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R E V I S TA

ASSOCIAÇÃO REGIONAL DA HABITAÇÃO ANO 01 Nº1 | AGOSTO, SETEMBRO, OUTUBRO DE 2013 | CAMPINAS - SP

CAMPINAS MACROZONAS RACIONALIZAÇÃO DA ESFERA URBANA

MUNDO SUSTENTÁVEL LICENCIAMENTO DIGITAL AGILIZA APROVAÇÃO DE PROJETOS NA PREFEITURA

RUMO AOS

30 ANOS NOVOS SONHOS PARA CAMPINAS E MUITA VONTADE DE MUDANÇA


AGO, SET, OUT 2013

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SUMÁRIO ESPECIALHABICAMP A CASA DAS FAMÍLIAS CAMPINEIRAS E DO EMPREENDEDORISMO RESPONSÁVEL PÁGINA 28

MUNDO SUSTENTÁVEL

CIDADES INTELIGENTES

LICENCIAMENTO DIGITAL AGILIZA APROVAÇÃO DE PROJETOS NA PREFEITURA

PÁGINA 36

PÁGINA 08

EXPRESS DOSETOR PÁGINA 07

SISTEMA ONLINE PÁGINA 20

CONSTRUÇÃO CIVIL TEMPO DE DESONERAR PÁGINA 25

CAMPINAS MACROZONAS RACIONALIZAÇÃO DA ESFERA URBANA PÁGINA 12

PERFIL EMPREENDEDOR PÁGINA 45

POLÍTICAS HABITACIONAIS PÁGINA 48

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[ HABICAMP / ANO 1 / Nº1 ]


Comerciais/Industriais e Residenciais

Pirasa Mercedes-Benz / Michelin Limeira

Clínica de Estética Kátia Haranaka

Sua obra bem construída

A

Construtora Procivil acredita que a melhor forma para atender as expectativas do cliente é através da confecção de um planejamento minucioso para cada etapa de uma obra. A qualidade e

o prazo de entrega estão ligados diretamente ao cronograma que, elaborado em conjunto com o cliente e adequado ao custo previsto, permite a execução de um trabalho ágil e sem surpresas desagradáveis.

procivil.com.br

Para a Procivil, construir é atender cada cliente de forma inovadora e individual, por isso buscamos o que há de mais moderno no setor da construção civil para poder oferecer projetos arrojados, com design inovador e, principalmente, com a melhor relação custo x benefício.

R. Comendador Luiz José Pereira de Queiroz nº 08, Botafogo - Campinas - SP F 19 3237.0967


EDITORIAL ASSOCIAÇÃO REGIONAL DA HABITAÇÃO

BIÊNIO 2013 / 2014 PRESIDENTE Francisco de Oliveira Lima Filho VICE PRESIDENTE DA CONSTRUÇÃO CIVIL Antonio Serra VICE PRESIDENTE DO SETOR DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Carlos Alexandre Silva VICE PRESIDENTE DO DEPARTAMENTO JURÍDICO Dr. Carlos Ribeiro VICE PRESIDENTE DO SETOR DE ADM. E CONDOMÍNIOS Claudinez Barbarini VICE PRESIDENTE DO SETOR DE COMERCIALIZAÇÃO Douglas Vargas VICE PRESIDENTE DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS Fernando E. M de C. Garneiro VICE PRESIDENTE REGIONAL Harú Cezar Waetge VICE PRESIDENTE DO SETOR DE LOTEAMENTO Neief Labaki VICE PRESIDENTE DE ECONOMIA E PROJETOS ESPECIAIS Sérgio Vargas Fernandes VICE PRESIDENTE DO SETOR DE EMP. IMOBILIÁRIOS Sinval Roberto Dorigon VICE PRESIDENTE DO SETOR DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA Arq.Welton Nahas Cury DIRETOR REPRESENTANTE REGIONAL Ivan Garcia de Oliveira DIRETOR REPRESENTANTE DE INDAIATUBA Pierluigi Clini DIRETOR REPRESENTANTE DE VALINHOS E VINHEDO Valdir Anselmi DIRETOR REPRESENTANTE DE MOGI-GUAÇU Waldomiro Garcia de Oliveira DIRETOR DE ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS Arq. Antonio Augusto Lirio de Almeida DIRETOR DO SETOR DE CONSTRUÇÃO CIVIL Eng. José David Ferraz Silva DIRETOR DO SETOR DE CONSTRUÇÃO CIVIL Eng. Antonio Cerqueira Camargo Jr. DIRETOR DO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL Marcelo Goraieb DIRETOR DEPARTAMENTO HABITAÇÃO Rui Marot DIRETORA DEPARTAMENTO EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES Silvia Bastos Rittner DIRETOR DO SETOR DE INCORPORAÇÃO E CONSTRUÇÃO Marcelo José Serra DIRETOR DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS TÉCNICAS Arq. Arlindo Thomaisino Júnior DIRETOR DO SETOR DE COMERCIALIZAÇÃO Antonio Delucca DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE TABELIONATO DE NOTAS Guilherme de Oliveira Campagnone DIRETOR DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS MOBILIÁRIOS José Ricardo Schmidt DIRETOR DO DEPARTAMENTO DO MEIO-AMBIENTE Mario Uchoa DIRETORA DE EVENTOS Arminda Cleuza da Silva Oliveira Lima DIRETORA ADMINISTRATIVA FINANCEIRA Maria Tereza Palermo DIRETOR JURÍDICO Dr. João Carlos de Figueredo Neto DIRETOR JURÍDICO Dr. Lucio Niero DIRETOR JURÍDICO Dr. Thiago Vicente Guglielminetti MEMBRO DO CONSELHO João Coelho MEMBRO DO CONSELHO Luiz Bueno MEMBRO DO CONSELHO Miguel Gilberto Paschoal MEMBRO DO CONSELHO Shirley Garcia MEMBRO DO CONSELHO Waldemar Haetmann Jr.

JUNTOS PELA POTÊNCIA DE CAMPINAS

C

om a globalização iminente, as formas de difusão do conhecimento e as redes colaborativas, temos a certeza de que novas saídas ao mar aguardam os setores da economia brasileira, sobretudo ao se levar em consideração o papel dos gestores da cadeia produtiva da habitação quanto à definição dos próximos passos. Em cada posicionamento da Habicamp, defendo que a RMC deverá galgar uma nova condição de visibilidade, lastreada pela sólida cooperação interinstitucional. Por meio da renovação da gestão pública para o segmento, consolidada com os esforços do prefeito Jonas Donizette, tornam-se proeminentes a liberdade e a ética no manejo de parcerias entre o público e o privado, o que culmina com um novo panorama de fortalecimento de nichos como a construção civil, o planejamento urbano, e a cultura socioambiental aplicada ao modelo desenvolvimentista em curso.

Nessa edição, a Revista Habicamp coloca em saliência os vetores políticos e organizacionais, no que concerne aos pleitos que se fazem mais importantes para a geração de um futuro com novas cores e conquistas para a cidade. O combate à procrastinação, a desburocratização e a abertura para novos empreendimentos centralizam nossa arena de debates. Em 2016, três décadas estarão finalizadas e, de antemão, nesse momento, queremos ressaltar nossa dedicação em favor de uma atuação contundente, em benefício dos valores que preconizamos quanto ao relacionamento com os associados, as entidades e todos os cidadãos do município. Com o lema “Rumo aos 30 anos”, os novos degraus a serem percorridos dependerão, antes de tudo, da diversidade de escolhas que faremos sobre os contornos de ruas, avenidas e praças. Francisco de Oliveira Lima Filho PRESIDENTE DA HABICAMP

Entidade de utilidade Pública Lei nº 5986/88 - Condomínio Office Alphaville - R. Embiruçu, 250, sala 206 - Fone: (19) 3236-0569 REVISTA HABICAMP é uma publicação Trimestral da HABICAMP - Associação Regional da Habitação. Distribuída gratuitamente, com design e conteúdo desenvolvidos pela Gracioli Editora. TIRAGEM 3.000 exemplares. EDITORA Cristiane Gracioli cris@gracioli. com.br JORNALISTA RESPONSÁVEL Juliano Sanches - MTB: 52700/SP redacao@gracioli.com.br DEPTO. COMERCIAL Gracioli Comunicação LTDA. contato@gracioli.com.br - (19) 3201-5715 - www.habicamp.com.br - FOTO DA CAPA: DECOM.IMPRENSA

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EXPRESSDOSETOR FUNDOS IMOBILIÁRIOS GANHAM FÔLEGO

Movimentação da construção civil impulsiona os vários níveis do mercado financeiro.

IMÓVEIS EM ALTA

Momento traz novo status para economia do setor

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or meio de pesquisa realizada pelo índice Índice FipeZap Ampliado, fixada sobre os imóveis disponíveis para compra pela internet, em 16 municípios brasileiros, os dados apontam alta de 6,1% no primeiro semestre de 2013, e de 1,1% em junho. Entre as cidades com maior alta de preços nos últimos seis meses, estão Curitiba (14,3%), Rio de Janeiro (7,7%) e Vitória (7,5%). Com base na variação do IPCA no mesmo período, 3,2%, definido por estimativas baseadas no Boletim Focus, o aumento real (acima da inflação) dos preços dos imóveis nesse ano é de 2,8%. www.fipe.org.br

A

tendência dos resultados das aplicações dirigidas aos Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) é de se equiparar com o patamar de 2012. Foram inseridas à planilha da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 20 ofertas, que movimentaram R$6,1 bilhões. Em 2012, o marco foi de 48 unidades, o que representou R$14 bilhões. Em 2013, estima-se a conquista de 16 indexações (15 primárias e uma secundária), com o total de R$3,1 bilhões. Quanto ao semestre anterior, tais produtos atingiram à escala de R$89 bilhões, 452 mil negócios.

