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Estudo Comércio, Finanças e Desenvolvimento

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COMÉRCIO, FINANÇAS E DESENVOLVIMENTO

mantido relativamente estável nos últimos anos, a sua composição releva uma grande concentração em termos geográficos e setoriais. Há um enfoque evidente na China e outras economias asiáticas, em detrimento dos países mais pobres do mundo, onde o investimento tem vindo a diminuir (p.ex. em África diminuiu 21% entre 2016 e 2017). Nos países mais pobres, os investimentos estão frequentemente concentrados em setores de capital intensivo e não de mão-de-obra intensiva (como é o caso do setor extrativo, petrolífero e mineiro), não tendo grande impacto no aumento da capacidade produtiva e dos países, nem na criação de emprego. Continua a verificar-se uma grande necessidade de investimentos em setores que contribuam para o desenvolvimento sustentável. FIG.5

FLUXOS DO INVESTIMENTO DIRETO EXTERNO NO MUNDO, POR TIPO DE ECONOMIA (2005-2017)

Fonte: CNUCED, 2018b.

Com efeito, após a crise financeira de 2008-09, muitos países conseguiram retomar uma trajetória de crescimento, mas esse crescimento não tem gerado emprego nem aumentado as oportunidades de trabalho digno, que é um dos maiores desafios dos países mais pobres. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que seja necessário criar mais de 600 milhões de postos de trabalho até 2030, apenas para conseguir corresponder ao crescimento da população em idade ativa, particularmente nos países em desenvolvimento. Isto para além de ser necessário melhorar as condições de trabalho para os cerca de 780 milhões de homens e mulheres que trabalham mas que não conseguem ter uma remuneração que lhes permita sair do limiar da pobreza. A criação de emprego digno e de qualidade é, portanto, fundamental para assegurar um desenvolvimento mais sustentado e inclusivo.

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