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RELEITURA DO PLANO ORIGINAL DE BRASÍLIA EM ESPAÇOS OCIOSOS NA RODOVIÁRIA DO PLANO PILOTO


ILANA ZEIGERMAN | SUYENE ARAKAKI | PROJETO DE DIPLOMAÇÃO II | ARQUITETURA E URBANISMO | UniCEUB | 2°/2018

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ÍNDICE:

05 07 15 21 37 47 60 63 64 65

Índice Introdução Contexto Conceitos A proposta Referências Premissas Agradecimentos Créditos Bibliografia

CADERNO INTUITIVO Para melhor visualização acessar:

Ou pelo link: issuu.com/ilanazeigerman/docs/releitura_do_plano_original_de_bras

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INTRO DUÇÃO

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Maria | Fiscal de Transporte Rodoviário Maria Das Graças de Lourdes trabalha como Fiscal de Transporte Rodoviário em Brasília. Sua rotina começa ao descer do ônibus na Rodoviária do Plano Piloto e seguir o caminho de seu trajeto diário até o ponto onde é seu local de trabalho. Circunstâncias, encontros, olhares e relações compõem sua trajetória na rodoviária mas, o que passa pelos olhos de Maria? Como é a sua rotina na rodoviária do plano piloto?

Percurso usual de sua rotina Foi feito um estudo com este caso de Maria, ao filmar, retratar e relatar tudo que vê diariamente em seu local de trabalho. Seus passos, diante dos milhares, permeiam entre o demasiado número de usuários que integram a nossa macro-estrutura articuladora do desenho urbano do Plano Piloto, a famosa “rodô”, localizada no coração da capital.

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Observa sempre os inúmeros camelôs e objetos de vendas que ocupam os pisos da Plataforma.

P O D M

E L E A

L H

O S O S

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I

A


Muros interpretando o horizonte permanente Entre aqueles de passos apressados e os tranquilos, o contexto permanece o mesmo. Mirando os grandes pilares de 1,10x2,15m, as paredes monumentais aparecem em ênfase nas extremidades da plataforma. Singelas e modestas, aparentam ser apenas muros estruturais da obra de Lucio Costa com Juscelino Kubitschek. Mas, de fato, elas se limitam apenas à este papel? O que há por trás delas?

Planos permanentes do cotidiano brasiliense Os cenários são os mesmos. Planos de fundos imutáveis que, entre eixos paralelos e o perpendiculares, acompanham vidas dinâmicas que se entrelaçam. Diante das passagens efêmeras comparadas aos portes levantados no século passado, a rodoviária atua como palco para aqueles que usufruem dessa estrutura, conduzidos a determinados trajetos já pré-estabelecidos.

MAS O QUE EXISTE ATRÁS DOS MUROS QUE COMPÕE A ROTINA DA RODOVIÁRIA? 9


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DESCONTRUÇÃO | ENXERGAR ALÉM | ATMOSFERA OCULTA ATIVA | VIDA PÚBLICA NUM INTERIOR | APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO OCIOSO | FUNCIONAMENTO DE UMA CIDADE DE DENTRO PRA FORA | ATRAVESSE AS APARÊNCIAS | VALORIZAÇÃO DO ORDINÁRIO | OURO NO COTIDIANO Por trás do que as cerâmicas brancas omitem, esta área enorme é preenchida em 70% de terra e os 30% restantes são ocos. Existe apenas um único acesso à este terreno por uma porta estreita e discreta, virada para o Eixo Rodoviário, conhecido como “Eixão”.

O caixão perdido! É um espaço monstruoso atrás dos muros brancos da rodoviária do Plano Piloto de Brasília, escondido pela rotina apressada dos que passam pelo centro da cidade.

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CA PE


IXĂƒO RDIDO

O segredo por trĂĄs das mais aparentes paredes 11


Estas áreas de aproximadamente 10.000m² são resultado da solução topográfica adotada por Lucio Costa na construçaõ da Plataforma Rodoviária do Plano Piloto, em 1959. A finalidade das grandes paredes que circulam o terreno era destinada à vedação entre os grandes pilares de concreto e, devido à estas circunstâncias, não houve nenhuma previsão de uso para o local.

