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ARQUITETURA & URBANISMO

A ADAPTAÇÃO DO CONTÊINER NA ARQUITETURA RESIDENCIAl O ESTUDO DE TIPOLOGIAS FLEXÍVEIS E MODULARES

GABRIELA ANDRADE KOSKI

Vila Velha,2014


GABRIELA ANDRADE KOSKI

A ADAPTÇÃO DO CONTÊINER NA ARQUITETURA RESIDENCIAL: O ESTUDO DE TIPOLOGIAS FLEXÍVEIS E MODULARES Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Orientadora(a): Profa. Dra. Liziane de Oliveira Jorge.

VILA VELHA, 2014.


Dedico este trabalho aos meus pais, Valdemar e Joana Vanda por todo incentivo e amor, e ao meu querido irm達o Douglas.


AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus, minha fortaleza divina; À minha família. Aos meus queridos e amados pais, por todo amor, zelo, confiança e suporte depositados ao longo dessa caminhada; Ao meu irmão e amigo Douglas pela eterna parceria e amor; Agradeço também, a professora e orientadora Liziane pelo grande profissionalismo, pela sintonia e por todos os ensinamentos; À professora Luciana por todo auxílio e contribuição; Agradeço a toda gentileza do arquiteto Elio; E por fim, agradeço a todos que direta ou indiretamente contribuíram nessa trajetória.


KOSKI, Gabriela A. A adaptação do contêiner na arquitetura residencial: o estudo de tipologias flexíveis e modulares. [ monografia] Espírito Santo: Universidade Vila Velha, 2014.

RESUMO A busca por edificações de caráter sustentável e inovador tornam-se cada vez mais essenciais para o atual cenário da construção civil. Este trabalho tem por objetivo principal, desenvolver tipologias habitacionais modulares unifamiliares de acordo com a diversidade dos arranjos familiares da sociedade contemporânea, utilizando o elemento contêiner como estrutura construtiva principal. Para alcançar tal propósito, investiga-se a essência de sua estrutura pré-fabricada, sua composição e trajetória no cenário arquitetônico, como também conceitos e propriedades necessárias para desenvolver um espaço habitável.

E esse conjunto de medidas irá nortear o

conceito de uma habitação contêiner para a atualidade. Palavras – chave: Contêiner – Habitação - Modulação - Inovação


KOSKI, Gabriela A. The adaptation of container in residential architecture: the study of flexible and modular types. [monograph] Espirito Santo: Universidade Vila Velha, 2014.

ABSTRACT The search for sustainable buildings and innovative character becomes increasingly essential to the current scenario construction. This work has as main objective to develop modular single family housing typologies according to the diversity of family structures in contemporary society, using the container as the main constructive element structure. To achieve this goal, we investigate the essence of its prefabricated structure, composition and trajectory in the architectural scene, as well as concepts and necessary properties to develop an inhabitable space. And this set of measures will underpin the concept of a container housing for today. Keywords: Container - Housing - Modulation - Innovation


LISTA DE FIGURAS Fig.1 Processo de montagem de uma casa através do sistema kit-of-parts..............24 Fig.2 Processo em finalização de uma casa através do sistema kit-of-parts.............24 Fig. 3 Montagem de uma casa pelo sistema volumétrico..........................................25 Fig. 4 Casas finalizadas através do sistema volumétrico......................................... 25 Fig.5 Transporte dos elementos de uma casa pelo sistemas de paineis...................25 Fig.6 e 7 Imagens internas e esquema volumétrico da Naked House......................26 Fig.8 e 9 Perspectivas do modelo Dom-Ino e da casa Citrohan de Le Corbusier.... 27 Fig.10 - Estudos do sistema Bauskaten.....................................................................28 Fig.11 Sistema da casa americana “Packaged House” por Gropius e Wachsman...28 Fig.12 Planta baixa e Perspectiva da “Wichita House” por Richard Buckminster .....29 Fig.13 e 14 Caserna Desmontável e Casa para Refugiados por Jean Prouvé..........30 Fig.15 e 16 Murray Grove. Vista do edifício e planta baixa.......................................31 Fig.17 e 18 Murray Grove. Vista do volume de circulação e detalhe das varandas..31 Fig.19 Murray Grove. Vista para o jardim interno..................................................... 32 Fig.20 e 21 Retrato de Malcolm Mclean. E, ao lado, um sistema de transporte utilizado anteriormente ao surgimento do contêiner..................................................35 Fig.22 Perspectivas e vista interna de um contêiner ISO.........................................36 Fig.23 Esquema do comportamento térmico estrutural do contêiner ...... .................40 Fig.24 Esquema com soluções térmicas da estrutura de um contêiner .................... 41 Fig.25 Esquemas volumétricos de algumas tipologias permitidas pelo contêiner na arquitetura. ............................................................................................................... 43 Fig.26 Montagem da variedade de projetos com contêiner pelo mundo ........ ..........44 Fig.27 Conjunto habitacional Keetwomen – vista panorâmica ...... ...........................45 Fig.28 Keetwonen, planta baixa das unidades habitacionais.....................................46 Fig.29 e 30 Conjunto habitacional keetwomen – vista do pátio interno e detalhe das varandas.....................................................................................................................46 Fig.31 e 32 Keetwomen entrada dos apartamentos e vista interna ......................... 46 Fig.33, 34 e 35 Zigloo Domestique – Planta baixa do térreo – 1º e 2º pavimentos...47 Fig.36 Casa Zigloo Domestique em fase de construção. .......................................... 47 Fig.37 Casa Zigloo Domestique – Perspectivas externas da casa ........................... 48 Fig.38 Casa Contêiner Esperança .......................................................................... 48 Fig.39 Casa Contêiner Esperança – Detalhes da cobertura ..................................... 49 Fig.40 Casa Contêiner esperança, vistas internas. ................................................. 49


Fig.41 Contêiner Esperança – Perspectiva interna – Esquema de implantação Ventilação e insolação...............................................................................................50 Fig.42 Perspectiva real e conceitual da casa contêiner de Danilo Corbas................50 Fig.43 Fases de execução da obra casa contêiner .................................................. 51 Fig.44 Imagens internas da casa contêiner do arq. Danilo corbas ........................... 52 Fig.45 e 46 Loja Decameron, vista interna e perspectiva noturna ............................. 53 Fig.47 e 48

Loja Decameron, vistas do pórtico em concreto e vista interna da

entrada ..................................................................................................................... 54 Fig.49 Loja Decameron, vistas do jardins central ......... .............................................54 Fig.50 Loja Decameron, planta baixa do 1º piso ...................................................... 55 Fig.51 Loja Decameron, planta baixa do 2º piso ...................................................... 55 Fig.52 Loja Decameron, vista do corte transversal . ................................................. 55 Fig.53 Fachada da loja Container Ecology Store. .................................................... 56 Fig.54 Perspectiva internas mostrando o piso natural mantido do contêiner, decoração

e

instalações

aparentes

da

loja

Container

Ecology

Store...........................................................................................................................57 Fig.55 - Vista do piso interno da loja Container Ecology Store ...... ...........................57 Fig.56 Entrada e área de estacionamento da Container Ecology Store...................57 Fig.57 e 58 Escada para acesso do 2º pavimento e porta para entrada/ saída para o estacionamento loja Container Ecology Store .......... .................................................58 Fig. 59 Volumetria da Galeria GAD ...... ....................................................................59 Fig.60 e 61 Galeria GAD, detalhe de janela e vista do terraço..................................59 Fig.62 Galeria GAD, vistas internas ........... ...............................................................60 Fig.63, 64 e 65 Galeria GAD, planta baixa do térreo,1º e 2º pavimento respectivamente . ...................................................................................................... 60 Fig. 66 Vista geral da casa Guest House ...................... ........................................... 61 Fig.67 e 68 Vista interna do banheiro e da sala..... ................................................... 62 Fig.69 Planta baixa da Guest House........ ................................................................. 62 Fig.70 Relação da Guest House com o entorno.......................................................62 Fig71 Combinação de módulos..................................................................................69 Fig. 72 e 73 Exemplo da aplicação dos módulos em colunas pelos gregos em seus templos.......................................................................................................................77 Fig.74 Planta baixa da cidade de Emona..................................................................77 Fig.75 Planta baixa de uma residência típica japonesa.............................................78


Fig.76 Interior do Palácio de Cristal...........................................................................79 Fig.77 Modulor...........................................................................................................80 Fig.78 Spacebox – exemplo de sistemas modulares fechados.................................83 Fig.79 Casa Foz Design – exemplo de sistemas modulares parciais abertos..........83 Fig.80 Exemplo de sistemas modulares abertos.......................................................84 Fig.81 Exemplo de sistemas construtivos de elementos modulares.........................84 Fig.82 Esquema dimensional de módulos contêineres do tipo high cube.................87 Fig.83 Componentes estruturais do contêiner...........................................................87 Fig.84 Em destaque na cor vermelha, o bairro Interlagos, e na cor laranja a delimitação do lote.....................................................................................................88 Fig.85 Vista frontal e fundos......................................................................................89 Fig.86 Mapa 06 – zoneamento detalhe 04 – PDMVV...............................................89 Fig.87 Quadro V do PDMVV. CA e Parâmetros Urbanísticos....................................90 Fig.88 Anexo I – Quadro VI do PDMVV. Afastamentos mínimos..............................90 Fig.89 Análise de insolação e ventilação...................................................................91 Fig.90 Diagrama modular da Casa Contêiner Interlagos –módulos em vermelho representando os de 20 pés, e em azul os de 40 pés...............................................92 Fig.91 Implantação humanizada com 1º pavimento da Casa Contêiner Interlagos...93 Fig.92 Planta baixa humanizada setorizada do 1º pavimento da Casa Contêiner Interlagos.................................................................................................................94 Fig.93 Planta baixa humanizada e setorizada do 2º pavimento da Casa Contêiner Interlagos.................................................................................................................95 Fig.94 Fachada Principal da Casa Contêiner Interlagos, mostrando aplicação dos paineis de madeira e do telhado aparente...............................................................95 Fig.95 Fachada vista dos fundos da Casa Contêiner Interlagos.............................96 Fig.96 Em destaque na cor vermelha o bairro Vale Encantado...............................96 Fig.97 Vista frontal do lote........................................................................................97 Fig.98 Vista do lote para a Praça Cristalina.............................................................97 Fig.99 Mapa 06 – Zoneamento detalhes IV – PDMVV............................................98 Fig.100 Anexo I – Quadro V do PDMVV. CA e Parâmetros Urbanísticos...............98 Fig.101 Anexo I – Quadro VI do PDMVV. Afastamentos mínimos..........................99 Fig.102 Análise de insolação e ventilação...............................................................99 Fig.103 Diagrama modular da tipologia Casa Contêiner Vale. Módulos em vermelho representando os de 20 pés, e em azul os de 40 pés.............................................100


Fig.104 Implantação humanizada com o 1º pavimento da Casa Contêiner Vale....102 Fig.105

Planta humanizada e setorizada do 1º pavimento da Casa Contêiner

Vale..........................................................................................................................102 Fig.106 Planta baixa humanizada e setorizada do 2º pavimento da Casa Contêiner Vale..........................................................................................................................103 Fig.107 Fachada principal da Casa Contêiner Vale exibindo o aspecto tradicional das paredes contêiner....................................................................................................104 Fig.108 Fachada norte da Casa Contêiner Vale exibindo o contraste da madeira com o convencional........................................................................................................ 104 Fig.109 Fachada sul da Casa Contêiner..................................................................104 Fig.110 Em destaque na cor vermelha, o bairro residencial Jabaeté e na cor laranja o lote selecionado....................................................................................................105 Fig.111 Mapa 06 – zoneamento detalhe IV – PDMVV............................................106 Fig.112 Anexo I – Quadro V do PDMVV. CA e Parâmetros Urbanísticos...............106 Fig.113 Anexo I - Quadro VI do PDMVV. Afastamentos mínimos...........................107 Fig.114 Analise de Insolação e ventilação...............................................................107 Fig.115 Diagrama modular da Tipologia Casa Jabaeté. Módulos em vermelhos representando os de 20 pés....................................................................................108 Fig.116 Implantação e térreo humanizados da Casa Contêiner Jabaeté...............109 Fig.117 Planta baixa do térreo humanizada da casa contêiner Jabaeté................110 Fig.118 Fachada frontal da Casa Contêiner Jabaeté...............................................110 Fig.119 Fachada leste da Casa Contêiner Jabaeté.................................................111 Fig.120 perspectiva geral da Casa Contêiner Jabaeté............................................111 Fig.121 e 122 Esquema e aplicação de fundação tipo Radier.................................113 Fig.123 Isolante térmicos e acústicos......................................................................114 Fig.124

Esquema

tipo

sanduiche

adotado

para

revestir

os

ambientes

internamente............................................................................................................114 Fig.125

Relação

de

materiais

comumente

utilizados

para

revestir

casas

contêineres...............................................................................................................115 Fig.126 e 127 Telhado convencional e com cobertura verde, ambos projetos do arquit. Danilo Corbas................................................................................................116 Fig.128

e

129

Piso

laminado

e

piso

convencional

do

contêiner...................................................................................................................117 Fig. 130 e 131 Pintura e revestimento em madeira aplicados externamente..........117


Fig.132 Cobertura verde e convencional, perspectiva casa Jabaeté.......................118 Fig.133 Esquema do sistema sanduiche aplicado nas casas..................................118 Fig.134

Abertura

no

telhado

para

auxiliar

a

ventilação

Casa

Contêiner

Interlagos..................................................................................................................119 Fig.135 Átrio central para ventilação....................................................................... 119 Fig.136 Paineis de brises e abertura com venezianas.............................................120 Fig. 137 Adaptação no contêiner.............................................................................120 Fig.138 Peças para o travamento do contêiner.......................................................121 Fig.139 Soldagem inferior e superior.......................................................................121 Fig.140 Esquema de embutimento de tubulações e fiações...................................122


LISTA DE TABELA Tabela 01 – Padrões ISO de contêineres existentes atualmente nos mercados nacional e internacional......................................................................................................36 Tabela

02

Resumo

dos

estudos

de

casos

apresentados

com

contêiner................................................................................................................................63


LISTA DE SIGLAS IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ISO – International Organization for Standardization


LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 01 - Mostrando a dinâmica em números, da situação atual dos arranjos familiares....................................................................................................................71 Gráfico 02 - Relação da família Monoparental com as com/sem filhos.....................72 Gráfico 03 - Do crescimento dos grupos unipessoais registrados ao longo dos anos...........................................................................................................................73 Gráfico 04 - Da proporção dos casais DINC a nível nacional...................................74


SUMÁRIO INTRODUÇÃO...........................................................................................................18 1 A PRÉ FABRICAÇÃO NA ARQUITETURA .......................................................... 21 1.1 Conceito e contexto histórico .............................................................................. 21 1.2 A contribuição dos modernistas no sistema pré-fabricado ................................. 26 1.3 Sistema volumétrico ou unificado ........................................................................ 30 1.4 Conclusão ........................................................................................................... 32 2. O CONTÊINER NA ARQUITETURA.....................................................................34 2.1 Breve Histórico .................................................................................................... 34 2.2 O Contêiner ......................................................................................................... 35 2.3 O Contêiner e a Sustentabilidade ........................................................................ 37 2.3.1 Princípios básicos para um projeto sustentável ............................................... 38 2.4 O uso do contêiner na arquitetura ....................................................................... 42 2.5 Projetos em contêiner pelo mundo ...................................................................... 44 2.5.1 Projetos Habitacionais ...................................................................................... 44 2.5.2 Projetos Comerciais ......................................................................................... 52 2.5.3 Projetos com estruturas móveis e outros ........................................................ 58 2.6 Conclusão ........................................................................................................... 65 3. HABITAÇÃO ......................................................................................................... 66 3.1 Breve conceito e desempenho da habitação...................................................... 67 3.2 O sistema modular na produção habitacional ..................................................... 68 3.3 A diversidade dos arranjos familiares do século XXI ........................................... 70 3.3.1 Modelos Monoparentais - Famílias chefiadas pelas mulheres.........................71 3.3.2 Não-famílias” - Pessoas residindo sozinhas.....................................................72 3.3.3 Uniões livres......................................................................................................73 3.3.4 Casais DINC- sem filhos...................................................................................73 3.4 Conclusão............................................................................................................74 4. COORDENAÇÃO MODULAR .............................................................................. 76 4.1 Breve histórico......................................................................................................76 4.1.1 Primeiro período................................................................................................76 4.1.2 Segundo Período.............................................................................................78 4.1.3 Terceiro período................................................................................................79 4.2 Conceitos de coordenação modular....................................................................81


4.3 Classificação de sistemas construtivos modulares..............................................82 4.4 Conclusão............................................................................................................84 5. A ADAPTAÇÃO DO CONTÊINER NA ARQUITETURA RESIDENCIAL: O ESTUDO DE TIPOLOGIAS FLEXÍVEIS E MODULARES ....................................... 85 5.1 Diretrizes projetuais.............................................................................................86 5.2 Padronização Modular.........................................................................................86 5.3 Local de implantação da Casa Contêiner em Interlagos.....................................88 5.3.1 Localização.......................................................................................................88 5.3.2 Parâmetros urbanísticos..................................................................................89 5.4 Projeto Casa Contêiner em Interlagos.................................................................91 5.4.1 Partido arquitetônico e composição volumétrica...............................................91 5.4.2 Programa de necessidades.............................................................................92 5.4.3 Implantação e setorização dos pavimentos......................................................93 5.4.4 Fachadas..........................................................................................................95 5.5 Local de implantação Casa Contêiner no Vale....................................................96 5.5.1 Localização.......................................................................................................96 5.5.2 Parâmetros urbanísticos...................................................................................98 5.6 Projeto Casa Contêiner Vale.............................................................................100 5.6.1 Partido arquitetônico e composição volumétrica.............................................100 5.6.2 Programa de necessidades............................................................................101 5.6.3 Implantação e setorização dos pavimentos....................................................101 5.6.4 Fachadas........................................................................................................103 5.7 Local de implantação da casa contêiner em Jabaeté........................................105 5.7.1 Localização.....................................................................................................105 5.7.2 Parâmetros urbanísticos................................................................................106 5.8 Projeto Casa Contêiner Jabaeté........................................................................108 5.8.1 Partido arquitetônico e composição volumétrica.............................................108 5.8.2 Programa de necessidades.............................................................................108 5.8.3 Implantação e setorização..............................................................................109 5.8.4 Fachadas.........................................................................................................110 5.9 Seleção de materiais e técnicas construtivas...................................................112 5.9.1 Estrutura de fundação.....................................................................................112 5.9.2 Isolamento térmico e acústico........................................................................113 5.9.3 Revestimentos internos (paredes e forros).....................................................115


5.9.4 Cobertura........................................................................................................116 5.9.5 Piso.................................................................................................................116 5.9.6 Revestimento externo.....................................................................................117 5.9.7 Estratégias de conforto e sustentabilidade....................................................118 5.9.8 Especificações Técnicas Estruturais...............................................................120 5.10 Legislação.......................................................................................................122 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................123 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................125 APÊNDICES........................................................................................................132


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INTRODUÇÃO A tarefa de inovar encontra-se cada vez mais presente no contexto construtivo no âmbito nacional e internacional. A busca por técnicas e modelos que atendam a uma demanda diversificada, flexível e sustentável se tornam cada vez mais apreciadas e necessárias. O homem da atualidade é caracterizado por um conjunto de transformações culturais, sociais e econômicas que ditam os novos modos e estilos de vida da sociedade contemporânea. A família de hoje não pode mais ser considerada rígida e inflexível, devido às crescentes e constantes mobilidades de seus membros. Em virtude disso, surge então a necessidade de introduzir novos arranjos habitacionais que reproduzam essa nova dinâmica flexível vivenciada pelo homem. E para que essas novas formulações ocorram, entende-se que há necessidade de utilizar sistemas construtivos que facilitem e contribuam para um desenvolvimento habitacional funcional, flexível e ambientalmente responsável. A temática principal deste trabalho consiste em desenvolver tipologias residenciais unifamiliares através da utilização de módulos adaptados de contêiner. O contêiner foi considerado uma inovação para os processos de armazenamento e transporte de mercadorias no século XX. Atualmente ele vem adquirindo usos alternativos na construção. A adaptação do contêiner como opção de moradia, estabelecimentos comerciais, instituições entre outros, tem alcançado considerável prestigio no cenário construtivo de vários países, devido à comprovação de sua versatilidade, flexibilidade, diversidade, sustentabilidade e etc. Em alguns países europeus, esta prática encontra-se em alta, como emblemático exemplo da empresa holandesa Tempohousing, que construiu um complexo habitacional estudantil de grande porte na cidade de Amsterdã, utilizando módulos de contêiner para compor as unidades de alojamento. No Brasil, apesar da pouca exploração no que se refere à mecanização e préfabricação dessa tipologia, já existem alguns adeptos e experiências na prática deste novo conceito. O arquiteto Danilo Corbas, por exemplo, foi um importante