CRESCE DEMANDA EM SP Cidade tem aumento acelerado por habitações

N

a capital paulista, no mês abril, foram comercializadas 3,48 mil imóveis, ante 2 mil em abril de 2012. Os dados apontam um recorde para o mês. Somente em 2010 houve uma aproximação com essa meta (3,23 mil imóveis). De janeiro a abril, foram 5,31 mil, 51,1% mais do que nos primeiros quatro meses do ano passado. Segundo o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), as aquisições cresceram 73,8% em abril, em comparação com o mesmo mês de 2012. www.secovi.com.br

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MUNDOSUSTENTÁVEL

LICENCIAMENTO

DIGITAL A fim de agilizar procedimentos para aprovação, em Campinas o licenciamento ambiental pede passagem no mundo virtual. Sistema online deverá reduzir em 30% o tempo de avaliação. 8

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MUNDOSUSTENTÁVEL

COM LICENÇA

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tecnologia, desenvolvida pela Informática dos Municípios Associados (IMA), fará de Campinas a primeira cidade do interior do estado de São Paulo a dispor do sistema de licenciamento digitalizado - desde a solicitação à emissão dos documentos. Embora o software se apresente como facilitador eficaz, o sistema não depende, ainda, da adaptação da equipe a ele e aos equipamentos, e da adoção de técnicas recicladas e mais simples para que a pasta não obstrua a demanda e perca-se entre os processos recém-aderidos para liberação das licenças. Conforme divulgado ano passado, para que isso não ocorra, a administração receberá novos equipamentos, através da Associação Regional da Habitação (Habicamp), que reuniu corporações da construção civil da RMC (Região Metropolitana de Campinas) para ofertarem ferramentas que qualificarão a ação de aperfeiçoamento do setor. A Secretaria disporá do reaparelhamento pelas empresas e por meio da contribuição executiva, que disponibilizou R$96 mil para a aquisição de novos computadores. Além disso, haverá aumento dos recursos humanos: quinze técnicos estão em contratação. Após a tumultuada posse e transtornos diversos deixados aos munícipes pela administração anterior, os prazos de licenciamentos têm se cumprido como previstos em lei, sem mais represamento de projetos – exceto em casos específicos em que existem deficiências documentais ou conflitos pelo descumprimento de exigências.

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m sistema virtual Licenças prévias, de instapara inovar os trâ- lação e operação de casa, mites legais e, até poderão ser requeridas sem então, burocráticos da Secre- a necessidade das presenças taria do Verde e Desenvol- físicas dos agentes no deparvimento Sustentável da pre- tamento. A mudança facilifeitura campineira, é a nova tará a rotina de investidores aposta administrativa para e, ao eliminar papéis, tamlegar eficiência bém beneficiará e rapidez na SEGUNDO AVALIA- a Secretaria – análise e apro- DO POR TÉCNICOS, que disporá de vação de proje- O PROGRAMA DEVE melhor controtos inerentes à DIMINUIR A MO- le interno para ROSIDADE EM AO execução dos pasta. MENOS 30%. A partir de juprocedimentos lho, empreenformais. dimentos industriais percor- Segundo avaliado por técrerão outro caminho para nicos, o programa deve diobterem o licenciamento minuir a morosidade em ao ambiental: conectados ao menos 30%. universo tecnológico dos có- Afora tais fatores, o Consedigos virtuais, as solicitações lho Municipal de Meio Amserão feitas através do com- biente (Comdema) acomputador e, pelo mesmo meio panhará em tempo real os digital, o processo poderá ser pareceres, o que denomina acompanhado. Em agosto, de “controle social” – uma os demais setores de ativi- vez que representa e defendades econômicas também de os interesses ambientais ficarão online. civis.

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JUNTOS PELO DESENVOLVIMENTO A adoção da pasta ambientalista pela iniciativa privada deu novo fôlego à sua importância e atuação, modernizou sua atuação e solidificou a intenção gestora em acelerar o tempo de análise das requisições empresariais. Para qualificar os procedimentos internos e acompanhar o desenvolvimento dos processos que tramitarão na secretaria, o Comdema e a comissão de território terão senhas para acessar o sistema a qualquer momento. Poderão analisar os encaminhamentos e anexar os pareceres da entidade. Aquele que requerer a licença também poderá acompanhar o trâmite virtualmente, por meio de um código para acessar online os pareceres. Outra maneira de administrar os trabalhos com transparência e eficácia, onde diferentes agentes envolvidos nas ações permanecerão conectados, unidos pelo progresso urbano.

PONTO COM SOLUÇÃO

A

tualmente, a demora em para 60. Para a solução ser eficaz, licenças contempla às ‘organização’ torna-se sinônimo questões pertinentes aos da redistribuição lógica gestora: casos que, para que sejam ace- os funcionários conduzirão as lerados e aproximados em seus informações cadastradas pelos prazos de liberações, demandam interessados e se responsabilizarecursos específicos rão por atualizar os tecnológicos e de QUANDO EXIGEM dados processados treinamento téc- ESTUDOS DE IM- pela equipe. Do ounico, como os que PACTOS AMBIEN- tro lado do monitêm recebido. TAIS, O PERÍODO tor, os solicitantes O tempo determi- PODE SE ESTEN- estarão vinculados nado de trinta dias, ao fornecimento DER PARA ATÉ geralmente, é para dos documentos e TRÊS MESES. solicitações mais históricos exigidos simples, que pedem para o preenchidocumentos como o exame téc- mento do formulário digital, nico municipal. Quando exigem bem como estarão obrigados estudos de impactos ambientais, para a execução ágil e efetiva do o período pode se estender para licenciamento - a fornecer disaté três meses. A expectativa do tintos subsídios que por ventura departamento é que a partir da forem solicitados ao longo da adequação do sistema e do tra- aprovação, acompanhando pela balho interno, o prazo legal li- internet o desenvolvimento do mitado em 90 dias seja reduzido pedido ao órgão

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CAMPINASMACROZONAS

RACIONALIZAÇÃO DA ESFERA URBANA

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Circundar os traços da urbanização rumo a uma categorização condizente com o desenvolvimento socioambiental e comercial é a ideia central do debate sobre as macrozonas em Campinas.

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CAMPINASMACROZONAS

MZ 1) Distritos de Sousas e Joaquim Egídio, e bairros rurais: área de preservação ambiental, soma um terço do território e 80% de região agrícola. Fica entre os rios Atibaia e Jaguari.

((MZ 2) Vale das Garças, Village Campinas e Bosque das Palmeiras: área de controle ambiental. A localidade com predomínio de infraestrutura rural.

AS MACROZONAS POR SUAS FUNÇÕES URBANAS – RE

D

iante dos impasses, que endossam a urgência de solidez na negociação entre os poderes público e privado sobre os critérios de zoneamento do tecido urbano, crescem as afirmativas sobre o pensamento de longo prazo para o município, com a formalização dos discursos prós e contras acerca das medidas defendidas. O cenário, por não validar um consenso, insere inúmeros obstáculos às deliberações, o que gera uma sensação de procrastinação quanto ao conjunto de definições. A finalidade de redimensionar o mapeamento em Macrozonas convoca o Terceiro Setor, as empresas, os pesquisadores, os ambientalistas e inúmeros outros atores sociais para a formulação de pautas,

condizentes com as necessidades dos espaços de convívio, em que estão presentes diferentes interesses e grupos. AQUECIMENTO DA PARTICIPAÇÃO Por parte das lideranças empreendedoras da RMC, nota-se uma insatisfação, em função da não aprovação de um marco legítimo, o que gera austeridade quanto às iniciativas de investimento. Com a ascensão do assunto para a ordem do dia, em prol da iniciativa de engendrar uma reflexão sobre as transformações decorrentes do crescimento populacional e da ocupação por parte das instituições sociais, busca-se uma tomada de decisão favorável às demandas coletivas,

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propulsoras de uma agenda heterogênea de civilidade. Com a projeção de um senso de dinamismo, frente ao apelo dos investidores, a Câmara e a Prefeitura entram em discussão, para atenuar os efeitos incoerentes, vorazes e quase desenfreados da administração anterior. PANORAMA DAS MACROZONAS De um Plano Local de Gestão (PLG), surgiram nove diferentes avaliações de grupos territoriais em Campinas. A partir daí, as Macrozonas, distribuídas conforme as atribuições dadas aos espaços tornaram-se uma ferramenta complementar para reordenar a cidade, segundo os planos do Executivo para o desenvolvimento local. Com a


(MZ 3) Distrito de Barão Geraldo, campi das universidades PUCC e Unicamp; Ceasa e Ciatec: área para urbanização controlada.

(MZ 4) Centro e bairros que o circunda; espaços institucionais (Fazenda Remonta, Chapadão e Santa Elisa): área de urbanização prioritária. É classificada como a mais adensada do município.

ECONHECENDO OS SÍTIOS E OS REESTABELECENDO: participação da sociedade organizada, como estabelecido pela Lei Complementar Nº 15, 27 de dezembro de 2006 (Lei do Plano Diretor), as diretrizes devem respeitar o Estatuto da Cidade e reconhecer a heterogeneidade das áreas, considerando aspectos físico-territoriais, socioeconômicos e ambientais, identificados a partir das leituras e diagnósticos produzidos no Plano Diretor. Em consonância com as classificações, novas normas urbanísticas discriminariam os usos permitidos, intensidades de ocupação do solo e as restrições sobre edificações ou atividades. A questão acabou por abarcar outras demandas e, mais do que um apanhado de recomendações para balizarem

investimentos, tornou-se um parâmetro legal repleto de orientações, que dialogam com vários setores sociais e órgãos de governo. O princípio das Macrozonas é garantir eficiência na segmentação de recursos e políticas públicas, de modo a avalizar a recuperação de espaços públicos, saneamento, infraestrutura e preservação ambiental. A perspectiva é proteger as necessidades futuras e o crescimento, sustentado pela eficiência logística e econômica. TENSÕES EM TORNO DE OPORTUNIDADES E AMEAÇAS No jogo de inferências, aparecem as contradições e dilemas acerca da am-

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pliação do perímetro urbano, vetada pelo prefeito, Jonas Donizette (PSB). Os projetos de lei estão em processo de revisão por parte da secretaria de Planejamento. A orientação é possibilitar concessões apenas em casos de pertinência contundente, como por exemplo, para indústrias que, por conta da atual regulamentação, não podem avançar, devido ao limítrofe urbano. O planejamento atual conceitua a noção de espaço compacto. A gestão anterior previa o aumento em 17,3 quilômetros quadrados, proporcional a 2,43 mil campos de futebol. Com a maior fatia de mudanças, a Macrozona 2, área de controle ambiental na região norte/nordeste, seguida pela Rodovia Adhemar de Barros, apare-


CAMPINASMACROZONAS

(MZ 6) Entre a ‘MZ 7’ e Valinhos (está dividida pela rodovia dos Bandeirantes e abrange o manancial hídrico do rio Capivari): área à região sul, possui vocação e uso agrícola.

