiu   o   formato   atual   há   cerca   de   um   ano,   com   o   adven-­ to  de  uma  nova  geração  de  impres-­ soras   em   formatos   SR-­A3   que   usam   a   tecnologia   de   cera.   O   fundador,   José   Cláudio   Fonseca,   era   funcio-­ nário   da   XEROX.   Lá,   atuou   na   área   técnica   e   comercial.   Foi   aí   que   se   deu  conta  que  a  tecnologia  a  laser,   apesar  do  nome  futurista,  já  é  ultra-­ passada   e   tem   um   pesado   impacto   ambiental.   O   motivo   para   abrir   uma   empresa  dentro  dos  melhores  princí-­ pios  da  sustentabilidade  foi  a  possi-­ bilidade  de  fazer  o  que  se  acredita   e  ganhar  sua  vida  com  isso.   QUAIS   OS   ELEMENTOS   FUNDAMENTAIS   PARA  O  SUCESSO  DE  UMA  EMPRESA? Lançamos  o  produto  certo  na  hora   certa.   Fomos   inovadores   e   somos   a   única   empresa   das   Américas   com   produção   100%   ecológica.   Acre-­ dito   que   o   mercado   sentiu   que   so-­ mos   sinceros   na   nossa   proposta   de   sustentabilidade.   Nosso   DNA   é   sus-­ tentável   e   acredito   que   o   mercado  

A Eko   Foot   Print   é   uma   gráfica   rápida.   Este   é   um   modelo   de   empresa   do   ramo   gráfico   em   que   os   clientes   enviam   o   arquivo   ou   vão   com   um   pen   drive   até   a   loja   e   aguardam   a   impressão.   A   es-­ tratégia  da  instituição  fundamenta-­se  no  atendi-­ mento  eficiente  e  com  qualidade  para  impressos   de  pequenas  tiragens.  A  empresa  também  faz  lo-­ cação   de   impressoras   e   fornece   todo   tipo   de   suprimentos  e  assistência  técnica  aos  clientes.  A   marca   foi   inovadora   e   é   a   única   das   Américas   com   produção   100%   ecológica.   Todo   o   pro-­ cesso   produtivo   foi   desenhado   visando   os   vá-­ rios   âmbitos   da   sustentabilidade.   Em   entrevista,   o  diretor  comercial,  José  Cláudio  Fonseca,  falou   sobre  a  iniciativa  e  desafios.

percebe isso.   Não   somos   ecológi-­ cos  de  ocasião.  Outro  fator  é  ter  um   produto   competitivo,   ter   objetivos   claros  e  caprichar  na  gestão.

“O motivo   para   abrir   uma   empresa   dentro   dos   melho-­ res   princípios   da   sustenta-­ bilidade  foi  a  possibilidade   de   fazer   o   que   se   acredita   e  ganhar  sua  vida  com  isso.”

O QUE  É  AGIR  COM  RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL  EMPRESARIAL? Em   termos   ideais   seria   aquela   em-­ presa   que   se   dedica   a   um   produto   voltado   para   a   melhoria   ou   repara-­ ção  do  meio  ambiente,  ou  a  produtos   e  serviços  mais  eficientes,  que  a  cada   aperfeiçoamento   precisem   cada   vez   menos  de  recursos  do  planeta.  Mas  só   de  ajustar  seus  processos  neste  senti-­ do  já  é  um  grande  avanço

O QUE   SUA   EMPRESA   FAZ   PARA   SER   CONSIDERADA   RESPONSÁVEL   AMBIEN-­ TALMENTE? Nossa   produção   é   feita   utilizan-­ do-­se   somente   impressoras   de   tec-­ nologia   ecológica,   que   geram   90%   a   menos   de   resíduos.   Oferecemos   a   impressão   em   papel   reciclado   ou   à   base   de   fibra   de   bagaço   de   cana  

“Nosso DNA  é  sustentável  e   acredito  que  o  mercado  per-­ cebe   isso.   Não   somos   eco-­ lógicos   de   ocasião.   Outro   fator   é   ter   um   produto   com-­ petitivo,   ter   objetivos   claros   e  caprichar  na  gestão.” pelo   mesmo   preço   do   papel   comum.   Na  pior  das  hipóteses,  utilizamos  pa-­ péis   certificados   FSC.   Nossa   frota   utiliza  somente  álcool  combustível  e,   sempre   que   viável,   utilizamos   ser vi-­ ços  de  bike-­courriers  para  entregas.

“Ou a   produtos   e   ser viços   mais   eficientes   que,   a   cada   aper feiçoamento,  exijam  o  mínimo  de  recursos  do  Planeta.”

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7HFQRORJLDH(FRHŹFLªQFLD COMO INCLUIR,   NA   PRÁTICA   EMPRESA-­ RIAL,  POSTURAS  BASEADAS  NA  RESPON-­ SABILIDADE  AMBIENTAL? Basta  querer  e  estar  atento  às  no-­ vas   opções   e   tecnologias   que   sur-­ gem.   Às   vezes,   são   medidas   fáceis   e   vantajosas   e   que   geram   retorno   financeiro.  Preocupar-­se  com  a  des-­ tinação   dos   resíduos   e   estimular   os   funcionários  a  acharem  em  suas  áre-­ as   as   possibilidades   de   sugerirem   processos  mais  enxutos  ou  eficientes   é  uma  boa  ideia  e  gera  um  ambiente   de   união   em   torno   de   um   ideal   sau-­ dável.  E  quando,  afinal,  uma  medida   ecológica/sustentável   não   for   eco-­ nomicamente   vantajosa,   pode-­se   “ bancá-­la”,   mas,   em   contrapartida,   buscar   obter   ganhos   colaterais   em   termos  institucionais  e  de  marketing. QUAIS   SÃO   AS   MAIORES   DIFICULDADES   PARA  ALCANÇAR  ESTA  POSTURA? Acredito  que  a  vontade  ou  a  sen-­ sibilização   dos   gestores.   Esses,   mui-­ tas   vezes,   não   se   importam   ou   mes-­ mo   acham   que   é   muito   dispendioso   ou  sugará  muita  energia  da  equipe. Mas  acredito  que  as  empresas  res-­ ponsáveis  tendem  a  ser  admiradas  e   alguns   clientes   são   sensíveis   a   este   diferencial. Trabalhamos,   hoje,   com   um   nível   de   cliente   bem   mais   selecionado.     Saímos  do  leilão  de  preços,  daque-­ le   cliente   predatório   e   atendemos   clientes  bem  mais  conscientes  e  com   uma   linha   de   ação   com   uma   ética   semelhante   a   nossa.   Não   diria   que   temos   um   mercado   mais   amplo,   mas   sim   um   mercado   mais   específico,   di-­ ferenciado  e  fiel.   COMO  FAZ  PARA  MOTIVAR  SEUS  FUNCIO-­ NÁRIOS  E  CLIENTES  PARA  ESTA  POSTURA   DE  DESENVOLVIMENTO  SUSTENTÁVEL? Demonstro  que  eles  são  parte  ati-­ va   de   um   movimento   atual   e   que   só   traz   benefícios   para   a   sociedade,   que   fazem   parte   de   uma   empresa   ética   e   de   vanguarda.   Também   in-­ vestimos   em   ações   de   marketing.   Participamos   de   concursos,   feiras,   fazemos  palestras  e  apoiamos  even-­ tos  ligados  à  sustentabilidade. Em  nosso  site  estamos  criando  uma   comunidade   sustentável,   onde   pro-­ curamos   interligar   todas   as   empre-­