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CON TEXTO 15


Em 2003, a NOVACAP elaborou uma proposta de ocupação dos caixões perdidos. O projeto consiste na criação de um nível intermediário e, ao todo, os 3 pavimentos seriam destinados ao uso de estacionamento, alimentando veículos das escalas monumental e gregária do Distrito Federal. Nesta época, foram realizadas inspeções profundas no caixão perdido pelos funcionários da empresa. Foi feito um acesso pelo nível das praças centrais no piso superior da plataforma. Desta maneira, foi possível executar testes na estrutura de concreto para manutenção, mapeamento de áreas degradadas e o levantamento completo das condições locais. Houve uma consulta direta à estes relatórios, acompanhados das plantas originais do terreno fornecidas pela NOVACAP para a execução inteiramente compatível deste projeto.

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No cinquentário de Brasília, o Decanato de Extensão da Universidade de Brasília (DEX-UnB) conjuntamente com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-UnB) (instituição promotora), em conjunto com o Instituto dos Arquitetos do Brasil do Distrito Federal (IAB-DF), anunciou o Concurso Internacional de Ideias Brasília +50 “Setores Centrais do Plano Piloto de Brasília Rumo ao Centenário”. A equipe vencedora era formada por 4 estudantes de arquitetura e urbanismo da universidade Univates, em Lajeado (RS), e consistia na criação de 3 níveis de pavimentos também, onde o térreo seria ocupado por estacionamento, o intermediário e a cobertura seriam para a finalidade de cultura e lazer, com uma praça superior. Esta seria possível devido à uma proposta de remanejamento do fluxo de veículos.

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N

Existem 4 caixões perdidos no total, localizado um em cada extremidade do complexo rodoviário. Serão propostos usos para cada um deles, porém, o objeto de estudo detalhado do projeto será limitado ao que está localizado em frente ao Teatro Nacional, como mostram as figuras.

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ENXERGAR ALÉM

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REQUALIFICAÇÃO URBANA

MUDANÇA DE USO


A proposta visa estabelecer essa área não como um elemento isolado, mas como participante de um terminal rodoviário inteiro composto por ações físicas e sensoriais, garantindo o potencial de apropriação em espaços vazios. Sem desconsiderar a solução topográfica do centro da cidade proposto no plano original de Brasília, o projeto baseia-se em 3 conceitos primordiais como alicerces, sendo estes identificados como contemporâneos e modernos a par dos acontecimentos da capital, reafirmando sua participação na cidade.

CON CEITOS 21


SER CURIOSO OLHAR ATRÁS DO CONVENCIONAL

PLANTAR O NOVO 22

Enxergar Além Consiste em ser curioso à ponto de vencer fronteiras pré-estabelecidas. É vencer as limitações diárias, dentre tantas àquelas visuais e físicas. É enxergar o potencial em espaços considerados mortos. Olhar atrás do convencional, não se deixar enganar pela aparências ao pé da letra. É potencializar a descontrução concreta, mas também a abstrata. Usufruir do velho buscando o novo. É saber valorizar o ordinário. Feito isso, é possível plantar o novo, abrir a porta do desconhecido, redefinir as experiências urbanas já desvalorizadas pelos cidadãos. É caminhar razoavelmente. Crescer. Evoluir.


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RETROFIT VAZIO URBANO ÁREA CENTRAL

SETOR CULTURAL, EDUCACIONAL E SOCIAL

SUSTENTÁVEL E ECONÔMICO EM ESTRUTURA E FINANCEIRO

Requalificação Urbana Este conceito, junto ao retrofit, implica em aproveitar de um espaço já considerado ultrapassado para uma finalidade de uso moderno. No caso deste projeto, consiste em usufruir de um vazio urbano em uma área central para a apropriação cultural, educacional e social, conservando a estrutura original. Neste contexto, a proposta é sustentável por ter a economia de material, utilizando baixos recursos e tornando-se acessível em vários quesitos, inclusive financeiramente por não exigir um novo espaço. Em relação ao terreno, é necessário moldar-se de acordo com as normas locais, além das leis de tombamento da construção. Neste caso, foram feitas consultas ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que, resumidamente, constatou ser necessário a preservação do desenho urbano e viário local, o gabarito baixo de acordo com o projeto original da plataforma rodoviária, mantendo o seu partido horizontal e interferência visual nula, além de conservar a área verde local, ou seja, as praças. “[...] preservação da PFR como traço de união e ponto de convergência já consolidado do complexo rodoviário, conservação do gabarito baixo do centro, preservação das praças e do partido horizontal com a interferência visual nula [...]” Carta de Lúcio Costa em resposta ao presidente IPHAN Ítalo Campofiorito Portaria nº 314/1992

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Mudança De Uso Brasília está adotando cada vez mais este conceito com eventos como o eixão do lazer, a festa do túnel do lago norte, forró da vitrola, hidden e bar, cinema ao ar livre e entre outros. A cidade está em constante mudança adapdando-se às dinâmicas e demandas atuais, apropriando-se de áreas urbanas que, em determinada parte do dia, fica em desuso. Deste modo, é possível a interpretação dos mais diversos papéis em um só lugar físico.

