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Livro: Eu morri e voltei para contar como é Nº de Páginas – 140 Editora – ISBN – Ano de publicação: 2012 – Abril

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Introdução O presente livro relata uma Experiência de Quase Morte (EQM) vivida pelo jornalista e raizeiro Herivelton Moreira no dia 06 de Dezembro de 2004. Ele registrou por quatro horas 22 batimentos cardíacos por minuto e pressão arterial 5/7. O coração do ser humano bate de 80 a 120 vezes por minuto.

O mais interessante, no entanto, foi a visão que Herivelton teve ao sair do corpo. Ele diz ter conhecido o Pulsar do Coração, aonde encontrou a resposta para a mais instigante de todas as perguntas: o porquê da criação?

Ao longo dos últimos sete anos, Herivelton Moreira, afirma ter estudado o que lhe aconteceu e agora quebra tabus questionando alguns pensamentos espíritas, budistas e cristãos. Ele afirma, por exemplo, que o satanás e a força negativa são criações humanas.

Herivelton recorre ainda à psicologia e a centros acadêmicos para explicar a relação com tudo o que sentiu ao sair do corpo e as mais recentes descobertas científicas sobre a V5 a energia do Coração para explicar o Pulsar do Coração.

O autor desta história, que vivenciou uma aventura e diz conhecer a “morte” e a compartilha com você leitor (a). Morri e voltei para contar como é

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Prefácio

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Dedico este livro a meus filhos Tainá Moreira, Ranniel Luz e Luanaluz, a Rossana e a minha mãe, Dona Rute . Ah, e não posso me esquecer do “seu” Carlos, quem me inspirou o título.

Agradeço a construção deste livro primeiro ao Criador e depois aos amigos Iesu Ferreira Coelho e João Bosco Gazel.

E à Gleise Mara de Oliveira um agradecimento especial, por que por caminhos tortuosos, ou não, você possibilitou que eu conhecesse mais de mim mesmo.

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Fac-sĂ­mile de um dos eletrocardiogramas feitos em mim no dia 06 de Dezembro no Hospital Odilon Behrens em BH

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Um infarto que durou sete horas Para um espiritualista “morrer é sair vivo do corpo,” uma vez que ele retornará em outro corpo. A história de minha “morte” teve início às quatro horas da manhã do dia 06 de dezembro de 2004, uma segunda-feira. Como cena de filme suspense, dei um salto com o tronco do corpo na cama. Imagine: você levanta rapidamente, senta-se e fica pasmo, sem ação. Já viu algo assim antes? Foi espantoso. É por isto que diretores de cinema adoram cenas deste tipo em filmes de terror. A cada relato direi os minutos desta “aventura?!” Explico. Eu sou um observador do tempo. Anoto os horários de tudo o que me acontece. Uma pessoa me liga, imediatamente registro as horas no celular antes de atender. Uma das vantagens do celular é dispensar o relógio de pulso. Morava na casa do meu ex-sogro, “seu” Carlos, no bairro Mantiqueira, em BH. Do meu quarto passava pela cozinha e depois seguia para a sala, à direita, e chegava ao banheiro à esquerda. No pequeno corredor um relógio grande, redondo, na parede, à minha direita. Por isto anotei os horários e os recito de 05 em 05 minutos. E tudo começou às quatro horas da manhã (o pulo da cama) passei pelo relógio, cheguei ao banheiro, curvei a cabeça sobre o vaso e... Nada. Apenas ânsia de vômito. Amparando-me na parede do corredor devido a tontura, fui para a sala e deitei no sofá. Cinco minutos depois nova ânsia de vômito. Corri para o banheiro e: 04:10, de novo e... 04:15, de novo e... 04:20, de novo... 04:25 e, assim por diante até às 05:00horas, e... Nada. Só ânsias de vômito. Imaginou o desespero. Morri e voltei para contar como é

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Na sala, eu rolava no sofá de um lado para outro. Além da ânsia de vômito, o sintoma mais forte de um infarto é parecer que seus olhos vão pular do seu rosto. Tinha tonturas. Ao andar vi que minhas referências de equilíbrio, o pêndulo, variavam. Pêndulo - Nós temos um pêndulo, quer dizer, um ponto de referência em equilíbrio com o chão, que é a reação à força da gravidade. É isto que nos torna bípedes. Sem o pêndulo andaríamos de quatro ou escorando as duas mãos no chão, como os macacos (é por estas e outras que a Maçonaria chama de Deus de “arquiteto do universo,” ou seja, tudo tem o seu ponto de equilíbrio). Com isto todos nós equilibramos a noção da distância entre o corpo e uma parede, por exemplo. Em muitos casos sabemos que estamos à distância de um braço esticado e, ao esticá-lo apoiamos o corpo. No meu caso, eu olhava para a parede e media a distância, visualmente. Quando esticava o braço para me apoiar, quase caia. Eu tinha saído do prumo, diria um pedreiro. Todos têm um pêndulo, ou seja, você, sem instrumentos de medidas, sabe a distância entre o seu corpo e um objeto, uma parede, um degrau, etc. Uma forma natural de perder o pêndulo é a gravidez. Com as modificações físicas do corpo, as grávidas perdem a referência física do pêndulo e podem errar o degrau de uma escada ao subirem num ônibus, por exemplo. Diversos acidentes são registrados com grávidas por causa disto. E assim fiquei das quatro às cinco horas da manhã do dia 06 de Dezembro de 2004. A cada cinco minutos eu ia até ao banheiro, impulsionado por uma vontade absurda de vomitar e... Nada. Depois desta uma hora de ânsias de vômitos e corridas ao banheiro aconteceu um “milagre,” o primeiro. Morri e voltei para contar como é

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Um milagre?! A vida é puro aprendizado. Aquilo que nos acontece, e que chamamos de ruim, é Deus nos ensinando. Vamos recapitular. Acordei às 04h do dia 06 de Dezembro de 2004 e sentei-me na cama de uma só vez, como em cena de filme de terror. A cada cinco minutos fui ao banheiro impulsionado por ânsias de vômito, sem vomitar. Foi então que... Acredita em orações? A Universidade de Princeton (EUA) fez uma pesquisa com 700 pacientes internados em três hospitais. Eles foram divididos em dois grupos, com as mesmas doenças e tempo de internação. Para uns os visitantes eram convidados (de qualquer religião) a ir a um local orar pelos doentes. Para os demais pacientes nada era solicitado. Resultado: os pacientes que receberam as orações (vindas de parentes e amigos) tiveram melhora em 60% nas condições de saúde e deixaram os hospitais mais cedo que os outros. Penso que é tudo uma questão de energia. As pessoas emanaram energias positivas. As pessoas para as quais foram destinadas as orações receberam o que de bom lhes foi proporcionado. Vamos examinar aqui o disse Buda: o cérebro emite energia capaz de modificar as estrutura das moléculas. Como para mim não é possível pensar a vida sem um Criador, a que chamamos de Deus o meu “milagre,” nesta história, veio de uma oração. Pai de três filhos, Tainá, Ranniel e Luanaluz, eu, deitado no sofá da sala disse às 05hs da manhã: “meu Deus. Eu sei que o que está acontecendo comigo é sério. Não me deixe morrer sem antes conduzir meus filhos, educá-los.” Morri e voltei para contar como é

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Se estiver lendo este livro é porque tive minha prece atendida. O que aconteceu de “milagroso?!” Depois da oração comecei a suar como um beduíno no deserto do Saara. Foi tanto suor que no chão formou-se uma poça. Durou uma hora, até às seis da manhã. Pelos parcos conhecimentos que tenho, avaliei que suar fez baixar a pressão arterial, que deveria estar altíssima. Isto foi confirmado depois.

Suei de tal forma que fica difícil até de descrever. As ânsias de vômito pararam. O fantástico foram as imagens em minha mente. Eu concentrei todo o meu pensamento em meus filhos. Melhor dizendo, eu não conseguia pensar em outro assunto e só via a imagem deles. Imagine passar uma hora preso em um só pensamento. Graças a Deus Um ano mais tarde, o Dr. Marcelo Torres, coordenador da Urgência e Emergência do Hospital Municipal Odilon Behrens (PBH), explicou que o suar e o vomitar “salvaram” a minha vida (ei, espere um pouco. O vomitar foi o segundo “milagre” desta história, aguardem). É que o entupimento da veia direita de entrada do sangue no coração fez aumentar a pressão arterial assim como provocou o infarto. Como eu não morri, a pressão arterial se tornou insuportável, o que dava a impressão de que os olhos iriam pular do rosto e me fez perder o pêndulo. E a dor de cabeça era horrível. Ao suar, tudo se descomprimiu, conforme teorizei antes. E a partir das seis horas acontece o segundo “milagre” desta história.

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Vomitei até as tripas A verdadeira oração é aquela em você pede mudanças em si. Como numa novela, preciso relembrar antes de continuar. Bem, das quatro às cinco horas, a cada cinco minutos, registrava ânsias de vômito e corria para o banheiro, passando pelo relógio que possibilitou registrar tudo e, às cinco horas comecei a suar, depois de orar, o que durou uma hora e descomprimiu o meu corpo, regulando a pressão arterial. Ao acordar, às seis horas da manhã, minha ex-esposa Gleise, nada sabia sobre o que eu passava. Não a acordei para não assustar. Achei que dava conta. Ela, ao ver-me, da porta da sala disse: “muito bonito, hem! Me deixou na cama sozinha!” Neste momento acontece o segundo “milagre” de minha história, comecei a vomitar. O curioso é que só vomitava quando ela falava. Até o momento não tenho explicação para isto, só teoria. Ela falava, eu vomitava. Só dei conta disto às 08hs30. Foi assim. Às 06hs, quando a Gleise falou a ânsia de vômito explodiu em mim, corri para o banheiro e, desta vez, vomitei até. Ela parou de falar, parei de vomitar. Ela foi ao banheiro e eu fiquei na sala. Ela voltou para o quarto, se deitou novamente, depois que expliquei porque não quis acordá-la. Gleise levantou-se por volta das sete horas e voltou a falar comigo. Voltei a vomitar. E foi assim até na hora do banho, por volta das 08hs30 quando ela entrou no banheiro para se despedir ao sair para o trabalho. Aí percebi.

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Foi ouvir a sua voz e vomitar. Ela saiu, voltou para o quarto e eu parei de vomitar. Quando retornou para falar algo que não me lembro, vomitei de novo. Foi neste momento que percebi a ligação da voz dela com o meu vômito. Pedi que parasse de falar, parei de vomitar. Pedi que falasse, voltei a vomitar. Se ela ficasse falando por cinco minutos, por cinco minutos eu vomitaria. Não tenho relato de nada igual a isto. Depois fui informado que, além do suor excessivo das cinco às seis da manhã, o fato de ter vomitado também me manteve vivo. Afinal eu ainda enfartava. Não posso explicar os acontecimentos, mas tenho a impressão que o elo entre duas pessoas que se casam é maior do que pensamos. Ela me guarneceu, ou seja, o que faltava para eu não morrer e a pressão arterial diminuir era vomitar. Foi ela que me proporcionou isto, com impulso de sua voz. A costelinha de porco Eu passei quase dez anos sem comer carne de porco e beber café. No domingo, antes do ocorrido, por insistência de minha exsogra, Dona Lourdes, eu comi uma deliciosa costelinha de porco preparada por ela. Como ao enfartar eu sentia ânsias de vômitos, acreditei ser este o motivo do que me ocorria. Não fazia a menor ideia de que estava enfartando. Minha convicção sobre a costelinha de porco era tão forte que quando Marilda, a pessoa que trabalhava conosco como doméstica, chegou pedi-lhe que preparasse um “capitão de fubá” (uma fórmula antiga para parar vômitos). E levei a costelinha de porco até ao hospital.

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Há momentos em que a gente não percebe o que está à nossa volta e coloca cada coisa na cabeça. Como eu poderia insistir com médicos experientes e naquele momento. São convicções como estas que nos levam a cometer erros. Só que faz parte. É o modo que temos de aprender as coisas.

Resultado de exame que fiz no Hospital Odilon Behrens no dia 06/12/2004

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A chegada ao hospital “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que pode imaginar a nossa vã filosofia.” Gleise foi para o trabalho às 08hs40 e eu voltei para o meu quarto e deitei. Abracei meus filhos Ranniel e Luanaluz, que estavam de férias na escola. Insisto em frisar o acontecimento anterior, o do vômito. Luanaluz, minha doce menina, que estava com apenas dois anos chegou e disse: “papai, cê tá doente?”. Nada me aconteceu. Ranniel, na época com quatro anos, também falou comigo e nada, sem vômitos e ânsias. Só a Gleise me fez vomitar e até pelo celular. Ela ligou para saber como eu estava, por volta das 09hs30, corri para o banheiro só de ouvir sua voz. Fiquei deitado até 10hs15 daquela segunda-feira, acreditando estar passando mal por causa de uma costelinha de porco. Marilda veio até meu quarto, diversas vezes, perguntar se estava tudo bem. (Marilda falava comigo e eu não vomitava. Não é engraçado). Não me lembrei de ligar para o 190, 193 ou 192, os números da emergência médica e policial. Liguei para meu irmão, Alberto (Betim). Betim, prestativo como sempre, saiu do bairro Buritis e foi até Venda Nova me levar para o hospital. No caminho, pedi-lhe que não me levasse para o Pronto Socorro, o Hospital João XXIII (BH), e sim para o Odilon Behrens. Não me pergunte por quê. Só sei que, um ano depois, trabalhei com o Dr. Marcelo Torres, que era da equipe do Hospital Odilon Behrens. Mera coincidência? Betim foi ao guichê fazer minha ficha. Olhei para a saída dos pacientes e caminhei em direção ao segurança. Como sabia, Morri e voltei para contar como é

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intuitivamente, que minha situação era grave fui entrando. O engraçado é que o rapaz não podia me deixar entrar, mas olhei para ele e a portinhola se abriu. Ele não fazer perguntas. Talvez eu parecesse mesmo um zumbi. Empurrei as portas do tipo salão de faroeste, que abriam para dentro e para fora ao mesmo tempo e fui entrando. Quando me viu uma enfermeira falou: “moço, o senhor não pode entrar aqui”. Eu respondi: “preciso de ajuda. Estou vomitando desde às 04hs por causa de uma costelinha de porco,” e me escorei numa maca. Foi só uma costelinha Apareceu a Dra. Adriana, na época residente, e disse: “este senhor está enfartando.” E eu: “que nada, foi apenas uma costelinha de porco.” Ela fez aceno para os enfermeiros e gritou: “ajudem aqui. Este homem está enfartando. Ponham-no na maca, tragam o soro, o plazil e o eletrocardiograma, rápido, rápido...” E eu contestado: “nada, doutora, foi só uma costelinha.” Após ser colocado numa maca, continuei: “foi apenas uma costelinha de porco. Não posso estar enfartando há sete horas. Isto não existe...” Fechei os olhos. Ainda vi e ouvi a Dra. Adriana pegar a fita que saiu do eletrocardiograma e mostrar para o Dr. Marcelo. Ele disse: “vá direto ao seis, o azul. Corre com este homem que ele está morrendo.” Depois foi confirmado que enfartei das 04 às 11hs. Talvez um recorde para o Guines. E sabe por que eu sei que eram 11hs? Por causa de um relógio, redondo, afixado na parede à minha frente na sala de urgências e emergências do hospital. Não disse que as horas me perseguem?! E desta forma pude registrar, a cada momento, os Morri e voltei para contar como é

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horários de tudo o que me acontecia. Não havia cama disponível e na maca mesmo fui acoplado aos aparelhos de medição de pressão e batimento cardíaco. Aqueles que ficam na parede ou do lado do paciente. Por volta das 11hs15 apaguei.

Eu quero água “Meu reino não é deste mundo,” disse Jesus. Como disse à frente de minha cama na sala de Urgência e Emergência do Odilon Behrens tinha um relógio e toda vez que abria os olhos lá estava ele, o tempo, implacável. Às 11hs40 acordei com uma pessoa próxima ao meu peito. Sentia dores horríveis. E foi de impressionar a minha lucidez diante do que me acontecia. Perguntei: “ei, o que está acontecendo?” Pude sentir o bafo do médico acima de minhas narinas. Ele respondeu: “estamos tentando colocar um marca-passo em você e preciso cortar sua pele para colocar o fio do aparelho. Aguenta aí.” Eu disse: “mas dói pra caramba. É sem anestesia?” Ele, meio sôfrego e constrangido: “sim. Você não pode receber anestesia, a sua pressão está muito baixa.” E eu: “mas já existe anestesia em gel, para áreas externas do corpo.” O médico disse: “é mesmo. Enfermeira, pega lá pra mim. Está no armário.” Como assim?! Eu, o paciente, lembrando ao médico os seus procedimentos. Foi engraçado e acho que ele estava preocupado comigo, agradeço. Desmaiei de novo. Acho que por causa do efeito de algumas drogas que me aplicaram.

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13hs - Abri os olhos. Ao meu lado Gleise, e meu irmão Humberto. Tiveram permissão para entrar na urgência. Imediatamente pedi água para a enfermeira. Eu tinha passado sete horas suando e vomitando tudo o que comia e bebia e era dezembro, o calor estava insuportável. Na sala do hospital com mais 18 pessoas, me sentia sufocado. Não tinha boa ventilação e sequer sistema de refrigeração. A enfermeira respondeu: “não pode.” Meu irmão tinha numa das mãos uma garrafa de água mineral. Ele colocou um pouco de água na tampa e molhou meus lábios. A Dra. Adriana se aproximou e eu pedi-lhe: “quero água.” Ela respondeu: “não pode.” Meio tonto rebati: “como assim, doutora. Estou com muita sede. Sem água vou morrer.” Ela, impaciente, talvez devido ao cansaço, rebateu: “não pode. São procedimentos médicos. O senhor já recebe água via soro.” Insisti: “mas é muito pouco. Isto não dá para nada.” Ela saiu sem dizer mais nada. Meu irmão disse-me: “ei, é o procedimento deles.” Rebati de novo: “Humberto eu trato de pessoas há cinco anos. Isto é absurdo. Água é vida, é energia. Sem água as pessoas não encontram forças para se restaurarem.” (Sou raizeiro e, tanto em Porto Velho como em BH, oriento pessoas no uso de plantas medicinais). Quando concluía a frase se aproximou um médico, cujo nome não me lembro. Eu perguntei: “doutor, porque não posso beber água?” Ele, educadamente, respondeu: “por causa da fragilidade da epiglote. A água pode ultrapassar a área do pulmão e ai o senhor morre.” Não aceitei: “não vale. As pessoas se estão conscientes, não perdem esta capacidade.” Ele saiu, dizendo apenas: “sinto muito.”

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Meu irmão e a minha ex-esposa tiveram que sair da sala. Meus ex-cunhados Gledson e Guê me acenarem de uma porta lateral. Uma hora e meia hora depois, ou seja, já eram 14hs30, comecei a incomodar aos que passavam. “Ei me dá água. Eu quero água.” Repetia a enfermeiros e médicos que transitavam à frente de minha maca. Cobaia Por volta das 14hs55 veio o Dr. Marcelo Torres e ele e eu travamos um debate instigante. “Disseram-me que o senhor pede água a todos que passam. Não podemos, é um procedimento médico.” Emendei com atrevimento: “...que está errado,” e continuei: “...somos mais de 70% água, como quer que eu melhore sem ela. O senhor se lembra da fórmula da água doutor? H2O. Quer dizer, duas moléculas de hidrogênio para uma de oxigênio e hidrogênio é energia. Já inventaram até a bomba e o carro movido a hidrogênio. Como pode me deixar sem energia e querer que eu viva?” Dr. Marcelo Torres me olhou, sem resposta. Foi quando emendei e meu desafio: “... à minha frente doutor, tem um computador. Assino um termo de responsabilidade, isentando o senhor e o hospital. Doutor, eu morro, mas morro bebendo água.” Ele não resistiu, chamou uma enfermeira e ordenou: “dê a este homem um copo de água a ele a cada meia hora.” Vibrei e agradeci. E, a cada meia, hora eu a chamava e pedia mais água. Diferente dos outros pacientes da urgência, eu me restaurava a cada momento. Ao beber o meu sexto copo, às 17hs, a doutora Adriana viu e questionou a enfermeira: “quem deixou este paciente beber água?” Com a resposta, foi direto até o doutor Marcelo Torres e, com os Morri e voltei para contar como é

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outros membros da equipe, aconteceu uma conferência. Meu caso começou a fazer história. Um ano depois, doutor Marcelo Torres confidenciou-me que não concordava com este procedimento e, com a minha insistência, achou que era a hora de ver no que ia dar. Ele era o coordenador e pronto. Através do meu companheiro, o relógio redondo de parede, digo que adormeci às 18hs e reabri os olhos às 20hs30, pedindo mais água. Desacordei às 21hs. Voltei só às 01h, já na terça-feira, dia 07. Foi neste período que se deu a minha (morte) saída do corpo e a constatação de que sou um espírito em encarnações e reencarnações. Agora, sem querer ofender, nada a ver com o que muito espíritas kardecistas dizem inclusive Chico Xavier. Por exemplo: não existe a reprodução do mundo material no espiritual. Isto é projeção do que somos na materialidade.

Alta da Santa Casa, dia 14/12/2004

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Paciência leitor (a) amigo (a) Os médicos não usam a intuição e convivem pouco com os pacientes. Antes de entrar na história de minha “morte propriamente dita,” um amigo, João Gazel, disse-me que deveria completar a história anterior, para não deixar o leitor sem a cronologia dos fatos, vamos dizer, da materialidade. A história que contarei do ocorrido comigo das 21hs do dia 06 de dezembro até às 01h do dia 07 de dezembro de 2004, portanto já na terça-feira, ocorreu em outro plano, no Mundo Espiritual. Assim, fica mais fácil a compreensão de todos os fatos ocorridos comigo, uma exceção em todos os relatos que pesquisei na internet sobre EQM, por causa de algumas peculiaridades. Ficará, também, mais excitante com este “intervalo” na narrativa. No dia seguinte - Após “morrer” e voltar ao corpo, no dia 07 de Dezembro, uma terça-feira, pela manhã, acordei com os sacudidos da maca. Meu irmão, Humberto, estava numa das pontas da maca e o motorista da ambulância na outra. Perguntei-lhe: “o que está acontecendo?” Respondeu: “você está sendo levado para a Santa Casa,” respondeu enquanto me colocava no veículo. Na outra ponta da maca falei com o motorista: “o senhor vai ligar a sirene?” Ele respondeu que não. E eu: “poxa, é a primeira vez que ando numa ambulância e sem a sirene ligada,” e desacordei. Abri os olhos, de novo, quando entravam comigo no elevador do hospital.

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Recebi alta do “cardio” da Santa Casa de BH na outra terçafeira, dia 14/12/2004, e os momentos que ali passei foram interessantes. Primeiro: descobri que a maioria dos enfermeiros não concorda com os procedimentos médicos e que a relação entre médicos e enfermeiros é tensa, eivada de preconceitos. Está claro, para mim, que a prática é que promove a evolução em qualquer profissão. Mais diálogo - Os médicos receitam procedimentos, impõem suas teorias, mas são os enfermeiros (as) que as aplicam, avaliam reações e acompanham resultados. Como somos, segundo a ONU, sete bilhões de seres diferentes no planeta, é de se pressupor que procedimentos iguais podem não oferecer resultados iguais. Os médicos deveriam ficar mais ao lado de seus pacientes observando suas reações, o que é feito pelos enfermeiros. As enfermeiras concordaram com a minha tese de que sem água a recuperação é mais difícil e que não existe a tal dificuldade de beber água, como afirmam nas escolas. Elas não faziam contestações abertas, como medo de represálias. Os médicos, nos hospitais, são meio “ditadores” e, com isto, perdem a oportunidade do aprendizado com quem pratica a medicina, os enfermeiros. É como dizem os raizeiros que conheci em Rondônia e Acre, a universidade dificulta o entendimento da intuição, que é a nossa ligação com o Criador. Afinal as instituições acadêmicas e o estado são “laicos”. É de rir quando se sai ao luar e damos de frente com a grandeza do universo e ver pobres mortais só porque passam cinco anos numa escola e mais dois em residência médica se acham capazes de contestar o Criador.

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Uma noite, no “cárdio,” uma enfermeira deixou uma garrafa pet de refrigerante com dois litros de água para mim. Se não fosse eu beber água na marra, inclusive na torneira da pia do banheiro, tenho certeza que o meu destino seria o mesmo do homem internado à minha esquerda. Lembro-me que ele era negro e, acho que se chamava Antônio. Ele passou dias e noites pedindo água. Ele gemia e gritava ao pedir água. No dia de minha alta chegou à enfermaria um médico, já velho. Ele disse assim: “vocês me tiraram de minha aposentadoria pela última vez.” Olhou para a mãe do homem e disse: “vou fazer a cirurgia, mas quero adiantar que ele só tem 10% de chances de sobrevivência.” Foi até o homem, pegou em sua pele e disse, voltando para o médico que me dava alta: “ei este paciente está desidratado.” Olhando para a mãe, de novo, finalizou: “olha, no estado dele as chances são menores ainda. Ele não tem água no corpo.” Não me contive e sentado na cama, disse: “eu avisei que este homem estava morrendo por falta de água.” O médico mais velho olhou para mim, as pessoas à sua volta e as enfermeiras que faziam gestos com a cabeça. Atrevido, na maioria das vezes, é palavra atribuída a pessoas que falam a verdade e agem de acordo com a consciência. Bebi água toda vez que pude. É prova de que os conhecimentos, recebidos do Augusto Jerônimo da Silva, estavam corretos e, com isto, ganho força para as críticas. Deixei o hospital com exames que indicavam a creatinina (funcionamento dos rins) a 4.2 (o normal é entre 0,8 e 1,2) e o ácido úrico a 9.2 (o normal varia entre 5 a 7). Morri e voltei para contar como é

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Os dados são dia 14 de Dezembro de 2004 e retornei no dia 20/12/2004 para colheita de sangue e a entrega da “urina 24hs.” Resultados normais para creatinina e ácido úrico. Sabe como consegui em tão pouco tempo? Bebendo chá de chapéu-de-couro, chupando um cacho de uva todos os dias e com uma colher de sopa de uma garrafada feita com a flor do mandacaru, fórmula de minha amiga, a raizeira Dadá das Ervas. Outra coisa que faço questão de registrar é que recebi alta e a indicação médica para, apenas, tomar AAS. Para quem foi dado como “morto” por quatro horas foi uma receita, no mínimo, curiosa. Sabe por que, amigo leitor? O infarto que me acometeu teve origem no emocional. Só que esta é outra história que explico e conto em outro livro que escrevo há cerca de cinco anos: A Gente Adoece é Pela Emoção. Quem sabe, mais à frente, você não terá a oportunidade de lê-lo, se Deus quiser. Ora, voltemos a história de minha “morte.” As considerações aqui descritas já servem ao propósito de manifestar o que vi e penso sobre o que me aconteceu, materialmente falando.

