Especial 70 anos SPORL

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Jornal ORL A promover a Otorrinolaringologia desde Jornal ORL
ESPECIAL
1953 Número 30 jaNeiRO-abRiL 2023 www.sporl.pt www.justnews.pt Publicações
SPORL-CCP
70 Anos

JORNAL DISTRIBUÍDO AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DAS UNIDADES HOSPITALARES DO SNS.

PUBLICAÇÃO DE REFERÊNCIA NA ÁREA DOS CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS.

www.justnews.pt

2 ■ Hospital Público Novembro/Dezembro 2022
Publicações
4 DE MARÇO 2020 – O ENTÃO PRESIDENTE DO CA
VALORIZAR

VALORIZAR O SNS

12/22
Hospital Público ■ 3 Novembro/Dezembro 2022
DO CHUSJ, FERNANDO ARAÚJO, FOTOGRAFADO COM ELEMENTOS DA SUA EQUIPA, NO ÂMBITO DA ENTREVISTA AO HOSPITALPÚBLICO(FOTO JUSTNEWS).

06 Várias

08 O nascimento da SPORL

22 Tomada de posse de Ezequiel Barros

Presidente da SPORL

2016-2019

Lisboa, junho 2016

34 Tomada de posse de Jorge Spratley

Presidente da SPORL

2019-2022

Porto, junho 2019

46 Tomada de posse de J. Marques dos Santos

Presidente da SPORL

2022-2025

Viseu, maio 2022

O testemunho dos presidentes da SPORL

10 José Marques dos Santos

2022-2025

13 António Gameiro dos Santos

1978-1979 / 1980-1981

17 António A. Maia Gomes

2001-2004

21 António Diogo de Paiva

2004-2007

25 João Marta Pimentel

2007-2010

29 António Sousa Vieira 2010-2013

33 Carlos Ribeiro

2013-2016

41 Ezequiel Barros

2016-2019

45 Jorge Spratley 2019-2022

Discurso direto

11 Colégio da Especialidade de ORL da Ordem dos Médicos Miguel Torres Magalhães

14 Vogal do Conselho Fiscal da SPORL 2022-2025 Delfim Duarte

34 Associação Portuguesa de Otoneurologia Sandra Costa

43 Associação Portuguesa de Audiologistas Melissa Cravo

27 Ensino e Investigação João Paço

27 Cirurgia Plástica Facial Rui Xavier

34 Otologia Carla Pinto Moura

35 Rinologia e Base do Crânio João Pimentel

37 Ética e Exercício Profissional Artur Condé

39 Cirurgia da Cabeça e Pescoço

Jorge Miguéis

43 Internato de Formação Específica

Pedro Alexandre

Informação

15 Fernando Ferreira Pela inovação, pela tecnologia, junto dos Otorrinolaringologistas Eventos

12 61.º Congresso da SPORL-CCF

Lisboa, maio 2014

12 Reunião Núcleo do Norte Póvoa de Varzim, dezembro 2014

4 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos sumário
Notícias
As comissões científicas da SPORL 18 Laringologia e Voz Sara Viana Baptista 18 Roncopatia e SAOS Filipe Martins Freire 22 ORL Pediátrica Luísa Monteiro 23 Otoneurologia Leonel Luís

16 62.º Congresso da SPORL-CCF

8.º Cong. Luso-Brasileiro de ORL

IX Reunião Luso-Galaica de ORL

Porto, maio 2015

16 Reunião Núcleo do Sul

Sesimbra, novembro 2015

20 63.º Congresso da SPORL-CCF

XVI Congresso

Luso-Espanhol de ORL Coimbra, abril 2016

20 Reunião Núcleo do Centro

Viseu, dezembro 2016

24 64.º Congresso da SPORL-CCF

Viana do Castelo, maio 2017

24 Reunião Núcleo do Sul Évora, novembro 2017

26 Reunião do Interno de ORL 2014 Monte Real, outubro 2014

SPORL 1953-2023

26 Reunião do Interno de ORL 2017 Batalha, setembro 2017

28 65.º Congresso da SPORL-CCF Aveiro, maio 2018

28 Reunião Núcleo do Norte Braga, dezembro 2018

30 Jornadas de Otorrinolaringologia do Hospital Garcia de Horta

32 66.º Congresso da SPORL-CCP

X Congresso Luso-Brasileiro de ORL Peniche, maio 2019

32 Reunião do Núcleo Sul Reunião do Interno ORL 2019 Santarém, novembro 2019

36 67.º Congresso da SPORL-CCP Online, setembro 2020

36 Reunião do Núcleo Norte Reunião Interno ORL 2020 Online, 5 de dezembro 2020

38 Reuniões do Serviço de ORL de Vila Nova de Gaia / Espinho

40 68.º Congresso da SPORL-CCP

XVIII Congresso Luso-Espanhol de ORL Viseu, setembro 2021

40 Reunião do Núcleo Centro / Reunião Interno ORL 2021 Online, junho 2021

42 Jornadas de ORL do Hospital CUF Descobertas

44 69.º Congresso da SPORL-CCP Porto, maio 2022

44 Reunião do Núcleo Centro Reunião do Interno ORL 2022 Ílhavo, novembro 2022

Pretende-se com este Jornal ORL Especial 70 Anos SPORL-CCP assinalar uma data com muito significado na história da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço e dar uma ideia do que tem sido a sua atividade nos últimos anos. Ao longo das próximas páginas, publicam-se, nomeadamente, depoimentos de quem preside e já presidiu à SPORL, bem como dos presidentes de todas as suas comissões científicas.

Jornal ORL

Diretor: José Alberto Soares Redação: Miguel Anes Soares, Raquel Braz Oliveira Fotografia: Nuno

Branco Publicidade e Marketing: Ana Mota, Ana Paula Reis, Diogo Varela Diretor de Produção

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Publicações

COORDENAÇÃO

Sandra Alves

noticiassporl@gmail.com

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 5 SPORL-CCP 70 Anos sumário

AROund the nOSe cOm diSSecaçãO em cadáveR

A 5.ª edição do curso Around the Nose, que teve lugar em junho de 2018, em Braga, cumpriu a tradição e esgotou as inscrições. Esta formação hands-on, com dissecação em cadáver, visa três grandes áreas da ORL: Cirurgia Endoscópica Nasossinusal e da Base do Crânio, Rinosseptoplastia e Cirurgia do Sono. Os organizadores foram Fausto Fernandes e Francisco Moreira da Silva (foto em baixo).

jorge Spratley assumiu presidência da eSPO

Foi em junho de 2016, durante o 13.º Congresso da ESPO, que se realizou em Lisboa e registou 1600 inscritos de 60 países, que Jorge Spratley assumiu a presidência da Sociedade Europeia de Otorrinolaringologia Pediátrica. Na foto, com Luísa Monteiro, com quem partilhou a presidência do evento, e ainda John Russel, a quem o otorrino português sucedeu no cargo.

doenças da boca e das glândulas Salivares

Os otorrinos José Saraiva e Alberto Santos (na foto) foram dois dos coordenadores do livro que já estava concluído há um ano, mas cujo lançamento a pandemia adiou para maio de 2021. Textos de quatro dezenas de autores estendem-se ao longo dos 27 capítulos desta obra, que teve um terceiro coordenador: o estomatologista Francisco Salgado.

Um jORNaL dO cONgReSSO hiStóRicO

O 52.º Congresso da SPORL, que decorreu em Vilamoura, entre 14 e 17 de maio de 2005, foi o primeiro a ter um Jornal com distribuição aos participantes. A SPORL foi, aliás, uma das primeiríssimas entidades na área da Saúde a disponibilizar um produto com estas características nos seus congressos.

6 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos notícias

dissecção Nasossinusal no Laboratório de anatomia da FmUL

No âmbito do 65.º Congresso, a SPORL promoveu um workshop de Dissecção Nasossinusal, em maio de 2018, na FMUL. Os monitores foram Ezequiel Barros (na foto pequena), João Bacelar, João Subtil, João Pimentel e Pedro Cavilhas.

30 aNOS de hiStóRia da imPLaNtaçãO

cOcLeaR em cOimbRa

Em dezembro de 2015, realiza-se em Coimbra o V Congresso Internacional de Implante Coclear, sob o lema: “30 anos de história”, promovido pela UFIC - Unidade Funcional de Implantes Cocleares e Serviço de ORL do CHUC e pela ANIC - Associação Nacional de Implantes Cocleares. Participaram vários convidados estrangeiros, vindos da Holanda, Espanha, França, Polónia, Inglaterra, Alemanha... A foto junta o então coordenador da UFIC e presidente do Congresso, Carlos Ribeiro, e o então diretor do Serviço de ORL do CHUC e presidente de Honra do Congresso.

eSPci 2017 decORReU em LiSbOa

Realizando-se de dois em dois anos, foi em Lisboa que teve lugar, no final de maio de 2017, a 13.ª edição do European Symposium on Paediatric Cochlear Implantation (ESPCI). Na foto, João Paço com Carlos Ribeiro.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 7 SPORL-CCP 70 Anos notícias

O nascimento da SPORL

A história de uma Sociedade é também a história dos seus membros, a começar pelos seus fundadores. A história individual de cada membro contribui, para o bem e para o mal, para o coletivo de toda a Sociedade. Existe uma necessidade absoluta que os factos que ao longo dos anos foram ocorrendo fiquem escritos, ou então ficarão perdidos para sempre nas memórias individuais.

vai ter também o seu início na década de 50, quando, em 1957, C. Eyries resolve tentar um método utilizado por Djourno para excitar os nervos à distância, utilizando o método de estimulação no nervo coclear, e o doente pôde ouvir alguns sons.

É nesta década, em que os antibióticos já são de uso frequente, com um muito melhor controlo das infeções, e em que, um pouco por todo o mundo, as sociedades científicas se vão formando, que um grupo de otorrinolaringologistas se reuniu, por iniciativa de António Manuel da Costa Quinta.

Além de António Manuel da Costa Quinta, esse grupo integrava Abel Alves Valadares, Alberto Luís de Mendonça, António Dias Barata Salgueiro, Carlos Larroudé Gomes, Francisco Calheiros Lopes, Francisco da Silva Alves, Joaquim Prior, José António Campos Henriques e Luís Queriol Macieira.

biografia de alberto Luís de mendonça (1879-1963)

projeto

A década de 50 no Século XX pode ser considerada a década da Otologia. É no seu início, com Wullstein e Zollner, que pela primeira vez se começa a ser conservador nas cirurgias das otites médias crónicas. É Wulllstein que utiliza pela primeira vez o termo timpanoplastia e que se propõe substituir as clássicas cirurgias radicais por cirurgias funcionais.

No final da década de 50, John J. Shea vai ser o primeiro a praticar uma estapedectomia, utilizando veia para cobrir a janela oval e um piston de nylon para substituir o estribo, o que abriu as portas para a técnica atual.

A história dos implantes cocleares

Decidiram então convocar uma reunião geral de otorrinolaringologistas de todo o País, com o propósito de lançarem as bases para a criação de uma agremiação científica que adotaria o nome de Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Bronco-Esofagologia. Estes dez otorrinolaringologistas são os verdadeiros fundadores da Sociedade.

No dia 27 de janeiro de 1953, sob a presidência de Alberto Luís de Mendonça e tendo a secretariá-lo António Manuel da Costa Quinta, reuniram-se ou fizeram-se representar na sede da Ordem dos Médicos, em Lisboa, 33 otorrinolaringologistas. Foi posto à discussão um

O 1.º presidente da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Bronco-Esofagologia nasceu em Lisboa, em 1879, e formou-se pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1903. Em 1904 foi nomeado alferes médico do Quadro Permanente, após concurso. Em 1915, já capitão médico, fez parte da Expedição ao Sul de Angola e em 1917 foi incorporado no C.E.P. (Corpo Expedicionário Português), que participou em França na I Guerra Mundial. Desde 1911 que era diretor da Clínica de ORL do Hospital Militar Principal. Paralelamente à carreira militar, seguiu a carreira hospitalar nos Hospitais Civis de Lisboa, onde começou por ser cirurgião substituto do Banco em 1906, sendo nesse mesmo ano promovido a cirurgião efetivo. Em 1909, foi designado para visitar, em Comissão de Serviço, diversas clínicas de ORL no estrangeiro.

Ao ser criada oficialmente, em 1918, a especialidade de ORL nos Hospitais Civis de Lisboa, logo Alberto Luís Mendonça opta por

aprovado por unanimidade. Seguiu então para o ministro da Educação Nacional um requerimento assinado pelos 10 especialistas de quem tinha partido a iniciativa a pedir a aprovação dos estatutos, assim como a homologação da primeira Direção, que foi eleita em 17 de

ela, sendo-lhe entregue uma consulta no Hospital de S. José. Em 1929, foi finalmente nomeado diretor do Serviço de ORL, ficando colocado no Hospital de S. José, onde veio a desenvolver notável ação, tanto como assistente como na preparação de numerosos especialistas.

São de sua autoria importantes trabalhos de investigação e clínicos sobre o labirinto posterior, com base nos quais estabeleceu as normas para exames de pilotos aviadores. Tomou parte ativa em numerosos congressos internacionais e foi o delegado português na Societas ORL Latina. Faleceu em 1963.

1955, presidida por Alberto Luís de Mendonça.

Nota: Texto gentilmente cedido à SPORL pelo sócio João Clode e que resulta de extratos do seu livro A Otorrinolaringologia em Portugal, de 2010.

8 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos notícia
no dia 27 de janeiro de 1953 fizeram-se representar na sede da Ordem dos Médicos, em Lisboa, 33 otorrinolaringologistas.
de estatutos, tendo sido maio de 1953, para o biénio 1954-

josé marques dos Santos

Presidente da SPORL 2022-2025

Caros colegas,

A nossa Sociedade está de parabéns. Completa, este ano, o 70.º aniversário. Apesar da sua provecta idade, continua jovem, moderna e aglutinadora. Tem tido um trajeto repleto de sucessos e acredito num futuro auspicioso.