(MZ 5) Campo Grande, Ouro Verde e Distrito Industrial (rodovias Bandeirantes e Santos Dumont, Complexo Delta e rio Capivari): área prioritária para requalificação - situada ao oeste.

NOVE PROPOSTAS. EIXOS DO PANORAMA URBANÍSTICO DA CIDADE DE CAMPINAS ce como um dos eixos dos conflitos. No território formado pelo eixo Gramado/Alphaville, a proporção seria de 0,43 quilômetros quadrados. A MZ-4, onde fica o Centro expandido, receberia 0,67 quadrados. Como lei promulgada, a MZ-5 adiciona 4,18 quilômetros quadrados à conjuntura. Entre os pleitos em voga, por parte dos habitantes, estão parques, praças, áreas verdes, ciclovias, ruas mais largas, áreas institucionais, proteção ciliar dos córregos e corpos d’água. Através da cultura crescente, ganham atenção os hábitos ecológicos, como a economia de combustível, a realização de percursos por meio de bicicletas, e o estimulo ao transporte público. Com

a delimitação em curso, as fronteiras entre o urbano e o rural tendem a se tornar tênues, o que requer um olhar de cuidado para os fatores envolvidos no entorno, em oposição à perspectiva apenas pragmática. Para os que defendem uma visão de mais abertura para as iniciativas de otimização do perímetro urbano, há inúmeros argumentos favoráveis. Entre os exemplos, estão a geração de novos espaços de serviços públicos, a potencialização da arrecadação por parte dos tributos, o aquecimento de empregos, e o desenvolvimento das comunidades ao redor. A politização do tema traz à tona a busca por locais de multiusos, que não demandem

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longos deslocamentos. Almeja-se estabelecer normas eficazes para a verticalização, frente às mudanças estruturais da malha da construção civil. MONITORAMENTO A Prefeitura, ao lançar a cartilha que incide sobre o controle de aprovação de empreendimentos quanto à área de segurança aeroportuária, busca dinamizar o esclarecimento ao setor imobiliário sobre quais trechos necessitarão de aval prévio do 4º Comando Aéreo Regional. O sistema de restrições é baseado na legislação aeronáutica e nas leis urbanísticas locais. Através da consulta, disponível na página da Secretaria de Planejamento


(MZ 7) Aeroporto Internacional de Viracopos (bairros ao entorno e localidade para expansão): área sujeita aos impactos de operações aeroportuárias.

(MZ 9) Distrito de Nova Aparecida; bairros Boa Vista, Amarais, Jardins Campineiro e São Marcos (integração noroeste com o aeroporto dos Amarais): área em processo de conurbação com Sumaré e Hortolândia e, onde está prevista a construção do Corredor Noroeste.

(MZ 8) Região delimitada pelas rodovias Campinas-Mogi Mirim, Dom Pedro I e anel viário Prefeito Magalhães Teixeira (congrega Alphaville Campinas, Parque Imperador e Chácara Gramado): área de urbanização específica.

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CAMPINASMACROZONAS (www.campinas.sp.gov.br/governo/ seplama), divulgada no Diário Oficial do Município, o zoom se fixa sobre o ponto específico, em que aparecem as restrições pertinentes. O cone de rota de fuga das aeronaves e os helipontos estão entre os elementos de atenção, no que tange aos estudos de implantação de antenas e outros equipamentos de grande porte. Com a portaria 256 do Comar, as obras realizadas em uma área de 45 quilômetros de raio em torno do Aeroporto Internacional de Viracopos e 15 quilômetros em volta do Aeroporto Estadual dos Amarais terão que contar com a decisão do órgão fiscalizador. Através da normatização, busca-se assegurar a ampliação futura do número de pousos e decolagens, sem prejudicar o tráfego aéreo. Fora da chancela regulamentadora, estão apenas os distritos de Sousas, Joaquim Egídio e Barão Geraldo.

A altura do edifício, a exposição humana a ruídos e o risco à navegação aérea fazem parte da lista de medidas de cautela do código. Os projetos de edificações não podem superar a altura dos helipontos num raio de 1,2 quilômetro. Entre os 23 helipontos de Campinas, há unidades localizadas no solo (principalmente nas regiões do Gramado e do Alphaville), em residências, o que implica em inspeção credenciada para validação. Os problemas da gestão anterior culminaram na aprovação de 140 apartamentos do programa “Minha Casa, Minha Vida” no Residencial Parque Campinas, sem se balizar pela Zona de Proteção de Aeródromo (ZPA). O aval, por parte da Prefeitura de Campinas para a construção de torres de mais de 15 metros, quando, na verdade, o limite estabelecido era de 8, está também entre as questões de conflito da representação anterior.

Tão logo assumiu, o prefeito anunciou que sua gestão revisará todos os projetos antes de encaminhá-los novamente ao Legislativo, o que deverá ser prioridade na agenda governista. A decisão foi tomada pelo fato de intricadas controvérsias obstruírem as votações na Câmara. De acordo com o parecer de Donizette, as regiões – especialmente as do entorno de Viracopos – necessitam de pareceres especializados. Para uma das áreas que demandam disposições mais tênues, o plano para a localidade estabelece regras de reurbanização peculiares, que incluem a remoção de sete mil famílias para obras de expansão. A alternativa ocasionou protestos de moradores, que lembraram que a iniciativa não pertencia ao texto precedente, o qual originou a PLG da Macrozona 7.

Outra questão congelada pela prefeitura é o plano da Macrozona 9. As diretrizes da gestão do eixo Jardim Campineiro-Aparecidinha estão suspensas na Câmara desde dezembro de 2010. O legislativo alega que só pode dar continuidade à avaliação da proposta, após técnicos endossarem as especificações descritas. Do contrário, continuará engavetada. Até então, era uma das únicas PLG’s que não foi retirada pela administração, em 2011, quando o Ministério Público identificou irregularidades na elaboração dos projetos, com exigência de estudos específicos e participação popular nas delimitações. Segundo pareceres de componentes envolvidos com as Macrozonas, apenas a 5 (Campo Grande, Ouro Verde e Distrito Industrial), aprovada no ano passado, tem plano de gestão.

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FOTO: DIVULGAÇÃO

NOVOS RUMOS EM NEGOCIAÇÃO


PROJEÇÃO PARA 2013

S

egundo declarações do presidente da Câmara, Campos Filho (DEM), à imprensa regional, 2013 deve ser o ano das Macrozonas – numa referência ao foco dos órgãos municipais em esforços para aprovação das PLG’s. Entretanto, a expectativa é de que apenas três dos oito Planos travados desde 2008 sejam aprovados este ano. O prefeito já recorre ao auxílio técnico para apoiar o poder público na tomada de decisão. Audiências populares também são uma das promessas, para conceber este processo e torná-lo mais democrático. O secretário de Planejamento, Ulysses Semeghini, afirmou que a Macrozona prioritária a ser votada é a ‘7’, que designa o plano de gestão para a região do Viracopos. O motivo da abordagem se deve à mudança que ocorrerá na legislação de uso e ocupação do solo, e que busca reduzir impactos ambientais, curvas de ruído, e da expansão da área (o que afeta o menor número de famílias possível). Donizette explicou que os profissionais vinculados aos debates relativos aos nichos de atuação deles (engenheiros e urbanistas) terão a função de traduzir e ponderar aspectos pertinentes, conforme as avaliações dos relatórios e observações das áreas. Se os problemas serão resolvidos a partir das contratações e quantos projetos tramitarão com eficiência são questões ainda imprevisíveis. A expectativa é de que a demora seja reduzida e as aprovações estejam em sincronia com as pautas dirigidas pela arena maior de interesses.

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SISTEMAONLINE

FOTO: LUIZ GRANZOTTO

PARCERIA SOCIAL POR IDEAIS EM COMUM CONVÊNIO ENTRE HABICAMP E A SECRETARIA MUNICIPAL DO VERDE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINAS VISA QUALIFICAR SERVIÇOS PARA ESTIMULAR SETOR CIVIL.

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O

presidente da Associação Regional da Habitação (Habicamp), Francisco de Oliveira Lima Filho, na condição de porta-voz de empresários da construção e do mercado imobiliário em Campinas e região, inquietou-se tanto quanto a sociedade civil ante aos gargalos da gestão pública, que comprometem a qualidade dos serviços e a eficiência do trabalho dos profissionais, muitas vezes, sem recursos materiais adequados para desempenharem suas funções. Com foco na Secretaria do Verde e Desenvolvimento Sustentável, que detêm uma importância estratégica no planejamento urbanístico de Campinas, Lima Filho reuniu-se com investidores e pensadores do setor para avaliar alternativas de intervenção e lhes propôs uma pareceria com a prefeitura municipal – que, de pronto, acolheu a iniciativa para auxiliar a pasta nos trâmites burocráticos e revitalizar o departamento que, assim como outras áreas administrativas, foi quase relegado ao absoluto ostracismo nos últimos anos, não fosse o empenho de alguns agentes, secretários e servidores de diferentes carreiras. Após definir a maneira que a instituição interviria junto ao governo, o presidente da Habicamp assinou com o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), a documentação que formaliza a parceria entre a prefeitura e a entidade. Às 10h da manhã do dia 13 de junho (quinta-feira), Lima Filho se reuniu com o Donizette e com o secretário da pasta do Verde e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes, no Salão Azul do paço municipal (gabinete do prefeito). Durante o evento foi destacada a importância do convênio, que confere novas oportunidades de gestão, para melhorias no departamento, como celeridade em aprovações de licenças ambientais. As entregas de equipamentos eletrônicos aconteceram já no mês de julho. Computadores de última geração para reestruturar e otimizar o departamento, que terá o trâmite de seus processos online, tornando os procedimentos mais

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SISTEMAONLINE rápidos, organizados, eficazes e transparentes, faz parte das novas alternativas das soluções propostas para o futuro. Lima Filho esclareceu que o compromisso entre as partes advém de projetos de intervenção estudados de longa data, que culminaram na proposta de informatização da secretaria. O intuito foi qualificar o trabalho dos servidores, oferecendo apoio técnico e recursos tecnológicos de última geração, como computadores e o software, que levam a secretaria para o futuro. “O objetivo da Habicamp ao mobilizar-se para intervir nos procedimentos internos e reunir empresas do setor, é garantir alternativas viáveis para agilizar a aprovação de licenciamentos e diminuir a burocracia, isso, sem perder eficiência nas análises”, explicou o presidente da Habicamp. Jonas, por sua vez, reconheceu o impacto da iniciativa e agradeceu a Associação Regional, bem como os demais envolvidos na tarefa de atualizar a repartição que carecia de novos recursos:

