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Ag osto / 201 3

Ven d a Proi bi d a

Di stri bu i ção G ratu i ta g raças ao apoi o do com érci o l ocal

ANO V − Numero 51

C o m p o r t a m e n to S o ci e d a d e Cu l tu ra e p ro t a g o n i s m o !

5.000 Exemplares

Francisco Morato - São Paulo

imagem: Mari Moura - fotomontagem: Roger Neves

Brasil

Realização:

Be Linux, Be Free!

Na confecção deste material gráfico foram utilizados apenas softwares que atendem a licença GNU/GPL.


O informativo Ôxe! é uma iniciativa da ::. Diga, Ôxe! Cleber Leme, do Projeto Raízes de Franco da Rocha Ôxe! Produtora Comunitária que visa acervo como um todo e a intenção é fazer propiciar à população de Francisco Mo- Ôxe!: Pra quem não conhece, quem é um site com todas essas imagens e tudo o rato e região, um veículo de jornalismo Cleber Leme? Cleber: O Cleber é uma pessoa que tenta que tem a ver com Franco da Rocha, as hiscidadão e produção, difusão e divulgados bairros, todas as publicações do ção de ideias e informações na área cul- fazer algo diferente, algo que valha a pena, tórias Juquery, de 1924 a 1993 existiu tural. Todas as informações, ilustrações no sentido de preservar a memória e me- hospital uma revista que teve vários nomes, as prilhorar um pouco a situação atual da sociee imagens são de responsabilidade de meiras tinham até tradução pro francês, foi Hoje em dia, a maioria não liga pra dade. seus respectivos autores e obedecem a dessas edições que o Freud teve acesso licença Creative Commons 3.0 Brasil essas coisas mais antigas, então, o Cleber é uma Atribuição-Uso Não-Comercial-Com- um cara que tenta preservar um pouco da e mandou cartas ao Dr. Ozório César, infehistória, independente de como ou porquê. lizmente a biblioteca do Juquery se perdeu partilhamento pela mesma Licença noite do dia 17/12/2005 e eu consegui (acesse o blog para maiores detalhes), Ôxe!: Como surgiu o interesse pela histó- na alguns exemplares com exs funcionários, em salvo indicações do(a) autor(a) em con- ria de Franco da Rocha? sebos e vamos disponibilizar esse material trário. Para ver uma cópia desta licença, Cleber: Passei minha infância no Ju- em pdf no site, e ainda estou atrás dos voluvisite http://creativecommons.org/liquery, fiquei lá por 12 anos, minha mãe foi mes que não encontrei. Tem muito conteúcenses/by-nc-sa/3.0/br/ ou envie uma funcionária da instituição desde 1970 e tra- do legal, conseguimos um exemplar de carta para Creative Commons, 171 Se- balhou 36 anos, então eu sempre gostei dos 1935 com toda a história de implementação cond Street, Suite 300, San Francisco, ares juquerienses. Simplesmente me apai- do manicômio judiciário. É claro que quanCalifornia 94105, USA. xonei pela arquitetura e comecei a estudar do falamos em site, as pessoas acham que Ramos de Azevedo, quando fiz o técnico ficará pronto rápido, mas ainda estamos na em edificações, daí em diante comecei a fase de pesquisa, estamos apenas engatipesquisar e não parei mais, em 2005 conhe- nhando, vamos trabalhar muito para tentar Be Linux, Be Free! ci o acervo do professor José Parada e pen- lançar o site daqui 1 ano e meio ou pelo Na confecção deste material sei: “Isso tem que ser mostrado pro mundo, menos parte dele, para interesse público. Tegráfico foram utilizados não pode ficar guardado”. Então, veio a remos essas imagens e textos sobre o surgiapenas softwares que atendem ideia de digitalizar o acervo e tentar vascu- mento da cidade, inclusive as histórias dos a licença GNU/GPL. lhar um pouco mais a história do Juquery e 106 bairros de Franco da Rocha, atualmente agora, estamos conseguindo dar os primei- temos apenas de 32, também precisamos ::. O que a gente usou nessa edição ros passos do projeto. fazer esse mutirão. É um universo muito grande e até utópico querer colocar toda a Programas Ôxe!: O que é o Projeto Raízes? história da cidade num site! O projeto está Cleber: Tudo começou quando conheci no Ubuntu 12.04 (ubuntu.com) início, além