Comissões de Proteção de Crianças e Jovens como modelo de Governação Integrada
Prefácio I - O Dr. Rui Marques — distintíssima personalidade, com variadas intervenções de reconhecido eminente interesse público, prosseguido com impecáveis ética e civismo e excecionais saber, inteligência, sabedoria, competência, generosidade e sentido de serviço — incluiu na sua preciosa tese para doutoramento sobre «Problemas sociais complexos e governação integrada», dois estudos de caso: um sobre o Centro Nacional de Apoio ao Imigrante e o outro sobre a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da Amadora, ambos inseridos na vertente qualitativa da abordagem metodológica escolhida para a resposta à pergunta de partida para a sua tese de doutoramento — «Qual o modelo organizacional adequado face a problemas sociais complexos?» O estudo sobre a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da Amadora, ao qual se refere esta breve nota, foi desenvolvido com o rigor e a criatividade habituais, partindo de modelos teóricos inovadores —nomeadamente o da Teoria da Vantagem Colaborativa no âmbito das Relações Interorganizacionais —, aplicados à realidade cuidadosamente observada, com base, designadamente: na consideração dos tipos de problemas objeto das atribuições da Comissão e correspondentes intervenções concretas; na articulação das seguintes fontes: análise dos dados documentais relativos à constituição, funcionamento e avaliação da Comissão; informação recolhida através de entrevistas semidiretivas e respetiva análise de conteúdo; análise de imprensa, com destaque para a análise de conteúdo de notícias publicadas, ao longo de anos, num jornal de referência. De forma concludente, o estudo evidencia a natureza dos problemas objetos da intervenção da CPCJ — problemas sociais complexos. Conceito que o estudo proficientemente caracteriza, chamando a atenção especial para alguns dos seus numerosos aspetos: as múltiplas e fluidas dimensões que assumem os problemas objeto da intervenção da CPCJ; dificuldade na definição do problema e de encontrar uma solução para este, tanto mais que o problema pode transformarse noutro, estar associado a outro, ter diversas causas, que se interligam, e em que cada consequência gerada pode transformar-se numa nova causa. Simultaneamente, enfatiza a inadequação, para resposta aos problemas sociais complexos, de intervenção lineares, isoladas, em «silos», fruto de uma perspetiva exclusivamente burocrática, de índole meramente hierárquica, desgarrada de intervenções heterárquicas, de proximidade.
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