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Avaliação em Contextos de Complexidade

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Foco na natureza dos relacionamentos e interdependências dentro do sistema Uma característica dos sistemas complexos é a rede de relações e interdependências que estão presentes nos mesmos. Este “tecido intersticial” é o que muitas vezes faz com que uma iniciativa seja bem-sucedida ou fracasse, seja amplificando o seu impacto ou travando o seu sucesso. Também é possível argumentar que as relações entre as entidades são tão importantes, se não mais importantes, que as próprias entidades. Por exemplo, os investigadores educacionais descobriram que o nível da relação de confiança entre professores, administradores, pais e alunos numa escola, muitas vezes age como um fator da diferenciação entre as escolas com alto e baixo desempenho, mais do que a qualidade de ensino ou o currículo adotado (Bryk e Schneider, 2003). Em cada relação é importante compreender a sua natureza (por exemplo, é uma relação de captação de investimento ou uma relação de parceria?), a sua força (nomeadamente, é a relação forte, fraca ou ténue?) e a sua longevidade (é a relação permanente ou temporária, nova ou antiga?). Além disso, é importante conhecer o nível de confiança relacional, a qualidade da relação e a natureza da relação (a forma como partilham informação, como estabelecem planos em conjunto e co-constroem soluções). As avaliações de iniciativas complexas devem apreender e descrever as qualidades, pontos fortes e relações de interdependência entre as várias partes do sistema. Além de tornarem as relações explícitas, as avaliações podem ajudar-nos a entender como essas relações evoluem com o tempo. Por exemplo, a avaliação de um programa para a primeira infância (do nascimento aos 8 anos) pode procurar registar o relacionamento entre as entidades que apoiam bebés e crianças, aquelas que servem crianças da pré-primária e aquelas que servem alunos do primeiro ciclo. Tal análise pode determinar se estas partes, tradicionalmente em compartimentos estanques na linha contínua do apoio à primeira infância, estão de facto a transformar a forma como interagem umas com as outras (por exemplo, partilhando dados sobre as crianças que se passam de um sistema para outro). O mapeamento de sistemas e a análise da rede social podem ser ferramentas úteis para a compreensão das relações e interdependências entre os intervenientes num sistema. Inquéritos, entrevistas, narração digital e análise de dados da web, conseguem examinar a natureza, força, qualidade e longevidade dos relacionamentos críticos entre os indivíduos e as entidades dentro do sistema. A análise dessa recolha de dados pode ajudar a clarificar como os relacionamentos afetam os resultados da intervenção e a esclarecer de que forma a iniciativa afeta, ela própria, os relacionamentos dos intervenientes de um sistema.

Avaliação em contextos de complexidade: propostas para melhorar práticas | Proposta VII

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