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A história de minha “morte” Bom, voltemos ao hospital Odilon Behrens, na noite do dia 06 de Dezembro de 2004. Eu dormi (ou desmaiei, não sei) às 18hs. Abri os olhos às 20hs30 e voltei a fechá-los às 21hs horas para só reabri-los à 01h da terça-feira. Os relatos que farei agora serão sem marcação de horários, óbvio. Assim como Albert Einstein já havia dito, descobri que o tempo é uma relatividade da matéria. Para onde fui não há tempo. O relativismo é apenas material. Quando peguei a cópia de meu prontuário (todo paciente tem o direito e deveria pegar o seu. É um registro pessoal) é que soube dos horários. Às 21hs horas em ponto a Gleise viu que médicos e alguns enfermeiros estavam à minha volta, na maca. Assustada pediu informações. Dra. Adriana se aproximou e disparou: “agora é só rezar. Como está o seu marido, nós já perdemos seis nos últimos quinze minutos.” Tinha sido um dia difícil, aquele. Gleise entrou em pânico e ficou, de longe, observando. Sai do corpo e vi que sou um espírito - De minha parte sai do corpo e vi tudo, não ouvi nada. Primeiro mistério que revelo a quem interessar sobre a “morte.” Para onde o espírito vai, ou fica, não se fala. Toda a comunicação é telepática. Imagine, penso agora, se Deus precisa de voz, de fala, de garganta, de cordas vocais?! Agora sei que não. Toda a cena que registrei foi apenas visual. Os médicos à minha volta na maca. Minha ex-mulher da porta da urgência. Eu Morri e voltei para contar como é

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vendo toda a cena. Preocupação no rosto das pessoas. A tensão com a possibilidade de minha “morte” física. O tempo não existe, é só nosso - Como disse antes, o tempo é relativo e, portanto, pertence à matéria. Apenas para situar acho que fiquei a ver toda aquela cena por um ou dois minutos. Só que, como o tempo não existe fora da matéria, pareceu-me uma eternidade. Fui virado para a direta. Uma força sempre antecipava os meus movimentos. Vou falar sobre isto mais na frente. Apenas adianto que senti o que é o senti. Fiquei em sombra, ou penumbra, como dizem. Uma pequena luz se apresentou ao longe, ou perto. É só uma questão de perspectiva. Assim como o tempo a distância e localização não são possíveis de precisar fora do corpo. Astral Superior?! - Tenho que dar um nome a este lugar. Sempre damos nomes às coisas e aos lugares. Precisamos de referências. É humano isto. Vamos à lista. Para os budistas, o Nirvana. Os cristãos, o Céu, Jardins do Éden ou paraíso. Os islamitas, dizem: Os Jardins de Alá. Para os espiritualistas, o Astral Superior. A Cabalá chama de “Mundo Espiritual.” Para escrever melhor e a boa compreensão do que relato eu vou chamar apenas de “astral.” Se está tudo bem para você, assim não vinculo este relato a nenhum dogma religioso. Não é para isto que o faço. O movimento da Luz - No “astral” onde estive não podia referendar distância, local e tempo. Apenas ela existia e a luz começou a se mover em minha direção. Algumas religiões chamariam o ser que eu vi de “anjo.” Não posso defini-lo como os católicos o fazem. Não tinha asas e apareceu-me em forma humana. Eu sentia e via uma luz sob o seu corpo. Morri e voltei para contar como é

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Aliás, vou explicar isto também mais adiante neste meu relato, eu sentia tudo, ao falar ver e ouvir é mera referência para a sua compreensão, amigo leitor. E sabe o que eu apenas observava que me acompanhava da matéria?! Os batimentos do meu coração. Interessante, não?! Deus só pensa. Tudo gira e acontece pelo pensamento de Deus Telepatia. Já disseram os filósofos gregos que a vida pode ser um pensamento de Deus. O ser que se aproximava de mim, pelo que senti, tinha uma intenção, ou uma ordem. Foi quando recebi um comunicado (não posso falar de ouvi uma voz, porque foi só em pensamento). Definam como queiram só que recebi uma frase: “ele não vai ficar ainda. Ele vai voltar. Leve-o para ver o que tem que ver.” Sabia que a ordem não foi passada a mim. Isto me deu a certeza de que, fosse quem fosse o ser de luz que se aproximou era, digamos, um emissário. Outros podem dizer que é um ser de luz, um mensageiro divino, protetor, guia espiritual. Não sei. Só sei que vi a luz se aproximar e, com um gesto, indicar que o acompanhasse. Neste momento senti-me distanciando da maca onde estava meu corpo. É uma coisa engraçada de relatar. Eu tinha vontade de acompanhá-lo, mas era independente de minha vontade. Apenas distanciei da maca onde estava meu corpo, observando-o. Explico. Eu ir aonde o ser de luz me indicava não dependia de minha vontade. Eu iria de qualquer jeito. Eu era conduzido. Mais uma vez chamo a atenção para o Domínio de Deus. Tem gente que fala que o espírito pode sair do corpo e fica ligado ao mesmo por um cordão de prata, que é consciência que nos liga a Deus. Não sei. Nada vi ou senti disto. Apenas, naquele Morri e voltei para contar como é

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momento, resolvi uma dúvida, eterna para muitos, e já solucionada para mim. “Eu sou um espírito em encarnação e reencarnação.” Quem não o admite ou é por desconhecimento ou manipulação. Lembro-o, leitor, das palavras que Jesus teria dito: “meu reino não é deste mundo.” Ora, então existe outro mundo, já que Ele reina em outro lugar?! Eu sei que sim, o que chamei apenas de “astral.” Quando falamos sobre algo que envolve religião ouvimos o velho chavão: “ninguém é dono da verdade.” Não se trata disto. Tudo o que é verdadeiro é o que é experimentado, vivido. Eu vivi isto e vou usar a frase de um programa de TV: “acredite, se quiser,” relato aqui o que vivi.

Eu sou um espírito, repito Reprisando, fui dado como “morto” às 21hs. Passei quatro horas com batimento cardíaco em 22 por minuto e pressão arterial em 5/7. O ser humano registra entre 80 e 120 batimentos por minuto. Sessenta batimentos já é infarto. Imagine 22 por minuto. É coma, ou “morte,” conforme me foi explicado pelos médicos. Agora faça uma avaliação. Quatro horas nestas condições. Por isto que o Dr. Marcelo Torres dizia que eu era um zumbi, um morto vivo. Quer dizer, eu fui e voltei para contar como é. Acompanhei a luz, ou o ser de luz, à minha frente. Melhor dizendo, fui levado. Ao me distanciar da maca não sei se subi como querem crer alguns, ou se estava no mesmo alinhamento do chão. Só Morri e voltei para contar como é

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sei que o ambiente à minha volta ficou em penumbra. Não estive, em nenhum momento, em lugar com luz total ou escuridão total. Uma tela de cinema - Na penumbra onde estava abriu-se uma tela à minha frente, como num cinema. Veio-me a compreensão de que aquela era uma forma de comunicação apropriada a mim, ou seja, como sou cinéfilo a forma cinematográfica foi a mais adequada. Isto me remete à compreensão do que é o amor divino. Ele trás as orientações na linguagem que você entende ou gosta. Para que você receba o ensino é preciso que você o aceite. A forma da comunicação abre as portas da aceitação, primeiro passo para a compreensão. Assim, para mim, existem orientações nos livros, nos filmes, nas novelas, nas revistas, etc. Só que você tem um sistema de reconhecimento único do que lê, ouve e vê. Por isto, você faz a leitura mais adequada à sua formação, melhor dizendo, à sua percepção. Isto explica a diferença de interpretações, mas as orientações divinas são iguais para todos. Ele é sempre igual para todos. É por isto que faço a critica a falta de intuição dos médicos (e outros profissionais das áreas sociais e de saúde). A compreensão que descrevo agora do que aconteceu me foi passado ao mesmo tempo em que tudo acontecia e de forma telepática. Isto mesmo! Quando a tela se abriu, em meus pensamentos recebia a explicação do porque e para que tudo acontecia. Parece confuso, mas volto a dizer o que sentia (pelas batidas do coração). Eu falo de pensamento, visão e audição para a compreensão do leitor. Amigo, eu estive no Reino do Sentir, que descrevo mais tarde. No momento em que um médico atende um paciente se elevar o pensamento a Deus pode receber o que deve fazer melhor por ele, Morri e voltei para contar como é

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do que tentar apenas aplicar as teorias aprendidas de outros seres humanos na faculdade. Ter informação é uma coisa. Ter conhecimento e sabedoria é outra. E o que se passou na telona?! - A minha vida. Esta vida, esta encarnação. Está claro que eu, e ninguém, aguentaria o volume de informações sobre mais de uma encarnação. E tem outra coisa que explica porque não podemos recordar muitas vidas. Imagine você lembrar, agora, que já foi um ladrão, estuprador, um avarento etc. Nem vem com esta de príncipe e nobre. Irrita-me na falácia de muitos kardecistas que só falam sobre reis, rainhas e princesas. Acredito que o desconhecimento de vidas passadas quando você está encarnado é uma proteção de Deus a nossa memória. E mais, Ele quer que você aprenda por si. Tudo na vida é aprendizado. Todos os movimentos de Deus para conosco visa o nosso aprendizado. Não existe o mal como falam. É o próprio Deus movimentando-se e nos colocando em movimento para nosso “crescimento espiritual.” O filme de minha vida - Está claro que não vou entrar em detalhes. É pessoal. Agora imagine um filme e você como ator principal de uma vida inteira, a sua vida. Cada gesto, palavra, olhar, paladar, cheiro, som, enfim, tudo o que você fizer, fez e faz. O seu registro temporal na vida terrena. Foi assim que vi e percebi (senti). Eu tive resposta a outra pergunta. Uma pessoa em Porto Velho fazia muito uma brincadeira. Ele dizia: “um dos nomes de Deus é ninguém. As pessoas, quando vão fazer algo errado pensam assim – ninguém está vendo. É verdade, ninguém vê tudo, entendeu?!” E o velho continuava: “ninguém é Deus que tudo vê e registra.” Morri e voltei para contar como é

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Foi com a telona passando a minha vida que entendi as palavras de “seu” Augusto, o velho “quexada.” Deus, ou melhor, “Ninguém” tudo registra e, é óbvio, vê e ouve. Milionésimo por milionésimo de segundo do tempo nossas ações são registradas. Nada escapa de forma individual e coletiva. Está claro que numa cena em que converso com minha mãe, por exemplo, ela aparece. Então, é fácil concluir que tem, na mesma cena, o meu registro e o dela. E para que serviu passar a minha vida na tela do “cinema”?! Para o que veio depois. Uma revelação e tanto.

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O meu “julgamento” Se Deus é AMOR você acredita que o AMOR pode julgar a alguém?! O relato que faço agora é de um julgamento. Mas, não como você está pensando. Para surpresa geral descobri que Deus não julga ninguém. Finda a exibição de cada detalhe de minha vida, desde um banho que tomei a cada dia, o copo de café que bebi, a cada almoço, sexo, conversas, matérias jornalísticas que escrevi programas de TV que vi, filmes, tudo, literalmente tudo, passei a outro estágio. Chamo de estágio por causa da dificuldade de definir lugar, distância e tempo. Acredito, por exemplo, que a exibição cinematográfica de minha vida tenha durado três horas. Como sai do corpo às 21hs do dia 06 de Dezembro, acredito que já era meia-noite quando passei ao estágio seguinte. Esta parte é fascinante. Novo intervalo. Paciência – em minhas andanças pela vida ouvi falar, nas mais de 18 religiões que frequentei, em “campo das estátuas,” “campo das recordações,” entre outros lugares em que se encontram nossos registros. A minha experiência me diz que tudo está em nós. Nas moléculas de oxigênio. Cientistas americanos já desvendaram que nossos arquivos ficam armazenados em moléculas de oxigênio, que são acionadas quando você pensa. E as moléculas de oxigênio transmitem as informações através dos neurônios até a central da fala, que fica no córtex cerebral. Observei que não só as informações materiais, como cores, números entre outros dados, ficam armazenados nas moléculas de oxigênio, a memória espiritual tem outro ambiente (falaremos sobre isto mais tarde). Morri e voltei para contar como é

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Mas voltemos ao julgamento - As religiões debatem isto há milênios. Desde os tempos das mais primitivas manifestações religiosas que o homem se pergunta: quem faz o julgamento de nossos atos? Já tivemos época em que, em nome de Deus, organismos religiosos realizaram esta tarefa, como a Santa Inquisição da Igreja Católica. Entre os Aiatolás, principalmente iranianos, esta forma medieval de entender as responsabilidades de Deus ainda persiste. Mas, o que aconteceu comigo mudou a minha percepção e, espero mude a sua também. Após a exibição de minha vida fui levado a outro estágio. Lá, ainda na penumbra, apareceram três personalidades. Uma à minha frente, outra à minha esquerda e outra à minha direita. Todos com os rostos encobertos por uma penumbra. A luz do ambiente incidia sobre suas vestes, mas não sobre as faces. Como era de se esperar, o personagem da esquerda me atacava. Dele vinham todas as lembranças de meus erros. No popular o chamam de “advogado do diabo.” E ele “descascava.” Falava de tudo. Até de meus pensamentos. Quando algum dia eu olhei para uma mulher com cobiça, por exemplo. Lá estava ele a me lembrar de todos os erros que cometi. Sem linchamento moral - Só que, com um detalhe. Nada de me diminuir, moralmente. Fui lembrado e cobrado das corrupções do dia-a-dia. Por exemplo, quando usei meu irmão para furar a fila da Caixa Econômica Federal. Um ato que pensava ser menor, lá estava ele a me apresentar a conta. Implacável. Nada é perdoado, como sempre dizia minha mãe, aqui se faz aqui se paga, ou melhor, responde-se.

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Não é fácil enfrentar isto. A primeira reação é de culpa. Mas tal sentimento é amenizado pelo outro lado, o personagem da direita. É engraçado. Na política temos a direita e a esquerda como sinônimos, para quem acredita, do bem e do mal. Temos ainda o lado direito e o esquerdo da escrita. Algumas literaturas e culturas entendem que o direito é o certo e o esquerdo é o errado. Existem mais pessoas destras do que canhotas. Esta definição é material. A citação da esquerda é a mera posição das coisas. Tudo na matéria é dual e relativo. Não tive dúvidas sobre o significado, neste caso de direita e esquerda. O simbolismo é a negatividade representada pelo lado esquerdo homem e a positividade pelo lado direito (sei que vou sofrer o maior bombardeio por causa disto, mas é assim que funciona. Lá vem o pessoal PSTU, PSOL, PC do B, PCB entre outros). E como foi a minha defesa?! Como os advogados fazem?! Claro que não. Foi uma defesa incorruptível.

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O que vale é a intenção Somos falhos demais para sermos julgados por nossos atos. Retomando o relato, lembro-me que o personagem que estava à minha esquerda me “arregaçava sem perdão,” como o dito popular. O personagem da direita me defendia. Na Justiça terrena um advogado diria, sobre minhas falhas, que eu “estava nervoso,” na tentativa de apelar aos atenuantes e amenizar a punição. Na Justiça Divina não. Lembro-me que na Bíblia, e para algumas religiões não católicas ou evangélicas, a balança da justiça é trazida pelo Arcanjo São Miguel. Nota-se que ela tem dois pratos. Tudo é medido e pesado de acordo com os atos e os acontecimentos e, o principal, é a intenção. Tudo o que é justo é medido pela intenção do fazer. O ser humano é falho por natureza, então a Justiça Divina é elástica, ou seja, o seu julgamento será de acordo com a sua capacidade de percepção de seus atos. Como posso ser condenado de forma rígida, se estou “dormindo” e não tenho conhecimento de toda a verdade. Mestre Gabriel, fundador da União do Vegetal disse: “duvido que alguém erre consciente.” Estando consciente não tenho como errar. Só que tenho eu a consciência de tudo?! Porque fomos criados?! Para o que?! Quem domina e para o que?! Sou, realmente, dono de meus atos?! Tenho realmente o “livre arbítrio”?! Com este entendimento, explico que minha “defesa” foi feita a partir do levantamento de minhas ações, com o objetivo de dignificar a autoestima, colocando-me com um ser humano, apenas. Tudo tem um “tamanho” e um “lugar.” Morri e voltei para contar como é

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Desta forma, ao mesmo tempo em que o da esquerda lembrava os meus erros, eu era lembrado de minhas virtudes pelo personagem à minha direita. Quando tratei bem a pessoas doentes, os animais, o amor por meus filhos, meus parentes, pela humanidade, tudo foi lembrado e situado como meu, em autoestima. Os momentos em que manifestei acreditar que o ser humano é o centro de tudo e por ele deve-se tudo fazer. Até mesmo os debates com os amigos Gazel, Almerindo, Iesu e Nelson sobre a raça humana e o desejo de desenvolver projetos de caridade e doação ao próximo. Quero dizer, tudo conta, assim como tudo é registrado. Até os animais - Aqui vale um destaque. No Livro do Viver e do Morrer, do Sogyal Rinpoche, um monge budista tibetano, está dito que na hora do julgamento do espírito até um animal pode depor a seu favor. Exemplo: você cuida de um cavalo, trata-o bem, dá-lhe alimento e, principalmente, amor e atenção. Para os budistas o animal presta depoimento a seu favor, porque nele também reside um espírito. Não vi acontecer assim. Mas, fui lembrado pelo personagem á minha direita da cadela que salvei da morte em Porto Velho. A mesma que me salvou do ataque de um casal de Dobermann. É isto. Todos os seus atos, para o bem e para o mal, são registrados e apresentados na “sua hora,” levando-se em consideração a encarnação que está sendo revista. A forma da defesa é honesta e sincera. Não se trata de refugar o que se fez de errado, mas de mostrar que o ser humano é dual, ou seja, ele tem em si o positivo e negativo. E quer saber mesmo: você não domina nada e todo movimento é para o seu crescimento espiritual. Morri e voltei para contar como é

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A grande luta humana, qual é? Manter a força do bem dominando a do mal. Por isto a pregação de que basta ser honesto é fraca. Ser honesto é um dever e não uma virtude. Agora, um erro, também, não é o fim do mundo, quando a pessoa souber ver-se e reconhecê-lo. O perdão a si mesmo é a chave. E sabe o que é perdoar? É não cometer mais o mesmo erro. Deus não perdoa ninguém – grifei e coloquei em caixa alta porque tem gente que fala isto o tempo todo. O que você faz tem o seu registro e não é domínio seu então Deus não tem o que perdoar. Uma prática saudável a qualquer ser humano é ter um bom espelho em casa. Olhe-se bem e avalie-se. Pessoas que me conhecem podem dizer: “esse cara está com demagogia. Conheço o rabo de palha dele.” Exatamente. Como não estou aqui como “fariseu” a pregar aos outros e esconder-me, digo que decidi mostrar tudo isto uma vez que eu mesmo não aprendi com os acontecimentos do dia 06 de Dezembro de 2004 e fiz um monte de “borradas” depois. Desculpem-me o jeito chulo de falar, mas foi assim mesmo. O amor e a dor - Existem duas formas de aprendizado na vida: o amor e a dor. Como não aprendi com a primeira opção, tive que passar pela segunda. E só eu mesmo para saber a dor que senti com as perdas que tive, principalmente no ano de 2011. Separei-me de uma pessoa maravilhosa, não posso conviver mais diariamente com meus filhos Ranniel e Luanaluz. Mas, tem uma coisa. O homem não é dual?! Hoje convivo melhor com Tainá, minha outra filha, e veio o meu neto Lucas. Perdi algo e ganhei na outra ponta. Os movimentos de Deus são assim.

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E ainda estou em aprendizado, claro. Não estou aqui como um messias. Faço a descrição sincera de tudo o que aconteceu para que ninguém ponha a mão na minha cara para falar nada. Aliás, atire a primeira pedra. O final do “julgamento.”

De novo, amigo (a) leitor (a): paciência. O que relatei, até agora, é chamado de EQM – Experiência de Quase Morte, expressão criada pelo Dr. Raymond Moody em seu livro Vida Depois da Vida, escrito em 1975 e é aceita pela comunidade médica. Só que, no meu caso, a história foi além da simples visão da luz, como a do fim do túnel, e do próprio corpo, como alguns relatam em matérias jornalísticas, livros e hoje estão espalhadas na internet (é só pesquisar no Google a sigla EQM). Tenho uma explicação do porque estive à frente de tais fatos, mas o final desta história ainda está em construção e com vocês. Tenho que passar a adiante tais fatos. Foram sete anos de estudos sobre tudo o que aconteceu até ter segurança para falar, principalmente em função do que vou relatar a partir de agora, o final do meu “julgamento.” Antes preciso fazer dois questionamentos: a) O que é Deus? Qual a sua essência? Deus é o puro amor? Dizem que sim. Tem até uma religião com este nome Deus é amor. A essência de Deus é o próprio amor e por isto ele é chamado de pai. Não posso conceber Deus sem amor. Ele criou toda esta beleza na Terra só para nós, e nos deu a vida e tudo o que precisamos para crescer e evoluir. Só um Deus de Morri e voltei para contar como é

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amor poderia nos dizer “ama ao próximo como a ti mesmo.” Não sendo amor puro e verdadeiro, jamais nos traria tais mandamentos através do que chamamos de mais puro profeta (até considerado seu próprio filho) Jesus, o homem que praticou o amor em toda a sua essência. Então, leitor, fica difícil você discordar de mim. Deus é amor, fechamos questão. b) Ora, vamos a uma reflexão: o AMOR julga?! Não é interessante. Eles dizem que Deus é amor e ao mesmo tempo nos julga. Dizem que, do que entendemos ser amor, o único puro amor na Terra é o de uma mãe. Você já viu alguma mãe julgar?! A mãe apenas se doa ao filho. Nas filas das penitenciárias 75% são mães, mais uns 20% são irmãs e esposas. Pode ser o pior bandido deste planeta, a mãe está lá para visitá-lo. O amor apenas doa, não julga. Deus é o desejo de doar. O que ele nos doa?! Você ainda pergunta?! A vida, a luz, o ar, os alimentos, a água, a dor, o sofrimento, a felicidade, enfim tudo. Todo o que existe tem a função de satisfazer os nossos desejos e nos dar prazer. Mas, vivem dizendo que Deus nos julga. Que haverá o dia do “juízo final.” Que Jesus chegará entoando trombetas e arrebatando fiéis aos que temem a Deus. Será isto mesmo?! Não foi o que vi A minha resposta a esta pergunta é simples: “Deus não julga ninguém.” Aliás, colocamos nas costas de Deus muita coisa que não tem nada a ver com Ele. Deus criou uma sistemática, um rosário de leis, um “moto contínuo,” ou seja, tudo se move por forças de leis imutáveis. E qual é o nosso papel nesta história?! Obedecê-las. Saber viver sob sua égide. Morri e voltei para contar como é

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O homem está violando as imutáveis leis da natureza e a lei do retorno nos trás catástrofes imensas. Rios que transbordam, geadas horríveis, vulcões em erupção etc. E aí, as leis divinas não são aprovadas no final do ano durante o recesso parlamentar?! Elas existem e são implacáveis para quem não as obedecem. Só que tudo faz parte do plano do Criador. Tudo vem dele e ele é tudo. Não cai uma folha de uma árvore sem que Deus queira (Bíblia). Ei, qual a prova de minhas afirmativas?!

