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Comissões de Proteção de Crianças e Jovens como modelo de Governação Integrada

A concluir, uma palavra para a relevância do tema “Confiança” no quadro deste modelo de governação integrada. São múltiplas as referências à “Confiança” no estudo de caso. Quer na análise documental, quer nas entrevistas, é evidente a importância que lhe é atribuída. Uma das expressões mais fortes, decorre de ser considerado pelos entrevistados que a “Confiança” é condição essencial para que este modelo funcione, sendo que também estas vozes reconhecem que se trata de um caminho, em que, muitas vezes, o ponto de partida é de baixa confiança ou mesmo de desconfiança. O modelo de governação integrada numa CPCJ deve ser visto com um sistema interativo, dinâmico e dependente de confiança. Esta surge como condição obrigatória para que o sistema funcione. Nesse sentido, é plausível a analogia comparativa com a relevância do “oxigénio” para os sistemas aeróbicos33. Tal como acontece com o oxigénio, é a confiança que dá vida e vitalidade ao sistema. Caso exista, permite-lhe desempenhos adequados, mas, quando desaparece, provoca a extinção do sistema. Sem “oxigénio”/confiança, não há governação integrada. Nesse sentido, o próprio sistema, através desses fatores críticos de sucesso (liderança, comunicação, participação e avaliação adequadas) e das suas interações, quando funciona bem, produz “oxigénio”, tornando o contexto cada vez mais favorável para que funcione melhor, numa espiral positiva (retroação positiva). Ao invés, a disfunção ao nível dos fatores críticos de sucesso (liderança, comunicação, participação ou monitorização/avaliação inexistentes ou desadequadas) e das frágeis interações entre eles, dissipa “oxigénio”, que se vai rarefazendo cada vez mais e vai tornando cada vez mais difícil o funcionamento da governação integrada, numa espiral negativa, até que pode mesmo chegar à sua “morte”. Esta realidade é dinâmica e, consequentemente, pode mudar ao longo do tempo, pelo que exige uma permanente monitorização dos níveis de confiança. Um processo colaborativo de governação integrada pode, por exemplo, começar com níveis baixos de confiança, mas graças ao bom funcionamento dos fatores críticos de sucesso começar a “produzir” mais confiança. Como também pode, havendo 33  Esta correlação entre “oxigénio” e “confiança” é usada na obra de Knapp & Carter (2007), parafraseando Amartya Sen, Prémio Nobel da Economia, que dizia que “a confiança é como o oxigénio, só se percebe a sua importância quando falta”. Nesse sentido, os autores sublinham que, enquanto existe, nem se dá por ela, nem se realiza a sua importância. Só quando a confiança começa a faltar é que os efeitos dessa rarefação se fazem sentir. Foi a partir daqui que se construiu toda a metáfora que se apresenta neste texto, levando mais longe a comparação da confiança a “oxigénio”.

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Comissões de Proteção de Crianças e Jovens como modelo de Governação Integrada  

Um estudo de caso da CPCJ Amadora

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