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Comissões de Proteção de Crianças e Jovens como modelo de Governação Integrada

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GovInt

Os problemas sociais complexos Na análise dos problemas sociais emergiu uma categoria que Rittel e Webber, há cerca de 40 anos, definiram como “wicked problems” (Rittel e Webber, 1973). Perversos, malévolos e ingeríveis, estes problemas complexos caracterizam-se por alguns traços comuns: dificuldade em definir o problema, sem solução definitiva nem limitada a um conjunto fechado de soluções, cada problema pode ser entendido como sintoma de outro problema, os especialistas não são suficientes, atravessam áreas disciplinares e fronteiras de organizações são algumas dessas características. Entre os problemas classificados como complexos encontram-se a pobreza extrema e as pessoas sem-abrigo, o desemprego de longa duração, as crianças e jovens em risco, a integração de imigrantes, a violência doméstica, as pessoas idosas isoladas, entre muitos outros. Os autores do conceito usaram a pobreza como exemplo para explicar o seu entendimento de “wicked problem”: “Pobreza significa baixo rendimento? Sim, em parte. Mas quais são os determinantes desse baixo rendimento? É fruto da deficiente economia nacional ou regional ou é resultado das deficiências das competências ocupacionais e cognitivas da força de trabalho? Se for esta última a definição do problema e a sua solução passam por envolver o sistema educativo. Mas será dentro do sistema educativo que o problema reside? O que pode então querer dizer “melhorar o sistema educativo”? Ou o problema da pobreza reside numa deficiente saúde física e mental? E se é isso, devemos juntar essas causas ao nosso pacote de informação, e procurar dentro dos serviços de saúde uma causa plausível. Devemos incluir a privação cultural? A desorganização espacial? Problemas de identidade? E por aí adiante.” (Rittel e Webber, 1973). Esta categoria de “problemas complexos”, que evidencia esta transformação de paradigma, do linear para o complexo, coloca um enorme desafio à cultura organizacional em que (ainda) vivemos. Os problemas sociais mais complexos são essencialmente horizontais, transversais, multidisciplinares e multissectoriais (Goldsmith, 2010), enquanto as respostas sociais continuam a ser desenvolvidas, muitas vezes, com soluções 142


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