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Avaliação em Contextos de Complexidade

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Apoiar a capacidade de aprendizagem do sistema reforçando os mecanismos de feedback e melhorando o acesso à informação A chave para o sucesso das iniciativas complexas é a sua constante capacidade de aprender; esta aprendizagem permite que os intervenientes do sistema se adaptem e evoluam à medida que implementam estratégias e atividades da iniciativa. O fluxo regular de dados e informações é fundamental para a execução do “mecanismo de aprendizagem” do sistema, a sua adaptação, habilitação e inovação. A informação também pode fornecer feedback positivo e negativo, que reforça os padrões desejados ou amortece padrões improdutivos de comportamento.

As avaliações de iniciativas complexas podem ajudar a melhorar e reforçar a capacidade do sistema para aprender através da recolha, análise e cointerpretação de dados, de uma forma oportuna e acionável. Por exemplo, a avaliação pode recolher dados sobre a forma como os indivíduos no sistema se ligam e estabelecem relações de confiança e também o que apoia ou dificulta essas relações. Enquanto os dados são recolhidos e analisados, o contacto direto com as partes interessadas pode ser particularmente útil para os ajudar a entender como tudo se está a desenvolver e onde o sistema precisa de atenção para alcançar os resultados desejados, e como e onde o sistema responde às atividades da iniciativa. Entrevistas individuais e focus group são muitas vezes ferramentas eficazes para apoiar a capacidade do sistema, através da reflexão individual e coletiva. Feedbacks rápidos ou memorandos de aprendizagem, reuniões de balanço, relatórios de incidentes críticos e relatórios pós-ação são mecanismos eficazes para partilha de ideias emergentes4. As informações compartilhadas e as lições geradas a partir da avaliação fornecem às partes interessadas uma maior confiança na tomada de decisões para manter o curso da ação ou fazer alterações ou adaptações dentro do sistema. É importante notar aqui que o papel do avaliador na avaliação em complexidade é um pouco diferente do papel de um avaliador de um programa tradicional. Os avaliadores que trabalham em intervenções em sistemas complexos não são observadores externos; pelo contrário, estes estão ativamente envolvidos no processo de mudança e aprendizagem, juntamente com os que projetam, implementam e financiam sistemas de mudança (Patton, 2011).

4 Uma revisão pós-ação (RPA) é um processo de revisão ou balanço estruturado para analisar o que aconteceu, porque aconteceu e como pode ser melhorado pelos participantes e pelos responsáveis pelo projeto ou evento. As avaliações pós-ação, em sentido formal, foram originalmente desenvolvidas pelo exército dos EUA e desde então foram amplamente adotadas como uma ferramenta de aprendizagem e gestão do conhecimento. Consulte o seguinte link para mais informações http://en.wikipedia.org/wiki/ After-action_review

Avaliação em contextos de complexidade: propostas para melhorar práticas | Proposta III

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