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Avaliação em Contextos de Complexidade

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Procurar padrões, quer únicos, quer recorrentes, em diferentes níveis do sistema Em sistemas complexos adaptativos, “padrões são semelhanças, diferenças e conexões que têm significado através do espaço e do tempo” (Eoyang e Holladay, 2013, p. 43). Padrões semelhantes de comportamento, interações e linguagem, designados de “fractais,” são muitas vezes repetidos nos vários níveis de uma organização ou sistema10. Esses padrões emergem de vários agentes semi-independentes e diversificados que são livres para se organizarem de forma autónoma. Por exemplo, se considerarmos uma organização sem fins lucrativos que trabalha para melhorar a vida dos sem-abrigo, poderemos, numa primeira fase, observar a “equipa de rua”, refletindo os seus valores nos padrões de interação, coordenando e reencaminhando os casos para outros serviços. Ao investigarmos mais a fundo, apercebemo-nos de que faz parte de um padrão mais alargado de resolução colaborativa de problemas modelado e defendido pelo CEO e pela sua equipa, refletindo a sua orientação para uma abordagem holística que inclui apoio no acesso a alojamento/habitação, aconselhamento e coordenação com outros serviços, em vez de simplesmente “retirarem as pessoas da rua”. Mas os padrões de comportamento de um sistema não são constantes; a interação entre o contexto mutante do sistema e a agenda da iniciativa estão em constante evolução e adaptação (Rogers, 2008, p. 39). Somente através da compreensão desses padrões se poderá tomar medidas para os transformar, de uma forma produtiva (Eoyang e Holladay, 2013). As avaliações de iniciativas complexas ou de iniciativas em ambientes complexos precisam de se focar em padrões, como uma forma de medir a coerência do sistema. Geralmente acredita-se que sistemas mais coerentes são mais eficientes e adaptáveis do que aqueles que são menos coerentes11. Por exemplo, pode ser importante para os avaliadores entender se as expectativas das pessoas face à iniciativa estão alinhadas, se se comportam de maneira complementar no que respeita à prossecução dos objetivos da iniciativa e se usam narrativas semelhantes para explicar os objetivos e operações da iniciativa. Dentro de uma iniciativa de impacto coletivo, por exemplo, uma avaliação poderia procurar padrões na forma como os grupos de trabalho operam – como desenvolvem as suas agendas, a abordagem da envolvência (por exemplo, democrática vs. autocrática) e como utilizam os dados para promover a aprendizagem.

10 “Um objeto fractal repete um padrão ou design similar em níveis cada vez menores de escala. Em qualquer objeto fractal vemos uma estrutura de organização simples que cria complexidade sem fim.” (Wheatley, 1994, p. 80) 11 A nossa definição de “coerência” concede um certo grau de diversidade permitindo que o sistema funcione bem e seja resiliente, por outras palavras, não é sinónimo de “mesmice”.

Avaliação em contextos de complexidade: propostas para melhorar práticas | Proposta IX

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