sas que  compartilham  de  nossa  visão,  de  forma  a  dar-­lhes  maior  visibilidade   e  fomentar  as  negociações  entre  estas. QUE   CONSELHO   DARIA   ÀS   MICRO   E   PEQUENAS   EMPRESAS   NO   QUE   SE   REFERE   À   GESTÃO   AMBIENTAL   E   RES-­ PONSABILIDADE  SOCIOAMBIENTAL? José   Cláudio   Fonseca:   Que   não   achem   que   são   pequenas   demais   para   implementar   ações   de   respon-­ sabilidade   socioambiental.   Esse   tipo   de   ação   será   um   exercício   de   inteligência  e  as  aproximará  de  em-­ presas  maiores. Vale   a   pena   mudar   a   gestão   na   empresa  incluindo,  sob  o  olhar  eco-­ nômico,   os   aspectos   sociais   e   am-­ bientais,  pois  em  uma  escala  macro,   todos  se  beneficiam.  Como  disse,  as   empresas   que   implementam   ações   socioambientais   sobem   de   patamar   tanto   culturalmente,   quanto   no   mer-­ cado.

“E quando,  afinal,  uma  me-­ dida   ecológica/sustentável   não   for   economicamente   vantajosa,   pode-­se   “ ban-­ cá-­la”,   mas,   em   contrapar-­ tida,   buscar   obter   ganhos   colaterais  em  termos  institu-­ cionais  e  de  marketing.”

“Empresas que   implemen-­ tam   ações   socioambientais   sobem   de   patamar   tanto   culturalmente,   quanto   no   mercado.”

A EMPRESA  SUGERE  QUE  SE  INICIE  A  GESTÃO  AMBIENTAL  PELAS  DICAS  ABAIXO:

Gestão de  resíduos;; Racionalização  do  uso  de  combustíveis;; Racionalização  de  processos;; Produção  sustentável  de  documentos;; Iluminação  e  gasto  de  energia;; Eliminação  de  processos  e  documentos  inúteis;; Realização   de   reuniões   para   discussão   do   assunto,   estendendo   as   possibilidades  até  para  a  vida  dos  funcionários  fora  do  ambiente  de   trabalho;; Buscar   utilizar   embalagens   menores   e   materiais   mais   facilmente   de-­ gradáveis  na  natureza;; Rever   processos   em   busca   de   ciclos   mais   enxutos,   eliminando   pro-­ cessos   que   despendam   recursos   e   que   gerem   pouco   ou   nenhum   valor   para  a  empresa.

“Não achem   que   são   pequenas   demais   para   imple-­ mentar  ações  de  responsabilidade  socioambiental.  Esse   tipo   de   ação   será   um   exercício   de   inteligência   e   as   aproximará  de  empresas  maiores.” CONHEÇA  MAIS:  www.ekofootprint.com.br   E-­MAIL:  eko@ekofootprint.com.br

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A OPINIÃO  DE  ALGUNS

CONSUMIDORES


SUSTENTABILIDADE E  QUALIDADE  NO  COMPORTAMENTO  DE  CONSUMO

Norio Takaki  Júnior Formado   em   Gestão   Ambiental   e   pós-­graduando   em   Análise   Ambiental   e   Desenvolvimento   Sustentável,   Norio   tem   39   anos,   é   casado   e   tem   três   filhos.   Morou   durante   quase  vinte  anos  no  exterior  e  recentemente  retornou  ao   Brasil.   Norio   fala   sobre   sua   postura   de   consumo   cons-­ ciente   e   o   quanto   espera   das   empresas   no   que   diz   res-­ peito  à  Responsabilidade  Socioambiental.

“Em termos   de   alimentação,   evito   produtos   altamente   processados   e   dou   preferência   a   marcas   de   empresas   que   demonstram   responsabilidade   socioambiental.   Considero   ser   uma   empresa   ambientalmente   responsável   aquela   que   incorpora   em   seus   produtos/serviços   elementos   de   sustentabilidade,   e   que   adota   ações   que   efetivamente   contri-­ buam  para  a  defesa  do  ambiente  natural  e  bem  estar  social.  Desta  forma,  buscar  a  prática  dos  3  Rs  (reduzir  o  uso,   reutilizar   e   reciclar),   promover   a   educação   ambiental   dentro   da   empresa   e   por   meio   de   seus   produtos   e   pautar   o   imperativo  do  lucro  com  considerações  de  natureza  ética  é  o  que  espero  em  termos  de  postura  empresarial”.

COMO VOCÊ  IDENTIFICA  UMA  EMPRESA   AMBIENTALMENTE  SUSTENTÁVEL? Na   ausência   de   informações   con-­ fiáveis  veiculadas  na  mídia,  baseio-­ -­me   na   averiguação   de   selos   e   certificações.     O   tipo   de   produto   também   pode   dar   uma   ideia   do   seu   impacto   ambiental.     Outra   informa-­ ção  útil  é  a  origem  do  produto. A   educação   ambiental   dos   fun-­ cionários   demonstra   compromisso   com   a   sustentabilidade   ambiental   e   a   capacitação   dos   funcionários   é   consistente   com   o   ideal   do   desen-­ volvimento  social.

O que   Norio   mais   leva   em   conta   na   hora   da   compra   é   a   “qualida-­ de   do   produto   e   a   idoneidade   da   empresa”.   Dessa   forma,   afirma   que   pagaria   até   30%   a   mais   por   pro-­ dutos   considerados   ecoeficientes.   “Dependendo   do   valor   do   produto   (quanto  mais  caro  o  tipo  de  produ-­ to   mais   difícil   se   torna   a   decisão)   eu   me   disporia   a   pagar   até   30%   a   mais,  contanto  que  meu  poder  aqui-­ sitivo   permitisse.     A   predisposição   em   pagar   mais   é   maior   quanto   mais   efeito  positivo  sobre  a  saúde  de  mi-­ nha   família   e   o   meio   ambiente   tiver   o  produto”.

