sociedade 7
quinta-feira 22.2.2018
CABO VERDE ACTIVISTAS CONTINUAM A NÃO CONFIAR NO PROJECTO DE DAVID CHOW
Educação Inscrições de alunos arrancam dia 1 de Março
A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) emitiu ontem um comunicado onde aponta que os encarregados de educação dos alunos que não entram pela primeira vez, em Setembro, nos ensinos infantil, primário e secundário, podem começar a fazer as inscrições dos seus filhos a partir do dia 1 de Março. O comunicado aponta que, no ano lectivo de 2018/2019, 65 escolas vão aceitar inscrições para o ingresso no ensino primário e 55 aceitam alunos para o décimo ano de escolaridade. “O pagamento da tarifa de reserva da vaga escolar para os novos alunos de diferentes níveis de ensino não deve ser efectuado antes de 11 de Abril”, explica a DSEJ.
Ano Novo Chinês Queima de panchões aumenta face a 2017
A Rádio Macau noticiou ontem que há cada vez mais material pirotécnico, como panchões ou foguetes, a serem queimados durante a época do Ano Novo Chinês. Dados oficiais do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) revelam que mais de 200 caixas de panchões, foguetes ou fogo de artifício vão ser queimados até hoje, depois do encerramento, na meia-noite de terça-feira, do período oficial para o lançamento deste tipo de material. Macau importou um total de 4476 caixas de material pirotécnico, o que, de acordo com o IACM, representa um aumento de nove por cento em relação a 2017. O objectivo da queima do restante material em dois dias prende-se com a necessidade de reduzir o impacto ambiental.
Um mar de incertezas O grupo de activistas cabo-verdianos Movimentu Korrenti di Ativista continua a ter muitas dúvidas em relação ao empreendimento turístico que o empresário local David Chow quer erguer no Ilhéu de Santa Maria. Apesar de já existir um relatório de impacto ambiental, e de terem sido feitas alterações ao projecto, o grupo queixa-se de falta de informações por parte do Governo
A
S alterações que foram feitas ao empreendimento turístico que o empresário e ex-deputado David Chow quer erguer no Ilhéu de Santa Maria, em Cabo Verde, continuam a não agradar ao grupo de activistas cabo-verdianos Movimentu Korrenti di Ativista, que desde o início se insurgiu contra o projecto. Nem a realização de um estudo de impacto ambiental eliminou as incertezas sentidas pelos activistas. Em declarações ao HM, Ras Munda, representante do grupo, considerou que continuam a não existir informações suficientes sobre um projecto que irá alterar a génese do local e a ligação da população ao meio ambiente envolvente. “Quanto ao impacto ambiental, só o futuro da obra responderá a isso. A construção no ilhéu deste complexo é, por si só, um grande atentado contra a natureza, porque a construção gera uma grande complexidade com os bairros periféricos. É preciso ver o ambiente não só como aquilo que tocamos e sentimos, mas também as informações que observamos.” O grupo alerta para uma grande ausência de informações relativamente aos ganhos que os cabo-verdianos podem obter com este empreendimento turístico. “Como já avançaram com o projecto, ao menos devem explicá-lo, divulgando da melhor forma o que pensam em termos concretos para o povo, que ao menos passa a ganhar confiança na decisão que tomaram. É preciso dizer em concreto o que é que vamos ganhar com este investimento. Precisamos saber agora se estão preparados para nos avançar com
Cabo Verde, ilhéu Santa Maria
os mesmos números que estão no Boletim Oficial.” De acordo com o jornal cabo-verdiano A Nação, o casino já não vai ficar situado sobre o mar como estava previsto inicialmente. Esta foi uma das alterações propostas pela Câmara Municipal da Praia. Ao jornal, o vereador do urbanismo
“Como já avançaram com o projecto, ao menos devem explicá-lo, divulgando da melhor forma o que pensam em termos concretos para o povo, que ao menos passa a ganhar confiança na decisão que tomaram.” RAS MUNDO MOVIMENTU KORRENTI DI ATIVISTA
Rafael Fernandes garantiu que os pedidos foram bem aceites pela empresa de David Chow, a Macau Legend Development Cabo Verde Resorts SA. “Houve uma pequena alteração, até sugerida por nós, em relação à ponte e aos edifícios que eram uma espécie de bungalows, o que não fazia sentido na primeira versão, porque parecia que era um destino turístico de praia e não é. É um turismo de cidade, diferente do que acontece nas outras ilhas. E houve também uma adaptação no ilhéu. O edifício projectado ia demorar muito tempo a ser construído e com um custo acrescido. O edifício emblemático do casino vai ficar com o mesmo aspecto mas ancorado no ilhéu”, explicou o vereador. Houve também mudanças em relação à ponte de ligação entre a Gamboa e o Ilhéu de Santa Maria. O Movimentu Korrenti di Activista confessou ao HM nunca ter estado contra a realização de obras no
local, mas preferia que as mesmas tivessem o cunho da população. “O projecto foi contestado por nós porque acreditamos que o Governo deveria dar um destino mais sustentável para o ilhéu que tem uma grande importância para os cabo-verdianos. Poderiam ser realizada obras, mas estas deveriam ao menos partir do próprio Governo, com propostas dos cidadãos e com construções mais simples e sustentáveis que respeitavam a dinâmica, a cultura e o ambiente da nossa cidade.” Os três vectores O grupo Movimentu Korrenti di Ativista considera que o investimento de David Chow é como lançar uma moeda ao ar sem saber qual dos lados vai cair no chão. “O Governo e a autarquia estão a pensar que a moeda vai cair da maneira que estão a pensar. Mas de onde vem esta certeza? E se der tudo ao contrário? Será que estes governantes estão preparados para assumir esta responsabilidade?”, questionou o representante do grupo. Tal como já tinha sido noticiado, os activistas alertam para a possibilidade do empreendimento de David Chow poder atrair mais prostituição e casos de branqueamento de capitais. “Aos cabo-verdianos que consideraram esta uma boa decisão, devem estar atentos a três dados: a questão do tráfico de drogas, prostituição e lavagem de capital.” Há também o receio de se gerarem situações de desigualdade ou mesmo exclusão social. “Eles devem pensar [se o projecto] abre a porta para a possibilidade de transformação destas ilhas num paraíso fiscal no continente africano”, rematou o grupo. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo