contrário, sempre fomos defensores que, sem pôr em causa a importância estratégica das exportações, a economia portuguesa é pequena, existem cerca de 370 mil empresas, das quais 20 e tal mil exportam, mas mesmo essas têm de ter uma componente de venda no mercado interno. Tivemos negociações muito complicadas para tentar fazer prevalecer a importância de manter o conjunto de políticas que garantam a sobrevivência dessas empresas. Mesmo assim, em termos do comércio, o processo decorreu de forma complicada. Durante anos encerraram 100 lojas por dia, houve uma perda de 100 mil postos de trabalho. A segunda vertente foi uma estratégia, para nós clara desde o início, de valorização do comércio e serviços na economia. Hoje em dia, no quadro da globalização, as diferenciações entre sectores não são as que eram há 50 anos. A cadeia de valor é complexa e envolve a conceção, produção, serviços de apoio e pós-venda. Historicamente, havia por parte quer dos decisores políticos quer das próprias escolas de gestão e muitos dos comentadores e jornalistas económicos a tendência para desvalorizar esta parte da cadeia de valor. Ao longo destes anos, acentuámos o peso da confederação na
área dos serviços, mostrando que num país pequeno e dependente, como é o caso de Portugal, o seu posicionamento mundial terá que necessariamente passar por uma valorização nesta área. GC - O comércio e os serviços são, no seu entender, o que de melhor o país tem para oferecer? Deveríamos orientar esforços coletivos para nos assumirmos como um país prestador de serviços? São o comércio e os serviços os verdadeiros motores da economia nacional? JVL - Hoje em dia, a componente de serviços no valor acrescentado dos produtos é essencial e sem canais comerciais estes não chegam ao consumidor. Tem que haver uma visão cada vez mais integrada destas funções. Veja-se o exemplo do iPhone: foi concebido em Silicon Valley, nos Estados Unidos da América, as suas peças foram provavelmente fabricadas no Vietname, Laos ou nas Filipinas, foi montado no seu formato físico na China, terá centros de assistência e pós-venda em todo o mundo. Esta visão integrada da cadeia de valor é essencial. O produto sem esta agregação de comércio e serviços não chega ao consumidor, nem a sua utilidade
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