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MOP$10

TERÇA-FEIRA 24 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4099

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CHRISTOPHER FURLONG/GETTY IMAGES

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

VIGILÂNCIA

GRANDE PLANO

PÁGINA 7

MAIORES E VACINADOS

FILMES DA CELA

PÁGINA 8

hojemacau

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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APARTHEID MODERNO

CHINA

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ISRAEL

Voos domésticos Kevin Ho, sobrinho do antigo Chefe do Executivo Edmund Ho, é um dos directores da Eagle Airways, a empresa-mãe da Viva Macau que deve 212 milhões de patacas aos cofres da RAEM. Pereira Coutinho revela que vai entregar um pedido de debate público na Assembleia Legislativa sobre o assunto, enquanto o director dos Serviços de Economia pediu compreensão à população. ÚLTIMA


2 grande plano

24.7.2018 terça-feira

ISRAEL

SEGREGACAO NO

CHRISTOPHER FURLONG/GETTY IMAGES

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Há quem lhe chame o novo apartheid. A Lei Básica da Nação-Estado aprovada, na semana passada, no parlamento israelita define que apenas os judeus têm direito à autodeterminação. Entretanto, os árabes que têm sido vítimas de crescentes restrições, ficam cada vez mais isolados. União Europeia e Nações Unidas estão preocupadas com a situação

PARLAMENTO APROVA LEI QUE LIMITA AUTODETERMINAÇÃO A JUDEUS

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PÓS um intenso debate, de mais de oito horas, no parlamento israelita, a "Lei Básica da Nação-Estado" foi aprovada com 62 votos a favor e 55 contra. O diploma está envolto em controvérsia, e foi considerado por alguns sectores políticos

como discriminatório. Muitos dos deputados árabes israelitas não participaram na votação. A polémica lei consagra Israel como nação judaica, "lar nacional" do povo judaico e o hebraico como única língua oficial. A língua árabe perde direitos, os colonatos judeus são considerados de interesse estratégico nacional e Jerusalém,

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"una e indivisa", será a capital do país. Além disso, a nova legislação determina que apenas os judeus têm o direito de autodeterminação no país. Para o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apoiado por uma maioria de direita e de extrema direita, trata-se de uma vitória e fortalecimento da de-

MINORIAS COMUNIDADE LGBT ISRAELITA CONTRA EXCLUSÃO NA LEI

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comunidade LGBT israelita está contra a exclusão de homossexuais da lei da sub-rogação, aprovada na semana passada, juntamente com a nova lei de Nação-Estado que declara o país nação judaica e o hebraico língua oficial. Membros e apoiantes da comunidade

LGBT de Israel estiveram no domingo em protesto contra a exclusão de homossexuais da lei. Os protestantes marcharam em Telavive e em outras cidades israelitas, exibindo bandeiras com as sete cores do arco-íris — símbolo da comunidade LGBT (lésbicas, 'gays', bissexuais e tran-

sexuais) — e bloquearam, inclusive, uma autoestrada durante algum tempo. A comunidade contesta a legislação apoiada pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que prevê a sub-rogação para pais homossexuais (a substituição numa relação jurídica duma pessoa por outra que toma o

seu lugar). O chefe do Governo de Israel acabou por votar contra, alegadamente sob a pressão dos parceiros de coligação ultraortodoxos. Os protestos evoluíram para um alerta sobre a igualdade, considerando que a legislação aprovada parece ter como alvo o liberalismo israelita.

As manifestações foram amplamente apoiadas por centenas de entidades patronais que permitiram funcionários observar e participar nos protestos sem penalizações. Ainda para este domingo está programado um comício, na Praça Rabin, em Telavive.

mocracia em que a maioria tem o direito de decisão, refere a LUSA. O objectivo "é garantir o carácter de Israel como o Estado nacional dos judeus, para definir na Lei Básica os valores de Israel como um Estado democrático judaico, no espírito dos princípios da Declaração de Independência", de acordo com um comunicado


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SECULO XXI ´

por referir a porta-voz do Serviço Europeu de Acção Externa da União Europeia, Federica Mogherini, na conferência de imprensa diária do executivo comunitário. “Estamos muito preocupados e já expressámos essa preocupação. Vamos continuar a comunicar com as autoridades israelitas dentro deste contexto”, referiu a porta-voz, citada pela agência de notícias Reuters.

“Reafirmamos que as Nações Unidas respeitam a soberania dos estados na definição do seu carácter constitucional bem como enfatizamos a necessidade de todos aderirem aos princípios dos direitos humanos, incluindo a protecção dos direitos das minorias.” FARHAN HAQ PORTA-VOZ DA ONU

"Fomos muito claros na nossa defesa de uma solução para o conflito israelo-palestiniano com dois Estados, com Jerusalém como capital, e acreditamos que esta decisão torna mais difícil que esta se torne realidade", sublinhou. Ao ser questionada sobre a possibilidade de a UE "condenar ou reprovar" que o árabe deixe de ser considerado língua oficial ou que se promovam as comunidades exclusivamente judias, Maja Kocijancic limitou-se a manifestar a sua preocupação e a assegurar que esta foi comunicada ao Governo de Israel. publicado na página da Internet do Knesset, parlamento de Israel. Até aqui, a menção directa à identidade judaica tinha sido sempre evitada devido à existência de outras culturas e religiões no país, que vivem em Israel desde a sua criação, em 1948, e que representam cerca de 20 por cento da população - 1,8 milhões de uma população total de cerca de nove milhões. A minoria árabe no parlamento israelita considera que morreu a democracia em Israel com a criação de um estado segregacionista. O Centro de Apoio Jurídico às Minorias Árabes defende que “a aprovação desta lei representa uma tentativa de implementar a superioridade étnica através da promoção de políticas racistas".

CATEGORIAS ESPECIAIS

A proposta de lei inicial que incluía um artigo relativo à "criação de

A nova legislação determina que apenas os judeus têm o direito de autodeterminação no país comunidades no país compostas por motivos de fé ou origem" foi muito criticada pelo Presidente de Israel, Reuven Rivlin, como sendo discriminatória, tendo o artigo sido retirado. De acordo com a nova legislação, "os árabes terão uma categoria especial, todos os judeus terão o direito de migrar para Israel e obter a cidadania de acordo com as disposições da lei, o Estado agirá para reunir os judeus no exílio". Durante as alegações e diante de uma câmara praticamente vazia, o parlamentar palestiniano de nacionalidade israelita Ayman Odeh, da

United List (Lista Unida), denunciou a falta de carácter democrático da proposta iniciativa e ergueu uma bandeira negra para representar "o funeral da democracia". O primeiro-ministro israelita foi alvo de duras críticas durante o mesmo debate. Outro deputado palestiniano Jamal Zahalka afirmou que Benjamin Netanyahu está a forçar os cidadãos a escolherem entre serem judaicos ou democratas.

PREOCUPAÇÃO INTERNACIONAL

A União Europeia fez questão de manifestar a sua preocupação com a aprovação da lei da nacionalidade judaica pelo parlamento israelita, mas escusou-se a condenar a lei que consagra Israel como nação judaica, "lar nacional" do povo judaico, e o hebraico como única língua oficial. "A democracia e a igualdade, relativamente às minorias, continuam a ser a base da nossa associação com Israel", começou

DIREITOS POUCO HUMANOS

De acordo com a agência noticiosa chinesa, Xinhua, também a Organização das Nações Unidas (ONU) já expressou a sua relutância face à decisão israelita. “Reafirmamos que as Nações Unidas respeitam a soberania dos estados na definição do seu carácter constitucional bem como enfatizamos a necessidade de todos aderirem aos princípios dos direitos humanos, incluindo a protecção dos direitos das minorias”, disse o porta voz da ONU, Farhan Haq, citado pela Xinhua. De acordo com a mesma fonte, Haq apontou ainda que a única solução para se conseguir uma paz duradoura capaz de resolver o estado permanente de conflito e que tenha em conta as aspirações dos dois povos é através da negociação de uma solução que inclua a existência de dois estados. “Apelamos mais uma vez a todas as partes para evitarem mo-

Análise

PACHECO PEREIRA REALÇA A OFICIALIZAÇÃO DO APARTHEID

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GORA não foi sequer a gota de água, foi uma torrente que se abriu com a nova lei da nacionalidade que institui na prática uma situação de apartheid e de racismo”. As palavras são de José Pacheco Pereira num artigo de opinião publicado no jornal Público. O ex-deputado e historiador lamenta as transformações que estão a acontecer num país que um dia fez parte da sua admiração. “Sempre fui amigo de Israel e não só pelas razões que vêm do Holocausto (…) eram pró-israelitas contra ‘as monarquias feudais árabes’, até aos eventos mais recentes que colocavam uma pequena democracia armada no meio de inimigos governados por ditaduras, umas mais cruéis do que as outras, mas nenhuma recomendável”, começa por dizer. No entanto, “o ‘querido Bibi’ acossado pela Justiça empurrou a actual legislação racista que acaba com os últimos traços de um Estado de Israel que pertencia a judeus e árabes, assente na “completa igualdade de direitos políticos e sociais (...) para todos os seus habitantes, independentemente de religião, raça e sexo, como se lia na Declaração de Independência de 1948”, remata Pacheco Pereira. vimentos unilaterais que possam boicotar uma solução de paz”, cita a Xinhua. A Turquia, que se opôs peremptoriamente à decisão, anunciada no ano passado, dos Estados Unidos em deslocar a embaixada daquele país para Jerusalém, também criticou a aprovação da nova lei. “Identificar o direito à autodeterminação como um direito dado apenas a judeus é o resultado e uma mentalidade ultrapassada e discriminatória”, disse o ministro dos negócios estrangeiros, de acordo com a Reuters. O porta-voz do presidente Tayyip Erdogan, Ibrahim Kalin , apelou mesmo à comunidade internacional “para reagir a esta injustiça que está a acontecer à frente dos olhos do mundo inteiro”, lê-se. O porta-voz presidencial criticou ainda aquilo a que chamou de “movimento racista que vai servir para acabar com o povo palestiniano e proibi-lo de viver na sua terra quer fisicamente, quer legalmente”, disse. Sofia Margarida Mota com agências info@hojemacau.com.mo


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Este é também o artigo que impede os juízes de nacionalidade portuguesa de se envolverem nos casos em que esteja em casa a segurança nacional. Nesse aspecto, segundo Vong Hin Fai, a maioria concorda com a opção do Governo e considera que “não viola a Lei Básica nem coloca em causa a independência da Justiça”.