“A predisposição   em   pagar   mais   é   maior   quanto   mais   efeito  positivo  sobre  a  saúde  de  minha  família  e  o  meio   ambiente  tiver  o  produto”

VOCÊ PERCEBE  HAVER  BOA  COMUNICA-­ ÇÃO  DAS  QUESTÕES  DE  ECOEFICIÊNCIA   DE  MARCAS  QUE  A  PRATICAM? Não.    No  universo  de  marcas  a  que   estamos  expostos,  realmente  fica  di-­ fícil   descobrir   quais   delas   são   mais   ecoeficientes.     Na   maioria   das   ve-­ zes,  por  falta  de  informação,  acabo   tomando   minha   decisão   de   compra   com  base  no  hábito,  preço  ou  quali-­ dade  percebida.    Seria  interessante   a   criação   de   um   espaço   na   inter-­ net   voltado   exatamente   para   a   tro-­ ca   de   informações   sobre   produtos   e   ser viços   sustentáveis   (quem   sabe   contando  com  opiniões  de  especia-­ listas,  além  de  opiniões  e  críticas  de   consumidores).     Também   seria   útil   a   impressão  de  certificações/selos  de   origem  confiável.

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Sustentabilidade e  qualidade  no  comportamento  do  consumidor

“Considero ser  uma  empre-­ sa   ambientalmente   respon-­ sável  aquela  que  incorpora   em   seus   produtos/ser viços   elementos   de   sustentabili-­ dade,   e   que   adota   ações   que   efetivamente   contribu-­ am   para   a   defesa   do   am-­ biente   natural   e   bem   estar   social.”

LENTE VERDE PAGO    MAIS  POR  UM  PRODUTO  ECOLO-­ GICAMENTE  CORRETO.

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

EU ESTARIA   DISPOSTO   A   TROCAR   AS   MARCAS   QUE   COMPRO   HABITUALMEN-­ TE   POR   OUTRAS   QUE   COMPROVASSEM   SER  OS  PRODUTOS  SUSTENTÁVEIS,  CASO   POSSUÍSSEM  A  MESMA  QUALIDADE.

muitíssimo       muito         não  sei           pouco           não  estaria

ESTOU DISPOSTO  A  REDUZIR  O  CONSU-­ MO  DE  PRODUTOS  FEITOS  COM  RECUR-­ SOS  NATURAIS  ESCASSOS.

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente EU   SEMPRE   OLHO   OS   RÓTULOS   DOS   PRODUTOS  PARA  VERIFICAR  SE  A  MARCA   TEM  ALGUM  VALOR  SOCIAL  OU  AMBIEN-­ TAL  AGREGADO. Concordo  totalmente        

Concordo       Discordo           Discordo  totalmente

DOU PREFERÊNCIA   A   PRODUTOS   FABRI-­ CADOS   E   COMERCIALIZADOS   POR   EM-­ PRESAS  QUE  NÃO  TRAZEM  DANOS  PARA   O  MEIO  AMBIENTE.

SABER QUE   ESSA   MARCA   IMPACTA   O   MEIO   AMBIENTE   ME   DESESTIMULA   A   CONSUMI-­LA.

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

Concordo totalmente

A PARTIR  DOS  MEUS  ATOS  DE  CONSUMO,   POSSO   AJUDAR   NA   SOBREVIVÊNCIA   DO   PLANETA.

“Seria interessante  a  cria-­ ção   de   um   espaço   na   in-­ ternet   voltado   exatamente   para   a   troca   de   informa-­ ções  sobre  produtos  e  ser-­ viços  sustentáveis.”

“ Qualidade do   pro-­ duto   e   a   idoneidade   da  empresa.”

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

NORIO TAKAKI  JÚNIOR:  takakiyama@mac.com

      Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

“A educação   ambiental   dos   funcionários   demons-­ tra   compromisso   com   a   sustentabilidade   ambien-­ tal   e   a   capacitação   dos   funcionários   é   consistente   com   o   ideal   do   desenvol-­ vimento  social.”

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MAIS ATENÇÃO  AOS  PRODUTOS  E  MARCAS  OFERTADAS

Ana Cristina  Façanha Com   52   anos,   casada,   e   com   um   filho   de   26   anos,   Ana   é   profissional   de   Relações   Públicas,   pós-­graduada   em   Gestão  da  Comunicação,  e  proprietária  de  uma  loja  de   arquitetura,  arte  e  design. Ana  fala  sobre  a  importância  de  optar  por  produtos  am-­ bientalmente   mais   corretos,   levando   as   empresas   a   am-­ pliarem  as  ofertas.

“Procuro estar   atenta   aos   produtos   e   marcas   ofertadas   que   demonstram   possuir   um   direcio-­ namento  ecologicamente  correto.”

VOCÊ SE  CONSIDERA  UM  CONSUMIDOR   CONSCIENTE   NO   QUE   SE   REFERE   ÀS   QUESTÕES  SOCIAIS  E  AMBIENTAIS? Sim,  não  tanto  como  gostaria,  po-­ rém   procuro   estar   atenta   aos   pro-­ dutos   e   marcas   ofertadas   que   de-­ monstram   possuir   um   direcionamento   ecologicamente   correto.   Procuro   ficar   ligada   às   empresas   que   têm   uma  gestão  voltada  para  o  público   interno,   preocupada   com   seus   fun-­ cionários,   e   que   realmente   são   so-­ cialmente  corretas.

“A empresa  deve  se  enga-­ jar  para  o  processo  de  me-­ lhoria   contínua.   Não   pode   se  considerar  como  empre-­ sa   com   total   responsabili-­ dade  socioambiental.”