O final do meu “julgamento” Nas páginas anteriores disse que o meu relato de EQM difere dos demais. Acho que sim. Das pesquisas que fiz não vi nada sobre ser levado a algum lugar e ser julgado. Já falei aqui que esta é uma questão antiga para humanidade. A Bíblia, por exemplo, se refere o tempo todo aos julgamentos de Deus. Sodoma e Gomorra. A história da Arca de Noé, o maior julgamento da história da humanidade. Acredito que estes relatos na Bíblia, e em outros escritos religiosos da humanidade, está na constatação de que temos a consciência dentro de nós. Ela nos “acocha” o tempo todo. Tem uma “ideologia” moderna do “nada a ver.” As pessoas promovem ações e dizem para si mesmo “nada a ver.” Um errado e confuso conceito de liberdade. Bom, como percebi que não escapo de “julgamento,” pelo que relatei anteriormente passei a perguntar: mas quem pode me julgar? A partir desta pergunta veio a maior revelação no meu “julgamento.” Afinal, quem esta por trás desta penumbra?! Após o personagem à minha direita e à esquerda concluírem seus relatos Morri e voltei para contar como é

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sobre os meus erros e acertos, uma luz se abriu e o terceiro personagem se apresentou. Nós formávamos um quadrado. Como uma caixa. Tinha uma à minha esquerda, outro à minha direita e um à minha frente. Sete anos depois descobri a simbologia disto. Você não é uma “caixa”?! Repare. Você está dentro de um corpo e tem cinco formas de ver o mundo: audição, paladar, olfato, visão e tato. Você é um espírito envolto em uma caixa que observa o mundo por sensações. E mais, você tem um programa de computador específico, único. Tudo o que você observa tem um direcionamento só seu, uma conclusão só sua. Quer um exemplo: eu e você avistamos agora um pássaro verde. Para mim, lindo. Para você nem tanto. A mim lembra minha infância, um papagaio que conheci. A você pode não lembrar nada. Entendeu?! É isto que chamo de programa de computador com aplicativo único, ou seja, somos sete bilhões neste planeta e cada é capaz de definir o que vê de maneira diferente. Por isto fica difícil alguém nos julgar. Teria que estar dentro de nós. Eureca, esta é a reposta... Sabe quem estava à minha frente e como juiz determinava tudo sobre os meus atos? EU. Ei, vou dar um tempo ao seu espanto... Era EU, isto mesmo. Na posição de juiz, o personagem era EU... Espantado?! Claro que não resisti e, em pensamento, perguntei: “e os outros, quem são?!” A resposta foi imediata. A luz aumentou e clareou todo o ambiente em que estava. O personagem do meu lado

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esquerdo, aquele que me condenava de dedo em riste, sabe quem era? EU. E sabe quem era o personagem benevolente que à minha direita me defendia? EU. Entendeu?! Complicado não?! Vamos estudar um pouco mais tudo isto?! O relato de todos estes acontecimentos, que guardo há sete anos (escrevi tudo isto em dezembro de 2011), é para chegar neste momento. Dá para correr de si mesmo?! - Entendo, hoje, que a minha busca desde os 12 anos de idade se completa no final da EQM que vivi e com os estudos que faço hoje. Ao final de minha trajetória fora do corpo abri os olhos, à 01h da terça-feira, dia 07 de Dezembro. Uma enfermeira, ao lado da maca, gritou para o Dr. Marcelo Torres: “doutor ele voltou.” Deram-me toda assistência. Eu não registrava mais nada de anormal. Minha pressão e batimentos cardíacos: estabilizados. Às 06hs da manhã, como já relatei antes, fui internado no “cárdio” da Santa Casa de Misericórdia de BH, onde fiquei até o dia 14 de Dezembro de 2004. Não é uma resposta simples a diversas perguntas que o homem faz?! Um Deus carrasco, que julga e cobra de nós as falhas da sua própria criação?! Impossível. Não fomos criados à sua perfeição, e por isto, ele não pode nos julgar, é simples. Tão simples que parece impossível de se acreditar. Quem nos criou: um Deus. E como? Imperfeitos. Quem coordena todas as nossas ações: Ele (não cai uma folha ...). Então, como pode me julgar? Sou julgado pelo o que? Só tenho uma escolha: obedecê-lo. Desobedece para ver o que te acontece. Morri e voltei para contar como é

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Tudo em mim - Pude constatar com a minha percepção (não posso dizer com meus próprios olhos, uma vez que meu corpo esteve na maca do hospital) da consciência. Ao enfrentar o resultado de minhas ações eu estive na minha presença e fui o meu inquisidor, defensor e realizei o meu próprio julgamento. E, quando se chega a este estágio, acredito de evolução da consciência, não tem espírito que se engane. Li uma vez que na Suíça implantaram uma universidade aonde o próprio aluno respondia aos questionários, corrigia a própria prova e se dava notas. Sabe qual o resultado?! Cerca de 70% reprovou a si mesmo. Sabe por quê?! Porque é uma das leis imutáveis de Deus, você não pode enganar a si próprio. É o maior dos absurdos e parte da humanidade tem pensado que pode fazer isto. A culpa é sempre dos outros. Jornalista que sou digo assim: “na frente das câmeras todos são bonzinhos.” Não jogam lixo no chão, preservam a natureza, não gritam com o motorista ao lado nos engarrafamentos, etc. A sinceridade não é uma prática corriqueira entre os homens.

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Por que eu?! Fica parecendo que estou preocupado com o julgamento das outras pessoas. Não é isto. Sou jornalista e como tal treinado para fazer perguntas. Quando escrevo tais lembranças me vem à mente que perguntas o leitor pode estar fazendo sobre o que relato e já emendo as respostas, mesmo que não sejam estas as suas perguntas, caro (a) leitor (a). Outros relatos na imprensa falam de EQM diferentes da que eu tive. Não tenho uma resposta pronta, direta a esta pergunta, apenas a compreensão. Sei que Ele quis que eu soubesse e vivenciasse tudo isto. Acredito que as energias circulam e as pessoas se ligam a partir de suas escolhas. Um exemplo: um compositor de música. Ele não cria nada. Ele recebe de uma fonte de inspiração, como acreditaram os gregos. Só que ele se concentra, fica à disposição para receber e, assim, trazer uma mensagem, um alento, alegria, prazer, através da música. Tudo está sob o Sentir. Nós temos apenas a intenção, nada mais. É assim que encontro resposta para a pergunta: “porque eu?!” Meus pensamentos sempre se concentraram na busca para a mais misteriosa das perguntas: “por quê?!” Sei que um dia vou desencarnar (morrer, como definem muitos). Sei que nasci e como isto se deu. Mas o porquê de tudo isto?! A vida, a criação, o sofrimento, a esperança, a realização, as doenças, enfim a existência. Muitas religiões, muitas perguntas. Ei, mas o que me aconteceu não responde a isto?! Será que não?! Tenho procurado aquietar minha “rebeldia.” Nasci Morri e voltei para contar como é

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presbiteriano, religião evangélica de minha avó Lindoura e de minha mãe. Meu pai era um daqueles “católicos não praticantes.” Na Polícia Militar de Minas Gerais até se aposentar, ele impôs à família uma condição nômade. Em meus registros, até os 16 anos meu pai mudou mais de 12 vezes. E como as cidades eram pequenas, no interior de Minas (Tombos, Faria Lemos, Santana do Manhuaçu, Santana de Cataguazes, Simonésia entre outras), nosso pai nos obrigava a frequentar a igreja evangélica que tivesse na cidade para a qual mudássemos. A única que não fazia questão era a Testemunha de Jeová. Com isto, eu e meus dois irmãos mais velhos, fomos, na maioria das vezes, batistas e presbiterianos. E foi em Carangola, aos 12 anos, que protagonizei meu primeiro ato de “rebeldia.” Fiz uma pergunta para a professora da Escola Dominical. Ela respondeu e não me satisfez e mantive a pergunta. Ela tornou a responder e eu continuei perguntando. Qual era a pergunta?! “Porque Deus, que vê tudo, presente, passado e futuro, e tem o poder para me tirar de algo ruim e deixa que eu cometa o erro?” Não é assim. Os pastores e padres dizem: Deus é onipresente, onisciente e onipotente. Está presente a tudo, tem consciência de tudo e é todo o poder. Então porque ele deixa que cometamos erros, se ele sabe que vamos cometê-los antes de nós. Era a pergunta de um garoto de 12 anos. Fica óbvio que a professora não tinha a resposta. Decidi, daquele dia em diante, não ir mais à igreja Presbiteriana de Carangola e a nenhuma outra. Minha mãe bancou a minha rebeldia e papai não teve mais forças para me obrigar mais a ir aos cultos. Passei pela Igreja Católica, mas a adoração a imagens de Morri e voltei para contar como é

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barro não me convence. Frequentei a União Espírita Mineira, na rua Guarani, em BH. Um dia fiz lá uma pergunta e não gostei da resposta. Fui a centros de Umbanda, outras instituições kardecistas e li o primeiro livro da seita do Racionalismo Cristão: Racional Superior. Fui para a Seicho-no-ie, a Fé-Bahai, aos Hare Krisna, a Ordem Marçônica Rosaluz (seita religiosa com sede em Porto Velho – RO, que comunga o chá hoasca ou vegetal), estive numa uma dissidência do Santo Daime, no Acre frequentei o Centro Espírita Daniel Pereira (conhecido como barquinha) e estou filiado à União do Vegetal (UDV). Deixo claro que minhas conclusões sobre o que aconteceu são exclusivamente minhas. Elas não fazem parte de nenhum dogma das religiões e/ou seitas que frequentei e a que estou filiado, a UDV. Inclusive há divergências lá quanto ao que eu relato. Só que eu não teorizei, eu vivi. Recebo, hoje, também as orientações do método científico de estudo do homem, a Cabalá, através do Centro de Estudos Bnei Baruck. A passagem mais aterradora de minha juventude foi quando li “Eram os deuses astronautas,” do alemão Erick Vandanickem. Vi o filme também e pirei. Tinha 18 anos e andava pelas ruas de BH com a cabeça a mil. Não conseguia respostas para as perguntas que o livro suscita e não aceitava as respostas dele. Foi um inferno. As teorias dele são arrasadoras. E então, porque eu?! - Acho que o currículo apresentado antes dá uma ideia. Assim como o compositor está sintonizado para receber as músicas que compõe, eu estou sintonizado a 39 anos numa só pergunta. Sofri com a dificuldade que tive me fazer entender por Morri e voltei para contar como é

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pessoas que amo (filhos, ex-mulheres, minha mãe e irmãos). Deixei de lado minha vida pessoal, financeira e profissional. Fui chamado de “menino maluquinho,” por um irmão, o Humberto. Tudo em função de uma procura. Esta procura é sua e você poderia receber o que recebi. Veja bem. Existem relatos de escolhidos para executarem missões e verem as coisas. Não estou dizendo isto de mim. Fui eu quem correu atrás, assim recebi. Está claro que minhas deficiências me levaram a erros incríveis e inimagináveis aos olhos de pessoas que se concentraram em concursos públicos e estabilização da vida financeira. Aos 51 anos me vi dependente de um quarto na casa de minha mãe para dormir e a sua benevolência para ter um prato de sopa à noite ao chegar do trabalho. Ao final de 2011 resolvi sentar e escrever estes relatos, vividos em 2004. Foi quando tive consciência de que não sou um messias, e nem um privilegiado, mas um sintonizado com as principais perguntas da humanidade. Dediquei minha vida a isto até agora e passo à frente o que vivi. Em 2005 conheci uma pessoa, a quem chama de mãe num centro espiritualista chamado Ghaedi, que disse: “saiu de BH foi parar na Amazônia para procurar o que está dentro de você.” Hoje, após análise do que ocorreu em 2004, sei que é a mais absoluta verdade. Tudo está dentro de nós. Mas, este é outro debate que pretendo desenvolver mais adiante. Obrigado por sua paciência até agora e resumo assim: enfartei e às 21hs do dia 06 de Dezembro de 2004 e sai do corpo. Vi minha vida passar numa tela de cinema e Morri e voltei para contar como é

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depois três personagens ficaram à minha esquerda, à minha direta e à minha frente. Ao final de uma espécie de “julgamento” as luzes se ampliaram e vi que as três personagens eram Eu mesmo. O que significa isto, para mim, é que a consciência do homem rege tudo. Todos os registros que vi na tela, na verdade, estão na minha memória e os meus atos são julgados por mim mesmo. Deus não julga, nem condena, nem castiga... Nada. Até o perdão é você mesmo que se dá, quando reconhece o erro e não o pratica mais. Enfim, o homem é o resumo de tudo. A NASA está equivocada. Somos o verdadeiro universo, temos um universo dentro de nós, que é fantástico, maravilhoso e inexplorado por nós mesmos. É como no poema de Carlos Drumond de Andrade que transcrevo aqui e encerro esta fase de meu relato.

O Homem; as viagens o homem, bicho da Terra... O Homem; as viagens o homem, bicho da Terra tão pequeno chateia-se na terra lugar de muita miséria e pouca diversão faz um foguete, uma cápsula, um módulo toca para a Lua desce cauteloso na Lua pisa na Lua planta bandeirola na Lua experimenta a Lua coloniza a Lua

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civiliza a Lua humaniza a Lua. Lua humanizada: tão igual à Terra O homem chateia-se na Lua Vamos para Marte - ordena a suas máquinas Elas obedecem,o homem desce em Marte pisa em Marte experimenta coloniza civiliza humaniza Marte com engenho e arte. Marte humanizado, que lugar quadrado. Vamos a outra parte? Claro - diz o engenho sofisticado e dócil. Vamos a Vênus. O homem põe o pé em Vênus, vê o visto- é isto? idem idem idem. O homem funde a cuca se não Júpiter proclamar justiça junto com injustiça repetir a fossa repetir o inquieto Morri e voltei para contar como é

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repertório. Outros planetas restam para outras colônias. O espaço todo vira Terra - a terra. O homem chega ao Sol ou dá uma volta só para te ver? Não vê que ele inventa roupa insiderável de viver no Sol. Põe o pé e: mas que chato é o Sol, falso touro espanhol domado. Restam outros sistemas fora do solar a colonizar. Ao acabarem todos só resta ao homem (estará equipado?) a dificílima dangerosíssima viagem de si a si mesmo por o pé no chão do seu coração experimentar colonizar civilizar humanizar o homem descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas a perene,insuspeitada alegria de con-viver.

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No Reino do Sentir O PULSAR DO MEU CORAÇÃO Amigo (a) leitor (a) a história do infarto que me acometeu já a contei no plano da materialidade. Após pesquisas e outras vivências, sete anos após o ocorrido, passo, agora ao relato de tudo o que aconteceu de outra forma, em outra linguagem. Mas, como assim? Não temos dois mundos conforme as palavras de Jesus? (meu Reino não é deste mundo). Ora, então vivemos no limiar de duas realidades: a material e a espiritual. Viemos de uma para a outra. A verdadeira razão da existência está oculta de nós e isto nos confunde. Filósofos, poetas, cientistas e pobres mortais como eu e você passam a vida decifrando tais mistérios. Alguns eu os vivi. Por ser jornalista acumulei informações das mais variadas ao longo de meus 30 anos de profissão. Elas vieram da ciência, da religião, do esoterismo, do homem simples que dá entrevista encostado-se a uma charrete no interior de Minas, mas que tem sabedoria nas palavras. Minhas percepções, antes intuitivas, se confirmaram através do que vivi durante o infarto que me acometeu e do resultado de pesquisas científicas, que confirmam os profetas e os poetas. A minha inquietude falou a meu favor. Relembro-o (a), amigo (a) leitor (a), que comecei minhas perguntas aos 12 anos. Quis o Criador que me tornasse jornalista para continuar perguntando, após dois vestibulares para psicologia e que não passei, graças a Deus. Como tudo está sob seu Domínio, quis ele ainda que me tornasse raizeiro. Fique comigo e mostrarei o que é isto. Um desejo incontrolável pelo porque da vida, a explicação Morri e voltei para contar como é

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para tudo isto. Sabe o que descobri? Que este desejo me foi dado por Ele. Sim. É inexorável. Perturbador. Um código em mim, em você, em nós e que nos faz retornar a Ele. De volta à história de minha “morte” - Bom, voltemos ao momento mais marcante da minha história de EQM que relatei antes, das 21hs do dia 06/12/2004 até às 01h da manhã do dia 07/12/2004. Repito que as palavras que usei, antes, são para as compreensões da materialidade. Agora descreverei como tudo, realmente, aconteceu. Exemplo: antes eu disse que vi uma luz, agora digo: eu senti uma luz em minha direção. Antes disse que recebi telepaticamente as orientações e ordens que obedeci. Agora direi eu senti todas as palavras e orientações em pensamento. Faz diferença? Muita. Materialidade – Na materialidade somos uma caixa com cinco sentidos: audição, visão, paladar olfato e tato. E, usando uma linguagem atual, da mídia, temos um programa de computador que interpreta, de forma única, o que os sentidos captam. É a percepção da realidade. O exemplo de antes do pássaro verde. Você o vê e ele tem um significado para mim e outro para você. Só que o pássaro é o mesmo. A diferença está na percepção desta realidade que é única em cada um de nós. Isto é muito importante. Preste atenção em como você percebe a realidade à sua volta. Ela tem leis imutáveis, mas a sua percepção o fará decidir, escolher, e suas escolhas influenciam toda a sua vida, talvez, de forma equivocada. Através dos cinco sentidos percebemos a realidade materializada, às vezes, fácil de ser decifrada. Pau é pau e pedra é pedra. E quando nos deparamos com “fenômenos” que não Morri e voltei para contar como é

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conseguimos explicar? Tentamos fazê-lo através de um destes sentidos e, principalmente, pela intelectualidade. Impraticável. O Criador nos deu tais instrumentos para nos situarmos na materialidade, para sobrevivermos nela e a ela compreendermos. Quando os usamos na tentativa de explicar a espiritualidade, invariavelmente, falhamos pela influência do meio. A ocultação de Deus – A falha acontece por que Deus está oculto, distante de nós. Interessante! Muitas perguntas com poucas e vagas respostas, que são dependentes de uma coisa: a fé. Como é Deus? De que essência ele é feito? A sua forma, existe? Ele é pura energia? É amor? Amor é uma energia? Percebe que podemos imaginar tudo isto? Já notou como imaginam por nós? Escrevem coisas e ainda as batizam de “sagradas,” “a verdade absoluta.” Por que isto acontece? É por que Ele está oculto de nós. Como ele está oculto de nós a sua forma de comunicação também é oculta, acredito eu e foi o que vivi. Assim nós é que temos que buscar e aprimorar esta comunicação. Vamos a uma pergunta, já respondida por muitos e pouco assimilada por nós: qual o sentido que nos habilita ao contato com Deus? Você sabe que Ele fala contigo, não? Acredita nisto? Se sim, então como ele fala conosco? Alguns chamam esta forma de contato de sexto sentido. Temos o paladar para sentir o gosto das coisas e com o olfato os cheiros, mas e quando Deus nos fala. É pelo pensar? O cérebro? - Acredito que não e dou uma razão lógica para isto. Ligado, automaticamente, aos cinco sentidos da materialidade o cérebro e a intelectualidade estão ocupados demais para processar a Morri e voltei para contar como é

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comunicação e as intenções de Deus. Tem lógica para você? Disse, antes, que o academicismo mata o sexto sentido, uma vez que os eruditos se utilizam demais da relatividade da materialidade para explicar e, até, substituir o Criador, competir com ele. O raciocínio intelectual é inferior à intuição e a própria ciência já está provando isto, como veremos adiante. O raciocínio intelectual tem como base os parâmetros da relatividade e ela é dual, é da vida na materialidade. O Criador é uno conosco, o único Domínio. Não se pode conhecê-lo através da dualidade do relativismo material. É preciso transcender para compreendê-lo. Não se pode, por exemplo, examiná-lo com a contraposição entre o bem e o mal, porque o mal não existe da forma como o percebemos. Ciência - A ciência hoje já admite que o sexto sentido é uma realidade, mas até aceitá-lo como determinante em nossas vidas vai enorme distância. Aliás, a cada investigação científica e confirmação de seus resultados, a ciência se aproxima do que há milênios profetas já nos orientam. Deixando de lado o contexto do sexto sentido e admitindo a sua existência, fica-nos uma pergunta: por qual órgão ele se expressa na materialidade, ou seja, em nosso corpo físico, biológico e/ou material? Vejamos os outros cinco sentidos têm um instrumento de atuação na materialidade: a audição. O som passa pelos ouvidos que são compostos por um sistema que o processa e decifra para a sua compreensão. Sejam os mais maravilhosos e/ou aterradores sons

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produzidos pela humanidade e/ou a natureza. Não vamos delongar aqui com análise dos outros quatro sentidos. O canal de processamento do sexto sentido também é um órgão biológico, humano, uma vez que estamos na materialidade e é aqui que as leis espirituais se expressam. Qual será? O intestino, este órgão enorme (entre 8 e 9 metros) com funções vitais para nós? O fígado, o nosso motor, ou os rins, que para a medicina chinesa é o órgão mais importante do corpo humano? Não acredito. Eles quando agem (uma diarreia, por exemplo) têm a função de nos mostrar que algo está errado. É só. Eles não são autônomos. Você tem uma diarreia e diz: Deus está falando comigo?! (kkkkkk... Corre para o banheiro e passa um fax. Não resisti). O único órgão com as características necessárias para abrigar o sexto sentido e a nossa comunicação com o Criador é o Coração. Ele é autônomo e o que mexe com a gente. Mexe tanto que os poetas o recitam há milênios. E os profetas, então? Tanta aclamação assim não pode ser em vão. Universidades – não há incoerência no que vou dizer agora, em função das críticas que fiz ao academicismo. Universidades americanas, principalmente a de Princeton, se dedicam aos estudos do “improvável,” especialmente o que vem sendo dito há milênios por religiões e seus profetas. É um trabalho diferenciado. O mesmo acontece na Rússia, em alguns países da Europa, na China e a na Índia. Eles sabem que o poeta inglês William Shakespeare tinha razão. Observe, não foi um cientista que disse que “existem mais mistérios entre o céu e a Terra do que pode imaginar a nossa vã filosofia,” mas um poeta e escritor, um homem com estreita ligação com o seu coração e que falou para os nossos corações. Morri e voltei para contar como é

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A ciência e a religião se completam – As partes já estão dizendo isto. Em diversas partes do mundo a maior descoberta recente da humanidade é a V5, a energia do Coração. Ela é tão potente que ainda não conseguiram mensurá-la toda. Estamos engatinhando neste campo. Agora, uma coisa a ciência já sabe, que o Coração é capaz de armazenar informações, lembranças advindas do nosso emocional e transmiti-las ao cérebro. Ele se comunica com o cérebro e, para muitos incrédulos, sabe-se hoje que é ele que comanda o cérebro e não o contrário. A materialidade dos nossos cientistas e suas errôneas interpretações de nossas diferenças com os outros animais, aos quais chamamos de “irracionais,” nos levaram à petulância que confunde o domínio do cérebro sobre o coração, melhor dizendo a intuição. É assim, por exemplo, que agem os médicos. O que pretendo mostrar-lhe, amigo leitor, é que com a minha EQM, as informações que armazenei ao longo de anos e as experiências práticas que vivenciei como raizeiro em Porto Velho, somado aos recentes conhecimentos recebidos através do chá conhecido como Hoasca, Vegetal e Santo Daime e na Cabalá, cheguei ao que passo a demonstrar a partir de agora. Antes observe alguns textos religiosos sobre o coração. Na Bíblia - Em 1 Samuel 16:7 “Mas o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque eu o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.” Morri e voltei para contar como é

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Davi diz em Salmos 51:10 “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável.” No Novo Testamento Jesus fala do Coração 159 vezes, e eis uma de suas mais importantes falas sobre este órgão: “Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Removerei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne”. Para Buda o que importa é o coração. Pergunta: Ouvimos com certa frequência que “o que importa é o coração”. Qual é o significado dessa frase sob o ponto de vista da prática do budismo? Resposta: De fato, o Buda Nitiren Daishonin enfatiza a importância do coração em diversos escritos. Por exemplo, no escrito “A Estratégia do Sutra de Lótus”, ele orienta seu discípulo Shijo King sobre a importância de basear-se na fé na Lei Mística antes de qualquer outra tática ou estratégia. Daishonin afirma: “O que importa é o coração”. (The Writings of Nichiren Daishonin [WND], pág.1.000.) Quando já vivia no Monte Minobu, Daishonin também escreveu “O Tambor no Portal do Trovão” à seguidora Senniti-ama que morava na distante Ilha de Sado, incentivando-lhe: “Simplesmente observar o rosto um do outro seria insignificante. O que importa é o coração da pessoa. Encontremo-nos algum dia no Pico da Águia, onde vive o Buda Sakyamuni”. (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 6, pág. 99.) A palavra “coração” possui, sem dúvida, uma enorme abrangência de significados. O Dicionário Michaelis define o termo da seguinte forma: “s.m. 1. Anat. Órgão oco e musculoso, centro motor da circulação do sangue. 2. O peito. 3. Objeto em forma de coração. 4. Sede suposta da Morri e voltei para contar como é

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sensibilidade moral, das paixões e sentimentos. 5. Amor, afeto. 6. Caráter, índole. 7. Pessoa ou objeto amado. 8. Coragem, ânimo. 9. Centro, âmago”. Além disso, ao lermos a palavra “coração” nos textos budistas em língua portuguesa, há uma questão a ser considerada conforme consta nos “Comentários sobre a tradução” do livro Os Escritos de Nitiren Daishonin, reproduzida a seguir: “Mente: A palavra japonesa kokoro ou shin, que é comumente traduzida como ‘mente’ ou ‘coração’, não possui um equivalente exato no português, pois é um termo que engloba tanto a mente de uma pessoa, como seu espírito, emoção, volição e psiquê. Também pode indicar ‘vida’ como uma entidade psicossomática. Dessa forma, a palavra ‘mente’ ou ‘coração’, que aparece no texto devem ser compreendidas no sentido mais amplo possível”. (Vol. 1, Prefácio, pág. lviii). Vejamos, então, alguns aspectos relacionados com a palavra ‘coração’ sob o ponto de vista da prática do budismo. Na frase “O que importa é o coração,” acima apresentada, podemos observar na palavra “coração,” o sentido de “fé” como também da própria “vida”. Normalmente, diante das dificuldades da vida diária, as pessoas planejam diversas táticas e estratégias em busca de uma solução. Entretanto, Daishonin orienta seu discípulo Shijo Kingo a, antes de mais nada, basear-se na fé na Lei Mística. Em outras palavras, Daishonin indica o caminho da fé ao Gohonzon e a recitação do Daimoku como o ponto de partida para a solução dos problemas, fazendo uso da referida frase. Por outro lado, podemos também entender que a solução de quaisquer problemas na vida se encontra no interior de nós mesmos, isto é, no nosso próprio “coração.”

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Em um discurso, o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, cita essa frase dos escritos, afirmando: “A felicidade não nos é concedida pelos outros ou vem de algum lugar fora de nós, mas é algo que nós próprios devemos obter com o nosso próprio coração.” Assim como Daishonin diz, ‘O que importa é o coração’. (WND, pág. 1.000.) Em outro escrito, encontramos a seguinte declaração: “A boa sorte vem do coração e torna a pessoa digna de respeito.” (WND, pág. 1.137.) A fé é o que nos capacita a fortalecer e aprofundar nosso coração no grau máximo. Além do significado de “fé” e de “vida” apresentado anteriormente para a palavra “coração”, podemos entendê-lo também como “determinação”. O budismo expõe o princípio de Três Mil Mundos num Único Momento da Vida (itinen sanzen) que ilustra o quanto uma “decisão” ou “determinação” de uma pessoa em um dado momento é importante para a transformação de sua vida e das circunstâncias ao seu redor. O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, expressa claramente a importância da determinação: “O que importa é o coração.” (The Writings of Nichiren Daishonin, pág. 1.000.) Nisso se encontra a essência da vida. Nosso coração e nossa mente envolvem toda a sociedade, o mundo e o Universo. Tudo se decide pela determinação em nosso coração neste exato momento. Fonte: www.estadodebuda.com.br.

