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A Beautiful Horizon: The Arts of Minas Gerais, Brazil

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Um Belo Horizonte: As Artes de Minas Gerais, Brasil


The Inter-American Development Bank Luis Alberto Moreno President Ciro De Falco Executive Vice President João Sayad Vice President for Finance and Administration Rogerio Studart Executive Director for Brazil and Suriname Arlindo Villaschi Alternate Executive Director for Brazil and Suriname Mirna Liévano de Marques External Relations Advisor The Cultural Center Félix Ángel General Coordinator and Curator Soledad Guerra Assistant General Coordinator Anne Vena Concerts and Lectures Coordinator Elba Agusti Cultural Development Program Coordinator Florencia Sader IDB Art Collection Management and Conservation Assistant Julio Villa García Intern from the University of Oviedo (Asturias, Spain)

Cataloging-in-Publication data provided by the Inter-American Development Bank Felipe Herrera Library Ángel, Félix. A beautiful horizon : the arts of Minas Gerais, Brazil = Um belo horizonte: as artes de Minas Gerais, Brasil. p. cm. ISBN:1597820253 “An exhibition honoring Brazil, host of the 47th Annual Meeting of the Board of Governors of the InterAmerican Development Bank in Belo Horizonte, State of Minas Gerais”. “Félix Angel, curator of the exhibition and essay contributor”—[p. 49]. Text in English and Portuguese. 1. Arts, Brazilian—Brazil—Minas Gerais—Catalogs. 2. Arts, Brazilian—Brazil—Belo Horizonte—Catalogs. 3. Arts, Baroque—Brazil—Catalogs. I. Inter-American Development Bank. II. IDB Cultural Center. III. Title. IV. Title. 707.4 B244--dc22

NX533 B432 2006


A Beautiful Horizon: The Arts of Minas Gerais, Brazil An exhibition honoring Brazil, host of the 47th Annual Meeting of the Board of Governors of the Inter-American Development Bank in Belo Horizonte, State of Minas Gerais

Um Belo Horizonte: As Artes de Minas Gerais, Brasil Uma exposição em homenagem ao Brasil, país sede da 47a Reunião Anual da Assembléia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento em Belo Horizonte, Minas Gerais

Inter-American Development Bank Cultural Center Gallery 1300 New York Avenue, N.W. Washington, D.C. 20577

February 22 to May 12, 2006

Monday–Friday, 11 a.m. to 6 p.m.


Oratรณrio de salรฃo (Drawing Room Altar), Minas Gerais, 18th Century Nossa Senhora do Rosรกrio (Our Lady of the Rosary) Museu do Oratรณrio, Instituto Cultural Flรกvio Gutierrez

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Presentation

Mirna Liévano de Marques External Relations Advisor Inter-American Development Bank “A Beautiful Horizon: The Arts of Minas Gerais, Brazil” is an exhibition that unites a variety of cultural and artistic manifestations from a number of cities and regions within the state of Minas Gerais, and its capital, Belo Horizonte. The Inter-American Development Bank, through the Office of External Relations and its Cultural Center, celebrates the extraordinary history and creativity of the peoples of Minas Gerais, in anticipation of the Bank’s 47th Annual Meeting of Governors in Belo Horizonte in April 2006. This exhibit officially launches the activities related to the most important annual event for our institution, and honors Brazil with special attention throughout the entire year. It is with great satisfaction that I present this exhibition, the second Brazilian exhibition I have had the honor of inaugurating during my tenure here at the IDB, and the third the Cultural Center has organized on Brazil to date. Even though the 2005 Annual Meeting honoring Japan focused on Latin American artists of Japanese descent, half of those artists came from Brazil. For all these reasons, and many more, Brazil is the country that has been represented the most in the Center’s exhibit program. The first IDB Cultural Center exhibition on Brazil was entitled “Brazilian Sculpture 1920– 1970,” and it opened in 1997. This show gave the North American public a complete overview of the development of sculpture in Brazil in relation to the cultural, economic, and social circumstances that contributed to boost modernism, mainly in São Paulo and Rio de Janeiro, consolidating their respective state capitals as two of the most important centers of modernism in our hemisphere. The exhibit received an extensive review in The Washington Post. The second exhibit, “Faces of Northeastern Brazil,” organized for the 2002 Annual Meeting of Governors in the City of Fortaleza, brought to Washington a breathtaking selection of crafts and popular arts. The show emphasized the relationships that exist in a multicultural society, the importance of tradition and customs, the understood values derived from identity, the pursuit of economic sustainability, and the importance of the rights of freedom of expression and religion if a society wants to move forward. The Washington Times gave the show a rave review from beginning to end, calling it “an imaginative approach to the fascinating, multicultural art of Brazil,” and described “arts that give these craft people hope for better lives, while enriching the lives of people fortunate to visit this exhibition”: ideas that identify well the goals and purpose of the IDB. The present exhibit, entitled “A Beautiful Horizon: The Arts of Minas Gerais, Brazil,” is divided into four sections: (1) The baroque legacy; (2) Popular and applied arts, and crafts from Minas Gerais; (3) A historic overview of the city of Belo Horizonte; and (4) A selection of works by artists from the city of Belo Horizonte; these are all combined with the purpose of showing the interrelations that exist in Brazilian society, so we may admire and preserve what has been precious in the past, and look forward to the future.

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Sabarรก, 1961 by Alberto da Veiga Guignard Museu de Arte da Pampulha

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Apresentação

Mirna Liévano de Marques Assessora de Relações Externas Banco Interamericano de Desenvolvimento “Um Belo Horizonte: As Artes de Minas Gerais, Brasil” é uma exposição que reúne uma multiplicidade de manifestações culturais e artísticas de diversas cidades e regiões do estado de Minas Gerais e de sua capital, Belo Horizonte. O Banco Interamericano de Desenvolvimento, através da Assessoria de Relações Externas e de seu Centro Cultural, celebra a extraordinária história e criatividade do povo de Minas Gerais, em antecipação à 47ª Reunião Anual da Assembléia de Governadores do Banco em Belo Horizonte a ser realizada em abril de 2006. Esta exposição inaugura oficialmente as atividades relativas ao mais importante evento anual para nossa instituição e dedica ao Brasil especial atenção ao longo de todo este ano. É com grande satisfação que apresento esta exposição brasileira, a segunda que tive a honra de inaugurar durante minha gestão no BID e a terceira que o Centro Cultural organizou sobre o Brasil até agora. Embora a Reunião Anual de 2005 homenageando o Japão tivesse focalizado artistas latino-americanos de origem japonesa, metade desses artistas era do Brasil. Por esses motivos e muitos outros, o Brasil é o país que mais tem sido representado no programa de exposições do Centro. A primeira exposição do Centro Cultural do BID sobre o Brasil intitulou-se “A Escultura Brasileira de 1920 a 1970” e foi inaugurada em 1997. Essa mostra ofereceu ao público norte-americano um panorama completo do desenvolvimento da escultura no Brasil em relação às circunstâncias culturais, econômicas e sociais que contribuíram para fomentar o modernismo, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, consolidando suas respectivas capitais como dois dos mais importantes centros do modernismo em nosso hemisfério. A exposição mereceu uma extensa resenha no jornal The Washington Post. A segunda exposição, “Faces do Nordeste Brasileiro”, organizada para a Reunião Anual de Governadores realizada em 2002 na cidade de Fortaleza, trouxe a Washington uma impressionante seleção de artesanato e artes populares. A mostra enfatizou as relações existentes em uma sociedade multicultural, o papel da tradição e dos costumes, os valores subentendidos derivados da identidade, a busca da sustentabilidade econômica e a importância do direito à liberdade de expressão e religião para que uma sociedade avance. O jornal The Washington Times dedicou à mostra uma resenha entusiástica do princípio ao fim, chamando-a de “uma apresentação imaginativa da arte fascinante e multicultural do Brasil” e descreveu as “artes que dão a esse povo habilidoso esperanças de vida melhor, enriquecendo, ao mesmo tempo, a vida das pessoas que tiveram a felicidade de visitar a exposição”: idéias que captam muito bem os objetivos e a finalidade do BID. A presente exposição, intitulada “Um Belo Horizonte: As Artes de Minas Gerais, Brasil”, está dividida em quatro seções: (1) o legado barroco; (2) arte popular, artesanato e artes aplicadas; (3) um panorama histórico da cidade de Belo Horizonte; e (4) uma seleção de trabalhos de artistas da cidade de Belo Horizonte; elas se combinam para mostrar as inter-relações existentes na sociedade brasileira, para que possamos admirar e preservar o que foi precioso no passado e antecipar o futuro.

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From top to bottom, left to right:

Avenida Afonso Pena (Afonso Pena Avenue), 1902 Quartel da Policía (Police Headquarters), 1902 – 1904 by Francisco Soucasaux Avenida Liberdade (Liberty Avenue), 1902 – 1905 Sede da antiga fazenda do Leitão (Headquarters of Old Leitão Estate), 1935 – 1939 Praça Rui Barbosa (Rui Barbosa Square), 1930 – 1935 Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura


A Beautiful Horizon: The Arts of Minas Gerais, Brazil Introduction A historic overview of Minas Gerais and Brazil

Brazil occupies almost half (43 percent) of the land surface of South America. It is the fourth-largest country in the world and the second-largest in the Western Hemisphere. More than half of its territories are plains. The Amazon basin in Brazil is the largest river basin in the world. The name Brasil, as the Federal Republic of Brazil is known, is much older than the discovery of the New World. As early as the twelfth century, a legend existed in Europe of an exotic region across the Atlantic, covered with woods, whose trees—the pau-brasil—produced a precious red dye. After the arrival of the first Portuguese explorers in the region in 1500, the name Brasil prevailed over Santa Cruz, or Holy Cross, the one initially given to the territory. The intentions of Portugal in regard to the area were primarily to exploit as much as possible from the natural resources available; the Portuguese did not find, however, any quick source of wealth, like the

gold that the Spaniards

found in their American

colonies, or civilizations

such as the Mayas and

the Incas which showed

a developed culture, al-

ready using gold and

precious stones; neither

did they find the spices

that the same Portuguese

had found in their East-

ern colonies. Over

the

next

less), Brazil was a proand then of sugar cane. available; the latter had and stimulated by the high value of white sugar cans were brought into

two centuries (more or Planta topográfica, Cidade de Minas (Topographical Map of the City of Minas),1893 by Comissão Construtora da Nova Capital Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura

ducer first of pau-brasil, The former was already its

culture

introduced

Portuguese, given the in Europe. Many Afrithe kingdom as slaves to

work on the plantations. The cane farms were established almost exclusively in the coastal zone, not only because the lands there were more adequate for farming, but also because the exploration of the interior lands was much more costly and risky. Then gold and semiprecious stones were discovered in Minas Gerais toward the end of the eighteenth century, and the country became a destination for many people eager to cash in on the newly discovered wealth. During the second half of the eighteenth century, libertarian revolutions elsewhere in the world (notably the American, in 1776, and the French, in 1789) were spreading ideas against mon-

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archies like that in Portugal, which ruled Brazil. The fact that a number of wealthy Brazilians had the opportunity to study in European universities ensured that such ideas spread to Brazil as well. In 1789, Vila Rica (the capital city of Minas Gerais) saw the explosion of the Inconfidência Mineira, a movement organized by members of the elite, including judges, priests, the military, and, of course, all those who felt overtaxed by the Portuguese Crown. The figure of Tiradentes, the leader of the revolt, was forever carved into Brazilian history. Tiradentes was executed by the Portuguese, but the movement showed that there was already a strong nativist sentiment demanding independence from Portugal, a sentiment that continued to build until 1822, when Brazil became the Empire of Brazil, having achieved its independence from Portugal. After 1822, the combination of greater political freedom with a sharp decline in gold production (resulting from depletion of the reserves after years of heavy mining) promoted radical changes in the life of Minas. There were some attempts through the nineteenth century to restore the gold production, with incentives to national companies, but to no avail; even some specialized British companies, to whom some areas were offered, failed. While geologists and other scientists couldn’t restore the gold reserves, their studies on the potential for the mining of iron in the area launched the basis of what would become the modern metal industry. The exploration of iron remained incipient through much of the century, however, and only in 1888 was the first ironprocessing plant opened. With the decline of gold production, the masses who had depended on the gold had to look for new economic activities. There were villages and cities spread around an extensive area of Minas Gerais; people had settled wherever gold veins had been found, but the areas between inhabited places had gone largely unexplored. Also, the population of Minas, having moved around as necessary to “follow the gold,” was more accustomed to migration movements (something very rarely seen in the areas devoted to sugar cane farming) and was ready to move to occupy new horizons. These factors determined the new profile of Minas. The ample areas around São Francisco River were occupied by cattle farms; during the peak of the gold production, the animals necessary for transportation of goods and for feeding of the populaPraça Rui Barbosa e Estação Central (Rui Barbosa Square and Central Station), 1946 by Casa da Lente Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura

tion had been supplied by the southern states (notably Paraná and Rio Grande do Sul), but now this use of outside sources of animals for transportation and food was progressively replaced by a growing livestock production in Minas. To this day, this area is one of the largest clusters of livestock breeding in Brazil. Likewise, the areas between cities which

had remained unexplored were progressively turned into farms. Initially, the land was taken by exminers who cultivated only for their own subsistence; however, as it became clearer that the golden

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times would not return, more and more resources were directed towards commercial plantations (sugar cane farms were established but had a tough time competing with the large farms of the country’s Northeast). Besides being able to choose to cultivate the products that would be most accepted by the consumer markets, Minas had the extra advantage of having created, over the decades, channels of distribution within several parts of Brazil (two luxuries that the monocultures which predominated along the coast did not have). By the middle of the nineteenth century, Minas was again one of the most important provinces of Brazil, as it had been during the boom times of gold mining; at this same time, a new product gave an extra boost to the economy and also helped the state gain political relevance: coffee. During the Empire years, the Brazilian economy was very dependent on coffee. Minas Gerais had large areas of fertile land in the south, across the border from São Paulo and Rio de Janeiro, where the coffee plant was first introduced. Plenty of people with capital to invest were looking for an alternative to gold; these factors combined caused coffee to thrive in Minas. Like other states where coffee was successful, farmers in Minas struggled to find skilled manpower to work the coffee plantations. The government of Minas tried to create colonies of Germans (near Juiz de Fora), Italians (near São João del Rei) and others, but most Europeans were better able to adapt to the cooler climates of southern Brazil, which were closer to the climates of their native countries. Today, a major influence from the region’s Portuguese settlers on the culture of Minas can be discerned, as well as a lesser influence from the immigrants who came later. Minas is still seen in Brazil as a conservative state; several religious (especially Catholic) traditions are maintained in the smaller cities; and the figure of the mineirinho, the naive-looking hillbilly who turns out to be smarter than the smart guys, is recurrent in Brazilian jokes and anecdotes. When Brazil became a Republic in 1889, Minas Gerais was the most-populated province. The old provincial capital, Ouro Preto, no longer had the importance it had maintained during the golden times. A new capital, Belo Horizonte (Portuguese for “beautiful horizon”), was planned and inaugurated in 1901. Because of the economic power brought by coffee and cattle, Minas Gerais and São Paulo were the two states that dominated the Brazilian political scene in the first decades of the 1900s. Between the founding of the Republic and 1926, Afonso Pena, Venceslau Brás, Delfim Moreira, and Artur Bernardes were the mineiros (an adjective that simply means “from Minas”) politicians who became Presidents of the Republic. In the early 1900s, the state’s huge iron reserves began attracting increasing attention from international capi-

Vista aérea da Praça Raul Soares (Aerial view of Raul Soares Square), 1956 by Câncio de Oliveira Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura

talists, and the Itabira Iron Ore Company, with British capital, was the first to be granted a charter in 1910; in 1918, an

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American capitalist, Percival Farquahar, took over the company. Itabira would eventually become Vale do Rio Doce, one of the largest mining companies in the world. In 1921, with capital from France, Belgium, and Luxembourg, the Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira was founded in Sabará; this was the first conglomerate of heavy industry in Brazil. During World War II, Brazilian President Getulio Vargas took advantage of the interest the U.S. government had in Brazil as an ally and negotiated funding for the construction of the Companhia Siderúrgica Nacional; for political reasons, the company was based in Volta Redonda, Rio de Janeiro, but it was entirely dependent on iron from Minas. In 1938, the city of Contagem, near Belo Horizonte, was accorded the status of industrial center by the government; the attendant incentives and advantages attracted many enterprises to the area, and Belo Horizonte became the economic center of Minas Gerais.