de mim, tem o Maurilio LibreOffice 3.5.7.2 (pt-br.libreoffice.org) o acervo das fotos e decidi que elas tinham Garcia, Profº José Parada e a Iná Rosa, que que ser mostradas ao público. Comecei a escreveu todos os trabalhos acadêmicos soGIMP 2.6.12 (gimp.org) fazer a digitalização de forma errada e ama- bre a história do Juquery e se disponibilizou Scribus 1.4.1.svn (scribus.net) foi quando conheci um jovem chamaestamos redigindo a parte burocráInkscape 0.48.3.1 r9886 (inkscape.org) dora, do Maurilio Garcia, que trabalhava numa aticaajudar, em São Paulo e está tudo encaminhado, Mozilla Firefox 22.0 (br.mozdev.org) empresa de digitalização de acervo para inclusive o professor Parada vai fazer uma Audacious 3.4 (audacious-media-player.org) museus e ele me ensinou tudo o que preci- autorização via cartório para divulgarmos sava saber para criar acervos digitais, com seu acervo com tudo legalizado. todas as especificações do CONARQ, ta::. Colaboraram nesta edição: manho da foto, formato, me apresentou o Ôxe!: Qual a importância do Projeto Betto Souza sistema da Apple, o scanner adequado para Raízes pra cidade? (subjetividadeematividade.blogspot.com.br) arquivo digital de acordo com todas as reCleber: Ele resgata histórias e imagens gras. E comecei a digitalizar mais profissioda cidade que muita gente não conhece. Messias Silva nalmente. Em 2009, eu e Maurilio fomos Encontramos fotos muito interessantes, (messiassilva0810@gmail.com) para o Rio de Janeiro digitalizar 9.000 ne- por exemplo, onde hoje tem o ginásio de Pamela Gabrielle gativos de vidro da Comissão Rondon, no Paulo Rogério, existia uma lagoa. (pamelagabrielle1@hotmail.com) Museu do Índio, fotos do Rondon com os esportes E também Franco da Rocha é uma cidade índios e acabei tendo esse contato maravi- dormitório, muita gente vem de fora e os Régis Andrade lhoso com acervos mais antigos e decidi dar jovens não sabem essa parte histórica, co(togalindepatane@gmail.com) uma atenção especial a esse acervo de mo quem foi Franco da Rocha, que o JuRemisson Aniceto Franco, porque o professor José Parada tem query foi o maior hospital da américa (remisson@remisson.com.br) de 8.000 a 10.000 fotos, inclusive muitas latina e um dos maiores do mundo, cheSidnei Santos imagens que vemos na internet são desse gou a ter 16.000 internos, é por toda essa (robinholook@hotmail.com) acervo, que nós disponibilizamos de modo história que muitos não conhecem. Tiago Henrique errôneo, sem colocar os créditos e muitos se (tiagohenriquecardoso@yahoo.com.br) aproveitaram disso. Continuando a pesqui- Ôxe!: Ao todo, quantas imagens já foram sa, estive no Juquery várias vezes, conver- digitalizadas? A Equipe Ôxe! é: Fabia Pierangeli, sando com a diretoria técnica e descobri um Cleber: São 98 pastas no total, já fizemos Gilberto Araújo, Mari Moura e Roger acervo imenso lá também, comecei a pes- 45, então deve ter em torno de 3.000 imaNeves (digaoxe@gmail.com) quisar de forma jurídica a melhor maneira gens concluídas, se formos pensar nessa para escrever quantidade e no que é divulgado, tem muium projeto tas fotos que as pessoas não conhecem. com base em Ôxe!: As pessoas podem colaborar de alSão Paulo, na guma maneira? Secretaria do Cleber: Nesse primeiro momento, estaEstado da mos focando em terminar o acervo do proCultura, para fessor José Parada, pra tê-lo catalogado de termos acesso maneira correta. A segunda fase do projeto e conseguir- que pode demorar um pouco, vamos pedir mos digitali- para pessoas que tenham fotos mais antigas zar esse que julguem interessante, que nos manacervo tam- ou dem divulgarmos futuramente no site. bém. Depois Com para certeza, tem muita gente com material juntaremos o importante guardado, que não conhecemos

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imagem: Mari Moura

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Cleber Leme iniciou e toca boa parte do Projeto Raízes sozinho, sem apoio do estado e de modo voluntário.