POLÍTICAS CONTRADITÓRIAS

O presidente da comissão questionou a lógica do aumento do número de processos com tribunal singular, quando o número de juízes do TJB não sofre alterações

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S deputados querem saber quais vão ser os critérios aplicados pelo Conselho dos Magistrados Judiciais para atribuir os processos em que estão em causa infracções à lei relativa à defesa de segurança do Estado. A proposta do Governo apresenta diferenças entre a versão portuguesa e chinesa e não explica como vai ser respeitado o princípio do juiz natural, ou seja as regras objectivas que visam garantir a independência e a imparcialidade dos tribunais na atribuição dos juízes. As dificuldades em relação a este aspecto foram reconhecidas, ontem, pelo deputado e advogado Vong Hin Fai, que lidera a comissão que está a discutir o diploma na especialidade.

JUSTIÇA ORGANIZAÇÃO DE BASES JUDICIÁRIA LEVANTA DÚVIDAS

Uma meia lei

Imprecisões entre a versão chinesa e portuguesa, artigos que não explicam os procedimentos que garantem a independência dos tribunais e opções incoerentes. São estas as dificuldades enfrentadas pelos deputados na análise às alterações da lei de organização judiciária proposta pelo Governo Segundo a proposta de alteração à Lei de Bases da Organização Judiciária, o julgamento de casos relacionados com a segurança do Estado

“cabe a juízes previamente designados pelo Conselho dos Magistrados Judiciais, por períodos de dois anos, de entre os de nomeação definitiva e

A agilização dos procedimentos para a obtenção de licenças interdepartamentais foi um dos assuntos que esteve ontem a ser discutido pela Comissão de Coordenação

da Reforma da Administração Pública. Durante o encontro, segundo um comunicado, a secretária para a Administração e Justiça “apontou para a necessidade de se

prosseguir e concretizar a racionalização dos quadros e a simplificação administrativa”. Por outro lado, Sónia Chan comentou o Governo electrónico e sublinhou

que a responsabilidade não é apenas de um único serviço, mas de todos e que todos se devem envolver. A governante disse também esperar que “as dificuldades e os

GCS

Administração Pública Sónia Chan debate simplificação de licenças

que sejam cidadãos chineses”. O mesmo se aplica aos magistrados do Ministério Público, que vão ser nomeados pelo Procurador da RAEM.

No entanto, a versão chinesa não faz a distinção entre o singular e o plural, podendo ser entendida com a nomeação de juiz para estas situações. “Na versão portuguesa o artigo menciona magistrados no plural. Mas na versão em chinês não fica claro que seja no plural, pode ser no singular. Temos de questionar o Governo para saber se se trata de um magistrado, ou dois ou mais”, admitiu Vong Hin Fai. “Também temos de perguntar [ao Governo] como se salvaguarda o princípio do juiz natural. O juiz para estes casos tem de ser de nomeação definitiva e cidadão chinês. Como vai ser o processo de designação para o processo crime? Vai ser por sorteio ou haverá uma outra forma?”, questionou.

obstáculos que possam surgir sejam resolvidos em conjunto através de debate e consenso, de modo que os referidos trabalhos se realizem com êxito”.

De acordo com o presidente da comissão, houve a intenção política de acelerar os processos, com uma maior aposta nos tribunais singulares, ou seja só com um juiz, em vez dos tribunais colectivos, que têm três magistrados. Assim, as acções penais que envolvam um pedido de indemnização até um milhão de patacas passam a ser julgados por um único juiz. Actualmente, o tribunal só tem um juiz nas acções até 50 mil patacas. A partir desse valor os casos são decididos por três juízes. Vong Hin Fai revelou que os deputados estão preocupados com uma eventual diminuição da qualidade das decisões dos tribunais: “A intenção do proponente [Governo] é acelerar os processos. O tribunal individual é normalmente mais célere, enquanto o colectivo é mais demorado por causa da constituição. A comissão entende o objectivo”, ressalvou. “Mas o tribunal colectivo tem três magistrados e a decisão é tomada com base numa votação dos três e não só num. Por isso a comissão manifesta preocupação face à qualidade dos julgamentos perante a possibilidade dos tribunais individuais assumirem a maioria dos casos”, acrescentou. O presidente da comissão questionou a lógica do aumento do número de processos com tribunal singular, quando o número de juízes do TJB não sofre alterações, mantendo-se nos 32. Contudo, o tribunal colectivo vai ter menos casos, mas vê o número de juízes aumentado de 8 para 12. Também em relação a este aspecto, a comissão mostrou muitas dúvidas. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


política 5

terça-feira 24.7.2018

Leong Sun Iok submeteu uma proposta de debate em que defende o adiamento do regime de trabalho a tempo parcial. Para o deputado dos Operários, o documento que foi alvo de consulta pública reduz as garantias mínimas oferecidas pela lei laboral

AL PROPOSTO DEBATE SOBRE ADIAMENTO DO REGIME DE TRABALHO A TEMPO PARCIAL

GCS

Mínimos por cumprir

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PEDRO ANDRÉ SANTOS

OR considerar que “o Governo não deve baixar o padrão mínimo das garantias” da actual lei laboral, Leong Sun Iok defende que o regime de trabalho a tempo parcial deve ser adiado até que haja “um amplo consenso” e uma “boa proposta”. Numa proposta de debate, o deputado sustenta que o documento submetido a consulta pública no ano passado contraria as garantias básicas constantes da Lei das Relações de Trabalho. Leong Sun Iok dá exemplos: “O trabalhador a tempo parcial tem direito a licença por falta e a licença de maternidade não remunerada; não se aplicam os regimes de período experimental, férias anuais, aviso prévio ou indemnização por resolução de contrato; e as partes podem acordar uma compensação adicional por prestação de trabalho extraordinário ou em dia de descanso semanal ou dia de feriado obrigatório”. Disposições que,

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argumenta, “violam os critérios mínimos da Lei das Relações de Trabalho e contrariam o princípio e o espírito da lei de bases da política de emprego e dos direitos laborais, reduzindo a protecção legal existente para os trabalhadores a tempo parcial”. “Por exemplo, vários portadores de deficiência trabalham menos de 18 horas por semana, assim, caso seja aplicado o novo regime, provavelmente o empregador vai optar pelo regime de trabalho a tempo parcial para contratações, o que resultará na redução das actuais garantias laborais bási-

deputado Leong Sun Iok defende que a apreciação dos pedidos de residência na qualidade de técnico especializado deve passar a ser uma responsabilidade da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) ou da Comissão de Desenvolvimento de Talentos. O membro da Assembleia Legislativa acredita que estes órgãos do Governo são os mais capacitados para efectuar os trabalhos de supervisão dos pedidos e avaliar se as pessoas que pedem a residência têm as capacidades exigidas.

cas”. “Sem as devidas garantias, dificilmente se consegue encorajar os trabalhadores a tempo parcial a integrarem o mercado de trabalho”, enfatiza o também membro do Conselho Permanente de Concertação Social.

FALTA DE CONSENSO

Na proposta de debate, que terá de ser votada pelos seus pares, o deputado também coloca a tónica na ausência de um “amplo consenso” na sociedade, dado que, à luz dos resultados da consulta pública, “o número dos que se opuseram à criação deste regime foi quase

duas vezes maior do que o dos apoiantes”, o que “já é suficiente para reflectir as preocupações” em relação ao regime em causa”.

“Ao legislar, o Governo tem de prometer a impossibilidade de o citado regime vir reduzir as vigentes garantias básicas da Lei das Relações de Trabalho.”

“Ao legislar, o Governo tem de prometer a impossibilidade de o citado regime vir reduzir as vigentes garantias básicas da Lei das Relações de Trabalho, não devendo discriminar e explorar os trabalhadores a tempo parcial”, aponta Leong Sun Iok, para quem “não convém legislar e implementar, forçadamente, o regime de trabalho a tempo parcial”. A proposta de debate, datada de dia 12, foi entretanto admitida pela Assembleia Legislativa, estando por agendar o plenário para a votação.

Revolução na continuidade Leong Sun Iok quer pedidos de residência com parecer de DSAL ou da Comissão de Talentos

Actualmente, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) é a entidade responsável pelos pedidos de residência por técnicos especializados do exterior e ainda por pessoas que tenham efectuado investimentos relevantes na RAEM. Segundo um artigo no Jornal do Cidadão, Leong Sun Iok defende que no que diz respeito aos investimentos, o IPIM é a entidade mais competente

para tratar dos processos, pelo que não deve haver alterações. Contudo, sustenta que o mesmo não se verifica em relação aos trabalhadores especializados.

MAIS INTERVENÇÃO GOVERNATIVA

Por outro lado, o deputado explicou que têm sido as empresas a assumirem o papel dominante nos processos de residência para

técnicos especializados, com a justificação que é necessário suprir falhas no mercado. Porém, para Leong Sun Iok esta é uma função que devia ter sido assumida pelo Governo, para evitar a importação de mão-de-obra desnecessária, mas que pratica preços mais baratos. Também segundo Leong Sun Iok, o Executivo deve melhorar as políticas de imigração e garantir que

Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

os imigrantes contribuem efectivamente para a região, ao invés de facilitar o desperdícios de recursos. As declarações de Leong são mais uma reacção ao caso dos pedidos de residência divulgado pelo Comissariado contra a Corrupção, em que foram relatadas várias irregularidades nos pedidos de residência para trabalhadores especializados e investimentos considerados relevados para a RAEM. Vítor Ng

