Comissões de Proteção de Crianças e Jovens como modelo de Governação Integrada
“Penso que, a maioria, sente mesmo interesse em lá estar para desenvolver melhor o trabalho com a comunidade e para ultrapassar situações.” (ECPC18.6.a). No entanto, há gradientes na análise do interesse dos membros, que vão desde uma variante mais desinteressada, expressa por um dos entrevistados, até à visão oposta de simples interesse de retribuição/retorno de todo o investimento feito: “Acho que as instituições não estão a pensar se têm vantagens (...) acho que todas as instituições que estão aqui o interesse é pela comunidade, pelas famílias que nós atendemos. São instituições que trabalham as famílias no âmbito da ação social, de serviço social, da psicologia.” (ECPCJ9.6.b). “(Interesse dos dirigentes) Se eu dou, eu tenho que receber. E o que eu recebo, quero receber de imediato. E, portanto, sabem que vão estar a despender de tempo do seu técnico na sua instituição e é bom que isso traga mais-valias para a sua instituição.” (ECPCJ13.6.a). Mais céticos em relação à participação por interesse efetivo, algumas vozes apontam que só o carácter de obrigatoriedade os faz participar e que várias instituições revelam o seu desinteresse nessa presença através de múltiplos expedientes: “Acho que se caminha para esse objetivo, mas efetivamente ainda há algumas instituições que sentem como uma obrigatoriedade e não porque faça sentido para com a comunidade.” (ECPC6.6.a). “Consegue-se arranjar uma forma de não estar, há instituições que até com uma dimensão considerável, com intervenção na Amadora que durante muito tempo não estiveram, e há sempre forma de não estar. Consegue-se argumentar, consegue-se arranjar uma forma.” (ECPC2.6.a). Quando exploradas as vantagens para as instituições em serem membros da CPCJ, são referidos pelos entrevistados como exemplos a formação dos seus técnicos, o tratamento de temáticas relevantes para o quotidiano das instituições e a obtenção de informação relevante, entre outros: 87