e se perderam no tempo. Nessas pesquisas, conheci uma moça do hospital do Juquery, e ela conta que em um dos prontuários estava escrito sobre uma paciente no ano de 1910, que chegou pra ser internada, mas dizia que não poderia entrar porque iria para um baile, nesse prontuário estava escrito que Franco da Rocha estava atrás da porta ouvindo, estendeu a mãe pra ela e a levou pra dentro, dançando. Então, tem histórias muito interessantes como essa, que as pessoas podem colaborar. E esse aspecto do Juquery está muito presente nas raízes dessa cidade. Ôxe!: Quanto tempo você se dedica a esse trabalho? Cleber: Eu tento digitalizar no minímo 30 fotos por dia, se estou com o dia livre, é o dia todo, tem dias que não rende porque as imagens são pesadas e as maiores demoram demais pra digitalizar, por conta da resolução. Ôxe!: Como é sua relação com o Professor José Parada? Cleber: Ele é muito especial e dedicado, algo que eu acho incrível nele é que ele nunca pediu créditos e fica meio constrangido de falar nisso, está de braços abertos e presenteia as pessoas com esse acervo. Então eu falei que é importante mencioná-lo nos créditos, mas ele é muito bondoso e recebe todos muito bem. Ele não é natural de Franco da Rocha, mas criou um amor invejável por essa cidade e a defende muito. Ele abraçou o projeto e somos grandes amigos. Ôxe!: E pro futuro, o que você espera? Cleber: Espero que o futuro seja muito bom, muito esperançoso, espero que o projeto tenha visibilidade, que as pessoas se interessem, independente de reconhecimento, não é meu interesse, estou fazendo algo que alguém iria fazer um dia, sou apaixonado por isso e é uma experiência pra vida. Quero acender essa chama sobre a importância da história da cidade, hoje ela pode ser feia e desordenada como muitas outras cidades da região metropolitana de São Paulo, só que a gente vive aqui e precisamos valorizála. Nossa história é riquíssima. As pessoas tem que fazer tudo com muito amor, acreditar e não ter medo de errar, eu acredito nesse projeto e estou arriscando, quem quiser ajudar, vai ser bem vindo. .::


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Por: Fabia Pierangeli

::. Sarau ConPoeMa no CIC Francisco Morato

E o nosso Sarau ConPoeMa desse mês acontecerá no próximo dia 24 de agosto, a partir das 19h, no CIC Francisco Morato (Rua Tabatinguera, 45, Centro, Francisco Morato). Portanto, comece desde já a se preparar: separe uma poesia, uma música, uma cena, uma coreografia, uma história ou o que mais você quiser compartilhar e se achegue. O Sarau ConPoeMa é um espaço para a livre expressão, é um espaço nosso, seu e de todos aqueles que quiserem se expressar, que tiverem o que falar. Nós, da organização do Sarau, estaremos lá a partir das 17h, se quiser chegar mais cedo pra fazer parte dessa organização, é só aparecer por lá, combinado? O Sarau ConPoeMa é uma realização da Associação Cultural ConPoeMa. Mais informações: 4488-8524

::. Programação Cultural do Espaço Eco's

Além do ambiente agradável, dos deliciosos caldos e bebidas que estão aquecendo esse inverno, das pessoas interessantes que frequentam o local, o Espaço Eco's vem se tornando um importante espaço de difusão cultural na cidade de Francisco Morato, acolhendo e apresentando artistas das áreas de teatro, dança, música e artes visuais. Confira a programação desse finalzinho de agosto: - Até o dia 31, quem passar por lá poderá conferir a exposição fotográfica “A que será que se destina?”, que conta a nossa trajetória, da Ôxe! Produtora Comunitária e do Teatro Girandolá.

"A união do rebanho obriga o leão a deitarse com fome."

