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ColĂŠgio Dante Alighieri Novembro 2012 Ano I - No 01

Museus Brasileiros Masp Artigo Os caminhos da arte na escola Entrevista Carlo Cirenza


da arte por José de Oliveira Messina

Presidente no Centenário do Colégio Dante Alighieri

“Arte já é o comportamento dos astros no Universo” Sempre quando surge no meio cultural uma nova publicação, tal feito deve ser recebido e festejado com júbilo. No Colégio Dante Alighieri – que neste 2012 dá os primeiros passos no segundo centenário de vida – desponta o primeiro número da revista InArte, seguindo a trajetória desenhada pela Presidência, iniciada com a revista InCiência. Por que nasce neste momento? Há uma razão preponderante, que reside no fato de que nosso educandário sempre primou também por contar, no seu campo artístico-pedagógico, com personalidades cujas obras brotam de todos os impulsos criativos conhecidos. Convém ademais ressaltar que todas essas obras foram proclamadas de escol por apreciadores das belas-artes. Entre os artistas dantianos do passado, emergiram, no meu tempo de aluno, Fulvio Penacchi e Vicente Mecozzi, cujos trabalhos revelam a experiência obtida da profissão, a qual resolveram eleger como norte de suas existências. Os romanos já colocavam em destaque a sutilidade desse comportamento, na frase imperativa: unusquisque peritus esse debet artis suae. Cada um deve ter a experiência de sua profissão. Essa experiência aprimora a caminhada, com a superação de todos os obstáculos que se antepuserem aos passos. Souberam esses professores, com mestria, transmitir aos seus alunos tal conceito, que foi plenamente absorvido. Tanto isso é verdade, que as novas gerações de alunos e ex-alunos estão representadas por iniciantes e profissionais, cuja produção artística demonstra precisamente a individu-

alidade e a criatividade resultantes do enfoque dado à singularidade do ser. É recente a exposição organizada, na Casa das Rosas, pela professora Sandra Romanello, hoje coordenadora do Departamento de Arte do Dante. Tal realização, indubitavelmente, é prova de que a mestra incorporou o espírito dos que a antecederam no Colégio, e constitui, por extensão, a razão mesma desta revista. A mostra em questão soube avaliar e projetar as obras de um rico elenco de artistas: Aguilar, Antonio Fernando Cestari, Fulvio Penacchi, Beatriz Perotti, Claudio Callia, Claudio Canato, Flávia Piovacari, Hajaj, José Luiz Messina, J. Sigon, Laura Martini, Rolando Scurzio e Sylvia Loew, muitos dos quais contemporâneos de nossa ex-aluna Germana de Angelis, artista consagrada pela crítica e admirada pela comunidade dantiana, que também expôs alguns trabalhos no memorável evento. Ponho termo a estas singelas linhas ponderando que, a meu entender, a expressão “arte” não comporta definição, tantas são as partes em que se divide. Assim, compartilho com Umberto Eco, o maior expoente da Universidade de Turim, a ideia da dimensão ontológica da ars, vale dizer, quem pode definir a arte é o próprio expectador. O subjetivismo impera! Uma formiga, três pedras amontoadas eram, em priscas eras, admiradas como arte... A professora Sandra Romanello vislumbrou, de forma singular e filosófica, dar vida à pintura por meio do pensamento poético, atribuindo, a cada composição apresentada na exposição “Dante nas Rosas Non Finito”, uma fantasia em versos, que ela naturalmente exporá no seu trabalho.

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editorial Conhecer, vivenciar, orientar, estimular, criar, conversar... Esses são os propósitos da revista InArte, comprometida com um público envolvido com a apreciação estética e com a trajetória que pauta o fazer artístico. O que se pretende aqui é relatar as ações desenvolvidas e caminhos percorridos pelos alunos, amigos e colaboradores do Colégio Dante Alighieri, uma vez que a arte sempre foi elemento de união, magia e denúncia. Com efeito, desde o início da civilização, o fenômeno artístico revestia-se de funções mágicas e rituais, mas, ao longo do tempo, e de acordo com as diversas culturas, adquiriu componentes sociológicos, lúdicos e morais, sem falar nas conotações políticas e ideológicas. Tais características, de todo modo, serviram-se das faculdades criativas e estéticas, que tiveram embasamento na percepção, nas ideias e nas emoções. Desde o homem das cavernas até as gerações atuais, evidencia-se assim uma grande necessidade da expressão artística, esteja ela associada a antigos ou novos meios de criação, invenção e apreciação estética. Após a Segunda Guerra Mundial, os artistas em geral decidiram rever profundamente os conceitos de arte. Tão amplo foi o novo entendimento, que o termo “artes plásticas” não conseguiu mais abarcar os mais variados experimentalismos, linguagens e meios. Nos países ditos hegemônicos no que se refere à produção cultural (países europeus, da América do Norte, Austrália, Nova Zelândia, Japão, China e tigres asiáticos) começou-se a usar o termo “artes visuais” no sentido abrangente das novas formas de expressão mostradas nos diferentes circuitos das artes .

arte, pois ela nos permite expressar nosso mundo interior por meio de símbolos e imagens. Nossa vida foi, é e sempre será mediada e guiada por critérios estéticos. Em “O carteiro e o poeta”, filme dirigido por Michael Radford, temos o relato da convivência do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973), então exilado na Itália por questões políticas, com Mario, um cidadão semianalfabeto, que é de repente contratado como carteiro para fazer entregas extras, quase que diárias, das correspondências endereçadas ao artista. Vê-se então formar, gradativamente, uma sólida amizade entre os dois, havendo assim uma troca de conhecimentos. Mario aprende a buscar o sentido poético da vida, daquilo que o rodeia: o mar, o vento, e a presença de Beatrice, a mulher amada. Neruda, por sua vez, tem no carteiro um excelente ouvinte para seus saudosos relatos que fazem lembrar o Chile. A referência a esse filme serve aqui para ilustrar a forma pela qual os mais diversos conceitos de arte estarão contemplados nesta revista, cuja publicação será semestral. A edição inaugural da InArte apresenta reflexões feitas pelo presidente do Colégio, dr. José de Oliveira Messina, e pela escritora Nereide Schilaro Santa Rosa, defensora do ensino da arte como algo fundamental para a educação dos jovens. Já os artistas Claudio Callia e Claudio Canato, ex-alunos e criadores das obras comemorativas do centenário do Colégio, concedem depoimentos sobre a elaboração de seus trabalhos. Ao lado do relato das diversas atividades que envolveram “fazeres artísticos” na Escola – e que, inclusive, estiveram ligadas a outros departamentos, como visitas a exposições – este número elenca ainda matérias que revelam um pouco do porquê e da história dessas mostras .

Por sua vez, os países reconhecidos como periféricos no contexto cultural também assimilaram o novo termo como expressão globalizante das múltiplas formas de manifestação artística, sem todavia excluir do conceito as modalidades tradicionais ou convencionais.

É com a moldura desses feitos que a revista InArte, disponível nas versões digital e impressa, pretende mostrar ao leitor as muitas e apaixonantes possibilidades do mundo da arte.

Seja como for, o certo é que não conseguimos viver sem

Coordenadora do Departamento de Arte do Colégio Dante Alighieri

Sandra Smith Silveira Romanello


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Museus Brasileiros MASP

Arte no Dante A arte dantiana no centenário do Colégio

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Arquitetura Construções conscientes

Arte na Prática Tempus Fugit, Sapientia Manet

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Artigo Nereide Schilaro Santa Rosa

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Plataformas de Arte A arte em selos comemorativos

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Entrevista Carlo Cirenza: um pioneiro no mundo da fotografia

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Mostras de Arte Bienal de Arte: conheça algumas das exposições mais tradicionais do mundo artístico

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30 Presidente Dr. José de Oliveira Messina Diretor Geral Pedagógico Prof. Lauro Spaggiari Conselho Editorial Sandra S. Silveira Romanello Fernando Homem de Montes Gustavo Antonio Jornalista responsável Fernando Homem de Montes MTb 34598

Processos artísticos A concepção de uma obra de arte por Claudio Canato

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Fotografia Os primeiros passos da fotografia

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Memória Colégio Dante Alighieri: dos 90 aos 100 anos

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Técnicas de Arte Imagem gravada

Editores Gustavo Antonio Sandra S. Silveira Romanello

Projeto Gráfico, Arte e Diagramação Grappa Editora

Revisão Luiz Eduardo Vicentin

Contato inarte@colegiodante.com.br

Colaboradores Claudio Callia, Claudio Canato, Felipe Guerra, Gustavo Antonio, José de Oliveira Messina, Nereide Schilaro Santa Rosa, Sandra S. Silveira Romanello

Colégio Dante Alighieri Alameda Jaú, 1601 CEP 01420-001 | SP Tel.: (11) 3179-4400 Fax.: (11) 3289-9365 www.colegiodante.com.br dante@colegiodante.com.br


Museus Brasileiros 6

Museu de Arte de São Paulo O prédio sustentado por quatro colunas, entre as quais há um famoso vão livre de 74 metros, é um cartão-postal não só da Avenida Paulista, como também da cidade de São Paulo. É nesse edifício que o Museu de Arte de São Paulo (Masp) abriga, desde 1968, um dos principais acervos da arte ocidental na América Latina. Entretanto, a história do Masp começa anos antes, mais precisamente em 1947. E o curioso é saber que um dos marcos da cidade de São Paulo foi idealizado e fundado por um paraibano e por um italiano: respectivamente, o jornalista e empresário Assis Chateaubriand e o jornalista e crítico de arte Pietro Maria Bardi. Nos primeiros anos, o museu funcionava em quatro andares dos Diários Associados, empresa de comunicação de Chateaubriand, e contava com obras selecionadas na Europa por Pietro Maria Bardi, no período que se seguiu ao término da Segunda Guerra Mundial. Coube à mulher de Pietro, Lina Bo Bardi, projetar a sede do Masp. Para isso, porém, a arquiteta teve que seguir as condições impostas pelo doador do terreno à prefeitura de São Paulo: preservar a vista para o Centro da cidade e para a Serra da Cantareira, através do vale da Avenida 9 de Julho. E, diante dessas exigências, Lina apresentou uma solução criativa, que caracteriza o prédio do Masp até hoje: o edifício sustentado por quatro colunas com um vão livre. Após 12 anos de construção, a sede do Masp na Avenida Paulista foi inaugurada em 7 de novembro de 1968, com direito à presença da Rainha Elizabeth II da Inglaterra – afinal, a instituição já era conhecida e respeitada por sua coleção, que havia passado por países como Itália, França e Japão. Desde então, o Masp recebeu grandes exposições internacionais e trabalhos de artistas


Júlio Tavares/Divulgação

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O prédio que abriga o Masp desde 1968 e, à sua esquerda, o edifício que sediará o Anexo

estrangeiros renomados, graças a um intercâmbio com importantes museus do mundo. Atualmente, o edifício de 11.000 metros quadrados, divididos em cinco pavimentos, possui cerca de 8 mil peças, com destaque para as pinturas ocidentais, como as da escola italiana (Rafael, Mantegna e Botticceli) e as da chamada escola de Paris (Delacroix, Renoir, Monet, Cèzanne, Picasso, Van Gogh, entre outros). Entre as pinturas de artistas brasileiros, há obras de Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Anita Malfatti e Almeida Junior. As escolas portuguesa, espanhola e flamenga também são contempladas no acervo do Masp. Merecem destaque ainda

as esculturas de Degas, os bronzes de Rodin, as peças de Victor Brecheret e os mármores da deusa grega Higeia, do século IV a.C. Além de pinturas e esculturas, o Masp apresenta coleções de gravuras, fotografias, desenhos, arqueologia, maiólicas (peças de cerâmica), tapeçaria e artes decorativas europeias.

O museu possui cerca de 8.000 peças, e seu acervo é tombado pelo Patrimônio Devido ao significado de seu Histórico e Artístico Nacional prédio, ao acervo qualificado e à tradição estabelecida no meio cultural em todos esses anos, o Masp já recebeu algumas honrarias. Seu acervo é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN desde 1969. Já em 2008 foi convidado pelo Museu d’Orsay, de Paris, para integrar o “Clube dos 19”, que reúne os dezenove museus Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte


com os melhores acervos de arte europeia do século 19.

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Divulgação

Centro cultural e anexo

Esculturas como “Quarta Posição para a Frente, Sobre a Perna Esquerda”, de Degas, também compõem a coleção do museu

O Masp, além de ser um museu, também funciona como um centro cultural, oferecendo atividades como uma escola de arte, ateliês, espetáculos de dança, música e teatro, palestras e debates, cursos etc. Inclusive, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) surgiu e esteve instalada no Masp de 1951 a 1955. Já a Mostra de Cinema de São Paulo originou-se como um evento comemorativo dos 30 anos do Masp, em 1977.

Rita de Cássia dos Santos Pereira/Divulgação

Desde 2010, estão em an-

Famoso por seu vão livre, Masp é um cartão postal da cidade de São Paulo

damento as obras do Anexo do Masp. O prédio fica ao lado do edifício do Museu e foi adquirido em parceria com a empresa de telefonia Vivo (por isso tem o nome de Masp-Vivo). A intenção é utilizar o espaço para promover exposições temáticas, mostras de esculturas ao ar livre, laboratório de restauro e ateliê, escola de criatividade (com cursos de arte, museologia, design, tecnologia, fotografia e cinema) e, no topo, um espaço cibernético (com cafeteria e acesso à internet com conexão wi-fi) e um observatório da região do Parque Trianon. O objetivo é que as obras do Anexo estejam prontas em janeiro de 2013.