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6 sociedade

A corrida ao ordenado

SOFIA MARGARIDA MOTA

24.7.2018 terça-feira

Yat Yuen garante salários até 31 de Agosto

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Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen) vai prolongar o pagamento dos funcionários a tempo inteiro do canídromo até 31 de Agosto. Já quem trabalhavam naquele espaço em regime de part-time, vai receber o ordenado até 15 de Agosto. No que respeita a indeminizações, serão pagas dentro do período de nove dias úteis após a cessação do contrato. A informação foi dada ontem numa reunião entre a Yat Yuen e os trabalhadores do Canídromo e organizada em conjunto com a Sociedade de Jogos de Macau (SJM), o Macau Jockey Club e a Macau Slot. Durante o encontro houve quem se manifestasse descontente com a forma como a empresa está a tratar dos processos laborais. De

acordo com o canal chinês da TDM, um funcionário presente na sessão mostrou-se insatisfeito com a falta de comunicação por parte da Yat Yuen, revelando que o único contacto que tiveram foi um pedido para esperarem por um telefonema. A concessão do Canídromo acabou na passada sexta-feira deixando sem trabalho 129 funcionários. Também ontem tiveram início as sessões de recrutamento dos trabalhadores do Canídromo por parte da SMJ. De acordo com a mesma fonte, estão disponíveis 300 vagas e as sessões vão manter-se durante cinco dias. Na sessão de ontem, participaram 94 funcionários, dos quais 38 estavam à procura de um novo emprego enquanto os restantes pretendiam apenas recolher informações. Como neste momento está

em construção do Lisboa Palace no Cotai, a SMJ adianta ainda que, no futuro, irá abrir cerca de 8000 vagas.

permitir o regresso ao mercado laboral com a maior brevidade”, lê-se. Entretanto, o Governo criou uma linha aberta destinada aos trabalhadores da Companhia de Corridas de Galgos. Entre os dias 20 e 22, foram recebidos 7 pedidos de informações (5 trabalhadores residentes e 2 não residentes) “que reflec-

lhadores no que respeita a legislação laboral e direitos e interesses no emprego, revela e entidade em comunicado. “A DSAL vai disponibilizar o “one-stop service” aos trabalhadores, proporcionando-lhes uma colocação e formação profissional adequada, por forma a salvaguardar os seus direitos e interesses e

DSAL ATENTA

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) também esteve presente na reunião de ontem onde prestou apoio e esclarecimento aos traba-

tiram preocupações quanto à organização actual do trabalho, bem como informações sobre indemnização rescisória”, refere o mesmo comunicado. Segundo a DSAL, não há, até ao momento, queixas formalizadas por parte dos trabalhadores da Yat Yuen. Sofia Margarida Mota com Vitor Ng info@hojemacau.com.mo

PUB HM • 1ª VEZ • 24-7-18

Tendo os veículos abaixo referidos violado o Artigo 36° “Estacionamento abusive nos autos-silos”do «Regulamento do Serviço Público de Parques de Estacionamento» e tendo sido removidos pela nossa empresa para o Depósito dos Veículos Estacionados Abusicamente do Cotai, os seus proprietários devem deslocar-se ao COMPANHIA DE SERVIÇOS DE LIMPEZA E ADMINISTRAÇÃO DE PROPRIEDADES SAN WAI SON LIMITADA, para pagar as taxas e realizar as formalidades para a reclamação dos respectivos veículos. Se o veículo não foi reclamado dentro do prazo de 90 dias, é condiderado abandonado. Favor notar que caso o proprietário não reclame o seu veículo, a nossa empresa cobrará as respectivas taxas por via judicial nos termos do Artigo 48° “Constituição do Débito relative taca”do «Regulamento do Serviço Público de Parques de Estacionamento». Caso tenha pagado as taxas e realizado as formalidades de reclamação do seu veículo, deverá ignorar o presente anúncio. N°de Matrícula (Automóveis ligeiros): MI-22-63 Para mais informações, ligue 28430036/63222682 COMPANHIA DE SERVIÇOS DE LIMPEZA E ADMINISTRAÇÃO DE PROPRIEDADES SAN WAI SON LIMITADA

ANÚNCIO Acção de Interdição n.º

CV2-18-0021-CPE

2º Juízo Cível

Requerente: Ministério Público (檢察院 ).

TIAGO ALCÂNTARA

Gestão e Exploração do Auto Silo do Jardim de Vasco da Gama Anúncio de Reclamacão dos Veículos Removidos

TURISMO MAIS DE 16,5 MILHÕES DE VISITANTES NO PRIMEIRO SEMESTRE DESTE ANO

Requerida: Lei Sio Kam (李小琴). *** O MERITÍSSIMO JUIZ DO 2º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.: FAZ SABER que foi distribuída ao 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., a Acção acima mencionada, contra Lei Sio Kam (李小琴), casada, nascida em 18 de Maio de 1949, residente em Macau, na Travessa do Sal, Edifício Riviera, 1.º Bloco, 10.º andar H, Macau, para o efeito de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica. Macau, ao 10 de Julho de 2018.

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AIS de 16,5 milhões de pessoas visitaram Macau no primeiro semestre do ano, um aumento de 8 por cento em relação ao período homólogo de 2017, indicaram ontem as autoridades. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos de Macau (DSEC), ao todo visitaram o território 16,814 milhões de pessoas entre Janeiro e Junho de 2018. O número de turistas (8,767 milhões) e o número de excursionistas (8,047 milhões) cresceu 8,3 por cento e 7,8 por cento, respectivamente, em termos anuais.

O visitante refere-se a qualquer pessoa que tenha viajado para Macau por um período inferior a um ano, um termo que se divide em turista (aquele que passa pelo menos uma noite) e excursionista (aquele que não pernoita). No primeiro semestre do ano, entraram em Macau 11.705.164 visitantes oriundos da China continental, um aumento de 13,3 por cento. De Taiwan, chegaram à região 529.947 visitantes, mais 0,9 por cento que em igual período de 2017. Já o número de visitantes da Coreia do Sul (423.952) e de Hong Kong (3.000.131) desceram 2,2 por cento e 3,7 por cento, respectivamente. O período médio de permanência dos visitantes situou-se em 1,2 dias, à semelhança do período homólogo de 2017, indicou a DSEC. Em 2017, chegaram a Macau 32,61 milhões de visitantes, mais 5,4 por cento do que em 2016.


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Direcção dos Serviços Correccionais (DSC) anunciou no domingo, através de um comunicado, não só que planeia instalar câmaras de videovigilância em “celas especiais” no Estabelecimento Prisional de Coloane, como colheu parecer favorável do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais (GPDP) para o efeito. Ao HM, Pedro Leal e Frederico Rato falam em restrições às liberdades individuais. “Instalar câmaras dentro de celas é, de facto, demais”, considera Pedro Leal, para quem a medida recém-anunciada constitui “uma intromissão muito grande na privacidade das pessoas”. Frederico Rato concorda: “É uma restrição à liberdade individual ainda por cima de quem já está privado de liberdade pessoal”. A DSC justifica que há “necessidade de vigilância reforçada e contínua de certos reclusos” como “recém-entrados, muitas vezes, com instabilidade emocional e alto grau de risco de suicídio; doentes que necessitam de cuidado persistente; ou agressivos”. Assim, projecta instalar um sistema de videovigilância em “celas especiais” do Estabelecimento Prisional de Coloane (como as de observação dos recém-entrados, as da enfermaria e as celas disciplinares). A DSC indicou ter solicitado “opiniões preliminares” sobre o plano ao GPDP que, na sequência de uma visita ‘in loco’, concordou. “Com todo o respeito que tenho pela Direcção dos Serviços Correccionais e pelo Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais, não lhes posso reconhecer competências para introduzirem no sistema jurídico de Macau restrições a liberdades constitucionalmente consagradas”, observa Frederico Rato, fazendo referência ao direito à dignidade humana e à reserva da intimidade da vida privada, previstos na Lei Básica. “A própria Lei Básica diz que só pode

SEGURANÇA CÂMARAS EM CELAS PRISIONAIS RESTRINGEM LIBERDADES INDIVIDUAIS – ADVOGADOS

Punir e vigiar

A instalação de câmaras de vigilância no interior de celas restringe as liberdades individuais dos reclusos, defendem advogados ouvidos pelo HM haver restrições aos direitos desde que sejam legais. Se são legais têm que ser objecto de lei e as competências legislativas são do Governo ou da Assembleia Legislativa”, aponta. “Não vejo como é que poderão ser instaladas câmaras em celas especiais sem que haja um instrumento legal que as preveja e os termos e as condições em que podem ser instaladas e usadas. Essas restrições têm de ser legalmente consagradas e, consequentemente, fundamentadas. Não pode ser por um mero regulamento

de serviço ou uma instrução geral”, frisa Frederico Rato. “Tem de se saber os limites, o modo como a vigilância é exercida e – como é evidente – os próprios reclusos têm que saber que estão a ser vigiados. Não pode ser à vontade do freguês”, insiste.

ÁREAS COMUNS

O plano de introduzir câmaras no interior de celas surge, na perspectiva de Pedro Leal, em linha com o “crescendo de vigilância” que Macau tem assistido nos últimos tempos, mas, a seu ver, “ter uma câmara apon-

tada o dia inteiro dentro da cela não é de todo necessário”. “Penso que é um pouco exagero. Nem percebo como é que o Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais

deu parecer positivo a uma coisa dessas”, afirma. Não obstante, o causídico defende que é “importante haver mais controlo nas áreas comuns”: “As celas estão voltadas para um área comum e, portanto, se houver um controlo do que lá se passa, não é preciso ter um câmara apontada aos reclusos”. A Direcção dos Serviços Correccionais defende a medida também como uma forma de reduzir os recursos humanos, mas o causídico defende precisamente o contrário: “Há pequenos crimes praticados por presos que têm algum ascendente sobre outros (...). Era preciso que houvesse um controlo sobre

essas situações que tem de ser feito pelos guardas”. “Parece-me também importante o facto de aquela cadeia estar a rebentar pelas costuras”, sublinha o advogado, apontando que um cenário em que há muita gente dentro de uma cela também figura como um factor propiciador. Pedro Leal também contesta o argumento de que as câmaras de vigilância no interior das celas podem ajudar a impedir casos de reclusos que pretendem pôr termo à vida: “Diz-se que é para assegurar que não há suicídios, mas na verdade o que se quer é controlar as pessoas ao máximo”. Diana do Mar

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Meteorologia Sinal 1 içado em Macau

Foi ontem içado o sinal 1 de tempestade tropical e as probabilidades de içar o sinal 3 são “moderadas”, revelou ao HM a porta-voz dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, Vera Varela. Macau está a ser afectada por uma depressão tropical e o tempo instável pode manter-se até ao dia de hoje. “Prevê-se que os aguaceiros aumentem, havendo trovoadas e vento forte”, afirmou da porta-voz.