Provérbio africano

mas nos dias das apresentações, o grupo recolherá alimentos não perecíveis que serão doados para a APAE. obras autorias, pode ir até lá e se inscrever pra participar e Vamos lá, programe-se e prestigie essa galera!!! mostrar sua arte. 201 3 O Espaço Eco's fica na Rua João Mendes Júnior, 542, ::. OCONFAFRAMO CONFAFRAMO – Concurso de Fanfarras FranCentro, Francisco Morato e está aberto de quarta a do- cisco Morato, que acontece na cidade desde o ano 2000, mingo, a partir das 18h. esse ano, depois de ser adiado duas vezes, acontecerá no Mais informações: 4881-6057 ou www.facebodia 25 de agosto, a partir das 8h, no Largo dos Artistas, ok.com/espacoecosnovo em sua 14ª edição. O concurso receberá mais de 30 corporações musicais, de diversas partes do Brasil. Reúna a ::. Confraria Eros estreia no Laura Bressane família e aproveite o domingão pra curtir um dia recheado Formada por jovens “famintos” de arte e cultura, a de boa música! Confraria Eros, dirigida por Jonas Gomes, estreia seu primeiro espetáculo: "Vozes no silêncio", uma perfor- ::. Oficina de Capoeira no CIC mance teatral que mescla o drama e a comédia, o lúdico e Estão abertas as inscrições para a oficina de capoeira muita expressão corporal. com o Mestre Antônio. As aulas acontecerão todas as terças-feiras das 19 às 21h e as inscrições podem ser feiDurante a criação do espetas na diretoria do CIC, de segunda a sexta-feira, das 9 às táculo e como forma de di17h. A oficina é GRATUITA e o CIC fica na Rua Tabavulgar e também incentivar a tinguera, 45, Centro, Francisco Morato. arte, a Confraria Eros apresenta esquetes do espetáculo ::. Mini jornada da Cidadania em escola municipais. No dia 24/08 a partir das 9h acontece, na EM Mario O espetáculo será apreQuintana (Rua Olavo Bilac, 951, Jardim Santo Antônio), sentado no Auditório Laura a Mini Jornada da Cidadania, onde, além da emissão de Bressane, que fica dentro do documentos - 1ª via de RG, 2ª via de certidões, 1ª e 2ª via CSU, no dia 31 de agosto às de carteira profissional – ainda serão feitos cadastros para 19h e no dia 01 de setemvagas de emprego. Tudo isso GRATUITO e promovido bro, às 18h. pelo CIC Francisco Morato. A trupe estreia seu primeiro A entrada é GRATUITA, espetáculo Mais informações: 4489-3133 no Laura Bressane - Todas as quintas, a partir das 20h, tem Balaio Autoral e você, que canta, dança, escreve, interpreta e tem

imagem: Divulgação

::. Na Faixa

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CONSTRUINDO JUNTOS! já podemos perceber alguns pequenos, mas significativos avanços. Na minha opinião, o próprio Plano Nacional de Cultura, que foi aprovado em 2011, já é um significativo avanço. Nele temos 53 metas que devem ser alcançadas até 2020 e dele surge esse Sistema Nacional de Cultura – SNC, que é uma espécie de SUS Cultural, um sistema que entende que o acesso à cultura é um direito fundamental do ser humano, um direito ao qual qualquer pessoa, independente de sua classe social, tem direito. Num país como o nosso, onde tudo recomeça a cada nova gestão, ter um plano que define metas que devem ser alcançadas em 10 anos, independente de quem seja o prefeito, o governador ou o presidente, é sim um grande avanço. Parece que finalmente se começa a entender o óbvio: que o administrador que assume um novo mandato porque ganhou eleição, não pode ignorar e parar tudo o que

Abaixo: Em Morato a conferência aconteceu no CIC e em Franco foi no C. C. Newton Gomes de Sá, em ambas participaram cerca de 40 pessoas.

imagem: Mari Moura

Nesse mês de agosto, foram realizadas em nossa região duas Conferências Municipais de Cultura: no dia 09/08 em Franco da Rocha e nos dias 10 e 11/08, em Francisco Morato. Tive a oportunidade de, ao lado dos meus parceiros do Ôxe!, acompanhar e participar das duas desde que começaram a ser concebidas até suas finalizações e posso afirmar que sai bastante animada desses encontros. As Conferências estão se consolidando em nosso país como importantes espaços para o diálogo entre poder público e sociedade civil, e ao longo dos anos, começam a dar mostras em pequenos e animadores resultados. Estas começam a refletir que o povo brasileiro está de olho na forma como nosso país, nossos estados e municípios vem sendo administrados; exigindo mudanças, responsabilidade e compromisso por parte dos governantes, mas, ao mesmo tempo, assumindo sua parcela de responsabilidade também, nesse sistema de governo conhecido como democracia. Sim, participar de uma Conferência é assumir seu papel de cidadão, que participa, discute, debate, dá ideias, faz críticas e ajuda a construir uma sociedade melhor e mais justa, pra você e para as gerações futuras. Passei três dias intensos dentro dessas duas Conferências, que não tinham muita gente não, mas que rendeu conversas e trocas muito boas... Tentarei aqui, nessas poucas linhas, em relação ao tanto de conversa que rolou, registrar um pouco e resumidamente das minhas impressões sobre as reflexões que rolaram e sobre as conclusões a que chegamos, coletivamente, ao lado de diversos realizadores culturais franco-rochenses e moratenses. A primeira coisa que eu gostaria de salientar foi que pela primeira vez na minha vida ouvi gestores públicos falando sem me chatear e me cansar. Em Franco tivemos a oportunidade de ouvir Mônica Severo, representante do Ministério da Cultura – MINC, e Eufra Modesto, atual Secretário de Cultura de Jundiaí; e em Morato ouvimos Tadeu de Souza, da FUNARTE, e Henry Durante, também representantes do MINC. Todos eles reconheceram as limitações do poder público e salientaram que mudanças efetivas só acontecerão com a participação da população. Todos eles reconheceram que a administração pública não consegue dar conta de maneira igualitária e portanto justa, de toda a população brasileira e salientaram que é preciso encontrar outras formas de administrar. Agora, entrando um pouco nas discussões, foram muitas e diversas, todas elas pautadas no tema da Conferência Nacional de Cultura, que é “UMA POLÍTICA DE ESTADO PARA A CULTURA: DESAFIOS DO SISTEMA NACIONAL DE CULTURA”. O Sistema Nacional de Cultura está em fase de implantação e surgiu do Plano Nacional de Cultura – PNC, que por sua vez surgiu como demanda de fóruns e conferências, que estão sendo realizados desde 2003. Sim, faz tempo e pode até parecer tempo demais, mas hoje, 10 anos depois,