The Baroque Legacy of Minas Gerais From exploration of natural resources to artistic and religious expressions

The area of Minas Gerais, which is separated from São Paulo and Rio de Janeiro by a mountain range, remained unexplored for a long time. Bandeirantes, encouraged by the Portuguese Crown, were the first ones to reach Minas. Bandeirantes were the organizers of bandeiras, private expeditions that explored the interior lands of Brazil in search of gold during the seventeenth and early eighteenth centuries, taking their name from the flags they used to carry to identify themselves (bandeira is the Portuguese for “flag”). These expeditions date back to 1674, but not until around 1693 were the first discoveries of gold made; Fernão Dias Pais was the bandeirante who explored the region most often (today, the main road of Minas Gerais, which connects Belo Horizonte to São Paulo, pays tribute to him). From 1708 to 1710, there were fierce battles between the bandeirantes from São Paulo (the paulistas), who claimed rights over the discovered gold reserves, and the Portuguese and other Brazilians (whom the bandeirantes referred to as emboabas), who wanted to get a share of the gold; the episode was known as the War of Emboabas, and in the end, the paulistas were defeated. From 1693 to 1720, the population of Minas Gerais grew very quickly; in 1720, the Portuguese declared Vila Rica (“Wealthy Village”) its capital city (today, the city is called Ouro Preto, or “Black Gold”). The early years of the 1700s saw a gold rush in Minas Gerais. People from other areas of Brazil (particularly Bahia and Rio de Janeiro) flocked to the mines; the central government in Lisbon had to legislate to stop the Portuguese from immigrating. From the eighteenth century on, the mines around Ouro Preto overflowed with gold and gems. The imperial topaz became the emblematic stone of Brazil (see box). Many cities shared the state’s wealth. The city of Tiradentes struck gold in 1702. The town originated from the settlement of Ponta do Morro, established in the beginning of the eighteenth century. After João de Siqueira Ponte, together with Tomé Portes, found gold in the surrounding streams, the resulting gold rush soon turned the place into a more significant village. Not long afterwards, the village’s name was changed to Arraial da Ponta do Morro de Santo An-

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tônio, because Saint Anthony was the saint of the residents’ devotion, and in his honor they built a chapel. Thanks to the abundance of gold which was found, the village grew fast, and in 1718, it changed its name again to São José del-Rei. In the first decades of the eighteenth century, most of its houses and religious buildings were constructed, such as Igreja de Nossa Senhora do Rosário in 1708 and Matriz de Santo Antônio in 1710. The city spread around churches and chapels on top of hills (the part of Minas Gerais in which the village is located is very hilly), and the houses followed a pattern that remains until today, making the city we now know as Tiradentes (after yet another name change) a prime tourist destination. The history of Diamantina, located in the Jequitinhonha River Valley in the northern part of Minas Gerais, is linked with the discovery of diamonds (the name Diamantina comes from the Portuguese for “diamond”), which took place after the discovery of gold, and for that reason the city’s style is more rococo than Baroque, reflecting the artistic and architectural movement in currency at the time the wealth from the diamond mines financed rapid growth and significant building. The Mozarab influence is evident, setting Diamantina apart from other cities in the region. Portugal faced unexpected troubles with mining. The structure of the sugar cane industry, which was concentrated in the hands of a few farmers who usually had good relationships with the officials, simplified sensitive processes like taxation and foreign trading control; the mines, however, presented a completely different situation. Many, many people had the opportunity to strike gold, which, in turn, could be easily hidden and smuggled out. Legend said that Our Lady of the Rosary of the Blacks, today the oldest church in Tiradentes, was built with money from gold that was smuggled out of the mines by

The Imperial Topaz The term “imperial” is used to distinguish true topaz from the quartz look-alikes. The name is said to have originated in the nineteenth century in Russia, where the Ural Mountain mines were an important source of the gem. According to some sources, pink topaz from those mines was restricted to the family of the czar. Today, the gem trade generally uses the term “imperial” for pink, orange, and red topaz, which come mainly from Ouro Preto, and the example included in the exhibit is one of the best quality. Ouro Preto mines produce orange to pinkishpurple topaz. Often the stone has been confused with the more common citrine (which is made by heating amethyst) found profusely in other Brazilian localities. However, topaz is readily identified by its superior hardness, density, and brilliance. In the early days, topaz was the only gem of importance found near Ouro Preto. The gemstone was frequently referred to as “imperial” topaz, honoring Brazilian royalty. The most commonly encountered forms of topaz are colorless or brown. It is the rare golden, orange, pink, red, and purple colors that are often termed “imperial” and are the mainstays of the fine gem market. While blue topaz is sometimes found in nature, most blue topaz is artificially produced by a combination irradiation/heating treatment. Yellow and brown topaz owe their color to color centers. The impurity chromium produces pink to red colors. A combination of color centers and chromium produces orange topaz. Because of its rough, elongated prisms, topaz is generally cut as elongated stones, typically emerald cuts, elongated ovals, cushions, and pears.

slaves (since churches at the time were not integrated), who hid the gold in their hair. By 1760, reports indicate that the production of gold in Minas Gerais was in rapid decline. For a short period, the production of diamonds surpassed

Topázio Imperial (Imperial Topaz) golden, 1.85 karats

the production of gold. With the financial progress brought by gold, the cities of Minas

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Gerais, in particular Ouro Preto, prospered immensely. Ouro Preto has managed to preserve its eighteenth-century architecture and appearance. The town is considered a national landmark and was even declared a world monument by UNESCO in 1980. Its narrow cobblestone streets are a legacy of Brazil’s colonial past. The town also possesses more than 20 churches built in the Baroque and rocoAleijadinho Aleijadinho was the son of the Portuguese architect Manuel Francisco Lisboa (active 1728–1767). He was born in Brazil of a black slave mother. A strange disease that caused the shriveling of his hands and feet earned him the nickname o Aleijadinho (“the little cripple”). He built churches (Church of São Francisco), carved altarpieces, and created wood and stone sculptures. He reformed wood carving, modifying its Baroque exuberance, and brought a new purity to architecture by reverting to the concept of harmonious space. He was also the author of much excellent statuary in the style of the great Baroque works of the past. The polychrome wood Stations of the Cross in the sanctuary of the church in Congonhas do Campo were carved between 1796 and 1799. The twelve stone prophets in front of the Congonhas do Campo sanctuary are considered his masterpieces

co styles that dominated the period. Some are magnificently adorned with gold. The Church of Our Lady of the Pillar is said to still contain more than 400 pounds of gold and silver within its interior decoration. Initiated in 1766, the Church of São Francisco in the same town bears, in its floor plan, the frontispiece, the pulpits, and the chafariz of the sacristy, the artistry of Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa), complemented with paintings and decorations by Manuel da Costa Athayde, the two most important artists of the period. The church of Our Lady of the Conception, built under the direction of Aleijadinho’s father, Manuel Francisco Lisboa, houses today the Museum of Aleijadinho (see box). The Catholic faith brought into Brazil by the Portuguese soon translated into an extraordinary array of expressions with an ample repertoire of objects of devotion favored by the many brotherhoods and social

groups; among these is the oratório, a small altar for domestic use that dates back to the Middle Ages. The eclectic composition of Brazilian society was responsible for an unpredictable variety of such objects, in both form and religious content. While those following tradition reflect the orthodox taste of the wealthy colonizers (mostly Baroque, rococo, and neoclassical styles), popular interpretations, in particular those of Afro-Brazilian origin, amaze the viewer with their ingenuity and multicultural connotation. The oratórios included in this exhibition come from the collection of art philanthropist Ângela Gutierrez and are part of the permanent collection of the Museu do Oratório (“Museum of Altars”) in Ouro Preto, which she established. They also illustrate the many domestic locations where devotions could take place inside the home at any time.

Popular Art, Crafts, and Applied Arts The difference between popular art, craft making, and applied arts is not always clear, and the discussion is particularly difficult when it comes to the study of the artistic production of Latin America, right up through the twenty-first century. It is not enough to analyze an object from the perspectives of the formal and the aesthetic, its function or lack of it, or the context in which it is created; sometimes it is the technology and the aggressive marketing for commercial purposes that need to be examined before daring to classify a piece in one category or another. The exhibit includes a number of such objects, and sometimes it is better to let the public decide what belongs in which category.

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Alongside the beautiful, European-inspired city of Belo Horizonte which took shape at the end of the nineteenth century, with its talented, almost flamboyant array of foreign urbanists, architects, and artists entrusted with the building and development of the “ideal city,” were a number of neighborhoods that remained outside this utopian vision, sheltering less privileged members of society. In these areas essentially forgotten in the fervor of creating Belo Horizonte flourished a number of self-taught artists, such as Raimundo Machado, Ana Querino, Velentim Rosa, Ananías Elias, Francisco de Fátima, Maurino de Araújo, and Antônio Dionísio. The work of these artists, as well as that of many others who are still unidentified, has become the testimony of those who had to struggle to overcome the conflicts of exclusion through creativity and artistic drive. But the people of the state as a whole (as well as of Brazil, for that matter) have kept alive many traditions from diverse cultural sources, and as an example the exhibit includes the work of a few of these minor, self-taught artists. Izabel Mendes da Cunha (Córrego Novo, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, 1924) comes from one of the poorest region of Minas Gerais and of Brazil. She became artistically active as a child and in 1949 moved to Santana do Araçuaí, where she still lives with her family. In the 1970s someone from the city’s government became aware of her work and promoted it through CODEVALE (Jequitinhonha Valley Development Committee). In 2004 she received an award at UNESCO´s seventh annual competition for Latin America and the Caribbean. Her bonecas

Above:

Casal sentado (Sitting Couple), n/a by Izabel Mendes da Cunha

their skin, their blond hair, and their blue eyes,

Left: Sem título (Untitled), n/a by Artur Pereira

since they represent a Brazilian ethnic type de-

Collection of Ms. Priscila Freire

de cerâmica are characterized by the fairness of

scended from German immigrants. Ulisses Pereira (Caraí, Minas Gerais, 1930) is, with his wife and ten children, a microenterprise. He is known as the “ceramicist of the Apocalypse” for his anthropozoomorphic figurines, which merited his inclusion in the Mostra do Redescobrimento, a monumental exhibition set up to commemorate the 500th anniversary of the discovery of Brazil at the São Paulo Biennale in 2000. Artur Pereira (Cachoeira do Brumado, Minas Gerais, 1920) is a self-taught artist who began his career chopping wood in a carving workshop. His themes are related to nature and rural life, and he was also included in the Mostra do Redescobrimento at the São Paulo Biennale in 2000.

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Geraldo Teles Olivera (b. Itapecerica, Minas Gerais, 1913; d. Divinópolis, Minas Gerais, 1990), known for his trademark carved signature “GTO,” began sculpting his first works, utilizing pieces of scrap wood, while working as a caretaker during the construction of a hospital. His talents were later recognized, and he was invited to exhibit at the Galeria Guignard in Belo Horizonte in 1967. In the 1970s he was invited to exhibit at the Museé Rodin in Paris and was honored with a room of his own at the Thirteenth São Paulo Biennial and with a postage stamp issued in 1977 by the Brazilian Mail and Telegraph Company. He also exhibited in Belgium, Italy, and Nigeria, and in many places in Brazil. He was the subject of two short films by Camilo de Souza Filho, O Escultor dos Sonhos and A Árvore dos Sonhos, which evoke the implicit character of GTO´s work. Martininiano Moreira de Carvalho, known as “Naninho” (the nickname with which he signs his pieces), was born in Bichinho (Vitoriano Veloso, Prados, Minas Gerais) in 1962. He is the artist responsible for the carving of the Divino (“Holy Spirit”), a piece inspired by the image that adorns the main altar of the Church of Our Lady of the Pillar in the city of Sao João del-Rei. Naninho began to work thirty years ago as a craftsman of wooden santos, but about ten years ago he received a commission from a priest who needed a Holy Spirit for a particular festivity. The piece became an immediate success, and today he is known along with Josias Cardoso Santos as a great craftsman of the Holy Spirit. Above:

Minas Gerais is a region that boasts many cultural tra-

Coluna de pássaros e frutos (Birds and Fruits Pillar), 1970s by Artur Pereira Collection of Mr. José Alberto Nemer

ditions, revealing the multifaceted composition of society and

Above right:

tapestry peculiar to the city of Diamantina. Diamantina is well-

Mulher-cachorro (Puppy-Girl), n/a by Ulisses Pereira Collection of Ms. Priscila Freire

known all over Brazil for its beautiful, high-quality rugs done in

the processes that such a society has experienced over centuries. The exhibit includes examples of some of the most famous traditions, colonial and vernacular, such as Arraiolo rugs, a kind of

traditional Portuguese needlework. In the Arraiolo, which was adopted by local artisans long ago, the designs are embroidered with wool yarns onto a ramie net and finished with a short fringe in natural-color loops.

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Also from the Jequitinhonha River Valley region is the Namoradeira, a picaresque, polychrome statue made of clay in the likeness of a woman in love, or waiting to find it, usually dressed up in colorful dress, with one arm hanging across a window sill while the other holds her face. For display, the figure in a Namoradeira is enthroned on beautiful fabrics flanked by flower arrangements. The mood is that of a lady in waiting, hoping to be courted or longing for an absent lover. There is no racial distinction when it comes to wishing for love, and each figure exudes a romantic demeanor regardless of the racial background. From Monte Sião comes its well-known white and blue porcelain. The origins of Mount Sião Porcelain are, at the same time, old and new. Porcelain was a small-scale industry in this city until one day someone commissioned the reproduction of a blue and white pitcher recently brought in from Portugal. The success of such reproductions was such that a factory was officially founded in 1959 to manufacture the porcelain, and today it is one of the main sources of sustenance for the city, in addition to stimulating tourism. The secret of porcelain lies in the combination of gases produced by clay mixed with burning wood. The factory has developed a reforestation program to balance any depletion of wood resources resulting from the wood used in the process of producing its porcelain. There are indications of an incipient production of pewter objects in Brazil during the nineteenth century. But it was only in 1968, when John Somers, an English antique dealer, decided to industrialize

Divino Espírito Santo (Divine Holy Ghost), n/a by Martiniano Moreira de Carvalho

pewter production, that his effort became forever linked to the industry. Today the production of pewter in Brazil has diversified, and objects can be found and purchased in traditional designs as well as contemporary ones, as one can see from those included in the exhibit. The city of São João del-Rei is famous for manufacturing the best pewter pieces in Brazil and probably in South America. In Brazil, estanho is found only in Minas Gerais. The “JSXMG” seal—the famous

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John Somers trademark—attests to the authenticity of any piece that bears it. “JS” are the initials of the manufacturer, “X” signifies the absence of impurities, and “MG” certifies the piece’s origin from Minas Gerais.

