Page 1

COMPROMISSOS COM O FUTURO DEPOIS DO ISEP Nuno Leitão Microsoft

DE FORA CÁ DENTRO EFACEC Unidade de SERVICING

À CONVERSA COM... António Cardoso Costa


02

ÍNDICE

03 EDITORIAL 04 A RETER » A engenharia ao serviço do ano internacional das florestas » Criar oportunidades ibéricas: Protocolo com a Universidade da Extremadura » European Project Semester @ISEP » Cister ajuda a criar novo data center da PT

06 eventos » 1as Jornadas Técnicas – Elevadores » 25 Anos do Departamento de Engenharia Informática » Seminário reabilitação de solos » Quarta conferência internacional sobre piscinas e spa » Software educativo e de entretenimento: desafios e oportunidades » 1º Workshop Ibérico CDIO » 4ª Semana Internacional: engineering mobility solutions

09 À conversa com...

03 A RETER

» António Cardoso Costa - A importância da certificação e acreditação

12 depois do ISEP » Nuno Leitão, MICROSOFT - Um engenheiro do mundo

14 DE fora cá dentro » EFACEC – Unidade de Servicing

16 DESTAQUE » ISEP & INESC PORTO

09 À CONVERSA COM

19 investigação à lupa » Óptica Médica com mais alcance

22 A nossa tecnologia CISTER envolvido em projecto europeu

24 breves » Jorge Santos eleito coordenador do LEMA » ISEP reforça laços com a Carnegie Mellon University » CIDEM e Irmãos Mota & Cª Lda. desenvolvem autocarro mais seguro » Projecto GAIVOTA aproxima europa e américa latina » Boas práticas de contratação pública

16 DESTAQUE

» CISTER na vanguarda da monitorização sem fios » Parcerias público-privadas: um paradigma da contratação pública? » IP 2011: motivar estudantes, formar profissionais » Uma cultura de inovação e empreendedorismo » Laboratório virtual LLA promove eficiência produtiva » DEC e CICCOPN promovem curso de técnico superior de SHT » António Castro publica no Chile » GILT e lusoinfo iniciam projecto manual digital II » Enterprise spice

28 Provas de Doutoramento 19 INVESTIGAÇÃO À LUPA


EDITORIAL

EDITORIAL De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, em Portugal existem cerca de 45 mil empresas de I&D em atividade e cerca de 11 mil investigadores dedicados exclusivamente à Investigação e Desenvolvimento. São apenas dois sinais de que Portugal, como um país Europeu que quer marcar a diferença, aposta no desenvolvimento tecnológico como forma de progresso. O ISEP, enquanto escola de engenharia promotora de inovação e de empreendedorismo, tem vindo a apostar no desenvolvimento de investigação em prol do desenvolvimento tecnológico e social. Quer seja pela criação de novos laboratórios, quer seja pelo aumento do número de investigadores afectos a cada grupo de investigação ou pela divulgação dos projectos internos, a escola tem vindo a consolidar a sua posição no contexto educacional e tecnológico português. O presente ISEP.BI vai ao encontro da excelência da investigação e tecnologia desenvolvida a nível nacional. A rubrica “Destaque” revela os contornos de uma fusão de dois grupos de investigação que junta a robótica do ISEP e do INESC Porto, com o objectivo de potenciar os projectos de investigação e criar maiores sinergias técnico-científicas entre as duas Instituições. A Microsoft Alemanha veio a Portugal buscar um engenheiro “made in ISEP”. O “Depois do ISEP” dá a conhecer Nuno Leitão, antigo aluno da casa, e o caminho que este engenheiro informático percorreu até chegar a terras germânicas. Da tecnologia ISEP chega ainda o EMMON, um projecto europeu que conta com a colaboração de um dos seus grupos de investigação, CISTER, no desenvolvimento de sensores inteligentes capazes de monitorizar automaticamente uma cidade inteira. Já no campo da Física, investigou-se à lupa um projecto inovador, liderado por um docente do ISEP, que prevê uma utilização inédita na tecnologia a laser para a área da Medicina. Uma vez mais, o ISEP.BI consegue provar que o ISEP contribui para colocar Portugal na linha da frente da investigação e do desenvolvimento.

ISEP.BI 13 _ FICHA TÉCNICA PROPRIEDADE ISEP – Instituto Superior de Engenharia do Porto DIRECÇÃO João Manuel Simões Rocha EDIÇÃO ISEP|DCC – Divisão de Cooperação e Comunicação REDACÇÃO Alexandra Trincão, Flávio Ramos & Mediana DESIGN ISEP – DCC – GDM.2011 IMPRESSÃO Ancestra, Indústria Gráfica, Lda. TIRAGEM 1.500 exemplares DEPÓSITO LEGAL 258405/07 CONTACTOS ISEP|DCC – Divisão de Cooperação e Comunicação » Rua Dr. António Bernardino de Almeida, nº 431 | 4200-072 Porto – Tel.: 228 340 500 » Fax.: 228 321 159 » e-mail gci@isep.ipp.pt

03


04

A RETER

CRIAR OPORTUNIDADES IBÉRICAS: PROTOCOLO COM A UNIVERSIDADE DA EXTREMADURA A ENGENHARIA AO SERVIÇO DO ANO INTERNACIONAL DAS FLORESTAS O ISEP aproveita o ano em que se celebra a riqueza das florestas como património ambiental, cultural e económico, para avançar duas das soluções que ajudam a preservar, recuperar ou potenciar este precioso recurso. O Instituto evoca o lema das Nações Unidas – “Florestas para as Pessoas” – na esperança de contribuir para a sensibilização da importância de uma gestão sustentável das florestas. Entre 2000 e 2006, aproximadamente 20% da floresta nacional ardeu, segundo a Autoridade Florestal Nacional (AFN). Este flagelo, com elevados custos económicos e sociais, faz sobressair a importância de contributos que contrariem a situação. Ciente da importância de uma resposta rápida aos incêndios, apresentamos o FALCOS. Este veículo aéreo não tripulado (UAV) foi desenvolvido para voos de baixa altitude, com grande aplicabilidade em situações de monitorização ambiental e prevenção de incêndios. Com propulsão eléctrica e autonomia de voo até 12 horas, o FALCOS é capaz de sobrevoar espaços florestais

O ISEP, através do Politécnico do Porto, beneficia de um protocolo de

e recolher, processar e sinalizar imagens de focos de incêndio

dupla titulação com a Universidad de Extremadura. O Instituto conti-

a 300 metros de altitude. Testada juntamente com associações

nua a trabalhar a nível europeu, ibérico e local para a criação de opor-

de produtores florestais, esta “arma de combate aos incêndios”

tunidades que favoreçam o sucesso dos seus estudantes e diplomados.

permite uma poupança crucial nos tempos de reacção. O protocolo assinado entre o Politécnico do Porto e Universidad de ExPor outro lado, há também uma necessidade de recuperar os

tremadura põe à disposição dos estudantes de licenciatura e mestrado

solos queimados. Neste sentido, o ISEP participou num estudo

um programa de graus duplos. Este programa permite aos diplomados

pioneiro de análise dos efeitos do fogo controlado nas princi-

a obtenção de dois graus académicos, um de cada lado da fronteira,

pais características físicas do solo florestal típico do Nordeste

com base no reconhecimento mútuo da qualidade do ensino e desen-

português. “The Effects of Prescribed Forest Fire on the Soil

volvimento de competências adquirido durante os cursos.

System” permitiu desenvolver um modelo de previsão das taxas de recuperação a médio prazo, e representa um contributo fundamental à tomada de decisão de gestores florestais sobre medidas de controlo ambiental. Este projecto foi liderado pelo Laboratório de Engenharia Matemática (LEMA) e contou com a colaboração do Laboratório de Cartografia e Geologia Aplicada (LABCARGA), da AFN e da Universidade de Swansea (Reino Unido), ao abrigo Programa Luso-Britânico de Investigação Conjunta – Tratado de Windsor.

O acordo entre ambas as instituições permite ainda aumentar o fluxo de estudantes em mobilidade internacional (períodos de um ano para estudantes de licenciatura e um semestre para mestrandos), assim como a partilha de conhecimento e a co-organização de encontros científicos. O protocolo firmado por Rosário Gâmboa, presidente do Politécnico do Porto, e Francisco Duque Carrilho, magnífico reitor da Universidad de Extremadura, resulta das possibilidades inerentes à criação do Es-

De acordo com as Nações Unidas, as florestas albergam 80%

paço Europeu de Ensino Superior. Este exemplo maior de cooperação

da biodiversidade terrestre. Importa garantir que existem op-

transfronteiriça em matéria de ensino superior aumenta consideravel-

ções para preservar, rentabilizar ou regenerar a flora e a fauna.

mente o potencial e a visibilidade global do conhecimento criado na

A tecnologia ISEP está ao serviço das florestas.

Europa, ajudando assim a alavancar uma competitiva Europa do conhecimento e criatividade.


A RETER

CISTER PARCEIRO NA CRIAÇÃO DE NOVO CENTRO DE DADOS DA PT O Centro de Investigação em Sistemas Confiáveis e de Tempo-Real (CISTER) lidera o consórcio que vai desenvolver o novo centro de dados da Portugal Telecom (PT) na Covilhã. Este projecto de orientação industrial aproveita competências do centro de investigação do ISEP para desenvolver um centro de dados avançado, em parceria com a PT e a Carnegie-Mellon University.

EUROPEAN PROJECT SEMESTER @ISEP O ISEP iniciou uma nova oferta académica: o European Project Semester at ISEP (EPS@ISEP). Este programa, desenhado para alavancar a formação de profissionais de Engenharia com perfis propensos a carreiras internacionais, chega a Portugal pela mão do Instituto Superior de Engenharia do Porto. A crescente procura de profissionais, que combinem capacidades técnicas e científicas com competências transversais e sociais, constitui um novo desafio para as instituições de ensino superior. Para lidar com estas novas tendências do mercado, os engenheiros europeus não só devem ter uma sólida formação académica, como devem também estar preparados para integrar equipas multiculturais e trabalhar em qualquer parte do mundo. É neste sentido que surge o EPS@ISEP. O EPS@ISEP é um programa semestral (com 30 unidades de crédito – ECTU), integralmente leccionado em Inglês, que implementa o paradigma da aprendizagem baseada em projectos. Esta oferta, que se destina a estudantes finalistas do primeiro ciclo de estudos de Engenharia, promove nos participantes o desenvolvimento de competências de gestão, planeamento e execução de projectos em equipa, num ambiente internacional e em torno de problemas multidisciplinares. O plano de estudos é composto por um projecto de Engenharia (20 ECTU) e por um conjunto de unidades curriculares, que funcionam em regime intensivo, nas áreas de gestão, planeamento, marketing, ética, comunicação, energia e desenvolvimento sustentável (10 ECTU). Sob a orientação de um ou mais docentes, grupos de quatro a seis estudantes de diferentes nacionalidades e áreas da Engenharia são confrontados com problemas multidisciplinares concretos e têm de, em conjunto e autonomamente, conceber, planear e desenvolver uma solução. Em paralelo, durante as primeiras semanas decorrem as restantes unidades curriculares que conferem competências complementares no âmbito da condução de projectos, comunicação e de trabalho em equipa em ambiente empresarial. Presentemente, o European Project Semester é leccionado por 11 instituições do ensino superior da Dinamarca, Noruega, Finlândia, Polónia, Holanda, Espanha, França, Alemanha, Bélgica e Portugal, envolvendo estudantes europeus, asiáticos e americanos. Para o Instituto Superior de Engenharia do Porto, o EPS@ISEP constitui mais um instrumento de internacionalização e de promoção das boas práticas do ensino da Engenharia.

A Portugal Telecom tem prevista a criação de um novo centro de dados, com 12.000 m2 e 32.000 servidores, que representa o estado da arte a nível mundial. Projectado para iniciar operações entre finais de 2011 e inícios de 2012, centro de dados deverá apresentar avanços significativos em termos de eficiência energética quando comparado com as tecnologias actualmente existentes no mercado. Para responder a este desafio, a PT vai recorrer à tecnologia SENODs, desenvolvida pelo CISTER. Esta parceria levou já à apresentação de soluções preliminares por teleconferências e na sede da PT em Lisboa. A experiência do CISTER em soluções integradas na abordagem de desafios digitais e físicos fornece, assim, um importante contributo para ultrapassar questões relacionadas com os consumos de energia em grande escala, a refrigeração e o processamento de dados. A participação do CISTER incidirá igualmente no desenvolvimento do sistema de comunicação, monitorização de dados e aplicações de controlo ambiental. A PT apresentou o projecto no início de Fevereiro, referindo-se ao novo centro de dados como um dos maiores da Europa. O novo centro, que aponta para tecnologias emergentes, «terá como principal foco o aumento significativo da capacidade de armazenamento e processamento de dados e de serviços de cloud computing, para empresas portuguesas e internacionais, e vai posicionar a PT como um player nesta área da tecnologia no mercado europeu». O consórcio do projecto é liderado em Portugal pelo ISEP e nos EUA pela Carnegie-Mellon University, integrando ainda a Universidade do Porto e o MIT. O projeto SENODs tem duração prevista de três anos e um financiamento na ordem dos 300 mil euros, dos quais 75% estão destinados ao grupo de investigação do ISEP.

05


06

EVENTOS

1as JORNADAS TÉCNICAS – ELEVADORES Ciente da necessidade de fomentar uma maior aproximação entre

O Centro de Congressos foi ainda palco para uma exposição de

os diferentes intervenientes no sector dos elevadores, o ISEP, jun-

produtos que incluiu a presença de empresas nacionais e es-

tamente com a Fundação Politécnico do Porto (FIPP) e a Ordem

trangeiras como a Ziehl-Abegg Ibérica, S.L, SICMALEVA, Liftech,

dos Engenheiros (OE), promoveu um encontro técnico para profis-

Pinto & Cruz, Lda., INAUXA Comercial, SA, Liftechnik, ELEVALIA -

sionais da área. Em Fevereiro, o Centro de Congressos foi palco das

Elevation Components, SL, ThyssenKrupp Acessibilidades, Uni-

1as Jornadas Técnicas – Elevadores.

pessoal, Lda., ThyssenKrupp Elevadores, Lda., ECE, InterAtlantic-Industrie e Schmitt Elevadores, Lda.