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DUMPING PEQUIM INVESTIGA IMPORTAÇÕES DA UE, JAPÃO, COREIA DO SUL E INDONÉSIA

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Não houve relatos de ferimentos causados pela vacina contra a raiva, mas a divulgação provocou um coro de protestos, sobretudo depois de vários escândalos relacionados com a venda de medicamentos e alimentos de baixa qualidade, cujo consumo causou vítimas mortais entre a população chinesa

SAÚDE PEQUIM ORDENA INVESTIGAÇÃO À INDÚSTRIA DE VACINAS

A cura para a cura

O primeiro-ministro da China ordenou uma investigação à indústria de vacinas chinesa depois de violações cometidas por um produtor de vacinas contra a raiva terem provocado protestos públicos. Não é a primeira vez que Pequim se vê obrigado a intervir depois de mais um escândalo relacionado com vacinas

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M comunicado, Li Keqiang referiu que a Changchun Changsheng Life Sciences Ltd, que é acusada de fabricar registos de produção e inspecção, “violou uma linha moral”, num momento em que as autoridades lutam para restaurar a fé pública na regulamentação de segurança. Na mesma nota, o governante prometeu “reprimir de forma resoluta” as violações que coloquem em perigo a segurança pública. Não houve relatos de ferimentos causados pela vacina contra a raiva, mas a divulgação provocou um coro de protestos, sobretudo depois de vários escândalos relacionados com a venda de medicamentos e alimentos de baixa qualidade, cujo consumo causou vítimas mortais entre a população chinesa.

Os reguladores chineses anunciaram na semana passada que a Changsheng Life Sciences foi obrigada a suspender a produção e a recolher as vacinas contra a raiva.

RAIVA TRADICIONAL

A agência de notícias Xinhua disse que os investigadores estão a testar a eficácia da vacina e a ponderar avançar com acusações criminais. A raiva é endémica em algumas áreas da China. Em Outubro, a mesma empresa foi condenada a interromper a produção de uma vacina combinada para a difteria, tosse convulsa e tétano, cujo lote foi posteriormente apontado como defeituoso. Esta não foi a primeira vez que o líder chinês prometeu limpar a indústria das vacinas, depois de

há mais de dois anos ter assumido esse compromisso depois de um escândalo similar. De acordo com comunicado divulgado no portal do Governo chinês, Li referiu em Março de 2016 que Pequim devia reparar as

lacunas de supervisão de produção e distribuição de vacinas. As declarações foram proferidas depois de ter sido revelado que 84 milhões de dólares em medicamentos armazenados em condições impróprias e fora do prazo estavam a ser vendidos há vários anos por todo o país. Estima-se que entre centenas de milhar ou milhões de crianças chinesas, de idades a partir dos três meses, tenham sido inoculadas com vacinas ineficazes produzidas por algumas das maiores empresas do sector ao abrigo do sistema de saúde público. A raiva e o medo espalharam-se pelas redes sociais chinesas, em especial com pais indignados perante a inoperância das autoridades que levou a esta situação. A palavra chinesa para “vacina” foi citada 321 milhões de vezes em artigos e buscas no WeChat, um número 80 vezes superior ao registado na sexta-feira.

MACAU NÃO AFECTADO

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Chefe do Centro de Prevenção de Controlo da Doença dos Serviços de Saúde, Lam Chong, afirmou que o Governo não adquiriu vacinas produzidas no continente, em resposta ao escândalo que abalou o sistema de saúde de Pequim. O dirigente esclareceu que as vacinas ministradas em Macau são provenientes da Europa e dos Estados Unidos. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o chefe acrescentou que, em geral, as vacinas adquiridas pelo Executivo servem apenas os residentes locais além de muito poucas crianças não residentes que são autorizadas a permanecer em Macau. Lam Chong afirmou ainda que existem vacinas suficientes em Macau e que não existem motivos para a população se preocupar. Lam Chong disse ter conhecimento de que no continente é raro exportarem-se vacinas por causa de grande procura e do fornecimento insuficiente. Além disso, acrescenta que os SS não autorizaram a importação de vacinas produzidas da fábrica continental envolvida no escândalo.

China vai investigar as importações de produtos de aço inoxidável da União Europeia (UE), Japão, Coreia do Sul e Indonésia para determinar se estes estão a ser vendidos no país abaixo do preço de mercado, anunciou ontem o Ministério do Comércio. A decisão foi tomada depois da empresa Shanxi Taigang Stainless Steel - apoiada por outras quatro empresas do sector - ter solicitado às autoridades chinesas que iniciassem uma investigação sobre práticas de ‘dumping’ na venda de tarugos de aço inoxidável e placas de aço inoxidável laminado a quente importados desses países. A investigação começou ontem e terminará dentro de um ano, a 23 de Julho de 2019, embora o ministério tenha indicado na sua página na Internet que o prazo pode ser prorrogado por mais um ano, até 23 de Julho de 2020, caso se verifiquem “circunstâncias excepcionais”. As autoridades vão analisar se o ‘dumping’ ocorreu entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2017 e, ao mesmo tempo, os danos que ocorreram na indústria entre 1 de Janeiro de 2014 e 31 de Março de 2018. Os produtos testados são utilizados como matéria-prima para o aço inoxidável laminado a frio ou para a venda directa como um produto acabado para a construção de barcos, contentores, empresas ferroviárias e de energia e indústrias petroquímicas, entre outros. Em 2017, a China importou 703 mil toneladas desses produtos de aço inoxidável, um aumento de 200 por cento em relação ao ano anterior. A quase totalidade desses produtos, 98 por cento, vieram da UE, Japão, Coreia do Sul e Indonésia.


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terça-feira 24.7.2018

DIREITOS HUMANOS ONG PEDE LIBERTAÇÃO DE PRESOS POLÍTICOS NO VIETNAME

No coração das trevas COREIA DO SUL DEPUTADO SUSPEITO DE CORRUPÇÃO SUICIDA-SE EM SEUL

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M deputado sul-coreano, visado num inquérito sobre um caso de corrupção, suicidou-se em Seul, anunciou ontem a polícia. Roh Hoe-chan cumpria já um terceiro mandato como deputado, eleito pelo Partido da Justiça (esquerda). O deputado era suspeito de ter recebido 50 milhões de won (37 mil euros) de “Druking”, um bloguista ligado a vários políticos e actualmente a ser julgado por ter usado ilegalmente programas informáticos para influenciar opiniões no Naver, o primeiro portal na Internet da Coreia do Sul. “Druking” foi acusado de ter aumentado artificialmente o número de respostas positivas a comentários publicados no Naver para apoiar ou criticar políticos. Numa nota deixada num apartamento em Seul, Roh reconheceu ter recebido o dinheiro do bloguista, mas negou ter concedido em troca qualquer favor político, de acordo com a agência noticiosa sul-coreana Yonhap. Roh, que foi encontrado morto junto do edifício de onde presumivelmente se atirou, desenvolvia uma carreira de advogado especializado em questões de defesa dos direitos humanos, antes de ser eleito em 2004. A Casa Azul, sede da presidência sul-coreana, lamentou este “trágico acontecimento”. A Coreia do Sul tem uma das taxas de suicídios mais elevada do mundo, nomeadamente de figuras públicas implicadas em escândalos. Em 2009, o antigo Presidente Roh Moo-hyun suicidou-se depois de ser acusado de corrupção.

A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) pediu hoje a libertação dos presos políticos no Vietname e que Hanói respeite os compromissos assumidos perante a ONU para garantir o respeito pelos direitos cívicos

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UMA carta enviada ao conselho dos Direitos Humanos da ONU, a ONG disse que Hanói aceitou 182 de 227 recomendações na última revisão periódica de 2014, mas que desde então “pouco fez” para cumprir as recomendações. De acordo com a HRW, o regime comunista utiliza frequentemente uma visão permissiva do código penal para prender activistas políticos ou religiosos. Desde o início do ano, as autoridades detiveram já 27 pessoas ao abrigo desta interpretação legal. A ONG denunciou uma reforma legal do ano passado, que alarga a responsabilidade penal dos activistas e das pessoas que os ajudam, contrária aos compromissos assumidos três anos com a ONU. Também criticou a aprovação, em Junho, de uma lei de cibersegurança que restringe a liberdade de expressão “de forma grave”, além do assédio constante contra os direitos de reunião e associação.

DISTINÇÃO VERGONHOSA

“O Vietname parece estar a competir pelo título de Governo mais repressivo da Ásia”, disse o subdirector para a Ásia da HRW, Phil Robertson, em comunicado. “O Governo controlado pelo Partido Comunista esmaga qualquer desafio às suas acções e castiga qualquer pessoa ou grupo que considere uma ameaça ao monopólio absoluto do poder”, acrescentou. A carta entregue ao conselho da ONU propõe uma série de recomendações às autoridades do Vietname, antes da próxima revisão periódica universal, em Janeiro do próximo ano.

De acordo com a HRW, o regime comunista utiliza frequentemente uma visão permissiva do código penal para prender activistas políticos ou religiosos. Desde o início do ano, as autoridades detiveram já 27 pessoas ao abrigo desta interpretação legal.

JAPÃO TEMPERATURAS RECORDE COM ONDA DE CALOR MORTAL

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temperatura numa cidade a norte de Tóquio atingiu ontem os 41,1 graus Celsius, a mais alta registada no Japão, quando uma onda de calor mortal tomou conta de parte do país e da vizinha Coreia do Sul. O recorde foi atingido na cidade de Kumagaya, na província de Saitama, que fica a cerca de 65 quilómetros a noroeste de Tóquio, informou a Agência Meteorológica do Japão. Um sistema persistente de alta pressão levou temperaturas recordes

para a região já há uma semana, matando mais de 40 pessoas no Japão e 10 na Coreia do Sul. Milhares de pessoas no Japão foram levadas para hospitais com sintomas de insolação. A agência de notícias Kyodo registou mais de 40 mortes no país. Muitas das vítimas são pessoas idosas que não usam ar condicionado. Na Coreia do Sul, 10 pessoas morreram de insolação e outras causas relacionadas com o calor

neste Verão. Sete deles morreram na semana passada, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia. Cerca de 1040 pessoas adoeceram devido ao calor, entre 20 de Maio e 21 de Julho, um aumento de 61 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. A temperatura mais elevada da manhã de ontem na Coreia do Sul foi registada na cidade de Gangneung, onde os termómetros

chegaram aos 31 graus Celsius às 6h45. Já em Seul a temperatura mais baixa foi de 29,2 graus, a maior registada na capital do país, segundo a agência meteorológica da Coreia do Sul. O mercúrio atingiu 39,9 graus Celsius na cidade de Hayang, no sudeste do país, a mais alta temperatura registada no país este ano. As autoridades japonesas aconselharam a população a permanecer em casa e usar o ar condicionado.


