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JANEIRO 2013 EDIÇÃO 4 | ANO 2

R$12

T E N D Ê N C I A | D E S I G N | A R Q U I T E T U R A

CARLSON E

R

I

C


sumário

expediente

tadeu brunelli | tre

janeiro 2013 | edição 4 | ano 2 | r$ 12

30 Garimpo

08

ameizinG dishes

14

} A seleção está repleta de novidades, com berços, poltronas, cadeiras e objetos de decoração.

14

} Conheça o mistério da coquille Saint Jacques, iguaria da cozinha francesa com toque de arte.

16

truques de desiGn

18

} Faltou espaço para ter uma horta em casa? Pendure-a no teto da cozinha. Saiba como.

capa

} A inusitada parede formada por copos de murano é obra de Eric Carlson para o Tre, no JK Iguatemi.

18 08

20

ameizinG pictures

24

ameizinG restô

28

pra sempre arquiteto

30

} Visitantes ilustres justificam a arquitetura arrojada e centenária do Beverly Hills Hotel. } Em forma de tangerina, o patê de fígado é uma das sugestões de Ashley Palmer-Watts, do M.O. Hyde Park. } A horizontalidade de Frank Lloyd Wright numa retrospectiva do pioneiro modernista norte-americano.

bob muy

} Roberto Muylaert discute a habitabilidade da casa wrightiana e a ruptura com o clássico precedente.

42 44

liquidificador sem tampa

46

tendência

48

detalhe em foco

50

} Quatro historietas de Jerome Vonk dão o tom à breve reflexão sobre a humanidade. } Regina Gauer apresenta a gastronomia molecular: Passe-me o alginato, por favor!

} Da abertura no topo descortina-se um dos mais cobiçados belvederes. Qual será o cenário da construção?

Marília Muylaert

PuBLISHER E EDITORA

Marília Muylaert EDITOR

Gustavo Curcio REDAçãO Maíra Roman, Patrícia Rodrigues, Priscilla Kanda e Roberto Muylaert (texto); Domenico Zecchin, Gisela Berland, Jerome Vonk e Regina Gauer (colaboradores); Rosana Manduca (secretária); Dinho Leite (pesquisa fotográfica); Nina Zakarenko (revisão) ARTE Gustavo Curcio (projeto gráfico) Paula Sperandio e Rodney Monti (design) DEPARTAMEnTO COMERCIAL Marília Muylaert (diretora) Maria Natália Dias (coordenadora) REPRESEnTAnTES COMERCIAIS BRASIL Adelino Pajolla Jr. Ribeirão Preto | SP — 16 3931 1555 Charles Marar Brasília | DF — 61 3321 0305 Dídimo Effegen Vila Velha | ES — 27 3229 1986 Lauro J. S. Alves Rio de Janeiro | RJ — 21 2223 3298 Maria Marta Craco Curitiba | PR — 41 3223 0060 Rogério Cavalcanti Álvares Recife | PE — 81 3222 2544 REPRESEnTAnTES COMERCIAIS ExTERIOR Daniel Coronel Montevidéu | uruguai — 59 82 9005 775 Conover Brown nova Iorque | EuA — 1 212 244 5610 ADMInISTRAçãO César Luiz Pereira e Daniela Sierra de Paula

fazendo arte

} Wreck this Journal: conheça o livro sobre o qual debruça-se o leitor predatório. Boa digestão!

Roberto Muylaert DIRETORA

paleta de cores

} Inspire-se no popular: a combinação do mês é criação de uma famosa varejista nacional.

DIRETOR

PuBLISHER & EDITOR

RMC EDITORA

Rua Deputado Lacerda Franco, 300 o 18 andar| CEP 05418-000 — São Paulo, SP Telefone (11) 3030 9357 Fax (11) 3030 9370 Impressão: W Gráfica e Editora AMEIZInG 4 é uma publicação mensal da RMC Editora. não é permitida a reprodução parcial ou total das matérias sem prévia autorização dos editores. AMEIZInG não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. Matérias não solicitadas, fotografias e artes não são devolvidas.

ASSInATuRAS | COnTATO

11 3030 9357

ameizing@rmceditora.com.br Distribuição Mailing VIP e assinaturas


isadora cruz

arquivo pessoal

editorial

n

ainda mais caPricHada

ão há presente maior para um editor do que o reconhecimento da qualidade de sua publicação. A ameizing, como já contei em meu primeiro editorial, foi lançada para comemorar os 35 anos da RMC Editora, uma das mais tradicionais editoras de custom publishing do Brasil. Nossa ideia, desde o início, era compilar coisas fora de série e fora do lugar comum para agradar você, leitor. Hoje, quando recebemos elogios em relação à revista — ainda muito novinha —, ficamos muito orgulhosos de nosso trabalho e do trabalho de nossos colaboradores e, principalmente, pelo fato de ela já ter nascido marcante. E é por isso que a cada dia caprichamos ainda mais nas edições e nas dicas descoladas. Depois do grande sucesso da capa do Bocuse — a invejinha me rendeu uma visita ao também estrelado Dinner by Heston Blumenthal, no Mandarin Oriental de Londres, que você confere aqui —, espero que goste do design inusitado da parede de copos de Eric Carlson para o TRE no JK Iguatemi, se encante pelos objetos garimpados e mergulhe de cabeça na matéria sobre o grande Wright. Assunto é o que não falta por aqui. Em Paleta de Cores, inspire-se na combinação de uma famosa loja varejista, confira os ilustres visitantes do Beverly Hills Hotel e curta o humor afiado do nosso holandês Jerome Vonk. Mais do que arquitetura, design e tendência, ameizing é gente. Gosta de gente e do que toda essa gente produz! Viva a criatividade!¯