estava sendo feito pelo seu antecessor. Ele precisa ter um olhar sensível, razoável e de bom senso, percebendo que está lá para dar continuidade e continuar buscando alternativas e caminhos para melhorar a vida da população. E chamar uma conferência é abrir espaço pra ouvir os anseios da população. É claro que o simples fato de decidir fazer uma conferência, não significa necessariamente que os administradores estejam abertos pra ouvir a população. Certeza que muitos gestores decidem fazer conferências “pra inglês ver”, mas a partir do momento que a população resolve se apropriar desse espaço, ir lá, participar, criticar e propor, automaticamente os gestores assumem um compromisso, que é oficial, que é registrado e que será cobrado e reavaliado, a cada nova conferência. No caso das conferências municipais de cultura, elas fazem parte do calendário da Conferência Nacional de Cultura e tudo o que foi conversado, discutido, acertado por aqui, já foi encaminhado para o estado e para o governo federal. Isso é uma das coisas que mais me deixou animada com essa história toda, o fato de tudo, dentro do Plano e do Sistema Nacional de Cultura, ser amarradinho, comprometen-

Por: Fabia Pierangeli

do todas as esferas de governo: municipal, estadual e federal. O Plano Nacional de Cultura convoca prefeitos, governadores e presidente a assumirem suas responsabilidades, estimulando a cooperação entre eles e lembrando o tempo todo que uma gestão só pode ser feita de acordo com as demandas de cada lugar, que não adianta o prefeito, o governador ou o presidente, que não adianta os vereadores, deputados ou senadores, que não adianta os secretários ou ministros definirem ações de suas cabeças, de acordo com seus gostos pessoais, que eles estão lá pra definir ações que contemplem os anseios da população, que estão lá pra gerir e administrar aquilo que é importante pro povo. E foi nesse clima, de identificar demandas, de avaliar a realidade e de prospectar o futuro que transcorreram as conferências municipais de cultura de Franco e de Morato. Os realizadores que se fizeram presentes falaram com propriedade das dificuldades locais e dos possíveis caminhos pra superar essas dificuldades. Falamos da falta de espaços físicos e simbólicos para a criação e produção artístico-cultural, da falta de apoio para que os artistas locais se desenvolvam e permaneçam em suas cidades de origem, da importância e urgência de se propor um projeto de registro da memória e história local, da importância e urgência em se pensar e criar um espaço onde as crianças possam ter acesso a arte de boa qualidade, da necessidade de se criar espaços para o lazer e para a fruição artística, da importância de um estabelecimento real de parceria entre a educação e a cultura, da necessidade de formação para os gestores e produtores culturais locais, da necessidade da formação e especialização dos artistas locais, da urgência de se reavaliar a forma como a Cultura vem sendo gerida, de buscar uma forma de mapear os espaços, territórios, manifestações e realizadores culturais, da importância de se fazer um cadastro e também de socializar essas informações, da importância de que o governo haja com transparência em cada uma de suas ações, desde a concepção até a prestação de contas, mas falamos principalmente do nosso desejo de definir junto com a administração pública os rumos que a área da cultural deve seguir. Falamos da nossa necessidade de buscar caminhos para que esse diálogo entre poder público e sociedade civil seja contínuo e pra isso sugerimos que outros encontros acontecessem, nos comprometemos com a criação de um conselho municipal de políticas públicas em Franco da Rocha e com a reativação do Conselho Municipal de Cultura de Francisco Morato. Falamos do nosso desejo de que nossas cidades integrem o Sistema Nacional de Cultura e assim, comecemos desde já a criar e trilhar um caminho em busca de uma sociedade menos injusta, mais sensível e humana. E se você, que está lendo esse texto agora não teve a oportunidade de participar das conferências, ainda está em tempo... envolva-se, participe, transforme. Faça surgir a mudança que você tanto deseja!!! .::