Dedicadas a todos os profissionais do sector – projectistas, promotores imobiliários, construtores civis, administradores de condomí-

As 1as Jornadas Técnicas - Elevadores reuniram um painel

nios, proprietários, administração central e local, entidades fiscali-

de oradores de reconhecido mérito no sector e beneficiaram

zadoras, estudantes e docentes do ensino superior – as Jornadas

igualmente da experiência da FIPP, enquanto um dos três orga-

Técnicas abordaram diversos tópicos em destaque no sector e

nismos portugueses notificados pela Comissão Europeia para a

promoveram uma exposição de produtos e tecnologias.

directiva ascensores.

O principal objectivo residiu na troca de ideias e actualização de

Ao alimentar o debate de ideias e a troca de contactos, ISEP,

conhecimentos, devidamente enquadrados com a legislação e

FIPP e OE criaram um ponto de partida para futuras iniciativas

normalização vigentes e a evolução tecnológica dos equipamen-

de promoção e convergência de sinergias, apoiando a troca

tos. Este evento atendeu ainda a temas como a eficiência ener-

de ideias e de contactos, com vista a projectar oportunidades

gética, segurança e relacionamento entre empresas e utilizadores.

de negócio.

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA INFORMÁTICA «Há momentos únicos que devem ser preservados na história de uma

ro. Seguiu-se a directora do DEI, Ana Almeida, que projectou que o

instituição». Foi com este lema que o Departamento de Engenharia In-

sucesso do Departamento se tem feito graças à postura dinâmica e

formática (DEI) celebrou o 25º aniversário no dia 22 de Fevereiro.

proactiva de quem procura a qualidade. Ana Almeida apontou ainda a AcademiaCisco.ISEP e Academia Microsoft como exemplos da atitude

Como resultado da iniciativa de um conjunto de docentes, o Instituto

empreendedora do departamento. O evento contou ainda com apre-

iniciou, em 1985, o bacharelato em Informática – reconhecido como o

sentações de Rosário Gambôa, presidente do Politécnico do Porto e

primeiro curso de Informática na região do Porto. Em paralelo, assistia-

Luís Paupério, professor jubilado e fundador do DEI, entre outros.

-se à formação do Departamento de Informática, actual Departamento de Engenharia Informática.

O curso de Informática ajudou a desbravar caminhos e a abrir horizontes com uma visão vanguardista. Hoje, a licenciatura em Engenharia

Relembrando este momento, as comemorações arrancaram com

Informática mantém o cariz inovador, mas partilha atenções com o

um discurso de João Rocha, presidente do ISEP e antigo director do

mestrado em Engenharia Informática e as pós-graduações em Enge-

DEI. João Rocha ressalvou o espírito inovador do curso e o sucesso

nharia de Aplicações Empresariais e Engenharia Informática Aplicada

do modelo de estágio e integração profissional dos diplomados em

à Saúde. Apontado como uma referência nacional no panorama euro-

Engenharia Informática. Evocou ainda a ambição que tem pautado o

peu de ensino superior, o DEI conta actualmente com 1489 estudantes

crescimento, nos anos recentes, para fazer face aos desafios do futu-

e 100 docentes.


EVENTOS

SEMINÁRIO REABILITAÇÃO DE SOLOS A qualidade do solo tem fortes impactos ambientais, na saúde e segurança alimentar. Esta é uma das áreas em que o Grupo de Reacção e Análises Químicas (GRAQ) centra a sua actividade, e foi no sentido de divulgar alguns projectos recentes que o grupo de investigação do ISEP promoveu o Seminário Reabilitação de Solos. Este evento deu a conhecer o estado do solo em Portugal e o modo de actuação em casos de contaminação Com este seminário, o GRAQ – grupo que integra o REQUIMTE, Laboratório Associado para a Química Verde – reuniu diversos especialistas, académicos e profissionais, no Centro de Congressos, para abordar questões relacionadas com a legislação, controlo de qualidade e tecnologias de avaliação e reabilitação de solos contaminados. Destaque

Guerra, da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte; “Microbio-

para a participação de Vitor Campos, director-geral do Ordenamento

logia do Solo”, de Paolo De Marco, da Universidade do Porto; “Remediação

do Território e Desenvolvimento Urbano, que apresentou a comunica-

de Solos por Bioventilação”, de Manuela Carvalho, do ISEP e “Tecnologias

ção “A Salvaguarda e Valorização do Solo como Recurso Territorial e a

Físico-Químicas de Reabilitação de Solos”, de Tomás Albergaria, do ISEP.

Preparação da Nova Lei do Solo”, abordando a nova legislação que terá fortes impactos na questão da protecção ambiental.

O Seminário contou ainda com a participação da Universidade de Aveiro, Universidade do Porto, Universidade Católica Portuguesa, Labora-

Entre as restantes comunicações releva-se a “Avaliação de Algumas Técni-

tório Nacional de Engenharia Civil, REQUIMTE, DHV, S.A. e Equilibrium,

cas Utilizadas na Recuperação da Fertilidade dos Solos”, de António Tavares

Laboratório de Controlo de Qualidade e de Processos, Lda.

QUARTA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PISCINAS E SPA O Instituto foi palco da Fourth International Conference – Swim-

instalações e harmonização de orientações normativas à escala inter-

ming Pool and Spa (SPSR 2011), que decorreu entre 15 e 18 de Março (www.isep.ipp.pt/swimmingconference).

nacional, em consonância com a OMS. Entre os palestrantes constaram cientistas de renome mundial, como

Após o interesse demonstrado nas conferências anteriores (Budapes-

Mihály Kádár, da National Institute of Environmental Health (Hungria),

te 2005, Munique 2007 e Londres 2009), o ISEP acolheu na SPSR2011,

Thomas Lachocki, da National Swimming Pool Foundation (EUA), Chris-

personalidades representantes da Organização Mundial de Saúde

tian Zwiener, da University of Tuebingen (Alemanha), Athena Mavridou,

(OMS), ministérios, instituições governamentais, departamentos de

da Technological Educational Institute of Athens (Grécia), Michael Be-

saúde pública e de instituições académicas, entre outros organismos

ach, da Center for Disease Control and Prevention (EUA), Cristina Villa-

provenientes da Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslovénia, Es-

nueva, da Centre for Research in Environmental Epidemiology (Espa-

panha, EUA, França, Grécia, Hungria, Itália, Holanda, Portugal, Reino

nha), Christianne Höller, da Bayerisches Landesamt für Gesundheit und

Unido, República Checa e Suécia.

Lebensmittelsicherheit (Alemanha) e André Moreira, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. O programa incluiu ainda comu-

Organizada pelo ISEP, juntamente com a Faculdade de Desporto da

nicações de diversos centros de investigação e instituições públicas e

Universidade do Porto (FADEUP), a Administração Regional de Saúde

governamentais, bem como um fórum de discussão muito participado.

do Norte (ARSN) e o Centro de Estudos de Águas da FIPP (CEA/FIPP), a SPSR 2011 contribuiu com importantes avanços em áreas como:

Este evento foi co-financiado pelo ON.2 – O Novo Norte (Programa

controlo de qualidade da água e do ar; novas tecnologias aplicadas

Operacional Regional do Norte), através do Fundo Europeu de Desen-

ao tratamento da água; subprodutos de desinfecção; supervisão de

volvimento Regional.

07


08

EVENTOS

1º WORKSHOP IBÉRICO CDIO

O ISEP promoveu, juntamente com a Universidade Politécnica da Cata-

Pelo quarto ano, o ISEP reuniu parceiros europeus e em-

lunha (Barcelonatech), o 1º Workshop Ibérico CDIO. Este encontro reu-

presas nacionais no seu campus para abordar tendências

niu cerca de 80 pessoas para partilhar experiências sobre a implemen-

e desafios da Engenharia. A edição deste ano esteve su-

tação do conceito Conceber–Desenhar–Implementar–Operacionalizar

bordinada ao tema da mobilidade, com destaque para os

no processo de ensino/aprendizagem. Um evento extremamente en-

contributos da Engenharia no desenvolvimento de novas

riquecedor, já que permitiu conhecer e comparar experiências que re-

soluções.

forçam a relevância e interligação da iniciativa CDIO com os processos de certificação EUR-ACE, destacou Eduarda Pinto Ferreira, presidente

Reunir diferentes visões e fontes de conhecimento; abordar

do Conselho Pedagógico.

desafios de diferentes perspectivas e metodologias; aproximar as empresas e o ensino superior; contribuir para o

Entre os dois dias do evento, destaque para a sessão “Learning in De-

diálogo intercultural e para um melhor conhecimento das

sign-Implement Experiences – Developing Engineering Skills through Integrated Learning and Assessment”, que apresentou uma década de experiência sueca na aplicação do modelo CDIO no ensino de Engenharia, e “The Catalan University Accreditation Process Under a CDIOlike Point of View”, onde Josep Anton Ferré, da agência de acreditação da qualidade AQU Catalunya, abordou a relação entre o CDIO e o modelo de acreditação catalão. Entre as restantes comunicações, ressalva ainda para a divulgação dos processos de adaptação curricular ao paradigma CDIO nas duas instituições ibéricas, e o impacto da adopção do CDIO no processo de certificação EUR-ACE de cursos do ISEP.

oportunidades inerentes à mobilidade europeia e trabalhar em soluções de promovam o desenvolvimento humano sustentável. Estes foram os objectivos da 4ª Semana Internacional do ISEP. Entre 28 de Março e 1 de Abril, o ISEP reuniu peritos de seis instituições europeias de ensino superior num programa transversal que contou ainda com contributos da NDRIVE, EGi-Energie Generation Industrie, BP, Toyota Caetano Portugal e Metro do Porto. Ao longo da semana, debateram-se tópicos como os bio-combustíveis de terceira geração,

O workshop, que contou com a presença João Rocha, presidente do

avanços recentes na área da robótica e sistemas autónomos,

ISEP, Elisa Sayron, presidente da Escola de Telecomunicações da UPC,

motores movidos a hidrogénio e desafios da gestão de in-

Carlos Ramos e Rui Camposinhos, membros dos comités de sectoriais

formação. A 4ª Semana Internacional reuniu contributos de

da A3ES – entidade responsável pela acreditação de cursos superiores

várias áreas da Engenharia, numa demonstração que o futu-

em Portugal –, ajudou a confirmar os benefícios do modelo do CDIO

ro é multidisciplinar e passa pelo trabalho de equipa.

para a qualidade do ensino/aprendizagem da Engenharia e para o indispensável cumprimento dos requisitos de acreditação e certificação.

Enquadrada na estratégia de internacionalização do ISEP, a Semana Internacional é apoiada pelo Programa de Aprendi-

Dedicado ao ensino há mais de 150 anos, o ISEP continua empenhado

zagem ao Longo da Vida, através da iniciativa Erasmus.

em adoptar novas formas de promover a formação dos futuros engenheiros portugueses.

SOFTWARE EDUCATIVO E DE ENTRETENIMENTO: DESAFIOS E OPORTUNIDADES O grupo de investigação Graphics, Interaction and Learning Tech-

formal entre as empresas e demais participantes. Adicionalmente,

nologies (GILT) dinamizou a nona edição do Clube da Agência para

o Clube ADDICT promove ainda um espaço de speed creating,

o Desenvolvimento das Indústrias Criativas (ADDICT). Dedicado ao

onde os participantes podem explorar, cara a cara, num curtíssimo

tema “Software Educativo e de Entretenimento: Desafios e Oportu-

espaço de tempo e em constante rotatividade, a possibilidade de

nidades”, este evento realizou-se a 23 de Março.

criar parcerias comuns.

A Sala de Eventos do ISEP foi palco de uma edição do Clube

O convite endereçado ao GILT teve em conta a especialização do

ADDICT. Estes encontros da associação portuense de promoção

grupo de investigação do ISEP nas áreas de realidade virtual e inte-

das indústrias criativas, servem de plataforma para um debate in-

racção, multimédia e comunicações, e tecnologias de aprendizagem.


À CONVERSA COM...

ANTÓNIO CARDOSO COSTA “O IMPACTO DA CERTIFICAÇÃO É ESTRATÉGICO PARA O ISEP” Coordenador dos processos de avaliação e certificação desde 2009, António Cardoso Costa acredita que o Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) vai estar em 2011 envolvido num duplo processo: o de certificação e o de acreditação. O primeiro deve estar concluído no final do ano, ou no início de 2012, quando forem conhecidos os resultados da atribuição do selo de qualidade por um consórcio europeu, liderado em Portugal pela Ordem dos Engenheiros. Já o segundo, em fase bem mais adiantada, ficará fechado em Setembro, mês em que a agência nacional tutelada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) tomará uma

decisão quanto aos cursos que preenchem os requisitos da acreditação e por quanto tempo. Para o também docente em Engenharia Informática, doutorado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, um e outro dossiês “são fundamentais para o ISEP”. O da certificação, para mostrar que os cursos têm elevado valor social e produzem diplomados que servem à sociedade. E o da acreditação por estar directamente relacionado com o financiamento através do Orçamento do Estado. Mas o optimismo impera. Ou não tivesse sido o ISEP a primeira escola politécnica de engenharia do país a ter um curso certificado por um período de seis anos.

09


10

À CONVERSA COM...