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Estas mudanças de uso estão relacionadas à intervenção e valorização do espaço público movidos pelo interesse social. O próprio terminal rodoviário de Brasília, marco zero da capital, ponto de cruzamento entre os eixos norte e sul, além do eixo monumental com o rodoviário, evidencia este fator com clareza. O ponto em que toda a população que mora fora entra em contato com a cidade, foi originalmente pensado por Lucio Costa como algo requintado, estilo cosmopolita. O próprio autor ficou abismado ao perceber que seu uso sofreu modificações, essa massa que vive fora e converge para a rodoviária faz dela a sua casa, protelam lá até a volta para suas cidades-satélites. Ainda assim, não seria um motivo de possível insucesso do plano original do projeto, uma vez que a população usufrue da construção da maneira que julga ser mais conveniente. Ao se observar este cenário, convém estudar propostas que estejam a par das mais dramáticas mudanças, flexibilizando todas as possíveis ocupações do local. Este conceito de mudança de uso é empregado primordialmente como um dos pontos de partida do Projeto de Diplomação, aliado ao seu potencial trabalhado nas áreas onde se encontram os caixões perdidos na Plataforma Rodoviária do Plano Piloto.

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AMBIENTE DE TRABALHO

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Além desta forma apresentada na qual o complexo rodoviário usufrue do termo mudança de uso ao longo dos anos, o conceito é praticado diariamente no centro de Brasília. O terminal interpreta diversos papéis no cotidiano brasilense: atuando como parte do percurso de deslocamento até o destino final (por veículos, bicicletas ou pedestres) ou interpretando o papel de ambiente de trabalho. São motoristas, flanelinhas, funcionários da limpeza, camelôs, entre outros, que dividem os pisos do centro da capital repetidamente ao longo dos anos. Por último mas não menos importante, existe outra famosa disputa por estes pisos e outro nome dado ao terminal de ônibus: casa. Em números cada vez maiores, os moradores de rua do centro sempre estão presentes.


Esta disputa pela superfície das lajes apenas aumenta ao decorrer dos anos. Os camelôs ocupam qualquer posição obsoleta que tem a possibilidade de preencher parte do percurso do usuário no local e, mesmo com intervenções do governo para a realocação de suas vendas, os panos permanecem no chão. Estes trabalhadores predominam de forma intensa na região mesmo que, na maioria das vezes, ilegal. Mesmo que fora da lei, o contato direto com o chão nas seguidas horas de gritaria caracterizam péssimas condições de vendas, quando deveria se ter uma área específica para esta finalidade. Parte do projeto consiste em uma área comercial destinada à atuação de vendas de maneira apropriada. Com um mobiliáro específico, a proposta é o resgate de dignidade dos ambulantes por meio da arquitetura. Pelo simples ato de mudar a área de exposição de vendas, as condições se tornam melhores, mais higiênicas, além de entrar para o campo de visão do cliente.

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Assim como para Maria Das Graças de Lourdes, a Rodoviária do Plano Piloto aparece no quotidiano de vários cidadãos diariamente. Brasília tem 2,6 milhões de habitantes e, todo dia, cerca de 500 mil pessoas passam pela plataforma central. Portanto, 20% de toda população da capital deixam suas pegadas nas superfícies lisas do coração da cidade, a qual está sempre em constante transformação, adequando-se à novas pessoas e dinâmicas modernas. O projeto visa, principalmente, moldar-se à favor da demanda atual da rodoviária, adaptando-se de modo flexível em todos os possíveis papéis interpretados a favor do usuário, visando a gentileza urbana, o fluxo contínuo, a boa comunicação vertical e horizontal, e aos maiores benefícios de usos que o local tem à oferecer para a sociedade.