"A arte é um dos meios que une os homens."

Leon Tolstoi


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imagem: Stock.XCHNG - www.sxc.hu

PLEBISCITO OU REFERENDO? Canção para um rebelde COITADO DO POVO BRASILEIRO... Por: Tiago Henrique Por: Remisson Aniceto

Coitado do povo brasileiro, quando, no plebiscito de 21 de abril de 1993, consultado, decidiu manter a República Presidencialista como sistema de governo. De lá pra cá, tendo a liberdade de votar, mesmo assim na maioria das vezes escolhemos os representantes errados para os governos. Desde então, o que o Estado, astuto, matreiro, observador, que sempre se antecipa aos clamores populares, fez em favor da Nação? Como o povo, notadamente carente de educação e cultura, saberá o que é “matéria de acentuada relevância”? Para que proposição, aprovação, calendário, campanha, votação e legislação, para então o Congresso Nacional elaborar uma leizinha ou um atozinho, que certamente terá “mudancinhas” catastróficas na ideia original que, infelizmente, não é oriunda da população? O povo terá que pedir outro plebiscito para mudar novamente esta lei ainda nas fraldas? Além do mais, há tanta lei para ser criada, tanta lei pra ser mudada, que um plebiscito ou um referendo é ninharia. Se é o Congresso Nacional, através do Artigo 49º da Carta Magna, que decide se uma medida de interesse nacional deve ser submetida a um plebiscito ou referendo, se é o Congresso Nacional que convoca a consulta e que enumera as perguntas que serão realizadas, então qual o poder da Dilma Rousseff nestas questões, se ela pode sugerir um plebiscito, mas só deputados e senadores podem aprová-lo? Vejam que o povo não está propondo mudanças, que o Estado decide o que fazer, como fazer, enumerando o que será mais adequado para ele Estado e não para a população. Esta votará nas propostas do governo e não dela. É quase certo que, quando as leis chegarem para consulta popular, elas já terão sido aprovadas pelo Congresso Nacional, o que transforma antecipadamente o plebiscito em referendo. E as leis, cujos textos só podem ser interpretados por pouquíssimas pessoas (até a maioria dos políticos não são capazes desta proeza), já estarão, desta forma, aprovadas an-

tes do plebiscito. Quem pode dizer que o Estatuto do Desarmamento de 2005, que já havia sido aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado, foi algo grandioso, transformador? As pessoas continuam sendo mortas na mesma ou maior proporção assaltadas nas ruas, nos ônibus, nas lojas, nas casas. Falta realmente uma Lei que seja aplicada e cumprida nestes casos. Em outras épocas e em outros países, como França e Estados Unidos, por exemplo, leis eram implantadas por imposição do povo, que se revoltava fortemente contra os governos, contra as ações absurdas dos governantes. Estas revoltas iam ganhando mais volume e maior força e a população, mesmo com grandes baixas, não recuava, obrigando os Estados a retrocederem e promoverem as mudanças. No Brasil sempre foi diferente. A Proclamação da República foi um levante político-militar que derrubou a Monarquia. Cadê a participação popular? A Lei Áurea foi assinada pela Princesa Isabel, mas sem qualquer pressão do povo, nem mesmo dos escravos negros. Nunca houve algo realmente grandioso e transformador na história do país que fosse provocado pelo movimento popular. O que precisa ser feito é uma mudança na Constituição. Não pode? Apenas porque os políticos dizem que não se pode mexer na Constituição? Como não? Basta querer. Pois somente plebiscito ou referendo não adiantam. Um detalhe ou outro de uma leizinha ou outra, uma nova leizinha que não trará grandes benefícios senão para os próprios políticos, de que servirão? Há questões maiores cujas soluções dependem de grandes alterações e de novas e fortes leis, que, na sua criação, esbarrarão em tantas entrelinhas desta antiga Constituição que jamais sairão do papel. Como a Constituição, cuja maior parte só existe ali, naquele calhamaço, roncando, dormindo, hibernando, apodrecendo inútil, infrutífera, exatamente como a política brasileira. .::