The City and the Arts of Belo Horizonte Since colonial times, a new provincial capital on the plateau of Minas Gerais had been contemplated to replace the famous Vila Rica de Ouro Preto, set deep in the mountains of Minas Gerais. In 1893, a state commission designated the site for the City of Minas—as the new capital was to be called—in a district of the old mining city of Sabará. The district was home to a town that up until a few years earlier had been known as Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral d’El Rei, founded in 1750 to serve the transportation and supply needs of the cattle ranches of the state of Minas Gerais, but had changed its name in April 1890 to Belo Horizonte. The district was ceded by Sabará the following year, and the city was designed and built over in a span of four years at the end of the nineteenth century. The urban plan, commissioned from the engineer Aarão Reis, followed the ideal of the neoclassical city. José de Magalhães was responsible for most of the official structures, architecturally aligned with the principles of the École de Beaux Arts in Paris. In 1897, the City of Minas was inaugurated by the president of the state, Crispim Jacques Bias Fortes. A year later it boasted a population of 10,000 inhabitants. In 1901 the name of the district in which it was located was extended to the municipality itself, and the City of Minas became Belo Horizonte. From there, the city rose as the third-mostimportant urban settlement in Brazil, playing an important role in the transformation of the country in the decades thereafter and achieving its own prominence in all areas of Brazilian society. The construction of the new city and its designation as the new capital of Minas Gerais signaled a rupture with the colonial regime (initiated with the proclamation of the Republic on November 15, 1889) and the embrace of a utopia that conceived the new city as the reflection of a new era. In many ways Belo Horizonte symbolized Brazil’s eagerness to anticipate and embrace the twentieth century. The polychrome porcelain Escarradeira, which made part of the furniture of the municipal theater (now demolished), attests to the transition of a country and a mentality moving from the nineteenth to the twentieth century. Jaburu (Homely Fellow), n/a by Luiz Olivieri sculpture Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura

Many French, Italian, and Portuguese artists became active in the new city. The figurines of “Jaburu,” “Mingote,” “Manoel das Moças,” “Fazendeiro,” “Militar,” and “Melindrosa,” popular characters in Belo Horizonte at the beginning of the twentieth century, as well as the portrait of painter José Jacinto das Neves,

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included in the exhibition, are attributed to Luiz Olivieri, an architect and sculptor trained in Florence, Italy. Olivieri was also the designer of several buildings in the city, among them the Dantas Palace (1916) and the Agriculture Bank (1919). The arrival of modernity in Belo Horizonte

During the 1920s, a literary modernist movement developed in Belo Horizonte as a result, in part, of the presence of Carlos Drumond de Andrade. By no means was he alone, as he and his friends Emilio Moura, Pedro Nava, Martins de Almeida, and João Alphonsus, also poets, published their work in the newspaper Diario de Minas. They established an intense exchange with the São Paulo intelligentsia. Mario de Andrade helped, during his visits to Belo Horizonte, to rediscover the creole Baroque legacy in the region. His Belo Horizonte Nocturn exults in the wonders of the city. Two literary currents developed as the conflict between tradition and modernity went on. The most progressive gathered around the magazine A Revista, while the magazine Leite Crioulo galvanized those with more nationalistic ideals. Juscelino Kubitschek de Oliveira

The process of integrating Brazil into the contemporary world demanded changes in a number of political, social, and economic conditions and was initiated in the 1930s. Led by Getulio Vargas, the process was concentrated in the cities of São Paulo and Rio de Janeiro. In Belo Horizonte the most definitive moment for the advancement of modernism took place at the beginning of the 1940s, with the arrival on the political scene of Juscelino Kubitschek. Kubitschek was born in Diamantina, Minas Gerais, on September 12, 1902, the son of immigrants from the former Czech Republic. He moved to Belo Horizonte in 1921, where he completed his studies to become a physician in 1927 and set up a medical practice. In 1931 he married Sarah Luiza Gomes de Lemos. His political career began in 1934, when he was chosen chief of staff of the appointed federal official in Minas Gerais at the time, Benedito Valadares. That same year he was elected to the House of Representatives—but he didn’t finish his term. In 1937, because of political changes that came with the advent of Estado Novo (the “New State”), he was forced to return to his medical practice. The historical moment, however, signals a crucial time in which national policy and culture were related and artistic potential was utilized to advance the country in terms of progress and development. The progressive transformation of Belo Horizonte

Appointed mayor of Belo Horizonte in 1940 (again by Valadares) after another shift in the political climate, Kubitschek called Oscar Niemeyer, then at the dawn of his career, to head many of his

Melindrosa (Flapper), n/a sculpture Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura

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intended projects, including the reurbanization of Pampulha. As part of Kubitschek’s agenda, the city of Belo Horizonte undertook an ambitious plan of urban renovation which included the opening of ample avenues and the creation of new boroughs: the industrial center of Contagem (which was annexed) and the complex of Pampulha—this last conceived as a paradise for relaxation and tourism—included a club, a church, a casino, a dance hall, and beautiful gardens; a university campus was added in the 1960s, during the neo-avant-garde movement. An army of prestigious architects, urban planners, landscapers, and artists including Niemeyer, Roberto Burle-Marx, Candido Portinari, José Pedrosa, August Zamoisky, Paulo Osir Rossi, and Alfredo Ceschiatti, among others, were entrusted with making a reality of the various facets of Kubitschek’s new vision. That vision in great part had to do with the rationalist, integrationist concept of design developed three decades earlier at Germany’s Bauhaus, championed in France by Le Corbusier, who was already acquainted with São Paulo’s and Rio de Janeiro’s architectural renaissance, at which Le Corbusier’s landmark brise-soleil device had made its appearance. Kubitschek’s experiment with Belo Horizonte anticipated by more than a decade the creation of Brasilia. In 1945 Kubitschek was again elected to the House of Representatives through PSD (a political party). After he completed his House term in 1950, he was elected governor of Minas Gerais. The arts in Belo Horizonte

Visita do Sr. Benedito Valadares, do Prefeito Juscelino Kubitschek e autoridades à construção do Golfe Clube da Pampulha (Visit of Mr. Benedito Valadares, Mayor Juscelino Kubitschek and Authorities Involved in the Construction of the Golf Club in Pampulha), 1943 Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura

The decoration of the buildings erected as part of the construction of Belo Horizonte at the end of the nineteenth century was entrusted to Frederico Stekel, who commanded a number of painters and sculptors responsible for embellishing the structures. Several foreign photographers were hired to document the history of the city,

old and new, among them Frenchman Émile Rouède, Francisco Soucasaux, and Igino Bonfioli. The last produced a number of documentaries about life in the city and is considered the first filmmaker of Minas. During the first two decades of the twentieth century, a number of national artists such as Honório Esteves, Belmiro de Almeida, Alberto Delpino, and Aníbal Mattos were active in Belo Horizonte. The exhibition of Zina Aita can be considered the first modernist exhibition in the city. It coincided with the implementation of Minas Gerais President Antonio Carlos de Andrada’s plan to reform education in the state, which brought educator Helena Antipoff and sculptress Jeanne Milde from abroad. The Salón Bar Brazil, held in 1936, represents the embracing by some of the

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most advanced artists in the city of the social-oriented ideas in vogue under the leadership of Delpino Júnior and Fernando Pierucetti, which manifested itself in a predilection toward social realism, in opposition to the Minas Gerais Society of Fine Arts. The arts in Belo Horizonte at this time appear to diversify and take different directions. Political cartooning had an important representative in Monsa, drawing in Érico de Paula, caricature in Alfredo Lavalle, and photography in Francisco Fernandes. The Escola de Belas Artes, the Belo Horizonte School of Fine Arts, was also the creation of Kubitschek during his tenure as mayor of the city. The school opened under the direction of Alberto da Veiga Guignard (b. Nova Friburgo, Rio de Janeiro, 1896; d. Ouro Preto, Minas Gerais, 1962), who had studied in Germany, Switzerland, and France, where, in all probability, he had absorbed the traits of both expressionism and the Paris School. The school attracted a younger generation that in the following decade would contribute to transforming the perception of Brazil and help move the country to the forefront of contemporary art. Among the artists who began studying with Guignard and eventually gained international recognition are Amilcar de Castro, Mary Vieira, and Maria Helena Andrés. Guignard was a true character. Priscila Freire, the director of the Pampulha Museum of Art, remembers him as a person who fed himself with dreams of impossible romance, falling in love with all his female pupils and models. He never owned a residence and instead lived off of the kindness of his friends in a transient fashion, compensating their generosity with portraits and domestic decorations of a bizarre nature. The expressionistic vein of his painting led many of his subjects to complain that there was no resemblance to the likeness, to which he answered, “Do not worry, in one hundred years no one will care about it.” He was fluent in German and French,

Retrato de um homem (Portrait of a Man), n/a by Alberto da Veiga Guignard Casa de Guignard Museum

but to sustain a conversation with him, says Freire, “demanded the skilled contortions of a circus performer.” His leporine lip and incessant gestures, his nasal voice that forced the listener to guess the meaning of many of his sounds, and his perennial apologetic attitude made him an object of sympathy. He painted the figure of Christ many times, but not necessarily out of religious impulse. His Saint Sebastian, for instance, came about as a sublimation of the ache of his own body affected by rheumatism, as he apparently stated to some friends. Although he was not born in Minas Gerais, he fell in love with the landscape and the people of the state, adopted Ouro Preto as a place to live, and there he died, leaving

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behind his strong imprint. After his death, the School of Fine Arts was renamed Escola Guignard in his honor and is now part of the state university in Minas Gerais. In 1944, under the auspices of Mayor Kubitschek, Belo Horizonte organized a second Semana de Arte Moderna, emulating São Paulo´s famous Modern Art Week of 1922, which consolidated the artistic avant garde but also stirred much controversy among the conservative press. From then on the journey to modernity in Belo Horizonte was not a smooth one. The 1960s were characterized by a collective endorsement of the neo-avant-garde movements led by artists such as Jarbas Juarez and Nello Nuno, who opposed Guignard’s tradition and the geometric concrete and expressionistic abstract trends popular in São Paulo and Rio de Janeiro. Upon the restoration of democracy in Brazil in the early 1980s, the arts in Belo Horizonte openly joined the road toward globalization. Contemporary artists from Belo Horizonte

Today Belo Horizonte boasts a number of excellent contemporary artists. Many are not that well known beyond the frontiers of the country, but their work can easily be identified with the trends in vogue at international levels, although a major museum reflecting the great progress of the contemporary scene has yet to be created in the city. For the present exhibit, only a few artists have been included, but they attest to the diversity of expression and originality of the artistic movement of the city. A major personality of international stature that emerged from Minas Gerais is the late sculptor, painter, draftsman, and graphic designer Amilcar de Castro (Amilcar Augusto Pereira de Castro, b. Paraisópolis, Minas Gerais, 1920; d. Belo Horizonte, 2002). He studied with Guignard and Franz Weissmann at the Belo Horizonte School of Fine Arts before going to Rio de Janeiro in 1953, where he eventually adhered to the geometric abstraction trend, becoming one of the most original neo-constructivist Brazilian artists. He was awarded a Guggenheim fellowship in 1967, with which he lived in New Jersey for four years, acquainting himself with the New York art scene. He received practically every national and regional award for sculpture in Brazil and exhibited in many capitals of the world. In the words of Brazilian critic Márcio Sampaio, there is a close relationship between de Castro’s sculpture and the geographic and economic environment of Minas Gerais. From the formal viewpoint, however, his work goes beyond anecdotal significance, inscribing itself in the repertoire of international languages of the third quarter of the twentieth century. Número 26 (Number 26), n/a by Amilcar Augusto Pereira de Castro Collection of Mr. Pedro de Castro


According to Sampaio, when de Castro worked with a sheet of iron—his most distinctive trademark—the brute matter extracted from the mines and transformed by a radical industrial process achieved its destiny. Claudia Renault’s (Belo Horizonte, 1952) best results are seen in her installations, but she also favors other, more traditional formats, such as the object, either hanging or resting on a table, equally carrying the force of her conceptual and spatial proposal, characterized by the emphasis on transparency suggested by irregular elements studiously placed against surfaces, walls, or floors. The roughness and seeming arbitrariness of her wooden constructions contain an inherently playful approach to the notion of freedom, and its relation with the capacity humans have to discern and choose the way to perceive life—or wish to do it when processing the many experiences they face in any given moment of their existence. The addition of glass in her work belongs to a recent period, the material accentuating the fundamental essence of her constructions.

Top to bottom:

Lascas de madeira, zinco e vidro (Slivers of Wood, Zinc and Glass), 2005 by Claudia Renault Collection of Ms. Claudia Renault 11 pieces by Máximo Soalheiro Barroso Collection of Mr. Máximo Soalheiro Da Série Memória (from the Memory Series), 2005 by Thaís Salgado Helt Collection of the Inter-American Development Bank Máximo Soalheiro Barroso (Sardoá, Minas Gerais, 1955) is one of the most singularly introspective artists of Belo Horizonte. His current work deals with the type of characters traditional in old-fashioned typography and the visual interrelations generated by the space occupied or void of imagery as a result of the alignment of blocks containing letters and symbols when carefully positioned in press trays. For this exhibit, however, he is represented by objects made out of clay fired at high temperature, a self-taught technique he has mastered over thirty years of practice. Barroso says that, in fact, it was his interest in ceramics, the manual requirements of ma-

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nipulating clay and the properties of minerals used in the glazes, which led him to his research in typography, with which he sees a close relation. The extraordinary bell-like sonority of the objects molded after simple forms included in this exhibit attest to the knowledge of an ancient craft that entails endless evocations and mental digressions, shortening the distance between “fine,” “applied,” and “conceptual” art. The engravings of Thaís Salgado Helt (Juiz de Fora, Minas Gerais, 1948), a veteran printmaker and founder, with her husband George Helt of Oficina Cinco (“Office Five”), a lithographic workshop open to other artists, possess a great deal of stamina and character. Her uninhibited, expressionistic hand strokes have both graphic and pictorial qualities, somehow familiar with what is best in mid-twentieth-century classical Brazilian abstraction, but her work is also infused with a violent, dry, unsentimental lyricism which gives her a voice of her own. The piece included here, part of the collection of the InterAmerican Development Bank, belongs to her most recent series. The “totems” of Antônio Costa Dias (Belo Horizonte, 1948) belong to a series of three-dimensional objects made out of recycled wood, metals, and architectural decoration from demolished buildings, creating many a reference to the rich Baroque legacy of Minas Gerais while advocating notions of preservation and reutilization of whatever resources, cultural and otherwise, are available to raise Latin America out of poverty, not only in economic terms. The impression the traveler receives when visiting the beautiful and culture-rich cities of Minas Gerais while interacting with their hospitable, amiable, and incredibly creative people, or trekking through the region’s unpredictable geography, enjoying the overwhelming natural environment still untouched in many places, may begin to explain the feeling that miners experienced when, at the dawn of the Republic, they got the idea of creating Totens (Totem Poles), 2000 by Antônio Costa Dias Collection of Mr. Antônio Costa Dias

a new city as capital of the state under the name of Belo Horizonte. Those who have had the opportunity to observe at twilight the breathtaking spectacle created by the sun descending on the hills of Minas’s mountain ranges, multiplying—as it dives in the distance— the wide variety of greens while the intensity of the bluest of skies changes in a sequence of stunning colors against a set of staggering

clouds, understand the metaphor that such a perspective suggests. For those who have not yet, however, the Cultural Center hopes this exhibit may provide them with a hint.