2,6 milhões

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500 mil

20%


Em prol de uma proposta compatível ao máximo com o cenário atual da cidade e, principalmente, do seu centro, é necessário uma intensa pesquisa para levantamento e coleta de dados. Além disso, uma intervenção urbana localizada no ponto central de deslocamento da cidade exige uma convivência direta com os usuários, buscando maior proximidade das insatisfações e possíveis melhorias locais. Tendo este ponto de vista como base, foram realizados pequenas intervenções efêmeras nas inquietas passagens da rodoviária à fim de estabelecer uma interação com todos os frequentadores da região. Os turbulentos trajetos que, dia após dia, eram marcados pelos mesmos cenários, pelas mesmas paredes e os mesmos muros foram interrompidos por insinuações. A frase estampada sobre o revestimento branco “O que poderia ter atrás desse muro?” junto com desenhos de portas em locais estratégicos insinuavam o possível uso potencial em toda a ociosidade atrás do plano rígido.

A frase estampada sobre o revestimento branco “O que poderia ter atrás desse muro?” junto com desenhos de portas em locais estratégicos insinuavam o possível uso potencial em toda a ociosidade atrás do plano rígido.. Esta foi a intervenção da fachada ativa, onde foi simulado uma face de construção tridimensional, com entradas e saídas mutáveis. Como resposta à esta ação, houveram perguntas, discussões e sugestões dos 31


01 Pôsters foram expostos com possíveis sugestões de uso atrás dos muros e, em retorno, os interessados votavam em qual cenários lhe agradavam mais. Estes cartazes traziam ideias de ocupações com finalidades de lazer (como praças de permanência apropriadas com alimentação saudável e acessível), espaços esportivos (como pista de skate ou paredes de escalada), ou com intuito cultural (como cinema ao ar livre e festas)

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Notou-se então, a necessidade de ter um espaço aberto livre de insinuações ou sugestões pré-estabelecidas para maior voz do usuário. Este, por sua vez, permaneceu por alguns dias extendido em meio aos pilares monumentais da rodoviária, permitindo a aproximação espontânea dos curiosos, uma vez que não era necessária qualquer explicação sobre a pesquisa, sendo completamente intuitiva. Em meio à grafites, brincadeiras e anúncios de itens perdidos (ainda que possivelmente falte espaços para estes fins no local) surgiram os mais variados palpites. O sigilo dos autores anônimos entrevistados gerou entusiasmo. De maneira direta ou indireta, foi estabelecido uma convivência íntima com os frequentadores da plataforma rodoviária para que, assim, os usos para a proposta do projeto fossem compatíveis com a demanda local e determinados com base nos levantamentos específicos da região, executados ao longo destas intervenções efêmeras de pequena escala. O feedback e as interações foram muito satisfatório, tanto para a pesquisa como para questões pessoais.

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Higiene pessoal Convivência e lazer 70% Alimentação acessível Serviços 65% sociais Mobiliário público Acessibilidade do percurso 58% 58% 50%

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40%


Diversidade e inclusão social

mudança de uso e retrofit

apropriação do espaço público

educação, cultura, vivências e lazer

Houve um estudo voltado para identificar padrões nas respostas do público avaliado, seguido da setorização por macro tópicos principais. Concluiu-se, então, que grande parte dos usuários da Rodoviária de Brasília sentem falta, basicamente, do acesso à higiêne pessoal segura e em boas condições de uso (vestiários e banheiros). Aproximadamente 65% dos entrevistados carecem de espaços de convivência e lazer, voltado para áreas de permanência e conforto ambiental adequado para o coletivo. 58% apontou para a escassez de estabelecimentos comercializando alimentação acessível e saudável, e a mesma porcentagem defendeu a ideia de que é necessário serviços sociais prestativos e abundantes no local. Metade dos entrevistados mencionaram o desejo por equipamentos urbanos convenientes na região e, um pouco menos da metade, indicou a dificuldade no trajeto e percurso do pedestre principalmente. Porém, mais do que estas questões rígidas, notou-se em abundânica a ausência da sensação de pertencimento, capacitação e conforto no local em relação à população que frequenta a Rodoviária, além da maior questão omitida: a falta de inclusão social.

