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Comissões de Proteção de Crianças e Jovens como modelo de Governação Integrada

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GovInt

alerta para uma utilização criteriosa dos canais de comunicação, cujo recurso é mais referido (reuniões, correio eletrónico, entre outros) para que não exista um efeito paradoxal. Finalmente, o fator crítico de sucesso “Monitorização/Avaliação”, como já foi referido, é absolutamente vital para o modelo teórico que aqui se defende. Se a governação integrada no quadro da CPCJ, deve ter em conta a eficácia e a eficiência, valorizando fortemente os resultados e os impactos, torna-se necessário investir, de uma forma determinada, na monitorização e na avaliação. Sem elas, será impossível verificar a adequabilidade das políticas integradas aos problemas a que são direcionadas. Porém, aqui reside um dos temas mais sensíveis e exigentes da governação integrada, também evidenciado neste estudo de caso. Imersos numa cultura de planeamento e de avaliação linear, que pressupõe correlações óbvias entre causa e efeito, bem como previsibilidade e modelação estável, há uma particular dificuldade em avaliar em contexto de complexidade, o que conduz frequentemente a erros grosseiros quer nos termos de referência, quer na leitura dos dados da avaliação. Nesse quadro, é necessário desenhar e implementar processos de avaliação adaptáveis, flexíveis e interativos, que procurem entender e descrever todo o sistema, incluindo componentes, relações e interdependências e compreender os resultados e impactos a partir dessa visão holística. Importará desenvolver a capacidade de aprender a partir dos efeitos de retroação e ter particular atenção ao contexto em que ocorrem. Será, também, importante dar mais atenção às relações não lineares e multidirecionais entre a iniciativa e os impactos previstos e não-previstos que sempre acontecem em contextos de complexidade (Preskill & Gopal, 2014). Neste estudo de caso, foi possível identificar, de uma forma muito preliminar, objetivos e indicadores de eficácia e de eficiência que apontam para a possibilidade de evidenciar estas dimensões, sem prejuízo da margem de melhoria existente para o reforço de indicadores de monitorização e de avaliação. Este domínio é, tendencialmente, o que exigirá à CPCJ da Amadora – e provavelmente a muitas outras – um maior investimento em produção de instrumentos, de indicadores, de metodologias, bem como de formação de todas as partes interessadas para que se adquira maior solidez e constituirá porventura um dos eixos mais desafiantes para investigações futuras na área. 130


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