COMO IDENTIFICAR  UMA  EMPRESA  COM  RESPONSABILIDADE  SOCIAL? Trata-­se   daquela   que   possui   um   conjunto   de   ações   que   fazem   com   que   o  mundo  “gire  melhor ”.  Uma  empresa  deve  ter  uma  postura  ecologicamente   correta,  o  que  inclui  se  preocupar  e  estar  atenta  quanto  à  origem,  manejo   e  finitude  da  matéria-­prima  com  a  qual  produz  seus  produtos.  Deve,  também,   acompanhar  o  trabalho  de  seus  fornecedores,  pois  se  sabe  que,  infelizmen-­ te,  ainda  há  a  prática  de  trabalho  escravo,  infantil  entre  outros.  A  empresa   deve  se  engajar  para  o  processo  de  melhoria  contínua.  Não  pode  se  con-­ siderar  como  empresa  com  total  responsabilidade  socioambiental.  Para  que   seja   totalmente   enquadrada   também   precisa   ter   respeito   com   seus   funcio-­ nários,   pagar   dignamente   e   investir   neles.   É   um   conjunto.   Uma   engrenagem   que  tornará  o  mundo  melhor,  harmonioso,  sem  tantas  desigualdades  sociais   e  em  paz  com  a  natureza. No  que  se  refere  aos  aspectos  ambientais,  sempre  espero  que  não  poluam   o   ambiente   com   o   uso   indiscriminado   ou   excessivo   de   produtos   químicos,   que   se   responsabilizem   pelo   retorno   de   suas   embalagens   e   que   utilizem   o   máximo  de  material  reciclável.     Na   hora   de   escolher   um   produto,   busco,   à   medida   do   possível,   dar   pre-­ ferência   àquelas   que   já   possuem   renome   quanto   à   responsabilidade   so-­ cioambiental.   A   qualidade   e   o   preço   são   consequência   na   hora   da   minha   escolha.   Desta   forma,   concordo   em   trocar   de   marca,   caso   encontre   outra   que   comprove   estar   mais   socioambientalmente   correta.   Por   me   preocupar   com   o   meio   ambiente,   acho   que   estas   pequenas   ações   ajudam   muito.   O   problema   maior,   é   que   não   vejo   muita   divulgação   dos   aspectos   sociais   e   ambientais   ligados   às   marcas.   As   mídias   sociais   seriam   um   bom   canal   de   divulgação  destas  práticas.

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Mais atenção  aos  produtos  e  marcas  ofertadas “Na   hora   de   escolher   um   produto,   busco,   à   medida   do   possível,   dar   preferência   àquelas   que   já   possuem   re-­ nome   quanto   à   responsabili-­ dade  socioambiental.  ”

DOU PREFERÊNCIA   A   PRODUTOS   FABRI-­ CADOS   E   COMERCIALIZADOS   POR   EM-­ PRESAS   QUE   NÃO   TRAZEM   DANOS   AO   MEIO  AMBIENTE Concordo  totalmente        

Concordo       Discordo           Discordo  totalmente ESTOU  DISPOSTO  A  REDUZIR  O  CONSU-­ MO  DE  PRODUTOS  FEITOS  COM  RECUR-­ SOS  NATURAIS  ESCASSOS

LENTE VERDE AS  EMPRESAS  QUE  DESEMPENHAM  PRO-­ JETOS   DE   RESPONSABILIDADE   SOCIAL   TÊM  MAIS  VALOR

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

A PARTIR  DOS  MEUS  ATOS  DE  CONSUMO,   POSSO   AJUDAR   NA   SOBREVIVÊNCIA   DO   PLANETA

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

Concordo totalmente        

Concordo       Discordo           Discordo  totalmente

AS PUBLICAÇÕES   DAS   EMPRESAS   ECO-­ LOGICAMENTE   CORRETAS   ESTÃO   EXPLÍ-­ CITAS  PARA  O  CONSUMIDOR  DAR  PREFE-­ RÊNCIA  ÀS  MARCAS  ASSOCIADAS

Concordo totalmente         Concordo        

Discordo         Discordo  totalmente

SABER QUE  ESSA  MARCA  IMPACTA  O  MEIO   AMBIENTE  ME  REPELE  A  CONSUMI-­LA

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

“O problema   maior,   é   que   não   vejo   muita   divul-­ gação   dos   aspectos   so-­ ciais   e   ambientais   ligados   às  marcas.”

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É PRECISO  TER  COMO  FOCO  FAZER  MELHOR  COM  MENOS

0´QLFD3UDGR Professora universitária   e   consultora/pesquisadora,   Mônica   tem   53   anos  e  uma  única  filha,  de  22.  Navega  entre  ensino,  pesquisa  e  exten-­ são,  como  editora  de  Sustentabilidade  de  uma  agência  de  notícias.  É   jornalista   diplomada   com   mestrado   em   comunicação   pela   Universida-­ de  de  Brasília.  Foi  repórter  e  editora  de  veículos  de  comunicação,  as-­ sessora  de  comunicação  de  autoridades  de  Saúde,  gestora  de  comu-­ nicação   de   instituições   e   consultora   da   Organização   Pan-­Americana   de  Saúde  (OPS)  para  países  da  América  Latina. Mônica   fala   sobre   o   papel   individual   para   a   mudança   de   comporta-­ mento  empresarial.

“Sustentabilidade aparece  na  minha  vida  aos  19  anos,  ao  praticar  Jornalismo  Público  e  de  Meio  Ambiente,  fazendo   reportagens  sobre  a  falta  de  água  potável,  os  problemas  da  pesca  do  surubim  no  Lago  de  Sobradinho  e  os  danos   ambientais   do   curtume   local,   que   descartava   o   seu   lixo   a   céu   aberto,   no   Morro   da   Batateira,   em   Juazeiro   (BA),   provocando  a  morte  do  gado  de  pecuaristas  da  vizinhança”.  

VOCÊ SE   CONSIDERA   UMA   CONSUMI-­ DORA  CONSCIENTE? Sim.   Primeiro   porque   reconheço,   como   indivíduo   e   cidadã,   que   sou   parte  de  um  entorno  dentro  do  qual   não   posso   existir   se   as   condições   desse   mesmo   entorno   ameaçarem   minha   existência   hoje   e   amanhã.   E   segundo   porque   busco   adotar   prá-­ ticas  diárias  de  baixo  impacto  como   andar   a   pé   e   de   ônibus,   usar   saco-­ las   permanentes,   comprar   apenas   o   necessário,  comprar  roupas  que  não   necessitem   de   ferro   elétrico,   fechar   torneira   quando   escovo   dentes   ou   lavo   louça,   evitar   qualquer   desper-­ dício  de  alimentos.   O   QUE   PARA   VOCÊ   SIGNIFICA   UMA   EM-­ PRESA   COM   RESPONSABILIDADE   SOCIO-­ AMBIENTAL? Uma   empresa   que   compreende   que   é   parte   de   um   todo   e,   por   isso,   afeta  esse  todo  e  é  por  ele  afetado.   Diante   dessa   premissa,   trata-­se   de   uma   empresa   que   busca   o   desper-­ dício   zero,   a   reutilização   de   todos   os   materiais   possíveis   e   a   melhoria   constante   de   processos   para   exer-­ citar   o   seu   negócio   com   baixo   im-­ pacto  ambiental.   Uma  empresa  só  é  verdadeiramen-­ te  responsável  socioambientalmente   quando  evita  o  dano,  mitiga  o  dano   quando  ele  existe,  mesmo  que  custe  