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Agora um passeio pelo Hinduísmo (os escritos hindus são feitos em verso e prosas, diálogos). Krishna, certa vez Você ensinou que felizes são aqueles que sentem a Pulsação do Grande Amor em seus pequenos corações. E, hoje, eu sei bem do que Você falava. Porque o meu pequeno coração já transbordou, há muito, na cheia do Amor... E eu devo isso a Você! Ah, quantas vezes Você deve ter me olhado, no silêncio do Invisível Imanente, e talvez pensado: Ele é apenas um menino. Sim, houve um tempo em que o meu coração era grande... Mas, Você me mostrou que grande era o Amor. Então, o meu coração ficou pequeno diante do Infinito. Porque o meu ego se derreteu sob a ação da Luz. E eu percebi que, grande era o Coração do Todo, onde cabem os pequenos corações de todos os seres.

E grande também é o Amor que passa pelo meu pequeno coração... E a Vida! Sabe?... Às vezes eu me pego pensando em Você... E, aí, o meu dia fica lindo, só por isso. E me dá uma vontade danada de fazer algo legal. Então, eu escrevo e deixo o meu pequeno coração falar sobre as Grandes Coisas do Espírito... E tudo muda! E eu passo a olhar a dor dos homens e o vazio consciencial que tanto os consome... E, nas asas da compaixão silenciosa, eu os abraço, como se fosse Você que estivesse abraçando-os junto comigo. Morri e voltei para contar como é

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Sim, eu me atrevo a pensar nisso! Porque Você me ensinou que todos os seres são pequenos avatares do Divino. E quando eu penso em Você, algo acontece... E o meu coração fica menor ainda. Porque o Amor é maior do que tudo! E, diante do Infinito, eu não passo de uma criança.

Voltemos à ciência - Para não estender muito ficarei apenas com as três religiões citadas acima: o cristianismo, o hinduísmo e o budismo. Todas, como observamos, centram no coração o que há de mais importante para a raça humana. Pela fé já bastaria para demonstrar o relato que farei sobre o que aconteceu comigo no dia 06 de Dezembro de 2004. Mas a maioria das pessoas não encontra explicações apenas na fé. Elas querem mais, a versão oficial, científica. A ciência tem uma coisa estranha em sua relação com o poder. Só chega à grande massa da humanidade as informações científicas permitidas pelos detentores do poder e, na maioria dos casos, tais conhecimentos não são libertadores da humanidade. Se as religiões fossem científicas, ou o contrário, as informações poderiam ajudar a libertar o homem. Só que os sistemas de controle promovem o conflito entre as partes com o objetivo de dominar o mercado. E as pessoas sentam-se à frente de seus sofás, recebem as informações, mas não as processam. Os conhecimentos científicos não chegam para mudar suas vidas e sim para controlá-las.

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Quero aqui unir pontas de informações que tenho e transmitilas de forma a gerar um conhecimento capaz de auxiliar alguém, que seja uma pessoa apenas já me darei por satisfeito. Assim, se você é como os doutores das universidades, devotos de São Tomé, leia com atenção a entrevista que o Dr. Paul Pearsall concedeu à Revista Planeta e depois me diga se não é a mesma coisa que já nos disseram Buda, Jesus e Krishna. Paul Pearsall é americano, neuropsicólogo reconhecido internacionalmente, professor auxiliar da Universidade do Havai em Manoa e membro da Administração do State of Hawaii Consortium for Integrative Health Care.

Revista Planeta O Poder do Coração (os destaques no texto são meus) Por Fátima Afonso Segundo o dr. Paul Pearsall, as células têm memória e o coração carrega um código energético especial, que nos conecta com os demais seres humanos e com o mundo à nossa volta. De certa maneira, sua teoria explica por que muitos transplantados – como ele mesmo pode comprovar – passam a manifestar traços da personalidade do doador. PLANETA – Pesquisas científicas recentes sugerem que o coração pensa e que as células têm memória, havendo uma relação entre esses dois processos. Explique-nos, em linhas gerais, de que forma isso se dá.

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Paul Pearsall – O fato de que as células têm memória é uma lei básica da natureza. Mesmo os mais simples organismos unicelulares lembram como se movimentar, encontrar alimento, fazer sexo e evitar os predadores. Os cientistas chamam isso de “memória da função”, mas, se uma célula pode lembrar, é bem provável que muitas células juntas poderiam ter “memórias” mais complexas e elaborada. As células do coração são as únicas células rítmicas. Elas pulsam mesmo quando estão fora do corpo. Não é insensato sugerir que milhares de células do coração ressoando juntas e expostas a bilhões de células do sangue que passam pelo coração, a cada segundo, podem conter memórias. Um dos hormônios do corpo associado com a memória é a substância chamada acetilcolina. A falta das moléculas dessa substância é verificada na doença de Alzheimer, na qual a função de memória se encontra gravemente diminuída. Na memória existe também uma “eletricidade”. O DNA do nosso corpo que contém o nosso código genético age como uma espiral de cobre, permitindo que os nossos genes transmitam códigos elétricos entre si. O coração gera um campo eletromagnético de cinco mil milivolts. O coração é capaz de emitir frequências de onda de rádio, e ele fala com o cérebro através de uma substância chamada ANP, Peptídeo Naturético Atrial (Atrial Naturetic Peptide), descoberta no coração. A força eletromagnética do cérebro é cerca de 140 milivolts, portanto, a energia codificadora elétrica do coração é forte. As nossas células, os nossos genes, as substâncias no coração e a eletricidade do nosso corpo gerada primariamente pelo coração se combinam para ajudar a fabricar e armazenar as memórias. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, transferiram as memórias de vermes. Pesquisadores do Instituto de Morri e voltei para contar como é

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Tecnologia da Califórnia mostraram que um único elétron podia alterar as memórias de nossos genes. As células do coração, colocadas próximas a outras células do coração, se comunicam entre si e entram juntas numa batida rítmica. As células do coração retiradas por biópsia de um paciente e colocadas num prato de laboratório vibraram mais rápido quando seu doador estava sendo testado numa esteira ergométrica, num aposento no fim do corredor, bem distante do lugar onde suas células estavam sendo observadas. Existem dezenas de fascinantes descobertas em pesquisas que indicam o princípio de que estamos ligados de uma maneira que ainda não entendemos. As questões da memória celular e dos transplantados que recebem as memórias e as características de seus doadores são exemplos da emergência de ciência mais integrativa que esteja disposta a estudar questões que antes ridicularizava. PLANETA – Além de memórias dos nossos ancestrais, as células poderiam carregar também “lembranças” de vidas passadas? Paul Pearsall – A questão das memórias de vidas passadas é muito interessante. Se por um lado tem havido muita publicidade sobre reivindicações de pessoas de que elas foram um rei ou uma rainha ou outra figura histórica bem conhecida na sua “vida passada”, tem havido também pesquisas muito cuidadosas, que levantam muitas questões sérias e interessantes sobre essa possibilidade. O dr. Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia, viajou pelo mundo por quase 40 anos para documentar mais de dois mil casos de crianças pequenas que afirmam recordar-se de vidas passadas. No Havaí, onde nasci, acredita-se que nossos ancestrais estão sempre conosco e dentro de nós. Acreditamos, e a ciência o demonstra, que nossas células carregam os códigos daqueles que vieram antes de nós. Morri e voltei para contar como é

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Para os cientistas, uma das coisas mais difíceis de aceitar é a ideia de que a separação e os limites são ilusões. Todos nós somos de fato Um e conectados em muitos níveis. Não importa se nosso cérebro presta atenção ou não, nossas células lembram de onde viemos. Cabe a nós prestar atenção a isso. PLANETA – Diante das descobertas da cardioenergética, podemos dizer que o coração é o maior responsável pela nossa saúde, e não o cérebro, como propõe a psiconeuroimunologia? Paul Pearsall – Como o psicólogo Abraham Maslow afirmou, a saúde é uma questão de ser, não de fazer. “Quem” somos é primordial para o nosso bem-estar. A medicina moderna tem uma orientação muito mecânica. Ela busca explicações concretas e singulares. Não há dúvida de que o cérebro não está realmente na nossa cabeça, mas no corpo todo. As células do estômago e do coração falam com o cérebro tanto quanto o cérebro fala com o nosso corpo. O coração é muito mais do que um mecanismo bombeador. Ele não está a serviço do cérebro, mas é um parceiro para formar com ele nossa organização interna de manutenção da saúde. O coração secreta hormônios, como o ANF, que ajuda a regular todo o sistema do nosso corpo. O coração bem como o cérebro é um órgão hormonal. A questão em saúde não é “a mente sobre a matéria”, mas “a mente é matéria”. Nosso corpo inteiro e todos os seus sete bilhões de células podem pensar, sentir e conectar-se com outras células. Por causa de sua imensa energia eletromagnética e de outras energias, o coração particularmente se conecta com outros corações. A saúde e a cura são questões de compaixão, de ligação e de estar consciente de que nós não “temos” um corpo, mas somos o nosso corpo. Morri e voltei para contar como é

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PLANETA – Sendo assim, que conselhos o senhor daria para quem deseja se curar de um mal qualquer ou evitar doenças? Paul Pearsall – Escrevi um livro, publicado agora em agosto, intitulado Miracle in Maui: Letting Miracles Happen in Your Life (“Milagres em Maui: Deixando os Milagres Acontecerem em sua Vida”). Ele documenta minha cura milagrosa, o câncer em estágio IV e a recuperação de um transplante de medula, quatro quimioterapias radicais e radiação no corpo todo. Meu conselho é lembrar que não é possível praticar a “autocura”. Toda cura é uma questão de reconexão– seja a reconexão com o nosso próprio corpo, com os nossos sistemas corpóreos e células se conectando umas com as outras, ou a conexão com os nossos ancestrais e a terra. Cura é conexão. Quando nos tornamos “cardiossensíveis” e ouvimos o nosso coração, encontramos ali mensagens de cura que todos nós compartilhamos – um tipo de sabedoria espiritual em comum de paciência, unidade, agradabilidade, humildade e ternura, a qual é a linguagem do coração, que permite que os milagres aconteçam. PLANETA – De certa maneira, a existência de um código do coração parece ter sido confirmada ao senhor por dezenas de histórias de transplantados cardíacos que, depois de receber o órgão, passaram a manifestar traços da personalidade do doador. Dos casos que estudou quais os que mais o impressionaram? Paul Pearsall – Publiquei vários casos de transplantados de coração que receberam as memórias de seus doadores. Estes aparecem em revistas profissionais. Descrevo muitos casos no meu livro Memória das Células (Editora Mercuryo). Lamento ter publicado os casos “dramáticos” porque eles parecem evocar grande resistência e tornam sensacionalismo aquilo que deveria ser seriamente científico, Morri e voltei para contar como é

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médico e espiritual. Na verdade, os casos que me impres-sionam mais são os casos calmos, sutis, que envolvem o “sentir-se profundamente conectado com o meu doador”, e “amar meu doador agora e para sempre”. Todos nós somos receptores de transplante de coração. Se você quiser ler sobre casos notáveis, leia o meu livro. Se você quiser aprender realmente sobre o código do coração, sente-se, fique de mãos dadas com alguém que você ama, e sinta a energia da conexão coração com coração. A energia do coração está à nossa volta. Cabe a nós querermos ser receptores. PLANETA – As mudanças na personalidade do receptor são notadas também em casos de transplantes de outros órgãos, como rins e pulmões, por exemplo? Paul Pearsall – Casos de receptores que recebem memórias e características de seus doadores foram relatados em transplantes de rim, fígado e até de córnea. Quanto mais estudo esse assunto, mais suspeito que o verdadeiro mistério reside em por que algumas pessoas parecem sintonizar tão profundamente com as memórias das células e com o seu código do coração. Podemos aprender com essas pessoas corajosas e normalmente humildes. Elas são como astronautas espirituais. Alguns zombam delas, mas se estivermos dispostos a ouvir amorosa e abertamente, podemos ouvir o código do coração. Se permanecermos com o coração duro, deixamos de nos beneficiar com as lições do coração e com aqueles que as aprenderam. PLANETA – O senhor levantou, entre cientistas, médiuns e curandeiros, várias teorias que explicam por que os transplantados manteriam uma conexão energética com o doador falecido. Morri e voltei para contar como é

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Alguma delas lhe parece ser, particularmente, mais correta que as demais? Paul Pearsall – Eu adoro o ceticismo da ciência, mas abomino o seu cinismo. Infelizmente, a televisão e o encontro popular apresentam distorções daquilo que são, na verdade, processos sutis, mas poderosos, da cardioconexão. Acontece muita falsidade. Muitos dos chamados astros “paranormais” são presumivelmente bemintencionados e podem, de fato, estar mais dispostos a usar aquilo que alguns chamam de seu “sexto sentido”, mas eles não estão realmente fazendo nada que todos nós não possamos fazer. O ponto simples, mas profundo, é que todos nós estamos conectados. Alguns de nós reconhecemos esse fato e damos profundo valor a isso e tentamos sintonizar-se com a energia sutil dessa conexão. Outros zombam dela ou ficam ampliando as metas, de modo que nenhuma quantidade de pesquisa é suficiente para convencê-los sobre assuntos como memória das células, o coração que pensa e sente, e a assim chamada sensibilidade “psi” ou paranormal. Como a maioria dos pesquisadores dispostos a “sair da caixa” da“vida até a morte” e “um corpo governado por um cérebro”, descobri que o que for que nos conecta é algo sutil. Olhando para as antigas ciências indígenas, como a cultura havaiana, antigos ensinamentos chineses e outras “velhas” sabedorias, descobri que elas contêm muitas chaves para maior entendimento de nossa profunda conexão. Mas devemos estar dispostos a abraçar tanto as ciências antigas quanto as novas e estudar tanto o mito quanto a matéria. Pessoalmente, eu não acho que faremos muito progresso no entendimento desses assuntos das memórias das células, corações que sentem e a conexão espiritual total antes que resolvamos o problema epistemológico. Acho que não podemos aprender o que Morri e voltei para contar como é

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precisamos somente com o cérebro moderno. Precisamos também de uma mente de nativo – inocente, conectada com a natureza. PLANETA – Como o senhor vê a hipótese de o espírito do doador, por falta de preparo, influenciar a pessoa que recebeu seu órgão? Paul Pearsall – Se por espírito você quer dizer “energia vital”, não há dúvida de que somos afetados pelo espírito de todos. Não há nada amedrontador ou mau sobre o fato de a energia amorosa de um doador encontrar caminho para o receptor. Doar um órgão é um dos mais poderosos atos de amor. Cabe a nós decidir beber dessa energia amorosa e do espírito de seu doador. PLANETA – Um problema cardíaco poderia afetar a energia V, a energia informativa do coração? Paul Pearsall – A maioria dos doadores de órgãos sofre uma morte trágica e súbita. Se você pergunta se a natureza desse acontecimento se dirige para as memórias dos receptores, a resposta é “sim e não”. A resposta é “sim” se o receptor escolhe buscar isso e estar aberto para isso. A resposta é “não” se o receptor escolhe ver o coração doado como mera substituição de bomba. Minhas entrevistas com os receptores e famílias dos doadores, porém, indicam que é primordialmente a essência amorosa do doador que é transmitida ao receptor. Se pensarmos no transplante somente como células se transferindo para outro corpo, não entendemos o ponto. Há muito mais. Não é apenas memória das células. Parece haver algo sobre a profunda natureza de salvar vidas na doação de órgãos que diminui a nossa percepção de que somos todos conectados. Talvez o transplante de órgão seja uma questão de fornecer – como numa chamada telefônica – uma linha mais clara e direta para essa conexão. Morri e voltei para contar como é

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PLANETA – Supondo-se que a essência humana está no coração, o que pode acontecer do ponto de vista espiritual, se a ciência conseguir, no futuro, substituí-lo definitivamente por um órgão artificial ou até mesmo de um animal, como vem sendo tentado? Paul Pearsall – Mesmo se a medicina for capaz de fornecer um coração artificial confiável, ele também carregará a energia daqueles que o forneceram. Novamente, estamos conectados com todos e com tudo. O mundo moderno pensa que os objetos não têm energia, mas eles têm. Einstein mostrou que, se um simples grão de areia pudesse ser impulsionado rápido o bastante, ele poderia conter energia suficiente para iluminar uma cidade. Se matéria e energia estão conectadas pela velocidade da luz, parece possível que nossas mentes e corpos estejam conectados por significado. Os médicos, os pesquisadores, as equipes clínicas, enfermeiras, família e todos os envolvidos no transplante de coração“artificial” sem dúvida transplantariam sua energia junto com essa “máquina”. O trabalho no programa de Pesquisa de Anomalias em Engenharia de Princeton demonstrou que, quando as pessoas focalizam sua intenção nos objetos, acontecem neles mudanças sutis, mas significantes. Novamente é importante lembrar o assunto de conexão entre todos e tudo em todo lugar. Para entender realmente o que escrevi sobre isso, meu leitor precisa parar de viver no SIN, self-interest norm (“norma de auto-interesse”), e começar a pensar e sentir na direção mais coletivista de antigas culturas indígenas. PLANETA – Qual a relevância da sua teoria para casos de rejeição de órgãos, já que, ao receber um novo coração, o paciente pode estar ganhando valores morais e religiosos, por exemplo, completamente diferentes dos seus? Morri e voltei para contar como é

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Paul Pearsall – A rejeição de órgão é um processo complicado. Há muitos fatores bioquímicos envolvidos, mas não há dúvida de que a questão da “energia” é importante também. Uma boa combinação depende não só do tamanho do órgão e da compatibilidade bioquímica; até certo ponto depende também – os médicos o reconheçam ou não – de uma compatibilidade energética entre o doador e o receptor, e mesmo entre a família do doador e a família do receptor. Fala-se que, “se não sabemos que não sabemos, então não sabemos”. Aqueles que preferem ignorar a importância da memória das células, o coração como órgão sensório e as sutis conexões energéticas no mundo o fazem para o detrimento daqueles que eles esperam ajudar. PLANETA – Há alguns anos, o senhor próprio passou por um transplante de medula óssea. Esse fato influenciou de alguma maneira as suas pesquisas? Paul Pearsall – Meu transplante de medula foi um transplante autólogo, ou seja, os médicos retiraram minha própria medula, trataram-na e colocaram-na de volta no meu corpo. Até hoje, tenho dentro de mim muitas associações que estão ligadas a esse transplante, e sei que a energia amorosa de meus médicos e enfermeiras ressoa dentro de mim. Não tenho certeza se minha medula também captou de alguma forma essa energia e a colocou dentro de mim. Sei, no entanto, que a energia amorosa pode ser enviada e recebida. PLANETA – A energia V parece ter correspondência em várias culturas e sistemas de cura antigos, caso da energia chi dos chineses, por exemplo...

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Paul Pearsall – Os havaianos referem-se à energia sutil de nossa conexão como mana. A maioria das culturas antigas tem seus próprios nomes para essa energia, mas sem dúvida que milhares de anos de sabedoria antiga ensinam que, de fato, há uma conexão energética “vital” entre tudo o que existe. Os cientistas falam somente de quatro tipos de energia (elegromagnética, gravidade e energia nuclear fraca e forte). Mas, quando você fala a esses mesmos cientistas sobre mana ou uma energia sutil, eles costumam responder que eles a têm sentido em suas próprias vidas. Os cientistas gostam de dizer que são totalmente objetivos, mas não são mais objetivos que a maioria de nós. Eles têm seus preconceitos também. Eu só peço que eles olhem para onde estou apontando, em vez de morder o meu dedo. A cultura havaiana ensina que o primeiro princípio da vida é aloha, que significa compartilhar (alo) o sopro sagrado (ha) da vida. Todos nós fazemos isso todo dia. Cabe a nós escolher termos consciência disso, viver a nossa vida em plena consciência disso e de acordo com esse princípio do paraíso. Observaram - Aquilo que seria mais fácil aceitar pela obediência às leis do Criador o homem agora, milhares de anos depois dos profetas, filósofos e místicos, engatinha ainda na compreensão de suas leis. Então. O que foi dito por Buda, Krishna e Jesus não está confirmado nas palavras e experimentos do Dr. Paul Pearsall. E tem mais, o que ele afirma eu vivi. Chamo a atenção mais uma vez para os detalhes: os budistas e hinduístas nos informam que todas as decisões da humanidade passam pelo coração. Jesus cita-o 159 vezes e a Bíblia, em diversos trechos diz que Deus quer o seu Coração e vem o Dr. Paul Pearshal, dois mil anos depois e, para os incrédulos e diz “o coração gera um campo eletromagnético de cinco mil milivolts. O coração é capaz de Morri e voltei para contar como é

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emitir frequências de onda de rádio, e ele fala com o cérebro através de uma substância chamada ANP, Peptídeo Naturético Atrial (Atrial Naturetic Peptide), descoberta no coração. A força eletromagnética do cérebro é cerca de 140 milivolts, portanto, a energia codificadora elétrica do coração é forte.” E o que mais chama a atenção para o relato que farei de minha “morte”: As células do coração são as únicas células rítmicas. Elas pulsam mesmo quando estão fora do corpo. Interessante, não? O Coração pode (já vimos isto em imagens na TV) pulsar fora do corpo. Quando são mostradas imagens de retirada de órgãos para o transplante vê-se que o Coração, mesmo desligado do corpo continua batendo.

O pulsar do meu coração O Reino do Sentir – Todas as informações anteriores nos levam ao dia 06 de dezembro de 2004, às 21hs. Eu disse que vi isto e aquilo. Nada. Eu senti. É tão simples que parece inacreditável. Não estava em estado corpóreo, então como poderia eu ver, ouvir, cheirar, pegar (tato) e saber o paladar das coisas? Não havia a visão como você agora a usa ao ler este livro. Os instrumentos para processar os sentidos, os órgãos humanos, não estavam em mim. Vamos detalhar apenas dois sentidos aos quais damos mais importância, visão e audição, e que não têm como executar suas funções no Mundo Espiritual. Como então eu poderia saber da existência de uma luz sem os olhos? E como soube das palavras que foram ditas se não tinha como ouvir?!

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Pelo sentir. A morada de Deus é o Reino do Sentir - Como cheguei a esta conclusão? O instrumento que me dá esta condição é o Pulsar do meu Coração. Sim, a única coisa que realmente fez sentido naquele momento. Foi através do Pulsar que senti a luz a me encontrar. Foi através dEle que vi a tela de cinema passar toda a minha vida. As emoções por mim vividas e relembradas naquele momento vinham do Pulsar do meu Coração. Quanto sai do corpo eu sentia meus batimentos cardíacos, apesar de não estar com ele. Foi a ligação com a materialidade. Todas as explicações religiosas, científicas e esotéricas que tive conhecimento eu vivi. O Pulsar do meu Coração recebia tudo e me conduzia naquele universo de sensações. Sentia tudo fluir por ele. Ele foi o condutor de tudo em mim. As observações feitas por meu “advogado” de defesa e acusação (eu mesmo) e o juiz (eu também) em meu “julgamento.” Emociono-me ao relembrar que vivi tudo o que registrei em pesquisas e investigações sobre o Sexto Sentido, que é a nossa ligação com o Criador. É por isto que os budistas e hinduístas dizem que todas as “decisões do mundo” passam pelo Coração. Ele é a chave porque é a conexão direta com o Criador. Os cabalistas já o demonstraram antes, quando ensinaram que ele é o Desejo e é o Desejo que move as ações humanas. Tudo se move em função de nossos Desejos e a energia que o impulsiona está no Coração. O Coração é puro Desejo Assim como disse antes que existe joio na Bíblia, digo também que a Igreja Católica tem um dogma de pura verdade: o Coração Eucarístico de Jesus. Se Ele pode ser confirmado como mensageiro e “filho de Deus,” como acreditam os cristãos, então é Morri e voltei para contar como é

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pelo seu Coração que tudo nos ensina e por isto que a ele se referiu tantas vezes. Chego a pensar hoje que ele pode ter sido, na Terra, apenas o Pulsar do seu Coração, dada as peculiaridades de sua passagem entre nós. Cada instante do que vivi, aprendi depois, está registrado na energia V5 do meu Coração. Talvez tivesse sido mais fácil para mim se compreendesse isto há mais tempo. Eu me pouparia de tantos sofrimentos e a alguns de meus entes mais queridos, como os filhos, irmãos e mãe. Aos amigos, que belos amigos eu tenho, a alegria e a gratidão de tamanha paciência e compreensão. Só que hoje sei que não poderia ter sido diferente do que foi. Tudo está dentro do propósito do Criador. O Herivelton que sou jamais teria conseguido chegar ao que chegou e viver o que viveu de outra forma. Não sou maior nem menor do que ninguém por isto. O mesmo está acontecendo com você, só que de outra forma e você é que ainda não percebeu. O Pulsar do seu Coração – amigo (a) observe, teste neste momento o que digo. Examine, agora. Você tem alguma decisão a tomar? Esta prestes a convidar alguém a um namoro. Sinta o Pulsar do seu Coração quando for decidir. Pare. Coloque a mão sobre ele. Feche os olhos, respire fundo e o sinta. A intensidade do ocorrido comigo e a minha especialização de jornalista (fui treinado para investigar e noticiar as coisas) fez parte de uma preparação para chegar até aqui. Hoje posso revelar às pessoas que o Pulsar do nosso Coração é quem nos comanda. Ele é a nossa ligação direta com o Criador, por isto ele vai sempre pulsar e dar a orientação correta. Ele é o canal de recepção do Criador. Morri e voltei para contar como é

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Não perca tempo com o intelecto. Ele é apenas a base racional do que você vai sentir. Raul Seixas, o roqueiro profeta disse: “A minha cabeça sabe o que aprendeu e por isto eu sou mais eu.” O cérebro é só um processador. Ele não sente e, por isto, não decifra os códigos da comunicação do Criador com a sua Criação. O intelecto nos confunde. De novo a ciência - Observe a palavra Pulsar é usada constantemente pela ciência para explicar o Universo. Os cientistas dizem que o universo pulsa o tempo todo, está em movimento de Retração e Expansão (teoria do big ban). O que mais pode definir a grandeza de Deus do que o Universo. Toda a criação está a pulsar dentro do Coração de Deus, estamos dentro de Deus. A Sua luz nos cobre o tempo todo e “vem do justo ao pecador,” num gesto sublime de doação. É a “luz superior, do nosso pai verdadeiro,” que nos trás o ensino verdadeiro. Não é assim que está dito? A Luz Divina está presente em quase todos os dogmas religiosos. É a luz da sabedoria para os budistas. A Luz que ilumina o caminho, no caso Jesus para os cristãos. Em todos os cantos, afirmase, ela é a presença da vida, produz efeito sobre as vitaminas, as proteínas e os sais minerais em seu corpo. Uma última coisa antes de passar para outro tema: agora, amigo (a) leitor (a), você já sabe e a ciência, na qual você mais acredita confirma, que a energia maior que temos e a do Coração e chega a ser 35 vezes superior a emitida pelo cérebro. Foi através desta energia que fui conduzido fora do corpo. Foi ela que me dominou por inteiro. É nela que está armazenada toda a minha Morri e voltei para contar como é

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memória espiritual, nesta vida. É ela que nos conecta ao Criador, o Pulsar do Universo. A cada reencarnação tudo se apaga, ficando o registro do seu aprendizado. O que passou, passou e tudo é recomeço. Uma nova chance, um raiar de um novo dia. O Pulsar do nosso Coração vai receber os registros necessários à sua evolução e você retorna com o que recebeu e aprendeu.