O que seria a Otorrinolaringologia Portuguesa sem a existência da nossa Sociedade? Todo o percurso de 70 anos foi no sentido de valorizar a especialidade, puxá-la para a vanguarda da tecnologia, divulgá-la entre nós e alémfronteiras, incentivando a melhor prática clínica. Sou, genuinamente, grato aos seus fundadores, que no ano de 1953 decidiram pela sua constituição. Sinto-me honrado pelo legado que nos deixaram e fico comovido por entre

A nossa Sociedade está de parabéns. Completa, este ano, o 70.º aniversário. Apesar da sua provecta idade, continua jovem, moderna e aglutinadora.

os que participaram na sua génese estar o meu mestre, a quem muito devo pela minha aprendizagem médica e até pessoal, o Dr. Fernando Nascimento Ferreira. Foi na verdade, uma equipa de otorrinos brilhantes que criou as raízes da atual SPORL-CCP.

Os meus sinceros agradecimentos às anteriores direções, que mantiveram o espírito da Sociedade e contribuíram para a engrandecer até aos nossos dias.

A SPORL-CCP, à semelhança das suas congéneres nacionais e internacionais, tem sido importante na evolução tecnológica e na modernização nas diversas áreas da especialidade.

A atividade da nossa Sociedade é muito diversificada. Ora vejamos: a realização dos congressos nacionais e com parceiros internacionais, a edição da revista da especialidade, para divulgação do que melhor se faz dentro e fora do país, o investimento na formação dos jovens especialistas, a criação de cursos “hands-on” para o treino cirúrgico, a realização de webinares e a edição de podcasts, a atribuição de bolsas para estágios dentro e fora do país e de prémios diversos, e tantas coisas mais. Almejamos uma visão de futuro, por isso, apostamos no apoio permanente do percurso profissional dos jovens especialistas e estamos sempre disponíveis para novos desafios. O passado da SPORL-CCP deve ser motivo de orgulho para todos os associados, o que aumenta a responsabilidade da atual Direção, da qual faço parte, mas também de todos os associados na participação das atividades da SPORL-CCP, vital para a dinâmica da Sociedade.

É agora possível CONSULTAR

em www.justnews.pt/agenda

Eventos relevantes, nacionais e internacionais, com interesse no âmbito da

SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
Parabéns à SPORL-CCP!
Otorrinolaringologia www.justnews.pt/eventos/otorrinolaringologia
Informação atualizada diariamente

colégio da especialidade de ORL da Ordem dos médicos

nológica providenciou melhorias na qualidade da nossa prática clínica, que os membros da Sociedade souberam, ao longo dos anos, partilhar em benefício dos doentes, consentâneas com a realização profissional de cada um.

A evolução da Medicina orienta-se cada vez mais para a especialização em áreas específicas do saber, fazendo com que se corra o risco de perder o sentido da globalidade, do qual a Humanidade precisa.

Ao comemorar os 70 anos da nossa Sociedade, temos de agradecer aos fundadores e a todos os sócios que se lhes juntaram ao longo dos anos e pensar no que pretendemos para a área do saber médico que representamos.

A evolução científica, técnica e tec-

Temos de saber enquadrar esta diferenciação no que projetamos de benefício para os doentes e nos interesses de cada um. A formação geral na área que a SPORL-CCP abarca é extensa e está entregue a organismos estatais e privados, sendo o Colégio da Especialidade da Ordem dos Médicos um parceiro na definição e

qualidade dos conteúdos curriculares, que garantem as boas práticas no desempenho da especialidade. Cada vez mais o volume de conhecimento exige a diferenciação em áreas específicas da nossa especialidade que muitas vezes interseta e se sobrepõe a outros grupos profissionais médicos, trazendo alguma indefinição e ruído à organização e dinâmica profissional. No futuro, temos de saber perpetuar o entusiasmo e empenho dos fundadores, no sentido de avançarmos na divulgação do conhecimento na nossa área de intervenção, priorizando a diferenciação, com o consequente aporte de qualidade na nossa atividade clínica. É da responsabilidade de todos a prática de uma Otorrinolaringologia que abarque as vertentes médica e

cirúrgica da cabeça e pescoço, única forma de mantermos a integridade e competência no serviço que prestamos aos doentes.

Não podemos ignorar que outras áreas da Medicina perseguem os mesmos objetivos, havendo toda a necessidade de alargamos a prática das nossas competências, baseadas numa diferenciação que nos credibilize e se traduza por um melhor serviço aos doentes que nos procuram. A prática médica de qualidade está relacionada com o conhecimento e não com qualquer título ou chavão apregoado, pelo que é fundamental que, aglutinados numa associação, como é a nossa Sociedade, saibamos aprofundar o saber científico e o calor das relações humanas, que são o cimento que consolida a nossa atividade.

SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
Cuidar da sua audição é cuidar de si. Ame os seus ouvidos
miguel torres magalhães Presidente

1 a 4 de maio 2014 | Lisboa

61.º congresso da SPORL-ccF

“É importante que os poderes públicos deem ouvidos aos otorrinos, para juntos encontrarmos formas de servir melhor as populações que nos estão confiadas”, afirmou Carlos Ribeiro, presidente da SPORL na sessão de abertura.

Cumprimentando Victor Gabão Veiga, presidente de Honra do Congresso, que foi secretário-geral da SPORL em dois mandatos, salientou as suas qualidades enquanto profissional e alguém “que dedica a sua vida aos doentes”.

Carlos Ribeiro agradeceu a presença de Luís Maria Gil-Carcedo, presidente da Sociedade Espanhola de Otorrinolaringologia e Patologia Cervico-Facial (SEORL) e de Pedro Tomé, presidente da Associação Portuguesa de Otoneurologia (APO). Fez ainda referência aos convidados estrangeiros, vindos

sobretudo de Espanha, Itália, Reino Unido e EUA.

Luis Maria Gil-Carcedo disse que a ORL portuguesa e a espanhola são equivalentes e que, na sua vertente clínica, é praticada ao mesmo nível dos melhores países europeus ou dos EUA.

6 e 7 de dezembro 2014 | Póvoa de Varzim

Reunião Núcleo do Norte

Promover a discussão de temas diferenciados de áreas que fazem fronteira com a especialidade de ORL, como Alergologia, Cirurgia Geral, Cirurgia Maxilofacial, Cirurgia Plástica Facial, Gastrenterologia, Neurologia, Neurocirurgia e Pneumologia, foi o grande objetivo da Reunião.

Organizada sob a coordenação de Cecília Almeida e Sousa, dire -

tora do Serviço de ORL do CHPorto, e Jorge Spratley, responsável pelo setor de ORL Pediátrica do Serviço de ORL do CH de São João, a Reunião foi subordinada ao tema “Fronteiras em ORL-CCF” e contou com cerca de 150 participantes.

Mary Es Beaver, de Houston (EUA), foi convidada para proferir duas conferências.

12 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos

antónio gameiro dos Santos

Presidente da SPORL

1978-1979 / 1980-1981

em várias reuniões da Sociedade e pensar na amplitude que tomou a Reunião do Interno. No ano passado, estive na Reunião do Núcleo do Centro da SPORL-CCP e Reunião Interno ORL 2022 e tive oportunidade de ver apresentações muito boas.

Com 88 anos de idade, eu sou, possivelmente, o mais velho presidente da SPORL-CCP vivo.

Em 1962, quando a ORL portuguesa estava nos primórdios, fui para o Serviço de ORL do Radcliffe Infirmary, em Oxford, Inglaterra, como bolseiro do então Instituto de Alta Cultura. Comecei pela cirurgia do ouvido, que, no nosso país, praticamente não era realizada, pelo que trouxe de lá uma preparação muito boa, que permitiu, com a ajuda de colegas, cimentá-la cá. Ajudei a lançar a otologia e a laringoscopia direta de suspensão e consegui dividir o Serviço de ORL do Hospital de Santo António, que dirigi entre 1971 e 2003, em três setores – Otologia, Rinologia e Endoscopia, e Cirurgia da Cabeça e do Pescoço.

Eu já tive o privilégio de passar os vários níveis da ORL portuguesa, que foi progredindo em função da evolução tecnológica que foi surgindo, e a própria SPORL-CCP continua a evoluir muito. Basta analisar o número e o tipo de comunicações que foram sendo feitas

A ORL, quando eu comecei, era uma especialidade pobre e, hoje em dia, julgo que é muito bem conceituada e tem toda a justiça, a nível mundial. Para isso, contribuíram alguns fatores, como eu ter sido secretário-geral da então EUFOS, a Federação Europeia das Sociedades.

Também todos nós que fomos presidentes da SPORL-CCP fizemos o melhor possível para conseguir a progressão e existe uma relação muito grande entre a nossa Sociedade e os otorrinos europeus e mundiais. Podíamos ter feito mais, mas fizemos o melhor que pudemos. Cada um de nós assistiu a mudanças extremamente agradáveis, como o facto de, hoje, o jovem que queira entrar em ORL ter dificuldades em consegui-lo, o que não acontecia no meu tempo, em que a ORL era muitíssimo pouco considerada. Estou convencido de que é uma das especialidades que mais evoluíram e que tem elementos mais bem preparados, graças a todos nós. Todos os presidentes tiveram o seu mérito e levaram a que, hoje, esta especialidade toque todos os pontos.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 13 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto

delfim duarte

Vogal do Conselho Fiscal da SPORL 2022-2025

Foi com enorme prazer que aceitei o repto lançado pelo nosso presidente (e amigo) Dr. José Marques dos Santos para escrever algumas palavras sobre os 70 anos da nossa Sociedade. De facto, o meu primeiro contacto com a Otorrinolaringologia foi enquanto aluno do 6.º ano da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, altura em que fui convidado pelo jovem regente da cadeira, Prof. Manuel Pais Clemente, para ajudar a organizar o Simpósio Internacional de Cirurgia LASER CO2 em Otorrinolaringologia (Porto 25 a 27 de junho de 1980). Era então presidente da SPORL o Prof. Dr. Gameiro dos Santos.

A minha entrada para o Internato da Especialidade, em 1985, foi determinante para iniciar a participação nas atividades da SPORL, sob a presidência do Prof. Doutor Ruy Penha. Durante todos os mandatos seguintes – Dr. José Luís Machado Aires, Dr. Manuel Filipe Rodrigues, Dr. Alivar Jones Cardoso, Dr. António Maia Gomes (membro da Direção e editor da Revista, 20012004), Prof. Doutor António Diogo de Paiva (secretário-geral e diretor adjunto da Revista, 2004-2007), Dr. João Marta Pimentel, Dr. Antó-

nio Sousa Vieira (coordenador da Comissão de ORL Pediátrica, 2010-2013), Dr. Carlos Ribeiro (membro da Mesa da Assembleia-Geral e vogal da Comissão de Congressos e Relações Internacionais, 20132016), Dr. Ezequiel Barros, Prof. Doutor Jorge Spratley (secretário-geral 2019-2022) – pudemos assistir a uma enorme evolução da nossa especialidade.

Estas direções participaram e organizaram congressos regionais, nacionais (Continente, Açores, Madeira, Macau) e internacionais memoráveis (ESPO, ESPCI). Fomos também perdendo algumas valências, como as broncoscopias e as esofagoscopias. A nossa Sociedade teve várias designações ao longo da sua existência.

Evoluímos das cirurgias oncológicas, que duravam praticamente um dia (com intervalo para almoço), em que os doentes eram mantidos com ventiladores Manley, monitorizados com esfigmomanómetros de mercúrio (fixados com adesivo em bancos rodados), estudados com tomografias clássicas da laringe (a TAC e a RMN eram impensáveis), as incidências de RX Chaussé III, Waters e Caldwell eram mandatórias.

A introdução da impedanciometria, dos vários tipos de LASER, shavers, implantes cocleares, eletronistagmografia, craniocorpografia, rinomanometria, ecografia dos seios perinasais, fibras óticas flexíveis e rígidas, novas fontes de luz fria, evolução dos microscópios, eletrofisiologia (BER/PEA, ECoG e outros), motores e micromotores,

neuroestimuladores, equipamentos de neuronavegação, próteses de ouvido médio, próteses implantáveis, PET Scan.

As técnicas cirúrgicas evoluíram e melhoraram a qualidade e sobrevida dos doentes. A introdução da quimioterapia, a melhoria da radioterapia e os novos fármacos biológicos vieram revolucionar as nossas decisões. O grau de qualificação técnica, académica / científica dos nossos sócios é hoje reconhecida e representada em todo o mundo.

A “marca SPORL” é reconhecida globalmente. As grandes publicações internacionais têm autores com artigos de referência da nossa profissão (figurando alguns nas capas dessas revistas).

A nossa Revista, fruto de grande trabalho de gerações, culminando com o enorme trabalho e competência dos atuais responsáveis

(Prof. João Subtil, Dr.ª Vera Soares) é hoje indexada. Ao longo dos anos, foram publicados inúmeros livros, monografias, normas, algoritmos de tratamento, sob a colaboração / patrocínio / autoria de membros da SPORL. A nossa organização está hoje com estatutos legalizados, marca registada, site bem organizado e participado por todos, o Jornal ORL bem consolidado (coordenador 2010-2022). Todos os Livros de Atas regularizados. Para memória futura, temos o privilégio de possuir 4 (exaustivas e de grande qualidade) publicações sobre a história e as pessoas da nossa Sociedade editadas pelo nosso colega Dr. João Clode. De facto, uma organização sem a sua história do passado não tem futuro. A situação económica é desafogada. Tudo isto só foi possível com a grande dedicação de todos os presidentes e corpos sociais que os apoiaram, com um espírito de missão e abnegação que caracterizou e caracteriza todas estas gerações. Foi e é um privilégio pertencer à SPORL.

Até sempre!

14 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
A “marca SPORL” é reconhecida globalmente. As grandes publicações internacionais têm autores com artigos de referência da nossa profissão (figurando alguns nas capas dessas revistas).

Pela inovação, pela tecnologia, junto dos Otorrinolaringologistas

Enquanto empresa do Grupo Demant, a ACÚSTICA MÉDICA orgulha-se de seguir todas as boas práticas internacionais do sector, respeitando o protocolo técnico e a ética profissional que caracterizam o modern hearing care expert Depois de meio século no merca-

do e com mais de uma centena de milhar de clientes activos, continuamos apostados em mudar a vida de todos aqueles que buscam melhorar a sua condição auditiva, recorrendo à mais moderna tecnologia em próteses auditivas. A paixão pela inovação e pela tecnologia levaram-nos a criar o Centro de Audiologia Remota, em Coimbra, a partir do qual são realizados exames auditivos a pacientes em qualquer ponto do País, oferecendo os serviços qualificados de uma vasta equipa de Audiologistas. Com mais de 100 Centros Auditivos a nível nacional, conseguimos fazer exames de diagnóstico audiológico a partir de um único lugar e, ainda assim, ir ao encontro das necessidades e das maiores exigências actuais dos cuidados auditivos.

