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Avaliação em Contextos de Complexidade

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mudança num sistema complexo. Provavelmente o mais importante foi, ao apresentar as suas conclusões, a equipa de avaliação ter tido ocasião de tomar conhecimento da história do trabalho nesses locais e destacar os desafios e oportunidades que poderiam ter naturalmente evoluído a partir desse contexto (por exemplo, forte ou fraca organização comunitária). Esta prática assegurou assim que a avaliação estratégica fundamentasse as suas conclusões no contexto do trabalho e não se precipitasse a tirar conclusões sobre o progresso ou o impacto da iniciativa. A abordagem da Fundação Endowment num esforço filantrópico local, desenvolvido em múltiplos territórios, promove em cada comunidade a flexibilidade para “customizar” e adaptar as orientações e requisitos da fundação ao seu próprio contexto. Consequentemente, a avaliação estratégica não poderia ter a abordagem típica da avaliação, verificando a adesão a um conjunto de atividades pré-determinadas. Em vez disso, os avaliadores procuraram identificar princípios eficazes de prática. Por exemplo, a cada uma das 14 comunidades que participaram no programa “Building Health Communities” foi-lhes requerido o estabelecimento de um órgão de colaboração que agregaria um conjunto diversificado de partes interessadas (nomeadamente residentes, jovens, líderes de organizações sem fins lucrativos e funcionários de entidades públicas). Embora existissem orientações sobre a natureza deste órgão de colaboração, as comunidades determinaram os papéis, processos e estrutura final que melhor servisse o seu contexto e o seu conjunto específico de objetivos. Para lidar com essa complexidade, os avaliadores utilizaram dados recolhidos a partir de estudos de caso, inquéritos e entrevistas para identificar padrões que permitissem operar com maior ou menor eficácia num determinado local. Esta análise levou a um conjunto de conclusões que se repercutiram num conjunto mais amplo de comunidades, para além daquelas que participaram nos estudos de caso em profundidade. A Fundação Endowment reconheceu também que o caminho para o sucesso não seria linear, nem previsível. Esta identificou vários objetivos a longo prazo, tais como reverter a epidemia de obesidade infantil e reduzir a violência juvenil e baseou a estratégia num processo interativo. Os profissionais identificaram locais que exibiam particular energia e impulso no ambiente sociopolítico local e tomaram medidas para alavancar essas mudanças. Alguns funcionários da Fundação Endowment referem-se a essa prática como “oportunismo estratégico”. Ao invés de usar a avaliação estratégica para acompanhar o progresso através de um conjunto predeterminado de resultados e indicadores, os avaliadores procuraram identificar no sistema pontos de progresso consideráveis, de energia ou de impulso. Por exemplo, alguns casos exibiram particular energia e impulso em torno de questões a nível local. Além disso, os avaliadores constataram que as partes interessadas foram ganhando força em torno de questões específicas, tais como o uso da terra, a disciplina escolar e o acesso aos alimentos. Ao identificar onde estava a energia do sistema, os avaliadores foram mais capazes de promover as estratégias e abordagens que contribuíram ou beneficiaram das alterações nos sistemas. Compreender e responder a contextos evolutivos, à procura de princípios em vez de “práticas” e identificar pontos de energia e momentum no sistema foram fundamentais para avaliar com sucesso a iniciativa “Building Health Communities”. Esta abordagem tornou os resultados mais credíveis e relevantes e ajudou a assegurar a relevância da revisão estratégica para os decisores. Como resultado, o conjunto de conclusões finais e os relatórios de estudo de caso apoiaram a Fundação Endowment a tomar medidas para melhorar e refinar a sua estratégia.

Avaliação em contextos de complexidade: propostas para melhorar práticas | Proposta VI

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