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profissional a realizar um projeto de uma casa contêiner no Brasil e a explorar em seu projeto diversas temáticas sustentáveis. É importante observar, também, que já existem empresas, inclusive no Brasil, que trabalham com a adaptação do contêiner, de acordo com a necessidade e desejo apresentado pelo cliente. As propostas residenciais buscam também, fazer uma crítica aos modos de produção habitacionais convencionais utilizados na indústria da construção civil, responsáveis atualmente, por grandes impactos no meio urbano, vinculados principalmente ao intenso consumo de materiais, a grande produção residual e aos demorados períodos executivos. É diante dessa questão, que a produção habitacional modular se destaca, pois suas características principais vão ao encontro de mecanismos que tendem a dinamizar o processo construtivo. A racionalização, a variabilidade, a sustentabilidade e entre outros fatores, configuram algumas das propriedades favoráveis na utilização de sistemas modulares construtivos na habitação, onde certamente o contêiner se encaixa. A monografia está estruturada em seis capítulos. O primeiro capítulo pontua a resumidamente a trajetória histórica da utilização da técnica construtiva préfabricada no contexto habitacional bem como a contribuição de grandes nomes da arquitetura moderna neste contexto. Outro importante assunto abordado, são os principais métodos utilizados nesta técnica, destaque para o sistema volumétrico e unitizado, que caracteriza a estrutura do contêiner, o tema principal deste trabalho. O segundo capítulo traz uma abordagem especial voltada para o contêiner. Ele pontua suas características principais e estruturais, o seu surgimento, a sua utilização no mercado, a sua contribuição sustentável e seus diversos usos aplicados no contexto mundial e internacional na arquitetura, através dos variados estudos de casos apresentados. O terceiro capítulo consiste em apresentar o conceito e desempenho necessários para uma habitação, como também mostrar a aplicação e intenções do sistema modular neste setor. Outra questão abordada nesse capítulo é a estrutura contemporânea dos arranjos familiares, fator este primordial para auxiliar na configuração de modelos habitacionais. Atualmente, o setor da habitação se depara com uma sociedade de caráter distinto e evolutivo, resultado das constates e


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profundas mudanças sofridas ao longo dos tempos nas cidades, nos quais, muitas pesquisas e dados confirmam a proveniência e a realidade dessas alterações. O quarto capítulo consiste no estudo mais aprimorado da coordenação modular na arquitetura, investigando seu surgimento, suas influências e suas diversificadas aplicações no contexto arquitetônico. Após todo embasamento teórico realizado nos capítulos anteriores, o quinto capítulo consiste efetivamente no desenvolvimento de três tipologias habitacionais contêiner, em nível de estudo preliminar. Inicialmente, foi realizada uma seleção de três terrenos no município de Vila Velha, em três realidades diferentes, visando variabilidade quanto dimensão e perfil. Os três lotes escolhidos foram: Interlagos, Vale Encantado e Residencial Jabaeté, lotes com realidades distintas. Em seguida, é feita toda uma análise de condicionantes físicos, climáticos e de legislação. Posteriormente, é feito uma série de considerações que irão definir o partido arquitetônico, a volumetria, o programa de necessidades, os materiais, as técnicas construtivas e estratégias de conforto e sustentabilidade. Por fim, é apresentado o projeto que irá compreender as setorizações, os diagramas volumétricos, as plantas baixas, implantação e entre outros. O sexto capítulo, trata conclusão do trabalho. O texto analisa cada capítulo em especial e suas colaborações para o produto final gerado. E encerrando, as referências bibliográficas e os anexos, que contemplam os três projetos habitacionais.


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1.1 A pré-fabricação na arquitetura O presente capítulo consiste em apresentar um breve estudo abordando a história, a evolução e as características importantes promovidas pelo sistema pré-fabricado na arquitetura, precisamente, no setor da habitação. No entanto, para compreender sua postura atual, é preciso retomar ao século XIX, ocasião onde o avanço da industrialização proporcionou grandes transformações no modo de construir, baseado em uma larga produção em massa, nos quais conceitos como a pré-fabricação e mecanização foram fortemente difundidos, para o desenvolvimento e reconhecimento dessa técnica. Será vista, também, a relação de alguns projetos e experiências práticas dos modelos habitacionais pré-fabricados, os quais foram introduzidos por grandes nomes da arquitetura moderna, e a caracterização dos principais métodos construtivos existentes no sistema, cujo destaque é voltado para o método conhecido por sistema volumétrico, que engloba as principais características das tipologias a serem desenvolvidas neste trabalho.

1.2 Conceito e contexto histórico Processo empregado na construção, que se baseia na redução do tempo de trabalho e racionalização nos métodos construtivos, para conseguir-se, pela montagem mecânica, de elementos produzidos ou pré-moldados diretamente na fábrica. Industrializando-se assim elementos da construção. ECONOMIA de materiais, de mão-de-obra, rapidez, melhores condições de trabalho e muitas outras vantagens caracterizam a pré-fabricação como método de construção [...] (CORONA; LEMOS 1972, p.388).

A declaração acima conceitua alguns princípios promovidos pela utilização da préfabricação na construção, caracterizados por uma produção veloz, aliada ao baixo custo, à fácil instalação e à mão-de-obra qualificada. É importante analisar o papel da produção em série, o qual exerceu o desenvolvimento e inclusão da pré-fabricação na construção. Vale destacar que esta, foi difundida pelo americano Henry Ford na indústria automobilística, através do desenvolvimento de uma linha de montagem de automóveis, conhecida como o


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“Ford T”, que veio a influenciar imensamente a indústria da construção. Segundo Le Corbusier (apud FARAH, 1996, p.21), a ideologia do sistema construtivo se assemelhava ao modus operandi adotado por Ford: Impossível esperar pela lenta colaboração dos sucessivos esforços do escavador, do pedreiro, do carpinteiro, do marceneiro, do colocador de ladrilhos, do encanador. As casas devem ser erguidas de uma só vez, feitas como Ford monta os carros, sobre esteiras rolantes.

É de suma importância evidenciar que o sistema construtivo convencional conhecido até aquele momento não iria suprir com rapidez e agilidade a demanda habitacional necessária. Portas (1965, p.91) enumera algumas razões explicando o fato: As razões normalmente aduzidas para explicação do progressivo abandono da técnica tradicional são as seguintes: a procura supera sensivelmente a capacidade de fornecimento da indústria; a rapidez exigida não pode ter resposta nos métodos habituais; a possibilidade de produzir componentes de características especiais e por novos processos, permite novas formas e maior grau de organização; a evolução do condicionalismo geral conduz o operário a preferir emprego nas indústrias mais mecanizadas que oferecem melhores condições.

O “boom” do desenvolvimento dessa técnica construtiva se deu em virtude da grande necessidade de reconstrução global em massa das cidades, após o período devastador das grandes Guerras Mundiais – Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Neste período de constante renovação, muitos arquitetos, inicialmente, ergueram conjuntos habitacionais não muito atrativos, tanto na composição quanto na estética. Fator este resultante de uma produção de grande escala, baixos custos, escassez de materiais etc. No ano de 1924, o arquiteto modernista Walter Gropius exprime sobre a problemática da habitação baseada nos conceitos industriais: É totalmente errada a afirmativa de que a industrialização habitacional redundará em degenerescência das formas artísticas. Pelo contrário, a uniformização dos elementos terá como consequência saudável o caráter harmonioso das novas casas e bairros residenciais. Não se deve recear a monotonia existente nas casas suburbanas inglesas, desde que seja cumprida uma exigência básica: só os pares de construção serão tipificadas, os corpos erigidos por meio delas hão de variar (GROPIUS,2004.p.196).


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A extensa produção massificada das habitações, que objetivava, inicialmente, suprir tal carência provocada pelos conflitos, foi a grande responsável pelo título que associou às edificações do período adjetivos como: monótonas, rígidas e inflexíveis (BRUNA, 2002). Resumidamente, a situação no setor habitacional naquele momento era justificada, principalmente, por quatro acontecimentos:

Elevado úmero de residências a serem construídas em curto prazo de tempo; carência de certos materiais de construção tradicionais; dificuldade de obtenção de recursos financeiros e, sobretudo, escassez de mão-de-obra especializada (BRUNA, 2002, p. 83).

A industrialização, nessa etapa da reconstrução, consistia numa pré-fabricação pesada com sistemas fechados, devido a sua finalidade principal, a qual seria renovar o cenário até então destruído. E este, segundo Bruna (2002, p.52) ficou conhecido por industrialização fechada, ou por “Ciclo Fechado”. A ideia desse sistema consistia numa dada empresa ou grupo, capazes de executar, de maneira própria, um produto final, isto é, um edifício completo vinculado a uma produção em série. Resumidamente, a industrialização de ciclo fechado fornecia ao mercado elementos exclusivos a uma empresa específica. Os princípios do sistema fechado não obtiveram muito sucesso, pois diversos os motivos foram apontados. À rigidez foi considerada o fator principal, devido à pouca flexibilidade e adaptabilidade às condições de produção e comercialização proporcionadas. A necessidade de formulação de uma nova metodologia para o sistema estava mais do que presente. E, em sentido contrário dessa atividade rígida e inflexível, abre-se lugar à industrialização aberta ou de “Ciclo Aberto”, que segundo Bruna (2002, p.60), ele se caracteriza pela produção de elementos que permitem uma combinação entre si, proporcionando uma variedade de modelos, gerando, assim, uma diversidade de edifícios, que satisfaçam amplamente quesitos ligados à funcionalidade e à estética. Os ideais desse sistema obtiveram considerado sucesso, destaque para o contexto francês, em que a industrialização da política habitacional no país pode ter sido entendida de forma diferenciada, apesar dos condicionantes terem sido os mesmos em relação aos outros países. Bruna (2002, p. 90) reforça a experiência francesa,


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em que a “industrialização da construção foi estimulada através de sucessivas leis, que lhe conferiram estabilidade econômica, continuidade e, acima de tudo, garantias econômicas para a pesquisa em larga escala”. De acordo com Votava (2006, pp.45-50, tradução nossa), a pré-fabricação apresenta quatro métodos construtivos principais: I.

Kit-of-parts, caracterizados pelo fornecimento de kits de casas, compostos por inúmeras peças distintas para posterior montagem no local.

Figura 01 – Processo de montagem de uma casa através do sistema kit-of-parts. Fonte: Dailymail (2013).

Figura 02 – Finalização de uma casa através do sistema kit-of-parts. Fonte: Fonte: Dailymail (2013).


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II.

O sistema volumétrico, ou unitizado, onde todos os elementos necessários para equipar uma unidade são contratados direto da fábrica, originando módulos completos de habitação, ou partes dela, e recebem um alto grau de acabamento, tanto externo como interno.

Figura 03 – Montagem de uma casa pelo sistema volumétrico. Fonte: TreeHouse (2013).

Figura 04 – Casas finalizadas através do sistema volumétrico. Fonte: TreeHouse (2013).

III.

Os sistemas de painéis configuram um sistema de painéis planos produzidos em fábrica, a serem fixados em conjunto no local, a fim de criar uma estrutura desejada. Este sistema difere do volumétrico pela proporção dos elementos.

Figura 05 – Transporte dos elementos de uma casa pelo sistema de painéis. Fonte: Great American Homes (2013).


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IV.

O sistema semivolumétrico (híbrido) é um misto de flexibilidade e escolha. Ocorre uma combinação do sistema de módulos com painéis de acordo com características especificas pertinentes de cada ambiente de uma casa.

Figuras 06 e 07 – Imagens internas e esquema volumétrico da Naked House. Fonte: Naked House (2013)

1.3 A contribuição dos modernistas no sistema pré-fabricado No século XX, muitos arquitetos propagaram esses métodos citados anteriormente em seus projetos e obras, principalmente, em habitações. Le Corbusier, Walter Gropius, Frank Lloyd Wright e R. Buckminster Fuller, e a ainda outros profissionais, como,

por

exemplo,

o

serralheiro

Jean

Prouvé,

exerceram

influências

representativas nesse contexto. O arquiteto Le Corbusier foi uma figura importante na arquitetura pré-fabricada. Ele desenvolveu o famoso modelo mundialmente conhecido por “Maison Dom-Ino” em


27

1914, objetivando uma produção em massa das habitações a serem construídas no período pós-guerra. A casa era caracterizada por uma estruturação simples, composta de lajes de piso, pilares com espaçamento regular, visando o suporte vertical e um conjunto de escadas, conectando os pavimentos. O projeto permitia fabricar as peças próximo ao canteiro de obras e, posteriormente, montá-las, de maneira rápida auxiliada por guindastes. Quesitos relacionados à composição interior e vedação externa ficariam de acordo com a necessidade do construtor (FAZIO et al. 2011, p. 500-1). Como o aperfeiçoamento do modelo Dom-Ino, no ano de 1922, surge a casa Citrohan. O seu objetivo era construir uma moradia simples, de baixo custo, uma analogia à produção fabril de automóveis da empresa francesa Citroën. A casa foi construída em concreto armado, elevada do solo através de pilares, ou conhecidos pilotis. O pavimento térreo era constituído pela garagem, área de serviço e depósitos. No segundo pavimento estaria a sala de estar e jantar, o quarto de empregada e a cozinha. No terceiro pavimento, estaria o quarto de casal, voltado para a sala com um pé-direito duplo. E, por fim, a cobertura, acomodando o quarto de crianças e um terraço jardim (FAZIO et al. 2011, p. 500-1). Embora a Maison Citrohan nunca tenha se materializado, foi exemplar na aplicação dos conceitos da pré-fabricação.

Figuras 8 e 9 – Perspectivas do modelo Dom-Ino e da casa Citrohan de Le Corbusier. Fonte: FAZIO et al (2011).

Outro modernista significante foi o arquiteto Walter Gropius, que ampliou o conceito da pré-fabricação dentro da escola de Bauhaus. Entre 1922 e 1923, Walter Gropius, juntamente com Adolf Meyer, desenvolveu o sistema chamado BAUSKATEN, (kit de construção, traduzido para alemão). Formado por um sistema padronizado industrial de blocos de concreto, os quais funcionavam como um kit de peças, que, quando


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organizadas, permitiam um variado leque de combinações, quase que infinitas. Eles idealizaram que o arquiteto poderia orientar seu cliente

Figura 10 – Estudos do sistema Bauskaten. Fonte: Weinschenck (2012).

Entre os anos de 1943 e 1945, Gropius, em parceria com o arquiteto Konrad Wachsmann, desenvolvem a “Packeged House”, um modelo de casa para o mercado americano. Ele se caracteriza pelo uso de um sistema construtivo e estruturado por painéis em madeira industrializados, realizados com a combinação repetitiva desses painéis, utilizando um número mínimo de peças (NUNES, 2010, p.21).

Figura 11 – Sistema da casa americana “Packaged House” por Gropius e Wachsmann. Fonte: Nunes (2010).


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Ainda no contexto americano, Richard Buckminster Fuller, grande defensor do conceito de habitação produzida totalmente no ambiente fabril, também desenvolveu uma proposta habitacional. No ano de 1944, Fuller desenvolveu a Wichita House, baseada numa linha de montagem utilizada em aviões. A planta era em formato circular com duas áreas sanitárias centrais. Seu apoio estrutural se formava como uma espécie de mastro central de aço, onde anéis metálicos envolviam toda a estrutura, além de serem cobertos por folhas metálicas. Seu conceito se configura pela exploração de novos materiais e técnicas que propagaram ideais de uma arquitetura sustentável (NUNES, 2010, p.21-3).

Figura 12 – Planta baixa e Perspectiva da “Wichita House” por Richard Buckminster Fuller. Fonte: Nunes (2010).

Fruto das influências promovidas por Le Corbusier, Walter Gropius e R. Buckminster Fuller, surgem tipologias habitacionais realizadas pelo serralheiro Jean Prouvé. Ele dedicou seu trabalho à utilização dos metais aço e alumínio. Inicialmente, ele foi contratado para elaborar refúgios militares no período de guerras. Uma delas foi a “Caserna Desmontável”, uma unidade totalmente móvel e de fácil montagem, como também a “Casa para os Refugiados”, para alojar os desabrigados do pós-guerra. Prouvé desenvolveu um sistema estrutural de pórtico central, o que mais tarde viria a influenciar as “Casas para os Trópicos”, pensadas para resolver o problema habitacional das colônias francesas e africanas. Vale destacar, que os modelos promovidos das casas para os trópicos sofreram intensas adaptações climáticas, devido ao agressivo clima das regiões em questão (NUNES, 2010, p. 25-41).


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Figuras 13 e 14 – Caserna Desmontável e Casa para Refugiados por Jean Prouvé. Fonte: Nunes (2010).

1.4 Sistema volumétrico ou unificado Sistema do qual uma unidade, ou componente independente, permite uma padronização e variabilidade, de maneira criativa, ao longo de seu desenvolvimento. No sistema volumétrico, os diversos módulos são confeccionados nas fábricas, como elementos individuais. Após todos os processos de fabricação, os módulos são encaminhados para o seu local de destino por caminhões. Chegando até local desejado, eles são montados e organizados sobre as fundações. Aliás, estas devem ser realizadas de maneira rígida, para que o encaixe dos módulos ocorra de maneira fácil, evitando contratempos na obra (ESPÍNDOLA, 2010, p.34). Dentre as vantagens presentes na utilização desse sistema, a dinâmica de montagem é de grande destaque, pois, consequentemente, haverá uma redução no tempo construtivo. Outro fator importante é o processo projetual, que deve ser bem executado, porque o sistema não permite futuras modificações em obra (ESPÍNDOLA, 2010, p.34). Em seguida, será exemplificado um projeto que foi executado, de acordo com os preceitos do sistema volumétrico, apresentando aspectos importantes e peculiares, trazendo ao edifício uma linguagem diferenciada e moderna. Murray Groove – Hackney, Londres, 1999. (Cartwright Pickard Architects) O edifício Murray é formado pela união de 30 unidades de apartamentos organizados em cinco níveis. Sua implantação foi pensada de forma a manter a linguagem das tipologias existentes no entorno, formado por dois blocos dispostos


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numa esquina, tendo seu interior integrado por um jardim. Os módulos de aço préfabricados possuem 8m x 3,2m x 3m, e contam com uma configuração interna básica composta por quarto, banheiro, cozinha e varanda (Sherwood, 2002, tradução nossa).

Figuras 15 e 16 – Murray Grove. Vista do edifício e planta baixa. Fonte: Housing Prototypes (2013).

A racionalização construtiva esteve fortemente presente ao longo da execução do projeto. Os módulos foram montados em sete meses. Outras estruturas, como telhados, varandas e circulação, também seguiram o conceito pré-fabricado. Apesar do caráter repetitivo da construção, Murray Grove certamente é um misto de inovação e tecnologia (SHERWOOD, 2002, tradução nossa).

Figuras 17 e 18 – Murray Grove. Vista do volume de circulação e detalhe das varandas. Fonte: Housing Prototypes (2013).


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Figura 19 – Murray Grove. Vista para o jardim interno. Fonte: Housing Prototypes (2013).

1.5 Conclusão As diversas mudanças ocorridas ao longo da história em relação à técnica da préfabricação no campo da construção comprovam que ela foi pensada com intuito de melhorar e qualificar os métodos até então desenvolvidos para construir. Observouse, também, a grande influência absorvida dos modos produtivos utilizados nas fábricas, os quais foram baseados em conceitos de repetição e agilidade. À medida que os avanços tecnológicos foram ganhando credibilidade no setor civil, a busca pela industrialização no modo produtivo se intensificou. Muitos profissionais e empresas do ramo mostraram grande interesse nesta nova prática. Da mesma maneira, muitos arquitetos renomados também despertaram interesse, o que, posteriormente, veio a influenciar na execução de inúmeros protótipos residenciais e técnicas, alcançando notados prestígios. E, tratando-se dos dias atuais, a técnica disseminou fortes sementes. O mercado tem cada vez mais buscado inovar em suas atividades construtivas, objetivando rapidez, economia e a redução de prazos e custos. Certamente, tendo como aliado questões sustentáveis, também foi uma medida indiscutivelmente necessária no presente. O que se busca, portanto, é tomar partido de toda essa jornada da pré-fabricação, apreciando seus conceitos e ideias, para estudo e aprimoramento de novas


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possibilidades tipológicas de habitação, dentro de um padrão flexível, moderno e inovador.


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2.1 O contêiner na arquitetura O intuito desse capítulo é a apresentação da estrutura e das principais características pertinentes ao contêiner, bem como suas variadas adaptações aplicadas atualmente nos diferentes segmentos arquitetônicos. Algumas manifestações serão pontuadas adiante, contribuindo para a idealização no desenvolvimento de tipologias habitacionais, bem como revelando especificidades projetuais e atribuições sustentáveis de cada composição. Serão vistas também algumas ações relacionadas ao surgimento, à morfologia e inserção no mercado, objetivando um conhecimento apurado da estrutura.

2.2 Breve Histórico O contêiner surgiu em meio a um contexto de grande necessidade em melhorar as atividades envolvendo o armazenamento e o transporte de mercadorias pelo mundo. O americano Malcolm Mclean foi considerado o empreendedor dessa nova ideia, tendo como objetivo principal a redução de custos e tempo gastos para descarregar os produtos dos caminhões para os navios. Diante disso, ele percebeu que o trailer poderia facilmente ser separado dos caminhões durante as viagens, trazendo, assim, maior velocidade para as transações. Na década de 1950, o contêiner foi patenteado, caracterizado como uma estrutura reforçada e robusta, que além de permitir o encaixe nos caminhões, poderiam também ser empilhados (KOTNIK, 2008, p.25, tradução nossa). De acordo com Kotnik (2008, tradução nossa), seu uso foi considerado revolucionário na indústria do transporte, pois acabou substituindo e se estabelecendo diante dos outros sistemas existentes até então. Mas, vale destacar, sua aprovação não foi facilitada, pois os estivadores temiam perder seus empregos e os operadores receavam gerar gastos desnecessários com equipamentos para a movimentação dos contêineres. Suas qualidades, porém, se sobressaíram perante


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as contestações. Os contêineres de Mclean asseguravam que os produtos chegariam intactos, seguros e num curto período de tempo.

Figuras 20 e 21 – Retrato de Malcolm Mclean. E, ao lado, um sistema de transporte utilizado anteriormente ao surgimento do contêiner. Fonte: Kotnik (2008).

2.3 O Contêiner A definição do contêiner, de acordo com Ballou (1993 apud Muraro et al, 2006), assim se apresenta: Contêineres são grandes caixas que podem ser transportadas em vagões ferroviários abertos, em chassis rodoviários, em navios ou em grandes aeronaves. É a forma mais apurada de unitização alcançada em sistemas de distribuição. Geralmente, seguem as dimensões de 8 x 8 x 20 pés ou 8 x 8 x 40 pés (padrões ISO). Pelo seu tamanho, acomodam carga paletizada; são estanques, de maneira que não é necessário proteger a carga de problemas meteorológicos, além de poderem ser trancados para maior segurança. Normalmente, são carregados e descarregados com o uso de guinchos especiais.

De maneira simplificada, os contêineres marítimos são amplas caixas de aço, constituídas por paredes e tetos ondulados, e pisos em madeira, que circulam pelos diversos modais da cidade, principalmente por meio de caminhões, navios, vagões, armazenando diversas mercadorias de variadas partes do mundo, para o consumo diário das pessoas. Inúmeros são os tipos de contêineres encontrados no mercado. A seguir, será apresentada uma tabela enumerando alguns dos tipos mais utilizados no mercado mundial.


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Figura 22 – Perspectivas e vista interna de um contêiner ISO. Fonte: Kotnik (2008).

TABELA 1 – Padrões ISO de contêineres existentes atualmente nos mercados nacional e internacional Fonte: Fidas (2013).

A tabela especifica as dimensões externas, internas e capacidades referentes aos tipos de contêineres mais utilizados na rede mundial de transporte. Em geral, suas medidas são dadas em “polegadas” ou “pés”, que podem ser facilmente convertidas para o sistema métrico. Dentre todos os modelos apresentados, vale destacar o contêiner conhecido por “Dry High Cube”, que em especial, apresenta um diferencial em suas dimensões. Ele alcança aproximadamente 2,89m de altura externa. Podendo, de certa forma, trabalhar melhor a altura interna, comparado aos outros tipos existentes.


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2.4 O Contêiner e a sustentabilidade Atualmente, é

indispensável

à

identificação de técnicas apropriadas que

caracterizem um edifício como sustentável e minimize diretamente o seu impacto no meio ambiente. A preocupação acerca da sustentabilidade não se aplica somente em apelo na redução no consumo dos recursos naturais e descoberta de novos métodos, mas permite também que as gerações futuras realizem com qualidade as atividades básicas de sobrevivência. O sistema da construção civil, ainda que seja promissor na edificação de grandes empreendimentos que qualifiquem o espaço e o modo de vida das pessoas, é responsável pelo alto consumo de recursos naturais e pela geração de resíduos sólidos construtivos. Segundo Agopyan e John (2011, p.14), o impacto gerado no meio ambiente é resultado da união de vários fatores: De uma forma resumida, o impacto ambiental da Construção Civil depende de toda uma enorme cadeia produtiva: extração de matérias-primas; produção e transporte de materiais e componentes; concepção e projetos; execução (construção), práticas de uso e manutenção e, ao final da vida útil, a demolição/desmontagem, além da destinação de resíduos gerados ao longo da vida útil.

A construção de edifícios que promovam o baixo impacto ambiental é incentivada pela disponibilidade de um vasto acervo de técnicas e métodos sustentáveis existentes no mercado, e o incentivo dessas atitudes deve ser difundido tanto para os próprios profissionais quanto aos usuários. Relacionando a estrutura do contêiner em favor da sustentabilidade, após um rigoroso processo de adaptação apropriando-o para uso, observa-se facilmente a incorporação de temáticas sustentáveis neste tipo de construção, variando desde a aplicação de materiais a sistemas ecologicamente corretos. De acordo com Kotnik (2013, p.47, tradução nossa), a construção baseada na utilização de contêineres está em conformidade com os três princípios básicos do design 3R, reutilizar, reciclar e reduzir. O autor ainda atribui a rapidez executiva ao modelo construtivo, variando desde estruturas menores, podendo ser concluídas em apenas um único dia, a outros módulos mais trabalhados, necessitando de dias a


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mais para sua completa finalização. Outro ponto apresentado pelo autor é a capacidade autossuficiente do módulo, interagindo facilmente com sistemas coletores de água, com painéis solares, com telhados verdes, entre outros. Ainda a respeito da temática construtiva envolvendo o contêiner, segundo Lima (2011), o arquiteto brasileiro Danilo Corbas, idealizador do projeto Casa Container, em São Paulo, que utilizou o módulo como matéria-prima principal, assim exprime: Nós, arquitetos e engenheiros, temos a responsabilidade de transformar os atuais conceitos da construção civil, das técnicas construtivas e da arquitetura para que não estejamos tão a mercê dos interesses exclusivamente econômicos. Temos que priorizar a qualidade, transformar o mercado para que ofereça uma arquitetura perene, livre de modismos. Isso é sustentabilidade (LIMA, acesso em setembro 2013).

O arquiteto evidencia a capacidade de inovação que cada profissional envolvido no ramo construtivo deve ter em relação aos atuais conceitos e técnicas aplicadas no setor da construção civil para que produtos diferenciados e de qualidade sejam oferecidos. 2.4.1 Princípios básicos para um projeto sustentável Um modelo de construção sustentável deve, acima de tudo, responder e oferecer soluções adequadas aos inúmeros problemas ambientais do momento, além de estar de acordo com as tendências tecnológicas da atualidade e com as reais necessidades do usuário. Jourda (2009) enumera um conjunto de ações importantes que devem ser consideradas para a construção eficaz de um edifício sustentável. Estas medidas, por sua vez, podem facilmente ser incorporadas a uma construção do tipo contêiner. A seguir, serão mencionados alguns destes procedimentos que contribuem, em especial, na construção em contêiner. Segundo Jourda (2009), a dinâmica construtiva do canteiro de obra também pode contribuir para a sustentabilidade. Todas as atividades relacionadas à obra irão, de certa forma, contribuir para o impacto daquele espaço. A falta de tempo é considerada uma das principais vilãs na construção, podendo ser solucionada através da utilização de elementos pré-fabricados. O contêiner se insere bem nesse contexto, pelo fato de sua estrutura se comportar como uma estrutura pré-fabricada,


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em que seus módulos recebem adaptações especiais, sendo somente montados no local. Outros três procedimentos sustentáveis levantados por Jourda (2009) são questões relacionadas aos condicionantes de conforto dos ambientes, como ventilação, iluminação e orientação solar. A respeito da luz, os ambientes devem proporcionar uma iluminação natural qualificada e confortável, reduzindo assim o seu uso artificial. A orientação solar deve ser bem estudada e aplicada, pois cada região possui uma orientação de acordo com sua zona climática. E a ventilação natural compõe outro fator importante para o bom desempenho sustentável de uma edificação; ela reduz a utilização da ventilação mecânica, que atua como um vilão de alto consumo energético nas edificações. Todas essas condições podem ser aplicadas em uma construção contêiner, basta executar uma boa implantação e planejar a organização dos ambientes e aberturas. A capacidade de ampliação, a compatibilidade de usos e uma malha estrutural flexível também são quesitos pontuados por Jourda (2009) e que auxiliam para o reconhecimento sustentável do edifício. Uma edificação deve permitir futuras modificações, devido as intensas transformações sofridas nas cidades e no modo de vida dos usuários. Tecnicamente, um edifício deve prever uma futura extensão estrutural de acordo com a necessidade daquele momento. A compatibilidade de usos relaciona a possibilidade de mudança no uso que um edifício deve permitir. Sua estrutura e organização interna dos ambientes devem ser flexíveis a ponto de sofrer eventuais modificações. A malha estrutural flexível possibilita uma otimização no projeto, pois utilizando uma modulação estrutural as eventuais modificações se tornam tarefas fáceis, além de auxiliar na redução no consumo de recursos. Um outra característica importante, é a dinâmica de desmontagem que um edifício deva possuir, pois como toda construção gera um impacto, uma desconstrução também gerará. Dessa forma, os processos construtivos e materialidade irão influenciar diretamente nesse processo. Todas essas oportunidades também se encaixam no perfil construtivo do contêiner. Ampliação, diversidade usual e modulação e desmontagem contemplam algumas características principais permitidas por sua estrutura.


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A escolha dos materiais a serem aplicados em uma construção é importantíssima, pois os recursos presentes no planeta são limitados e necessitam ser preservados. Sendo assim, deve-se favorecer o uso de materiais renováveis (como madeira, lã animal e vegetal, bambu etc.); materiais reutilizáveis pela sua natureza ou forma de execução (blocos de concreto, lajes pré-moldadas); materiais recicláveis (desde que seu processo de reciclagem não tenha gerados custos energéticos); matérias derivados de produtos reciclados e entre outros. A origem destes materiais também deve ser considerada. Eles devem comprovar a procedência de seu caráter ecológico, o que é feito por meio de certificados (JOURDA, 2009). Sabe-se que o contêiner necessita de um tratamento especial em sua estrutura, o que leva a uma escolha especial de materiais e técnicas que atendam a um bom conforto térmico da estrutura. O isolamento térmico, inclusive, compreende uma das ações mais importantes a serem resolvidas na adaptação dos módulos. Pois, sua estrutura é bem robusta caracterizada pela presença de elementos e chapas metálicas de aço, que facilmente absorvem o calor e frio do ambiente externo. O esquema abaixo, mostra resumidamente a performance da estrutura diante a variação de temperatura. O contêiner quando exposto a radiação solar ele aquece rapidamente e na ausência de radiação “esfria” com a mesma intensidade.

Figura 23 – Esquema do comportamento térmico estrutural de um contêiner. Fonte: Garrido (2011).


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A qualidade interna dos módulos pode ser resolvida através da combinação de estratégias passivas de conforto térmico naturais ou induzidas, aliada também a utilização de materiais isolantes. O autor Garrido (2011), ainda apresenta alguns diagramas com possíveis soluções como: isolamento; coberturas; pátios internos; espelhos d’água; vegetação; ventilação através do efeito chaminé; brises e entre outros. A serem incorporadas ao contêiner objetivando um melhor conforto.

Figura 24 – Esquema com soluções térmicas da estrutura de um contêiner. Fonte: Garrido (2011).


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A abordagem de todos estes itens sustentáveis é fundamental na composição da edificação. Mas vale pontuar que cada projeto possui suas devidas particularidades, cabendo ao profissional envolvido analisar as dificuldades e apresentar soluções criteriosas para contribuir com a sustentabilidade na construção. 2.5 O uso do contêiner na arquitetura Inúmeras são as características presentes em um contêiner marítimo que podem ser aplicadas em modelos usuais dentro da arquitetura cotidiana. De acordo com Kotnik (2008, p.14, tradução nossa), “eles são pré-fabricados, produzidos em massa, econômicos e móveis”. O autor ainda lista características consideráveis do contêiner que podem ser atribuídas na arquitetura, como: Modulação, em que ele o associa a um Lego gigante, permitindo uma infinidade de combinações; Velocidade, porque quando associados em grandes quantidades, por exemplo, podem ser montados em um curto espaço de tempo; Robustez, pois sua estrutura resiste a diferentes condições climáticas presentes no ambiente; Flexibilidade, que possibilita, com o passar dos anos, uma mudança ou inserção de uma nova estrutura, adaptada de acordo com a necessidade momentânea; Individualismo, visto que mesmo que produzido em massa, ele permite uma estrutura singular, customizada, a gosto do usuário. Estruturas Mistas que podem, ainda, ser combinados com os diversos materiais existentes, como a madeira, o aço, o concreto e vidro. Mas, para que isso ocorra, entende-se que há uma necessidade de adaptação e modificação, permitindo, então, que ele passe a possuir uma estrutura condicionada ao uso. Relacionando suas particularidades com um algum método construtivo existente, o contêiner certamente se enquadra no sistema pré-fabricado Volumétrico ou Unitizado, já visto anteriormente no primeiro capítulo deste trabalho. Neste sistema, diversas unidades ou componentes são produzidos diretamente nas fábricas de maneira independente (módulos), mas permitem variedade e padronização em suas criações, além de viabilizarem os custos e o tempo de produção em seu desenvolvimento. A adaptação do contêiner na arquitetura já tem conquistado adeptos e uma posição de destaque em diversos países espalhados pelo mundo,


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como França, Inglaterra, Alemanha, Chile, Estados Unidos, Japão, Holanda, entre outros. Atualmente, inúmeros são os usos dados ao contêiner na arquitetura, variando desde

simples

módulos

habitacionais

ou

pontos

comerciais

a

conjuntos

habitacionais para estudantes. Observa-se que, independente do emprego que a ele seja dado, sua aplicabilidade acontece de forma arrojada e criativa. No Brasil, a adaptação do contêiner ainda não é considerada uma prática construtiva muito difundida, diferentemente da realidade em outros países. Mas é possível considerar que, apesar das poucas manifestações pontuadas, alguns projetos já foram executados e ainda outras diversas propostas já são visíveis. Hoje, por exemplo, existem algumas empresas que adaptam comercializam módulos de contêiner, como escritórios, almoxarifados, dormitórios, banheiros, depósitos, refeitórios etc. E a partir dessas referências aplicadas, compreendem-se possibilidades de trazê-las para diversos usos na arquitetura. Os esquemas (Figura 24) representam as diversidades tipológicas permitidas pelo contêiner. Eles mostram a capacidade de incorporação que o contêiner permite no universo construtivo e que de certa forma é possível diminuir uma possível monotonia no espaço. Representados em ordem na sequência da esquerda para direita, sua configuração pode acontecer como um único módulo; como composições de vários módulos; como composições modulares mistas; como módulos de extensão e módulos como complemento de um edifício existente. Os arranjos de maneira geral, são bem flexíveis e diferenciados, admitindo uma grande variabilidade estética.


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Figura 25 – Esquemas volumétricos de algumas tipologias permitidas pelo contêiner na Arquitetura. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

2.6 Projetos em contêiner pelo mundo Atualmente, há vários exemplos conceituais e práticos do contêiner adaptado na arquitetura, seja ele comercial, residencial, temporário, institucional. A seguir, serão ilustradas algumas dessas possibilidades no âmbito nacional e internacional de forma criativa, diversificada e funcional.

Figura 26– Montagem da variedade de projetos com contêiner pelo mundo.

Fonte: Kotnik (2008).

2.6.1 Projetos habitacionais

Keetwonen, Amsterdam (Tempohousing) A Keetwonen é um conjunto habitacional para estudantes, considerado um dos maiores do mundo. Ao todo, o complexo é formado por 1.026 contêineres


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organizados em doze grandes edifícios locados em pares, tendo seus acessos feitos por escadas externas. Esses grandes blocos são formados por contêineres de 40 pés, divididos em cinco níveis cada. As habitações possuem um sistema de eletricidade e internet como uma residência comum e outros serviços diferenciados, como restaurante, lavanderia, café e área para prática de esportes. A cobertura é simplificada, disposta em duas águas.

Figura 27 – Conjunto habitacional Keetwonen, vista panorâmica. Fonte: Kotnik (2008).

Outro diferencial do alojamento é a presença de espaços verdes e áreas para guardar bicicletas, principal meio de transporte utilizado pelos estudantes na Holanda. Cada unidade habitacional possui cerca de 30 m², e todas possuem aberturas para entrada de luz natural. Sua configuração interna é formada por um banheiro, que subdivide a unidade em duas partes conectadas através de um corredor. De um lado se encontra a cozinha, juntamente com uma área de jantar. Do outro, está o quarto, a sala e uma pequena varanda. As unidades, em geral, possuem um layout bem comum e repetitivo, cabe aos usuários trazerem sua identidade ao ambiente, mesmo que seja por um curto período (KOTNIK 2008, p.191, tradução nossa).


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Figura 28 – Keetwonen, planta baixa das unidades habitacionais. Fonte: Adaptado de: Kotnik (2008).

Figuras 29 e 30 – Conjunto habitacional Keetwonen, vista do pátio interno e detalhe das varandas. Fonte: Kotnik (2008).

O revestimento interno das paredes e tetos foi feito com gesso e isolamento do tipo XPS à prova de fogo. Os pisos receberam uma camada de revestimento contra ruídos e outra com madeira (Tempohousing, 2013).


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Figuras 31 e 32 – Keetwonen, entrada dos apartamentos e vista interna. Fonte: Kotnik (2008).

Zigloo Domestique, Victoria – Canadá (Keity Dewey) Zigloo é uma habitação familiar localizada num pequeno terreno no Canadá, cujos focos principais foram a reutilização de contêineres desativados, a redução na utilização de materiais e o uso de madeira de qualidade, semelhante às utilizadas nos telhados canadenses.

Figuras 33, 34 e 35 – Zigloo Domestique, Planta baixa do térreo, primeiro e segundo pavimentos. Fonte: Zigloo: creative design in a box (2013).

Os contêineres foram empilhados sobre uma base em concreto. A casa foi elaborada através da junção de oito contêineres, organizados em três pavimentos, originando um ambiente totalmente pré-fabricado. No sótão estão a lavanderia, quatro banheiros e uma sala de estar. Seguindo para o térreo, há uma sala de jantar, um salão e outro banheiro. E, por fim, no primeiro piso estão os dois quartos. Internamente, toda sua superfície foi coberta com gesso, trazendo uma aparência de residência padrão. Em sua parte externa, privilegiou-se evidenciar o caráter natural do contêiner. Ela recebeu apenas uma camada de verniz industrial e uma cobertura em curva, quebrando um pouco a presença de linhas retas (KOTNIK, 2008, p.143, tradução nossa).