parte de  seu  lucro,  e  apoia  a  adaptabilidade  necessária  para  o  desloca-­ mento  para  uma  economia  verde. A   atitude   eixo   em   termos   de   responsabilidade   ambiental,   do   meu   ponto   de  vista,  é  ter  o  foco  em  fazer  melhor  com  menos.  Qualquer  coisa,  qualquer   produto,  qualquer  ser viço,  qualquer  comércio  ou  troca.  Os  exemplos  ser vem   tanto  para  Micro  e  Pequenas  quanto  para  as  Grandes  Empresas.  Reutiliza-­ ção  de  papel,  sistemas  eletrônicos  com  redução  de  impressos,  substituição   de  copos  e  garrafas  plásticas,  prédios  e  reformas  com  prioridades  para  luz   e  ventilação  natural.  Desperdício  não  cabe  mais  no  século  XXI.   “Muito  raramente  compro  por  impulso.  Em  compra  consciente,  levo  em  con-­ ta   a   necessidade   do   produto/ser viço   na   minha   vida.   Os   benefícios   que   posso  ganhar  com  aquela  compra”. Quando  questionada,  Mônica  afirma  que  pagaria  até  20%  a  mais  se  sou-­ besse   ser   o   produto   ecoeficiente   e   menos   prejudicial   ao   meio   ambiente.   “Já   tenho   feito   isso   em   minhas   compras   de   produtos   de   higiene   e   limpeza.   Também  faço  isso  com  produtos  orgânicos”.   COMO  IDENTIFICA  UMA  EMPRESA  AMBIENTALMENTE  SUSTENTÁVEL? Identifico  a  empresa  pela  informação  que  recebo,  seja  aquela  difundida   por  ela  mesma,  seja  a  difundida  por  outros  meios,  desde  veículos  tradicio-­ nais  de  comunicação  como  jornais  e  revistas  até  veículos  mais  contemporâ-­ neos  como  sites  e  mídias  sociais.  No  ponto  de  venda,  identifico  pelos  selos   e  símbolos  presentes  nas  embalagens  quanto  à  reciclagem  e  à  reutilização   de  materiais. Lentamente   as   marcas   têm   buscado   comunicar   as   questões   de   ecoefici-­ ência.   Penso   que,   numa   primeira   fase,   era   importante   mostrar   esse   aspecto   como  diferencial  de  marca  em  relação  à  concorrência.  Numa  segunda  fase,   penso  que  as  empresas  buscaram  dar  visibilidade  ao  que  faziam  trabalhan-­ do   balanços   socioambientais     apontando   a   mitigação   realizada,   o   que   deixou   de   ir   ao   lixo   ou   ao   aterro   ou   como   foi   reciclado   ou   reutilizado   o   material.  No  entanto,  penso  que  hoje,  em  2012,  início  da  segunda  década   do   século   XXI,   a   ecoeficiência   é   pressuposto,   ou   seja,   deve   ser   padrão   de  negócios.  Entendo  ecoeficiência  como  eixo  central  de  uma  prática  em-­ presarial   de   economia   verde   em   que   a   análise   de   ciclo   de   produto   está   presente  em  toda  a  cadeia  produtiva,  inclusive  em  relação  a  seus  fornece-­ dores,  parceiros  e  públicos  de  interesse.

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LENTE VERDE DOU   PREFERÊNCIA   A   PRODUTOS   FABRI-­ CADOS   E   COMERCIALIZADOS   POR   EM-­ PRESAS  QUE  NÃO  TRAZEM  DANOS  PARA   O  MEIO  AMBIENTE.

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

PAGO MAIS   POR   UM   PRODUTO   ECOLO-­ GICAMENTE  CORRETO. Concordo  totalmente        

EU SEMPRE   OLHO   OS   RÓTULOS   DOS   PRODUTOS  PARA  VERIFICAR  SE  A  MARCA   TEM  ALGUM  VALOR  SOCIAL  OU  AMBIEN-­ TAL  AGREGADO. Concordo  totalmente        

Concordo       Discordo           Discordo  totalmente

Concordo       Discordo           Discordo  totalmente

ESTOU DISPOSTO  A  REDUZIR  O  CONSU-­ MO  DE  PRODUTOS  FEITOS  COM  RECUR-­ SOS  NATURAIS  ESCASSOS. Concordo  totalmente        

Concordo       Discordo           Discordo  totalmente

EU BUSCO  CONHECER  MELHOR  AS  RELA-­ ÇÕES   DE   RESPONSABILIDADE   AMBIENTAL   DAS  EMPRESAS.

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

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CONSUMO: É  PRECISO  HAVER  OPORTUNIDADES   DE  ANÁLISE  E  ESCOLHA

5HQDWD'DOOD%HUQDUGLQD é engenheira   civil   e   educadora   ambiental.   Trabalha   com   pro-­ jetos   socioambientais   há   mais   de   dez   anos.   Renata   é   membro   de  duas  organizações  sem  fins  lucrativos  relacionadas  ao  meio   ambiente   e   sustentabilidade   e   mostra   como   percebe   o   papel   do  indivíduo  no  dia  a  dia.  para  o  desenvolvimento  sustentável.

“Procuro  sempre  analisar  a  real  necessidade  de  adquirir  algo  e  quando  assim  o  faço,  opto  por  produtos  que  não   impactem    demasiadamente  e  de  forma  negativa  o  meio  ambiente”.

COMO IDENTIFICAR  UMA  EMPRESA  COM   RESPONSABILIDADE  SOCIOAMBIENTAL? Ser  uma  empresa  com  responsabili-­ dade   socioambiental,   significa   “pro-­ curar  desenvolver  suas  atividades  le-­ vando  em  consideração  o  bem-­estar   equilibrado  tanto    das  pessoas  como   do   ambiente”.   As   principais   posturas   em   termos   de   responsabilidade   so-­ cial   que   espera   das   empresas   di-­ zem   respeito   à   viabilidade   de   boas   condições   de   trabalho   aos   seus   colaboradores,   incluindo   ambiente   salubre  para  a  realização  do  traba-­ lho;;   respeito   aos   recursos   naturais,   sobretudo   os   escassos,   utilizados   na   extração   e   produção,   bem   como   uso   racional   dos   recursos   naturais   tais   como   água   e   energia   elétrica;;   correta  destinação  dos  resíduos  ge-­ rados,   permitindo   que   passem   a   re-­ presentar   matéria-­prima   numa   outra   linha   de   produção   e   a   inclusão   de   cooperativas   e   pequenas   empresas  

“Procurar desenvolver  suas  atividades  levando  em  con-­ sideração   o   bem-­estar   equilibrado   tanto     das   pessoas   como  do  ambiente.”