“Temos que ser humildes para aceitar ajuda quando precisamos. A secretaria, com a força conjunta dos funcionários e o trabalho do Rogério [Menezes, secretário], a situação mudou muito, mas, precisávamos de apoio para melhorar ainda mais e levar esta administração para o século 21. Agradeço ao Francisco [presidente da Habicamp] e a iniciativa privada pelo empenho em viabilizar esta transformação que beneficiará os campineiros e fará a cidade ainda melhor”. Na oportunidade, Menezes ressaltou que a ação será inserida gradativamente na repartição. A meta é que já em janeiro de 2014, a secretaria seja totalmente digital – com todo trâmite feito e desenvolvido virtualmente. Disse, também, que até dezembro os dois sistemas (formalizado por papéis e o online) coexistirão para adaptação da equipe e, a fim de não haver prejuízos durante o período de transição. Ele comenta que essa alternativa é estratégica e foi decidida pelo prefeito; entre-

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tanto, comemora que a opção gradual não deve impedir a pasta de Verde e Desenvolvimento Sustentável de extinguir plenamente os pedidos em andamento – e os estimados durante esta fase - até setembro, o que deixará a secretaria “em dia”, com todas as solicitações deliberadas. “Essa reestruturação será sentida pelos empresários e pelos moradores. Trará qualidade de vida, viabilizará novos projetos e, assim, Campinas seguirá se desenvolvendo com sustentabilidade”, afirmou Rogério. Estiveram presentes, ainda, os vice-presidentes da Habicamp, Antonio Serra, Carlos Alexandre e Welton Narras Cury , e o diretor Rui Marot; o vereador Cidão Santos (PPS); o empresário do segmento hoteleiro e veicular Armindo Dias (Grupo Arcel); Rodrigo Hajjar (da Brasilinvest); dirigentes do Bradesco e da Engep Construtora; da Estrutural Construtora e Essencis Soluções Ambientais e; o presidente da Rede Total imóveis, Waldemar Reinaldo Biondi.


ARTIGO

CAMPINAS, CADA VEZ MELHOR

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enho esperado por um novo momento para Campi- tar e manter uma construção. Não falamos tão somente da nas, e espero poder vê-lo. Tudo indica que sim. Sem construção em si, da real atenção ao meio ambiente, mas planejamento e visão de eficiência, não sairemos do falamos inclusive do plano de manutenção ao longo do lugar. Obras são necessárias, seja em atenção ao crescimen- ciclo de vida da construção realizada. Ainda, as empresas brasileiras precisam estar preparadas para to de Campinas, seja para que esta não atender as especificações de materiais a fique sucateada. Já existe um verdadeiro E NÃO DEIXEMOS DE fim de que não se acelerem ainda mais desastre em várias vias. “Alargamos” nossa LADO A REDUÇÃO DAS as importações. E não deixemos de lado Campinas sem projeção das necessidades PERDAS E O TRATAa redução das perdas e o tratamento do locais. Os governos em geral lançam seus lixo gerado nesta cadeia. Tudo tem de programas, e isto é valoroso, mas sem o MENTO DO LIXO GEestar projetado. A cadeia da construção devido planejamento tornam-se dispenRADO NESTA CADEIA. civil gera presente e futuro ao mesmo diosos. Precisamos aprender com alguns TUDO TEM DE ESTAR tempo. Governo, Habicamp e empresas modelos de sucesso para que a eficiência PROJETADO. A CADEIA construindo uma Campinas sólida, sob apareça e haja um verdadeiro salto na proDA CONSTRUÇÃO CIuma visão de longo prazo, com eficiêndutividade. Governo e empresas precisam VIL GERA PRESENTE E cia e o encantamento que o seu cidadão andar juntos, discutindo e melhorando FUTURO AO merece. desempenho. Um exemplo de perigo que MESMO TEMPO. ronda as empresas da construção civil J. C. de Figueiredo Neto – Diretor Juríé saber se estão ou não preparadas para o uso do BIM (Building Information Modeling) que é a dico da Habicamp e Sócio de Figueiredo Neto Advogados inovadora abordagem sobre a maneira de conceber, execu- – www.figueiredoneto.com.br

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CONSTRUÇÃOCIVIL

TEMPO DE DESONERAR MEDIDA PROVISÓRIA MUDARÁ TRIBUTAÇÕES COBRADAS ÀS CONSTRUTORAS; EMENDA PEDE ATENÇÃO AOS ENCARGOS QUE OBSTRUEM O DESENVOLVIMENTO DA CONSTRUÇÃO CIVIL NO PAÍS. AGO, SET, OUT 2013

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CONSTRUÇÃOCIVIL

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nunciada para iniciar em abril, a desoneração da contribuição previdenciária das construtoras de edificações e de suas subcontratadas – que será de 2% sobre a receita e não mais de 20% sobre a folha de pagamentos – teve outras alterações propostas pelos deputados Arnaldo Jardim (PPS-SP), Eduardo Sciarra (PSD-PR) e Ricardo Izar (PSD-SP): seis emendas ao projeto para conversão da Medida Provisória 601, de 28 de dezembro de 2012, foram apresentadas no início do ano, devido estas proposituras, a aprovação não foi integral no período.

Entretanto, passado meses de análises e debates, o plenário do Senado Federal aprovou no dia 11 de julho a MP 610/2013 (em substituição a anterior) que trata, entre diversos assuntos, da desoneração da folha de pagamento de empresas da construção civil. O texto, oriundo da Câmara dos Deputados, onde recebeu algumas emendas, foi aprovado sem novas alterações. Agora, o projeto de conversão no qual foi transformado a MP seguirá para sanção presidencial. Caso a presidenta Dilma Rousseff vete trechos do projeto, pelas novas regras de apreciação de, tais considerações deverão ser aprecia-

das assim que os congressistas retornarem do recesso parlamentar, neste mês (agosto). As empresas que deverão se ater às hipóteses, caso exerçam atividades não designadas na nova regra de recolhimento, como obras de infraestrutura ou incorporação, também precisarão observar os movimentos na Câmara que tratará de outras significativas iniciativas para estimular o desenvolvimento da construção civil brasileira. Uma das alterações sugeridas pelo Deputado Eduardo Sciarra, incluiu as empresas de obras de infraestrutura ou incorporação no rol dos beneficia

ENTENDA O QUE PASSOU A VIGORAR EM ABRIL

NOVIDADES APROVADAS - Quando a receita da atividade não for superior a 5% da receita bruta do empreendimento, os lucros procedentes das atividades devem ser segregados. Assim a empresa recolherá 2% sobre a receita da atividade designada e 20% sobre a folha de pagamentos – nesse caso apenas para atividades de representante, distribuidor ou revendedor de programas de computador (§ 2º artigo 7º da Lei 12546 ou antigo 1º da MP 601 que altera o artigo 7º da Lei 12546); - Se o ganho oriundo da atividade não enquadrada na desoneração for inferior a 5% do rendimento total, não haverá separação e a contribuição será

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calculada exclusivamente à alíquota de 2% sobre o resultado (mesma regra acima); - A base de cálculo do recolhimento de 2% sobre a receita bruta poderá excluir os ganhos decorrentes de vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos, o IPI (quando incluso na receita bruta) e o ICMS, a partir da cobrança condicionada à substituto tributário. – apenas as empresas que fabrique os produtos do anexo, não se refere à construção civil (artigo 8º da Lei 12546). Por ser matéria divergente e a MP ter validade de 120 (60 + 60) dias, sugiro que o tópico “novidades aprovadas”


dos, alterando sua tributação de 20% para 10% sobre a folha de pagamento, fato relevante ao contexto atual, devido à necessidade de investimentos em infraestrutura (rodovias, portos e ferrovias) e estímulo do mercado de construção civil no país. Mais três emendas, de Arnaldo Jardim, trataram de alternativas para as instituições. A primeira referiu-se à opção pela forma de recolhimento da taxa – 20% sobre a folha ou 2% sobre a receita bruta; a segunda, da redução à alíquota - de 2% para 1%, sobre a receita bruta das empresas de construção de edifícios e suas subcontratadas; e a terceira recomenda a contribuição

facultativa de 2% para as empresas que abrirem o Cadastro Específico do INSS (CEI) até 31 de março de 2013. Além das boas novas, algumas dúvidas ainda imperam. Dentre elas, pela falta de orientações por parte da Receita Federal sobre como as entidades devem proceder com as receitas contábeis, códigos dos recolhimentos, entre outros – o que possivelmente ocasionará confusões nos processos antes comuns e simplificados. Por isso, é importante que o empresariado se atente às mudanças vindouras, atualizando-se constantemente quanto às normas.

E O QUE AGUARDA A SANÇÃO PRESIDENCIAL seja excluído, pois não sabemos se até a data 1º de abril a MP será convertida em Lei, e ainda se as emendas sugeridas serão adicionadas ao texto da Lei caso essa seja sancionada. Para a presidente apreciar: O Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) apresentou, também, algumas considerações que vigorarão com a medida, assim que aprovada pela presidenta, dentre elas, que a retenção sobre a nota fiscal dos serviços das subcontratadas será mantida em 3,5%, em vez de 11% (§ 6º da Lei nº 12.546/11).

pagamentos por 2% sobre o faturamento). Essa antecipação é irretratável e será exercida com recolhimento da contribuição relativa a junho de 2013. Devem ser observadas as seguintes regras:

- Empresas do setor da construção com CNAEs 412, 432, 433 e 439 poderão antecipar para 4 de junho de 2013 sua inclusão na tributação substitutiva (substituição do recolhimento de 20% sobre a folha de

- Obras com CEI de 1º de junho de 2013 até o último dia do 3º mês subsequente ao da publicação podem optar pelo regime novo ou antigo. Esta opção será exercida de forma irretratável mediante recolhimento, até o

- Obras com CEI até 31 de março ficam no regime antigo (20% sobre a folha); a essas obras não se aplica a antecipação dos efeitos da nova contribuição de 2%, porque elas não estão sujeitas à tributação substitutiva. - Obras com CEI de 1º de abril de 2013 a 31 de maio de 2013 ficam no regime novo (2% de faturamento);

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prazo de vencimento, da contribuição substitutiva relativa a junho/13, e será aplicada até o término da obra; - Obras com CEI após o 1º dia do 4º mês subsequente de publicação ficam no regime desonerado até o seu término (2% sobre a folha). - Para as empresas desses CNAEs que não quiserem antecipar essa inclusão para 4 de junho de 2013, a vigência prevista para a essa mudança será a partir do 1º dia do 4º mês subsequente à publicação da lei. - As empresas de infraestrutura entrarão nesta mudança da contribuição previdenciária a partir de 1º de janeiro de 2014. - O RET para as incorporações passará de 6% para 4% com vigência retroativa a 4 de junho.