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Figura 36 – Casa Zigloo Domestique em fase de construção. Fonte: Zigloo: creative design in a box (2013).

Figura 37 – Casa Zigloo Domestique, perspectivas externas da casa. Fonte: Zigloo: creative design in a box (2013).

Contêiner de Esperança, San José – Costa Rica (Benjamin Garcia Saxe) A casa de 100 m² foi desenvolvida a partir da escolha do cliente, que desejava uma casa relativamente barata e ao mesmo tempo localizada em uma área privilegiada, onde pudesse desfrutar do ambiente natural. O projeto esteve vinculado em todo momento a fortes conceitos de economia, rapidez e qualidade. A residência é formada basicamente por dois contêineres lixados e pintados com tinta anticorrosiva, suspensos do chão por blocos de concreto. Os contêineres foram dispostos de maneira paralela, com um pequeno deslize entre eles, aumentando a área das fachadas nordeste e sudoeste (CEROLLA, 2011).

Figura 38 – Casa Contêiner Esperança. Fonte: Plataforma Arquitectura (2013).


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Nas extremidades, optou-se pela utilização de amplas aberturas, facilitando a captação de luz e a integração com o meio externo. Os módulos não foram totalmente colados, um vão em estrutura metálica foi deixado entre eles, criando uma espécie de corredor, que caracteriza uma das partes mais interessantes da casa, pois é neste corredor que o arquiteto fez uso de um desnível superior na cobertura, criando um sistema natural de ventilação cruzada. Esse desnível foi realizado com chapas metálicas dos próprios contêineres, extraídas para instalação das esquadrias. A inclinação desta cobertura foi executada de forma contrária aos ângulos de incidência direta solar, proporcionado sombra e frescor aos ambientes (CEROLLA, 2011).

Figura 39 – Casa Contêiner Esperança, detalhes da cobertura. Fonte: Plataforma Arquitectura (2013).

Além de todo esse mecanismo de conforto térmico da casa, as paredes internas também receberam um tratamento especial: todas foram revestidas com painéis drywall. A casa foi pensada de acordo com as futuras expansões do usuário (CEROLLA, 2011).

Figura 40 – Casa Contêiner Esperança, vistas internas. Fonte: Plataforma Arquitectura (2013).


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Figura 41 – Contêiner Esperança, perspectiva interna, esquemas de implantação, ventilação e insolação. Fonte: Revista AU (2011).

Casa Container – São Paulo, Brasil (Danilo Corbas) A casa é formada basicamente pela união de quatro contêineres marítimos, dois formando o pavimento inferior e outros dois dispostos de forma perpendicular sobre os demais, formando o pavimento superior. A casa totaliza uma área útil construída de 196 m². Ao todo, sua configuração interna contempla três quartos, sala de jantar, sala de estar integrada à cozinha gourmet, escritório, três banheiros, área de serviço, garagem e varandas (LIMA, 2011).

Figura 42 – Perspectiva real e conceitual da casa contêiner de Danilo Corbas. Fonte: Portal Casa e Cia (2013).


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O projeto foi pensado como um organismo sustentável, onde areia, tijolo, cimento, água e ferro, pudessem ser evitados, caracterizando a obra como limpa. Partindo para os processos construtivos da casa, as estruturas de fundação foram cuidadosamente pensadas. Sapatas isoladas foram utilizadas nas extremidades dos contêineres inferiores e sobre as colunas de reforço para suportarem as cargas dos contêineres. O isolamento termoacústico interno foi um ponto importante e de grande atenção do projeto.

Figura 43 – Fases de execução da obra Casa Container. Fonte: Piniweb (2013).

As paredes foram revestidas com lã PET e drywall, nos tetos foram utilizados telhas térmicas juntamente com uma camada de poliuretano e lã mineral. Seguindo ainda com os métodos sustentáveis, o arquiteto, além da utilização de materiais voltados para a sustentabilidade, introduziu sistemas de aproveitamento de águas pluviais e aquecimento solar, uso de salamandras para aquecimento, telhado verde, telhas brancas, iluminação especial em LED, e fez uso também de ventilação e iluminação naturais (LIMA, 2011).


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Figura 44 – Imagens internas da casa contêiner do Arq. Danilo Corbas. Fonte: Fonte: Portal Casa e Cia (2013).

2.6.2 Projetos comerciais Decameron – São Paulo, Brasil - (Studio MK27) A loja compreende 252 m² de área construída, ocupando menos que a metade da área total do terreno, de 540 m². Sua estrutura é formada por seis contêineres com distintas dimensões, quatro possuem 12mx3mx3m, e os outros dois medem 3mx3mx3m. Apoiado a todos esses módulos, há também um galpão em concreto com estrutura metálica de pé direito duplo, um escritório e um grande jardim.


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Figuras 45 e 46– Loja Decameron, vista interna e perspectiva noturna. Fonte: Revista AU (2011).

A construção apresenta um caráter bem industrial, proporcionado principalmente pela utilização dos contêineres e de materiais como piso emborrachado, concreto queimado modular, eletrocalhas, entre outros. Decameron contribuiu para uma obra limpa, acessível e de baixo custo, além da flexibilidade espacial, podendo futuramente ser montada em outro local. A preocupação com conforto térmico e acústico esteve presente em todo momento no projeto. Os contêineres foram empilhados, formando um corredor de 24 metros cada, favorecendo ventilação e iluminação naturais, reduzindo o uso de ar condicionado nos ambientes. O interior dos contêineres (paredes e tetos) foi tratado com a aplicação de isolantes térmicos, como lã de vidro e MDF. A estrutura metálica do galpão recebeu uma manta termoplástica, visando a impermeabilização da cobertura (SOBRAL, 2011, pp. 33-34).


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Um diferencial da loja foi à preocupação de isolamento espacial no sítio, em que o arquiteto resolveu deixando a região oeste do terreno livre, permitindo um campo visual interessante e livre de barreiras, integrando o ambiente interno com o externo (SOBRAL, 2011, pp. 33-34)

Figuras 47 e 48 – Loja Decameron, vista do pórtico em concreto e vista interna da entrada. Fonte: Revista AU (2011).

Figura 49 – Loja Decameron, vistas do jardim central. Fonte: Revista AU (2011).


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Figura 50 – Loja Decameron, planta baixa do primeiro piso. Fonte: Revista AU (2011).

Figura 51 – Loja Decameron, planta baixa do segundo piso. Fonte: Revista AU (2011).

Figura 52 – Loja Decameron, vista do corte transversal. Fonte: Revista AU (2011).


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Container Ecology Store – Vitória, ES A Container Ecology Store compreende uma franquia de lojas presentes em diversas regiões do Brasil. A ideia foi introduzida pelo empresário gaúcho André Krai, que visualizou oportunidades promissoras nessa personalização, que além de promover um visual diferenciado, está ligada a conceitos de sustentabilidade. E será apresentada a seguir, uma unidade localizada no município de Vitória, no estado do Espírito Santo.

Figura 53 – Fachada da loja Container Ecology Store. Fonte: Arquivo pessoal (2013).

A loja compreende quarto contêineres, empilhados em dois níveis. No primeiro pavimento há uma área para roupas femininas, com pé direito duplo logo na entrada. Seguindo ainda no primeiro nível, estão a recepção, diversos mostruários e araras. Acima, no segundo pavimento, formando uma espécie de mezanino, está uma ala para roupas masculinas, composta também por araras e mostruários. A boutique conta ainda com um pequeno estacionamento, que fica aos fundos da loja, tendo seu acesso feito por um portão localizado à esquerda da porta de entrada principal.


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Figura 54 – Perspectivas internas mostrando o piso natural mantido do contêiner, decoração e instalações aparentes da loja Container Ecology Store. Fonte: Arquivo pessoal (2013).

A franquia também aderiu à sustentabilidade, o piso existente do contêiner foi reaproveitado e vários outros elementos, como araras e decks, todos feitos de materiais reciclados.

Figura 55 – Vista do piso interno da loja Container Ecology Store. Fonte: Arquivo pessoal (2013).


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Figura 56 – Entrada e área de estacionamento da loja Container Ecology Store. Fonte: Arquivo pessoal (2013).

Figuras 57 e 58 – Escada para acesso do segundo pavimento e porta para entrada/saída para o estacionamento da loja Container Ecology Store. Fonte: Arquivo pessoal (2013).

Quanto à qualidade ambiental do espaço, ela traduz uma sensação de ambiente normal e comum para um comércio. As maiores dúvidas questionadas estão relacionadas ao conforto térmico e acústico. Essas questões foram resolvidas através do isolamento interno de toda estrutura e com uso de ar condicionado. Segundo as funcionárias do local, “a sensação é normal trabalhar em um contêiner, não nos sentimos presas ou enclausuradas aqui dentro, é uma loja qualquer”. Quanto à disposição interna do espaço, os mobiliários e aberturas foram bem organizados e bem localizados. De maneira geral, a estética construtiva é bem interessante e de destaque no espaço que se insere.

2.6.3 Projetos com estruturas móveis e outros

Galeria GAD, Oslo – Noruega (MMW Architects) GAD consiste em uma galeria de arte que tem como característica principal portar uma estrutura móvel, podendo ser facilmente montada e desmontada em qualquer


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lugar num curto período de tempo. Sua proximidade com o porto de Tjuvholmen permitiu extrair um partido baseado em elementos presentes nos barcos: as janelas circulares, presentes em sua estrutura Kotnik (2008, p.30, tradução nossa).

Figura 59 – Volumetria da Galeria GAD. Fonte: Designboom (2013).

Figuras 60 e 61 – Galeria GAD, detalhe de janela e vista do terraço. Fonte: Designboom (2013).


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Figura 62 – Galeria GAD, vistas internas. Fonte: Designboom (2013).

Sua estrutura principal foi organizada com a união de dez contêineres em três pavimentos. O térreo é formado por cinco contêineres de 20 pés, que amparam toda a estrutura situada acima. Ele comporta a entrada principal da galeria, que é acessada através de uma escada externa. O primeiro pavimento é composto por mais três contêineres de 40 pés, posicionados em formato de “U”, que compreendem a recepção, banheiros, um armazém e um pequeno ambiente para exposição, e uma escada para acesso ao segundo piso. E para finalizar, o segundo pavimento é formado por mais dois contêineres de 40 pés, que contemplam outra área de exposição. As paredes internas, em geral, foram revestidas com lâminas de madeira e gesso, que posteriormente foram utilizadas para fixar diversas obras de arte. A cor cinza predominou na estrutura externa dos contêineres, juntamente com algumas aberturas trabalhadas em vidro (KOTNIK, 2008, tradução nossa).

Figuras 63, 64 e 65 – Galeria GaD, Planta baixa do térreo, primeiro e segundo pavimento respectivamente. Fonte: Kotnik (2008).


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Container Guest House – Texas (Poteet Architects) O projeto contempla uma casa/estúdio para visitas, implantada em meio a um vasto jardim. Encontra-se disposta por um banheiro, um lavabo e um dormitório. Possui uma notada integração com o ambiente externo através das inúmeras aberturas em vidro. O quarto, por sua vez, também exerce o papel de um ambiente estar.

Figura 66 – Vista geral da Casa Guest House. Fonte: Archdaily (2013).

A casa engloba um conjunto de métodos sustentáveis. A começar pela matéria prima principal, um contêiner adaptado, em que todas as paredes internas foram isoladas por uma camada de espuma, promovendo um conforto térmico; a cobertura recebeu um afastamento, permitindo o fluxo de ar em seu interior, como também um jardim em sua cobertura; paredes, pisos e tetos, foram revestidos de compensados em bambu; as áreas molhadas também tiveram sua contribuição: a água residual dos lavatórios e do chuveiro, é captada para ser utilizada na irrigação das plantas na cobertura. Entre todas estas inovações, a casa ainda contempla fundações feitas de postes reciclados, decks de materiais AVAC e entre outros (BORTOLUZZI, 2012).


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Figuras 67 e 68 – Vista interna do banheiro e da sala. Fonte: Archdaily (2013).

Figura 69 – Planta baixa da Guest House Fonte: Archdaily (2013).

Figura 70 – Relação da Guest House com o entorno. Fonte: Archadaily ( 2013).


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TABELA 2 – resumo dos estudos de casos apresentados com contêiner. Fonte: Tabela confeccionada pela autora da pesquisa (2013).


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A tabela representa uma análise básica de diversos projetos com contêiner apresentados ao longo deste trabalho, de modo a extrair importantes elementos que devem ser considerados na concepção deste tipo de projeto. As vedações internas, coberturas e fundações, principalmente, constituem ações indiscutivelmente necessárias para trazer condições usuais a uma unidade contêiner. De maneira geral, os projetos possuem uma grande diversidade estrutural e estética. Para o tratamento estrutural interno, os produtos variam desde preenchimentos com materiais especializados às conhecidas placas de gesso. As estruturas de fixação também variam, muitos projetos estão empilhados sobre fundações de concreto ou simplesmente disposto sobre o solo. As coberturas são diversas, apresentam estruturas suspensas, favorecendo a ventilação e entrada de luz natural, outras possuem jardins, outras, ainda, mantêm a simples cobertura original do contêiner, tratando apenas com impermeabilizantes e isolantes termoacústicos. É importante considerar que cada processo possui uma especificidade, pois o uso, o clima, o local, as necessidades etc., são ações que influenciarão diretamente nos resultados.


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2.7 Conclusão Considerando a existência de diversos casos da adaptação do contêiner para o meio arquitetônico, entende-se que é possível a realização de projetos voltados para os vários setores, inclusive o da habitação. As construções em contêiner permitem uma grande variabilidade construtiva, principalmente pela sua natureza modular e flexível. Nos dias atuais, observa-se que em alguns países europeus, americanos, entre outros, há uma tendência no reaproveitamento do contêiner marítimo como uma estrutura adaptada e condicionada ao uso, variando desde estruturas simples a conceitos mais elaborados e refinados. Em grande maioria, sua utilização é explicada pela relação direta com conceitos de sustentabilidade, por proporcionar uma obra limpa, livre de desperdícios materiais; pela rápida dinâmica de execução; por permitir a associação com outras estruturas e materiais ditos ecológicos. Para que estas oportunidades sejam de fato alcançadas, porém, compreende-se todo um processo de adaptações específicas e especiais do módulo, para que, então, esteja apto ao uso. Em ambiente brasileiro, apesar das eventuais estruturas existentes, nota-se grande interesse na utilização do container em diversas vertentes. Variadas empresas já trabalham nesse ramo atualmente, desenvolvendo projetos de acordo com as necessidades apresentadas pelos clientes, além de profissionais da área da arquitetura e engenharia tendo despertado o interesse pelo uso da estrutura.


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3. HABITAÇÃO O propósito deste capítulo é pontuar o conceito e desempenhos básicos necessários para produção de uma habitação, bem como caracterizar a produção habitacional através do sistema modular. Será apresentada, também, a relação dos arranjos familiares contemporâneos, que tem influenciado diretamente na configuração habitacional da atualidade. Esse estudo, aliás, é essencial para o embasamento da proposta de uma habitação unifamiliar que atenda às necessidades básicas da família moderna.

No presente momento, o cenário habitacional se encontra

vinculado fortemente aos conceitos de flexibilidade, diversidade e personalização. Isso se deve às constantes evoluções e exigências determinadas pela sociedade moderna. A flexibilidade da habitação, de acordo com Duarte (1995, p.11), está vinculada à grande mutabilidade profissional e residencial da população, como também aos crescentes arranjos familiares e as mudanças ocorridas nos padrões sociais. A diversidade de habitação, segundo Duarte (1995, p.13), está ligada ao desenvolvimento

tecnológico,

à

inovação,

aos

adventos

do

processo

de

industrialização, os quais permitem ao usuário uma liberdade de escolha, satisfazendo suas necessidades pessoais. E, por fim, a personalização habitacional, de acordo com Duarte (1995, p.14), está relacionada ao desejo, ao nível de satisfação alcançada pelos usuários em questão. A personalização reúne, ainda, conceitos de flexibilidade e diversidade. Para que todas essas ações possam de fato ocorrer, é imprescindível que a caracterização do ambiente cultural, físico e social dos indivíduos em questão sejam levados em consideração.


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3.1 Breve conceito e desempenho da habitação De acordo com Rifrano (2006, p.65), “o conceito primitivo é de que a casa representa um abrigo, um lugar de proteção e segurança contra intempéries, inimigos e outros agentes agressores”.

Essa afirmação extrapola um pouco os

presentes conceitos atribuídos à habitação na atualidade. Para Brandão (2012, p.3), o significado de habitação vai além de um conjunto estrutural de elementos, ela representa um local íntimo, de descanso. E a respeito dessa relação, ele assim descreve: Pois um "lar" não é apenas um feixe de vigas e paredes mas o lugar para onde voltamos à noite, depois do dia de trabalho, para recolher e confirmar as nossas certezas, para reencontrar os estímulos que elegemos ter em torno de nós e a partir dos quais entramos em um mundo no qual onde nos sentimos emotivamente seguros, um mundo familiar, um cosmos que nos salve do caos frenético que se promove ao nosso redor.

Fazendo uma comparação com o conceito mais atual, observa-se que a habitação vai além da simples função de abrigo e proteção. Hoje, ela tem sofrido constantes modificações, adequando-se aos interesses e às necessidades da sociedade. A respeito destas mudanças sofridas ao longo dos tempos, Barros (2012, p.99) argumenta: No interior da privacidade da moradia, os indivíduos vivem individualmente ou em família com hábitos próprios de cada ambiente que compõe a casa, como dormir nos quartos, tomar banho nos banheiros, fazer as refeições na cozinha, e fazer reunião familiar e receber visitas na sala. Porém, as alterações vividas na contemporaneidade no que se refere às formas de viver (ocupação do tempo com muitas atividades) e de morar (apartamento, condomínio fechado), os hábitos e os espaços que lhe eram próprios sofreram mudanças. Há mudanças nos hábitos antes reclusos à privacidade do lar, como, por exemplo, as refeições, que são intensamente feitas em shoppings centers; atividades profissionais realizadas dentro da própria casa; a academia como lugar para o banho. Apesar das alterações percebidas no que se referem aos hábitos, alguns devem permanecer experienciados no interior das habitações e não no seu exterior.

Em relação ao argumento citado, a autora destaca a questão das constantes mudanças funcionais que os ambientes de uma casa vêm sofrendo ao longo dos tempos, surgindo, assim, uma vida doméstica descentralizada. E, isso se deve a


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nova dinâmica de atividades vivenciadas pelos usuários. Ela cita um breve exemplo do hábito das refeições, que tem acontecido fora do espaço residencial, principalmente, e com mais frequência, em shoppings centers. Para Brandão (2012), os novos modos e estilos de vida presenciados na sociedade, fazem com que o tempo e a durabilidade das coisas sejam de certa forma esquecidas. O ato de construir, tem se desligado dos sentidos históricos e efetivos. Para Moore (1976 apud Rifrano, 2006, p.62), a habitação deve cumprir a três regras fundamentais para um bom desempenho. Elas foram designadas como “Ordens”: a ordem dos espaços, a ordem das máquinas e a ordem dos sonhos. A respeito da “ordem” dos espaços, ela representa a relação de dimensão e de critérios, como: topografia, clima, ventos, utilização de recursos tecnológicos e características construtivas que uma habitação deve possuir para servir de abrigo; A “ordem” das máquinas está relacionada à tecnologia, às máquinas, a mobília e aos equipamentos que auxiliam na comodidade de uma habitação; E, em fim, a “ordem” dos sonhos. As casas espelham os desejos, os sonhos, lembranças de lugares ou momentos ligados aos usuários. Desse modo, Rifrano (2006, p.68) conclui que o desempenho de uma habitação é composta pela união de várias questões: Portanto, o desempenho de uma habitação está intimamente ligado ao desempenho das partes que as constituem, e isto pode ser subdividido em inúmeras partes, de tal forma que se possa identificar como cada uma das partes do conjunto” casa” desempenha a sua função.