Félix Ángel General Coordinator and Curator IDB Cultural Center

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Um Belo Horizonte: As Artes de Minas Gerais, Brasil Introdução Um panorama histórico do Brasil e de Minas Gerais O Brasil ocupa quase a metade (43%) da superfície terrestre da América do Sul. É o quarto maior país do mundo e o segundo maior do hemisfério ocidental. Mais da metade de seu território é constituído de planícies. A bacia amazônica no Brasil é a maior bacia hidrográfica do mundo. O nome Brasil, como é conhecida a República Federativa do Brasil, é muito mais antigo que a descoberta do Novo Mundo. Já no século XII, havia na Europa a lenda de uma região exótica do outro lado do Atlântico, coberta por matas, cujas árvores — o pau-brasil — produziam uma preciosa tintura vermelha. Após a chegada dos primeiros exploradores portugueses à região em 1500, o nome Brasil prevaleceu sobre Santa Cruz, nome dado inicialmente ao território. As intenções de Portugal em relação à área eram basicamente explorar ao máximo possível os recursos naturais disponíveis; os portugueses, porém, não encontraram nenhuma fonte rápida de riqueza, como o ouro que os espanhóis descobriram em suas colônias americanas, nem uma civilização como a dos maias e a

Projeto geral do parque, Minas Gerais (General Plan of the Square, Minas Gerais), n/a by Comissão Construtora da Nova Capital Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura

dos incas, que possuíam uma cultura desenvolvida, já usando o ouro e as pedras preciosas; os portugueses tampouco encontraram as especiarias que haviam encontrado em suas colônias orientais. Durante os dois séculos seguintes, aproximadamente, o Brasil foi, primeiro, produtor de pau-brasil, e, depois, de cana-de-açúcar. O primeiro produto já se encontrava disponível; o segundo teve sua cultura in-

troduzida e estimulada pelos portugueses, dado o alto valor do açúcar branco na Europa. Muitos africanos foram trazidos para o reino para trabalhar como escravos nas fazendas, estabelecidas quase exclusivamente na zona litorânea, não só porque as terras ali eram mais adequadas ao cultivo, mas também porque a exploração das terras do interior era muito mais dispendiosa e arriscada. Em fins do século XVII, ouro e pedras semipreciosas foram descobertos em Minas Gerais, e o país tornou-se um ponto de destino para muitas pessoas ansiosas por tirar proveito da riqueza recém-descoberta. Durante a segunda metade do século XVIII, revoluções libertárias em outras partes do mundo (notadamente a americana, em 1776, e a francesa, em 1789) disseminavam idéias contra monarquias

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como a de Portugal, que governava o Brasil. O fato de que muitos brasileiros abastados tivessem oportunidade de estudar em universidades européias possibilitou que tais idéias chegassem também ao Brasil. Em 1789, Vila Rica (a cidade capital de Minas Gerais) assistiu à eclosão da Inconfidência Mineira, movimento organizado por membros da elite, entre os quais juízes, sacerdotes, militares e, naturalmente, todos aqueles que se sentiam explorados pelo peso dos impostos da Coroa Portuguesa. A figura de Tiradentes, líder da revolta, ficou para sempre gravada na história brasileira. Tiradentes foi executado pelos portugueses, mas o movimento evidenciou que já havia um forte sentimento nativista reivindicando independência de Portugal, sentimento que continuou a crescer até 1822, quando o Brasil se tornou independente de Portugal, constituindo o Império do Brasil. Depois de 1822, a combinação entre maior liberdade política e um acentuado declínio na produção de ouro (resultante do esgotamento das reservas após anos de mineração intensa) promoveu mudanças radicais na vida de Minas. Ao longo do século XIX houve algumas tentativas de restabelecer

Above:

a produção de ouro, com incentivos a com-

Vista aérea da Praça Raul Soares, Belo Horizonte (Aerial view of the Raul Soares Square, Belo Horizonte), 1973 – 1975 Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura

panhias nacionais, mas sem nenhum efeito; mesmo algumas companhias britânicas especializadas, às quais foram oferecidas algumas áreas, fracassaram. Embora geólogos e outros cientistas não conseguissem restabelecer a extração de ouro, seus estudos sobre o potencial de mineração de ferro na área lançaram a base do que se tornaria a moderna indústria metalúrgica. A exploração do ferro,

Below:

Vista noturna da Igreja São Francisco de Assis, Pampulha (Night view of the St. Francis of Assisi Church, Pampulha), 1970 – 1975 Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura

porém, permaneceu incipiente durante grande parte do século, e somente em 1888 foi inaugurada a primeira usina de processamento de ferro. Com o declínio da produção aurífera, a população que havia dependido do ouro teve de buscar novas atividades econômicas. Havia vilas e cidades espalhadas por uma extensa área de Minas

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Gerais; povoados tinham se estabelecido onde quer que se descobrissem novos veios, mas as áreas entre locais habitados ficaram em grande parte inexploradas. Além disso, a população de Minas, deslocando-se em função da necessidade de “ir atrás do ouro”, estava mais acostumada a movimentos migratórios (algo muito raramente visto nas áreas dedicadas ao cultivo da cana-de-açúcar) e pronta para se mudar e ocupar novos horizontes. Esses fatores determinaram o novo perfil de Minas. As amplas áreas ao redor do rio São Francisco foram ocupadas por fazendas de gado; durante o pico da produção do ouro, os animais necessários para o transporte de mercadorias e para alimentar a população haviam sido fornecidos pelos estados sulistas (notadamente

Praça Rio Branco (Rio Branco Square), 1997 Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura

Paraná e Rio Grande do Sul), mas o uso de fontes externas de animais para transporte e alimentos foi progressivamente

substituído por uma crescente produção pecuária em Minas. Até hoje, essa área concentra um dos maiores rebanhos bovinos do Brasil. Da mesma forma, as áreas entre cidades, que haviam ficado inexploradas, foram progressivamente convertidas em fazendas. Inicialmente, a terra era ocupada por ex-garimpeiros que a cultivavam apenas para sua própria subsistência; entretanto, à medida que se tornava claro que os tempos dourados não voltariam, mais e mais recursos passaram a ser dirigidos para as grandes plantações comerciais. Estabeleceram-se fazendas de cana-de-açúcar, mas estas enfrentavam uma dura competição com as grandes propriedades canavieiras do Nordeste do país. Além de poder escolher e cultivar os produtos que seriam mais aceitos pelos mercados consumidores, Minas tinha a vantagem adicional de haver criado, ao longo das décadas, canais de distribuição no interior de diversas áreas do Brasil – dois luxos impensáveis para as monoculturas que predominavam ao longo da costa. Na metade do século XIX, Minas era novamente uma das províncias mais importantes do Brasil, como havia sido durante os tempos de crescimento rápido da mineração do ouro; nessa mesma época, um novo produto propiciou um ímpeto adicional à economia e também ajudou o estado a conquistar importância política: o café. Durante os anos do Império, a economia brasileira foi muito dependente do café. Minas Gerais possuía grandes áreas de terra fértil ao sul, próximo à fronteira com os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde o plantio foi inicialmente introduzido. Muitas pessoas com capital para investir procuravam uma alternativa para o ouro; a combinação desses fatores levou o café a prosperar em Minas.

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Como em outros estados onde o café teve sucesso, os fazendeiros de Minas se empenhavam em encontrar mão-de-obra qualificada para trabalhar nas grandes plantações de café. O governo de Minas tentou criar colônias de alemães (próximo a Juiz de Fora), italianos (próximo a São João del Rei) e outras, mas a maioria dos europeus se adaptava melhor aos climas mais frios do sul do país, mais parecidos com os climas de seus países de origem. Hoje, é possível distinguir uma influência maior dos colonos portugueses sobre a cultura de Minas, e menor dos imigrantes que vieram mais tarde. Minas Gerais ainda é visto no Brasil como um estado conservador; diversas tradições religiosas (principalmente a católica) são mantidas nas cidades menores; e a figura do mineirinho, o provinciano de aparência ingênua que se revela mais astuto que os espertalhões, é recorrente nas piadas e anedotas brasileiras. Quando o Brasil se tornou uma República em 1889, Minas Gerais era a província mais populosa. A antiga capital provincial, Ouro Preto, não tinha mais a importância que tivera nos tempos dourados. Uma nova capital, Belo Horizonte, foi planejada e inaugurada em 1901.

Oratório de alcova (Bedroom Altar), Minas Gerais, 19th Century Imagem de Santana Mestra (Image of Saint Anne Teacher) Museu do Oratório, Instituto Cultural Flávio Gutierrez

Devido ao poder econômico trazido pelo café e o gado, Minas Gerais e São Paulo eram os dois estados que dominavam o cenário político brasileiro nas primeiras décadas do século XX. Entre a fun-

dação da República e 1926, Afonso Pena, Venceslau Brás, Delfim Moreira e Arthur Bernardes foram os políticos mineiros que se tornaram presidentes da República. No início do século XX, as enormes reservas de ferro do estado começaram a atrair uma atenção crescente de capitalistas internacionais, e a Itabira Iron Ore Company, com capital britânico, foi a

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primeira a receber uma concessão em 1910; em 1918, um capitalista americano, Percival Farquahar, assumiu a direção da companhia. A Itabira acabaria se tornando a Vale do Rio Doce, uma das maiores companhias de mineração do mundo. Em 1921, com capital da França, Bélgica e Luxemburgo, fundou-se a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira em Sabará; foi o primeiro conglomerado da indústria pesada no Brasil. Durante a Segunda Guerra Mundial, o presidente brasileiro Getúlio Vargas aproveitou o interesse que o governo americano tinha no Brasil como aliado e negociou o financiamento para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional; por motivos políticos a companhia foi sediada em Volta Redonda, Rio de Janeiro, mas dependia totalmente do ferro de Minas. Em 1938, o governo concedeu o status de centro industrial à cidade de Contagem, próximo a Belo Horizonte; os incentivos e vantagens que acompanhavam a concessão atraíram muitas empresas para a área e Belo Horizonte tornou-se o centro econômico de Minas Gerais.

O legado barroco de Minas Gerais Da exploração de recursos naturais a expressões artísticas e religiosas A área do estado de Minas Gerais, que é separada dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro por uma cadeia de montanhas, permaneceu inexplorada durante muito tempo. Os bandeirantes, incentivados pela Coroa Portuguesa, foram os primeiros a chegar a Minas. Eles eram os organizadores das bandeiras, expedições particulares que exploravam as terras do interior do Brasil em busca de ouro durante o século XVII e início do século XVIII, e eram assim chamados devido às bandeiras que carregavam para se identificar. Essas expedições tiveram seu início em 1674, mas somente por volta de 1693 foram feitas as primeiras descobertas de ouro; Fernão Dias Pais foi o bandeirante que explorou a região com mais freqüência (hoje, em sua homenagem, a principal rodovia de Minas Gerais que conecta Belo Horizonte a São Paulo leva seu nome). De 1708 a 1710, violentas batalhas foram travadas entre os bandeirantes de São Paulo (os paulistas), que reivindicavam direitos sobre as reservas de ouro descobertas, e os portugueses e outros brasileiros (a quem os bandeirantes chamavam de “emboabas”), que desejavam seu quinhão do ouro; o episódio ficou conhecido como a Guerra dos Emboabas, e ao final os paulistas foram derrotados. De 1693 a 1720, a população de Minas Gerais cresceu muito rapidamente; em 1720, os portugueses declararam Vila Rica capital de Minas (hoje, a cidade é chamada de Ouro Preto). Os primeiros anos do século XVIII assistiram a uma corrida ao ouro de Minas Gerais. Populações de outras áreas do Brasil (particularmente Bahia e Rio de Janeiro) convergiram para as minas; o governo central em Lisboa teve de promulgar uma legislação para impedir a emigração de portugueses para o Brasil. Do século XVIII em diante, as minas ao redor de Ouro Preto transbordavam de ouro e pedras preciosas. O topázio imperial tornou-se a pedra emblemática do Brasil (ver boxe). Muitas cidades compartilharam da riqueza de Minas. Até o início do século XVIII, a cidade de Tiradentes era apenas um povoado chamado Ponta do Morro. Em 1702, João de Siqueira Ponte, juntamente com Tomé Portes, descobriram ouro nos riachos dos arredores. A corrida ao ouro daí resultante logo transformou o lugar em um núcleo mais importante. Pouco tempo depois, o nome do povoado

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foi mudado para Arraial da Ponta do Morro de Santo Antônio, o santo de devoção dos moradores, que construíram uma capela em sua homenagem. Graças à abundância do ouro encontrado, o povoado cresceu rapidamente e, em 1718, elevado à categoria de vila, teve seu nome mudado para São José del-Rei. Nas primeiras décadas do século XVIII, a maioria de suas casas e igrejas já havia sido construída, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (1708) e a Matriz de Santo Antônio (1710). A cidade se espalhou em volta de igrejas e capelas nos altos dos morros (a área de Minas Gerais na qual se situa a cidade é muito montanhosa), e as casas seguiam um padrão que perdura até hoje, fazendo da cidade hoje O topázio imperial O termo “imperial” é usado para distinguir o topázio verdadeiro dos similares de quartzo. Consta que o nome se originou na Rússia do século XIX, onde havia jazidas importantes dessa pedra nos montes Urais. Segundo algumas fontes, o topázio rosa extraído dessas minas era exclusivo da família do czar. Hoje, o comércio da gema geralmente usa o termo “imperial” para o topázio rosa, laranja e vermelho, que se origina principalmente de Ouro Preto, e o exemplar incluído na exposição é da melhor qualidade. As minas de Ouro Preto produzem topázio dos tons laranja ao púrpura rosado. Muitas vezes a pedra é confundida com o citrino, que é mais comum (que é feito por aquecimento da ametista), encontrado em profusão em outras localidades brasileiras. Entretanto, o topázio é facilmente identificado por sua dureza, densidade e brilho superiores. No início, o topázio foi a única gema importante encontrada próximo a Ouro Preto. A pedra preciosa era freqüentemente chamada de topázio “imperial”, em homenagem à realeza brasileira. As variedades de topázio mais comumente encontradas são incolores ou vermelhoacastanhadas. São as de cores raras, como dourado, laranja, rosa, vermelho e púrpura, que geralmente são chamadas de “imperiais” e sustentam o mercado da pedras preciosas. Embora o topázio azul seja ocasionalmente encontrado na natureza, a maioria dessas pedras é produzida artificialmente por uma combinação de tratamento por irradiação e aquecimento. O topázio amarelo e o castanho devem esses tons a centros de cor. A impureza cromo produz tons de rosa a vermelho. Uma combinação de centros de cor e cromo produz o topázio alaranjado. Devido aos seus prismas ásperos e alongados, o topázio é geralmente lapidado na forma de pedras alongadas, nos padrões de talhe esmeralda, oval alongado, cabochão e pera.