nos processos  incluindo  mais  pessoas  no  mundo  do  trabalho.  Renata  reforça,   também,  que  no  momento  da  compra  avalia  se  o  produto  atende  às  necessi-­ dades  que  possui,  com  qualidade  e  durabilidade.   “Estaria  disposta  a  pagar  mais  até  20%  do  valor  de  um  produto,  se  tivesse   garantia   ser   este   ecoeficiente,   e   menos   prejudicial   ao   meio   ambiente”   e   quando  perguntada  sobre  o  nível  de  disposição  para  trocar  a  marca  que   compra  habitualmente  por  outra  que  comprovasse  ser  os  produtos  sustentá-­ veis  afirma  que  “estaria  muitíssimo  interessada”.   Para  identificar  uma  empresa  sustentável  busca  se  informar  se  ela  trabalha   levando   em   consideração   a   sustentabilidade   nos   procedimentos,   e   sobre   a  forma  com  que  lida  com  seus  trabalhadores  e  com  os  recursos  que  utiliza.     Renata   reclama   da   pouca   informação   e   comunicação   dos   atributos   sus-­ tentáveis  e  de  ecoeficiência  de  produtos  ou  marca:  “deveria  ser  dada  muito   mais   ênfase   para   que   o   consumidor   tivesse   oportunidade   de   escolha   e   pu-­ desse  refletir  sobre  seus  hábitos  de  consumo”

“Procuro sempre   analisar   a  real  necessidade  de  ad-­ quirir  algo  e  quando  assim   o  faço,  opto  por  produtos   que   não   impactem     dema-­ siadamente  e  de  forma  ne-­ gativa  o  meio  ambiente.”

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Consumo: é  preciso  haver  oportunidades  de  análise  e  escolha “Inclusão  de  cooperativas   e   pequenas   empresas   nos   processos   incluindo   mais   pessoas   no   mundo   do   tra-­ balho.”

ESTOU MUITO   DISPOSTA   A   REDUZIR   O   CONSUMO   DE   PRODUTOS   FEITOS   COM   RECURSOS  NATURAIS  ESCASSOS

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

LENTE VERDE

AS PUBLICAÇÕES   DAS   EMPRESAS   ECO-­ LOGICAMENTE   CORRETAS   ESTÃO   EXPLÍ-­ CITAS  PARA  O  CONSUMIDOR  DAR  PREFE-­ RÊNCIA    ÀS  MARCAS  ASSOCIADAS? Concordo  totalmente         Concordo        

Discordo         Discordo  totalmente

“Estaria disposta  a  pagar   mais   até   20%   do   valor   de   um   produto,   se   tivesse   ga-­ rantia   ser   este   ecoeficien-­ te,   e   menos   prejudicial   ao   meio  ambiente.”

SABER QUE   A   MARCA   IMPACTA   O   MEIO   AMBIENTE  ME  REPELE  A  CONSUMI-­LA?

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

QUANDO TENHO  QUE  ESCOLHER  ENTRE   DOIS  PRODUTOS  IGUAIS,  EU  DOU  PREFE-­ RÊNCIA   PARA   O   PRODUTO   QUE   MENOS   PREJUDICA  O  MEIO  AMBIENTE?

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

“Deveria ser   dada   muito   mais   ênfase   para   que   o   consumidor   pudesse   ter   a   oportunidade  de  escolha.”

E-­MAIL RENATA  DALLA  BERNARDINA: renata_dallabernardina@yahoo.com.br

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COMUNICAR O  DIFERENCIAL  AMBIENTAL  É  DAR,   AO  CONSUMIDOR,  A  OPÇÃO  DE  ESCOLHA

8UVXOD%HWLQD'LHVHO mestre em   Comunicação   Social,   com   ênfase   em   semióti-­ ca;;  professora  em  curso  superior  de  Comunicação  Social   e   professora   e   tradutora   de   alemão.   Úrsula   é   casada,   possui  duas  filhas.  A  entrevistada  mostra  como  pratica  o   consumo  consciente  no  dia  a  dia.

“Não compro  por  impulso,  penso  bem  se  aquilo  é  algo  necessário  antes  de  comprar  e  o  quanto  fará  bem  a  mim,   à  minha  família,  à  sociedade  e  ao  meio  ambiente”.  

QUAL SUA  PRÁTICA  DIÁRIA  EM  BENEFÍCIO  DA  SUSTENTABILIDADE? Procuro   consumir   alimentos   cultivados   sem   agrotóxicos,   da   região   e   pro-­ dutos   de   higiene   e   limpeza   que   comunicam   algum   cuidado   em   relação   à   ecologia.   Muito   raramente   consumo   refrigerantes   e   similares,   uso   regular-­ mente  sacolas  retornáveis  em  minhas  compras,  separo  o  lixo  e  levo  a  postos   de  coleta.  

“Muito raramente  consumo  refrigerantes  e  similares,  uso   regularmente  sacolas  retornáveis  em  minhas  compras,  se-­ paro  o  lixo  e  levo  a  postos  de  coleta.” O  QUE  É  UMA  EMPRESA  SUSTENTÁVEL? Uma  empresa  com  responsabilidade  socioambiental  é  aquela  que  perce-­ beu   que   o   mundo   mudou,   e   que   não   basta   alcançar   lucros   exorbitantes.   É   preciso  fazer  parte  do  coletivo.  Identifico  a  responsabilidade  socioambien-­ tal  na  empresa  a  partir  das  suas  escolhas  quanto  ao  processo  produtivo;;  o   valor   que   dá   ou   não   a   seus   colaboradores;;   o   respeito   que   demonstra   aos   consumidores;;    na  preocupação  que  revela  quanto  à  ecologia  e  no  quanto   comunica   sobre   isso.   Por   ser   da   área,   sei   que   a   comunicação   deve   ser   ex-­ plícita  nos  produtos  e  informar  os  aspectos  ecoeficientes  presentes  na  linha   de   produção;;   no   uso   de   componentes,   e   na   correta   embalagem   de   baixo   impacto   ambiental.   Acredito   que   a   empresa,   também,   pode   patrocinar   e   comunicar  importantes  ações  sociais.

“Encaro esse   pagar   mais   como   uma   necessidade,   em   um   primeiro   momento,   de   incentivar   a   boa   escolha   por   parte   das   empresas   e,   num   segundo   momento,   encaro   como   um   investimento   em   saúde   e   bem   estar   para   mim,   minha  família  e  toda  a  sociedade”.