10 eventos SOFIA MARGARIDA MOTA

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Elegância d EXPOSIÇÃO FOTOGRAFIA NO FEMININO NA GALERIA AT LIGHT ATÉ 21 DE AGOSTO

Arte no feminino é a série que apresenta as exposições de fotografia “Light Elegance” e “Slender Grace”, resultado da criatividade de Bella Tam e Pui Cheng. A exposição conjunta está patente na Galeria At Light até 21 de Agosto

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OM a curadoria de Si Wun Cheng, as exposições “Light Elegance” e “Slender Grace” integram a série “Arte no Feminino” que pretende trazer ao público obras fotográficas centradas na mulher, enquanto artista e objecto. “Light Elegance” foi o nome inspirado nas componentes do carácter chinês

que remete para o conceito de elegância. “O carácter é constituído pelo radical de mulher e remete para este conceito”, começa por explicar a curadora Si Wun Cheng ao HM. Adepta de trabalhos que abordem naturezas mortas, a fotógrafa Bella Tam desenvolveu as imagens presentes na exposição a partir do contacto com plantas. “Sempre gostei

de trabalhar com objectos inanimados como flores, comida, coisas desse género”, conta ao HM. São estes objectos, em especial as plantas, que transportam a artista para o próprio corpo da mulher, até porque nelas vê um sistema orgânico muito semelhante ao humano. “Às vezes compro flores que coloco no meu quarto. Com a presença constante delas,

ali, acabam por de alguma forma se transformar em seres orgânicos, como os corpos humanos”, diz. Para Tam, plantas e pessoas mesclam-se e é nesta mistura, que pode “parecer ambígua, que colidem e entram em simbiose” que a fotógrafa tenta captar em imagem. “Este é o meu ponto de partida e o que está aqui é o resultado do que faço desde o

primeiro dia em que comecei a fotografar”, revela.

CONTRA O PRECONCEITO

Já Pui Cheng resolveu juntar a força de uma imagem com a sua delicadeza ao mesmo tempo que explora o tema da vergonha do corpo feminino. “Através da exploração do corpo e das suas formas estamos a fazer uma espécie de afirmação”, conta. Para a fotógrafa ainda

existe algum pudor quando se fala em abordar o corpo, algo que pretende combater. “Não temos de nos envergonhar do nosso corpo. Com estas obras quis fazer um regresso ao despudor e à normalidade do corpo humano”, diz. Por outro lado, nas imagens que alternam partes de corpos, flores e construções em cimento, Cheng dá a conhecer os elementos que a inspiram. “Sempre fui fascinada pelo ordinário e pelo vulgar, pelas coisas por que passamos todos os dias”, aponta. É aqui que também se inclui o que os homens fazem e constroem. A fotógrafa gosta de “explorar a vida que nasce daquilo que é feito por mão humana, o que nasce em paredes, muros ou


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CURTAS “LA CHUTE” DE BORIS LABBÉ VENCE FESTIVAL DE VILA DO CONDE

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dupla edifícios”. Para a artista é na contraposição entre a “morte” destas construções e a possibilidade de nelas nascer a vida que gira todo o seu processo criativo.

DOIS EM UM

O resultado das criações de Bella Tam e Pui Cheng é uma complementaridade de trabalhos que mais parece terem sido feitos em paralelo e em constante comunicação. Mas isso não aconteceu. Tam e Cheng, apesar de amigas desenvolveram estes projectos sem partilhar o que faziam. Preferiram “que os trabalhos, no final falassem por si”, revelou a curadora. “E foi surpreendente perceber como se complementavam, como interagiam e como pareciam ter

“Não temos de nos envergonhar do nosso corpo. Com estas obras quis fazer um regresso ao despudor e à normalidade do corpo humano.” PUI CHENG FOTÓGRAFA

sido feitos por uma só pessoa”, referiu. Para Si Wun Cheng, a série “Arte no Feminino” é um passo importante para a formação da fotografia feita por mulheres. Segundo a curadora, “estas iniciativas são

especialmente importantes na medida em que em Macau as pessoas estão cientes de que a arte existe, no entanto não a conhecem”, refere. Paralelamente, existe a ideia de que arte é a clássica, e “que as obras de arte são apenas as que obedecem a conceitos também clássicos, sendo a pintura o seu maior expoente”, completa. Cheng lamente que a fotografia, enquanto plataforma de expressão recente, seja ainda passada para segundo plano. O objectivo desta exposição é fazer com que as pessoas olhem para a fotografia de outra forma e divulgar o que anda a ser feito por mulheres fotógrafas de Macau. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

filme “La Chute”, do francês Boris Labbé, venceu o grande prémio do festival Curtas de Vila do Conde, anunciou ontem a organização, tendo a distinção de melhor curta-metragem europeia ido para “Aquaparque”, de Ana Moreira. Segundo o palmarés da 26.ª edição do festival que terminou domingo em Vila do Conde, na competição internacional, o prémio Manoel de Oliveira para melhor documentário foi para “Madness”, de João Viana, a melhor animação foi “Raymonde ou l’évasion vertical”, de Sarah Van den Boom, e a melhor ficção a concurso foi “Fry day”, de Laura Moss. O prémio do público nesta competição foi atribuído a “Ce magnifique gâteau!”, de Emma de Swaef e Marc James Roels. Na competição nacional, o galardão para melhor filme foi dado a “Onde o Verão vai (Episódios da juventude)”, de David Pinheiro Vicente, enquanto o prémio do público foi para “Entre Sombras”, de Alice Eça Guimarães e Mónica Santos, e Ana Moreira, para além de ter sido nomeada pelo Curtas para os prémios do Cinema Europeu com “Aquaparque”, recebeu o prémio Kino Sound Studio, que se traduz em 4.000 euros de serviços em pós-produção. O melhor vídeo musical foi para João Pombeiro, com “Back to Nature”, de Nightmare On Wax, enquanto na competição experimental venceu “Another movie”, de Morgan Fisher. “O rato da floresta”, de Jeroen Jaspaert, ganhou o prémio Curtinhas, eleito por um grupo de 15 crianças com idades entre os oito e os 12 anos. Entre outros galardões, o festival anunciou ainda que o prémio Agência da Curta-Metragem foi para “Amor, avenidas novas”, de Duarte Coimbra, pelo que será agenciado por aquela entidade “num circuito internacional de festivais de cinema”.

Fogo-de-Artifício Dez equipas concorrem ao concurso internacional em Setembro

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ILIPINAS, Coreia do Sul, Japão, Bélgica, França, Portugal, Alemanha, Áustria, Itália e China vão mostrar as suas habilidades na arte da pirotecnia no 29.º Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau (CIFAM). O evento, apresentado ontem, vai ter lugar nos dias 1, 8, 15 e 24 de Setembro e 1 de Outubro na baía em frente à Torre de Macau. Das dez empresas participantes, quatro (oriundas da Coreia do Sul, Bélgica, França e China) vão fazer a sua estreia no CIFAM, iniciativa de cariz anual organizada pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST). Paralelamente às cinco noites de explosões de cores nos céus vai realizar-se um Arraial (entre as 17h e as 23h), que reunirá gastronomia, espectáculos, jogos, entre outros, numa iniciativa em cooperação com a União Geral das Associações dos Moradores de Macau. O canal chinês da TDM vai assegurar a transmissão em directo dos espectáculos pirotécnicos, enquanto o canal chinês da Rádio Macau vai transmitir em directo a música das exibições (às 21h e às 21h40). Há também vários programas de divulgação, patrocinados pela Wynn Resorts, incluindo o Concurso de Composição de Canção para o próximo 30.º Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau, mantendo-se ainda a organização dos Concursos de Fotografia, de Desenho para Estudantes e de Design do Troféu do CIFAM.


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澳門國際機場專營股份有限公司 承建商及顧問公司網上預審登記系統 (新登記和更新) Macau International Airport Co. Ltd. Application for Inclusion In the Lists of Approved Contractors / Consultants (NEW REGISTRATION and RENEWAL) 澳門國際機場專營股份有限公司(以下簡稱“CAM”)建立了“承建商及顧問公司網上預審登記系統"。 Macau International Airport Company Limited (hereafter referred to as “CAM”) has established an online system for “Application for Inclusion in the Lists of Approved Contractors / Consultants”. 任何有意作出新申請以加入“承建商及顧問公司網上預審登記系統"資料庫(以下簡稱“資料庫”)的承建商及顧問 公司(下稱“新申請公司”),可登入網站(http://www.camacau.com)完成在線申請。CAM將對新申請公司提供的 信息及相關的資料文件進行評估以判斷是否符合有關要求。一經CAM批核認定符合資格後,新申請公司將被納入 成為資料庫內的合資格承建商及顧問公司,以便CAM可自行酌情決定向該資料庫內的承建商及顧問公司發出投標 邀請。 Any contractors / consultants which would like to make a new application for inclusion (hereafter referred to as “New Applicants”) in the “Lists of Approved Contractors / Consultants” (hereafter referred to as the “Lists”) may visit the website (http://www.camacau. com) to complete the registration online. CAM will evaluate the information and supporting documents provided by the New Applicants to assess whether they fulfil the requirements. Upon approval by CAM, the New Applicants will be included in the Lists, and CAM may at its sole discretion issue tender invitations to the Contractors / Consultants from the Lists. 對於之前已登記而截於2018年7月22日仍被登記於該資料庫內的承建商 / 顧問公司,需於下述期間內自行登入網站 (http://www.camacau.com)進行確認繼續登記於該資料庫或進行資料更新。繼續具有效資格的承建商 / 顧問公司將 可繼續收到該等由CAM自行酌情決定發出的投標邀請。凡未能於下述期間之截止日期前成功地進行確認或資料更 新的承建商 / 顧問公司將被除名且不再收到CAM的該等投標邀請: Contractors / Consultants which have previously registered and are still being included in the Lists as at 22 July 2018 are required to confirm or update their information via website (http://www.camacau.com) within the period provided below. Contractors / Consultants which continue to be qualified and approved may continue to receive the tender invitations to be issued by CAM at its sole discretion. Any Contractors / Consultants which have not successfully confirmed or updated their information by the Closing Date of the period will be removed from the Lists and will not receive the tender invitations: 開始日期 Starting Date: 截止日期 Closing Date:

2011年 2018年7月23日,上午9時(澳門時間) 23 July 2018, 09:00AM (Macau Time) 2018年9月28日,下午5時30分(澳門時間) 28 September 2018, 05:30PM (Macau Time)

然而,CAM保留自行酌情及在任何時間就任何承建商 / 顧問公司納入上述資料庫或從其除名之事宜以及就其他一切 相關事宜作出任何決定之權利。一切基於本通知進行的申請和遞交資料而產生之費用將由申請人自行承擔。如有任 何查詢,請致電 (853) 85988871。 Notwithstanding the above, CAM reserves the rights to make any decisions at its sole discretion and at any time on the inclusion or exclusion of any Contractors / Consultants in the Lists, as well as on all the other relevant matters. All costs associated with any application and submission in response to this notice shall be entirely the responsibility of the applicant. For any enquiries, please call (853) 85988871.

EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto

: 69/E-BC/2018 :416/BC/2017/F :Início da audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local : Rua do Capão n.º 3, Edf. Ving Nam, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar H, Macau. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que fica notificado o dono da obra do local acima indicado, cuja identidade se desconhece, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

1.1 Instalação de um suporte metálico e de uma cobertura metálica na Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar H. caminho de evacuação.

2.

3.

4.

5.

Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização, pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

RAEM, 13 de Julho de 2018

O Director de Serviços Li Canfeng


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BIOGRAFIA

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Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos.

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Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge. Mas finge sem fingimento Humanidade

Menschheit

Humanidade posta perante gargantas de fogo, Rufar de tambores, semblantes escuros dos guerreiros, Passos através de um nevoeiro de sangue. Ressoa o ferro negro. Desespero. Noite em cérebros tristes: Aqui as sombras de Eva, a caça e o dinheiro encarnado. Nuvens que a luz trespassa, a ceia. Um silêncio suave habita o pão e o vinho E aqueles ali reuniram-se. Doze em número. À noite, gritam a dormir debaixo dos ramos da oliveira. São Tomé mergulha a mão nas feridas.

Menschheit vor Feuerschlünden aufgestellt, Ein Trommelwirbel, dunkler Krieger Stirnen, Schritte durch Blutnebel; schwarzes Eisen schellt, Verzweiflung, Nacht in traurigen Gehirnen: Hier Evas Schatten, Jagd und rotes Geld. Gewölk, das Licht durchbricht, das Abendmahl. Es wohnt in Brot und Wein ein sanftes Schweigen Und jene sind versammelt zwölf an Zahl. Nachts schreien im Schlaf sie unter Ölbaumzweigen; Sankt Thomas taucht die Hand ins Wundenmal.

In Wikipedia

Melancolia 1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag.

3ª Versão

Sombras azuladas. Oh!, os vossos olhos escuros, Que longamente me fixam, ao passar. Acordes suaves de guitarra acompanham o outono, No jardim, dissolvido em lixívia castanha. As mãos das ninfas preparam a lugubridade séria Da morte. Lábios podres sugam leite de Peitos encarnados e na lixívia negra Deslizam os caracóis húmidos do filho do sol.

Melancholie Bläuliche Schatten. O ihr dunklen Augen, Die lang mich anschaun im Vorübergleiten.  Guitarrenklänge sanft den Herbst begleiten  Im Garten, aufgelöst in braunen Laugen.  Des Todes ernste Düsternis bereiten  Nymphische Hände, an roten Brüsten saugen  Verfallne Lippen und in schwarzen Laugen  Des Sonnenjünglings feuchte Locken gleiten. 


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

terça-feira 24.7.2018

máquina Lírica Paulo José Miranda

A Trumpização da linguagem Q UEIXAMO-NOS de Donald Trump pelo parco vocabulário que evidencia, repetindo sempre as mesmas palavras, como se ele mesmo fosse um estrangeiro recém chegado à sua língua. Mas todos nós – salvaguardando as universais excepções de serviço – estamos também a trumpizar-nos, não só pela falta de vocabulário que cada vez mais vamos ganhando, como se isto não fosse um oximoro, mas também pelo mau uso das mesmas. Neste caso, temos o recém chegado “realizar”. Quantas vezes não se escuta pela cidade alguém a dizer “foi então que realizei o que ele estava a dizer” ou “realizei aquilo”, como se ele fosse realizador de cinema. O que ele gostaria de dizer em português, caso não fosse estrangeiro, é que “foi então que me dei conta do que ele estava a dizer” ou “dei-me conta daquilo”. Quanto à falta de vocabulário, ela advém muitas das vezes da nossa falta de interesse pelo mundo à nossa volta. A maioria das palavras surgiram como forma de nomear as coisas. Por exemplo, quando olhamos para uma flor, a maioria de nós só identifica as folhas, os caules, as pétalas, mas a constituição da flor vai muito para além disso. Assim como a constituição de tudo quanto há. A própria constituição humana é-nos desconhecida, a não ser de uma forma algo vaga. Mas em relação às flores, para além do desconhecimento da sua constituição, há um desconhecimento dos nomes das diferentes flores que habitam a cidade ou os campos que habitamos. A maioria de nós fica-se pela capacidade de distinguir uma rosa de um malmequer. Pois, contrariamente ao que se possa pensar, não é apenas pela falta de leitura que o nosso vocabulário decaiu, é principalmente pela nossa falta de interesse. Um rapaz que se interesse por carros, em menos de nada está a usar com precisão e extensivamente um vocabulário apropriado, identificando pistão, bateria, veio de transmissão, etc. O problema é que o mundo não é só carros. Cada vez menos há mundo que nos interesse. Outro mau resultado, fruto da queda vocabular, é a ficção dos sinónimos. Havia um poeta que dizia que não há sinónimos, estes são uma invenção dos gramáticos e dos dicionários. Cada adjectivo tem uma aplica-

ção mais ou menos precisa. Isto parece evidente, mas a maioria de nós usa o “great” ou “brutal” ou “magnífico”, independentemente da frase. Veja-se por exemplo estes exemplos: se alguém disser “está um tempo muito agradável” ou “foi um encontro muito agradável” nada parece estranho e ninguém dirá que o adjectivo está a ser mal usado (caso esteja um tempo muito agradável e o encontro também tenha sido muito agradável). Mas imagine-se que alguém usa o mesmo adjectivo para outra situação: “o senhor X tem poemas muito agradáveis”, ou “apesar de não gostar dos romances do senhor Y, ele tem romances muito agradáveis” ou ainda “foi uma foda muito agradável”. Ficamos a perceber que o “agradável” não cabe ali, não tem força magnética suficiente para puxar para si aquilo de que quer dar conta.

Outro mau resultado, fruto da queda vocabular, é a ficção dos sinónimos. Havia um poeta que dizia que não há sinónimos, estes são uma invenção dos gramáticos e dos dicionários E se os adjectivos podem não dar conta daquilo que querem mostrar, também o seu uso indistinto acaba por desgastar o seu valor, não precisando nada do que se diz. É o mundo do “great” do “brutal”, do “magnífico”. Se tudo é “great”, “brutal”, “magnífico”, os adjectivos desvalorizam. Vê-se um golo do Ronaldo e é “brutal”, acaba-se de ler um romance e diz-se “brutal”, bebe-se um vinho e diz-se “brutal”. E de brutal em brutal vamos mapeando o mundo, do mesmo modo que Trump com o seu “great”. Evidentemente, esta indistinção do adjectivo e redução vocabular advém, mais do que qualquer outra coisa, de uma falta de interesse “brutal” pelo mundo e seus arredores.


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FUTEBOL DANNY DIZ-SE “FELIZ E ORGULHOSO” POR VOLTAR AO MARÍTIMO

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internacional português Danny disse ontem estar “feliz e orgulhoso” por voltar ao Marítimo, 14 anos depois, e garantiu que vem ajudar o clube da I Liga portuguesa de futebol. “Estou bastante feliz e super orgulhoso de voltar a uma casa que conheço bem. Fui bem recebido pelos meus colegas, pelo presidente, pela direcção. Espero ajudar a equipa a concretizar os objectivos para este ano e venho com toda a vontade e humildade de ajudar”, afirmou na apresentação à comunicação social. O jogador, de 34 anos, surgiu no Estádio do Marítimo no domingo, na apresentação da equipa aos adeptos, envergando a camisola 10, e considerou o momento “bonito” por ver a família na bancada e receber o carinho da massa associativa. Danny jogou pela última vez no Marítimo na época 2003/04, por empréstimo do Sporting, tendo passado depois pelos ‘leões’, Dínamo de Moscovo, Zenit de São Petersburgo e Slavia de Praga, e voltar à Madeira era um sonho, que foi facilmente concretizado, apesar de ter outras propostas do estrangeiro. “Voltar a casa e ao Marítimo é algo que eu sempre sonhei. A única equipa em Portugal que podia jogar era o Marítimo. É a equipa do meu coração, a que me lançou no campeonato português”, referiu. A motivação é a mesma e o médio ofensivo garantiu estar bem fisicamente, embora ainda precise de alguns treinos para ficar a 100 por cento. Danny deixou ainda elogios ao plantel do Marítimo, que diz ter valor para realizar uma boa temporada. “Pelo que acompanhei do ano passado, o Marítimo tem jogadores com muita qualidade e é uma equipa que joga bom futebol. Mudaram de treinador, que tem novas ideias”, afirmou.