marília muylaert publisher & editora

m

louros a quem merece

e perdoe Le Corbusier — já escancarei minha admiração pela obra do francosuíço em outras oportunidades neste mesmo espaço — mas fazer parte de um movimento, seja artístico, seja político, seja cultural, já consolidado, é fácil. Difícil é quebrar paradigmas, estabelecer a real avant-garde. A quarta edição da ameizing traz como destaque o norte-americano Frank Lloyd Wright, sua produção e uma pitada do pioneirismo moderno que arrebatou gênios como Mies Van der Rohe e o próprio Le Corbusier. É verdade que o conforto termoacústico da Falling Water, obra máxima do arquiteto, não é lá essas coisas, mas despir-se do ornamento e evidenciar a matéria-prima da construção foram a base — além da horizontalidade das formas — para o rompimento com o clássico antes mesmo da virada do século 19. Viva a Broadacke City! Mas como na ameizing futilidade e sustância são questões bastante relativas, conseguimos juntar às Usonians Houses wrightianas coquilles Saint Jacques — com direito à receita imperdível de um gratin — fotos vintage de estrelas hollywoodianas no centenário do The Beverly Hills Hotel e uma inspiração controversa de paleta de cores. Esta última surpreende pelo movimento inverso ao clichê histórico de dominação estética das elites. Todo belo, seja qual for a origem, merece destaque. Inspire-se na coletânea do mês. Pretensões à parte, começamos 2013 por aqui com o pé direito!¯

Gustavo curcio editor


GArimpO

um fuxicO rEinvEnTADO

} Com estrutura tubular e espuma injetada, o sofá Primavera é uma criação do designer Pedro Franco e tem base de ferro esmaltado. Com 1,11 m de largura tem acabamento com o revestimento colorido composto por delicados fuxicos. Custa r$ 14.000, na A Lot Of. A lOT Of | Site: www.alotof.com.br | Endereço: Alameda Gabriel monteiro da Silva, 256, São paulo | Telefones: 11 3068 8891 ou 11 3068 9370


finA TAmpA

GArimpO

| Disponível também na versão transparente, a tampa para garrafa com acabamento acetinado é exclusividade da Versace Home, vale r$ 560 e protege a bebida durante o jantar. vErSAcE hOmE | Site: www.versace.com | Endereço: rua Bela cintra, 2209,São paulo | Telefone: 11 3088 8602

~ Berço 50’s, r$ 2.900

~ Berço Brasília, r$ 2.500

BEBê DESiGn } É sob a batuta de Luciana Raunaimer que a Ameise promete inserir as crianças no mundo do design. Como projetos exclusivos para os pequenos, tem um portfólio de produtos com plasticidade de dar gosto! Esse é o caso do berço Palito, feito de jequitibá e laqueado de branco. r$ 2.700 , com venda pelo site. Projetos personalizados sob consulta. AmEiSE DESiGn

| Site: www.ameisedesign.com.br | Telefone: 11 2384 3467

~ Berço Retrô, r$ 2.300


rETrô DivErTiDO

*preços pesquisados em janeiro de 2013, sujeitos a alteração | fotos divulgação

DiGnA DE princESA } Parte da coleção Editions D’Art da Lampe Berger Paris, a lamparina Princesse é produzida com vidro Swarovski e foi criada para comemorar o centenário da Galeria Lafayette. r$ 3.999, em apenas cinco peças no Brasil. lAmpE BErGEr

| Endereço: rua com. miguel calfat, 59, cj. 93, São paulo | Telefone: 11 2129 7106

niEmEyEr EASy } O conjunto formado por poltrona e pufe assinado por Oscar e sua filha, Anna Maria Niemeyer, teve inspiração nas técnicas de fabricação de mobiliário suecas. Feitos de madeira laminada e espuma revestida de couro, tem preço sob consulta. Ergonomia e plasticidade dão o tom às peças. DpOT

| Site: www.dpot.com.br | Endereço: Alameda Gabriel monteiro da Silva, 1250, São paulo | Telefone: 11 3082 9513

} O criado-mudo Cala a Boca junta estampas sobre PVC, MDF e pinho numa criação de Renata Americano e Gavea Garage. Está disponível nas cores laranja, azul, preto, roxo e branco. Preço sob consulta. mixTApE DESiGn | Site: www.mixtapedesign.com. br | Endereço: Alameda Gabriel monteiro da Silva, 1280, São paulo | Telefone: 11 3081 2655


GArimpO

cASAriO nO murO

} A coleção Contour 272 e Red/Poá é exclusividade da Celina Dias no Brasil. O rolo do revestimento vinílico sai por r$ 450, com 50 cm de largura e 10 m de comprimento. Produto antibactericida. cElinA DiAS | Site: www.celinadias.com.br | Endereço: Alameda Gabriel monteiro da Silva, 924, São paulo | Telefone: 11 3062 6281


vASO TricOlOr

*preços pesquisados em janeiro de 2013, sujeitos a alteração | fotos divulgação

cOnfOrTO nO cAOS } Criação do designer Pedro Franco, a poltrona Caos foi inspirada na diversidade da metrópole paulista. A estrutura de ferro tem o assento recoberto de lâminas de tecido reciclado. r$ 9.700, na A Lot Of. A lOT Of | Endereço: Alameda Gabriel monteiro da Silva, 256, São paulo | Telefone: 11 3068 8891

A cOr DA SãO pAulO

} O vaso da coleção Richard Ginori, modelo Stripes, tem 40 cm de altura. Vale r$ 2.476, na Divino Espaço. DivinO ESpAçO

Endereço: Jauaperi, São paulo Telefone: 5051 1268

| Alameda 45, | 11

} Com projeto original de 1982 desenvolvido por Carlos Motta, a cadeira São Paulo foi criada a partir de um banco de madeira e foi destaque na exposição Ícones do Design França-Brasil de 2009. Disponível em seis tons, tem preço sob consulta. BuTzkE| Site: www.butzke.com.br | Telefone: 47 3312 4000


AMEIZING DISHES

Coquille St.JaCqueS

A “noz” que se esconde dentro da linda concha canelada começou a ser consumida no fim da era glacial e até hoje sua carne nacarada e tenra de gosto delicado é considerada pelos gourmets, sem trocadilhos, uma pérola entre os moluscos Por GiSela Berland