FOTO: HABICAMP

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HABICAMP

A CASA DAS FAMÍLIAS CAMPINEIRAS E DO EMPREENDEDORISMO RESPONSÁVEL

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le é como o pai de família: a figura que procura intermediar o diálogo entre os membros, aquele que aconselha e adverte sobre decisões. Sempre pronto a apaziguar os conflitos e propiciar o bem-estar de todos os membros, quer mesmo a cooperação mutua, a maturidade e o respeito às diferentes atribuições de cada um nas relações. É inevitável, assim, o consequente progresso e a solidez das estruturas do grupo, o qual converge para as melhores soluções do convívio comum. “Está tudo aqui, na casa. Tudo que é necessário, aquilo que move a sociedade e a inspira em suas conformações políticas, jurídicas e econômicas”. A tradicional metáfora que Francisco faz, apenas reafirma que sua visão patriarcal está longe da protecionista e retrógrada: apresenta o paralelo que o presidente da Habicamp enxerga

e estabelece na prática da gestão moderna – seja corporativa ou institucional - ao contextualizar os vínculos entre distintos mercados produtivos nacionais e a relação cultural, que os permeia. De certo modo, a percepção de como deveria ser a atuação da Associação vem de longa data, de suas origens, dos diferentes ‘pais’, que a presidiram. Entretanto, é inquestionável que o presente-futurista tornara-se ainda mais estratégico e indispensável à organização habitacional de Campinas e municípios circunvizinhos. Atualmente, a Habicamp é uma grande família, com mais de vinte e cinco anos, que ‘tem colocado ordem na casa’ – antes, sem análises precisas e orientações adequadas, quanto ao caminho que o setor da construção civil deveria percorrer, para fomentar o desenvolvimento financeiro regional ante as questões habitacionais.

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ESPECIALHABICAMP

OS ALICERCES PARA ANTEVER E SOLUCIONAR CONFLITOS

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uase três décadas parece com interesses no desenvolvimento pouco diante dos feitos da econômico e político da cidade de instituição que se propôs Campinas e região. a ir além de congregar a iniciativa Eduardo Homem de Melo iniciou privada vinculada ao setor imobi- a presidência da Associação, que liário e dialogar com órgãos públi- surgia voltada às necessidades nacos, oferecendo subsídios e análises cionais, de uma área que carecia da especializadas para o desenvolvi- intermediação macroestratégica – mento mercadológico. sem perder o foco nas necessidades Profissionalismo é palavra marcante sociais e no contexto geopolítico do para os 27 anos que Brasil. a Associação Regio“A Habicamp já nas“A HABICAMP JÁ nal de Habitação ceu grande pela atuNASCEU GRANDE de Campinas (Haação pioneira e probicamp) completa PELA ATUAÇÃO PIOpostas inovadoras. NEIRA E PROPOSTAS este ano. Pensava em planeINOVADORAS. PENFundada em 2 de jamento urbano, de SAVA EM PLANEJAdezembro de 1986, maneira que estimuMENTO URBANO por empresários que lasse um segmento DE MANEIRA QUE tratavam direta ou conturbado no país ESTIMULASSE UM indiretamente de ase com um déficit SEGMENTO CONsuntos relacionados alto na RMC [ReTURBADO NO PAÍS à construção civil e gião Metropolitana E COM UM DÉFICIT à habitação, Carlos de Campinas]. Isso ALTO NA RMC’ Francisco Valverde porque a esfera priencabeçou a coorvativa e da adminisdenação do grupo. Na época, Val- tração pública não dialogavam com verde – então diretor do Sindicato eficácia. O crescimento posterior, das Empresas de Compra, Venda, apenas solidificou o reconhecimenLocação e Administração de Imó- to de sua utilidade pública, certifiveis Residenciais e Comerciais do cada pelos poderes municipais em estado de São Paulo (Secovi-SP) outubro de 89”, conta o atual pre– estabeleceu na Sociedade Hípi- sidente, Francisco de Oliveira Lima ca de Campinas o conglomerado Filho, em sua terceira gestão à frende agentes notadamente públicos, te da instituição.

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CONSTRUINDO RELAÇÕES E RESTAURANDO O DESENVOLVIMENTO

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tuante em mais de 48 cida- ele conclui ser possível desenvolver des - que somadas corres- por ações éticas e coordenadas a pondem a cerca de quatro contínua premissa que originou a milhões de habitantes – a Associa- instituição: validar os discursos e ção Regional de Habitação é reco- proposições, comprovando a imnhecida pela comunidade, que faz portância estratégica, resultante do da entidade um órgão representa- trabalho da equipe. tivo em diversos grupos e comis- A associação reúne as empresas e sões ante as prefeituras e demais fornecedores de produtos e serviços na área imobiliária e de consórgãos públicos. Francisco explica que os valores trução civil. estão baseados no bem comum e “Sabemos da seriedade do comno compromisso com os associa- promisso que assumimos, afinal, representamos dos - que, por sua construtoras, imovez, buscam a coe‘O PROPÓSITO biliárias, adminisrente atenção e resCENTRAL DA HAtradoras de condopeito às pessoas que BICAMP ESTÁ EM mínios, loteadores, atendem. “Essa inASSESSORAR COM incorporadoras e tegração com o exeANÁLISES, INTERcondomínios de cutivo e legislativo VENÇÕES E TRANCampinas e região. propicia, atualmenCom isso, nos sente, uma relevante SAÇÕES EFICAZES timos compromeinfluência para o ÀS DEMANDAS tidos com a vida setor imobiliário EMPRESARIAIS E políticosocial da e de habitação, SOCIAIS, NUMA cidade e dos muniquando se refere às POSTURA MODERcípios vizinhos. As normas, planejaNA E DINÂMICA” transformações que mento e soluções a história política urbanas. Por isso, o propósito central da Habicamp recente da cidade de Campinas está em assessorar com análises, in- ilustra muito bem a nossa atuatervenções e transações eficazes às ção. Combatemos publicamente, demandas empresariais e sociais, inclusive na imprensa, o que julnuma postura moderna e dinâmi- gamos correto e honesto”, destaca ca” diz o presidente. Deste modo, Francisco.

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ESPECIALHABICAMP

SOLIDIFICANDO CONQUISTAS E AMPLIANDO A CASA...PARA AQUECER A ECONOMIA

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FOTOS: ARQUIVO HABICAMP

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divisão de setores internos específicos para o Eco Urbanismo, será um ícone no na Habicamp tem por intenção oti- modelo de Políticas Empresarial em Govermizar e qualificar os balanços e pon- nança Corporativa Setorial”, explica Silva. derações da associação. Assim, no transcorrer Considerando, ainda, as significativas mudos anos, nomeações foram realizadas a fim danças que ocorrem nos setor, Carlos Alede agregar informações de especialistas e pro- xandre destaca que a ênfase da Habicamp fissionais que lidam diretamente com situa- quanto ao futuro próximo que surge com a ções sobre construção civil, habitação, enge- preocupação verde e está, também, vinculanharia e urbanismo. Francisco pondera que da com saneamento e sustentabilidade. “O devido as frequentes consultas saneamento traz a infraestrupara auxílio na elaboração de tura e tecnologias necessárias AÇÕES CONJUNTAS projetos ou resolução de proà garantia de sistemas, como E TÁTICAS FAZEM blemas sociais, tornara-se prucontrole no tratamento da OS DEPARTAMENdente representar e auxiliar as água, na democratização da TOS DIALOGAREM administrações municipais da saúde pública e qualidade de PARA PLANEJAREM região, seus associados e a sovida de todo ecossistema, e ciedade civil, com excelência, AS PRÓXIMAS DECIna recuperação ambiental de SÕES DA ASSOCIAqualidade e a maior precisão nosso bem mais precioso: os ÇÃO E LEVAREM-NA possível. rios” pontua. A ACOMPANHAR AS Diante das novas necessidades Ações conjuntas e táticas faNOVAS DEMANDAS a serem pensadas está a sustenzem os departamentos dialotabilidade e, nesta conjuntura, DO MERCADO E DA garem para planejarem as próCOMUNIDADE. a instituição vem aumentando ximas decisões da associação e sua incumbência e participalevarem-na a acompanhar as ção com as atividades do Dinovas demandas do mercado retor de Meio Ambiente e Desenvolvimen- e da comunidade. to Sustentável, Carlos Alexandre Silva. O “Conhecimento é o que nos confere credibidepartamento coordena ações focadas nesta lidade e, para a Habicamp contribuir sempre pauta. “Estamos adotando uma política de como fonte especializada, preparada para tragovernança corporativa, para que o mercado tar de assuntos complexos para o progresso realinhe sua conduta e os critérios, para efe- das cidades, é que continuaremos trabalhantivamente empreendermos Planos e Projetos do por mais vinte e cinco, trinta, cinquenEcológicos. Na semana do Meio Ambiente, ta anos com o mesmo empenho”, sintetiza lançaremos um Programa de Certificação Lima Filho.


ELEITOS PARA FAZER A DIFERENÇA CONHEÇA OS EX-GESTORES QUE PRESIDIRAM A ENTIDADE E O ATUAL PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO REGIONAL DE CAMPINAS.