3.2 O sistema modular na produção habitacional Segundo Duarte (1995), o surgimento de uma sociedade de caráter industrial, que teve como resultado o aumento populacional nas cidades, acabou favorecendo o surgimento e a intensificação da produção em série das habitações, que, na grande maioria, eram caracterizadas por uma vasta invariabilidade. Diante dessa situação, inúmeras soluções foram propostas para definir mecanismos de diversidade, de individualismo e de qualidade, visando melhorias na produção em série das habitações, transformando essa realidade vigente até então. Ainda de acordo com


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Duarte (1995, p.5), “o conceito de sistemas modulares é uma tentativa para abordar estas questões: diversidade em série, personalização em série e flexibilidade em série”. O sistema modular pode ser entendido, segundo Duarte (1995, p.72), como “sistemas compostos de módulos, esses podem ser combinados de várias maneiras para satisfazer diferentes condições geográficas (climáticas, topográficas e urbanas), humanas (psicológicas, sociais e econômicas) e evolutivas.” Duarte (1995, p.73) salienta, ainda, que o conceito básico dos sistemas modulares é o conceito de módulo, o qual ele classifica em dois tipos: O módulo pode ser uma entidade abstracta ou física. Aos módulos abstractos convencionamos chamar de “elementos” e aos módulos físicos “componentes”. Os elementos são os módulos manipulados durante o processo de projecto enquanto os componentes são os módulos manipulados durante o processo de construção. O grau de identidade entre elementos e componentes depende do grau de pré-fabricação (DUARTE, 1995, p.73).

A escala da modulação permite inúmeros graus de combinação. Uma combinação de módulos, por exemplo, dá origem a uma habitação, e, por sua vez, combinados novamente, formam um edifício, e assim por diante (DUARTE, 1995).

Figura 71 – Combinação de módulos. Fonte: Duarte (1995).

Diante do esquema dos módulos apresentado nessa imagem, é possível fazer um paralelo com a estrutura do contêiner. A figura resume bem a propriedade modular presente nos contêineres. A variabilidade de combinações é um dos fortes conceitos apresentados para sua utilização.


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Ainda a respeito da variabilidade do sistema, apesar dele permitir inúmeras formulações no espaço, é imprescindível considerar que existe uma certa limitação. Entende-se que, na arquitetura, é necessário existir um limite, pois a individualidade pode interferir no convívio em sociedade. Deve-se atentar aos interesses do bem comum e não somente ao individual, evitando, de certa forma, uma monotonia espacial (DUARTE, 1995). Uma observação muito importante feita por Duarte (1995) é que, apesar da intensa utilização dos sistemas modulares para produção habitacional, não se deve abandonar os processos tradicionais existentes até então de projetar e construir. Os presentes sistemas podem conviver entre si, embora o sistema modular permita a produção singular de obras. Sua especialidade foi desenvolvida com intuito de se produzir em série, o que, certamente, o destaca do sistema convencional.

3.3 A diversidade dos arranjos familiares brasileiros do século XXI O século XXI carrega consigo um legado de transformações no que diz respeito ao comportamento vivenciado pelos grupos familiares atuais do Brasil. Hoje, a família não é organizada como antigamente, vinculadas a um líder principal dotada de tradição, mas sim de acordo particularidades pessoais. Para compreender especificamente essa nova dinâmica contemporânea, entende-se que diversos fatores

cooperaram

diretamente

para

que

esse

momento

“dinâmico”,

se

intensificasse cada vez mais. De acordo com Berquó (1989, p.1): “a queda acentuada da fecundidade, o aumento da longevidade, a crescente inserção da mulher no mercado de trabalho, a liberação sexual, a fragilidade cada vez maior das uniões, o individualismo acentuado, etc.,” são fenômenos que cada vez mais vêm causando alteração do tamanho da estrutura e da função das famílias na atualidade. Para Tramontano (1998), em vários países do mundo, o sistema industrializado ocasionou um grande aumento populacional e proporcionou também profundas mudanças nos arranjos familiares. Porém, na segunda metade, ocorre uma fragmentação no modelo de família nuclear do passado, e a partir desse momento


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surgem novos grupos domésticos, como: famílias monoparentais1, casais sozinhos ou sem filhos, grupos unipessoais, uniões livres (incluindo casais homossexuais), grupos coabitando sem laços conjugais ou com grau parentesco entre membros e, ainda, uma família nuclear restaurada e dominante. Em seguida serão mostrados alguns dados estatísticos a respeito dessas modificações sofridas pelas famílias ao longo do século XXI. O gráfico abaixo representa em dados numéricos os tipos e a proporção do crescimento dos principais grupos familiares brasileiros nos períodos de 2002 a 2012.

Gráfico 01 - Mostrando a dinâmica em números, da situação atual dos arranjos familiares. Fonte: IBGE,2013.

3.3.1 Modelos Monoparentais – Famílias chefiadas pelas mulheres A familiaridade pós-moderna é caracterizada pela dissolução de um tipo padrão, o chefe de família antes reconhecido fortemente na figura do pai, começam a ser substituídas por outro gênero, as responsabilidades passam a ser desempenhadas pelas mães, que tem alcançado um vertiginoso aumento de popularidade no cenário social, passando a ser provedoras do sustento familiar. E ainda segundo as estatísticas do IBGE, a autoridade foi modificada: Durante muitos anos, o IBGE utilizou a denominação “chefe da família”, De maneira simples, é a família comandada somente por um dos gêneros (pai ou mãe).


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termo bastante associado à autoridade, e, em grande parte dos casos, associado a mais importante fonte de recursos. Com as transformações ocorridas no âmbito familiar - crescente número de pessoas economicamente ativas e compartilhamento das despesas - o termo acabou se mostrando inadequado e caiu em desuso. Hoje, nas pesquisas do IBGE, utiliza-se o mesmo conceito, porém representado por dois termos: “pessoa de referência” ou “pessoa responsável”, considerando-se aquela que é reconhecida como tal pelos demais membros da família, o que expressa, portanto, a escolha dos membros da família. (Síntese de indicadores sociais. Uma análise das condições de vida da população brasileira 2012, IBGE, p.86).

O gráfico a seguir representa o aumento da chefia feminina nos núcleos familiares. Desbancando alguns outros arranjos familiares de casais com e sem filhos.

Gráfico 02 - Relação da família Monoparental com as com/sem filhos. Fonte: IBGE, 2013.

3.3.2 “Não-famílias” – Pessoas residindo sozinhas O crescimento desse tipo de grupo deve-se a variados fatores, sendo alguns mais relevantes como a queda da fecundidade e o envelhecimento da população. O gráfico seguinte ilustra notadamente o crescimento continuo dessa massa ao longo dos anos.


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Gráfico 03 - Do crescimento dos grupos unipessoais registrados ao longos dos anos. Fonte: IBGE,2013.

3.3.3 Uniões livres Cada vez mais as pessoas vem buscando experimentar de formas diferenciadas a vida em família. O casamento, que antes era um evento tradicional e constante, começa a ser pensado de forma diferente. E os divórcios, passam a ser normais e comuns entre os indivíduos. E, conforme as estatísticas do IBGE: A pesquisa Estatísticas do Registro Civil, realizada pelo IBGE, mostra uma queda na taxa geral de nupcialidade legal no País nas últimas três décadas. Em meados da década de 1970, esta taxa atingia cerca de 13%, reduzindo-se para 6,6% em 2010. Por outro lado, a taxa geral de separações e divórcios apresentou um crescimento expressivo (Síntese de indicadores sociais. Uma análise das condições de vida da população brasileira 2012, IBGE, p.90).

3.3.4 Casais DINC – sem filhos Outro grupo que também está presente na tipologias domiciliares, são os casais sem filho ou DINC (“double income and no children”). Segundo pesquisas levantadas pelo IBGE, o grupo representou 20,7% entre os casais. Muitas causas podem ter


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contribuído para este fato, como por exemplo, a inclusão da mulher no mercado de trabalho, o retardamento da idade de casamento e aumento do grau de escolaridade. O gráfico abaixo demonstra a nível nacional proporção dos casais sem filhos.

Gráfico 04 - Da proporção dos casais DINC a nível nacional. Fonte: IBGE, 2013.

3.4 Conclusão O modelo atual de habitação vem constantemente sofrendo mudanças e se adaptando conforme as necessidades e desejos de seus usuários. As mudanças ocorridas nos padrões sociais da população têm exigido cada vez mais padrões flexíveis e diversificados neste setor. Outro fator importante apresentado neste capítulo foi à caracterização do sistema construtivo modular, o qual mantém uma ligação forte com a temática principal deste trabalho. O sistema modular se destaca pela sua flexibilidade na variedade de formulações estruturais permitidas. Outro tema abordado de suma importância foi a nova formulação das famílias contemporâneas, nas quais vários fatores têm sido determinantes para tal realidade. A família nuclear existente, desde os tempos passados, e tem se desintegrado. O número de pessoas morando sozinhas, uniões livres, a conquista incessante das


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mulheres no mercado de trabalho, a queda da taxa de fecundidade, entre outros, são fatores que contribuíram com este quadro. Através desses estudos, portanto, buscamos uma fundamentação para o desenvolvimento de tipologias habitacionais unifamiliares, de acordo com os diferentes perfis da família atual, como também utilizar os conceitos apresentados pelo sistema construtivo modular.


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4. COORDENAÇÃO MODULAR Neste quarto capítulo, será apresentada uma breve abordagem sobre a coordenação modular. Para melhor explorá-la adiante na proposta projetual, há necessidade de conhecer seu trajeto histórico e evolução percorridos até então e outros quesitos importantes como conceito e classificações.

4.1 Breve histórico O conceito construção modular é antigo, e tem sofrido inúmeras transformações ao longo dos tempos. Historicamente sua utilização na arquitetura foi apresentada ainda na antiguidade, por civilizações clássicas. E na atualidade, também tem sido estudada e aplicada. Seu trajeto foi evolutivo e importante para o campo da arquitetura,

o

sistema

organizou-se

em

três

períodos

distintos

segundo

(BREGATTO, 2008): Primeiro período (antiguidade -1700); Segundo período (1700 -1850); Terceiro período (1850 - atualidade).

4.1.1 Primeiro período Caracterizado por uma produção arquitetônica fundamentada na participação humana, ou seja, as construções eram alçadas através da força braçal do homem. Os módulos foram interpretados por três civilizações distintas: os gregos, romanos e japoneses. Para os gregos, a estética era essencial. A unidade básica de medida, era o diâmetro das colunas, era a partir delas que todos os outros elementos eram criados, ou seja, todo o conjunto deveria estar em conformidade e proporção. A única situação diferente nesse sistema eram as variações de tamanho das colunas das ordens gregas - jônicas, dóricas, coríntia, toscana e composta, elas seguiam suas próprias proporções (GREVEN E BALDAUF 2007).


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Figura 72 e 73 - Exemplo da aplicação dos módulos em colunas pelos gregos em seus templos. Fonte: Greven e Baldauf (2007).

A civilização romana por sua vez, baseou-se no módulo influenciado pelas medidas do corpo humano, os chamados passus. Eles consideravam que o módulo baseado no homem era mais apropriado, já que uma edificação acomoda o homem e suas principais ações, ele seria a melhor referência nesse caso. Um exemplo a ser citado é a cidade chamada Emona, que foi desenvolvida a partir de uma malha modular determinada a partir da medida do pé romano (GREVEN E BALDAUF 2007).


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Figura 74 - Planta baixa da cidade de Emona. Fonte: Greven e Baldauf, (2007).

Os japoneses também tiveram sua contribuição, eles desenvolveram uma medida conhecida por KEN que inicialmente era utilizada para medir distâncias entre colunas equivalentes ao pé inglês. O KEN por sua vez, não foi somente uma grandeza estipulada para construir edificações, tronou-se um tipo de módulo que comandava os materiais, a estrutura e organização da arquitetura japonesa (GREVEN E BALDAUF 2007).

Figura 75 – Planta baixa de uma residência típica japonesa. Fonte: Greven e Baldauf, (2007).

4.1.2 Segundo período A partir desse momento a produção arquitetônica não está mais fundamentada na figura do homem, mas sim na máquina. Com o advento da revolução industrial que desencadeou o surgimento de dispositivos e equipamentos mecânicos que emitissem esforços capazes de substituir a força do homem, materiais em seu estado bruto puderam ser transformados em peças pré-fabricadas. Como consequência disso, surge uma nova definição na produção arquitetônica, a industrial. Em que os componentes construtivos, eram elaborados em grandes quantidades, tamanhos e formas padronizados, dinamizando os processos e evitando possíveis perdas materiais. Um destaque que pode ser apresentado


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durante esse período é o projeto do Palácio de Cristal, concebido através do processo da pré-fabricação (BREGATTO, 2008). O palácio foi considerado um marco neste período, sua estrutura foi totalmente montada com peças pré-fabricadas em perfis de ferro num período total de dez meses, sendo considerado bem avançado em relação aos edifícios da época.

Figura 76 – Interior do Palácio de Cristal. Fonte: Greven e Baldauf, (2007).

4.1.3 Terceiro período Esse período teve início nos anos de 1850 e perdura até os dias atuais, caracterizado basicamente pelo conceito de coordenação modular. Com o passar dos tempos várias pesquisas e técnicas foram exploradas a respeito, como no ano de 1930, em que o inglês Alfred Farewell Bemis publicou em seu livro a técnica de coordenação modular denominada de “método modular cúbico”, que proporcionou primeiramente, chances da utilização da modulação na construção civil. A proposta de Bemis era que cada fragmento de uma edificação fosse construído em série, através da utilização de um módulo cúbico preenchendo o edifício em todas as dimensões. E as pesquisas não cessaram o Instituto Americano dos Arquitetos, o Conselho Nacional dos Produtores e o American Standard Associatian deram continuidade às pesquisas, e este último publicou um guia acerca do assunto, conhecido por “A Guide for Modular Cordination” (BREGATTO, 2008).


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Este período foi marcado por outros acontecimentos, que podem resumidamente ser pontuados ainda por (Bregatto, 2008): O desenvolvimento de um projeto envolvendo a coordenação modular por parte da Ordem dos Arquitetos da França, que posteriormente foi transformado em um conjunto de normas, denominado” Beareau de Normalisation”.

A criação de um sistema de proporção conhecido por Modulor, concebido pelo conceituado Le Corbusier inspirados nas dimensões do corpo humano.

Figura 77 – Modulor Fonte: Greven e Baldauf, (2007).

O desenvolvimento de um sistema de painéis em madeira, no ano de 1941 por Gropius e Wachsmann. Que de certa forma revolucionou, a partir desse momento, pesquisas e a utilização da coordenação modular a alcançarem um nível internacional.


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A aplicação da coordenação modular nos períodos entre guerras na Alemanha e Inglaterra. Na Alemanha, Ernest Neufert criou um sistema de coordenação octométrica, composto por módulo de 12,5cm. A elaboração da NB-25R pela ABNT no Brasil, indicada para as construções modulares, revisada posteriormente no ano de 1969.

4.2 Conceitos de Coordenação Modular Na arquitetura, a Coordenação Modular pode ser entendida simplesmente como, uma

metodologia

de

projeto,

constituída

por

componentes

construtivos

dimensionados a partir de uma unidade de medida comum, o módulo. E o módulo por sua vez, é quem determina os fatores de dimensionamento e proporcionalidade entre os itens, criando assim uma espécie de conexão entre si. Muitos autores descrevem a respeito do conceito. Castelo, por exemplo, denomina como “coordenação dimensional modular”, e assim descreve:

A coordenação dimensional modular, é uma metodologia, que visa criar uma dimensão padrão, que racionalize a concepção e a construção de edifícios, o que permite elevar o grau de industrialização da construção, mantendo no entanto a liberdade de concepção arquitectónica dentro de valores aceitáveis. (CASTELO, 2008, p.149).

Relacionando outras opiniões, a Coordenação Modular é “um mecanismo de simplificação e inter-relação de grandezas e de objetos diferentes de procedência distinta, que devem ser unidos entre si na etapa de construção (ou montagem), com mínimas modificações ou ajustes” (GREVEN; BAUDALF, 2008, apud, Mascaró, 1976). Seguindo nas descrições, a norma NBR-5706 (ABNT, 1977) brasileira, assim a define a coordenação: “Técnica que permite relacionar as medidas de projeto com as medidas modulares por meio de um retículo espacial de referência.”


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Pode-se dizer de maneira geral, que este modelo construtivo está diretamente relacionado a racionalização e estandardização. A estandardização acontece através do dimensionamento dos elementos construtivos e a racionalização no processo construtivo propriamente dito, desde a fase projetual a instalação final. O processo construtivo por sua vez do sistema é concretizado em duas etapas diferentes: a princípio os componentes do sistema são produzidos em fábrica e em seguida serão transportados até o local de desejado para montagem. A presença da racionalização é ressaltada nas duas fases.

4.3 Classificação de sistemas construtivos modulares Os sistemas modulares podem ser classificados de acordo com a composição de sua forma e sistema de montagem. E segundo Lawson (apud PATINHA, 2011, pp.23-25) o sistema pode ser organizado em: Sistemas híbridos ou mistos: sistemas em que os diversos sistemas se misturam para compor a estrutura final da habitação. Sistemas modulares fechados, tipo células: módulos cuja forma e o desempenho se podem assemelhar a contentores de transporte marítimo. O espaço interior vem já previamente preparado e a sua função não pode ser alterada. Este tipo de módulo acarreta um elevado grau de padronização e pré-fabricação, estando estes praticamente prontos após a sua implantação. A forma e dimensões dos módulos não permitem grande variedade no aspecto final da habitação. Consoante o produto em questão estes podem ser empilháveis, ligados entre si ou suspensos por uma estrutura metálica principal que funciona como esqueleto.


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Figura 78 – Spacebox, exemplo de sistemas modulares fechados. Fonte: Flickr, (2013).

Sistemas parcialmente abertos: estruturas semelhantes às anteriores, mas com aberturas laterais que permitem a sua ligação a outros módulos, quando dispostos simetricamente.

Figura 79 – Casa Foz Design, exemplo de sistemas modulares parciais abertos. Fonte: Casa Foz Design, (2013).

Sistemas abertos: como o nome indica são módulos completamente ou parcialmente abertos dos quatro lados, constituídos por vigas que suportam pisos e pilares nos cantos. Estes módulos podem ser agrupados segundo diferentes direções com o intuído de criar espaços cobertos maiores. Os módulos podem ser ligados segundo direções distintas permitindo assim um maior de configurações.


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Figura 80 - Exemplo de sistemas modulares abertos. Fonte: Radziner, (2005).

Sistemas construtivos de elementos modulares: Nestes sistemas não existe uma definição de módulos enquanto caixas fechadas ou abertas. O sistema é modular, pois os seus elementos estruturais e não estruturais são fabricados com dimensões padrão base, de modo a que sejam ligados de forma rápida e eficaz. Por norma, têm um grau de pré-fabricação menor, mas permitem um grau de customização maior. Normalmente permitem produzir painéis préfabricados de pisos e paredes.

Figura 81 – Exemplo de sistemas construtivos de elementos modulares. Fonte: Jatsongreen, (2012).

4.4 Conclusão A respeito da coordenação modular, as pesquisas bibliográficas realizadas demonstram que seu conceito surgiu ainda nas civilizações clássicas, sendo utilizada na construção de grandes edifícios, templos, habitações e etc. Posteriormente com o advento da Revolução Industrial, que abriu caminho para


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novas técnicas, materiais, para a produção em série e entre outros, estimularam novamente a utilização da coordenação modular. Outro fato importante ocorreu em meados do século XX, arquitetos resgataram novamente a metodologia da coordenação, relacionando fortemente as proporções do corpo humano com as dimensões dos espaços e elementos. Ocorreram

também

outros

movimentos

a

nível

mundial,

objetivando

o

desenvolvimento uma linguagem padrão de dimensionamento dos elementos construtivos. É necessário entender que a coordenação modular na arquitetura, está fortemente vinculada ao conceito de sustentabilidade, através da redução do desperdício de insumos na execução de um dado ambiente, por exemplo. É importante salientar também que, em geral a construção modular é um processo em constante desenvolvimento, visando melhorias voltadas principalmente para qualidade,

conforto,

eficiência

energética

nas

habitações e

entre

outros.

Objetivando, de maneira vantajosa, uma habitação executada num curto prazo, de custo final atrativo e que possa igualar-se a uma construção tradicional.