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PRO POSTA

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PROPOSTA DE OCUPAÇÃO N 0

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Foram estabelecidos então os seguintes usos: o espaço ocioso perto do Conic seria destinado à um centro esportivo e lazer, logo abaixo na área próxima ao Touring Club seria usufruída como um centro de serviço social e atendimento, à direita perto do conjunto nacional funcionaria um centro de alimentação acessível e comércio e, por último, em frente ao teatro nacional, atuaria o centro de capacitação e interação. Sendo este último, o objeto de estudo do Projeto de Diplomação.


Estrutura original preservada

Envoltรณrio em rasgos

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1º 40

O primeiro pavimento se dispõe à convidar o usuário que caminha na área externa para conhecer seu interior cômodo e conveniente, seja qual for o perfil do visitante. Sua pele de vidro externa recuada, como primeiro contato, proporciona um acolhimento intenso inicial, além de criar resultados como áreas de convivência e permanência agradáveis. O restaurante produz uma alimentação saudável considerada acessível ao público local, seguido da cozinha, área de carga e descarga e os vestiários para funcionários, conforme as normas exigem. Há um café acomodado na área de estacionamento, garantindo toda a acessibilidade necessária por cadeirantes.


No segundo pavimento, ao final da passarela externa, estão localizados as rampas que permeiam o projeto deste nível intermediário para a cobertura. Entre elas, encontram-se o coworking público ao lado do café e, na extremidade paralela, há ateliês, bibliotecas abertas e espaços de livre wi-fi. A garagem alcança este outro nível também permitindo, assim, a realocação completa de todas as vagas originais do terreno, acompanhada de toda estrutura necessária para o deslocamente de um possível cadeirante.

16,05 11,40 6,30

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3º 16,05 11,40

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A cobertura superior têm como objetivo principal a livre circulação de pedestres, ao segregar o fluxo de veículos dos demais, além de torná-lo contínuo. O café com sua cobertura permite sombra e conforto ambiental agradável ao ambiente, com a intensa vegetação local.


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REFE RÊNCIAS

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O terminal de cruzeiros de Carrilho das Graças, localizado em Lisboa, foi a principal referência deste projeto. Sua casca externa descolado do primeiro plano de contato com o interior da construção proporciona espaços de convivências e permanências adaptados para o caso do caixão perdido, ao reproduzir a pele de vidro recuada.

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O constante uso de rampas facilitando o acesso e a livre interação entre os níveis foi levada para o projeto do caixão perdido. Além disso, o uso de passarela externa facilitando o percurso do pedestre também foi utilizado beneficiando os caminhos internos e externos.

TERMINAL

A praça referencial que mantém uma comunicação funcional e efetiva com os demais níveis inferiores foi a principal premissa para os grandes rasgos e aberturas zenitais da cobertura do projeto de Diplomação.


DE CRUZEIROS A principal referência aproveitada do projeto de Carrilho das graças foi a presença de seus rígidos traços presentes no envoltório em rasgos, atribuindo movimento e dinâmica ao projeto. O projeto do Caixão Perdido usufrui desta técnica na casca externa, além de ser crucial na elaboração do layout interno dos pavimentos. As diagonais imprevisíveis relacionam de maneira aberta e convidativa os elementos do exterior da construção, com os do interior, mantendo uma comunicação acessível, um conforto ambiental adequado e mantendo-se sempre fiel ao partido principal.

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Redirecionamento do fluxo original de veículos, destinado à segreção de usos do solo isolando a área destinada somente à pedestres, proporcionando, assim, terrenos extensos de praças e vegetação intensa no local. Além disso, a via se manteria contínua fazendo o uso de recursos para abaixar a velocidade, se preciso, mas sem a condição de juntar com regiões sensíveis. Esta solução foi adotada na proposta de ocupação de uso da NOVACAP como foi apresentado, além de estar presente, também, no concurso de ideias Brasília +50 pelo projeto vencedor.

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Ao se estudar os principais fluxos da Rodoviária de Brasília, notou-se a carência de espaços voltados somente para pedestres, além da falta de comunicação entre os níveis do terminal. Dito isso, a proposta inclui uma passarela externa resgatando a continuidade no caminho do usuário, favorecendo suas travessias e segurança do local.

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A passarela externa começa na rampa próximo ao terminal da rodoviária, e atravessa no nível intermediário o eixo monumental. Suportada por tirantes em tubos de aços de seção redonda, a presença de contraventamentos é extremamente necessária, tanto na parte superior da passarela, como no sentido paralelo ao longo de sua extensão, da rampa até a edificação. Preso por parafusos parabolt, os tubos apoiam em peças de fixação específicas sustentando a sequência de contraventamentos.


