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Avaliação em Contextos de Complexidade

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A complexidade como uma metáfora para a mudança social “Se quisermos continuar a inspirar-nos na natureza para criar e gerir organizações, para desenhar projetos de pesquisa, e formular ideias… então precisamos, pelo menos, de fundamentar o nosso trabalho na ciência do nosso tempo.” - Margaret Wheatley, Liderança e a Nova Ciência, 1994, p. 8

Uma metáfora é o “esquema pelo qual damos sentido à nossa situação” (Zimmerman, Lindberg e Plšek, 1998). Embora as metáforas sejam, por definição, limitadas, a ciência da complexidade ofereceu, ao longo das últimas décadas, uma metáfora alternativa ao paradigma científico dominante que define como ocorre a mudança social. Assim como August Comte, no século XIX, se baseou na ciência da sua época para lançar as bases do positivismo como o alicerce da sociologia, então uma disciplina emergente, os profissionais do setor social olham agora para a “nova ciência” da complexidade para direcionar o pensamento sobre a mudança de sistemas. “Numa visão positivista do mundo, a ciência era vista como o caminho para chegar à verdade, para compreender o mundo, prever fenómenos e controlá-los. A visão do mundo e do universo era determinista – geriam-se por leis de “causa e efeito” que podiam ser compreendidas se fosse aplicado o método científico”1. Apesar de uma lente mecanicista ainda poder ser útil em alguns casos, quando adotamos a lente da complexidade passamos a ter uma visão mais alargada. É importante notar que a ciência da complexidade não é uma única teoria. Muitas vezes usamos o termo “complexidade” para descrever uma série de diferentes teorias e disciplinas que surgiram ao longo do século passado – teoria geral de sistemas, cibernética, sistemas adaptativos complexos e sistemas vivos, para citar apenas alguns. A ciência da complexidade também é interdisciplinar. Incluem-se entre os seus seguidores, físicos, biólogos, economistas, sociólogos, antropólogos e outros (Zimmerman et al., 1998). Sessões de formação e seminários sobre a ciência da complexidade são regularmente disponibilizadas em várias organizações de renome, como o Santa Fe Institute, o New England Complex Systems Institute e o Plexus Institute. Nesta abordagem eminentemente prática, acreditamos ser essencial compartilhar algumas características-chave de sistemas complexos e, a partir deles, inferir propostas para avaliar em complexidade. Chegámos às características que seguidamente se apresentarão, baseados no trabalho de diversos cientistas e teóricos, bem como de profissionais de avaliação. Nas páginas finais deste manual oferecemos um conjunto de referências e recursos adicionais. Por uma questão de clareza, tentamos destilar os conceitos até à sua essência. Reconhecemos que algumas das nuances possam perder-se com esta abordagem, mas sentimos ser um razoável trade-off ao serviço da promoção de uma valorização crescente destas características e as consequentes implicações para a prática da avaliação. 1 “No seu sentido mais amplo, o positivismo é uma rejeição da metafísica. É uma posição que sustenta que o objetivo do conhecimento é simplesmente descrever os fenómenos que experienciamos, para ficar com o que podemos observar e medir. O positivista defende que todo e qualquer conhecimento para além disto, é impossível.” Bill Trochim, http://www.socialresearchmethods.net/kb/ positvsm.php

Avaliação em contextos de complexidade: propostas para melhorar práticas

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