ISEP.BI Para que serve a certificação dos cursos do ISEP?

significa que não estamos a fazer tudo bem. Quanto mais depressa os

António Cardoso Costa (A.C.C.) Genericamente, a certificação serve

diplomados do ISEP se integrarem e produzirem no mercado de traba-

para mostrar à sociedade que uma actividade respeita um conjunto

lho, melhor. E, na verdade, o feedback tem sido positivo.

de boas práticas e que o seu produto tem valor profissional e social. Ou seja, não chega só fazer – é também preciso mostrar o que está a ser

ISEP.BI Mas tem ou não atraído novos alunos?

feito e, ao mesmo tempo, que se está a fazer com uma finalidade. No

A.C.C. Em 2005, a Ordem dos Engenheiros atribuiu a acreditação máxi-

caso do ISEP, serve para comprovar que aquilo que a instituição se pro-

ma a um dos cursos do ISEP, ou seja, seis anos. Creio que terá servido,

põe fazer corresponde, de facto, ao que faz. O ISEP tem uma vocação

nos anos seguintes, para mostrar que o ISEP estava a fazer bem. Todos

virada para o ensino do saber fazer. Mas isso é fácil de dizer. E, se formos

tínhamos a impressão que se faziam coisas com valor social, mas uma

nós a avaliar o que está a ser feito, tem um valor. Mas, se for uma enti-

coisa é o que se pensa e outra é o que uma entidade como a Ordem

dade externa, tem outro. Nós dizemos que fazemos e isso comprova-se

dos Engenheiros diz. Julgo que, na altura, foi a primeira vez que um cur-

na prática, em virtude da avaliação que é feita, não por nós, mas por

so de uma escola politécnica de engenharia em Portugal foi acreditado

alguém externo ao próprio processo de ensino.

por um período tão longo.

ISEP.BI Qual a diferença entre um curso certificado e outro não cer-

ISEP.BI A qualidade dos cursos mede-se pelo número de anos da cer-

tificado?

tificação?

A.C.C. O ISEP podia viver sem a preocupação da certificação, porque

A.C.C. Exactamente. Quanto mais tempo é um curso acreditado/certifi-

tem feedback positivo em relação ao que faz, mas repito: uma coisa é

cado, melhor a sua qualidade. E o que a Ordem dos Engenheiros disse

fazermos bem e dizermos que fazemos bem e outra bem diferente é

foi que, durante seis anos, o ISEP não tinha que se preocupar com a

alguém, a quem a sociedade reconhece capacidade técnica, dizer que

qualidade da Licenciatura em Engenharia Informática. À época, a maio-

estamos a fazer bem. O que traz vantagens competitivas em termos

ria das Licenciaturas do país era acreditada/certificada por três anos. E

de comunicação, porque podemos dizer que fazemos bem e somos

o ISEP conseguiu seis anos. Infelizmente não serviu de grande coisa,

certificados. E tem ainda um outro benefício, que não pode de maneira

porque a acreditação foi concedida em 2005, embora aplicável desde

nenhuma ser descurado: a certificação dos cursos ajuda os pais dos es-

2003. Ou seja, terminou em 2009. Com a reorganização do ensino pro-

tudantes na hora de tomarem decisões em relação ao futuro dos filhos.

vocada por Bolonha foi, em parte, desaproveitada. Ou melhor, não foi tanto quanto isso, porque há sempre um capital que perdura no tem-

“ISEP FOI PRIMEIRO POLITÉCNICO CERTIFICADO POR PERÍODO TÃO LONGO”

po. Hoje em dia, os futuros alunos visitam os sítios web das instituições, vêem os planos de estudo dos cursos e também visitam a Ordem dos Engenheiros para conhecer a lista dos cursos certificados. Portanto, o facto de uma instituição ter um selo de qualidade faz muita diferença, para os futuros alunos e também para os pais, porque nem sempre os

ISEP.BI Quem certifica os cursos?

jovens têm a perspectiva mais correcta dos cursos que permitem uma

A.C.C. É a Ordem dos Engenheiros, que está integrada num consórcio

maior empregabilidade.

europeu de certificação (ENAEE), responsável pela avaliação dos cursos de engenharia à escala europeia e pela atribuição do selo de qualidade.

ISEP.BI É um coordenador optimista?

O selo EUR-ACE é uma protecção para o futuro e é também uma forma

A.C.C. Sou. Para o ISEP, é muito importante ter cursos certificados, prin-

de convencer os estudantes a virem para o ISEP, porque a qualidade

cipalmente num subsistema do ensino superior que é visto como de

existe e é certificada. O selo de qualidade europeu comprova, basica-

segunda em relação às Universidades. O impacto da certificação é es-

mente, que um curso está bem feito, funciona bem e produz diploma-

tratégico para o ISEP. É um aspecto que tem um grande valor social. É

dos que servem à sociedade.

preciso mostrar, de todas as formas, que aquilo que o ISEP faz é bem feito. E quem o diz não é o ISEP mas uma entidade europeia de referência.

ISEP.BI A certificação pode fazer a diferença?

Agora, não escondo que, entre todos os cursos de Mestrado do ISEP, ha-

A.C.C. Pode. Se estivermos a formar diplomados que precisem de mais

verá uns mais robustos do que outros. Nalguns, o processo já estará, com

um ou dois anos para “saber fazer” engenharia no mercado de trabalho,

toda a certeza, consolidado e, noutros, ainda a precisar de afinações.


À CONVERSA COM...

ISEP.BI A certificação também tem por objectivo mostrar que os Politécnicos não ficam atrás das Universidades? A.C.C. O “negócio” do ISEP é formar diplomados com capacidade de contribuir para o progresso da sociedade. Mas, apesar de eu não ter complexos de inferioridade, acho que deve ser motivador para os politécnicos tentarem chegar ao primeiro lugar. Do meu ponto de vista, é motivador e mesmo saudável. ISEP.BI Quantos Mestrados tem o ISEP? A.C.C. Neste momento tem 10, mas só cinco vão avançar para processo de certificação. São os clássicos, aqueles que já estavam acreditados no tempo das Licenciaturas bietápicas. ISEP.BI E os outros? A.C.C. Os outros Mestrados, como são novos, poderão ter que esperar. Ainda têm que ganhar, se assim se pode dizer, algum lastro. ISEP.BI Findo o processo de acreditação e certificação do ISEP, abandona as funções de coordenador? A.C.C. A coordenação da acreditação e da certificação é uma assessoria prestada ao ISEP. Quando o actual mandato do presidente do ISEP terminar, também darei por concluído o papel de coordenador. No fundo, estou a desempenhar uma função que me foi confiada há dois anos, quando o Doutor João Rocha tomou posse. Como já tinha estado envolvido em actividades de acreditação e certificação, considerei que podia dar um contributo positivo aos directores das Licenciaturas e dos Mestrados. ISEP.BI Qual o panorama da certificação em Portugal no sector do Ensino Politécnico? A.C.C. Em Portugal, em termos de Ensino Politécnico, o processo ainda é incipiente. Neste momento, julgo que apenas quatro instituições universitárias têm selo de qualidade. No Ensino Politécnico, por exemplo, não há nenhuma instituição com cursos certificados. O ISEP está a tentar a certificação porque não tem dúvidas de que é uma mais-valia. ISEP.BI Quando se conhecem os resultados da certificação? A.C.C. Provavelmente, no final do ano ou no início de 2012.

”SEM ACREDITAÇÃO DOS CURSOS, NÃO HÁ FINANCIAMENTO” ISEP.BI O que está a ser feito no âmbito da acreditação dos cursos do ISEP? A.C.C. O ISEP está envolvido em duas frentes: no processo de certifica-

ISEP.BI Porquê?

ção e no de acreditação, esta controlada por uma agência nacional que

A.C.C. Por causa do próximo ano lectivo. Até Setembro, a Agência de

depende da tutela. Hoje em dia, a acreditação é condição fundamental

Avaliação e Acreditação do Ensino Superior vai ter de definir quais os

para obter financiamento. Até 2006, a acreditação dos cursos era vo-

cursos acreditados e durante quanto tempo. O período de acreditação

luntária. Mas agora é obrigatória. Isto é: para se obter financiamento,

pode ir de um a cinco anos. Estou plenamente convencido de que os

os cursos têm que estar acreditados. Mas, no que diz respeito à acredi-

cursos do ISEP preenchem todos os requisitos para serem acreditados

tação, estamos mais adiantados comparativamente com a certificação.

pelo período mais longo.

A fase de entrega da documentação já está concluída e, agora, aguardamos as respostas.

ISEP.BI Certificação e acreditação complementam-se? A.C.C. A acreditação é obrigatória e a certificação voluntária, mas quer

ISEP.BI Já havia cursos acreditados no ISEP?

uma quer outra têm impacto directo no ISEP. Se não houver financia-

A.C.C. Já. Em 2006, a acreditação passou a ser obrigatória. Mas a Agên-

mento público, o ISEP terá de fechar cursos ou cobrar propinas mais

cia Nacional, em vez de começar a funcionar em 2007, só começou a

altas aos alunos, o que, a médio prazo, deixa de ser viável, tendo em

funcionar em 2009/2010. Da parte do ISEP, o processo está concluído.

conta a implantação socioeconómica dos estudantes. Já a certificação,

Falta agora a resposta da Agência de Acreditação, que tem de chegar

não parecendo essencial, acaba por sê-lo. Porque é uma questão de

até Setembro de 2011.

imagem. De valor social.

11


12

DEPOIS DO ISEP

UM ENGENHEIRO “MULTINACIONAL” NUNO LEITÃO Bacharel em Engenharia Informática no meio dos anos 90, Nuno Leitão é o espelho de um profissional experiente. Actualmente, desempenha o cargo de architect na subsidiária alemã da Microsoft: um trabalho exigente, mas que lhe propicia um contacto permanente com diferentes culturas. Ao longo de quase 20 anos de carreira, este antigo aluno do ISEP tem um vasto currículo, sobretudo em ambiente internacional. Num mundo cada vez mais competitivo, Nuno Leitão acredita que o desenvolvimento de competências transversais, como a comunicação, o trabalho em equipa e a mobilidade, são determinantes para se vingar no mercado de trabalho.

Ainda a World Wide Web dava os primeiros passos no nosso país, já

genheiro destaca uma grande conquista: “A primeira ligação do ISEP

Nuno Leitão frequentava o bacharelato de Engenharia Informática no

à Internet, através da rede da Fundação para a Computação Científi-

ISEP. “Estávamos no início da época dourada da tecnologia dos anos 90

ca Nacional (FCCN), foi da minha responsabilidade e da colega Cecília

e, provavelmente, apenas algumas centenas de pessoas tinham qual-

Reis. Aliás, o ISEP foi a primeira escola do IPP a estar em rede, em 1995”,

quer forma de acesso a correio eletrónico em Portugal”. No entanto, no

afirma. Embora o tipo de ligação, nessa altura, fosse cerca de 100 vezes

Departamento de Informática do ISEP, o entusiasmo na promoção das

menor considerando a realidade actual, Nuno Leitão garante que “foi

novas tecnologias não era recente. “Lembro-me que o professor Antó-

um acontecimento relevante”.

nio Costa, do DEI, levava para as aulas as primeiras edições da revista “Wired”, para apresentar aos alunos mais curiosos o que se passava lá

Esta primeira vitória profissional permitiu ao ex-aluno do ISEP, em 1996,

fora”, recorda.

“dar o salto” para a FCCN, mas apenas durante um breve período. O próximo passo levou-o até Cambridge, no Reino Unido, para trabalhar

Vinte anos depois, as mudanças nesta área são notórias. Segundo

na maior empresa de telecomunicações do mundo – a MCI-Worldcom,

Nuno Leitão, o próprio ensino beneficiou, em larga escala, com a im-

onde, pela primeira vez, experienciou o ambiente de uma empresa

plementação das tecnologias de informação. Como relembra, “numa

multinacional. Aí, foi membro de uma equipa responsável por desen-

aula típica, havia três a quatro pessoas que partilhavam um só terminal,

volver sistemas de monitorização em tempo real, que envolviam mi-

tínhamos apenas duas impressoras e muitas disciplinas dependiam de

lhares de dispositivos.

cópias sobre cópias de acetatos”. Com vontade de abraçar novos desafios profissionais, Nuno Leitão

Do ISEP à Microsoft

deixa a MCI-Worldcom para se aventurar num negócio de lucro partilhado. “Foi-me prometida uma fortuna em share options”, relembra. É, então, fundada a Zeus Technology, cujo core business consistiu no desenvolvimento de um servidor web pensado, unicamente, para gran-

Até chegar à posição que ocupa, hoje, na Microsoft, Nuno Leitão so-

des centros de processamentos de dados (CPD). No entanto, a aventu-

mou no seu currículo um vasto conjunto de experiências profissionais.

ra não correu bem. Como Nuno Leitão refere, “era uma boa ideia mas

O primeiro contacto com o mercado de trabalho, recorda, “começou

acabou por morrer pela lei de Moore”, lamentando que “a qualidade da

precisamente no Instituto Politécnico do Porto (IPP), em particular no

tecnologia, muitas vezes, venha em segundo lugar em relação à qua-

Instituto para o Desenvolvimento Tecnológico”. Desse período, o en-

lidade das vendas”.


DEPOIS DO ISEP

Após muitas mudanças na empresa, o ex-aluno do ISEP não esmoreceu. A próxima “paragem” foi a British Telecom, onde desempenhou a função de consultor de sistemas. No entanto, o seu espírito irrequieto levou-o a procurar novos projectos. É, então, na Integralis, que Nuno Leitão lidera uma pequena equipa multinacional de engenheiros de software. A partir de 2006, integra a FAST, empresa líder mundial na oferta de soluções e plataformas de pesquisa direccionadas a empresas. Dois anos depois, a FAST é adquirida pela gigante Microsoft, “local onde permaneço até hoje”, conclui.