Divulgação

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em 2008 foi convidado pelo Museu d’Orsay, de Paris, para integrar o “Clube dos 19”, que reúne os dezenove museus com os melhores acervos de arte europeia do século 19

Quadro “O lavrador de café”, do brasileira Cândido Portinari, é um dos destaques do acervo do Masp

Alunos do 7º e do 8º ano do Ensino Fundamental visitaram o Masp para conferir a exposição “Roma – A vida e os imperadores”

Na exposição, os alunos puderam ver 370 peças e obras originais que não haviam saído da Itália até então, como a “Cabeça Colossal de Júlio César”

Sandra Romanello

Arquivo do Museu Nacional de Napoles/Divulgação

Dante Alunos do Dante visitam exposição sobre Roma no Masp No último mês de março, alunos do 7º e 8º ano do Ensino Fundamental do Colégio Dante Alighieri visitaram o Masp para conferir a exposição “Roma – A vida e os imperadores”, que apresentou 370 peças e obras originais que não haviam saído da Itália até então. Na atividade, organizada pelos Departamentos de Arte e de Italiano, foram realizadas nove idas ao Museu. Dividida em quatro núcleos, a mostra apresentou peças históricas que remontam a períodos da República e do Império Romano. Júlio César e Augusto, figuras cruciais dessa época, tiveram suas trajetórias retratadas na parte que abriu a exposição. O apogeu do Império Romano também mereceu grande destaque na mostra, retratando a política do pão e circo (eventos esportivos utilizados para divertir a população e reduzir a insatisfação contra os governantes) e a miscigenação de culturas do Império. “Roma conquistou muitos territórios. E, ao invés de impor sua cultura aos conquistados, absorveu os seus costumes. Vejo como algo semelhante ao que o Brasil faz ao acolher tantas culturas diferentes”, explicou a professora Angela Angoretto, coordenadora de Italiano do Colégio. Já a coordenadora de Arte, Sandra Romanello, destacou as influências e o legado de Roma para a arte atual. “A arte que vemos hoje tem grande ligação com o Renascimento, que por sua vez é fortemente relacionado às culturas da Grécia e Roma antigas. Daí a importância de levar os alunos para verem essas peças e conhecerem o berço de grande parte das manifestações artísticas que vemos hoje”, afirmou.

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romana Sandra Smith Silveira Romanello

A arte romana alcançou muito prestígio em consequência do poderio político e militar obtido pelo Império Romano. Roma herdou dos gregos a visão humanista do mundo. Além disso, assim como os helenos, os romanos eram politeístas, adorando as mesmas divindades gregas, mas sob denominações diferentes – Zeus, por exemplo, passou a ser Júpiter para os romanos. Os cultos aos deuses eram realizados por meio de orações, sacrifícios públicos, oferendas nos templos, danças e festas. A arquitetura grega, com a construção de colunas, foi utilizada em grande escala no Império. Porém, os etruscos também deram suas contribuições, como os arcos e as abóbodas, que ajudaram os romanos a criar o domo e a se tornarem os pioneiros no uso do concreto. Essas inovações provaram ser revolucionárias, permitindo, pela primeira vez, cobrir enormes espaços fechados sem a necessidade de suportes internos. Imensamente rica graças aos lucros com os prisioneiros de guerra, Roma investia pesado na arquitetura. O palácio de Nero, chamado Casa de Ouro, com um pórtico de 1600 metros de comprimento, foi a mais opulenta residência da Antiguidade. O teto em formato de domo se abria no centro para que os visitantes vissem as constelações, enquanto aromas perfumados eram espargidos sobre os visitantes, de tempo em tempo. No ano de 79 d.C., as cidades de Pompeia, Herculano e Estábias foram soterradas sob cinzas e pedras vulcânicas arremessadas pela erupção do monte Vesúvio. Pompeia era uma cidade luxuosa, com uma população de 25 mil habitantes, e as escavações científicas em seus destroços, iniciadas em meados do século XVIII, revelaram não só objetos triviais, mas também residências inteiras com pinturas de naturezas-mortas e paisagens realistas em todas as paredes. Como as casas não tinham janelas e se voltavam para um

pátio central, os antigos romanos pintavam janelas “de faz de conta”, que apresentavam requintadas cenas. Esse estilo de pintura em paredes abrangia desde a imitação de mármores coloridos até a composição de cenas trompe l’oleil (técnica com efeitos ilusionísticos) de complexos panoramas urbanos. Em cidades como Pompeia e Herculano, as casas das famílias mais ricas tinham jardins, espaços que eram utilizados para as refeições de seus habitantes, sobretudo em virtude das altas temperaturas das regiões próximas ao Mediterrâneo. Em seus interiores, as construções eram embelezadas com mosaicos feitos de minúsculos pedaços de pedras coloridas, vidros ou conchas, ou murais pintados. Geralmente, os locais acessíveis aos visitantes eram os mais decorados. Esgotos, calçadas, áreas públicas e mercados faziam parte do cenário das cidades romanas. Para a diversão pública, havia grandes anfiteatros com arenas ovais ou circulares, rodeadas de degraus a céu aberto, espaços que foram palco de encenações teatrais, festivais públicos e espetáculos de gladiadores. A propósito, o Coliseu foi construído no século I, precisamente em 80 d. C., quando Roma tinha aproximadamente um milhão de habitantes, a maioria dos quais pobre. Assim, os imperadores distraíam as multidões com diversão em larga escala – combate de gladiadores e lutas de homens contra animais ferozes, por exemplo. Na inauguração, a arena foi coberta de água para a representação de uma batalha naval com um enorme elenco de atores. Ainda hoje, o Coliseu é considerado um dos maiores edifícios do mundo em termos de puro volume. Tanto que seu planejamento inspira até hoje os projetos de estádios. Três tipos de colunas emolduravam a estrutura de 54 metros de altura: a ordem dórica na base, a jônica no meio e a coríntia no alto-sequência, típica de um edifício romano de muitos anda-


11 Roma herdou dos gregos a visão humanista do mundo. Além disso, assim como os helenos, os romanos eram politeístas, adorando as mesmas divindades gregas

res. O equilíbrio das colunas verticais e das faixas horizontais formadas por arcos dava unidade ao exterior, relativizando a enorme fachada numa escala mais próxima à humana. Durante os períodos medieval e moderno, no entanto, o edifício foi utilizado como fonte de material de construção. Apenas em meados do século XVIII cessou a exploração do local. O Panteão (118 – 125 d. C.) é outro grande exemplo da arquitetura romana. A suntuosidade e a harmonia das linhas destacam-se nesse monumento aos deuses. Construído em Roma durante o reinado de Adriano, a fim de reunir a grande variedade de deuses existentes em todo o Império, esse templo, com sua planta circular fechada por uma cúpula, cria um local isolado do exterior. Era nele que o povo se reunia para o culto. Essa nova concepção arquitetônica, séculos mais tarde, influenciaria a ideia de templo no cristianismo.

Exceção a essa tradição era a produção em série de bustos, semelhantes a deuses, de imperadores, políticos e líderes militares, dispostos nos prédios públicos de todo o Império, reafirmando a presença de uma autoridade mesmo a milhares de quilômetros de Roma. Outra corrente importante da escultura romana foi o relevo narrativo. Painéis de figuras esculpidas representando feitos militares decoravam arcos de triunfo, sob os quais desfilavam os exércitos vitoriosos, conduzindo longas filas de prisioneiros acorrentados. A coluna de Trajano (106-113 d. C.) é o mais ambicioso desses monumentos. Com 30 metros de altura, retrata importantes vitórias militares da época desse governante, responsável pelo período das maiores expansões do Império.

As termas, onde eram realizados os banhos públicos, também se destacaram no cotidiano romano. Ponto de encontro dos cidadãos, local de conversação e do exercício da vida política e intelectual, elas já existiam em outras civilizações, mas foram amplamente desenvolvidas e utilizadas em Roma. A estrutura das termas seguia a organização espacial da cidade romana e apresentava pinturas e mosaicos decorativos.

No auge de seu esplendor, o Império Romano estendia-se da Inglaterra ao Egito, da Espanha ao sul da Rússia. Assim, os romanos absorveram elementos de culturas mais antigas por estarem expostos a costumes estrangeiros, notavelmente da Grécia, e acabaram por transmitir a cultura greco-romana a toda a Europa ocidental e ao nor te da África.

As termas de Caracalla, em Roma, por exemplo, foram construídas entre 212 e 217, durante o governo do imperador Caracalla. Suas ruínas, ainda preservadas, são hoje ponto de interesse turístico, atraindo muitos visitantes.

Inicialmente, o povo de Roma foi engolfado pela influência grega, e galeões carregados de mármores e bronzes chegavam para adornar os fóruns romanos. Quando não havia mais originais, os artistas romanos passaram a fazer cópias. Fundadores do maior império de todos os tempos, os romanos acrescentaram talentos gerenciais, ou seja, organização e eficiência à arte. Na verdade, a arte romana é menos idealizada e intelectual que a clássica grega, porém, é mais secular e funcional. Enquanto os gregos brilhavam na inovação, o forte dos romanos era a administração – por onde marchassem, seus generais traziam a influência civilizadora da lei e os vários benefícios práticos.

Escultura Embora os romanos tivessem copiado maciçamente a estatuária grega, eles também desenvolveram gradualmente um estilo próprio. O fato de terem em suas casas máscaras mortuárias de seus ancestrais, feitas em cera, fez com que essas imagens realísticas influenciassem os escultores romanos.

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arquitetura 12

Construções A “arquitetura sustentável” apresenta alternativas que economizam energia, preservam a natureza e priorizam a qualidade de vida do usuário do prédio Gustavo Antonio

O edifício da loja Farm Harmonia destaca-se na paisagem do bairro da Vila Madalena, em São Paulo, por uma mistura que começa a se tornar comum na arquitetura: tem, ao mesmo tempo, um formato arrojado e características que mostram preocupações ecológicas, como paredes cobertas de plantas. Em virtude desses e de outros elementos – como um sistema hidráulico capaz de armazenar até 6 mil litros de água da chuva, que depois são reaproveitados – o prédio de 500 metros quadrados, planejado pelo escritório franco-brasileiro Triptyque, tornou-se uma referência da chamada “arquitetura sustentável ou verde” do país. Tal conceito prega justamente a conciliação, na arquitetura, de estética com preservação da natureza, uso sustentável dos recursos e qualidade de vida dos ocupantes. Mestre em tecnologia da arquitetura pela USP, na sub-área de conforto ambiental, a professora universitária Cecilia Mattos Mueler define arquitetura sustentável como “aquela que utiliza adequadamente os recursos naturais para oferecer espaços com qualidade ambiental e que satisfaçam aos usuários, tendo ainda como mérito a redução do consumo energético e dos demais impactos ambientais.” Entretanto, a “ideia de arquitetura” sustentável vai além do conforto ambiental e dos aspectos estéticos e funcionais da obra: há também uma preocupação com fatores sociais, como as condições de trabalho dos operários e a procedência dos materiais envolvidos na construção do prédio (se sua obtenção causa ou não impactos ambientais, por exemplo). “No caso da construção civil, o mercado tende a focar mais nas questões ambientais, pois são mais diretamente relacionadas ao espaço construído. Mas para essa discussão ser mais completa, é esperado que as demais preocupações (econômicas e sociais) sejam lembradas, para que o empreendimento, além de ser ecologicamente correto, seja também economicamente viável e socialmente justo”, explica Cecilia Mueler, também proprietária da ArqEficiente Projeto e Consultoria.


Nelson Kon/Divulgação

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Nelson Kon/Divulgação

Ícone da arquitetura sustentável da cidade de São Paulo, prédio da Farm Harmonia se destaca na paisagem da Vila Madalena

A elaboração de uma obra sustentável tem no seu planejamento um ponto decisivo – uma vez que busca a harmonia entre o funcional, o estético e o ecológico, a fim de criar um verdadeiro organismo –, assim como a escolha dos materiais da obra (lâmpadas econômicas e madeira certificada são alguns exemplos de artefatos recomendados). Ligadas a este fator, as técnicas empregadas se relacionam fortemente à iluminação, com a maximização do uso de energias renováveis, à temperatura do ambiente a ser construído e ao reaproveitamento da água. O destino dos resíduos da construção é outra questão importante.

Um bom sistema hidráulico para realizar o reaproveitamento da água é um dos fatores priorizados na arquitetura sustentável

De acordo com Cecilia Mueler, não há uma regra, mas algumas diretrizes são fundamentais em um projeto de arquitetura sustentável: uso de recursos naturais (ventos, sol, chuva, vegetação, topografia, etc.) que se convertem em tecnologias passivas (ventilação natural, iluminação natural, aquecimento solar, resfriamento evaporativo, geotermia etc.); redução ao máximo do uso das tecnologias ativas (ar condicionado, iluminação artificial etc.), buscando, quando possível, a integração com as tecnologias passivas; uso de materiais com bom desempenho estrutural, térmico, acústico e luminoso, que tenham baixa energia incorporada e longo ciclo de vida útil. Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte


Zanettini Arquitetura/Divulgação

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Projeto do Cenpes 2 da Petrobras é um marco na arquitetura sustentável brasileira

Histórico e referências A arquitetura sustentável começou a se popularizar no final dos anos 1990. Porém, no mínimo uma década antes, o brasileiro João Filgueiras Lima, o Lelé, arquiteto responsável pelos inovadores hospitais da Rede Sarah Kubitschek, já elaborava projetos priorizando o conforto ambiental e a eficiência energética, além de se preocupar com os operários e com os usuários do prédio. Atualmente, 40 empreendimentos brasileiros possuem o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), certificado concedido pelo Green Building Council Brasil (GBC Brasil) que atesta a sustentabilidade de um prédio. Segundo a entidade, há outras 371 construções registradas na busca pelo selo. Assim, o país ocupa a quarta posição no ranking mundial de construções sustentáveis, atrás de Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e China. Em 2011, o Prêmio GBC, na categoria Obra Pública Sustentável, foi para o projeto de ampliação do Cenpes (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello), da Petrobras, no Rio de Janeiro, elaborado pelo arquiteto Siegbert Zanettini. Segundo a especialista Cecilia Mueler, a obra tem um importante significado para a arquitetura sustentável brasileira. “Esse projeto foi um marco porque nunca antes um cliente de porte, como a Petrobras, tinha exigido, de uma forma tão direta, os quesitos de sustentabilidade durante todo o processo de projeto para ter como produto final um complexo de edifícios de alto desempenho energético, baixo impacto ambiental e com estética diferenciada”, diz.