5. A ADAPTAÇÃO DO CONTÊINER NA ARQUITETURA RESIDENCIAL: O ESTUDO DE TIPOLOGIAS FLEXÍVEIS E MODULARES O principal intuito deste trabalho é propor três ensaios projetuais de habitações utilizando contêineres, a serem inseridas em distintos lotes na cidade de Vila Velha, ES. A escolha diferenciada dos lotes foi focada na intenção de mostrar a flexibilidade e adaptabilidade dos módulos em três terrenos com dimensões diferentes. E o resultado final, será a reprodução de três casas, que irão traduzir alguns fatores como: o perfil do espaço, uma categoria familiar e a essência modular do contêiner. Como apresentado nos capítulos anteriores, uma casa contêiner para ser considerada “habitável”, necessita passar por alguns processos e receber soluções técnicas ao longo de sua concepção, pois uma edificação container compreende muito mais que um simples amontoado enfileirado de grandes módulos.


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A arquitetura de container é comumente relacionada a edifícios de caráter temporário, provisório e emergencial. Entretanto, modelos atuais comprovam a possibilidade de inúmeras soluções que atendam elevados padrões arquitetônicos. Além de que, o container passou a traduzir originalidade e singularidade em um projeto, a partir do momento que deixou de ser um simples recipiente produzido em massa, para ser tonar um módulo construtivo arrojado, flexível e ousado. O contêiner passa a ser de fato arquitetura, quando é inserido num cenário peculiar do universo arquitetônico. Este capítulo traz informações e os aspectos necessários para o desenvolvimento de um projeto arquitetônico de três casas contêineres, em nível de estudo preliminar, planejada e destinada à família contemporânea. 5.1 DIRETRIZES PROJETUAIS As diretrizes principais constituíram-se principalmente em criar um espaço qualificado e dentro das exigências condicionadas pelos lotes e tipos familiares. E para alcançar tal objetivo, algumas ações serão determinantes para o processo de desenvolvimento do projeto, tais como:

A delimitação de um perfil familiar para casa habitação; Definição

de

elementos

arquitetônicos

para:

fundação,

isolamento

térmico/acústico, cobertura e revestimentos; Aplicação de pelo menos uma estratégia sustentável nas tipologias; Variação modular nas tipologias, quando for possível; Utilização de uma materialidade homogenia para as tipologias;

5.2 PADRONIZAÇÃO MODULAR O container pode ser encontrado em diversos tamanhos e versões. O arranjo do projeto baseou-se inicialmente em procurar atender a uma modulação variada de módulos, sendo utilizados os de 20 e 40 pés do tipo High Cube (figura 64). Os contêineres de 20 pés pesam 21.000 kg enquanto os de 40pés pesam 27.00 kg.


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Ambos suportam uma carga de até 100 t e sustentam um balanço de até 2/3 do seu próprio comprimento.

Figura 82 – Esquema dimensional de módulos contêineres do tipo High Cube. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

Os módulos são padronizados de acordo com o sistema ISO, medidos em unidades “pés”, que podem ser convertidos em m (metros). O tipo High Cube é o mais apropriado e comumente utilizado para desenvolver espaços habitacionais, possuindo 2,89 m de altura, permitindo trabalhar um pé direito confortável e 2,44 m de largura, variando apenas no comprimento entre os módulos de 20 que possuem 6,06m e os de 40, 12,19m.

Figura 83 – Componentes estruturais do contêiner. Fonte: Arquivo pessoal (2014).


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O container é formado basicamente por perfis tubulares metálicos envolvidos por um piso compensado naval e vedados por paredes em chapas metálicas de aço cortem corrugado e duas grandes portas de acesso (figura 83). É esse conjunto reforçado, que sustenta, dá resistência e estabilidade para os módulos.

5.3 LOCAL DE IMPLANTAÇÃO DA CASA CONTÊINER INTERLAGOS 5.3.1 Localização O primeiro lote selecionado para implantação do ensaio projetual da habitação situase no bairro Interlagos, Vila Velha. O bairro Interlagos é margeado pela Rodovia do Sol (figura 84), sendo classificado como classe média alta no munícipio de Vila Velha, basicamente residencial, comporta principalmente edificações de alto padrão e sofisticadas, tendo como foco marcante, a presença de uma praia ao longo de sua localidade. O lote tem testada para rua “A”, com a vista dos fundos voltada para o balneário. Ele possui uma área, aproximadamente 390,95 m², sendo totalmente plano e livre de vestígios construtivos em sua extensão.

Praia de Interlagos; Rodovia do Sol; Marcação do lote;

Figura 84 – Em destaque na cor vermelha, o bairro Interlagos. E na cor laranja a delimitação do lote. Fonte: Adaptado pelo autor do site Google Earth. Acesso em Agosto de 2014.


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Figura 85 – Vista frontal e fundo. Fonte: Arquivo pessoal. Acesso em Agosto de 2014.

5.3.2 Parâmetros urbanísticos Para dar início as atividades projetuais referentes à tipologia habitacional, faz-se necessários consultar o Plano Diretor Municipal da cidade de Vila Velha, objetivando entender e explorar os limites estabelecidos para a elaboração do projeto. De acordo com o PDM de Vila Velha, o terreno está situado na zona ZOC1 (Zona de Ocupação Controlada 1).

Figura 86 – Mapa 06 – zoneamento detalhe 04 – PDMVV. Fonte: Disponível em: PDM de Vila Velha. Acesso em Agosto de 2014.

E de acordo com o quadro do anexo I do PDMVV apresentados na figura 61 abaixo, o coeficiente de aproveitamento básico do lote em questão é de 1,0, a taxa de ocupação 60% e taxa de permeabilidade 10%. O Gabarito permitido é de dois


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pavimentos e altura máxima de 9m. Os afastamentos serão apresentados do quadro na figura 88.

Figura 87 – Anexo I – Quadro V do PDMVV. CA e Parâmetros Urbanísticos. Fonte: Adaptado pela autora. Disponível em: PDM de Vila Velha. Acesso em Agosto de 2014.

Figura 88 – Anexo I – Quadro VI do PDMVV. Afastamentos mínimos. Em relação as afastamentos, os frontais são de 3m, enquanto os laterais e fundos serão de 1,5m para edificações de um pavimento e de 2,0 m para edificações de 2 pavimentos. Fonte: Disponível em: PDM de Vila Velha. Acesso em Agosto de 2014.


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Figura 89 – Análise de insolação e ventilação. A análise é bem simplificada e resumida. A melhor insolação está clara que é a matinal, que chega até o terreno pela diagonal. Em relação aos ventos, os dominantes vem da direção nordeste. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

5.4 PROJETO CASA CONTÊINER INTERLAGOS 5.4.1 Partido arquitetônico e composição volumétrica Para a definição do partido arquitetônico, inicialmente, o objetivo foi privilegiar uma variabilidade modular, tornando o volume mais dinâmico, como também aproveitar a visual proporcionada pelo terreno de modo a atender a esse público específico de um caráter mais elevado. Neste caso, o desafio central desta tipologia, está em desenvolver uma casa container de padrão com um padrão requintado, que ao mesmo tempo fosse prática e funcional. O telhado aparente será um diferencial importante para o projeto. A escolha dos materiais também foi importante, eles foram empregados de maneira a dar um aspecto rústico e arrojado à edificação, combinando com a sua originalidade robusta. Após a conclusão das pesquisas em que foi determinado, principalmente, o lote, a dimensão dos módulos e o partido, é que foi possível iniciar um estudo para definir a volumetria.


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Dessa forma, a configuração resultante foi a junção de 11(onze) módulos no total, sendo 04 de 40 pés e 07 de 20 pés. Os módulos foram sobrepostos e ajustados em dois níveis, como está representado no esquema abaixo.

Figura 90 – Diagrama modular da casa container Interlagos. Módulos em vermelho representando os de 20 pés e em azul os de 40 pés. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

O primeiro pavimento foi formado a partir do encaixe de 07 módulos, destes, 02 são de 40 pés e 05 de 20 pés. E o segundo pavimento, contou apenas com quatro módulos, 02 de 20 pés e 02 de 40 pés. A setorização geral da edificação contemplou áreas sociais, serviço e lazer no térreo e as áreas íntimas no pavimento superior.

5.4.2 Programa de necessidades A proposta do programa foi favorecer um fluxo integrado entre os ambientes e trazer privacidade aos quartos. O programa adotado deverá comportar uma família de 03 pessoas, Pai, mãe e filho (a). Que reunirá os seguintes ambientes abaixo: 01 Garagem; 01 Sala estar; 01 Escritório; 01 Cozinha;


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01 Área de serviço; 01 Banheiro social; 02 Suítes; 02 Varandas; Áreas de lazer;

5.4.3 Implantação e setorização dos pavimentos A implantação do projeto se fez com a combinação de diferentes blocos, ajeitados em dois níveis de forma simplificada e com leves deslocamentos entre si, obedecendo aos afastamentos mínimos estabelecidos pelo município e a uma boa orientação solar. O volume gerado resultou numa integração entre a edificação com as áreas de lazer, paisagismo e visuais proporcionadas.

CONEXÕES

VISUAIS

Figura 91 – Implantação humanizada com 1° pav. da casa contêiner Interlagos. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

O paisagismo basicamente foi trabalhado com a valorização de pisos, plantios de arbustos e grandes porções gramadas. Os decks em madeira demolição foram utilizados em grande maioria, com objetivo de acentuar ainda mais o tom rústico desejado para casa.


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Para suprir o lazer, foi inserido uma piscina envolvida por um grande deck, um espaço gourmet com uma grande mesa, e anexo a área da piscina, que terá uma área coberta com pergolado combinado com uma churrasqueira e pequenas mesinhas. Essas áreas foram setorizadas mais aos fundos do lote, com a finalidade de apreciação da vista da praia. Seguindo mais detalhadamente para a setorização do 1° pavimento, composto por 07 módulos, foi planejado para acomodar as zonas de maior fluxo, contemplando as áreas sociais (sala de estar,que contará com um vazio central, favorecendo a ventilação e iluminação no interior da casa e escritório), as áreas de serviço (garagem, cozinha, área de serviço e área externa de apoio para área de serviço), as áreas íntimas (banheiros) uma para o uso social da casa e outro situano no espaço gourmet, e por fim, uma parte da área de lazer, composta pelo espaço gourmet.

SERVIÇO

SOCIAL ÍNTIMO LAZER CIRC. VERTICAL

Figura 92– Planta baixa humanizada e setorizada do 1°pav. da casa contêiner Interlagos. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

O segundo pavimento composto por 04 módulos, foi responsável pela acomodação das áreas mais reservadas da casa, as suítes. Elas irão dispor de uma varanda cada, posicionadas tomando partido do visual da praia.


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ÍNTIMO CIRC.VER TICAL

Figura 93 – Planta baixa humanizada e setorizada do segundo pavimento da casa contêiner Interlagos. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

5.4.4 Fachadas As fachadas da casa contêiner Interlagos como proposto, teria um requinte diferenciado, sem deixar o toque rústico e “natural” da estrutura de lado.

Figura 94 – Fachada principal da casa contêiner Interlagos, mostrando a aplicação dos paineis de madeira e do telhado aparente. Fonte: Arquivo pessoal (2014).


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Figura 95 – Fachada vista dos fundos da casa contêiner Interlagos. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

5.5 LOCAL DE IMPLANTAÇÃO CASA CONTÊINER VALE 5.5.1 Localização O segundo lote selecionado para implantação do ensaio projetual da habitação situa-se no bairro Vale Encantado, Vila Velha.

Figura 96 – Em destaque na cor vermelha, o bairro Vale Encantado. E na cor laranja a delimitação do lote. Fonte: Adaptado pelo autor do site Google Earth. Acesso em Agosto de 2014.


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O bairro Vale Encantado é formado através da união dos bairros Santa Clara e Jardim do Vale, sendo cortado por duas rodovias estaduais, a Leste-Oeste e a Darly Santos, sendo classificado como classe média baixa no munícipio de Vila Velha. Ele comporta principalmente, um misto de edificações de caráter simples variando de dois a três pavimentos, tendo como presença marcante uma grande praça central, principal meio de lazer da localidade. O lote escolhido está situado, com a testada para a Praça Cristalina. Ele possui uma área aproximadamente de 250,0 m², sendo totalmente plano e livre de vestígios construtivos.

Figura 97– Vista frontal do lote. Fonte: Disponível em: Google Earth. Acesso em Agosto de 2014.

Figura 98 – Vista do lote para a praça Cristalina. Fonte: Arquivo pessoal. Acesso em Agosto de 2014.


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5.5.2 Parâmetros urbanísticos Para dar início ao projeto da contêiner Vale, também foi seguida a metodologia baseada na consulta do Plano Diretor Municipal da cidade de Vila Velha, para conhecer os limites e explora-los corretamente. De acordo com o PDMVV, o terreno está situado na zona ZEIU Vale Encantado (Zona de Especial Interesse Urbanístico).

Figura 99 – Mapa 06 – zoneamento detalhe 04 – PDMVV. Fonte: Disponível em: PDM de Vila Velha. Acesso em Agosto de 2014.

E de acordo com o quadro do anexo I do PDMVV apresentados abaixo, o coeficiente de aproveitamento básico do lote em questão mínimo é de 0,2, o básico de 2,5 e o máximo 4. A taxa de ocupação 60% e taxa de permeabilidade 10%. O Gabarito permitido e altura máxima não é especificado, permitindo certa liberdade. Os afastamentos serão apresentados a seguir no quadro na figura 62.

Figura 100 – Anexo I – Quadro V do PDMVV. CA e Parâmetros Urbanísticos. Fonte: Adaptado pela autora. Disponível em: PDM de Vila Velha. Acesso em Agosto de 2014.


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Figura 101– Anexo I – Quadro VI do PDMVV. Afastamentos mínimos. Em relação as afastamentos, os frontais são de 3.0 m, enquanto os laterais e fundos serão de 1.5m. Fonte: Disponível em: PDM de Vila Velha. Acesso em Agosto de 2014.

Figura 102 – Análise de insolação e ventilação. A análise é bem simplificada e resumida. A melhor insolação está clara que é a matinal no sentido leste, que chega até o terreno pela diagonal. Em relação aos ventos, os dominantes vem da direção nordeste. Fonte: Arquivo pessoal. Acesso Agosto de 2014.


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5.6 PROJETO CASA CONTÊINER VALE

5.6.1 Partido arquitetônico e composição volumétrica A casa contêiner Vale, foi baseada em um partido de caráter mais simplificado e compacto comparado a casa Interlagos, fator determinado, sobretudo pela localização e pelo perfil dos usuários. A materialidade, assim como na tipologia Interlagos será mantida, o tom rústico e convencional irão compor também a estrutura da casa Vale. A configuração modular resultante foi a junção de 6 módulos no total, sendo 02 de 40 pés e 04 de 20 pés. Os módulos foram sobrepostos e ajustados em dois níveis diferentes, como está representado no diagrama.

Figura 103 – Diagrama modular da tipologia casa contêiner Vale. Módulos em vermelho representando os de 20 pés e em azul os de 40 pés. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

O primeiro pavimento foi formado a partir do encaixe de 03 módulos, destes, 02 são de 20 pés e 01 de 40 pés. E no segundo, essa mesma modulação se repete.


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5.6.2 Programa de necessidades O programa adotado foi compacto e de certa forma flexível, pois irá conter um ambiente que poderá variar quanto à função. A privacidade dos quartos também irá predominar. O programa deverá comportar inicialmente uma família de 04 pessoas, Pai, mãe, filho (a) e um possível agregado. Que reunirá os seguintes ambientes abaixo: 01 garagem; 01 Sala estar; 01 Cozinha; 01 Área de serviço; 02 Banheiros sociais; 03 Quartos;

5.6.3 Implantação e setorização dos pavimentos A implantação da casa contêiner Vale como já citado anteriormente, foi baseada em um programa mais reduzido. A orientação dos módulos foram sucintas, posicionados com boa orientação solar e com leves recuos, objetivando uma planta dinâmica sem deixar a funcionalidade e a conexão dos ambientes prejudicada. O paisagismo trabalhado foi básico, a parte frontal foi intercalada com um jogo de decks em madeira de demolição, com pequenas porções de pedriscos e arbustos. As laterais receberam gramados com pequenos arbustos. E os fundos, receberam um conjunto de arbustos de médio porte posicionadas sobre um canteiro todo trabalhado e intercalado com placas de madeira, pedriscos e arbustos.


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Figura 104 – Implantação humanizada com 1° pavimento da casa contêiner Vale. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

A setorização do primeiro pavimento acomodou essencialmente as áreas sociais (sala de estar, que assim como a casa Interlagos, contará com um vazio central, favorecendo ventilação natural e iluminação), as áreas de serviço (cozinha, garagem e área de serviço) e a áreas íntimas (banheiro social e um quarto reversível), destinado a um terceiro membro agregado da família ou a um possível escritório, por exemplo, pode-se dizer que o uso desse cômodo será flexível, dependerá da dinâmica dessa família. SERVIÇO

CIRCULAÇÃO HORZ.

SOCIAL

CIRCULAÇÃO VERT.

INTIMO


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Figura 105 – Planta humanizada e setorizada do primeiro pavimento da casa contêiner Vale. Fonte: Adaptado pelo autor do site Google Earth. Acesso em Agosto de 2014.

O segundo pavimento, ficou encarregado de acomodar os outros dois quartos e o banheiro. O objetivo foi trazer total privacidade aos quartos colocando-os no segundo piso. SOCIAL

CIRCULAÇÃO HORZ.

INTIMO

CIRCULAÇÃO VERT.

Figura 106 – Planta humanizada e setorizada do segundo pavimento da casa contêiner Vale. Fonte: Adaptado pelo autor do site Google Earth. Acesso em Agosto de 2014.

5.6.4 Fachadas Como especificado durante todo o processo de projeto, as fachadas receberiam uma aspecto rústico combinado à essência da estrutura convencional. O rústico foi alcançado com aplicação de painéis de madeiras de demolição diretamente nas faces dos contêineres e outras continuaram naturais, exibindo esse contraste. O formato das aberturas também foi um diferencial, elas variaram do modelo básico ao circular.


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Figura 107 – Fachada principal da casa contêiner Vale, exibindo o aspecto tradicional das paredes contêiner. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

Figura 108 – Fachada norte da casa contêiner Vale, exibindo o contraste da madeira com o convencional. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

Figura 109 – Fachada sul da casa contêiner. Fonte: Arquivo pessoal (2014).


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5.7 LOCAL DE IMPLANTAÇÃO DA CASA CONTÊINER JABAETÉ

5.7.1 Localização O terceiro lote selecionado para implantação do ensaio projetual da habitação situase no bairro Residencial Jabaeté, Vila Velha. O lote selecionado possui aproximadamente 140m² de área livre.

Figura 110 – Em destaque na cor vermelha, o bairro Residencial Jabaeté e na cor laranja o lote selecionado. Fonte: Adaptado do site Google Earth. Acesso em Agosto de 2014.

O bairro Residencial Jabaeté faz parte da Grande Terra Vermelha, e surgiu em necessidade de diminuir a carência habitacional da região metropolitana. Ele foi adquirido pelo governo no ano de 1992, planejado e loteado para receber habitações de interesse social. Residencial Jabaeté faz limite ao norte com o bairro João


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Goulart, ao sul com a área rural, ao leste com os bairros Terra Vermelha e Normília Cunha e a oeste com o bairro Morada da Barra. 5.7.2 Parâmetros urbanísticos Como realizado nos demais projetos das casas Interlagos e Vale para dar início às atividades projetuais, faz-se necessários consultar o Plano Diretor Municipal da cidade de Vila Velha. De acordo com o PDMVV, o terreno está situado na zona ZEIS Terra Vermelha (Zona de Especial Interesse Social).

Figura 111 – Mapa 06 – zoneamento detalhe 04 – PDMVV. Fonte: Disponível em: PDM de Vila Velha. Acesso em Agosto de 2014.

E de acordo com o quadro do anexo I do PDMVV apresentados na figura abaixo o coeficiente de aproveitamento básico do lote em questão básico é de 1,5. A taxa de ocupação 70% e taxa de permeabilidade 15%. O Gabarito permitido e altura máxima não é especificado, permitindo certa liberdade. Os afastamentos serão apresentados a seguir no quadro na figura 114.

Figura 112– Anexo I – Quadro V do PDMVV. CA e Parâmetros Urbanísticos. Fonte: Adaptado pela autora. Disponível em: PDM de Vila Velha. Acesso em Agosto de 2014.