O

que torna a coquille Saint Jacques tão especial além, é óbvio, do seu conteúdo, é a sua embalagem: a concha propriamente dita. Na Antiguidade, tinha-se a casca como símbolo de fertilidade e, inevitavelmente, ligava-se sua imagem à deusa do amor, que teve a forma perfeita imortalizada pelo renascentista Sandro Boticcelli na obra “Nascimento de Venus”. Segundo uma crença medieval, Saint Jacques, ou São Tiago, salvou um príncipe do afogamento. A lenda diz que, ao sair da água, o homem estava coberto de conchas que receberam o nome do apóstolo. No Brasil, é comum chamar a coquille Saint Jacques de vieira. Entre as muitas virtudes atribuídas à embalagem sedutora estão a de afastar a má sorte e a de proteger de doenças. Além disso, um dos 23 milagres relacionados ao santo de Compostela teve a concha como instrumento de cura. Desde então, ela é o símbolo do peregrino e, sobretudo, daquele que percorre o conhecido caminho de Santiago de Compostela. Os devotos que partiam rumo ao santuário espanhol recolhiam as conchas em uma praia próxima e as fixavam sobre seus chapéus e capas em homenagem ao santo. O acessório servia, depois da peregrinação, de lembrança da longa jornada. As conchas presas ao casco faziam distinção entre o simples viajante e o peregrino para quem a caridade era devida. As duas válvulas da concha representam as diretrizes que os devotos de São Tiago devem seguir: amar a Deus acima de tudo e amar ao próximo como a si mesmo. Recolher a coquille Saint Jacques do mar é perigoso. Localizadas em bancos de areia no fundo do oceano em profundidades próximas a 100 metros, justificam o resgate complicado pelo sabor incrível. A colheita é feita por dragagem em um período do ano em que não ocorra a procriação. A atividade é controlada por órgãos federais para preservar a espécie. Permitese a retirada de conchas com mais de 10 cm de diâmetro, equivalentes a 3 anos de idade. Nas regiões francesas da Bretanha e da Normandia o fenômeno das grandes marés permite que o pescador sortudo recolha algumas conchas sem o auxílio das dragas. Muitos outros moluscos de concha canelada se beneficiam da apelação coquille Saint Jacques mesmo sem possuir as mesmas características de finesse ou o sabor adocicado da original. As mais conhecidas são as encontradas congeladas nos supermercados, chamadas pétoncles. Menores, atingem 7 centímetros de diâmetro quando adultas e são formadas por duas partes côncavas, bem diferentes da prima rica Saint Jacques, que tem uma parte chata e uma côncava. Preservadas dentro das conchas encontramos partes carnudas distintas em sabor, cor e textura:


fotos reprodução

uma alaranjada de sabor forte chamada coral e a outra branca e delicada conhecida como pied (pé). As conchas selvagens ou cultivadas são pescadas da China ao Canadá, passando por Austrália e Chile e chegando ao norte da Europa. Mas é nas águas frias de Dieppe, na França, e da Tasmânia que encontramos as melhores Saint Jacques do mundo. A globalização da produção e a versatilidade desse molusco permitem uma infinidade de receitas. Elas podem ser assadas diretamente sobre a brasa, podem ser servidas cruas ou cozidas em suco de limão, salteadas à provençal etc. Confira minha sugestão abaixo e defrute com prazer! ¯

Gratin de Saint JaCqueS Ingredientes (massa) ❚ 12 nozes de Saint Jacques ❚ Sal e pimenta-do-reino ❚ 1 col. (sopa) de manteiga ❚ 250 g de cogumelos-de-paris ❚ ½ cebola pequena picada ❚ ½ xíc. (chá) de vinho branco ❚ 1 col. (sobremesa) de farinha de trigo ❚ 1 xíc. (chá) de creme de leite ❚ 100 g de farinha de rosca

Modo de preparo Descongele as vieiras e tempere com sal e pimenta-do-reino. Coloque a metade da manteiga em uma frigideira em fogo alto. Salteie as vieiras rapidamente e reserve. Corte os cogumelos em fatias. Leve o restante da manteiga e a cebola para dourar na mesma frigideira. Junte os cogumelos e deixe cozinhar. Adicione o vinho branco e deixe evaporar. Polvilhe a farinha sobre a frigideira e mexa para incorporar. Junte o creme de leite e ferva para engrossar um pouco. Ponha as vieiras no creme. Experimente o sal e a pimenta e, se necessário, acerte o tempero. Divida o creme em 4 conchas limpas ou refratários individuais. Polvilhe com a farinha de rosca. Leve ao forno para gratinar.


*tons e cores sujeitos A variações

pAlEtA DE cOREs

coral | AZUl pURO 62BB 08/369*

lukscolor | sW 6384*

suvinil | cEREJA*

pOvO fAshION suvinil | vERDE BRINQUEDO*

lukscolor | sW 2839*

coral | MENINA-MOÇA 90RR 52/214*

consolidado no mercado nacional, o varejo popular traz inovações de negócios, muda conceitos e aproxima o público das tendências mundiais

D

por priscilla kanda

emocratização da moda. Esse é o objetivo do conceito fast fashion, pioneiramente incorporado no país pela Riachuelo, uma das maiores redes varejistas do Brasil. Segundo a diretoria da empresa, o desejo é aproximar o público e facilitar o acesso às últimas tendências das passarelas nacionais e internacionais, inclusive na moda casa. Os tons e nuances suaves de verde contrapostos com tonalidades mais vibrantes de rosa em almofadas listradas e manteladas combinam perfeitamente com o caramelo, criando um colorido alegre e não agressivo. Inspire-se! ¯


tRuquES DE DESIgN

| Feito de cerâmica e com 12 cm de altura, 9 cm de largura e 9 cm de comprimento, o vaso é perfeito para pequenas plantas e flores.

DE plANtA cAbEçA

O vaso suspenso, inovação de design à venda no site Obra Vip, prova que formas inusitadas podem, sim, chegar à decoração da casa. ter plantas pendendo no teto, Além de liberar espaço na bancada, deixa qualquer cozinha moderna.Sem falar no cheirinho de erva fresca!

