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Avaliação em Contextos de Complexidade

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Avaliação em contextos de complexidade Propostas para melhorar práticas Introdução

“A verdadeira viagem de descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos.” - Marcel Proust

Ao longo dos últimos anos, tem havido uma crescente consciencialização no setor social de que a mudança sistémica não é linear, previsível ou controlável. Temos consciência de que os problemas sociais são mais resistentes do que no passado e que os meios tradicionais de resolução dos mesmos, muitas vezes, ficam aquém do desejável, sem que tal se deva a dolo, mas quase sempre a pressupostos equivocados. Consequentemente, torna-se evidente a necessidade cada vez mais premente das organizações da sociedade civil, fundações, bem como dos governos irem para além dos modelos estratégicos tradicionais ou mecanicistas e estabelecer uma abordagem “emergente” que se adequa melhor à natureza complexa dos problemas que se desejam resolver (Kania, Kramer e Russell, 2014; Patrizi, Thompson,Coffman e Beer, 2013). Uma mudança semelhante está em curso na forma como pensamos sobre o papel da avaliação. Tradicionalmente, o campo da avaliação incide sobre a avaliação dos efeitos e impactos específicos de programas, de acordo com um conjunto pré-determinado de resultados e de indicadores, com o objetivo de correlacionar as iniciativas com os resultados de forma tangível. Muitos avaliadores debruçaram-se sobre noções “newtonianas” de causa e efeito, assumindo que o “contexto” poderia ser apenas descrito, ou possivelmente controlado. Embora esta abordagem possa ser válida em programas autónomos muito bem definidos e em ambientes bastante estáveis, esta fica aquém do expectável quando se trata de avaliar iniciativas complexas (por exemplo, um programa de educação desde o berço até ao primeiro emprego, ou iniciativas que envolvam múltiplos agentes em áreas metropolitanas), bem como as iniciativas em ambientes complexos (por exemplo, melhorar a agricultura num país minado por conflitos). Essa abordagem, por si só não é novidade para a comunidade de avaliadores ou para profissionais do setor social. Temos conhecimento da forma como um conjunto diferente de ideias sobre a mudança social pode afetar a avaliação. Contudo, esse conhecimento não foi ainda traduzido em princípios explícitos, em ferramentas ou em processos que nos permitam efetuar efetivamente essa viragem. Este manual destina-se a colmatar a lacuna existente entre o conhecimento e a prática. Resulta de lições aprendidas no desempenho do nosso trabalho e também da perceção e contributo de muitos investigadores. Avaliação em contextos de complexidade: propostas para melhorar práticas | Introdução

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