Várias centenas de outros profissionais, fortemente formados e capacitados, complementam os serviços oferecidos aos nossos clientes, abrindo a todos as portas das novas tecnologias digitais no campo da audição. A condição auditiva dos nossos clientes é o resultado combinado do trabalho desenvolvido por muitos profissionais, onde os médicos ORL assumem um papel preponderante e de destaque. O apoio da classe médica é decisivo para alcançarmos o bem-estar dos nossos clientes. O envelhecimento crescente da população e a cada vez maior exposição a factores de risco como o ruído e a poluição têm contribuído para um natural acréscimo nas necessidades de cuidados de saúde na área de Otorrinolaringologia, sendo de enaltecer o papel de todos aque-

les que têm contribuído para o crescimento, inovação e transformação das diferentes áreas que compõem esta especialidade médica.

Para a nossa equipa do Canal Médico, os últimos 5 anos têm sido altamente estimulantes e desafiantes, e sentimos um orgulho enorme pela relação de proximidade e de confiança construída com os médicos ORL. Na ACÚSTICA MÉDICA, tem sido um privilégio poder trabalhar/colaborar com os médicos ORL, num caminho conjunto que temos vindo a partilhar, com o respeito profissional mútuo como pilar fundamental desta relação.

Muito obrigado.

Que o caminho continue a ser relevante para esta especialidade médica tão importante junto da população portuguesa.

Parabéns pelos 70 anos da SPORL!

Experimente

os sons do mundo real

Apoia o cérebro de forma rápida e precisa

Oferece os benefícios da Vida Real

Conectividade e capacidade de recarga perfeitas

SPORL-CCP 70 Anos informação
Fernando Ferreira Diretor-geral da Acústica Médica

7 a 10 de maio 2015 | Porto

62.º congresso da SPORL-ccF

8.º cong. Luso-brasileiro de ORL / iX Reunião Luso-g

“As doenças não têm fronteiras e este Congresso, que reúne Portugal, Galiza e Brasil, é o exemplo de que é preciso partilhar o conhecimen-

to para melhor tratar os doentes”, referiu Artur Condé, presidente do Colégio de ORL da OM, na sessão de abertura. Realçou ainda o tra-

14 e 15 de novembro 2015 | Sesimbra

Reunião Núcleo do Sul

“A laringe da criança ao idoso” foi o tema da Reunião de Sesimbra. De acordo com Ezequiel Barros, diretor do Serviço de ORL do Centro Hospitalar Lisboa Central e coordenador do evento, o tema da laringe foi escolhido pela oportunidade de discussão de novas tecnologias e de procedimentos, com grande ênfase na prevenção das doenças oncológicas. O presidente de Honra foi o otorrinolaringologista Vital Calado.

balho desenvolvido pelo presidente de honra do Congresso, Eurico de Almeida.

Carlos Ribeiro apontou a amizade que une a SPORL à Sociedad Española de Otorrinolaringología y Patología Cérvico-Facial (SEORL), à Sociedad Gallega de Otorrinolaringología y Patología Cérvico-Facial (SGORL) e à Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL), cujos presidentes – Jose Maria Luis-Carceda, Andrés Soto Varela e Sady Selaimen – estavam presentes. Todos sublinharam “o papel determinante da ligação científica e de amizade” que existe entre Portugal, Espanha e Brasil.

16 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos

antónio a. maia gomes

Presidente da SPORL 2001-2004

galaica de ORL

Refiro com muito gosto outros factos significativos desse triénio:

– A comemoração do cinquentenário da SPORL com a reunião anual no Estoril e a edição do livro História da ORL, de enorme importância e significado.

No meu mandato de presidente da SPORL (2001-2004), entre os vários factos que o caracterizaram, considero o mais importante ter-se conseguido eliminar as graves discordâncias que existiam anteriormente entre alguns sócios com prestígio e influência, as quais perturbavam o bom funcionamento da Sociedade. Criou-se com esta pacificação, desde então, a possibilidade de todos nos dedicarmos em conjunto, com harmonia e satisfação, à evolução, progresso e prestígio da especialidade e de que muito têm lucrado as gerações mais novas.

– A realização do 2.º Congresso Luso-Brasileiro, no Porto (só 7 anos depois do 1.º), mantendo-se depois regularmente.

– O 10.º Congresso Luso-Espanhol, em Lisboa,

– Os congressos nacionais em Aveiro, Estoril e Porto, bem como as reuniões de Núcleo, que na época eram anuais para os 3 núcleos.

– A nossa presença em S. Paulo, Florianópolis, Fortaleza, Madrid (2 vezes), Corunha, Dallas, S. Diego, Washington e Cairo, representando a Sociedade perante as homólogas do Brasil, Espanha e EUA, e no Congresso Mundial.

– A publicação do anuário dos sócios da SPORL, com atualização da sua numeração, a criação de novo Portal na Internet e a integração da Revista no Index Medicus, com melhoria da sua qualidade.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 17 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
Considero o mais importante ter-se conseguido eliminar as graves discordâncias que existiam anteriormente entre alguns sócios com prestígio e influência.

comissão de Laringologia e voz

comissão de Roncopatia e SaOS

A evolução da SPORL, enquanto sociedade científica na área da Otorrinolaringologia, tem sido uma constante. Sempre apostada na união e na partilha de conhecimento e boas práticas pela comunidade de otorrinos portugueses, mantém estreita ligação às restantes sociedades científicas mundiais. Se em 1998, enquanto jovem interna de ORL, sentia que sem ir ao estrangeiro não estava atualizada, o digital e a facilidade de acesso ao conhecimento tudo veio mudar. Um congresso da SPORL, hoje, não fica provavelmente atrás de nenhum congresso mundial no que à partilha de conhecimento médico diz respeito. A otorrinolaringologia que praticamos é de elevadíssima qualidade.

A evolução na área de laringologia e voz é um exemplo do descrito. Se no meu início de especialidade a abordagem da patologia vocal era baseada em exames de diagnóstico pouco sensíveis e sem possibilidade de grande investigação, pela limitada acessibilidade a registo de som e imagem, a disseminação de acesso a exames endoscópicos e técnicas de análise objetiva da voz

tornou a abordagem da patologia vocal numa área de atuação objetiva e quantitativamente auditável. A SPORL soube acompanhar esta evolução. Até cerca de 2010 a partilha de vídeos e som na área de voz (comuns hoje em dia) era pontual nos congressos. Foi por esta altura que se deixou de tratar a voz como algo que se baseava em termos de “tem voz ou não tem voz”, “voz boa ou voz má”, quase só focada na Oncologia. Em 2017, a voz surge nomeada na Comissão de Laringologia, Cabeça e Pescoço e Voz. Foi em 2019 que se individualizou a Comissão de Laringologia e Voz como área de saber autónoma, com extensa investigação apresentada nos nossos congressos. A qualidade objetiva da voz tornou-se o objetivo final na nossa abordagem da patologia vocal. Destacaria a atribuição de prémios para as melhores comunicações científicas, a atribuição de bolsas de investigação e a indexação da nossa revista como os pontos mais marcantes nesta subida exponencial da qualidade científica da SPORL. Destacaria ainda a disponibilização de formações em formato não presencial como outro ponto de viragem neste esforço de partilha de conhecimento científico pela nossa sociedade, que se tem sabido adaptar de forma ágil aos novos tempos. Deixo os meus parabéns à SPORL pelo seu 70.º aniversário. Fica um especial agradecimento aos seus sócios fundadores e às sucessivas direções, que permitiram que tenha um enorme orgulho em pertencer a esta Sociedade, de que sou sócia desde 1998.

Todos os aniversários constituem uma oportunidade de celebração e, em simultâneo, de balanço. Na qualidade de presidente da Comissão de Roncopatia e SAOS, associo-me com prazer à comemoração dos 70 anos da SPORL, desejando-lhe uma vida longa. Este pode ser, de facto, um momento privilegiado de reflexão, pelo que me parece oportuno partilhar com todos uma visão desta área específica da ORL, onde temos, de facto, uma palavra a dizer sobre uma parte do Sono. Com efeito, a via aérea superior (VAS), estendida desde os orifícios narinários até à glote, é o território onde se verificam todos os fenómenos obstrutivos associados à SAOS e roncopatia. Neste território, a ORL deve assumir-se como especialidade líder e particularmente vocacionada à observação e diagnóstico anatomotopográfico e funcional dos vários tipos de obstruções que se produzem in vivo durante o nosso sono. Esta realidade é, quanto a mim, incontornável, e quem não o reconhecer, mais tarde ou mais cedo, vai cair em descrédito no seio

dos doentes e interpares envolvidos nas doenças do sono. Contudo, não quero com isto defender que a ORL deva assumir uma posição narcísica e egocêntrica. Antes pelo contrário, antevejo o futuro da ORL como um membro de pleno direito no seio de um conjunto de especialidades médicas que se dedicam ao estudo e tratamento destas doenças, onde um espírito de humildade e a riqueza da partilha multidisciplinar serão os baluartes de uma abordagem holística destes doentes. Só assim se atingirão finalmente taxas de sucesso terapêutico que apenas se almejam quando se reconhece a multifatorialidade, diversidade e individualidade de cada doente. Como em muitas outras áreas da Medicina, o segredo do sucesso terapêutico assenta na seleção criteriosa entre o indivíduo e a multitude de soluções elegíveis, cirúrgicas ou não, sendo o objetivo último comum o ajustar o melhor tratamento ao doente e não, como infelizmente ainda vai acontecendo, o doente ao tratamento. Este tipo de abordagem é exigente e complexo; exige treino, experiência, tempo e uma mente aberta, para além da capacidade de ir construindo pontes sobre rios, por vezes, tumultuosos, onde navegam outros interesses, mas onde, com humildade e firmeza, conseguiremos afirmar o lugar da ORL onde ele deve estar, nem mais, nem menos.

18 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
Filipe martins Freire Presidente

Cloridrato de Azelastina + Propionato de Fluticasona ARIA 2020: À frente no tratamento da rinite alérgica1