I

Por MAírA roMAN

magine colher seus temperos na cozinha de um apartamento compacto, ou mesmo apreciar sua flor preferida com um simples movimento de cabeça. É esse o efeito causado pelo vaso suspenso Sky Planter, da Boskke. Além da beleza inusitada e da praticidade, o objeto é uma saída para a localização convencional das plantas esquecidas no canto da sala. Seja em jardim, varanda ou até mesmo na cozinha, como mostra a foto, o vaso suspenso é um convite para brincar com a imaginação. Em ambientes nos quais o teto é pouco usado, como é o caso de varandas e salas de almoço, os vasos ocupam o volume de simples lustres numa proposta ecológica e funcional. Desenvolvido por Patrick Morris, um neozelandês que estudou em Londres na renomada Central Saint Martin’s, o vaso nasceu da vontade (e criatividade) de alguém que queria uma nova utilidade para um velho objeto. Voilà! O vaso no teto causa surpresa ao mais desavisado espectador. A superfície da terra é contida com uma tela de proteção travada por uma tampa. Uma adaptação no topo da peça permite a rega diretamente nas raízes. O fundo do vaso já vem com o suporte contraindicado para tetos de madeira ou gesso.¯


bOutIquE ObRA VIp

divulgação skyplant

loja virtual: www. obravip.com. | telefone: 11 4063 1226. Entrega em todo o brasil.

~O vaso suspenso Sky Planter, que inclui suporte indicado para forros de alvenaria, está disponível no site www.obravip.com por R$ 216, nas cores vermelho, preto e branco.


JOIA DA cApA

TRE Endereço: Avenida presidente Juscelino Kubitscheck, 2041, loja 110, São paulo | Telefone: 11 3167 4004 | horários: Segunda a quinta, das 12 às 15 e das 19 à 0 hora. Sábados, domingos e feriados com horário diferenciado.

fotos tadeu brunelli

bIcchIERI

O renomado Tre bicchieri, restaurante que conquistou seu espaço com gastronomia italiana inspirada na autêntica cozinha de Toscana, acaba de abrir a filial Tre no Shopping JK Iguatemi. O novo restaurante, além das inovações no cardápio, traz ideias inusitadas num visual bem diferente da matriz por priscilla kanda


JOIA DA cApA

fotos tadeu brunelli

S

ituado em um ponto nobre e cobiçado do mais novo centro comercial de luxo da cidade, com acesso para a rua e rodeado de respeitadas grifes internacionais, a arquitetura singular do Tre chama atenção pela fachada. Uma das paredes do restaurante é feita com taças organizadas e distribuídas milimetricamente durante toda a sua extensão, numa alusão ao nome da casa matriz, Tre Bicchieri (três copos, em italiano). As 800 peças que compõem a parede foram produzidas artesanalmente na cidade de Murano, na Itália, mais reconhecido polo de manufatura de vidros e cristais do mundo, com exclusividade para o Tre. ¯


~ Não é somente a parede de taças que chama a atenção no restaurante. O projeto feito pelo escritório francês Carbondale, de Eric Carlson, arquiteto responsável pela flagship store da Louis Vuitton, na Champs-Élysées de Paris, tem outras ideias criativas. A silhueta do rosto de cada um dos sócios do restaurante, Marcos Freitas, Cid Simão e Rodrigo Queiroz, está representada nas paredes de treliça que completam a fachada do local. Além de inovador, o design é leve e permite uso de iluminação natural.


AMEIZING PICTURES

LUXO VINTAGE

Foi num dos bangalôs do The Beverly Hills Hotel, a 35 minutos do aeroporto de Los Angeles, que Liz Taylor passou sua lua-de-mel. Marilyn Monroe e Marlene Dietrich são algumas das personalidades que passaram pelo cenário que une tradição centenária e modernidade Por DoMENICo ZECCHIN

| À esquerda, Jack Nicholson e Anjelica Huston sob a marquise de entrada — hoje totalmente restaurada — do The Beverly Hills Hotel em 1977.

| Audrey Hepburn no esplendor da beleza, vestida a rigor, em cenário romântico do hotel. O estilo lendário segue nos dias de hoje como referência de estilo.


| “O Beverly Hills Hotel será sempre uma figura atemporal na comunidade”, disse Edward A. Mady, diretor regional da Costa Oeste dos EUA e gerente geral do hotel. Segundo Mady, o projeto de restauração resgata os laços do hotel com o espírito e a história de Beverly Hills. A reforma preserva a originalidade dos edifícios e, ao mesmo tempo, colocará o complexo no topo da tecnologia desejada pela nova geração de hóspedes de luxo.


AMEIZING PICTURES

} Sophia Loren, habitué do hotel e no auge da beleza. À direita, Marilyn Monroe na década de 1950 à beira da piscina. O biquíni comportado caiu de moda, mas o cenário mítico segue como marca do Beverly Hills.

fotos cortesia The beverly hills hotel / divulgação

} Marlene Dietrich, a primeira mulher a vestir calças no Lounge de Polo do The Beverly Hills Hotel, em 1939.


~ Passado e presente se juntam nos ambientes do Beverly Hills. Programada para acontecer em etapas, a restauração completa do hotel, nas mãos da Tihany Design, será concluída em 2015 e não afetará o conforto dos hóspedes.

ONDE FICAR? THE BEVERLy HILLS HOTEL DORCHESTER COLLECTION

Endereço: 9641 Sunset Boulevard, Beverly Hills, California 90210, Estados Unidos | Telefone: 1 310 2762251 | Site: www.beverlyhillshotel.com


ameizing restaurants

London CaLLing!

