Que vivemos tempos de mudança, disso ninguém tem dúvidas. Mas qual o real impacto dessa mesma profusão nos nossos hábitos quotidianos, isso ainda falta muito para conseguir perceber na sua verdadeira extensão.
Na edição 50 da Grande Consumo, trazemos até vós uma abordagem ao Futuro da Alimentação, tema que tanto tem de atual, assim o validam os especialistas na matéria, como de pertinente pelas razões acima descritas. A título pessoal não consigo formalizar, neste momento, uma opinião concreta sobre esta verdadeira revolução que se prepara para transformar a forma como a cadeia de valor e, sobretudo, a produção se irão organizar daqui para a frente, ao tornar ainda mais local do que nunca a produção e ao democratizar a indústria alimentar.
Nada tenho a apontar aos frigoríficos “inteligentes”, que nos relembrem, por via de notificação, a data de validade dos iogurtes, mas confesso que não consigo deixar de considerar estranho uma sobremesa de chocolate impressa ou a carne gerada a partir de uma única célula em laboratório. Com o aumento exponencial da população humana, os sistemas produtivos tal como os conhecemos são, naturalmente, colocados em causa, questionando-se, acredito que com propriedade, a sua eficiência e pertinência atuais. Apesar de incrivelmente produtivo, o atual sistema agrícola, respetivo modo produtivo, processamento e cadeia de abastecimento apresentam-se, igualmente, responsáveis pela emissão massiva de gases com efeito de estufa, enquanto imensas quantidades de alimentos são desperdiçadas, a cada ano, em algumas partes do mundo, face à sua evidente e indesejada escassez noutras. A juntar a este desequilíbrio latente, más condições de trabalho, ecossistemas poluídos e bem-estar animal são outras das preocupações tidas hoje sobre o atual paradigma na produção alimentar e respetiva cadeia de fornecimento.
Razão pela qual, e voltando ao chavão do mundo em mudança, é apenas graças ao correto uso da tecnologia que vai ser possível, espera-se, reimaginar e recriar toda esta massiva cadeia de valor, com a tecnologia a permitir concetualizar o que se faz e o modo como se faz com outro saber, mas, desejo, com o mesmo sabor. Sempre ouvi dizer que na indústria alimentar não há inovação sem sabor e, à medida que iremos, tudo indica, ver os arranhas céus das urbes modernas passar a ser palco de produção, com as penetrantes quintas verticais, ambiciono que a ligação humana à alimentação não vá além do seu cariz funcional, como um qualquer medicamento. Acredito, sim, ainda acredito, que o melhor da vida são mesmo as pessoas e o prazer da mesa, do convívio e a amizade, são das melhores coisas a desfrutar nesta vida que nos foge todos os dias. No dia em que me apresentarem uma cápsula com sabor a cozido à portuguesa, todo o meu conceito de refeição será radicalmente adulterado e questionado, assumo.
À medida que a população humana cresce e a pressão sobre os recursos essenciais do planeta é progressiva, encontrar, e testar, novas soluções alimentares será essencial para se potenciar e dar uso, de forma equilibrada, a esses mesmos limitados recursos. Com bom senso, equilíbrio, potenciando o que de melhor as máquinas criadas pelo homem nos podem presente, e futuramente, proporcionar, quero acreditar que tal desejo pode ser concretizado. E que poderemos continuar a encontrar na alimentação um prazer e uma forma de sustentabilidade ativa.
Boas leituras!
NOME
1 Ano (6 números) 42€
2 Anos (12 números) 84€
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A britânica JD Sports Fashion PLC, que protagonizou recentemente uma fusão com a Sport Zone da qual resulta o maior grupo de artigos desportivos da Península Ibérica, entra nos Estados Unidos da América com a compra do operador local Finish Line, por 450,07 milhões de euros.
O negócio acontece alguns meses depois de se comentar que o retalhista norte-americano estava a negociar a sua venda à também britânica Sports Direct International Plc, concorrente da JD Sports e também presente no mercado português. “Esta aquisição representa uma excelente oportunidade para a JD estabelecer a sua liderança de mercado multimarca no maior mercado mundial de ‘athleisure’”, afirma Peter Cowgill, diretor executivo da JD Sports. “Proporciona imediatamente uma grande presença nos Estados Unidos da América, um passo óbvio na nossa expansão global. A Finish Line tem muitas semelhanças com a JD, com uma forte base de lojas físicas complementada por uma avançada plataforma digital”.
O retalhista norte-americano possui cerca de 556 lojas, a maioria localizada em centros comerciais, e 375 espaços nas department stores Macy’s.
Claire’s declara falência
A Claire’s declarou oficialmente a falência da sua divisão americana.
A declaração foi apresentada numa altura em que a dívida da empresa ascende a 1,5 mil milhões de euros, que espera reestruturar através deste processo e promover o seu relançamento.
Apesar de apenas a divisão americana estar em causa, as restantes serão também atingidas. Na Europa, irá reduzir de 1.069 lojas para 915, até 2022, e 74 serão encerradas já este ano.
“Iremos concluir este processo como uma empresa mais saudável e rentável, o que nos irá posicionar para ser um parceiro de negócio ainda mais forte para os nossos fornecedores, parceiros de concessões e franchisados”, afirma Ron Marshall, CEO da Claire’s.
ALEMANHA
Vendidos primeiros ativos da Toys ‘R’ Us na Europa
Começaram as primeiras vendas de ativos da Toys ‘R’ Us na Europa. Mais de 90 lojas localizadas na Alemanha, Áustria e Suíça foram vendidas à irlandesa Smyths Toys.
Com sede em Galway, a Smyths Toys estabeleceu um acordo para comprar 93 lojas físicas e quatro online naqueles três mercados.
A empresa irlandesa possui 110 espaços físicos e online no seu país de origem e na Grã-Bretanha e pretende, assim, expandir a sua marca na Europa continental.
Espera-se que a Smyths Toys mantenha os colaboradores regionais da Toys ‘R’ Us, assim como os da sede em Colónia, na Alemanha. O negócio está sujeito à aprovação das autoridades competentes e dos tribunais norte-americanos
Fusão da Asda e da Sainsbury’s cria novo peso-pesado do retalho mundial
A Sainsbury’s e a filial britânica da Walmart, a Asda, acordaram a sua fusão, dando origem à maior cadeia de retalho alimentar do Reino Unido. A faturação combinada dos atuais segundo e terceiro maiores operadores de retalho britânicos é de 57.900 milhões de euros, segundo os dados referentes ao ano de 2017. Os indicadores da Kantar Worldpanel indicam que a fusão dará ao retalhista resultante uma quota de 31,4%.
A fusão das duas cadeias, com o objetivo claro de liderar o mercado, permitirá “combinar uma rede complementar de mais de 2.800 lojas Sainsbury’s, Asda e Argos e várias das plataformas web mais visitadas do Reino Unido, para dar mais opções aos clientes através de mais formatos e canais de lojas, com 47 milhões de transações de clientes combinadas por semana”.
ESPANHA
JD.com lança loja online em Espanha
A JD.com seguiu os passos da sua concorrente Alibaba e lançou a sua loja online Joybuy em Espanha.
A estreia no mercado espanhol, onde a gigante asiática do comércio eletrónico pretende, também, abrir um centro logístico, faz-se com uma oferta de mais de 100 mil produtos.
Esta é a quarta loja em língua estrangeira lançada pela JD.com, depois das plataformas em inglês, russo e indonésio.
A Joubuy.es vende sobretudo produtos fabricados na China, incluindo brinquedos, vestuário e dispositivos eletrónicos. No total, a loja conta com 15 categorias de produtos.
RÚSSIA
MediaMarktSaturn
planeia venda do negócio na Rússia
A MediaMarktSaturn está a estudar a venda das suas operações na Rússia, face às dificuldades causadas pela acesa concorrência, que estão a afetar a sua atividade.
A informação foi confirmada à agência Reuters por fontes da Ceconomy, a matriz da MediaMarktSaturn, que indicam, ainda, conversações com a cadeia local M.Video para a venda destes ativos, acompanhada de uma participação minoritária no retalhista russo.
Tendo em consideração que as duas principais cadeias retalhistas de eletrodomésticos e eletrónica de consumo na Rússia estão a trabalhar na sua fusão, com a M.Video a preparar-se para adquirir a Eldorado, daria lugar à formação de um grupo com vendas combinadas, em 2022, de 5.800 milhões de euros.
Em janeiro, a Ceconomy tinha assegurado que uma das prioridades para 2018 era melhorar as operações na Rússia, assinalando que tinha dado início a um programa de poupança de custos e de redução da dimensão das lojas, ao mesmo tempo que procurava uma “resposta estratégica” para a filial até ao final do ano. As vendas neste mercado caíram 7%, no exercício de 2016-2017, para os 526 milhões de euros.
CHINA
Lojas físicas da Alibaba entregam durante 24 horas
A cadeia Hema Fresh, projeto de lojas físicas da Alibaba, lançou um serviço de entregas 24 horas em 25 dos supermercados que opera em Pequim e Xangai.
Deste modo, os clientes Hema que vivam num raio de três quilómetros de uma das suas lojas contarão também com o serviço de entrega em 30 minutos entre as 22 e as 7 horas. Esta funcionalidade está disponível para a maioria dos produtos disponíveis nas lojas, à exceção de alguns frescos.
Por outro lado, a entrega de refeições cozinhadas será ampliada até à 1 hora. “Descobrimos que no novo retalho não só se funde o online com o offline, como também se liga o dia à noite. Temos a certeza que existe procura específica no horário noturno”, indica Hou Yi, CEO da Hema.
DIA abandona o mercado chinês
O Grupo DIA vendeu as suas operações em Xangai ao grupo chinês Suning, dando por terminada a sua “aventura” naquele mercado. Foi firmado um acordo com a Najing Suning.com Supermarket LTD, empresa pertencente ao grupo Suning, para a venda de 100% das ações das empresas chinesas Shanghai Dia Retail CO., Ltd e DIA (Shanghai) Management Consulting Services CO. Ltd. Fica, assim, consumada a saída do Grupo DIA do mercado chinês.
A operação, cujo montante não é material, de acordo com o grupo, está condicionada à aprovação das autoridades da concorrência e do regulador chinês.
Paralelamente, o Grupo DIA está a negociar possíveis acordos de colaboração comercial com o grupo Suning.
PORTUGAL
Continente apresenta novo produto exclusivo de economia circular
O Continente enriqueceu a oferta de produtos de economia circular com o lançamento do Panana. Trata-se de um produto confecionado a partir de bananas que deixaram de ter valor comercial, por estarem demasiado maduras.
A confeção deste novo produto é em tudo semelhante à dos doces e chutneys Continente, lançados em junho do ano passado. É, então, o resultado do reaproveitamento de excedentes alimentares das lojas Continente, que dão origem a um novo produto, voltando ao circuito comercial com uma nova forma.
O lançamento do Panana está enquadrado no projeto Transformar.te, que faz parte das iniciativas da Missão Continente e tem por objetivo reduzir o desperdício remanescente através do reembalamento de produtos, iniciativas de escoamento, reutilização de produtos, doações internas e outras ações.
Pingo Doce volta a vender online com entrada no Mercadão
Chama-se Mercadão, é um marketplace aberto em janeiro e tem como âncora o Pingo Doce que, assim, volta a vender online 15 anos depois de ter fechado o primeiro supermercado virtual em Portugal, aberto em 1998.
A reentrada da insígnia alimentar da Jerónimo Martins no negócio online fez-se através de um parceiro tecnológico e logístico, a Fonte-Online, especializado na criação de negócios digitais, com o qual assinou um acordo. A “loja” do Pingo Doce está integrada numa plataforma onde também figuram a sua área de saúde e beleza, a Mais Bem Estar, a Arcádia e a Science4you, entre outras. Disponível em Lisboa, Sintra, Porto e Matosinhos, o Mercadão, que antes do verão estará no Algarve e até dezembro nas maiores cidades do litoral, vende uma gama de seis mil produtos e trata das entregas ao domicílio.
FRANÇA
Système U troca a Auchan pelo Carrefour
Três semanas após o anúncio da aliança entre Auchan e Casino, a Système U deixou o seu antigo parceiro para passar a colaborar nas compras com o Carrefour.
As negociações em comum terão como objeto as grandes marcas nacionais e internacionais, mas, nesta nova parceria, Carrefour e Système U irão ainda procurar outras possíveis sinergias com a fileira agrícola.
A parceria tem o prazo de cinco anos e deverá arrancar operacionalmente já no próximo outono, a tempo das negociações para 2019.
A aliança entre Carrefour e Système U deverá permitir construir um líder ao nível nacional em França. Tendo também em conta as vendas da Louis Delhaize, já associada do Carrefour, os três parceiros apresentam uma quota de 34,3% no mercado de bens de grande consumo.
Esta nova aliança sinaliza o fim da colaboração que Système U e Auchan mantinham desde 2014. Na época, os dois grupos retalhistas contemplaram inclusive a convergência de insígnias, projeto que, dada a sua complexidade, foi abandonado em 2016.
compras Atrair pelas
As sete colinas de Lisboa, as inacreditáveis praias do Algarve, a beleza da Ribeira no Porto ou mesmo as paisagens dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Portugal está na moda, é um facto. Para além da incontestável beleza natural e arquitetónica, do clima e do custo de vida barato, que conquistam cada vez mais visitantes, existe outro turismo que cresce cada vez mais em Portugal. Falamos do turismo de compras, que traz cada vez mais pessoas a este “pequeno país à beira mar plantado”.
Quase como que de um dia para o outro, Portugal entrou na moda. Entre prémios e “estrelas” internacionais a mudarem-se para o país, o mundo parece ter descoberto o que já sabíamos todos há muito tempo: Portugal é um destino incrível. Só no último ano, o número de turistas que visitaram Portugal alcançou valores recorde. O turismo de compras, ou turismo de consumo, cresceu 36% em 2017. Por turismo de compras entende-se a deslocação dentro de padrões turísticos com motivação ligada às compras, com especificidades relacionadas com o bom preço, a exclusividade ou outras carac-
terísticas que não são encontradas nos países de origem. De acordo com os dados apresentados no Summit Shopping Tourism & Economy Lisbon 2018, Portugal é o país europeu que mais cresceu em Tax Free Shopping, no último ano, sendo que os turistas fora da comunidade europeia gastam, em apenas um dia de compras, o mesmo que um turista europeu numa semana. Os dados da Global Blue sobre Tax Free Shopping, calculados em função do IVA devolvido a estes cidadãos, revelam que os turistas chineses são os que mais dinheiro deixam em Portugal, com um valor médio de 642 euros por dia. Seguem-se os norte-americanos, com 506 euros, os angolanos,
com 252 euros, os russos, com 251 euros, os brasileiros, com 225 euros, e, por último, os moçambicanos, com 197 euros. Criada na década de 1980, a Global Blue introduziu o conceito de Tax Free na Europa. Presente em Portugal desde 1985, data da primeira legislação sobre Tax Free no país, a Global Blue colabora com os comerciantes, de forma a fornecer-lhes meios para a emissão do Tax Free, e com os turistas, para que estes sejam reembolsados. Recentemente, anunciou uma verdadeira “revolução” neste processo. A partir do próximo dia 1 de julho entra em vigor o sistema eTaxFree, que vem facilitar o processo de devolução do IVA. Integralmente digital, o eTaxFree é um processo no qual os dados transacionais de cada compra são comunicados online, e em tempo real, à Autoridade Tributária (AT), diretamente nos pontos de venda.
A implementação pioneira deste sistema e o impacto na economia são evidentes: menos filas no aeroporto e mais controlo por parte da alfândega em relação às vendas efetuadas. “Este processo de validação digital é um sistema
com o qual já operamos em cerca de 15 países e de que temos vindo, nos últimos anos, a demonstrar às autoridades portuguesas a sua mais-valia. Quando falamos de Tax Free, aquilo que surge sempre à ideia são as filas no aeroporto para se ter a validação do Tax Free e poder ter depois o reembolso. Ou seja, até aqui, o processo era feito manualmente. A pessoa tinha um formato Tax Free em papel, ficava na fila da alfândega à espera de receber um carimbo manual e só depois ir ao balcão ser reembolsado. Este sistema vem revolucionar isto, fazendo com que o processo seja digital de A a Z. A validação passa a ser feita nos quiosques que a AT instalou nos aeroportos de Portugal, que começou em abril em Lisboa, em maio no Porto e em junho nos restantes aeroportos nacionais. Basicamente, a única coisa que o turista tem de fazer é o scan do seu passaporte neste quiosque e o sistema vai dar-lhe a validação dessas compras Tax Free. Portanto, aquilo que hoje é feito por um agente alfandegário vai ser maioritariamente feito por máquinas. Com isto, as filas de espera vão diminuir, melhorando a experiência do turista à saída de Portugal, levando-o a recomendar o nosso país como destino de compras”, explica Renato Lira Leite, Country Manager da Global Blue Portugal. Para além de economizar tempo, o novo eTaxFree vem permitir à alfândega um maior controlo, uma vez que “o sistema digital implica que todas as compras Tax Free fiquem registadas na base da AT, dotando-a de meios próprios e capazes de fazer toda a análise de risco”, acrescenta. Uma solução prática que ajuda a terminar em beleza a estadia destes turistas em Portugal. Para Renato Lira Leite, a experiência relacionada com o Tax Free poderá vir ainda a ser melhorada nos próximos anos. “O que interessa à Global Blue é acompanhar sempre as tendências daquilo que são as
necessidades do turista de compras. O que queremos é ter cada vez mais soluções adequadas às necessidades de cada nacionalidade. Mais do que o serviço e sistemas, o turista está no centro da nossa atenção, queremos ter um serviço ‘tailor made’”, remata.
Fenómeno em ascensão
O turismo de compras é um fenómeno em ascensão nas principais cidades europeias, como é o caso de Lisboa, que concorrem pela captação deste tipo de turistas, que chegam a gastar anualmente 245 mil milhões de euros em artigos de marcas de prestígio nas suas viagens pelo mundo.
Este segmento do turismo gera crescimento económico de forma direta e rápida, mas também em “rede”, já que influencia não só o comércio como o investimento em grandes infraestruturas, a captação de investimento hoteleiro, gerando receitas associadas ao uso das novas tecnologias e meios de pagamento e potenciando o património artístico, cultural e até gastronómico. “Claramente, o turismo de compras está a ganhar um peso relativo cada vez mais importante enquanto segmento de turismo. Todas as barreiras ini-
n.º50/2018
ciais que levavam a uma maior inibição a este tipo de turismo estão, cada vez mais, a diminuir e, na nossa opinião, a tendência é que continue em forte crescimento, com Portugal a seguir esta tendência. Era quase um desperdício ter tantos turistas em Portugal e não deixarem tanto dinheiro na nossa economia local”, explica ainda o Country Manager da Global Blue.
De acordo com a Organização Mundial do Turismo, em 2025, os turistas chineses gastarão 10,5 milhões de euros em compras durante as férias. Este valor representa uma oportunidade para Portugal e para todos os operadores neste segmento de mercado. Não sendo os únicos turistas a ter em atenção, a verdade é que os consumidores chineses se destacam bastante dos demais. Os turistas extracomunitários gastam num dia de compras o mesmo que os europeus numa semana. “É necessário encontrar a fórmula para medir o impacto do turismo em todas as suas vertentes. Não basta analisar o volume dos novos visitantes no sector do turismo, é preciso analisar o impacto dos seus gastos em todos os demais sectores. Só assim se poderá apurar a real dimensão de cada segmento do mercado de turismo nos bens e serviços mais sensíveis à qualidade. É tempo de inovar, de enfrentar novos desafios e de considerar novos modelos de promoção”, explica Dimas Gimeno, presidente do El Corte Inglés. “As nossas cidades possuem características que lhes permitem competir com êxito na ‘liga dos grandes’. Exibem cultura, música, arte, tradição, modernidade, capazes de atrair e encantar cidadãos de todas as partes do mundo. A nossa gastronomia, tanto a tradicional como a alta cozinha desenvolvida por grandes chefs portugueses, merece ser dada a conhecer e a quem, no exterior, tem capacidade para usufruir de toda esta oferta e sabe valorizar a qualidade”, conclui.
OS SABERES DA NOSSA MARCA
Discount
Portugal Smart novo : o canal emergente
Aldi e Lidl foram das insígnias que mais desenvolveram compradores durante o ano de 2017, mas com focos de crescimento diferentes. Por um lado, o Lidl cresce via a sua marca própria, apostando na valorização da mesma com ofertas mais premium, enquanto o Aldi cresce sobretudo via a marca de fabricante. Lidl e Aldi são insígnias que já não estão apenas focadas no preço, juntando as preocupações com a qualidade, a experiência em loja e a responsabilidade social. Esta tendência não é só uma aposta em Portugal, mas global, trazendo também novos desafios para as insígnias líderes de todos os países onde estas duas cadeias estão a ter um forte desenvolvimento e impacto.
TEXTO Susana Fernandes Client Manager
2017 foi um ano de recuperação para os portugueses e para Portugal, com forte aumento do turismo, mas também com outros indicadores positivos, como é o caso da baixa de desemprego, crescimento do PIB, etc., levando a que estejamos mais confiantes e predispostos a outros tipos de gastos. Gastos estes que passam por comprar mais tecnologia, mais carros, mais viagens, mais vestuário, mas também passarmos mais tempo fora de casa. Esta última tendência leva a que os portugueses continuem a consumir menos em casa, impactando o crescimento das compras para dentro do lar, nas categorias de FMCG, sobretudo nas de alimentação sem bebidas (-4% em volume). Mas existe um “target” que sai fora desta tendência, que são os seniores (50 e mais anos), que representam mais de 60% das ocasiões de consumo em FMCG e são os únicos que aumentam as ocasiões de compra.
E quais os canais que mais atraem o “shopper”?
O canal dinâmico (hipers/supers e discounts) é aquele onde existe a maior concentração de compras, representando mais de 80% do total do volume feito em FMCG, em 2017, sendo que é também neste canal onde existe um aumento das cestas médias em 2,3 pontos percentuais (p.p) versus 2014, levando a que tenhamos uma menor impulsividade da compra.
No entanto, também as promoções, que parecem ter atingido o seu ponto máximo, levam a esta tendência, uma vez que, pela primeira vez nos últimos cinco anos, o número de compras com promoção estabilizou a sua evolução (+0,3% vs. 2016), consolidando a sua posição na rotina do “shopper”, não tendo este agora necessidade em antecipar as suas compras na procura de reduções de preços.
apesar de ainda ser pequeno em Portugal, 1% do total do valor gasto em FMCG, assenta o seu crescimento no recrutamento de novos lares compradores (mais 95 mil lares vs. 2014).
Insígnias reinventam-se para crescer em 2017
Também nas insígnias da distribuição moderna existe uma maior competitividade, uma vez que 31% dos lares compraram, pelo menos uma vez, em cinco ou mais insígnias (+3,6 p.p vs. 2016). Esta forte duplicação fez com que as insígnias tivessem de encontrar várias vias de crescimento, por um lado, incidindo no sortido/oferta, por outro, na expansão/remodelação.
No primeiro caso, todas as insígnias apostaram nas suas marcas próprias, não só para os produtos de alimentação, mas também para os produtos de higiene e beleza, existindo cada vez mais uma valorização das mesmas com ofertas mais premium. Outra aposta foi criar um maior envolvimento com o “shopper”, quer seja por via de ofertas/ ações direcionadas para as crianças, mas também nas ações sociais, campanhas específicas tanto nas novas tendências saudáveis, como ações dentro da loja.
No segundo caso, verificou-se uma grande aposta por parte de todas as insígnias em renovações e melhoramentos das suas lojas, para proporcionar uma melhor experiência de compra, mas também no desenvolvimento de formatos de loja de maior proximidade e conveniência.
Transversal a todas estas vias de expansão está o canal online que,
Smart discounts cada vez mais na mente e na rotina do “shopper” português
Dentro destas tendências, nasce também um novo canal, o Smart Discount, que tem como base duas insígnias, Aldi e Lidl, que foram das que mais desenvolveram compradores durante o ano de 2017, mas com focos de crescimento diferentes. Por um lado, o Lidl cresce via a sua marca própria, apostando na valorização da mesma com ofertas mais premium, enquanto o Aldi cresce sobretudo via a marca de fabricante, mas também com a sua marca própria, concentrando estes dois “players” mais de 70% do valor gasto na loja na sua marca própria.
No que se refere às categorias de FMCG, o Lidl segue o seu foco em higiene e beleza, sendo esta uma das categorias que mais contribui para o seu crescimento, enquanto o Aldi tem em águas, legumes e verduras as categorias mais dinamizadoras da insígnia. Em comum têm o tipo de “shopper” que os procura, que já não são só os mais velhos, mas também os mais jovens.
A sua estratégia de crescimento passa também por aberturas de lojas, mas sobretudo por remodelações, deixando estas de ter o aspeto de armazém escuro e desarrumado para passarem a ser lojas com corredores amplos, arrumados e com muita luminosidade, o que faz com que alguém que entre pela primeira vez nestas lojas não pense num discount.
Também a aposta em produtos frescos e focados nas novas tendências saudáveis (produtos biológicos, “free from”, etc.), foi o foco em 2017, com muitas campanhas e ações, mostrando que este modelo de discount está a apostar na variedade e está consciente das preocupações do “shopper”.
Lidl e Aldi são insígnias que já não estão apenas focadas no preço, juntando as preocupações com a qualidade, a experiência em loja e a responsabilidade social, ou seja, aliam a experiência da compra ao “value for money”. Esta tendência não é só uma aposta em Portugal, mas uma tendência global na Europa, como, por exemplo, em Espanha e Reino Unido, que está a agitar o panorama do mercado do retalho, trazendo também novos desafios para as insígnias líderes de todos os países onde estas duas cadeias estão a ter um forte desenvolvimento e impacto.
ANÁLISE
n.º50/2018 | MARÇO/ABRIL
FMCG| % Peso em Volume dos canais da distribuição| 2017 vs homólogos
FMCG| % Lares segundo o nº de Insígnias Visitadas| 2017 vs homólogo
FMCG | Penetração das Insígnias e Evolução em Volume | 2017 vs 2016
TEMA DE CAPA
A carne de porco veio de uma única célula suína, transformada em “carne limpa” (“clean meat”, em inglês) num laboratório. O esparguete ou o arroz foram editados geneticamente com CRISPR-Cas9. A alface foi produzida numa quinta hidropónica vertical, dentro de um contentor no centro da cidade. E a sobremesa de chocolate foi imprimida a partir de uma receita descarregada do website do restaurante favorito. Talvez o próprio frigorífico seja “inteligente”, enviando notificações a avisar da data de validade dos iogurtes. A era digital está definitivamente a transformar os alimentos que colocamos na mesa. Mas também está a alterar a natureza fortemente centralizada do atual sistema agrícola, democratizando a indústria alimentar e tornando a produção mais local do que nunca.
A revolução tecnológica está em marcha na indústria de transformação alimentar, pela mão de empresas que estão a desenvolver soluções inovadoras para substituir as quintas e as fábricas tradicionais, com ingredientes e produtos modificados cientificamente. Empresas que estão a replicar a natureza em ambientes controlados, aproveitando os avanços tecnológicos na engenharia de alimentos e de bebidas, tais como a carne produzida em laboratório, as impressoras 3D de comida e a edição genética.
Os produtos daqui resultantes ainda são, na sua generalidade, caros e, em alguns casos, vai demorar vários anos até que possam ser comercializados de forma massiva. Contudo, muitos acreditam que este é o futuro da alimentação.
“Carne limpa”
Vejamos o exemplo da chamada “carne limpa”, produzida em laboratório, onde os investimentos de multinacionais como a General Mills, Tyson, Cargill e Unilever, assim como do bilionário Bill Gates têm acelerado o seu ritmo de desenvolvimento e disponibilidade. Tudo começou em 2013, quando o primeiro hambúrguer de carne produzida em laboratório, também conhecida como “carne in vitro”, foi produzido pela Mosa Meat, uma startup da Holanda. Os investigadores foram capazes de desenvolver um hambúrguer sintético de cerca de 140 gramas, que realmente parecia e sabia a um hambúrguer de verdade. O processo foi complicado e extremamente caro, levando a três técnicos de laboratório cerca de três meses para combinar as 20 mil fibras de um hambúrguer. E com um custo de 250 mil euros. Entretanto, com os vários avanços tecnológicos na indústria, o preço desse hambúrguer foi reduzido para apenas 10 euros.