conhecida como Tiradentes (após mais uma mudança de nome) um ponto nobre de atração turística. A história de Diamantina, localizada no vale do rio Jequitinhonha na região norte de Minas Gerais, está ligada à descoberta de diamantes, que ocorreu após a descoberta do ouro e, por esse motivo, o estilo da cidade é mais rococó que barroco, refletindo o movimento artístico e arquitetônico em voga na época em que a riqueza das minas de diamante financiaram um crescimento rápido e uma edificação significativa. É patente a influência moçárabe, distinguindo Diamantina de outras cidades da região. Portugal enfrentou dificuldades inesperadas com a mineração. A estrutura da indústria da cana-de-açúcar, que estava concentrada nas mãos de uns poucos fazendeiros que normalmente mantinham boas relações com os funcionários da Coroa, simplificava processos delicados como a tributação e o controle do comércio exterior; as minas, porém, apresentavam uma situação inteiramente diferente. Um número muito grande de pessoas tinha a oportunidade de encontrar ouro, o qual, por sua vez, podia facilmente ser ocultado e contrabandeado. Diz a lenda que Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, hoje a mais antiga igreja de Tiradentes, foi construída com dinheiro do ouro que era contrabandeado das minas pelos escravos (já que as igrejas da época não eram multirraciais), que escondiam o ouro entre os cabelos. Em 1760, relatos sugerem que a produção de ouro em Minas Gerais estava em rápido declínio. Durante um breve período, a produção de diamantes superou a de ouro. Com o progresso financeiro trazido pelo ouro, as cidades de Minas Gerais, e particularmente Ouro Preto, conheceram enorme prosperidade. Ouro Preto conseguiu preservar sua arquitetura e aparência setecentistas. A cidade é considerada um marco nacional e foi declarada patri-

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mônio cultural da humanidade pela UNESCO em 1980. Suas ruas estreitas com calçamento irregular de pedras são um legado do passado colonial do Brasil. A cidade também possui cerca de 20 monumentos religiosos entre igrejas e capelas construídas nos estilos barroco e rococó predominantes no período. Algumas igrejas são magnificamente decoradas em ouro. A Igreja de Nossa Senhora do Pilar é conhecida por conter mais de 400 quilos de ouro e prata em sua decoração interior. Iniciada em 1766, a igreja de São Francisco ostenta no piso térreo, frontispício, púlpitos e chafariz da sacristia a arte do Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa), complementada com pinturas e decorações de Manuel da Costa Athayde, os dois artistas mais importantes do período. A igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída sob a direção do pai do Aleijadinho, Manuel Francisco Lisboa, abriga hoje o Museu do Aleijadinho (ver boxe). A fé católica, trazida ao Brasil pelos portugueses, logo se traduziu em uma extraordinária variedade de expressões, com um amplo repertório de objetos de devoção patrocinado pelas muitas irmandades e grupos sociais; entre esses objetos está o oratório, um pequeno altar para uso doméstico que remonta à Idade Média. A composição eclética da sociedade brasileira foi responsável por uma multiplicidade imprevisível de tais objetos, tanto na forma como no contéudo religioso. Embora os que seguem a tradição reflitam o gosto ortodoxo dos colonizadores abastados (principalmente os estilos barroco, rococó e ne-

Aleijadinho Aleijadinho era filho do arquiteto português Manuel Francisco Lisboa (ativo entre 1728–1767). Ele nasceu no Brasil filho de mãe escrava. Uma estranha doença que provocou o encarquilhamento de suas mãos e pés granjeou-lhe o apelido de o Aleijadinho. Ele construiu igrejas (igreja de São Francisco), esculpiu peças de altar e criou esculturas em madeira e pedra. Reformulou o entalhe em madeira, modificou sua exuberância barroca e introduziu uma nova pureza na arquitetura ao retornar ao conceito de espaço harmônico. Foi também autor de excelente estatuária ao estilo das grandes obras barrocas do passado. As esculturas policromadas em madeira Estações da Cruz, no santuário da igreja em Congonhas do Campo, foram esculpidas entre 1796 e 1799. Os doze profetas em pedra-sabão na frente do santuário de Congonhas do Campo são considerados suas obras-primas.

oclássico), as interpretações populares, em particular as de origem afro-brasileira, deslumbram o espectador por sua engenhosidade e conotação multicultural. Os oratórios incluídos nesta exposição se originam da coleção da filantropa das artes Ângela Gutierrez e fazem parte do acervo permanente do Museu do Oratório de Ouro Preto, por ela criado. Eles ilustram também os vários locais domésticos onde as devoções podiam ocorrer dentro de casa a qualquer momento.

Arte popular, artesanato e artes aplicadas A diferença entre arte popular, artesanato e artes aplicadas nem sempre é clara, e a discussão é particularmente difícil quando se trata do estudo da produção artística da América Latina, até mesmo no século XXI. Não basta analisar um objeto do ponto de vista formal e estético, de sua função ou ausência de função, ou do contexto no qual ele é criado; às vezes é a tecnologia e a comercialização agressiva que precisam ser examinadas antes de ousar classificar uma peça em uma ou outra categoria. A exposição inclui diversos objetos dessa ordem e às vezes é melhor deixar que o público decida a que categoria pertence cada um. Ao lado da bela cidade de Belo Horizonte,de inspiração européia, que tomou forma no final do século XIX, com seu conjunto talentoso, quase extravagante de urbanistas, arquitetos e artistas

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estrangeiros encarregados da construção e desenvolvimento da “cidade ideal”, havia inúmeros núcleos que permaneceram fora dessa visão utópica, abrigando membros menos privilegiados da sociedade. Nessas áreas essencialmente esquecidas no fervor de criar Belo Horizonte floresceram inúmeros artistas autodidatas, como Raimundo Machado, Ana Querino, Valentim Rosa, Ananias Elias, Francisco de Fátima, Maurino de Araújo e Antônio Dionísio. A obra desses artistas, bem como a de muitos outros ainda não identificados, tornou-se o testemunho daqueles que tiveram de lutar para superar os conflitos da exclusão por meio da criatividade e do impulso artístico. Mas a população do estado como um todo (e, na verdade, também do Brasil) manteve vivas muitas tradições de diversas origens culturais e, como exemplo, a exposição inclui a obra de alguns desses artistas menores, autodidatas. Izabel Mendes da Cunha (Córrego Novo, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, 1924) vem de uma das mais pobres regiões de Minas Gerais e do Brasil. Já na infância começou sua atividade artística e, em 1949, mudou-se para Santana do Araçuaí, onde ainda vive com sua família. Na década de 1970, alguém do governo municipal tomou conhecimento de sua obra e a promoveu através da CODEVALE (Comissão de Desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha). Em 2004, recebeu um prêmio do sétimo concurso anual da UNESCO para a América Latina e o Caribe. Suas bonecas de cerâmica se caracterizam pela pele clara, os cabelos louros e os olhos azuis, já que representam um tipo étnico descendente dos imigrantes alemães. Ulisses Pereira (Caraí, Minas Gerais, 1930) é, com sua mulher e dez filhos, uma microempresa. É conhecido como o “ceramista do Apocalipse” por suas estatuetas antropozoomórficas, que lhe valeram sua inclusão na Mostra do Redescobrimento, uma exposição monumental montada em comemoração aos 500 anos do descobrimento do Brasil na Bienal de São Paulo de 2000. Artur Pereira (Cachoeira do Brumado, Minas Gerais, 1920) é um artista autodidata que começou sua carreira cortando madeira em um ateliê de escultura. Seus temas se relacionam com a natureza e a vida rural, e ele também foi incluído na Mostra do Redescobrimento na Bienal de São Paulo de 2000. Geraldo Teles Oliveira (n. Itapecerica, Minas Gerais, 1913; m. Divinópolis, Minas Gerais, 1990), conhecido por sua assinatura característica entalhada com as iniciais “GTO”, começou a esculpir seus primeiros trabalhos utilizando refugos de madeira quando trabalhava como Above:

Mulher com lenço vermelho no pescoço (Woman with a Red Scarf around Her Neck), n/a by Izabel Mendes da Cunha, Collection of Ms. Priscila Freire Below:

Mulher sem braços (Armless Woman), n/a by Izabel Mendes da Cunha, Collection of Ms. Priscila Freire

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vigia durante a construção de um hospital. Mais tarde seus talentos foram reconhecidos e ele foi convidado a expor na Galeria Guignard em Belo Horizonte, em 1967. Nos anos 1970, foi convidado a expor


no Museu Rodin em Paris e foi homenageado com uma sala própria na Décima Terceira Bienal de São Paulo e com uma edição de selos postais em 1977 pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Expôs também na Bélgica, Itália e Nigéria, bem como em diversos pontos do Brasil. Foi tema de dois curta-metragens de Camilo de Souza Filho, O Escultor dos Sonhos e A Árvore dos Sonhos, que evocam o caráter implícito da obra de GTO. Martiniano Moreira de Carvalho, conhecido como “Naninho” (apelido com que assina suas peças), nasceu na vila de Bichinho (ou Vitoriano Veloso, município de Prados, Minas Gerais) em 1962. É o artista responsável pela escultura do Divino (“Espírito Santo”), peça inspirada pela imagem que adorna o altar principal da igreja de Nossa Senhora do Pilar na cidade de São João del Rei. Naninho começou a trabalhar há trinta anos como artesão de santos em madeira, mas há cerca de dez anos recebeu a encomenda de um padre que precisava de um Espírito Santo para um determinado festejo. A peça se tornou um sucesso imediato e hoje ele é conhecido, juntamente com Josias Cardoso Santos, como grande artesão do Divino Espírito Santo. Minas Gerais é uma região que se orgulha de muitas tradições culturais, revelando a composição multifacetada da sociedade e dos processos por que tal sociedade passou ao longo dos séculos. A exposição inclui exemplares de algumas das mais famosas tradições, coloniais e nacionais, tais como os tapetes de arraiolo, tapeçaria característica da cidade de Diamantina. Diamantina é bem conhecida em todo o Brasil por seus tapetes maravilhosos e de alta qualidade confeccionados no tradicional ponto português. Nos arraiolos, que foram adotados pelos artesãos locais muito tempo atrás, os desenhos são tecidos com fios de lã em uma tela de juta e arrematados com uma franja curta em cores naturais. Também do vale do rio Jequitinhonha é a namoradeira, uma estátua policrômica burlesca, feita de argila e representando uma mulher enamorada, ou à espera de se enamorar, normalmenAbove:

Sem título (Untitled), n/a by Geraldo Teles Oliveira “GTO” Collection of Mr. José Alberto Nemer Above right:

Homem-cavalo (Centaur), n/a by Ulisses Pereira Collection of Ms. Priscila Freire

te trajando uma roupa colorida, com um braço pendendo para fora do peitoril de uma janela e com o rosto apoiado na outra mão. Para exibição, a figura da namoradeira é enfeitada com belos tecidos e ladeada por arranjos florais. O estado de ânimo é o de uma moça à espera, na expectativa de ser cortejada ou ansiando por um

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amante ausente. Não há distinção racial quando se trata de ansiar pelo amor, e cada figura transmite um ar romântico seja qual for sua origem racial. De Monte Sião vem a famosa porcelana branca e

6 peças de cerâmica (6 ceramic pieces), 2006 from Louças de Monte Sião

azul. As origens da porcelana de Monte Sião são, ao mesmo tempo, antigas e recentes. A porcelana era uma indústria de pequena escala nessa cidade até que um dia alguém encomendou a reprodução de um jarro azul e branco recentemente trazido de Portugal. O sucesso de tais reproduções foi tamanho que uma fábrica foi oficialmente fundada em 1959 para produzir a porcelana, e hoje ela é uma das principais fontes de sustentação para a cidade, além de estimular o turismo. O segredo da porcelana reside na combinação de gases liberados pela argila queimada em forno à lenha. A fábrica desenvolveu um programa de reflorestamento para contrabalançar o consumo de recursos madeireiros que resulta do uso da lenha no processo de produção de sua porcelana. Existem indicações de uma produção incipiente de objetos de estanho no Brasil durante o século XIX. Mas foi somente em 1968, quando John Somers, um negociante in-

glês de antiguidades, decidiu industrializar a produção de objetos de estanho que seu esforço ficou para sempre ligado à indústria. Hoje, a produção de objetos de estanho no Brasil se diversificou e podem-se encontrar e comprar objetos em desenhos tradicionais e também contemporâneos, como se pode ver a partir dos que foram incluídos na exposição. A cidade de São João del Rei é famosa por fabricar as melhores peças de estanho no Brasil e provavelmente na América do Sul. No Brasil, o estanho é encontrado apenas em Minas Gerais. O selo “JSXMG” — a famosa marca registrada de John Somers — atesta a autenticidade de qualquer peça que o exiba. “JS” são as iniciais do fabricante, “X” significa ausência de impurezas e “MG” atesta a origem da peça de Minas Gerais.