Terapêutica de Referência na Rinite Alérgica 2,3

 Alívio significativo dos sintomas em 5 minutos 4

 2x mais eficaz que os Corticosteroides intranasais 5

 Adequado para adultos e adolescentes ≥ 12 anos

INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM O RCM. NOME DO MEDICAMENTO Dymista 137 microgramas / 50 microgramas por aplicação Suspensão para pulverização nasal COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA Cada g de suspensão contém 1000 microgramas de cloridrato de azelastina e 365 microgramas de propionato de fluticasona. Uma aplicação (0,14 g) liberta 137 microgramas de cloridrato de azelastina (=125 microgramas de azelastina) e 50 microgramas de propionato de fluticasona. Excipientes com efeito conhecido: Uma aplicação (0,14 g) liberta 0,014 mg de cloreto de benzalcónio. FORMA FARMACÊUTICA Suspensão para pulverização nasal. Suspensão branca, homogénea. Indicações terapêuticas Alívio dos sintomas da rinite alérgica sazonal e perene moderada a grave se a monoterapia com o anti-histamínico ou com o glucocorticoide intranasal isolado não for considerada suficiente. Posologia e modo de administração Posologia: Para um benefício terapêutico completo é essencial a utilização regular. Deve evitar-se o contacto com os olhos. Adultos e adolescentes (idade igual ou superior a 12 anos): Uma aplicação em cada narina duas vezes ao dia (de manhã e à noite). Crianças com idade inferior a 12 anos: Dymista não é recomendado para crianças com menos de 12 anos, porque não foi estabelecida a segurança e eficácia neste grupo etário. Duração do tratamento: Dymista é adequado para utilização a longo prazo. A duração do tratamento deve corresponder ao período de exposição alérgica. Modo de administração: Dymista destina-se apenas a uso nasal. Preparação do spray: O frasco deve ser agitado suavemente antes de utilizar durante 5 segundos, inclinando para baixo e para cima e seguidamente remover a tampa protetora. Antes da primeira utilização Dymista deve ser acionado pressionando para baixo e libertando a bomba 6 vezes. Se Dymista não for utilizado por mais de 7 dias deve ser acionado uma vez pressionando e libertando a bomba. Utilização do Spray: Agite cuidadosamente o frasco durante 5 segundos, inclinando para cima e para baixo. Seguidamente remova a tampa protetora. Após assoar o nariz, aplicar a suspensão uma vez em cada narina mantendo a cabeça inclinada para baixo (ver figura). Após utilização, limpar a parte superior e colocar a tampa protetora. Contraindicações Hipersensibilidade às substâncias ativas ou a qualquer um dos excipientes. Advertências e precauções especiais de utilização A utilização concomitante de propionato de fluticasona e ritonavir deve ser evitada, salvo se os potenciais benefícios para o doente forem superiores ao risco de efeitos adversos sistémicos aos corticosteroides. Podem ocorrer efeitos sistémicos de corticosteroides inalados, particularmente quando prescritos em altas doses por períodos prolongados. Estes efeitos são menos prováveis de acontecer do que com corticosteroides orais e podem variar de doente para doente e conforme a preparação corticosteroide. Efeitos sistémicos potenciais podem incluir síndroma de Cushing, situações Cushingoides, supressão das suprarrenais, atraso no crescimento em crianças e adolescentes, cataratas, glaucoma e mais raramente, uma série de efeitos psicológicos ou comportamentais incluindo hiperatividade psicomotora, alterações do sono, ansiedade, depressão ou agressão (particularmente em crianças). Dymista sofre um metabolismo de primeira passagem, portanto a exposição sistémica ao propionato de fluticasona em doentes com doença grave no fígado pode aumentar. Isto pode provocar um aumento da frequência de reações adversas sistémicas. O tratamento com doses mais altas do que as recomendadas para os corticosteroides nasais pode provocar supressão das suprarrenais clinicamente relevante. Se houver evidência para a utilização de doses superiores às recomendadas, deve considerar-se uma cobertura adicional com corticosteroides sistémicos durante períodos de stress ou cirurgia eletiva. Em geral a dose das formulações intranasais de fluticasona deve ser reduzida para a dose mais baixa com a qual é mantido o controlo eficaz dos sintomas da rinite. Doses mais altas que as recomendadas não foram testadas com Dymista. Tal como com todos os corticosteroides nasais, a quantidade total sistémica de corticosteroides deve ser considerada quando outras formas de tratamento corticosteroide são prescritas concomitantemente. Foram notificados em crianças tratadas com corticosteroides nasais, atrasos no crescimento com as doses aprovadas. Uma vez que o crescimento continua na adolescência, recomenda-se que o crescimento de adolescentes sujeitos a tratamentos prolongados com corticosteroides nasais seja também monitorizado regularmente. Se o crescimento for retardado, a terapêutica deve ser revista com o objetivo de reduzir a dose do corticosteroide nasal se possível, para a dose mais baixa eficaz capaz de manter os sintomas controlados. Podem ser notificados distúrbios visuais com o uso sistémico e tópico de corticosteroides. Se um doente apresentar sintomas como visão turva ou outros distúrbios visuais, o doente deverá ser encaminhado para um oftalmologista para avaliação de possíveis causas que podem incluir cataratas, glaucoma ou doenças raras, como a coriorretinopatia serosa central que foram notificadas após o uso de corticosteroides sistémicos e tópicos. É necessária uma monitorização apertada em doentes com uma alteração da visão ou com antecedentes de pressão ocular aumentada, glaucoma e/ou cataratas. Se houver qualquer razão para acreditar que a função suprarrenal está comprometida, deve ter-se cuidado quando se transferem os doentes de um tratamento esteroide sistémico para o Dymista. Em doentes com tuberculose, com qualquer tipo de infeção não tratada, ou que tenham sido sujeitos a uma cirurgia recente ou traumatismo no nariz ou boca, os possíveis benefícios do tratamento com Dymista devem ser ponderados frente aos possíveis riscos. Infeções nas vias nasais devem ser tratadas com antibacterianos ou antimicóticos, mas não constituem uma contraindicação específica ao tratamento com Dymista. Dymista contém cloreto de benzalcónio. A utilização a longo prazo pode causar edema da mucosa nasal. Interações medicamentosas e outras formas de interação Propionato de fluticasona: Em circunstâncias normais, atingem-se concentrações baixas de fluticasona após aplicação intranasal, devido ao extenso metabolismo de primeira passagem e uma depuração sistémica alta mediada pelo citocromo P450 3A4 no intestino e no fígado. Salienta-se que interações significativas mediadas pelo propionato de fluticasona são improváveis. Cloridrato de azelastina: Não foram realizados estudos específicos de interação com o cloridrato de azelastina spray nasal. Foram realizados estudos de interação com altas doses orais. Contudo, não têm relevância para a azelastina Spray Nasal porque as doses nasais recomendadas promovem uma exposição sistémica muito mais baixa. No entanto, deve ter-se especial cuidado quando se administra cloridrato de azelastina a doentes a tomar sedativos ou medicação para o sistema nervoso central porque o efeito sedativo pode ser potenciado. O álcool pode também potenciar este efeito. Efeitos indesejáveis As frequências são definidas da forma seguinte: Muito Frequentes (≥1/10); Frequentes (≥1/100, <1/10); Pouco frequentes (≥1/1.000, <1/100); Raros (≥1/10.000, <1/1.000); Muito raros (<1/10.000); Desconhecido (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis). Doenças do sistema imunitário: Muito raro: Hipersensibilidade incluindo reações anafiláticas, angioedema (edema da face ou língua e erupção cutânea), broncoespasmo; Doenças do sistema nervoso: Frequente: Cefaleias, disgeusia (sabor desagradável), cheiro desagradável, Muito raro: Tonturas, sonolência; Afeções oculares*: Muito raro: Glaucoma, aumento da pressão intraocular, cataratas, Desconhecido: Visão turva (ver secção 4.4); Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino: Muito frequente: Epistaxe, Pouco frequente: Desconforto nasal (incluindo irritação nasal, picadas, prurido) espirros, secura nasal, garganta seca, irritação da garganta, Muito raro: Perfuração do septo nasal**, erosão da mucosa, Desconhecido: Úlceras nasais; Doenças gastrointestinais: Raro: Boca seca, Muito raro: Náuseas; Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos: Muito raro: Erupção cutânea, prurido, urticaria; Perturbações gerais e alterações no local de administração: Fadiga (cansaço, exaustão), fraqueza. * Foram identificados um número muito pequeno de notificações espontâneas após o tratamento prolongado com propionato de fluticasona intranasal. ** Foi notificada perfuração do septo nasal após a utilização intranasal de corticosteroides. Podem ocorrer efeitos sistémicos de alguns corticosteroides nasais, particularmente em altas doses por períodos prolongados. Foi notificado atraso no crescimento em crianças que receberam corticosteroides nasais. O atraso no crescimento pode ser possível também em adolescentes. Em casos raros foi observada osteoporose, se glucocorticoides nasais foram administrados a longo prazo. Rev: agosto 2020 Medicamento Sujeito a Receita Médica. 37% de Comparticipação. Para mais informações deverá contactar o titular da autorização de introdução no mercado. Titular de AIM: BGP Products, Unipessoal, Lda., uma empresa Mylan. e-mail da farmacovigilância: pv.portugal@viatris.com

BIBLIOGRAFIA: 1. Bousquet J, et al. J Allergy Clin Immunol 2020; 145: 70-80. 2. Carr W, et al. J Allergy Clin Immunol. 2012; 129(5): 1282-1289. 3. Leung et al. J Allergy ClinImmunol.2012;129(5):1216.4.BousquetJ,etal.JAllergyClinImmunolPract2018;6(5):1726-1732.e6.5.MeltzerEetal.IntArchAllergyImmunol2013;161:369-77. 4/2021/BGP/273

21 a 24 de abril 2016 | Coimbra

63.º congresso da SPORL-ccF

Xvi congresso

Luso-espanhol

de ORL

Inaugurando o Centro de Congressos Convento de São Francisco, em Coimbra, a reunião ficou marcada pela presença do secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que deixou uma “mensagem de esperança” que vale a pena recordar: “O MS está empenhado em restaurar a motivação e a confiança dos médicos portugueses que trabalham no SNS.” O presidente de Honra foi Manuel Rodrigues e Rodrigues que, depois de ter passado pelo H. de São João, se mudou para o H. Pedro Hispano. Aí ficou até se aposentar, já na qualidade de diretor do Serviço de ORL, cargo em que lhe sucedeu Delfim Duarte. Em AG, Ezequiel Barros foi eleito, tendo ficado assim formalmente confirmado o sucessor de Carlos Ribeiro à frente dos destinos da SPORL.

3 e 4 de dezembro 2016 | Viseu

Reunião Núcleo do centro

Fazer uma revisão da patologia do ouvido e das suas funções foi o principal objetivo delineado para esta Reunião subordinada à temática “O ouvido: do estudo à reabilitação”.

“Em Viseu, mas também noutras zonas do país, esta é uma área que cresceu imenso em inovação técnica e tecnológica e daí

a atual diferenciação cirúrgica”, mencionou J. Marques dos Santos, então diretor do Serviço de ORL do CHTV e que presidiu ao evento.

O presidente de Honra desta reunião, e homenageado durante a mesma, foi João Leão de Meireles, primeiro diretor do Hospital de Viseu após o 25 de abril.

20 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos

antónio diogo de Paiva

Presidente da SPORL 2004-2007

exigência vocacionada para o ensino, na procura de melhorar conhecimentos e técnicas.

Também na formação a SPORL é fundamental para os jovens que iniciam a especialidade, assim como para a indispensável atualização dos especialistas.

Aplaudo o 70.º aniversário da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço.

A otorrinolaringologia é especialidade independente há mais de um século. Tem tido uma enorme evolução e diferenciação.

A evolução obriga ao estudo e treino constante. A sociedade é um garante dessa necessidade, conferindo aos congressos e cursos o necessário e indispensável patrocínio e o garante da excelência.

Neste já longo percurso, a SPORL tem marcado presença nos maiores aerópagos da especialidade, com a presença em Portugal e no estrangeiro dos nossos especialistas, com a vinda de colegas de todos os países e lugares, que nos trazem a sua competência e saber, permitindo a saudável e necessária troca de saberes e opiniões da especialidade e das subespecialidades. Também a sua Revista permite a publicação de artigos científicos que levam a uma maior diferenciação nos diversos domínios.

Este aspeto é revelado pelo elevado número de membros e da sua participação nos atos científicos realizados anualmente, em especial o Congresso Nacional.

Em 1953, um grupo de distintos especialistas fundou a Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Bronco-Esofagologia, sendo o seu primeiro presidente o Dr. Alberto Luís de Mendonça.

São passados 70 anos desta efeméride. A importância da SPORL é notável, pela contínua e intensa

São muitos os que ao longo das sete décadas dedicaram muito do seu tempo à SPORL!

Com a certeza de uma evolução cada vez melhor, aqui ficam os nossos parabéns à Sociedade.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 21 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto º63 XVI CONGRESSO LUSO-ESPANHOL DE ORL CONGRESSO DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL ABRIL 2016 COIMBRA 21 24 | PROGRAMA PROVISÓRIO CENTRO DE CONGRESSOS CONVENTO DE SÃO FRANCISCO
A importância da SPORL é notável, pela contínua e intensa exigência vocacionada para o ensino, na procura de melhorar conhecimentos e técnicas.

Lisboa, 4 de junho 2016 tomada de posse de ezequiel barros como presidente da SPORL 2016-2019

Na cerimónia, que decorreu na Biblioteca do Hospital de S. José, em Lisboa, Ezequiel Barros começou

por afirmar que “todas as anteriores direções fizeram um trabalho excelente”, um facto “que nos deixa uma grande responsabilidade neste novo contexto político e de relações”.

“O trabalho que nos espera vai ser bastante gratificante, mas as pessoas vão ter que se esforçar muito”, afirmou, referindo que um dos objetivos passa por “rever o número de sócios da sociedade, o que já não acontece há muitos anos, ao mesmo tempo que se aproveitará para proceder à regularização de quotas”.

discurso direto

Ezequiel Barros foi eleito no decorrer da 63.º edição do Congresso anual da SPORL, que se realizou em abril, no Centro de Congressos Convento de São Francisco, em Coimbra.

comissão de ORL Pediátrica

O aparecimento das comissões na Direção da SPORL permitiu aos otorrinolaringologistas verem refletidos na sua Sociedade profissional os seus especiais interesses.

O papel das comissões visa refletir na SPORL os progressos técnicos e científicos de cada área especifica, mas integrada na comunidade geral dos otorrinolaringologistas. Com o desenvolvimento da nossa especialidade, ao longo das últimas décadas, há cada vez mais médicos que, para além da sua

formação básica e generalista, se vêm dedicando a subespecialidades, embora, na maioria dos casos, não sejam oficialmente reconhecidas como verdadeiras especialidades.

A Comissão de ORL Pediátrica tem desenvolvido atividades formativas, nomeadamente ao publicar, sob a égide da SPORL, raports científicos sobre alguns temas significativos nesta área, como estridor e obstrução nasal na criança até aos 6 anos.

Infelizmente, ainda não foi possível concretizar um objetivo desta Comissão, que seria a existência de um espaço no Congresso Nacional da SPORL, para apresentação de comunicações e pósteres de ORL Pediátrica, bem como a atribuição de um prémio específico para publicações nesta área na Revista da SPORL. Pensamos que seriam dois motivos de destaque e de desenvolvimento científico nesta área já consolidada na nossa comunidade científica.

22 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos notícia
Luísa monteiro Presidente

comissão de Otoneurologia

Até ao século XIX reconhecia-se ao ouvido a função de ouvir, acreditando-se que todas as formas de vertigem resultariam de causa central. Deve-se a Ménière a descoberta de que a vertigem poderia estar associada à surdez e resultar da disfunção do mesmo órgão periférico (1861). Breuer descreveria a fisiologia do vestíbulo e, já no início do século 20, Barany tornaria possível avaliar a função vestibular com base na interpretação do nistagmo calórico. Essa descoberta fê-la como interno de otologia de Politzer, enquanto observava o nistagmo evocado com a introdução de água durante a lavagem dos ouvidos. O estudo da vertigem, da tontura e do desequilíbrio foi assim integrado de forma inalienável no âmbito da ORL e da Otologia, áreas científicas que já se dedicavam ao estudo da surdez e dos acufenos, embora, tanto num caso como no outro, estejam frequentemente relacionadas com distúrbios de circuitos do SNC.

Em 1953, foi criada a Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Bronco-esofagologia e, no mesmo ano, inaugurou-se o Hos-

pital de Santa Maria. Seria neste nosso Hospital que Fernando Vaz Garcia faria os seus estudos de Medicina, realizaria o seu internato de Otorrinolaringologia e, sob orientação de Gaspar Borges de Sena, iniciaria o estudo da Otologia e da Audio-Vestibulometria. Com a morte súbita e prematura de Borges de Sena, continuaria a sua formação em Estrasburgo, sob a Direção do Prof. Claude Conraux, onde conheceria a excelência de um centro de investigação multidisciplinar e amigos como o Francisco Zuma e Maia. Inicia então a participação nas reuniões anuais da Societé d’Otoneurologie de Langue Française, conhecendo centros e individualidades como M. Toupet, M. Lacour, JP Demanez, H. Kingma e A. Semont, entre outros. Em Santa Maria reunia com alguns neurologistas na biblioteca do Serviço de Neurologia.

“Era preciso modificar as mentalidades vigentes: as vertigens e a surdez não estavam associadas exclusivamente a lesões do ouvido, o desequilíbrio envolvia múltiplos fatores e implicava diversas disciplinas médicas... A anatomia, fisiologia, fisiopatologia tinham de ser conhecidas por todos. A Exploração Funcional tinha de ser realizada de modo competente. Mesmo que houvesse entidades clínicas e métodos que fizessem mais parte da rotina de uma das especialidades, estas patologias e métodos de avaliação pertenciam a uma área comum, cujo diagnóstico diferencial não era fácil. Era preciso que cada um dos intervenientes soubesse o indispensável da área da outra especialidade e dos métodos de tra-

tamento que ultrapassavam o seu âmbito de atuação!” (Vaz Garcia, 2023).

Estava lançado o Grupo de Estudos da Vertigem. Este núcleo estendeu-se rapidamente a outras personalidades, como Alberto Trancoso, do Hospital de São João, e Rosmaninho Seabra, do Hospital de Gaia, que tinham uma maior ligação a Würzburg, na Alemanha, centro dirigido por Claus Claussen. Da união das vontades destes otorrinolaringologistas resultaria a criação, em 1997, da Associação Portuguesa de Otoneurologia, presidida por Vaz Garcia, na sua primeira Direção.

que reconheci a sua dimensão científica e pedagógica. Acabaríamos por trabalhar juntos, envolvermo-nos noite fora em discussões científicas, publicar e participar mundo fora em tantas iniciativas de divulgação desta área científica, conhecer a sua dimensão ética e humana, e fazermo-nos amigos.