Como resultado, várias empresas já foram lançadas na esperança de estar na vanguarda desta revolução alimentar. A Cargill, por exemplo, fez um investimento decisivo na startup Memphis Meats, com o objetivo de produzir carne sem a necessidade de criar animais. Com sede nos Estados Unidos da América, a Memphis Meats produziu a primeira almôndega de prova de conceito em 2016. Um ano depois, conseguia obter 450 gramas de carne de bovino, mas a um custo de 1.998 euros. Não obstante, como a empresa planeia trazer para o mercado as almôndegas cultivadas em laboratório, bem como protótipos de frango e pato obtidos a partir de células-mãe, tendo fixado como data limite o ano de 2021, os custos continuarão certamente a descer. Introduzir no mercado produtos proteicos inovadores e amigos do ambiente é também o objetivo da Dao Foods International, Inc., uma nova empresa com sede no Canadá, que está a trabalhar para comercializar noo mercado chinês proteínas à base de vegetais e “carne limpa”. A empresa resulta de um esforço colaborativo entre o grupo de empreendimentos orientados para o impacto ambiental e social Dao Ventures, a Moonspire Societal Ventures e a empresa de investimento privado New Crop Capital (NCC). Os grupos foram reunidos através dos esforços do Good Food Institute (GFI), uma organização norte-americana sem fins lucrativos que se concentra no uso de tecnologia alimentar para revolucionar as indústrias de carne, lacticínios e ovos.
promover a sustentabilidade dos oceanos, desenvolvendo alternativas baseadas em vegetais para frutos do mar. O camarão sintético à base de algas é o primeiro produto da New Wave e, recentemente, tornou-se disponível em mercados selecionados. Estes produtos começam a sair do domínio do laboratório e a chegar ao consumidor. A Impossible Foods, por exemplo, está a aproveitar a tendência do hambúrguer sintético com o seu próprio desenvolvimento, com o nome de Impossible Burger. A empresa sediada em Silicon Valley já criou ondas na indústria das carnes alternativas com o lançamento do Impossible Slider na cadeia de fast-food White Castle, vendido a 1,99 dólares (1,65 euros). Agora, prepara-se para expandir além do mercado norte-americano e levar o seu principal produto para Hong Kong.
Os consumidores norteamericanos parecem estar geralmente interessados em carnes cultivadas, depois de um estudo recente descobrir que 70,6% deles estão recetivos a experimentar versões de carne de vaca criada em laboratório, 69,1% de carne de porco, 62,9% de aves e 45% de peixe
Em 2017, 26% dos consumidores espanhóis, 13% dos polacos, 11% dos franceses, 9% dos italianos e 8% dos alemães com mais de 16 anos expressaram que a carne sintética, cultivada ou de laboratório é uma ideia atrativa, segundo indica a Mintel no relatório “Tendências Mundiais em Alimentos e Bebidas para 2018”. Também o website Futurism identifica uma procura pela carne de laboratório. Os consumidores norte-americanos parecem estar geralmente interessados em carnes cultivadas, depois de um estudo recente descobrir que 70,6% deles estão recetivos a experimentar versões de carne de vaca criada em laboratório, 69,1% de carne de porco, 62,9% de aves e 45% de peixe. O grande empurrão acontecerá quando a “carne limpa” chegar às prateleiras dos supermercados, o que não deverá estar assim tão distante no tempo. Pelo menos na Índia, acontecerá até 2025. A colaboração entre a Humane Society International (HSI) e o Centro de Biologia Celular e Molecular (CCMB) tem a capacidade de diminuir o consumo de carne e o abate de animais em toda a Índia. A parceria opera com a intenção de não apenas conectar startups a reguladores, mas também de promover a tecnologia moderna que permita aos cientistas cultivar carne em laboratórios, usando células estaminais extraídas de animais. O CCMB, sediado em Hyderabad, entre outras organizações de todo o mundo, está a trabalhar ativamente para aprimorar a produção de “carne limpa”, aumentar a produtividade e colocar estes produtos nas prateleiras dos supermercados a um preço acessível. O diretor executivo da HSI India, NG Jayasimha, disse ao The Economic Times que “a tecnologia de ‘carne limpa’ está a tomar o mundo de assalto e a ser alvo de investimento até dos maiores produtores de carne” Biologicamente falando, a composição das células de “carne limpa” não tem diferença para a carne tradicional, o que resulta num produto que parece e tem o sabor da carne, eliminando a necessidade de criar e abater animais para obter os produtos que os consumidores desejam. A China, que é um dos maiores consumidores de carne do mundo, tem assistido, no entanto, nos últimos anos, a um aumento do veganismo. Esta alteração no consumo pode, provavelmente, ser atribuída à mudança nas diretrizes dietéticas, a fim de incentivar as pessoas a cortar no consumo de carne, mas também ao fator ambiental. Até porque, em 2016, o Governo chinês anunciou planos para reduzir para metade o consumo de carne, até 2030, a fim de combater as alterações climáticas.
Porém, nem só de carne vive esta revolução alimentar. A New Wave Foods é uma jovem empresa de biotecnologia que tem como missão
Para a criação de gado é necessária uma grande quantidade de cereais para o alimentar, assim como de água.
Por exemplo, para produzir um quilograma de carne de vaca, são necessários 1.847 litros de água e a mesma quantidade de carne produz o equivalente a 22,3 quilogramas de emissões de dióxido de carbono, contribuindo para as alterações climáticas a um ritmo alarmante. A indústria da carne é responsável por cerca de 18% de todas as emissões de gases com efeito de estufa, mais do que todo o transporte global combinado.
As carnes produzidas “in vitro” são uma maneira de abordar este problema. A “carne limpa” usa significativamente menos recursos do que a produção convencional, reduzindo, assim, a sua contribuição para o aquecimento global. Além disso, o desperdício e o uso de antibióticos são inexistentes na agricultura celular. Em termos de saúde, o risco de contaminação bacteriana é drasticamente reduzido. É conhecido o apoio da Food and Drug Administration (FDA) à “carne limpa”, convicta de que a sua introdução poderia ajudar a reduzir as doenças transmitidas pelos alimentos.
ram amplamente adotados na agricultura. Embora os seus impactos positivos ou negativos sobre a produção e sobre o meio ambiente continuem a alimentar o debate, a noção de que o seu consumo não tem efeitos nefastos na saúde humana já conquistou o consenso da comunidade científica.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) afirma que um dos aspetos positivos dos OGM é que os agricultores podem produzir alimentos mais nutritivos. O arroz, por exemplo, alimenta 50% da população mundial. Ao modificar geneticamente o arroz para ter mais vitamina A, reduzir-se-ia a deficiência dessa vitamina nos países em desenvolvimento.
A Organização das Nações
Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) afirma que um dos aspetos positivos dos OGM é que os agricultores podem produzir alimentos mais nutritivos. O arroz, por exemplo, alimenta 50% da população mundial. Ao modificar geneticamente o arroz para ter mais vitamina A, reduzir-seia a deficiência dessa vitamina nos países em desenvolvimento
Estes produtos pioneiros poderão contribuir para que os consumidores passem a apreciar os benefícios que os produtos cientificamente modificados poderão ter sobre o abastecimento tradicional de alimentos e bebidas, especialmente em termos da sua capacidade de aliviar parte da pressão enfrentada por este sistema, diz a Mintel. Várias empresas inovadoras estão a tentar criar uma maior consciencialização sobre o assunto, destacando as vantagens dos seus produtos face às tradicionais cadeias de fornecimento de alimentos e bebidas. A norte-americana Beyond Meat enfatiza que, quando os consumidores compram as suas refeições prontas, produzidas em parceria com a General Mills, “estão a ajudar a Mãe Natureza e a ter efeitos positivos nas alterações climáticas, ao conservar água, energia e recursos da terra”.
A Impossible Foods é ainda mais específica, dizendo que o seu hambúrguer vegetal usa 95% menos terra, 74% menos água e gera 87% menos emissões de gases com efeito de estufa do que a atual cadeia de abastecimento de carne.
Transformação agrícola
Desde que os organismos geneticamente modificados (OGM), ou culturas transgénicas, apareceram, pela primeira vez, no início dos anos 1990, fo-
A FAO também diz que os agricultores podem cultivar mais alimentos em menos terra com culturas geneticamente modificadas. E hoje são capazes de combater as inundações e as secas, usando culturas que foram geneticamente modificadas para resistir a condições ambientais tão extremas. Segundo o relatório da Mintel, 32% dos compradores de frutas nos Estados Unidos da América estão interessados em frutas geneticamente modificadas para que durem mais tempo. Em 2011, a percentagem de OGM na produção mundial era de 83% para o algodão, 75% para a soja, 32% para o milho e 26% para a colza. Esta produção encontra-se em 29 países, principalmente nos Estados Unidos da América, Brasil, Argentina, Índia e Canadá. Enquanto isso, o cultivo de OGM permanece proibido em mais de 30 nações. Em 2015, a maioria dos países da União Europeia decidiu bloquear o cultivo de oito novos tipos de OGM pendentes de novos dados e aprovação de órgãos reguladores. No entanto, a União Europeia continua a ser o maior utilizador de OGM: 30 milhões de toneladas de grãos de soja e milho geneticamente modificados são necessários para a alimentação animal a cada ano. Na maioria dos casos, os agricultores que usam tecnologias OGM fazem-no para aumentar a produtividade, minimizando perdas relacionadas com pragas, ou retornos financeiros, reduzindo a mão-de-obra ou o uso de produtos fitossanitários específicos. Em 2014, uma análise a 147 estudos realizados em todo o mundo nos 20 anos anteriores afirmava que, “em média, a adoção de tecnologia OGM reduziu o uso de pesticidas em 37%, aumentou a produtividade em 22% e aumentou os lucros dos agricultores em 68%”.
Embora estas soluções tenham um apelo óbvio para a produção agrícola, os seus opositores enfatizam que as incertezas persistem em relação ao seu impacto ambiental. Citam, entre outros aspetos, a possibilidade de transferir genes para outras espécies, o uso excessivo de certos produtos fitossanitários e a consolidação do cultivo intensivo em detrimento de outras abordagens mais sustentáveis. A questão permanece em aberto e ainda é debatida na maioria dos níveis governamentais e intergovernamentais.
Contudo, à medida que as alterações climáticas estimulam os períodos de seca e de inundações em diferentes áreas do planeta, as várias soluções para a indústria agrícola ficaram debaixo dos holofotes. Uma alternativa à produção massificada de OGM, e que está a ganhar cada vez mais tração, é a agricultura urbana. Esta agricultura vertical de interior traz armazéns hidropónicos para os centros urbanos e consegue maior produção de alimentos por metro quadrado, além de reduzir custos e impactos ambientais. “A maior parte da agricultura moderna é extrativa; tira apenas e não coloca nada de volta. Julgo que os dias
das grandes empresas e da grande agricultura estão a tornar-se disfuncionais, por causa dessa natureza extrativa”, disse Nick Barnard, cofundador da empresa Rude Health, numa entrevista à Grande Consumo. “As microempresas começaram a devolver o equilíbrio. Uma pessoa visita Londres ou Berlim e vê microempresas em todo o lado. Na agricultura é o mesmo e os jovens estão a começar a voltar-se para a agricultura e adicionar as suas próprias ideias. É um passo ainda pequeno, mas está a mudar a paisagem” Há um movimento em rápida expansão para levar este tipo de produção de alimentos aos centros urbanos de todo o mundo. É fácil ver o apelo. Teoricamente, as quintas hidropónicas poderiam permitir cultivar alimentos 24 horas por dia, proteger as colheitas de climas imprevisíveis e até eliminar o uso de pesticidas, fertilizantes e herbicidas. Mover a produção de alimentos das zonas rurais para as áreas urbanas reduz os custos de transporte e permite que os alimentos frescos sejam entregues à crescente população urbana global. Só em 2015, cerca de 9,9% da população mundial envolveu-se, de alguma forma, na agricultura urbana, produzindo cerca de 17% dos alimentos do mundo. A maior parte desta atividade é de pequena escala e, muitas vezes, de agricultura de subsistência, mas isso está a mudar à medida que a tecnologia permite uma infraestrutura agrícola mais compacta.
Já se tornou claro que a agricultura vertical é eficaz. Ao empilhar as quintas e ao usar os avanços na digitalização e automação, aquelas provaram ser 100 vezes mais produtivas por hectare do que as técnicas agrícolas tradicionais
Nick Barnard descreve ainda que, em Londres, as pessoas estão agora a começar a criar galinhas no seu pequeno quintal e começam a perceber que podem ter um relacionamento com a natureza e com a comida. “Tratamos as galinhas como uma fonte de carne, desde 1950, de uma forma que os nossos antepassados nunca iriam entender. Uma galinha dava-lhes ovos e, talvez, se tivessem uma celebração,
comeriam a galinha, mas muito raramente. Agora, comemos frango todos os dias. Produzimos ovos a partir de um sistema miserável e, de repente, percebemos que a qualidade não é boa. Não têm ómega-6 suficiente, não são muito bons, não duram muito. Então, apostamos no orgânico. Estamos numa fase de transição. Podemos, nas nossas vidas, tomar decisões sobre os alimentos, mesmo na nossa própria casa. Podemos produzir a nossa própria comida em casa e responsabilizarmo-nos pela nossa própria alimentação. Ou assumir a responsabilidade, incentivando os produtores certos, às vezes pequenos”. Já se tornou claro que a agricultura vertical é eficaz. Ao empilhar as quintas e ao usar os avanços na digitalização e automação, aquelas provaram ser 100 vezes mais produtivas por hectare do que as técnicas agrícolas tradicionais. Frutas e legumes frescos cultivados na mesma cidade onde serão consumidos significam, ainda, menos emissões de dióxido de carbono pelo transporte, produtos frescos durante todo o ano e um ambiente controlado, o que reduz o risco de doenças e secas. Além disso, as quintas verticais produzem mais rápido enquanto usam 40% menos energia que as quintas convencionais, com 80% menos desperdício de comida e usando 99% menos água do que os campos ao ar livre. No entanto, o problema para quintas verticais ainda é o custo e não está claro quando serão viáveis numa base comercial.
O fisiologista de plantas japonês Shigeharu Shimamura, CEO da Mirai Co., fez uma parceria com a GE Japão para construir a maior quinta coberta do mundo na província de Miyagi, no leste do Japão. A antiga fábrica da Sony abriga agora avançados equipamentos de hidroponia que permitem que os trabalhadores colham milhares de alfaces por dia.
TEMA DE CAPA
Por seu turno, a startup nova-iorquina Bowery está a impressionar a indústria de alimentos orgânicos com o uso da agricultura vertical em ambientes fechados. Depois de conseguir um financiamento de 20 milhões de dólares (16,56 milhões de euros) no verão passado, a empresa está atualmente no processo de construção da sua segunda quinta vertical em Kearny, Nova Jérsia.
A Bowery é mais eficiente do que a agricultura tradicional, pelo facto do processo ser ambientalmente controlado. As quintas convencionais estão ao ar livre e sujeitas às estações do ano e à “mão” da natureza, enquanto as quintas verticais interiores da Bowery podem consistentemente produzir o mesmo nível de colheitas de boa qualidade durante todo o ano. A Bowery está a repensar a aparência da agricultura num mundo onde a água é escassa, as pessoas vivem nas cidades e a despertar para os perigos dos pesticidas e outros produtos químicos, explica a equipa. “A nossa produção pós-orgânica vem de um processo crescente que não só tem um impacto positivo na nossa saúde, mas também na saúde do mundo ao nosso redor”.
A proposta de valor deste tipo de soluções agrícolas é de tal forma atrativa, que, tal como no caso da “carne limpa”, está a chamar a atenção dos pesos-pesados da indústria alimentar. Recentemente, a McCain Foods fez um investimento estratégico na tecnologia de agricultura vertical. A empresa apostou na empresa canadense TruLeaf Sustainable Agriculture, que desenvolve uma tecnologia de agricultura vertical para espaços interiores, que permite cultivar verduras durante todo o ano de uma forma sustentável. As quintas verticais permitem que os sistemas de cultivo possam localizar-se em plenos centros urbanos ou comunidades remotas com climas agressivos, reduzindo os custos relacionados com o transporte e ambientais, defende a TruLeaf. O investimento nesta empresa destina-se a apoiar diretamente a estratégia de inovação da McCain Foods, que tem apostado nas parcerias com empreendedores para desenvolver e comercializar tecnologias agroalimentares. “A McCain possui um registo de 60 anos em práticas agrícolas avançadas, ao serviço da qualidade das culturas e standards ambientais”, afirma Max Koeune, presidente e CEO da empresa. “Ao longo deste tempo, temos trabalhado de perto com várias instituições de investigação, parceiros tecnológicos e com a nossa rede global de agricultores. Continuamos comprometidos com esta abordagem e, como tal, estamos sempre recetivos a colaborar com negócios inovadores, como a TruLeaf, para continuar a definir novos standards de proteção ambiental e de eficiência no cultivo”.
As quintas da TruLeaf localizam-se próximo de grandes centros urbanos, o que permite reduzir a pegada ambiental do campo à mesa. A empresa vende os seus produtos no retalho e canal de “food service”, sob a marca GoldLeaf.
Outra tecnologia que tem potencial para o futuro dos alimentos é uma combinação única de piscicultura (aquacultura) com hidroponia (cultivo de plantas sem uso de solos). Esta integração é relativamente nova. Em suma, os peixes convertem os seus alimentos em nutrientes que
as plantas podem absorver, enquanto as plantas limpam a água para os peixes. Em comparação com a agricultura convencional, esta tecnologia utiliza cerca de metade da água e também pode criar uma quantidade significativa de peixe.
Impressão 3D
Mas existe algo quase tão importante quanto a origem dos produtos. Como diz o ditado popular, “os olhos também comem”. Hoje, fornecem-se alimentos a um ritmo diferente de tudo o que já se testemunhou anteriormente, em grande parte devido à indústria do fast-food, mas pode argumentar-se que isso foi conseguido à custa da apresentação.
As quintas verticais produzem mais rápido enquanto usam 40% menos energia que as quintas convencionais, com 80% menos desperdício de comida e usando 99% menos água do que os campos ao ar livre. No entanto, o problema para quintas verticais ainda é o custo e não está claro quando serão viáveis numa base comercial
Os filmes de ficção científica imaginam um futuro alimentar em que as refeições aparecem magicamente com o pressionar de um botão. Quando se pensa no futuro da alimentação, é impossível deixar de lembrar da tecnologia revolucionária (embora fictícia) conhecida como replicadores, um dispositivo usado em todo o universo da série Star Trek, que permitia aos seus utilizadores gerar objetos físicos do nada, incluindo alimentos e bebidas.
Hoje, as impressoras tridimensionais, máquinas que cabem em cima de uma secretária e criam objetos 3D a partir de plásticos, metais e outros materiais, podem fazer praticamente qualquer coisa. Jatos de alta precisão produzem implantes médicos personalizados. As impressoras de fibra de carbono fazem protótipos de automóveis de alta precisão. E os modeladores mais simples geram brinquedos, joias, decorações para a casa e roupas personalizadas, com nada mais do que um ficheiro digital.
Mas há uma nova fronteira na impressão 3D: a alimentação. Inovações recentes tornaram possível criar máquinas que imprimem, cozinham e servem alimentos em larga escala. Idealmente, as impressoras 3D de alimentos podem vir a melhorar o valor nutricional das refeições, produzir esculturas intrincadas a partir de produtos quotidianos e resolver a fome em regiões do mundo que não têm acesso a ingredientes frescos e acessíveis. A maioria das impressoras 3D de alimentos são de deposição, o que significa que depositam camadas de matéria-prima num processo conhecido como manufatura aditiva. Uma nova categoria de impressora 3D - impressoras de ligação – faz aderir materiais com um tipo de cimento comestível. A última geração de impressoras é mais evoluída, combinando bicos, material em pó, lasers e braços robóticos para fazer esculturas de açúcar, chocolate padronizado e massa folhada entrelaçada. A ChefJet da 3D Systems cristaliza finas camadas de açúcar em pó numa variedade de configurações geométricas. Outra, a Choc Edge da Natural Foods, de Barcelona, dispensa o chocolate das seringas em padrões intricados.
Impressoras mais avançadas podem fazer ainda mais. A Foodini, por exemplo, usa ingredientes frescos carregados em cápsulas de aço inoxidável para fazer produtos como pizza, massa recheada, quiches e brownies. A Barilla, por seu turno, tem uma máquina que imprime “noodles” a partir de água e farinha de sêmola. E há ainda o protótipo de
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Todas as produções são rigorosamente analisadas pelo maior organismo de investigação espanhol, o CSIC.
Hod Lipson, professor de engenharia mecânica na Universidade de Columbia, que fabrica barras nutricionais e pastelaria simples.
O primeiro restaurante a servir exclusivamente pratos confecionados a partir de uma impressora 3D abriu em 2016 e escolheu Londres para a estreia mundial. Chama-se Food Ink e utiliza impressoras 3D fabricadas pela companhia holandesa byFlow, inventora da primeira impressora 3D multimaterial portátil do mundo, para criar pratos como humus, sobremesas de chocolate, biscoitos, caviar de azeite, queijo de cabra e massa de pizza. Na página da empresa, a Food Ink explica que o seu objetivo é “usar a linguagem universal da comida como uma maneira divertida e acessível de promover a consciencialização sobre as incríveis possibilidades da impressão em 3D e outras novas tecnologias promissoras” e que serve como “uma plataforma para uma conversa pública sobre as tecnologias emergentes que estão constantemente a desafiar e a transformar a forma como comemos, criamos, partilhamos e vivemos”.
A população urbana está a aumentar em todo o mundo e os sistemas alimentares de ontem em breve estarão abaixo do ideal para muitas das megacidades, que estão a “inchar” com dezenas de milhões de pessoas
São já várias as cozinhas industriais, padarias e pastelarias comerciais que estão a usar impressoras 3D de alimentos para economizar tempo e esforço. Há um potencial de mercado. A XYZprinting Food Printer que a XYZprinting revelou no Consumer Electronics Show 2015, em Las Vegas, já está a fazer bolachas prontas a cozinhar, pizzas, tartes de carne e scones para padarias na China e uma cadeia
de retalho alimentar australiana. Hervé Malivert, diretor de tecnologia de alimentos e coordenador de culinária do Centro Internacional de Culinária, defende que a tecnologia é democratizante. “Com uma impressora 3D, pode-se imprimir complicadas esculturas de chocolate e belas peças para decoração num bolo de casamento”, disse à Digital Trends. “Nem toda a gente pode fazer isso - são necessários anos e anos de experiência -, mas uma impressora facilita”.
A população global deverá crescer para cerca de 9,8 mil milhões até 2050, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas, e os analistas projetam que a produção de alimentos precisará de ser aumentada em 50% para manter os níveis atuais de consumo. A impressão 3D de alimentos não é uma solução completa, mas os especialistas acreditam que as impressoras que usam hidrocolóides, ou substâncias que formam géis com água, poderiam ser usadas para substituir os ingredientes basilares de pratos familiares com produtos abundantes renováveis, como algas ou lentilhas. Uma equipa da
Organização Holandesa para a Pesquisa Científica Aplicada desenvolveu um método de impressão para microalgas, uma fonte natural de proteína, hidratos de carbono, pigmentos e antioxidantes.
Joseph F. Coughlin, fundador e diretor do AgeLab no Massachusetts Institute of Technology, acredita que a impressão 3D pode reduzir o uso de combustível e as emissões de dióxido de carbono. As mercearias do futuro poderão ter “cartuchos de alimentos” que duram anos a fio, em vez de ingredientes inteiros perecíveis, libertando espaço nas prateleiras e reduzindo os requisitos de transporte e armazenamento.
Mas estas impressoras poderão fazer mais do que produzir alimentos renováveis e amigos do meio ambiente; também têm o potencial de revolucionar a nutrição. Neste tema, a NASA está na vanguarda. Em 2013, a agência experimentou tecnologias que poderiam preservar os alimentos em missões de longo prazo, concedendo um contrato de 125 mil dólares (103.485 euros) à Systems & Materials Research Corporation (SMRC) para desenvolver um sistema de impressão alimentar em 3D para astronautas. As futuras impressoras 3D de alimentos poderão também tornar os alimentos processados mais saudáveis. Hod Lipson prevê que as futuras impressoras serão capazes de fornecer dosagens exatas de medicamentos, vitaminas e suplementos, assim como alimentos personalizados para as necessidades calóricas específicas de um determinado utilizador.
Adicionalmente, a impressão é promissora para aqueles que padecem de doenças e alergias. Na Alemanha, um grupo de lares de idosos adotou uma tecnologia de impressão 3D que prepara vegetais, como cenouras e brócolos, em moldes macios, nutritivos e fáceis de mastigar. E a WASP, uma empresa de impressão 3D italiana, está a testar uma impressora que pode produzir versões sem glúten de alimentos populares.
O futuro dos alimentos
A população urbana está a aumentar em todo o mundo e os sistemas alimentares de ontem em breve estarão abaixo do ideal para muitas das megacidades, que estão a “inchar” com dezenas de milhões de pessoas.
O atual sistema agrícola é incrivelmente produtivo, mas também tem sérios problemas. A produção, o processamento e o transporte de alimentos são responsáveis por uma significantiva quantidade de emissões de gases com efeito de estufa e quantidades enormes de alimentos são desperdiçadas, a cada ano, em algumas partes do mundo, enquanto outras regiões sofrem com a escassez. Más condições de trabalho, ecossistemas poluídos e bem-estar animal são ainda outras das preocupações que as pessoas têm sobre o paradigma de hoje na produção alimentar e cadeias de fornecimento. A adaptação ao mundo em mudança, utilizando os avanços da tecnologia, vai permitir-nos reimaginar todo o sistema alimentar. E, à medida que estas novas tecnologias expandem e atingem os mercados, o futuro dos alimentos poderá mudar drasticamente. Muitos produtos irão conhecer o insucesso, mas outros vão manter-se nas cadeias de fornecimento e tornar-se culturalmente aceitáveis e comercialmente viáveis. Cada vez mais, devemos ver os alimentos a serem cultivados localmente em arranha-céus de quintas verticais. Com a população global a crescer em mais de um milhão de pessoas a cada semana, encontrar e testar novas soluções alimentares será essencial para se aproveitar ao máximo os recursos limitados.
O NOSSO MAIOR PRÉMIO
É BEBER CAFÉ CONSIGO TODOS OS DIAS.
Mais do que um café, Delta é partilha.
É acordar com um bom dia e desejá-lo aos outros. É o pretexto para mais uma conversa sem horas contadas. A desculpa para estar com os amigos vezes sem conta. Em 2018 continuamos a ser o café da vida dos portugueses. E os portugueses continuam a ser quem diariamente nos enche de vida.
Esta é a partilha diária que queremos continuar a saborear consigo. Sempre. DELTA, O CAFÉ DA SUA VIDA.
TEXTO Carina Rodrigues FOTOS Shutterstock
“Supersize Me”
10 cadeias de supermercados são responsáveis pela comercialização de quase 50% dos alimentos vendidos na União Europeia. Apenas 50 indústrias garantem metade das vendas de alimentos no mundo, só quatro empresas produzem 60% dos alimentos para crianças e 80% do mercado de chá é controlado por três operadores. Uma monopolização alimentar para a qual a Friends of The Earth Europe alerta, por acarretar riscos em termos de sustentabilidade futura.
O “Agrifood Atlas” proporciona dados sobre a concentração da produção alimentar e as suas consequências em termos de emprego, condições laborais, produção no futuro ou a capacidade de escolha dos consumidores. O estudo foi feito em colaboração com a Fundação Rosa Luxemburgo e a Fundação Heinrich Boll e a sua apresentação coincidiu com a decisão da Comissão Europeia sobre a autorização da fusão entre a Monsanto e a Bayer. De facto, das 12 maiores fusões assinaladas nos últimos dois anos, cinco envolveram empresas do sector agroalimentar. Os negócios entre a Bayer e a Monsanto, a Kraft e a Heinz ou a Dow e a DuPont são apenas a ponta do icebergue. Um outro estudo da responsabilidade do lobby agrícola italiano Coldiretti, apresentado no Fórum Internacional de Agricultura e Alimentação, após a aquisição da Whole Foods Market pela Amazon, a que a Google respondeu com uma aliança com a Walmart, líder mundial em distribuição de alimentos, vem confirmar esta situação. Um pe-
queno número de multinacionais controla a cadeia de abastecimento alimentar global, das sementes aos pesticidas, passando pela transformação industrial e distribuição comercial, prática que, de acordo com o Coldiretti, coloca a liberdade de escolha por parte do consumidor em risco, assim como os standards de segurança alimentar. A associação adverte que 1,4 mil milhões de agricultores estão “nas mãos de poucos grandes grupos multinacionais, que ditam as regras do mercado e, também, controlam a compra e marketing de produtos agrícolas e alimentares”.