Lei de moore Em 1965, um dos co-fundadores da Intel, Gordon Moore, apresentou uma teoria evolucionista a respeito do hardware, que se mantém actual até aos dias de hoje. Segundo ele, o número de transístores dos chips teria um aumento de 100%, pelo mesmo custo, a cada período de 18 meses. Ou seja, num período inferior a dois anos, o poder de processamento dos computadores, não só os domésticos mas os de todo o tipo,

Um trabalho estimulante, mas que exige grande dedicação pessoal

duplica, obrigando todos os especialistas de informática a uma actualização constante.

de forma transversal, são factores que o ex-aluno do ISEP identifica como essenciais para se alcançar o sucesso profissional. Como explica,

A trabalhar na Alemanha, no Digital Marketing Platform Group, que

“o mercado actual está a atingir um ponto de saturação tecnológica,

pertence à Microsoft Consulting Services, Nuno Leitão é, actual-

onde a inovação é cada vez mais lenta e gradual e a competição dentro

mente, responsável por desenvolver soluções de enterprise search.

dos mercados existentes será, obviamente, maior”.

“Utilizando produtos e tecnologia da Microsoft na área da pesquisa empresarial, desenho e implemento soluções personalizadas, que

Para Nuno Leitão, os futuros engenheiros devem mesmo “adquirir o

permitem a utilizadores altamente especializados encontrar a infor-

passaporte assim que possível, e aprender duas línguas estrangeiras,

mação de que necessitam”.

possivelmente o espanhol e o mandarim, porque o inglês, por si só, já não é suficiente”.

Em contacto permanente com vários clientes, uma vez que está sempre envolvido em três ou quatro projectos em simultâneo, Nuno

Tal como refere o ex-aluno do ISEP, “as pessoas mais difíceis de encon-

Leitão explica que, cerca de 70 por cento do seu tempo é passado a

trar são aquelas capazes de actuar em ambiente multidisciplinar, e as

“interagir com pessoas”, enquanto que o tempo restante é dedicado

que conseguem unir esforços para resolver problemas complexos.” So-

à concepção da própria tecnologia. Não é, portanto, de admirar que

bre este assunto, Nuno Leitão relembra que o ISEP é um bom exemplo

este architect da Microsoft viaje frequentemente. “É uma vantagem,

de uma escola de engenharia que forma “profissionais multifacetados”.

pois também me permite entrar em contacto com ambientes e culturas diversas”. Para além de exigir uma grande mobilidade, o cargo de Nuno Leitão requer grande flexibilidade mental, facto que o leva a afirmar que “não

“A persistência e estoicismo de alguns docentes era admirável”

levar trabalho para casa é importante para manter um certo grau de sanidade”. Não obstante, Nuno Leitão defende que “a Microsoft é uma

Para Nuno Leitão, a aprendizagem académica que o ISEP lhe propor-

empresa que proporciona um equilíbrio razoável entre a vida pesso-

cionou, bem como a qualidade do ensino, foram preponderantes para

al e profissional”. Contudo, reconhece que esta multinacional “não

o seu percurso profissional. “A formação teórica no ISEP ajudou-me a

é para qualquer um, porque implica um ambiente de sobrevivência

estruturar a minha forma de resolver os problemas. Para além disso,

quase Darwiniana.”

o vasto leque de disciplinas oferecido ao longo do curso foi também muito útil, pois ofereceu-me uma ’bagagem‘ e experiência que pen-

“TO THINK OUT OF THE BOX” O desenvolvimento das competências transversais, ou soft skills, são, segundo Nuno Leitão, “muito importantes”. Ser um bom comunicador, ter uma boa capacidade de negociação e de iniciativa, aceitar projectos que impliquem grande mobilidade e risco, e resolver problemas

so ser rara”. Em relação à formação prática, o engenheiro informático acredita que “qualquer curso superior nesta área está, tendencialmente, alguns anos atrás da curva tecnológica”. Por isso, lança o desafio à redefinição dos planos curriculares. Embora não mantenha contacto frequente com ex-colegas e docentes, justificável para quem emigrou aos 26 anos, Nuno Leitão recorda o ISEP como uma casa exigente e que lhe abriu novos horizontes. “O que pensei ser um jardim zen revelou-se como sendo um bazar em Marraquexe”, brinca. Dos docentes, recorda também um empenho e uma dedicação constantes. Contudo, confessa que só muitos anos depois, já com um certo distanciamento, se tem essa percepção. Questionado quanto a um possível regresso ao ISEP, embora Nuno Leitão considere improvável, uma vez que não está a residir em Portugal, confessa que, se o fizesse, gostaria de “ajudar os alunos a descobrir os seus talentos, através de workshops ou promovendo a sua ligação às empresas”.

13


14

DE FORA CÁ DENTRO

ENGENHEIROS DE TOPO PARA UMA EMPRESA DO MUNDO Exemplo de bom modelo de aproximação das empresas ao meio académico, a cooperação institucional entre o ISEP e a EFACEC é o tema abordado nesta edição do ISEP BI. Numa empresa em que o maior valor reside na qualidade dos recursos humanos, o recrutamento dos quadros da Unidade de Servicing é realizado, essencialmente, no ISEP. Em conversa com Jorge Torres, director desta área de negócio, ficamos a perceber que “os alunos do ISEP têm as competências que a unidade procura e valoriza”. Razão pela qual a “pesca de novos talentos” se inicia logo com a oferta de estágios curriculares que, em inúmeras situações, evolui até à contratação efectiva. “Pelo nosso grau de satisfação é, com certeza, um modelo ao qual pretendemos dar continuidade”, sublinha Jorge Torres.

É uma das unidades mais recentes dentro do grupo EFACEC, com ape-

Numa unidade onde a maioria dos quadros é licenciada em Engenha-

nas quatro anos de existência. Surgiu da necessidade de racionalizar

ria Electrotécnica, o director assegura que “o recrutamento de Servicing é, essencialmente, realizado no ISEP”, pois “as competências que a empresa valoriza para os seus quadros estão mais alinhadas com o Instituto”. Prova disso, é que desde a criação da unidade, em 2007, já receberam mais de uma dezena de alunos do ISEP, e “cerca de 70 por cento continuam a trabalhar na rede”, garante.

as áreas de negócio do grupo, e de optimizar a gestão dos recursos. Hoje, a Unidade de Servicing, tem demonstrado um crescimento sólido acentuado. Uma aposta ganha que veio complementar a oferta da empresa na fabricação dos materiais de equipamento de energia. “Já tínhamos o know-how na prestação de serviços, agora aplicamos essa capacidade autonomamente, extraindo daí mais benefícios”, explica Jorge Torres, director da Unidade.

A cooperação com o Instituto inicia-se logo na fase dos estágios curriculares. Segundo Paulo Rodrigues, responsável pelas operações da

No mercado nacional, esta área de negócios do grupo EFACEC é já lí-

unidade de Servicing e pelo recrutamento e orientação dos estagiários,

der, para uma quota de mercado que se situa acima dos 50 por cento,

“é um intercâmbio valioso”. Funcionando como a primeira aproxima-

embora a concorrência de “gigantes”, como Siemens e ABB, seja uma

ção da empresa ao meio académico, Paulo Rodrigues acredita que “é

realidade.

uma situação de valorização dupla”, porque, como sustenta, “permite à EFACEC um acompanhamento mais próximo no que diz respeito à

EFACEC-ISEP – UM MODELO DE COOPERAÇÃO EXEMPLAR

evolução das novas tecnologias”. Além disso, aponta, “já fizemos vários convites aos formandos para permanecer na empresa e, mesmo que não fiquem, é uma boa experiência para o currículo”. Após a conclusão desta etapa, o director da unidade explica que todos

Com os principais clientes da unidade a gravitar entre empresas insti-

os novos elementos passam por um período de formação de um ano,

tucionais, tais como a EDP e a REN, e o sector da indústria, Jorge Torres

coincidente, na maior parte dos casos, com o estágio profissional. A

refere que “só uma equipa forte e com uma coordenação eficaz” garan-

partir daí, “o mais natural será a integração na empresa”, realça Jorge

te um serviço completo e competente a todos os níveis.

Torres.


DE FORA CÁ DENTRO

Disponibilidade, capacidade de adaptação e de trabalho em equipa, aliada a uma sólida formação teórica, são premissas essenciais para uma empresa que “não tem tempo a perder”, e que encontra no ISEP um bom aliado. Como confirma Paulo Rodrigues, “o ISEP tem feito um excelente trabalho de apoio para a inserção dos seus alunos no mercado do trabalho”. E, numa instituição em que “a maior riqueza reside nos recursos humanos e não nas máquinas”, como adianta Jorge Torres, a aposta na qualificação dos colaboradores é uma prioridade. Razão pela qual se criou, recentemente, uma universidade interna “que visa difundir a nossa tecnologia, aproveitando, da melhor forma, o conhecimento que existe dentro da casa”.

“TECNOLOGIA QUE MOVE O MUNDO”

SERVIÇOS DE EXCELÊNCIA Desde 2007, a capacidade de resposta da Unidade de Servicing tem sido colocada à prova em várias situações. Numa unidade que conta com 160 colaboradores, Jorge Torres reconhece que, parte do sucesso se deve ao suporte dado pela fábrica EFACEC: “Num projecto que realizámos para a GALP, iniciado em Fevereiro de 2009, tínhamos apenas seis semanas para fabricar os componentes necessários à (re)instalação de uma rede eléctrica. Com a ajuda da nossa fábrica, conseguimos cumprir um timing muito apertado”. Esta complementaridade exemplar entre as diferentes 10 unidades de negócio do grupo, valeu, no final de 2009, um contrato de manutenção global de instalação durante quatro anos, que até aí estava nas mãos de uma empresa espanhola.

Sediada em Portugal, a Unidade de Servicing tem já uma rede internacional a operar. Em Espanha, desenvolveu-se uma estrutura de raiz. Em

Em Moçambique, o director da Unidade de Servicing destaca

Angola, procedeu-se à reformulação da existente. No Brasil, adquiriu-se

outro projecto de grande dimensão: “Os 16 transformadores

dois terços de uma empresa com moldes semelhantes à congénere

de potência de alta tensão, que sustentam a Central de Cahora

portuguesa, e num investimento que deverá alcançar os 15 milhões de

Bassa, precisavam de reparação urgente. Como a tecnologia

euros. E, desde 2010, a unidade está também presente nos EUA e na

de concepção era diferente da nossa, tivemos primeiro de fa-

Argélia, onde detém uma pequena organização.

zer uma deslocação para o levantamento das características da máquina. Após o update do primeiro transformador, que

Actualmente, o volume de vendas para o exterior situa-se nos 35 por

foi um sucesso, ganhámos o cliente e, neste momento, esta-

cento, mas o objectivo, para os próximos anos, é aumentar esse valor.

mos a fazer a manutenção e gestão de todos os transforma-

“A estratégia a cinco anos prevê que mais de 60 por cento da nossa

dores da Central”.

actividade se realize fora do país, embora queiramos que Portugal continue a ser a base, sob o ponto de vista da coordenação e do centro de competências”, explica o director. Contudo, face à actual crise mundial, vão realizar-se alguns ajustes à estratégia previamente definida, pois tal como justifica Jorge Torres “são investimentos avultados, que implicam um grande financiamento e que obrigam a alguns atrasos, embora a estratégia de expansão definida continue intacta”.

NORTE EMPREENDEDOR Acarinhada pelo Estado português, a EFACEC reconhece o importante impulso que dá à balança comercial do país. Com um crescimento à escala internacional, a empresa é, especialmente, uma referência para a região Norte do país. Não será por acaso que as primeiras imagens que ficam na memória de quem chega ao Aeroporto de Sá Carneiro, no Porto, sejam, precisamente, cartazes da EFACEC, aí estrategicamente colocados.

VIAJAR SEM RESERVAS

Aliar a ambição de crescer com o realismo do mercado, só é sustentável com a qualificação de quadros superiores que

Para um grupo que está presente nos cinco continentes, interessa a

partilham as mesmas ambições. “Um princípio verdadeiro”,

contratação de “profissionais do mundo”. Por isso, quando questio-

segundo Jorge Torres, colocado em prática através dos pro-

nado sobre os conselhos a transmitir aos futuros engenheiros, Jorge

tocolos de cooperação com instituições de ensino superior

Torres declara, sem hesitar: “É fundamental que os novos licenciados

do norte.

abram a sua mente para o espaço global”.

Essa proximidade, como salienta o director da Unidade de

Acima de tudo, o director da Unidade de Servicing deixa uma mensa-

Servicing, “permite o desenvolvimento de projectos de I&D, pois não existe disponibilidade nem capacidade para os realizar sozinhos”.

gem de esperança: “Pelo nível de ensino que se pratica no ISEP, estou convencido de que as oportunidades vão sempre surgir, quer seja cá, quer seja lá fora”. Mas, mais importante, “não se deixem afectar pela actual situação do país, pois acredito que iremos resolver os problemas”.

15


16

DESTAQUE

ISEP INTEGRA MAIOR UNIDADE DE ROBÓTICA DO NORTE


DESTAQUE

Nasceu, com a contribuição do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), um dos maiores grupos de robótica em Portugal. Impulsionada por um movimento de base iniciado pelos próprios investigadores, a nova unidade de robótica quer criar massa crítica para desenvolver projectos de investigação a três níveis. O primeiro está relacionado com a actividade de I&D para aplicação às fileiras da economia do mar – segurança marítima e indústria naval, entre outras. Já o segundo prende-se com a necessidade de produção de tecnologia direccionada para os mercados dos equipamentos industriais. O terceiro, já em marcha, diz respeito à exportação de tecnologia na área da robótica, nomeadamente para os mercados emergentes, como o Brasil.