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No Reino do Sentir O PULSAR DO MEU CORAÇÃO O sentir O domínio do Criador é completo. Total. Saia à rua, de dia ou de noite, e observe o céu, o universo. “Olhai os lírios do campo.” À noite é mais fácil, tem as estrelas e o firmamento. É uma imensidão. De acordo com cálculos científicos a Terra está para o Sol na proporção de uma bola de futebol para a Terra. Quer dizer, o tamanho da Terra perto Sol é o mesmo que o de uma bola de futebol perto da Terra. É impossível dimensionar tudo isto sem um Criador, um Domínio. Quer ver isto de perto? É fácil, tenha um infarto... (kkkkkkk. Não resisti, de novo, a esta forma onomatopaica, como fazem os jovens na internet). Na materialidade ao sair da cama me moveria, andaria sob um chão. Quando sai do corpo nada fiz, só senti. Fui conduzido de um lugar a outro, acredito, que apenas pelo pensar de Deus. A primeira vez foi quando senti a luz em minha direção. Depois senti a “ordem” informando que eu voltaria. E sabe como é o sentir? Algo passando por dentro de você. Uma energia fluindo em seu corpo. Um diapasão. Sabe o que é um diapasão? É um antigo instrumento utilizado pelos artistas para afinar instrumento, em especial os de corda. O diapasão reverbera os sons. Assim, a cada palavra dita: “ele não vai ficar, vai voltar,” eu as sentia passando por mim, reverberando. O espírito é energia pura. É Morri e voltei para contar como é

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um Pulsar como Ele, o Criador. A gota de azougue. Eu me movimentava? Não, era movimentado. Eu olhava? Não, as imagens passavam pelo registro do meu Pulsar. O que tinha de sentir atravessava o meu ser. Sabe o que eu tenho? Hoje sei que é apenas a intenção. Tudo o mais é e está no sentir sobre tudo o que há e Ele domina tudo o que sentimos. Tudo é dEle. Filhos de Deus – E o que somos? Uma parte dEle. Todos os escritos e dogmas religiosos dizem que somos “filhos de Deus.” Mas, o que é isto? Qual é a concepção disto? Um filho, na materialidade, é o resultado da união de dois DNAs, uma fórmula única reunida a partir de dois doadores. E do Criador como podemos ser filhos? Fala-se muito do feminino e o masculino em Deus. A melhor definição que encontrei em minhas pesquisas é a do Mestre Gabriel, fundador da UDV. Ele disse que somos uma gota de azougue. Sabe o que é azougue? É o mercúrio. Quando você separa de uma grande gota de azougue algumas gotinhas menores, elas se unem à gota maior, como um ímã. A explicação pressupõe que de uma gota maior originou-se pequenas gotículas que lutam para se reunir ao imã, ao Criador. Ei, então, se isto está correto, eu sou da mesma essência de Deus? Claro, se concorda com a teoria, você é uma parte de Deus, portanto é Deus também. Profetas, filósofos e poetas têm dito isto há milênios e a ciência começa a desvendar tal mistério. Mas sou falho? – Este é outro tema: sou da mesma essência, mas falho, pequeno, inferior ao Criador, por quê? Difícil resposta aos olhos de nossas religiões tradicionais. Os cabalistas são os que Morri e voltei para contar como é

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melhor respondem, em minha opinião. Eles dizem que, por diferença de forma, nos distanciamos do Criador e a sua ocultação nos impede de vermos isto melhor. Somos da mesma essência, mas nos diferenciamos na forma (tento desvendar isto mais à frente). Que forma? – Os cabalistas se referem à forma da energia, a força que tudo rege. Ele nos doa e nós recebemos. Não se trata de forma como se conhece na materialidade. Tudo o que atribuímos ao Criador só tem a ver com a materialidade, quando não se conhece a espiritualidade. Num dos filmes de Jornada nas Estrelas para o cinema isto fica bem claro. A nave Interprise é levada a um planeta que seria a morada de Deus. Quando chegam lá os personagens se deparam com um ser de energia que se apresenta nas formas de Deus expressas pela humanidade. A representação neste episódio é perfeita para exemplificar o que digo. É que as formas que aparecem são parte do imaginário humano, uma inversão da nossa percepção na materialidade para o Mundo Espiritual. Na tela do cinema observa-se bem que as muitas formas atribuídas a Deus o foram ao longo da história da humanidade. Por quê? Estamos tão distantes de Deus que tudo sobre ele imaginamos e, é claro, sob influência cultural, o meio em que vivemos. Na Bíblia, em Gênesis está escrito: “deus fez o homem à sua imagem e semelhança.” Impraticável. Deus necessita de mãos? Ele tem em que pegar? Ele é o tudo e tudo é Ele. Avaliar que Deus precisa de boca para comer, por exemplo, é um bom exemplo de como nós imaginamos Deus.

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Estabelecer uma forma de Deus a partir do ser humano é inverter a árvore. Dizem os cabalistas, no ensino da raiz e dos ramos, que tudo nasce do Criador e nos é doado. Assim, a raiz é o Criador e não o homem, a materialidade. Para mim isto é mais lógico, afinal o Criador veio primeiro? A teoria do livro de Gênesis subverte esta ordem. Ela cria um Deus à imagem e semelhança do homem, ou seja, ela dá enorme importância no ato da criação e isto nos faz acreditar que somos a imagem de Deus e os outros seres não. Tal tese tem sido devastadora, uma vez que muitos concluem que, por isto, somos superiores ao resto da Criação, o que contribui para promover a destruição de outras espécies. Então qual a forma de Deus? – quando sai do corpo não estive na presença do Criador, está óbvio. Apesar de saber que sou Ele e Ele sou eu, naquele momento e naquela situação não teria tal importância. Não procurei e não há uma forma do Criador em equivalência na materialidade. Não pode ter. Nós apenas sentimos o seu poder atuando em toda a sua Criação Há milênios que criam dogmas sobre respostas falaciosas para as perguntas humanas, devido a nossa necessidade de referências. A materialidade tem suas formas por causa de sua dualidade, nossas necessidades e percepções. Nada aqui tem a ver com o Mundo Espiritual. Fora do corpo o que senti foi uma energia que domina tudo. O Criador é a onisciência, onipresença e onipotência. Ele passa por dentro de você e, repito, você está dentro dEle. Vamos examinar outro texto bíblico, ainda em Gênesis: “e Deus fez a luz e viu que era boa.” Ora, é impensável. Deus é a luz. Ele não fez a luz. A energia Morri e voltei para contar como é

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que senti dele nos clareia com a intensidade e a força do seu Domínio. Ela é intensa e constante. É como algo que está batendo à sua porta e querendo entrar mesmo sem ser convidado. Algo compulsório que você não domina. E mais, você não tem como lutar contra isto. É impossível. Outra coisa sua luz é por todos e para todos. Não há diferenças entre nós aos olhos do Criador, independente do que façamos. O sentir é pleno e absoluto. Interpretações de Deus como estas de Gênesis são versões humanas para o desconhecido por causa de sua Ocultação. Satanás, diabo, capeta e a força negativa são invenções humanas Elas, em diversos dogmas serviram a um propósito: dar civilidade ao homem. No primitivismo religioso só era possível frear os disparates humanos a partir do medo. Tal dogma cumpriu o seu papel. O medo fez e faz parte dos propósitos do Criador (vamos detalhar isto mais tarde?. Imagine Moisés, andando com milhares de pessoas por quarenta anos pelo deserto em busca da “terra prometida.” Se ele não se utilizasse do medo como controlaria e manteria o povo unido? E olha que, de acordo com relatos bíblicos ele ainda enfrentou rebeliões e tentativas de assassinato. Assim, o Deus que ele apresenta naquela época era capaz de queimá-lo em chamas ardentes e o capeta, diabo, satanás, o “cramulhão,” todas estes gomas foram alegorias para civilizar a violência primitiva da humanidade. Existe uma teoria engraçada. Somos “cascudos,” ou seja, estamos tão impregnados de nossas falhas que adquirimos “cascas” que nos impedem de ver a espiritualidades. O Criador está tão oculto Morri e voltei para contar como é

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de nós, que sobre Ele tudo nós teorizamos e imaginamos. Ei, mas alguns profetas e líderes estão sendo chamados de mentirosos por você? Não. Eles cuidaram da memória de seus discípulos e prepararam o terreno para o futuro. Jesus não falava por parábolas? Hoje muitos usam tais dogmas como desculpas para os atos do homem. Pelo que vivi tudo se encerra em nós e ponto final. Lembrase do meu julgamento. Era eu, mais eu e depois eu. Não tem esta de alguém decidindo por mim. Se assim o for terá que pagar por mim também. E tem como? É inconcebível eu pensar que algo pode me dizer o que fazer, além do Criador. Ele tem um propósito para cada de um de nós e assim, tudo funciona de acordo com este propósito. Ademais se acredito que a outra força é inferior a Ele então suas ações só podem acontecer com a sua permissão. Se Ele é o Domínio, é a força superior a “outra força” só atua com o seu consentimento. Então os erros do negativo são parte e criados por Ele? (Vou falar sobre isto no capítulo da força negativa) E a história de Jô? - Examine comigo. Conforme os escritos Deus teria dito a satanás: você pode fazer tudo com Jó, menos tocar em sua vida e no seu rosto. Bom, se eu tenho o poder para definir como você pode atuar então a sua atuação é limitada por mim. Assim, por definição bem simples, a sua atuação é consequência do meu comando, do meu Domínio. Eu posso estabelecer o seu limite. Isto é ilógico se aceito, como nós definimos antes que Deus é amor. Como o amor pode autorizar que o negativo atue como aconteceu com a história de Jó. É preciso contextualizar o Morri e voltei para contar como é

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aparecimento das histórias. Elas são alegorias para trazer a civilidade. Elas têm um conteúdo, uma lição de moral. Elas, na maioria dos casos, vêm para ensinar a humildade, a compaixão, promover o “temor” a Deus para “acalmar” o homem. Elas não podem ser levadas a ferro e fogo como verdades, como acontecimentos reais. Muitas delas são parábolas, voltando à linguagem de Jesus. O Domínio é o amor, Pulsar de tudo - Ao sair do corpo, no dia 06/12, logo percebi que estava envolto numa energia vibrante, indescritível: o Pulsar de Deus sentido no Pulsar do meu Coração. Tudo pulsava em mim e era bom e pleno. Estive pleno. Não senti angústias e ansiedades, o que seria normal diante do desconhecido. Todos os outros cinco sentidos (olfato, audição, visão, paladar e tato) agiam em mim por um viés só. Eu e Ele éramos um só. O pensamento em mim não existia, era só o dEle. Tudo em mim era comandado por Ele. Todas as sensações, e que sensações! A plenitude da paz, a calma, a serenidade, o sereno da luz. Indescritível para apenas cinco sentidos. Passo a vocês o que consigo ainda recordar. Não se pode conhecer isto de ouvir falar, é preciso sentir. A verdadeira religião é a do sentir. Religião quer dizer religar vem do latim: religare. Hoje sei que só posso religar a mim mesmo. Não religo a outro. Sou da mesma essência do Criador. E sabe o que mais. Para muitos agora direi uma blasfêmia. Ele, o Criador, se partiu em vários e criou um sistema de reunificação de si mesmo. Cada partícula faz parte do todo e o todo não pode ficar nenhuma de suas partículas. Assim, para Morri e voltei para contar como é

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ao perfeito novamente se recompor necessitará de todas as suas partes. Resultado: nada de mal ele pode nos fazer. Já pensou o amor realizando algo de ruim? Ainda mais se aceitamos as teorias que descrevo acima (e outros também já o disseram) que definem que somos partes do Criador? Se assim o é, então Ele faria mal a si próprio. Não é engraçado? Eu sigo alguém que diz que sou parte do Criador, mas aceito que ele criou algo para me prejudicar, melhor dizendo, para prejudicar a si próprio. Ilógico. Sou filho de Deus – Uma frase comum entre nós. Só que na materialidade o filho é o resultado da união de dois outros seres criando um terceiro. Aceitando a teoria da gota de azougue, então eu não sou filho, sou irmão do Criador, sou uma parte dEle. Isto me dá uma perspectiva diferente na análise de muito que já foi falado. Por exemplo: Jesus, filho de Deus. Mas, Ele ensinou a seguinte oração: Pai nosso que estais nos céus. Não é incoerente Ele me ensinar a dizer Pai Nosso e depois eu dizer que é o único filho de Deus? Ora eu sou um componente de Deus, parte dEle e também a sua Criação. Quero dizer: somos todos importantes para o Criador. E o sofrimento? - Não é uma incoerência a Bíblia dizer assim: “não cai uma folha de uma árvore sem que Deus queira ou determine.” Ora, então o sofrimento que assola a humanidade, a fome, a miséria, enfim tudo aquilo que não desejamos é, também, obra de Deus? E agora, como padres e pastores respondem a isto? Criando outra figura: a força negativa. Morri e voltei para contar como é

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Se o negativo tem tanta força, então existem dois deuses (ou até mais) como queriam os gregos. Pelo dogma de todas as religiões existem duas potências acima de nós. A duas são capazes de nos influenciar e até nos dominar. Uma pelo que entendemos ser o mal e outra o bem. Desta forma dividamos o trono do Criador. Não acredito mais nisto. Então tudo vem dele, está claro para você?Ei, mas e a nossa pergunta: e o sofrimento? É a nossa incompreensão aos seus propósitos, a sua ocultação, dizem os cabalistas. Pelo que senti ao sair do corpo, hoje sei que esta definição está mais próxima da verdade. Tudo se move por Ele e através dEle. Uma pessoa sofre porque não entende o propósito do Criador. Sempre temos dois caminhos para o aprendizado: o amor e a dor. Como nos distanciamos do caminho do amor, nós escolhemos o da dor. Sofrer é desconhecer a espiritualidade e suas principais leis (disse-o o Mestre Gabriel). As peias que passamos na vida têm o propósito de nos ensinar, de nos corrigir. Não existe punição: o céu, o inferno e o purgatório. O amor não pode ser carrasco, não pode punir. O amor só nos educa e ama. Todas as dores que passamos nos fazem melhores e este é o propósito dEle (falamos disto também lá frente). Você sofre porque não entende isto. Fez algo errado, vai sofrer e sofre porque não aceita que isto é para o seu bem. Só depois de muitas perdas (como no meu caso duas famílias que formei) é que se aproxima da humildade. Aí você reconhece que tudo aconteceu para o seu bem, o seu crescimento espiritual. Morri e voltei para contar como é

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Em todos os momentos, se você se lembrar, foi alertado, orientado, mas não pensou, não escutou o seu Coração. Agiu sem pensar e decidiu com enorme margem de erro. Resultado final: sofrimento, dor e, na maioria das vezes, perdas. E aí o que fazemos: apontamos um agente externo e sobre ele desaguamos tudo. O negativo, o satanás, diabo, a força inferior. O Domínio de Deus na materialidade – Como falo aqui do Reino do Sentir, a energia do Criador, tenho que situar de forma precisa o seu Domínio. Aliás, abri este capítulo com esta fala: é total. O uso restrito da intelectualidade suprime o sexto sentido e afeta a nossa capacidade do exame de determinadas situações. Nas escolas, por exemplo, ensinam que o homem é um animal racional, os demais animais não. Vamos ao significado da palavra raciocínio: s.m. Faculdade, ação ou maneira de raciocinar. Concatenação de proposições deduzidas umas das outras para chegar a uma demonstração: seguir um raciocínio. Seguindo tal definição, tomemos como exemplo um leão selvagem. Ele está com fome e sai para caçar. Ele caminha e observa um grupo de gnus, animais suculentos, de médio porte e presa fácil para um predador de seu porte. O leão espreita e espera o momento certo. Escolhe a sua presa através de critérios de observação, de seletividade: os mais velhos, os mais lentos, os doentes, os filhotes. Ele, para o ataque, desenvolveu uma estratégia. Então, responda-me, o leão não raciocina? Ao longo dos anos ele desenvolveu uma tática, a partir de observação e se adaptou às próprias experiências, isto é raciocínio. Com a prática estabeleceu e Morri e voltei para contar como é

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desenvolveu critérios de seletividade. Ele só se alimenta dos mais fracos, permitindo que os demais reproduzam e deem continuidade à sua fonte de alimentos, outro tipo de raciocínio. Cada vez mais se utiliza de táticas que facilitam suas ações. Mais raciocínio. Vou dar outro exemplo, o dos chimpanzés, passado na TV recentemente. Primeiro, ao ver uma presa (eles também são carnívoros) o líder da caçada grita (uma forma especial de comunicação), avisando aos demais: raciocino e comunicação especial. A caça deles é coletiva e bem coordenada: raciocínio coletivo, coordenação. Eles fazem um verdadeiro balé na copa das árvores espreitando e encurralando a presa. Em geral a caça é a uma espécie de macaco de menor porte e, como eles atacam em grupo, a vítima não tem a menor chance. Poderia ficar aqui páginas e páginas descrevendo a capacidade de raciocínio dos animais que chamamos irracionais. Então a definição que nós, seres humanos, somos animais racionais e eles irracionais já não cabe mais, deveria ser revista nos livros didáticos. Então, qual a diferença entre nós – ela está no desejo. Isto, o nível de desejo deles é primário. Nós ampliamos nossos desejos. Eles satisfazem apenas as necessidades básicas de sexo, alimentação e moradia. Nós ampliamos as fases. No passado o homem tinha apenas tais desejos, digamos primitivos, por sexo, alimento e moradia. Uma caverna bastava como abrigo. A mulher estava no grupo e provia o sexo (o mesmo vale

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para elas) e os alimentos eram caçados, como os chimpanzés ainda o fazem. Ampliamos os desejos - Em seu livro A Origem da Família, do Estado e da Propriedade Privada o alemão Friedrich Engels, mentor intelectual de Karl Marx, bem define os estágios da “evolução” humana na materialidade sob a visão socioeconômica. De acordo com Engels o milho foi o primeiro instrumento desta transformação. O homem passa ao estágio onívoro, deixa de ser apenas carnívoro, planta o milho e o tem como alimento (diferencia o seu desejo dos animais). A tribo vizinha não acompanhou tal evolução e acha mais fácil roubar o milho para comer, do que ficar correndo atrás de mamutes ou em virtude de sua escassez. Nasce então a milícia (polícia) de proteção à propriedade da primeira tribo, a divisão de terras, as fronteiras. Em seguida vem a troca de produtos e depois uma única moeda de troca: o dinheiro. Ele amplia e consolida o poder de um homem sobre o outro e de povos sobre outros. A humanidade, com isto, veio expandindo seus desejos e eles nos levaram aos estágios em que estamos hoje. Nascem os estados, os reis e suas conquistas e acúmulos. Somo diferentes, não é verdade? As nações também. Assim temos povos ainda em estágios primários de desejos, lutando por moradia, sexo e alimento, na África principalmente. Muitas pessoas ainda estão neste estágio em nosso próprio país.

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E os animais? Eles não ampliam os desejos. Então o que fazem? Apenas obedecem ao Domínio o Criador, o Reino do Sentir. Seu raciocínio se mantém no estágio primário. Mas, a observação do comportamento dos animais nos informa como funciona o Domínio do Criador. Quando o leão sai para caçar ele apenas age sob este Domínio. Ele não interfere com isto, apenas obedece a uma ordem, o que denominamos instinto. Ele senti o que tem que fazer e obedece. Já assistiu os documentários da BBC de Londres sobre animais. Percebeu como tudo se move em cumprimento de leis, fixas e imutáveis. Os animais não reconhecem a própria existência, somente o elefante passa perto disto e é capaz de se conhecer no espelho. Os animais somente obedecem à lei implacável do desejo de saciar a fome, sexo e fazem como podem para obterem da natureza o abrigo. Assim como nós nos tempos das cavernas. Só que nós, pela vontade do Criador, modificamos a nossa percepção instintiva e colocamos à frente de nossas ações o intelecto, influenciado por nossos desejos. Um exemplo muito claro. Um homem vê uma mulher passar, gostosona. Observa a sua mão direita e vê que ela é casada. O seu instinto diz que é “chave de cadeia.” Só que se ele for correspondido em seus olhares, principalmente, coloca o seu querer em ação, age. Depois, se algo der errado, vai dizer que foi obra do diabo, o satanás ou a força negativa. Sabemos todos que o Criador se comunicou com este homem do meu exemplo fictício. Sabe como? O coração bateu mais rápido e Morri e voltei para contar como é

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a garganta ficou presa, devido a ansiedade. A expectativa de realizar algo perigoso provocou-lhe sensações e até elevou a sua pressão arterial. Aquelas perguntas: “e se o marido dela souber?” “E se minha mulher souber?” Agora voltemos ao leão. Ele vai à caça, observa um filhote de gnu desgarrado de um bando. Dá início à sua estratégia de ataque e, de repente passa à sua frente uma gnu maravilhosa, toda gostosona, com um traseiro fantástico. Ele muda o roteiro? Não. Segue a sua estratégia inicial, porque é assim que funciona sob o Domínio do Criador. O desejo do leão não fala mais alto ao intelecto, ele se limita à ordem do “moto contínuo” que rege a materialidade. Nós louvamos a democracia como sistema de governo e político, mas as leis divinas não são democráticas. Elas são impositivas. Ou você obedece ou está lascado. O nosso galã no exemplo anterior recebeu uma ordem e da melhor forma possível, como aconselhamento. Isto mesmo. Quando ele almejou a gostosona e o coração dele bateu foi o Criador o aconselhando-o a ver o erro. O Pulsar do seu Coração em conexão com o Pulsar do Criador recebeu orientações sobre o seu ato e apontou suas consequências. Este é um dos exemplos de como funciona o Reino do Sentir. Nas savanas africanas o leão senti a ordem divina e não modifica o que tem que fazer. O homem está sob as mesmas leis que ele, mas o pote de desejo vem aumentando a cada passagem do tempo e ele erra porque não está orientado a corrigí-lo. Ele segue em frente, obedece ao desejo sem correção e, depois, recebe a conta para pagar. Morri e voltei para contar como é

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Já reparou que tudo fora do homem está em equilíbrio? Observe. Rios, peixes, mares, animais, a chuva, o Sol, o quente, o úmido etc. O único em desequilíbrio é o homem. Tudo o mais segue as leis do Criador em obediência e, por isto, está em equilíbrio. Não se escapa - Não adianta, não tem como escapar, você é parte do Reino do Sentir e está sob o Domínio do Criador. Do mesmo modo que ao sair do corpo percebi que tudo tem um Domínio. Ôpa, assim fica fácil. O que eu faço de errado não é minha culpa, faz parte do Sentir e que é definido pelo Domínio do Criador? Ei, esta é a pequena brecha que você tem. Em Rondônia as pessoas atravessam o rio Madeira com um barco chamado “rabeta.” O “rabeta” é um motor de moto ou de serra elétrica acoplado a uma hélice que coloca na água impulsiona o barco. Só que o “rabeta’ é fraco para as marolas (ondas) que o rio Madeira tem. Assim, a única funcão do condutor de um “rabeta” é apenas guiá-lo de forma a ir no centro (a linha do meio), mais para a margem direita ou a esquerda, porque a correnteza do Madeira é mais forte. Isto ilustra bem o que é livre arbítrio. O Reino do Sentir mostra que somos um “rabeta,” ou seja, um barquinho e só podemos, com muito esforço e permissão ainda, nos conduzir ou para a margem direita ou a esquerda da grande correnteza que é o Domínio do Criador. É bonito ver isto descrito num hinário da sociedade chamada de “barquinha,” (Centro Espírita Daniel Pereira) em rio Branco, Acre. Morri e voltei para contar como é

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“Tudo acaba aonde começou” – Na música Pedro, o profeta dos tempos modernos Raul Seixas trouxe-nos um ensinamento com este refrão. Ora, não somos parte do Criador. Não fomos desgarrados dEle e temos em nós o desejo de retornar para Ele. Então tudo acaba aonde começou, ou seja, o fim desta história será o dia em que retornaremos à casa do pai. Outra coisa, este tudo quer dizer, também, para todos. Tudo somos todos nós. Eu disse lá atrás que a perfeição para manter-se perfeita necessita de todos as suas partes. Que absurdo: você está comparando Gandhi a um estuprador? Madre Tereza de Calcutá a um traficante? São Francisco a um pedófilo? Não há nada de comparativo aqui, há constatação. Hoje sei que todos os seres têm a mesma importância para o Criador passam e passarão por processos de correção. Senão for assim qual a razão da reencaranção? Alguns, no entanto, aprenderam pelo amor, o praticaram, encurtaram o próprio caminho até o Criador. Os demais também chegarão lá. Cada um a seu tempo, pois tudo está no seu lugar. Não existe julgamento divino pelos atos de ninguém, porque o Criador é o amor pleno e o amor não julga, como já demonstrei. O julgamento acontece em você e por você. Ele está na relatividade das coisas, na materialidade. Ele de nada servirá no mundo espiritual, mas você precisa desta referência na materialidade. Não existe condenação também. O que existe é correção, que se leve mais 1.700 encarnações, como disse um amigo meu uma vez, mas o objetivo final é a correção e não o fim da Criação, a sua punição. Isto porque a Criação faz parte e vai retornar ao Criador Morri e voltei para contar como é

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Ninguém escapa disto, o que explica porque nas sociedades materialmente “evoluídas” as pessoas não estão satisfeitas, querendo mais e mais ainda e não sabem o que querem. As religiões fazem aumentar o desejo pelo Criador, mas não têm conhecimento para explicar tal fenômeno. Suas respostas aos questionamentos humanos são incompletas e sempre deixam um vazio. É por isto que as mesmas perguntas sempre voltam. O desejo de voltar à casa do pai, se religar, é compulsivo e contante está no Pulsar do seu Coração. É a gota de azougue. Renda-se. Você nada pode fazer. Então o que mais buscamos nesta vida? Estarmos com o Criador. E como podemos realizar isto diferente dEle? Impossível. Por isto, dizem os cabalistas, desejamos o tempo todo termos equivalermos em forma com o Criador. Mas que tipo de forma? Um velho de cabelos brancos, plácido, como um avô ou um pai? Não. Queremos ser igual a sua essência: o amor incondicional, a doação incondicional. Será esta a resposta à grande pergunta: por quê? Ainda tenho muito a estudar sobre isto, mas aceitar tal explicação deu paz ao meu ser, à minha existência. Desde os 12 anos – Eu persegui esta resposta. O porque da existência? Alguns homens espelham um grande desejo, têm perguntas que nunca calam. Se pergunte: porque Einstein chegou a tantas conclusões e fórmulas que contribuiram para mudar os rumos da ciência? Porque outros nomes na astronomia, na física quântica, na nanotecnologia, Morri e voltei para contar como é

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na biologia, na teologia continuam a fazer tantas perguntas? O que temos em nós que não nos deixa satisfeitos? Estes homens (alguns poucos na humanidade) se comportaram com uma insatisfação absurda diante do que receberam na materialidade. Eles nunca pararam. Só que eles chamara a atenção da humanidade por seus feitos. Você também é assim e não percebe. A Luz do Criador, dizem os cabalistas, nos coloca num jogo sem fim, hoje nos dando e amanhã nos tirando o que deu. Com isto você não se satisfaz e quer mais e mais. Cada age de acordo com a sua percepção da realidade e nível de desejo. Falamos da Luz da sabedoria e ela se abre todos os dias pela manhã. A Luz da Vida, a mesma que traz o equilíbrio na natureza. Lá está ela de novo, raiando a cada momento que chamamos de manhã. E a gente nem nota. O Criador é o próprio santo de casa que não faz milagres. Ele está dentro de você por toda a eternidade e você o procura fora. Cria forças que o combate e se preocupa mais com elas do que com o amor advindo de Deus. Ele está se doando o tempo todo e nós, por causa de sua ocultação, não percebemos isto. O desejamos, mas não sabemos tê-lo quando ele se apresenta. Só que tem uma coisa: nada de culpa. Ele quis e quer que tudo seja assim. Ele nos conhece bem e sabe como funcionamos. Reino do sentir – Foi o que procurei mostrar até agora. Tudo por nós é sentido, ou seja, Ele determina, reina, ordena, através do sentir.