A montante, o estudo nota que, após as fusões da Dow com a Dupont, da Bayer com a Monsanto e da ChemChina com a Syngenta, três empresas podem passar a controlar mais de 70% dos produtos fitossanitários para a agricultura e mais de 60% das sementes a nível global. Uma situação sem precedentes que desencadeou as preocupações da própria Comissão Europeia, que decidiu abrir uma investigação aprofundada sobre a operação para verificar se a fusão entre a
Bayer e a Monsanto limita a concorrência nos sectores de sementes e produtos de proteção das culturas.
A jusante, 90% do mercado de cereais é controlado por quatro grupos, designadamente ADM-Archer Daniels Midland, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus Commodities. Já no processamento alimentar, 10 grandes empresas de alimentação e bebidas representam 37,5% da quota das 100 principais empresas. E no sector do retalho alimentar, outras 10 empresas são responsáveis por 29,3% das vendas globais, lideradas pela Walmart. Recentemente, a Amazon desembarcou neste mundo com a aquisição da Whole Foods e, considerando a sua capacidade para antecipar as necessidades dos consumidores e analisar a procura, espera-se que entre no top 10 da distribuição no espaço de uma década.
Percurso
O atual sistema agroalimentar remonta as suas origens ao final do século XIX, em Inglaterra, que era então a potência comercial dominante. As primeiras organizações com alcance global surgiram por uma série de diferentes motivos, tanto de índole tecnológica como institucional. O trabalho agrícola foi mecanizado, os agroquímicos foram inventados e começaram a ser comercializados, os comboios, barcos e portos revolucionaram o transporte e novas tecnologias melhoraram a preservação e armazenamento dos alimentos. Com o aumento do protecionismo e o declínio do comércio na primeira metade do século XX, as grandes empresas norte-americanas e europeias tornaram-se transnacionais, ao investir noutros países, em vez de se limitarem a exportar os seus produtos. E assim emergiram os oligopólios, onde poucos operadores determinam o que acontece, em várias etapas da cadeia de valor. O processo acelerou com o processo de reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial e foi reforçado pela emergência de novas categorias de produto, como o fast food, os snacks e as bebidas. O crescimento económico do pós-guerra e o crescimento dos rendimentos levaram a uma mudança das dietas, com as opções alimentares a expandirem. A mercearia familiar deu lugar ao supermercado.
Super potências
liado em 62 mil milhões de dólares e que criou o quinto maior grupo de alimentos e bebidas a nível mundial. No ano passado, através da Kraft Heinz, a 3G tentou comprar a Unilever, que rejeitou a oferta de 143 mil milhões de dólares.
Também no sector das bebidas, a 3G tem seguido uma estratégia semelhante. Através de sucessivas fusões em 2004 e 2008, a Ambev, juntamente com a belga Interbrew e a norte-americana
Anheuser-Busch formou a AB Inbev, a maior cervejeira do mundo. Em 2015, esta absorveu a SABMiller. O resultado é uma empresa que detém 25% das vendas de cerveja a nível mundial e 45% dos lucros do sector. Juntas, a AB Inbev e a SABMiller controlam sete das 10 marcas de cerveja mais importantes a nível mundial, incluindo a Budweiser, a Corona, a Stella Artois, a Becks e a Jupiler. Estas grandes fusões entre empresas agroalimentares resultam na intensificação da produção ao longo de toda a cadeia, pelo que, atualmente, 20% dos terrenos agrícolas do planeta estão degradados. A onda de fusões procura dominar e poupar custos no mercado global, o que, indica a Friends of The Earth Europe, se traduz na perda de milhares de postos de trabalho e na deterioração das condições laborais. O relatório do Coldiretti conclui que, por cada euro gasto pelo consumidor em alimentação, menos de 15 cêntimos vão para os agricultores. O restante é dividido entre a indústria de transformação e a distribuição comercial. O preço de um produto multiplica-se quase sete vezes do campo à mesa, devido às “distorções e especulações ao longo da cadeia de abastecimento”, mesmo que a situação varie de produto para produto. “Estamos a viver”, sublinha o presidente do Coldiretti, Roberto Moncalvo, “um roubo de valor agregado onde, sem qualquer benefício para os consumidores, os produtos agrícolas são mal pagos, muitas vezes abaixo dos custos de produção”.
A globalização da produção alimentar através das multinacionais criou uma distância física e psicológica entre o campo e a mesa. A comida chega embalada ao supermercado com poucos vestígios das suas origens rurais
Muitos dos atuais líderes foram fundadores do sistema agroalimentar moderno, casos da Cargill (cereais), John Deere (maquinaria), Unilever (processamento alimentar), Nestlé (processamento alimentar), McDonald’s (fast food) e Coca-Cola (bebidas). Mas estão a emergir novos atores. Como nota o estudo “Agrifood Atlas”, duas empresas brasileiras são agora líderes mundiais no sector da carne. “A BRF (anteriormente Brasil Foods) expandiu-se para a Argentina, o Médio Oriente e a Tailândia. A JBS absorveu a Swift, a Pilgrim’s Pride e parte da Smithfield Foods, três dos maiores produtores de carne norte-americanos”
Uma única firma de “private equity”, a brasileira 3G Capital, controla alguma das maiores empresas alimentares e de bebidas do mundo. Fundada em 2004 por Jorge Paulo Lemann, que fez riqueza em investimentos e aquisições que resultaram na formação da gigante cervejeira brasileira Ambev, a 3G é caracterizada pela sua agressiva estratégia de negócios. Em 2010, comprou o Burger King e assumiu a sua dívida por quatro mil milhões de dólares. Em 2013, uniu-se à Berkshire Hathaway de Warren Buffet e assimilou a Heinz. Dois anos depois, esta fundiu-se com o Kraft Foods Group num negócio ava-
Alternativas
Apesar da elevada produção alimentar, a fome continua a persistir entre a população mais envelhecida. A colheita global dos cultivos equivale a uma média de 4.600 quilocalorias por pessoa e dia, mas mais de metade se perde na cadeia alimentar.
A globalização da produção alimentar através das multinacionais criou uma distância física e psicológica entre o campo e a mesa. A comida chega embalada ao supermercado com poucos vestígios das suas origens rurais. Mas são cada vez mais as pessoas que questionam este sistema alimentar dominante. “Um movimento crescente de pioneiros em todo o mundo está a tentar mudar a forma como se produzem e consomem os alimentos. Estão a tentar tornar os sistemas alimentares mais socialmente justos, amigos do ambiente e independentes das grandes corporações”, nota a Friends of The Earth Europe.
A ideia de agroecologia não é nova e têm existido manifestações neste sentido há décadas. A diferença é que, agora, os institutos de pesquisa, a sociedade civil, as Nações Unidas e alguns governos estão a começar a adotar o conceito. Um conceito que não deve ser confundido com agricultura ecológica ou sustentável, ou seja, produzir mais com menos recursos, porque é mais lato e configura todo um processo transformativo, político e social. A agroecologia promove os métodos de promoção que são ligados aos ecossistemas locais e já está a ser utilizada na produção de arroz a nível mundial.
Os consumidores, por seu turno, estão também a tornar-se mais independentes das grandes nacionais, ao optarem por comprar cada vez mais diretamente aos produtores.
n.º50/2018
consumidor
novo O vegan
O veganismo, que em termos dietéticos significa dispensar produtos derivados de animais totalmente – parcialmente, no caso dos vegetarianos –, está definido como uma das principais tendências para 2018. De facto, cada vez mais se pode dizer que o veganismo se tornou “mainstream”, à medida que mais restaurantes e supermercados se dedicam a atender às necessidades de uma dieta baseada em plantas. Longe vão os dias em que quem abdicava da carne encontrava escolhas limitadas. Hoje, vegans, vegetarianos e curiosos podem facilmente encontrar alternativas para gelados, pizzas, bebidas e até fast-food.
TEXTO Bárbara Sousa FOTOS Shutterstock
Um estudo recente, realizado pela Nielsen para a Plant Based Foods Association (PBFA) e o The Good Food Institute, revela que o mercado norte-americano de alimentos à base de produtos vegetais acaba de superar os 2,57 mil milhões de euros. Além disso, as vendas destes alimentos experimentaram um crescimento de 8,1% desde o ano anterior. Francisco Reis, CEO do Grupo Equanto, acredita que irá haver cada vez mais uma preocupação e, a certa altura, a necessidade de alterar os hábitos alimentares com o incremento de alimentos à base de plantas. “O aumento da população e o desafio da produção alimentar global, a influência da agropecuária nas alterações climáticas, os benefícios reconhecidos de uma alimentação que privilegia o consumo de vegetais, frutas e leguminosas ou mesmo a preocupação com o bem-estar animal são factos que nos levam acreditar que o futuro está nos alimentos à base de plantas” Espera-se que as alternativas lácteas de base vegetal representem 40% do total combinado de lacticínios até 2020, quase duplicando os 25% de 2016, de acordo com a Packaged Facts. A empresa de estudos de mercado prevê novos tipos de leites vegetais para encontrar audiências mais amplas, incluindo de cevada, cânhamo, ervilha, linho e quinoa.
No período entre 2010 e 2015, só as vendas de leite de amêndoa cresceram 250%, para mais de 740,62 milhões de euros, segundo a Nielsen. Durante o mesmo período, indica a consultora, o mercado total de leite encolheu mais de 830 mil euros. Em 2015, as vendas de leite de amêndoa cresceram 7,8%, enquanto as de leite de origem animal caíram 7%. Isto segue um padrão estabelecido em 2012 e 2013, quando as vendas de leite de amêndoa cresceram 59,8% e 50%, respetivamente, enquanto as de leite tradicional diminuíram 0,7% e 1,7%, respetivamente.
O Market Watch da Mintel informa que a Dean Foods, a maior fornecedora de leite norte-americana, divulgou um lucro líquido de apenas 1,16 milhões de euros no terceiro trimestre de 2017, abaixo dos 12 milhões de euros do mesmo período do ano anterior. Esta tendência de queda não se limita apenas aos Estados Unidos da América: a maior fornecedora de lacticínios da Austrália, a Murray Goulburn, anunciou uma queda de 22% nas vendas de leite no ano fiscal passado. Enquanto isso, a Elmhurst, um dos mais antigos produtores de lacticínios da costa leste norte-americana, decidiu, em 2017, ao fim de 92 anos, passar a produzir apenas leite à base de plantas.
esta tendência, sustentando que o mercado global de proteínas à base em plantas deverá ultrapassar os 8,28 mil milhões de euros até 2022, crescendo 6,7% durante o período de 2017 a 2022.
Desistir da carne 70% da população mundial está a abandonar a carne, reduzindo a sua ingestão ou evitando-a completamente, em favor da proteína vegetal. À medida que os consumidores procuram uma alimentação mais saudável e com menor impacto no planeta, produtos como a proteína de ervilha em pó, hambúrgueres à base de vegetais, queijo à base de nozes, miolo de jaca desfiado e chouriço de soja estão a aparecer nos menus dos restaurantes e nas lojas.
Em 2016, a região da Ásia-Pacífico detinha a maior parcela de consumidores vegan a nível mundial, com aproximadamente 9% das pessoas a seguir uma dieta deste tipo. De acordo com um relatório da Statista, a China será o mercado onde os produtos vegan irão crescer mais rapidamente, entre 2015 e 2020, com uma taxa de crescimento de 17,2%, seguida pelos Emirados Árabes Unidos e pela Austrália.
Nos Estados Unidos da América, uma pesquisa conduzida pelo California Walnut Board, em abril, apurou que 83% dos norte-americanos estão dispostos a fazer refeições sem carne, usando nozes, legumes, feijões, ervilhas e lentilhas em vez produtos de origem animal. Já no Reino Unido, de acordo com a The Vegan Society, o número de pessoas que se consideram vegan cresceu de 150 mil, em 2006, para mais de 542 mil, em 2016. Isto significa uma evolução acima de 360%. 20% dos britânicos com menos de 35 anos já fizeram uma dieta vegan, o que sugere um aumento desta tendência de consumo à medida que as gerações mais jovens adotam este estilo de vida.
Em Portugal, mais de quatro em cada 10 consumidores consideram a alimentação vegetariana nutritiva, segundo um estudo do Centro Vegetariano, realizado em setembro de 2017 pela Nielsen
Por sua vez, um estudo da Mintel descobriu que 28% dos britânicos reduziram drasticamente o consumo de carne no período de seis meses concluído em março de 2017. O estudo também apurou que 54% das pessoas citavam o bem-estar animal como a principal razão, destacando-se os aspetos ambientais como os mais importantes para aqueles com menos de 25 anos de idade. 50% dos britânicos experimentaram produtos sem carne dentro do período do estudo.
Portugal
O queijo vegan também está a descolar, com um mercado global que deve atingir quase 3,31 mil milhões de euros até 2024, crescendo a uma taxa anual composta de 7,6%, entre 2016 e 2024, de acordo com um relatório da Bharat Book. O queijo vegan é feito completamente à base de plantas e é produzido com leite de amêndoa, leite de soja, leite de arroz ou de outras fontes, como leite de coco ou leite de amendoim.
A indústria dos ovos também começou a sentir o aperto. As ações da Cal-Maine Foods, uma produtora de ovos presente, desde 1969, em Jackson, no Mississippi, caíram 7% em julho deste ano, registando a primeira perda anual da empresa em mais de 10 anos. O CEO da Cal-Maine Foods, Adolphus Baker, culpou a crescente popularidade das alternativas aos ovos.
Por sua vez, as vendas de proteína de origem vegetal aumentaram 6% em relação ao ano anterior, de acordo com os dados da Nielsen. Espera-se que o mercado global de substitutos de carne consiga uma receita de 4,3 mil milhões de euros até 2020, registando uma taxa de crescimento anual composta de 8,4% entre 2015 e 2020, segundo a Allied Market Research. A ervilha, por exemplo, está a revolucionar o sector da produção, já que as receitas globais de proteína de ervilha são estimadas em 86,10 milhões de euros até 2026, indica a Future Market Insights. Os dados da Bharat Book reforçam
Em Portugal, mais de quatro em cada 10 consumidores consideram a alimentação vegetariana nutritiva, segundo um estudo do Centro Vegetariano, realizado em setembro de 2017 pela Nielsen, com o objetivo de analisar a perceção dos portugueses acerca desta opção de consumo. Quando questionados acerca do valor nutricional de uma alimentação com base vegetal, 42% dos portugueses concordam que fornece todos os nutrientes essenciais à saúde. Dos inquiridos, 39% indicaram ainda conhecer pelo menos uma pessoa que segue uma alimentação exclusivamente vegetal. “A procura por este tipo de produtos tem vindo a aumentar significativamente e isso pode ser visível com a abertura de novos espaços vegetarianos e vegan pelas grandes cidades portuguesas”, afirma Tânia Santos, responsável de marketing e publicidade da Ever Vegan. “Novos serviços de catering focados numa alimentação à base de plantas, cafés com componentes no foro da ética praticada, saúde e sustentabilidade. De acordo com um estudo da Nielsen, 40% dos inquiridos encontram-se a tentar implementar mais refeições vegetarianas na sua dieta. Esta tendência verifica-se por todos os países no mundo”
O Centro Vegetariano, através de um outro estudo realizado pela Nielsen, concluiu que o número de vegetarianos quadruplicou em 10 anos, com 1,2% dos portugueses a não consumirem carne nem peixe em 2017. 10 anos antes, apenas 0,3% da
população portuguesa se encontrava nesta categoria. Os resultados também sugerem que, apesar de 95% dos portugueses manterem carne, peixe, lacticínios e ovos na sua alimentação, o consumo frequente de carne e peixe parece ter reduzido, ainda que ligeiramente, na última década, o que indica uma tendência de consumo mais ocasional. Também foi possível concluir que 0,6% da população segue a alimentação vegan. Este número representa o dobro do número de vegetarianos aquando do estudo de 2007. Para todas as categorias de produtos de origem animal, as mulheres e os jovens entre os 25 e os 34 anos são os que têm maior percentagem de não consumo.
Rótulo vegan
O veganismo tornou-se bastante popular entre os Millennials. De acordo com a Statista, mais de um quarto dos norte-americanos desta geração consideram o rótulo vegan como um fator importante para a compra de produtos alimentares. No início deste ano, um estudo compilado pela Technavio identificou os Millennials como a força motriz por trás do lançamento de novos alimentos vegan embalados, com previsão de continuarem a crescer 11% ao ano até 2020. “Se, por um lado, temos aqueles que alteraram, em definitivo, a sua alimentação, passando a consumir apenas refeições vegetarianas, por outro, temos um outro grupo de consumidores que, sempre que pode, opta por opções alimentares mais saudáveis e que têm por base os vegetais, as leguminosas e os frutos secos”, confirma Miriam Bdeir, Marketing Manager da Sun&Vegs. “A preocupação com a alimentação é uma tendência, mas não passageira. Assistimos, hoje, no mundo ocidental, a uma crescente mudança nos hábitos alimentares, com o bem-estar e com a saúde, e que veio para ficar”.
Uma nova pesquisa conduzida pelo Barclays no Reino Unido descobriu que os estudantes universitários de hoje, a chamada Geração Z, têm uma maior probabilidade de consumir alimentos baseados em vegetais. Quando comparado com a Geração X, as pessoas nascidas desde meados dos anos 1960 até o final dos anos 1970, o relatório identificou que a Geração Z está a consumir 266% mais abacates, 667% mais óleo de coco, 166% mais quinoa, 189% mais batata-doce e 550% mais leite de origem vegetal. A Geração Z também fuma 43% menos, consome 26% menos café e bebe 33% menos álcool do que as contrapartes mais velhas. “Os hábitos de consumo têm vindo a ser alterados ao longo dos anos, com as pessoas a introduzirem na sua alimentação outros produtos com um perfil mais saudável. O perfil exato dos consumidores vegan são jovens adultos com preocupações vincadas pelo respeito e direito à vida e pela saúde em geral. O mercado de produtos vegan tem vindo a beneficiar de um crescimento, dado que não é apenas consumido por pessoas vegetarianas, mas também por quem procura uma alimentação mais diversificada, de mão dada com o saudável”, expli-
Vegetariano, vegan ou flexitariano, o que são?
Vegetarianos: excluem da sua alimentação a carne e outros produtos de origem animal (ovos, lacticínios, mel, gelatina, etc.), alimentandose basicamente de grãos, sementes, vegetais, cereais e frutas. Vegan: excluem a carne e outros produtos de origem animal. Excluem o uso de produtos de origem animal, os produtos testados em animais e os espetáculos onde a exploração animal é motivo de entretenimento.
Ovolactovegetarianos: incluem na sua alimentação os ovos e o leite, mas excluem todos os outros produtos de origem animal. Existem duas variações: os ovo-vegetarianos e os lacto-vegetarianos, que, além dos produtos vegetais, incluem ainda ovos ou leite, respetivamente. Flexitarianos - acrónimo que funde os conceitos “vegetariano” e “flexível”. Uma nova tendência nutricional que não é considerado um tipo de vegetarianismo. O termo aplica-se a quem privilegia a ingestão de alimentos vegetais, mas permite concessões como comer peixe, e até, esporadicamente, uma porção de carne.
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Francisco Reis.
Oportunidade de mercado
Dado isto, não é surpreendente que as grandes empresas estejam a começar a identificar oportunidades para novos produtos que tirem partido da crescente procura de comida e bebida vegan.
O grupo Equanto, através da marca Origens Bio, lançou no mercado uma linha de pequenos-almoços instantâneos. Todos os produtos são 100% naturais, vegan, sem glúten e de origem biológica. E, através da marca Veggis, tem vindo a apresentar produtos puramente vegetarianos, tais como croquetes de vegetais, empadas de soja e rissóis de espinafres.
Já a marca Sun&Vegs lançou a gama de saladas Fresco&Frasco, uma mistura de legumes frescos com quinoa, arroz, um toque de super alimentos e molho. A referência Quente&Boa contempla receitas prontas em quatro minutos, com legumes e uma base de arroz, massa ou “noodles”, e a opção Nood&Cru é um acompanhamento.
Outra marca especializada em produtos 100% vegetais, biológicos, sem óleo de palma e com uma componente ética é a EverVegan. Esta empresa representa atualmente sete marcas de produtos vegan que estão ou irão estar no mercado, com propostas como quinoas orgânicas, massas pré-feitas biológicas, patés, molhos e maioneses biológicos, substitutos de carne e de ovos, produtos à base de coco e o famoso substituo de carne, a jaca.
Mas o potencial deste mercado é aproveitado também pelas empresas mais tradicionalmente associadas à carne e grandes multinacionais. Veja-se a Nobre, que lançou no mercado português a gama Nobre Vegalia, com o selo V-Label da European Vegetarian Union (EVU). A gama inclui três fatiados elaborados à base de clara de ovo e sem glúten, lactose, soja ou corantes, e duas especialidades vegetarianas, disponíveis nas variedades de soja e tofu, que não têm corantes, conservantes, glúten nem lactose e são ideais para quem pratica um regime ovolactovegetariano. “Sabemos que, por diversos motivos, os portugueses cada vez mais procuram novas alternativas de consumo. Não são apenas as pessoas intolerantes ao glúten que compram os produtos isentos, nem tão pouco são os vegetarianos os únicos a fazer refeições sem carne. Por isso, podemos dizer que a charcutaria vegan pode ser uma tendência de futuro e, como todas as tendências, é algo que estudamos e analisamos ao pormenor”, afirma Lia Oliveira, diretora de marketing da Nobre Alimentação.
A Unilever anunciou também a comercialização dos gelados Cornetto Vegan, feitos com leite de soja, chocolate vegan e com uma bolacha isenta de glúten. Já chegaram a Portugal, após o sucesso obtido noutros países da Europa e da petição da Associação Vegetariana Portuguesa, realizada em 2017.
Outras marcas de gelado têm igualmente abordado a crescente procura por alternativas vegan. A Ben & Jerry’s revelou três novos sabores feitos a partir de uma base de leite de amêndoa, que já chegaram aos supermercados britânicos. Também a marca Häagen-Dazs inclui gelados preparados com leite de soja, que, para já, só se encontram disponíveis nas lojas Target, nos Estados Unidos da América. Ao todo, a marca oferece seis sabores vegan.
Não nos esqueçamos da Danone, que comprou a norte-americana WhiteWave Foods, proprietária da marca especialista Alpro, por mais de 11 mil milhões de euros. Além disso, fez um investimento de 49,67 milhões de euros na fábrica de bebidas vegetais em Mount Crawford, nos Estados Unidos da América, com o objetivo de adicionar capacidade de produção e expandir o armazém. Ou ainda da suíça Nestlé, que se distanciou do mundo da carne ao lançar, sob a sua marca Herta, mais conhecida pelos seus produtos à base de porco, a gama Le Bon Végétal. Ao mesmo tempo, a sua filial norte-americana anunciou a aquisição da Sweet Earth, especializada em alimentos à base de plantas, o que possibilitou à Nestlé uma entrada imediata no segmento. Por seu turno, a Coca-Cola lançou a marca Ades no Reino Unido
e em Espanha. Trata-se de uma nova linha de smoothies com uma base de leites vegetais e disponível em três sabores: Manga/Maracujá, Coco/Bagas e Banana/Morango. A Ades foi comprada pela Coca-Cola à Unilever em 2016.
Comprar vegan
O retalho também tem as suas iniciativas para acompanhar a tendência. A Coop Suíça, por exemplo, inaugurou o supermercado Karma, inteiramente dedicado aos produtos vegan e vegetarianos. O conceito, que abriu em Zug, oferece produtos frescos, cosmética vegan e vegetariana, bebidas preparadas na hora, frutos secos e cereais e uma gama de produtos de conveniência. Pretende responder à forte procura por produtos vegan e saudáveis, já que um terço da oferta do supermercado Karma são produtos orgânicos. A maioria, como a quinoa, muesli e frutos secos, é vendida a granel, o que permite responder à questão do desperdício alimentar. A loja também tem uma cafetaria com lugares sentados.
A maioria dos grandes retalhistas dedica-se a lançar gamas especializadas para responder às exigências dos consumidores. “O mercado ainda é considerado um nicho, pois ainda não se verifica uma quantidade considerável de consumidores vegan e vegetarianos para encher um supermercado. Uma boa parte dos produtos em supermercados são adequados a consumidores vegan (feijão, grão, bolachas, entre muitos outros), mas maioria do público vegan e vegetariano tem que se adaptar aos produtos existentes, o que pode levar a uma maior dificuldade na escolha deste estilo de vida. Porém, com o aumento da procura, também surge a demanda e diversas empresas começam a apostar em opções 100% vegetais dos seus produtos para colmatar esta procura”, assenta Tânia Santos. “Os portugueses consomem produtos vegan. Existe uma procura por produtos vegan, ao mesmo tempo, acessíveis, tanto em Portugal como no estrangeiro. O serviço de entregas Just Eat, presente em diversos países com uma base de dados de 20 milhões de utilizadores, indica que a procura por opções vegetarianas aumentou 987% só em 2017”
No início deste ano, um estudo compilado pela Technavio identificou os Millennials como a força motriz por trás do lançamento de novos alimentos vegan embalados, com previsão de continuarem a crescer 11% ao ano até 2020
produtos são certificados como 100% vegan. De acordo com a empresa de estudos de mercado Xerfi, o mercado vegan francês representa apenas 200 mil pessoas, ou seja, 0,4% dos consumidores. São mais consumidores que na Alemanha e menos que no Reino Unido, de acordo com a consultora Keller & Heckman. Em França, a Xerfi indica o potencial de crescimento das vendas nas grandes e médias superfícies de pratos preparados vegetarianos e vegan, que estima em 25% até 2020, acima dos 5% perspetivados para o sector das bebidas vegetais.
Um dos mercados mais evoluídos é o francês onde, em 2015, o Carrefour lançou uma marca própria chamada Veggie, que contava com 16 produtos, dos quais 11 eram vegan. A Monoprix, por seu turno, abriu quatro pequenas lojas Naturalia, em Paris, cujos
O alemão Aldi apostou também na sua própria linha de produtos vegetarianos e vegan, a Earth Grown. Esta aposta segue-se ao algum sucesso que a insígnia já obteve com produtos vegan nas suas lojas. A nova linha inclui cachorros-quentes, almôndegas, alguns hambúrgueres mais tradicionais e queijos. Tudo sem ser
de origem animal.
No Reino Unido, os dois maiores retalhistas, a Tesco e a Sainsbury’s, lançaram gamas vegan de marca própria, depois de terem visto a procura por refeições vegetarianas refrigeradas e as alternativas à carne crescerem 25%. A nova gama da Tesco, The Wicked Kitchen, inclui 20 produtos que estão disponíveis em 600 lojas no Reino Unido. Foi desenvolvida pelo chef norte-americano Derek Sarno, cofundador da marca vegetariana Wicked Healthy e diretor de inovação baseada em plantas da Tesco. A gama inclui uma mistura de refeições prontas para preparar no microondas à base de vegetais, sanduíches e wraps, assim como três opções de saladas.
Já a Sainsbury’s apostou nos consumidores flexitarianos, com o lançamento de uma gama composta por sete produtos, incluindo a jaca, uma fruta tropical com sabor neutro e textura que pode ser desfiada, picada ou partida em pedaços, e salsichas à base de cogumelos “feios” que de outra forma seriam desperdiçados. De igual modo, lançou três novos sabores de gelado vegan. Estas sobremesas fazem parte da gama Deliciously Free From, que se concentra em ser inclusiva de todas as diferentes dietas, mantendo os produtos livres de trigo, glúten, soja, ovos e leite.
Segundo a Associação
Vegetariana Portuguesa, o número de vegan e vegetarianos aumentou exponencialmente Há 10 anos, os números davam conta da existência de 30 mil vegetarianos, atualmente existem 120 mil, dos quais 60 mil são vegan
Ainda no Reino Unido, a Asda lançou uma nova gama de opções de almoço vegan “on the go” e foi a primeira cadeia de supermercados a ter “mince pies” vegan. Estes pastéis são habitualmente feitos com carne picada e são consumidos na altura do Natal e do Ano Novo.
Em Portugal, as opções vegan são também mais diversificadas. Se os britânicos não passam sem as suas “mince pies”, os portugueses não abdicam do bolo-rei no Natal. E este também já se encontra numa versão vegan. Em 2017, os supermercados Go Natural disponibilizaram uma alternativa desta especialidade natalícia. Ao contrário da versão tradicional, esta era 100% biológica e deixava de lado o leite de origem animal, os ovos e o açúcar refinado. O óleo de coco e a farinha de espelta substituíam a farinha de trigo neste bolo-rei.
Já no início deste ano, o Lidl lançou no mercado português duas pizzas vegan da marca própria Trattoria Alfredo, nas variedades Verdura e a Bruschetta. “Sendo um nicho de mercado, é um segmento que está em crescimento, com uma oferta de produtos cada vez mais diversificada que tem atraído cada vez mais consumidores. Se até há bem pouco tempo os termos veganismo, orgânico e integral causavam estranheza, hoje em dia, alimentos com estas características estão presente na alimentação dos portugueses, assim como em muitos corredores dos supermercados e hipermercados”, afiança o CEO do Grupo Equanto. Esta tendência invade também a restauração. Após um período de testes de dois meses, no restaurante de Tampere, na Finlândia, a McDonald’s decidiu incluir o McVegan em todos os seus restaurantes na Finlândia e Suécia. O McVegan é composto, segundo a cadeia, por um hambúrguer de soja 100% vegetal, molho Vegan McFeast Sauce, tomates frescos, salada e pickles.
O consumo de produtos vegetarianos e vegan deverá continuar a crescer nos próximos anos, com o aparecimento de cada vez mais ofertas inovadoras. Segundo a Associação Vegetariana Portuguesa, o número de vegan e vegetarianos aumentou exponencialmente. Há 10 anos, os números davam conta da existência de 30 mil vegetarianos, atualmente existem 120 mil, dos quais 60 mil são vegan. “Portanto, acreditamos que investir em linhas de produtos vegan é uma ótima estratégia para aumentar a abrangência do nosso negócio e dando alternativas de mercado às cada vez mais pessoas que procuram este tipo de alimentação”, defende Francisco Reis. Tânia Santos concorda que a previsão de evolução será positiva. “Prevemos que o crescimento se mantenha, não só com o público que já adota uma alimentação vegetariana, mas também com o restante público que se encontra cada vez mais curioso e interessado numa alimentação saudável e variada. Várias empresas, indivíduos e meios de comunicação que divulgam próximas tendências mencionam o veganismo como a tendência a seguir em 2018”
Conveniência
promoção atrativos e tornam congelados os
Os portugueses estão mais preocupados com o equilíbrio entre a sua vida pessoal e a profissional. Com os ritmos de vida cada vez mais acelerados, esta preocupação ganha uma ainda maior relevância, o que tem potenciado o desenvolvimento de alguns mercados associados à noção de conveniência. Caso dos congelados, presença assídua nas cestas de compras. Transversais a todas as gerações de consumidores, têm beneficiado das últimas tendências de consumo. À sua conveniência alia-se a preocupação com a saúde, com estas propostas a fazerem-se valer do argumento de conservarem toda a frescura do alimento em questão, seja o pescado acabado de pescar, seja o vegetal acabado de colher. Ao que se junta o atrativo da promoção, forte indutor de vendas destes produtos.
TEXTO Carina Rodrigues
No ano passado, os portugueses compraram mais bacalhau congelado (+9%), refeições congeladas (+5%) e componentes de refeições congeladas (+1%), segundo os dados da Nielsen relativos ao ano móvel findo à semana 8/2018. O peixe estabilizou os seus volumes, enquanto os vegetais e as batatas congelados foram a única categoria a reduzir vendas (-3%).
Importantes aliados na hora de preparar as refeições, as opções dos portugueses quanto aos congelados estão a ir também no sentido dos produtos de maior valor acrescentado, o que fica patente pelos crescimentos em valor acima dos volumes em todos os universos analisados pela Nielsen. Não obstante a conveniência aliar-se à promoção e os congelados ficarem ainda mais atrativos para o consumidor.
O consumo de congelados difere consoante as distintas gerações de consumidores. Os “shoppers” com menos de 35 anos privilegiam as refeições congeladas, onde as pizzas dominam, representando 70%
AF_anuncio_alimarket_210x149.pdf 1 13/04/18 16:38
dos volumes deste segmento. “A compra de pizzas congeladas é motivada, principalmente, pela conveniência de uma refeição que não implica manipulação por parte do ‘shopper’, apenas tem de ser colocada no forno, e pela rapidez de confeção, bastam 10 a 15 minutos no forno para estar pronta a comer. As motivações têm-se mantido as mesmas ao longo dos anos”, analisa Filipa Gomes, Trade Marketing Manager da Dr. Oetker.
Conveniência
Também os snacks congelados, onde a marca considera as mini pizzas e as baguetes, têm beneficiado desta tendência de valorização da conveniência e apresentado crescimentos a dois dígitos: 17% em valor e 18% em volume. “Apesar dos frescos estarem no foco dos retalhistas, não podemos dizer que o mercado das pizzas congeladas esteja a ser muito afetado e tem apresentado crescimentos positivos nos últimos dois anos”, confirma. Mas se os mais jovens valorizam a practicidade das refeições congeladas, os consumidores com mais de 65 anos privilegiam, so-
bretudo, a compra de peixe, que continua a ser o congelado de eleição, representando 34% das vendas em volume. Este é o universo por excelência da Gelpeixe, que considera também que o foco nos frescos não invalida as grandes vantagens do produto congelado. “O acesso ao consumo de qualquer alimento, em qualquer época do ano, de qualquer origem e preservado nas melhores condições” são, no entender de Lídia Tarré, diretora de marketing da Gelpeixe, “drivers” que motivam a compra de congelados, sobretudo peixe, porque, ao contrário do que se possa pensar, preserva toda a sua frescura.
Cada vez mais, a conveniência é uma variável que o “shopper” procura e pela qual paga sempre que reconhece o seu valor acrescentado. À semelhança do que acontece nas refeições congeladas, no universo do peixe estão também a aparecer soluções que permitem poupar tempo na confeção das refeições, permitindo alcançar o tão
O que diz a especialista?
Em 2017, 31% dos portugueses admitiam que o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional era a sua principal preocupação, mas que este era um objetivo muito difícil de alcançar. Os congelados vão ao encontro de um “driver” importante para alcançar este objetivo: a conveniência. Analisando a categoria dos congelados, verificamos que os portugueses estão a comprar mais bacalhau (+9%) e refeições congeladas (+5%). A pizza sai vencedora na hora de compra de refeições congeladas, na medida em que as suas vendas em volume aumentaram 9%, no último ano, representando 70% dos volumes deste segmento.
Verifica-se, também, uma diferença no consumo entre as diferentes gerações. Se, por um lado, as refeições congeladas são dos produtos que mais se destacam na cesta de compras dos consumidores com menos de 35 anos, por outro lado, os consumidores com mais de 65 anos são mais tradicionais e privilegiam a compra de peixe dentro dos congelados.
O peixe continua a ser o congelado de eleição, representando 34% das vendas em volume, seguindo-se os vegetais e as batatas congelados, ambos com 17%. As batatas, apesar de apresentarem a maior contração de vendas dos congelados (-6%) e realizarem menos vendas com apoio promocional, mantêm-se como um dos segmentos mais vendidos.
A conveniência alia-se à promoção e os congelados ficam ainda mais atrativos para o consumidor. Esta tendência verificou-se no último ano, no qual 45% das vendas foram realizadas com promoção, revelando-se um fator dinamizador. Nomeadamente nas marcas de fabricante, que alcançaram 49% do universo de congelados, voltando a ganhar posição face às marcas de distribuição.
Vânia Cabreiro,
desejado equilíbrio entre a vida pessoal com a profissional. Por este motivo, em 2017, a Gelpeixe lançou as tranches de pescada temperadas, distinguidas pelos consumidores como Produto do Ano. “Para além de convenientes, são saudáveis, sustentáveis e foram o primeiro produto que a Gelpeixe apresentou ao mercado com o ‘rebranding’ de comemoração dos 40 anos”, acrescenta Lídia Tarré. Sustentabilidade e foco na saúde, dois fatores transversais a todo o universo dos bens de grande consumo e onde os congelados não são exceção. “O foco no saudável é, sem dúvida, uma tendência. Vivemos, hoje, numa sociedade em que as pessoas se preocupam com o bem-estar do seu corpo e da sua mente, cuidando-se muito pelo que consomem. Ser saudável e tudo o que promova a saúde está na moda. O pescado é, sem dúvida, um dos alimentos mais saudáveis da nossa dieta”, defende a diretora de marketing da Gelpeixe.
Saúde
Preocupação que se estende ao universo das refeições congeladas. “Os fornecedores procuram oferecer opções que vão ao encontro das necessidades dos consumidores, que procuram variedades mais saudáveis ou que se enquadrem no seu estilo de vida. Por exemplo, se forem intolerantes ao glúten ou à lactose. A Dr. Oetker, atenta a esta tendência, tem à disposição três variedades de pizza sem glúten”, reforça Filipa Gomes. “No mercado das pizzas congeladas, ainda há uma significativa janela de oportunidade no que toca a aumentar a penetração nos lares dos consumidores. A nosso ver, passará por oferecer produtos que aliem a conveniência à qualidade dos ingredientes, tendo sempre em mente a oferta de opções mais saudáveis”
Vetores que vão continuar a ser os eixos da inovação, para acrescentar valor ao mercado dos produtos congelados, onde a pressão promocional é ainda muito marcada. “O nível promocional tem vindo a crescer, nos últimos anos, e ainda hoje o processo de decisão de compra do consumidor é muito influenciado por este fator”, atesta Filipa Gomes.
Em 2017, 45% das vendas de congelados foram feitas com promoção. Não obstante, a forma como as marcas hoje se relacionam com o consumidor vai mais além deste gatilho indutor de vendas. “O consumidor está cada vez mais atento às marcas e respetivos valores, como os da responsabilidade e sustentabilidade”, conclui a diretora de marketing da Gelpeixe.
Client Consultant Senior
concorrência superfícies
das
proximidade” competitividade de grandes curto “A deslocar-se para e vai verdadeira a comércio prazo,
O projeto EuromadiLogis é, em 2018, uma realidade concreta. Uma etapa no percurso da central de serviços EuromadiPort que aponta 2020 como a data para atingir a liderança do comércio de proximidade em Portugal. Percurso no qual conta com a criação de um projeto de logística ambicioso e que visa trabalhar de forma regular, e eficaz, uma área cuja dimensão interna não tem ainda o peso suficiente. Nomeadamente, refrigerados e ultracongelados, ambos em livre serviço, ou, por outras palavras, cerca de 30% do negócio de uma loja de retalho moderno de proximidade. Elsa Gomes, diretora geral comercial da EuromadiPort, faz, em entrevista à Grande Consumo, o balanço do primeiro ano do EuromadiLogis.
TEXTO
Bruno Farias
FOTOS
Sara Matos
Grande Consumo - O projeto EuromadiLogis é hoje uma realidade. A que se deve a aposta num projeto desta índole e o que é o mesmo veio trazer a uma estrutura com a natureza da EuromadiPort?
Elsa Gomes - O EuromadiLogis deixou de ser projeto para ser uma realidade, em abril de 2017. É a consequência de uma solicitação de um conjunto de associados da EuromadiPort, que, sendo uma central de negociação e prestação de serviços, procura sempre atender a estas solicitações, traduzindo-as num incremento real e de valor acrescentado. Tudo iniciou em 2015, após uma avaliação, onde foram ponderados os prós e contras, bem como os diversos investimentos a efetuar, nomeadamente a nível financeiro e de recursos humanos. Após esta reflexão, decidiu-se avançar, ficando definido o ano de 2017 como o ano “zero” de atividade real. Fo-
ram dois anos de trabalho prévio envolvendo, como em todos os projetos, esforços das diversas equipas multidisciplinares, internas e externas, mas que possibilitaram, em abril de 2017, a concretização do EuromadiLogis.
GC – Esse trabalho prévio que teve um intervalo de dois anos foi a nível de...?
EG – Da necessidade de absorver e processar todo a informação interna, assim como o “modus operandi” de cada um dos associados. Encontrar pontos em comum e uniformizar procedimentos foi o verdadeiro desafio indispensável para o equilíbrio inicial. Em paralelo, o desenvolvimento do modelo de trabalho, adequando algumas especificidades do próprio negócio à nossa realidade, obrigou a cedências de todas as partes, envolvendo-as e provocando um comungar dos mesmos objetivos. A escolha do operador logístico
“consumiu” uma parte significativa deste período devido à singularidade desta operação. Acresce que o EuromadiLogis converge numa plataforma de comunicação, através de um portal, desenvolvido de raiz especificamente para este, e em que todos os “players” desta cadeia de valor interagem. Referimo-nos aos fornecedores, associados, operador logístico e EuromadiPort, que tem igualmente a função de supervisão total desta ferramenta. Para nos apoiar nesta difícil tarefa, assim como no desenvolvimento deste projeto, tivemos o apoio de uma empresa de consultoria especializada nesta área, a Logistema que, com o seu “know-how”, deu um importante contributo. Em suma, os quatro intervenientes têm áreas de trabalho pré-definidas, restritas e consciência das implicações da sua participação. Todos têm objetivos definidos. Só assim é possível gerar mais-valias. Todo este modelo obrigou, necessariamente, a uma alteração de formas de estar e trabalhar. É, acima de tudo, um projeto de convergência.
GC – Que balanço pode fazer do primeiro ano do EuromadiLogis?
EG - Analisando estes 12 meses de atividade, pode-se dizer que o EuromadiLogis “veio para ficar”. É reconhecido o valor acrescentado que trouxe a este conjunto de associados e, consequentemente, à EuromadiPort, que traduz sempre a soma dos resultados da individualidade de cada sócio. Não esquecemos o outro interveniente, ou seja, o fornecedor, quota parte igualmente importante que sentiu as suas vendas incrementarem, não só na globalidade da EuromadiPort, mas, em particular, neste universo especifico EuromadiLogis.
Há reais ganhos comerciais, porque o objetivo prioritário foi atingido, ou seja, há acréscimo de vendas com mais-valias para as duas partes diretamente envolvidas: quem compra e quem vende. Por linha indireta, os comerciantes que são abastecidos através destes associados também estão mais competitivos no mercado. O EuromadiLogis, que para atingir um fim optou pela centralização logística, é um caso raro de sucesso, na medida em que, no primeiro ano de atividade, os fornecedores, sempre encarados pela EuromadiPort como parceiros, não perderam vendas, como aconteceu com outros projetos de centralização logística no seu início. Um dos nossos compromissos é o cuidado mensal na monitorização desta vertente, a fim de tomar medidas corretivas no imediato em caso de desvio. Contudo, não escondemos que um dos objetivos que nos move é a melhoria de competitividade, como é óbvio, mas, acima de tudo, o de incrementarmos exponencialmente vendas, quer a montante quer a jusante. Com o EuromadiLogis, estamos taco a taco com outros operadores de mercado e somos, efetivamente, competitivos.
Tivemos que tomar opções. O “kick off” foi dado com um grupo piloto de associados interessados em investir e desenvolver este projeto. A curto prazo, estará disponível para os restantes associados com princípios e regras bem definidas. Tem que ser assim, pois o EuromadiLogis iniciou um processo de trabalho diferente do praticado até à data e, obrigatoriamente, tem de haver compromisso em prol do benefício de todos os intervenientes.
Era impensável um projeto desta índole se não existisse abertura para falar das coisas tais como elas são. Os intervenientes estão a perceber, a pouco e pouco, as mais-valias dessa metodologia, estando, por isso, todas as partes envolvidas satisfeitas. O EuromadiLogis não é algo que se clique num botão e apareça feito no dia seguinte. Passa muito pela confiança e relação que se consegue estabelecer com todos os intervenientes.
GC - Era importante disponibilizarem este serviço aos associados da EuromadiPort? Era o projeto certo, na altura certa? Que percentagem de negócio de uma loja até aqui não trabalhado é agora passível de ser abordado?
EG - Segundo a Nielsen, cerca de 30%, o que, por um lado, é deveras preocupante, mas, por outro, como é efetivamente encarado, um real desafio. Tivesse sido alguns anos antes e seria diferente. Contudo, este serviço passava pela disponibilidade dos associados em percecionarem as suas reais necessidades e disponibilidade para investimentos adicionais que não são somente de aspeto financeiro. Foi este o momento em que se mostraram predispostos a efetuar esse movimento. Este gigante passo dado pelos associados demonstra, igualmente, o elevado grau de confiança que depositam na sua central. A EuromadiPort faz 12 anos de atividade em setembro e tem vindo a demonstrar ser uma real e credível alternativa ao elevado e abusivo grau de concentração que existe no mercado.
O EuromadiLogis não é algo que se clique num botão e apareça feito no dia seguinte. Passa muito pela confiança e relação que se consegue estabelecer com todos os intervenientes”
GC – Mas, em termos práticos, como é que essa alternativa tem vindo a ser demonstrada ao mercado?
EG – Por factos e estes traduzem-se em números reais. Crescemos há sete anos consecutivos, mesmo na época de retração de consumo. E crescemos não só em vendas, como em rentabilidade. Nunca abandonámos o comércio de proximidade. Somos mais de 30 associados e cada um deles é uma entidade que respeitamos com a sua vontade própria, estratégia, sistema informático, forma de comunicar, etc., o que obrigou a que, no EuromadiLogis, aprendêssemos a comunicar todos do mesmo modo. Contudo, realcemos que cada um dos intervenientes não perdeu a sua individualidade, nem tão pouco é essa a intenção. Há, sim, um evidente comungar de interesses, objetivos e benefícios.
Em suma, o “business plan” aprovado a três anos está a ser cumprido, mas vamos continuar a trabalhar com afinco e pertinência, sem entrar em grandes euforias.
GC - Como se processa em termos práticos? Quantos fornecedores estão envolvidos hoje no EuromadiLogis? Todos os associados da central de serviços aderiram a este projeto?
EG – Atualmente, são cerca de 24 os fornecedores envolvidos. Seria difícil colocar o projeto em prática e ter este sucesso se avançássemos em simultâneo com todos os associados e fornecedores.
GC - Qual a mais-valia para a central e para os diversos “stakeholders” da implementação deste projeto? Trata-se de um projeto cujo retorno é estimado a quantos anos, ou trata-se, somente, de uma procura por melhoria dos processos?
EG – Também passa por uma melhoria de processos, mas, acima de tudo, o objetivo principal é incremento de vendas com as suas devidas repercussões, que só são positivas. Uma larga fatia dessas vendas estava a “escapar-nos” por entre os dedos, pelo que procurámos reclamá-las. Essa foi a real necessidade e o que nos fez mover.
GC - Os frescos e perecíveis são, presentemente, uma área estruturante de negócio para o retalho organizado em Portugal. Será esta uma área que irá merecer a vossa atenção nos próximos anos? O EuromadiLogis é a resposta a esses anseios e necessidades por parte dos vossos associados?
EG - É, claramente. Dentro do mundo dos frescos e perecíveis, iniciámos esse caminho pelos refrigerados e ultracongelados, ambos de livre serviço. O nosso foco é consolidar esses dois universos e depois, sim, avançar, pouco a pouco, para a introdução das restantes áreas. Alguns destes universos estão a ser estudados, mas preferimos consolidar primeiro o que está em curso. O modelo de funcionamento do EuromadiLogis é único na Península Ibérica, não temos conhecimento de nenhum semelhante em qualquer outro lado, e encontra-se no seu início. Este projeto não termina aqui, mas a segunda fase só avança quando a primeira estiver completamente consolidada e após “break-even” real. Acreditamos que poderá ter lugar antes do período estabelecido no respetivo “business plan”.
GC - Acredita que o retalho de proximidade tem ainda por onde crescer em Portugal?
EG – Claro. Todos assistimos ao “boom” de hipermercados e supermercados num passado recente, em parte fruto da adesão, em meados da década de 80, à Comunidade Europeia, o que fez com que tivéssemos acesso a um conjunto de bens até então restritos. Esta abertura originou um acréscimo exponencial no consumo, fazendo com que esse modelo vingasse em detrimento do comércio de proximidade. Era “moda” ir aos hipers e supers. Recentemente, devido à crise económica, e não só, todos tivemos que reequacionar os hábitos de consumo. Por razões de orçamento, da importância de disponibilidade de tempo para o lazer, principalmente das gerações mais novas, das limitações de mobilidade da população sénior, a que veio acrescer o turismo e alojamento local, o comércio de proximidade consegue suprimir as necessidades diárias dos consumidores e tudo isso a uma distância muito curta. Por isso mesmo, é que os dois principais “players” do retalho a nível nacional, que nunca acarinharam este canal, há pouco tempo iniciaram um “namoro” e perceberam que um dos eixos de crescimento e diferenciação seria este. De um modo geral, todos os “players” presentes no mercado estão a fazer esse caminho de aproximação ao comércio de proximidade.
GC - É na força deste canal que poderá radicar a verdadeira competitividade e concorrência deste sector?
EG - O consumidor “cresceu” imenso e está muito racional, pelo que o grande desafio de futuro passará, efetivamente, pelo comércio de proximidade. Apesar de ainda nem todos os consumidores terem a perceção de que neste comércio de proximidade o preço, fator importante de decisão, é definitivamente competitivo com as grandes unidades. Este é também outro desafio a curto-médio prazo, o de fazer passar essa mensagem até ao consumidor final.
Todo este modelo obrigou, necessariamente, a uma alteração de formas de estar e trabalhar. É, acima de tudo, um projeto de convergência” ENTREVISTA
GC - Quais são as grandes metas da EuromadiPort para os próximos cinco anos? Foi estabelecido 2020 como a data para se atingir a liderança do comércio de proximidade em Portugal. É uma meta realmente exequível?
EG – Sem dúvida. Quando avançámos com a data de 2020 não
o fizemos de ânimo leve, tínhamos perspetivas, estudos e análises realizadas. Em 2017, ultrapassámos várias barreiras importantes, consolidámos os vários objetivos que tínhamos, isto é, quebrámos tabus. Os associados e os fornecedores estão satisfeitos, portanto, 2018 é um ano crucial para que não regridamos nessas barreiras. Ultrapassado este ano crucial, 2019 e 2020 têm tudo para que consigamos atingir a nossa meta macro. Os fornecedores que encaram, e trabalham, a EuromadiPort e seus associados como um canal alternativo à elevada concentração de mercado, percebem as efetivas mais-valias. Temos a nossa esfera de influência, perto de 600 mil metros quadrados de área de exposição de venda na soma das áreas retalhista e grossista, além de cerca de três mil colaboradores no total das empresas. No somatório do grupo, ultrapassámos, em 2017, as duas mil lojas entre lojas próprias, comércio integrado e associado. São os números consolidados da EuromadiPort que demonstram o quão relevantes somos e que, quem aposta em nós, tem o devido retorno.
universo em categoria dos
A maior termos de faturação no de consumo bens grande
Em 2017, 97% dos lares portugueses compraram queijo. Fizeram-no 23 vezes, o que dá uma média de uma compra a cada 15 dias. Em cada visita, gastaram 3,05 euros. Assim o indicam os dados da Nielsen, que revelam, ainda, que 2017 foi mesmo o ano em que o mercado de queijos foi o maior em termos de faturação no universo de bens de grande consumo no retalho em Portugal. 477,6 milhões de euros faturados, num expressivo crescimento de 4% face ao ano anterior. Isto apesar da estagnação do suporte promocional.
TEXTO Carina Rodrigues FOTOS Shutterstock
No total, os portugueses compraram 62,7 milhões de quilogramas de queijo, mais 1% que no ano anterior, privilegiando, acima de tudo, segmentos com um preço médio mais elevado, como os queijos curados e os de especialidade, e o queijo flamengo, cuja faturação foi impulsionada pelas marcas de fabricante.
O mercado dos queijos tem vindo a crescer devido à diversificação dos momentos e formas de consumo, assim como ao crescimento e maior profundidade da oferta. “No mercado de queijo, temos vários segmentos a apresentar um dinamismo acima da média, nomeadamente o ‘snacking’, que cresce a um ritmo acelerado de mais 8,3% face aos 12 meses anteriores e que já representa 5% do mercado com elevado potencial de desenvolvimento”, analisa Patrícia Caeiro, Shopper Marketing Manager da Bel Portugal. “O queijo curado nacional é o segmento que mais contribui para o crescimento da faturação total (+7,8%) e tem vindo a ganhar uma crescente importância no mercado. A gastronomia e os momentos de convívio estão na voga e os consumidores procuram propostas associadas ao prazer de comer e à partilha. Em termos de volume, o desenvolvimento da categoria tem sido alavancado pelo crescimento do queijo curado nacional e do queijo fresco”, acrescenta. O flamengo continua a ser o queijo mais consumido pelos portugueses, representando 39% do total de vendas em volume. A penetração deste tipo de queijo nos lares portugueses situa-se nos 89%. Por seu turno, o queijo curado nacional já alcança 25% do mercado total. “Mais do que falar em variedades, no mercado de queijo referimo-nos a tipologias de queijos. Queijos curados, frescos
e especialidades representam praticamente 50% desta categoria e apresentam uma evolução muito positiva”, introduz Joana Sousa. gestora de produto queijo da Lactogal.
Os dados citados por este responsável indicam que os portugueses preferem claramente os queijos nacionais, já que mais de 80% do total de queijos consumidos são de origem portuguesa. “Em Portugal, temos tradição queijeira: fazemos bons queijos, temos uma diversidade de origens, sabores e texturas muito apreciadas e uma excelente relação qualidade/preço”, sublinha.
Tendências
Um mercado que tem vindo a crescer sabendo aproveitar as mais recentes tendências de consumo, acompanhando o chamado movimento saudável, com as suas várias alternativas alimentares: magro, “free from”, opções vegetais. As escolhas alimentares refletem opções mais saudáveis e naturais, mas sem nunca renunciar ao sabor e à qualidade. Produtos pouco calóricos, com baixo teor de sal,
mais naturais, sem corantes nem conservantes estão a converter-se numa prioridade nas dietas dos consumidores, com os queijos a beneficiarem da tendência. “A proliferação e o crescimento de queijos com menor teor de gordura, queijos frescos, Mozzarella, requeijão e queijo sem lactose evidenciam a cada vez maior integração deste alimento na dieta alimentar”, destaca Joana Sousa. Ao que se junta a mudança nos hábitos e ocasiões de consumo dos portugueses. Há uma tendência do aumento da repartição do consumo por refeições mais ligeiras e do incremento do consumo fora de casa. “De acordo com alguns estudos recentes, torna-se claro que o queijo entra em cada vez mais refeições ao longo do dia. Refeições estas que já não são as ditas tradicionais, pois elas próprias também evoluíram ao mesmo ritmo dos estilos de vida. Apesar do pequeno-almoço ser ainda o momento privilegiado do consumo de queijo, começa, neste momento, a perder importância para a hora do jantar, os lanches da tarde e o almoço”, detalha a responsável da Lactogal.
Neste sentido, a conveniência é um dos fatores de crescimento da categoria, o que se espelha nos seus formatos de corte, porções e embalagem. O grande crescimento do formato de fatiados e a sua representatividade no volume e valor da categoria são disto mesmo um exemplo. O consumidor tem privilegiado as soluções práticas e fáceis de transportar, que possam ser consumidas em diferentes alturas do dia. “Um português tem, em média, um a dois momen-
O que diz o especialista?