São 45 os investigadores provenientes do Grupo de Robótica e Siste-

a imagem externa de qualidade e credibilidade. A fusão dos dois pólos

mas Inteligentes do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computa-

de robótica vai, assim, ao encontro de uma visão institucional que advo-

dores (INESC) Porto e do Laboratório de Sistemas Autónomos do ISEP,

ga a criação e reforço de áreas capazes de se transformarem em referên-

que passam a desenvolver projectos em conjunto na área da robótica

cias, não apenas nacionais mas, acima de tudo, internacionais.

e da automação. “Uma coisa é termos uma equipa de 20 investigadores e, outra, bem Os objectivos, inscritos no memorando de entendimento assinado no

diferente, é termos uma de 40 ou 50. Logicamente, a dimensão pode

passado mês de Fevereiro, passam por uma necessidade de optimizar

fazer toda a diferença, porque, com 50 investigadores, podemos, de

os recursos disponíveis, ganhar massa crítica e sinergias e reforçar a ca-

facto, abraçar projectos com outra envergadura”, sublinha Eduardo Sil-

pacidade científica e tecnológica das duas instituições.

va, co-coordenador da recém-criada Unidade de Robótica.

A criação de mais-valias foi um dos pressupostos que estiveram na

Para o também docente do ISEP, “sempre se sentiu a necessidade de

origem da fusão entre os grupos do ISEP e do INESC Porto. Como su-

fusão”, com vista à conquista de escala científica, mas, acrescenta, “a

blinha João Rocha, presidente do ISEP, o consórcio “resulta da consta-

questão era saber se havia, ou não, condições para se avançar com o

tação de que é possível estabelecer sinergias entre actividades simila-

processo de partilha de experiências e saber”. Quando se verificou que

res” e, ao mesmo tempo, proporcionar condições para a existência de

“as circunstâncias para se pôr em prática a fusão eram as melhores,

“grupos com massa crítica suficiente para se abalançarem no mercado

avançou-se”, refere Eduardo Silva, para quem “não fazia sentido as duas

empresarial”.

instituições estarem a trabalhar separadamente”, uma vez que “a maioria dos investigadores já se conhece e trabalha em projectos comuns”.

Também o director do INESC Porto não tem dúvidas quanto às vantagens inerentes à aliança das duas instituições, que são uma referência

Do lado do INESC Porto, o co-coordenador António Paulo também só

na área da robótica em Portugal. Para Vladimiro Miranda, “ao construir-

vê benefícios resultantes da parceria com o ISEP, nomeadamente “no-

-se uma ponte entre o sistema politécnico e universitário, queremos

vas competências para dar resposta a outro tipo de necessidades, o

dar o exemplo de que a união de forças e a cooperação valem muito

que não ocorria no passado no INESC na área da Robótica”. E reforça: “A

mais do que discussões estéreis sobre o ‘pedigree’ de cada um”.

dimensão obtida torna a Unidade de Robótica muito mais apetecível para possíveis parceiros, quer a nível europeu, quer a nível mundial”.

Incentivar a ligação, em rede, dos seus grupos de investigação com outras instituições que tenham características de excelência, como o INESC

O primeiro trabalho conjunto dá pelo nome de Lajeado, um projec-

Porto, sempre foi um objectivo defendido pelo ISEP, com vista a reforçar

to de três anos que vai ao encontro de um dos três pilares em que

17


18

DESTAQUE

assenta a fusão entre ISEP e INESC Porto: exportação de tecnologia, na área da robótica, para os mercados emergentes. O Brasil está já a receber tecnologia desenvolvida por investigadores pertencentes à nova Unidade de Robótica, mas outros países se podem seguir, caso o novo pólo criado veja aprovadas duas candidaturas já formalizadas, uma de dimensão nacional e outra europeia. “Os contratos de investigação não surgem de um dia para o outro. A fusão ainda não tinha sido formalizada e já os investigadores trabalhavam conjuntamente no projecto Lajeado”, considera Eduardo Silva, antes de assumir que “várias candidaturas a diversos projectos estão já em preparação no âmbito da nova Unidade de Robótica”. Se forem aprovadas, serão executadas em 2012 e constituirão os primeiros trabalhos desenvolvidos conjuntamente. Em causa, estão cerca de 1,2 milhões de euros, um milhão dos quais associado a um projecto europeu. Estabelecido com base no horizonte temporal habitualmente consagrado nos contratos firmados entre a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e os Laboratórios Associados, o período de vigência do memorando de entendimento entre o ISEP e o INESC Porto tem a

SISTEMA INTELIGENTE LAJEADO INSPECCIONA BARRAGEM NO BRASIL O Lajeado é um dos primeiros trabalhos desenvolvidos pela nova Unidade de Robótica. Orçado em 1,6 milhões de euros, e com uma duração de três anos, o projecto visa desenvolver um sistema inovador de inspecção de uma barragem e bacia hidrográfica localizada no município com o mesmo nome, no Rio Grande do Sul (Brasil). Financiado por um consórcio de empresas de energia, liderado pela Companhia Energética de Brasília (CEB) Lajeado, o sistema

made in Portugal vai permitir a inspeção da barragem e a análise das características da água ao longo da bacia, assim como monitorizar a morfologia do fundo da bacia e eventuais assoreamentos. Outra das características do Lajeado tem a ver com a possibilidade do arquivamento de dados e a consulta rápida e simples, através de um sistema de realidade virtual. A informação recolhida pode, inclusive, ser disponibilizada via Internet.

duração de cinco anos, renováveis, a partir de 1 de Janeiro de 2011.

CISTER É UNIDADE ASSOCIADA AUTÓNOMA DO INESC PORTO LA Unidade de investigação de referência, o Centro de Investigação em

Porto, como o Laboratório de Inteligência Artificial e Análise de Da-

Sistemas Confiáveis e de Tempo Real (CISTER), no âmbito do mesmo

dos (LIAAD), o Center for Research in Advanced Computing Syste-

memorando de entendimento que estabeleceu a unidade de robóti-

ms (CRACS) ou a Unidade de Gestão e Engenharia Industrial (UGEI).

ca, aderiu ao INESC Porto LA, na forma de grupo associado autónomo. O mesmo é dizer que as candidaturas aos projectos financiados De acordo com o memorando de entendimento estabelecido

pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) podem conti-

entre o ISEP e o INESC Porto LA, o CISTER contribuirá, com a sua

nuar a ser feitas através do ISEP, o que não invalida a possibilidade

experiência de gestão científica, na construção de parcerias com

de participação em outros projectos no âmbito do INESC Porto.

actividades e grupos já existentes no seio daquela unidade do ISEP.

Também em relação aos projectos QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), o CISTER deve equacionar a participação do

Sem embargo das sinergias que podem resultar da associação ao

ISEP como parceiro institucional.

novo grupo criado entre ISEP e INESC Porto LA, o CISTER continuará a gozar de autonomia financeira e de gestão. A adesão à Uni-

O CISTER é a única unidade de investigação nacional nas áreas da

dade de Robótica assentará, assim, num modelo também seguido

Engenharia Electrotécnica e Informática que obteve a classificação

por outras unidades associadas autónomas integradas no INESC

de Excelente nas duas últimas avaliações internacionais da FCT.


INVESTIGAÇÃO À LUPA

Luís Oliveira, professor do Departamento de Física do ISEP, é o rosto de um estudo que recebeu o aplauso da comunidade científica internacional, nomeadamente do conceituado American Institute of Physics. A investigação, que se apresentou sob o tema “Rat Muscle Opacity Decrease Due to the Osmosis of a Simple Mixture”, abre novos caminhos ao desenvolvimento das tecnologias ópticas aplicadas à Medicina. Através da análise das propriedades ópticas do músculo, tecido biológico nunca antes estudado, Luís Oliveira desenvolveu um modelo matemático inovador, e decifrou a ordem dos mecanismos que ocorrem quando determinados agentes químicos actuam sobre o tecido muscular. Na prática, esta descoberta vai possibilitar que um feixe de laser incida com maior profundidade e potência no músculo, permitindo, em última análise, que o diagnóstico e os tratamentos de inúmeras doenças sejam mais eficazes e menos invasivos.

LUÍS OLIVEIRA

ÓPTICA MÉDICA COM MAIS ALCANCE

19


20

INVESTIGAÇÃO À LUPA

Para ser bom, há que se juntar aos melhores. Foi exactamente a partir

receram rasgados elogios do seu mentor e consultor Valery Tuchin,

deste pressuposto que Luís Oliveira desenvolveu a ideia de uma inves-

professor jubilado da Universidade de Saratov, na Rússia. Segundo

tigação que se veio a revelar inovadora. “Estávamos no início do novo

palavras de Tuchin, Luís Oliveira “foi o primeiro investigador no mun-

milénio, quando o professor russo Valery Tuchin, grande especialista e

do a desenvolver o modelo teórico que descreve a constituição do

mentor mundial das tecnologias ópticas aplicadas à Medicina, veio a

tecido do músculo e que caracteriza essa constituição em parâmetros

Portugal participar numa conferência. De imediato, interessei-me por

ópticos”. Uma apreciação que lhe valeu a classificação final de Muito

esta área de trabalho”. O entusiasmo foi tanto que, ao despedir-se do

Bom por unanimidade do júri.

professor no aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, Luís Oliveira discutiu com ele as primeiras ideias para o projecto, “num rabisco de papel” que guarda, até hoje, com especial carinho. Alguns anos mais tarde, reunidas as condições para desenvolver o tra-

Tornar os tecidos biológicos “mais transparentes”

balho no âmbito da sua tese de Mestrado em Engenharia Biomédica, Luís Oliveira avança com a análise dos tecidos musculares. Qual a prin-

Aplicar a radiação óptica à Medicina não é tarefa fácil. Como explicou

cipal finalidade? “Alterar e controlar as propriedades ópticas desses teci-

Luís Oliveira ao ISEP.BI, segundo as leis da Física, o laser, enquanto fonte

dos, de modo a melhorar as tecnologias ópticas em Medicina”, explica.

luminosa, é caracterizado por ser muito forte e intenso, isto porque todos os fotões de luz que o compõem viajam na mesma direcção dentro

No tempo recorde de um ano, o docente do ISEP concluiu a investi-

de um diâmetro reduzido, com a mesma fase e com o mesmo compri-

gação, porque estava “inteiramente concentrado e empenhado neste

mento de onda. No entanto, quando o laser encontra uma abertura ou

projecto” e também porque teve uma excelente orientação de dois

um obstáculo, a luz dispersa-se, ocorrendo um fenómeno óptico deno-

outros grandes professores: o professor Armindo Lage, da Faculda-

minado por difracção. A difracção de um feixe de luz faz com que este

de de Engenharia, e o Professor Manuel Pais Clemente da Faculdade

perca potência e direccionalidade. Para além deste fenómeno, deve

de Medicina da Universidade do Porto. De facto, os resultados que

considerar-se a absorção, capacidade intrínseca aos próprios tecidos,

apresentou, em 2007, aquando da defesa da tese de Mestrado, me-

como mais um inimigo da propagação da energia laser.

Segundo Luís Oliveira, “o engenheiro do século XXI é um ser multidisciplinar”. Aliás, o seu percurso académico e profissional confirma essa convicção. No ensino secundário, frequentou o curso técnico-profissional de Informática, é licenciado em Física e mestre em Engenharia Biomédica. Leccionou durante um breve período na Universidade Técnica de Lisboa, na Faculdade de Arquitectura. Com a paixão pela investigação sempre presente, foi o investigador principal num projecto financiado pela Comissão Europeia, cujo objectivo consistia em determinar os parâmetros ópticos do vinho do Porto. “Estávamos a 18 meses da data de conclusão do estudo quando entrei neste projecto, porque a anterior equipa de investigação muito pouco tinha feito”, explica o docente do ISEP. Os resultados, portanto, não poderiam ter sido outros: “O relatório final foi muito aplaudido pelo Comissário Europeu que o avaliou”.


INVESTIGAÇÃO À LUPA

Esta explicação é essencial para entender o ponto de partida da investigação. A partir de um tecido biológico complexo, como é o músculo, o docente do ISEP procurou neutralizar os efeitos responsáveis pela limitação da transmissão do laser. O primeiro passo foi “utilizar uma fonte de luz de espectro alargado e fazer medições de vários comprimentos de onda, com o auxílio de um espectrofotómetro”, explica Luís Oliveira. Desta forma, obteve-se informação útil sobre a verdadeira capacidade de alcance de diferentes lasers, uma vez que “nas tecnologias ópticas aplicadas à Medicina o comprimento de onda difere, consoante a área de actuação: diagnóstico, cirurgia, tratamento, ou terapia”, conclui. Na fase experimental do estudo, Luís Oliveira recorreu aos músculos da parede abdominal do rato para testar a acção de diferentes agentes químicos no tecido. O objectivo do docente passou por perceber se certos agentes, tais como a glicerina, o propilenoglicol e a glucose, uma vez em contacto com o músculo, eram capazes de reduzir o efeito de espalhamento. De facto, estava certo. A adição desses agentes no interior do tecido reduz o coeficiente de espalhamento, permitindo, portanto, que o laser alcance maior profundidade e com maior potência. Nesta linha de investigação, o docente do ISEP chegou ainda mais longe, uma vez que descodificou a sequência dos mecanismos que ocorrem quando o agente químico entra em contacto com o músculo. Luís

Engenho e criatividade na procura de soluções Um secador, uma balança de precisão e um refractómetro de Abbe. Foram estes os únicos elementos que Luís Oliveira utilizou para fazer todas as medições necessárias ao desenvolvimento da sua teoria. De facto, embora reconheça que “este estudo não exige grande instrumentação”, o docente confirma que é preciso criatividade para contornar as dificuldades. “Em Portugal faltam-nos recursos para fazer mais e melhor pesquisa científica”, lamenta. Consciente, portanto, desta realidade, Luís Oliveira escolheu já como tema para a tese de doutoramento, apresentar, a partir de simulação gráfica, a variação do coeficiente de espalhamento do tecido ao longo do tempo. “Estou a seguir a mesma linha de investigação, mas a única diferença é que não preciso de ir para o laboratório. Posso desenvolver todo o trabalho no computador”. Com data de finalização prevista para o Verão de 2014, a tese de doutoramento está a ser desenvolvida sob a co-orientação da professora Elisabete Nogueira, do Departamento de Física do ISEP.