amantes de bons restaurantes não podem deixar de visitar o dinner by Heston Blumenthal, situado no mandarin oriental Hyde Park, em Londres

a

berto em 2011 e idealizado pelo consagrado chef três estrelas Michelin Heston Blumenthal, proprietário do Fat Duck, em Bray (50 minutos de Londres), o restaurante foi eleito o 9o melhor do mundo pelo San Pelegrino World 50 Best Restaurant Awards 2012. Foi destaque na lista em que Alex Atala com o seu D.O.M. figurou em 4o lugar. Com pouco tempo de vida já conquistou uma estrela Michelin. Quem toca a cozinha no dia a dia é o chef Ashley Palmer-Watts, que trabalha com Blumenthal desde 1999. O lugar é fantástico, tem uma vista privilegiada para o Hyde Park de onde se podem ver os cavalos da guarda da rainha Elizabeth II caminhando para o Palácio de Buckingham. Além disso, destaca-se a abertura para a moderna cozinha que é separada do salão principal por paredes de vidro. Mas o que mais chama atenção, sem dúvida, é a qualidade do serviço e da comida. Os garçons e sommeliers dão um verdadeiro show ao descrever e orientar na escolha dos pratos e das harmonizações. Alguns dos pratos mais pedidos e que já viraram ícones são o patê de fígado (Meat Fruit) em forma de tangerina e um bolinho quente de abacaxi dos deuses (Tipsy Cake). A filosofia do lugar é valorizar a cozinha tradicional inglesa e, para surpresa daqueles que torcem o nariz para a culinária britânica, tudo é simplesmente delicioso! ¯

Por marília muylaert

~ Heston Blumenthal observa o trabalho de Ashley Palmer-Watts, responsável pela cozinha do restaurante homônimo.Admirado pelo estrelado Alex Atala, ostenta excelente crítica.


~ No cenário encantador, à esquerda a janela descortina a cozinha. À direita, o espetáculo — para visitantes, e não habitués — fica com o desfile da guarda real britânica devidamente paramentada. A farda rubra parece ser o único tom a destacar do cinza default.

| A falsa tangerina é, na verdade, uma das estrelas do menu: patê de fígado. Coroado com o bolinho quente de abacaxi, o jantar no restaurante será, indubitavelmente, inesquecível! dinner By Heston BLumentHaL — mandarin orientaL Hyde Park

site: www.dinnerbyheston. com | telefone: 44 20 7201 3833 | endereço: 66 knightsbridge, London | reservas: molondinnerhb@mohg.com


foto reprodução

pRA sEmpRE ARquItEtO

mOdERNO

pRImItIvO pode intrigar o adjetivo para definir Frank Lloyd Wright. O talvez mais reconhecido arquiteto norte-americano protagonizou o movimento moderno na mais original e embrionária das formas. seu legado precedeu o de grandes nomes, como mies van der Rohe, Walter Gropius ou o próprio Le Corbusier Por gustavo curcio


p

arece poético viver numa casa construída sobre uma caudalosa queda d’água. Sem dúvida, a imagem impressiona. Mas como dividir espaço com o ruído intermitente das águas em choque com a superfície rochosa? Frank Lloyd Wright tem, na Falling Water, casa construída sobre uma cachoeira do rio Bear Run, nos bosques da Pensilvânia, a mais famosa de suas obras — talvez igualmente difundida se comparada ao Museu Guggenheim, de Nova Iorque. Construída entre 1936 e 1939, a casa tem êxito incontestável nas linhas paralelas que se fundem com a paisagem. A apoteose da horizontalidade, como foi descrita na época da construção, tem na sequência de três pavimentos de concreto armado, contrapostos aos diafragmas verticais revestidos de pedra, a sustentação de toda a estrutura. Assim, com vitrais longos e caraterísticos da geometria wrightiana, abrem-se cortinas panorâmicas para o entorno. Entranhada nas encostas, as paredes e lajes avançam em direção ao rio, num movimento que mimetiza construção e natureza. Mas, poesia à parte, seria possível viver na Falling Water? Parece contraditório se considerados padrões corbusianos de forma e função que a casa colocada sobre a cascata seja confortável em termos técnicos (acústico e térmico). O estudo da habitação sempre foi o cerne da pesquisa de Wright. Em artigo escrito e publicado em 1908, com o título In Cause of Architecture, retomou discussões do fim do século 19 sobre o conceito da casa e postulou o que julgou princípios da arquitetura e da construção (veja na página 32). Nasceu assim a chamada Prairie House, na tradução literal, Casa de Campo. Assim, a maturidade teórica de Wright coincidiu com o apogeu de sua produção. Em termos práticos, o arquiteto quebrou o paradigma da tradicional casa típica norte-americana, com volumes cúbicos e equipamentos dispostos de forma perimetral, e inovou deslocando, por exemplo, a lareira de uma das paredes externas para o centro da planta. A análise da obra do arquiteto, entretanto, leva a uma divisão da produção em duas grandes fases, sendo a precursora a das Casas de Campo e a seguinte a chamada por ele próprio de usoniana, numa referência aos United States of North America. Wright resolveu, a partir da década de 1920, promover uma espécie de democratização da arquitetura residencial, antes restrita às classes mais abastadas. Até então, as Prairie Houses contemplavam industriais burgueses, como Frederick Robie, que teve em sua encomenda em 1909 a expressão máxima do estilo primitivo da decomposição de Wright, aclamado por historiadores como característica da primeira fase de sua produção. A planta basicamente composta por retângulos deslocados lateralmente reúne no primeiro a zona social da edificação e no segundo serviços e espaços para empregados, sempre divididos em dois níveis. O terceiro piso, acima dos retângulos desalinhados, é disposto sobre a linha de in-


pRA sEmpRE ARquItEtO

vOCAbuLáRIO dA pRAIRIE HOusE

1

Cada indivíduo deve ter uma casa própria e ela deve ser a expressão da personalidade de quem vive ali.

tersecção das formas-base no mesmo prumo da entrada da casa e abriga a área íntima com os dormitórios. As casas usonianas, entretanto, tinham como principal objetivo a eliminação da escada. Em termos de planta, abandona-se o perfil cruciforme das Casas de Campo e adota-se uma conformação linear dos cômodos, eliminando-se definitivamente barreiras físicas entre os usos variados. Em um “l”, dispõem-se sala de estar e jantar. Nessa fase, substituem-se cada vez mais paredes maciças por cortinas de vidro e integram-se ao corpo da casa divisórias móveis. Paralelamente, Wright apoia o uso de blocos pré-fabricados de concreto, os californianos textile blocks, que otimizam o tempo de construção e evidenciam o pressuposto postulado de evidenciar a natureza da matéria-prima empregada, nua, e despida de maquiagem. A expressão máxima do estilo usoniano ocorreu no fim da década de 1930, com a construção da Rosembaum House, no Alabama, e da Sturges House, em Los Angeles. ¯

2

Integrar o edifício com o local. Cada arquitetura deverá crescer sem esforço a partir do lugar.