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Você nunca vai ouví-lo, como é descrito nas hitórias bíblicas (como a de Moisés, por exemplo), mas você pode sentí-lo. Os budistas capricham neste ensinamento. Eles passam anos em meditação, à procura do reino do sentir, na busca por sentir o amor divino. Só que amar é verbo transitivo, você o sentirá em comunhão com o próximo ou só numa montanha? É por isto que dos seus profetas, o predileto no mundo ocidental disse: ame ao teu próximo como a ti mesmo. O amor só é possível em relacionamento com outros seres humanos e, na maioria das vezes, em conflitos.

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No Reino do Sentir O PULSAR DO MEU CORAÇÃO O desejo Conversamos muito sobre o desejo no capítulo anterior. Devido a importância do tema me proponho a debatê-lo mais, exemplificá-lo. Antes, me deixe esclarecer algo amigo (a) leitor (a). Eu, no dia 06 de dezembro de 2004, sob o Domínio do Criador saí do corpo e senti tudo o que descrevi até agora. Ao retornar estudei por sete anos e agora relato faço o meu relato e compreensão do que aconteceu. Não existe o propósito aqui que estabelecer dogmas. Não crio seitas. Não sou dono da verdade. Minha profissão me treinou para perguntar e tenho feito uma série delas. Como faço perguntas, também apresento as minhas respostas, que são pontos de partida para reflexões. Encontre as suas! Alguém pode se perguntar: mas como este cara vem falando isto apenas porque saiu do corpo por quatro horas? Como ele pode ter todas estas definições e certezas a partir de um pequeno evento se comparado a milênios da história da humanidade? Não compreender o que nos acontece é a mola mestra das buscas humanas, é o que nos impulsiona. O Criador está oculto de nós. Não compreendemos tal propósito, não temos respostas e aí formulamos uma ou diversas teorias sobre o mesmo tema. Isto nos aguça e vamos em frente. Morri e voltei para contar como é

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Sai do corpo senti e registrei tudo o que descrevo. Pretendo convencê-lo (a) e não vencê-lo (a) amigo (a) leitor (a). Tenho sido didático e acredito que devo passar às pessoas o que vivi, senti e que me fez aprender algo bom para mim e que, a meu ver, também será bom para você. Eu disse, antes, que o tempo não existe no Mundo Espiritual. Ele só é percebido na relatividade da matéria. Portanto, quatro horas passadas aqui podem representar uma eternidade fora do corpo. Falo de algo que senti ao sair do corpo e mostro que Buda, Jesus e um cientista americano, por exemplo, falam a mesma coisa. Sou um aprendiz, e tenho convicções. Um budista faz o caminho da peregrinação de Buda por 10 anos para ser considerado um discípulo de um monge. Na União do Vegetal um discípulo pode levar até 10 anos para Receber o grau de Mestre. Um Padre passa 10 anos em estudos para a ordenação. Um cabalista passa, no mínimo, 40 anos estudando para ensinar a sabedoria cabalística. Seria idiotice minha me considerar um professor. Só que é diferente quanto a gente senti o que é mostrado o aprendizado se acelera. Uma coisa eu garanto, não há nada aqui inventado. É só. Então, decifremos o desejo – Deixo claro que este é ensinamento novo para mim e como um estudante fazendo um trabalho escolar convido-o (a) às reflexões a seguir. Quem quiser aprofundar melhor e conhecer mais sobre o desejo deve procurar na internet o Centro de Estudos Bnei Baruck (cabala TV). Dentro dos limites que proponho vamos examinar mais de perto o significado intelectual da palavra desejo (de-se-jo) - s. m. Vontade de possuir ou fazer algo. Apetite sexual. Anseio, ambição. Morri e voltei para contar como é

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Fiz questão de grifar o texto acima para mostrar como, na maioria dos casos, a intelectualidade é uma armadilha que deturpa o significado das palavras. Em quase todas as pesquisas em dicionário e na internet a tônica da palavra desejo está ligada à libido, à sexualidade. Esta forma de compreensão prejudica as percepções que temos sobre a espiritualidade. Desejo é uma condição humana aplicável a tudo o que vivemos. O Coração é o desejo, a força que impulsiona a humanidade. O consumo desenfreado pelo desejo - Você vai comprar um carro. Qual o principal objetivo de um veículo? Levar-nos de um lugar a outro em segurança e conforto. Mas, o seu desejo por ascensão social pode levá-lo a querer um carro com “algo mais,” ou seja, o status social que ele “virtualmente” proporciona. A mídia explora isto bem e cria novos conceitos para ampliar os desejos do consumidor. Já tem até o “carro conceito” (é hilário, mas as pessoas engolem isto). Ok, você pode comprar um carro mil e seguir em frente. Agora se tiver um salário um pouco maior e estiver em ambiente de classe média, por exemplo, vai pensar assim: “vou comprar um Honda Civic ou um Corolla. Este carro me dará posição social, status. Pelo que ganho e no meu local de trabalho, não pode ser de diferente.” Entendeu? Está aí amigo, o seu desejo foi modificado e ampliado por sua condição social (e não tem nada a ver com a sexualidade). Você é um pote de desejos que se ampliam sempre e mais e mais. Vamos a outro exemplo. Morri e voltei para contar como é

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Tem homem que conquista uma bela mulher, cheia de sensualidade. Um cartão de visitas. Só que depois a trai. Não é engraçado?! A gente vê na mídia história de traição de homens que têm mulheres lindíssimas. Mas, o que aconteceu? É que muitos homens têm o desejo centrado na aventura, na adrenalina que seus atos proporcionam. Conheci homens que tinham mulheres belíssimas, mas as traíram com mulheres (no padrão de beleza da sociedade) mais feias. O desejo é o motor da materialidade – Veja o que diz o guru indiano Deepack Chopra em seu livro As Sete Leis do Sucesso. 5ª Lei da Intenção de e do Desejo Quando queremos alguma coisa, não é preciso despender uma força enorme para chegar lá. Ao semearmos com atenção o desejo no Universo, ele se concretiza - mas no tempo certo. Aplique a “intenção e o desejo” em sua vida com os seguintes passos: 1) Faça uma lista de seus desejos e carregue-a por onde for. 2) Leia-a antes de meditar e dormir, além de quando acordar. 3) Solte os desejos no ventre da criação e confie verdadeiramente na ideia de que serão concretizados. 4) Conscientize- se do momento presente em todas as suas ações e não permita que eventuais obstáculos consumam essa atenção. 5) Com o exercício de aceitar o presente como ele é, o futuro se manifestará como você espera. “Então sereno e inabalável, você Morri e voltei para contar como é

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segue comprometido com seus sonhos”. Sempre confiante de que quando tiver que ser será. Vejam, também, o que Buda disse sobre o DESEJO: 1- Os Desejos Os mais importantes ensinamentos budistas são as Quatro Nobres Verdades. A primeira nobre verdade é a existência do sofrimento; a segunda é que a causa dele são os três venenos: o desejo, a ignorância e a aversão; e terceira nobre verdade é que o sofrimento acaba quando eliminamos os três venenos. Fala-se muito na extinção dos desejos no Budismo, mas é muito importante que esses desejos não compreendem bem o que entendemos sobre desejos na língua portuguesa. Isso ocorre por causa da tradução das palavras “tanha”, “mana” e “ditthi” na língua Pali que significa desejos. Os desejos impulsionam todas as ações da vida, por exemplo: A pessoa trabalha, mas existe um propósito nesse trabalhar; que é ganhar dinheiro ou sustentar a família, ou fazer algo com esse dinheiro; o comer: comemos pelo desejo de comer; a fome, isso nos impulsiona a cometer este ato; tomamos banho pelo desejo de ficarmos limpos. Fonte: Por: Ricardo Chioro, site http://an.locaweb.com.br/Webindependente/Buddhismo/esclareci mentossobreobudiso.htm

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E porque o desejo é a força motora? - Porque é a razão de tudo, somos puro desejo. Tenho outra maneira simples de mostrar isto. Você fabrica o ar que respira? A água que bebe? O fogo? Opa, você o faz funcionar, não o fabrica, não o produz. Fabrica os alimentos que come? Examine bem, você os beneficia: cozinha ou frita ou assa, mas não os fabrica. Sabe como produzir uma banana? Pode até manipular a sua produção, como o fazem os laboratórios de modificação genética, mas eles não fabricam nada. E a luz do Sol, fabrica? Aquela que nos dá a vida. Ora bolas, então o ser humano é um recebedor (parece até propaganda de operadora de celular..kkkkkk). Não produzimos nada que nos mantém vivos. Nem a vida. Isto mesmo, você não é vida você recebe a vida, ela lhe é dada e tudo o que necessita para a sua manutenção. O único que é vida é o próprio Criador. A gente diz assim: a minha vida. Observe: vida é só uma, a dÊle. Eu não tenho a minha vida, ela me é dada e eu não posso fazer dela o que quero, tenho que obedecer a uma série de leis que a regem. Li uma vez que se o Sol se apagar toda a vida na Terra existirá por apenas três minutos. Que fragilidade a nossa! Como podemos arvorar poderes sobre a vida se a nossa não passa de três minutos sem o suporte que nos é dado pelo Criador? E ainda tem outra força? Impossível alguma força perante tamanho Domínio. Então eu sou um recebedor, um puro desejo de receber - Exato. Fomos criados para receber e, está claro, seletivamos o que recebemos pelo prazer que nos proporcionar aquilo que vamos Morri e voltei para contar como é

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receber. Tudo nós recebemos e aceitamos ou assimilamos o que nos dá prazer. Você corre atrás de sofrimento? Hoje eu levantei com uma vontade de chorar, de sofrer. Já sei, vou atrás de alguém de não me quer, não me ama, que me faz sofrer. É assim que funciona? A expansão do desejo – Ele acontece a todo o momento. Não é comum ouvir de amigos em rodas de conversa: as mulheres nunca estão satisfeitas. Faz parte e em você também, amigo leitor. Observe à sua volta e verá que a cada dia o desejo das pessoas aumenta. É uma dinâmica inexorável e impossível de ser contida. Em Belo Horizonte, para citar a cidade onde moro, não cabe mais carros nas ruas. Mas, o desejo de ter um está levando mais e mais carros às ruas. Vai explodir. A correção dos desejos – É o que estamos fazendo aqui. É a sua principal missão. Voltemos, porém, a análise individual do desejo. Examine sempre o que deseja. Está namorando. Observe se os desejos dele (a) estão alinhados com os seus. Não falo de desejo por carro e/ou bens matérias. Ela (ele) quer posição social e você se contenta com apenas casa de campo. Vai ter problema. E você? Quer isto na sua vida? Quem fala é quem vivenciou. Está escolhendo um homem ou mulher? Está namorando? Teste os desejos dele (a). Conheça-os e aos seus também. Vou falar de mim, para não falar dos outros. Depois de uma separação eu conquistei (ou fui conquistado por) uma bela, morena, cor de jambo, uma espécie de “baianeira,” ou seja, mistura de baiano com mineira, como se diz em Montes Claros.

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Todo homem quer uma mulher bonita ao seu lado. Mas é o desejo certo? Acabei descobrindo que não, foi um desencontro. Ei, deixo claro que ela é legal, caridosa, simpática, acolhe bem as pessoas (vão dizer que ainda estou apaixonado kkkkkkk). Quem a conhece sabe o que estou dizendo. Mas, o que aconteceu?! Nossos desejos se diferenciavam. Uma pessoa que nos conhece dizia sempre assim: “você e ela, nunca vi duas pessoas tão diferentes juntas.” Exato. Eu tinha um desejo desenfreado: conhecer mais sobre a espiritualidade. A pessoa que dividiu comigo a vida por 12 anos tinha outros desejos e os manifestou. Eu é que não percebi. Não soube como lidar com o meu egoísmo. Separamos. O que faltou em nós foi o ponto de equilibro. Eu abrir mão de apenas seguir o curso do meu desejo e ela também. Eu me ocupava totalmente da espiritualidade. Quase sempre não existem errados nas separações. O que existe é diferença nos desejos. As uniões começam com este erro pelo desconhecimento das pessoas sobre o tema, sobre a espiritualidade. Elas se entregam às paixões, uma forma errada de percepção do amor. Assim, se você é daqueles (as) que um carro serve para leválo (la) de um lugar para outro e está com um alguém que quer um veículo para ascensão social, pense bem. É ingenuidade sua pensar que vai mudá-la. O mais fácil é ceder aos desejos dela (le). É mais fácil absorver a má orientação vinda das novelas, propagandas e do meio social que privilegia valores da materialidade. Não, isto não está de todo errado. Apenas há uma Morri e voltei para contar como é

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dimensão e uma intensidade para tudo, um caminho do meio como disse Buda. Quem não gosta de um bom carro?! Eu gosto. Se melhorar de vida talvez compre um melhor. Não sou nenhuma freira. Só que já aprendi a não me apegar a isto. Hoje tenho um carro Uno 1.000 e ele me leva de um canto a outro, está bom. Talvez, agora, se tivesse com uma mulher e ela me pedisse um Crossfox, com grana para comprar, eu daria. Antes eu não pensava assim. Mas, também não tinha a grana mesmo! A correção do meu desejo - Eu ainda quero uma companheira. Faz parte. Dormir sem uma costelinha, um cobertor de orelha, é “fria.” (Não é Nelson?!...kkkkkkk) Só que vou examinar melhor se alguém se aproximar de mim ou eu de alguém. O que vou examinar? O que devo fazer? Corrigir o meu desejo. Agora penso em ter uma mulher com os desejos mais sintonizados com os meus, mais próximos (agora se vier em formato Luma de Oliveira será mais agradável. kkkkkkkkk). De novo deixo claro. Não estou a julgar caráter ou levantar culpa disto ou daquilo. Quem estava comigo não é uma má pessoa, como já a descrevi. As diferenças em nossos desejos e a deficiência em nosso diálogo é que nos levaram à separação (já me culpei muito por isto). Somos essência deste mesmo Deus, então o que aconteceu? Veja se alguém apenas doa e eu apenas recebo, eu sou diferente dele. E se isto aumentar. Quer dizer se eu, cada vez aumentar o meu desejo de receber. Eu vou, a cada dia, ficar mais distante daquele que me Morri e voltei para contar como é

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doa. Ei, então eu faço uma pergunta: o que é melhor, doar ou receber? A doação é o amor incondicional. É claro que doar é melhor do que receber. É o que nós todos queremos. Ser doadores, amar sem condição. Aprender a amar como o Criador. Você não gostaria de saber amar como Deus? Hem?! Que tal, ser o amor eterno?! Não dizem isto os namorados uns aos outros? Amor, eterno amor. Pois bem, desconfio que Ele nos fez assim. Ele usa este desejo como uma “doce armadilha” para nos levar de volta. Quanto mais aumentamos os nossos desejos mais perto dEle chegamos. Mais o queremos e é assim que Ele quer. Assim está programado e nada pode impedir. Sinta à sua volta. As pessoas estão ávidas por consumo. Elas correm para os grandes feirões da Ricardo Eletro, Casas Bahia, MRV, Tenda etc. Elas querem satisfazer, e rápido, todos os seus desejos. Muitos deles contidos há anos devido às condições socioeconômicas do país. Isto é inexorável. O que?! Este cara endoidou de vez! Então Deus quer que sejamos consumidores compulsivos? Não, ninguém disse isto. Só que as pessoas O desejam tanto e não sabem disto, que procuram compensações na materialidade. Por isto encontramos no consumo uma forma de satisfação. Claro, comprar uma casa é uma necessidade de moradia. Mas, já citamos o exemplo do carro. Quando conseguimos satisfazer um desejo ele se amplia e aparece outro maior e assim sucessivamente. E nós colocamos a culpa no meio. Não posso morar neste bairro, o meu nível melhorou e vai-se aumentando um desejo aí gente! Morri e voltei para contar como é

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O socioeconômico - Até bem pouco tempo as esquerdas brasileiras diziam que os problemas socioeconômicos (desemprego, a miséria etc) é que geram a violência (ainda tem gente pensando assim). Pergunta: Como explicar que o Brasil está em situação de quase pleno emprego e a violência aumentou? E vão dizer que são as drogas. Tá bom. E o que acontece quando um povo tem as suas necessidades básicas satisfeitas como no Japão, Suécia, Holanda, entre outros países, mas o número de suicídios é alto, sem contar o consumo de drogas e medicamentos de controle da ansiedade? O suicídio no Japão e na Alemanha é alarmante. Diga-me: porque o homem quando tem de tudo, materialmente, ainda é insatisfeito, ansioso? O que lhe falta? Explicações materializadas não respondem. Os céticos materialistas falam de ganância pelo poder de uma classe burguesa, como se a classe operária fosse diferente. É risível. O maior desejo de um operário é tornar-se um burguês, no sentido clássico marxista dado a esta palavra. Os últimos programas sociais do Governo Federal mostraram isto. Os financiamentos universitários para as classes mais pobres mostraram que ela, a “classe operária,” tem o desejo de tornar-se burguesa. Um fenômeno interessante expressou-se nos debates desenvolvidos no início do Governo Lula sobre as cotas raciais nas faculdades e no mercado de trabalho. Ao ascender socialmente, muitos negros adotam comportamentos burgueses, que são típicos da raça branca e rica (repito que a conotação dada a esta palavra não é minha, mas dos marxistas). Morri e voltei para contar como é

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Este comportamento não é bem avaliado pela esquerda por que ela desconhece e não se estuda o desejo, mola mestra de tudo que nos move na materialidade. Quem nunca ouviu isto: “O povo nunca está satisfeito.” “É impossível satisfazer o ser humano.” Aliás, uma correção. Quando falo de esquerda não digo da que chegou ao poder. Quem chega ao poder não é mais esquerda ou direita, é o poder. Só entendo estas denominações no exercício da ação partidária. No poder o PT, por exemplo, aprendeu rápido o que é o desejo. Tanto que criou uma série de programas para satisfazer os desejos das massas brasileiras, caso contrário teria caído na chamada crise do “mensalão.” Desejar o Criador - O desejo maior que você tem em você é o de retornar ao Criador. De conhecer e vivenciar a espiritualidade. Quando a sede de conhecimento se esgota (o quarto estágio do desenvolvimento humano) e tudo está satisfeito, sobra um desejo: o que está no Pulsar do seu Coração. Lembra-se do que o Dr. Paul Pearsall constatou em suas pesquisas: “o coração gera um campo eletromagnético de cinco mil milivolts. O coração é capaz de emitir frequências de onda de rádio, e ele fala com o cérebro através de uma substância chamada ANP, Peptídeo Naturético Atrial (Atrial Naturetic Peptide), descoberta no coração. A força eletromagnética do cérebro é cerca de 140 milivolts...” Buda disse que a energia do cérebro é capaz de modificar a matéria. A Universidade de Princeton fez experiências científicas com base nesta premissa e confirmou as palavras do “iluminado.” Agora, imagine. A energia do cérebro é capaz de modificar a matéria e é 35 vezes menor que a do Coração. Façamos a correspondência Morri e voltei para contar como é

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disto em ações de amor e saberemos o poder contido em nosso Pulsar. A gota de azougue – É bom reprisar o que disse a seus discípulos Mestre Gabriel (UDV) sobre a gota de azougue. Ele apenas definiu em palavras simples, para o povo simples ao qual falava o que já manifestaram filósofos, esotéricos, sábios, cabalistas entre outros “professores” da humanidade. O Criador é a grande gota de azougue e nós somos as gotículas menores. Qual é a única “verdade” contida em todas as religiões? A de que um dia retornaremos à casa do pai (Nirvana, Éden, Jardins de Alá, Paraíso, etc). Exato. A grande gota de azougue nos quer de volta, porque um dia nos distanciamos dele em forma e Desejo. (Olha Raul Seixas aí de novo: “porque tudo acaba onde começou”). A nossa energia e essência são as mesmas do Criador, mas em forma e intenção nos tornamos diferentes. É muito comum, em diversos escritos de hoje, alguém dizer que somos uno com Deus. Eu pude Sentir isto quando saí do corpo. O Pulsar do meu Coração não batia nem estava só. O dÊle batia comigo e era o meu e eu era Êle. Certa vez, em Porto Velho (onde morei por cinco anos e meio) eu senti a satisfação plena. Alegria e felicidade não são nada perto disto. Meus olhos se encheram de água. Eu pensei que ia arrebentar como um balão de hélio. Explodir. Não aguentei e tive medo. Pedi para parar. Pedi socorro. Pois bem, tive que quase “morrer,” por quatro horas para poder sentir isto de novo. Através do Pulsar do meu Coração durante as quatro horas fora do corpo, eu estive novamente em satisfação plena. O pleno da Morri e voltei para contar como é

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existência. Hoje sei por que estamos ocultos e distantes dele. Deixamos a eternidade, por causa da ampliação de nosso egoísmo, o desejo de receber. É o que somos. Na materialidade os intelectuais deturpam o verdadeiro sentido das palavras. Egoísta é o que somos. Isto não é ruim ou bom, apenas é. Mas, o exame deste tema responde à pergunta feita antes: por que nunca estamos satisfeitos? Quando temos de tudo ainda queremos mais? Em termos proporcionais, o maior número de suicidas na humanidade vem de povos com condições sociais e econômicas excelentes: os japoneses e os alemães. A excessiva intelectualidade não os permite, ainda, que saibam da existência de todo este desejo no Pulsar do Coração. O desejo maior pelo Criador, o retorno à sua casa, a gota de azougue: o ponto no Coração. Satisfação – Não há na materialidade. Somos um “pote de desejos” e cada vez eles aumentam mais. Hoje um carro bonito, amanhã outro com mais status social ainda. Junto a isto dinheiro e poder e você vai entender os casos de corrupção na sociedade. O homem tende a satisfazer os seus desejos básicos: alimentação, moradia, sexo, dinheiro, poder e conhecimento e o egoísmo o impede de ver a extensão dos seus atos com o objetivo de satisfazê-los. Encurtar o caminho - Bom, se sei que jamais me tornarei satisfeito com o que me oferta a materialidade, então posso encurtar caminho? Claro. Esta foi, e ainda continua sendo, a missão dos grandes profetas: ensinar-nos a encurtar o caminho. Amigo (a) leitor (a), este caminho você terá que fazê-lo (la) quer queira ou não. Morri e voltei para contar como é

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No Reino do Sentir O PULSAR DO MEU CORAÇÃO As emoções e a memória. Somos do Reino do Sentir conforme minha experiência fora do corpo. O Criador nos senti e nós a Ele. Foi o que descobri. E na materialidade? Também funciona assim, como procurei demonstrar através dos animais. A humanidade não trabalha isto muito bem porque não conhece o Sexto Sentido. Na materialidade traduzimos o sentir em emoções. O sentir é um estágio mais elevado. Qual a importância, então, das emoções para a espiritualidade, a evolução? Estamos na materialidade e é aqui que tudo se processa. É aqui que faço o dever de casa, como diz a letra de um repente nordestino: “a vida é uma escola e o mundo é um professor.” Somos regidos pelo Reino do Sentir cuja equivalência na materialidade é a emoção, que se expressa em ações, tem interferência sobre elas e podem gerar doenças e atrocidades. Para completar o meu raciocínio preciso que recorrer aos estudos de um brasileiro. Augusto Cury – É psicanalista e um dos gênios vivos da humanidade (autor, entre outros, do livro Pais Brilhantes, Professores Fascinantes). Ele é considerado a maior revolução da psicanálise depois de Freud. Não sou especialista e vou reportar o Morri e voltei para contar como é