9 Saiba: blogduoxe.blogspot.com Siga: @informativo_oxe Curta: Produtora Ôxe!

"Unir-se é um bom começo, manter a união é um progresso e trabalhar em conjunto é a vitória"

Henry Ford

a Fernando P. Cardoso

No ato em que tu ergues a bandeira de um povo que ainda não se findou, mostras, tão muito, a maneira como este povo respira na dor. Defendes, com tua mão, as pedras e, com mais esmero, os ciscos do chão, porque tudo são pertences da terra em que nutristes tu e teu irmão. E quem extrai de qualquer eito esta garrida vontade de mudança, tão igual a ti, será eleito para reduzir os nós da infâmia. Tanto sabes que são coisas de sangue o teu grito em comunhão com a liberdade. Será por isso que zelas cada instante como as chaves difíceis da eternidade? Frente à vil sujeira do caminho, tua marcha convida o grande povo a desfilar, audaz, contra o inimigo. E nas ruas e praças passam todos, jovens e pais, senhores e filhos, a bradar por liberdade em estribilho, pela conquista triunfal de um tempo novo. Assim, tu lutas, exercendo milagres reais e possíveis na vontade comum dos homens, cujo sentido são as inspirações naturais de uma força que iguais todos consomem. Verter a morte em vida é um dom material que está nas guerrilhas gerais do anti-mundo do mártir ainda vivo, embora já imortal nas asas do seu povo dissoluto. .::


PRECISO APRENDER BEIJAR

Por: Messias Silva

evoluiu depois do beijo inocente, Na astrologia a natureza do beijar a influência, através do signo, a boca à almejar, Aries e Leão aplicam o beijo ardente Capricórnio vai esquentando lentamente, Touro prolonga; Escorpião o apaixonado Aquário o criativo; Virgem o calculado, Gêmeos o rápido; Libra o desinibido Câncer o meigo; Peixes o gostoso; Sagitário o decidido, Todo estilo de beijar estudei me vacinar, dos teus, não deu, A beijar ensinei estagiários desde o aprendiz todavia, dos teus, me livrar não aprendi... .::

Contra Tempo

Por: Régis Andrade

imagem: Stock.XCHNG - www.sxc.hu

Gostaria, eu, de aprender beijar pensei tudo, desse prazer, manjar, O primeiro beijo que percebi foi de minha mãe que recebi, Mamãe, para me beijar, esperou um tempinho ela dizia que eu não podia contrair sapinho, Ganhei beijinhos, na bochecha, com gosto a maioria, estalados, no rosto, Sempre levei beijos-de-tabela até hoje levo beijos de mulheres belas, Beijado, fui, mas, não beijei quando criança, beijar, não desejei, Depois cresci e gostei dos estalinhos das beijocas e dos selinhos, Mas ainda não aprendi beijar certo como o beijoqueiro nato ainda acerto, Não como àquele maluco que beija os astros por lucro, Ele é beijador desencanado surpreende os famosos com o beijo-danado, Desafia seguranças debaixo dum caboclo ao objetivo, lasca o beijo-louco, Passa dias à ocular para a, seleta, vítima oscular, O célebre beijoqueiro deixa muitos trôpegos ao dar, nos artistas, o beijo-sôfrego, Nos braços da polícia o vívido homem-longevo da viatura, joga beijos de longe, Não consigo beijar de boca colada a nêga me beijou de boca calada, Quando, por ela, fui beijado notei que fui manejado, Para as outras, beijou-me esnobe com olhos fechados, uma boa manobra, Conquisto beijos por MSN e por pensamento fora os que ganho pessoalmente, Muitos levam vida lascívia beijam, de língua, o demorado beijo-lascivo, Muita gente desistiu de beijar demais deviam ver que o beijo veio dos animais, O homem descobriu que o beijo não é recente

Eu vi tristeza em seu rosto quando soube que ele não virias pra você foi doloroso pra ele a dor o impediu. ¨Nem tudo na vida é como a gente quer sempre há, seus contratempos então aproveitem quando juntos estiverem; todos os bons momentos¨. A distância carnal é dolorosa anestesiar é encurtar com pensamentos Que produz sua imagem de forma real tentando amenizar o sofrimento. Veja só o retratar dessa vida E a forma que você retratou O enfocar da vida tem muita nitidez O que você focou? você ainda não revelou... .::

