COLEÇÃO
MITO 4
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A inclusão financeira exige tecnologias caras e de difícil acesso
A REALIDADE Em muitos países em desenvolvimento, as inovações tecnológicas estão a revolucionar a indústria financeira e a promover o acesso simples e barato a serviços financeiros (poupanças, pagamentos, remessas, crédito, seguros, investimentos) sem que seja necessário equipamento de alta tecnologia, um alto nível de conhecimento, ou até uma conta bancária. Os pagamentos digitais e eletrónicos têm subido exponencialmente em muitos países pobres, devido ao fácil acesso a telefones móveis. Para as pessoas que vivem em zonas rurais ou remotas, onde não existem instituições financeiras, ou mesmo para as populações mais pobres e marginalizadas nas zonas urbanas, que têm grandes dificuldades de acesso a crédito, por exemplo, as inovações nos serviços financeiros digitais têm contribuído grandemente para a sua inclusão financeira. O número de pessoas que realiza pagamentos e várias transações financeiras online, bem como o número de pequenas e médias empresas com acesso rápido a crédito tem crescido exponencialmente em muitos países. A África e a Ásia, regiões do mundo onde se registam maiores dificuldades de inclusão financeira e de cobertura da internet, são também as regiões onde o uso de telemóveis e das transações financeiras digitais mais têm crescido, pelo seu baixo custo e facilidade de acesso. Estima-se que o alargamento das finanças digitais possa, até 2025, disponibilizar acesso a serviços financeiros a 1,6 mil milhões de pessoas, gerar 95 milhões de novos postos de trabalho em vários setores, e contribuir para a coleta de impostos e a mobilização de recursos financeiros internos, os quais poderão ser afetados a prioridades essenciais para o desenvolvimento, como a saúde e a educação12.
12 Ver Busting the 10 Myths of Financial Inclusion. Development Asia, novembro de 2016, e a Global Findex Database 2017, do Banco Mundial.