O queijo é uma categoria muito procurada pelos consumidores portugueses. Em 2017, 97% dos lares portugueses compraram este produto e, em média, fizeram-no a cada 15 dias. 2017 foi mesmo o ano no qual o mercado de queijos foi o maior em termos de faturação no universo de bens de grande consumo no retalho em Portugal. Consolida-se, assim, um crescimento que vem a acontecer há já alguns anos consecutivos, com os volumes a crescerem 1% e a faturação uns significativos 4% versus 2016, mesmo apesar da estagnação do suporte promocional em 2017.
Este crescimento é essencialmente sustentado pelas marcas de fabricante, o que acaba por ter impacto no aumento do preço médio do mercado e no consequente crescimento da faturação acima dos volumes. Esse impacto acaba por se refletir ainda mais pelo facto dos segmentos com um preço médio mais elevado serem aqueles que mais crescem, como é o caso dos queijos curados e dos queijos de especialidades (Mozzarela, Edam, Brie, etc.), e também pelo crescimento do queijo flamengo que, apesar de ter uma oferta de preço mais baixa, é o segmento que representa a maior fatia do mercado e vê a sua faturação crescer impulsionada pelas marcas de fabricante.
A grande diversidade de oferta e um mix promocional diferenciado acabou por ajudar ao dinamismo verificado no mercado, principalmente nas marcas de fabricante. Este mercado acaba por refletir de forma próxima o comportamento dos portugueses, uma vez que a quase totalidade dos lares portugueses compraram queijo em 2017. Verifica-se um aumento de confiança e a maior disponibilidade para gastar, que se percebe quando olhamos para os bens de grande consumo, que crescem em faturação ao mesmo ritmo (+4%).
Cláudio Batista, Client Development Senior tos de snack por dia e o lanche da tarde é o momento preferido para o fazer. Este movimento afeta a categoria de queijos, sendo o ‘snacking’ um segmento em crescimento. O desenvolvimento de soluções saudáveis, saborosas e com um alto valor nutritivo cria diferenciação e ajuda a captar e a atrair novos consumidores que valorizem a saúde, sem abdicar do sabor associado ao prazer de comer e da qualidade”, acrescenta Patrícia Caeiro. Existem algumas tendências que estão a marcar o universo alimentar em Portugal e a nível internacional. Por um lado, a procura por soluções de elevada conveniência ajustadas à rotina de hábitos alimentares dos consumidores de hoje, como os prontos a cozinhar ou a consumir em diferentes ocasiões. Por outro lado, a questão da sustentabilidade aliada à naturalidade e em linha com a crescente preocupação dos consumidores face a aspetos como o bem-estar animal, o packaging amigo do ambiente, o comércio justo, a origem local e as preocupações com a saúde ou sensibilidade a certos ingredientes. “Não basta, contudo, apostar nestas tendências”, defende a Shopper Marketing Manager da Bel Portugal. “É necessário saber comunicar eficazmente junto do consumidor, quer através de novos conceitos criativos, que gerem envolvimento emocional e notoriedade, quer através de meios de comunicação e pontos de contacto que promovam a visibilidade: os portugueses adotam um comportamento cada vez mais digital, onde assistimos a um crescimento exponencial do ‘mobile’”.
Desafios
Até porque, nos dias de hoje, já não são as promoções que fidelizam os consumidores, mas sim os produtos e os valores de naturalidade e sustentabilidade que lhes estão associados. Em
2017, a quantidade de queijo comprada em promoção baixou, em comparação com o ano anterior, embora ainda seja significativa. Aproximadamente 39% do total de queijo comprado foi em regime de desconto de preço.
Com a categoria presente na quase totalidade dos lares, a chave para o seu crescimento está na frequência do consumo. Mais momentos para consumir queijo permitem às marcas apostar em gamas mais alargadas, não só em variedade como em formato. Fidelizar o consumidor e conquistar um lugar no seu cabaz de compras passa muito por oferecer-lhe o que necessita, o que, neste momento, no caso da categoria de queijo, já não se resume apenas a preço e promoção. “A inovação será cada vez mais determinante, sendo o veículo gerador de diferenciação por excelência e fonte de obtenção de valor acrescentado para o negócio. Além da inovação ao nível de receitas, embalagem, promoção e presença no ponto de venda, é uma imposição do negócio inovar na abordagem aos consumidores, nas suas várias e complexas dimensões. É cada vez mais difícil os fabricantes caracterizarem os consumidores, tendo em conta que a sua identidade é multidimensional, com o próprio consumidor a ter uma palavra a dizer sobre as suas necessidades. O consumidor exige segurança num mundo cada vez mais volátil e procura autenticidade e personalização, mesmo em produtos de consumo massificado. O desafio para as marcas passa por responder a este novo paradigma de consumo, reforçando pontos de contacto com os consumidores, para além dos mais tradicionais, focando-se em soluções sustentáveis a todos os níveis, respondendo pela comunidade e não só pelo próprio negócio”, defende Joana Sousa.
Num futuro próximo, as tendências estão identificadas: sabor, prazer, versatilidade, bem-estar, conveniência. Dirigir e apostar na inovação para nichos de consumidores e momentos de consumo pode contrapor a atual aposta em queijos “main stream”.
Queijo casa com cerveja
São cada vez mais as propostas de “maridagem” com queijos. Depois das já muito apregoadas harmonizações com vinhos, eis que o universo “foodie” aposta cada vez mais no “pairing” com as cervejas. Tal como os queijos, o universo cervejeiro está cada vez mais atento às novas opções de regime alimentar e necessidades especiais dos distintos consumidores. Afinal, ninguém deverá ser privado de comer um bom queijo ou beber uma boa cerveja só porque segue determinada dieta ou tem alguma intolerância alimentar. No queijo, são cada vez mais as propostas sem lactose, na cerveja, chegam as propostas sem glúten. Daura Damm, a cerveja sem glúten mais premiada do mundo, já está disponível em Portugal. Lançada em abril de 2016, Daura Damm é apta para celíacos e para todos os adeptos de um estilo de vida saudável, mantendo o mesmo sabor que uma cerveja lager normal. Com um teor alcoólico de 5,4% e ingredientes 100% naturais, possui uma cor dourada e um aroma frutado, completado pelo sabor a cereais e a lúpulo.
De acordo com a Associação Portuguesa de Celíacos, existem em Portugal 10 mil casos de celíacos diagnosticados, mas estima-se que este número possa atingir os 70 mil a 100 mil. A crescente preocupação com uma dieta mais equilibrada leva ainda muitas pessoas a procurarem alternativas à sua alimentação habitual e a optar por produtos isentos de glúten.
Daura Damm tem sido alvo de várias distinções internacionais, sendo, neste momento, a cerveja sem glúten mais premiada do mundo.
Da pequena queijaria aberta, em Lousa, em 1963, já pouco resta. A empresa criada por Carlos e Ludovina Duarte percorreu um longo caminho, desde a época em que os queijos eram vendidos pelos próprios proprietários, em caixas específicas, em Lisboa. Hoje, o mercado da Montiqueijo é o mundo ou os seus queijos não impressionassem os paladares de consumidores tão distintos como os ingleses, franceses, belgas, polacos e até mesmo asiáticos. Com produção própria de leite, para assegurar a qualidade do produto do campo à mesa, a Montiqueijo tem hoje uma capacidade de fabrico de 40 mil litros. Valores impressionantes, mas que começam a ser poucos para a ambição e desenvolvimento da empresa. Se 2016 foi um ano de crescimento e 2017 de consolidação do negócio, 2018 será outro ano positivo. Assim o garante Dina Duarte, diretora geral da Montiqueijo.
Montiqueijo: tradicional com
simultaneamente ADN queijos e inovador
TEXTO Carina Rodrigues FOTOS D.R.
A tradição e a inovação estão no ADN da Montiqueijo, empresa que, recentemente, foi distinguida com o Prémio Nacional de Agricultura. “Somos uma empresa que valoriza a qualidade e o rigor tradicional da nossa produção, algo que tem passado de geração em geração. No entanto, reconhecemos a importância da inovação para o crescimento do negócio. Estamos sempre atentos aos nossos consumidores e procuramos inovar os nossos produtos de forma a dar resposta ou antecipar as necessidades e preferências do mercado”, introduz Dina Duarte, diretora geral da Montiqueijo.
Com base nesta filosofia, a empresa de Lousa tem vindo a alavancar a sua atividade. Em 2016, o volume de negócios cresceu 22% e 2017 foi mais um ano para consolidar o negócio. Negócio este que tem no queijo fresco a “estrela” em termos de vendas, embora o queijo curado ganhe cada vez mais peso na atividade da empresa.
O leite de vaca é a base da produção da Montiqueijo, que produz cerca de 40 mil litros de leite por dia, mas prevê um aumento desta capacidade durante este ano.
A fábrica está a ser aumentada, para poder fazer crescer a produção e lançar novas referências de produto. Em 2017, a Montiqueijo vendeu 4.010 toneladas de queijo e produziu 5.888.772 unidades de queijo fresco.
As exportações representam 5% do negócio, com a Montiqueijo a vender principalmente para os chamados mercados da saudade. “A nossa aposta principal é a Europa, onde já trabalhamos com distribuidores em Inglaterra, França, Bélgica. Pontualmente, trabalhamos para a Polónia. Estamos também a trabalhar o mercado asiático, que é o mais desafiante por ser tão diferente do europeu”, afiança Dina Duarte.
apresentada uma versão de 200 gramas do queijo fresco, que vem juntar-se à de 85 gramas já existente no mercado.
A questão da conveniência, com o crescimento dos produtos “on the go”, está também a influenciar a oferta colocada no mercado. “Consideramos que as oportunidades de crescimento estão no segmento
Neste projeto de internacionalização, os maiores desafios estão relacionados com a frescura e manutenção de outras características dos queijos. “Não é fácil exportar queijos frescos, que têm uma validade curta, para mercados longínquos de Portugal, por isso, temos apostado mais nos queijos curados, que têm uma validade um pouco maior e isso permite-nos chegar a mercados como o asiático”.
Inovar
Mas é o queijo fresco que, efetivamente, tem colocado a Montiqueijo na “boca do mundo”. Em 2016, foi lançado um novo formato em barra, distinguido com o selo Sabor do Ano e com o Prémio Intermarché Produção Nacional. “Para além dos dois prémios portugueses, temos conquistado várias distinções a nível internacional também com este produto, por exemplo, as duas estrelas douradas de Sabor Superior pelo prestigiado International Taste & Quality Institute –iTQi atribuídas ao queijo fresco em barra de tomate e manjericão, em 2017. É uma honra recebermos estes prémios que dignificam o nosso esforço em trazer novas soluções à mesa dos portugueses” Este formato de queijo foi criado para ser levado à mesa inteiro. Produzido de forma artesanal, é um queijo para momentos de partilha e confraternização entre família e amigos e diferencia-se pelo seu tamanho e forma fácil de cortar. “Sentíamos que faltava no mercado uma solução diferenciadora, que desse mais destaque ao queijo fresco num almoço de família, numa ceia de Natal, em momentos de convívio e partilha ao redor da mesa. Neste novo produto, mantivemos a receita que deu origem ao que é hoje a Montiqueijo e inovámos no formato que estamos habituados a ver. Os consumidores parecem gostar muito do formato e sabores deste queijo. Sempre que promovemos alguma ação nos pontos de venda, a recetividade é grande”, garante a diretora geral. Sempre atenta aos hábitos alimentares do consumidor, os novos produtos lançados para o mercado vão ao encontro das mais recentes tendências. “Lançamos produtos com menos ou mais gramagem, de acordo com a aceitação e exigência do mercado”. Recentemente, foi
dos produtos saudáveis e de consumo imediato, por exemplo, snacks saudáveis. Para continuarmos a crescer e a satisfazer o consumidor, temos de nos adaptar às suas necessidades e gostos e, como tal, lançar novos produtos, disruptivos quer nos formatos quer nos sabores. Nesse sentido, vamos ter algumas novidades, mas que ainda é prematuro divulgar. Serão, contudo, novidades diferenciadoras”, assegura Dina Duarte.
Sustentabilidade
Mas o consumidor atual atribui também uma importância crescente à sustentabilidade dos produtos que consome, desde a origem até à mesa, e esta é também uma preocupação da Montiqueijo, que em 2014 decidiu investir na energia fotovoltaica. Graças aos 460 painéis solares instalados, foi conseguida uma autossuficiência média mensal de 19,8%, gerando 125.580 kWh de energia solar. “Através da geração de eletricidade solar, conseguimos evitar 162,8 toneladas de emissões de CO2 equivalentes ao CO2 que 1.732 árvores plantadas seriam capazes de absorver”
A empresa foi, igualmente, pioneira a retirar o cincho dos produtos, garantindo maior qualidade aos queijos frescos e reduzindo a utilização do plástico em mais de 50 toneladas anuais. “Temos uma enorme preocupação ambiental, assumimo-nos mesmo como uma empresa ‘eco friendly’. Para além da preocupação em apresentar a máxima qualidade nos produtos, e que sejam saudáveis, temos igualmente preocupações ambientais e, hoje em dia, dada a nossa central fotovoltaica, em média, cerca de 30% dos nossos queijos são produzidos pelo sol. Funcionamos segundo uma economia circular e conseguimos incluir o soro, uma substância rica em proteína, mas altamente poluente, na alimentação dos nossos animais, evitando assim a contaminação do meio ambiente”.
Um consumidor exigente, informado e preocupado com a qualidade e origem dos produtos que consome, é este o perfil do cliente Montiqueijo, que acredita poder continuar a crescer ao dar resposta às novas necessidades apresentadas pelo mercado. “Quem conseguir acompanhar as tendências, conseguirá crescer. Vivemos numa sociedade que procura ser cada vez mais saudável, as marcas que conseguirem enquadrar-se no segmento ‘Family First’ conseguirão certamente resultados positivos. As pessoas estão recetivas ao lançamento de novos produtos e gostam de experienciar novos sabores”, conclui.
n.º50/2018 | MARÇO/ABRIL
resiliência
Charcutaria a e dinamismo sua mostra
TEXTO Carina Rodrigues FOTOS Shutterstock
A saúde é uma preocupação cada vez maior para os consumidores portugueses, que tendem a evitar alimentos processados ou produtos com muita gordura. Esta tendência poderia ter um efeito penalizador no desempenho do mercado de charcutaria, porém, o dinamismo do último ano indica que a categoria se mostra resiliente e está a responder às necessidades dos consumidores. A charcutaria cresce em volume e em valor, mas é, sobretudo, neste último indicador que se regista uma maior evolução, fruto de uma tendência para a diminuição da profundidade promocional e para o aumento do consumo de produtos de maior valor.
dores com a saúde, traduzindo-se num aumento da procura por alimentos seguros, com qualidade, saudáveis, nutricionalmente equilibrados e prontos a consumir. E que respondam a novas tendências de consumo. “Por diversos motivos, os portugueses procuram cada vez mais novas alternativas de consumo. Não são apenas as pessoas intolerantes ao glúten que compram os produtos isentos, nem tão pouco são os vegetarianos os únicos a fazer refeições sem carne. Por isso, podemos dizer que a charcutaria vegan pode ser uma tendência de futuro e, como todas as tendências, é algo que estudamos e analisamos ao pormenor”, afirma Lia Oliveira, diretora de marketing da Nobre.
As ocasiões de consumo estão também a diversificar-se, à medida que o próprio ritmo de vida se altera e surgem novas necessidades no consumidor, que valoriza cada vez mais a economia de tempo. Neste contexto, questões como a practicidade e o formato ganham relevância no universo da charcutaria. “A conveniência é, sem dúvida, um dos principais fatores atualmente na ótica do consumidor, pelo que as marcas deverão responder com produtos em conformidade, pesando, não obstante, o volume que poderá representar o desenvolvimento de produtos de nicho face à oferta tradicional, tipicamente com menores custos de produto associados”, sublinha Andreia Agostinho.
O que é visível, designadamente, no desempenho do presunto, que assinalou o maior crescimento, quer em volume, quer em valor, e onde há cada vez mais lares a entrar para a categoria. De acordo com os dados da Nielsen, as vendas atingiram os 60,8 milhões de euros, num robusto crescimento de 10%. Em volume, foram 4,5 milhões de quilogramas de presunto comprados pelos “shoppers” portugueses, no ano móvel findo à semana 8/2018, num aumento de 9%.
Mas não é só no presunto que esta tendência é visível. Também no fiambre, a maior categoria da charcutaria, presente em 89% dos lares, se pode observar um crescimento das vendas em valor de 2%, para os 148,1 milhões de euros, não obstante os volumes terem contraído 3%, para os 19,1 milhões de quilogramas. “Esta tendência é resultado, essencialmente, do trabalho que as marcas de fabricante têm feito na inovação, através do desenvolvimento de produtos que respondam aos novos hábitos de consumo e que, por isso mesmo, aportam mais valor à categoria”, indica Marco Andrade, Marketing Manager do Grupo Montalva.
Consequência de uma conjuntura económica mais favorável, as categorias de produtos de maior valor acrescentado estão a entrar com maior regularidade na cesta de compras dos portugueses, caso dos presuntos com um tempo de cura superior, dos chouriços regionais, dos fiambres de qualidade superior e das salsichas em frasco. Mas também dos produtos associados ao chamado movimento saudável, como o segmento de aves, cujo crescimento potenciou o desempenho em valor da categoria do fiambre como um todo. “Cada vez mais, as marcas estão a adaptar a sua oferta, por forma a ir buscar novos consumidores e momentos de consumo, assim com reforçar opções mais saudáveis. Produtos isentos de glúten, com menor teor de sal ou gordura e novos sabores são alguns exemplos”, destaca Andreia Agostinho, Brand Manager da Campogrill.
Tendências
Este é um mercado que tem vindo a ganhar algum dinamismo, muito através de subcategorias e não da chamada charcutaria tradicional. Existe uma crescente preocupação dos consumi-
A charcutaria continua a ser uma categoria presente em cerca de 90% dos lares, mantendo-se o carácter tradicional no seu consumo. Contudo, aumenta a presença dos produtos de algumas subcategorias, especialmente entre os jovens casais e os Millennials, que valorizam igualmente os lanches e pequenas refeições, tipicamente
consumidos fora de casa, embora adquiridos para o lar. “As ocasiões de consumo têm vindo a evoluir em função dos novos hábitos e comportamentos do consumidor. Hoje, há mais coisas a acontecer na vida das pessoas e de forma mais rápida, daí que conveniência seja um benefício essencial e inerente a este mercado. A esse respeito, e relativamente às marcas do Grupo Montalva, Izidoro e Damatta, posso dizer que temos no nosso ‘pipeline’ de inovação alguns projetos que visam encontrar novas soluções alimentares”, partilha Marco Andrade. Soluções para o consumidor cada vez mais em movimento e “on the go”, com a evolução da oferta neste sentido a acontecer também na charcutaria. “O mercado da charcutaria ainda não é aquele onde mais se nota a evolução dessa oferta, talvez por se tratar, na sua maioria, de produtos que, na sua génese, já são muitas vezes
consumidos por conveniência, mas não tenho dúvidas que surgirão propostas neste sentido”, acrescenta o Marketing Manager do Grupo Montalva.
Dinâmica promocional
Para fidelizar estes e recrutar novos consumidores para a charcutaria, a estratégia das marcas passa muito por planear e investir na atividade promocional, assegurando presença e competitividade, especialmente na moderna distribuição. “Dependerá de cada marca identificar o mix promocional mais adequado à sua estratégia, para os resultados pretendidos. Atualmente, verifica-se cada vez mais uma aposta direta no ponto de venda para o consumidor fi-
O que diz a especialista?
Numa altura em que a saúde é uma preocupação cada vez maior para os consumidores portugueses, evitar alimentos processados ou produtos com muita gordura torna a charcutaria mais suscetível a esta realidade. Contudo, o dinamismo do último ano indica que a categoria se mostra resiliente e está a responder às necessidades dos consumidores.
A conveniência e a inovação também têm sido importantes “drivers” de crescimento desta categoria. Os consumidores procuram essencialmente produtos que tornem a sua vida mais fácil e estão bastante atentos a novos produtos, na medida em que estão muito disponíveis para a experiência de consumo que lhes poderão proporcionar.
No caso específico do fiambre, a tendência positiva em valor (+2%) está, em parte, relacionada com o crescimento do segmento de aves, segmento de maior valor acrescentado, percecionado como mais saudável. A procura por esta opção demonstra que os consumidores não se importam de pagar mais por produtos que lhes tragam maior satisfação.
Já o presunto foi mesmo o mercado com maior crescimento, tanto em valor como em volume, no último ano, e há cada vez mais lares a entrar para a categoria. O comportamento deste mercado não é só reflexo de um consumidor com maior disponibilidade para gastar, mas também pode traduzir-se numa procura a alternativas a produtos mais processados, sinónimo de uma maior preocupação com a saúde. Esta tendência poderá ser exemplo visível entre os seguidores das designadas dietas paleo, que indicam o presunto como uma alternativa mais saudável comparada com outros produtos processados.
Mas, para além da questão da saúde, também é importante tirar partido de outras tendências relevantes para esta categoria. Por exemplo, a origem e a qualidade dos produtos podem e devem ser encaradas como oportunidades e constituir uma aposta dos fabricantes.
Luísa Lourenço, Client Consultant Senior
nal, através de visibilidade e ações promocionais”, salienta a Brand Manager da Campogrill.
A charcutaria continua a gerar tráfego para as lojas, pois é um produto ainda amplamente consumido. As ações promocionais afetam, sobretudo, a charcutaria tradicional, trazendo mais clientes ao ponto de venda e impulsionando a compra. “A dinâmica promocional será sempre um ‘driver’ fundamental de consumo destes produtos, que fazem parte do dia-a-dia do consumidor e que, por isso mesmo, têm um peso significativo no valor do cabaz de compra. Acresce a realidade de continuarmos a ter uma parte significativa dos ‘shoppers’ promodependentes, razão pela qual a estratégia de ‘pack price’, com especial foco na gestão fina da profundidade e frequência promocional, assume tamanha relevância”, reforça Marco Andrade. Por outro lado, e na perspetiva de desenvolvimento das marcas, a estratégia passa pela proximidade com o cliente, especialmente através da presença digital, um imperativo nos dias de hoje. “Queremos cada vez mais ouvir o que têm a dizer, tanto dos produtos que temos atualmente como também que necessidades têm e que poderemos vir a satisfazer. Sabendo que os consumidores estão cada vez mais ativos no online, temos, nos últimos anos, investido neste canal. Temos vindo a desenvolver ferramentas para comunicarmos mais de perto, não só em termos de marca, como também na vertente corporativa. Estamos a reformular o nosso site, temos um canal no Youtube com várias sugestões de receitas para os nossos produtos, estamos presentes no Facebook com a página de responsabilidade social Portugal é Nobre e com a página Nobre focada nas nossas gamas de produto. Acabámos de lançar a nossa página no Instagram e estamos também presentes no Linkedin”, refere Lia Oliveira.
A utilização de matérias-primas distintas, um leque mais variado de opções vegan, a inovação ao nível dos processos de fabrico e soluções de packaging, as alterações nos canais de distribuição, impactados pela compra online, que é cada vez mais uma realidade, impli-
cando alterações significativas na cadeia de valor, novos pontos de contacto com o consumidor... Tudo isto são tendências de consumo que estão e irão continuar a afetar o mercado da charcutaria e que as marcas deverão saber antever. Sem esquecer, no entanto, que o mercado português de charcutaria é também consistente e onde os consumidores valorizam muito a relação qualidade/preço. “Ou seja, estão dispostos a pagar algo mais quando percebem a qualidade e benefícios de um determinado produto”, conclui a diretora de marketing da Nobre.
democratizam
charcutaria
da “premium” Distribuição Marcas ANÁLISE
2017 prometia ser risonho para os frescos, depois de em 2016 terem encontrado o caminho da recuperação, mas, na realidade, este mercado voltou a terminar o ano no negativo. A compra dos frescos parece, deste modo, perder prioridade nas dispensas perante o crescente consumo fora de casa dos portugueses. Frutas, legumes e verduras foram as categorias com maior protagonismo neste volte-face, juntando-se, assim, à carne, ao peixe e ao pão no grupo negativo. Porém, existem duas categorias que conseguem permanecer estáveis apesar do contexto desfavorável, curiosamente, ambas bastante mais ligadas ao sabor e prazer do que ingredientes de uma alimentação saudável: a pastelaria (-0,1% versus 2016) e a charcutaria (-1,1% versus 2016). No caso desta última, acaba por ganhar peso no mundo dos frescos, ainda que não verifique um crescimento efetivo.
TEXTO Cláudio Silva, Expert Solutions Executive
Se até 2016 a charcutaria lutava contra a perda de dias de compra, indicador que, desde então, tem-se mantido estável, a mais recente barreira ao crescimento prende-se com a redução do volume na cesta por visita (-1,8% vs. 2016). Em média, os portugueses mantêm o gasto de 141 euros anuais, porém, estão a comprar mais caro (+2,6% no preço/kg final pago).
De facto, os portugueses estão a comprar menos, mas com variedades mais caras, sendo que o mercado está, igualmente, a ser impactado pela redução da intensidade promocional. Ambos os cenários ocorrem tanto nos queijos como nas carnes, embora com enquadramentos distintos.
mix de produtos comprados pago é 3% mais caro do que em 2016. Analisando o consumo feito nos lares portugueses, percebemos como as alterações em algumas rotinas estão a desequilibrar o desempenho dos principais produtos de carne: enchidos, presunto e fiambre. A verdade é que, apesar de existirem mais portugueses a consumir variedades com preço superior à média de enchidos (por exemplo, os salames, paio e painho) e presunto, as ocasiões de consumo tendem a diminuir. Nestes produtos existe um aumento da procura por momentos de prazer, sobretudo no consumo partilhado típico de fim de semana, em detrimento do uso rotineiro, como nas refeições. O fiambre verifica a tendência oposta, regista um menor número de consumidores, mas os que se mantêm estão a consumir mais vezes. Neste caso, a procura por alternativas mais saudáveis (fiambre de frango e peru) promove a inclusão destes produtos nas grandes refeições diárias, como o almoço ou jantar. À semelhança dos queijos, estes segmentos mais “premium” têm sido explorados com sucesso pelas MDD, que já geram cerca de 48% de todo o volume vendido nas carnes de charcutaria. Este crescimento das MDD, tanto nos queijos como nas carnes, acaba por ser influenciado pela tipologia de loja em que são comprados os produtos.
Distribuição: discounts marcam posição
Queijos: de regresso à produção nacional
Os queijos têm sido, nos últimos anos, a força maior da charcutaria e os bons resultados conseguidos têm alavancado o mercado, sobretudo em 2016, e evitado que se registasse perdas maiores neste sector. Porém, os resultados de 2017 refletem um abrandamento global, sobretudo devido à redução da quantidade por cesta, que ainda assim não compromete totalmente a performance da categoria (-0,2% volume de compras vs. 2016). Verificou-se, de facto, uma quebra substancial nas compras com produtos em promoção (-13%) e uma descida no desconto médio (18% vs. 21%) e, se em 2016 as promoções representavam 20% do volume de compras de queijo, esse valor fixa-se agora nos 17%.
Mesmo com o crescimento das compras fora de promoção (+3,5%), a categoria ressentiu-se com a quebra de variedades como o queijo para barrar e o queijo de cabra, mas, sobretudo, dos queijos frescos e estrangeiros, que em 2016 cresciam exponencialmente. As perdas destas variedades vêm sobretudo das marcas de fabricante, não só pelo impacto da redução promocional, mas também devido ao investimento dos distribuidores em tornar as suas marcas mais “premium”, aumentando a competitividade ao nível do preço nos segmentos de queijo onde o valor/quilograma é mais elevado. O equilíbrio no desempenho dos queijos é conseguido pelo crescimento contínuo de segmentos ligados à produção nacional e à conveniência, com as variedades de flamengo e outras típicas portuguesas à cabeça, seguidas pelo queijo ralado. Nestas variedades, tanto fabricantes como MDD têm conseguido aproveitar esta oportunidade no mercado.
Carnes: da rotina semanal para ocasiões especiais
Nas carnes de charcutaria, o cenário é mais desafiante. À semelhança do que aconteceu nos queijos, as carnes também verificaram um abrandamento do número de compras em promoção, embora não tão significativo (-3%). O principal obstáculo está em converter esta redução da venda promocional em vendas regulares (-1,9% volume de vendas), que representam 87% do volume desta categoria. Ainda assim, os portugueses logram comprar variedades mais caras, onde o
Em 2016, assistimos a um “boom” do canal tradicional: mais compradores, maior frequência de compra, mais quantidade comprada por ato, mas, em 2017, este canal foi trocado pela compra nos discounts, que, com oferta predominantemente de marca própria, têm sido, nos últimos anos, a principal referência no crescimento do conceito de compra de proximidade.