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Figura 113 – Anexo I – Quadro VI do PDMVV. Afastamentos mínimos. Em relação as afastamentos, os frontais são de 3,0 m, enquanto os laterais e fundos serão de 1,5m. Fonte: Disponível em: PDM de Vila Velha. Acesso em Agosto de 2014.

Figura 114 – Análise de insolação e ventilação. A análise é bem simplificada e resumida. A melhor insolação claramente visualizada é a matinal, chegando no sentido leste, que chega até o terreno pela diagonal. Em relação aos ventos, os dominantes vem da direção nordeste. Fonte: Arquivo pessoal (2014).


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5.8 PROJETO CASA CONTÊINER JABAETÉ

5.8.1 Partido arquitetônico e composição volumétrica A casa contêiner Jabaeté difere das demais projetadas até então, seu partido foi embasado num caráter mais social e limitado, estipulado principalmente pelo perfil do local e dimensão do lote. A materialidade será padronizada como nas demais, predominando o misto do rústico e do convencional. A configuração modular resultante foi a junção de 03 módulos no total, todos de 20 pés ajustados em um único nível.

Figura 115 – Diagrama modular da tipologia casa Jabaeté. Módulos em vermelho representando os de 20 pés. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

5.8.2 Programa de necessidades Na casa contêiner Jabaeté, os ambientes foram organizados de maneira que a proximidade entre os ambientes não comprometesse o fluxo das atividades e ao


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mesmo tempo estivessem sintonizados. A casa deverá alojar uma família de 03 pessoas, pai, mãe e filho (a). E contará com os seguintes ambientes abaixo: 01 Sala estar/jantar integrada; 01 cozinha; 01 área de serviço; 01 garagem; 02 quartos 01 banheiro

5.8.3 Implantação e setorização Em virtude de um programa mais enxuto, a implantação da casa Jabaeté privilegiou uma modulação de maneira sutil e simplificada. O paisagismo foi aprimorado com pequenos arbustos, vaso de plantas e decks.

Figura 116 – Implantação e térreo humanizados da casa contêiner Jabaeté. Fonte: Arquivo pessoal (2014).


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A Setorização privilegiou a orientação dos quartos no sentido leste em decorrência da insolação matinal de forma que também permitissem privacidade para com os demais ambientes. A sala de estar e jantar foram integradas, posicionadas logo na entrada da casa, e em seguida dando apoio, a cozinha e uma área de serviço externa.

SERVIÇO SOCIAL INTIMO

Figura 117 – Planta baixa do térreo humanizado da casa contêiner Jabaeté. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

5.8.4 Fachadas Assim como definido no partido, a combinação de acabamentos rústicos com o “natural” do contêiner estiveram presentes.

Figura 118 – Fachada frontal da casa contêiner Jabaeté. Fonte: Arquivo pessoal (2014).


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Figura 119 – Fachada Leste da casa contêiner Jabaeté. Fonte: Arquivo pessoal (2014).

Figura 120 – Perspectiva geral da casa contêiner Jabaeté. Fonte: Arquivo pessoal (2014).


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5.9 Seleção de materiais e técnicas construtivas Existem inúmeros materiais e técnicas construtivas no mercado que podem ser utilizados em uma construção do tipo container. E que em sua grande maioria, são aos mesmos adotados em uma casa convencional. As três tipologias desenvolvidas ao longo deste trabalho, serão diferentes no programa, mais terão em comum as mesmas soluções técnicas e materiais empregados em sua estrutura. A seguir serão apresentados e escolhidos os devidos materiais utilizados.

5.9.1 Estrutura de fundação O container já vem estruturado de fábrica com quatro arestas que atuam como apoio, certamente, devido às condições comuns de empilhamento em que são organizados. Edificações contêineres, assim como qualquer outra convencional, carecem de um sistema de fundação para assegurar que as cargas transmitidas, sejam devidamente suportadas. É importante salientar que, ainda que a estrutura de um container seja bem robusta e firme, há necessidade de uma base sólida acima do nível do solo, que conjuntamente auxiliará na prevenção dos agentes de corrosão e umidade ao longo dos tempos (Shipping Container House Guide, acesso em setembro de 2014). Entende-se que inúmeros fatores influenciam diretamente na escolha de um tipo de fundação, como por exemplo: condições do local, tipo de construção, clima e custos (Oak Ridge National Laboratory, acesso em setembro de 2014). Em geral, as fundações podem ser classificadas de acordo com a NBR 6122/2010, em Superficial (ou rasa ou direta) e Profunda. Nas superficiais, as cargas são transmitidas ao terreno e distribuídas ao logo da base de fundação. Fazem parte desse grupo: as sapatas, os blocos, os radiers, as sapatas associadas, as vigas de fundação e as sapatas corridas. Nas fundações profundas, as cargas são transmitidas ao terreno por uma base, por uma superfície lateral, ou ainda por uma combinação das duas. Esse grupo comporta as estacas, os tubulões e os caixões.


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Essa análise simplificada teve por objetivo auxiliar na escolha de um tipo de fundação para ser aplicada nas duas edificações propostas. A laje selecionada então para embasar as edificações, foi a radier (figura 67). Ela é caracterizada por uma grande laje de concreto armado, que tem contato direto com o solo, responsável por captar as cargas geradas pelo edifício e descarregá-las sobre uma área do terreno. Sua escolha foi fundamentada, principalmente, pela rápida execução e por já ter sido testada nesses casos.

Figura 121 e Figura 122 – Esquema e aplicação de fundação tipo radier. Fonte: [Fig.67] :Adaptado de: Oak Ridge National Laboratory(2014). [Fig.68]: Casa e Design (2014).

5.9.2 Isolamento térmico e acústico O isolamento como já mencionado anteriormente, é um assunto muito discutido e compreende uma ação importante no projeto. Assim como uma residência convencional, é imprescindível estudar um bom posicionamento solar, das aberturas, buscar promover uma boa ventilação, enfim, buscar aliar outras inúmeras estratégias favoráveis que contribuam para o bom funcionamento e qualidade do ambiente. Uma casa seja ela feita de um material qualquer, se não for bem planejada, também terá seu conforto comprometido. Atualmente, existem vários critérios e materiais disponíveis no mercado para se tenha um bom isolamento térmico e acústico de uma casa container.


114

Dentre os mais utilizados estão: o isopor, lã de rocha, lã de vidro, lã de pet (figura 68). Pelo fato de ser ecologicamente correta, tendo como matéria prima garrafas pet recicladas (descartando assim milhares de garrafas no meio ambiente), pela flexibilidade de combinação com diversos materiais, por não ser prejudicial à saúde, por não deformar com facilidade, além de possuir um bom custo-benefício, a Lã de Pet adequou-se no perfil como um eficiente isolante térmico e acústico para revestir internamente as paredes e forros de uma casa contêiner.

Figura 123 – Isolantes térmicos e acústicos. Da esquerda para direita, Lã de Pet, Lã de rocha, lã de vidro e isopor. Fonte: Google Imagens (2014).

O sistema de isolamento acontece através da combinação entre o material isolante e paredes. O material é fixado com a ajuda de perfis metálicos e envolvido por placas, geralmente, de gesso acartonado, OSB, drywall e etc. Todo esse conjunto irá formar uma camada “sanduíche” (figura 70), para revestir as paredes internas. - PLACAS -ISOLANTE

Figura 124 – Esquema tipo “sanduíche” adotado para revestir os ambientes internamente. Fonte: Adaptado de :Gravando em casa.com, 2014.


115

5.9.3 Revestimentos internos (paredes e forros) A escolha dos revestimentos internos para paredes e teto são comuns e possuem uma série de modelos atualmente. Os mais utilizados, geralmente, são: PVC (01), fibrocimento (2), gesso (03), OSB (04) e drywall (05).

01

02

04

03

05

Figura 125 – Relação de materiais comumente utilizados para revestir casas contêineres. Fonte: Google imagens, 2014.

Em meio a todos estes materiais apresentados, a escolha pelo drywall para revestir paredes das tipologias, esteve ligada a sua rapidez de limpeza e montagem, facilidade em possíveis reparos e manutenções, pela precisão, qualidade e compatibilidade de acabamento diversificada (texturas, pinturas e cerâmica), leveza, estabilidade e por proporcionar ganho de área útil no ambiente, devido a espessura de suas paredes e entre outros.


116

5.9.4 Cobertura O módulo de contêiner já possui uma cobertura de fato, mais é adepto a telhados metálicos e coberturas verdes. Nas tipologias foram aplicadas as duas opções em conjunto. O objetivo foi mostrar a capacidade adaptação, como dispor de um mecanismo sustentável, no caso das coberturas verdes.

Figura 126 e Figura 127 – Telhado convencional e com cobertura verde, ambos projetos do Arq. Danilo Corbas. Fonte: [Fig.73]: Marcia Mendes Ribeiro, (2014). [Fig.74]: Casa Design, (2014).

5.9.5 Piso O container já vem de fábrica com um piso de compensado naval, que poderá ser mantido, ou um novo poderá ser agregado. Normalmente são utilizados os pisos vinílicos, laminados e cerâmicos. Tudo irá depender da proposta do projeto em questão. Nas tipologias, os pisos escolhidos foram o vinílico e o cerâmico. Os cerâmicos serão aplicados nas áreas molhadas, como banheiros, cozinhas, áreas de serviço e na garagem. E o vinílico, nos demais ambientes como: salas, quartos e escritório. Os decks em madeira de demolição também estarão presentes, mais nas áreas externas das casas.


117

Figura 128 e Figura 129 – Piso laminado e piso convencional do container. Fonte: [Fig.74]: Zieglerbuild, (2014). [Fig.75]: Marcia Mendes Ribeiro, (2014).

5.9.6 Revestimento externo Na maioria dos projetos pesquisados, a estrutura convencional corrugada das chapas do contêiner continuaram aparentes, recebendo apenas uma camada de tinta refletiva a base de água ou tiveram sua face revestidas em madeiras. Nas três tipologias, a opção foi um misto do convencional com o rústico. As faces ora foram revestidas com ripas de madeira de demolição, ora permaneceram normais.

Figura 130 e Figura 131 – Pintura e revestimento em madeira aplicados externamente. Fonte: [Fig.76]: Cobron Containeres, (2014). [Fig.77]: Planeta Container, (2014).


118

5.9.7 Estratégias de conforto e sustentabilidade Ao longo do projeto, algumas ações visando o conforto térmico e a sustentabilidade foram adotadas nas três casas. Em seguida serão apresentados alguns desses métodos gerais que auxiliaram para qualidade final das três habitações. As coberturas verdes foram utilizadas em todas as três tipologias, auxiliando em uma boa regulação térmica interna dos ambientes.

Figura 132 – Cobertura verde e convencional, perspectiva casa Jabaeté. Fonte: Arquivo pessoal, (2014).

Todas as paredes e tetos foram revestidas pelo conhecido “sistema sanduíche”, formado por uma camada isolante envolvida por chapas gesso.

Figura 133 – Esquema do sistema sanduíche aplicado das casas. Fonte: Arquivo pessoal, (2014).


119

Efeito chaminé na cobertura, auxiliou na renovação interna do ar da edificação.

Figura 134– Aberturas no telhado para auxiliar na ventilação, casa contêiner Interlagos. Fonte: Arquivo pessoal, (2014).

Átrios centrais permitiram uma boa ventilação e iluminação natural.

Figura 135 – Átrios centrais para ventilação. Fonte: Arquivo pessoal, (2014).


120

Painéis de brises e aberturas com venezianas, também colaboraram com a ventilação da casa.

O

O

b b a a i i r r Figura 136 – Paineis rde brises e aberturas com venezianas, casa r contêiner Interlagos. Fonte: Arquivo pessoal, o (2014). o R R e e s Técnicas Estruturais 5.9.8 Especificações s i i d d Alguns processos serão necessários ao longo da execução de uma casa contêiner. e e Os módulos passarão por alguns procedimentos estruturais e adaptações para n n c chegaram ao resultado final especificado no projeto. Na c sequência, serão exibidas i i algumas dessas técnicas: a a l l CORTES: Para a fixação das esquadrias, será necessário realizar cortes nas J chapas do contêiner e implantar os perfis. J a a b b a a e e t t é é f a z p a r Figura 137 – Adaptação do contêiner. t Fonte: Casa Foz Desing (2014). e d a

f a z p a r t e d


121

EMPILHAMENTO E SOLDAS: No ato do empilhamento entre os contêineres, é necessário travá-los para melhor segurança e para que não se movimentem. Esse travamento é realizado por conexões do tipo machofêmea, conectadas diretamente nas arestas dos módulos. Soldagens também serão necessárias entre as junções tanto na parte inferior quanto na superior.

Figura 138 – Peças para o travamento do contêiner. Fonte: Portos sem mistério (2014).

Figura 139 – Soldagem inferior e superior Fonte: Marcia Mendes Ribeiro (2014).


122

TUBULAÇÕES: As tubulações hidráulicas e cabeamentos elétricos serão todos embutidos nas paredes e nos forros.

Figura 140 – Esquema de embutimento de tubulações e fiações Fonte: PineWeb (2013).

5.10 Legislação Como as leis que regem as normas de construção variam de região para região, não é possível traçar um parâmetro para este caso em especial. Atualmente no Brasil, não existe nenhuma lei que regularize esse tipo de construção. Deste modo, uma casa do tipo container será submetida aos mesmos tramites de aprovação, taxas e deverá seguir também a legislação vigente para edificações convencionais e inovadoras.


123

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando os argumentos e fatos apresentados, a principal contribuição deste trabalho visa em atender a uma demanda habitacional, reproduzindo modelos baseados em um conceito modular pré-fabricado, tendo o contêiner como elemento principal, que correspondam às necessidades básicas atuais e futuras de seus usuários, e que também pudesse contribuir de certa forma, com a sustentabilidade na construção. O caráter flexível apresentado pela composição desses módulos, justifica a incorporação dessa nova concepção construtiva na arquitetura atual. Muitas experiências ilustraram que construções em contêiner são compatíveis e podem apresentar, relativamente, comodidade e segurança, desde que sejam associados a fatores como: praticidade, racionalização, durabilidade e sustentabilidade e etc. No presente, a importância da implantação de sistemas que venham a interferir e contribuir para a qualidade e na dinamização dos processos utilizados na construção civil são indiscutivelmente necessários. O trabalho foi organizado através de uma sequência de pesquisas e dados que viessem a ser fundamentais para a implantação da temática contêiner na arquitetura, que foram introduzidos em seis capítulos. No primeiro capítulo, concluiuse que, a pré-fabricação na arquitetura foi essencial para reconstrução habitacional das cidades no período das grandes guerras mundiais e também influenciou vários arquitetos modernistas a desenvolverem modelos representativos que influenciaram longos períodos da história, e que perduram até os dias atuais. A seguir no segundo capítulo, está justificado detalhadamente toda uma trajetória do contêiner, apresentando sua morfologia, suas contribuições para sustentabilidade, suas diversas formulações usuais na arquitetura e entre outros. O terceiro capítulo, esclarece o conceito e alguns desempenhos necessários para o desenvolvimento de uma habitação. E em especial também, comprova a importância da utilização dos ideais do sistema modular para produção habitacional. Outra questão pontuada foi às constantes mudanças sofridas pela família moderna, que apontam uma grande mobilidade de seus integrantes, originando novos grupos


124

familiares e desintegrando cada vez mais o modelo padrão de família nuclear, confirmados inclusive, por dados estatísticos do IBGE. A participação do usuário e dentre outros fatores, são determinantes para a sua incorporação. No quarto capítulo, está justificada a importância da coordenação modular para contexto da arquitetura desde o seu surgimento, utilizado inicialmente de forma rudimentar pelas civilizações clássicas, que desenvolveram métodos individuais baseados na modulação em grande parte de suas construções. Outros exemplos marcaram mundialmente o cenário mundial nesse contexto, o Palácio de Cristal, construído basicamente através dos mesmos conceitos e o Modulor, sistema de proporções desenvolvido pelo conceituado arquiteto Le Corbusier, inspirado nas dimensões do corpo humano. E por fim, o quinto capítulo, com a proposta projetual das três casas contêineres, cumprindo o objetivo principal do trabalho, oferecendo habitações com variabilidade modular, adaptadas a um determinado espaço e em conformidade com um perfil familiar. A homogeneidade dos materiais e estratégias sustentáveis também foram alcançadas com o auxílio de inúmeros artifícios. O desenvolvimento do trabalho proporcionou ainda, o aprofundamento acerca das técnicas envolvidas nesse tipo de construção. Estes processos são imprescindíveis para a composição de uma casa contêiner, que mesmo com toda a rigidez das peças, a possibilidade de formulações mostrou-se variada.

Perante a pouca

exploração no Brasil, as experiências comprovadas mostram essa eficiência construtiva, sendo esse o diferencial da construção. Um casa convencional por exemplo, para construir o um pilar, são necessários: fôrmas, cimento, água, ferragens, escoras, areia, mão de obra, dependência climática e etc. E em uma casa contêiner, a estrutura está pronta, basta somente personalizar. Portanto, considera-se que o objetivo foi alcançado, visto que o projeto introduz três soluções valorizando a imagem do contêiner de maneira simples e arrojada podendo contribuir referencialmente para futuros outros projetos.


125

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132

APÊNDICES APÊNDICE A – Prancha 01/14 – Planta implantação, Situação, Primeiro pavimento, Segundo pavimento. APÊNDICE B – Prancha de 02/14 - Planta de cobertura, Locação, Corte AA e Corte BB. APÊNDICE C – Prancha 03/14 - Fachada 01, Fachada 02, Fachada 03, e Fachada 04. APÊNDICE D – Prancha 04/14 - Perspectivas. APÊNDICE E – Prancha 05/14 - Planta de Implantação, Situação, Primeiro pavimento, Segundo pavimento, Corte AA e Corte BB. APÊNDICE F – Prancha 06/14 – Planta de Cobertura, Locação, Fachada 01, Fachada 02, Fachada 03, Fachada 04. APÊNDICE G – Prancha 07/14 – Perspectivas. APÊNDICE H – Prancha 08/14 – Planta de Implantação, Cobertura, Situação, Locação, Térreo, Corte AA, Corte BB. APÊNDICE I – Prancha 09/14 – Fachada 01, Fachada 02, Fachada 03, Fachada 04 e Perspectivas. APÊNDICE J - Prancha 10/14 - Layout Primeiro Pavimento. APÊNDICE K – Prancha 11/14 – Layout Segundo Pavimento. APÊNDICE L – Prancha 12/14 – Layout Primeiro Pavimento. APÊNDICE M – Prancha 13/14 – Layout Segundo Pavimento. APÊNDICE N – Prancha 14/14 – Layout Primeiro.


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

04

+0,00

+0,17 PROJEÇÃO COBERTURA(PERGOLADO)

+0,17

1.20

04

7.18

P6

ACESSO VEICULAR

01

+0,35

02

3.47

P9

+0,17

A

01

P7

02

+0,35 PROJEÇÃO VARANDA

3.51

P3

ACESSO PESSOAS

+0,15

ÁREA SERVIÇO EXTERNA a=1,20m²

+0,17

P5 0.10

+0,17

P1

1.20

+0,00 +0,00

V2 4.36

J1

1.31

PLANTA BAIXA  -­  IMPLANTAÇÃO

03

ESC.:1/100

J5

J5 3.88

0.30

COZINHA/JANTAR      a=15,3m²

1.61 0.33

ÁREA DE  SERVIÇO a=6,4m² +0,35

J2

AV. PE DRO

BRAVI

M

J2

J4

J3

1.20 25.5 ° 88

PRAIA DE INTERLAGOS 94

RUA " A"

03

A

ESC.:1/50

7.31

°

PLANTA BAIXA - PRIMEIRO PAVIMENTO

°

88

14.8

15,7

PROJEÇÃO TELHADO

26.06

DETALHE 01 S/ESCALA

01

P7

3,08x2,52m CORRER 04 FOLHAS

ALUMÍNIO

P8

0,60x2,10m ABRIR 01 FOLHA 5,06x2,10m ABRIR 04 FOLHAS

MADEIRA

ALUMÍNIO

02

02

01

JANELAS

J2

J3 J4

J5

ALUMÍNIO

2,00x0,72X1,25m -BASCULANTE ALUMÍNIO -02 FOLHAS 1,40x0,72x1,25m -BASCULANTE -01 FOLHA

2,40x2,52m CORRER 2 FOLHAS

ALUMÍNIO

COEF. DE APROVEITAMENTO

1.00

0.58

34,09% 0,56

01

01

A

01 12.19

NOMES

DIM.:/TIPO 0,76x2,45m -VENEZIANA

J2

2,60x1,50X1,10m ALUMÍNIO -CORRER -02 FOLHAS

01

J3

0,70x0,70X1,70m -BASCULANTE ALUMÍNIO -01 FOLHA

02

MADEIRA

8.13

V2

2.16

0.38

ALUMÍNIO

0,70x0,70X1,70m -BASCULANTE ALUMÍNIO -01 FOLHA

01

03

02

MATERIAL QUANT. DIM.:/TIPO 1,40x1,40X0,80m -FIXO ALUMÍNIO 01 -01 FOLHA 1,12x1,30Xm -FIXO ALUMÍNIO 01 -01 FOLHA

0.20

2.33

ROJETO

ASA

BANHEIRO a=3,49m²

HALL a=5,0m² +2,91

4.49

MATERIAL QUANT.