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que aprendi com as teorias de Cury, melhor dizendo o que ele muito bem e didaticamente nos ensina. A ciência desvendou em que guardamos, na materialidade, as nossas memórias: em partículas de moléculas de oxigênio (vamos falar sobre isto mais à frente). Cury, após 20 anos de pesquisas, nos diz como isto funciona através da teoria da Inteligência Multifocal, ou seja, como a memória é acionada. Vou dar o mesmo exemplo de Cury em um de seus livros e tentar explicar. Volte no tempo. No dia em que completou 10 anos de idade, na sua festa de aniversário. Tente lembrar-se da cor da roupa de usava, da cor do sofá da sala, da cor da mesa da cozinha, dos objetos que estavam presentes na mesa do bolo. Provavelmente pouco ou nada se lembrará. Agora, neste mesmo dia do seu 10º aniversário, sentiu alguma emoção forte? Vamos a uma situação fictícia. A nossa personagem tem 30 anos e seu pai não compareceu ao seu 10º aniversário. Assim, a nossa personagem, ao lembra-se do seu 10º aniversário vai priorizar o episódio da ausência do pai. Cury dá a este processo o nome de “gatilho.” Outro exame para entendermos melhor - Um japonês ficou quase quatro minutos sem respirar, dentro de um barril com água no programa do Flávio Cavalcanti há anos (TV Tupi). Um faquir indiano já ficou 103 dias sem comer, somente bebendo água. Isto prova que o ser humano pode ficar por um período razoável sem as principais atividades que o mantém vivo: respirar e comer. Só que o japonês e o faquir indiano não ficaram um milionésimo de segundo sem pensar. O pensar é compulsório. Você Morri e voltei para contar como é

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está agora está lendo este livro e pensando em algo, provavelmente, diferente e/ou complementar ao que lê. Lembrando-se de algum momento marcante? É isto. O pensar é uma dinâmica incontrolável e está sob o Domínio do Criador. Não paramos de pensar nem dormindo. O pensar é o Pulsar da Existência. Para alguns filósofos esta é a prova de que tudo acontece pelo pensamento de Deus, somos o pensamento de Deus em ação, disseram. Quando estive fora do corpo senti as suas mensagens em telepatia. Ele, ao pensar emana a energia do amor, a doação incondicional. O Cury, no entanto, nos diz que o nosso principal registro, ou seja, aquilo que mais damos valor e priorizamos é o que está relacionado às nossas emoções, inversão literal do Reino do Sentir na materialidade. Explica o psicólogo que, como você não pode parar de pensar, os seus arquivos de memória são acionados de forma compulsória. Mas, tem momentos em que ele dispara, melhor pode ser disparado como o gatilho de um revolver faz com a bala. Para Cury, com muita propriedade, a espoleta que detona esta bala é a emoção. Cury continua sua descoberta nos provando que a memória não pode ser “deletada,” usando um termo virtual e atual. Tem gente que fala assim: esquece isto, bola pra frente, apague de sua memória. Impossível. Você jamais apagará os registros que armazena durante a vida. Então, para ajudar pessoas com problemas emocionais, Cury ensina que é preciso reeditar a emoção que dispara o gatilho da Morri e voltei para contar como é

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memória e com isto reeditar, também, a interpretação e a reação sobre o que está arquivado. O perdão - Voltemos ao nosso exemplo fictício. Se a ausência do pai na festa de aniversário é fonte de infelicidade para a personagem, Cury a aconselharia a relembrar, voluntariamente, o episódio e reconstruir toda a emoção que o envolve e reeditá-la. A personagem teria que retomar o momento da festa de aniversário, encontrar as razões para aquele acontecimento e, por exemplo, perdoar se for o caso e/ou conformar-se. Coisas que as religiões ensinam, mas com métodos pouco eficientes. Só assim as pessoas com problemas emocionais graves podem encontrar a cura, garante Cury. Mas, o que isto tem a ver com as temáticas deste bloco do livro? Tudo. Vamos unir as pontas – quando estive fora do corpo eu senti tudo através do Pulsar do meu Coração. E mais, as memórias armazenadas, de acordo com Cury, não podem ser apagadas, esquecidas. Através do Pulsar do meu Coração recebi toda a memória de minhas ações nesta vida, segundo a segundo. Enquanto vivo, nesta encarnação nenhum registro meu pode ser apagado, no Pulsar e em minhas memórias na materialidade. E Cury, o gatilho é o mesmo, lá também, com, uma diferença. Voltemos à minha saída do corpo. Antes de eu ser “julgado” vi numa tela de cinema toda a minha vida. Quais foram as cenas que mais mexeram comigo? Quais as que mais eu realcei, senti, chorei e sofri? Aquelas que, confirmando

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Cury, explodiram dentro de mim pelos registros emocionais que continham e que acionaram os meus gatilhos. Diversos gatilhos de minhas memórias foram disparados naqueles momentos fora do corpo. Os gritos que dei com meus filhos e minha ex-mulher. As movimentações apaixonadas e exacerbadas em diversos temas e assuntos. A minha falta da “linha do meio” ou, como diria Buda, “o caminho do meio.” Todo o meu caminhar, até agora, que foi extremado. Vivi sempre em intensas emoções (ah Roberto Carlos). Amigo Cury, qual a diferença (se me permitem a licença poética)? É que ao serem disparados os gatilhos quando estive fora do corpo o Pulsar do Criador me acolheu. Ele absorveu de mim todo o temor e culpa. Ele me amparou. Ele me disse que tudo era para ser assim, estava no seu propósito. Eu funciono assim. Tudo em mim, para descobrir o que sei agora, só poderia acontecer da forma como foi. Um amigo passou um ano me dizendo a mesma coisa. Ah, senhor, agradeço tudo o que sofri para conhecer-me melhor. E conhecendo-me eu O conheço e através desta troca minha alma se acalma e começo a caminhar pela linha do meio. O quanto agradeço aos amigos Gazel e Iesu que estiveram ao meu lado nesta caminhada. Eles me ajudaram a ver tudo isto. Como precisamos uns dos outros. A fórmula do Cury para que as pessoas encontrem a cura de seus problemas emocionais é mais completa quando temos o Criador em meio a nós. Não se trata, porém, de orar e pedir clemência, misericórdia, para que resolva nossos problemas como num passe de mágica. Morri e voltei para contar como é

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Trata-se de saber como é o seu Domínio sobre nós. O que você considera o mal, a força negativa, o satanás para alguns, é o que realmente o mostra como você é. O que vivi enquanto escrevia este livro é a confirmação de dois filósofos: Platão e Sócrates. A primeira descoberta minha é a confirmação da “teoria da caverna,” (Platão) que diz que o outro é o seu espelho. O outro é quem mostra como você realmente é. Por isto somos seres sociáveis. E a outra fala nos diz: quer saber viver, então “conheça-te a ti mesmo.” E o que é conhecer a ti mesmo? É saber que vivemos, na materialidade, no errôneo reino das emoções porque nos distanciamos do Criador. Ele está oculto de nós e o traduzimos ao invés de senti-lo, conhecermos em sua essência. Outra fórmula é aprender que tudo o envolve por seu Domínio e Ele governa o Reino do Sentir. Então sinta-O, deixe esta bobagem de força negativa, de um agente externo o influenciando e coisa e tal. É Ele. Você é que o percebe de forma errada e se confunde. Está sofrendo? Busque em seu orgulho a razão para isto. Perdas e dor são frutos de suas ações, consequência de suas incompreensões quanto ao propósito do Criador (Paro por aqui e retorno ao tema depois). A memória - A humanidade sempre se perguntou: o que é memória? Onde armazenamos as informações que acumulamos? São bilhões de informações ao dia: cores, sons, cheiros, movimentos, frases, emoções, momentos etc. Qual o local com espaço para tanto? O cérebro? Não. Morri e voltei para contar como é

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Pesquisadores americanos da Universidade de Princeton (EUA) chegaram à seguinte conclusão: as moléculas de oxigênio. Interessante. Quando alguém pergunta a você dois mais dois são? Num bilionésimo de segundo você responde: quatro. Esta informação, de acordo com a ciência, está armazenada numa partícula de uma molécula de oxigênio. Ao ser acionada, o sistema que a contém transmite a informação através da cadeia de neurônios dispostos quase que em linha reta. Eles transferem a informação ao sistema de fala e por estímulos elétricos você responde: quanto é dois mais dois?Quatro. A resposta, quatro, é deslocada de uma molécula de oxigênio, passa pela sequencia de neurônios disposta em fileira e chega ao sistema da fala, é decodificada e expressa. E isto acontece numa velocidade que ainda não foi mensurada. A nossa memória é virtual, como aprendemos recentemente com a internet (Matrix). Não é no cérebro – Li outro dia uma seguidora da “terapia quântica” dizer que a memória se armazena no cérebro. Impossível. Ele não tem espaço. Mas, qual a função do cérebro? Ser, na materialidade, o processador das informações armazenadas, o decodificador. Ele processa o que você armazena no oxigênio em áreas distintas, chamadas lóbulos. Quando sai do corpo vi que no Mundo Espiritual tudo é armazenado no Pulsar, a energia que aciona o universo e nos conecta ao Criador. O Pulsar dá a vida, é a energia que tudo sustenta, satisfaz todas as necessidades: alimenta, comunica, esclarece, é o tempo sem o tempo, a existência plena. Algo impossível de apenas descrever. É preciso vivenciar. Se o Pulsar é Ele prova-se o seu completo Domínio. Morri e voltei para contar como é

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Como é sábio o Criador. Ele é quem, fora da matéria, é o tudo: processa e armazenar tudo o que há na e dá vida. Isto foi necessário porque que a materialidade é efêmera. Imagine todo o registro de uma encarnação se perder porque o cérebro foi danificado. Certo, mas as pessoas sofreram acidentes, danificam o cérebro e ficam sem memória? Claro. Elas perderam o processador. Só que a recuperação de muitos prova que o que armazenamos não fica no cérebro. Está em outra gaveta. O meu caso - Quando sofri o infarto fiquei sem oxigênio no cérebro e perdi, parcialmente, a memória. Meu amigo Iesu foi me visitar eu sabia que ele era uma pessoa conhecida e importante para mim, mas não me lembrei do seu nome durante os minutos de sua visita e meses após minha alta. Hoje sei que meu cérebro, com o infarto, perdeu oxigenação e com isto parte de minhas memórias. No entanto, oxigenando o cérebro a memória ficou intacta e se ampliou com os tratamentos que fiz à base de plantas medicinais. Assim, percebo que na materialidade todas as energias e funções que regem o universo têm a sua equivalência de forma, com energia e, consequente sustentabilidade de suas ações que emanam do Mundo Espiritual, do Pulsar. A materialidade reproduz o mundo espiritual. Não pode ser o contrário. Se o Tudo, o Criador¸ criou-nos então ele veio primeiro e dEle tudo veio. Como as suas leis podem ter surgido depois? Não há lógica em projetar a vida materializada no Mundo Espiritual. É o

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contrário. As leis criadas lá regem a matéria, se consolidam na matéria para a sua existência, o seu funcionamento. Quer outro exemplo? A Lei da Gravidade. Todos os corpos necessitam de ponto de equilíbrio, o pêndulo já citado antes. Esta lei age como um ímã sobre os corpos materiais. No Mundo Espiritual ela também age. Ele é o ímã, a grande gota de azougue que nos puxa para si através da força do desejo. Nós o desejamos o tempo todo, consciente ou inconscientemente. Assim, fora do corpo em sentia uma atração irresistível a um ponto que, ao mesmo tempo, era a minha referência de equilíbrio naquele ambiente, se é que posso chamar assim. Dimensão - A diferença é que na materialidade temos dimensões e formas diferentes para as coisas e objetos e nossas referências são relativas (relatividade) porque sinto as coisas e os objetos fora de mim. Fora do corpo não, tudo é um só. Não existe nada além de você e o Criador. Nada, absolutamente nada. Céu, inferno, purgatório, filhos, mãe, sociabilidade espiritual, lugares como na materialidade para nos encontrarmos, nos revermos. O propósito da materialidade se encerra nela mesma. Nossa vida na materialidade, apesar de sua grande importância porque é o palco aonde exercitamos o nosso aprendizado (fazemos o dever de casa), é descartável. Exatamente. Toda esta beleza, este planeta inteiro é efêmero. A sua vida vivida agora se esvai quando você desencarna. Fica em você o que aprendeu, o que o levou à evolução. Tudo nos faz evoluir.

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Ei, mas você está sendo incoerente e nos disse que a sua vida em uma tela e que tudo está armazenado? Sim, a memória desta vida, desta encarnação. Eu pulso ao viver. Eu sou um pulsar que tem a sua maior força e tradução de ação no meu Coração. Ele, o Criador, é o pulsar de tudo, o universo. Assim, enquanto pulsamos, nós e Ele, estamos conectados e fazemos o universo funcionar. Na materialidade cada uma nós é um universo. Olhe para o funcionamento do seu corpo. “Zilhões” de células. Bilhões de agentes e reagentes trabalhando o tempo todo. Hormônios, ácidos, compostos químicos dos mais variados. Glicose, sacarose, bílis, funções nefrológicas. Sabia que a cada banho você perde um número incontável de células, que são repostas imediatamente?! Sabia que você não tem a sua cor? Engraçado não?! A melanina é produzida diariamente e repõe a sua cor, desgastada por seu consumo de energia diário. O que é a doença do vitiligo? É a não reposição da melanina. Ora se o seu fígado não a repuser você fica branquinho como o Michael Jackson. O que isto significa? Que você é incompleto e se faz e refaz todos os dias, minutos, segundos. Você pulsa o tempo todo. Só que na materialidade existe um princípio, meio e fim para tudo. Faz parte da existência como instrumento de aprendizado. A cada ano na escola você acumula o que aprendeu e isto serve apenas de escada para evoluir no aprendizado. Aquilo que você aprendeu no primeiro ano do segundo grau, por exemplo, será escada para o segundo ano, mas a maior parte do que foi aprendido será descartado.

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A espiritualidade também é assim. O que aprendemos aqui numa vida ao desencarnar passou, se foi. Na próxima vida se renova o processo e o que aprendeu vem consigo, está registrado no seu pulsar, servindo de orientação à nova vida. Isto explica muita coisa, não? A gente não diz assim: “isto é da pessoa, é dela, nasceu com ela.” Desde pequeno meu filho Ranniel manifesta interesse por astronomia. Algo incomum na sua idade e época (11 anos). Minha filha Luanaluz está dentro dos padrões, quer ser celebridade: artista. O interesse que Ranniel demonstra por astronomia é dele, já veio com ele de outra encarnação, eu em nada estimulo, critico, falo (é um dos absurdos que os pais cometem ao passarem aos filhos os seus projetos e planos). Se ele vai evoluir isto ou não é outra história. O registro da memória – você é o que é como foi criado. Os seus registros na vida são automáticos. Mas, nós, na materialidade privilegiamos o que chamamos de negativo. Faz parte de nossa construção. Eu, por exemplo, fiquei mais de um ano sofrendo e chorando minhas perdas no final de 2010, além de enorme complexo de culpa por tudo o que aconteceu. É, mas eu também tive momentos felizes como o nascimento de meus três filhos, minhas conquistas pessoais e/ou profissionais. As “paixões,” os beijos que dei e os orgasmos que tive e que proporcionei. Os bons registros emocionais também disparam o gatilho da memória. O problema é que sempre realçamos o negativo, principalmente pelo que provoca em nós. Doença e emocional - Com isto verificamos o porquê as pessoas, em sua grande maioria, estão doentes a partir do emocional. Faz parte de nossa construção na materialidade se interessar pelo que é negativo. Morri e voltei para contar como é

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Dou dois exemplos: intelectuais culpam a TV por exibir programas (jornalísticos especialmente) de conteúdo negativo e forte. O problema é que exibir novelas com conteúdo intelectual não dá Ibope, a exemplo de O Casarão, que teve ser concluída antes do prazo pela Rede Globo. Mas, quando se expõe problemas, crimes, corrupção entre outros temas do nível a audiência aumenta. Outro exemplo é o de uma grande rede de supermercado americana. Ela descobriu que, quando é bem atendido, um cliente conta para quatro amigos seus. Quando o atendimento não é bom ele espalha para até oito pessoas. Uma vez a rainha da Inglaterra reclamou que os jornais britânicos só davam notícias ruins. Eles estamparam na capa 10 boas notícias e escreveram “desculpem-nos rainha, nós não criamos os fatos só os noticiamos.” O resto da edição foi só porcaria. É assim que somos. Temos no Coração todo o Pulsar do amor divino, mas, especialmente no Brasil, os ataques cardíacos estão em segundo lugar em causa de mortes, depois dos crimes de homicídio. Isto por que carregamos nas emoções, somos intensos e pela via do que chamamos de negativo, a do sofrimento. Em recente entrevista a uma revista de “celebridades” um ator português disse: “tudo no Brasil é muito intenso.” Como a nossa maior intensidade é para os sentimentos negativos: ansiedade, preocupação, mágoas e rancores, nós registramos altos índices de infarto. O meu caso - Ao retornar de Porto Velho, em 2003, com R$ 500,00 no bolso, aos 42 anos, e com o mundo ruindo sob os meus pés, não resisti aos problemas advindos de tal situação. Não comia carnes Morri e voltei para contar como é

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vermelhas há um ano, caminhava todos os dias, me alimentava bem e natural. Mas andar de um lado para o outro pelos corredores do Mercado Central de BH enrolando os cabelos de tanta preocupação, óbvio, não poderia me fazer bem. O infarto que me acometeu teve tanta origem no emocional que saí da Santa Casa, depois de quase desencarnar, apenas com a receita de um AAS por dia e sinvastatina, nada mais. Fora do corpo conheci o Reino do Sentir e na materialidade aprendi que estamos no reino das emoções desenfreadas. Roberto Carlos vive repetindo e com razão: “são tantas emoções.” Elas são fortes e influenciam o nosso caminhar porque não conhecemos o Reino do Sentir, a espiritualidade, motivo pela qual a humanidade tanto sofre. Aqui as emoções dominam e, sem correção dos desejos, influenciando negativamente o Coração dominando-nos e levando-nos a atos impensados. Não me culpo mais, por que esta não é solução. O grosso fui teve a razão de ser na doença emocional que contrai a partir de problemas insolúveis a meu ver. Gritava descontroladamente. Não me via e não aceitava que precisava de ajuda. Só quero reparação de uma coisa. Nunca bati na minha ex-mulher como me acusou no processo que abriu contra mim com base na Lei Maria da Penha. Pois bem leitor (a). Espero ter contribuído para melhor compreensão destes dois temas: memória e as emoções. Cuide das suas.

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No Reino do Sentir O PULSAR DO MEU CORAÇÃO A força negativa “A vida é uma escola e o mundo é o professor.” Os versos são de um repente nordestino cantado por Caju e Castanha, que já citei antes. O mundo é o Criador, não? Tudo o que nele há é provido por Deus. Nós não criamos nada, apenas forjamos, adaptamos, modificamos o que Ele nos doa. Aí fica a pergunta: Ele tudo nos doa para o que? O que Ele quer de nós? Adoração, como dizem alguns? E Ele faz o que com isto? Deus é vaidoso? Tem necessidade de criar-nos inferior a Ele só para adorá-lo? Esquisito, não? Desconfio. O objetivo de nossa criação é ainda um mistério, mas uma coisa é certa quer Ele quer se doar a nós, Ele se doa o tempo todo e penso que quer que aprendamos isto. É mais lógico e Deus é lógico. Todas as religiões dizem que vamos nos religar a Ele retornar à casa do pai e que, para isto, temos que estar limpos, puros, sem máculas. O refrão citado é ótimo, porque é na materialidade que se dá o processo do nosso aprendizado, o mundo, o Criador, o nosso professor. Aceitando a tese, vem outra pergunta: e o que quer o professor, qual é o seu objetivo final? Qual a maior satisfação de todo professor? Sua mãe é a sua primeira professora (o mesmo vale para seu pai). Qual a satisfação dela (e), ao final década ensino? Que você aprenda, cresça, evolua. Então a fórmula para o aprendizado é Morri e voltei para contar como é

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menos importante? Sim, desde que o exame não se dê pela ótica da materialidade. É claro que ninguém está defendendo aqui que a mãe (ou o pai) arrebente seu filho de pancada para que ele aprenda algo e isto é o que importa. Mas, o pai deve conhecer o filho e orientá-lo como melhor ele recebe a orientação (por isto as palmadas que minha me deu foram acertadas kkkkk). Para mim assim age o Criador. Ele envia-nos emissários para ensinar o amor. Leia a série de livros Análise da Inteligência de Jesus Cristo, de Augusto Cury que entenderá o que falo. Ele, através do Sexto Sentido, se comunica conosco e nos orienta. Quando não funciona determina a um amigo (a), vizinho (a), até uma pessoa estranha na rua, para trazer a palavra certa. E, na maioria das vezes, não atendemos, não aprendemos. Aí, meu irmão, o pau canta e o sofrimento é certo. Só que, mesmo assim, é para o nosso bem. Nas redes sociais (especialmente o Facebook) as pessoas postam frases assim: “quando Deus te tira algo ele não o está punindo, mas ensinando-o.” Tem mais: “Deus, quanto tira algo de você é para valorizar o que perdeu e Ele o dará em dobro.” Estas mensagens estão próximas da história de Jó. Aposto que a maioria das pessoas que as escrevem esbraveja quando sofrem. E porque isto acontece? Pelo que sei, hoje, é porque não entendemos o propósito do Criador e não aceitamos como Ele age sobre nós. Nós fomos criados para o prazer. Ora se o que sinto não me dá prazer então eu o rejeito. E se não me dá prazer então não vem de Deus, Uma conclusão errada. Então vem de quem? De onde? Para

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esta resposta criamos, ou criaram para nós, algumas figuras: satanás, a força negativa etc. Quando sai do corpo sentia apenas duas energias: a do Criador e a minha. Ei, e aquele que veio ao seu encontro? Lembra que eu disse que não dava para defini-lo? É porque era uma projeção de minhas referências. O Criador se comunica conosco da forma como aceitamos. Só que, ao final, soube que tudo vinha dEle e era a forma de comunicação dEle. Então, você quer dizer que o sofrimento vem dEle? As guerras, as doenças, os martírios da humanidade? Sim, para mim, o sofrimento que sentimos é Ele quem proporciona. Ôpa, cadê camisa de força, o cara endoidou de vez! Um Pai promovendo dor e sofrimento em seus filhos, em sua criação. Não. Quem faz isto somos nós, por causa da nossa percepção da realidade. Ele me ensina e quer que eu aprenda, mas eu não aprendo pelo amor. Fica para Ele apenas um caminho, o da dor. Se você concorda, eu disse lá atrás que o objetivo final do professor é o resultado? Ok? O professor nos envia mensageiros e eles nos ensinam o amor, a prática do bem. Falam de amar ao próximo como a nós mesmos. Ok? E nós aprendemos? Estamos praticando? A cada dia quando você liga a TV e lê os jornais o que mais tem? O jornal Super, de BH, é o mais vendido no país. Qual a sua linha editorial: sangue, futebol e mulher gostosa na capa. Quem define esta linha editorial? O dono do jornal? Não, o povo. Primeiro porque proporciona farto material para ser noticiado e segundo porque prestigia o que é negativo. Morri e voltei para contar como é

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Campanhas educativas - Durante o governo Médice (1970) o Brasil ganhou prêmios internacionais com campanhas de educação para o trânsito. Lembra-se: Não corra. Não mate. Não morra. Éramos os campeões mundiais de mortes em acidentes no trânsito. Hoje, 42 anos depois, continuamos os mesmos campões em mortes e milhares de dólares a menos em investimentos que se tornaram inúteis. E isto e não é privilégio nosso. Na Europa a Espanha era a primeira nação em mortes no trânsito. Na década de 1990 o governo adotou uma legislação rígida. Se o radar o detectar em alta velocidade numa rodovia espanhola você paga multa e é preso por até 30 dias, sem habeas corpus. Hoje a Espanha é um dos países que registra menos acidentes e mortes no trânsito em toda a Europa. E vocês acham que com o Criador é diferente? A realidade do que somos – Eu já citei que Ele nos envia mensagens por diversos meios, principalmente os que você aceita. Assim, vamos à análise de um capítulo da série Jornadas nas Estrelas "The Enemy Within" (O inimigo interior). O título é genial. O nosso maior inimigo é o inimigo interior. No episódio o capitão Kirk é dividido em dois. O conflito que se segue é o da nave ter dois capitães, um bom e outro com características do que chamamos negativo. O Kirk positivo é benevolente, passivo, mas não tem iniciativa. O Kirk negativo é impulsivo, emotivo, provocante e detentor do leme, rege as ações. A personagem Spock muito bem analisa as duas personalidades contidas em cada um de nós. Não é interessante? Ele é uma personagem que não tem emoções. Ele diz assim: A aquilo que consideramos mal é o que nos impulsiona, nos move. Mas, se Morri e voltei para contar como é

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aceito que todos os movimentos são do Criador então não existe o negativo. Já falei antes, mas é bom reforçar. O capitão Kirk bonzinho quase perde o comando da nave. Diz Spock: “o seu lado negativo, sob controle, é o que o faz forte e único no comando da nave.” (mais ou menos assim). Mas, de que me serve analisar isto agora? Porque se Ele tudo Domina, recompõe tudo no final, então ele move em mim o que sou o que tenho em mim. O capítulo é tão perfeito nesta análise que, ao final, o Kirk negativo aceita, de volta, ser parte do positivo. Ele não tem outra opção. Fica óbvio que o que chamamos de negativo é utilizado pelo Criador como instrumento da nossa evolução. Ele quer que eu cresça, evolua, retorne para Ele. Conceder esta missão a um ser negativo é inverter tudo, porque afinal terei que considerar que este ser é que quer o meu bem. Incoerente. Vou dar um exemplo meu. Inveja – As pessoas e algumas lideranças orientam a gente assim: não seja invejoso. Isto vai te fazer mal. É a força negativa atuando em você. Um dos sete pecados capitais. Eu senti, por muitos anos, inveja da liderança que um grande amigo exercia sobre um grupo de pessoas de nosso convívio (não revelo o nome para poupar-lhe). Ao longo de anos de convivência sentia que era tal sentimento era absurdo. Queria ser como ele, um líder, mas não desfrutava dos mesmos atributos. Ficou doido, de novo? Qual o ponto positivo nisto? Primeiro: o exercício da sinceridade para comigo. Negar o que sinto é mentir para mim mesmo. Exato. A negação do que e como somos, ou Morri e voltei para contar como é