A cidade e as artes de Belo Horizonte Desde os tempos coloniais, uma nova capital provincial no planalto de Minas Gerais havia sido cogitada para substituir a famosa Vila Rica de Ouro Preto, encravada nas montanhas de Minas Gerais. Em 1893, uma comissão estadual designou o local para a Cidade de Minas — como deve-

Manoel Creoulo, n/a by Luiz Olivieri sculpture Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura

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ria ser chamada a nova capital — em um distrito da antiga cidade mineradora de Sabará. O distrito abrigava um povoado conhecido até então como


Below:

Namoradeiras em cerâmica (Flirting Girls), 2000 by Ubiraci Alves de Freitas Right:

Loja em Tiradentes com mostra de “namoradeiras” (Shop in Tiradentes displaying Namoradeiras)

Curral d’El Rei, fundado em 1750 para atender as necessidades de transporte e abastecimento das fazendas de gado de Minas Gerais. Em abril de 1890, teve seu nome mudado para Belo Horizonte. O distrito foi cedido por Sabará no ano seguinte e a cidade foi projetada e construída em um período de quatro anos no final do século XIX. O plano urbano, encomendado ao engenheiro Aarão Reis, seguia o ideal da cidade neoclássica. José de Magalhães foi o responsável pela maior parte das estruturas oficiais, alinhadas arquitetonicamente segundo os princípios da Escola de Belas-Artes de Paris. Em 1897, a Cidade de Minas foi inaugurada pelo presidente do estado, Crispim Jacques Bias Fortes. Um ano depois, ela abrigava uma população de 10.000 habitantes. Em 1901, o nome do distrito no qual estava localizada foi estendido para o município em si, e a Cidade de Minas se tornou Belo Horizonte. A partir daí, a cidade ascendeu como o terceiro assentamento urbano mais importante do Brasil, desempenhando um papel de destaque na transformação do país nas décadas seguintes e adquirindo sua própria importância em todas as áreas da sociedade brasileira. A construção da nova cidade e sua designação como a nova capital de Minas Gerais assinalou uma ruptura com o regime colonial (iniciada com a Proclamação da República no dia 15 de novembro de 1889) e a adoção de uma utopia que concebia a nova cidade como o reflexo de uma nova era. Em diversos sentidos Belo Horizonte simbolizava o desejo do Brasil de antecipar e abraçar o século XX. Na presente exposição, a porcelana policromada Escarradeira, que fazia parte da mobília do teatro municipal (hoje demolido), é testemunho de um país e uma mentalidade em transição do século XIX para o século XX. Muitos artistas franceses, italianos e portugueses iniciaram suas atividades na nova cidade. As estatuetas “Jaburu”, “Mingote”, “Manoel das Moças”, “Fazendeiro”, “Militar” e “Melindrosa”, personagens populares em Belo Horizonte no início do século XX, bem como o retrato do pintor José Jacinto das Neves, incluídos na exposição, são atribuídos a Luiz Olivieri, arquiteto e escultor educado

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em Florença, Itália. Olivieri foi também o projetista de vários prédios da cidade, entre os quais o Palácio Dantas (1916) e o Banco da Agricultura (1919). A chegada da modernidade a Belo Horizonte Durante os anos 1920, desenvolveu-se um movimento literário modernista em Belo Horizonte em decorrência, em parte, da presença de Carlos Drumond de Andrade. Este não estava, de modo algum, sozinho, já que ele e seus amigos Emilio Moura, Pedro Nava, Martins de Almeida e João Alphonsus, também poetas, publicavam seus trabalhos no jornal Diario de Minas. Estabeleceram um intenso intercâmbio com a intelectualidade de São Paulo. Mário de Andrade, durante suas visitas a Belo Horizonte, ajudou a redescobrir o legado crioulo barroco na região. Seu Noturno de Belo Horizonte exulta diante das maravilhas da cidade. À medida que avançava o conflito entre tradição e modernidade, duas correntes literárias se desenvolveram. A mais progressista se reunia em torno de A Revista, enquanto a revista Leite Crioulo aglutinava aqueles dotados de ideais mais nacionalistas. Juscelino Kubitschek de Oliveira

11 peças (11 pieces), 2006 by Núcleo de Arte em Estanho

O processo de integração do Brasil no mundo contemporâneo exigia mudanças em muitas das condições políticas, sociais e econômicas e foi iniciado nos anos 1930. Comandado por Getúlio Vargas, esse processo se concentrou nas cidades de São Paulo e Rio

de Janeiro. Em Belo Horizonte, o momento mais definitivo para o avanço do modernismo ocorreu no início dos anos 1940, com a chegada de Juscelino Kubitschek no cenário político. Kubitschek nasceu em Diamantina, Minas Gerais, no dia 12 de setembro de 1902, filho de imigrantes da antiga República Checa. Mudou-se para Belo Horizonte em 1921, onde concluiu seus estudos de medicina em 1927 e montou um consultório médico. Em 1931, casou-se com Sarah Luiza Gomes de Lemos. Sua carreira política começou em 1934, quando foi escolhido para chefe do gabinete civil do então interventor federal de Minas Gerais, Benedito Valadares. Naquele mesmo ano foi eleito deputado federal — mas não concluiu seu mandato. Em 1937, devido a mudanças políticas decorrentes do advento do Estado Novo, foi obrigado a voltar a sua prática médica. A conjuntura histórica, porém, assinala um momento crucial no qual a política e a cultura nacionais se associam e o potencial artístico é utilizado para fazer o país avançar em termos de progresso e desenvolvimento. A progressiva transformação de Belo Horizonte Nomeado prefeito de Belo Horizonte em 1940 (novamente por Valadares) após outra mudança no cenário político, Kubitschek chamou Oscar Niemeyer, então no início de sua carreira, para liderar diver-

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sos de seus projetos, entre os quais o de reurbanização da Pampulha. Como parte da agenda de Kubitschek, a cidade de Belo Horizonte empreendeu um plano ambicioso de renovação urbana que incluía a abertura de amplas avenidas e a criação de novos distritos: o centro industrial de Contagem (que foi anexado) e o complexo da Pampulha — este último, concebido como um paraíso para o relaxamento e o turismo, incluía um clube, uma igreja, um cassino, um salão de baile e belos jardins; um campus universitário foi acrescentado nos anos 1960, durante o movimento neovanguarda. Um exército de prestigiados arquitetos, planejadores urbanos, paisagistas e artistas, incluindo Niemeyer, Roberto Burle-Marx, Cândido Portinari, José Pedrosa, August Zamoisky, Paulo Osir Rossi e Alfredo Ceschiatti, entre outros, foi encarregado de tornar realidade as várias facetas da nova visão de Kubitschek. Essa visão, em grande parte, tinha a ver com o conceito racionalista e integracionista de projeto, desenvolvido três décadas antes na Bauhaus da Alemanha, capitaneada na França por Le Corbusier, que já estava informado da renascença arquitetural de São Paulo e Rio de Janeiro, na qual o dispositivo brise-soleil, marca registrada de Le Corbusier,

Above right:

Anjo (Angel), 2006 by David Fuzzato

havia feito sua aparição. O experimen-

Right:

antecipava em mais de uma década a

Profeta Jonas (The Prophet Jonah), 2006 by Deusdeti Pinheiro

criação de Brasília. Em 1945, Kubits-

Below:

Câmara Federal pelo Partido So-

Relógio de sol (Sun Dial), 2006 by Expedito

cial Democrata. Após concluir

to de Kubitschek com Belo Horizonte

chek foi novamente eleito para a

seu mandato na Câmara em 1950, foi eleito governador de Minas Gerais. As artes em Belo Horizonte A decoração dos prédios erigidos na construção de Belo Horizonte no final do século XIX foi confiada a Frederico Stekel, que comandou inúmeros pintores e escultores responsáveis pelo embelezamento das estruturas. Vários fotógrafos estrangeiros foram contratados para documentar a história da cidade, a velha e a nova, entre eles o francês Émile Rouède, Francisco Soucasaux e Igino Bonfioli.

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Este último produziu uma série de documentários sobre a vida na cidade e é considerado o primeiro cineasta mineiro. Durante as primeiras duas décadas do século XX, diversos artistas nacionais como Honório Esteves, Belmiro de Almeida, Alberto Delpino e Aníbal Mattos estavam produzindo em Belo Horizonte. A exposição de Zina Aita pode ser considerada a primeira exposição modernista realizada na cidade. O evento coincidiu com a implementação do plano do presidente de Minas Gerais Antonio Carlos de Andrada de reformar a educação no estado, o que trouxe do exterior a educadora Helena Antipoff e a escultora Jeanne Milde. O Salão Bar Brasil, realizado em 1936, representa a adoção, por alguns dos artistas mais avançados da cidade, das idéias sociais em voga sob a liderança de Delpino Júnior e Fernando Pierucetti, que se manifestavam em uma predileção pelo realismo social, em oposição à Sociedade de Belas-Artes de Minas Gerais. As artes em Belo Horizonte nessa época parecem diversificar-se e tomar direções diferentes. O cartunismo político encontrava um representante importante em Monsa, o desenho em Érico de Paula, a caricatura em Alfredo Lavalle, e a fotografia em Francisco Fernandes. A Escola de Belas-Artes de Belo Horizonte foi também criação de Kubitschek durante seu mandato como prefeito da cidade. A escola foi aberta sob a direção de Alberto da Veiga Guignard (n. Nova Friburgo, Rio de Janeiro, 1896; m. Ouro Preto, Minas Gerais, 1962), que estudara na Alemanha, Suíça e França, onde, quase com certeza, absorvera os traços tanto do expressionismo como da Escola de Paris. A escola atraiu uma geração mais jovem que, na década seguinte, contribuiria para transformar a percepção do Brasil e ajudaria a passar o país para o primeiro plano da

Cabeça de Cristo (Christ’s Head), 1960 by Alberto da Veiga Guignard Collection of Ms. Priscila Freire

arte contemporânea. Entre os artistas que começaram a estudar com Guignard e acabaram ganhando renome internacional estão Amilcar de Cas-

tro, Mary Vieira e Maria Helena Andrés. Guignard era um verdadeiro personagem. Priscila Freire, diretora do Museu de Arte da Pampulha, lembra-se dele como uma pessoa que se nutria de sonhos de romance impossível, apaixonando-se por todas as suas alunas e modelos. Jamais possuiu residência e, em vez disso, vivia da bondade dos amigos de uma maneira nômade, compensando sua generosidade com retratos e decorações domésticas de caráter bizarro. O veio expressionista de sua pintura levava muitos de seus retratados a se queixar de que não havia nenhuma semelhança no retrato, ao que ele respondia: “Não se preocupe,

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daqui a cem anos ninguém ligará para isso”. Era fluente em alemão e francês, mas para manter uma conversa com ele, diz Freire, “eram necessárias as habilidosas contorções de um artista de circo”. Seu lábio leporino e gestos incessantes, sua voz anasalada que obrigava o ouvinte a adivinhar o significado de muitos de seus sons, e sua perene atitude apologética faziam dele objeto de compaixão. Ele pintou muitas vezes a imagem de Cristo, mas não necessariamente por impulso religioso. Seu São Sebastião, por exemplo, surgiu como sublimação da dor de seu próprio corpo afetado pelo reumatismo, como ele declarou a alguns amigos. Embora não tivesse nascido em Minas Gerais, apaixonou-se pela paisagem e pelo povo do estado, adotou Ouro Preto como local para viver e ali morreu, deixando atrás de si uma forte marca. Após sua morte, a Escola de Belas-Artes passou a chamar-se, em sua homenagem, Escola Guignard, e pertence hoje à Universidade Estadual de Minas Gerais. Em 1944, sob os auspícios do prefeito Kubitschek, Belo Horizonte organizou uma segunda Semana de Arte Moderna, imitando a famosa Semana de 1922 de São Paulo, que consolidou a vanguarda artística mas também desencadeou controvérsia entre a imprensa conservadora. A partir daí, a jornada para a modernidade em Belo Horizonte não foi um caminho suave. Os anos 1960 se caracterizaram por um endosso coletivo dos movimentos da neovanguarda liderados por artistas como Jarbas Juarez e Nello Nuno, que se opunham à tradição de Guignard e às tendências do geometrismo-concreto e do expressionismo abstrato, populares em São Paulo e Rio de Janeiro. Com o restabelecimento da democracia no início dos anos 1980, as artes em Belo Horizonte aderiram francamente ao caminho rumo à globalização. Artistas contemporâneos de Belo Horizonte

Hoje Belo Horizonte se orgulha de diversos artistas contemporâneos excelentes. Muitos não são bem conhecidos fora das fronteiras do país, mas sua obra pode ser facilmente identificada com as tendências em voga internacionalmente, embora ainda tenha de ser criado na cidade um grande museu que reflita o progresso do cenário contemporâneo. Para a presente exposição, apenas foram incluídos uns poucos artistas, mas eles testemunham a diversidade de expressão e a originalidade do movimento artístico da cidade. Uma personalidade de estatura internacional que surgiu de Minas Gerais é o falecido escultor, pintor, desenhista e designer gráfico Amilcar de Castro (Amilcar Augusto Pereira de Castro, n. Paraisópolis, Minas Gerais, 1920; m. Belo Horizonte, 2002). Estudou com Guignard e Franz Weissmann na Escola de Belas-Artes de Belo Horizonte antes de ir para o Rio de Janeiro em 1953, onde acabou aderindo à tendência da abstração geométrica, tornando-se um dos mais originais artistas neoconstrutivistas brasileiros. Em 1967, recebeu uma bolsa Guggenheim, com a qual viveu quatro anos em Nova Jersey, familiarizando-se com o cenário artístico de Nova York. Conquistou praticamente todos os prêmios nacionais e regionais de escultura no Brasil e expôs em muitas capitais do mundo. Nas palavras do crítico brasileiro Márcio Sampaio, há uma estreita relação entre a escultura de Amílcar de Castro e o ambiente geográfico e econômico de Minas Gerais. Do ponto de vista formal, porém, sua obra vai além da importância anedótica, inscrevendo-se no repertório de linguagens internacionais do terceiro quartel do século XX. Segundo Sampaio, quando Amilcar de Castro trabalhava com uma chapa de ferro — sua marca mais distintiva — a matéria bruta extraída das minas e transformada por um processo industrial radical chegava ao seu destino.

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Os melhores resultados de Cláudia Renault (Belo Horizonte, 1952) são vistos em suas instalações, mas ela também privilegia outros formatos mais tradicionais, tais como o objeto, seja pendurado ou apoiado em uma mesa, portando igualmente a força de sua proposta conceitual e espacial, caracterizada pela ênfase na transparência sugerida por elementos irregulares meticulosamente colocados contra superfícies, paredes ou pisos. A aspereza e aparente arbitrariedade de suas construções em madeira contêm uma abordagem inerentemente lúdica da noção de liberdade e de sua relação com a capacidade dos seres humanos de discernir e escolher o modo de perceber a vida — ou de desejar fazê-lo ao processar as muitas experiências que eles enfrentam em qualquer momento dado de sua existência. A adição do vidro em seu trabalho pertence a um período recente, o material acentuando a essência fundamental de suas construções. Máximo Soalheiro Barroso (Sardoá, Minas Gerais, 1955) é um dos artistas mais singularmente introspectivos de Belo Horizonte. Seu trabalho atual lida com o tipo de caracteres tradicionais da tipografia antiquada e as interrelações visuais geradas pelo espaço ocupado ou vazio de imagens em decorrência do alinhamento de blocos contendo letras e símbolos quando cuidadosamente posicionados em matriz de tipos. Para esta exposição, porém, ele está representado por objetos feitos de argila queimados em alta temperatura, uma técnica autodidata que ele dominou ao longo de trinta anos de prática. Barroso diz que, na verdade, foi seu interesse pela cerâmica, as exigências manuais de manipulação da argila e as propriedades dos minerais utilizados nos esmaltes que o levaram a sua pesquisa em tipografia, com a qual ele vê uma estreita relação. A extraordinária sonoridade como de sino dos objetos moldados segundo formas simples incluídos nesta exposição testemunham o conhecimento de um ofício antigo que desperta evocações e digressões mentais, encurtando a distância entre “belas-artes”, “arte aplicada” e “arte conceitual”. As gravuras de Thaís Salgado Helt (Juiz de Fora, Minas Gerais, 1948), uma veterana gravadora e fundadora, com seu marido George Helt, da Oficina Cinco, um ateliê de litografia aberto a outros artistas, possuem uma grande dose de resistência e personalidade. Seu traço desinibido, expressionista, possui qualidades tanto gráficas quanto pictóricas, de certo modo alinhadas ao que há

This page:

Número 24 (Number 24), n/a by Amilcar Augusto Pereira de Castro Collection of Mr. Pedro de Castro Opposite page:

Número 25 (Number 25), n/a by Amilcar Augusto Pereira de Castro Collection of Mr. Pedro de Castro

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de melhor na abstração clássica brasileira de meados do século XX, mas sua obra também está imbuída de um violento e seco lirismo anti-sentimental que confere à artista uma expressão própria. A peça aqui incluída, parte do acervo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, pertence a sua série mais recente. Os “totens” de Antônio Costa Dias (Belo Horizonte, 1948) pertencem a uma série de objetos tridimensionais feitos de madeira reciclada, metais e decoração arquitetônica de demolições, criando muitas referências ao rico legado barroco de Minas Gerais e ao mesmo tempo advogando noções de preservação e reutilização dos recursos, culturais ou não, que estejam disponíveis para tirar a América Latina da pobreza, não somente em termos econômicos. A impressão que o viajante recebe ao visitar as belas e culturalmente ricas cidades de Minas Gerais e ao mesmo tempo interagir com seu povo hospitaleiro, cordial e incrivelmente criativo, ou ao viajar pela imprevisível geografia da região, desfrutando do impressionante ambiente natural, ainda intocado em muitos lugares, pode começar a explicar a sensação que os mineiros experimentaram quando, na alvorada da República, conceberam a idéia de criar uma nova cidade como capital do estado com o nome de Belo Horizonte. Aqueles que tiveram a oportunidade de observar no crepúsculo o imponente espetáculo criado pelo sol se pondo nas montanhas de Minas, multiplicando — à medida que mergulha na distância — os inúmeros tons de verde enquanto a intensidade do mais azul dos céus se altera em uma seqüência de cores deslumbrantes contra um conjunto de nuvens que se sobrepõem, compreende a metáfora sugerida por tal perspectiva. Para aqueles que ainda não tiveram essa oportunidade, porém, o Centro Cultural espera que esta exposição possa dar uma vaga idéia.