Durante muitos anos, foi formando e motivando gerações de otorrinos que faziam em Santa Maria o seu internato. Não tive tal sorte, pois, estivemos juntos no Hospital de Santa Maria durante muito pouco tempo, somente no início do meu internato. Já após a sua aposentação, regressaria pontualmente, para fazer algumas preleções junto dos internos, mas seria das preleções que assistiria nos inúmeros eventos que organizou ou aos quais esteve associado

Neste ano em que a SPORL celebra o seu 70.º aniversário, os desafios da Otoneurologia mantêm-se tão vivos e tão atuais como no século passado. Somos otologistas, mas “as vertigens e a surdez não estão associadas exclusivamente a lesões do ouvido”. O teste de impulso cefálico, a prova calórica, rotatória, o counter-roll não são unicamente testes vestibulares periféricos. Qual a etiologia da doença de Ménière, como fazer o seu diagnóstico, qual o tratamento mais adequado? Terá este algum efeito na progressão da doença hidrópica? Que tratamento para o acufeno? Se já temos o implante coclear, para quando o implante vestibular? Até lá, para quando o programa universal de prevenção de quedas do idoso? Para quando a introdução de provas vestibulares de cabeceira nas escalas de risco de queda? Para quando a introdução de um currículo mínimo obrigatório de Neurotologia na formação do internato de ORL, de Neurologia, de Fisiatria, de Psiquiatria? Para quando a competência ou a subespecialidade? Para já, o agradecimento da Comissão de Otoneurologia da SPORL-CCP aos que trilharam e trilham diariamente este caminho, a bem dos nossos doentes, atuais e futuros.

A si, Dr. Vaz Garcia, um agradecimento muito especial.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 23 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
Leonel Luís Presidente
neste ano em que a SPORL celebra o seu 70.º aniversário, os desafios da Otoneurologia mantêm-se tão vivos e tão atuais como no século passado.

5 a 7 de maio 2017 | Viana do Castelo

64.º congresso da SPORL-ccF

Este foi, manifestamente, um Congresso em que havia uma grande vontade de fazer mudanças, nesta altura sob a presidência de Ezequiel Barros. A primeira das alterações teve que ver com a própria duração do evento, com o programa científico a ser reduzido de quatro para dois dias e meio. Mas ainda mais significativa terá sido, com certeza, a decisão tomada em AG, durante o Congresso, de dar um novo nome à SPORL, passando a designar-se Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia da Cabeça e Pescoço, adotando a designação SPORL-CCP, em vez de SPORL-CCF. No entanto, esta segunda mudança teve que acabar por ser adiada, por questões legais relacionadas com os Estatutos.

Também foi criada uma medalha, tendo o primeiro exemplar da mesma sido atribuído ao presidente de Honra, Joaquim Faria de Almeida, especialista que antecedeu Artur Condé na direção do Serviço de ORL do CHVNG/E.

Ao intervir na sessão de abertura, o bastonário da OM, Miguel Guimarães, classificou a não existência de uma coesão entre os cuidados hospitalares e os CSP como “um dos grandes problemas que existe em Portugal”.

25 e 26 de novembro 2017 | Évora

Reunião Núcleo do Sul

Pedro Escada, diretor do Serviço de ORL do H. Egas Moniz, proferiu algumas palavras de homenagem a Madeira da Silva, seu antecessor no cargo, falecido alguns meses antes. A organização da Reunião de Évora foi coordenada por si, em parceria com Maria Mestre, diretora do Serviço de ORL do HESE.

Assunção O’Neill, também do Egas Moniz, foi a representante do Colégio na sessão de abertura.

24 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos

joão marta Pimentel

Presidente da SPORL 2007-2010

dinâmica e atualizada. Realizámos anualmente o Congresso Nacional e as Reuniões de Núcleo, alterando o seu figurino, contando para tal com a participação dos vários serviços hospitalares de ORL.

Vai esta edição do Jornal ORL assinalar o 70.º aniversário da SPORL-CCP, sete décadas depois de, em 1953, 34 otorrinolaringologistas fundarem esta Sociedade. Neste contexto, foi-me solicitado um artigo de opinião, em colaboração com a dinâmica Direcção da SPORL-CCP, presidida pelo Dr. Marques dos Santos.

A primeira Direção, eleita em 17 de maio de 1953, cujos estatutos foram aprovados e homologados pelo Ministro da Educação, teve como seu primeiro presidente o Dr. Alberto Luís de Mendonça, grande cientista e mestre, chefe do Serviço de ORL do Hospital Militar Principal e posteriormente diretor do Serviço de ORL do Hospital de S. José, a quem presto, com todo o respeito, a minha homenagem.

A minha atuação como presidente da SPORL-CCP (2007-2010) foi dar continuidade ao trabalho das direções anteriores nas quais participei ativamente como secretário-geral e depois vice-presidente da Secção Regional do Sul e Ilhas, com dois mandatos de três anos cada. Tudo fizemos para que todos os colegas participassem na vida e nas atividades da Sociedade, de modo a que ela se tornasse consistente,

Implementámos as Comissões Científicas das diversas áreas da especialidade, como órgãos de apoio à Direção. Melhorámos a Revista, quer nos seus conteúdos, quer no seu aspeto gráfico. Atualizámos o Site da Sociedade nos seus conteúdos, permitindo uma mais rápida divulgação da informação entre os sócios e as outras sociedades científicas, nacionais e estrangeiras. Promovemos a participação de representantes da Sociedade nos grandes fóruns internacionais da especialidade. Fomentámos e desenvolvemos as relações com sociedades científicas estrangeiras, reforçando os laços de amizade e colaboração especialmente com o Brasil, Espanha, França e EUA, entre outras. Vimos, assim, desfilar pelos nossos congressos grandes personalidades da ORL mundial. Demos apoio científico, sempre que solicitado, a todos os serviços de ORL, públicos ou privados. Dediquei à SPORL-CCP duas décadas da minha vida, exercendo vários cargos para os quais fui eleito pelos meus pares, servindo-a com grande entusiasmo.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 25 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto

Reunião do interno de ORL 2014

“Oncologia da Cabeça e Pescoço” foi o tema escolhido para este encontro, que se realizou no início de outubro, em Monte Real, e que registou 60 inscritos. Segundo Tiago Órfão, da Comissão do Internato de Formação Específica da SPORL, esta temática representa uma área de enorme importância na formação dos futuros especialistas.

Para Carlos Ribeiro, enquanto presidente da SPORL, “estes eventos são fundamentais para que os jovens formandos se conheçam melhor entre si, permi -

tindo-lhes, também, experimentar um maior contacto entre diferentes gerações de otorrinolaringologistas”.

E mais: “Neste momento, há uma

crise instalada, que vamos ultrapassar. Para os bons profissionais existirá sempre lugar. É preciso despertar em cada um as suas capacidades.”

Reunião do interno de ORL 2017

O presidente da SPORL, Ezequiel Barros, deu as boas-vindas aos internos presentes na Batalha, no último fim de semana de setembro, que participaram numa Reunião muito focada na laringe.

“O grande desafio desta área talvez esteja relacionado com a “organização mental” do otorrino na forma como deve abordar um caso de laringe, ou seja, destrinçando as várias dimensões de patologias que existem

neste órgão e saber a especificidade de cada um dos tratamentos”, referia Ricardo Guedes Dâmaso, presidente da Comissão do Internato de FE. Um momento de grande interesse foi aquele em que Artur Condé

fez a sua intervenção, falando aos internos na qualidade de presidente do Colégio da Especialidade de ORL da OM e abordando a questão dos critérios de avaliação do exame de saída da especialidade.

26 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos
23
24
setembro
4 de outubro 2014 | Monte Real
e
de
2017 | Batalha

comissão de cirurgia Plástica Facial comissão de ensino e investigação

em todas as universidades do nosso país, o que enriquece sobremaneira a ORL portuguesa. Cada um destes doutoramentos representa um determinado número de publicações científicas, sendo muitas delas feitas no estrangeiro, o que faz com que a nossa especialidade seja conhecida não só a nível nacional mas também internacional.

Neste momento, em que se assinalam os 70 anos da nossa Sociedade, não posso deixar de recordar o primeiro Congresso em que participei, em Viseu, como interno. Tive oportunidade de, a partir de então, contactar com grandes figuras da ORL que conhecia apenas de nome, tendo assim oportunidade de aprender com os mais velhos, reconhecendo a importância destes encontros. Nobre Leitão, Campos Henriques, Nascimento Costa, Nélson Gama e Castro, Carlos Miguéis, Rui Penha, José Luís Machado, Afonso de Paiva e outros ficarão para sempre na nossa memória.

Hoje em dia, a ORL não é nada do que era nessa altura, nomeadamente no capítulo científico. Por exemplo, o número de doutorados era mínimo, muito ligados às universidades, ao contrário daquilo que se passa atualmente. Como presidente da Comissão de Ensino e Investigação, tenho que relevar o facto de nos últimos congressos da SPORL termos tido a presença de recém-doutorados

A Sociedade está de parabéns! Mas devemos lembrar-nos de todos aqueles nomes que já não estão entre nós, mas que foram os pais da ORL portuguesa e da nossa Sociedade. Foi deles que nós herdámos aquilo que somos hoje e é deles que nos devemos orgulhar e lembrar. Importa também saudar as novas gerações, que têm conseguido acompanhar aquilo que se passa a nível internacional, apresentando trabalhos, nomeadamente teses de doutoramento, de grande nível e que são reconhecidos internacionalmente. Do ponto de vista científico, nunca nos devemos esquecer que antes da SPORL existir já havia otorrinos que, não estando organizados numa sociedade, muito tinham feito pela nossa especialidade. Lembro-me, em particular, do Prof. Carlos de Mello, o 1.º catedrático de ORL em Portugal, doutorado na Alemanha e que, ao nível dos Hospitais Civis, desenvolveu um profundo trabalho, sendo considerado o pai da ORL, o seu precursor em termos científicos e a nível internacional.

No momento em que a nossa Sociedade celebra os seus 70 anos de atividade é gratificante constatar a sua vitalidade, a sua crescente afirmação científica nacional e internacional bem como a sua sólida implantação nas diferentes áreas de diferenciação da Otorrinolaringologia.

No que se refere à Cirurgia Plástica Facial, sem dúvida que está a atravessar um momento áureo no nosso país. Vários otorrinolaringologistas nacionais têm dedicado grande parte da sua atividade clínica e científica a esta área de atividade e são hoje autoridades internacionalmente reconhecidas da Cirurgia Plástica Facial, em particular no capítulo da rinoplastia. Não só são presença assídua na faculty dos mais prestigiados congressos e cursos mundiais de rinoplastia como publicam regularmente artigos em revistas internacionais de grande impacto científico. Pode dizer-se, sem margem de dúvida, que a rinoplastia portuguesa ombreia hoje com o que de melhor se faz em qualquer parte do mundo.

Este “boom” atual da rinoplastia nacional muito deve ao trabalho e ao empenho de vários pioneiros desta cirurgia em Portugal, que souberam transmitir o seu entusiasmo pela rinoplastia a toda a comunidade ORL Portuguesa ao longo dos últimos anos. A rinoplastia, mesmo numa vertente puramente estética, está, hoje, solidamente implantada como parte integrante da otorrinolaringologia, o que é reconhecido pela opinião pública e é consensual entre a comunidade médica.

Para além da rinoplastia, outras áreas da Cirurgia Plástica Facial vão sendo objeto de interesse para um número cada vez maior de otorrinolaringologistas nacionais, em particular entre a geração mais jovem. Creio ser seguro dizer que todas as diferentes áreas da Cirurgia Plástica Facial vão ter um crescimento exponencial e um apuramento qualitativo nos próximos tempos semelhantes ao que a rinoplastia teve nos últimos anos. Obviamente, a Cirurgia Plástica Facial nacional tem pela frente um futuro promissor, o que é, para nós, motivo de orgulho – mas também de responsabilidade.

Parabéns à SPORL pelo caminho que soube fazer ao longo destes 70 anos! E votos de entusiasmo pelo muito que ainda há a fazer nos próximos anos.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 27 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
Rui Xavier Presidente joão Paço Presidente

4 a 6 de maio 2018 | Aveiro

65.º congresso da SPORL-ccF

A sessão de abertura antecedeu a homenagem a António Diogo de Paiva, que ouviu Pedro Tomé, seu amigo e sucessor no cargo de diretor do Serviço de ORL do CHUC, recordar alguns aspetos da sua vida pessoal e profissional.

Ezequiel Barros, presidente da SPORL, salientou o papel que tiveram Luísa Azevedo e Marques dos Santos, respetivamente, diretores dos serviços de ORL do CHBV e do CHTV, na organização do Congresso.

Artur Condé classificaria de “muito frutuosa” a relação entre a SPORL e o Colégio, que se traduz, por exemplo, na “importantíssima quantidade e qualidade de publicações livres que os nossos internos vão apresentando”.

José Saraiva, secretário-geral da SPORL, conduziu toda a sessão.

8 e 9 de dezembro 2018 | Braga

Reunião Núcleo do Norte

Tendo como tema central a patologia nasal, foram abordadas na Reunião de Braga desde a cirurgia estética e a rinoplastia até à cirurgia tumoral, passando pela cirurgia funcional do nariz.

Os coordenadores foram Luís Dias (HB), Delfim Duarte (ULSM) e Jorge Spratley (CHUSJ).