3

Reduzir ao mínimo o número de células que compõem o edifício, superando a lógica da planta do século 19 composta por ambientes rígidos e semiindependentes em favor de um espaço livre e variável.

4

Garantir continuidade entre interior e exterior, compreendendo paredes e aberturas como elementos de um único sistema espacial.

fotos reprodução | (c) Clicktrick | dreamstime.com

5

Substituir o embasamento clássico do edifício, com um tipo de pódio que eleva a edificação do chão.

6

Usar poucos materiais, procurando colocar em evidência as características próprias de sua natureza.

7

Buscar a maior integração possível entre elementos técnicos, mobiliário e espaço interno.

8

Eliminar todos os itens decorativos que obstruem as fachadas dos edifícios.


pRA sEmpRE ARquItEtO

RObIE HOusE |€} Chamada na época de sua construção, em 1908, de The Battleship, ou navio de combate, a residência encomendada por Frederick Robie é considerada uma das mais importantes manifestações do estilo wrightiano das Prairie Houses. Os generosos beirais — nota-se a visível desproporção na foto à esquerda — assinalam a horizontalidade extrema, também evidente na perspectiva abaixo. A fachada mescla paredes envidraçadas, alvenaria e tijolos vermelhos e a caixilharia reforça o traço expressivo do arquiteto.

~ Corte longitudinal

fotos reprodução | (c) msavoia | dreamstime.com

~ Vista frontal da fachada


pRA sEmpRE ARquItEtO


GuGGENHEIm musEum dE NOvA IORquE Totalmente indisposto ao contexto nova-iorquino de Manhattan, à beira do Central Park, o Guggenheim Museum é talvez a máxima manifestação de Wright contra a metrópole. Encomendado com o objetivo de guardar uma das maiores coleções de arte contemporânea da época, o museu em forma de zigurate tem no orgânico da espiral central o centro da plasticidade única. Infelizmente, Wright não chegou a ver o museu terminado, concluído pouco depois de sua morte.


pRA sEmpRE ARquItEtO

|} Entranhada nas rochas de Sedona, no Arizona, a Capela da Sagrada Cruz teve suas obras concluídas em 1956. O projeto, à semelhança da Falling Water, mimetiza natureza e construção e é, até hoje, uma das principais atrações da cidade.

fotos reprodução | (c) mitgirl | Dreamstime.com

cApElA DA sAgRADA cRuz


pERFIL

LINHA dO tEmpO 1867

1885

fotos reprodução | arquivo

~ Nasce em 8 de junho em Richland Center, Wisconsin, filho de um pastor metodista.

1959 ~ Morre em Phoenix, Arizona, em 9 de abril.

| Wright se inscreve na Universidade de Wisconsin, em Madison, e desenvolve trabalho como desenhista no estúdio de Allen Conover, diretor da escola de engenharia da cidade. Dois anos depois, abandona o curso e muda-se para Chicago, onde começa a trabalhar no estúdio de Joseph Lyman Silsbee. Realiza o projeto da Capela Unitária de Sioux City, que não foi construída. É contratado pelo estúdio de Louis Sullivan e Dankmar Adler.

1958 - 1935 €~ Tem o ápice de sua produção com os projetos da Falling Water, E. Kauffmann House (1935), Rosenbaum House, Alabama (1939), Guggenheim Museum de Nova Iorque (1943, entregue em 1959) e Torre para Johnson Wax (1950). Em 1943 inaugura o estilo das Usonian Houses, com o projeto da Jacobs House. Em 1949 recebe a medalha de ouro do American Institute of Architects.

1889 ~ Inaugura escritório próprio ao lado do de Louis Sullivan e casa-se com Catherine Lee Tobin. Constrói sua casa em Oak Park.

1931 ~ Começa o projeto da Broadacre City. Um ano depois, publica The Disappearing City e An Autobiography. Em seguida, The Taliesin Fellowship e Taliesin.

1922 ~ Abre um estúdio em Los Angeles e divorcia-se da primeira mulher, Catherine. No ano seguinte, casa-se com a escritora Miriam Noel. Dedica artigos a Louis Sullivan, morto esquecido.


€ Começa a projetar casas sem o conhecimento de Sullivan.

1891

1893 € Tem suas obras clandestinas descobertas e é demitido por Sullivan. Abre seu estúdio no Schiller Building e assina seu primeiro projeto oficial independente: a Casa Winslow, em River Forest, Illinois.

1912 } Publica o livro The Japanese Print: an Interpretation, baseado em suas visitas ao país nipônico, e colabora com a revista The Architectural Record.

1906 ~€ Projeta a Robie House em Chicago.

1894 ~ Ocorre a primeira exposição de seus trabalhos no Chicago Architectural Club.

1904 ~ Projeta o Larkin Building, edifício de escritórios em Buffalo, Nova Iorque, que foi demolido em 1950, e o Unity Temple, em Illinois.

1901 ~ Publica dois projetos de residências que iniciam a fase das Prairie Houses, ou Casas de Campo.


CrôniCa bob muy

boas De morar

a

por roberto muylaert

s residências projetadas por Frank Lloyd Wright agradam ao primeiro olhar, linhas retas, tons pastel, muita madeira, poucas divisões, concreto aparente, luz natural, jardins que unem o dentro e o fora: são boas de morar. Projetar assim parece fácil, mas não custa lembrar que Wright abriu seu escritório em 1893, portanto, alguns desses projetos, tão naturais para arquitetos contemporâneos, foram criados ao final do século 19. Antes dele prevalecia o estilo francês, cheio de curvas, obrigatório para quem devesse exibir status e requinte. Conforto, iluminação, aeração, sensação térmica, não entravam tanto nas considerações dos projetistas. A sabedoria de Wright pode vir da Cidade Proibida de Pequim, onde as sofisticadas salas de estar dos palácios trazem, há séculos, a opção pelo conforto e bem-estar: lugar para morar. Em contraste, Versailles, palácio da realeza francesa, encanta pelo valor artístico de quem bolou os milhares de detalhes que superpõem tanta beleza, em ambientes enormes, mas nada convidativos para habitar.