Félix Ángel Coordenador Geral e Curador Centro Cultural do BID

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List of Works I. From the collection of the Museu do Oratório, Instituto Cultural Flávio Gutierrez 1. Oratório de alcova (Bedroom Altar), Minas Gerais, 19th Century Imagem de Santana Mestra (Image of Saint Anne Teacher) anonymous madeira recortada e entalhada, policromia (polychrome, cut and carved wood) open: 20 ¼ x 15 9/16 x 6 7/8 inches • 51.5 x 39.5 x 17.5 cm closed: 20 ¼ x 10 ¼ x 6 11/16 inches • 51.5 x 26 x 17 cm 2. Oratório de salão (Drawing Room Altar), Minas Gerais, 18th Century Nossa Senhora do Rosário (Our Lady of the Rosary) anonymous madeira recortada, entalhada, policromia e douramento (polychrome and gilding, cut and carved wood) 45 11/16 x 27 13/16 x 15 3/8 inches • 116 x 69 x 39 cm

3. Oratório ermida (Chapel Altar), Minas Gerais, 18th / 19th Century Nossa Senhora da Purificação (Our Lady of Purification) anonymous madeira recortada e entalhada, policromia e douramento (polychrome and gilding, cut and carved wood) open: 54 5/16 x 37 13/16 x 13 ¾ inches • 138 x 96 x 35 cm closed: 54 5/16 x 31 ½ x 13 ¾ inches • 138 x 80 x 35 cm 4. Oratório afro-brasileiro (African-Brazilian Altar), Diamantina, Minas Gerais, 19th Century Divino Espírito Santo, Nossa Senhora da Conceição, Santíssima Trindade, Santo Peregrino, São Cosme e São Damião (Divine Holy Ghost, Our Lady of Conception, Holy Trinity, Saint Peregrine, Saint Cosme and Saint Damian) anonymous madeira recortada, resquícios de policromia (cut wood, traces of polychrome) 29 ½ x 14 13/16 x 10 5/8 inches • 75 x 36 x 27 cm

II. From a private collection 5. Topázio Imperial (Imperial Topaz) golden 1.85 karats; and pink 0.55 karats 2 gemstones

6. 6 peças de cerâmica (6 ceramic pieces), 2006 from Louças de Monte Sião large vase: 13 7/8 x 6 ½ inches • 35.24 x 16.51 cm small jar: 8 7/8 x 7 inches • 22.54 x 17.78 cm fountain: 3 7/8 x 12 ½ inches • 9.84 x 31.75 cm planter: 6 ½ x 8 ½ inches • 16.51 x 21.59 cm large jar: 13 x 7 inches • 33.02 x 17.78 cm candy dish: 7 ½ x 7 ½ inches • 19 x 19 cm III. From the collection of Ms. Priscila Freire 7. Sem título (Untitled), n/a by Artur Pereira, b. Cachoeira do Brumado, Minas Gerais, Brazil, 1920 – wooden sculpture 5 x 11 13/16 x 24 inches • 14 x 30 x 61 cm

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8. Casal sentado (Sitting Couple), n/a by Izabel Mendes da Cunha, b. Córrego Novo, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Brazil, 1924 – escultura em barro policromado (sculpture in polychrome ceramic) 20 ½ x 15 3/8 x 12 5/8 inches • 52 x 39 x 32 cm 9. Mulher sem braços (Armless Woman), n/a by Izabel Mendes da Cunha, b. Córrego Novo, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Brazil, 1924 – escultura em barro policromado (sculpture in polychrome ceramic) 31 ½ x 9 7/16 x 8 ¼ inches • 80 x 24 x 21 cm

10. Mulher com lenço vermelho no pescoço (Woman with a Red Scarf around Her Neck), n/a by Izabel Mendes da Cunha, b. Córrego Novo, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Brazil, 1924 – escultura em barro policromado (sculpture in polychrome ceramic) 28 ¾ x 10 ¼ x 12 5/8 inches • 73 x 26 x 32 cm 11. Mulher com pilão (Woman with a Mortar), n/a by Izabel Mendes da Cunha, b. Córrego Novo, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Brazil, 1924 – escultura em barro policromado (sculpture in polychrome ceramic) 29 1/8 x 11 7/16 x 8 11/16 inches • 74 x 29 x 22 cm

12. Homem-cavalo (Centaur), n/a by Ulisses Pereira, b. Caraí, Minas Gerais, 1930 – escultura em barro policromado (sculpture in polychrome ceramic) 9 7/16 x 8 11/16 x 4 5/16 inches • 24 x 22 x 11 cm

13. Mulher-cachorro (Puppy-Girl), n/a by Ulisses Pereira, b. Caraí, Minas Gerais, 1930 – escultura em barro policromado (sculpture in polychrome ceramic) 9 1/16 x 4 ¾ inches • 23 x 26 x 12 cm 14. Cabeça de Cristo (Christ’s Head), 1960 by Alberto da Veiga Guignard, b. Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brazil, 1896 – d. Ouro Preto, Minas Gerais, Brazil, 1962 oil on wood 10 5/8 x 9 13/16 inches • 27 x 25 cm

IV. From the collection of Mr. José Alberto Nemer 15.Coluna de pássaros e frutos (Birds and Fruits Pillar), 1970s by Artur Pereira, b. Cachoeira do Brumado, Minas Gerais, 1920 – d. 2003 wooden sculpture 23 5/8 h. x 15 d. inches • 60 h. x 38 d. cm

16. Sem título (Untitled), n/a by Geraldo Teles Oliveira “GTO,” b. Itapecerica, Minas Gerais, 1913 – d. Divinópolis, Minas Gerais, 1990 wooden sculpture 25 3/16 h. x 6 11/16 l. x 5 ½ d. inches • 64 h. x 17 l. x 14 d. cm

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V. From various sources 17. Namoradeiras em cerâmica (Flirting Girls), 2000 by Ubiraci Alves de Freitas, b. Rio de Janeiro, Brazil, 1971 – 3 pieces ceramic 22 ¼ h. x 1 5/8 l. x 9 13/16 d. inches each • 56.5 h. x 4.1 l. x 25 d. cm each

18. Relógio de sol (Sun Dial), 2006 by Expedito sculpture em pedra-sabão (soapstone) 6 5/16 h. x 7 ½ l. x 2 3/16 d. inches • 16 h. x 19 l. x 5.5 d. cm 19. Anjo (Angel), 2006 by David Fuzzato, cidade de Cel. Chavez sculpture em pedra-sabão (soapstone) 5 3/8 h. x 12 3/16 l. x 4 3/4 d. inches • 39 h. x 31 l. x 12 d. cm 20. Profeta Jonas (The Prophet Jonah), 2006 by Deusdeti Pinheiro, Ouro Preto sculpture pedra-sabão (soapstone) 16 5/16 h. x 7 1/16 l. x 4 5/16 d. inches • 43 h. x 18 l. x 11 d. cm 21. 11 peças (11 pieces), 2006 by Núcleo de Arte em Estanho estanho (pewter) bowl: 6 x 5 3/16 inches • 15.2 x 13.2 cm low, wide flower vase: 9 ¼ x 4 ½ inches • 23.5 x 11.4 cm medium flower vase: 4 ½ x 7 ½ inches • 11.4 x 19 cm tall flower vase: 2 ½ x 12 inches • 6.4 x 30.5 cm classic flower vase: 4 ½ x 7 ¼ inches • 11.5 x 18.5 cm bottle with lid: 3 ½ x 11 ¾ inches • 9 x 30 cm plate: 11 x 8 x 1 ½ inches • 28 x 20.3 x 3.8 cm 6 glasses: 1 ¾ x 3 7/8 inches • 4.5 x 9.8 cm soup tureen with lid: 12 ½ in. x 11 inches • 31.8 x 27.9 cm 22. Tapete arraiolo (Arraiolo Rug), 2004 by Vânia Sales, Diamantina, Minas Gerais 73 x 104 inches • 185.5 cm x 264 cm 23. Divino Espírito Santo (Divine Holy Ghost), n/a by Martiniano Moreira de Carvalho, b. Vitoriano Veloso, Prados, Minas Gerais, 1962 – wood 39 3/8 d. inches • 100 d. cm

VI. From the collection of the Museu Histórico Abílio Barreto, Fundação Municipal de Cultura 24. Escarradeira (Spittoon), n/a vaso em porcelana pintada (painted porcelain) anonymous 6 7/8 h. x 9 7/16 d. inches • 17.5 h. x 24 d. cm 25. Jaburu (Homely Fellow), n/a by Luiz Olivieri, b. Florence, Italy, 1869 – d. Belo Horizonte, Brazil, 1937 sculpture gesso, tinta, moldura, carnação, policromia (polychrome plaster and paint) 13 h. x 4 1/8 l. x 4 d. inches • 33 h. x 10.5 l. x 10 d. cm

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26. Mingote (Smoker), n/a by Luiz Olivieri, b. Florence, Italy, 1869 – d. Belo Horizonte, Brazil, 1937 sculpture argila, tinta, pintura (clay, ink and paint) 6 11/16 h. x 3 1/8 l. x 3 3/8 d. inches • 27 h. x 8 l. x 8.5 d. cm

27. José Jacinto das Neves, n/a by Luiz Olivieri, b. Florence, Italy, 1869 – d. Belo Horizonte, Brazil, 1937 sculpture gesso, madeira, tinta, carnação (plaster, wood and paint) 12 h. x 3 9/16 l. x 3 9/16 d. inches • 30.5 h. x 9 l. x 9 d. cm 28. Melindrosa (Flapper), n/a anonymous sculpture gesso, tinta, pintura (plaster and paint) 17 5/16 h. x 4 l. x 4 ½ d. x 3 1/8 d. inches • 44 h. x 10 l. x 11.5 d. x 8 d. cm 29. Manoel Creoulo, n/a by Luiz Olivieri, b. Florence, Italy, 1869 – d. Belo Horizonte, Brazil, 1937 sculpture argila, tinta, carnação (clay and paint) 11 3/16 h. x 5 ½ l. x 3 9/16 d. inches • 30 h. x 14 l. x 9 d. cm 30. Militar (Soldier), n/a by Luiz Olivieri, b. Florence, Italy, 1869 – d. Belo Horizonte, Brazil, 1937 sculpture argila, tinta, madeira, carnação (clay, paint and wood) 8 11/16 h. x 3 ¼ l. x 3 11/16 d. inches • 22 h. x 8.3 l. x 9.3 d. cm 31. Jogador de futebol (Soccer Player), early 20th Century by Debuh sculpture bronze 17 1/8 h. x 10 ¼ l. x 10 7/16 d. inches • 43.5 h. x 26 l. x 26.5 d. cm 32. Planta topográfica, Cidade de Minas (Topographical Map of the City of Minas), 1893 by Comissão Construtora da Nova Capital photo reproduction 33. Mapa do Município de Belo Horizonte (Map of the City of Belo Horizonte), 1985 by PRODABEL, Aerofoto Cruceiro, S.A. photo reproduction

34. Avenida Liberdade (Liberty Avenue), 1902 – 1905 anonymous photo reproduction 35. Praça Rui Barbosa e Estação Central (Rui Barbosa Square and Central Station), 1946 by Casa da Lente photo reproduction 36. Projeto geral do parque, Minas Gerais (General Plan of the Square, Minas Gerais), n/a by Comissão Construtora da Nova Capital photo reproduction

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37. Visita do Sr. Benedito Valadares, do Prefeito Juscelino Kubitschek e autoridades à construção do Golfe Clube da Pampulha (Visit of Mr. Benedito Valadares, Mayor Juscelino Kubitschek and Authorities Involved in the Construction of the Golf Club in Pampulha), 1943 anonymous photo reproduction 38. Vista aérea do Estádio Magalhães Pinto, O Mineirão, Minas Gerais (Aerial view of the Magalhães Pinto Stadium, O Mineirão, Minas Gerais), 1965 – 1970 anonymous photo reproduction 39. Vista aérea da Praça Raul Soares, Belo Horizonte (Aerial view of the Raul Soares Square, Belo Horizonte), 1973 – 1975 anonymous photo reproduction 40. Vista noturna da Igreja São Francisco de Assis, Pampulha (Night view of the St. Francis of Assisi Church, Pampulha), 1970 – 1975 anonymous photo reproduction 41. Palácio do Governo, Praça da Liberdade (Government Palace, Liberty Square), 1980 – 1985 anonymous photo reproduction 42. Avenida Afonso Pena (Afonso Pena Avenue), 1902 anonymous photo reproduction 43. Quartel da Policía (Police Headquarters), 1902 – 1904 by Francisco Soucasaux photo reproduction 44. Praça Rui Barbosa (Rui Barbosa Square), 1930 – 1935 anonymous photo reproduction 45. Sede da antiga fazenda do Leitão (Headquarters of Old Leitão Estate), 1935 – 1939 anonymous photo reproduction 46. Vista aérea da Praça Raul Soares (Aerial view of Raul Soares Square), 1956 by Câncio de Oliveira photo reproduction 47. Praça Rio Branco (Rio Branco Square), 1997 anonymous photo reproduction

VII. From the collection of the Museu de Arte da Pampulha 48. Sabará, 1961 by Alberto da Veiga Guignard, b. Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brazil, 1896 – d. Ouro Preto, Minas Gerais, Brazil, 1962 oil on wood 18 1/8 x 21 5/8 inches • 46 x 55 cm

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VIII. From the collection of Casa de Guignard Museum 49. Retrato de um homem (Portrait of a Man), n/a by Alberto da Veiga Guignard, b. Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brazil, 1896 – d. Ouro Preto, Minas Gerais, Brazil, 1962 oil on canvas 29 1/8 x 25 inches • 74 x 63.5 cm