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estamos, é ingenuidade, uma vez que a verdade é uma força divina, superior. Por isto, a inveja que sentia foi o melhor instrumento de minha correção e não as palavras chavões e bonitinhas que ouvia. A inveja me acionava. Ela me fazia pensar, refletir. Ela me cutucava o tempo todo e eu, incomodado com aquilo, procurava as razões de sua existência em mim. Quando você descobre as origens de algo ruim em você pode reeditá-lo, como orienta o Cury. O sentimento negativo é perturbador e nos leva a questionar-nos. Prestar atenção neles é uma chave que pode levar a solução do problema. Negá-los é mantê-los em cativeiro, mas a chave deste cativeiro é frágil e você, cedo ou tarde, pode revelar-se pior do que antes. O Capitão Kirk negativo que temos em nós é provocador. Questiona e é questionado. Aguça, pergunta e toda pergunta tem a missão de encontrar uma resposta. Não disse que as mensagens corretas estão em todo o lugar o que é preciso é a leitura correta? Brincam comigo me chamando de doido porque ando pelas ruas conversando sozinho. Só que, na maioria das vezes, era este tipo de conversa que tinha, sobre as minhas falhas, a minha negatividade. Pois bem, somos assim. E como o Criador sabe disto ele usa o seu Domínio sobre tudo o que há todas as forças e energias, e nos move através do que somos, do que temos em nós. Por isto, entendo eu, que todos os movimentos que chamamos de negativo vêm dEle. São provocados por Ele para que, no final aprendamos que é o que verdadeiramente importa. Aí, quando você aprende ele recompõe o que você perdeu ou te dá algo adiante, não vou dizer melhor, mas que será igualmente bom para você. Morri e voltei para contar como é

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Ao Criador importa o resultado – Quem já não ouviu a frase: “fiquei cego e nada vi. Só vi o que fiz depois que tudo passou?” Para quem acredita que a outra força ou o satanás pode fazer isto, siga em frente. Para mim não. O que importa a quem tudo Domina é o resultado. E Ele tudo domina, por isto, tudo pode recompor. A história de Jó se não for entendida assim é mentirosa. Amigo (a), se eu posso recompor tudo, porque eu tenho o Domínio sobre tudo, então o que me interessa é o aprendizado: a eternidade. O sofrimento que você passou em meia hora, um dia, cinco dias, como foi o meu caso, não é nada se comparado com a eternidade. A civilização humana, dizem, tem 15 mil anos. O que é um dia perto de 15 mil anos. Porque você está ligado no momento? – A gente se liga no momento e não no resultado. Em todos os casos que já relatei como jornalista e ouvi de relatos pessoais, as horas de angústia e sofrimento foram convertidas em felicidade, reconhecimento, futuro prazer pelo “dever cumprido.” E as matérias de TV sobre recuperação de presos? Não é legal ver as pessoas declarando que “comeram o pão que o diabo amassou na cadeia, mas estão recuperadas e pagaram suas dívidas com a sociedade.” O que é mais importante? O sofrimento vivido na cadeia pela pessoa do exemplo acima ou a correção de seu comportamento, a civilidade? Agora me diga com toda sinceridade: se você me visse assim, um homem, aos 51 anos de idade, chorando dia e noite pelos erros Morri e voltei para contar como é

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que cometeu, não daria vontade de me dar uns tapas? Balançou a cabeça dizendo sim, hem?! Então, foi o que Ele fez. Falando de mim (Falo de mim para não falar dos outros). Quando concluía este livro, no mês de abril me arvorei a sabedor, me exaltei. Pensei estar preparado para levá-lo a público e debater tais ideias. Um dia algumas coincidências (que não existem) acontecem. Recebo uma mensagem no meu email informando que uma pessoa tinha criado uma página no Facebook. Olha, já começa por aí. Você recebe mensagem todo dia informando quem está abrindo página em rede social? Meu imaginário me disse que era um “sinal.” Passei a abrir esta página todos os dias e conclui tudo errado. Respondendo a um processo com base na Lei Maria da Penha, pensei ter sido vítima de uma trama: fantasiei. Passei a agir de forma desenfreada, pensando estar me defendendo. Destilei raiva, ódio, mágoa, rancor, desespero, ciúmes etc. Mandei cartas, publiquei coisas na internet, e enviei mensagens. Três dias de ações ininterruptas. Um amigo me alertou e fui grosso com ele ao telefone (olha o Criador enviando auxílio). Todo cheio de razões fui e fiz o que fiz. De madrugada, após o terceiro dia a ficha caiu e disparei mensagens pedindo perdão e me desculpando. Passei dois dias andando pelo bairro onde moro desorientado. Emagreci cinco quilos e meio em cinco dias (não receito esta dieta pra ninguém. kkkkkkk). O sofrimento comeu solto. Alguns podem definir que o satanás e/ou a força negativa tinham me induzido aos atos que pratiquei. Besteira. Foi uma força Morri e voltei para contar como é

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negativa sim. Mas estava em mim, acionada para a minha evolução, para o meu aprendizado. Sim. Digo sem receio das críticas. Só existimos Eu e o Criador na minha existência, assim como na sua. Fui cegado e, pelo erro, senti como deve ser e como devo agir (ou como não se deve agir nunca). Entende agora o objetivo final do professor. Vê como ele é mais importante? Eu, ao longo da vida, recebi todos os ensinos que um homem pode e precisa receber no limite de minhas compreensões. Conheci por uma vizinha a história de amor da São Francisco de Assis. Acessei as obras de Augusto Cury, de Louis Hay, Sogyal Rinpoche, Deepack Choppra e mais ainda com o trabalho de raizeiro. E o que fiz com tudo isto?! Durante algum tempo evolui o meu aprendizado, mas a teimosia era mais forte do que todos os aconselhamentos e ensinos. Adelcia, uma amiga, disse-me uma vez: “O que acontece com você? Inteligente você é. Porque não se controla e faz a coisa certa” Tinha inteligência racional, mas a emocional era zero. Aí vem o Criador e me dá logo uma “porrada.” Agora terei que passar por medidas de correção porque meus atos foram relatados à Justiça dentro do processo que respondo e o juiz não vai perdoar tamanha besteira (O MP já não perdoou). No meu caso, eu aprendi e me vi. Acordei. Minha ficha caiu. Desde este episódio que durmo bem e expurguei o que mais acabou comigo em 2011: a autocomiseração. Ao invés de levantar a cabeça,

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sacudir a poeira e dar a volta cima, resgatar-me, fiquei chorando as perdas que tive. Comendo a própria carne – Uma frase me acordou: “você está comendo a própria carne.” É a mesma coisa que autocomiseração, mas faz um efeito diferente na gente. Parei de comer a própria carne e resolvi registrar isto nestes relatos, modificando até os rumos deste livro. Achei necessário, apesar de muito devassar a minha. Eu disse que me vi com o episódio. O orgulho ferido, arrogância, ciúmes, inveja, mágoa, ira e rancor. Tudo isto?! Sim. E porque foi importante eu ver isto? Porque se não aprendemos como somos não chegamos à correção. O mal e se revela em nós. Agora digo assim: amigo (a) o que acontece a você faz o efeito de espelho. Quando bater o ódio por alguém, pare, estude a si mesmo. Reverta-o a você. Vai aqui uma frase de um guru indiano: odiar alguém é o mesmo que você beber veneno e querer que ele morra. Os sentimentos negativos são produzidos por nós. Estão em nós. Lembra-se do episódio do meu “julgamento.” Só eu posso julgar-me e sentenciar-me, porque só eu produzo tudo o que há em mim, seja bom ou ruim. E o que o Criador faz? Ele tem o Domínio e por isto aflora em mim o que tenho. A gente explode de emoções desenfreadas e age. É por isto que o livre arbítrio não existe. O Domínio do Criador é tudo pelo Reino do Sentir. Até seus pensamentos são emanados dEle. Somos apenas marionetes no jogo da existência.

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Assim Ele mexe com a gente e faz a gente se ver. Eu estava recheado de ciúmes, mágoas, rancor, raiva, então como poderia ser diferente. O que Ele promoveria em mim do mais puro amor se eu não o tinha para oferecer. A vergonha - Eu tenho o Criador em mim por sua doação, sou a gota de azougue. E tenho o satanás, a força negativa por “vergonha,” por opção. Isto mesmo. A “vergonha” diante da incompreensão de seus atos me distanciou dEle e de suas ações em mim. Mas, suas leis é que me fazem agir e pensar assim, e o resultado é devastador, negativo, que gera doença, sofrimentos etc. Pensam que vamos resolver isto com frases feitas, chavões? Não é produtivo. Ficaremos como enceradeira, rodando no mesmo lugar. Há uma força que nos faz desejar tudo para nós mesmos e ela é utilizada para que nos vejamos. O meu espelho é o outro - Ei, sabe quem pode me ajudar? Você? Sim, o outro, o irmão é por isto que somos sociáveis. Fomos criados assim. Eu preciso de você para me ver e você de mim. No caso revelado por mim, quem me fez ver quem eu sou: ela. Depois deste episódio entendi a frase dita por meu amigo Nelson: ela é o melhor presente que Deus te deu. Ela me provocava ciúmes, desejo de controle e poder, revelava a minha insegurança etc. Como não sabia fazer a leitura correta, sofria. Platão estava certo com a sua teoria da caverna. O outro (o irmão, o amigo, o pai, a mãe, a professora, os políticos, as celebridades, etc) é quem nos mostrar quem e como somos.

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Cada pessoa constrói a própria percepção da realidade e o Criador sabe disto. Muitos já sabem do que falo. Outros terão que passar pelo passei. Aliás, isto acontece todos os dias. Você, leitor (a) passa por algum tipo de sofrimento? Qual a leitura que faz? Reconhece-se no episódio? E mais, entende porque errou? Se você não consegue isto, então fatalmente encontrará uma resposta fora, do tipo satanás ou a força negativa. O domínio do Criador, de novo - O que interessa é o resultado. O que passei mostrou-me como domina o Criador. Somos cegados em nossas ações e quando acordamos nos sentimos mais, nos conhecemos melhor. Pois bem fui eu quem fez o que fiz e vou responder judicialmente. Assim digo que o resultado é o que me interessa. Pago por meus erros com a boca mais doce deste mundo. Prefiro ter errado e aprendido a manter-me no engano. Foi uma força negativa sim que me fez agir como agi, mas que está em mim e conhecendo-a posso eliminá-la. Ah, que delícia! Agora começo, na prática, a engatinhar na sabedoria que Sócrates deixou-nos há mais de três mil anos: “conheça-te a ti mesmo.” Hoje, estou em paz. Deixei de comer a própria carne e retirei de mim os flagelos do complexo de culpa que me atormentavam. Colho o fruto do Domínio do Criador sobre mim. Ele não me fez nenhum mal e nem me fez fazer nenhum mal. Suas leis imutáveis acionaram em mim o que sou e o que de pior tenho (melhor, tinha) em mim.

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A reação ao teste é o que importa. Caiu a ficha e pedi perdão a quem foi atingido com o que fiz. Ele acionou o que de ruim há (havia) em mim porque sabe com sou. Ele confiou que eu veria tudo no final, que evoluiria. Agora sei que não sou o “o coco do cavalo do bandido” que pensava ser. Ele confiou em mim e isto, como na propaganda, “não tem preço.” Ei, a força negativa pode fazer isto? Ela teria este interesse? Ela poderia me recompor, como estou? Se sua essência é me prejudicar, como poderia resultar em mim algo tão bom? Ah, mas ela prejudica e o Criador te reconstitui. Que sacana hem?! Ele Deus pai todo poderoso, nos cria frágil e alguém para nos sacanear e depois vem para nos salvar. E mais, ainda temos que implorar por isto, como dizem os evangélicos e católicos radicais. Este Deus eu não sigo. O meu é puro amor em doação incondicional. Se sofrer é porque crio o sofrimento, uma vez que não entendo como Ele age. E mesmo assim, é assim que Ele quer, foi assim que me criou. Este é o seu propósito. Por isto que ao sair do corpo senti o seu amparo, o seu bálsamo. Ele é tudo e tudo finda nele. E na materialidade o tudo sou eu e tudo passa por mim, sob o seu Domínio. Isto para mim é conclusivo. Somos egoístas - Sou egoísta sim e isto não é bom nem mau, apenas é. E você também o é, e vou provar que todos são. E saber que sou egoísta já é uma grande vantagem. Você já percebeu que todas as suas ações lhe dão prazer? Na rua uma pessoa pede orientação de como encontrar um endereço. Você para, mostra e segue o seu caminho. Notou que você sentiu um enorme prazer neste ato? Rejubilou-se com a ação de ajudar uma pessoa. Sentiu aquele frio na barriga de satisfação. É isto. Ah, mas isto não é egoísmo, afinal eu ajudei a alguém? Se me perguntou, mentalmente, é porque está com Morri e voltei para contar como é

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o entendimento errado da palavra egoísmo (ah a intelectualidade bagunça tudo). Dizem que egoísmo é a ação de uma pessoa para beneficiar a si própria. Como só existem duas grandes forças no universo: o desejo de doar, Deus, e o desejo de receber, nós, tudo nos retorna em forma de prazer. É assim o tempo todo. Agora, o dia que você fizer algo por alguém e não sentir prazer nenhum nisto, volte a falar comigo, tá! Ah, ligue-me de novo quando você der um presente ao seu filho, namorada, mãe, pai e nada sentir, prazer nenhum. A sua escolha sempre lhe dá prazer. Estou esperando a ligação de quem me provar o contrário.

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No Reino do Sentir O PULSAR DO MEU CORAÇÃO A nossa forma Acredito que todo espiritualista deve se perguntar: qual é a forma do espírito? Por onde passei esta pergunta era recorrente. Toda vez que conto a minha história alguém pergunta e como é o espírito, a sua forma, cor etc. Este tema para mim, hoje, não tem tanta importância. Outra coisa que já respondo: eu não via mãe de ninguém e isto não existe. Quem desencarnou encontra-se com a energia divina e espera o seu retorno, amparado pelo Pulsar do Criador. É só. Do que senti fora do corpo sei que tudo tem uma tradução do Mundo Espiritual para a materialidade, uma equivalência de forma em essência e energia. A forma pertence apenas à materialidade. Fora do corpo tudo é e energia e luz. Uma só energia, a dEle. Com a compreensão do que escrevi acima já respondi parte da pergunta. A gota de azougue é uma parte do Criador e Ele é pura energia, então também o somos energia e luz. E na matéria? A explicação que encontrei não fala, propriamente, de uma forma para o espírito. Com isto eu não compreendo alguns escritos de Chico Xavier e outros espíritas. Eles projetam a materialidade na espiritualidade, transmitindo concepções de nossa percepção material para o Mundo Espiritual. Suas orientações básicas nos são benéficas, mas poderiam Morri e voltei para contar como é

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nos ajudar mais se mostrassem o Mundo Espiritual como ele realmente é. Tentarei traduzir o que senti fora do corpo para o correspondente na materialidade. Primeiro: é preciso algo que permita a livre transmissão das energias. Fora do corpo tudo é uma energia só, límpida, fluídica e evoluída. Na materialidade as energias são condensadas, então preciso de espaço livre para a sua transmissão de um corpo a outro, de um objeto a outro. Quem proporciona isto? O oxigênio. A importância do oxigênio para o corpo humano – Além da memória, como explicamos antes, o oxigênio está presente em todos os aspectos da existência humana. Toda a essência da nossa existência materializada passa por ele. Aprendemos que não há vida sem água. Perfeito. Nós e o planeta Terra somos compostos de 73% de água. Existem alimentos que chegam a ter 98% de água em sua composição. Mas o que é água? Qual a sua fórmula? H2O. Duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio que unidas existem em estado liquido. O hidrogênio é energia pura e o oxigênio é que nos sustenta na combustão e tudo o mais. Raizeiros – Os raizeiros sabem como trabalhar o oxigênio em tratamentos. Todas as fórmulas de garrafadas que aprendi contem plantas depurativas do sangue. O segredo é: Duas ou três (até mais) plantas anti-inflamatórias combinadas com uma planta depurativa do sangue. A melhor delas, para mim, é o nosso chapéu-de-couro.

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Qual a explicação para esta fórmula? As plantas consideradas anti-inflamatórias nada mais são que vitaminas para os anticorpos, os agentes que combatem os causadores das doenças. Qual a diferença entre o que propõe a ciência alopática e a natural? O cientista pesquisa uma droga (daí o nome drogaria) para matar o que está te matando. A maior parte das doenças é provocada por agentes externos que prejudicam o corpo: vírus, bactérias, germes, protozoários etc. Assim, você ingere um “veneno ou droga” para matar o agente (que é um ser vivo) que provoca a doença. E o que propõe o natural?! Você nasceu com suas defesas. O corpo humano é perfeito (imperfeito é o recheio kkkkkk). Ele contém todo o sistema de defesa necessário a combater qualquer doença (vejam os índios em equilíbrio com a natureza). Mas você o desequilibrou, o enfraqueceu. O tratamento natural é nada mais nada menos que vitaminas, sais minerais e a purificação do sangue para que os seus anticorpos possam combater, melhor dizendo, expulsar o que está te matando. E o que tudo isto tem a ver com o que estávamos falando antes?! É que, na cura do homem, para uma saúde perfeita, é preciso purificar seu sangue, oxigená-lo. A boa oxigenação do sangue melhora o transporte dos princípios anti-inflamatórios até as células e fortalece os anticorpos, alimenta-os, e estes combatem o agressor. Em Porto Velho alguns homens me procuravam com problemas de ereção e pediam as famosas garrafadas de Catuaba, Marapuama, Guaraná etc. Às vezes eu cometia uma “mentira branca.” Fazia a garrafadas apenas com depurativos do sangue e dizia que tinham todas aquelas plantas. O que interessa é que fazia Morri e voltei para contar como é

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efeito, porque “o cabra” precisava era limpar o sangue para retomar e/ou manter a ereção. Cara, mas o que isto tem a ver com a forma do espírito? O oxigênio limpo representa quase todas as boas expressões do homem. A pessoa fica mais feliz, a sexualidade melhora e a memória fica intacta. O que pode habitar um corpo materializado, fechado e denso, transitar e transmitir por todo ele registrando tudo e ofertando saúde? Não poderia nunca ser uma energia densa, porque dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Entre outras conclusões, pergunto amigo leitor: o que pode transmitir-nos todas as emoções, memórias e informações armazenadas em sua vida? O oxigênio. Qual elemento nos proporciona alegria, prazer, vitalidade para uma vida saudável? O oxigênio. De qual elemento dependemos para combater uma doença? Que deve estar limpo dentro de nós, sem radicais livres, para que possamos nos manter jovens e saudáveis? O oxigênio. Qual é o elemento de combustão da vida? O oxigênio. Explicando melhor - Em seu corpo existem duas formas de transitar o oxigênio. Através da água, via corrente sanguinea, que vai ao cérebro, coração e todos os órgãos (75% do total). A outra via é a respiratória (25%). Quem também tem sua função junto ao cérebro, mas sua principal ação é a combustão nos pulmões. Exato. A sua energia propulsora, amigo, é a combustão, a mesma que move o carro, que foi criado com base no funcionamento do corpo humano. Quer dizer, o oxigênio tem função primordial em Morri e voltei para contar como é

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tudo. Ele faz de tudo em nós. Todos os alimentos que ingerimos têm água para trazer até nós o oxigênio. A expressão máquina humana é comumente usada pela imprensa, porque somos uma máquina. Consumimos e emanamos energias. Depositamos em nossa própria atmosfera o gás carbônico que é resultado de nossa respiração e do processo de combustão que promovemos em nossos pulmões. Nossa energia motora é a combustão. Somos como um carro. O combustível é para a energia de combustão, queimada no interior do motor e que faz o carro andar. Mas não adianta o carro está com o tanque cheio se não tiver energia elétrica para acionar o motor. Você é a assim. Então, amigo leitor, esta é a minha conclusão - A forma do espírito, a sua essência na materialidade, é o oxigênio, em estado gasoso. É por isto que está dito na Bíblia e “Deus deu-lhe o sopro da vida.” Nos ensinos hindus temos que no início “de tudo as águas se movimentaram no mundo espiritual para realizar, pela vontade de Khrisna, a criação.” O oxigênio está em todo o lugar. Ele está nas plantas, na forma da água. Ele é o que promove a combustão, portanto está presente no quarto elemento, o fogo, o mais transformador de todos os elementos. Todas as “revoluções” científicas humanas só foram e ainda são possíveis graças ao fogo. Tudo o que se relaciona a humanidade, sua evolução, sua constituição física, biológica, existência, prazer, reflexão, projeção, tranquilidade, calma, orgasmo, inteligência, a memória humana entre outros da lista, está ligado ao oxigênio. Morri e voltei para contar como é

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Filósofos e esotéricos já disseram que somos uno com Deus. Se isto é verdade é preciso, na materialidade, explicar como e através de que? O único elemento uno em todos os aspectos da materialidade é o oxigênio. Está em todos os alimentos na fórmula da água (H2O). É fonte vital da vida. É o elemento propulsor da energia de combustão, que impulsiona nossas atividades físicas e biológicas na materialidade. É um elemento capaz de permitir a transmissão de energias entre as pessoas e os seres. Através deles se processam o som, a transmissão de ondas, a luz do sol, fonte de energia, calor e transformações. A luz solar quando promove a fotossínteses o resultado é o ar, O2. E assim por diante. Pode até não ser em forma, como concebemos as coisas, mas a ligação do espírito na materialidade com o Mundo Espiritual, de onde procedem todas as coisas, se dá pelo oxigênio. Em resumo, você é, na matéria, o estado gasoso do oxigênio que, através de uma fabulosa mecânica de uso da energia eletromagnética, é capaz de fazer tudo o que faz: pensar, emocionarse, sentir-se, ter prazer, movimentar-se e, entre outras tarefas, ainda receber e transmitir tudo ao grande Pulsar da Existência ao qual chamamos de Deus e/ou Criador. Foi a esta conclusão que cheguei. Como dizem alguns: esta é a minha compreensão. Abro-me a outras percepções.

Conclusão Para tudo isto que disse neste livro? Não há. A única coisa que garanto é que não há mentiras. Fui levado a sentir o que senti e relato às pessoas. Quem me conhece sabe que sempre defendi minhas ideias com veemência, às vezes confundida com arrogância e Morri e voltei para contar como é

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ignorância. É o meu jeito de ser. Errei na dose, às vezes, e não passei o conteúdo da forma correta, mas o conteúdo era correto em sua maioria. Eu acredito que cada ser humano tem um jeito próprio de alcançar o propósito do Criador. É o pequeno espaço que temos para a decisão que pode nos mudar. Eu sofri muito para chegar até aqui e só espero ter aprendido o suficiente para não ter que sofrer mais para avançar. Espero que, com os meus relatos, eu ajude pessoas a não sofrer o que sofri para aprender.

Está vendo a foto acima. É isto. Somos uma engrenagem e só vamos sair desta se aprendermos isto. Aliás, tenho uma boa notícia para você: mesmo que não queira, é assim que você vai e precisa do outro para ir. Mas que vai, vai. Não adianta não querer ir. Se não acredita no que falo, ótimo, vamos ao debate de ideias. Apenas não desperdice a oportunidade de, com o outro, aprender. Eu sempre doei meus livros. O livro é um condutor de ideias, não um objeto para se apegar. Estarei pronto para confrontar as ideias e experiências que apresento. Nada está acabado. Tudo está em construção. Freud abriu o conhecimento da psicanálise, veio o Cury e avançou, amanhã será outro e a formulação de teorias vai continuar.

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Agradeço a sua atenção. A única coisa que Sócrates errou foi em dizer: “só sei que nada sei.” Se o Criador me ensina e nada aprendo alguém está incompetente nesta história. Prefiro dizer: “hoje eu sei que sou uma rabetinha no meio do imenso oceano que é o Domínio do Criador e me esforço para conduzir o barco na linha do meio.” Um abraço. Herivelton Moreira, Belo Horizonte, maio de 2012 hemocos8@gmail.com. (Espero você para continuar o debate)

Citações bibliográficas: Augusto Cury, Livro: Inteligência Multifocal, Análise da Construção dos Pensamentos e da Formatação de Pensadores Editora Cultrix (1999). A Origem da Família e da Propriedade Privada, de Friedrich Engels, obra de Publicada em 1884, na Alemanha. As Sete Leis Espirituais do Sucesso do médico e guru indiano Deepak Chopra, lançado em 1994 nos Estados Unidos. Gênesis ou Génesis (do grego Γένεσις, "origem", "nascimento", "criação") é o primeiro livro tanto da Bíblia Hebraica como da Bíblia cristã, antecede o Livro do Êxodo. Faz parte do Pentateuco e da Torá, os cinco primeiros livros bíblicos. Gênesis (do grego Γένεσις, "nascimento", "origem") é o nome dado pela Septuaginta ao primeiro destes livros, ao passo que seu título hebraico Bereshit ( , B'reishit, "No princípio" é tirado da primeira palavra a sua sentença inicial. Morri e voltei para contar como é

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Raul Seixas, música Meu Amigo Pedro – refrão “tudo acaba aonde começou.” "The Enemy Within" – O inimigo Interior- 5º episódio da primeira temporada da série Jornadas nas Estrelas. O Livro do Viver e do Morrer, de Sogyal Rinpoche – Editora Palas Athena Editora: Registro número: Série:

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Eu morri e voltei para contar como é  

Relato de uma Experiência de Quase Morte (EQM) do jornalista e raizeiro Herivelton Moreira. Ele foi dado como morto em 2004 e levou sete ano...

Eu morri e voltei para contar como é  

Relato de uma Experiência de Quase Morte (EQM) do jornalista e raizeiro Herivelton Moreira. Ele foi dado como morto em 2004 e levou sete ano...

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