Eduardo Homem de Melo 1987/1988

Carlos Francisco Valverde 1989/1990 1991/1992

Reinaldo Valbert 2001/2002 2003/2004

Antonio Serra 1993/1994 1995/1996

Sinval Roberto Dorigon 2005/2006 2007/2008

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Márcio Barbado 1997/1998 1999/2000

Francisco de Oliveira Lima Filho 2009/2010 2011/2012 2013/2014

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ESPECIALHABICAMP LINHA DO TEMPO ALGUNS DESTAQUES DA ATUAÇÃO DA HABICAMP EM 27 ANOS DE HISTÓRIA

1986 No dia 2 de dezembro, a Habicamp é fundada na Sociedade Hípica de Campinas, com trinta associados – hoje, a associação conta com mais de 145 empresas integrantes. Presidida por Eduardo Homem de Melo, teve como um dos principais organizadores da iniciativa, Carlos Francisco Valverde.

1986

1988 Habicamp participa de reunião latino-americana promovida pela Fiabci em Bogotá. O encontro discute a questão dos investimentos de capital estrangeiro. Em 88, preocupada com os déficits habitacionais crescentes na região, a associação apresenta propostas de intervenção para o setor e, analisa aspectos sociais e econômicos que apresenta a administração pública.

1987

1988

1987 A instituição estabelece os prêmios Patrono Habicamp e Medalha Habicamp. No mesmo ano se filia a Federação Internacional de Agentes Imobiliários (Fiabci) e defende a criação de um Ministério da Habitação. Com a proposta, encaminha à Constituinte emendas para reestruturar a gestão do setor habitacional, centralizando as estratégias políticas num órgão.

1989 / 90 1989/90 Entre os anos 89 e 90, estudos para elaboração do Plano Diretor do projeto de zoneamento de Campinas é elaborado com a participação efetiva da equipe da entidade. Participa da criação da Comissão Latino-Americana junto com a Fiabci; propõe o Conselho da Habitação para elaboração do Plano Diretor e, integra a Comissão de Estudos do Código de Obras e Li de uso e Parcelamento do Solo – Zoneamento de Campinas. No período é reconhecida como órgão de Utilidade Pública, após sua atuação cada vez mais efetiva e eficiente nas avaliações e decisões pertinentes.

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1991/92 Membros do órgão representam associados e a sociedade civil ao participar da criação do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU) e da Nova Lei do Inquilinato. Inova, ainda, ao desenvolver cursos para qualificar zeladores.

1991 / 92

1993

1993 Um dos mais completos índices para mensurar a atividade imobiliária é desenvolvido e apresentando pela Habicamp. Ela também debate a revisão Constitucional, sugerindo temas e alterações de textos – além de propor, no âmbito municipal, a simplificação para aprovação de projetos de construções. Em 93, contribui na elaboração do Plano ‘Minha Casa’ lançado pela prefeitura junto a Cohab; participa do Encontro Imobiliário do Mercosul na cidade de Punta Del Leste, bem como, do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas.


ASSOCIAÇÃO REGIONAL DA HABITAÇÃO

1994

1995 / 96 1995/96 Numa ação inédita apresenta o Mapa de Valores para Campinas. Orienta sobre a Medida Provisória da Desindexação e analisa as influências positivas do Plano Real. Lança o Curso-seminário Internacional de Gerente de Cidade e representa o setor brasileiro em Paris, onde participa do 46º Congresso Mundial da Fiabaci.

2009 Envolvendo-se com o domínio acadêmico – atenta à necessidade de profissionais preparados para as demandas do mercado – integra a Semana Tecnológica da Metrocamp (instituição de ensino superiro) palestrando através do presidente, Francisco de Oliveira Lima Filho, sobre Sustentabilidade na Construção Civil. Em 2009, debate as primeiras ações para o chamado “PAC da Habitação”, conduzida pela prefeitura.

2009

2010 2010 Promove junto à Unicamp a Primeira Edição da HABITA RMC 2010 – Feira da Construção Civil e Negócios Imobiliários, que reuniu profissionais destas áreas, e estimulou o debate técnico sobre temas relacionados na Região Metropolitana de Campinas. Organiza o Curso para Porteiro e Zelador.

2011 Habicamp reformula o conceito de salão imobiliário e executa o projeto do Primeiro Salão do Imóvel de Campinas.

2011

2012

2012 Ação visionária: a Associação Regional de Habitação firma parceria com empresários e especialistas de segmentos vinculados às causas ambientais e construção civil para desenvolver o projeto estratégico de investimentos em mudanças para modernizar a Secretaria de Meio Ambiente do município, extinguindo deficiências e propiciando agilidade na aprovação de projetos - ao desburocratizar e digitalizar o processo.

FOTOS: ARQUIVO HABICAMP

1994 A entidade atrai investidores chineses para visitarem Campinas e os aproxima em reunião com a prefeitura. Por meio de sua intervenção, simplifica procedimentos na Sanasa; realiza a primeira pesquisa sobre o mercado imobiliário da cidade; participa da aprovação dos Fundos de Investimentos Imobiliários e do Congresso Mundial da Fiabci em Chicago.

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CIDADES INTELIGENTES

FOTO: DECOM.IMPRENSA

DO CONCEITO ÀS RUAS E RESIDÊNCIAS

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CIDADESINTELIGENTES

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FOTO: DIVULGAÇÃO

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uando se assiste filmes sobre bicas, o que resultou em projetos de 2020, 2050 e outras datas escala local, com a promoção de befuturas, convence-se de que nefícios relevantes a seus cidadãos. a simbiose de interações entre os âm- Os dispositivos fazem parte dos parâbitos políticos, arquitetônicos e edu- metros políticos, preconizados na Lei cacionais deve conduzir a uma visão 10.257/01. “A regra de ouro está em integral de relações. Campinas, com entender o inter-relacionamento de a nova gestão pública, se prepara para diferentes mecanismos da gestão púum planejamento condizente com blica, de modo a estabelecer processos as atuais expectativas dos cidadãos, adequados à intervenção urbana. O principalmente quanto à construção uso isolado desses meios não produz coletiva de modelos sustentáveis, ca- resultados efetivos e, muitas vezes, pazes de responder reverte a solução proaos principais quesposta, a ponto de amtionamentos levantapliar os problemas”, OS CRITÉRIOS DE dos por universidaressalta. des, empreendedores ABORDAGEM REGIOe representações do NAL DEVEM INCLUIR, Terceiro Setor. APERFEIÇOAR ENTRE OS VÁRIOS E GERIR ITENS REQUISITAAo se levar em conta DOS, O CONTROLE NA CORRIDA PEo papel do Plano DiDO PROCESSO DE LOS MODELOS retor, no que tange EXPANSÃO, O IMPEINTERNACIOao cumprimento de DIMENTO À OCUNAIS agendas específicas Segundo o especiarelacionadas à dinâPAÇÃO DE RISCO, E lista em Eco Urbamica da qualidade A ESTRUTURAÇÃO nismo, conselheiGRADATIVA DA POLÍ- de vida quanto aos ro (CONDEMA, hábitos de moradia, TICA FUNDIÁRIA. CONCIDADES, fica evidente as funARES PCJ) vice-preções da capacitação e sidente do Meio Amdo oferecimento de biente e Desenvolvimento Sustentável condições para o amadurecimento de da Habicamp, Carlos Alexandre Silva, conceitos como a propriedade e cidao planejamento urbano da RMC deve de. Os critérios de abordagem regiose fundamentar em instrumentos de nal devem incluir, entre os vários itens gestão municipal para questões regio- requisitados, o controle do processo nais, tais como os de cidades como de expansão, o impedimento à ocupaBogotá, Curitiba e Londres, onde o ção de risco, e a estruturação gradatidesenho foi guiado por políticas pú- va da política fundiária. Para garantir


PARTICIPANTE DA ARENA DE DISCUSSÃO DA SUSTENTABILIDADE, CARLOS SILVA MANTÉM A CONVICÇÃO DE QUE A MUDANÇA DEMANDA UM ESFORÇO COLETIVO PUJANTE ENTRE OS DIFERENTES ATORES. o estabelecimento de uma condição ENFRENTAR OS ENTRAVES equilibrada de definição de espaços, a Entre os problemas gerados ao longo estratégia de proteção dos princípios dos anos em Campinas, estão as adide relevância ambiental precisa ser ções sucessivas de edifícios ou pequesomada à ocupação de áreas com in- nos conjuntos às margens ou vazios fraestrutura e equipamentos públicos. dos núcleos existentes; reforço, por Ao se endossar um Conselho de repre- alargamento, das estruturas axiais: sentantes entre as cidades associadas, surgimento de novas frentes, em que com uma participação democrática dominam loteamentos de grande di(proprietários, moradores, usuários mensão. Trata-se do resultado de um permanentes e investidores privados), panorama difuso e dominante da são instauradas as metas de melhorias malha residencial. A fragmentação se sociais, valorização limita tão somente ambiental, fluxos espelas fortes desconQUANTO ÀS CHAMA- tinuidades, reservas truturais e urbanísDAS ÂNCORAS DE ticos. Com a ação, o agrícolas, ecológicas, ESTRUTURAÇÃO DA potencial dos limítroáreas florestais. Em fes é observado sob a resposta ao quadro, URBANIZAÇÃO DIperspectiva dos inteFUSA, A ESTRATÉGIA faz-se oportuna uma grantes conurbados, análise dos “Núcleos DE INTERVENÇÃO de modo a gerar rede Condensação UrDEVE REFORÇAR A sultados significativos bana”, em que serão QUALIDADE DAS para os atores (muniexpostos os eixos com FUNÇÕES (COMÉRcipais, institucionais, importância funciocomunidade e inicianal e em concordânCIO, SERVIÇOS, tiva privada), defende EQUIPAMENTOS PÚ- cia com a perspectiva o pesquisador. BLICOS, ENQUANTO de mobilidade (vias Entre as prioridades, rodoviárias e estaCOMBINAÇÕES POestá a discussão sobre ções ferroviárias, em os caminhos das in- LÍTICAS DE CARÁTER atenção às densificaINTENSIVO). tervenções objetivações mais evidentes). das, com a apresentaQuanto às chamadas ção das diretrizes para a efetivação da âncoras de estruturação da urbanizaoperação consorciada. A pretensão é ção difusa, a estratégia de intervenção se fixar em favor do acompanhamento deve reforçar a qualidade das funções de índices, particularidades de parce- (comércio, serviços, equipamentos las, uso do solo, condições edílicas, públicos, enquanto combinações poregulamentação e legalização de imó- líticas de caráter intensivo). Nas junveis em desacordo com a legislação ções extensivas, destacam-se a dotação vigente. de infraestrutura de saneamento, a

