Comissões de Proteção de Crianças e Jovens como modelo de Governação Integrada
A segunda parte da definição está concentrada no foco e no propósito. O “para quê” da governação integrada, que aqui começa a definir-se – e se prolonga na última fase – é o que dá sentido a este conceito. Apesar de parecer óbvio este foco no “para quê”, não é raro, nas experiências passadas de parcerias e trabalho em rede, que se tenha verificado uma desvalorização do propósito e uma ausência de foco nos resultados e impactos, com a consequente frustração das partes envolvidas. Assim, com a expressão “com eficácia e eficiência”, temos um pilar fundamental, para onde converge toda a definição. A razão de ser para a eventual adoção deste modelo de governação integrada é a perceção do que é o mais adequado, neste caso, para gerir melhor as situações de “crianças e jovens em risco/perigo”, obtendo, muitas vezes, resultados positivos na prevenção e/ou reparação das suas consequências (eficácia). De igual forma, a governação integrada numa CPCJ tem de conseguir evidenciar que é eficiente na boa utilização dos recursos disponíveis, com a sua otimização e redução do desperdício, maximizando o retorno de impacto social do investimento feito. Sendo indispensável este foco na eficiência e na eficácia, através da avaliação de resultados e de impactos, não é, no entanto, uma tarefa fácil estabelecer indicadores e métricas de avaliação de eficácia e de eficiência. A natureza dos problemas complexos evidencia-se também aqui. Este é um desafio importante para o aprofundamento do modelo de governação integrada de uma CPCJ. Importa neste quadro, numa outra perspetiva, recuperar o conceito dos “fatores críticos de sucesso” em governação integrada, onde se incluem a liderança, a comunicação, a participação e a avaliação. Assim, no domínio da “Liderança” importa recordar que, no presente estudo de caso, através das entrevistas realizadas, se evidenciou uma liderança avaliada de uma forma excelente (4,8 em 5), pelo que da sua descrição surgem contributos que podem ser relevantes para uma proposta de liderança colaborativa. Desde logo, surge a referência a uma liderança de “soft-power”, mas capaz de decidir quando é necessário. Também surgem identificados outros traços da liderança colaborativa como a afetividade, o respeito pela equipa, a humildade, o dinamismo, a inteligência emocional ligada à capacidade de comunicação, a promoção da coesão, a ponderação e a partilha da liderança. Ainda desta fonte, ao nível da liderança idealizada, registam-se, ainda, contributos adicionais como 127