que a sorofobia se torna estruturante da dinâmica social. Diferente do que ocorre com os héteros, as bixas vivem cotidianamente o silêncio sorofóbico – este tabu discursivo, este calar resignado de positivas e negativas mediado por ideias de culpa. O status sorológico, no ~meio gay~, define quem sente o orgulho arco-íris e quem fica com a vergonha. Quem será ou não será aceito na nova sociedade diversa. Quem deve e quem cobra. Mesmo sendo muitas, as bixas que vivem com hiv/aids oferecem pouca resistência a esse status quo. Incógnitas umas às outras, isoladas, são impedidas de fazer grupo de WhatsApp, de fertilizar um debate, de elaborar sua sorofobia internalizada e sua sujeição às negativas.
Há, portanto, entre as bixas uma soronormatividade implícita e inquestionada E engana-se quem acha que a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV), que nos tornará a todas manas de antirretrovirais, será suficiente para romper a partilha enviesada de responsabilidades.
A SOROFOBIA ENTORPECE O RACIOCÍNIO ATÉ DOS MILITANTES MAIS INTELIGENTES. LUTANDO CONTRA OS ~HOMOFÓBICOS~ QUE INSISTEM EM ~ASSOCIÁ-LOS AO HIV~, DEIXAM PASSAR O FATO DE QUE A LGBTFOBIA É A RAIZ DA VULNERABILIDADE DAS BIXAS AO VÍRUS