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CIDADESINTELIGENTES

EUROPA EM SALIÊNCIA - A POTSDAMER PLATZ, DELINEADA COMO PRAÇA E INTERSECÇÃO DE TRÁFEGO, EM PROXIMIDADE COM O PORTÃO DE BRANDEMBURGO E DO REICHSTAG (A SEDE DO SENADO ALEMÃO), É UMA REFERÊNCIA AO PONTO QUE CIRCUNDAVA A MURALHA DA CIDADE DE BERLIM, NO PORTÃO DE POTSDAM.

proteção de espaços agrícolas e florestais, a base ecológica, de modo a explicitar as linhas de força herdadas pelas dinâmicas de urbanização pré-existentes. NOVAS JUNÇÕES DEMOGRÁFICAS Com a constante mimetização do processo, transforma-se o caos em caminho, direção e objetivo. A natureza impulsiona ao progresso, porém, com essa contingência, torna-se passível de se esbarrar em exageros e equívocos. O propósito de relevância social, ao levar em consideração a maximização de vetores da ergonomia e do com-

portamento, busca fazer da experiência um plano de redirecionameno das ações humanas, com uma atenção peculiar quanto à ocupação do espaço. Enquanto recusa aos bloqueios deixados pelos resquícios das administrações públicas anteriores, as mudanças devem incluir o fortalecimento do processo eleitoral, em atenção às complexidades que se fazem urgentes, no que diz respeito à promoção da governabilidade plena. MEDIAÇÃO QUE PRODUZ DIFERENÇAS A Habicamp, ao reunir instâncias socioambientais e econômicas, difunde a visão estratégica do conjunto de de-

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liberações das representações setoriais. “A magia do arquitetar não se concentra somente em criação de novos paradigmas, desenvolvimento de inovações, mas, também, na promoção da integração plena. Os núcleos comunitários precisam estar em consonância com o contexto do espaço, de modo a permitirem a faculdade natural do princípio de trânsito, em que se move com leveza e liberdade”, explica o pesquisador. O objetivo se traduz pelo estímulo aos campos de tecnologia, governança corporativa empresarial e compartilhamento de conhecimento. A atuação institucional se expressa em convênios públicos e privados, em favor da resolução das etapas, inerentes à efetivação de contratos.


PAISAGEM COSMOPOLITA - EM CANARY WHARF, HÁ UMA ESTRUTURA ÍMPAR DE EDIFÍCIOS COMERCIAIS, QUE INCLUI ONE CANADA SQUARE, 8 CANADA SQUARE E CITIGROUP CENTRE, OS TRÊS MAIORES DA INGLATERRA. ENTRE OS SÉCULOS 19 E 20, O LOCAL PROTAGONIZOU UM DOS PORTOS MAIS IMPONENTES DO MUNDO, COM O MARCO DE MAIS DE 50 MIL VAGAS DE EMPREGO.

TECNOLOGIA EM MUTAÇÃO COM O DESENHO As ferramentas para estruturar condições bioclimáticas (com técnicas de cálculo baseadas na insolação incidente das edificações), os sistemas de inteligência informatizados (controlam iluminação, refrigeração, calefação), e os telhados verdes têm sido aplicados e monitorados por instiuições como USP, FGV e Unicamp. “Hoje, as certificações LEAD e Aqua já estão inseridas desde o projeto como processo da gestão ambiental de empreendimentos. Tecnologias de eficiência energética transitam desde modelos vernaculares até aos mais avançados sistemas de painéis fotovoltáicos e eólicos”, salienta.

FAZER VALER A GESTÃO DE CONFLITOS Enquanto fuga à polarização recorrente, que valoriza apenas os aspectos ideológicos e partidários, o que se configura como oportuno é o fortalecimento da credibilidade do gestor público, motivado pela valorização das linhas de trabalhos em curso. “Antes de mais nada e urgentemente efetivar as ações para se discutir e promover a reelaboração e atualização do Plano Diretor de Campinas, conclusão de consenso pelos membros do GT instituído por Decreto Municipal Nº 17.890 DE 28 DE FEVEREIRO DE 2013, o ‘Grupo de Trabalho Revisor da Legislação Urbanística, Edilícia e de Uso e Ocupação do Solo e

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de Parcelamento do Solo’, cujos trabalhos abrangerão, inclusive, a revisão da legislação correlata e conexa, especialmente a Lei nº 6.031, de 28 de dezembro de 1988, e cujo Relatório Final, será compartilhado e discutido democraticamente pelos Conselhos Municipais correlatos e Audiência Pública, de modo a garantir a participação de toda sociedade nesse processo preliminar ao PD-Plano Diretor”, enfatiza. RESULTADOS CORROBORAM A EFICIÊNCIA A revitalização do Parque Dom Pedro II, na capital paulista, que prevê diretrizes para a reocupação do local,


com investimento de R$1,5 bilhão, se mostra como singular, entre os planos urbanísticos em implantação. Elaborado pela Fundação para a Pesquisa em Arquitetura e Ambiente (FUPAM), ligada à Universidade de São Paulo (USP), o complexo vai ao encontro da permanência digna e agradável no centro: possibilidades de lazer aquático, ginásio esportivo e teatro para 500 pessoas. Todo o entulho da demolição dos antigos prédios é aproveitado em obras de vias públicas. “Algumas das melhorias propostas incluem mudanças no sistema viário, um terminal intermodal, unidades do Senac e Sesc, um novo centro de compras, mais vagas de estacionamento e obras de drenagem. Dividido em setores (norte, sul, leste e oeste), o espaço terá diferentes usos e ações de curto, médio e longo prazo. As primeiras obras começaram em setembro de 2010, com a demolição dos edifícios São Vito e Mercúrio e de outras 33 pequenas edificações do entorno”, comenta. CONHECIMENTO INSERIDO NA CULTURA Os valores precisam ser incorporados à dinâmica, com a finalidade de transformar crises em soluções em diferentes modalidades. Exemplos instigantes inspiram as ações: o famoso distrito de escritórios na zona Canary Wharf, em Londres, e o Potsdamer Platz, em Berlim. Entre os desenhos deslumbrantes, aparecem fabulações em torno dos famosos cafés de Paris (com o histórico artístico e cultural de Campinas), a criação de charmosos e

virtuosos calçadões, e a interação com o rico patrimônio arqueológico do entorno. Com a geração de novas estéticas locais, consequentemente, haverá uma atração progressiva de novos investidores para a cidade. O turismo deve catalisar o patrimônio cultural do legado do maestro Carlos Gomes, o esplendor da arquitetura das catedrais, e os laboratórios e grupos de pesquisa das universidades. Para favorecer a visibilidade, os atores devem exigir a transparência pública, em atenção à certificação dos empreendimentos imobiliários e à publicação de indicadores ambientais condizentes com as atuais demandas. Enquanto plataforma da economia verde, Campinas deve incentivar a sustentabilidade no manejo de resíduos, e a otimização de matriz energética e de água. O Centro de Convivência Cultural se apresenta como um nicho de relevância social, em decorrência da catalisação de um processo de revitalização ímpar para o centro de Campinas. A medida abrange cenários de cultura, mobilidade urbana, readequação ambiental, educação e poder participativo.

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CIDADESINTELIGENTES

PRODUZIR DIFERENÇAS E SENSAÇÕES COM O CONCURSO PÚBLICO NACIONAL DE ARQUITETURA E URBANISMO, O RENOVA SP SE CARACTERIZA COMO UM APORTE DE SINGULARIDADE REFERENDADO EM TODO O PAÍS, EM DECORRÊNCIA DE UMA DINÂMICA MEDIAÇÃO COM PROFISSIONAIS DO SEGMENTO, COM A FINALIDADE DE CONSOLIDAR A CONTRATAÇÃO DE PLANTAS PARA 22 PERÍMETROS DE AÇÃO INTEGRADA PARA A CAPITAL PAULISTA. OS INSCRITOS SE RELACIONAM COM PROBLEMÁTICAS DE ÁREAS DE RISCO, INFRAESTRUTURA, DRENAGEM, EQUIPAMENTOS PÚBLICOS, UNIDADES HABITACIONAIS. A MEDIDA CENTRAL É PROPICIAR O APARECIMENTO DE NOVOS BAIRROS, AMPARADOS PELO DEBATE TÉCNICO E ACADÊMICO SOBRE AS NOVAS MANEIRAS DE DESCONSTRUIR PARADIGMAS E CRIAR CONCEITOS. RENOVASP.HABISP.INF.BR

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“O BRASIL É UMA PROMESSA QUE JÁ VIROU REALIDADE”

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FERNANDO GARNERO [ELES NASCERAM PARA O SUCESSO OU FIZERAM QUE O SUCESSO NASCESSE DELES? QUAIS SÃOS AS HISTÓRIAS E FILOSOFIAS DE VIDA DOS MAIORES EMPRESÁRIOS DO PAÍS? – MUITOS DOS QUAIS ESTÃO NO ESTADO PAULISTA, NO INTERIOR CAMPINEIRO E REGIÃO METROPOLITANA. EXECUTIVOS QUE FIZERAM HISTÓRIA E AINDA AS ESCREVEM, QUE SE DESTACAM E INSTIGAM CURIOSIDADE QUANTO A QUEM SÃO; O QUE PENSAM; ONDE QUEREM CHEGAR E OS MITOS QUE CIRCUNDAM SUAS MENTES EMPREENDEDORAS, SÃO PERSONALIDADES CERTAMENTE APAIXONADAS PELO QUE FAZEM E DESALINHADAS AO SENSO COMUM].

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ongas caminhadas para refletir, taças de vinho para partilhar momentos especiais com os que ama. A simplicidade do tempo e as sutilezas das emoções desvelam o que é a rotina prazerosa para Fernando Garnero. Domingo é dia de compartilhar as conquistas diárias com a família, de preferência em meio à natureza. Colecionar, pesquisar, degustar nuances das diferentes composições e fermentações de uvas, em cálices de que amigos também participam, tem mais que aspecto poético: chega a transparecer uma ponderada contradição de um homem que nas relações pessoais se satisfaz com a tímida, contida e silenciosa expressão das ‘palavras não ditas’, da companhia e naturalidade; mas, no que se refere à realização profissional, ‘inquietude’, talvez, traduza sua coragem, ousadia e criatividade. Para ele, o momento mais gratificante de sua carreira é sempre aquele por vir: “O melhor está sempre à frente, no horizonte. Só pensando assim continuamos nessa caminhada, trabalhando a passos largos”. O empresário Fernando Garnero comanda junto com seu pai, Mario Garnero, e os irmãos, o Brasilinvest - um importante banco nacional de negócios, especializado em assessorar o mundo corporativo e investidores internacionais na implantação, associação ou aquisição de ativos, o grupo já estruturou no país, mercados de US$ 7 bilhões. Atualmente, a empresa se destaca no mercado imobiliário. No setor, conta atualmente com mais de 20 milhões de metros quadrados de “landbank” distribuídos entre São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Norte e Minas Gerais.