“Não basta   alcançar   lu-­ cros  exorbitantes.  É  preciso   fazer  parte  do  coletivo.” Para   a   entrevistada,   toda   empre-­ sa   deve,   urgentemente,   implantar   um  programa  de  destinação  correta   de   resíduos   “ recolher   e   dar   correto   destino   ao   resíduo   produzido,   in-­ cluindo  destino  das  embalagens  que   propõe   nos   seus   produtos”.   Lembra,   também,  a  importância  de  pensar  na   finitude   de   vários   recursos   naturais,   modificando   essas   embalagens   por   meio   de   novas   tecnologias   ecoefi-­ cientes,   evitando   ao   máximo   os   me-­ tais   pesados   em     produtos   e   emba-­ lagens”.  E  ressalta  a  importância  de   respeitar  a  criança:  “a  empresa  não   deve,   nunca,   se   dirigir   às   crianças,   focando-­as   como   consumidoras,   na   hora  de  induzir  a  compra  de  produ-­ tos”.

“Percebo a  partir  das  suas  es-­ colhas  q uanto  a o  p rocesso  p ro-­ dutivo;;  o  valor  que  dá  ou  não  a   seus   colaboradores;;   o   respeito   que   demonstra   aos   consumido-­ res;;     na   preocupação   que   re-­ vela   quanto   à   ecologia   e   no   quanto  comunica  sobre  isso.”

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O diferencial  ambiental  nos  produtos

“Recolher e   dar   correto   destino   ao   resíduo   produ-­ zido,   incluindo   destino   das   embalagens  que  propõe  nos   seus  produtos.” Na   hora   da   compra,   o   que   mais   leva   em   conta   é   a   necessidade,   o   conforto   e     a   imagem   socioambien-­ tal   da   marca   e   afirma   que   pagaria   a   mais,   até   30%   do   valor   do   produ-­ to,  se  tivesse  a  garantia  do  produto   ter  sido  fabricado  por  uma  empresa   com   ações   verdadeiras   de   respon-­ sabilidade  social  e  ambiental. “Encaro   esse   pagar   mais   como   uma   necessidade,   em   um   primeiro   momento,  de  incentivar  a  boa  esco-­ lha   por   parte   das   empresas   e,   num   segundo  momento,  encaro  como  um  investimento  em  saúde  e  bem  estar  para  mim,  minha  família  e  toda  a  sociedade”.   Úrsula   afirma   “estar   muitíssimo   disposta”   quando   perguntada   se   estaria   disposta   a   trocar   a   marca   que   compra   habitualmente  por  outras  que  comprovassem  serem  os  produtos  sustentáveis,  e  ressalta  a  importância  de  se  comu-­ nicar  este  diferencial  “Procuro  informações  nas  embalagens  dos  produtos  e  leio  sobre  a  conduta  das  empresas  na   mídia  em  geral.  A  internet  também  nos  dá  uma  boa  noção  sobre  o  comportamento  das  empresas  quanto  à  ecologia   e  questões  sociais  e  trabalhistas”.   Há  empresas  que  já  incluíram  as  questões  de  responsabilidade  social  e  ambiental  nos  processos  e  procedimen-­ tos,  mas  não  comunicam.  A  informação  não  chega  para  o  consumidor,  e  assim  não  influencia  na  venda:  “Às  vezes  sei   que  alguma  empresa  tem  uma  conduta  mais  adequada,  mas  não  encontro  as  informações  sobre  isso  nas  suas  emba-­ lagens   ou   nas   suas   comunicações”.   A   entrevistada   reforça   ser   necessário   explorar   com   clareza,   informativamente,   as   questões   de   ecoeficiência   para   que   se   possa   fazer   essa   opção   de   consumo:   “ no   supermercado,   por   exemplo,   deveria  haver  um  grande  destaque  para  essas  marcas  e  produtos”.

“Encaro esse  pagar  mais  como  uma  necessidade,  em  um  primeiro  momento,  de  incentivar  a  boa   escolha  por  parte  das  empresas  e,  num  segundo  momento,  encaro  como  um  investimento  em  saú-­ de  e  bem  estar  para  mim,  minha  família  e  toda  a  sociedade”.  

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O diferencial  ambiental  nos  produtos “Procuro   informações   nas   embalagens   dos   produtos   e   leio  sobre  a  conduta  das  em-­ presas   na   mídia   em   geral.   A   internet   também   nos   dá   uma   boa  noção  sobre  o  compor-­ tamento  das  empresas  quan-­ to  à  ecologia  e  questões  so-­ ciais  e  trabalhistas.”

DOU PREFERÊNCIA   A   PRODUTOS   FABRI-­ CADOS   E   COMERCIALIZADOS   POR   EM-­ PRESAS   QUE   NÃO   TRAZEM   DANOS   AO   MEIO  AMBIENTE

LENTE VERDE EU   SEMPRE   OLHO   OS   RÓTULOS   DOS   PRODUTOS  PARA  VERIFICAR  SE  A  MARCA   TEM  ALGUM  VALOR  SOCIAL    OU  AMBIEN-­ TAL  AGREGADO

“Às vezes   sei   que   al-­ guma  empresa  tem  uma   conduta  mais  adequa-­ da,   mas   não   encontro   as   informações   sobre   isso   nas   suas   embala-­ gens   ou   nas   suas   co-­ municações.”

Concordo totalmente        

Concordo       Discordo           Discordo  totalmente

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

A PARTIR  DOS  MEUS  ATOS  DE  CONSUMO,   POSSO   AJUDAR   NA   SOBREVIVÊNCIA   DO   PLANETA

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

QUANDO TENHO  QUE  ESCOLHER  ENTRE   DOIS  PRODUTOS  IGUAIS,  EU  DOU  PREFE-­ RÊNCIA   PARA   O   PRODUTO   QUE   MENOS   PREJUDICA  O  MEIO  AMBIENTE

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“Novas tecnologias   ecoeficientes,   evitan-­ do   ao   máximo   os   metais   pesados  em    produtos  e   embalagens.”

“No supermercado,   por   exemplo,   deveria   haver   um   grande   desta-­ que   para   essas   marcas   e  produtos.”

“A empresa   não   deve,   nunca,   se   dirigir   às   crian-­ ças,   focando-­as   como   consumidoras,   na   hora   de   induzir   a   compra   de   pro-­ dutos.”

E-­MAIL URSULA   BETINA   DIESEL:   ursuladiesel@gmail.com

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DEVEMOS TODOS  COMEÇAR  A  PESQUISAR,   OPTANDO  PELOS  PRODUTOS  ECOEFICIENTES

André Ramos André   Ramos   é   mestre   em   educação   pela   Universidade   de  Brasília  -­  UnB  e  graduado  em  Desenho  Industrial,  com   habilitação  em  design  gráfico,  área  em  que  atua  desde   1995.   Casado,   pai   de   dois   filhos,   preocupa-­se   com   as   questões  ambientais  do  planeta  desde  2003.  André  fala   da   sustentabilidade   necessária   na   gestão,   e   dos   novos   hábitos  como  consumidor.