Oliveira conseguiu demonstrar que a desidratação do tecido acontece, essencialmente, nos primeiros 25 segundos de tratamento, sucedendo-se a adaptação de índices de refracção, isto é, o agente “empurra” a água para fora do tecido, e seguidamente “ocupa” esse espaço deixado pela água. Para além desta descoberta, Luís foi o primeiro investigador a desenvolver um modelo matemático que descreve o tecido muscular em termos dos índices de refracção dos seus constituintes. Na prática, este contributo vai permitir optimizar a utilização de um feixe laser sobre este tipo de tecidos, tornando-os, portanto, “mais transparentes”.

Descoberta científica garante aperfeiçoamento da tecnologia laser ao serviço da Medicina Em 2010, quando submeteu o artigo ao Journal of Biomedical Opticals, Luís Oliveira estava longe de imaginar que, apenas um mês mais tarde, receberia uma notificação do American Institute of Physics dizendo que o artigo tinha sido distinguido. “Fiquei muito satisfeito”, afirma.

Sinto-me confortável no ISEP

Na verdade, embora a aplicabilidade prática do estudo não seja ainda

Embora ainda não estivesse a leccionar no ISEP no período em que

uma realidade, uma vez que é necessária investigação adicional, são

decorreu o estudo, Luís Oliveira já conhecia “os cantos à casa”. Esta feliz

inúmeras as especialidades médicas que poderão beneficiar com estes

coincidência aconteceu porque “o professor Tuchin aconselhou-me a

resultados, como a otorrinolaringologia e a dermatologia.

desenvolver estudos adicionais, mas isso implicou o recurso a equipamentos que no Hospital de São João não tinha”, recorda. Foi então que

O fotodiagnóstico, a fototerapia, a cirurgia laser, entre outras tecnolo-

o ISEP lhe abriu as portas. “Com o auxílio do Departamento de Enge-

gias ópticas aplicadas à Medicina, têm sido aplicados ao nível do tra-

nharia Química, nomeadamente dos professores Mário de Carvalho e

tamento de várias doenças, em especial do cancro, mas actualmente

Paulo Silva, encontrei aqui todas as condições para desenvolver parte

ainda a níveis considerados superficiais nos tecidos. Podendo o laser

da minha investigação”. Esta investigação realizada no ISEP permitiu a

actuar mais fundo e de forma mais “incisiva”, a identificação e remoção

descodificação da sequência dos mecanismos envolvidos na criação

de tumores, em cancros como o da pele, laringe, intestino, estômago,

de transparência dos tecidos biológicos, feito pelo qual o seu artigo

ou ocular, será mais fácil e eficaz.

foi distinguido.

Na área da tomografia óptica coerente, o input deste estudo pode

No ISEP desde Outubro de 2008, Luís Oliveira confidencia que “de to-

aplicar-se ao aperfeiçoamento da biópsia virtual, na análise de tumores

das as experiências profissionais que tive até hoje, seguramente, é no

de forma não invasiva.

ISEP que me sinto melhor”.

21


22

A NOSSA TECNOLOGIA

TECNOLOGIA DE PONTA PARA TORNAR O MUNDO MAIS INTELIGENTE

do CISTER responsáveis pelo trabalho desenvolvido no EMMON. Em termos de monitorização ambiental, por exemplo, “este tipo de tecnologias pode ser usado num sem número de aplicações, quer em espaços públicos quer privados, desde a monitorização da qualidade do

E se fosse possível controlar os semáforos de uma cidade sa-

ar (utilizando sensores de ozono, temperatura, humidade) em cidades

bendo, em tempo real, os níveis de dióxido de carbono de

“inteligentes”, até à monitorização de ruído (utilizando sensores acús-

cada artéria, de forma a desviar o tráfego e reduzir os pon-

ticos e de vento) para criação de “mapas” em tempo-real”, explicam. A

tos de concentração? Ou, então, saber exactamente, fila a

partir da informação disponibilizada, é possível influenciar o fluxo de

fila, a temperatura de uma sala de espectáculos, permitindo

veículos e pessoas para melhorar a qualidade de vida das populações,

construir um sistema que direcciona as saídas do ar condicio-

por exemplo, medindo em tempo real, os níveis de dióxido de carbono

nado para o sítio certo, na hora certa? Esta cidade pode ser

de várias artérias e, dessa forma, desviar o tráfego e reduzir os pontos

uma realidade num futuro próximo, graças a uma tecnologia

de concentração; accionar automaticamente o sistema de ar condicio-

inovadora made in ISEP. Envolvido num projecto europeu, o

nado numa sala de espectáculos ou numa estação de metro, de acordo

CISTER - Centro de Investigação em Sistemas Confiáveis e de

com o fluxo de pessoas. Outras aplicações aparecem em ambientes

Tempo-Real, desenvolveu uma rede de sensores e um softwa-

industriais, onde se podem alterar configurações para melhorar as con-

re de comunicação, capazes de criar uma cidade inteligente. As potencialidades deste projecto são imensas e podem ser aplicadas nas mais diversas situações.

dições de trabalho dos seus funcionários, ou as condições ambientais para manter as propriedades das matérias-primas. “A aplicabilidade desta tecnologia vai permitir obter ganhos em eficiência energética e em termos económicos”, sublinham os investigadores. Além de aplicações de monitorização ambiental, este tipo de tecnolo-

O CISTER está a trabalhar juntamente com vários parceiros industriais e

gia pode ser utilizado para, por exemplo, monitorizar a dinâmica estru-

académicos europeus no desenvolvimento do projecto EMMON - Em-

tural de pontes, monumentos e edifícios, permitindo detectar deficiên-

bedded Monitoring. Esta iniciativa visa desenvolver o mais avançado sistema de sensores embebidos sem fios de monitorização e controlo em tempo-real.

cias, antes que ocorram acidentes, e permitir a detecção e localização

“O mais difícil foi desenvolver a tecnologia. A partir de agora, a sua apli-

Com a informação que é criada através da rede de sensores e trabalha-

cação pode ser concretizada de acordo com os mais diferentes interes-

da no software de monitorização desenvolvido, é possível influenciar

ses, nos mais variados domínios”. As palavras são dos investigadores

o fluxo de veículos e pessoas, para melhorar a qualidade de vida das

de intrusos em tempo-real, através de milhares de sensores espalhados nas áreas sob vigilância.


A NOSSA TECNOLOGIA

Em termos técnicos, os nós de sensores, colocados em suportes de vidro, estavam alinhados estrategicamente de forma a serem obtidas as suas correctas coordenadas de GPS. Para testar a capacidade de resposta da rede e sensores sem fios, foram operadas mudanças de parâmetros ambientais e foram introduzidos, progressivamente, novos nós activos. Quando um nó seleccionado aleatoriamente foi, por exemplo, coberto com um material opaco escuro, reduzindo a quantidade de luz disponível, ou quando foi exposto ao calor de um aquecedor eléctrico, o DEMMON respondeu prontamente, dando a leitura no nó correspondente. Por fim, foram realizados testes de intensificação através da activação progressiva de nós em grupos de cem. Mais uma vez, o DEMMON não apresentou qualquer mudança notável de desempenho, independentemente do número de nós activos. Nota 20 para o novo projecto! O projecto de I&D do consórcio EMMON, com duração de 36 meses, é co-financiado pelo 7º programa quadro da União Europeia, ARTEMIS JU e pelos Estados Membros. É constituído por nove parceiros Europeus, entre Indústria (Critical Software S.A., Portugal, coordenador; Intesys Ltd, Inglaterra; Critical Software Technologies Ltd, Inglaterra; SESM S.c.a.r.l., Itália; Akting Ingeniaritza S.L., Espanha), Instituições de Ensino Superior (Instituto Superior de Engenharia do Porto, Portugal; Trinity College Dublin, Irlanda; Aristotle University of Thessaloniki, Grécia) e Institutos de Investigação & Desenvolvimento (Centro de Estudios e Investigaciones Técnicas de Gipuzkoa, Espanha).

Os investigadores responsáveis populações. Assim, as horas de ponta seriam bem mais fáceis de ultrapassar, podendo o trânsito ser desviado para as artérias menos congestionadas, apenas por indicações da sinalização luminosa.

> Mário Alves Mário Alves é Professor Coordenador do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e doutorado (desde 2003) em Engenharia Electrotécnica e de Computadores pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Exerce actividade

Primeira prova de fogo ultrapassada com distinção

de investigação na Unidade de I&D CISTER, onde lidera a área de Redes de Sensores sem Fios, tendo como principal interesse a qualidade de serviço em redes de sensores. Está, actualmente, envolvido em vários projectos de IDT nacionais e internacionais, nomeadamente liderando o Work Package WP4 no projecto

O consórcio EMMON escolheu o ISEP (líder da workpackage de protocolos e sistemas de comunicação) para montar a maior rede de sensores sem fios da Europa, demonstrando um protótipo funcional que permitiu fornecer informação detalhada e em tempo-real sobre diversos parâmetros físicos (temperatura, humidade e luminosidade) ao utilizador, o DEMMON. Os investigadores explicam que “neste teste realizado no ISEP, foi possível, através da internet (numa aplicação baseada em tecnologia Microsoft Visual Earth), visualizar, em tempo real,

EMMON, mas também o cluster de investigação COTS4QoS na rede de excelência CONET, os frameworks de investigação ART-WiSe/open-ZB e o projecto MASQOTS (FCT). Publica e participa com frequência nos comités técnicos das conferências e revistas internacionais de referência na sua área científica.

> Stefano Tennina

a temperatura, humidade e luz do interior de um edifício, permitindo

Stefano Tennina é doutorado em Engenharia Electrotécnica e

saber, dentro da mesma sala, onde é que estava mais quente/frio, mais

de Informação pela Universidade de Áquila, Itália, desde 2007.

ou menos húmido”.

Foi investigador pós-doutorado no Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Informação da mesma Universidade

A demonstração realizada permitiu mostrar que é possível criar siste-

e do Centro de Excelência DEWS, sendo, desde 2009 cientista

mas com centenas de nós sem fios, a interagir e colaborar entre si para

convidado na unidade de I&D CISTER, onde é responsável pela

a monitorização. Até agora, este tipo de sistemas era bastante limitado,

participação técnica da unidade no projecto EMMON. Os seus

porque apenas suportava um pequeno conjunto de nós, o que não

principais interesses de investigação são as arquitecturas e pro-

tinha aplicabilidade prática. Esta demonstração, preparada para os

tocolos de comunicações e redes sem fios. É autor ou co-autor

avaliadores da Comissão Europeia, permitiu provar que as tecnologias

de mais de 20 artigos em revistas e conferências internacionais

desenvolvidas funcionam bem e podem ser escaláveis para redes com

nas suas áreas de actividade.

milhares de nós.

23


24

BREVES

o avanço dos sistemas embebidos de tempo

safio pretendia ir ao encontro das políticas de

real, nomeadamente na área de multicore

vanguarda tecnológica e de internacionaliza-

task scheduling, área que liderava no CISTER. Em simultâneo, esta notícia não deixa de exprimir a qualidade e visibilidade internacional do centro de investigação do ISEP.

ção da empresa gaiense. O desenvolvimento da nova estrutura, realizou-se com recurso a técnicas de simulação numérica avançadas, desenho assistido por

JORGE SANTOS ELEITO COORDENADOR DO LEMA Jorge Santos, docente do Departamento de Matemática, foi eleito novo coordenador do Laboratório de Engenharia Matemática (LEMA). Jorge Santos é doutorado em Ciências da Engenharia pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e exerce actividades de investigação no LEMA e no Instituto de Engenharia Biomédica (Laboratório Associado

No CISTER desde 2005, Björn Andersson foi

computador e simulação numérica do com-

responsável por um grande número de pu-

portamento da estrutura. Os investigadores do

blicações em revistas e jornais académicos,

CIDEM assumiram igualmente tarefas na fase

como o IEEE Transactions on Industrial Infor-

de testes, criando modelos tridimensionais e

matics ou o Real-Time Systems Journal, assim como conferências de topo, nomeadamente a Euromicro Conference on Real-Time Systems. O investigador de origem sueca teve também um papel influente em inúmeros dos projectos recentes do CISTER. Björn Andersson liderou dois projectos apoiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e um projecto bilateral entre o CISTER e a norte-americana University of North Carolina, apoiado pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD). Teve ainda um papel activo em vários projectos europeus.

realizando ensaios reais de capotamento.

IBMC.INEB).

Em fase de homologação internacional, a nova super-estrutura apresenta uma maior capacidade de absorção de energia, valência que garante ganhos significativos ao nível do espaço vital dos ocupantes e aumenta a segurança passiva dos veículos. Além disso, a opção por aços estruturais de alta resistência e materiais compósitos possibilitou uma significativa redução do peso, na ordem dos 20%, que se traduz em ganhos para o sucesso comercial dos veículos. Esta mais-valia permite, a título de exemplo, a introdução de uma

O novo papel de Björn Andersson nos EUA

nova fila de lugares.

O LEMA é um grupo de investigação associa-

reforçará a cooperação entre o ISEP e a CMU,

do ao Centro de Matemática da Universidade

já que o acordo alcançado permite que o in-

Este projecto académico-industrial, benefi-

do Porto (CMUP), sendo constituído, actual-

vestigador continue a manter uma posição

ciou da partilha de conhecimento e tecno-

mente, por 11 investigadores doutorados e

relevante no CISTER. Considerando ainda a

logia entre ambas as instituições e teve o

seis mestres em doutoramento.

participação do CISTER no programa CMU-

apoio dos vales I&DT e Inovação, do Quadro

-Portugal, perspectivam-se, assim, novas ave-

de Referência Estratégico Nacional (QREN). O

nidas de cooperação transatlântica.