O canal tradicional perdeu quase 5% dos compradores e registou uma quebra de 4% no número de compras efetuadas, tendo mesmo 27% das compras perdidas sido diretamente transferidas para os discounts. Esta transição foi feita sobretudo por lares familiares, os mais numerosos, que, apesar de não ser a tipologia de lar que mais se identifica com o canal tradicional, são os que, globalmente, maior quantidade compram e maior gasto dedicam aos produtos de charcutaria. Deste modo, o principal desafio no mercado da charcutaria prende-se
com a capacidade das marcas oferecem produtos que consigam ser competitivos não só a nível de preço, mas igualmente que se destaquem pela diferenciação e por uma perceção de qualidade superior. Torna-se necessário procurar dinamizar mais momentos de consumo e voltar a criar uma ligação com os produtos menos “premium”, sobretudo nas carnes. É ainda importante perceber como lidar com o crescimento do conceito de canal de proximidade, mas não esquecendo que as cadeias de hiper e supermercados ainda geram 69% de todo o volume de compras neste mercado.
ENTREVISTA
n.º50/2018 | MARÇO/ABRIL
na “Estamos Portugal de em e a crescer lojas
concentrados continuar em em
Espanha” abertura
TEXTO Carina Rodrigues FOTOS D.R.
A malaguenha Tiendanimal tem um ambicioso plano estratégico de crescimento. O objetivo é ultrapassar as 200 lojas dedicadas ao universo de “pet care” repartidas por todo o território espanhol e Portugal, em 2023. A primeira loja no mercado nacional abrirá portas já este ano. Em entrevista à Grande Consumo, Rafael Martínez-Avial, CEO da Tiendanimal, detalha os planos de uma insígnia nascida no universo online, mas que tem uma pegada cada vez mais física. E que olha ainda para os mercados italiano e francês como destinos apetecíveis de expansão e instrumentais na consolidação da posição de liderança.
Grande Consumo – Com que filosofia foi concebida a proposta de valor da Tiendanimal?
Rafael Martínez-Avial – A Tiendanimal foi concebida como um ponto de encontro para todos aqueles que tenham um animal de companhia. Além de cães e gatos, dispõe de artigos para pássaros, peixes, roedores, furões, répteis e anfíbios, em suma, qualquer animal de estimação.
Sob essa filosofia comercial, temos um pilar fundamental pelo qual se rege todo o nosso trabalho: ética e respeito pelos animais. Para tal, é fundamental o processo de seleção dos colaboradores, onde se procura atrair o talento dos melhores especialistas em áreas distintas, sendo essencial que sejam amigos dos animais. Por isso, a Tiendanimal destaca-se por oferecer um atendimento enriquecedor e personalizado aos seus clientes e, por outro lado, pelo cuidado com os mesmos.
Na Tiendanimal, distinguimos dois tipos de clientes: os animais e as pessoas que cuidam deles. Como tal, os produtos e serviços estão focados em duas áreas: a satisfação do dono, graças à ampla variedade e qualidade dos produtos, juntamente com um preço acessível, e a assistência total ao animal de companhia, ao integrar, além de todos os produtos de alimentação, todo o tipo de acessórios e uma completa oferta de serviços, que incluem tosquia e veterinária. Junto a tudo isto, levamos a cabo uma firme política de responsabilidade social corporativa. Além de não vender animais, temos o programa educativo Tiendanimal Educa, para consciencializar as crianças sobre a adoção responsável e contra os maus-tratos aos animais. A Tiendanimal colabora com mais de 100 associações locais protetoras dos animais, apoiando ações para a sua adoção. Só em 2017 colaborámos na adoção de mais de 2.500 animais.
pode encontrar qualquer artigo para qualquer animal e uma ampla variedade de opções e marcas.
GC – Qual o principal desafio de um negócio de comércio eletrónico neste sector de atividade?
RMA – Como empresa, o nosso principal desafio é o de oferecer os melhores serviços e produtos com a melhor relação qualidade/ preço possível. No âmbito do comércio eletrónico, o maior desafio que enfrentamos é o de ter todos os produtos em stock e gerir uma logística que consiga entregar os produtos no menor tempo possível. Movemo-nos num ambiente muito competitivo, em que todos os atores do sector lutam para ser os mais completos quanto à oferta e os mais rápidos quanto às entregas, e isso obriga-nos a melhorar todos os dias para manter a liderança.
Neste momento, em Portugal, onde só temos venda online, contamos com um volume de clientes que representam 20% dos 900 mil totais”
GC – Que vantagens proporciona o serviço de comércio eletrónico da Tiendanimal?
RMA – As vantagens do nosso serviço online, além da entrega dos produtos entre as 24 e as 48 horas seguintes à compra, são as de poder aceder a um catálogo de mais de 30 mil produtos, no qual se
GC – Para além da venda de produtos, que outro tipo de serviços são oferecidos pela Tiendanimal?
RMA – Para além de todo o nosso catálogo, oferecemos uma série de serviços, que não se conseguem obter através da Internet, na nossa rede de lojas físicas, que atinge, atualmente, os 36 pontos de venda em Espanha. Contamos com serviços de tosquia e SPA; adestramento; tratamento com ozono terapia; click & collect, para comprar pela Internet e recolher na loja; serviço de adoção, em colaboração direta com associações locais protetoras de animais; farmácia e parafarmácia e também dispomos de uma rede de clínicas veterinárias, a Clinicanimal, que estamos a abrir anexas às lojas Tiendanimal. O nosso objetivo é que os donos de animais de companhia, seja que animal for, encontrem na nossa oferta qualquer produto ou serviço que necessitem num único local.
GC – Desde que a Tiendanimal surgiu, em 2006, quanto evoluiu a parte online do negócio? E a física?
RMA – A Tiendanimal começou como uma empresa 100% online, em 2006, com um catálogo de apenas umas centenas de produtos, que atualmente conta mais de 30 mil, crescendo a um
ritmo de 100 referências por semana, e que já dispõe de oito marcas próprias, evoluindo constantemente em volume de encomendas e de clientes.
Quanto à parte física, desde que abrimos a primeira loja, em Málaga, em 2013, continuámos a expandir este canal até chegar aos 36 pontos de venda atuais, com uma média de mil metros quadrados de superfície por local. O nosso objetivo é chegar, apenas em Espanha, às 100 lojas antes do final de 2020.
GC - Quanto faturaram em 2017 e quanto esperam faturar neste exercício?
RMA – Em 2017, faturámos 72 milhões de euros. Ainda é cedo para falar da faturação deste ano, mas tudo aponta para que continuemos a crescer significativamente, como temos vindo a fazer ano após ano, tanto mais, tendo em conta a nossa capacidade e a dinâmica em que se encontra o sector do “pet care”, que está em pleno auge.
GC – Pretendem abrir alguma loja física em Portugal? Que investimentos preveem fazer fora de Espanha?
GC – A app móvel é um sucesso? Quanto do tráfego é gerado no “mobile”? A app é responsável por quanto das vendas?
RMA – Estamos muito satisfeitos com a nossa app. Para além de ser a aplicação mais avançada, tanto em termos de software como em design, no retalho de “pet care”, os consumidores que compram através da mesma podem desfrutar de ofertas e descontos exclusivos.
A app foi criada em 2016, para responder à procura dos consumidores espanhóis, que utilizam cada vez mais os seus dispositivos móveis nos processos de compra. O tráfego gerado através da mesma é 7% do tráfego total de Espanha e Portugal e a percentagem de encomendas geridas é de 15,3%, o que representa uma taxa de conversão de 7,7%, muito acima da taxa média do e-commerce.
GC – Quantos clientes têm em Portugal e quanto representa o mercado português nas vendas totais? E fora da Península Ibérica, quais os mercados mais importantes e quanto representam em termos de vendas?
RMA – Neste momento, em Portugal, onde só temos venda online, contamos com um volume de clientes que representam 20% dos 900 mil totais.
Fora da Península Ibérica, também operamos apenas online em França e Itália, que representam conjuntamente 10% das vendas totais da empresa.
RMA – O nosso objetivo é começar a ter presença física no país, ao longo de 2018, e continuar a crescer nos restantes países onde só operamos online (França e Itália). A nossa estratégia empresarial baseia-se em passos muito firmes e, nesse sentido, estudamos pormenorizadamente cada oportunidade de negócio, com uma complexa análise que nos permita a maior segurança. Quem sabe, a médio e longo prazo, nos interesse entrar nesses mercados de forma física, mas, de momento, estamos concentrados na abertura de lojas em Portugal e em continuar a crescer em Espanha.
GC – Quais são as marcas próprias da Tiendanimal e que percentagem representam em termos de vendas?
RMA – Do nosso catálogo de mais de 30 mil referências, mais de 1.500 são de marca própria. A empresa controla a produção e a distribuição de oito marcas: Criadores, Breed Up e Salvaje para a alimentação de cães e gatos; Vivanimals para a alimentação de aves e roedores; Yes!pH de cosméticos e cuidado da pele e pelo dos animais; TK-Pet de acessórios premium para cães e gatos; Wondermals de acessórios de luxo e design e TK-Pet Home para a higiene dos lares com animais de companhia. Face ao total das vendas, estas marcas representam uma percentagem muito significativa e em crescimento, tanto a nível físico como online.
GC – Que tendências vão marcar o mundo do “pet care” em 2018?
RMA – De acordo com os nossos dados, extraídos a partir de uma análise exaustiva do comportamento dos consumidores e das previsões das empresas que operam nesta área, confirma-se que a opção pelo saudável vai ganhando força no mercado, com uma oferta cada vez mais especializada e baseada em standards elevados. Os donos de animais de companhia exigem, cada vez mais, que a alimentação dos seus cães ou gatos tenha as mesmas ou parecidas qualidades com a sua própria e estão a começar a optar por dietas personalizadas. Cresce, assim, o consumo dos alimentos ecológicos e dos ingredientes naturais certificados e pouco processados. Além disso, e como se tem vindo a observar durante os últimos anos, crescem de maneira consistente os estabelecimentos e locais que permitem o acesso de animais de estimação e que, inclusivamente, dispõem de zonas “pet friendly”, ampliando-se também a opção de que os animais possam utilizar os transportes públicos.
manter “Pet food” a no FMCG continua dinamismo universo dos
O mercado de “pet food” tem vindo a crescer de ano para ano, apesar da crise económica que assolou o país. E as perspetivas são de que continue a evoluir ao mesmo ritmo, pois são cada vez mais as famílias portuguesas a terem animais de estimação. A crescente tendência de “humanização” no “pet care” faz com que se transponham para os animais as próprias opções de consumo da família, o que está a motivar o aumento da procura e consequente oferta de produtos mais naturais e com ingredientes selecionados. À medida que cresce a consciencialização do papel dos animais na sociedade, evolui também a consciência das suas próprias necessidades especiais e distintas, com a nutrição personalizada e adaptada a perfilar-se como o próximo foco de inovação.
“O mercado do ‘pet food’ continua a ser dos mais dinâmicos no universo dos Fast Moving Consumer Goods, apresentando um crescimento de 3,8% em valor, segundo os dados da Nielsen de 2017”, introduz Pedro Lourenço, Marketing Manager da Purina. Mais de metade dos lares portugueses (55,5%) compraram ali-
mentação para cães e gatos, no período de 52 semanas terminado em 31 de dezembro de 2017. Não obstante, a categoria tem vindo a debater-se com alguns desafios. As cestas perderam intensidade, uma vez que, apesar do “shopper” ir mais vezes à loja para comprar estes produtos, gasta menos dinheiro e enche menos a cesta nessas visitas.
TEXTO Carina Rodrigues FOTOS Shutterstock
Assim o indicam os dados da Kantar Worldpanel, que revelam, ainda, que o alimento seco continua a ser a ser opção principal, chegando a 89,5% dos lares onde existem animais de companhia, não obstante esteja a perder dinamismo. Em contrapartida, o alimento húmido conseguiu entrar em mais lares, em 2017, reforçando quer a frequência de compra, quer a taxa de repetição. Já os snacks perderam alguma atratividade.
55,5% dos lares Portugueses* compra Pet Food
Gato ganha expressão Pedro Lourenço detalha que, tendo por base os dados da Nielsen para o canal retalho, em 2017, o segmento de gato cresceu 6,9% e o de cão 1,3% em valor. Efetivamente, apesar de esta ser uma categoria onde o segmento para cão sobressai, foi a alimentação para gato que conseguiu conquistar mais lares portugueses (65,4%), dinamizando as opções super premium (e económica). A análise da Kantar Worldpanel mostra que, enquanto no cão os produtos mais económicos representam quase 70% do valor, e o super premium não passe dos 7,7%, no segmento para gato as opções mais caras ganham cada vez mais espaço, valendo já mais de um quarto da quota de mercado em valor.
A esta tendência não será alheio o facto de que quer o alimento húmido quer os snacks, normalmente produtos que aportam maior valor à categoria, estarem presentes em cada vez mais lares e a consolidar quer uma maior rotina, quer a repetição da compra. “Ambas as categorias – cão e gato – estão em crescimento, apesar do mercado da alimentação felina estar a crescer mais rapidamente do que o da alimentação canina, também impulsionado pelo alimento húmido para gatos, que tem um crescimento de dois dígitos todos os anos”, confirma María Ángeles Toscano, diretora de Corporate Affaires para a Royal Canin Iberia. No caso do segmento para cão, o alimento seco continua a ser aquele que chega a mais lares (83,2%), mas as dificuldades que enfrenta estão a impedir o seu desenvolvimento.
Dinâmica
Donos de cães e donos de gatos caracterizam-se por objetivos de compra completamente distintos, apesar da conveniência ser fundamental para ambos. “Mas é ainda mais importante para os tutores dos gatos, que procuram proximidade e compram com mais
frequência. Os tutores dos cães são mais funcionais e leais à marca, se eles (e os seus cães) estiverem satisfeitos com o produto”, detalha María Ángeles Toscano.
Além disso, analisa Pedro Lourenço, “os donos de cães estão mais centrados na alimentação seca, fazendo, essencialmente, as suas escolhas em função da idade do seu ‘pet’. Os donos dos gatos vão mais ao encontro das necessidades especiais, como é, por exemplo, o caso de produtos para gatos esterilizados, complementando a alimentação seca com a húmida”.
Os fabricantes podem, assim, encontrar no segmento para gato a sua oportunidade de gerar valor para a categoria. Até porque, face ao melhor desenvolvimento da distribuição moderna do que do canal especializado, o ambiente tornar-se-á cada vez mais competitivo, dada a intensidade promocional que se sente no grande retalho e tendo em consideração a aposta que normalmente fazem nas suas próprias marcas. No canal especializado, revela a Kantar Worldpanel, o “shopper” está menos frequente nas suas compras, enche menos as cestas e gasta menos dinheiro. Já o e-commerce, detalha a responsável
da Royal Canin, está a crescer muito rapidamente, mas a sua quota não ultrapassa os 4% a 5% do mercado total de “pet care”. No entender da diretora de Corporate Affaires da Royal Canin, o preço e as promoções não são o mais determinante na hora de escolher o alimento para o animal de companhia, mas sim fatores como a confiança, a qualidade e a recomendação. “Se perguntarmos aos tutores de gatos e cães quais são as promoções que preferem, os descontos nos produtos que habitualmente já compram seria a primeira escolha”, reforça. Este continua a ser um elemento importante e transversal às várias categorias do mercado português, sendo valorizado pelo consumidor, mas, no caso específico do mercado de “pet food”, o nível promocional está abaixo da média dos Fast Moving Consumer Goods. “No geral, as promoções têm vindo progressivamente a gerar um menor nível de vendas incrementais, pelo que é importante definir o mix mais eficiente para que continuem a ser rentáveis. Por outro lado, os consumidores estão cada vez mais atentos ao ‘value for money’, pretendendo obter o melhor retorno do seu gasto, o que implica que, para além da promoção, seja fundamental alavancar outras dimensões, como é o caso da inovação”, defende o Marketing Manager da Purina.
tos, quer por serem uma ferramenta para alimentar a fidelização dos consumidores. Contudo, é importante que esta estratégia de mercado com base em atividade promocional seja equilibrada, eficiente e sustentável a longo prazo”, sustenta Pedro Alvarez, Market Head da Mars Iberia para Portugal. Já as marcas de distribuição têm o seu papel. “Acreditamos que, com ofertas diferenciadas, todos temos um lugar no mercado e junto das preferências do consumidor. A Mars tem uma máxima bastante enraizada na sua estratégia de mercado: fazer crescer a categoria e crescer com ela. Se o empenho de todos tiver como foco o crescimento de qualidade e sustentado, todos crescemos”, acrescenta.
Até para não se correr o risco de retirar valor à categoria. “Consi-
Tendências
Em média, de acordo com os dados da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, o orçamento anual dedicado por cada família portuguesa é de 1.007 euros no cuidado do seu cão e de 865 euros no cuidado do seu gato. Já segundo a GfK, tem vindo a registar-se um aumento gradual dos gastos mensais com os animais de companhia, que atualmente ronda os 18% do total do orçamento familiar. Observa-se uma tendência de cada vez maior “humanização” no “pet care”, transpondo para os animais de companhia as próprias tendências de consumo da família. É por esta razão que a oferta de alimentos naturais tem vindo a aumentar.
Ao longo dos últimos dois anos, devido a uma maior consciencialização à volta das necessidades especiais e distintas entre gatos e cães e entre as próprias raças de cada espécie, tem vindo a verificar-se também uma maior procura de produtos específicos. É exemplo a crescente procura de alimentação para raças pequenas, que têm vindo a ganhar protagonismo devido à urbanização. O próximo foco de inovação deste mercado virá, assim, da nutrição personalizada, adaptada às necessidades de cada animal de estimação, da crescente naturalização das gamas e da conveniência ao nível dos produtos e formatos.
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Uma equipa dedicada às suas necessidades com a solução - FÁCIL
TEXTO Carina Rodrigues FOTOS D.R.
superou de as 2017 ano “O expectativas”
O ano de 2017 superou as expectativas da Sorgal, que conseguiu crescer em todas as áreas. Para o presente exercício, em que a empresa celebra os seus 75 anos, o objetivo é consolidar esse mesmo crescimento e apresentar resultados sustentáveis que permitam manter o investimento. Recentemente distinguida com o Prémio Nacional de Agricultura, a Sorgal posiciona-se no mercado como uma empresa que quer produzir mais e melhor, de modo a corresponder às necessidades do mercado, quer interno, quer externo. Afinal, 25% das vendas são já feitas nos mercados internacionais. Sem nunca perder o foco na criação de valor acrescentado, na diferenciação e na inovação do produto, a Sorgal quer ir cada vez mais longe. Isso implica estar constantemente atenta e a par da evolução das necessidades dos animais deste segmento, como nos conta António Isidro, CEO da Soja de Portugal.
Grande
Consumo
- Como surgiu a Sorgal?
António Isidoro - A história da Sorgal remonta a 1943, ano em que um grupo de industriais decidiu fundar, em Ovar, a sociedade Soja de Portugal, inicialmente vocacionada para a transformação industrial de derivados de soja. Em 1955, alterámos este processo e iniciámos as atividades de moagem de cereais que, em 1964, estiveram na origem da produção de alimentos compostos para animais e na criação da marca Sojagado. Esta atividade foi-se desenvolvendo quer através da ampliação da unidade produtiva de Ovar, quer através da aquisição de outras unidades industriais no interior e sul do país e, em 1989, a Soja de Portugal transformou-se numa holding. Através do ‘spin off’ da atividade de alimentos compostos, foi então criada a Sorgal. Parte de um grupo empresarial do sector agroalimentar que comemora, este ano, 75 anos de existência, a Sorgal centra toda a sua atividade na nutrição animal, produzindo e comercializando alimentos compostos para a avicultura e pecuária, aquacultura e animais de companhia, procurando posicionar as suas marcas na conquista de quota de mercado interno e externo. Atualmente, desenvolve a sua atividade através de três áreas de negócio (Sojagado, Aquasoja e Pets Best) e três unidades industriais.
GC - Quais os valores que distinguem a atividade da Sorgal?
AI - A Sorgal é uma empresa dinâmica, que se distingue, sobretudo, pela cooperação, ambição, responsabilidade, eficiência, rigor, confiança e inovação. Trabalhamos todos os dias para produzir mais e melhor e para corresponder às necessidades do mercado. A nossa missão passa por desenvolver negócios em áreas geradoras
LINDE INTRALOGISTICS
SOLUTIONS
Respostas integrais para a mudança 4.0
de sinergias, concebendo e disponibilizando ao mercado soluções competitivas, inovadoras e sustentáveis, mantendo elevados níveis de serviço e qualidade, equilibrando os interesses dos diferentes ‘stakeholders’.
GC - Como correu o exercício de 2017? Correspondeu às expectativas?
AI - O ano de 2017 superou as nossas expectativas. Crescemos em todas as áreas face a 2016 e tivemos um desempenho económico igualmente superior ao do ano transato.
GC - Qual é a vossa atual capacidade de produção? Preveem um aumento dessa capacidade ou é suficiente para responder às necessidades do mercado?
AI - Na área da produção de alimentos para animais de companhia – ‘pet food’ seco para cães e gatos –, temos uma capacidade produtiva instalada superior a 50 mil toneladas no conjunto das duas fábricas, não se prevendo, a curto prazo, a necessidade de aumento. Estamos a falar de duas unidades relativamente recentes: a linha de produção situada em Ovar (2006) e a de Torres Novas (2013).
GC - Que peso têm os mercados internacionais nas vendas da Sorgal? Em quantos mercados estão presentes, quais os mais importantes e aqueles onde ambicionam vir a estar?
AI - Em termos globais, a Sorgal ultrapassou, em 2017, os 25% de vendas em mercados internacionais, tendo exportado para 15 países. Espanha e Grécia são as áreas geográficas com maior volume.
Soluções intralogísticas à medida que impulsionam a eficiência e competitividade da sua empresa.
Conectividade, e-commerce, comunicação, redes sociais... a forma de consumir dos seus clientes está a alterar-se vertiginosamente, levando as empresas a adequar os seus processos logísticos. Linde Intralogistics Solutions é o serviço de consultoria integral da Linde Material Handling Ibérica que analisa os processos da sua empresa
e lhe dá as soluções mais adequadas para a máxima otimização da sua logística interna. Desde a assessoria inicial, até à implementação e entrega de projetos “chave-na-mão”, Linde Intralogistics Solutions é um investimento seguro e implica uma evidente poupança de custos. A resposta para os desafios de hoje e de amanhã.
ENTREVISTA n.º50/2018
No que respeita aos alimentos para animais de companhia, o volume de exportação atingiu os 12%, apresentando esta área, nos últimos cinco anos, um crescimento no mercado internacional na casa dos três dígitos.
GC - Quais os principais desafios do vosso projeto de internacionalização?
AI - Barreiras culturais, linguísticas, burocráticas e logísticas são os principais desafios que, todos os dias, temos de superar para continuarmos a crescer fora de portas. O nosso objetivo é ir mais longe e alcançar mais mercados, mas sem nunca perder o foco na criação de valor acrescentado, na diferenciação e na inovação do produto que colocamos no mercado. Isto implica estar constantemente atentos e a par da evolução das necessidades dos animais deste segmento. Por exemplo, a necessidade dos cães e gatos difere consoante a zona geográfica, o que exige que tenhamos conhecimento para fazer estes ajustes. Para tal, temos um departamento técnico constituído por sete pessoas e uma veterinária alocada a 100% ao ‘pet food’, que nos tem acompanhado em congressos, eventos e feiras internacionais, para perceber as tendências e ajustar as nossas ofertas aos diferentes mercados. Para nós é prioritário experimentar o mercado, consolidar e, posteriormente, avançar com a expansão, desde que tenhamos produto para dar resposta e acrescentar valor a esse segmento.
GC - Que importância tem para a Sorgal ter sido distinguida com Prémio Nacional de Agricultura?
AI - Este é um prémio muito importante, pois representa o reconhecimento do nosso trabalho, ao longo destes 75 anos de história, junto dos nossos clientes nacionais e internacionais. É para eles que trabalhamos diariamente e é por eles que queremos fazer mais e melhor, merecendo a sua total confiança.
de, na vossa visão?
AI - A Sorgal está inserida no grupo Soja de Portugal, que tem, há vários anos, uma estratégia de sustentabilidade corporativa implementada e onde a política ambiental é um pilar.
A título de exemplo, os investimentos feitos pela empresa na procura por soluções amigas do ambiente levaram a que, nos últimos cinco anos, a produção de energia térmica para a nossa atividade recorresse essencialmente a combustível renovável (biomassa), o que evitou a emissão de mais de 52 mil toneladas de CO2 para a atmosfera.
GC - Como está a evoluir o mercado do “pet food” em volume e em valor?
AI - Na nossa opinião, e face aos números de que dispomos, o mercado de “pet food” em Portugal, em termos globais, deverá ter crescido 4%, nos últimos tempos, prevendo-se que continue a crescer.
GC - Quais as categorias mais dinâmicas?
AI - O alimento seco e a comida para gato são os que apresentam maior dinamismo. Tentamos sempre inovar e adaptar-nos às necessidades do mercado.
GC - Onde está a oportunidade de gerar valor para este mercado?
Para 2018, a Sorgal quer continuar a crescer e a apresentar resultados sustentáveis, que permitam manter o investimento constante na relação com os clientes e parceiros”
AI - O valor está, essencialmente, na inovação e na diferenciação, uma vez que são sempre procuradas as melhores alternativas nutricionais para os nossos animais de companhia.
GC - Os consumidores transpõem para os seus animais as suas próprias tendências de consumo (ex: biológicos?)
De onde virá o novo foco de inovação para este mercado? Quais as próximas tendências de consumo que anteveem?
GC - As questões ambientais são uma preocupação da Sorgal? A competitividade está dependente da sustentabilida-
AI - Claramente que sim. Com a crescente humanização e maior proximidade entre o animal de estimação e a família/lar que o acolhe, assistimos a mudanças substanciais a todos os níveis, desde os cuidados de saúde aos alimentares. Posto isto, cabe-nos a nós acompanhar e estar atentos a esta mudança de paradigma, que, sem dúvida, ditará a inovação que os produtos terão de sofrer.
GC - Em que projetos está a Sorgal a trabalhar?
AI - Na área do “pet food”, estamos a trabalhar em vários projetos de inovação em rede, sendo que, nesta data, aquele que será mais relevante é o “MINDOG” com o ICBAS e com a Faculdade de Farmácia do Porto, com o apoio do COMPETE, onde pretendemos desenvolver fórmulas inovadoras na nutrição mineral.
GC - Quais os objetivos da Sorgal para 2018? O que seria um bom ano para a empresa?
AI - Para 2018, a Sorgal quer continuar a crescer e a apresentar resultados sustentáveis, que permitam manter o investimento constante na relação com os clientes e parceiros. Celebramos 75 anos, um marco importante na história da empresa, com a afirmação da Sorgal num mercado cada vez mais exigente e competitivo, quer em Portugal como no estrangeiro.
identidade Periquita: nova a a Portugalidade e reforça origem
O clássico vinho Periquita, a mais antiga marca nacional de vinho a ser comercializada, chega agora ao mercado com a imagem renovada. A nova identidade do icónico vinho de Azeitão regressa às origens da marca, produzida ininterruptamente desde 1850, e pretende reforçar a autenticidade e a portugalidade. Com uma história que se confunde com a de uma empresa, de uma região e de um país, o Periquita assume-se como um produto autenticamente português.
conhecido em Azeitão como o vinho da Periquita, passando a ser comercializado pela José Maria da Fonseca com o mesmo nome. Estavam lançadas as bases para uma marca de sucesso.
A marca Periquita faz parte do imaginário coletivo dos portugueses, e não só, há quase dois séculos. De tal forma que, a par do “rebranding”, a marca lança também uma nova campanha de promoção, onde reforça a sua origem. O slogan “À nossa mesa desde 1850” remete, nesta campanha, o universo Periquita para um paralelo na história. A garrafa Periquita surge no centro como elo de ligação entre duas datas, por um lado, o ano de lançamento da marca e, por outro, o ano de um momento histórico em Portugal. A presença contínua da marca reforça a autenticidade, o carácter e a consistência ao longo de 168 anos.