28 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos
eventos

antónio Sousa vieira

Presidente da SPORL 2010-2013

A Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SPORL-CCP) fez e faz parte de uma fatia importante da minha vida desde o longínquo ano de 1994. Foi nesse ano que tive a honra e o privilégio de ser convidado pelo Dr. Manuel Filipe Rodrigues para ser vogal da Direção de 1994-1998. Recordo com saudade esse mandato, que, sem qualquer dúvida, deve ser considerado um marco no início da modernização da Sociedade. Realce na transformação da filosofia de que a Direção devia ter como objetivo servir os sócios com transparência e dedicação. Após esse mandato, mantivemos sempre um apoio empenhado às direções seguintes e regressámos como vice-presidente à Direção presidida pelo Dr. João Marta Pimentel, de 2007-2010. Esta Direção teve o mérito de revolucionar a organização da SPORL, criando um secretariado permanente, a cargo da Veranatura, criando as comissões de subespecialidade, onde passaram a envolver-se na atividade da Sociedade dezenas de sócios, criando a presença na web com um novo e dinâmico site e, finalmente, transformando os congressos nacionais em reuniões multitemáticas, onde a presença das grandes referências internacionais em quali-

dade e número permitiu abrir mais os horizontes da ORL nacional. Todo o trabalho realizado por esta Direção, superiormente dirigida por um líder aglutinador como o Dr. Marta Pimentel, permitiu reunir um abrangente apoio para que a minha candidatura ao mandato seguinte (2010-2013), na qualidade de presidente da Direção, se transformasse numa realidade. Tive então a oportunidade de reunir uma equipa fantástica de que muito me orgulho e de onde saíram tão só os próximos 4 presidentes da SPORL, onde se inclui o atual presidente, Dr. Marques dos Santos. De realçar que, para além da eleição com 93% de votos favoráveis, fomos o 1.º presidente com origem na Medicina Privada e, ao mesmo tempo, o mais novo de todos até à data. Mais algumas barreiras foram ultrapassadas, a continuidade do trabalho da Direção anterior foi efetuada. No nosso mandato realizámos tão só 3 congressos nacionais, que foram todos internacionais, 1 Luso-Brasileiro, 1 Luso-Espanhol e 1 Ibero-Americano, sem termos depauperado as contas da Sociedade, numa fase em que a recessão da indústria técnico/farmacêutica começava. Deste mandato recordo com satisfação o empenhamento de todos os seus membros, direção e comissões, o que, como sempre, demonstra que o trabalho em equipa facilita o atingir dos objetivos. O nosso trabalho ativo na SPORL terminou no mandato seguinte, como presidente da Assembleia-Geral. Foram anos de dedicação e muita satisfação em ter tido a oportunidade que os sócios me deram de ajudar a crescer e modernizar a SPORL-CCP.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 29 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
REUNIÃO NÚCLEO DO 2 0 1 8 B R A G A N R T E O
PROGRAMA PROVISÓRIO

jornadas de Otorrinolaringologia

As 12. as Jornadas de ORL do Hospital Garcia de Orta, subordinadas ao tema “Otologia: do pavilhão à cóclea”, incluíram a realização de cirurgias em direto e serviram também para homenagear Manuel Rodrigues e Rodrigues, que foi diretor do Serviço de ORL do Hospital Pedro Hispano (ULS Matosinhos).

O diretor do Serviço de ORL do HGO, Luís Antunes, convidou Robert Vincent, do Hospital de Saint Patrick, no Missoula, Canadá, especialista na colocação de novas próteses no ouvido.

Luísa Monteiro, coordenadora da Unidade de ORL do Hospital Lusíadas Lisboa, foi a primeira mulher a ser homenageada nas Jornadas de ORL do HGO, cuja 17.ª edição aconteceu no início de abril e teve como tema “Voice Summit” . “Sou uma pessoa muito feliz por ter tantos amigos”, disse.

O seu percurso profissional e pessoal ficou a cargo do seu amigo de longa data e colega de internato António Larroudé. Além de diretora do Serviço de ORL, Luísa Monteiro foi ainda diretora clínica adjunta do HDE e a precursora do programa de implantes co-

cleares naquela instituição, bem como do Rastreio Auditivo Neonatal Universal (RANU). A nível

Este foi o sugestivo título dado às 15.ª Jornadas, que se realizaram a 9 e 10 de março e tiveram cerca de 250 participantes. A explicação foi dada por Luís Antunes na sessão de abertura: “Está relacionado com a discussão que pretendemos fazer acerca de algumas entidades clínicas que nem sempre são consensuais entre os otorrinos.”

E citou a telangiectasia hereditária, a sistematização dos tumores dos seios perinasais, a sinusite e o refluxo gástrico, bem como as relações íntimas das fossas nasais com o olho.

O presidente de Honra do evento foi José Cabral Beirão, ex-diretor do Serviço de ORL do Hospital de São José.

30 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos
Março 2015 Abril 2022
Março 2018
cirurgias em direto Luísa m onteiro
“feliz por ter tantos amigos” the dark side of the nose

do hospital garcia de Orta

Abril 2017

25

de excelência

O momento mais significativo destas Jornadas talvez tenha sido aquele em que se assinalaram os 25 anos da criação do Serviço de ORL do HGO, cujo primeiro diretor foi João Marta Pimentel. Em declarações à Just News, disse estar “muito satisfeito com o trabalho de toda a equipa ao longo destes anos, que levou a que o

Serviço seja reconhecido como de excelência”.

“SAOS – Aprendendo com os insucessos” foi o tema da reunião, onde se homenageou António Maia Gomes, que tem no seu currículo o ter sido presidente da SPORL. Delfim Duarte ficou com a responsabilidade de apresentar o percurso de vida do presidente de Honra.

mais pessoal, enalteceu os seus cozinhados e o gosto por fazer tricô e rendas.

Abril 2019

“Pioneirismo” e “competência profissional”. Foram estes os atributos que João Martins apontou a Fernando Vaz Garcia, “por ter enveredado pela Otoneurologia, uma área da ORL que diz ser “pouco explorada e mal-amada, mas fundamental”.

Por sua vez, Fausto Fernandes, representante do Colégio, fez questão de se referir ao homenageado como o “pai da Otoneurologia em Portugal”. Entre outros cargos, foi presidente da APO entre 1998 e 2001 e editor científico da Revista da SPORL, entre 1991 e 1993.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 31 SPORL-CCP 70 Anos eventos Otorrinolaringologia
amigos”
anos
a homenagem ao “pai da Otoneurologia”

3 a 5 de maio 2019 | Peniche

66.º congresso da SPORL-ccP X congresso Luso-brasileiro de ORL

Coube a Luís Antunes, diretor do Serviço de ORL do HGO, “justificar” a homenagem ao presidente de Honra do 66.º Congresso, João Marta Pimentel, relembrando o percurso de quem o antecedeu no cargo. Ao usar da palavra, Ezequiel Barros

recordou os 3 anos do seu mandato, realçando a mudança do nome da SPORL, formalizada em março de 2018. Mas também enalteceu o objetivo alcançado de se terem organizado eventos fora dos grandes centros urbanos.

Ocorrendo igualmente o X Congresso Luso-Brasileiro, Luiz Ubirajara Sennes, presidente da Associação Brasileira de ORL e Cirurgia Cérvico-Facial, não podia deixar de estar presente. A medalha da SPOR foi, entretanto, entregue a

Aldo Stamm, otorrino brasileiro de renome, presidente honorário desde 2018.

Finalmente, este também foi o Congresso da eleição de Jorge Spratley para presidente da SPORL-CCP.

23 e 24 de novembro 2019 | Santarém

Reunião do Núcleo Sul / Reunião do interno ORL

Criado em 1987, o Serviço de ORL do HDS, dirigido por Mário Galveias, esteve envolvido na organização da Reunião, inteiramente dedicada à ORL Pediátrica, cuja coordenação foi assegurada por Pedro Escada (CHLO), com a colaboração de Sara Viana Baptista (H. Luz Oeiras) e de Paulo Vera-Cruz (HLL).

O presidente de Honra foi Carlos

Alves dos Santos, coronel médico reformado da Força Aérea. Por inerência do cargo, o presidente da SPORL-CCP, Jorge Spratley, assumiu também a presidência da Reunião.

A Comissão de Internos, formada por Jorge Dentinho (presidente), João Neves e Sónia Martins, concretizou o encontro anual.

32 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos

carlos Ribeiro

Presidente da SPORL 2013-2016

mento científico. Ao promover a troca de conhecimentos e motivar a investigação científica, ajuda a preparar todas as gerações de otorrinolaringologistas e facilita a integração profissional dos colegas mais novos.

A Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia (SPORL-CCP) está de parabéns pelos seus 70 anos!

A SPORL tem sido sempre um farol muito importante para todos os otorrinolaringologistas portugueses pelo papel que tem desempenhado na sua valorização científica, através da promoção desse valor inalienável que é o conheci-

A SPORL tem sido sempre um farol muito importante para todos os otorrinolaringologistas portugueses pelo papel que tem desempenhado na sua valorização científica, através da promoção desse

Através das Reuniões e Congressos que organiza e/ou participa e através da sua Revista, a SPORL promove o intercâmbio científico, a nível nacional e internacional, projetando a ORL portuguesa além-fronteiras.

A Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia tem sabido vencer as dificuldades que os diversos tempos lhe têm apresentado. Aos 70 anos, está uma Sociedade jovem, plena de vida!

Que seja sempre a casa de todos os colegas ORL e a locomotiva do conhecimento científico, por muitos e longos anos, são os nossos votos sinceros.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 33 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto ORL 2019
valor inalienável que é o conhecimento científico.
A Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia tem sabido vencer as dificuldades que os diversos tempos lhe têm apresentado. Aos 70 anos, está uma Sociedade jovem, plena de vida!

Porto, 29 de junho 2019 tomada de posse de jorge Spratley como presidente da SPORL

2019-2022

Ao intervir na cerimónia de tomada de posse, que decorreu no Centro de Investigação Médica da FMUP, Jor-

laboração e, não menos importante, servir como entidade científica de referência”.

comissão de Otologia

do recém-nascido, é possível detetar e tratar a grande maioria das crianças que nascem com hipoacusia, permitindo a respetiva reabilitação auditiva, com próteses auditivas ou implantes cocleares, restituindo a possibilidade de desenvolvimento da sua capacidade cognitiva máxima, o que pode garantir, na ausência de outras comorbilidades, uma inserção social e laboral sobreponível à da população em geral.

O campo de atuação da otologia tem vindo a ser progressivamente alargado, na sequência da inovação continuada da ciência e, naturalmente, da medicina. Em Portugal, com a implementação universal do rastreio auditivo

Por outro lado, a patologia crónica do ouvido médio é atualmente menos frequente, dada a vigilância e o tratamento precoce da faixa etária pediátrica, reduzindo assim o número de complicações, como as otites médias crónicas simples e as colesteatomatosas.

ge Spratley afirmou que iria aproveitar “a experiência acumulada ao longo dos últimos mandatos e a obra feita pelas anteriores direções”. Além disso, acrescentou que iria empenhar-se numa SPORL “estável e empreendedora, que seja capaz de promover ciência, troca de conhecimento, treino, educação, co-

Para o efeito, “reunimos uma equipa coesa, experiente e muito motivada para enfrentar os desafios futuros que se irão colocar e assim assegurar o património da nossa Sociedade”.

A eleição de Jorge Spratley aconteceu durante o 66.º Congresso, em Peniche.

associação Portuguesa de Otoneurologia

A comemorar 70 anos de existência, a SPORL tem desempenhado um papel agregador dos otorrinolaringologistas nacionais. Promovendo a atualização de conhecimentos científicos nas diferentes áreas que abarca, tem permitido a valorização dos seus sócios.

Nos últimos 25 anos, a Associação Portuguesa de Otorrinolaringologia tem tido o privilégio de contribuir para a formação na área da Otoneurologia. A amizade, respeito e consideração institucional marcam desde sempre a relação APO/SPORL. Parabéns SPORL.

34 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos notícia
Sandra costa Presidente carla Pinto moura Presidente

Para o tratamento destas entidades, existem no momento inúmeras opções de técnicas de reconstrução da cadeia ossicular e da membrana do tímpano, com próteses de ouvido médio produzidas com material osteointegrável, com peso, índices de resistência e condutância de eficácia elevada. Associadamente, os implantes ativos do ouvido médio e os osteointegrados permitem fornecer opções terapêuticas adequadas aos diferentes tipos de perda auditiva apresentados pelos nossos doentes.

Os implantes vestibulares estão também em franco desenvolvimento e é expectável que a curto prazo a sua aplicabilidade clínica seja mais disseminada pelos diferentes centros.

Claro que continuam a existir tumores de tratamento difícil, mas também aqui, com o desenvolvimento progressivo da qualidade técnica da imagiologia, dos microscópicos e endoscópios cirúrgicos, assim como com a interligação prática, em equipas multidisciplinares, com as especialidades afins, como a Neurocirurgia e o apoio cada vez mais diferenciado da Anestesia, permitem uma resposta mais especializada e eficaz a estes casos desafiantes.

A utilização mais disseminada da oto-endoscopia na cirurgia do ouvido é também um atrativo para a geração de otorrinos mais jovens, com treino marcado desta técnica noutras áreas, como a dos seios perinasais.

Em franco desenvolvimento estão os processos de investigação da regeneração funcional dos componentes do ouvido interno, realçando-se a terapêutica genética da hipoacusia congénita, em que o principal exemplo são as alterações do gene da otoferlina, que já está em fase de ensaio clínico em humanos. Esta terapêutica tem como potencial resposta uma recuperação funcional da proteína, com consequente recuperação auditiva. No futuro, o cirurgião que reabilita com implantes cocleares será, necessariamente, um otologista especializado em genética molecular.

O desenvolvimento da interface entre a tecnologia digital, a automação e a inteligência artifi -

comissão de Rinologia e base do crânio

como presidente da Comissão Científica de Rinologia e Base do Crânio, o compromisso é o de honrar os nossos colegas, mentores e mestres que tanto fizeram pela SPORL e que permitiram que hoje falemos de áreas de diferenciação. O que podemos ainda fazer?

plexos, com patologia da base do crânio e da órbita. Só faz sentido tratar esses doentes quando

cial, com os sistemas de reabilitação auditiva, tem potenciado uma melhoria na qualidade da resposta da prática médica e cirúrgica.

Assim, integrando a dinâmica da SPORL, o principal objetivo desta Comissão de Otologia, composta por mim e pelos Drs Jorge Domingues e José Romão, é promover o ensino e a disseminação do conhecimento destes temas, atraindo os elementos mais jovens da Otorrinolaringologia para a diferenciação nesta área, de forma a mantermos os melhores cuidados médicos para os nossos doentes, reconhecendo que muitas das doenças anteriormente intratáveis podem ser alvo das novas terapêuticas.