ISEP mantém-se ao serviço da competitivida-

Tem como objectivo principal a promoção

de nacional.

e organização de actividades de investigação em áreas da Matemática Aplicada, das Ciências da Engenharia e da Engenharia Matemática, desenvolvendo actividades nos domínios da análise numérica, dos sistemas dinâmicos e da modelação e análise de dados, entre outros.

ISEP REFORÇA LAÇOS COM A CARNEGIE MELLON UNIVERSITY

CIDEM E IRMÃOS MOTA & Cª LDA. DESENVOLVEM AUTOCARRO MAIS SEGURO

PROJECTO GAIVOTA APROXIMA EUROPA E AMÉRICA LATINA

O Centro de Investigação e Desenvolvimento

O ISEP participa, através do GILT, no Projec-

em Engenharia Mecânica (CIDEM) colaborou

to Gaivota. Esta iniciativa, que decorre sob o

com a Irmãos Mota & Cª Lda. no desenvolvi-

chapéu do Programa ALFA, incide nas áreas

mento de uma super-estrutura, inovadora em

de visualização digital avançada e do ensino à

Portugal, para autocarros de turismo.

distância, no sentido de contribuir para a cria-

Um dos principais investigadores séniores

ção de soluções de desenvolvimento huma-

do CISTER vai assumir responsabilidades no

A Irmãos Mota & Cª Lda. recorreu aos serviços

no e socioeconómico de populações latino-

prestigiado Software Engineering Institute

especializados do ISEP na área de Engenharia

-americanas menos favorecidas.

(SEI) da Carnegie Mellon University (CMU). A

Mecânica Automóvel, para desenvolver um

nova posição reconhece o impacto do contri-

novo modelo de autocarro turístico. Além de

Os objectivos do Gaivota passam pela amplia-

buto de longa data de Björn Andersson para

cumprir com normativas comunitárias, o de-

ção e consolidação da rede de instituições de


BREVES

ensino superior europeias e latino-america-

euros. Estes procedimentos permitiram obter

tware, Intesys (Inglaterra), Critical Software

nas, com projectos de investigação aplicada

uma poupança próxima dos 18%, incluindo

Technologies (Inglaterra), SESM (Itália), Akting

orientados para as necessidades de desenvol-

as poupanças administrativas e de impressão/

Ingeniaritza (Espanha); instituições de ensino

vimento sustentável de populações menos

expedição.

superior que incluem o ISEP, o Trinity College Dublin (Irlanda) e a Aristotle University of

favorecidas da América Latina. Em particular, este projecto procura fortalecer o vínculo en-

O caso do ISEP foi assim descrito por respon-

Thessaloniki (Grécia); e institutos de I&D como

tre as instituições de ensino superior e outros

sáveis da vortalGOV, como um exemplo fora

o Centro de Estudios e Investigaciones Técni-

agentes locais – sector público, empresarial e

de série a nível europeu, no aproveitamento

cas de Gipuzkoa (Espanha). O CISTER assume a

sociedade civil –, através de trabalhos conjun-

de plataformas electrónicas de contratação

liderança do pacote de trabalho Investigação

tos no campo da visualização digital avança-

pública. O Instituto continua a exportar mo-

em Protocolos e Sistemas de Comunicação.

da e do ensino à distância.

delos de boas práticas, em linha com a missão de uma instituição pública de ensino superior.

O Gaivota conta com um orçamento de superior a um milhão de euros e será desenvolvido pelo GILT, em colaboração com parceiros espanhóis, alemães, argentinos, bolivianos, brasileiros, chilenos, hondurenhos e uruguaios.

CISTER NA VANGUARDA DA MONITORIZAÇÃO SEM FIOS BOAS PRÁTICAS DE CONTRATAÇÃO PÚBLICA

O Centro de Investigação em Sistemas Con-

PARCERIAS PÚBLICOPRIVADAS: UM PARADIGMA DA CONTRATAÇÃO PÚBLICA?

fiáveis e de Tempo-Real acolheu o segundo

O Departamento de Engenharia Civil (DEC)

encontro de revisão do projecto europeu

trouxe ao ISEP a Irmãos Cavaco, S.A. e a FDO

EMMON. Esta reunião de trabalho serviu de

Construções, S.A. para debater a evolução e

Paula Cristina Silva, directora de serviços dos

palco para uma demonstração do DEMMON

perspectivas das parcerias público-privadas

Serviços Económico-Financeiros, apresentou

– protótipo com mais de 300 pequenos nós

(PPP) no sector da Construção Civil. O seminá-

boas práticas de contratação pública do ISEP

de sensores embebidos sem fios, capaz de

rio Parcerias Público-Privadas: Um Paradigma

numa sessão promovida pela Digitalflow, em

fornecer informação detalhada e em tempo-

da Contratação Pública, teve lugar em Março.

Janeiro. A apresentação “Caso de Estudo de

-real sobre diversos parâmetros físicos (tem-

Implementação de uma Plataforma de Con-

peratura, humidade e luminosidade).

Integrado no âmbito do Plano de Actividades para 2011, o DEC convidou o jurista José Mo-

tratação Electrónica” incidiu sobre o processo e resultados da implementação da platafor-

Esta tecnologia de ponta, que representa o

rais, da Irmãos Cavaco, e o engenheiro Nuno

ma vortalGOV.

maior dispositivo de teste Wireless Sensor Ne-

Almeida, administrador da FDO Construções,

twork em solo europeu, é identificada como crucial para a futura monitorização fina de cidades e edifícios inteligentes e tida como uma ferramenta de extrema utilidade a diversas actividades económicas. A título de exemplo, as valências desta tecnologia permitem monitorizar, em tempo-real, mudanças de temperatura ou humidade, contribuindo para a sinalização automática do tráfego automóvel dependendo de mudanças climatéricas ou ambientais; a monitorização permanente de pontes para acções de manutenção preventiva; ou a verificação da humidade nas vinhas para controlo de qualidade na vinicultura.

para um seminário que visava apresentar e

O ISEP adoptou a plataforma vortalGOV com o objectivo de disciplinar e agilizar os seus procedimentos de contratação pública. Este investimento tem garantido variados ganhos, desde logo na digitalização de serviços e consequente reorganização e simplificação de procedimentos, que permite rentabilizar recursos humanos, financeiros e do tempo de resposta, além de alargar a rede de fornecedores. Este investimento tornou «os procedimentos mais transparentes e céleres», além de ter contribuído para uma redução da «burocracia associada», de acordo com Paula

discutir oportunidades inerentes às PPP. Os oradores convidados abordaram o conceito das PPP para, em seguida, analisar as suas experiências práticas na formação de Parcerias Público-Privadas Institucionais (PPPi) envolvendo autarquias. Um exemplo prático avançado, incidiu na construção de um parque de estacionamento na região do Algarve, onde foi criada uma sociedade anónima envolvendo uma autarquia e ambas as empresas. Nuno Almeida abordou detalhes sobre a formação da sociedade veículo, realização da obra e benefícios mútuos.

Cristina Silva. O EMMON é um projecto europeu do pro-

O acordo de parceria estipulava os direitos de

Entre Outubro de 2008 e Outubro de 2010,

grama ARTEMIS, com duração de 36 meses

exploração do referido parque por um perí-

o ISEP lançou, na vortalGOV, 213 procedi-

e co-financiado pelo 7º Programa Quadro da

odo de 25 anos, sendo igualmente um dos

mentos e efectuou 182 adjudicações, num

União Europeia. É desenvolvido por diversos

tópicos em destaque. Para Jorge Magalhães

montante global superior a três milhões de

parceiros empresariais, como a Critical Sof-

Mendes e José Pinto de Faria, docentes do

25


26

BREVES

DEC, este exemplo constitui um verdadeiro

o constante exercício de comparação e adap-

tinuar a investir na investigação e desenvolvi-

caso de estudo das PPPi.

tação dos curricula, validando a qualidade dos

mento de novos projectos tecnológicos.

cursos do ISEP e contribuindo para a formaApós esta primeira fase de exposição e dis-

ção de profissionais mais competitivos. Por

O sucesso de Hélder Matos Fernandes surge

cussão, seguiu-se um amplo debate gene-

último, os IP ajudam ainda a alargar e apro-

como um bom exemplo da cultura de inova-

ralizado às PPP, salientando-se vantagens,

fundar a rede de contactos europeus, contri-

ção e empreendedorismo do Instituto Supe-

desvantagens e desafios. O evento, pela sua

buindo para a própria internacionalização da

rior de Engenharia do Porto.

pertinência e actualidade, contou com am-

marca ISEP.

pla participação. Os IP são financiados pelo Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida e geridos no Instituto pelo DEM com o Gabinete de Relações Externas (GRE).

IP 2011: MOTIVAR ESTUDANTES, FORMAR PROFISSIONAIS O ISEP, através do Departamento de Engenharia Mecânica, iniciou, no final de Fevereiro, a participação no primeiro de três Intensive

LABORATÓRIO VIRTUAL LLA PROMOVE EFICIÊNCIA PRODUTIVA O GILT e o Departamento de Engenharia Me-

UMA CULTURA DE INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO

Programmes (IP) previstos para o corrente

cânica (DEM) estão envolvidos no desenvolvimento da Lean Learning Academy (LLA). Este projecto propõe o desenvolvimento de um simulador que recria ambientes fabris para efeitos de formação, no sentido de aumentar a eficiência do processo produtivo.

ano lectivo. Estudantes e docentes de Enge-

Hélder Matos Fernandes, mestrando em En-

nharia Mecânica estiveram na Lituânia, para o

genharia Electrotécnica e de Computadores,

A LLA recria o ambiente de uma fábrica, e res-

curso Materials Energy and Sustainable Gro-

foi finalista da 11ª edição do Prémio do Jovem

pectivos desafios do dia-a-dia das indústrias

wth, dando continuidade à experiência acumulada desde 2003. Seguiram-se dois outros IP em Espanha e na Polónia.

Empreendedor, organizado pela Associação

para procurar optimizar a capacidade de res-

Nacional de Jovens Empresários (ANJE).

posta dos trabalhadores. Desde a produção à comercialização de um produto – com cente-

Licenciado pelo ISEP em Engenharia Electro-

nas de encomendas, fluxos de materiais e de

Os IP são cursos intensivos promovidos entre

técnica e de Computadores e actualmente a

peças, dezenas de instruções de produção e

instituições académicas e empresas euro-

frequentar a especialização em Automação e

vários postos de trabalho – esta metodologia

peias, com o objectivo de abordar as últimas

Sistemas do curso de mestrado, Hélder Fer-

ajuda a diminuir os desperdícios e a racionali-

tendências em áreas específicas do conheci-

nandes foi finalista do concurso com o pro-

zar custos, podendo atingir ganhos de produ-

mento. Além da aprendizagem de trabalho

jecto Vigie Solutions. Esta empresa, recém-

tividade na ordem dos 55%.

em equipas e em ambientes multiculturais, a

-criada pelo diplomado ISEP, propõe soluções

riqueza dos IP reside na abordarem de tópi-

inovadoras de monitorização de instalações e

Este projecto inovador promove uma relação

cos, cujo cariz inovador representa a vanguar-

equipamentos hospitalares.

de estreita cooperação entre o meio académi-

da do conhecimento.

co e as empresas, reforçando a formação de De acordo com Hélder Fernandes, a ideia para

quadros superiores em Lean Manufacturing.

Com duração de 15 dias, estes cursos incluem

criação do próprio negócio surgiu após ter

aulas teóricas, práticas, oficinas e visitas a la-

identificado uma necessidade do mercado,

Sendo financiando pela Comissão Europeia,

boratórios e empresas. A experiência é ainda

ao nível da vigilância de ambientes, quando

através do Programa de Aprendizagem ao

enriquecida pela vivência intercultural, que

exercia funções como técnico de segurança

Longo da Vida (PALV), este projecto envolve

combina tradições do país de acolhimento

de instalações hospitalares. Com a Vigie So-

o ISEP e um conjunto alargado de empresas,

ao convívio entre os mais de cem estudantes,

lutions, propõe um projecto de motorização

entre as quais a Yazaki; Neorelva; JPM; Gona-

docentes e empresas.

integrada, sem fios e em tempo real, capaz de

fe; Maismetal; Globemotors; Leica Portugal;

observar e analisar o estado das instalações,

Polisport; Tegopi; Bosch/Blaupunkt; Siemens;

Para o DEM, estas participações produzem ex-

como os blocos operatórios, e de alertar para

Volvo e Efacec; o Hospital de Santo António

celentes frutos a nível académico e científico,

desvios dos parâmetros de funcionamento.

e as instituições de ensino superior europeias

já que geram trabalhos com mérito passível

Katholieke Hogeschool Gent (Bélgica), Skövde

de publicação e têm contribuído com um

Finalista da 11ª edição do Prémio do Jovem

University (Suécia), Rzeszow University of Te-

factor extra de motivação dos estudantes. Os

Empreendedor, a Vigie Solutions pretende,

chnology (Polónia) e Universitatea Transilva-

reflexos destas experiências favorecem ainda

agora, apostar na internacionalização e con-

nia din Brasov (Roménia).


BREVES

e investigador do ISEP na área das novas tec-

Manual Digital II, que será desenvolvido no

nologias de informação e multimédia, com

âmbito do protocolo e financiado pelo QREN.

contributos de médicos, docentes e investigadores de medicina chilenos e mexicanos.