Hoje, a icónica marca portuguesa Periquita está presente em mais de 70 países. A expressão de uma região tornou-se na identidade de um país, que chega a mercados tão distintos como a Suécia, o Brasil, o Reino Unido, os Estados Unidos da América, o Canadá, a Dinamarca e a Noruega. O desenvolvimento da marca Periquita tem sido um processo orgânico e de constante renovação, onde a importância da imagem, da divulgação e da personalização dos vinhos vêm reforçar a consistência e qualidade do mesmo. A família, que conta já com a sétima geração à frente do negócio, tem sabido conjugar este legado histórico da empresa e da marca Peri-
quita com a constante inovação e a autenticidade. Saborear Periquita é sentir, num copo de vinho, a alma de um povo único que se renova, dia após dia, sem nunca esquecer as suas raízes.
José Maria da Fonseca, o homem visionário que há quase dois séculos decidiu plantar uma nova vinha de casta Castelão na Cova da Periquita, em Azeitão, é hoje reconhecido como um dos mais proeminentes nomes da viticultura portuguesa. O vinho aí produzido desde logo provou ser o melhor da região, dando origem a que os outros produtores pedissem a José Maria da Fonseca varas daquela casta para plantarem nas suas propriedades. Desta forma, o vinho tornou-se
Na nova identidade da gama de produtos Periquita existem várias novidades nos elementos visuais presentes no rótulo. A marca “umbrella” José Maria da Fonseca surge reforçada, como símbolo de mérito e qualidade, à qual se junta a assinatura do enólogo Domingos Soares Franco, uma marca de carácter, legitimidade e relevância. O brasão da Ordem da Torre e Espada, distinção atribuída pelo rei D. Pedro V a José Maria da Fonseca, em 1856, pelo Valor, Lealdade e Mérito no âmbito da indústria portuguesa, regressa à imagem recuperando a simbologia da sua origem.
e aprovada provada Alorna
Um passado secular e uma marca apreciada por muitos consumidores dentro e fora de portas. Em poucas palavras, assim poderia ser descrita a Quinta da Alorna, marca emblemática dos vinhos do Tejo e que disponibiliza um portfólio rico e diversificado. Onde figura, mais recentemente, uma gama de monocasta brancos e tintos que se pautam pela frescura e aroma, a juntar a “best-sellers” como os Reserva ou os incontornáveis Marquesa de Alorna Grande Reserva. Vinhos a (re)descobrir a uma curta distância do rebuliço de Lisboa.
TEXTO Bruno Farias FOTOS
Sara Matos
É na calma de Almeirim que se situa uma das mais tradicionais e representativas propriedades do passado imenso e fértil que caracteriza a nossa história coletiva.
A Quinta da Alorna, a magnífica propriedade localizada à entrada da localidade, hoje rasgada pela Estrada Nacional 118, remete a imaginação para o passado, enquanto a sua atividade agrícola e, sobretudo, vitivinícola transporta-nos para um Portugal moderno, que honra a tradição e a história, mas que aponta ao amanhã com convicção.
Sob a batuta e mestria da enóloga Martta Reis Simões, muitos, e bons, são os néctares provenientes das suas vinhas que chegam ao mercado, colheita após colheita. Fruto do investimento contínuo feito na marca, na produção vitivinícola, seja ele tempo ou capital. Resultado: aumento de quantidade e aumento de qualidade. “O aumento de quantidade é importante, porque temos crescido em vendas e, portanto, é necessário ter capacidade de armazenamento para os vinhos que vamos vender nos anos seguintes. Mas temos feito também investimento em aumento de qualidade. Isso é notório nos tintos a partir de 2015. Já fizemos alguns investimentos logo após a vindima e os vinhos em cuba foram feitos de uma forma totalmente diferente, com um incremento de qualidade importante. Depois, uma série de investimentos menores em pequenos equipamentos que nos ajudam a ter transformações em detalhes nos vinhos. Tem sido um foco relevantíssimo e que se tem notado”, introduz Pedro Lufinha, diretor geral executivo da Quinta da Alorna. Menos percetível, o investimento traduzido em forma de tempo, seja em experiências, “coisas novas” que, “de vez em quando”, permite lançar alguns produtos inovadores no mercado, a exemplo dos Grande Reserva Marquesa de Alorna, “os primeiros Grande Reserva da região”. Além de referências como o Quinta da Alorna Reserva Branco (Arinto/Chardonnay), o Touriga Nacional, um vinho com um perfil e posicionamento muito próprio, o Sauvignon Blanc, o Colheita Tardia, entre outros. “No fundo, temos vindo a estabelecer algumas tendências e isso é muito importante para nós. A curtíssimo prazo, temos, ainda, um projeto muito importante, que é crescermos um bocadinho a adega, para ter um produto tinto claramente superior e que nos permita dar um salto de preço e notoriedade muito importante”, reforça Pedro Lufinha.
ta, hoje, um portfólio rico e diversificado, para diferentes carteiras e ocasiões, onde prevalece uma surpreendente relação qualidade/preço, com a frescura e elegância dos seus néctares a serem uma constante ao longo da gama. “Temos, não só na Quinta da Alorna, mas na região no geral, muita frescura e essa frescura e boa acidez faz com que tenhamos perfis de vinhos muito mais elegantes, muito mais perfumados do que alguns outros que são mais intensos. Como temos um clima com alguma frescura de noite e muito quente durante o dia, acabamos por ter plantas que nos permitem também alguma maturação, mas com elegância, uma vez que a planta repousa durante a noite e ganha uma série de nutrientes importantes para essa frescura”, reforça.
Ao todo, são 28 o número de países onde a Quinta da Alorna se faz representar, seis dos quais considerados estratégicos e onde tem investido significativamente nos últimos anos
Razão pela qual, os vinhos do Tejo passaram a ser uma aposta mais regular, e visível, na oferta vínica da restauração nacional, fruto de um trabalho concertado não só a nível dos produtores, como também da própria Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, o que se reflete no foro interno mas, também, a nível externo. Ao todo, são 28 o número de países onde a Quinta de Alorna se faz representar, dos quais seis são considerados estratégicos e onde tem investido significativamente nos últimos anos. Nomeadamente, China, Brasil, Polónia, Rússia,
Região
Aposta no futuro, de modo a associar, cada vez mais, a região vitivinícola do Tejo a vinhos de qualidade. Para trás, ficou a visão da região “menos amada” com as suas propostas a irem de encontro aos mais altos requisitos de enófilos e consumidores de todo o mundo. Com os seus 220 hectares de vinha, a Quinta da Alorna apresen-
Inglaterra e Estados Unidos da América, a que se junta a Holanda, onde este produtor acredita ter atingido a maturidade em termos de vendas. “Nos restantes, acreditamos que ainda podemos crescer muito mais. Os Estados Unidos da América são, curiosamente, o que ainda representa menos peso nas vendas, mas onde temos investido mais nos últimos anos e onde vamos continuar a fazê-lo. No Brasil, estamos a crescer imenso, enquanto na China começam a reconhecer os rótulos. Isso começa a ser muito importante para nós, vermos que já há algum reconhecimento de marca a nível internacional. Os monocasta são, claramente, algo que pensamos ser mais adequado ao mercado internacional, porque existem vários mercados que são específicos de monocasta. Os Estados Unidos, por exemplo, são um deles. Consomem muito e até as cartas estão organizadas por castas, portanto, um vinho duocasta tem alguma dificuldade”, valida Pedro Lufinha.
Construção de marca
Comum aos néctares de “blend” e aos monocasta é a visão de construção de valor acrescentado e de marca, seja no mercado nacional ou nos destinos de exportação. E se o mercado nacional representa 50% das vendas, a aposta na internacionalização é, igualmente, visível, com o ano de 2017 a testemunhar a contratação de uma “brand ambassador” para trabalhar a marca em exclusividade nos distribuidores e no canal “on trade”.
Uma presença complementar ao sempre importante negócio da dis-
a nossa marca transmite às pessoas. E, assim, quando vão para os seus países, poderem transmitir toda a emoção que sentiram. Esse é outro investimento que temos feito, em visitas inversas. Ou seja, em premiar os bons vendedores e bons clientes, lançando-lhes o desafio de venderem bem e terem como prémio vir cá. Vemos que, depois, quando regressam, vendem ainda mais”, assegura o diretor geral executivo da Quinta da Alorna.
Novas colheitas
tribuição moderna. “Temos o Quinta da Alorna Branco e Tinto na distribuição moderna, em todas as superfícies, e com um volume muitíssimo relevante para as nossas vendas. O que queremos é que a esse volume se junte o valor e a notoriedade das nossas marcas, dos nossos Reserva, dos nossos Grande Reserva, dos nossos Colheita, etc.”.
Em suma, unicidade. Porque vinhos há muitos no mundo inteiro, pelo que a promoção e o reforço das ligações a consumidores e parceiros de negócio apresenta-se como decisiva para a marca. Relação que se sobrepõe ao rótulo, à especificidade ou qualidade, de um determinado vinho e onde o palácio da Quinta da Alorna se apresenta como um cartão-de-visita distintivo e, em muitos casos, facilitador de negócios. “Este palácio é, claramente, o nosso melhor marketing. Aqui, criamos uma relação com a marca que se sobrepõe a muitos aspetos. Temos de nos diferenciar pela emoção que
Para tal, a Quinta da Alorna conta com um portfólio diversificado, onde se destacam, a nível dos monocasta, as propostas Verdelho, Alvarinho, Sauvignon Blanc e Arinto que chegam agora ao mercado com as colheitas de 2017. Isto no caso dos brancos, com o Touriga Nacional a encontrar na colheita de 2015 a novidade em termos de monocasta tinta. Um Touriga Nacional jovem, fácil de beber, uma abordagem distintiva à casta de Portugal e que reforça os motivos de atração a esta gama. Mas sem esquecer os clássicos Quinta da Alorna Branco e Tinto, agora nas colheitas de 2016 e 2015, respetivamente, o sempre apelativo Alorna Rosé (feito de Touriga Nacional) que chega ao mercado na edição 2017, assim como os “best-sellers” Reserva Branco 2017 (Arinto/ Chardonnay) e Tinto 2014 (Touriga Nacional/Cabernet Sauvignon). Por último, aqueles vinhos que enchem a alma e ficam bem em qualquer mesa, com a região do Tejo a demonstrar que também tem potencial de evolução para vinhos que são bons agora e que poderão ser, ainda, melhores no futuro. Falamos, claro está, dos Marquesa de Alorna Grande Reserva Branco 2015 e Tinto 2013, esses mesmos que não se sabe quais são as castas constituintes, mas tem-se a certeza que redundam em duas grandes propostas da Alorna. Empresa que continua a crescer, ano após ano, reforçando a sua presença nos mercados externos, mas sem esquecer a importância de operar no mercado nacional, numa contínua aposta na qualidade. O seu rico passado assim o exige e os consumidores agradecem.
Veja o vídeo da entrevista no seu telemóvel
Pedro Lufinha, diretor geral, e Martha Reis Simões, enóloga da Quinta da Alorna.
pela sua preferencia. Muito Obrigado
das “Confiar consumidor se é uma manter principais numa marca motivações para um
”
A constante inovação tecnológica e o aparecimento sucessivo de novas aplicações e “gadgets” fomentam a curiosidade do consumidor e o desejo por ter a tecnologia mais recente e moderna. Seja nos smartphones ou nos automóveis, os portugueses admitem que o desenvolvimento tecnológico, a qualidade das ofertas e os serviços prestados pelas marcas mudam demasiado rápido para que possam permanecer fiéis. Conclusões do estudo Observador Cetelem Automóvel 2018, que revela ainda que os portugueses estão cada vez mais atentos a marcas com preocupações ambientais e que este mercado continua a crescer em Portugal, embora a um ritmo mais brando. Pedro Ferreira, diretor Automóvel do Cetelem, analisa o atual momento do sector automóvel nacional, que parece estar em comunhão com a economia do país.
Grande Consumo - Quando se fala de confiança no consumo, fala-se, não raras vezes, de consumo automóvel. Estas premissas estão, de alguma forma, correlacionadas?
Pedro Nuno Ferreira - Nas economias desenvolvidas, o consumo das famílias pesa fortemente no Produto Interno Bruto (PIB). Por este motivo, a confiança é um motor essencial. Quando um consumidor considera que o atual momento é bom para mudar de automóvel, esta decisão tem por base uma avaliação que faz da sua situação e do enquadramento económico. Apesar deste juízo acontecer no consumo de forma generalizada, quando acontece no sector automóvel tem especial importância para a confiança no consumo, devido aos elevados montantes envolvidos.
GC - Qual a importância das marcas no que ao consumo automóvel/aquisição de viaturas concerne?
PNF - Confiar numa marca é uma das principais motivações para um consumidor se manter fiel. De acordo com os dados do nosso último estudo, só a satisfação com a sua viatura é mais importante. Por outro lado, há marcas que continuam a ser mais valorizadas do que outras.
Não obstante, apesar da esmagadora maioria dos consumidores dizerem que são fiéis a uma marca, depois, na prática, no momento de adquirir ou trocar de veículo, outros valores acabam por falar mais alto. É uma posição muito curiosa e que acreditamos ser resultado de uma sociedade cada vez mais competitiva, com alternativas e onde a informação flui e circula a uma velocidade vertiginosa.
GC - Como tem vindo a evoluir o mercado nacional nessa matéria?
São as marcas ou os PVP’s que levam à aquisição? Ou outros?
PNF - Os motivos são variados, no entanto, preços atraentes, confiança numa marca e a avaliação de um modelo estão entre os mais importantes. A estes juntam-se um design atraente, promoções interessantes e a busca por viaturas tecnologicamente inovadoras. Por fim, e não menos importante, há ainda que referir a procura por garantias de segurança.
GC - Como podem ser caracterizados os portugueses face a outros consumidores europeus?
PNF - Regra geral, os portugueses não se distinguem dos restantes consumidores europeus. No entanto, poderíamos dizer que a oferta comercial ganha uma importância preponderante devido ao
peso significativo que esta compra tem no orçamento familiar face aos rendimentos disponíveis, que são inferiores aos dos seus congéneres europeus.
GC - A marca automóvel é considerada sinónimo de utilidade/praticidade ou de status quo? Como é percecionado o valor de um automóvel pelo consumidor português?
PNF - A mobilidade dos portugueses está a sofrer alterações. Cada vez mais, o automobilista procura a funcionalidade em detrimento do estatuto e da propriedade. Nos dias que correm, existem muitas formas de transporte, embora a posse de um veículo próprio continue a ter muita expressão.
GC - O tamanho importa neste caso? Grandes motores, pequenos motores? Ecológicos? Elétricos? Poupados ou menos comedidos? O que faz mover presentemente esta grande indústria? Quais os principais vetores de consumo e tendências de mercado?
PNF - A preocupação com as questões ambientais é cada vez mais evidente. Vai um pouco ao encontro do que já referi e que é fruto de uma crescente perceção da utilidade do veículo, menos como afirmação social ou económica, e mais como meio de locomoção. Assim, em virtude desse maior desprendimento e de uma crescente educação que vai ao encontro de valores mais em voga nos nossos dias, aumenta o destaque e o interesse por novos conceitos.
Confiar numa marca é uma das principais motivações para um consumidor se manter fiel. De acordo com os dados do nosso último estudo, só a satisfação com a sua viatura é mais importante. Por outro lado, há marcas que continuam a ser mais valorizadas do que outras. Não obstante, apesar da esmagadora maioria dos consumidores dizerem que são fiéis a uma marca, depois, na prática, no momento de adquirir ou trocar de veículo, outros valores acabam por falar mais alto. É uma posição muito curiosa e que acreditamos ser resultado de uma sociedade cada vez mais competitiva, com alternativas e onde a informação flui e circula a uma velocidade vertiginosa”
Os carros ecologicamente sustentáveis são mais uma resposta a uma sociedade cada vez mais preocupada com o futuro do planeta e que procura potenciar ao máximo fontes energéticas mais limpas e democráticas. Ainda que falte um caminho a percorrer neste sentido, começa a tornar-se evidente que, no futuro, para os consumidores serão cada vez mais importantes motores pequenos, poupados e elétricos.
GC - As preocupações ecológicas são uma realidade efetiva na mentalidade de fabricantes e consumidores? O futuro automóvel passará sempre por energias e uma combustão mais limpa?
PNF - As preocupações ecológicas têm aumentado exponencialmente nos últimos anos. E isso verifica-se a nível político, com cada vez mais cidades a planearem, a médio prazo, a proibição da entrada de veículos a diesel, por exemplo. Veja-se que, na União Europeia, crescem os regulamentos que visam limitar a produção e circulação de veí-
culos com determinado custo ambiental, em detrimento de novas soluções técnicas. Mesmo no campo fiscal, crescem os incentivos para produção e compra de veículos verdes.
Ou seja, compelidas ou impelidas, as marcas não vão querer lidar com um facto consumado para finalmente avançarem novas motorizações. Em suma, estamos perante a tempestade ambiental perfeita. E já todos estão cientes que, nas próximas duas décadas, vamos assistir a uma revolução automóvel.
GC - Como é que o online pode ajudar a fidelizar consumidores a uma determinada marca num negócio tão específico como o automóvel? É um primeiro contacto com a marca ou mais do que uma ferramenta de comunicação e um utensílio comercial?
PNF - O meio online começa a ser, de forma cada vez mais óbvia, o primeiro contacto dos consumidores com as marcas. Claro que ainda predomina o inevitável boca-a-boca e a influência de familiares e amigos quando toca a escolher a marca e o modelo a comprar. No entanto, a Internet traz vantagens que os fabricantes cada vez mais aproveitam. Os sites mais atrativos e apelativos, a criação de vídeos atrativos e tutoriais que visam atrair os consumidores são apenas alguns dos exemplos mais óbvios. E as redes sociais completam a fórmula, através de fóruns, onde é possível trocar opiniões e experiências. Tudo isto sem necessitar sair de casa, a qualquer hora do dia. O online é comunicação, é utensílio comercial e é influenciador.
GC - Qual a importância do pós-venda para a venda? É um argumento essencial à venda ou acessório?
PNF - O pós-venda, mais que influenciar a compra de um veículo, pode influenciar a fidelização a uma marca ou modelo. É uma estratégia que se pode associar a um espaço temporal mais alargado. Não é no imediato que tal será relevante para a relação entre marca e consumidor. As ações de pós-venda são fundamentais para as decisões futuras. Uma marca que falhe nos serviços de pós-venda, no apoio técnico, dificilmente conseguirá fidelizar um cliente. Este acabará sempre por procurar outras alternativas.
Como compram os portugueses os seus automóveis?
O receio de não usufruir das últimas novidades tecnológicas tem implicações na fidelização dos automobilistas às marcas automóveis, uma vez que 76% dos portugueses consideram que a inovação tecnológica não permite que se opte sempre pelas mesmas. “Embora a inovação tecnológica traga muitas vantagens aos fabricantes e os torne mais competitivos, o ambiente concorrencial e constantemente evolutivo pode tornar-se demasiado feroz, o que impede as marcas de fidelizarem os seus clientes, que procuram as últimas novidades”, analisa Pedro Nuno Ferreira, diretor Automóvel do Cetelem. Para os inquiridos do estudo Observador Cetelem Automóvel 2018, a fidelização a uma marca depende de vários fatores e é um assunto bastante sensível. Embora 27% dos consumidores portugueses considerem ser mais fiéis a uma marca automóvel do que a uma marca de eletrodomésticos ou telemóveis, 85% refere que, quando perde a confiança, não há nada que esta possa fazer para a tentar restabelecer. E quais as razões para serem ou não fiéis a uma marca automóvel? Em primeiro lugar, para os portugueses, pesa a sua carteira e, por este motivo, as marcas que apresentem uma oferta mais interessante (28%) e que melhorem a sua situação financeira (16%) parecem estar na frente da corrida. Depois, a existência de uma oferta cada vez mais ampla e diversificada no mercado português parece ter também impacto, uma vez que 23% afirma ter comprado outra marca porque foram conquistados por um novo modelo. A estes motivos somam-se a insatisfação com o modelo antigo (19%) e a vontade de mudar, por curiosidade (17%). Para serem conquistados ou fidelizados, os condutores deixam também pistas para os construtores, desde logo, é importante a satisfação com o modelo anterior (67%) e a confiança na marca (47%). Fatores que devem ser aliados a uma oferta comercial interessante (25%). É também relevante para os condutores saberem com o que contam e, neste âmbito, a relação construída entre consumidor e concessionários/stands(13%) pode ser um fator diferenciador, nomeadamente pela qualidade dos serviços prestados e pós-venda.
As alterações climáticas e os assuntos relacionados com o meio ambiente são também temas que cada vez mais preocupam os consumidores e influenciam não apenas o seu comportamento de consumo, mas também o seu modo de vida. De acordo com o estudo, 74% dos portugueses afirmam estar atentos aos impactos que o seu automóvel pode ter no meio ambiente, o que demonstra que a preocupação ambiental é um importante fator de decisão na compra e manutenção de um veículo. 71% considera que o envolvimento das marcas em escândalos do foro ambiental e a assinatura de acordos anticoncorrência fazem com que os consumidores confiem menos nas marcas de automóveis e que a fidelização tenda a decair. “As evidências científicas a que temos acesso atualmente mostram-nos que devemos ter presentes preocupações ambientais em quase todos os nossos comportamentos. As escolhas são cada vez mais conscientes e o mercado automóvel é um dos que mais alterações tem sofrido. É importante que as marcas reconheçam a importância do meio ambiente, não só para contribuírem para um mundo melhor, mas também para se tornarem competitivas no mercado”, afirma Pedro Nuno Ferreira.
GC - O fator humano (comercial, assistência, pós-venda) é um decisivo neste negócio ou as marcas vendem por si?
PNF - O estudo que desenvolvemos mostra bem que o fator humano é muito considerado na hora de comprar um veículo. O conhecimento técnico que comerciais e mecânicos demonstram é, desde logo, muito bem visto pelos compradores. A capacidade de uma marca apresentar um conjunto de valências que transmitam uma sensação de segurança e confiança junto do consumidor são matérias que inegavelmente marcam pontos.
GC - Como irá o consumo automóvel evoluir ao longo de 2018 em Portugal?
PNF - As nossas previsões apontam para um crescimento, ao encontro do que já se verificou em 2017. No entanto, esse crescimento não será tão intenso. As nossas perspetivas apontam para um aumento a rondar os 3,1%, contra os 8% do ano passado.
Ainda assim, o mercado português terá o terceiro maior crescimento à escala europeia, apenas suplantado pela Itália e pela França. Em larga medida, estes números justificam-se pelo facto do mercado automóvel nacional estar envelhecido, o que implica um necessário rejuvenescimento. Noutros mercados, mais maduros, ainda que mais ricos, assiste-se a uma estagnação do sector, senão mesmo a uma regressão, como no Reino Unido, na Holanda ou, a uma escala mundial, nos Estados Unidos da América.
“Estamos tentar o motor um da a poucoviragem ser esta a relativamente vertigem promocional
que
se
passa no
mercado”
O ano de 2017 foi muito positivo para a divisão de eletrodomésticos da Samsung, que viu as suas duas grandes áreas – frigoríficos e máquinas de lavar a roupa -, crescerem a dois dígitos. Para já, decorridos apenas quatro meses, e ainda sem poder contabilizar todo o efeito gerado pelas novidades colocadas no mercado, 2018 mantém a tendência. Um ano onde a Samsung promete dar um novo salto em termos de inovação, com a sua nova gama de máquinas de lavar a roupa Quick Drive. Henrique Pereira, diretor da divisão de eletrodomésticos da Samsung Portugal, revela à Grande Consumo o quão elevadas são as expectativas face a esta novidade por parte da marca que quer continuar a tocar a vida dos consumidores e, ao mesmo tempo, desviar o foco do mercado da vertigem promocional exacerbada.
Grande Consumo - Em 2017, ano em que se compraram 150 mil casas, o mercado de eletrodomésticos cresceu, segundo a GfK, 30%, quando comprado com o ano anterior. Como foi o desempenho da Samsung neste mesmo exercício? Acompanhou esta tendência positiva do mercado?
Henrique Pereira - O ano de 2017 foi muito positivo para a divisão de eletrodomésticos da Samsung. As duas grandes áreas da companhia, a área de frigoríficos e a de máquinas de roupa, tiveram um crescimento que, apesar de não chegar aos 30%, está ligeiramente abaixo. Foi um ano excelente, com crescimentos de 20%
em máquinas de roupa e de cerca de 16% na área dos frigoríficos.
GC - Que perspetivas têm para o ano de 2018, tendo em conta a tendência tão positiva de 2017, quer para o mercado no seu todo, quer para a Samsung em particular?
HP - Temos os dados de janeiro e fevereiro consolidados e estamos a analisar os de março. Podemos dizer que o primeiro trimestre do ano mantém uma tendência de crescimento positiva, não num índice tão elevado como em 2017, mas também com um crescimento acima dos dois dígitos.
Em termos da Samsung, começámos em janeiro com um cresci-
TEXTO
Bruno Farias
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Sara Matos
mento muito positivo, na ordem dos 10%, fevereiro ficou um bocadinho abaixo e depois terminámos na mesma ordem de grandeza o mês de março. Portanto, digamos que estamos alinhados com o mercado e as quotas que já temos na nossa posse dizem isso mesmo.
GC - A retoma do mercado imobiliário tem sido importante para as vendas de eletrodomésticos em Portugal ou este continua a ser um mercado marcadamente de substituição?
HP - É evidente que o mercado da habitação e as vendas significativas que se têm feito, quer de casas reconstruídas, quer de novas casas, tem um impacto global muito positivo no mercado de eletrodomésticos.
Tudo o que são equipamentos encastráveis tem uma melhor performance derivado desse grande crescimento de venda de casas.
A Samsung, concretamente, está mais no mercado da livre instalação e da substituição e acompanha o crescimento consequente da melhoria significativa da nossa economia. Em 2016 já se notou essa tendência. Em 2017, o crescimento económico do país, a diminuição do desemprego, toda a conjuntura muito positiva e de maior confiança no consumo ajudou o mercado no seu todo e, evidentemente, a Samsung tem também crescido bastante com esse incremento do mercado.
GC - Como analisam o estado atual da intensidade promocional? É algo que preocupa ou o consumidor está progressivamente a desviar-se das promoções?
HP - Não é uma pergunta fácil de responder. Diria que 2016 trouxe uma realidade que já se vinha a sentir de anos anteriores. De facto, a atividade promocional é grande.
Procuramos, junto dos nossos parceiros, de alguma forma, equilibrar e evitar que o consumidor tenha a sensação de que só há uma boa compra quando é uma compra promocionada, quando, muitas vezes, isso não é 100% verdade. Há boas propostas de valor que devem ser conhecidas pelo consumidor final. De alguma forma, estamos a tentar ser um pouco o motor da viragem relativamente a esta vertigem promocional que se passa no mercado.
O mercado dos eletrodomésticos - e isto não é uma desculpa, é uma verdade - não foi o gatilho desta situação, no sentido em que não iniciou tudo isto. Há outros mercados, como o das televisões ou o da informática, que ao longo dos anos tinham essa tendência muito forte. A verdade é que também chegou à nossa unidade de negócio e temos de aprender a viver com esta realidade e encontrar soluções.
O mercado deve ser um mercado de todos os dias e não um mercado pontual, onde temos a Black Friday como um exercício de promoção extremamente agressivo, que fura a realidade dos preços, da competitividade entre os produtos e até confunde o consumidor incutindo-lhe a necessidade que tem de ter um produto em casa.
área dos eletrodomésticos este ano?
HP - Este ano, temos algumas apostas fortes, a primeira, na área das máquinas de roupa. A Samsung é conhecida e reconhecida no mercado por ser uma marca de inovação. Todos os anos, ou pelo menos de dois em dois anos, introduzimos uma proposta de valor para os nossos consumidores. A última grande novidade foi em 2016, com a gama Add Wash, a máquina com a porta extra, a Add Door, que permite, após o início de um ciclo de lavagem, colocar alguma peça de roupa que tenha ficado esquecida. Este ano, a proposta advém dos estudos que temos vindo a fazer em diferentes mercados, detetando que havia, claramente, da parte do consumidor um pedido para que o ciclo da lavagem fosse diminuído, sem que se comprometesse a qualidade dessa mesma lavagem. Portanto, aquilo que estamos a apresentar neste momento, a nova gama de máquinas de roupa Quick Drive, é exatamente a resposta a esse pedido. Uma qualidade de lavagem que se mantém inalterada, mas com uma redução considerável do tempo de lavagem que pode ir até aos 50%.