O Cenpes 2, um projeto interdisciplinar de arquitetura, paisagismo, eco-eficiência, entre outras, apresenta sistema de reaproveitamento de águas das chuvas e de efluentes sanitários, que, obviamente, são tratados em uma estação antes de irem para o sistema de ar condicionado. Também foram planejadas várias áreas verdes entre os prédios – próximo dos laboratórios, há jardins para a realização de reuniões ao ar livre. Os tetos apresentam venezianas direcionais, com inclinação própria para facilitar a captação da luz solar e da ventilação natural. O aço foi adotado como sistema estrutural por, entre outros aspectos, ser o material com maior grau de reciclagem. Fora do Brasil, um dos expoentes da arquitetura verde é o inglês Norman Foster, responsável por projetos como os dos prédios do Parlamento Alemão, em Berlim, e do banco Commerzbank, em Frankfurt, ambos com uma estrutura toda voltada para o aproveitamento dos recursos naturais, principalmente para a utilização de energias renováveis. As obras do arquiteto italiano Renzo Piano, como a Academia de Ciências da Califórnia (famosa pela grande quantidade de vidros, que garantem um alto aproveitamento de luz natural) e o Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou, na ilha de Nova Caledônia, no Pacífico Sul, também são mundialmente conhecidas. Popularização Apesar da boa aceitação entre grandes empresas, a arquitetura “verde” ainda não se popularizou na construção de moradias. O motivo para tal situação seria o alto custo de uma obra sustentável. A especialista Cecilia Mueler


admite que tecnologias como hélice para energia eólica e painéis fotovoltaicos e solares ainda apresentam preços pouco acessíveis. Há, porém, alternativas simples e baratas, como implantar janelas que se abram para o vento e para a luz, ou erguer a casa em direção às orientações solares adequadas. “A partir do momento em que a demanda por esse mercado de soluções aumentar, surgirão novos fornecedores e se investirá mais no aprimoramento dos produtos, incentivando a concorrência saudável. Com isso, os preços cairão.E há de se lembrar que esse custo adicional, se hou-

ver, é amortizado durante o uso e operação do edifício de melhor desempenho”. Ou seja, o custo-benefício de uma obra sustentável compensa. Contudo, é justamente Siegbert Zanettini, premiado por seu projeto do Cenpes 2, que faz um alerta sobre a arquitetura sustentável. “Não devemos confundir a oportunidade do assunto, que precisa ser aprofundado para que a construção atinja um elevado nível técnico e estético, com o oportunismo de utilizar a questão da sustentabilidade como objetivo de marketing e de promoção de vendas”, adverte o arquiteto e professor da FAU-USP.

Departamento de Audiovisual do Dante

Dante

No EcoArquitetando, alunos e professores do Dante utilizaram tintas atóxicas, à base de leite e pigmentos naturais, em atividades plásticas

Cadeira de papelão, um dos exemplos de sustentabilidade apresentados no EcoArquitetando

EcoArquitetando - Sustentabilidade no Colégio Dante Alighieri A arquitetura sustentável esteve presente nas atividades dos alunos do Ensino Médio do Colégio Dante Alighieri em 2011. Os departamentos de Arte, Biologia, Física e Química fizeram uma parceria com a Anab (Associação Nacional de Arquitetura Sustentável) para a realização do projeto EcoArquitetando, cujo objetivo foi trabalhar com os jovens as diversas questões relacionadas à sustentabilidade. Os trabalhos foram realizados em vários locais, de fevereiro a junho de 2011. Na sede da Anab, por exemplo, orientados pelo professor de bioarquitetura Francisco Lima, os estudantes tiveram contato com luminárias que utilizam energia solar, tetos verdes, pisos construídos por meio de reutilização de pneus, móveis em papelão e outros produtos passíveis de reaproveitamento. No contexto das formas de energia sustentáveis, os alunos pesquisaram a reciclagem do lixo produzido em um dia de atividade normal dentro do Colégio e visitaram a área destinada à separação dos resíduos que sofreriam a reciclagem apropriada. A partir desta visita, construiu-se um aquecedor solar de garrafas pet. Outra iniciativa consistiu na criação de um minhocário, no qual foi reaproveitado o lixo orgânico coletado na cantina. Posteriormente, aplicaram a produção desse espaço em diversas áreas verdes nos jardins do Dante. Houve ainda a produção de tintas atóxicas, feitas à base de leite e pigmentos naturais. Depois de pronta, as tintas foram utilizadas em atividades plásticas. Sobre a arquitetura verde propriamente dita, os estudantes aprenderam que o termo “ecoarquitetura” é um neologismo que exprime uma forma de planejar e construir usando técnicas simples e complexas, de maneira ambientalmente recomendável, economizando energia e dentro de um contexto de desenvolvimento sustentável. Alunos e professores ficaram lado a lado e aprenderam muito. Foi um momento em que se compartilhou muita informação e se construiu o conhecimento. O trabalho foi muito interessante por conta de situações nas quais todos discutiram as relações entre arquitetura, ciência e ecologia, aprendendo uma relação de conceitos e técnicas que podem ser usados, isoladamente ou em conjunto, em um projeto ecologicamente correto.

Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte

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Artigo 16

Os caminhos na escola Nereide Schilaro Santa Rosa

O pensamento na arte é uma ação transformadora que incomoda, provoca, questiona e reflete. Isto é, uma ação que envolve afetividade e cognição, movimento e emoção. O ensino das artes na escola fundamental faz com que o educador leve aos seus alunos o universo de novos conceitos e a possibilidade de vivenciar novas experiências, através de reflexões e descobertas sobre o fazer artístico. Possibilita também o conhecimento da arte no contexto interdisciplinar e a sua complementaridade com as ciências humanas e outros meios de comunicação. Sinaliza ao educando como se faz arte no mundo contemporâneo e dá oportunidade para descobrir e pesquisar esse fazer artístico de seu tempo com reflexos em todas as áreas de atuação. O aluno crítico adquire uma compreensão consciente sobre a arte e suas representações através de textos e imagens. Essa compreensão proporciona ao educando perceber como a arte produz e reproduz identidades, sejam individuais ou coletivas, e as representações simbólicas dessas identidades. O estudo da arte favorece esse desenvolvimento, e o educador deve utilizá-lo sempre que possível para garantir o acesso de seu aluno à expressividade, à criatividade e à apreciação cognitiva. Esse acesso se dará naturalmente se a mediação do professor favorecer a produção, a fruição e a reflexão. A produção refere-se ao fazer artístico e ao conjunto de questões a ele relacionadas, no âmbito do fazer do aluno e dos produtores sociais de arte. A fruição refere-se à apreciação significativa de arte e do universo a ela relacionado. Tal ação contempla a fruição da produção dos alunos e da produção histórico-social em sua diversidade. A reflexão refere-se à construção de conhecimento sobre o trabalho artístico pessoal e dos


colegas e sobre a arte como produto da história e da multiplicidade das culturas humanas, com ênfase na formação cultivada do cidadão. O fazer artístico cativa as crianças e os jovens. Cabe ao educador proporcionar espaços para que esse “fazer” seja contextualizado e não se perca em meras atividades superficiais e primitivas. O fazer deve estar acompanhado de entendimento, conhecimento e envolvimento, principalmente crítico, em nível social e até mesmo político. O fazer deve estar acompanhado do contexto histórico e de informações sobre os artistas observados, bem como de seus recursos preferidos para a realização de suas obras. Com habilidade, tudo isso pode se transformar em um momento lúdico através de jogos e desafios. O fazer artístico não deve ser desenvolvido somente a partir de releituras de obras, o que se tornou uma prática até mesmo comum e de uso exagerado entre os educadores. Devemos estimular a percepção visual da criança e dos jo-

vens, mas também é preciso desafiá-los a pensar sobre o que perceberam. Afinal, as artes são formas de expressão que têm por objeto imagens e ações, corpos e movimentos, pelos quais compreendemos o mundo em que vivemos, aprendendo a lidar com ele. Assim conhecemos a nossa história, ritos e crenças, nossas reações e ações através do tempo e do espaço. É função dos educadores proporcionar esse contato aos alunos e, ao mesmo tempo, desenvolver meios em sala de aula para que os jovens se tornem agentes transformadores através da arte.

O aluno crítico adquire uma compreensão consciente sobre a arte e suas representações através de textos e imagens. Essa compreensão proporciona ao educando perceber como a arte produz e reproduz identidades, sejam individuais ou coletivas, e as representações simbólicas dessas identidades

Departamento de Audiovisual

Dante

Nereide Schilaro esteve no Colégio para lançar ‘Os Caminhos da Arte Italiana no Brasil”

Livro “Os caminhos da arte italiana no Brasil” é lançado no Dante A arte-educadora, pedagoga e escritora Nereide Schilaro Santa Rosa proferiu uma palestra aos professores e alunos dos 9ºs anos do Colégio Dante Alighieri em 26 de março de 2012. O evento marcou o lançamento do mais novo livro da autora, “Os caminhos da arte italiana no Brasil”. A obra fala justamente da influência da arte italiana nos trabalhos de artistas brasileiros. Nereide nasceu em São Paulo e trabalhou como pedagoga por 25 anos. Escritora especialista em arte e música, publicou mais de cinquenta livros . Recebeu diversos prêmios, como Jabuti, em 2004, e o Altamente Recomendável, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil- FNLIJ. Neta de italianos, Nereide admite que a ascendência familiar foi um dos motivos que a levou a escrever “Os caminhos da arte italiana no Brasil”. “A arte italiana é fundamental. E também tem um lado emotivo, pois tenho cidadania italiana, além da brasileira”, disse. Durante a palestra, a escritora mostrou imagens de obras de italianos que visivelmente foram inspirações para artistas brasileiros. “A arte brasileira, assim como a arte universal, deve muito aos grandes mestres italianos. Muitos artistas brasileiros se inspiraram e aprenderam com a arte italiana. Entretanto, mais do que em outros países, tivemos o privilégio de permitir que arquitetos e pintores tivessem espaço para construir uma obra que revela os caminhos da arte italiana no Brasil. Cabe a nós, espectadores, apreciar e entender como tudo isso aconteceu.”

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entrevista

Departamento de Audiovisual

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um pioneiro no mundo da fotografia Felipe Guerra

Conselheiro do Dante lançou uma revista dedicada a revelar novos fotógrafos e criou o primeiro laboratório fotográfico digital do Brasil

Carlo Cirenza, sócio e conselheiro fiscal do Colégio Dante Alighieri, não nasceu com uma câmera fotográfica nas mãos, mas conseguiu uma logo cedo. Graças ao presente do seu pai, uma Kodak Instamatic 126, ele começou, aos seis anos, a explorar a fotografia. Desde então, nunca parou de registrar imagens. E fez mais: sempre procurou inovar no mundo da fotografia, lançando uma revista dedicada a revelar talentos na área, além de criar o primeiro laboratório fotográfico digital do Brasil. Aos 16 anos, Carlo iniciou seus trabalhos como freelancer para o jornal O Estado de São Paulo, ofício que perdurou por 11 anos – nem sempre com pautas tão agradáveis. Em 1984, o fotógrafo, também formado em Administração pela FGV-SP, fundou o Paparazzi Estúdio Fotográfico, empresa dedicada à fotografia editorial, publicitária e jornalística. Por meio do trabalho do estúdio, inaugurou uma galeria fotográfica a céu aberto em frente à escola em que estudou quando criança. Antes, porém, ajudou a diretoria da instituição de ensino a reparar o local. Entusiasta das novas tecnologias, Carlo criou, em 2000, o primeiro laboratório fotográfico digital do Brasil, vendido posteriormente à divisão brasileira da Kodak, a Pro Color. O fotógrafo também tem grande experiência na realização de curadorias e já saiu do Brasil para realizar diversas exposi-


ções. Nos últimos dois anos, tem trabalhado na recuperação do acervo do fotógrafo Hélio Oiticica e de José Oiticica Filho, pai de Hélio. O centro que acolhia as imagens de ambos os fotógrafos sofreu um incêndio e perdeu grande parte do material, cabendo a Carlo a tarefa de recuperá-lo. Carlo Cirenza ainda ostenta no currículo o feito de ter fundado, em 1995, a revista Paparazzi Arte Fotográfica, dedicada a revelar e expor grandes talentos da fotografia no país. Em 1999, a publicação chegou ao mercado americano e, até 2003, ano de sua última edição, havia circulado por 13 países. Além disso, o fotógrafo já trabalhou com publicações infantis. Em 1986, editou 80 livros destinados a esse público. Três anos depois, também como editor, foi o responsável por uma versão infantil do Novo Testamento, publicado em cinco países europeus. Agora, ministra aulas de fotografia nos cursos livres do Colégio Dante Alighieri.

Divulgação

Nessa entrevista à InArte, Carlo conta um pouco de suas experiências no mundo na fotografia – como as dificuldades na transição do sistema analógico para o digital –, passando

Comecei a fotografar em 1966, com seis anos de idade. O equipamento era uma Kodak Instamatic 126, que eu ganhei do meu pai. Ele era fã das artes e um fotógrafo amador

por sua carreira como fotojornalista e como curador de importantes exposições. Além disso, ele afirma que pretende fazer uma revista parecida com a Paparazzi Arte Fotográfica. Desta vez, porém, em formato digital. Quando começou a fotografar, e com que tipo de equipamento? Comecei a fotografar em 1966, com seis anos de idade. O equipamento era uma Kodak Instamatic 126, que eu ganhei do meu pai. Ele era fã das artes e um fotógrafo amador. Acho que ele queria escalar alguém da família para fotografar os momentos caseiros, algo que ele fez por muito tempo quando os filhos eram menores. Quando iniciou os estudos de fotografia, e quais foram os primeiros trabalhos que fez? Comecei a estudar em 1974. Os primeiros trabalhos foram solicitados por amigos e familiares. Alguns casamentos, bodas e festas. Fiz, por bastante tempo, fotografia social. Detestava isso. Infelizmente é uma das áreas da fotografia que mais dá retorno financeiro. A transição da fotografia analógica para a digital foi fácil? Não. Foi um processo muito doloroso. Fora a resistência ao novo, houve falta de instrutores e os equipamentos e programas digitais eram e continuam sendo muito caros. A carência de bons instrutores foi sanada. Alguns bons

Carlo fundou, em 1995, a revista Paparazzi Arte Fotográfica, dedicada a revelar e expor grandes talentos da fotografia no país

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equipamentos estão mais acessíveis, mas certos programas ainda têm preços não muito “amigáveis”.

