COMÉRCIO, FINANÇAS E DESENVOLVIMENTO
MITO 3 Os países mais pobres recebem muitos fundos e financiamentos dos países mais desenvolvidos
A REALIDADE A ajuda ao desenvolvimento e o investimento direto estrangeiro são, para além das remessas dos emigrantes, recursos importantes para o desenvolvimento dos países, particularmente dos países mais vulneráveis, mais pobres e com maiores necessidades. Relativamente à ajuda ao desenvolvimento, enfatiza-se frequentemente a generosidade dos doadores e os montantes elevados investidos ao longo de décadas de cooperação para o desenvolvimento. No entanto, os factos têm demonstrado que os fluxos financeiros provenientes dos países de rendimento mais elevado para os países de rendimento mais baixo são, na realidade, menores do que os fluxos financeiros que saem dos países mais pobres para os países mais ricos. Estima-se que, desde 1980, os países em desenvolvimento tenham perdido cerca de 16.3 biliões de USD através de fluxos financeiros ilícitos, evasão fiscal de empresas internacionais, faturação comercial fraudulenta, corrupção e transferências financeiras para paraísos fiscais (Global Financial Integrity et al, 2015). Em África, os dados mostram que, por cada dólar recebido no continente – em ajuda ao desenvolvimento, contribuições filantrópicas, investimento e outros fluxos oficiais - saem dois dólares do continente – em pagamentos de juros da dívida, em lucros dos investidores estrangeiros e em fluxos ilícitos (UA/UNECA, 2015). Assim, as transferências financeiras líquidas têm tido um saldo negativo para os países em desenvolvimento, o que tem efeitos prejudiciais no crescimento, reforça as desigualdades globais e gera custos sociais enormes para os países, uma vez que esses recursos poderiam ser investidos no seu desenvolvimento. A falta de transparência e regulação nos sistemas financeiros contribui para exacerbar este problema.
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