Comissões de Proteção de Crianças e Jovens como modelo de Governação Integrada
“Há muitos processos, (…) mas há muito poucos recursos, eu sinto isso. Sinto que é uma dificuldade agendar uma visita domiciliária, sinto que nem sempre é fácil.” (ECPCJ10.19.a). “Em termos de recursos humanos também não é fácil, isto é uma guerra, porque houve uma altura que de facto a comissão era praticamente constituída pela xxxxx e pela yyyyyy, e chegou o momento em que nós tivemos de dizer basta, não podemos continuar, a xxxxx não pode continuar a injetar para aqui recursos porque senão isto é uma filial da xxxxxx.” (ECPCJ5.19.a). Em termos de recursos adicionais, só é referida a questão de instituições de acolhimento: “Eu acho que faltam instituições para acolher não só crianças, mas as famílias.” (ECPCJ2.19.c).
Fator XX – Liderança capacitada O último Fator a ser considerado é o que regista não só melhor pontuação, como mais referências no discurso dos entrevistados, sendo percetível a enorme relevância que lhe é atribuída. Vários dos entrevistados situam muito bem a questão da complexidade da liderança em contexto interorganizacional, como o caso da CPCJ, desprovida de poder hierárquico e enfrentando problemas particularmente difíceis que exigem uma liderança eficaz: “Eu acho que o papel de liderança numa comissão é muito complicado, porque a comissão não é uma entidade hierárquica.” (ECPCJ1145.20.a). “Tem de ser uma liderança, quase, como é que eu hei-de dizer, liderando, não liderando, (…) liderar, mas não sendo chefe.” (ECPCJ14.20.b). “Acho que ainda é mais complicado liderar numa situação destas, do que numa situação formal em que toda a gente sabe o que tem que fazer e tem que reportar a determinada pessoa e que não pode sair daquele esquema.” (ECPCJ14.20.d). 119