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Duros dias para Sonhar

Por: Pamela Gabrielle

Em dias difíceis para sonhar Habitei o esconderijo das sombras Estive com poetas Me fiz pensadora Habitei as nuvens, os vazios, os espaços... Nestes dias, A morte falava E eu atarraxava os fones nos ouvidos Fingindo que lá ela não estava. Difíceis dias para sonhar, Quando quem falava, acredite, era mamãe Que eu não devia tentar. E eu gritava, porque não queria acreditar, não queria escutar. Caminhei descalça em chão de estrelas Em chão de terra, chão de pedras Vejo muitos mencionarem a mudança, Menos ainda, os que querem fazer parte dela Ouço vozes, ouço gritos De uma revolução que não sai da panela. Um presente me veio após o sonho, Aberto o laço e descubro: É o hoje. Ele é lindo para os que apreciam, E selvagem para os que o encaram. Enxergá-lo com as lentes da periferia É reinventá-lo dia-a-dia. O cotidiano é nocivo. Atenção é redobrada As cores apontam ao perigo. Mais um dia, e sou a bússola de meus filhos Eu dou o norte e eles sabem encontrar o sul. Eu sou resistência E eles compõem minha existência. Mas um dia e todo o meu respeito Aos que somam e aos que representam a Resiliência. Transformar esperanças em possibilidades Mato angústias entre pernilongos. Transformar sonhos em realidade. Eu digo, os dias são duros. Mas, só dizê-lo não dará condição de vencê-lo. Eu me recuso calar, eu me recuso ser massa, Recuso-me ser eu mesma, se quiser ser outra. Recuso-me ser um espírito de dor, sem identidade, que vem e que passa. Pisando duro, sigo em marcha. Meus pés tem a dureza do chão que piso Minhas costas se curvam às toneladas dos meus sonhos E eu não curvo minhas ideias pra qualquer riso Os dias são duros para os sonhadores E, eu não os desperdiço, Eles me fazem crer em mim mesma Crer num potencial que está além do eu De pedras, areias, estrelas esse chão é meu, E de todas e todos que marcham. Com destinos em comum. Trocam ideias, dividem essências. Não ouse pensar que são mais um.

imagem: Stock.XCHNG - www.sxc.hu // fotomontagem: Roger Neves

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Dos que resistem, existem e insistem todos somos um.

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Agosto / 201 3

::. Betto Souza

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Vi si t a p a p al

Por: Sidney Santos

imagem: Tânia Rêgo/ABr - ebc.com.br

Estamos diante da presença ilustre do representante maior da Igreja Católica Apostólica Romana aqui no País das Maravilhas (BRASIL). Diante de um acontecimento que as autoridades entendem como Evento Histórico me coloco à disposição para fazer análises e me fazer algumas perguntas, embora não terei respostas. Muito bom o Papa e sua delegação cristã vir ao Brasil fazer peregrinação, visitar alguns órgãos públicos e incentivar crianças a ter bons comportamentos e sempre estar nos caminhos do Senhor. O que realmente me incomoda é saber que uma simples visita gasta tanto dinheiro, e que esse dinheiro vem das economias e arrecadação que o Governo faz nas cobranças de impostos que sabemos que aqui no Brasil são um absurdo os valores. E que esse dinheiro cobrado tem que ser obrigatoriamente convertido em serviços públicos como habitação, transporte, saúde, educação, etc. Embora saibam que as devidas condições que passamos com os atendimentos públicos por parte

governamental em todos os seguimentos; como pode desembolsar 18 milhões de reais numa recepção tão calorosa sabendo que passamos por necessidades públicas aqui no país das maravilhas? Sem contar que acabamos de passar por um enorme assalto nos cofres públicos para realização de um campeonato futebolístico que a FIFA produziu e vai produzir nos próximos períodos! Imagina só o quanto esses 18 milhões de reais poderiam nos adiantar se fossem gastos nas Santas Casas que estão agonizando nas inúmeras periferias espalhadas na cidade de São Paulo? E faço uma pergunta: Porque uma pessoa como o Papa que é tão querida pela população precisaria de tanta segurança policial para desfilar nas ruas do Rio de Janeiro? Será que ele não está fazendo o papel dele? Ou a igreja já não está sendo tão aceita por uma boa parte de seus seguidores? Estão se esquecendo das cartilhas a serem seguidas. Cêtámaluco. .::

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Ôxe! - Agosto de 2013