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Comissões de Proteção de Crianças e Jovens como modelo de Governação Integrada

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Comissões de Proteção de Crianças e Jovens como modelo de Governação Integrada

“A situação destas duas crianças, de “contornos tão complexos e profundos”, como diz a jurista, interpela não apenas o Estado, mas a comunidade e a família, considera também a psicóloga clínica Fernanda Salvaterra. “As pessoas esquecem-se: há o Estado, mas também há a família. A família é o primeiro sistema, é o que está mais próximo das pessoas e tem obrigações. E a comunidade: todos os ecossistemas onde a família se movimenta devem dar o alerta.” (24.1.GI). “Não deviam ser os hospitais os grandes declarantes”, nota, porque isso significa que “só são identificados os maus-tratos quando é grave, quando há abuso sexual com penetração, quando há fraturas. Estamos a apanhar as situações visíveis, a ponta do iceberg”. Nos países em que a cultura de deteção dos maus-tratos está mais desenvolvida, casos de Inglaterra e da Holanda, é mais nas escolas que se deteta.” (9.2.GI). “Carla Tavares, presidente da Câmara Municipal, apelou a outras instituições locais para “darem um pouco” do seu tempo e assim, através da comunidade e do apoio das Juntas de Freguesia, se fazer face a processos mais complexos, com menos técnicos, sem, no entanto, referir se as pessoas chamadas a ajudar receberão algum tipo de formação.” (13.1.GI). Tendo em consideração esta leitura, torna-se também particularmente relevante registar o que não surge nas peças noticiosas que constituem este corpus de análise. Assim, nunca é citada qualquer referência quanto à estrutura colaborativa da CPCJ, quer na sua versão restrita ou na alargada, não sendo evidenciado que o seu trabalho resulta da colaboração entre diferentes instituições com os dos seus técnicos. Também nada é referido quanto ao trabalho de prevenção que desenvolveu nos últimos anos, para evitar as diferentes formas de maus-tratos, nem de casos bem-sucedidos na proteção de crianças e jovens.

3.6. Obstáculos e críticas ao modelo da CPCJ da Amadora Procurou-se, no decurso das entrevistas, para além das categorias incluídas nos Fatores colaborativos Wilder (Mattessich et al, 2008), obter respostas espontâneas à perceção dos entrevistados de quais os bloqueios, as vantagens e os fatores críticos de sucesso. 59


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