A SPORL-CCP e a Otorrinolaringologia Portuguesa estão de parabéns. Ainda antes de ser otorrinolaringologista já me tinha tornado membro da nossa Sociedade. Agora,

Em Portugal, continuar a promover a educação para a saúde na área da rinologia, agora que temos novos fármacos que nos permitem tratar melhor os nossos doentes. Continuar o fantástico trabalho que gerações mais novas de médicos têm desenvolvido junto de outras especialidades, conseguindo demonstrar a relevância da rinologia no tratamento de doentes com-

médicos com diferenciação em rinologia-ORL estão envolvidos. No estrangeiro, ainda que em área de fronteira com a Comissão Científica de Cirurgia Plástica da Face, devemos congratularmo-nos pela projeção do nome de Portugal conseguida pelos protagonistas da rinoplastia (de preservação, e não só), de quem tanto nos orgulhamos. Por fim, ambicionamos ter uma maior representatividade em sociedades científicas internacionais, para que possamos organizar um congresso internacional, à semelhança de outras subespecialidades da SPORL, como a ORL Pediátrica fez, com elevada qualidade e grande sucesso. Parabéns à SPORL-CCP e a todos nós.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 35 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
joão Pimentel Presidente
Congratularmo-nos pela projeção do nome de Portugal conseguida pelos protagonistas da rinoplastia (de preservação, e não só), de quem tanto nos orgulhamos.

67.º congresso da SPORL-ccP

O 67.º Congresso decorreu em formato online, com algumas limitações no conteúdo do programa. Foi organizada uma reunião virtual de dois dias, na qual apenas foram apresentadas as comunicações livres e os posters previamente submetidos e aceites. A parte restante do Programa Científico – mesas redondas, palestras, simpósios etc. – foi integralmente transferida para o 68.º Congresso Nacional Anual e XVIII Congres-

Internos e especialistas estiveram juntos, online, na Reunião. O evento foi considerado “um verdadeiro sucesso” por Jorge Spratley. O presidente da SPORL-CCP recordou que este formato, em que os médicos mais jovens e os mais experientes estão reunidos, foi adotado pela primeira vez em 2019 e adianta que o objetivo é que se mantenha no futuro, “uma vez que é muito enriquecedor para todos”.

Na sua opinião, “congrega-se o melhor das duas iniciativas e é uma forma de os especialistas terem uma noção exata do trabalho de grande qualidade desenvolvido

pelos mais novos.” O responsável fez mesmo questão de salientar que “os internos de ORL, em Portugal, são muito dinâmicos e participativos, inclusive no seio da SPORL”.

Entre os temas abordados, destacaram-se as doenças alérgicas, daí a participação de imunoalergologistas, como João Almeida Fonseca, da FMUP, e de Philippe Gevaert, da Universidade de Ghent, na Bélgica.

“No que se refere à componente nasal, a ORL trabalha inevitavelmente de forma interdisciplinar com a Imunoalergologia”, frisou Jorge Spratley.

O médico recordou que “existe uma certa cumplicidade entre ambas as especialidades, para que se prestem os melhores cuidados” e, nesse sentido, “era es -

so Luso-Espanhol”, em Viseu, em 2021.

Sob a coordenação de J. Marques dos Santos, a Comissão Organizadora do 67.º Congresso incluiu tam-

sencial contar com a participação destes colegas”, o que se verificou.

Apesar de reconhecer que as reuniões presenciais permitem um

36 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos
do Núcleo Norte Reunião interno ORL 2020 26 e 27 de setembro 2020 | Online 5 de dezembro 2020 | Online
Reunião

bém João Elói Moura e Vera Soares. A Comissão Científica era formada por Jorge Spratley, J. Marques dos Santos e Delfim Duarte.

comissão de Ética e exercício Profissional

acontece entre ética, moral e deontologia e que seria de evitar, a bem da clareza e rigor desses comentários.

maior convívio social, Jorge Spratley considerou que, face à situação que se vivia, seria sempre preferível fazer o evento online do que ficar parado:

“Uma das principais missões da SPORL-CCP é apostar na formação médica contínua, quer pré como pós-graduada, daí que tenhamos decidido avançar em formato digital. E o resultado final é muito satisfatório.”

Ultimamente, muito se tem falado e escrito sobre ética, quer em comentários versando temas políticos, quer na avaliação da atividade dos diferentes grupos profissionais ou mesmo da ação governativa. Nem sempre da forma mais adequada, somos confrontados com essas opiniões, desvirtuando a apreciação que se pretende fazer, ora com análises superficiais – distorcendo, por vezes, o conceito –, ora introduzindo-lhe qualificativos para o ilustrar.

É disso mesmo exemplo o tão propalado conceito da ética republicana, que é, por si só, um atropelo ético, e que tantas vezes vemos invocado nas discorrências da argumentação política, pois, com este atributo conceptual introduzido, pretende associar-se, em exclusivo, a virtude a um sistema político particular, o que pode não ser de todo verdade, como infelizmente se tem constatado.

Também não raramente, em comentários sobre os mais diversos temas, verificamos alguma confusão de conceitos, que, por vezes,

Ética e moral são temas que, embora se relacionem, são diferentes. Se a moral representa o conjunto de regras e costumes sociais, familiares e religiosos estabelecidos por uma determinada sociedade, a ética, do grego “ethikos”, que significa “modo de ser”, tem como objeto o juízo analítico individual do bem e do mal, bem como do comportamento correto ou incorreto desse indivíduo, procurando responder às questões decorrentes do dever e do poder.

Deontologia, também do grego “déontos”, que significa dever, e “logos“, que se refere a ciência ou tratado, é um conjunto normativo de deveres e princípios, autodeterminados para um qualquer grupo profissional que visa regular as boas práticas no exercício dessa atividade. É um ramo da ética também conhecida como “Teoria do Dever”, tendo este termo sido introduzido pelo filósofo iluminista Jeremy Bentham, em 1894. Reavivados estes conceitos, deter-me-ei seguidamente, de forma muito sucinta, sobre a ética no exercício da medicina.

O exercício profissional dos médicos, não só no âmbito do seu destinatário final que é o Homem, na sua plenitude física e espiritual, mas também no relacionamento entre pares e com os outros grupos profissionais que trabalham complementarmente nesta atividade, obriga-os a um permanente exer-

cício de autoescrutínio das suas ações, que podem ser expressas nestas três grandes questões – o que devo, posso ou quero fazer. As respostas que vão determinar a ação futura são, no seu conjunto, a base ética do exercício profissional, que assim estará ou não de acordo com os princípios deontológicos da nossa profissão. A liberdade individual de estabelecer uma escolha sobre o caminho ou ação a tomar ditará a virtude dessa escolha, que em última análise será avaliada pelos nossos pares e pela sociedade, conferindo-lhe mérito ou reprovação.

Posso, mas não devo; devo, mas não posso; ou quero, mas não devo são dilemas que estão sempre presentes no exercício da nossa atividade. Posso, mas, não devo porque ainda não esgotei todas as opções menos interventivas, devo, mas não posso porque não tenho competência para tal, ou quero, mas não devo, pois, essa pode não ser a melhor solução.

A decisão final que ditará a ação será o resultado de uma avaliação ponderada destas questões, e que resulta naturalmente da livre escolha de cada um, responsabilizando-o ética e deontologicamente. Será, no entanto, sempre virtuosa, se se dirigir primordialmente ao interesse do doente.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 37 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
artur condé Presidente

Reuniões do Serviço de ORL de vila Nova de gaia/espinho

Novembro 2014 Novembro

2.as jornadas de ORL Pediátrica

Foi com o objetivo de congregar as perspetivas dos especialistas de ORL e de Pediatria, acerca das patologias comuns a estas duas áreas, que se realizaram, em Vila Nova de Gaia, estas Jornadas.

“O nosso serviço tem aderido, tam-

bém, ao tratamento de crianças com patologia diferenciada a nível da laringe. Tudo isto faz com que haja necessidade de, num determinado momento, congregarmos toda a informação para trocarmos impressões e realizarmos os tratamentos”, afirmou Artur

Novembro 2018

Condé, na qualidade de presidente da reunião e de diretor do Serviço de ORL do CHVNG/E.

O evento contou com a presença de especialistas estrangeiros: Noël Garabedian (Paris), Christian Sittel (Estugarda) e Felix Pumarola (Barcelona).

3.º Simpósio

“A ORL portuguesa pode orgulhar-se dos seus serviços que, no campo assistencial e formativo, conseguem dar a resposta adequada às exigências atuais”, considerou Artur Condé, ao intervir na cerimónia de abertura do Simpósio. De forma original, a todas as sessões científicas do evento foram atribuí-

4.º Simpósio i nternacional da voz

Durante a sessão de abertura, houve espaço para homenagear o presidente de Honra do Simpósio, Nuno Santiago, “pelo seu trajeto de vida pessoal e profissional” e por se tratar de uma “grande figura da ORL nacional”.

“Diretor do Serviço de ORL do IPO de Lisboa de 1992 a 2002, formou uma escola que é hoje uma referência no tratamento da patologia oncológica da cabeça e pes-

coço e foi membro dos Corpos Sociais da SPORL, sendo desde 2003 seu sócio honorário. É autor de inúmeros artigos científicos, sendo de todos conhecida a sua invejável competência cirúrgica”, sublinhou Artur Condé, presidente da reunião. O Simpósio, que teve como secretária-geral Eugénia Castro, contou com o contributo, enquanto palestrantes, de Isabel Garcia-Lopez, Jean Abitbol e Gautier Desuter.

Novembro

2.as jornadas

38 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos

Novembro 2015

comissão de cirurgia da cabeça e Pescoço

uma especialidade médica dinâmica, inovadora e de vanguarda. Mas a revolução vai ser global. E nós vamos estar preparados.

dos nomes de diretores de serviços de ORL, que “tantas vezes trabalham em condições demasiadamente precárias e que, mesmo assim, conseguem congregar e motivar as suas equipas no trabalho assistencial que

a sociedade nos exige”, observou Artur Condé. O presidente de Honra foi Nelson Gama e Castro.

Novembro 2019

Simpósio i nternacional da voz ornadas de ORL geriátricas

De acordo com Artur Condé, que a elas presidiu, a criação destas Jornadas pretendeu ser mais um contributo para que, em última análise, o doente idoso com problemas otorrinolaringológicos seja cada vez mais bem acompanhado, até porque “a perda de audição no idoso é ainda muito desvalorizada pela sociedade, inclusive por profissionais e familiares”.

Jorge Spratley, na qualidade de presidente da SPORL, não poupou nos elo-

gios ao Serviço de ORL do CHVNG/E: “Tem-se imposto no panorama nacional como um dos serviços de referência, coeso, com capacidade e iniciativa científica, prestando à comunidade aqui da zona norte um serviço verdadeiramente imprescindível.”

José Cabral Beirão foi o presidente de Honra das Jornadas e Andres Soto-Varela (Espanha) o convidado especial destas Jornadas, que tiveram como secretária-geral Edite Coimbra Ferreira.

A SPORL-CCP, a nossa Sociedade, assinala, este ano, o seu 70.º aniversário. Na vida de um ser humano, é já uma idade considerável. Na vida de uma sociedade científica, estamos em plena juventude.

As alterações tecnológicas e a ciência de dados vão, seguramente, alterar a saúde como hoje a conhecemos.

Sobretudo desde o início do ano de 2023 que não há dia em que o já célebre ChatGPT, sigla de Chat Generative Pre-trained Transformer, não apareça nas primeiras páginas de jornais e telejornais e não seja tema de cada vez mais numerosos artigos e apresentações.

A nossa formação não é em ciência de computação/informática, mas quando Bill Gates diz que o Chat-GPT vai “mudar o nosso mundo”, sendo tão importante como a invenção da internet…

Os Dados, a Inteligência Artificial e a Robótica são já por nós utilizados na nossa prática quotidiana, embora ainda de forma limitada. E tal não é de admirar, pois, a ORL tem sido sempre, desde a sua criação,

A nossa Sociedade tem um capital humano com uma franja de elementos muito jovem. Esses jovens constituem o garante do futuro da nossa Sociedade. São eles que, com a colaboração dos mais idosos, me fazem acreditar que o futuro da ORL-CCP é auspicioso. Neste tempo de “trevas e preocupações”, é bom sentir que o Futuro continua a depender do Homem e aquece o coração saber que a Medicina, em geral, e a ORL, em particular, fazem parte desse movimento de esperança no Futuro. Parabéns e felicidades nos 70 anos da nossa Sociedade!

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 39 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
jorge miguéis Presidente
Os dados, a Inteligência Artificial e a Robótica são já por nós utilizados na nossa prática quotidiana, embora ainda de forma limitada.

17 a 19 de setembro 2021 | Viseu

68.º congresso da SPORL-ccP

Xviii congresso Luso-espanhol de ORL

Foi numa sala muito bem preenchida com otorrinolaringologistas e outros profissionais relacionados com esta especialidade que há muito desejavam reencontrar-se fisicamente num evento científico que se realizou a sessão de abertura do 68.º Congresso.

Na sua intervenção, Jorge Spratley, presidente da SPORL-CCP, fez questão de começar por elogiar o sucesso do evento, considerando que o presidente da CO, J. Marques dos Santos, foi a sua “força matriz”. “É notável o seu dinamismo, capacidade de trabalho e vontade de servir a Sociedade”, apontou. Em destaque esteve também a homenagem ao presidente de Honra, Lima Gouveia, pelo papel que teve

na formação de muitos otorrinos. A apresentação da sua vida e carreira coube a Pedro Tomé, especialista do CHUC.

Nuno Trigueiros, presidente da

26 de junho 2021 | Online

APO, Miguel Magalhães, presidente do Colégio, e Jaime Marco Algarra, presidente da Sociedade Espanhola de ORL, integraram igualmente a mesa de abertura.

Reunião do Núcleo centro / Reunião interno ORL

As duas reuniões aconteceram, mais uma vez, agregadas. Os especialistas focaram-se na “Gravidez e ORL” e nas “Manifestações da covid-19 em ORL”, enquanto os internos debateram os “Efeitos da pandemia covid-19 na formação do interno de ORL” e a “Patologia benigna da laringe”.

A Reunião ORL Centro/Reunião Interno ORL devia ser da respon-

sabilidade de um determinado Serviço de ORL, mas, face ao formato online, foi aberta uma exceção e a organização ficou a cargo de alguns membros da Direção da SPORL-CCP, entre os quais o vice-presidente Pedro Escada, para ter um âmbito mais abrangente.

40 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos

ezequiel barros

Presidente da SPORL 2016-2019

Caros colegas.