“Para mim,  a  comunicação  dos  posicionamentos  baseados  na  ecoeficiência  devem  fazer  parte   de  todos  os  esforços  de  comunicação  de  uma  corporação.”

VOCÊ SE  CONSIDERA  UM  CONSUMIDOR   CONSCIENTE   NO   QUE   SE   REFERE   ÀS   QUESTÕES  AMBIENTAIS  E  SOCIAIS? Me  considero  um  consumidor  aten-­ to   às   questões   relacionadas   ao   meio   ambiente   e   ao   meio   social.   Sou   bastante   preocupado   com   os   impactos  que  o  consumo  vem  provo-­ cando   no   cenário   ambiental   e   com   a   grande   desigualdade   social   pre-­ sente   no   mundo.   Entretanto,   acredi-­ to  que  ainda  falte  uma  postura  mais   ativa   da   minha   parte,   indo   além   da   reação   aos   estímulos   e   informações   de   terceiros.   Devemos   todos   come-­ çar   a   pesquisar   as   ações   práticas   de  marcas,  optando  pelos  produtos   ecoeficientes,   orientando,   assim,   novos   caminhos   para   as   empresas.   Dar  prioridade  àquelas  que  incluem,   em   suas   estratégias   corporativas,   ações   que   contemplem   projetos   so-­ ciais   e   de   redução   de   impacto   am-­ biental.   Favorecer   as   empresas   que   conduzem   seus   processos   produti-­ vos   minimizando   o   impacto   ao   meio   ambiente   e   desenvolvendo   projetos   de   recuperação,   compensação   e   manutenção   das   fontes   de   matéria-­ -­prima  utilizadas.

O QUE  MAIS  LEVA  EM  CONTA,  NA  HORA  DA  COMPRA? Primeiramente   a   qualidade,   seguida   da   informação   de   serem   produtos   e   ser viços  desenvolvidos  com  atenção  para  as  questões  de  responsabilida-­ de   socioambiental,   ainda   que   isso   tenha   reflexos   nos   custos   de   produção   e,  consequentemente,  nos  preços  ao  consumidor.   Quando  questionado,  André  se  diz  disposto  a  pagar  até  20%  a  mais  pelo   valor  de  um  produto,  caso  tenha  a  certeza  de  sua  produção  ter  seguido  os   padrões   de   responsabilidade   socioambiental.   Mas   alerta   que   “os   projetos   que   tiram   proveito   da   ecoeficiência   e   que   resultam   em   menores   impactos   ao  meio  ambiente,  em  muitos  casos,  alcançam  redução  nos  custos  de  pro-­ dução,  o  que  não  traz  a  exigência  de  valores  adicionais  aos  produtos”. André   lembra   a   importância   de   posicionamento   das   marcas   que   já   pra-­ ticam   a   sustentabilidade   ambiental:   “atualmente   o   acesso   às   tecnologias   produtivas  tornou-­se  mais  próximo  para  as  grandes  indústrias.  As  diferenças   de   produtos   não   se   faz   mais   por   questões   de   tecnologia   que   redundaria   em  qualidade  e,  sim,  de  marketing  e,  mais  recentemente,  de  postura  socio-­ ambiental.  Desta  forma,  a  fidelização  às  empresas  não  permeia  tão  somente   os  atributos  agregados  à  marca  mas  sim  o  verdadeiro  posicionamento  das   empresas  diante  da  realidade  do  mundo  em  que  vivemos”.   André   lembra   que   identificamos   uma   empresa   com   princípios   de   RSA   “a   partir  dos  projetos  que  desenvolve  e,  sem  dúvida,  pela  divulgação  destes   pela  própria  empresa”.  E  ressalta:  “acredito  que  muitas  empresas  se  privem   de   comunicar   projetos   socioambientais   por   entenderem   que   tais   práticas   fazem  parte  da  “ vocação”  da  empresa  e  que  a  exploração  mercadológica   de   tais   ações   soaria   falso.   Mas,   para   mim,   a   comunicação   dos   posiciona-­ mentos  baseados  na  ecoeficiência  devem  fazer  parte  de  todos  os  esforços   de  comunicação  de  uma  corporação”.

“Me considero  um  consumidor  atento  às  questões  relacionadas  ao  meio  ambiente  e   ao  meio  social.  Sou  bastante  preocupado  com  os  impactos  que  o  consumo  vem  provo-­ cando  no  cenário  ambiental  e  com  a  grande  desigualdade  social  presente  no  mundo.”

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LENTE VERDE PAGO   MAIS   POR   UM   PRODUTO   ECOLO-­ GICAMENTE  CORRETO.

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente AS   PUBLICAÇÕES   DAS   EMPRESAS   ECO-­ LOGICAMENTE   CORRETAS   ESTÃO   EXPLÍ-­ CITAS  PARA  O  CONSUMIDOR  DAR  PREFE-­ RÊNCIA    ÀS  MARCAS  ASSOCIADAS.

QUANDO TENHO  QUE  ESCOLHER  ENTRE   DOIS  PRODUTOS  IGUAIS,  EU  DOU  PREFE-­ RÊNCIA   PARA   O   PRODUTO   QUE   MENOS   PREJUDICA  O  MEIO  AMBIENTE.

Concordo totalmente         Concordo         Discordo          

Concordo totalmente        

Concordo       Discordo           Discordo  totalmente

Discordo totalmente

ESTOU DISPOSTO  A  REDUZIR  O  CONSU-­ MO  DE  PRODUTOS  FEITOS  COM  RECUR-­ SOS  NATURAIS  ESCASSOS.

Concordo totalmente         Concordo         Discordo           Discordo  totalmente

“A fidelização   às   empre-­ sas   não   permeia   tão   so-­ mente   os   atributos   agre-­ gados   à   marca   mas   sim   o   verdadeiro   posicionamen-­ to  das  empresas  diante  da   realidade   do   mundo   em   que  vivemos.”

SABER QUE  ESSA  MARCA  IMPACTA  O  MEIO   AMBIENTE  ME  DESESTIMULA  A  CONSUMI-­LA. Concordo  totalmente        

Concordo       Discordo           Discordo  totalmente

E-­MAIL ANDRÉ  RAMOS:  and.ramos@terra.com.br

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SEBRAE NACIONAL Setor  de  Grandes  Áreas  Sul  -­  SGAS  -­  Quadra  605  -­Conjunto  A  -­  Asa  Sul  (70.200-­645)  -­  Brasília/DF CEP:  70200-­645  –  Tel.:  (61)  3348-­7455 www.sebrae.com.br

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Produção e Consumo Sustentáveis  

Produção e Consumo Sustentáveis  

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