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Procurar princípios eficazes de prática, ao invés de avaliar a conformidade com um conjunto predeterminado de atividades Quando se tratam de iniciativas de mudança em sistemas complexos, cada situação é única. Por isso, as iniciativas são frequentemente concebidas para trabalhar de acordo com um conjunto de princípios, em vez de aderir a um conjunto pré-determinado de atividades ou “coisas para fazer”. No entanto, uma função fundamental da maioria das avaliações de programas/projetos tem sido a de se concentrar mais em avaliar a fidelidade da implementação de um programa, de modo a que seja executado de acordo com um modelo pré-determinado. A melhor função para a avaliação de iniciativas complexas seria identificar e explicar a forma como os princípios eficazes da prática estão vivos no trabalho (Patton, 2014). Tony Bryk, Presidente da Fundação Carnegie para o Avanço do Ensino, coloca a seguinte questão: A questão que nos devemos colocar não é: “Como é que vamos conseguir que A determine de forma regular e fiável B?”. Em vez disso, deveríamos procurar a resposta para a seguinte questão: “Como é que B vai ocorrer de forma fiável em situações de contexto diferentes?” (comunicação pessoal). No caso de programas multilocais, por exemplo, todos os locais poderiam concordar em aderir a um conjunto de princípios, mas cada um seria convidado a adaptar os princípios à sua própria população. Amostras de tais princípios podem incluir: “Construir sobre os ativos da comunidade, honrar as culturas dos beneficiários, envolver um conjunto diversificado de stakeholders e criar um espaço de diálogo na comunidade. Por exemplo, numa iniciativa em vários territórios, o princípio de “construir sobre os ativos” poderia ser um princípio fundamental de orientação, o que significa que quaisquer medidas tomadas deveriam capitalizar sobre os ativos existentes na comunidade. A avaliação a efetuar, então, será a de procurar saber se este princípio se manifesta (ou não) em comunidades diferentes. Dados e informação sobre quando, onde e com quem estes princípios surgem e se manifestam em diferentes locais pode ser uma rica fonte de aprendizagem. Ao olhar para os princípios eficazes de ação numa organização ou em diferentes locais, pode ser útil considerar quais as “especificações mínimas” ou “regras simples” desejáveis (Zimmerman et al., 1998), a fim de permitir a adaptação local. Os diálogos de prática reflexiva5, bem como laboratórios de design6, entrevistas e focus groups, permitem identificar os princípios eficazes da prática. Técnicas adicionais, tais como a “Mudança mais Significativa” (Davies e Dart, 2005) e “Investigação Apreciativa” (Preskill e Catsambas, 2006) também podem ajudar a identificar os princípios. Ao utilizar estas técnicas é importante partir de experiências reais vividas pelos participantes para os ajudar a conectar essas experiências com os princípios. Estudos de caso aprofundados, representações e vinhetas são formas úteis para ilustrar como os princípios da prática enunciados estão presentes na ação. 5 A sessão de prática reflexiva treina os participantes a concentrarem-se num conceito-chave ou área de investigação que surge a partir de entrevistas ou que é identificado pelos avaliadores. Os participantes compartilham experiências concretas e, juntos, analisam as suas experiências procurando padrões e temas recorrentes referentes aos resultados obtidos. O grupo passa então a determinar, coletivamente, quais as ações e passos seguintes que necessitam ser tomados. Além de fornecer dados valiosos, a sessão de reflexão destina-se a ser um processo de capacitação para os participantes, que beneficiam da partilha de ideias e troca de conhecimentos através de um processo de análise de dados e contribuição para as etapas seguintes (Patton, 2011). 6 Design Lab é uma ferramenta derivada da disciplina de “pensamento de design” (design thinking). Os participantes interagem uns com os outros através de um processo de “fases” destinado a provocar o pensamento e a encorajar o diálogo sobre como a iniciativa ganha força, como podem beneficiar da iniciativa e quaisquer outros potenciais resultados inesperados. (Para obter informações sobre este tema, consulte: http://www.fastcompany.com/919258/design-thinking-what)
Avaliação em contextos de complexidade: propostas para melhorar práticas | Proposta V
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