Como era trabalhar como repórter fotográfico do jornal O Estado de São Paulo?

Quais são as principais consequências da transição da fotografia analógica para a fotografia digital? Como consequências positivas, destaco o barateamento do processo fotográfico e a democratização do ato de fotografar, que deixou de ser uma ação elitista e tornou-se popular. Dessa maneira, qualquer um pode e deve fotografar. O lado negativo foi que, ao menos no início, a qualidade da imagem digital deixava a desejar. Quando comecei a fotografar com câmeras digitais, em 1999, a qualidade era realmente péssima. Hoje isso foi superado.

Eu era freelancer do jornal. A rotina era possuir um bip [ou pager, aparelho eletrônico por meio do qual o usuário recebe mensagens, bastante utilizado nas décadas de 1980 e 1990] e receber chamadas para as pautas. Apesar de fazer capas e boas matérias, o freelancer costumava receber muitas pautas horríveis, como cobrir assuntos para o caderno Cidades. À época, o maior castigo era cobrir cinofilia [área destinada a estudos para o desenvolvimento de raças de cães]. O Estadão tinha uma coluna de cinofilia, acredite se quiser. E eu trabalhei bastante com pautas dessa área.

A modernização dos recursos, que facilitou a fotografia contínua e sem desperdícios, tende a tornar os fotógrafos modernos menos sensíveis?

Como foi participar do projeto “Adote uma escola”, e qual é a ligação que você tem com a instituição escolhida [Escola Municipal de Ensino Infantil Pedroso de Morais]?

Acho que não. Apesar da popularização, o bom olhar e a boa luz continuam iguais. Quem era bom continua bom, e quem era ruim continua ruim. Os novos fotógrafos têm a vantagem disso que você chama de registro contínuo. O ato de fotografar é muito barato, basicamente de graça. Isso faz com que os novos fotógrafos não tenham receio de experimentar, algo quase impossível com o processo analógico devido aos altos custos.

Estudei na escola Pedroso de Morais de 1963 a 1965. Naquela época, a instituição era bem cuidada e havia participação dos pais na manutenção do ambiente. Lembro-me do meu pai, juntamente com outros pais, pintando o estabelecimento nos fins de semana. Por obra do destino, fui, em 1984, trabalhar em frente à instituição. Naquele ano, a escola estava totalmente arruinada. Uma tragédia. Posteriormente, em 1998, junto à Secretaria Municipal de Educação, celebrei um contrato de adoção da escola. A Paparazzi [empresa fundada por Carlo] reformou a escola e, em troca, eles permitiram a construção da galeria [Paparazzi, galeria a céu aberto, próxima à escola]. A galeria funcionou de 1998 até 2010, quando expus um trabalho do Ivan Cardoso.

Que pontos positivos e negativos você destaca na fotografia editorial, publicitária e jornalística, três dos ramos mais comuns da área? O editorial de moda tem um certo glamour, mas não é bem remunerado. Já a fotografia publicitária é a mais bem remunerada, mas, infelizmente, eu a detesto. O fotojornalismo é o mais interessante do ponto de vista do exercício da profissão. Em qual segmento você prefere trabalhar, e por quê? O que eu mais gosto de trabalhar é o mercado de arte. É muito difícil de sobreviver, mas é a área em que o fotógrafo pode se exercitar livre de pautas ou interesses. É um mercado muito pequeno. Costuma-se dizer que ele é igual a uma kitnet: é só abrir a porta que você já viu tudo. Além disso, ele é elitizado, pelos valores, pela especulação e pelo saber. Muitas produções são desconhecidas. O modismo é outro fator desestimulante. Os valores são desproporcionais. Ou estão acima, ou estão abaixo do justo. Tem ideia de quão difícil é esse mercado?

Quantas curadorias fez até hoje? É um trabalho fácil de realizar? Foram centenas. Trabalhar com artistas não é fácil. Eles têm uma personalidade muito vaidosa, com pedidos muitas vezes descabidos. Outro problema é quando o artista já faleceu e os familiares não têm conhecimento do assunto e também não valorizam o trabalho do fotógrafo. Não valorizam, muitas vezes, por desconhecimento. Mas o prazer de trabalhar com isso está na realização, por ver o resultado do projeto e o retorno dos visitantes. Qual é a curadoria que mais gostou de fazer? A que mais me encantou foi a que fiz no Ludwig Mu-


Divulgação

Apesar da popularização da fotografia, o bom olhar e a boa luz continuam iguais. quem era bom fotógrafo continua bom, e quem era ruim continua ruim

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Como curador, Cirenza organizou diversas exposições, como a “Brasiliens Gesichter”, na Alemanha

seum, em Koblenz, na Alemanha, chamada “Brasiliens Gesichter”. Levei mais de 50 fotógrafos brasileiros para lá. Todos eram jovens e desconhecidos. O retorno do público e o resultado foram fantásticos. A exposição durou três meses e recebeu mais de 30 mil pessoas, número impensável no Brasil. Eles produziram um catálogo maravilhoso, outra coisa difícil para fotógrafos iniciantes. A Pinacoteca do Estado quis, inclusive, trazer a exposição para cá, mas não conseguiu entrar em acordo com os fotógrafos. Foi uma pena. Como foi dar aulas no Dante? Você já deu aula em outras instituições? Eu lecionei na Escola Panamericana de Arte e na FAAP, público totalmente diferente do daqui. No Dante, a experiência foi fantástica. Foram apenas quatro alunos, mas o aproveitamento foi muito bom. O curso, semestral, passa pela história da fotografia e vai até as técnicas de captura e tratamento de imagens. Os alunos produzem, ainda, um livro, um slideshow e uma exposição com o material gerado por eles mesmos. Seria interessante contar com novas turmas, mas isso dependerá do interesse dos próprios alunos. Como e por que entrou no mercado das publicações infantis? Trabalhei um período com o fotógrafo Pierre Yves Refalo, fotógrafo publicitário que fazia livros infantis para a editora Melhoramentos. Ele me repassou esse trabalho [de produzir 80 livros infantis] em 1986 por estar atolado com outros compromissos. Em 1989, eu produzi o Novo Testamento em formato infantil. Lançado na Feira do Livro de Frankfurt, ele foi publicado em cinco países

em seus respectivos idiomas: Inglaterra, Itália, França, Alemanha e Espanha. O trabalho é insano, mas compensador. Que trabalho em especial tem feito nos últimos tempos? Eu trabalhei, nos últimos dois anos, na recuperação do acervo dos fotógrafos José Oiticica Filho e Hélio Oiticica, filho de José. O projeto Hélio Oiticica sofreu um incêndio e grande parte do acervo foi prejudicada. O trabalho, felizmente, foi totalmente recuperado e em breve será compartilhado com o público. E, aproveitando o seu trabalho na revista Paparazzi Arte Fotográfica, você planeja desenvolver algo semelhante a ela? Essa foi a única revista de arte fotográfica do Brasil. Ela circulou em 13 países. Em 2003, o distribuidor da revista nos Estados Unidos teve problemas financeiros e deixou de me pagar. Foi quando eu fechei a publicação. Agora, estou com vontade de fazer um projeto semelhante, mas em formato digital. Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte


Mostras de Arte 22

Bienal de Arte: conheça algumas das exposições mais tradicionais do mundo artístico O termo “bienal” refere-se a qualquer evento que seja realizado de dois em dois anos. Entretanto, a denominação está intimamente ligada a realizações culturais. E o exemplo maior desse tipo de interação são as bienais de arte. Aproveitando que em 2012 se realizam algumas das mais importantes mostras, a InArte destaca nas próximas páginas as principais exposições de arte do mundo (incluindo a Documenta de Kassel, realizada de cinco em cinco anos).

das pioneiras em um ramo – o das grandes exposições – que se tornaria tradição das artes a partir século XX. A iniciativa surgiu de um grupo de intelectuais de Veneza, chefiados pelo prefeito da cidade italiana na época, Riccardo Selvático. Nas primeiras edições, as artes decorativas se destacavam, enquanto que, após a Primeira Guerra Mundial, com o evento já recebendo grande número de artistas estrangeiros, as inovações da arte moderna ganharam espaço.

Bienal de Veneza A Bienal de Veneza, mostra internacional de arte realizada desde 1895, é um marco na história da cultura ocidental por ter sido uma

Em 1930, a prefeitura de Veneza perdeu o controle do evento para o governo nacional fascista, que investiu pesado na Bienal, criando novos segmentos, como o

Festival de Música (1930), o Festival de Cinema (1932) e o Festival de Teatro (1934). Após uma pausa de seis anos, decorrente da eclosão da Segunda Guerra Mundial, a Bienal foi retomada em 1948, dedicando uma atenção especial para os movimentos de vanguarda europeia e, em seguida, para os movimentos da arte contemporânea e internacional. Em 1968, os protestos que mobilizavam jovens do mundo todo também chegaram a Veneza, causando tumulto na abertura da mostra daquele ano. Já em 1974, a mostra tingiu-se, efetivamente, de um caráter político, suscitado por pedidos de liberdade para o Chile, que no ano anterior


Andrés Otero /Divulgação

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Bienal de São Paulo é realizada no pavilhão planejado pelo arquiteto Oscar Niemeyer

havia caído na ditadura de Augusto Pinochet.

número 54, foi realizada em 2011.

Em 1995, comemorou-se o centenário da Bienal com uma grande festa, com Festival de Teatro, Exposição Internacional de Arte, Festival de Música e o Festival de Cinema. No ano seguinte, ainda houve uma exposição de Arquitetura para fechar as comemorações da efeméride.

“A Bienal é como se fosse uma máquina de ventar. A cada dois anos, sacode a floresta, revela verdades escondidas, dá uma nova força e ilumina novas possibilidades, mostrando velhos troncos e persistentes galhos através de diferentes perspectivas. A arte aqui é uma constante evolução”, afirmou Paolo Baratta, diretor da Bienal na edição de 2011.

Quanto à sua estrutura administrativa, na última reforma realizada, em 2004, a Bienal de Veneza tornou-se uma fundação. O evento, em si, é composto por diversos pavilhões, e os artistas são representados dentro dos espaços destinados ao país de origem. Até o momento, a última edição da Bienal de Veneza, a de

Bienal de São Paulo Foi inspirado justamente na Bienal de Veneza que o casal Francisco Matarazzo Sobrinho (Ciccillo Matarazzo) e Yolanda Penteado criou a Bienal de São Paulo, cuja primeira edição foi reColégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte


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O termo “bienal” refere-se a qualquer evento que seja realizado de dois em dois anos. Entretanto, a denominação está intimamente ligada a realizações culturais

Obra do venezuelano Juan Irribaren exposta na 30ª Bienal de São Paulo

alizada em 1951. Dois anos depois, o evento conseguiu um grande feito: expôs, pela primeira vez no Brasil, o quadro “Guernica”, do pintor espanhol Pablo Picasso. A Bienal, com sua escala monumental, funcionando no pavilhão projetado por Oscar Niemeyer, no Parque do Ibirapuera, mantém um importante mecanismo de acesso à arte. Ao visitarem a exposição, milhares de pessoas apreciam e, de certa forma, interagem com a produção artística contemporânea. A Bienal de São Paulo tem também uma atuação pioneira no campo educativo, uma vez que investe no poder da arte para instruir. Parcerias foram firmadas com

as Secretarias de Educação do Estado e do Município de São Paulo e com inúmeras instituições e ONGs – todas com a finalidade de capacitar uma infinidade de educadores para que o tema da Bienal possa ser trabalhado em sala de aula. De 7 de setembro a 9 de dezembro de 2012 é realizada a 30º Bienal de São Paulo, sob o título de “A Iminência das Poéticas”. Em março deste ano, o curador-geral, Luis Peres-Oramas, anunciou a lista de 110 artistas participantes da edição da mostra, destacando que 60% das obras seriam inéditas ou criadas especialmente para o evento. “A 30ª Bienal de São Paulo tem como centro curatorial


Divulgação

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“Manto de Apresentação”, obra de Arthur Bispo do Rosário, é um dos destaques da 30ª bienal

os temas da multiplicidade, transicionalidade, recorrência e permanente mutabilidade das poéticas artísticas. Por poéticas entende-se o repertório instrumental que permite que um indivíduo, uma coletividade, um campo disciplinar ou uma tradição estabeleça, de forma intuitiva, intencional ou inconsciente, as estratégias ou plataformas discursivas que tornam possíveis atos expressivos de caráter artístico”, anuncia a organização do evento. Enfim, temos entre nós um grande evento do circuito mundial da arte contemporânea. Em evidência desde a década de 1950, a mostra – de origem paulista, mas de influência mundial – proporciona a fruição do grande

público com as criações do novo Ocidente. Em um arco que vai da Bienal de Veneza até a Documenta de Kassel, a Bienal de São Paulo é ponto de referência na história da arte contemporânea.

Em um arco que vai da Bienal de Veneza até a Documenta de Kassel, a Bienal de São Paulo é ponto de referência na história da arte contemporânea

Documenta de Kassel A Documenta de Kassel, citada no texto acima como uma das três mais importantes mostras do mundo – juntamente com a Bienal de Veneza e a Bienal de São Paulo –, é considerada a maior exposição de arte contemporânea da atualidade. O evento é realizado na Alemanha a cada cinco anos, durando aproximadamente 100 dias. Sua primeira Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte


Fotos: Departamento de Audiovisual do Dante

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Desenhos de Dante Alighieri pintados pelos alunos formaram um mural comemorativo do centenário do Colégio

edição ocorreu em 1955, nas ruínas do Museu Fridericianum, primeiro projeto arquitetônico de um museu público construído na Europa, em 1779, mas destruído em grande parte pelos bombardeios de novembro de 1944, no fim da Segunda Guerra Mundial.

“darem um pouco de vida” à cidade de Kassel, privilegiaram, na exposição, o resgate das vanguardas europeias – com destaque para ar tistas como Picasso e Paul Klee –, uma vez que essas eram consideradas ar tes “degeneradas” pelo regime de Adolph Hitler.