Como todo arquiteto consagrado, Wright trabalhou para clientes abastados, com suas Prairie Houses, mas também para pessoas sem tantos recursos, criando as residências “Usonian”, que obedeciam a um grid padrão, com materiais estandardizados, menor número de subdivisões, concreto e madeira sem pintar. Muitas delas pertencem até hoje à família dos compradores originais e valem milhões de dólares. Sua residência mais criativa valeu capa da revista Time, em 1936, a Fallingwater, em Mill Road, PA, de um ricaço, dono de department store, em Pittsburg. Ele queria uma casa de lazer, próxima a uma cascata em terreno de sua propriedade. Wright situou-a sobre o curso d’água, nove metros acima, com pé direito baixo, para “a atenção se voltar para fora”, janelas com vãos livres em sua totalidade. Estudiosos do arquiteto informam que “o incessante barulho d’água caindo não é exagerado”. Edgard J. Kauff, dono do histórico imóvel, hoje aberto à visitação, não teria tido coragem de discordar, mesmo que o barulho da cascata o incomodasse.¯

Roberto Muylaert é jornalista, editor e escritor, diretor da RMC Editora. Foi presidente da ANER - Associação Nacional dos Editores de Revistas, presidente da TV Cultura e ministrochefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.


divulgação

~ A relevância da mais criativa das casas de Wright, a Fallingwater, imortalizada na forma de brinquedo, no kit Lego.


fAzENDO ARtE

} No mundo dos livros, o sucesso de Wreck This Journal foi tanto que a ele se seguiram outras obras de Smith, como This is Not a Book, a Mannual of Accidents and Mistakes e o mais recente Finish This Book, que propõe uma história para o próprio leitor terminar. Keri Smith também lançou o aplicativo para iPhone e iPad Wreck this App e This is Not an App, baseados nos seus livros. Com o ônus de não ter um meio físico para destruir, os aplicativos têm instruções específicas para as telas touchscreen e soluções novas para estender a gama de leitores. À venda na Livraria Cultura por R$ 43,70, nas versões em preto, vermelho, cinza ou imitando o papel de pão. lIvRARIA CUltURA CONJUNtO NACIONAl

Site: www.livrariacultura.com.br | Endereço: Avenida paulista, 2073, São paulo | telefone: 11 3170 4033

lEItOR pREDADOR

Cada vez mais criativos, os livros encontraram uma saída para a profusão de informações da nossa era: o contato insubstituível com o papel. Um bom exemplo é Wreck this Journal (destrua este diário!), da escritora e ilustradora Keri Smith

U

Por Maíra roMan

m conceito reformulado sobre como consumir livros e escrever um diário com a proposta das mais imaginativas: é assim a criação de Keri Smith, ilustradora que já contribuiu para grandes publicações como New York Times e a gigante de cartões comemorativos Hallmark. Apoiado na máxima imagination creates reality (imaginação constrói a realidade), a obra compila instruções para ser destruída, como o nome sugere. Elas propõem ao leitor mirabolantes ideias de como escrever com a mão esquerda ou documentar seu jantar usando a página como guardanapo. Pouco a pouco, as tarefas cumpridas criam uma identidade única para cada diário. Nas instruções de Wreck This Journal, a ordem não é importante e todas as páginas são passíveis de interpretação. Para mostrar os feitos, diversos leitores-artistas compartilharam suas intervenções em tumblrs e blogs sobre o diário. Este livro, ao contrário de todos os que vemos na livraria, é uma obra pessoal focada no processo de criação, mais do que no resultado dele. E é assim que os leitores têm se reinventado juntamente com as obras: a sensação de liberdade está nos chamados livros criativos — ou creativity books — e conquista cada vez mais leitores para uma interação com as boas e velhas páginas. Uma ótima sugestão de presente ou uma jornada para experimentar suas próprias fronteiras criativas — e, quem sabe, impressionar-se com elas. ¯


liquidificador sem tampa C o lunismo s o c i a l p o l it i c a m e n t e i n c o r r e t o

one day at a time sábias palavras de charles monroe schulz (criador da turma do snoopy): i love mankind... it’s people i can’t stand* Jerome Vonk está mais para a harpa Celestial do que para a guitarra elétriCa, embora o roCk’n’roll e outras substânCias inebriantes ainda CirCulem a mil em suas Veias

sessão

* tradução do inglês: adoro a humanidade... não posso com as pessoas.

diversão O copeiro cortou as frutas, separou algumas, colocou-as no liquidificador, acrescentou leite e duas colheres de açúcar, ligou o aparelho na velocidade máxima. Esqueceu apenas de tampar o copo. Parecia um gêiser alimentar. Alguns foram rápidos em fugir; outros, alvejados em diversas partes do corpo. A padaria toda, silenciosa durante o incidente, riu em uníssono. O plácido e solícito atendente, tirando alguns destroços da vasta cabeleira, perguntou ao cliente: — A vitamina era de quê, mesmo?


sessão

ajuda paterna Foi mais um daqueles almoços nos quais, além da comida, tive que engolir outro sermão sobre trabalho e crescimento profissional. Comentei com meu pai, para tentar mudar de assunto, que aquele cara sentado na outra ponta do balcão era meu patrão, mas ele nem ouviu. Ao sairmos, posou a mão no ombro do sujeito e lhe disse: — O senhor não dê moleza ao meu filho. Se ele não trabalhar direito, mande-o embora. O outro se virou, legitimamente surpreso, e respondeu: — Muito pelo contrário! Seu filho é um ótimo funcionário e estamos felizes por contar com ele na empresa. Meu velho disparou: — Então por que o senhor não dá aumento para ele?

sessão

sessão

reflexão

misantropia

Sábado bem de manhã de um final de semana prolongado, o supermercado transbordando de aposentados. Carrinhos colidindo, filas que não andam, gente parada no meio dos corredores tentando se lembrar do que comprar, um mar de cabeças brancas quando não calvas — um exercício budístico para este que caminha para o mesmo destino. E não é que a rádio de música ambiente começa a tocar Born to be wild, versão original de Steppenwolf, em um volume um pouquinho mais alto? É Cocoon se encontrando com Easy Rider — e o velho hippie aqui de prova ocular que um não exclui o outro, que na realidade um pressupõe o outro. E minha mente dispara o veredicto: o conflito de gerações se resume na incapacidade de se ver no futuro e de se reconhecer no passado.

