TECNOLOGIAS, COMUNICAÇÃO E CIDADES
Olhemos as imagens. Escutemos as imagens. Para além delas, aprendamos com as palavras humanistas que orientam as imagens jornalísticas. George Floyd não morreu no asfalto. Ele morreu na instância da imagem ao vivo, estrangulado em câmera lenta pelo joelho de um assassino que manteve no bolso a mão esquerda, o tempo todo. O assassino, com aquela postura, era ao mesmo tempo um indivíduo sem compaixão e a materialização de um sistema sem espírito. Agora, as jornadas que protestam contra a morte de George Floyd convergem para
Eugênio Bucci
a mesma instância da imagem ao vivo. Os fatos gritam por imagens e as imagens, mediadas pela razão e pela palavra, na contramão do espetáculo, guardam mensagens oblíquas e esquivas. Fiquemos atentos. Para derrotar o fascismo e o racismo, teremos de ter olhos para elas e coragem para entendê-las, assim como teremos de ter capacidade de dialogar com aqueles que, apesar de suas estranhezas e contradições internas, pertencem ao campo democrático e não querem que as tiranias estabeleçam a matriz de convivência no futuro.
63