Quando idealizaram e criaram a Documenta, o ar tista Alfred Bode e o historiador da ar te Werner Haftmann estavam dispostos a apagar alguns dos fantasmas deixados pelo Nazismo. Assim, além de

O lado político, aliás, sempre esteve presente na Documenta. A exemplo do ocorrido na Bienal de Veneza, em 1968, estudantes protestaram e exigiram um maior conteúdo social da exposição alemã. Já na “Documen-

Apesar de toda a tradição, a Documenta só se internacionalizou efetivamente em 2002, sob a curadoria do nigeriano Okwui Enwezor. E essa descentralização da mostra atinge seu ápice até o momento na “Documenta 13”, realizada em 2012.

Cristov-Bakargiev, enquanto a chefe do departamento de curadores do evento foi a espanhola Chus Martínez. Algumas atividades foram deslocadas para o Oriente Médio, com palestras e discussões em Cabul, Cairo e Alexandria. Há um longo processo de reflexão sobre a apreciação de arte e suas condições de produção no mundo de hoje, totalmente globalizado.

Inaugurada no dia 9 de junho, a exposição teve como diretora artística a escritora ítalo-americana Carolyn

A “Documenta 13”, que se encerrou em 16 de setembro, teve a ambição de apresentar um painel mundial da

ta 5”, o artista Joseph Beuys promoveu uma discussão com os visitantes sobre democracia direta.


Fotos: Departamento de Audiovisual do Dante

Alunos exercitam seus dotes artísticos nas oficinas da Bienal de Arte do Dante

arte contemporânea, exibindo 150 artistas de 55 países. Além disso, houve uma centena de outros participantes procedentes de várias áreas: literatura, cinema, economia, militância política, feminista ou ambiental, física, biologia e até mesmo zoologia.

Arsenale – 1ª Bienal de Kiev

“Precisamos da ar te, assim como da religião e da filosofia, para aprofundar as coisas e descobrir a nós mesmos. A ar te pode nos iluminar”, disse o presidente da Alemanha, Joackim Gauck, sobre a “Documenta 13”.

Uma das atrações da mostra foi justamente o lugar onde esteve instalada: um antigo depósito de armas, o Mystetsky Arsenal, mantido em segredo pelos militares ucranianos durante vários anos.

A novata das bienais é a Arsenale, realizada em Kiev, capital da Ucrânia. A primeira Bienal de Arte Contemporânea do local teve sua abertura em 24 de maio e prosseguiu até 31 de julho de 2012.

O curador da mostra, DaColégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte


Fotos: Departamento de Audiovisual do Dante

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A multiartista Leda Catunda visitou a Bienal do Dante e viu trabalhos de alunos baseados em sua obra

vid Elliott, selecionou 250 instalações representativas de arte global, incluindo um trabalho do artista chinês Ai Weiwei, ativista político e crítico do governo chinês.

trabalhos de alunos do Jardim até a 1ª série do Ensino Médio – os estudantes das 2ª e 3ª séries do Ensino Médio par ticiparam apenas das oficinas.

Bienal de Arte no Dante

A Bienal de Arte do Colégio trouxe a exposição de obras dos alunos e a realização de diversas oficinas. O 6º ano do Ensino Fundamental, por exemplo, trabalhou com os temas Pré-história, Arte rupestre e Egito, usando como plataforma placas de canson, as quais os estudantes pintaram com aquarela e tintas plás-

O Colégio Dante Alighieri também tem sua Bienal de Ar te. A par tir de 2011, a mostra ar tística da Escola deixou de ser anual e passou a ser realizada de dois em dois anos. Em setembro do ano passado, o Depar tamento de Ar te promoveu o evento, com

ticas e recobriram de areia. Já o 7º ano fez esculturas em blocos de cimento, gravura e isogravura em isopor pluma, além de pinturas com tinta guache em papel color-plus. Os alunos do 8º ano trabalharam com a pop art de Andy Warhol, retratando espaços do Colégio por meio de pinturas com anilina sobre fotografias. Aos estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental coube a missão de monitorar os trabalhos de artes plásticas na oficina ministrada por Claudio Callia, em que

foi feita a modelagem, em argila, do barco de Caronte (d’A Divina Comédia). Os alunos do 9º ano também auxiliaram os participantes nas modelagens livres. Trabalho parecido foi feito pelos estudantes da 1ª série do Ensino Médio, responsáveis por monitorar a oficina de pintura do artista Claudio Canato. Nessa atividade, os participantes pintaram placas de madeira com a figura de Dante Alighieri, que, também baseadas na pop art de Andy Warhol, formaram um grande mural comemorati-


Fotos: Departamento de Audiovisual do Dante

Bienal de Arte do Dante recebeu um bom público

vo ao centenário do Colégio – depois de montado, esse mural com 100 placas foi instalado na parede interna adjacente ao portão da Escola que dá acesso à Alameda Casa Branca. Outra atração da Bienal foi o Prêmio Modigliani. O concurso de autorretratos, inspirado na obra do italiano Amedeo Modigliani, acolheu alunos do 6º ano do Ensino Fundamental até a 2ª série do Ensino Médio do Dante. O vencedor foi Lucas Alencar, da 2ª série do Ensino

Médio, premiado com uma viagem à Itália com direito a acompanhante. Cabe ainda destacar a visita da pintora, escultora, artista gráfica e visual e professora Leda Catunda à Bienal do Dante, onde pôde conferir alguns trabalhos de alunos baseados em sua obra.

Em uma das oficinas da Bienal do Dante, alunos modelaram, em argila, o barco de Caronte (d’A Divina Comédia)

“[A Bienal] foi excelente. Alunos e pais trabalharam com muita dedicação, e a Bienal foi super visitada”, avaliou a professora Sandra Romanello, coordenadora do Departamento de Arte do Colégio. Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte


Processos artísticos 30

A concepção de uma Artista plástico Claudio Canato fala à InArte sobre as etapas do processo para criar seus trabalhos

O renomado artista plástico Claudio Canato se emocionou no dia 30 de janeiro de 2012 ao inaugurar seus painéis pintados na parede do Colégio Dante Alighieri, trabalho que lhe fora encomendado como parte das celebrações do centenário da Escola. Ex-aluno da instituição, Canato realizou o sonho de deixar sua arte em um dos edifícios mais tradicionais da cidade de São Paulo. “Hoje é um dia especial, pois pintar as paredes do Dante Alighieri é um sonho antigo. Tenho a arte em mim desde que nasci e estou tendo a chance de dividi-la com vocês. Sempre imaginei pintar vários lugares públicos e, quando dei por mim, percebi que estava pintando em um dos principais locais de São Paulo”, afirmou Canato na ocasião. Nas paredes do edifício Leonardo da Vinci, Canato pintou os painéis “Homenagem a Leonardo” e “A Divina Comédia I e II (este último, em fase final de elaboração) ”. Agora, na primeira edição da InArte, o artista nos contempla com um depoimento sobre seu processo criativo para a realização dessas e de outras obras. Confira a seguir o depoimento de Claudio Canato: Tema e esboço O primeiro passo do meu processo é a escolha de um tema. O estudo aprofundado desse tema me permite for-


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mar imagens já bastante claras, que em seguida começo a esboçar no papel. O próximo passo é a criação da imagem total do painel, um esboço geral sem muito detalhamento. Na verdade, essa é a primeira ideia do “corpo” ou do “todo” do painel. Faço uma série de cálculos e traço a estrutura de composição da imagem, que chamo de “linhas mestras” – linhas que organizam geometricamente o espaço pictórico, localizando, por exemplo, os centros do painel, suas diagonais e, o mais importante, as medidas áureas. A partir dessa estrutura, começo, de fato, a construção da imagem, já acrescentando alguns detalhes. Personagens Um painel possui uma narrativa que é contada por seus personagens. Assim, faço vários esboços das figuras principais isoladamente; estudo várias posições até encontrar a melhor ou a mais expressiva para cada um dos personagens. Depois de analisar todas as figuras, uma a uma, vou montando a imagem definitiva do projeto.

Faço vários esboços das figuras principais isoladamente, estudo várias posições

É importante dizer que meus estudos e projetos na verdade são “pontos de partida” para o trabalho final, o que significa que ao longo do processo muita coisa acontece. Às vezes, até de forma inesperada, uma nova ideia aparece ou uma nova posição é encontrada; enfim, o trabalho é construído durante o “fazer” e, ao longo de todo o processo, estou aberto a intuições que vou tendo e incorporando à obra. Vejo meu trabalho como um grande organismo, que vai aos poucos tomando forma e ganhando vida.

até encontrar a melhor ou a mais expressiva para cada um dos personagens

Etapas do “fazer” Divido o “fazer” em três etapas: a primeira é a transposição do projeto para a parede. Após preparar a superfície com camadas de diferentes argamassas (processo denominado “imprimação”), traço toda a estrutura de Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte


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composição e começo a riscar as figuras (ampliadas) diretamente na parede usando carvão. Em seguida, retiro o excesso do carvão e refaço todo o traçado usando tinta cor sanguínea, o chamado “bistre”. A esse processo dou o nome de “guardar o desenho”, uma vez que, dessa maneira, ele fica registrado de forma definitiva por baixo das camadas da pintura. Assim, posso voltar ao traço original caso venha a perder a figura.

“sotto dipinto” ou “underpainting”. Nesse ponto, já passo a estudar os volumes anatômicos, bem como a luz e a sombra do quadro. A base é a fase intermediária, na qual a pintura está se formando e tudo está sendo analisado e modificado para um melhor resultado – o que pode significar a aplicação de várias camadas de tinta. A conclusão do trabalho

Tendo feito todo o traçado, começo a aplicar uma camada de tinta que chamo de “base”, também conhecida como

Quando tudo me parece satisfatório e no lugar, começo a


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Painel “A Divina Comédia II”, localizado no Edifício Leonardo da Vinci, no Colégio Dante Alighieri

última etapa da pintura, o “acabamento”. Enquanto nas fases anteriores havia usado muito empaste ou camadas mais espessas de tinta, a partir de agora começo a intercalar camadas cada vez mais finas de tinta diluída em óleo de linhaça – são “velaturas” que vão modificando principalmente a intensidade das cores e as luzes. Passo várias camadas até o término da obra. Nesse momento, trabalho os principais detalhes e a iluminação de cada figura e de todo o painel. Por fim, passado um ano de secagem, aplico uma fina camada de verniz para uma melhor conservação da obra.

Pintar é meu ofício e gostaria de expressar toda a minha gratidão ao presidente José de Oliveira Messina, bem como à diretoria executiva do Colégio Dante Alighieri pelo apoio e incentivo. Para mim, pintar as paredes do Colégio é mais que um sonho: é a certeza de estar fazendo algo para gerações. O mais gratificante é receber diariamente o carinho das crianças e pensar que estou fazendo parte da vida delas, isto é, de alguma maneira, minha arte vai transformá-las. Essa talvez seja a maior função da arte e a maior realização de um artista. Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte


ARTE no dante 34

A no centenário do Colégio Escola realizou a exposição “Dante nas Rosas non Finito” na Casa das Rosas para celebrar os cem anos

De 15 a 30 de setembro de 2011, a Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura) abriu suas portas para a exposição “Dante nas Rosas Non Finito”. A mostra, um dos eventos comemorativos do centenário do Colégio Dante Alighieri, apresentou obras de artistas que integram a comunidade dantiana. A professora Sandra Smith Silveira Romanello foi a organizadora da exposição, que teve curadoria de Olívio Guedes, diretor do MUBE (Museu Brasileiro da Escultura). A grande homenageada da mostra foi a pintora Germana de Angelis. Ela entrou no Dante em 1935 como aluna e seguiu na Escola até 1983, como professora de Arte – apesar de garantir que, mes-

mo após a aposentadoria, continua muito próxima do Colégio. A mostra contou ainda com quadros do consagrado pintor Fulvio Penacchi (19051992), ex-professor de desenho do Dante. Artistas como Aguilar, A.F. Cestari, Claudio Callia, Claudio Cannato, Flávia Piovacari, Hajaj, Jairo Sigon, JL Messina, Laura Martini, Beatriz Perotti, Rolando Scurzio e Sylvia Loew também tiveram suas obras expostas na “Dante nas Rosas Non Finito”. “A arte reflete a vida do homem; sua história; suas emoções; sua vivência; suas cores e suas dores; sua música, seus gritos, sua paz. Em seu centenário, o Colégio Dante Alighieri, que amamos incondicionalmente, pôde se orgu-

lhar de expor a arte de alguns de seus brilhantes ex-alunos – uma parte de suas vidas, de suas emoções, de suas histórias. Captando todas essas expressões, a Casa das Rosas abriu suas portas para abrigar os diferentes trabalhos que espelham o percurso poético de cada um desses artistas. A este espaço dedicado às letras e às artes, deixamos o afetuoso agradecimento de todos os dantianos de ontem, de hoje e de amanhã”, afirmou a professora Sandra Smith Silveira Romanello, coordenadora de Arte do Dante. A seguir, você confere algumas das obras de cada artista que foram expostas na mostra “Dante nas Rosas Non Finito”, acompanhadas por poesias escritas pelo presidente do Colégio, dr. José Oliveira Messina.


35 Momento feliz!!! Alegria que brota Em nossos corações Como no canteiro A rosa encarnada Dá vida ao amor! Éramos crianças! Nosso caminho, A esperança que, No Dante, nascia Para vencermos um dia! Nossas professoras,

Com encanto e mestria, Na infância nos enriqueciam: Amorosas, pacientes, Também rigorosas... Na juventude, em campo Professores que nos aguardavam, Certos de que o nosso preparo Havia sido, com amigas mãos, Caldeado para o futuro enfrentar. Assim, chegamos no festivo dia... Hoje, sonho realizado de repente...

A F Cestari

filosofando O que fazem as estrelas? Qual o seu trabalho? Se estáticas, viveriam? Brilhariam de tristeza? Os planetas caminham... Bailam no Universo. Luzem, são filhos do Sol, De lãs, pais carinhosos.

Homens, em viagens lunares. Artefatos outros no espaço. Alguns vivos, outros mortos. Lixo que se acumula no ar... O que se espera para a Terra? Rica natureza por Deus presenteada: Campos, mares, ar, fenômenos mil! Pode-se pensar em destruição?