Suas trajetórias pessoal e profissional fundem-se devido ao legado que seu pai ainda solidifica na convivência. Mario Garnero mostrou-lhe desde os 16 anos que os alicerces para a satisfação em casa e no trabalho misturam-se com os valores da família, dos gestos e ideias de tudo que traz realização por meio do que é digno. “A história do Brasilinvest se confunde com a história de minha família e meu pai. Nossa companhia nasceu da necessidade do Brasil – especialmente no setor produtivo – de se posicionar com mais competitividade nos mercados globais. Fomos pioneiros nisto”, conta Fernando. Responsável por trazer ao Brasil empresas como a Volkswagen, Peugeot e Moet & Chandon, o conglomerado familiar é também acionista dos Grupos Klabin e Ultra. Atualmente, além de presidir o Brasilinvest, Fernando discorre e palestra sobre sustentabilidade no Brasil e no mundo. É reconhecido, também, como liderança política na região de Campinas. Paralela a sua enfática percepção de que a ‘coragem’ é uma das qualidades mais indispensáveis para um empreendedor – “tanto para saber seguir em frente, quanto para saber quando é preciso dar um passo para trás”, conforme pontua – o executivo com longínqua experiência profissional e que demonstra muita disposição e sinergia com seu trabalho, esclarece que isso só é possível quando se percebe o real significado deste esforço. E conclui: “O trabalho só faz sentido se for para trazer a felicidade às pessoas que você ama. Eu tive muita sorte na vida por fazer parte de uma família incrível. E trabalho muito para essa sorte não me abandonar”.

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BATE-PAPO - PENSAMEN O PROFISSIONAL FERNANDO GARNERO POR FERNANDO. Acho que eu sou um homem prático. Minha função é trabalhar, resolver e construir. Tenho que saber rapidamente como delegar funções e os caminhos para conseguir os melhores resultados da melhor forma possível. Numa função como essa não me cabe ser emotivo. CONHECIMENTO É... Tudo. É a razão para todas as conquistas que tive, não só o conhecimento acadêmico, mas conhecimento da vida, visão de mundo, experiência, entender os outros. Educação e conhecimento são pressupostos da dignidade. INSPIRAÇÃO. O que me inspira são os ensinamentos de Jesus, nossa maior referência moral e espiritual. Mas admiro aqueles que trabalham pelo bem, pela sociedade e pela natureza. SUCESSO; SINÔNIMO DE: Trabalho. Ainda não conheci uma pessoa de sucesso que não se empenhado no labor. Trabalhar é deslocar realidades, é construir. E, o maior sucesso de todos, é compartilhar a alegria e os desafios do trabalho com o amor da família. SE MUDASSE DE PROFIS-


NTOS, CONCEITOS E ASPIRAÇÕES DE UM EXECUTIVO DE SUCESSO SÃO, O QUE FARIA? Seria jardineiro. Estudaria muito e trabalharia pesado com vistas a ser um paisagista. Amo a arquitetura e as linhas artísticas da natureza. O MAIOR ERRO DE UM EMPRESÁRIO: É a falta de informação. Não dá para trabalhar no escuro, com suposições. Não se lidera sem informações. Não se toma decisões com ignorância. É o princípio mais simples para o mundo empresarial. Você não fecha um negócio dizendo “eu acho”. Você fecha um negócio quando prova que sabe. DESISTIR SIGNIFICA... Fracassar. Mas também acho que há

que se pesar sobre ‘como’ e ‘porque’ desistir. Se me convidassem para treinar malabarismo, por exemplo, eu poderia até tentar, de teimoso. Mas eu não nasci para isso, não tenho essa aptidão. Nunca tentei, mas acho que desistiria nos primeiros dez minutos. Esse tipo de desistência não é fracasso, é autoconhecimento. Então se o sujeito tem certeza que está fazendo a coisa errada, tem mais é que desistir. Agora, desistir de se fazer o que gosta, é outro papo, e isso não é admissível. LIVRO DE CABECEIRA E FILME PREDILETO: A Bíblia Sagrada é meu livro de cabeceira. Filme: “Encontro Marcado”. Gosto da tensão dramática que se es-

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tabelece entre o amor de pai, de filha e o plano espiritual. É uma lição com grande sensibilidade. FRASE QUE O MOTIVA! “Só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar, construir” Abraham Lincoln. CONSELHO DE SABEDORIA. Duvide mais. As respostas não existem sem perguntas. Com o advento da Internet, as pessoas começaram a ter uma atitude mais comodista com as informações que recebem. A primeira que chega é a que vale. Mas, será que é mesmo? Vale a pena questionar. Só quem duvida primeiro pode depois trabalhar com certeza.


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DARDOS AOS INVESTIMENTOS HABITACIONAIS PODERES PÚBLICO E PRIVADO RECONFIGURAM CENÁRIOS PARA DECISÕES DA CONSTRUÇÃO CIVIL, COM ABERTURA PROGRESSIVA PARA PARTICIPAÇÃO DAS FRENTES ENVOLVIDAS EM DIFERENTES QUESTÕES

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ovas linhas de ação para o investidor e diferentes estruturas organizacionais surgem a partir de demandas que inexistiam, baseadas no aparecimento de objetivos postos sob os critérios de negociações em que os agentes compõem com seus interesses socioeconômicos, uma disputa pela decisão mais coerente, à frente das premissas mais esperadas. Para compreender algumas propostas e acontecimentos que têm impactado

alguns fatos, entre as pautas em discussão sobre o mercado, revelam as expectativas e projeções futuras para o setor. LOCAÇÃO IMOBILIÁRIA Neste contexto e entre o fluxo das contrapartidas das novas maneiras de gerir, empreender e adequar políticas institucionais ou governamentais, o Senado, através da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) analisa a

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viabilidade de deliberar as despesas de aluguéis e financiamentos habitacionais, de modo a serem deduzidas do Imposto de Renda (IR). O relator, senador José Agripino (DEM-RN), considera que os novos rumos, apresentados com a medida, estão em consonância com as necessidades do cidadão de menor renda, o que estimula, como consequência, a compra e a venda de imóveis. Com o projeto em tramitação, o texto


POLÍTICASHABITACIONAIS

QUEDA DE JUROS EM TRANSAÇÕES

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taxa de juros dos contratos de crédito à habitação registrou queda no semestre, com 1,431%, em maio, no comparativo com abril. O balanço aponta a redução das parcelas em valor médio de 259 euros, conforme o Instituto Nacional de Estatística (INE). A mudança, registrada no conjunto de interações, ficou em 0,011 pontos percentuais, com relação a maio e abril (fixação em 1,431% no nível mais baixo da série, que começou em janeiro de 2009). Em abril, a taxa de juros havia identificado uma diminuição em 0,006 pontos percentuais, ante o mês de fevereiro. Quanto ao montante de contratos dos últimos três meses, a taxa de juros ficou em 3,169%, mais 0,019 pontos percentuais. www.ine.pt e www.ibge.gov.br

foi referendado como constitucionalmente aceito, pelos senadores, e deve conduzir as expectativas, com base nos respectivos méritos de avaliação de modo terminativo. Na prática, a orientação se concentra em beneficiar os locatários, com a finalidade de subtrair, segundo critérios de proporcionalidade, parte do IR. Aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o pleito inclui os casos de quem parcelou o montante da casa própria, com gastos de até R$20 mil por ano. O combate à sonegação fiscal e a transparência nas transações estão entre os fatores positivos. Tanto o locador quanto o locatário terão que revisar os modos de agir, para atender aos quesitos. A inibição da geração de ‘contratos de gaveta’ é uma das motivações da nova configuração política. CRÉDITO COMO ESTÍMULO À CONSTRUÇÃO CIVIL De acordo com o IBGE, a construção civil teve ascensão significativa, acima da previsão do PIB. A ampliação chegou a 4,5 em 2011, projetada a partir de determinantes inerentes ao próprio segmento. Com a maior oferta de crédito direcionado à atividade, que atingiu o montante de R$79,9 bilhões, aumento de 42,2% em comparação a 2010, o panorama se mostra otimista para as iniciativas do mercado específico. Em 2003, o financiamento, engendrado por recursos da poupança, culminou em R$2,2 bilhões. Os campos de atuação da economia dirigida ao setor têm demonstrado saídas contundentes, diante de inúmeras adversidades que surgiram ao longo dos últimos cinco anos, como no

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caso da crise internacional, que teve um impacto significativo nas operações imobiliárias. Ao se analisar a historicidade dos eventos, nota-se que o crescimento da economia brasileira foi menor em 2011 (2,7%) do que em 2010 (7,5%). Com a redução das forças econômicas do país em 2009, constatou-se uma necessidade de agir com veemência, enquanto estratégia de recuperação, o que possibilitou uma nova organização da conjuntura. Por outro lado, as apostas de aplicação de estratégias assertivas se confirmam em uma série de previsões, como no caso das unidades financiadas, que cresceram de 36.480, em 2003, para 500 mil. De 2010 para 2011, o montante foi menor (mesmo assim, saltou de 421 para 492 mil). O valor financiado teve elevação de R$56,2 bilhões para quase R$80 bilhões. Através do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o consolidado de habitações adquiridas por parcelamento atingiu o marco de 477 mil, em 2011, um total de R$34,9 bilhões. O adicional constatado bateu o patamar de 27,9%, ante 2010. As aplicações, possibilitadas pelos substratos do FGTS, se centralizam não somente nas unidades habitacionais, mas, também, em outros níveis de atuação, como obras urbanas, reformas e saneamento. Através da análise do mercado, nota-se que, com a pujança de participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em políticas de infraestrutura, houve uma elevação de 7,1%, expansão de R$52,4 bilhões, em 2010, para R$56,1 bilhões, em 2011.



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