FUTEBOL ATLETAS DA CASA DE PORTUGAL TREINAM À EXPERIÊNCIA NA ACADÉMICA

Uma aventura em Coimbra

O médio Yuri Sousa e o guarda-redes Wa Si vão integrar os trabalhos do escalão sub-19 da Briosa durante 15 dias. Pelé, responsável pela experiência, acredita que os jogadores têm qualidade para serem integrados no plantel

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médio Yuri Sousa e o guarda-redes Wa Si, atletas ligados à Casa de Portugal, foram convidados para treinar à experiência 15 dias com o plantel sub-19 da Académica de Coimbra. A informação foi avançada ontem ao HM por Pelé, treinador da formação de Macau. A oportunidade é encarada como uma forma de fornecer aos dois atletas uma experiência a um nível mais elevado do que aquele que é praticado no futebol de Macau. “Eles vão fazer os testes médicos e depois vão treinar com o plantel sub-19. São dois atletas com muita qualidade, dedicação e acredito que vão triunfar em Portugal. Têm qualidade para isso”,

disse Pelé, que também é agente desportivo. “Eles vão para um nível superior ao que se pratica aqui. Mas eu vou a contar que eles fiquem na Académica e que se afirmem como titulares do escalão sub-19. Acredito que têm a qualidade para dar este salto”, acrescentou o técnico. Na temporada passada, o guarda-redes Wa Si, que este ano representou os sub-23 de Macau, já tinha assinado um princípio de acordo com o Desportivo das Aves, para que rumasse a Portugal na temporada que agora começa. Porém, o facto da direcção do clube da Vila das Aves ter mudado fez com que o contrato acabasse por não se concretizar.

As despesas de alojamento, alimentação, medicação e viagens vão ficar a cargo da Briosa. Contudo, caso os atletas convençam a equipa técnica dos sub-19 do clube terão de suportar os custos da licença internacional, que, segundo Pelé, ronda os dois mil euros, ou seja cerca de 18 mil patacas.

TREINOS COM O FELGUEIRAS

Yuri Sousa e Wa Si podem não ser um caso isolado. Segundo Pelé existe também a possibilidade de outros atletas da Casa de Portugal irem treinar à experiência no Felgueiras. Os jogadores que podem estar a caminho de Felgueiras são Henry, jovem de Hong Kong, e Josecler

Filho, este último filho do treinador Josecler, do Ka I. Também estes treinos foram arranjados por Pelé, com vista a ajudar os atletas a desenvolverem o seu futebol. “Vai ser uma boa experiência para os atletas. São novos, precisam de estar num outro ritmo e acredito que o Josecler vai surpreender. É um avançado muito possante”, apontou. Neste processo, Pelé destacou o papel do Cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, Vítor Sereno. “Tenho de lhe agradecer porque fez um esforço enorme para ajudar em todo o processo. Foi ele que nos ajudou em vários contactos também em Portugal”, reconheceu. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

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Liga dos Campeões Benfica defronta turcos do Fenerbahçe

O Benfica, campeão europeu em 1960/61 e 1961/62, vai defrontar os turcos do Fenerbahçe na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões em futebol, ditou o sorteio ontem realizado em Nyon, na Suíça. A primeira mão realiza-se a 7 ou 8 de Agosto, no Estádio da Luz, em Lisboa, e a segunda a 14, em Istambul. Os ‘encarnados’ procuram juntar-se ao campeão nacional FC Porto, que tem lugar garantido na fase de grupos, sendo que, além da terceira pré-eliminatória, ainda terá de ultrapassar um ‘play-off’, a 21 ou 22 e 28 ou 29 de Agosto.

COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS

Aviso

Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da primeira prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2018 nos termos do disposto na alínea 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 31 de Julho, solicitando-se aos mesmos que contactem com a Sra. Wong, através do nº 85995343 ou 85995342, caso não recebam a mencionada notificação. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 16 de Julho de 2018

O Presidente do Júri, Iong Kong Leong


18 (f)utilidades TEMPO

24.7.2018 terça-feira

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

CONCERTO “UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA - ASSOCIAÇÃO ELITE” Fundação Rui Cunha | 18h00

MIN

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MAX

30

HUM

75-98%

EURO

9.46

BAHT

CONCERTO “CHAMBER EVENING WITH BEETHOVEN” Fundação Rui Cunha | 20h00 “MOWAVE PARACUSIA CONCERT” Macau Art Garden | 20h00

Diariamente

EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” Grande Praça – MGM | Até 9/9 EXPOSIÇÃO “AYIA” Casa Garden | Até 9/9

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6 1 9 2 3 5 4 8 7 5 2 1 9 6 8 INCREDIBLES 7 42 [A]3 3 5 6 8 7 [B]4 SKYSCRAPER 1 9 2 SALA 1

FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Brad Bird 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

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Um filme de: Rawson Marshall Thurbe Com: Dwayne Johnson, Neve Campbell, Chin Han 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 19

PROBLEMA 20

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987 8 2 4 HOJE 5 6 3 UMA SÉRIE

6 483 8 9512572 O2mais recente 56 1 6trabalho 37 3do 4rea-8 lizador Ken Burns, o aclamado 3 1 7 5norte-americano, 8 4 9 6 1documentarista tem na história 4 tudo 2 para 9 entrar 176 758do5 cinema documental. “The Vietnam teve3 a sua a 17 8 6que35 2estreia 971 6War”, 47 de Setembro do ano passado, está 7 3em61019 1 8de4longa 2 4 episódios 7 3dividida metragem, com cerca de uma hora 72A5série2aborda 1 e 1meia8cada45um. 93 9 529 2 4todos3os6detalhes 7 1 5 exaustivamente políticos e bélicos que envolveram a 23

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Guerra do Vietname. Com a banda sonora 23 assinada por Trent Reznor, o homem por detrás dos Nine Inch Nails, “The Vietnam War” é o guia essencial e derradeiro para o conflito que terminou com a ideia da invencibilidade do poderio militar norte-americano. A série documental realizada para a PBS está disponível no Netflix. João Luz

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6 5 1 9 7 8 4 2 3

A história não ensina humanismo. Tantos anos na escola. Constantemente a ouvir que a história serve para “saber do passado, compreender o presente e preparar o futuro”. Que esta recolha de memórias serve para não cometermos sempre os mesmos erros, e para não perpetuarmos as mesmas injustiças. Serve, enfim, para tentar construir um mundo melhor. Para trás, nos momentos negros ficariam muros de Berlim, Apartheids e Holocaustos. Para a frente ficaria a esperança. Nada disso. Tudo mentira. Mais parece que a história ajuda a aprimorar os pesadelos passados, para que sejam ainda piores no futuro. São os muros de Trump, as Sírias que não se entendem. É agora a oficialização de mais um estado religioso que reconhece uns e aos outros vai continuar a tirar a terra, a água e a vida. Tudo a mando daqueles que um dia foram segregados, assassinados, colocados em câmaras de gás. Esses que agora, numa terra que lhes foi cedida, se assumem orgulhosamente os Hitlers que lhes levaram os filhos, as mães, os vizinhos e os amores. Há uma espécie de refinamento na maldade. Há uma história que não se respeita. Há uma ausência de se ser gente para outra gente. Sofia Margarida Mota

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S U D O K U

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O CARTOON STEPH 19 DE

1 8 2 4 6 7 5 9 3 5 3“APROFUNDAR” 6 1 9 8 7 2 4 EXPOSIÇÃO Art Garden | Até 9/9 7 4 9 5 2 3 1 8 6 EXPOSIÇÃO “CHAPAS SÍNICAS” 4 das2Ofertas 1 sobre 3 a7Transferência 9 8 6 5 Museu de9 Soberania de Macau | Até 7/8 6 7 8 4 5 3 1 2 “MARC 3 CHAGALL 5 8– LUZ2E COR 1NO6SUL DE9FRANÇA” 4 7 MAM | Até 26/8 6 1 3 7 8 2 4 5 9 8 9 5 6 3 4 2 7 1 2 7 4 9 Cineteatro C 5I 1N 6E3M8

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ENSINAMENTOS VÃOS

RHYS LAI - WORKSHOP DE PINTURA PARA PAIS E FILHOS Fundação Rui Cunha | 15h00

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YUAN

VIDA DE CÃO

Sábado

EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” Armazém do Boi | Até 9/9

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THE VIETNAM WAR | KEN BURNS

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Um filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas 14.15, 19.00

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguchi 16.30, 21.15

Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

terça-feira 24.7.2018

RUI TAVARES

THOMAS ROWLANDSON

in Público

U

MA das coisas que se poderia esperar de quem passa a vida a clamar pelo regresso do nacionalismo seria que se preocupasse com o que se passa dentro das fronteiras da sua nação e que deixe os países dos outros em paz, certo? Errado. Porque aquilo que não se pode esperar dos nacionalistas é consistência. Tomemos o exemplo de Steve Bannon, o génio ideológico por detrás da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos da América. Bannon serviu de ferramenta para a entrada de dinheiro estrangeiro na política do seu país e de conduta para a pilhagem de dados pessoais de cidadãos britânicos na campanha do "Brexit". Sim, é a mesma campanha que se escandalizou quando o ainda Presidente Barack Obama disse que os EUA estariam mais interessados em fazer um acordo comercial com a União Europeia do que com o Reino Unido. Quando se tratou de aceitar dinheiro e influência de capitalistas americanos como a família Mercer e os irmãos Koch, para não falar da interferência comandada por Putin, já as objecções com a ingerência nos assuntos internos estrangeiros desapareceram rapidamente.

Não, passarão Da mesma forma, ao passo que aos líderes europeus jamais passaria pela cabeça sugerir que a Califórnia se fosse embora dos EUA ou que Nova Iorque desobedecesse a um Presidente no qual a maioria dos americanos não votaram, sabe-se hoje que Trump tentou persuadir Emmanuel Macron a sair da UE acenando-lhe em alternativa com um acordo vantajoso com os EUA. Ou seja: o nacionalismo, na boca deste charlatães, não passa de um outro nome para a lei do mais forte. E quem, não sendo mais forte, decida ir nesta cantiga não é aos olhos deles outra coisa que não um otário. Porque gente como Bannon pode não apresentar entre palavras e actos. Mas de uma coisa ninguém pode duvidar: ele é um oportunista esperto. É assim que deve ser entendida a última jogada de Steve Bannon, noticiada pelos jornais deste fim-de-semana, de que ele se prepara para vir morar uma parte do ano em Bruxelas para aqui na Europa montar um movimento político de extrema-direita que concorra às eleições ao Parlamento Europeu do próximo ano. A nossa primeira reação poderia ser: mas que raio vem cá fazer esta

ave de arribação? Atravessar fronteiras para criar um movimento transnacional às eleições de um parlamento pan-europeu não é assim um bocadinho cosmopolita a mais para um fascistóide como ele? Claro que é, mas Steve Bannon viu uma coisa que a maior parte dos políticos europeus ainda não reconheceu: as eleições europeias do próximo ano vão ser cruciais para definir o rumo da política não só europeia, mas até mundial, até ao início da próxima década. A presidência de Trump fez com que quatro grandes blocos tenham peso político hoje: EUA, Rússia, China e UE. Se for possível tomar a UE por dentro e inabilitá-la para enfrentar a competição na guerra comercial que se avizinha, como desejam Bannon e estarão dispostos a fazer os seus sequazes europeus de Le Pen e Salvini a Orbán e a Kaczinski, sai mais barata e eficaz a estratégia trumpista. Bannon não virá para a Europa explicar directamente aos europeus que é bom votarem contra os seus interesses. A tática terá de ser outra. E será a do costume: usar o medo da imigração e do islamismo para dominar o eleitorado.