GC – É uma revolução na lavagem?
do tempo de lavagem, fazer o seu ciclo e o programa completo, que hoje demora cerca de duas horas, ganhando tempo para estar com a família, com a namorada ou com os amigos. Esse é o nosso objetivo: não comprometer a qualidade que os nossos clientes sabem que as nossas máquinas oferecem, mas, com base nesse compromisso, reduzir, e muito, o tempo de lavagem em qualquer programa.
Mantemos a gama Add Wash, a Quick Drive não é uma substituição, é um complemento. Até porque a Quick Drive tem a Add Door. Podemos dizer que a Quick Drive reúne o conjunto de tecnologias e de benefícios que temos vindo a introduzir no mercado”
HP - Temos usado a expressão revolução porque todos sabemos como se lava roupa e que o que é “difícil” é o processo de despender tempo. A revolução é precisamente oferecermos ao nosso consumidor a oportunidade de, com metade
GC - Têm, para esta nova proposta, as mesmas expectativas, em termos de vendas, que tiveram para a Add Wash, que pouco mais de um ano depois do seu lançamento já estava em 100 mil lares? Que “milestone” esperam atingir com esta nova máquina?
HP - A gama Quick Drive é, do nosso ponto de vista, uma proposta de segmento mais alto. Portanto, a nossa expectativa é alta. A expectativa de vendas são algumas dezenas de milhares de máquinas, até ao final do ano, mas, em termos comparativos com a Add Wash, será um número mais reduzido. Mantemos a gama Add Wash, a Quick Drive não é uma substituição, é um complemento. Até porque a Quick Drive tem a Add Door. Podemos dizer que a Quick Drive reúne o conjunto de tecnologias e de benefícios que temos vindo a introduzir no mercado. É, por isso, uma máquina com a tecnologia Eco Bubble, para uma melhor dissolução do de-
tergente no início da lavagem, tem a Add Door, a inovação Quick Drive e todas as máquinas vêm com conectividade, que permite ao consumidor estar no seu local de trabalho e, com um smartphone e uma aplicação muito intuitiva, decidir o tempo, o tipo de roupa e iniciar a lavagem. Portanto, é um controlo total da máquina através de uma aplicação muito intuitiva.
GC - A que consumidores se dirige este novo equipamento?
HP – Dirige-se claramente a clientes como os da geração Millennial, consumidores que desejam estas novas tecnologias, que vivem uma vida muito agitada e muito ativa e que, de facto, pelo seu estilo de vida, têm necessidade de ter um equipamento, como um frigorífico ou uma máquina de lavar a roupa, que se adeque a esta necessidade de fazer muitas coisas, uma vez que são pessoas que estão fora de casa e constantemente em atividade e, quando chegam, querem ter tempo para si próprios e para a família. Este é o nosso “target”.
GC - Como vai ser apoiado este lançamento em termos comerciais e comunicacionais?
HP - Iniciámos as vendas das primeiras unidades no princípio de abril e estamos, neste momento, num processo de exposição nas principais lojas. Passámos a uma segunda fase, mais relacionada com a comunicação ao consumidor final. Até 27 de maio, temos em curso uma ação promocional em que estamos a oferecer, na compra de qualquer um dos modelos Quick Drive, uma experiência para dois, que pode ser uma estadia num hotel do Grupo Pestana ou uma refeição gourmet, no mesmo grupo. Portanto, é um conceito de menos tempo para lavar, mais tempo para o lazer e, de facto, é isso que queremos transmitir, porque claramente temos um produto que permite ao consumidor ter mais tempo para fazer aquilo que mais gosta, ao invés de estar a olhar para a máquina e esperar que o ciclo acabe.
passou de um espaço de preparação de refeições para um espaço de lazer e de convívio, pesando na decisão de compra de casa.
GC - O online e a venda direta ao consumidor são realidades cada vez mais incontornáveis ou a necessidade de aconselhamento que se associa a estes equipamentos farão sempre da loja o protagonista incontestável em termos de vendas?
HP - O eletrodoméstico é algo que requer um processo de compra um pouco mais detalhado. E contacto. Ou seja, noutros tipos de equipamento, como uma televisão, posso de alguma forma ler toda a informação numa revista da especialidade e, depois, ir a uma loja online. Apesar do online ter hoje uma oferta de informação muito mais evoluída, com sites de melhor qualidade, com vídeos, tutoriais ou fotografias, na área específica dos eletrodomésticos, o consumidor ainda tem muita necessidade de tocar. Tocar para perceber se a máquina cabe ou não debaixo da bancada ou ver como é que a porta abre.
Os equipamentos já não são caixotes brancos com portas maiores ou menores, hoje, o equipamento que o fabricante desenvolve tem muita atenção ao design, aos materiais e ao enquadramento da cozinha. De há 10 anos a esta parte, a cozinha passou de um espaço de preparação de refeições para um espaço de lazer e de convívio, pesando na decisão de compra de casa”
A experiência omnicanal é uma realidade que todos nós vivemos e, em Portugal, as vendas do online têm vindo a crescer significativamente nos últimos anos. A expectativa que temos é de que esta tendência se vá manter, até porque, comparativamente, as vendas online em Portugal ainda são cerca de 5% menos do que noutros mercados europeus. Isso também deriva muito daquilo que é o mercado em si e de como as lojas físicas estão organizadas. Hoje, podemos dizer que temos um retalho bem organizado e temos visto, nos últimos anos, parceiros e operadores importantes a fazerem fortes investimentos no ponto de venda e mudarem um pouco até o conceito da venda, dando claramente ao consumidor a possibilidade de experimentar, uma explicação mais assertiva, com melhor qualidade e conhecimento do produto que está a ser vendido.
GC - Que novas tendências detetam no mercado dos eletrodomésticos, quer do lado do consumo, quer da distribuição?
HP - O padrão de solicitação que nos é feito não é de 2018, nem já de 2017. É algo que se tem vindo a notar nos últimos três a cinco anos, onde claramente a conectividade é extremamente importante.
Depois, há uma tendência transversal a muitos negócios, que é a ecologia. Sem dúvida que a poupança e a preocupação com o meio ambiente são fundamentais. Isso é um padrão do processo de compra, uma vez que quando um consumidor vai à loja já tem bem definido que quer produto que poupe energia e, consequentemente, dinheiro. Há uma preocupação com a pegada ecológica. Acredito que estas são as duas grandes tendências: preocupação ecológica e conectividade. O consumidor quer tirar o maior partido do tempo que tem.
Para além disto, os equipamentos já não são caixotes brancos com portas maiores ou menores, hoje, o equipamento que o fabricante desenvolve tem muita atenção ao design, aos materiais e ao enquadramento da cozinha. De há 10 anos a esta parte, a cozinha
GC - Que mais novidades está a Samsung a preparar? O que seria um bom ano de 2018 para a Samsung?
HP - Estamos a preparar um lançamento na área do frio, estamos a renovar completamente a gama de Side by Side, com uma aposta clara no design e na melhoria da qualidade da refrigeração. É, no fundo, fazer na área do frio o mesmo que estamos a fazer nas máquinas de lavar a roupa, oferecer ao consumidor o melhor produto para a melhor conservação.
Um bom ano para a Samsung é sempre um ano de crescimento de vendas, reforço da posição de liderança de mercado, ter parcerias sólidas, reforçando-as, e que o consumidor nos escolha como marca. Fomos galardoados com o prémio Escolha do Consumidor na gama de máquinas de roupa, o que é para nós um motivo de orgulho, uma vez que o produto confirma a qualidade que comunicamos ao consumidor. É continuar a ser uma marca preferida, reconhecida pela inovação, jovem, presente na vida de todos os consumidores. Temos um portfólio muito alargado e diria que é difícil, num dia inteiro não existir um contacto com a nossa marca. Isso é um motivo de satisfação para nós, poder tocar a vida do nosso consumidor.
o para sucesso Criado
Num mundo de agressiva concorrência nas prateleiras do retalho, o design da embalagem é uma arma essencial no arsenal das marcas, em todos os continentes. Uma aparência atrativa na prateleira é vital, uma vez que, só com um toque de diferenciação, é que os produtos podem esperar atrair o olhar dos potenciais consumidores. As tendências no design das embalagens variam significativamente, consoante a categoria do produto em questão, e podem ir desde cores ousadas e letras simples e claras até designs vintage que evocam sensações nostálgicas. Em qualquer caso, a criação de uma sensação de reconhecimento da marca é muito importante e qualquer elemento que tenha o potencial de se desviar da aparência de um produto deve ser cuidadosamente resolvido na fase de conceção.
Entres estes elementos encontram-se a codificação e a marcação, que evoluíram para acompanhar as tendências em tipos de embalagem de modo a garantir que as informações podem ser apresentadas de forma clara e coerente, independentemente do produto em questão. As embalagens individuais, por exemplo, assistiram a uma diminuição no tamanho, deixando uma menor superfície para os profissionais do marketing captarem genuinamente a atenção dos clientes relativamente a compras por impulso. Há muito que os profissionais do marketing das marcas compreendem a importância de lutar a favor das compras por
impulso e a representação e embalagens da marca podem marcar a diferença entre conseguir a venda ou perder a venda. Códigos limpos e nítidos só podem contribuir para a atratividade de uma marca, enquanto os códigos de fraca qualidade podem ter um efeito prejudicial, pelo que é importante considerar as soluções de codificação como parte dos esforços globais de comunicação da marca.
No sector alimentar, a flexibilidade das embalagens tem sido uma das principais revoluções nos últimos anos, devido à leveza e às características de conveniência. Inovações como os sacos stand-up, janelas recortadas ou sacos resseláveis oferecem características cada vez mais procuradas pelos consumidores nos bens perecíveis e as embalagens flexíveis podem ser concebidas com propriedades barreira à medida do produto que está a ser embalado, uma importante característica, uma vez que os retalhistas procuram constantemente produtos com uma maior vida útil. A utilização de embalagens flexíveis também pode minimizar os custos de transporte entre o transformador, o embalador, o retalhista e o utilizador final, uma vez que, tipicamente, são mais leves e ocupam menos espaço do que outras opções de embalamento, como as latas ou as caixas.
Codificação flexível a pensar no design
No que respeita à embalagem flexível, em quase todas as situações, é recomendada a impressão por transferência térmica (TTO) como solução de codificação e marcação.
Quando uma marca procura incorporar o elemento de codificação e marcação no design geral de uma embalagem, existem diversas vantagens em trabalhar com um fornecedor perito em tecnologia TTO. Por exemplo, a capacidade de testar várias opções de ribbon num determinado material e design de embalagem em laboratório, em condições especializadas, colherá vantagens. Com isto, os clientes podem garantir a consistência dos respetivos designs e esquemas de cores através de um vasto número de opções, que permitem que a embalagem seja exposta nos locais mais proeminentes das prateleiras.
A seleção do ribbon certo é importante, uma vez que nem todos os ribbons são criados iguais. As necessidades específicas para a
TEXTO Arthur Smith, diretor global de Marketing na Videojet Technologies
aplicação, como a resistência a manchas, códigos de barras de alta resolução ou, até mesmo, o tipo de película das embalagens podem afetar a seleção do ribbon. Além disso, as aplicações que utilizam óleos alimentares, sal ou que apresentam partículas em suspensão determinam o melhor ribbon. Ao compreender estes fatores, os fornecedores experientes devem oferecer um portfólio avançado de ribbons de transferência térmica impressos de alta qualidade e o conhecimento deles pode ajudar as marcas a aproveitarem ao máximo as impressoras TTO.
Os requisitos do código devem ser, igualmente, considerados e podem variar muito entre cada produtor. Nos produtos que necessitam de informações sobre o lote e a rastreabilidade, as impressões de jato de tinta contínuo (CIJ) e de laser são uma solução viável, enquanto nos casos nos quais as marcas exigem mais conteúdos, a impressão por transferência térmica acrescenta maior flexibilidade. Outro requisito de codificação para muitos fabricantes de alimentos é a necessidade de imprimir informações sobre os ingredientes. Ao dar resposta a esta necessidade, a impressora por transferência térmica é capaz de imprimir em formato grande, a pedido, textos nutricionais, listas de ingredientes e alertas de agentes alérgenos. Isto ajuda a garantir que os produtores podem cumprir os requisitos mínimos de rotulagem da indústria alimentar a nível global e pode, também, ajudar a reduzir o número de película de embalagem SKU pré-impressa mantida em inventário. As impressoras de transferência térmica oferecem uma qualidade de impressão de 300 dpi (12 pontos/mm), o que as transforma numa excelente opção para a impressão de texto ou gráficos de alta qualidade que não se desviam do design da embalagem.
Sim à eficiência.
Afinal, todos os minutos
contam!
Quando se trata de processos logísticos no comércio grossista ou no retalho, o picking e o armazenamento requerem rapidez e bastante flexibilidade perante picos de trabalho.
Como referência no sector, a Jungheinrich tem a experência e a tecnologia necessárias para que a sua empresa alcançe a máxima rentabilidade. www.jungheinrich.pt
Avanços tecnológicos acrescentam maior valor
Os mais recentes modelos de impressão por transferência térmica que se encontram hoje no mercado têm incorporada uma avançada tecnologia para melhorar, ainda mais, o valor acrescentado para as linhas de produção alimentar. A tecnologia iAssure da Videojet, por exemplo, oferece uma segurança de código inteligente aos clientes através da captura, comparação e análise da imagem. O sensor interno, as lentes e a fonte de luz criam uma imagem do desperdício de ribbon de transferência térmica impresso conforme o ribbon indexa para a próxima impressão. A imagem é processada em tempo real, com vários algoritmos que verificam automaticamente a imagem impressa em comparação com a imagem desejada. As imagens são, então, comparadas e as áreas de divergência entre a imagem impressa e a imagem pretendida são avaliadas com algoritmos sofisticados que examinam defeitos comuns, como a escuridão da imagem, o desalinhamento, o vinco do ribbon e outros que podem produzir uma qualidade de impressão fraca para determinar a aprovação/reprovação da impressão.
A tecnologia iAssure pode reduzir o desperdício e o tempo para refazer o trabalho e pode alavancar a tecnologia de captura da imagem e análise para detetar importantes defeitos recorrentes de impressão, garantindo que apenas os códigos com a maior qualidade chegam à cadeia de fornecimento do retalho.
A qualidade é tudo no que respeita ao design das embalagens, dado que é este elemento que inspira confiança no produto que se encontra no interior. Ao ter a codificação e a marcação em consideração no processo de design, as marcas podem estar 100% seguras de fechar a porta a um potencial (e evitável) elo mais fraco.
Incerteza e INTERNACIONAL n.º50/2018|MARÇO/ABRIL
política económica Itália facilita entrada discounters em
Ao longo da última década, a proporção das vendas a retalho nas despesas do consumidor foi, em grande parte, estável, em Itália. Pouca riqueza adicional foi criada numa economia de baixo crescimento, que também foi prejudicada pela recessão de 2008/2009 e de 2012/2013, de acordo com a Nielsen. No entanto, as vendas a retalho per capita em Itália são relativamente altas pelos padrões da Europa Ocidental. O que se deve ao elevado nível dos preços, resultante de expectativas de alta qualidade e, muitas vezes, de estruturas de distribuição ineficientes, com a existência de grande sector independente, especialmente no sul do país. O retalho italiano caracteriza-se por um dos níveis mais baixos de concentração de mercado na União Europeia, com o top 5 a representar apenas cerca de 20% do total. O país continua a ser moldado por uma forte divisão da riqueza entre o norte e sul e, consequentemente, a concentração é mais elevada nas regiões mais a norte.
TEXTO Bárbara Sousa FOTOS Shutterstock
A Itália tem uma densidade populacional relativamente baixa pelos padrões da Europa Ocidental, com aproximadamente 200 habitantes por quilómetro quadrado. Isto é especialmente verdade no sul que é, em grande parte, rural. No entanto, com uma população de cerca de 61 milhões, a Itália ainda é um dos maiores mercados consumidores da Europa, de dimensão comparável à França ou ao Reino Unido. Quase 70% da população vive em áreas urbanas, sendo que a população combinada das três maiores regiões de Roma, Milão e Nápoles representa quase 20% da população e 24% do consumo privado nacionais, segundo estima a Nielsen. Apesar do número de habitantes estar a aumentar lentamente, a taxa de natalidade muito baixa (entre as mais baixas da União Europeia), combinada com o envelhecimento da população pode levar a uma tendência descendente nos próximos anos. Os especialistas avisam que a população poderá cair para 52 milhões, até 2050, apesar dos níveis potencialmente crescentes de imigração.
A Itália é a quarta maior economia da Europa e a oitava maior do mundo. No entanto, o crescimento económico tem sido lento na última década, abaixo da média da área do euro, e também atingido pela recessão de 2008/2009 e de 2012/2013. Especialmente, à luz das medidas de austeridade do Governo implementadas em 2011, alcançar as economias mais ricas da União Europeia será uma tarefa difícil nos próximos anos. Além disso, a insegurança política e económica em Itália foi exarcebada pela renúncia do primeiro-ministro Renzi, após perder o referendo constitucional, no início de dezembro de 2016.
No entanto, segundo o Retail Market Snapshot da Cushman & Wakefield, a economia italiana deu sinais de recuperação ao longo do ano de 2017. Os principais indicadores continuam a melhorar, com altos níveis de confiança dos consumidores. O Produto Interno Bruto (PIB) do país situou-se nos 1,703 mil milhões de euros, em 2017, e a Nielsen estima que este número deva aumentar, até 2023, para 1,953 mil milhões de euros, assim como o PIB per capita, que chegará aos 32.224,73 euros (28.035,83 euros em 2017).
Vendas
As vendas a retalho per capita em Itália (6.221,04 euros em 2017) são relativamente altas pelos padrões da Europa Ocidental, o que se deve aos elevados níveis de preços, que resultam de expectativas de alta qualidade e, muitas vezes, de estruturas de distribuição ineficientes com a existência de um grande sector independente, especialmente no sul do país. O comércio de produtos alimentares no norte da Itália é muito mais avançado em termos de padrões operacionais do que o comércio tradicional no Mezziogiorno.
Além da difícil situação económica geral, outro obstáculo ao crescimento de curto prazo é a divisão económica do país em duas metades, com um norte amplamente saturado (embora não muito consolidado) e um sul muito menos desenvolvido, onde é difícil ter operações lucrativas de larga escala devido à falta de poder de compra local. O desenvolvimento económico no sul dependerá da melhoria da infraestrutura e da segurança jurídica no futuro, permitindo níveis mais baixos de desemprego e salários mais altos. Tais mudanças fundamentais deverão refrear a importância crescente das empresas de discount, que recentemente tiveram uma in-
fluência mais forte nos padrões nacionais de preços.
Canais de retalho
Os italianos são mundialmente conhecidos pela sua culinária e estilo de vida e, portanto, dão grande ênfase à frescura e à excelente qualidade dos alimentos. Assim, os departamentos de frescos da maioria dos retalhistas oferecem uma ampla gama destes produtos. Os hipermercados italianos são provavelmente dos melhores da Europa, em termos de estilo e aparência. Embora muitas empresas estrangeiras, como a Auchan e o Carrefour, sejam ativas nesse sector, há também um número considerável de “players” domésticos, como, por exemplo, Esselunga, Ipercoop, operado pela Coop, e Iper, operado pela Finiper, e independentes. No sul da Itália, o retalho está cada vez mais organizado em torno de “shopping centers”, que muitas vezes apresentam um hipermercado como âncora.
A Itália continua a ser um país clássico de supermercados e pontua bem em termos de densidade de vendas, o que não deverá mudar no curto prazo. Os supermercados ainda são favorecidos pelos italianos pela sua preferência por comprar em pequenas quantidades e com frequência. Assim, funcionam essencialmente como lojas de bairro modernas. Conad, Coop Italia, Auchan, Carrefour, PAM e SPAR (Áustria) são os “players” com as maiores vendas neste formato.
A densidade geral de pequenas lojas em Itália continua a ser maior do que na maioria dos outros países europeus, devido ao grande número de lojas tradicionais e de bairro que ainda predominam (por número de locais) no país. É extremamente improvável que isso mude nas próximas décadas, diz a Nielsen, especialmente porque o Governo ainda protege as pequenas lojas, tendo assegurado que quem quiser abrir novos espaços com mais de 250 metros quadrados enfrente enormes condições burocráticas. Apesar disso, o retalho italiano sofreu uma mudança estrutural óbvia nas últimas décadas. Mais de 100 mil pequenas lojas fecharam desde a década de 1970 e, em alguns centros populacionais, os formatos de venda modernos de maiores dimensões têm agora uma quota de mercado de mais de 50%.
A Itália não é um mercado de discount particularmente importante, quando comparado com a Alemanha. Desde a entrada do líder do segmento, o Lidl, em 1992, o sector reagiu com uma série de conceitos, embora nem todos tenham sido bem-sucedidos. Atualmente, o formato líder é o “soft discount”, que se adaptou às preferências italianas integrando elementos dos supermercados, como departamentos de alimentos frescos comparativamente luxuosos. A EuroSpin é hoje a maior operadora de discount de Itália, sendo a maioria dos seus estabelecimentos franchisados. O Lidl, propriedade do Grupo Schwarz, está na segunda posição, seguido a grande distância pela Penny da Rewe, lidera o grupo de lojas menores, e pelo retalhista local PAM, que opera a cadeia de descontos In’s. A volatilidade política e financeira deverá fornecer oportunidades de crescimento suficientes para novas insígnias de discount, nomeadamente o Aldi, que irá abrir as suas primeiras lojas em Trento, Verona e Bolzano e um centro de distribuição localizado nos arredores de Verona.
Quanto ao formato de conveniência, o Carrefour opera aproximadamente 600 lojas Express (anteriormente Dì Per Dì), mas este formato é dominado pelos operadores internacionais de postos de combustível, incluindo a ExxonMobil, Total e MOL, entre outros. No sector dos cash & carry, há um número de operadores domésticos, mas a lista das principais operações inclui alguns pesos-pesados globais: Metro Group, com a Metro Cash & Carry, e Carrefour, com o Docks Market. A Metro continua a ser o “player” número um indiscutível na sua área. Em janeiro de 2013, o Carrefour adquiriu seis cash & carry GrosMarket do italiano Gruppo Lombardini e converteu-as na insígnia Docks Market. As lojas estão localizadas na parte norte do país. O “player” nacional Lombardini, com a insígnia GrosMarket, está na terceira posição.
Produtos perigos percebidos benefícios hortofrutícolas consumidor e embalados:
A inclusão na alimentação diária de produtos hortofrutícolas é essencial para a prática de uma alimentação saudável, nomeadamente devido ao seu efeito protetor no risco de doença cardiovascular.
Neste contexto, a Organização Mundial de Saúde recomenda a ingestão diária de, pelo menos, 400 gramas de hortofrutícolas, equivalente a cinco porções diárias. Por sua vez, em Portugal, a Roda dos Alimentos advoga o consumo diário de três a cinco porções de hortícolas e de três a cinco porções de fruta, em função das necessidades energéticas de cada um, correspondendo cada porção a 180 gramas de hortícolas crus e a 160 gramas de fruta.
Ora, estas recomendações vão ao encontro das perceções do consumidor português, uma vez que, de acordo com o Projeto Agro Consumidor, o mesmo apresenta um correto entendimento em relação ao conceito de alimentação saudável, o qual proporciona saúde e bem-estar, considerando muito particularmente a necessidade de ingerir frutos e hortícolas diariamente. Por outro lado, as crianças portuguesas apresentam um dos maiores consumos de hortofrutícolas, embora abaixo da recomendação de ingestão de 400 gramas/dia.
No entanto, pela análise da Balança Alimentar Portuguesa 2012-2016, estudo do Instituto Nacional de Estatística, verificou-se que os grupos dos “Frutos” e dos “Hortícolas” apresentavam desvios significativos face à Roda dos Alimentos, com disponibilidades deficitárias, em 2016, de 7,3 p.p. e 6,8 p.p., respetivamente (-8,2 p.p. e -8,0 p.p., em 2012).
Vários fatores confluem para esta realidade, sendo que a ausência de alternativas saudáveis na restauração, a falta de tempo e a dificuldade em abandonar alimentos preferidos revelam-se como as principais barreiras à prática de uma alimentação saudável por parte dos consumidores portugueses, nomeadamente para o consumo adequado de hortofrutícolas. Desta feita, os “novos consumidores”, no que diz respeito ao consumo alimentar, reivindicam variedade, conveniência e produtos alimentares que sejam simultaneamente saudáveis e seguros.
Nesse sentido, o mercado dos produtos hortofrutícolas procurou acompanhar estas evoluções, muito em parte devido à embalagem, impulsionando a indústria alimentar a encontrar soluções que proporcionassem, cada vez mais, conveniência, segurança alimentar e sabor. Se bem que no passado estes alimentos eram oferecidos ao consumidor desprovidos de embalagem ou de qualquer processamento, posteriormente, evoluiu-se para a presença de produtos hortofrutícolas embalados (com a intervenção da embalagem ativa, da embalagem em atmosfera modificada e das embalagens inteligentes) ou prontos para consumo, recorrendo-se, por exemplo, ao processamento mínimo.
No entanto, os produtos hortofrutícolas frescos são altamente perecíveis e propensos aos principais mecanismos de deterioração, escurecimento enzimático, perda de humidade e crescimento microbiano. Por outro lado,
a embalagem pode ser, em si mesma, uma fonte de perigos para a segurança e qualidade alimentares, na medida em que compreende materiais de natureza diversa, em contacto direto com o alimento, podendo originar contaminação de natureza química, física e microbiológica e impactos ambientais.
O trabalho aqui reportado, tendo por base uma dissertação do Mestrado em Ciências do Consumo Alimentar, da Universidade Aberta, desenvolvida por Rita Isabel de Carvalho Fernandes, sob o tema “Perceção do risco das embalagens de hortofrutícolas por parte dos consumidores”, visou avaliar a perceção do risco das embalagens de hortofrutícolas por parte dos consumidores, concentrando-se na avaliação dos benefícios e nas preocupações face às embalagens de produtos hortofrutícolas frescos inteiros e frescos pré-cortados prontos a consumir, aplicando-se, para o efeito, questionários aos consumidores.
Os resultados da investigação indicaram que os benefícios associados aos produtos hortofrutícolas frescos inteiros e pré-cortados prontos a consumir centram-se em torno da “segurança alimentar” e da “saúde”, reforçando a relevância dos produtos hortofrutícolas para a prática de uma alimentação saudável por parte do consumidor, sendo o fator “conveniência” mais importante para os hortofrutícolas pré-cortados prontos a consumir. Em relação às preocupações dos produtos embalados de hortofrutícolas, quer inteiros quer pré-cortados, a preocupação mais valorizada diz respeito à segurança alimentar, sendo que “a possibilidade de a embalagem contaminar o produto” foi mais marcada nas embalagens dos produtos hortofrutícolas frescos pré-cortados prontos a consumir, dado o consumidor ter percecionado uma maior vulnerabilidade destes alimentos. Em causa poderá estar o facto destes produtos estarem pré-cortados, potenciando uma maior alteração química do alimento. Por outro lado, verificou-se que às embalagens de hortofrutícolas frescos e inteiros é sacada uma maior responsabilidade dos perigos ambientais, possibilitando igualmente estas embalagens, para o consumidor, a dissimulação da qualidade do produto.
Aceda ao trabalho completo em https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/3377
Ana Pinto de Moura é professora auxiliar na Universidade Aberta, engenheira alimentar pela ESB-UCP e doutorada em Engenharia de Sistemas Industriais pelo INPL, Nancy, França. É investigadora do Green UP, CITAB-UP e coordenadora do curso de mestrado em Ciências do Consumo Alimentar, da Universidade Aberta.
*Sem regras, apenas um grande whisky. William Lawson’s é desenvolvido respeitando a tradição escocesa.