IX. From the collection of Mr. Pedro de Castro 50. Número 24 (Number 24), n/a by Amilcar Augusto Pereira de Castro, b. Paraisópolis, Minas Gerais, Brazil, 1920 – d. Belo Horizonte, Brazil, 2002 escultura de corte e dobra (cut-and-fold sculpture) iron 37 3/8 h. inches • 95 h. cm 51. Número 25 (Number 25), n/a by Amilcar Augusto Pereira de Castro, b. Paraisópolis, Minas Gerais, Brazil, 1920 – d. Belo Horizonte, Brazil, 2002 escultura de corte e dobra (cut-and-fold sculpture) iron 15 ¾ h. inches • 40 h. cm 52. Número 26 (Number 26), n/a by Amilcar Augusto Pereira de Castro, b. Paraisópolis, Minas Gerais, Brazil, 1920 – d. Belo Horizonte, Brazil, 2002 escultura de corte (sculpture with cut) iron 15 ¾ h. inches • 40 h. cm X. From the collection of Ms. Claudia Renault 53. Lascas de madeira, zinco e vidro (Slivers of Wood, Zinc and Glass), 2005 by Claudia Renault, b. Belo Horizonte, Brazil, 1952 – 15 ¾ x 78 ¾ x 2 ¾ inches • 40 x 200 x 7 cm XI. From the collection of Mr. Máximo Soalheiro 54.11 pieces by Máximo Soalheiro Barroso, b. Sardoá, Minas Gerais, Brazil, 1955 – em cerâmica de alta temperatura (ceramic, fired at high temperatures) various measurements XII. From the collection of the Inter-American Development Bank 55. Da Série Memória (from the Memory Series), 2005 by Thaís Salgado Helt, b. Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil, 1948 – litografía e collé (lithography and embroidery) 45 11/16 x 33 7/16 inches • 116 x 85 cm XIII. From the collection of Mr. Antônio Costa Dias 56. Totens (Totem Poles), 2000 by Antônio Costa Dias, b. Belo Horizonte, Brazil, 1948 – polychrome wood with relief 3 pieces 78 ¾ h. x 9 3/16 l. x 2 d. inches each • 200 h. x 25 l. x 5 d. cm each

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IDB Cultural Center Books and Catalogs Books Art of Latin America: 1900–1980. Essay by Marta Traba. 180 pp., 1994 Art of Latin America: 1981–2000. Essay by Germán Rubiano Caballero. 80 pp., 2001 Identidades: Centro Cultural del BID (1992–1997). 165 pp., 1997

Catalogs Peru: A Legend in Silver. Essay by Pedro G. Jurinovich, 28 pp., 1992 Journey to Modernism: Costa Rican Painting and Sculpture from 1864 to 1959. Essay by Efraím Hernández V. 20 pp., 1993 Picasso: Suite Vollard. Text provided by the Instituto de Crédito Español, adapted by the IDB Cultural Center. 8 pp., 1993

Figari’s Montevideo (1861–1938). Essay by Félix Ángel. 40 pp., 1995 Crossing Panama: A History of the Isthmus as Seen through Its Art. Essays by Félix Ángel and Coralia Hassan de Llorente. 28 pp., 1995 What a Time It Was...Life and Culture in Buenos Aires, 1880–1920. Essay by Félix Ángel. 40 pp., 1996 Of Earth and Fire: Pre-Columbian and Contemporary Pottery from Nicaragua. Essays by Félix Ángel and Edgar Espinoza Pérez. 28 pp., 1996 Expeditions: 150 Years of Smithsonian Research in Latin America. Essay by the Smithsonian Institution. 48 pp., 1996 Between the Past and the Present: Nationalist Tendencies in Bolivian Art, 1925–1950. Essay by Félix Ángel. 28 pp., 1996

Colombia: Land of El Dorado. Essay by Clemencia Plazas, Museo del Oro, Banco de la República de Colombia. 32 pp., 1993

Design in XXth Century Barcelona: From Gaudí to the Olympics. Essay by Juli Capella and Kim Larrea, adapted by the IDB Cultural Center. 36 pp., 1997

Graphics from Latin America: Selections from the IDB Collection. Essay by Félix Ángel. 16 pp., 1994

Brazilian Sculpture from 1920 to 1990.** Essays by Emanoel Araujo and Félix Ángel. 48 pp., 1997

Other Sensibilities: Recent Development in the Art of Paraguay. Essay by Félix Ángel. 24 pp., 1994

Mystery and Mysticism in Dominican Art. Essay by Marianne de Tolentino and Félix Ángel. 24 pp., 1997

17th and 18th Century Sculpture in Quito. Essay by Magdalena Gallegos de Donoso. 24 pp., 1994

Three Moments in Jamaican Art. Essay by Félix Ángel. 40 pp., 1997

Selected Paintings from the Art Museum of the Americas. Essay by Félix Ángel. 32 pp., 1994

Points of Departure in Contemporary Colombian Art. Essay by Félix Ángel. 40 pp., 1998

Latin American Artists in Washington Collections. Essay by Félix Ángel. 20 pp., 1994

In Search of Memory. 17 Contemporary Artists from Suriname. Essay by Félix Ángel. 36 pp., 1998

Treasures of Japanese Art: Selections from the Permanent Collection of the Tokyo Fuji Art Museum.* Essay provided by the Tokyo Fuji Art Museum, adapted by the IDB Cultural Center. 48 pp., 1995

A Legacy of Gods. Textiles and Woodcarvings from Guatemala. Essay by Félix Ángel. 36 pp., 1998

Painting, Drawing and Sculpture from Latin America: Selections from the IDB Collection. Essay by Félix Ángel. 28 pp., 1995 Timeless Beauty. Ancient Perfume and Cosmetic Containers.* Essay by Michal Dayagi-Mendels, The Israel Museum. 20 pp., 1995

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L’Estampe en France. Thirty-Four Young Printmakers.* Essays by Félix Ángel and Marie-Hélène Gatto. 58 pp., 1999 Parallel Realities: Five Pioneering Artists from Barbados. Essay by Félix Ángel. 40 pp., 1999 Leading Figures in Venezuelan Painting of the Nineteenth Century. Essays by Félix Ángel and Marián Caballero. 60 pp., 1999


Norwegian Alternatives. Essays by Félix Ángel and Jorunn Veiteberg. 42 pp., 1999 New Orleans: A Creative Odyssey. Essay by Félix Ángel. 64 pp., 2000 On the Edge of Time: Contemporary Art from the Bahamas. Essay by Félix Ángel. 48 pp., 2000

First Latin American and Caribbean Video Art Competition and Exhibit.* Essays by Danilo Piaggesi and Félix Ángel. 10 pp., 2002 DigITALYart (Technological Art from Italy).* Essays by Maria Grazia Mattei, Danilo Piaggesi and Félix Ángel. 36 pp. 2003

Two Visions of El Salvador: Modern Art and Folk Art. Essays by Félix Ángel and Mario Martí. 48 pp., 2000

First Latin American Video Art Competition and Exhibit.++ Essays by Irma Arestizabal, Danilo Piaggesi and Félix Ángel. 32 pp., 2003

Masterpieces of Canadian Inuit Sculpture.* Essay by John M. Burdick. 28 pp., 2000

Dreaming Mexico: Painting and Folk Art from Oaxaca.* Essays by Félix Ángel and Ignacio Durán-Loera. 24 pp., 2003

Honduras: Ancient and Modern Trails. Essays by Olga Joya and Félix Ángel. 44 pp., 2001

Our Voices, Our Images: A Celebration of Hispanic Heritage Month. Essay by Félix Ángel. 24 pp., 2003

Strictly Swedish: An Exhibition of Contemporary Design.* Essay by Félix Ángel. 10 pp., 2001

A Century of Painting in Panama.* Essay by Dr. Monica E. Kupfer. 40 pp., 2003

Tribute to Chile, Violeta Parra 1917–1967. Exhibition of Tapestries and Oil Painting.* Essay by Félix Ángel. 10 pp., 2001

Tradition and Entrepreneurship: Popular Arts and Crafts from Peru. Essay by Cecilia Bákula Budge. 40 pp., 2004

Art of the Americas: Selections from the IDB Art Collection.* Essay by Félix Ángel. 10 pp., 2001

Vive Haïti! Contemporary Art of the Haitian Diaspora. +* Essay by Francine Farr. 48 pp., 2004

A Challenging Endeavor: The Arts in Trinidad and Tobago.* Essay by Félix Ángel. 36 pp., 2002 Paradox and Coexistence: Latin American Artists, 1980–2000.* Essay by Félix Ángel. 10 pp., 2002 Graphics from Latin America and the Caribbean* at Riverside Art Museum, Riverside, California. Essay by Félix Ángel. 28 pp., 2002 Faces of Northeastern Brazil: Popular and Folk Art.* Essay by Félix Ángel. 10 pp., 2002 Graphics from Latin America and the Caribbean* at Fullerton Art Museum, California State University, San Bernardino, California. Essay by Félix Ángel. 10 pp., 2002 The Art of Belize, Then and Now. Essays by Félix Ángel and Yasser Musa. 36 pp., 2002

Tradizione ed Impresa: L’arte popolare e mestieri di Perú.*** Essay by Cecilia Bákula Budge. 10 pp., 2004 II Inter-American Biennial of Video Art.* Essay by Félix Ángel. 10 pp., 2004 Nikkei Latin American Artists of the 20th Century: Artists of Japanese Descent from Argentina, Brazil, Mexico, and Peru. Essay by Félix Ángel. 32 pp., 2005 Paradox and Coexistence II: Art of Latin America 1981–2000.* Introduction by Félix Ángel. 10 pp., 2005 II Inter-American Biennial of Video Art of the IDB Cultural Center.++ At the Istituto Italo Latino Americano, Rome, Italy. Essays by Félix Ángel and Irma Arestizábal. 52 pp., 2005 At the Gates of Paradise: Art of the Guaraní of Paraguay. Essays by Bartomeu Melià i Lliteres, Margarita Miró Ibars and Ticio Escobar. 42 pp., 2005

Catalogs are in English and Spanish unless otherwise indicated * English only ** English and Portuguese *** Italian only + Spanish only ++ Spanish and Italian +* English and French Selected books and catalogs may be purchased from the IDB Bookstore, 1300 New York Avenue, N.W., Washington, D.C. 20577 Website: www.iadb.org/pub E-mail: idb-books@iadb.org

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The IDB Cultural Center was created in 1992 and has two primary objectives: (1) to contribute to social development by administering a grants program that sponsors and cofinances small-scale cultural projects that will have a positive social impact in the region, and (2) to promote a better image of the IDB member countries, with an emphasis on Latin America and the Caribbean, through culture and increased understanding between the region and the rest of the world, particularly the United States. Cultural programs at headquarters feature new as well as established talent from the region. Recognition granted by Washington, D.C., audiences and press often helps propel the careers of new artists. The Center also sponsors lectures on Latin American and Caribbean history and culture, and supports cultural undertakings in the Washington, D.C., area for the local Latin American and Caribbean communities, such as Spanish-language theater, film festivals, and other events. The IDB Cultural Center Exhibitions and the Concerts and Lectures Series stimulate dialogue and a greater knowledge of the culture of the Americas. The Cultural Development in the Field program funds projects in the areas of youth cultural development, institutional support, restoration and conservation of cultural patrimony, and the preservation of cultural traditions. The IDB Art Collection, gathered over several decades, is managed by the Cultural Center and reflects the relevance and importance the Bank has achieved after four decades as the leading financial institution concerned with the development of Latin America and the Caribbean.

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Exhibition Committee Félix Ángel Curator of the Exhibition and Essay Contributor Luiz Antônio Athayde Ângela Gutierrez Priscila Euler Freire de Carvalho Thaís Velloso Cougo Pimentel Gelcio Fortes Advisors Vanessa Amarante Coordinator of Logistics in Belo Horizonte

• José Ellauri Catalogue Designer Daniel Mansur, Studio PIXEL Ltda., Brazil Wilhelm Heinz and Félix Ángel, IDB Photography Cid Knipel Moreira, Michael Harrup, and Eloisa Marques Translation and Edition

Acknowledgments The IDB Cultural Center would like to thank all persons and institutions that contributed to make this exhibition possible, especially: His Excellency Roberto Abdenur, Ambassador of Brazil to the United States of America; His Excellency Osmar Chohfi, Ambassador of Brazil to the Organization of American States; Murilo Gabrielli, Cultural Attaché, Embassy of Brazil to the United States of America; Aécio Neves da Cunha, Governor of the State of Minas Gerais; Fernando Damata Pimentel, Mayor of the City of Belo Horizonte; and Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, Mayor of the City of Ouro Preto. At the Prefeitura Municipal of Belo Horizonte: Maria Antonieta Antunes Cunha, President of the Municipal Cultural Foundation; Rodrigo de Oliveira Perpétuo, Municipal Assistant Secretary for International Relations; Fernando Antônio de Vasconcelos Lana Souza, Chief Executive Officer of the Municipal Tourism Enterprise–BELOTUR; Thaís Velloso Cougo Pimentel, Director of the Museu Histórico Abílio Barreto; Priscila Euler Freire de Carvalho, Director of the Pampulha Museum of Art; Maurício Goulard, Advisor to the Presidency of the Municipal Cultural Foundation; Sérgio Teixeira Lopes, Director of Tourist Promotion at BELOTUR; and Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, Expert Technician Advisor to the Office of Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. At the State of Minas Gerais Goverment: Wilson Brumer, State Secretary of Economic Development; Eleonora Santa Rosa, State Secretary of Culture; Marcelo Braga de Freitas, Assistant Secretary in the State Secretariat of Culture; Luiz Antônio Athayde, Deputy Secretary for International Affairs, Executive Coordinator of the 47th IDB Annual Meeting; Deise Lustosa, Director of the Museu do Oratório; Gelcio Fortes, Director of the Museu Casa de Guignard, Ouro Preto; Francisco Magalhães, Director of the Museu Mineiro; Silvana Souza do Nascimento, Superintendent of Museums, State Secretariat of Culture; Maria Lígia Dutra, Communication Advisor, State Secretariat of Economic Development; Maria Amélia Dornelles D’Ângelo, Superintendent of Crafts, State Secretariat of Economic Development; Sarah Rocha Dias, Director of Programs, State Secretariat of Economic Development; Vanessa Amarante, External Relations Advisor, State Secretariat of Economic Development; and Helder Guimãraes, State Secretariat of Economic Development. At the Federal Goverment: Antônio Augusto Arantes Neto, President of the Institute of Historic and Artistic National Heritage (IPHAN); Ana Maria Barroso, Executive Secretary of the IPHAN Advisory Council; and Fabiano Lopes de Paula, Regional President of IPHAN. At the Municipal Prefeitura of Ouro Preto: Neno Vianna, Press Officer. Renata Canabrava França, Retina Marketing e Eventos, Ltda., exporter; Ângela Gutierrez, collector and benefactor; José Alberto Nemer, Pedro de Castro, collectors; Antônio Costa Dias, Máximo Soalheiro Barroso, Claudia Renault, Thaís Salgado Helt, artists. Special thanks to Waldemar W. Wirsig, IDB Representative, Ligia Ximenes and Maysa Provedello, at the IDB Office in Brasilia.


Inter-American Development Bank Cultural Center Gallery 1300 New York Avenue, N.W. Washington, D.C. 20577 Tel. 202 623 3774 – Fax 202 623 3192 e-mail IDBCC@iadb.org www.iadb.org/cultural

February 22 to May 12, 2006 Monday-Friday, 11 a.m. to 6 p.m.

A Beautiful Horizon: The Arts of Minas Gerais, Brazil  

The exhibition comprises 56 objects that unites Baroque oratórios, folk and popular art, applied arts and works by contemporary artists repr...

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