Bannon não virá para a Europa explicar directamente aos europeus que é bom votarem contra os seus interesses. A táctica terá de ser outra. E será a do costume: usar o medo da imigração e do islamismo para dominar o eleitorado

O medo é uma pulsão monopolista. Quando se tem medo, não se consegue pensar em mais nada. Por isso o medo é tão prático para estrategos políticos como Bannon. Por muito que outros políticos lutem, é difícil vencer o medo com esperança, com imaginação ou com generosidade precisamente porque o medo tende a bloquear todos os outros impulsos e emoções. Há uma coisa, porém, que pode derrotar o medo. Parece ridículo, mas funciona: trata-se do cansaço. Viver sempre com medo é esgotante, e há sinais de que o eleitorado europeu se está a cansar do discurso do medo constante. Se em 2011-2012 as preocupações prioritárias identificadas pelo Eurobarómetro eram com a crise e com o desemprego, como fazia sentido que fossem, em 2015-2016 a imigração e o terrorismo dispararam para o topo. Ainda lá estão, mas descendo acentuadamente nas sondagens. As preocupações que se estão a acentuar hoje em dia têm a ver com a instabilidade internacional e a posição da Europa no mundo. Se forem as dominantes em 2019, a jogada de Bannon pode até contribuir para a sua própria derrota ao tornar claro para todos o que está em jogo. Não será um americano que virá para cá reinstalar o fascismo — até porque para isso não nos faltam, desgraçadamente, recursos domésticos. Para um espertalhão como Bannon talvez não cheguemos a precisar de um “Não passarão!”. Com um pouco de sorte, bastará um “não, passarão”.


O ideal no casamento é que a mulher seja cega e o homem surdo.

CANADÁ TIROTEIO EM TORONTO FEZ PELO MENOS DOIS MORTOS E 13 FERIDOS

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ELO menos duas pessoas morreram (uma delas o atirador) e 13 ficaram feridas num tiroteio num bairro de Toronto, informou no domingo à noite a polícia local na rede social Twitter. Segundo o chefe de polícia Saunders, "há a registar 14 vítimas baleadas com uma arma de fogo. Uma mulher adulta morreu. Uma jovem está em estado crítico", pode ler-se na publicação. Segundo os 'media' locais, o atirador foi morto depois de abrir fogo contra a polícia. O tiroteio teve lugar por volta das 22h de domingo (10h em Macau). Testemunhas disseram que ouviram entre 15 e 20 tiros e viram vários feridos deitados no chão de um restaurante, segundo o jornal Toronto Star. O 'Premier' de Ontário, Doug Ford, lamentou o incidente na rede social Twitter e classificou-o como um "acto horrível de violência armada em Toronto", sublinhando que os seus pensamentos estão com as vítimas e os seus entes queridos. Toronto foi recentemente palco de um aumento na violência armada, principalmente por gangues. Desde o início do ano, Toronto registou 212 tiroteios que mataram 26 pessoas, em comparação com os 188 tiroteios e as 17 mortes por arma de fogo no mesmo período do ano passado.

Viva Kevin Sobrinho de Edmund Ho é director da empresa que deve 212 milhões à RAEM

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EVIN Ho, sobrinho do antigo Chefe do Executivo, é director da Eagle Airways Holdings Limited, empresa-mãe da Viva Macau. A informação foi avançada, ontem, pelo canal chinês da Rádio Macau. O empresário não quis fazer qualquer comentários sobre a situação, apesar de ter estado presente num evento relacionado com a Grande Baía. A Eagle Airways é a empresa sediada em Hong Kong que se comprometeu a pagar o empréstimo de 212 milhões de patacas concedido pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização (FDIC) à Viva Macau, em caso de incumprimento. No entanto, após a falência da transportadora aérea e apesar dos processos em tribunal, a Eagle Airways deu o dito por não dito e não assumiu o pagamento dos 212 milhões emprestados pelo Governo. Além de director na Eagle Airways, Kevin Ho é accionista da Global Media, grupo de comunicação sediado em Portugal que detém o jornal português Diário de Notícias e o Plataforma de Macau. No domingo, a Direcção dos Serviços de Economia (DSE) tinha recusado avançar ao HM o nome da empresa de Macau que é uma das accionistas Eagle Airways, apesar da informação

HOJE MACAU

Sócrates

constar no processo que correu nos tribunais locais e que foi arquivado. Também ontem o director dos Serviços de Economia, Tai Kin Ip, reagiu ao dinheiro perdido e pediu a compreensão da população. O governante justificou o empréstimo sem garantias com o período conturbado que se vivia, na sequência da crise financeira mundial de 2008. Por outro lado, o governante afirmou que tudo o que era possível foi feito para tentar recuperar o montante emprestado e que se forem identificados outros bens da empresa na RAEM estes vão ser penhorados.

EXPLICAÇÕES DA AL

Por sua vez, o deputado Ng Kuok Cheong enviou uma carta ao presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, a exigir que o Governo explique como foi possível fazer um empréstimo à Viva Macau. O le-

gislador mostrou-se igualmente preocupado com o facto deste empréstimo ter resultado numa dívida que não é possível cobrar. Ng Kuok Cheong recordou ainda que em 2010, o então secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, tinha dito que o empréstimo era concedido porque havia garantias de que seria recuperado. Tal não se verificou. Ainda na carta enviada a Ho Iat Seng, o pró-democrata exige saber se o Executivo já começou a adoptar procedimentos para responsabilizar as pessoas que tiveram na origem desta decisão lesiva para a RAEM. Acresce ainda que o deputado José Pereira Coutinho vai entregar à Assembleia Legislativa um pedido de debate público sobre o caso da Viva Macau e os 212 milhões que ficaram por recuperar. A informação foi avançada, ontem, pelo legislador ao HM. “O objectivo passa por apurar as responsabilidades e saber se há outros casos semelhantes”, disse José Pereira Coutinho. O deputado foi um dos políticos locais que mais se envolveu na questão, com várias intervenções e interpelações no hemiciclo sobre o assunto. Contudo, para que o assunto possa ser alvo de debate na AL, o mesmo terá de ser aprovado pela maioria dos deputados.

PALAVRA DO DIA

terça-feira 24.7.2018

ÍNDIA AUTORIDADES CONFIRMAM LINCHAMENTO DE JOVEM DEVIDO A BOATOS

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polícia indiana confirmou ontem que uma jovem foi linchada no centro da Índia devido a rumores de que fazia parte de um gangue que raptava crianças, dias após um tribunal pedir medidas imediatas para conter a violência. A polícia informou ontem que pelo menos 14 pessoas foram presas no distrito de Singrauli, no estado de Madhya Pradesh, após a morte da mulher, que tinha cerca de 25 anos. A Índia tem uma longa história de violência popular, mas nos últimos anos a internet e os ‘smartphones’têm ajudado a fazer circular boatos através das redes sociais em lugares remotos, muitas vezes levando a violência letal. Pelo menos 25 pessoas foram linchadas e dezenas ficaram feridas nos últimos três meses na Índia. O Supremo Tribunal da Índia pediu na semana passada que o Governo federal considere promulgar uma lei contra os linchamentos a violência popular alimentada por rumores de que as vítimas pertencem a membros de gangues sequestradoras ou são comedores de carne. O Supremo Tribunal disse que "actos horrendos” de linchamento não podem tornar-se numa nova norma e sugeriu uma série de medidas aos governos central e estadual para conter esta violência.

João Santos Filipe e Vítor Ng info@hojemacau.com.mo

AFEGANISTÃO PELO MENOS 23 MORTOS E 107 FERIDOS EM ATENTADO SUICIDA

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atentado suicida que visou no domingo, em Cabul, o general Abdul Rashid Dostum, vice-Presidente de regresso do exílio, causou pelo menos 23 mortos e 107 feridos, indicou ontem um novo balanço das autoridades. "Este balanço ainda pode aumentar", disse o porta-voz do Ministério do Interior afegão Najib Danish.

O ataque, no qual morreu um colaborador da agência de notícias France-Presse, foi reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI). O bombista suicida accionou os explosivos no meio da multidão que esperava o 'senhor da guerra' de Jowzjan, no norte do país, à saída do aeroporto interna-

cional de Cabul. A caravana de veículos blindados tinha acabado de passar e o general Dostum e comitiva saíram ilesos do ataque. Temido e poderoso senhor da guerra do norte do Afeganistão e primeiro vice-presidente, o general Abdul Rashid Dostum regressou a Cabul após um ano de exílio na Turquia. Dostum,

que deve retomar as funções de vice-presidente, apesar das acusações de tortura e violação que o obrigaram a deixar o país em 2017, é o segundo 'senhor da guerra' afegão a regressar à capital, depois de Gulbuddin Hekmatyar, conhecido como o “açougueiro de Cabul”, ter voltado em Maio do ano passado, após 20 anos de

exílio. A comunidade internacional acusou Dostum de, em 2016, ter capturado o rival político Ahmad Eshchi, que submeteu a espancamentos, tortura e violação sexual. Antes, já tinha sido acusado de, em 2001, ter fechado milhares de talibãs em contentores onde os deixou morrer asfixiados. À medida que se aproxima a data das

legislativas de Outubro e das eleições presidenciais, previstas no próximo ano, o Presidente afegão, Ashraf Ghani, procura consolidar a calma no norte do país, bastião de Dostum, ameaçado pelos ataques dos talibãs e do EI.

Hoje Macau 24 JUL 2018 #4098  

N.º 4098 de 24 de JUL de 2018

Hoje Macau 24 JUL 2018 #4098  

N.º 4098 de 24 de JUL de 2018

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