Aguilar

Sou... Não sou... Sou matéria abstrata? Sou matéria concreta? No abstrato vivo melhor. No concreto vivo pior. Vivo melhor quando De tudo me abstraio... Vivo pior quando

De tudo participo... Quando me abstraio, Ouço o hino da paz! Quando participo, Ouço musical da guerra! O que sou? O que não sou?

Beatriz Perotti

nada passa

Claudio Callia

O tempo não passou... Ontem é hoje, hoje é amanhã Amanhã é hoje, hoje é ontem. O tempo não passou! Crianças Jovens Menos jovens Mais jovens Crianças A idade não passou!

Poeta Prosador Filósofo A cultura não passou! Fé no tempo... É da oração Nasça o amor No fundo do coração... O Natal não passou!


opção

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Sem nuvens... Azul infinito eis o céu! Pureza da pureza, Verdade da verdade.

Homem: o que deseja? Nuvens no céu, impureza na impureza, mentira na mentira? Opte... Tempo sem tempo!

Claudio Canato

Carrinho de frutas

Flavia Piovacari

Não agride a paisagem O carrinho de frutas Armado na calçada... Ornamento da cidade civilizada. Quantas frutas... Quantas cores... Quantos perfumes... Quanta água na boca. Abacaxis em fatias, Mangas com as unhas descascadas. Bananas como flor saboreadas.

Figos roxos e brancos. Não falta o verde coco. A melancia, que delícia... Fruta do conde, goiabas não se escondem! Do Nordeste o caju agreste. Nesse cenário tão belo, Abelhas amigas trabalham... Trabalha também o patrão, Tudo limpa, com vassoura na mão!

Velocidade & pensamento Que velocidade Tem o pensamento? A do vento? A da luz? Ou a do momento? A do vento: Derruba árvores, Enfurece o mar, Arrasta o homem Para o abismo!

A da luz: Chega aos satélites Chega aos planetas Toca nas estrelas Volta em versos! A velocidade do momento Não vai para o firmamento. Nasce, cresce e morre Com o instinto malvado No estatelar o inocente!

Germana de Angelis

lua Como a nuvem que aparece Em céu azul de repente Depois forma figuras Ora decifráveis, ora não, Surgiu tua enigmática face... Impressionou, para sempre, O pobre ser inexperiente!

Nuvem, mulher multicolorida Abriste uma ferida... Ao te despedires à tarde Cobriu-te a noite gélida! No veludo salpicado de astros O menor deles brilhou... Lua: o que diz tua presença?

Hajaj

vida Se, na vida, Tenho um objetivo, Passo a viver com vida, Repleto de incentivo! Se, na vida, Não me descubro, Laura Martini

Sou um fantasma Que anima um esqueleto. Como é viver com vida? Como é viver no escuro? Onde vive a morte? Onde vive o futuro?


gota d’água

Rolando Scurzio

Gota d’água doce Da natureza também riqueza! Gota que multiplica com gota Vai saciando o pedinte solo Tornando-o fértil e feliz... De gota em gota d’água Formam-se torrentes, lagos, O Rio Mar, o hercúleo Amazonas! Seus afluentes, valorosos filhos, Todos com vigor, exultantes, Veem a poderosa seca vencida... Embrenham-se nas florestas, Alimentam sedentas raízes, Acolhe répteis, peixes, ferozes animais,

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Pássaros de todos os portes, cantos e cores, Também macacos que brincam com borboletas! De gota em gota d’água Vive o “Chico”, que chega à amada Bahia Como gigante que tira o pesadelo Do valente Nordeste, do irmão nordestino! A eles responde o São Francisco com forte voz: Estéreis plagas, brasileiros sofredores, Irei carinhosamente socorrê-los...

janelas Abrem-se as janelas! A vida começa chorosa. Continua chorosa... Torna-se alegre... O tempo passa... Homem pronto Desafia o encontro Que tem pela frente.

Arma-se do saber, Descobre o mundo! Fecham-se as janelas! Para dentro, figuras Que se embaralham, Em pano branco envoltas Todas se atrapalham...

Predominaria o verde, venceria o vermelho, o azul triunfaria o amarelo... Surgiriam montanhas, vulcões ou lagos incrustados em areia? Misteriosas cidades vivas ou mortas, com raízes no passado, na história dos povos... Camelos açoitados pelo vento no deserto de ar fervente. Figuras gemendo, olheiras fundas, magras de fome

pela febre arrepiadas na imaginação do abstrato oásis! Favelas no vertical barranco, Bonecos orando preces esquecidas. Flores em moderna concepção. Que matéria? Que cores, Ao seu corpo ávido, viriam aderir? Realidade: Impôs-se triste roxo com forma disforme, na desconformidade do sonho que, misturando os matizes, não trouxe o artista!

Sylvia Loew

o sonho da tela

J L Messina

Tela de um branco virgem aguardando temerosa o despertar do pintor. Como teria ele passado a noite? Que sonhos teria tido? Em breve saberia, pelo seu olhar, pelo toque do pincel, pelo jogar das tintas. Mais que tudo, pelas coloridas formas que aos poucos tomariam conta de sua alva pele.

sol Sol, meu amigo! Tu me viste nascer, Tu me acompanhaste No meu crescer... Sol, parte da minha vida: Estou triste por partires J Sigon

Fugindo pela densa mata Cegando meus olhos... Sol, luz amiga! Amor, de fiel calor. Promete-me que voltarás... Espero-te no amanhecer!


Arte na prática 38

Tempus Fugit, Sapientia Manet Claudio Callia

“Como ex-aluno – e como neto do maestro Salvatore Callia, que envolveu as gerações seguintes da família no universo do Colégio Dante Alighieri – criei laços com essa instituição impossíveis de serem descritos.”

Fotos: Departamento de Audiovisual do Dante

Quando tive a oportunidade de conhecer o presidente do Colégio Dante Alighieri, dr. José de Oliveira Messina, fiquei, inicialmente, admirado por sua afetividade, acolhimento e dedicação ao trabalho que realiza na Escola. Em breve, certa concordância de pensamentos e princípios, aliada ao nosso idêntico amor pelas artes e pela cultura, fez nascer entre nós uma amizade espontânea, na qual pudemos explorar diálogos sobre os mais variados temas, que, por sua vez, me conduziram à reflexão de novos assuntos, novas possibilidades. Naquele dia, voltei para casa com a sensação de um aluno que recebe uma grande instrução e que se responsabiliza por levar seu dever de casa para ser resolvido. Um dos temas da nossa conversa havia sido o Centenário do Colégio Dante Alighieri, que então se aproximava. Após alguns dias, retornei à sua sala com algumas sugestões referentes a essa comemoração. Prontamente, o dr. Messina me apresentou à Comissão do Centenário – responsável pela definição dos projetos que comemorariam a data especial. Nessa ocasião – março de 2009 – tive a oportunidade de compartilhar propostas e ideias com os respectivos integrantes, que então vislumbraram e avalizaram a execução de uma obra monumental que dignificasse os méritos conquistados pelo Colégio no decurso desses anos. Foi assim, entre diálogos, valores culturais e entendimento mútuo com relação às viabilidades e competências, que a obra “Tempus Fugit, Sapientiae Manet” nasceu.


Desde o início dos trabalhos, procurava por uma locução em latim que sintetizasse o significado cultural, artístico e histórico da composição escultórica e que coroasse o arco projetado

Durante minha formação artística, entendi que o processo de criação e desenvolvimento de uma obra de arte depende, primordialmente, do aprimoramento de uma ideia original, a partir da qual elementos distintos convergem para a constituição de um todo. Dessa forma, desde que fui designado a executar a obra em questão, analisei e desenvolvi diversos estudos nas áreas de desenho, mitologia, arquitetura e engenharia de estruturas, entre outros, os quais deveriam se alinhar sob um único foco, antes que o primeiro bloco de argila fosse colocado em seu devido lugar. Em seguida, deu-se a disposição de novos blocos, uns sobre os outros, até que formas rudimentares começassem a ser reveladas. Iniciava-se aí um longo período de modelagem e silêncio – somente rompido pela minha comunicação com a obra, momento em que a criação exige alterações ao seu criador. De todo modo, após atribuir movimento, dinâmica e sensações à fria argila, considerei que, finalmente, poderia colocá-

-la sob a apreciação de novos e expectantes olhares... Nas visitas ao ateliê, os envolvidos nas comemorações do Centenário articulavam expressões de surpresa e aprovação: – Madonna!!! Senza parole! Cosa e questo? O que temos aqui? – entre outras, que quebravam, assim, aquela atmosfera de silêncio. Desde então, centenas de alunos, professores, funcionários etc. passaram a acompanhar a evolução dos trabalhos, não sem acrescentar, no entanto, elementos inestimáveis à obra. De fato, com as pontas de seus dedos, cada um dos visitantes, fosse “grande” ou “pequeno”, eternizou suas marcas, gravando-as no bronze e, especialmente, na própria memória. Com a proximidade do inverno, cujas condições climáticas são desfavoráveis à argila, passei a me dedicar, exclusivamente, ao detalhamento e à finalização da obra. A baixa umidade do ar retira a água presente na argila, comprometendo sua plasticidade e estabilidade. Já que se previa inaugurar a Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte

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No mês de dezembro de 2011, quase dois anos após seu início, o grande relevo chegou ao seu destino. Em 30 de janeiro de 2012, o monumento “Tempus Fugit, Sapientia Manet” foi, finalmente, inaugurado

obra no início do ano letivo de 2012, era preciso, portanto, correr contra o tempo, por mais notórias as inconveniências de se trabalhar com um prazo curto. Afinal, para um artista, “uma obra nunca é concluída, e, sim, declarada finalizada... frequentemente a contragosto”. Numa tarde de junho, consciente das limitações temporais que se apresentavam, concentrei-me nos últimos entalhes de definição das vestes da deusa Athena, quando fui surpreendido pelo toque do meu celular ecoando no ambiente. Para minha agradável surpresa, tratava-se de um chamado do dr. Messina. Depus meus instrumentos de desbaste e fui ao encontro do presidente, que, em tom alegre e convidativo, me dirigiu seus cumprimentos: – Professor Callia, s´accomodi... Enquanto me sentava à sua frente, notei um sorriso discreto – típico de alguém prestes a finalizar uma partida de xadrez –, enquanto movia em minha direção uma pequena folha de papel dobrada ao meio... – Cosa trovi (o que você acha)? – perguntou-me... Desde o início dos trabalhos, procurava por uma locução em latim que sintetizasse o significado cultural, artístico e histórico da composição escultórica e que coroasse o arco projetado. Conhecedor da erudição do dr. Messina, não tardei em envolvê-lo nessa busca literária. Dias se seguiram até chegarmos àquele momento em que recebi e desdobrei a folha de papel entregue por suas mãos, com os seguintes dizeres: “Tempus Fugit, Sapientia Manet”. Ato contínuo, formalizei-lhe o convite para que aceitasse o patronato da obra. Com o batismo da peça e a posterior conclusão da modelagem, precisei mudar de endereço artístico: do ateliê, carinhosamente conhecido como “amarelinha”, para uma fundição de bronzes artísticos situada em Itapecerica da Serra. Agora, em lugar dos meus instrumentos de modelagem, manejava equipamentos e ferramentas de fundição: cadinhos de metal incandescente, máquinas de solda, usinagem, polimento etc. Com efeito, uma verdadeira equipe de artesãos peritos no ofício da fundição em bronze entrou em cena. A fim de copiarmos fielmente cada detalhe do relevo, revestimos a escultura com uma fina camada de silicone. Em seguida, sobrepusemos a essa camada uma lâmina de fibra de vidro para conferir rigidez ao molde, – que retrata a imagem “negativa” exata da original. Dentro do molde, despejamos cera de abelha derretida para a obtenção de uma reprodução perfeita da original em argila, a chamada cópia “positiva”. Consumi as semanas seguintes manuseando ins-


Em torno do “positivo” já retocado, construiu-se uma carapaça dura que foi submetida a temperaturas superiores a 700 oC, provocando o derretimento da cera e vazando um espaço por onde o bronze líquido seria vertido. A esse processo dá-se o nome de “cera perdida”. A liga metálica que compõe o bronze foi derretida num forno de fusão a 1300 oC . As carapaças previamente aquecidas foram levadas incandescentes até a área de fusão. Um cadinho fervilhante que transporta o bronze líquido foi vertido dentro da carapaça. Após o resfriamento do metal fundido, iniciou-se o processo de usinagem da obra. Devido às grandes proporções da obra, sua fundição foi segmentada em oito partes, de modo que, na eventualidade de qualquer imperfeição no metal, cada uma pudesse ser retrabalhada separadamente. Feitas as devidas correções, e mediante o uso de técnicas de soldagem, remontamos o quebra-cabeça que constituía o conjunto escultórico mediante o uso de técnicas de soldagem. Ponteiras, lixas e jatos de areia habilmente manuseados prepararam as peças para receber seu acabamento: a pátina. Elementos químicos que atacam o cobre presente na liga do bronze foram também utilizados, alterando a cor original da liga de acordo com minhas formulações pessoais.

No mês de dezembro de 2011, quase dois anos após seu início, o grande relevo chegou ao seu destino. Inúmeros foram os esforços realizados pelos funcionários do Colégio e pela equipe da fundição para transportar e instalar o monumento no espaço designado, cujo preparo exigira a utilização de elementos de fixação dimensionados segundo especificações técnicas, apontadas em laudo de perícia estrutural. Em 30 de janeiro de 2012 – em solenidade presidida pelo próprio dr. José de Oliveira Messina – o monumento “Tempus Fugit, Sapientia Manet” foi, finalmente, inaugurado. Uma escultura de grandes proporções como essa resulta, por certo, de um imenso esforço coletivo. Sendo assim, a assistência, a dedicação e o apoio de todos os envolvidos direta ou indiretamente em sua realização foram de fundamental importância para a concretização do projeto. Essa foi, com efeito, uma conquista da família dantiana! Gostaria de agradecer a confiança que o Conselho, a Diretoria e a Presidência depositaram em mim desde o início – mesmo quando mantinha parcial sigilo em relação às minhas criações. Partilho os méritos com minha esposa Sibele, pela dedicação e assistência profissional; com minha mãe Isolina, pelo incentivo e carinho; e com meus dois filhos, Claudio Ettore e Gianpaolo, pela compreensão, já que, por vezes, se privaram da companhia dos pais em proveito de uma obra que entenderam ser, para sempre, muito importante.