Sustentada por vigas que acompanham toda a passarela no mesmo sentido, existe constantemente a presença das duplas de vigas seja na parte superior - onde os contraventamentos horizontais e verticais são descarregados - quanto na parte inferior acolhenado as vigas perpendiculares em perfil I. Estas vigas inferiores perpendiculares apoiam o piso de chapa metálica expandida, possibilitando a permeabilidade de ventos ao longo do trajeto do pedestre. Este vínculo afetivo com os ventos são evidenciados também na decisão de descolar a pele de vidro do limite lateral da passarela, devido ao uso de montantes que criam este afastamento mínimo recepcionando o clima conveniente da capital. O guarda-corpo embarra chata se dispõe de forma sequencial e uniforme sincronizado com os tirantes estruturais, e aparecem de forma singela induzindo o usuário e compondo a relação entre os tubos direcionados para as suas respectivas direções.

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Nota-se os 3 principais conceitos do projeto até nas distribuições internas da proposta. Além disso, a presença dos rígidos traços estabelecidos na parte externa da construção são evidenciadas também no layout, segregando a parte de alimentação, cozinha e serviço, com as demais áreas técnicas e de lazer. A estrutura original do caixão perdido é perservada e reforçada ao longo dos 10.000m2 de extensão do pavimento, tornando-se um elemento aparente e acentuado na composição interna, tanto dos ambientes quanto do projeto ao todo. Entre vigas e pilares, o concreto que, por muito tempo foi escondido atrás dos grandes muros brancos são finalmente expostos. Sua teia estrutural afirma o potencial atingido por espaços que antes passavam despecebidos mas que, seguindo a proposta, revalidariam sua presença no coração de Brasília.

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PREMISSAS: VALORIZAÇÃO E INCLUSÃO SOCIAL TECNOLOGIA E ARTES EDUCAÇÃO COMO PRESSUPOSTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL ESPAÇOS COMPARTILHADOS

DIVERSIDADE CULTURAL TURISMO SOCIAL (VIVÊNCIAS E INTERAÇÕES)

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RESGATE DO ESPAÇO PARA PEDESTRES


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AGRADECIMENTOS: Gostaria de expressar a minha maior gratidão aos meus pais Marisa Rotenberg e Izo Zeigerman, meus maiores apoiadores, e aos meus irmãos Iani e Taina Zeigerman. Um agradecimento especial pelo apoio dos meus amigos que fizeram toda a diferença neste projeto: Luísa Gomes, Ana Bastos, Mayrison Vinicius, Maíra Furtado e Stepherson Barbosa. Agradeço especialmente à minha orientadora Suyene, por todas as orientações que evoluíram para além dos limites do projeto de diplomação. 63


CRÉDITOS: Engenheiro Gaspar Duarte (fiscalização) - NOVACAP DF SEREO (Serviço de execução de obras) Engenheira Luana Soares - NOVACAP Maurício Filho - IPHAN Arquiteta Eduarda Aun - O manual colaborativo de ocupação do Conic Arquiteta Manuella Coelho - Coletivo mob Engenheiro Elcy Santos - DER DF Professora Gabriela de Souza Tenório - Universidade de Brasília UnB Arquitetura Ana Catharina - Espaço Coworking D Professor Ailton Cabral Moraes - Centro Universitário de Brasília UniCEUB

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BIBLIOGRAFIA: <https://concursosdeprojeto.org/2011/06/13/concurso-de-ideias-brasilia50-primeirolugar> <http://fredericodeholanda.com.br/orientacoes/doutorado/2012_TenorioGabriela_ao_desocupado_em_cima_da_ponte.pdf> <https://www.archdaily.com.br/br/897585/terminal-de-cruzeiros-de-lisboa-carrilho-da-graca-arquitectos?ad_medium=gallery> Brasília 5785 - Maria Elisa Costa Brasília revisitada - portaria 166, 314 - 2016 IPHAN Relatório do Plano Piloto Seminário 1974 - Problemas urbanos de Brasília 4 inventários da Plataforma Rodoviária do Plano Piloto

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Releitura do Plano Original de Brasília em Espaços Ociosos na Rodoviária do Plano Piloto  

Projeto de Diplomação 2018

Releitura do Plano Original de Brasília em Espaços Ociosos na Rodoviária do Plano Piloto  

Projeto de Diplomação 2018

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