Estamos a festejar os 70 anos da nossa Sociedade Científica, a atualmente designada Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia da Cabeça e Pescoço. Nome diferente do original de 27 de janeiro de 1952, data da primeira reunião de distintos médicos otorrinolaringologistas, realizada na sede da Ordem dos Médicos, em Lisboa, com vista à criação da então Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e de Bronco-Esofagologia. Esta designação tem mudado ao longo dos anos, ao sabor de razões estruturais e políticas, sendo que foi durante a minha presidência que, por unanimidade, foi votada a mudança do nome da Sociedade para o que é hoje reconhecida como Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia da Cabeça e Pescoço.

Pediram-me para escrever um curto artigo de opinião sobre os três anos, entre 2016 e 2019, em que tive a honra de ter sido o seu presidente. Mas, para abono da verdade, a minha relação com a Sociedade é bem mais longa, pois, entre membro de comissões, vogal da Direção, vice-presidente e depois presidente da mesma, passando

para presidente da Assembleia-Geral e, atualmente, presidente do Conselho Fiscal, são 22 anos de uma relação profícua, mas trabalhosa, que me proporcionaram conhecimentos, não só científicos mas também, e sobretudo, humanos, com colegas nacionais e estrangeiros pertencentes a outras sociedades, tendo tido o privilégio de representar Portugal em vários eventos e reuniões internacionais. A última década foi marcada por alterações marcantes no funcionamento das sociedades científicas devido à introdução dos medicamentos genéricos e das “compliances” europeias, que se traduziram numa dificuldade acrescida no financiamento e realização dos congressos e reuniões científicas. A pandemia de covid, de 2020 a 2022, obrigou à contenção e ao reinventar da maneira de fazer os congressos. Estes desafios foram superados graças ao trabalho e dedicação de todos os membros das direções e das comissões que constituem a SPORL-CCP, deixando prever um futuro de sucesso na persecução dos objetivos da Sociedade em possibilitar mais e melhores conhecimentos científicos aos seus associados, engrandecendo assim a Otorrinolaringologia no panorama da medicina em Portugal.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 41 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
ORL 2021 26 jun. R E U N I Ã O I N T E R N O O R L 2 0 2 1 (online) CENTRO PROGRAMA PROVISÓRIO REUNIÃO do NÚCLEO

jornadas de ORL do hospital cUF descobertas

Novembro 2019

“Nunca parámos de crescer em atividade assistencial, mas também na formação e na investigação”, afirmou, na sessão de abertura, o coordenador da Unidade de ORL do HCD, 18 anos depois de inaugurado o hospital. José Saraiva falou mesmo em “crescimento impressionante”: “Nos primeiros 10 meses de 2019, já realizámos 22.747 consultas, 15.200 exames complementares e de diagnóstico e foram operados 951 doentes. Comparando com 2018, aumentámos 23% nas consultas e 25%

nas intervenções cirúrgicas.” Um dos marcos foi o reconhecimento, pela OM, da idoneidade formativa, o que permitiu receber internos, “um dos primeiros no setor privado”, frisou Artur Condé, presidente do Colégio, acrescentando: “O Dr. José Saraiva tem a capacidade e honorabilidade de dizer que só consegue formar um interno a cada 2 anos. É uma atitude mestra, honesta, de uma pessoa de caráter e que se preocupa efetivamente com a formação e não tanto com a produção.”

Novembro 2022

Subordinadas ao tema “Otologia”, José Saraiva esclareceu serem as 16.as, entre cursos e jornadas, organizadas até agora, a que há que acrescentar as reuniões de Otoneurologia e as destinadas à MGF. E fez questão de enumerar o que foi feito desde as Jornadas de 2019, com a pandemia pelo meio. Por exemplo: “Aproveitámos para trabalhar na estruturação e criação do

Centro de ORL, com a individualização da Unidade de Vertigem e Alterações do Equilíbrio e a criação de 12 consultas, a que podemos chamar valências, de que destacamos as mais recentes, do Mergulhador, do Voo e Desportos de Altitude, do Olfato, de Alterações da Deglutição, e estamos em fase de estruturação da Unidade de Implantes Auditivos.”

42 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos
“ c rescimento impressionante”
a s 1. as j ornadas pós-pandemia

comissão do internato de Formação específica associação Portuguesa de audiologistas

quívoca necessidade de potenciar o contacto, a aprendizagem, bem como a obtenção do reconhecimento entre pares, nacional e internacionalmente.

A atividade de sociedades científicas contribui para o crescimento da profissão em geral, para a melhoria das instituições e para que o profissional, individualmente, se sinta apoiado. Se, por um lado, uma sociedade científica tem no seu âmago a preservação da história do desenvolvimento da ciência e da profissão, tem, por outro lado, o seu estímulo, evolução e partilha, particularmente entre pares.

A criação das sociedades científicas resulta do reconhecimento de um conjunto de profissionais que, exercendo as mesmas funções ou atividades específicas dentro de uma área de conhecimento comum, constatam a necessidade e o potencial da partilha de métodos e informação.

É, pois, de louvar que na década de 50, com limitados recursos, os médicos otorrinolaringologistas fundadores da (atual) Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, tenham tido a coragem, iniciativa e capacidade para numa visão progressista criarem esta sociedade em Portugal, percebendo a ine-

Esta iniciativa toma particular relevância numa época de profunda evolução e conhecimento clínico em Otorrinolaringologia, com rápidas modificações de protocolos e técnicas cirúrgicas e terapêuticas para a intervenção médica. Porém, não basta criar as sociedades, mas também fomentá-las e validar o seu papel. Ao longo dos 70 anos de existência da SPORL, tem-se verificado empenho e dedicação nesse sentido, demonstrando o seu papel fundamental para promover e incentivar a produção científica, quer de investigação, quer a publicação da experiência clínica, realizando eventos de partilha profissional e formação aprofundada, criação de grupos de conhecimento e intervenção especializado, essenciais para reforçar uma profissão e o seu papel para a sociedade. Na comemoração dos 70 anos de existência da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, reconhecendo o trabalho e empenho ao longo das várias décadas de existência, fazemos votos que continuem a fortalecer o seu papel como impulsionadores de ciência e atuação clínica em Otorrinolaringologia, construindo igualmente uma forte relação com as áreas profissionais e científicas que com ela atuam, numa perspetiva multi e interdisciplinar cada vez mais importante no mundo atual.

Costuma-se dizer que a juventude é a melhor fase das nossas vidas: as despreocupações, o tempo livre, a energia, as amizades. Não concordando plenamente, percebo bem este pensamento. Será o internato uma verdadeira juventude da nossa vida como médicos?

Durante o Internato do Ano Comum, estando já bastante inclinado para a Otorrinolaringologia, bem como durante os primeiros congressos a que fui já como interno de ORL, recordo as experiências que os outros internos partilhavam. Os internos mais novos, apaixonados pela especialidade, falavam com um brilho nos olhos de como estava a ser a sua experiência, enquanto os internos dos últimos anos não escondiam a vontade em terminar.

É no internato onde iniciamos a aprendizagem da arte médica, a descoberta da nossa identidade como clínicos, onde saboreamos os primeiros êxitos (ao lado dos primeiros fracassos), onde descobrimos que os doentes são o melhor (e o pior) da nossa profissão, onde

vamos acumulando experiência e números. Esta descrição, real mas quase idílica, choca, todavia, com a realidade que vivemos. A pressão no dia-a-dia, os horários, as escalas de urgência, o estudo, as apresentações e trabalhos – e o equilíbrio de tudo isto com a vida pessoal (equilíbrio indispensável) – constituem o âmago daquilo que é ser-se um interno.

E depois do internato? As apresentações e projetos de investigação já não serão compulsivos, as preocupações com os números cirúrgicos já não existirão... Mas há outras responsabilidades e desafios, e não mais teremos a inocência de termos “o futuro pela frente”, nem o consolo de termos um especialista ao nosso lado caso a cirurgia esteja a correr menos bem (afinal de contas, o especialista seremos nós!).

Tendo começado agora o último dos cinco anos, creio que o melhor ainda estará para vir, mas considero que é salutar saber ir descobrindo, no meio das contrariedades próprias do internato, os lados positivos desta nossa “juventude”. Cinco anos passam rápido e só se é interno uma vez.

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 43 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
Pedro alexandre Presidente melissa cravo Presidente

6 a 8 de maio 2022 | Porto

69.º congresso da SPORL-ccP

“Ruah quer dizer sopro e o Carlos é um sopro de amizade, de bondade, que a todos nos inspira”, foi assim que Jorge Spratley, na qualidade de presidente da SPORL-CCP, se referiu ao seu colega e amigo.

Carlos Ruah, vítima de um AVC em maio de 2019, foi alvo de uma emotiva homenagem na sessão de abertura do 69.º Congresso, ele que foi o presidente de Honra. Três outros otorrinolaringologistas foram também homenageados no

Jantar do Congresso: Manuel Clemente Pais, Nélson Gama e Castro e Joaquim Guedes, este último a título póstumo. Ao especialista francês Noel Garabédian foi-lhe, entretanto, atribuído o título de sócio honorário da SPORL. Momento alto foi igualmente a AG Eleitoral, que haveria de confirmar a eleição de José Marques dos Santos como presidente da SPORL, que pouco tempo depois tomaria posse na cidade onde vive e trabalha: Viseu.

26 e 27 de novembro 2022 | Ílhavo

Reunião do Núcleo centro / Reunião do interno

João Lourenço, ex-diretor do Serviço de ORL do CHBV, foi o presidente de Honra da Reunião, tendo a anfitriã da mesma sido a sua sucessora, Luísa Azevedo, que integrou a coordenação do evento juntamente com João Elói, Sandra Alves e Tiago Órfão. O otorrino Rui Nunes, candidato a bastonário da OM, foi um dos conferencistas.

Intervieram na sessão de abertura, para além de J. Marques dos Santos, como presidente da SPORL-CCP, Miguel Magalhães, presidente do Colégio de ORL, Sandra Costa, recentemente eleita presidente da Associação Portuguesa de Otoneurologia, e ainda, entre outros, Pedro Alexandre, presidente da Comissão de Internos, que inclui ainda Davide Marques e Tiago Chantre.

44 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos eventos

Presidente da SPORL 2019-2022

cida e muito respeitada pelas suas congéneres internacionais.

A nossa SPORL completa este ano os seus 70 anos de uma história plena, assumindo ininterruptamente o seu papel primordial na nossa especialidade como órgão científico da Otorrinolaringologia Portuguesa. É seguramente um acontecimento para comemorar!

Cumprindo com os seus desígnios, tratando-se de uma entidade sem fins lucrativos, a SPORL-CCP tem investido nas gerações de médicos mais novos, através da atribuição de bolsas de estudo e prémios como incentivo à produção científica e formação médica. O futuro reside aí.

Ao longo dos anos, como entidade vibrante que é, a SPORL ultrapassou as suas dores de crescimento, resistiu ao PREC, mudou várias vezes de nome, sobreviveu à recente pandemia de covid-19 e pode-se dizer que atingiu, no presente, um patamar de maturidade e estabilidade que lhe permite ser reconhe-

Numa efeméride desta natureza, não seria justo omitir-se o extraordinário passo dado recentemente, com a indexação da Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Tantos de nós publicámos e contribuímos para manter viva a nossa Revista e o objetivo foi finalmente cumprido! Perguntar-se-ia o que pessoalmente a SPORL-CCP me acrescentou enquanto sócio. Permitiu-me crescer como otorrinolaringologista, através do contacto com colegas mais velhos e também com os mais novos; conquistar muitas amizades, que se mantêm firmes ao longo dos anos; aprender junto dos palestrantes convidados dos congressos nacionais; representar a ORL Portuguesa além-fronteiras; servir como membro de diversas direções, nas mais diversas funções. Em suma, permitiu seguramente sentir-me um otorrinolaringologista mais completo e integrado na especialidade.

Portanto, honra aos seus fundadores e a todos os que têm contribuído para engrandecer a SPORL-CCP, votos de felicidades à atual Direção e uma vénia respeitosa a esta Vecchia Signora

janeiro-abril 2023 • jornal ORL 45 SPORL-CCP 70 Anos discurso direto
ORL 2022
A SPORL-CCP tem investido nas gerações de médicos mais novos, através da atribuição de bolsas de estudo e prémios como incentivo à produção científica e formação médica.

Viseu, 28 de maio 2022

tomada de posse de j. marques dos Santos como presidente da SPORL 2022-2025

J. Marques dos Santos tomou posse como presidente da SPORL-CCP na cidade onde vive e trabalha: Viseu. Recordou, na ocasião, que seria após assumir a direção do Serviço de ORL do Hospital de São Teotónio, em 2008, que foi “surpreendido” por um convite do então presidente da SPORL, João Marta Pimentel, para organizar a Reunião do Núcleo do Centro em 2009, enumerando de seguida as várias reuniões e congressos que entretanto ali se foram realizando.

Na cerimónia, J. Marques dos Santos haveria de ter uma palavra de agradecimento para João Marta Pimentel, que foi o seu mandatário no ato eleitoral que se realizou no decorrer do 69.º Congresso, no início de maio.

Agradeceu igualmente aos que “aceitaram o desafio para integrar a atual Direção”: Vítor Correia da Silva, Pedro Escada, João Elói, António Carlos Miguéis, Luísa Azevedo, Sandra Alves e Tiago Órfão.

J. Marques dos Santos esteve três

anos como secretário-geral de Carlos Ribeiro, os três anos seguintes como vice-presidente de Ezequiel Barros e os últimos três novamente como vice-presidente, no mandato de Jorge Spratley.

DIREÇÃO

Presidente: José Marques dos Santos 

Vice-presidente (zona sul): Pedro Escada 

Vice-Presidente (zona norte): Vítor Correia Silva 

Secretário-geral: João Elói Moura 

Tesoureiro: Paulo Vera-Cruz 

Vogais: Sandra Alves 

Luísa Azevedo 

Tiago Órfão 

António Carlos Miguéis 

Suplentes: Ilídio Gonçalves

Carlos Macor

Esteves Marcos

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL

Presidente: Jorge Spratley

Secretários: Luís Antunes

João Martins

Suplente: Miguel Furtado

CONSELHO FISCAL

Presidente: Ezequiel Barros

Vogais: Delfim Duarte

Luís Dias

Suplente: José Saraiva

46 jornal ORL • janeiro-abril 2023 SPORL-CCP 70 Anos
notícia
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