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Desenhar e concretizar avaliações adaptáveis, flexíveis e interativas Uma característica essencial dos sistemas complexos é que estes se encontram em constante mudança e evolução sendo por isso, muitas vezes, imprevisíveis. Da mesma forma que indivíduos interagem e o contexto responde às oportunidades e desafios, as mudanças no sistema afetam a iniciativa, e a iniciativa afeta o sistema. Impõe-se o desenvolvimento de um plano de avaliação abrangente que especifique claramente as questões essenciais da avaliação; o método utilizado, os métodos de conceção, recolha e análise de dados, prazos e orçamento podem não ser particularmente úteis para avaliar iniciativas complexas ou iniciativas em ambientes complexos. Tais planos são muitas vezes baseados no pressuposto de que a avaliação será feita seguindo um percurso pré-determinado, em que os resultados podem ser pré-determinados, e que as conclusões serão apresentadas em prazos pré-estabelecidos (nomeadamente em relatórios intercalares e relatórios finais). Contudo, as iniciativas complexas são naturalmente de longa duração e os ambientes dinâmicos em que se desenvolvem exigem atualizações periódicas dado o aparecimento de novas perspetivas e abordagens. Sabemos que as iniciativas complexas exigem um fluxo contínuo de informações sobre o que está a acontecer, quais os seus efeitos, e que o que importa saber no dia 10 é muito diferente do que é necessário saber no dia 122 ou 365. Embora seja necessário um conjunto inicial de perguntas e um plano para a recolha de dados, para dar início a qualquer avaliação, as avaliações de iniciativas complexas, especialmente aquelas focadas na mudança de sistemas, precisam de ser particularmente ágeis, visto os seus intervenientes principais aprenderem com o feedback fornecido pela avaliação. Isto significa que uma avaliação pode precisar de alterar o seu curso uma ou mais vezes durante todo o processo. Por exemplo, numa avaliação cujo plano inicial era o de realizar entrevistas com peritos, o contexto da iniciativa muda de repente e novas perspetivas revelam uma lacuna na compreensão sobre como os beneficiários interagem com o programa, num novo contexto. Como resultado, os avaliadores decidiram realizar um inquérito aos beneficiários. Da mesma maneira que as iniciativas complexas se vão adaptando às circunstâncias, assim também deverão fazê-lo os projetos de avaliação e de recolha de dados. Ter um plano de avaliação adaptável, flexível e interativo significa estar aberto a um processo de avaliação que está em constante evolução com base em informações provenientes das necessidades das partes interessadas, bem como da mudança de contexto onde a iniciativa se insere. A um nível prático, isso significa não só um orçamento de avaliação suficiente, mas também que se possa expandir ou contrair, conforme necessário. Além disso, significa trabalhar com uma equipa de avaliação flexível que se adapta à mudança de forma rápida e responsável.

Avaliação em contextos de complexidade: propostas para melhorar práticas | Proposta I

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Avaliação em Contextos de Complexidade  

Livro: Avaliação em Contextos de Complexidade - Propostas para melhorar práticas Autores> Hallie Preskill e Srik Gopal com Katelyn Mack e Jo...

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