Sérgio Zacchi

trumentos aquecidos a fim de reparar as emendas e imperfeições constantes na cópia em cera.

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Plataformas de Arte 42

A arte em comemorativos Ao longo do tempo, estampilhas serviram de plataforma para retratar política, cultura e personalidades

Mesmo em um mundo onde as mensagens digitais e as relações virtuais são predominantes, o selo postal, artefato intrinsecamente relacionado a cartas e correspondências, ainda tem espaço de destaque – seja pelo interesse que desperta como um objeto de estudo ou de coleção de milhares de pessoas, seja por sua capacidade de representação cultural. Principalmente quando essa estampilha é comemorativa e, assim, traz um elemento artístico em sua composição. “Os últimos números (2011) da União Postal Universal (UPU), órgão ligado à ONU, mostram um incremento de envios de remessas postais em todo o mundo. Além disso, nunca se emitiu tanto selo postal comemorativo na história desse objeto e nunca o selo postal esteve tão valorizado no mercado internacional enquanto objeto colecionável”, explica o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Diego Salcedo, doutor em comunicação e autor de livros como “A ciência nos selos postais comemorativos brasileiros: 1900-2000” e “Pernambuco nos selos postais: fragmentos verbovisuais de pernambucanidades”. O selo foi criado oficialmente por Rowland Hill, na Inglaterra, em 1840, como uma taxa pela qual o remetente da carta financiava o serviço de transporte e entrega de correspondências – que antes ficava a cargo do destinatário. A primeira estampilha, denominada “Penny Black”, possuía a efígie da rainha Vitória, um brasão ou a cifra. Devido às suas fortes relações comerciais e políticas com a Inglaterra na ocasião, o Brasil tornou-se o segundo país do mundo a emitir selos postais. A série conhecida como “Olho de boi” (em referência à ilustração central, que englobava a cifra), de 1843, foi a primeira lançada por aqui. Porém, ao contrário do inglês, o selo brasileiro não estampava a figura do seu governante da época, o imperador Dom Pedro II. A “Olho


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A série “Olho de Boi” foi a primeira lançada no Brasil Fonte: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos

Em 1900, na celebração do 4º Centenário do Descobrimento do país, o selo comemorativo foi usado no Brasil pela primeira vez Fonte: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos

de boi” foi sucedida pelas séries “Inclinados” (1844), “Olhos de cabra” (1850) e “Olhos de gato” (1854). Apenas em 1866, D. Pedro II permitiu que seu rosto fosse colocado nas estampilhas – até mesmo como uma forma de aumentar sua popularidade no país. Já o selo comemorativo foi utilizado no Brasil pela primeira vez em 1900, na celebração do 4º Centenário do Descobrimento do país. Dois anos mais tarde, as emissões que festejaram o 3º Congresso Pan-Americano tiveram repercussão internacional. De acordo com o professor Diego Salcedo, os selos comemorativos começam a ser emitidos com mais frequência no final do século XIX como uma forma de celebrar a independência das colônias ao redor do mundo. “A importância do selo postal adesivo do tipo comemorativo advém do fato de rememorar, principalmente, símbolos diretamente atrelados aos processos de independência/emancipação de colônias ao redor do mundo. Esse tipo de selo postal foi, em primeira medida, o registro do grito de liberdade das colônias e o início do discurso de construção de suas identidades e soberanias nacionais”, diz. Ao longo dos anos, o Brasil emitiu diversos selos comemorativos. A partir de 1969, com a criação da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), artistas plásticos e desenhistas foram contratados para trabalhar na elaboração desses apetrechos, ao mesmo tempo que se observou uma melhoria nos equipamentos de impressão dos selos. Além disso, quadros de pintores famosos, como “Cinco moças de Guaratinguetá”, de Di Cavalcanti, foram reproduzidos no formato de comprovante postal. As iniciativas da ECT surtiram efeito e os selos comemorativos brasileiros – como a série “Folguedos e Bailados Populares” (1981) e o bloco “Literatura de Cordel – Lubrapex 86” Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte


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(1986) – ganharam diversos prêmios internacionais. Além disso, o país foi pioneiro ao emitir o primeiro selo do mundo com legendas em braille (1974). A ênfase da arte nas emissões comemorativas foi reforçada com o concurso “Arte em Selo”, realizado por ocasião da 23ª Bienal de Arte de São Paulo, em 1996, em que, entre 3 mil artistas, 50 foram selecionados para criar novas estampilhas. Temas Os Correios definem selo comemorativo como um “selo postal de tiragem limitada, alusivo à comemoração de data de destaque no segmento sociocultural, com repercussão nacional ou internacional”. Há ainda os selos especiais (“selo postal temático não comemorativo, de tiragem limitada”), que também envolvem um trabalho artístico em sua elaboração. Apesar das pequenas diferenças, tanto os comemorativos quanto os especiais podem aludir aos seguintes temas: eventos ou manifestações culturais, artísticas, científicas e esportivas de repercussão nacional ou internacional, que apresentem interesse temático; acontecimentos históricos; ação governamental; personalidades; chefes de Estado; atletas com a primeira colocação nos Jogos Olímpicos da Era Moderna; ganhadores de Prêmio Nobel; preservação do meio ambiente; aspectos do turismo nacional; e valores da cidadania, direitos humanos e outros assuntos relacionados ao bem-estar da humanidade.

Quadros de pintores famosos, como “Cinco moças de Guaratinguetá”, de Di Cavalcanti, já foram reproduzidos no formato de selos Fonte: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos

Selos brasileiros, como os da série “Folguedos e Bailados Populares” (1981), receberam diversos prêmios artísticos Fonte: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos

desde eventos como Copas do Mundo até campanhas, como a de combate ao HIV/AIDS, já foram contempladas com artes de selos comemorativos e especiais


Assim, desde eventos como Copas do Mundo até campanhas, como a de combate ao HIV/AIDS, já foram contempladas com artes de selos comemorativos e especiais.

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A prática da arte em selos – principalmente nos comemorativos –, obviamente, não se restringe ao Brasil. Em geral, também nos outros países, essas estampilhas retratam fatos históricos, datas festivas, avanços da ciência, da medicina e da tecnologia, assim como as personalidades de destaque em uma sociedade. “Cada selo postal adesivo deve ser considerado documento constituído de valor histórico, econômico, político, ideológico, cultural, mnemônico. Tanto pesquisadores quanto o público não pesquisador deve ter o direito ao acesso a esse artefato, para poder olhá-lo com calma, exercitando o próprio exercício do olhar, frente àquilo que é apreendido apenas olhando. Olhá-lo questionando-o. Creio eu que, com o passar do tempo, o selo também será entendido cada vez mais como objeto de pesquisa científica e de ensino”, afirma o professor Diego Salcedo.

O artista plástico e ex-aluno Claudio Callia criou um selo usado nas correspondências do Colégio durante 2011

O designer gráfico Gustavo Guatelli elaborou ainda um outro selo, também utilizado pelos Correios

O selo feito pela aluna Ana Beatriz Martelli Rocca foi eleito para uso interno nos materiais de divulgação do Colégio

Selo elaborado pela aluna Isabella Comegna da Silva foi usado no cruzeiro comemorativo do centenário

Departamento de Audiovisual do Dante

Departamento de Audiovisual do Dante

Dante A aluna Ana Beatriz Martelli Rocca (na foto, ao lado do presidente, dr. José de Oliveira Messina, e da coordenadora de Arte, Sandra Romanello) teve seu selo eleito para uso interno no Colégio

O selo elaborado pela aluna Isabella Comegna da Silva foi utilizado para o cruzeiro comemorativo

Selo comemorativo do Centenário do Dante Em comemoração ao centenário do Colégio Dante Alighieri, em 2011, o Departamento de Arte promoveu um concurso para os alunos do Ensino Fundamental I ao Ensino Médio. Utilizando lápis de cor, guache ou aquarela, com papel canson A5 como suporte, os estudantes desenharam imagens alusivas à data comemorativa para criar dois selos: um para uso interno nos materiais de divulgação da Escola, e outro para o cruzeiro comemorativo dos cem anos. Inicialmente, três trabalhos de cada classe foram selecionados. Em seguida, as 30 melhores obras passaram pelo crivo da comissão organizadora dos festejos do centenário dantiano. Ao final do concurso, a aluna Ana Beatriz Martelli Rocca viu seu selo ser eleito para uso interno nos materiais de divulgação do Colégio, enquanto a ilustração feita por Isabella Comegna da Silva foi utilizada para o cruzeiro comemorativo. Além dos trabalhos das estudantes, o engenheiro, artista plástico e ex-aluno do Dante Claudio Callia foi outro a colaborar com a produção de alguns trabalhos filatélicos em homenagem aos cem anos do Dante: criou uma marca d’água, um sinete para lacre de cera e um selo, usado nas correspondências do Colégio. O designer gráfico Gustavo Guatelli elaborou ainda um segundo selo, também utilizado pelos Correios.

Autorização de uso da imagem dos selos: Departamento de Filatelia e Produtos/ECT


Fotografia 46

Os

da fotografia Em uma época em que vários pesquisadores tentavam registrar uma imagem, Niépce e Daguerre ficaram conhecidos como os inventores da técnica fotográfica

Mark Yuill/Shutterstock

Quem vê a facilidade atual para se tirar uma fotografia, seja com um simples celular ou com uma avançada câmera digital, pode não imaginar que a possibilidade de se registrar um momento por meio dessa técnica seja relativamente recente. Em 1826, o francês Joseph Nicéphore Niépce entrou para a história como o primeiro homem a conseguir fixar no papel uma tênue imagem da realidade. Em outras palavras: segundo muitos historiadores, o físico foi o responsável pela primeira fotografia “permanente” da humanidade – proeza alcançada há menos de 200 anos.

Selo comemorativo aos cem anos da fotografia (18391939) com as imagens de Niépce (à esq) e Daguerre

Entretanto, a teoria por trás da experiência de Niépce remonta à Renascença, quando Leonardo da Vinci

fez um primeiro registro detalhado sobre o conceito da câmara escura (cujo princípio, porém, já havia sido estudado pelo filósofo chinês Mo Ti, em 500 a.C.). Da Vinci apontou que a luz que penetrava em um compartimento escuro, através de um pequeno orifício feito em um dos lados da câmara, formava, na parede interna branca à frente do buraco, uma imagem invertida da cena contemplada. Em seus experimentos, Niépce cobriu uma placa de estanho com betume da Judeia, substância capaz de se endurecer ao ser atingida pela luz. Expondo uma dessas placas em uma câmara escura durante cerca de oito horas, o francês registrou a imagem de seu quintal, realizando aquela


que é considerada a primeira fotografia da história. Ao tomar conhecimento do feito de Niépce, o também francês Louis Jacques Mandê Daguerre, que buscava fixar imagens do mundo real em placas de metal polido, utilizando-se igualmente de uma câmara escura, entrou em contato com o compatriota. Os dois formaram uma

sociedade em 1829, ano em que Niépce passou a utilizar-se de placas de metal. Daguerreótipo Com a morte de Niépce em 1833, sua invenção e seus conhecimentos foram herdados pelo sócio, que, porém, tratou de avançar. Daguerre solucionou o pro-

blema da baixa durabilidade da imagem depois de revelada aplicando às chapas uma solução de sal de cozinha aquecida, dotada de iodo. Surgia o princípio do “daguerreótipo”. Por esse mecanismo, uma placa de prata era sensibilizada com vapor de iodo, formando iodeto de prata.

Em seguida, em uma câmara escura, a placa era exposta à luz, o que, devido à transformação dos cristais de iodeto em prata metálica, formava uma imagem capaz de ser revelada com a utilização do vapor de mercúrio. Com hipossulfito de sódio, promovia-se a fixação da imagem na placa. O resulta-

Assim como a maioria das invenções, a fotografia não tem um único criador. São diversos conhecimentos que vão despontando até que alguém os una, condensando-os em um produto final Otto Stupakoff/Divulgação

Obra sem título de Otto Stupakoff apresentada na mostra da FAAP

Valdir Cruz/Divulgação

“Paisagens com árvores e lagos”, de Valdir Cruz, foi outra obra exibida na FAAP

Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte

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na chapa metálica, com a ajuda de mercúrio aquecido, uma imagem perfeita em todos os detalhes. Em pouco tempo, incontáveis daguerreotipistas garantiram o sucesso da invenção.

A França divulgou o processo ao mundo inteiro, e o folheto de 79 páginas redigido por Daguerre foi traduzido para diversas línguas. Conforme as explicações desse manual, qualquer pessoa poderia construir uma câmara, polir e sensibilizar as placas, fazer a exposição – por cerca de meia hora – e revelar,

Com sua pensão vitalícia, Daguerre retirou-se para uma pequena cidade no interior da França e passou o restante de seus dias pintando quadros e desenhando cenários para peças de teatro.

Jens Stolt/Shutterstock

do era um positivo em baixo relevo. Em 1839, Daguerre, ofereceu sua invenção ao governo francês, que reconheceu a nova técnica e recompensou o cientista com uma pensão vitalícia.

Inventado na França, Daguerreótipo popularizou a fotografia

Uma observação, no entanto, merece ser feita. Assim como a maioria das inven-

A técnica da fotografia só adquire o status de arte quando seu resultado apresenta rigor, criatividade, beleza e um significado

Jr Duran/Acervo FAAP

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“Jenny”, de JR Duran, foi uma das obras expostas na mostra “Momentos e Movimentos”

ções, a fotografia não tem um único criador. São diversos conhecimentos que vão despontando até que alguém os una e os condense em um produto final. Ao mesmo tempo em que Niépce e Daguerre criavam e aperfeiçoavam um método, o inglês William Fox Talbot desenvolvia o calótipo ou talbótipo, que propunha o registro de imagens por um sistema posi-

tivo/negativo. Enquanto isso, em Campinas, interior de São Paulo, o francês Hércules Florence também inventava um modo de fotografar – ele alegava ter descoberto a técnica antes de Daguerre, mas, por estar no Brasil, não teria sido reconhecido como inventor. Contudo, um título, pelo menos, Florence ostenta: foi ele quem criou o termo “fotografia”.


contar histórias.