V1

1,40x1,40X0,80m ALUMÍNIO -FIXO

V2

1,43x2,45Xm -FIXO COM VENEZIANA

ALUMÍNIO

V3

3,20x2,53Xm -FIXO COM VENEZIANA

ALUMÍNIO

01

V4

8,13x1,54x1,07m -FIXO COM ALUMÍNIO VENEZIANA

01

V5

0,56x0,93m/ 0,87x0,93m/ 0,56x0,93

2.33

1.05

VIDRO FIXO DIM.:/TIPO

NOTA: VER LAYOUT NA PRANCHA DE 10/14 E 11/14

02

ALUMÍNIO

01

02

+2,89

7.39 4.48

B

SUÍTE a=16,75m²

0.10

0.41 2.40

+2,91

0.70

BANHEIRO a=2,76m² +2,90

2.30

3.20

1.98

2.60

2.31

-FIXO

13.39

A

03

0.70

0.91

B

02

1.05

V1

+2,91

3.69

MATERIAL QUANT.

J1

NOMES

VIDRO FIXO NOMES

SUÍTE a=14,7m²

JANELAS

01

02

2.40

0,80x2,10m MADEIRA CORRER 01 FOLHA

TAXA DE  OCUPAÇÃO

6.06

01

4.69

MATERIAL QUANT.

2,712x1,30x1,30m ALUMÍNIO -BASCULANTE - 02 FOLHAS 0,70x2,51m -PIVOTANTE -01 FOLHA

0,80x2,10m CORRER MADEIRA 01 FOLHA

04

0.94

J1

DIM.:/TIPO

72,46%

1.30

NOMES

TAXA DE PERMEABILIDADE

2.44

5,60x2,40m ALUMÍNIO BASCULANTE

222,08m²

0.10

P6

ÁREA TOTAL  CONSTRUÍDA

01

0.88

01

88,79m²

1.20

ALUMÍNIO

ÁREA TOTAL  2°PAV.

0,88x2,52m CORRER ALUMÍNIO 1 FOLHA

3.08

P5

3,51x2,46m CORRER 3 FOLHAS

133,29m²

ESC.:1/1000

4.17

P4

ÁREA TOTAL  1º  PAV.

02

1.20

2.44

1.50

01

P5

P9

P3

MADEIRA

2.44

3.49

0,77x2,10m ALUMÍNIO CORRER 01 FOLHA

02

P2

0,60x2,10m ABRIR

PLANTA  DE  SITUAÇÃO

1.12

0,80x2,10m CORRER ALUMÍNIO 01 FOLHA

01

P1

3.39

P4

2,10x2,52m CORRER ALUMÍNIO 2 FOLHAS

01

MATERIAL QUANT.

3.48

P3

MADEIRA

DIM.:/TIPO

4.68

P2

0,80x2,10m ABRIR

NOMES

390,95m²

ÁREA TOTAL  DO  LOTE

2.44

P1

PORTAS

MATERIAL QUANT.

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

NOMES

ZOC 1-­  Zona  de  Ocupação  Controlada

6.06

PORTAS DIM.:/TIPO

PROJEÇÃO PERGOLADO

ÍNDICES URBANÍSTICOS

3.47

QUADRO DE  ESQUADRIAS  2ºPAV.

2.44

QUADRO DE  ESQUADRIAS  1ºPAV.

0.36

1.20

02

ONTAINER

ADAPTAÇÃO DO  CONTÊINER  NA ARQUITETURA RESIDENCIAL: O  ESTUDO  DE  TIPOLOGIAS  FLEXÍVEIS E MODULARES

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

2.24

B

+0,35

2.44

0.20

+0,36

° 90

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

2.59

SALA ESTAR a=20,5m²

0.30

P2

WC a=3,30m²

1.42

V1

B

+0,35

+0,35

PROJEÇÃO VARANDA

+0,36

2.74

ESCRITÓRIO a=6,5m²

+0,00

WC SOCIAL a=3,30m²


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

4.17

2.14

2.45

COBERTURA TIPO PERGOLADO

4.88

8.08

4.88

6.06

3.62

3.00

8.50

6.06

3.38

A

CASA CONTÊINER  INTERLAGOS                        a=222,08m²

1.98

4.37

2.44

4.34

2.44

2.90

5.75

2.00

12.19

PLANTA DE  LOCAÇÃO

0.13 1.54

0.21

2.60

1.52

1.22 0.51

A

3.04

2.89

2.10

0.17

A.SERV.

0.85

1.41

2.89

2.61

0.72

0.76

1.16

0.60

2.89

QUARTO

CORTE AA ESC.:1/50

0.10

0.27

1.20

VEGETAÇÃO

0.50

SUBSTRATO LEVE 3cm

ROJETO

2.89

CORTE BB ESC.:1/50

2.89

2.60

2.61

5.49 2.60

2.70

5.97

QUARTO

ASA

MEMBRANA ALVEOLAR 2cm

6.98

2.10

2.60

CAMADA FILTRO 1cm

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

B

B

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

0.15

0.54

ESC.:1/100

MANTA IMPERMEABILIZANTE

ONTAINER

ADAPTAÇÃO DO  CONTÊINER  NA ARQUITETURA RESIDENCIAL: O  ESTUDO  DE  TIPOLOGIAS  FLEXÍVEIS E MODULARES


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

ABERTURA COM VENTILAÇÃO TIPO VENEZIANA EM MADEIRA

PERFIL METÁLICO PINTADO NA COR BRANCA

CHAPA CONVECIONAL CONTAINER A RECEBER PINTURA  BRANCA  REFLEXIVA  A  BASE  DE  ÁGUA

PERFIL METÁLICO PINTADO NA COR BRANCA

COBERTURA TIPO PERGOLADO COM FECHAMENTO EM VIDRO

FACHADA 01

FACHADA 02

ESC.:1/50

ESC.:1/50

TELHA METÁLICA  TERMOACÚSTICA BRANCA, i: 10%

ABERTURA NO TELHADO PARA VENTILAÇÃO

TERMOBRISE HOUNTER DOUGLAS COM ALETAS NA HORIZONTAL, COR BRANCA

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

TERMOBRISE HOUNTER DOUGLAS COM ALETAS NA HORIZONTAL, COR BRANCA

CHAPA CONVENCIONAL CONTAINER A RECEBER PINTURA REFLEXIVA BRANCA

PERFIL METÁLICO PINTADO NA COR BRANCA ABERTURAS EM VIDRO A SEREM EXECUTADAS NA  PORTA  PARA  ILUMINAÇÃO

ABERTURAS TIPO VENEZIANA COM ACABAMENTO EM MADEIRA

FACHADA 04 ESC.:1/50

TELHADO EM  TELHA  METÁLICA TERMOACUSTICA BRANCA

FECHAMENTO  PARA  CX  D'ÁGUA EM CHAPAS DE CONTAINER

PERFIL METÁLICO PINTADO NA COR BRANCA

ROJETO

ASA

PAINEL EM MADEIRA DE DEMOLIÇÃO FIXADO NA FACE EXTERNA DO CONTAINER

FACHADA 03 ESC.:1/50

ONTAINER

ADAPTAÇÃO DO  CONTÊINER  NA ARQUITETURA RESIDENCIAL: O  ESTUDO  DE  TIPOLOGIAS  FLEXÍVEIS E MODULARES

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

04

0.15

0.15

5.83

0.15

N

6.06

N

PROJEÇÃO COBERTURA

1.06

+0,00

3.37

1.75

0.94

J2

PRAÇA CRISTALINA

J3

NÇA

ACESSO VEICULAR

GARAGEM a=20,40m²

10

ÃO G O

3.20

3.50

J2

LO

08

J2

11 12

0.80

1.81

0.50

RUA S

16

RUA

16

CRIS T

ALIN

A

1.25

4.88

+0,00

+0,15

+0,00

P2

3.60 +0,36

3.06

1.46

+0,17

PROJEÇÃO COBERTURA

+0,35

0.89

0.50

+0,17

A

2.44

0.50

2.06

2.67

ACESSO PESSOAS

P1

+0,36

PLANTA DE  SITUAÇÃO ESC.:1/2000

03

J3

P1

+0,35

0.80

2.25

J1

1.41

4.33

2.13

1.75

6.06

0.94

QUADRO DE ESQUADRIAS/PAV. SUPERIOR

QUADRO DE  ESQUADRIAS/  TÉRREO

0.80

N

PORTAS NOMES

B

1.06

+0,35

0.60 2.25

J4

1.31 2.44

2.13

PROJEÇÃO COBERTURA

0.61

QUARTO a=15,9m² +0,36

0.10

1.24

1.23

0.50

4.68

2.34

1.69

0.60

0.15

J1

PROJEÇÃO VAZIO

2.44

0.34

01

02

0.65

0.48

0.60

J5

V2

2.26

1.20

2.84

0.10

3.40

PORTAS

DIMENSÃO/TIPO

MATERIAL

QUANT.

NOMES

0,60x2,10m ABRIR

MADEIRA

02

P1

0,60x2,10m ABRIR

MADEIRA

01

P2

0,70x2,10m ABRIR

MADEIRA

01

P2

0,70x2,10m ABRIR

MADEIRA

02

P3

0,80x2,40m -CORRER -01 FOLHA

ALUMÍNIO

02

JANELAS NOMES

ESC.:1/50 1.66

0.60

0.21

G1

0.21

G1

0.21

0.70

02

0.34

G1

4.68

G1

2.84

J1

0.21

2.19

P1

0.50

2.24

0.10

1.23

+2,90

+2,91

G1

J1

0,70x0,70x1,70m -BASCULANTE -01 FOLHA

ALUMÍNIO

01

J2

0,48x0,48x1,70m -PIVOTANTE -01 FOLHA

ALUMÍNIO

03

J3

1,75x1,20x1,10m -DE CORRER -02 FOLHAS

ALUMÍNIO

1,51x0,80x1,20m -BASCULANTE -02 FOLHAS

ALUMÍNIO

02 01

VIDRO FIXO NOMES

+2,91

V1

DIMENSÃO/TIPO

MATERIAL

QUANT.

1,23x1,23x 1,20m -FIXO

ALUMÍNIO

01

1.31

P2

01

J2

1,75x1,20x1,10m -DE CORRER -02 FOLHAS

ALUMÍNIO

01

J3

1,51x1,20x1,10m -DE CORRER -02 FOLHAS

ALUMÍNIO

01

ALUMÍNIO

01

ALUMÍNIO

01

J4

J4

1,15x1,09x1,28m -BASCULANTE -02 FOLHAS 0,60x2,61m -PIVOTANTE -01 FOLHA VIDRO FIXO

V2

0.94

DIMENSÃO/TIPO

MATERIAL

1,23x1,23x 1,20m ALUMÍNIO -FIXO 0,48x0,48x m -FIXO

ALUMÍNIO

QUANT. 01 01

0.80

2.93 2.89

GRELHA PARA  VENTILAÇÃO

1.51

6.98

2.44

DIMENSÃO/TIPO

G1

QUANT.

0,21x1,85x0,41m ALUMÍNIO -FIXO

07

ÍNDICES URBANÍSTICOS

0.46 0.80

MATERIAL

NOMES

J3

+2,91

6.28

QUANT.

ALUMÍNIO

V1

1.75

MATERIAL

J1

NOMES

J2

G1

DIMENSÃO/TIPO 0,70x0,70x1,70m -BASCULANTE - 01 FOLHA

J5

0.89

+2,89

G1

0.46

0.61

4.73

01

QUANT.

J4

1.79

1.25

WC SOCIAL a=2,76m²

MATERIAL

J4

2.34 V1

DIMENSÃO/TIPO

NOMES

2.44

03

QUANT.

ZEIU -­  Zona  de  Especial  Interesse  Urbanístico 6.06

0.80

2.89

B

ÁREA TOTAL  DO  LOTE

250,90m²

ÁREA TOTAL  1º  PAV.

80,73m²

ÁREA TOTAL  2°PAV.

59,26m²

ÁREA TOTAL  CONSTRUÍDA

139,89m²

COEF. DE APROVEITAMENTO

03

55%

TAXA DE  OCUPAÇÃO

32%

TAXA DE PERMEABILIDADE

54,7%

NOTA: VER LAYOUT NA PRANCHA DE 12/14 E 13/14 ROJETO

6.28

2.89

ASA

ONTAINER

ADAPTAÇÃO DO  CONTÊINER  NA ARQUITETURA RESIDENCIAL: O  ESTUDO  DE  TIPOLOGIAS  FLEXÍVEIS E MODULARES

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PLANTA BAIXA - PRIMEIRO PAVIMENTO

DIMENSÃO/TIPO MATERIAL

P1

JANELAS

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

25

P3

A

2.44

0.70

15

10

2.48

14

2.99

01

2.44

2.44

13


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

25.10

N FECHAMENTO DA CAIXA D'GUA EM CHAPAS DE CONTAINER NA COR BRANCA COBERTURA EM PERGOLADO COM VIDRO COBERTURA TIPO PERGOLADO COM FECHAMENTO EM VIDRO

CHAPA CONVENCIONAL CONTAINER A RECEBER PINTURA REFLEXIVA BRANCA

5.03

6.13

PERFIL METÁLICO

10.0

5.00

PERFIL METÁLICO COR CINZA, NATURAL

5.13

CASA CONTÊINER  VALE                        a=139,89m²

COBERTURA VERDE

ESTRUTURA METÁLICA DE  SUSTENTAÇÃO  DA  GARAGEM

2.00

PLANTA DE  LOCAÇÃO ESC.:1/100

6.06

1.06

0.07

6.13

FACHADA 01

FACHADA 02

ESC.:1/50

PAINEL EM MADEIRA DE DEMOLIÇÃO

ESC.:1/50

2.44

2.44

I:10%

COBERTURA VERDE

ABERTURAS PARA  VENTILAÇÃO

4.88

0.80

I:10%

3.24

2.44

PAINEL EM MADEIRA DE DEMOLIÇÃO FIXADO NA FACE EXTERNA DO CONTAINER

CALHA i:1%

4.00

2.44

COBERTURA VERDE

2.44

2.14

0.80

PEGOLADO

TELHA METÁLICA TERMOACÚSTICA  BRANCA

PEGOLADO EM VIDRO

0.80

0.07

1.57

4.42

0.07

1.00

6.06 7.86

PLANTA BAIXA - COBERTURA

FACHADA 03

ESC.:1/50

ESC.:1/50

PAINEL EM MADEIRA DE DEMOLIÇÃO FIXADO NA FACE EXTERNA DO CONTAINER

COBERTURA TIPO PERGOLADO COM FECHAMENTO EM VIDRO ROJETO

ASA

CHAPA CONVENCIONAL CONTAINER A RECEBER PINTURA BRANCA REFLEXIVA BRANCA

PERFIL METÁLICO COR CINZA NATURAL

FACHADA 04 ESC.:1/50

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

FECHAMENTO DA CAIXA D'GUA EM CHAPAS DE CONTAINER NA COR BRANCA

COBERTURA VERDE

ONTAINER

ADAPTAÇÃO DO  CONTÊINER  NA ARQUITETURA RESIDENCIAL: O  ESTUDO  DE  TIPOLOGIAS  FLEXÍVEIS E MODULARES

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

3.50

CALHA i:1%


PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

01

0.43

0.42

VEGETAÇÃO

N VEÍCULOS

2.89

2.60

1.10

MEMBRANA ALVEOLAR 2cm

RU

A" D"

MANTA IMPERMEABILIZANTE

10. 0

14.

0

RU

0.16

0.85

2.89 +0,17

+0,00

CAMADA FILTRO 1cm

A" 20 "

+0,15

1.20

ACESSO

2.61

ACESSO PESSOAS

N

SUBSTRATO LEVE 3cm

CORTE AA ESC.:1/50

COBERTURA VERDE

0.27

TELHA METÁLICA TERMOACÚSTICA  i:10%

0.43

0.30

0.29

0.43

0.42

03

PLANTA DE  SITUAÇÃO

3.00

1.17

1.10

0.16

QUADRO DE ESQUADRIAS PORTAS DIM.:/TIPO

MATERIAL QUANT.

P1

0,60x2,10m ABRIR

MADEIRA

02

P2

MADEIRA

02

P3

0,70x2,10m ABRIR 0,80x2,30m CORRER

ALUMÍNIO

01

P4

1,00x2,30m CORRER

ALUMÍNIO

01

P5

0,70x2,30m CORRER

ALUMÍNIO

01

NOMES

CORTE BB ESC.:1/50

+0,17

+0,17

+0,00

N 6.06

02

JANELAS NOMES

0.07

ESC.:1/50

0.30

PLANTA DE  IMPLANTAÇÃO

3.91

CALHA i:1%

01

J1

0,70x0,70x1,70m ALUMÍNIO -BASCULANTE - 01 FOLHA

J2

1,50x1,20x1,10m ALUMÍNIO -DE CORRER -02 FOLHAS

2.07

DET.01 S/ESCALA

i:10%

B

N

J3

0,60x2,60m -PIVOTANTE -01 FOLHA

ALUMÍNIO

01

03

01

4.87

COBERTURA VERDE

MATERIAL QUANT.

DIM.:/TIPO

ÍNDICES URBANÍSTICOS

J2 PROJEÇÃO COBERTURA

i:10% 2.07

P4

ZEIS - Zona de Especial Interesse Social

°

92

° 88

3.05

6.06

1.50

COBERTURA VERDE

+0,36

+0,36

4.88

1.76

P5

1.64

J3

CASA CONTÊINER  VALE                        a=44,29m²

1.00

P1 P2

4.88

0.07 1.00

PLANTA BAIXA - COBERTURA

J1

2.44

ESC.:1/50

3.37

J2

1.50 92 °

0.40

6.06

1.58

1.00

2.44

1.29

+0,36

2.46

°

88

1.51

PLANTA DE  LOCAÇÃO ESC.:1/50

02

ESC.:1/100

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

PLANTA BAIXA  -­  PAVIMENTO  TÉRREO

4.42 6.06

+0,35

145,6m²

ÁREA TOTAL  1º  PAV.

44,29m²

ÁREA TOTAL  CONSTRUÍDA

44,29m²

COEF. DE APROVEITAMENTO

30,0%

TAXA DE  OCUPAÇÃO

43,4%

TAXA DE PERMEABILIDADE

24,0%

NOTA: VER LAYOUT NA PRANCHA DE 14/14 ROJETO

1.50

2.44

+0,35

2.34

7.31

3.96

2.41

A

1.73

A

03

3.00

0.55

3.23

04

CALHA i:1%

2.44

+0,17

0.07

1.74

0.07

0.30

P4

ÁREA TOTAL  DO  LOTE

ASA

ONTAINER

ADAPTAÇÃO DO  CONTÊINER  NA ARQUITETURA RESIDENCIAL: O  ESTUDO  DE  TIPOLOGIAS  FLEXÍVEIS E MODULARES

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

CIRC a=1,76m²

PRODUCED BY AN AUTODESK EDUCATIONAL PRODUCT

2.89

2.60

1.20

1.20 2.31

2.60 1.26

COZINHA a=12,9m²

1.20

3.31

ESC.:1/1000


TCC arqurbuvv A adaptação do contêiner na arq.resid.: o estudo de tipologias flexíveis e modulares  

2014-02 Gabriela Koski

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