O projecto Manual Digital II introduz uma nova metodologia de produção de conteú-

Editado pela Universidad Austral de Chile,

dos, baseada em filosofias construtivistas e

este trabalho foi elaborado no âmbito do

exploratórias, que melhoram significativa-

princípio da eficiência na utilização de ferra-

mente a utilização de recursos educativos em

mentas multimédia para a educação. Tem em

ambiente escolar ou doméstico.

consideração as potencialidades das novas

DEC E CICCOPN PROMOVEM CURSO DE TÉCnico SUPERIOR DE SHT

tecnologias, para a construção de uma meto-

Este projecto de I&D industrial, destinado a

dologia colaborativa de objectos de aprendi-

públicos do ensino básico, complementa va-

zagem para a área da saúde e a sua posterior

lências do grupo de investigação do ISEP ao

partilha catalogada com meta-dados utilizan-

nível da investigação com processos de de-

do o repositório MELOR. Esta metodologia

senvolvimento experimental da LUSOINFO,

beneficia ainda do facto de ser passível de

espelhando oportunidades da cooperação

exportação a outras áreas de conhecimento.

académico-empresarial.

O Departamento de Engenharia Civil e o Centro de Formação Profissional da Indústria da

O manual foi desenvolvido por António Castro,

Construção Civil e Obras Públicas do Norte

em colaboração com Sandra Bucarey Arriaga-

(CICCOPN) firmaram uma parceria para pro-

da, Ximena Cabezas Oyarzún, Erick Araya Araya

mover um curso de formação certificada de

e Myriam Márquez Manzano (Universidad Aus-

técnico superior de Segurança e Higiene no

tral de Chile) e Ramón Esperón Hernández

Trabalho (SHT).

(Universidad Autónoma de Yucatán, México).

Destinado preferencialmente a licenciados em Engenharia Civil e Engenharia Geotécnica e Geoambiente, esta formação de nível cinco é homologada pela Autoridade para as Condições do Trabalho, possibilitando a ob-

ENTERPRISE SPICE

tenção do Certificado de Aptidão Profissional (CAP) – requisito obrigatório para o exercício

Alberto Sampaio, docente do DEI e inves-

da actividade profissional.

tigador do Laboratório de Investigação em O curso, com duração de 678 horas, decorre

Sistemas de Testes (CIETI-LABORIS), é co-

nas instalações do ISEP, entre Março e De-

-autor do Enterprise SPICE Process Assess-

zembro de 2011, a que se seguirá o módulo

ment Model.

“Prática em Contexto de Trabalho”, a decorrer Este modelo integrado para avaliação e me-

a partir de Janeiro de 2012.

lhoria dos processos ao nível das organizaEntre os conteúdos programáticos deste cur-

ções, procurou conjugar processos de outros

so encontram-se tópicos como Legislação

modelos e normas já largamente aceites,

de Segurança e Higiene no Trabalho; Psicos-

numa abordagem integrada para avaliação

sociologia do Trabalho; Concepção e Gestão

e melhoria, reduzindo assim a utilização de

da Formação; Gestão da Prevenção; Controlo

múltiplos modelos de avaliação. O modelo

de Riscos Profissionais; Organização de Emer-

destina-se a ser utilizado com a norma ISO/

GILT E LUSOINFO INICIAM PROJECTO MANUAL DIGITAL II

IEC 15504: Information Technology – Process

O GILT assinou um protocolo com a empre-

usado por qualquer organização que produ-

sa LUSOINFO – Sistemas de Informação, que

za ou forneça qualquer tipo de produtos ou

ANTÓNIO CASTRO PUBLICA NO CHILE

prevê a colaboração em projectos de inves-

serviços. O modelo está disponível para ser

tigação e desenvolvimento. Esta parceria en-

experimentado pelas organizações e entida-

globa ainda cooperação na implementação

des que o pretendam, e pode ser obtido em

de outras iniciativas, incluindo a formação de

www.enterprisespice.com.

António Castro, docente do DEI, é um dos

docentes e técnicos e a organização de está-

autores do Manual de Construcción Colabo-

gios profissionais.

rativa de Objetos de Aprendizaje para el Área de la Salud, recentemente publicado no Chile. Esta obra conjuga a experiência do docente

Entre os projectos passíveis de desenvol-

estando Alberto Sampaio envolvido nas fa-

vimento, destaque para o lançamento do

ses de concepção e de revisão do modelo.

gência; Ergonomia e Saúde Ocupacional. O ISEP continua apostado em promover soluções que contribuam para a formação contínua e aprendizagem ao longo da vida.

Assessment (SPICE). O Enterprise SPICE não está preso a um sector de actividade específico, podendo ser

O projecto de desenvolvimento do modelo é da responsabilidade do SPICE Users Group,

27


28

PROVAS DE DOUTORAMENTO

MÉTODO DE CÁLCULO DE VALORES PRÓPRIOS BASEADOS EM SUBESPAÇOS INVARIANTES A análise espectral é, hoje, uma ferramenta muito utilizada na obtenção de informações subjacentes a diversos fenómenos da vida real (físicos, económicos ou biológicos, entre outros) modelados matematicamente. Com o crescimento das capacidades computacionais e de armazenamento de dados, as matrizes associadas aquele tipo de problemas são habitualmente esparsas e de grande dimensão, sendo que a porção do espectro requerida nestes casos é geralmente muito pequena, quando comparada com a ordem da matriz. Nestas situações, o uso de métodos de projecção é usualmente a forma mais eficiente, e muitas vezes a única, de conseguir responder ao problema colocado.

Nesta tese foram investigados três métodos numéricos para a resolução deste tipo de problemas: o Perturbed Fixed Slope Iteration (PFSI) e o Jacobi Orthogonal Component Correction (JOCC) cuja aplicação se centra em matrizes fortemente diagonais e um método para matrizes mais gerais, o Método de Jacobi-Davidson. Este último tem recebido muita da atenção da comunidade científica, por ser, provavelmente, o método mais eficiente para o cálculo de valores próprios interiores. No entanto, não existia, até muito recentemente, uma versão paralela deste método para máquinas de arquitectura paralela de memória distribuída, falha que este trabalho ajudou a colmatar ao fornecer a versão que serviu de base à rotina que está agora disponível para qualquer utilizador através da biblioteca SLEPc (Scalable Library for Eigenvalue Problem Computations). O trabalho de investigação desenvolvido originou também resultados teóricos respeitantes aos Métodos PFSI e JOCC, bem como o desenvolvimento de uma nova variante do primeiro, denominada PFSI-Double, com resultados mais favoráveis em diversas situações.

Nome Manuel Bravo de Faria Cruz Área Científica Matemática Aplicada, Análise Numérica, Problemas de valores próprios, Paralelização Orientador Paulo Beleza Vasconcelos (FEP) e Filomena Dias D’Almeida (FEUP) Local Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Data da Prova Fevereiro 2011


PROVAS DE DOUTORAMENTO

CONTROLO CINEMÁTICO DE MANIPULADORES REDUNDANTES E HIPER-REDUNDANTES EM TRAJECTÓRIAS PERIÓDICAS

PREVISÃO DO TEMPO DE REMEDIAÇÃO DE SOLOS CONTAMINADOS USANDO A EXTRACÇÃO DE VAPOR

Um manipulador diz-se redundante, quando o seu número de graus de liberdade é superior ao número de variáveis independentes, necessárias para definir a tarefa no espaço operacional. Designam-se por manipuladores hiper-redundantes aqueles que possuem um número elevado de graus de redundância cinemática. Quando o manipulador é redundante, a cinemática inversa admite um número infinito de soluções. Dessa forma, para além de realizarem a trajectória pretendida, os manipuladores redundantes e hiper-redundantes permitem optimizar vários critérios, como contornar obstáculos, evitar singularidades, des-

A contaminação dos solos está directamente relacionada com activi-

vio de limite de juntas, minimização da velocidade das juntas, minimi-

dades industriais, com o inadequado encaminhamento e eliminação

zação da energia dispendida, e vários outros.

de resíduos e com a ocorrência de acidentes ambientais. À imagem do que ocorre noutros países, os compostos orgânicos voláteis são dos

Muitas técnicas para a resolução da cinemática inversa, para manipula-

contaminantes mais frequentemente encontrados em solos contami-

dores redundantes, são baseadas na utilização da matriz pseudo-inver-

nados. Entre estes compostos podem ser destacados alguns compos-

sa da matriz jacobiana. No entanto, esses algoritmos não são fáceis de

tos petrolíferos (como o benzeno, o tolueno, o etilbenzeno, o xileno) e

adaptar para esquemas de optimização e, além disso, existem, muitas

alguns solventes (tricloroetileno e o percloroetileno).

vezes, múltiplos objectivos que podem ser conflituosos entre si. Para este grupo de poluentes, a Extracção de Vapor (EV) é a tecnologia Esta tese tem como tema principal o estudo da cinemática inversa de

de remediação de solos mais apropriada. No entanto, a eficiência e a

manipuladores planares redundantes e hiper-redundantes, quando

aplicabilidade desta tecnologia está dependente das características do

são executadas trajectórias repetitivas no espaço operacional. Anali-

solo, da localização e das propriedades dos contaminantes e também

sam-se numericamente algumas técnicas já existentes e propõem-se

das condições operatórias. Por esta razão, é de extrema importância

e implementam-se outras novas. Nomeadamente, é proposta a sua

conhecer o modo como determinados parâmetros influenciam o pro-

resolução utilizando um método baseado no cálculo fraccionário (mé-

cesso, estabelecer as condições operatórias e prever o tempo e eficiên-

todo PMF-F) e métodos baseados em Algoritmos Genéticos (AGs), quer

cia do processo de remediação.

em malha aberta (método AGMA) quer em malha fechada (método AGMF). Para o método AGMF, é usada, tanto uma abordagem mono-objectivo, como uma multi-objectivo (método AGMF-MO). Nesta dissertação são também incluídos os resultados da investigação realizada, utilizando manipuladores planares redundantes e hiper-redundantes, com várias juntas rotacionais em ambientes com e sem obstáculos. Para que esses resultados possam ser analisados, é fundamental dispor de índices adequados que permitam avaliar a sua eficiência. Nesse sentido, são propostos, no decorrer deste trabalho, alguns

O trabalho desenvolvido nesta tese teve como objectivos contribuir

índices de análise de desempenho.

para resolver algumas destas questões nomeadamente: perceber e prever o modo como os contaminantes se distribuem pelas diferentes

Os resultados obtidos demonstram claramente que a resolução da cine-

fases do solo; avaliar a influência do caudal e dos teores de humidade e

mática inversa para manipuladores redundantes e hiper-redundantes

de matéria orgânica no processo de EV (mais especificamente no tem-

em trajectórias repetitivas, é possível através dos métodos propostos.

po e eficiência de remediação); identificar o caudal de ar mais eficiente

Em particular, o método AGMF permitiu obter bons resultados, quer

a usar na EV de um determinado solo; prever o tempo de remediação e

em termos de precisão no posicionamento do órgão terminal, quer em

a eficiência do processo de EV, utilizando modelos de regressão linear

termos de repetibilidade e de deslizamento nas posições das juntas.

múltipla e redes neuronais artificiais.

Nome Maria da Graça Marcos

Nome José Tomás Veiga Soares de Albergaria

Área Científica Matemática

Área Científica Engenharia do Ambiente

Orientador José António Tenreiro Machado (ISEP) e Teresa Paula Perdicoúlis (UTAD)

Orientador Maria da Conceição Alvim-Ferraz (FEUP) e Cristina Delerue Matos (ISEP)

Local Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Local Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Data da Prova Março 2011

Data da Prova Dezembro 2010

29


30

PROVAS DE DOUTORAMENTO

MÉTODOS ESTATÍSTICOS DE SCREENING EM CLASSIFICAÇÃO SUPERVISIONADA As tecnologias actuais estão a proporcionar a produção de grande volume de dados, a maioria com um número de variáveis muito elevado e que ultrapassa largamente o número de unidades experimentais. Em particular, aplicações em genética lidam frequentemente com microarrays de milhares de genes que são observados em apenas algumas dezenas de indivíduos. O problema da classificação supervisionada, baseada em dados desta natureza, tem merecido um interesse crescente por parte da comunidade científica. É prática corrente, em problemas deste tipo, utilizar as ferramentas estatísticas habituais de classificação, nomeadamente a Regressão Logística, a Análise Discriminante Linear e a Análise Discriminante Quadrática. Apesar destes métodos não exigirem tarefas de optimização, que requeiram a intervenção do utilizador e da sua perícia na escolha dos critérios de optimização (requisitos frequentes das técnicas de prospecção de dados e de aprendizagem automática), exigem, em geral, uma redução do espaço preditor e requerem que as formas das fronteiras de classificação, sejam fixadas a priori. Com o objectivo de procurar novas ferramentas de classificação, que não apresentem as limitações apontadas, propõe-se, neste trabalho, um método de screening óptimo (paramétrico e não paramétrico) para classificação supervisionada baseada em pares de variáveis, segundo um paradigma bayesiano.

A metodologia bayesiana foi considerada, não só por permitir a incorporação de informação a priori, como também por possibilitar a obtenção de um conjunto de quantidades indicadoras da qualidade preditiva e discriminativa do método de classificação proposto. O classificador proposto baseia-se num número reduzido de variáveis preditoras (pares de variáveis com capacidade discriminativa das classes) e generaliza os métodos de classificação clássicos, pois permite a obtenção de fronteiras paramétricas flexíveis, sem necessidade de fixar previamente a sua forma.

Nome Sandra Cristina de Faria Ramos Área Científica Estatística e Investigação Operacional (Probabilidades e Estatística) Orientador Maria Antónia Amaral Turkman (FCUL) e Marília Antunes (FCUL) Local Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Data da Prova Dezembro 2010


PROVAS DE DOUTORAMENTO

31


ISEP.BI 13  

Boletim Informativo do Instituto Superior de Engenharia do Porto

Advertisement