De qualquer forma, passados mais de 170 anos do surgimento da daguerreotipia (momento em que podemos falar em um reconhecimento oficial da nova técnica), a fotografia continua nos encantando, pois ela transforma o momentâneo em algo imortal. As fotos têm o poder de congelar o tempo e

Hoje, novos métodos, como o processo digital, tornaram a fotografia mais acessível. Entretanto, mesmo estando ao alcance de qualquer pessoa com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, a técnica adquire status de arte apenas quando seu resultado apresenta rigor, criatividade, beleza e uma imagem com um significado diferente.

Thais Staut /FAAP

Magia e arte da fotografia

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Estudantes apreciam as obras da exposição na FAAP

Integrantes da ONG Acorde também visitaram a exposição e realizaram atividades relacionadas à fotografia

Alunos do Dante aprenderam um pouco mais sobre fotografia na visita à mostra “Momentos e Movimentos”, na FAAP

Thais Staut /FAAP

Thais Staut /FAAP

Dante Alunos do Dante e da ONG Acorde visitam exposição de fotografias Alunos do Colégio Dante Alighieri e integrantes da ONG Acorde visitaram, em março, a exposição de fotografia “Momentos e Movimentos”, no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB-FAAP). A mostra, visitada em três dias por diferentes turmas da Escola, exibiu 170 imagens arquivadas pelo museu nos últimos dez anos. Para apresentar a diversidade de autores, temáticas e procedimentos, o curador, Rubens Fernandes Júnior, dividiu a exposição em cinco núcleos, que variaram da beleza do corpo humano e da moda contemporânea em diferentes épocas a fotomontagens com críticas sociais relacionadas à política e à cultura dos anos 1980. As imagens foram registradas por 34 fotógrafos de vários países, como o francês Jean Manzon, a eslovena Stane Jagodic, o espanhol JR Duran e os brasileiros Thomas Farkas (húngaro de nascimento, mas naturalizado brasileiro), Otto Stupakoff e Luiz Tripolli. Os alunos do 9º ano e da 1ª série do Ensino Médio do Dante puderam usar as fotos vistas na exposição como parâmetro para os trabalhos que desenvolvem ao longo do ano relacionados à técnica fotográfica. Os departamentos de Arte, Inglês, Língua Portuguesa e Tecnologia Educacional, organizadores da visita, também decidiram incluir integrantes da ONG Acorde no passeio. A instituição sem fins lucrativos oferece educação complementar e extensão cultural a crianças, adolescentes e jovens do Jardim Tomé, na periferia de Embu, em São Paulo, recebendo a ajuda do Dante em alguns projetos. Segundo a professora Sandra Romanello, coordenadora do Departamento de Arte, a intenção ao incluir os alunos da Acorde na atividade foi dar-lhes a chance de fortalecer as diversas linguagens de expressão: interpretativa, pictórica, sonora, plástica e espacial, propiciando o desenvolvimento intelectual, social e afetivo dos educandos. Além disso, após a visita à exposição, os integrantes da Acorde participaram de atividades relacionadas à fotografia, fazendo imagens que serão organizadas em uma exposição virtual com legendas em português e inglês.

Colégio Dante Alighieri | Novembro 2012 | InArte


memórias 50

Colégio Dante Alighieri: dos 90 aos 100 anos

Fotos: Sandra Smith Silveira Romanello

A Escola completou 100 anos em 2011 com uma grande festa. Dez anos antes, os 90 anos também mereceram várias comemorações. Relembre-as nas próximas páginas

Em 9 de julho de 2011, o Colégio Dante Alighieri completou seu primeiro centenário. Durante todo o ano, foram realizados festejos de alto nível, como um concerto musical e uma exposição de obras de arte – eventos que contaram, no mais, com a participação de ex-alunos. Dez anos antes, em 2001, o Colégio também realizou uma série de comemorações pelos seus 90 anos. Aqui na seção “Lembranças”, da revista InArte, relembraremos alguns dos eventos realizados na ocasião. Na época, o presidente do Colégio era o senhor Guglielmo Raul Falzoni, enquanto o diretor-geral pedagógico era o professor Renan de Abreu. Para os festejos dos 90 anos, foi formada a comissão organizadora com os seguintes nomes: Carlos Henrique Alvarez Nicolás; Elizabeth Faro de Faria; Fernando Homem de Montes; Ilda Loschiavo, Maria Cleire Cordeiro, Sandra Smith S. Romanello e Suely Lerner. A solenidade de abertura das festividades internas dos 90 anos do Dante realizou-se no dia 5 de março de 2001, no Ginásio de Esportes “Túlio Nelson Canale”, em dois horários: 7h45 e 13h20. A cerimônia contou com o hasteamento das bandeiras e com discursos do presidente, Sr. Guglielmo Falzoni, e do diretor-geral pedagógico, professor Renan de Abreu. Os alunos da 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental (equivalentes às salas do 2º ao 5º ano do


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Ensino Fundamental, atualmente) fizeram uma apresentação musical, assim como o coral do Colégio, que executou as canções “Mérica” (homenagem à imigração italiana) e “Tiro ao Álvaro” (homenagem a Adoniran Barbosa). Houve ainda a leitura de poesias da professora Maria Cleire

Seguindo um roteiro com os principais fatos da história do Colégio, os alunos, em grupos de quatro pessoas, criaram diversos projetos no campo das artes plásticas, enfatizando sempre a coragem, a determinação e a o altruísmo dos fundadores tanto quanto dos que deram continuidade a todo este trabalho do Dante

sobre a Escola e a premiação dos estudantes que haviam criado selos comemorativos. Também como parte das comemorações dos 90 anos do Dante, sob a orientação do Departamento de Arte e da


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professora Sandra, alguns alunos criaram mosaicos que estão instalados até hoje na parede que faz a divisa entre as quadras e a Alameda Itu. Entre os mosaicos lá fixados, está o trabalho vencedor do concurso para a eleição do selo comemorativo dos 90 anos. Além disso, há figuras de Dante Alighieri e dos locais do Colégio que foram anteriormente fotografados. O objetivo do projeto, na época, foi promover o entrosamento dos alunos por meio do trabalho em grupo. Esse estímulo à ação coletiva induzia a que os alunos não só colocassem sob exame o próprio trabalho, aceitando-o independente de eventuais limitações, mas se apoderassem de critérios adicionais para a avaliação, também, da produção alheia. Tratava-se, assim, de um exercício crítico pelo qual os alunos reorganizavam os elementos expressivos, o que, de quebra, lhes possibilitava uma fruição mais abalizada das obras. Seguindo um roteiro com os principais fatos da história do Colégio, os alunos, em grupos de quatro pessoas, criaram diversos projetos no campo das artes plásticas, enfatizando sempre a coragem, a determinação e o altruísmo dos fundadores assim como dos que deram continuidade a todo este trabalho do Dante, elevando a instituição ao posto de estabelecimento de ensino respeitado e admirado.


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Para as festividades do centenário, em 2011, seguiram-se os mesmos passos. A trajetória do Colégio foi exaltada em história em quadrinhos, em selos comemorativos, em um painel formado por 100 figuras de Dante Alighieri, coloridas das mais diferentes formas pelos alunos da Escola, e em uma escultura em bronze do Barco de Caronte (d’A Divina Comédia).

O objetivo, na época, foi promover o entrosamento dos alunos por meio da atividade de grupo. Esse estímulo à ação coletiva induzia a que os alunos não só colocassem sob exame o próprio trabalho, aceitando-o independente de eventuais limitações, mas se apoderassem de critérios para a avaliação, também, da produção alheia


Técnicas de arte 54

gravada Conheça um pouco da história e dos procedimentos da gravura em metal

Fotos: Departamento de Audiovisual do Dante

Em tempos remotos, a gravura era a principal forma de registro ou reprodução de imagens. Dividida em vários tipos, de acordo com o material usado como suporte – xilogravura (madeira), litogravura (pedra), gravura em metal e serigrafia (mais recente, que tem como suporte poliéster ou nylon) –, essa técnica continua sendo muito utilizada atualmente como uma expressão artística, mesmo diante de todo desenvolvimento tecnológico alcançado. Nesta edição, a InArte tratará, em especial, da gravura em metal. Datam de 1500 as obras mais antigas que foram realizadas utilizando-se dessa técnica. O alemão Albrecht Dürer, um dos grandes nomes da Renascença, e Peter Paul Rubens, expoente do Barroco, foram alguns dos primeiros artistas famosos a gravar em metal. Ligado inicialmente à ourivesaria, o uso de matrizes de metal foi adaptado à gravura justamente a partir do século XV, como uma forma de se obter um registro gráfico da imagem impressa com alta qualidade, resistente às grandes tiragens e edições. A prática da gravura em metal consiste em criar imagens, através de incisões, entalhes ou desgastes, em uma matriz de metal, geralmente o cobre (pode ser também alumínio, aço, ferro ou latão amarelo). O segredo do seu valor co-


Shutterstock/Moenez

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Um dos grandes nomes da Renascença, Albrecht Dürer foi um dos primeiros artistas a gravar em metal

mercial está na tiragem: quanto menor, mais valiosa. Todo trabalho vem com uma numeração no canto. Por exemplo: 22/100 significa que aquela é a peça de número 22 de uma tiragem de 100 edições. Existe também a chamada prova de autor (p.a.), uma edição ainda mais restrita, de, em média, 10% da quantidade das tiragens, quando não uma peça única, a critério do artista. Gravura de encavo A gravura em metal pode ser definida como a gravura de encavo (do francês gravure en creux), uma vez que o depósito de tinta para impressão é feito dentro dos sulcos gravados e não sobre a superfície da matriz, como no caso da xilogravura (técnica em que se utiliza a madeira como matriz). Na composição da gravura de encavo, há diversas formas de produção de imagens. Uma dessas maneiras consiste na elaboração do desenho por meio de um instrumento (ponta seca, buril ou rolete) sobre uma chapa de metal plana e polida. Aplica-se a tinta de maneira a cobrir toda a chapa, sendo que o excesso é retirado com cuidado para que a substância permaneça apenas nos espaços gravados. Em seguida, a chapa é levada à prensa e coberta com papel umedecido, realizando-se a transferência da imagem anteriormente gravada para o papel.


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Na gravura em metal, o depósito de tinta para impressão é feito dentro dos sulcos gravados

A prática da gravura em metal consiste em criar imagens, através de incisões, entalhes ou desgastes, em uma matriz de metal, geralmente o cobre

Há também os meios denominados água-forte e água-tinta, em que produtos químicos (como ácido nítrico e percloreto de ferro) são direcionados às áreas da matriz que não foram isoladas com verniz. Assim, são criados diferentes efeitos visuais nas imagens, além da possibilidade de se obterem diversas gradações de tom e de texturas visuais. Essa técnica permite um riscado mais fluente e espontâneo, já que o ato de desenhar em uma chapa envernizada se assemelha à elaboração de uma figura no papel. Foram vários os artistas de renome que se dedicaram à gravura em metal. Entre os mais conhecidos, estão os europeus Pinaresi, Goya, Rembrandt e Picasso. No Brasil, Oswaldo Goeldi, Iberê Camargo, Lívio Ábramo, Adir Botelho, Marcelo Grassmann, Maria Bonomi, Fayga Ostrower, Renina Katz e Regina Silveira se destacaram.


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A gravura em metal é levada à prensa e coberta com papel umedecido, realizando-se a transferência da imagem anteriormente gravada para o papel

Ligado inicialmente à ourivesaria, o uso de matrizes de metal foi adaptado à gravura justamente a partir do século XV, como uma forma de se obter um registro gráfico da imagem impressa com alta qualidade, resistente às grandes tiragens e edições

Os alunos do “Química na Arte” fotografaram espaços do Colégio e desenvolveram suas gravuras utilizando-se dessas imagens

Na gravura em metal, pode-se “flambar” a chapa para aumentar a aderência do verniz


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O segredo do valor comercial da gravura está em sua tiragem: quanto menor for esta, mais valiosa será a obra

Dante

Os trabalhos dos alunos dantianos foram expostos na I Bienal de Arte do Colégio, realizada em setembro de 2011

A gravura em metal registrando espaços do Colégio Os integrantes do projeto “Química na Arte”, criado em 2010, trabalharam com a gravura em metal nas comemorações dos 100 anos do Colégio Dante Alighieri, no ano passado. Os alunos, provenientes das 2ª e 3ª séries do Ensino Médio, fotografaram espaços da Escola e desenvolveram suas gravuras utilizando-se dessas imagens. A conclusão do trabalho ocorreu durante a I Bienal de Arte do Colégio, realizada em setembro de 2011. Na ocasião, os alunos puderam expor suas obras, além realizar uma oficina de produção de chaveiros e colares, utilizando a técnica de corrosão do metal – a mesma usada nas gravuras no processo de “água tinta”. Os alunos envolvidos nesse projeto tiveram a chance de perceber que a arte e a química sempre estiveram ligadas, pois o artista busca novas técnicas e novos materiais para obter o resultado estético desejado, enquanto o químico procura analisar os processos e os materiais utilizados na arte por meio da linguagem científica. A julgar pelos resultados da parceria, essa é, sem dúvida, uma troca muito rica. Tanto isso é verdade que, em 2012, o “Química na Arte” segue firme e forte. No primeiro semestre, as 12 integrantes do projeto visitaram o museu Lasar Segall, onde receberam instruções do professor Paulo Penna para, utilizando uma prensa, concluírem a impressão da primeira etapa do trabalho. “A visita também foi interessante como conhecimento. No museu são oferecidos cursos e aprofundamento para quem realmente se interessa pelas técnicas de gravura”, explica a professora de Química Sueli Maria de Oliveira Takahashi, responsável pelo “Química na Arte” juntamente com a professora de Arte Lúcia Lacerda de Oliveira – ambas sob a supervisão das coordenadoras de Química, Clemance Alves dos Santos, e de Arte, Sandra Romanello.


In arte (Colégio Dante Alighieri)  

Uma revista focada em Arte. Assim nasceu a InArte, revista customizada para o Colégio Dante Alighieri (São Paulo). A GRAPPA elaborou um Proj...

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