Nestes primeiros dias de 2013, São Paulo está tão pacata quanto uma cidade de interior (pelo menos, daquelas que projetamos em nossas mentes). Sem trânsito, com poucas pessoas nas ruas, sem filas nem buzinas. Parece-me sobrar um pouco mais de tempo para tomar um café, os interlocutores soam mais afáveis e, em alguns momentos, o movimento geral pausa e reina uma calma profunda. Chamo a esses momentos de nirvana. E aí me vêm à lembrança parentes, amigos, colegas, fornecedores, clientes, inimigos declarados e ocultos e os imagino felizes onde quer que estejam, longe daqui, deste lugar tão infernal quando eles aqui estão. ... Feliz 2013 e que lá fiquem!, são os meus sinceros e egoístas votos de felicidade para os outros!


TENDêNcIA

PAssE-mE O AlgINATO, POR fAvOR!

NOssA cOluNIsTA sE AvENTuRA NO muNDO DA gAsTRONOmIA mOlEculAR E DEscObRE cOmO TER sEu PRóPRIO El Bulli Em cAsA

spumas, esferas e gelatinas. Você está preparado para uma revolução na mesa de jantar? Anos após as grandes aventuras de Ferran Adrià em seu famoso (e agora fechado) restaurante El Bulli, a gastronomia molecular vem ganhando novos adeptos e se popularizando pelo mundo. Quem assistiu às últimas temporadas de Top Chef pôde ver receitas inovadoras como o caviar de café e a espuma de trufa, exemplos dessa gastronomia baseada na aplicação de conhecimentos científicos na culinária. Wd~50, de Wylie Dufresne, Moto, de Homaro Cantu, e The Fat Duck, de Heston Blumenthal, são alguns dos grandes restaurantes contemporâneos que têm seu menu baseado no estudo das propriedades dos ingredientes e em suas mais diversas aplicações. Essas inovações, contudo, não estão mais restritas apenas aos grandes restaurantes, mas saem do domínio dos chefs e começam a aparecer nas cozinhas domésticas. As razões são a incansável busca contemporânea por novas experiências e o cocooning, tendência há tempos percebida por Faith Popcorn, que é literalmente o encasulamento, preferir aconchegar-se em casa a sair. Novos anfitriões têm trocado as receitas de família pelas fórmulas mágicas que prometem impressionar os convidados. A novidade são os kits de gastronomia molecular, compostos por seringas, moldes, receitas, medidores, aditivos químicos e sifões, que tornam mais tangí-

vel o processo de transformação de morango em espaguete, ou o mojito em caviar. Empresas como a canadense Molecule-R e a brasileira GastronomyLab criaram verdadeiros laboratórios em miniatura com produtos químicos como o alginato de sódio, ágarágar, lactato de cálcio, nitrogênio líquido e maltodextrina, que permitem aos dedicados cientistas culinários fabricar pequenas esferas que se parecem com falsos caviares, espumas infundidas de diversos sabores, gelatinas de formatos inovadores e coquetéis que parecem saídos dos desenhos dos Jetsons. Alguns se mostram céticos com relação a esses experimentos científicos na cozinha. Chefs conhecidos por uma culinária ligada às tradições, como Alice Waters, do Chez Panisse, repudiam essas novidades, considerando-as irreais, descaracterizadoras da verdadeira essência dos ingredientes e quase inviáveis de se reproduzir em um ambiente doméstico. Diversos críticos de gastronomia, contudo, têm visto a cozinha molecular como a grande tendência culinária mundial, e a difusão desses kits promete transformar a refeição entre amigos em uma experiência lúdica. Montar os pratos pode ser trabalhoso e um pouco demorado, mas certamente será memorável. E, claro, se a gelatina não se formar, os caviares se desmancharem e a espuma não der certo, sempre nos resta a possibilidade de pedir uma pizza, não? ¯

Regina Gauer é apaixonada por livros e obstinada por viajar e aprender novas coisas. Arquiteta pela FAU-USP com MBA pela FGV, atua como consultora de tendências para empresas ao redor do mundo, oferecendo insights criativos e inovadores.

divulgação google

e

por rEgina gauEr


~”Diversos críticos de gastronomia, contudo, têm visto a cozinha molecular como a grande tendência culinária mundial, e a difusão desses kits promete transformar a refeição entre amigos em uma experiência lúdica.”


reprodução

DEtAlhE Em fOcO

} Escultura, edifício, obra de arte, objeto de design. A cada edição, lançaremos o desafio aos leitores de, a partir de um recorte da obra, decifrar a origem do nosso Detalhe em Foco. Mande suas sugestões para ameizing@rmceditora.com.br No próximo número revelaremos de onde vêm as retículas brilhantes da foto.

reprodução

Na edição passada: as linhas horizontais da caixilharia denunciam o pioneirismo moderno do Edifício Esther, localizado na Praça da República, centro de São Paulo. O projeto de Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho foi concebido em 1936. O primeiro edifício modernista da cidade foi construído para ser a nova sede do escritório da Usina de Açúcar Esther, antes situada em Cosmópolis. Com a arquitetura inspirada nos ideais da Bauhaus, Brazil e Marinho criaram um prédio multifuncional com moradia, trabalho e lazer.

pElA fEchADuRA

Este é, sem dúvida, um dos mais cobiçados belvederes do mundo. A abertura de forma característica dá acesso ao panorama de uma pulsante da metrópole. À noite, recebe iluminação peculiar e pode ser avistada do continente e de outras ilhas do arquipélago


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