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Estudo Comércio, Finanças e Desenvolvimento

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COMÉRCIO, FINANÇAS E DESENVOLVIMENTO

2.1. O COMÉRCIO E FINANÇAS BENEFICIAM OS MAIS POBRES? O comércio, o desenvolvimento e a redução da pobreza estão interligados: o comércio pode ser um fator importante de desenvolvimento económico e as políticas comerciais são uma ferramenta importante nos processos de desenvolvimento. Em teoria, o comércio tem impactos positivos a vários níveis: – Pode gerar crescimento através de maiores oportunidades comerciais e de investimento, alagando a base produtiva por via do desenvolvimento do setor privado; – Aumenta a competitividade ao ajudar os países a reduzirem o custo dos inputs, a aceder a financiamento através de investimentos, a aumentar o valor acrescentado dos seus produtos e a acederem às cadeias de valor globais; – Pode facilitar a diversificação de exportações ao permitir que os países acedam a novos mercados e novos materiais e produtos, que abrem novas possibilidades de produção; – Encoraja a inovação ao promover a troca de conhecimentos, tecnologia e investimento na investigação e desenvolvimento; – Expande as oportunidades de negócio para as empresas locais, ao abrir novos mercados, remover barreiras desnecessárias e tornando mais fáceis as exportações­; – Alarga as possibilidades de escolha e baixa os preços para os consumidores, ao alargar as fontes de fornecimento de bens e serviços; – Tem um papel na melhoria da qualidade e dos padrões laborais e ambientais, ao reforçar a partilha de boas práticas entre parceiros comerciais e o escrutínio internacional; – Contribui para a paz e estabilidade, uma vez que a probabilidade de conflitos é menor em países com maior volume de comércio e com trocas mutuamente benéficas; – Pode criar oportunidades de emprego, traduzindo-se portanto em maior estabilidade de rendimento e em melhores condições de vida. No entanto, a prática difere frequentemente da teoria, uma vez que vários fatores podem confluir para que estas oportunidades não se concretizem. Um maior volume de comércio não significa necessariamente mais desenvolvimento, nem uma partilha equitativa desses benefícios por todos. Na realidade, os impactos do comércio no desenvolvimento variam muito, entre países e dentro dos países, dependendo de vários fatores internos e externos. No passado, em muitos países, as exportações foram um fator preponderante para o aumento da produtividade, com a criação de economias de escala e a introdução de novas técnicas de produção. Os países que mais se desenvolvem são também, tipicamente, aqueles que se integram na economia mundial e nas cadeias de valor, aproveitando oportunidades comerciais e financeiras. No entanto, em muitos casos também, o livre comércio, tal como tem sido implementado, faz com que os países mais pobres tenham especial dificuldade em implementarem processos de industrialização e transformação que lhes permitam diversificar e reconverter a economia, para gerar um desenvolvimento menos desigual, mais integrado e coerente.

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